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segunda-feira, dezembro 10, 2012

AVICULTURA: RAÇÃO; A AÇÃO AGRÍCOLA



Crise na avicultura faz produção de ração cair

Autor(es): Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Valor Econômico - 10/12/2012
 

A crise que atingiu a avicultura brasileira prejudicou a produção de rações neste ano. Conforme estimativa divulgada na sexta-feira pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), o Brasil tende a encerrar este ano com uma produção de 62 milhões de toneladas de ração em 2012, queda de 3,4% sobre as 64,5 milhões de toneladas produzidas em 2011.
"O setor engatou a marcha à ré no primeiro trimestre de 2012 e o recuo tem se intensificado por causa do alto custo do farelo de soja e do milho, baixos preços pagos aos produtores e desaceleração no ritmo exportador das carnes", disse, em comunicado, o vice-presidente executivo do Sindirações, Ariovaldo Zani.
Apesar do recuo, a avicultura absorve 55% da produção nacional de rações. O segundo lugar fica com o segmento de suínos, que representa 23% da produção brasileira de alimentação animal. Já a bovinocultura contribui com 12% do total produzido, segundo dados do Sindirações.
Para 2013, Zani diz que o segmento pode retomar a trajetória de crescimento verificadas nos últimos anos. Para que isso aconteça, no entanto, o Brasil precisará crescer a um ritmo mais elevado, segundo o dirigente. A recuperação da demanda nos EUA e na União Europeia também é condição fundamental para a retomada.

sexta-feira, setembro 21, 2012

AGROINDÚSTRIA vs. INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO



Brasil - solução na agroindústria



Autor(es): José Milton Dallari
O Estado de S. Paulo - 21/09/2012
 

O Brasil sofre de miopia em relação à sua verdadeira vocação industrial. Temos um parque automobilístico moderno, mas que hoje precisa de incentivo fiscal, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), para ajudar a economia a crescer. No setor têxtil, fomos ultrapassados pelos produtores chineses, coreanos e por vizinhos latino-americanos que têm ajuda do governo por meio de subsídios. Basta uma olhada nos números do PIB do 2.º trimestre para saber onde o Brasil deveria apostar as suas principais fichas: na agroindústria.
A economia brasileira cresceu 0,4% no 2.º trimestre deste ano, na comparação com o 1.º trimestre. E foi a agropecuária que sustentou essa alta, diga-se, muito aquém do que se esperava. O setor expandiu-se 4,9%, com destaque para uma safra recorde de milho e uma colheita abundante de café.
Se, no passado, o País tivesse escolhido a agroindústria como uma de suas prioridades, certamente já teríamos ultrapassado os EUA como maior produtor mundial de alimentos.
Ter um parque industrial diversificado é importante, mas é fato também que cada nação deve focar os setores em que pode ser mais forte para competir com vantagem no mundo globalizado. Tome o exemplo do Japão. O país fez uma transição gradual de sua indústria têxtil, de ferro e aço e de construção naval para automóveis, maquinaria e engenharia. Depois, focou nas indústrias de alta tecnologia, como computadores, semicondutores e eletrônica. A Alemanha, por sua vez, incrementou o setor de construção de máquinas e equipamentos, que hoje já é o segundo maior da indústria alemã. Esse setor se caracteriza por empresas médias, com flexibilidade em reduzir ou aumentar a jornada de trabalho e grande capacidade tecnológica. Perde em tamanho apenas para o setor automobilístico.
Veja por que o Brasil poderia ser uma superpotência do campo. O País já tem 388 milhões de hectares cultiváveis, com alta produtividade, e mais 90 milhões ainda por cultivar. Até terras que eram improdutivas, como o Cerrado, se tornaram produtivas graças à tecnologia desenvolvida pela Embrapa. Quase 13% da água doce disponível no planeta está no Brasil. O clima é diversificado e o regime de chuvas, regular. Hoje, é possível colher três safras por ano, com muita tranquilidade. São essas as condições suficientes para que o País lidere a produção e a venda de alimentos no mundo.
Poderíamos ter aproveitado esses atributos para criar uma indústria capaz de agregar valor à carne bovina, ao suco de laranja, ao frango, ao café. Por que exportar esses produtos como simples commodities, com preço muito mais baixo do que o pago pelo produto industrializado? Por que o café da Colômbia conquistou fama mundial, e não o brasileiro? A Alemanha, que não planta café, é atualmente um dos maiores produtores de café industrializado do mundo. Ora, essa função é do Brasil.
Uma das explicações é que o agronegócio sempre foi considerado uma atividade "menor" entre os setores da indústria. Existe, sim, um problema cultural entre nós, uma espécie de preconceito velado, que vem causando prejuízo ao longo dos anos. A agricultura, para a elite, é uma atividade inferior à produção de automóveis ou maquinário. Nos EUA, criou-se um parque industrial sofisticado, mas a agricultura nunca foi deixada em segundo plano.
O estudo do governo Brasil - Projeções do Agronegócio mostra que a expectativa é de que a safra de grãos cresça 23% em uma década, com o incremento de 32,9 milhões de toneladas, para um total de 175,8 milhões de toneladas em 2020/2021. Isso levando em conta as culturas de arroz, feijão, soja, milho e trigo. Como se vê, dá para recuperar o prejuízo. O governo precisa investir em infraestrutura para que os produtos agrícolas sejam postos com rapidez no mercado internacional. A falta de ferrovias e as estradas ruins fazem nossos produtos perderem competitividade.
É preciso corrigir essa miopia em relação ao agronegócio.

