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sexta-feira, setembro 13, 2013

OPERAÇÃO ESOPO/PF: CAI O REI DE ESPADAS ?


Para inglês ver: No Trabalho, investigação entre amigos


Escolha polêmica para auditoria no Trabalho
Autor(es): Geralda Doca
O Globo - 13/09/2013
Encarregado de investigação fez convênio com entidade suspeita

O ministro do Trabalho, Manoel Dias, colocou à frente da comissão que vai fazer um pente-fino nos convênios da pasta, depois das irregularidades apontadas pela Operação Esopo, da Polícia Federal, um político que tem um histórico polêmico. Conforme portaria publicada ontem no Diário Oficial da União, caberá ao secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, Sérgio Vidigal, escolher o coordenador dos trabalhos. Vidigal é ex-prefeito de Serra (ES), município que tem um convênio de R$ 4,6 milhões com o Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), entidade citada na operação como a principal beneficiária pelo desvio de dinheiro público. O convênio foi feito na gestão de Vidigal, em 2008, e ainda está em vigência.
Um dos principais assessores do secretário, Cleide Santos Costa, foi preso na semana passada, em São Paulo, na Operação Pronto Emprego. Ele é acusado de favorecer o Centro de Atendimento ao Trabalhador, uma ONG suspeita de desviar aproximadamente R$ 18 milhões de convênios financiados pelo ministério.
Sérgio Vidigal é marido da deputada Sueli Vidigal (PDT-ES). Os dois são fidelíssimos ao presidente do PDT, Carlos Lupi, ex-ministro do Trabalho. Na época dos escândalos que derrubaram Lupi da pasta, o casal assumiu a linha de frente de defesa do presidente nacional do PDT.
Vidigal ocupa a secretaria mais importante do ministério, que cuida dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e responde por todos os convênios de qualificação de trabalhadores e pelos recursos do Projovem — justamente onde estão as irregularidades. Ele ocupa o cargo pela segunda vez, foi levado por Lupi e saiu com a queda do ministro, assim que Brizola Neto assumiu o ministério.
Com a ida de Manoel Dias para comandar a pasta do Trabalho, Vidigal voltou ao cargo. Junto com Vidigal, o número dois da atual gestão Manoel Dias, o ex-secretário executivo Paulo Pinto, também foi exonerado da pasta pelo ex-ministro Brizola Neto. Com a queda de Brizola Neto, desafeto de Lupi no PDT, e a nomeação do apadrinhado de Lupi, os dois voltaram a assumir postos de comando no Ministério do Trabalho.
Mas, segundo fontes próximas, o principal objetivo de Vidigal é se eleger para deputado federal nas eleições do ano que vem. E tem costume de delegar as principais funções da secretaria, contam interlocutores.
Na avaliação de técnicos do próprio ministério, a comissão criada por Manoel Dias teria que ser liderada por um servidor técnico de carreira ou entregue à corregedoria da pasta.
De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial, o foco da comissão será os convênios com indícios de irregularida- : des detectadas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Controlaria Geral da União (CGU). A comissão não tem prazo para concluir os trabalhos, o que pode demorar até um ano.
De acordo com a portaria, a comissão será composta por 12 servidores da própria Secretaria de Políticas Públicas de Emprego, comandada por Sérgio Vidigal, e por dez membros das Superintendências Regionais do Trabalho, que são dominadas pelo PDT.
Indagada a respeito do perfil de Vidigal e de seu eventual impedimento, a assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho informou que ele foi indicado porque é o responsável pela área, justamente onde estão os processos suspeitos de irregularidades.
A criação de um mutirão visa dar uma resposta quanto ao esquema de desvio de recursos públicos. Segundo a portaria, deverá ser priorizada a análise dos processos relativos às entidades investigadas por Polícia Federal, Controladoria Geral da União (CGU) e Tribunal de Contas da União (TCU).

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