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sexta-feira, agosto 23, 2013

XÔ! (ELEIÇÕES 2014. O ANO NO QUAL SE FARÁ EXTENSA FAXINA)

23/08/2013
Renda cai pelo quinto mês


IBGE afirma que a disseminação dos reajustes de preços engoliu parte dos ganhos dos trabalhadores. Desemprego recua

ANTONIO TEMÓTEO

O aumento da inflação está corroendo o poder de compra dos brasileiros. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média real dos trabalhadores caiu 0,9% em julho, para R$ 1.848,40, o quinto mês seguido de recuo. No acumulado do ano, a perda é de 0,6%. A tendência, acreditam os analistas, é de esse quadro perdurar até que o governo consiga domar a alta do custo de vida. Neste ano, a inflação jamais ficou abaixo de 6% no acumulado de 12 meses, apesar de o alvo perseguido pelo Banco Central ser de 4,5%.

A boa notícia, conforme o IBGE, foi a primeira queda do desemprego neste ano. De junho para julho, o índice cedeu de 6% para 5,6%, dando um alívio ao governo, que teme pelo aumento da desocupação, diante da fragilidade do crescimento econômico. Pelas contas do Caged, cadastro de trabalhadores formais administrado pelo Ministério do Trabalho, no mês passado, foram abertas pouco mais de 41 mil vagas — o pior julho em 10 anos. O mercado de trabalho ainda positivo, mesmo que mais fraco, é a única bandeira que pode ser ostentada, pelo menos por enquanto, pela presidente Dilma Rousseff em sua campanha à reeleição em 2014.

Apesar do arrocho promovido pelo BC, que vem aumentando a taxa básica de juros (Selic) desde abril para conter a inflação, os efeitos da carestia se fazem sentir no orçamento das famílias. Para o coordenador da pesquisa de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, o quadro merece atenção, mas não há motivo para alarde. No entender dele, apesar da retração na renda média real, a formalização da mão de obra aumentou e a indústria contratou mais. “O numero de trabalhadores com carteira assinada subiu 3,5%, um crescimento de 392 mil formalizações”, frisou.

Na avaliação da economista Mariana Hauer, do Banco ABC Brasil, é importante ressaltar que, mesmo em queda nos últimos meses, a média dos salários está acima da verificada no ano passado. Ele ressaltou, contudo, que esse movimento precisa ser monitorado com atenção, pois a taxa de desocupação veio abaixo do que ela previa (5,9%), mas além dos 5,4% de julho de 2012. “Não acredito que a taxa de desemprego chegue a 6,6% em 2014, como preveem alguns economistas. Isso só ocorrerá se houver uma forte deterioração do quadro econômico, o que não está no horizonte”, completou.

Na avaliação do economista-chefe da Corretora Concórdia, Flávio Combat, a inflação continuará a pressionar a renda dos trabalhadores. Ele justificou que o dólar valorizado frente ao real e a necessidade de reajuste no preço dos combustíveis terão impacto nos índices que medem a carestia. “Com a inflação em alta e a desaceleração da economia, a taxa de desemprego deve fechar o ano em 5,9%, chegando a 6,5% em 2014”, completou.

Em meio a esse cenário de incertezas, o eletricista João Carlos da Silva, 41 anos, foi demitido há dois meses. Ele contou que, desde o começo do ano, o salário já não era suficiente para fazer as compras do supermercado e pagar as despesas de casa. À procura de emprego, ele já admite receber menos para não atrasar os compromissos.


adicionada no sistema em: 23/08/2013 12:56
23/08/2013
Salários em queda

VERA BATISTA

Pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que os aumentos salariais no primeiro semestre deste ano são inferiores aos de 2012, no mesmo período. Nos primeiros seis meses do ano passado, 96,3% das negociações resultaram em reajuste acima da inflação, ante 85% neste ano, até julho. Em 7% dos casos, houve apenas reposição inflacionária. Em 8,5%, o reajuste nem sequer cobriu a alta do custo de vida. O ganho médio acima da inflação foi de 1,19%, enquanto no ano passado chegou a 2,26%. Esse é o menor percentual dos últimos quatro anos.

Luis Ribeiro, técnico do Dieese, afirmou que os números estão dentro das expectativas. Ele avaliou, porém, que a partir de setembro os resultados devem ser melhores. “As previsões de crescimento, ainda que tímidas, são de 2% a 2,5%, a inflação dá sinais de queda e as categorias com elevado poder de mobilização (bancários, metalúrgicos, petroleiros e químicos) entram em dissídio coletivo entre setembro e novembro”, ponderou. Ainda segundo ele, até o fim do ano, 90% das negociações deverão resultar em reajustes acima da inflação.

Segundo Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), “no mundo inteiro, as empresas estão retraídas e não sabem se vão conseguir escoar seus produtos, porque ainda há dúvidas quanto ao fim da crise econômica”. Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, lembrou que, nessas situações, o mercado fica mais seletivo na contratação. “Com a demanda alta por vagas, é possível que os reajustes fiquem abaixo da inflação até 2014”, destacou.


adicionada no sistema em: 23/08/2013 12:56

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