CHOVE, CHUVA



Volta das chuvas reanima início do plantio de grãos

Autor(es): Por Mariana Caetano | De São Paulo
Valor Econômico - 21/09/2012
 

A chuva que começou a cair há dois dias no Paraná trouxe alívio aos produtores de grãos, que aguardavam ansiosamente o retorno da umidade para acelerar o plantio. A semeadura de soja está oficialmente liberada desde ontem, mas a de milho já tinha sinal verde desde o fim de agosto. Entretanto, como em muitas regiões não caía uma gota do céu há mais de 60 dias, o início dos trabalhos estava em suspenso.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná, cerca de 10% da área que será destinada ao milho nesta safra 2012/13 já foi semeada. O número está bem aquém dos 30% que já haviam sido plantados no mesmo período do ano passado, quando estava em jogo a semeadura do ciclo 2011/12, e dos 21% da média das últimas três safras.
"Não há mais condições ideais de plantio, mas também é cedo para falar em quebras. Em um primeiro momento, a preocupação é com perda de produtividade", avalia Marcelo Garrido, economista do Deral. Segundo ele, os agricultores preferem apertar o passo para reduzir os riscos na safra de inverno - que, iniciada mais cedo, minimiza a exposição das lavouras às geadas.
Em Ponta Grossa, cidade que deve responder pela maior área cultivada de milho no Paraná, a semeadura está praticamente na estaca zero. "Alguns se arriscaram a plantar quando veio uma chuva dias atrás, mas já dizendo que, se o milho não vingasse, plantariam feijão em cima", conta Gustavo Ribas Neto, presidente do sindicato rural local.
Os mapas climáticos indicam precipitações para esta semana, ainda que localizadas, o que deve animar os produtores a iniciar os trabalhos com mais firmeza. Por ora, as previsões apontam chuvas mais abundantes apenas entre o final de setembro e início de outubro. "Com a umidade se estabelecendo, mesmo de forma incipiente, o agricultor não vai perder tempo, porque tem um zoneamento a cumprir e insumos já comprados", afirma Garrido.
O Deral estima uma área de 850 mil hectares para o milho no Paraná, queda de 13% ante o ciclo anterior, e uma safra 4% maior, de 6,83 milhões de toneladas.
Em Mato Grosso, onde temia-se que o tempo seco pudesse postegar o plantio de soja, voltou a chover no início da semana em importantes municípios produtores, como Primavera do Leste, Rondonópolis, Sorriso e Campo Verde - neste último já existem, inclusive, relatos de que o plantio já começou. A projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) é que o Estado produza 24,1 milhões de toneladas de soja em 2012/13, alta de 13% ante o ciclo passado, em uma área 11% superior, de 7,9 milhões de hectares.
Ainda que haja atraso no início da safra, os produtores esperam que possíveis perdas de rendimento sejam compensadas pelos preços no mercado internacional, que seguem em níveis excelentes, favorecidos pela quebra causada pela seca nos EUA. Ontem, na bolsa de Chicago, os contratos de soja para janeiro (que ocupam a segunda posição de entrega, normalmente a de maior liquidez) sofreram uma realização de lucros e recuaram 3% (51,50 centavos), a US$ 16,1775 por bushel. Os papéis de milho para março caíram 1,21% (9,25 centavos), a US$ 7,4950 por bushel.

