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quinta-feira, março 10, 2016

O tamanho de Lula (após o pedido de prisão preventiva)

O tamanho de Lula (após o pedido de prisão preventiva)

Político mortal, mas não morto, o ex-presidente nem de longe tem a importância de um Getulio Vargas

Por: Sergio Praça  


Esta é a primeira vez que um ex-presidente brasileiro tem prisão preventiva pedida pelo Ministério Público. Trata-se de uma medida para impedir, segundo os promotores, que Lula interfira na investigação sobre seus possíveis crimes de ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Uma juíza paulista poderá negar o pedido de prisão de Lula. Caso aceite, isso não significa que o ex-presidente está condenado.

Mas a repercussão prática sobre o legado de Lula é imediata. Será lembrado, daqui em diante, como um presidente sob quem a desigualdade de renda caiu (com ajuda de cenário externo favorável) e que esteve no centro de dois gigantescos escândalos de corrupção: Mensalão e Petrolão.

Após ser levado à força para depor na Polícia Federal, o ex-presidente Lula fez discurso inflamado para seus colegas de partido. Sua retórica é brilhante. Mesmo sendo investigado por ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça e falsidade ideológica – com testemunhos e evidências de sobra –, consegue colocar-se como vítima de agentes governamentais persecutórios. CUT, MST, PT e outros simpatizantes de Lula devem ir às ruas, nas próximas semanas, defender o ex-presidente.

Há quem tenha visto nisso uma demonstração de força de Lula. Ele já foi – e ainda é – comparado ao ex-ditador e ex-presidente Getulio Vargas. Sem dúvida é uma figura política para entender os últimos quarenta anos da política brasileira – mas, até aí, Renan Calheiros, Fernando Henrique Cardoso e Marina Silva também são.

Não há nada, nos dois mandatos de Lula, que autorize comparação positiva a Getulio, que criou leis trabalhistas, a Petrobras (meu deus do céu!) e marcou a primeira metade do século XX. O governo Lula contribuiu, sem dúvida, para a diminuição da desigualdade de renda do Brasil. O Bolsa-Família (formulado pelo economista Ricardo Paes de Barros, que nada tem de petista) e o aumento real do salário-mínimo, possibilitado pelo crescimento econômico baseado no alto preço de commodities, contribuíram para isto. É cristalino, no entanto, que a política econômica iniciada em 2009, no fim de seu mandato, só torna os ricos mais ricos (veja aqui um excelente artigo de Vinicius Carrasco e João Pinho de Mello sobre o assunto).

Mas o impacto de Lula é antes político-eleitoral do que relacionado a políticas públicas substantivas. André Singer, cientista político da USP e influente colunista da Folha de S. Paulo, criou o conceito de “lulismo”. Defende que o ex-presidente provocou um realinhamento eleitoral no Brasil equivalente ao de Franklin Roosevelt na democracia americana dos anos 1930. (Marcus Melo critica, aqui, este ponto de vista.)

Realmente não é para tanto. O impacto de Lula é mais partidário do que “sistêmico”. No texto “The dynamics of partisan identification when party brands change: the case of the Workers Party in Brazil”, os cientistas políticos Andy Baker, Barry Ames, Anand Sokhey e Lucio Rennó argumentam que o PT perdeu militantes em dois momentos do primeiro mandato de Lula: a reforma “conservadora” da Previdência no segundo semestre de 2003 e o escândalo do Mensalão em 2005. Mas tamanho é (era?) o carisma do ex-presidente que o partido conseguiu amealhar filiados para recompor sua organização posteriormente.

Talvez o pedido do Ministério Público de São Paulo para sua prisão preventiva mude essa força.


http://veja.abril.com.br/blog/sergio-praca/corrupcao/o-tamanho-de-lula-apos-o-pedido-de-prisao-preventiva/

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