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quinta-feira, fevereiro 05, 2015

CPI DA PETROBRAS. A SONDA MARÍTIMA

05/02/2015

Presidente da Câmara criará CPI nesta 5ª

Desafeto do Planalto, Cunha diz que saída de diretoria era necessária para tirar a Petrobras "das páginas policiais"

Siglas governistas foram responsáveis por 52 das 182 assinaturas de deputados em apoio à investigação na Casa

MÁRCIO FALCÃO RANIER BRAGON DE BRASÍLIA

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto do Palácio do Planalto, vai criar nesta quinta (5), a nova CPI da Petrobras, segundo a Folha apurou.

O próximo passo será a indicação dos membros pelos partidos, seguida pelo agendamento da sessão de instalação da comissão.

O governo é contrário à apuração sobre irregularidades na estatal, pois acredita que isso teria potencial para ampliar o desgaste da empresa e do Planalto, além de servir de palco para a oposição.

Assistiu, porém, a 52 deputados governistas viabilizarem, ao lado da oposição, o pedido para a CPI. Ao todo, 182 deputados assinaram o requerimento. Para a comissão ser viabilizada, são necessárias 171 assinaturas.

A nova traição partiu de deputados de oito partidos com representantes no primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff. Além dos oposicionistas, parlamentares do PDT (14), PSD (12), PMDB (10), PR (7), PP (5), PRB (2), PTB (1) e Pros (1) assinaram o requerimento.

Nesta quarta (4), Cunha afirmou que a saída da diretoria da Petrobras, acertada para a sexta (6), era necessária para a empresa passar por "oxigenação", ganhar a credibilidade do mercado e sair "das páginas policiais".

O peemedebista disse ainda que a Petrobras é "um assunto hoje que precisa ser passado a limpo" e que a avaliação não se tratava especificamente da presidente da estatal, Graça Foster.

"Não que se tenha nenhuma queixa ou culpa a ex-presidente Graça Foster, mas que ela [a estatal] precisava ter uma oxigenação para ganhar a credibilidade do mercado e sair das páginas policiais não há a menor dúvida", afirmou.

A CPI tende a ser um dos assuntos discutidos na reunião que o deputado deve ter nesta quinta com Dilma, seu vice, Michel Temer (PMDB), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

A ideia é reconstruir as pontes após a ofensiva fracassada do governo para esvaziar a candidatura de Cunha.

Segundo aliados, Dilma não deve fazer um pedido explícito sobre a CPI, mas fará um aceno ao peemedebista, deixando claro uma espécie de pacto de boa convivência.

Ele defende que seja instalada uma CPI mista, com deputados e senadores, mas sinalizou que vai autorizar a investigação da Câmara.

Cunha foi citado por investigados na Operação Lava Jato. Ele nega qualquer envolvimento com o esquema.

MOVIMENTAÇÃO

Na eleição de Cunha para o comando na Câmara, há consenso que dissidências no PR, PDT e PSD ajudaram a impor a derrota ao Planalto.

Governistas dizem que o movimento em siglas da base foi motivado para pressionar o governo sobre demandas para indicação de aliados em cargos do segundo escalão.

A criação da CPI mobilizou a nova liderança do governo na Casa. José Guimarães (PT-CE), que assumiu o posto na terça (3), reuniu oito partidos e cobrou unidade na base.

De acordo com os relatos, o petista evitou enquadrar os aliados, mas reforçou a necessidade de entendimento.

Isolado na Casa, o PT também decidiu reagir e apresentou outros pedidos de CPIs. A estratégia é bloquear a fila para impedir que os pedidos da oposição ganhem espaço.
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