sábado, abril 18, 2009

EDITORIAL: "TUDO PELO SOCIAL"

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Caderneta de poupança vai mudar, diz Lula
Governo vai mexer na poupança


Correio Braziliense - 17/04/2009

Presidente Lula afirma que o cálculo do rendimento da caderneta será modificado. Entre as propostas em estudo, estão a limitação de depósitos em R$ 5 mil e a tributação de valores acima de R$ 100 mil

Ricardo Stuckert/PR
Luiz Inácio Lula da Silva, em solenidade no Buriti, disse que as mudanças serão discutidas com carinho para não prejudicar poupadores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o cálculo do rendimento da poupança precisa e vai mudar, mas ponderou que o assunto será discutido “com carinho” para que os poupadores que têm seu dinheiro aplicado na modalidade não saiam prejudicados. “Vou ter uma conversa com o ministro Guido (da Fazenda) e vamos discutir sobre isso com carinho. Precisamos proteger os poupadores, mas não podemos permitir que pessoas que tenham muito dinheiro apliquem tudo na poupança”, disse o presidente durante solenidade de apresentação dos novos oficiais generais, no Palácio do Buriti.

O presidente disse, ainda, que a poupança existe para salvaguardar os interesses da maioria da população que não tem muito dinheiro. “Para que eles não tenham prejuízo, vamos fazer isso (mudança) com muito cuidado porque queremos preservar o que temos de mais sagrado, que são os poupadores”, completou.

O governo estuda mudanças na poupança porque, com a queda dos juros, hoje em 11,25% ao ano, a rentabilidade tende a ficar muito maior que a dos fundos. Com a queda nas taxas de juro, o presidente defendeu que haja equilíbrio, “porque senão não é mais poupança, passa a ser investimento”. O governo quer mexer na poupança para evitar a migração do dinheiro hoje depositado nos fundos de investimentos. No início deste mês, em Londres, durante o encontro do G-20, grupo dos países mais ricos e emergentes, Lula acenou com a possibilidade de mudança.

Por enquanto, a poupança ainda não lidera o ranking de investimentos no país, mas isso pode mudar nos próximos meses com a queda na taxa básica de juros. Em março, a liderança foi da Bovespa (7,18%), seguida pelo fundos DI e de Renda Fixa, com retornos de 0,87% e 0,91%, respectivamente. Logo após, a caderneta de poupança permitiu um retorno de 0,64%.

Limitações
Na expectativa de novas tesouradas na taxa básica de juros (Selic) — em níveis que podem variar entre 2 e 2,5 pontos porcentuais até junho —, a equipe econômica estuda agora a possibilidade de limitar as aplicações na mais popular aplicação do país até o patamar de R$ 5 mil. Segundo levantamento da equipe econômica, 92% dos depósitos da poupança não ultrapassam a faixa de R$ 5 mil.

Outra proposta em estudo é a da tributação dos rendimentos da poupança para grandes aplicadores. Assim, diluiria a Taxa Referencial (TR) para reduzir os ganhos da caderneta. O limite estudado para iniciar a tributação é de R$ 100 mil, mas o valor sofre oposição dentro do próprio governo e poderá ser elevado. A mudança deve sair por meio de medida provisória nos próximos dias.

