PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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quinta-feira, novembro 07, 2013

BRASIL! QUAL O TEU NEGÓCIO? O NOME DO TEU SÓCIO? (Cazuza)

07/11/2013
O socorro do Brasil a Maduro



O governo petista resolveu socorrer o regime chavista da Venezuela, que faz água por todos os lados. E, claro, essa generosidade correrá por conta do contribuinte brasileiro.


Sob ameaça de sofrer um duro revés nas eleições municipais de 8 de dezembro, vistas como uma espécie de referendo de seu desastroso governo, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu ajuda ao Brasil para contornar a crise de desabastecimento no país, o mais sério dos inúmeros problemas de sua administração.

A intenção de Maduro é garantir o fornecimento de alimentos e outros produtos do varejo até a eleição. 

Como tudo o que tem pautado o tal "socialismo do século 21", esta será mais uma medida paliativa e desesperada, lançada apenas para mitigar por um breve período os efeitos permanentemente deletérios da insanidade econômica chavista.

O modelo estatista feroz, com preços controlados e hostilidade à produção privada, esvaziou as prateleiras dos supermercados venezuelanos. As imensas filas para comprar os mais diversos produtos de primeira necessidade - o papel higiênico é o símbolo desse calvário - tornaram-se a marca do governo Maduro.

Em vez de admitir os erros de sua administração e procurar resolvê-los de modo racional, o presidente venezuelano optou pelo caminho típico do chavismo: atribuiu a escassez à "sabotagem" de capitalistas e disse que agora trava uma "guerra econômica" contra esses "agentes do imperialismo". A "guerra" inclui impedir que a imprensa noticie o desabastecimento, porque, segundo sua versão tresloucada, é isso que leva pânico à população e gera corrida aos supermercados.

É em nome desse combate imaginário que Maduro pediu ao Congresso "poderes especiais" para governar - poderes cujo escopo, obviamente, deverá ir muito além da emergência econômica.

Para o governo petista, porém, Maduro e sua equipe sabem o que estão fazendo. "Eles têm consciência dos problemas em curto, médio e longo prazos no país e estão muito preocupados em enfrentar, de forma clara e estratégica, as dificuldades históricas da economia venezuelana", disse ao jornal Valor o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia.
Ao considerar que a crise da Venezuela faz parte de "dificuldades históricas", Garcia quer fazer crer que a situação atual resulta de problemas antigos, estruturais, e não das evidentes lambanças chavistas. É provável que Garcia considere também que a importação emergencial de alimentos seja parte, conforme suas palavras, de um planejamento "claro e estratégico" para enfrentar a crise.

Esse "planejamento" conta com a bondade brasileira. Como faltam dólares na Venezuela para realizar a importação, graças ao controle do câmbio, o Brasil pretende usar o Programa de Financiamento às Exportações (Proex), do Banco do Brasil, num acordo com o Banco de Venezuela. Segundo essa solução, ainda a ser detalhada, o Banco de Venezuela receberia o dinheiro do financiamento e quitaria a importação diretamente aos fornecedores brasileiros, sem ter de passar pela Cadivi, o órgão venezuelano que regula o câmbio. O Banco de Venezuela pagaria o financiamento ao Banco do Brasil em suaves prestações.

Com tal garantia, a expectativa do governo é de que os empresários brasileiros superem a crescente desconfiança em relação à Venezuela - convidadas a incrementar as exportações àquele país nos últimos anos, seguindo a orientação da agenda Sul-Sul do governo petista, muitas empresas nacionais enfrentam agora grandes atrasos no pagamento. Como resultado, as exportações para a Venezuela no primeiro semestre do ano foram quase 16% inferiores às do mesmo período de 2012.

Em outras palavras, se as negociações prosperarem, o risco de calote dos importadores venezuelanos seria assumido pelo Banco do Brasil - em nome do compromisso ideológico do governo petista com o chavismo, com cujas agruras o contribuinte brasileiro não tem rigorosamente nada a ver.

adicionada no sistema em: 07/11/2013 02:46

quinta-feira, dezembro 29, 2011

MALTHUS [In:] RENDA E CONSUMO (... de-me renda e eu demoverei minha fome) *

...

