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terça-feira, junho 17, 2014

CINDERELA, ACORDE! É QUASE MEIA-NOITE!!!

O baile da Ilha Fiscal

Reprodução / O Ultimo Baile do Império.
O baile da ilha fiscal passou à história como um exemplo de alienação da elite imperial, diante da realidade nacional que acabou por se impor com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Seis dias antes dessa data, no castelo construído na ilha que servia de local de fiscalização alfandegária, próxima ao centro do Rio de Janeiro, cerca de cinco mil convidados foram reunidos para celebrarem as bodas de prata da princesa Isabel e do conde d'Eu, ainda que o pretexto oficial tenha sido homenagear oficiais da marinha chilena, em missão no Brasil.

A intenção do Visconde de Ouro Preto, uma espécie de primeiro-ministro do Imperador e organizador da extravagante festa, era demonstrar a força política do Império, diante das ameaças republicanas que já se manifestavam. Para tanto, exagerou nas pompas e circunstâncias, gastando numa só noite cerca de 10% do orçamento da então capital brasileira e desviando recursos originariamente destinados ao socorro de flagelados da seca no Ceará.

Pois é, caro leitor, não só a seca existe há bastante tempo, como também a malversação de recursos públicos... Faz parte do folclore que cerca o evento, a informação de que, ao chegar, o Imperador D. Pedro II teria escorregado e caído. Ao levantar-se, saiu-se com a seguinte frase: "o monarca escorregou, mas a monarquia não caiu". Mal sabia que, dias depois, seria deposto e enviado para o exílio.

Em tempos de Copa do Mundo, é uma tarefa ingrata querer dividir a atenção do leitor com informações sobre a economia brasileira. Pior ainda se a disputa ocorre no próprio Brasil. Mas, a lembrança do baile da ilha fiscal me veio à mente justamente por conta da competição futebolística, após assistir à estreia do Brasil e às manifestações de repúdio, dos presentes ao estádio, à nossa autoridade maior.
Se a festa em torno do maior evento mundial do esporte preferido dos brasileiros, foi pensada para ser a coroação de um governo – e de um modo de governar – que sempre se preocupou mais com o marketing do que com a organização da administração pública e o fortalecimento da economia nacional, então é bem possível que estejamos diante de um novo e derradeiro baile, que marca o fim de uma era.
E podia ser diferente? Diante de uma plateia de entrevistadores estrangeiros, a nossa presidente Dilma Rousseff foi questionada sobre o porquê de tão baixo crescimento do PIB brasileiro. “Não sei” foi a tão surpreendente quanto franca resposta! A julgar pela condução errante da política econômica é bem provável que não saiba mesmo.

No que respeita à política monetária, assustado seja com as baixas taxas de crescimento, seja com os efeitos eleitorais negativos de uma taxa de juros mais elevada, o Banco Central (BC) desistiu de combater a inflação através do aumento dos juros, estabilizando a taxa básica (Selic) nos 11%.

No caso da política fiscal, a gastança continua desenfreada, apesar das promessas de austeridade da mandatária-mor na esteira das manifestações que marcaram o país há doze meses atrás. Naquele momento, a estratégia adotada pela presidente foi a de propor o que chamou de "Pacto de Responsabilidade Fiscal", que envolvia também o Poder .

A ideia em torno do "Pacto" era unir esforços para evitar o crescimento dos gastos públicos, em resposta aos questionamentos levantados pelos manifestantes quanto ao desperdício de recursos.

Pois bem, nos doze meses entre julho de 2012 e junho de 2013, o superávit primário (diferença entre receitas e despesas não financeiras) – ou seja, a "economia" feita pelo setor público - alcançava 1,99% do PIB. Após o propagandeado "Pacto", nos doze meses encerrados em abril passado, a "economia" reduziu-se para 1,87% do PIB. Só sobrou mesmo a política cambial para tentar conter a inflação.

Não à toa, o governo facilitou a tomada de empréstimos no exterior, como forma de incentivar a entrada de capitais externos no país e derrubar a cotação do dólar.

Com isso, barateando em reais os produtos importados, as autoridades econômicas esperam segurar as taxas de inflação, sem precisar recorrer a novos aumentos de juros, os quais poderiam derrubar ainda mais o medíocre crescimento da economia. Crescimento esse que anda, cada vez mais, perto de alcançar taxas negativas.

Na semana passada, o BC divulgou a variação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), entre abril e março de 2014, o qual alcançou 0,12%. Como o IBC-Br é considerado uma prévia do PIB, vão se esvaindo as esperanças do ministro Guido Mantega de um segundo trimestre com um desempenho econômico melhor que os 0,2% alcançados nos primeiros três meses do ano.

Para piorar, nem a chegada da Copa do Mundo foi suficiente para impulsionar as vendas do comércio, que caíram 0,4% em abril de 2014, quando comparamos com o mês anterior. Aliás, foi o pior mês de abril para o comércio varejist na série do IBGE, desde 2003.

Diante de um cenário como esse, não é de estranhar que a presidente Dilma Rousseff tenha lançado mão do mesmo artifício que utilizavao seu mentor, o ex- presidente Lula, quando confrontado com situações difíceis.

"Não sabia" foi a resposta do ex-presidente às perguntas que remetiam ao escândalo do mensalão. A mesma resposta deu aos questionamentos sobre o caos no setor aéreo, poucos anos atrás.

Grosserias à parte, a presidente Dilma – como de resto, seus auxiliares – não poderão argumentar "não saberem" as razões para a atitude hostil que enfrentou na abertura da Copa do Mundo –motivada muito mais devido ao excesso de empáfia e bazófia, que nos assemelham ao período final do Império.

Tanto é assim que não só ela, quanto alguns de seus assessores, buscaram condenar a forma como a manifestação se deu e o perfil social dos manifestantes; entretanto, não apresentaram qualquer contestação aos motivos da hostilidade...

Como fato curioso, a ser lembrado no futuro, é que o grande inventor desse novo baile da ilha fiscal preferiu não dar as caras. Vai ver também não sabia ou, talvez, tal qual seu antecessor, D. Pedro II, prefira acreditar que a presidente possa escorregar e até cair, mas que isso não vai afetar a continuidade no poder.


Manuelito P. Magalhães Júnior é economista e diretor da Sabesp. Foi presidente da Emplasa e secretário de Planejamento da cidade de São Paulo.

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