O governo, no entanto, teme que ela seja barrada no Congresso, como aconteceu com a CPMF. Se for confirmada, será a primeira intervenção na caderneta desde o confisco da poupança promovido pelo Plano Collor, em março de 1990.

Frigoríficos beneficiados

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu nesta quinta-feira criar uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para dar capital de giro ao setor de frigoríficos, que está sendo fortemente prejudicado pela crise financeira mundial. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, os recursos, que devem sair do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), serão destinados aos produtores de aves, carne bovina e suína. Ele explicou que o custo será de 11,25% ao ano. “A linha será liberada amanhã (hoje) e vai beneficiar esses setores que estão precisando de capital de giro”, disse Guido Mantega.

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Governo injeta R$ 12,6 bi na agroindústria

Gazeta Mercantil - 17/04/2009

A pressão que incide sobre a agroindústria foi aliviada, em parte, pelo pacote oficial de R$ 12,6 bilhões oficializado ontem em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN). O recurso oferecido pela União será disponibilizado via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e instituições financeiras por ele credenciadas, e deve ser injetado no agronegócio principalmente através de Linhas Especiais de Crédito (Lec’s) para incrementar o capital de giro das empresas.

A injeção de recursos para o setor rural inclui ainda um sistema de financiamento para a estocagem de álcool e auxílio adicional para as empresas integradoras da suinocultura e avicultura por meio da Linha Especial de Crédito (LEC). O mais forte mecanismo é uma linha de crédito de R$ 10 bilhões com recursos do BNDES para financiamento de capital de giro a agroindústrias, indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas e cooperativas agropecuárias, que oferece prazo de dois anos para o pagamento, incluindo um ano de carência, com taxa de juros de 11,25% ao ano.

Otávio Cançado, diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) considerou importante a destinação dos recursos para capital de giro. Ele explica que, além do efeito financeiro da medida, também é importante ressaltar o efeito psicológico do capital para normalizar os negócios nas empresas exportadoras. "Com esse dinheiro no caixa, as indústrias podem fechar contratos com mais segurança. Podem voltar a correr riscos. Isso vai ajudar o setor a retomar exportações de forma mais tranquila e rápida", afirma Cançado.

O diretor da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, disse que esse montante de R$ 10 bilhões deve suprir uma lacuna de crédito criada a partir da retração das tradings no financiamento agrícola. A origem dos recursos destinados a essa nova modalidade de empréstimo é o repasse de R$ 100 bilhões que o Tesouro Nacional fez ao BNDES. A data limite para contratação desse tipo de empréstimo é 31 de dezembro deste ano.

Segundo Bitencourt, não há teto por empresas para a concessão desses empréstimos. "Tentamos fazer a linha menos burocratizada possível", disse. A taxa de juros real é de 12,75% ao ano, considerando os spreads do BNDES e da instituição financeira repassadora do crédito, mas o governo vai conceder equalização de 1,5 ponto percentual, fazendo com que a taxa para o tomador seja efetivamente de 11,25%.

Grandes empresas, inclusive as que estão em recuperação judicial, seriam potenciais tomadores desse crédito, avaliou Bittencourt. Contudo, o diretor titular do Departamento de Agronegócios da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deagro/Fiesp), Benedito Ferreira, pondera que para esse recurso chegar à indústria em crise seria necessário ignorar certas restrições ao endividamento. "Se não apenas aquelas que ainda não afundaram poderão ser socorridas".

De acordo com avaliação de Bittencourt, a referente linha prepara a agropecuária para o plantio do período 2009/10 e mantém aquecidos os demais segmentos do setor, uma vez que as medidas de apoio à comercialização da safra atual já foram executadas. "As indústrias financiam os produtores antecipando recursos para custeio ou para a aquisição de insumos", ressaltou o executivo do Ministério da Fazenda. Bittencourt explicou que o BNDES já operava com uma linha semelhante, mas com juros mais elevados, entre 17% e 18% ao ano.