Malthus versão século 21

Autor(es): Mario Cesar Flores*
O Estado de S. Paulo - 29/12/2011

*almirante de esquadra (reformado) -

O Estado de S.Paulo


O fantasma da tese de Malthus - a dissonância entre o aumento da população e o da produção de alimentos - foi exorcizado pela produtividade moderna, ou pode sê-lo onde a fome persiste, se complementada pela capacidade institucional, interna e internacional (OMC, FAO).

Há bolsões de fome trágica, a exemplo do Sudão, mas a desnutrição ainda manifesta mundo afora resulta mais da falta de renda para adquirir o alimento que da produção insuficiente.

Em contrapartida, preocupa a nova versão do fantasma malthusiano: a distância entre, de um lado, demandas essenciais à vida digna de 7 bilhões de seres humanos e crescendo (193 milhões no Brasil), como são emprego e renda, educação, atendimento à saúde, energia, transporte, habitação, água potável, saneamento, seguridade social, e por aí vai, a que se somam as demandas do modelo consumista e lascivo (o uso do carro...), e, do outro, a capacidade do Estado, da sociedade e da natureza (ameaça ambiental, exaustão de recursos naturais) de satisfazê-las. O tema é global, mas vamos desenvolvê-lo referenciado ao Brasil.

Até os anos 1970 o aumento populacional do Brasil era apoiado na ideia, avalizada pela doutrina da segurança nacional da época, que associava progresso e segurança de país extenso à população grande (difícil explicar Canadá e Austrália...) e via a população grande como mercado naturalmente também grande. Essa ideia vem sendo revista e já é consensual que população grande, pobre e mal preparada compromete o progresso em tranquilidade, o meio ambiente, a segurança e a qualidade da democracia. Não acompanhado pelo desenvolvimento com dimensão social, diferente do mero crescimento econômico, o aumento da população é socialmente aviltante, culturalmente mediocrizante e ambientalmente predatório. Haja vista a favelização desordenada, que cria preconceitos prejudiciais à solidariedade social, degrada o meio ambiente e induz a convivência conformada com o delito.

Nossa população aumentou de 30 milhões em 1920 (o Canadá hoje) para 193 milhões em 2011. Nesse período nosso PIB cresceu a ponto de ser o sexto do mundo. A produção agropecuária acompanhou e ajudou a propulsar o crescimento econômico e demográfico (menos fome, mais saúde), mas a satisfação do imenso rol das demais demandas essenciais do povo, ou nele inculcadas pela sedução da modernidade, não ocorreu em ritmo similar - descompasso transparente no nosso modesto ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no mundo. Muitas dezenas de milhões de brasileiros vivem hoje prejudicados pela educação medíocre, pelo caótico atendimento à saúde e pelo apoio social e infraestrutural precário, na ilusão da ascensão social via consumo em ene prestações. Ou sobrevivem na informalidade, no subemprego e assistencialismo, que envilecem a dignidade cidadã. Atraídos pelo fascínio do consumismo, mas não compelidos pela fome, muitos milhares praticam o delito como meio de vida.

É bem verdade que o poder público não foi competente na busca da compatibilização da evolução econômica com a social. De qualquer forma, teria sido difícil construir infraestrutura de apoio, instituições de ensino e de saúde e moradias decentes, organizar um modelo socioeconômico com empregos dignos e uma seguridade social eficiente e correta, para quase cinco Argentinas atuais em 90 anos, uma Argentina a cada 22 anos! O ritmo de crescimento da população vem caindo há 40 anos e se aproxima do (ou já é) razoável - o que exigirá (já exige na Europa) a revisão da previdência, que responda ao problema "envelhecimento das gerações da época prolífera versus inserção ativa de menos jovens". Mas se aproxima do razoável com distorções interativas que complicam a redução do déficit: a base da pirâmide social o reduz mais lentamente que os estratos superiores e o Sul e o Sudeste relativamente ricos, mais rapidamente que as regiões onde a dívida social é maior. Quadro similar ao do mundo, como mostra a diferença entre a natalidade europeia e a africana.