Para auxiliar o setor sucroalcooleiro, o CMN aprovou o programa de financiamento para estocagem de álcool etílico com garantia de desconto, que vai receber R$ 1,31 bilhão. Esse mecanismo vai financiar a estocagem de até 2,8 bilhões de litros de álcool até o período de entressafra do ano que vem. O álcool estocado é oferecido em garantia. O agente financeiro também é o BNDES e a taxa de juros os mesmos 11,25% ao ano, atual patamar da taxa Selic. A contratação nas regiões Centro-Sul e Norte ocorre entre abril e novembro deste ano, com pagamentos que vão exigir a liberação de estoques de álcool entre janeiro e abril de 2010. No Nordeste, a contratação será entre outubro deste ano e fevereiro de 2010.

O deputado Homero Pereira (PR/MT), membro da Comissão de Agricultura da Câmara Federal, avalia que a medida pode garantir "a fatia do mercado externo já conquistada, principalmente pela indústria de carne". Mas o parlamentar também ressalta a necessidade de uma análise de risco menos criteriosa por parte dos bancos para que o recurso não fique represado.




segunda-feira, fevereiro 11, 2008

BRASIL/AGROINDÚSTRIA: ALAVANCADA PELOS INSUMOS QUÍMICOS

Produção da agroindústria cresce 5% em 2007

RIO - A agroindústria brasileira cresceu 5% em 2007, resultado bem superior ao assinalado em 2006 (1,5%), porém, abaixo dos 6% registrados pela indústria nacional, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A expansão dos setores associados à agricultura (4,9%), de maior peso na agroindústria, superou a dos vinculados à pecuária (2,8%). O grupo de inseticidas, herbicidas e outros defensivos agropecuários apresentou forte acréscimo (22,6%), em função, principalmente, do seu maior uso nas lavouras de soja, cana-de-açúcar, milho e algodão, as quais apresentaram aumento da safra. O segmento madeira recuou 6,1%. Em bases trimestrais, a agroindústria sustentou resultados positivos nos quatro períodos de 2007. Após crescer 6,9% no primeiro trimestre, desacelerou no segundo (3,3%) e no terceiro (1,8%), voltando a mostrar maior dinamismo no quarto trimestre (9,3%). O bom desempenho da agricultura deve-se às boas condições climáticas e ao acréscimo da utilização de adubos e fertilizantes e defensivos agropecuários, que contribuíram para a safra recorde de grãos em 2007. Conforme dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a safra de 2007 foi de 133,0 milhões de toneladas de grãos, resultado 13,7% superior ao de 2006 (117,0 milhões de toneladas), e 7,0% maior do que a até então safra recorde de 2003 (124,3 milhões de toneladas). Segundo o documento de divulgação da pesquisa, "o crescimento mundial do consumo de alimentos, puxado pelo bom desempenho das economias dos países em desenvolvimento, o uso de produtos agrícolas para produção de combustível, a elevação dos preços internacionais das commodities e a crescente inserção dos produtos agropecuários brasileiros no exterior contribuíram para o avanço das exportações". Ainda de acordo com o documento, segundo estatísticas do Ministério do Desenvolvimento, em 2007, o volume exportado dos principais produtos da agroindústria apresentou as seguintes variações: carnes de bovinos congeladas (4,9%), pedaços e miudezas de aves (12,6%), carne de galos e galinhas não cortados em pedaços (23,0%), carnes de suínos congeladas (22,2%), álcool (11,4%), açúcar de cana (-2,8%), celulose (5,3%) e suco de laranja congelado (0,4%). No complexo soja, a exportação de grãos recuou 4,9%, enquanto bagaços e outros resíduos da extração do óleo de soja (1,1%) e óleo de soja em bruto (1,5%) cresceram. Vale acrescentar que as receitas com as exportações destes derivados da soja aumentaram, respectivamente, 18,4%, 22,2% e 47,4%.
Jacqueline Farid, da Agência Estado. 1102.