A versão século 21 do fantasma malthusiano está longe de resolvida. Sua solução implica o complexo e demorado atendimento das demandas essenciais esboçadas acima e a revisão do imaginário que, a despeito das limitações, inclusive da natureza, pretende a população idilicamente motorizada e equipada com a miríade de utensílios de última geração, travestidos de necessários - iPads, notebooks, smartphones, videogames, TVs de alta definição, celulares, micro-ondas... -, turistando pelo ar ou em cruzeiros marítimos.

Imaginário crescente na metade inferior da pirâmide social, cuja tradição conformista vem sendo aluída pela pressão da lógica do modelo em que a oferta cria a necessidade e a pretensão aos padrões dos estratos superiores. Estes, egoisticamente insensíveis ao fato de que a solução depende também do comedimento em seus padrões hedonistas instigadores de inquietante frustração de bilhões - da classe média (ou "oficialmente" assim interpretada no Brasil...) insatisfeita aos despossuídos.

A continuar o cenário atual de distanciamento (em algumas regiões, aumentando) entre a realidade e o desejado (o de fato justo e o incutido na aspiração popular), no correr deste século a ordem global será tumultuada pela intranquilidade social e política. Tendência já sintomática, por exemplo, na inversão da migração: ao tempo da ameaça original de Malthus, de europeus pobres para os espaços da esperança. Sob a pressão da versão século 21 da ameaça, a migração inversa, de asiáticos (decrescente com o desenvolvimento regional), africanos e latino-americanos para o suposto nirvana europeu e norte-americano, que, além de estar vivendo uma sucessão de crises, já é refratário à imigração, vista como carga social, competidora no mercado de trabalho e fonte de violência e delito.

Em suma, um desafio neomalthusiano para estadistas, no mundo e no Brasil.

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(*) Parafraseando Arquimedes: "Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio que eu moverei o mundo".
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segunda-feira, novembro 28, 2011

MUNDO [In;] ALIMENTOS, FOME & "MALTHUS"

Fome pode se agravar, diz estudo

Correio Braziliense - 28/11/2011

Uma pesquisa divulgada pela Oxfam, organização internacional de combate à fome, prevê um futuro catastrófico na produção de alimentos se a questão ambiental não começar a ser resolvida em breve. De acordo com o estudo, eventos como a seca no nordeste da África, que resultou em pelo menos 13 milhões de famintos, devem se tornar mais frequentes e passar a acontecer de forma generalizada no mundo.

Em regiões onde problemas econômicos e políticos já são graves, as mudanças no clima devem impactar de maneira ainda mais severa a alimentação da população mais pobre, que chega a gastar 75% de sua renda com alimentação. "No momento, há comida suficiente com problemas na distribuição. Porém, com as alterações climáticas, será cada vez mais difícil produzir alimentos", diz ao Correio o representante britânico da organização, Tim Coore. "Esse efeito é mais grave em grãos, como milho e arroz, e em alguns vegetais, que são a base da alimentação das populações mais pobres", completa.

Em julho, os preços do sorgo na Somália subiram 393%, e os preços do milho na Etiópia e no Quênia aumentaram, respectivamente, 191% e 161% nos últimos cinco anos. Seca e incêndios que se seguiram a uma onda de calor na Rússia e na Ucrânia destruíram grande parte da colheita de 2010 e provocaram um aumento de 60% a 80% nos preços mundiais de trigo em apenas três meses. Tempestades e tufões no sudeste da Ásia ajudaram a subir o preço do arroz em até 30% na Tailândia e no Vietnã. (MMM)

Longo caminho
Veja as principais expectativas e os resultados alcançados nas recentes conferências sobre mudanças climáticas

COP-13
Bali (Indonésia), 2007
Expectativas: Alcançar um consenso sobre a necessidade da adoção de medidas urgentes e universais para a diminuição dos efeitos das mudanças climáticas
Resultados: Apesar de algumas nações, entre elas os Estados Unidos, permanecerem com certo ceticismo em relação ao tema, o Bali Action Plan determinou que um novo acordo sobre a questão climática seria firmado em 2009