quarta-feira, outubro 24, 2007

PR/AGRICULTURA ORGÂNICA [FRUTICULTURA]: QUALIDADE E RENDA

Agricultor orgânico já processa a produção

Há dez anos, o fruticultor paranaense Mauro Passos percebeu que precisava agregar valor à sua produção de caqui orgânico. Começou a fazer uma classificação mais rígida das frutas, para comercialização in natura. Passou a oferecer produtos com mais qualidade, principalmente no visual. Com uma seleção mais rígida, aumentou, porém, a quantidade de frutos descartados. ''''Chegava a ter 40% de refugo'''', conta. Decidiu, então, dar mais um passo na cadeia produtiva, passando não só a produzir, como a processar o caqui. Contando apenas com mão-de-obra familiar, o primeiro produto que saiu da cozinha montada para o processamento foi o caqui desidratado. ''''Mas percebemos que a cozinha ficaria ociosa e aumentamos a variedade de produtos.'''' Além dos 4 hectares de caqui, a família passou a cultivar meio hectare de uva e meio hectare de amora no sítio, em Campina Grande do Sul (PR).Com isso, a linha de produtos, que ganhou a marca Quina Amarela, foi incrementada com geléias, hoje o principal produto da marca, e novos sabores. ''''Agora estamos finalizando o processo de industrialização do vinagre de caqui'''', revelou Passos, durante a Biofach América Latina, que terminou na quinta-feira, em São Paulo (SP). Os produtos orgânicos industrializados dominaram a Biofach. E chama atenção o grande números de produtores, inclusive familiares, como Passos, que processam a produção como alternativa para melhorar a renda. ''''O Brasil é conhecido internacionalmente como produtor de produtos primários. Temos de mudar isso. Valorizar nossa produção'''', defende o gestor do projeto Organics Brasil, Ming Liu.Para o agrônomo José Pedro Santiago, do Instituto Biodinâmico (IBD), certificadora nacional de orgânicos, a verticalização - ou seja, a produção e o processamento da matéria-prima na propriedade rural - da produção orgânica é uma tendência. ''''Isso é bom e necessário. Além de agregar valor, o agricultor amplia mercados.'''' Outra vantagem é que o produtor pode programar as vendas. Passos sabe bem disso. ''''Colhemos as frutas, que passam por um tratamento sanitário e depois as congelamos, para ter matéria-prima o ano inteiro para produzir as geléias.'''' E, nos últimos quatro anos, a proporção de vendas se inverteu. Hoje, 30% da produção do caqui é vendida fresca e o restante vira geléia. ''''A rentabilidade do processado é melhor. Para cada R$ 1 investido, ganhamos R$ 3 com a venda in natura e em torno de R$ 4 com as geléias.''''
CONCORRÊNCIA. A agrônoma Araci Kamiyama, da Associação de Agricultura Orgânica (AAO), diz que, ao contrário dos produtos convencionais, os orgânicos já começam a agregar valor no campo. ''''Mas é claro que compensa processar, principalmente pelo ganho de tempo de prateleira.'''' Segundo ela, há uma tendência não só dos agricultores, mas também de grandes grupos, de entrar no ramo dos orgânicos. ''''O lado bom é que o consumidor terá mais opções no mercado. O lado ruim é que, talvez, a competitividade do pequeno produtor fique prejudicada.''''Por isso, ela alerta que é preciso tomar alguns cuidados antes de começar a processar. ''''O produtor precisa ver se há mercado. E, se precisar comprar matéria-prima, procurar antes os fornecedores.'''' Vale lembrar que, para ser considerado orgânico, a legislação exige que 95% dos ingredientes que compõem o produto sejam orgânicos e certificados.É para não depender de fornecedores que o agricultor Fulgêncio Torres, de Porto Morretes (PR), quando decidiu produzir cachaça orgânica, há quatro anos, optou por ter sua própria plantação de cana-de-açúcar. ''''É uma forma de garantir o padrão de qualidade da bebida'''', justifica. Apesar das dificuldades na produção, Torres diz que compensa investir no produto orgânico. ''''É um mercado que está crescendo e estou apostando no setor.''''
Niza Souza - O Estado de S.Paulo. 2410