COP-14
» Poznán (Polônia), 2008
Expectativas: Aprofundar cinco pontos propostos pelo Bali Action Plan para facilitar um consenso na conferência do ano seguinte. Esses pontos incluíam a transferência de tecnologias menos poluentes para países em desenvolvimento e a diminuição das emissões de carbono

Resultados: A expectativa por um posicionamento do então recém-eleito presidente dos EUA, Barack Obama (foto), travou um avanço mais rápido nas negociações. Das cinco metas, houve consenso em apenas uma: a formação de um fundo internacional para ajudar países pobres a lidar com as mudanças no clima

COP-15
» Copenhague (Dinamarca), 2009
Expectativas: Como previa o plano elaborado na Indonésia, seria na conferência dinamarquesa que o novo protocolo que substituiria o de Kyoto seria assinado. Por essa razão, 133 chefes de governo e Estado compareceram ao evento, o maior número em uma conferência ambiental desde a Rio 92, no Brasil

Resultados: O que era para ser um momento histórico na mudança das políticas ambientais em todo o mundo, foi considerado por muitos um fiasco. Um acordo mais simples foi assinado nos instantes finais da conferência, mas sem efeitos vinculantes, ou seja, sem a obrigatoriedade de cumprimento pelas nações

COP-16
» Cancún (México), 2010
Expectativas: Com o fracasso da conferência anterior, as esperanças para a reunião do México se tornaram pequenas. O objetivo da maioria dos negociadores se transformou em solucionar uma série de questões que impediam
as negociações de um acordo
mais amplo

Resultados: De certa forma, esse objetivo foi alcançado. O número de países que aceitaram assumir metas de redução da emissão aumentou, e o os financiamentos cresceram. No entanto, o grupo liderado pelos EUA permanece irredutível quanto à adoção de metas de redução da poluição. Perdeu-se a última chance de aprovar um acordo que pudesse ratificado pelas assembleias nacionais antes do fim do Protocolo de Kyoto

Alertas climáticos
Veja algumas evidências científicas utilizadas pelo Painel Internacional para Mudanças Climáticas (IPCC) para tentar sensibilizar os negociadores na COP-17

» Desde 1900, o nível do mar aumentou entre 10cm e 20cm. A temperatura média global da superfície aumentou 0,8ºC. As temperaturas médias em terra aumentaram muito mais rápido: 0,91ºC desde meados do século 20, segundo o Berkeley Earth Surface Temperature Project

» Entre 20% e 30% das espécies de plantas e animais enfrentarão ameaça de extinção se as temperaturas globais aumentarem entre 1,5º e 2,5ºC, em comparação com as temperaturas médias das últimas duas décadas do século 20

» Na África, por volta de 2020, entre 75 milhões e 250 milhões de pessoas ficarão expostas a um maior estresse hídrico. O produto da agricultura irrigada por chuvas em alguns países da África poderá ser reduzido em até 50%. Áreas similares a desertos podem se expandir entre 5% e 8% em 2080

» Na Ásia, a disponibilidade de água doce diminuirá em meados do século. Os megadeltas costeiros correrão risco de inundações devido ao aumento do nível dos mares. A mortalidade atribuída a doenças associadas a cheias e secas aumentará.

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quarta-feira, outubro 05, 2011


Produção de alimentos derruba indústria

Autor(es): r Francine De Lorenzo e Diogo Martins
Valor Econômico - 05/10/2011
 


A produção industrial de alimentos já dá sinais de recuo frente ao agravamento da crise no exterior e ao aumento da inflação no mercado doméstico. Desde fevereiro, a produção do setor está desacelerando no acumulado de 12 meses, chegando a agosto com queda de 0,5% frente aos 12 meses anteriores, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apenas entre julho e agosto, a retração da indústria de alimentos foi de 4,6% na série com ajuste sazonal. O segmento foi o que mais contribuiu para a queda de 0,2% na produção industrial no período. Segundo o IBGE, a fraca produção de alimentos derivou, principalmente, da dificuldade na exportação de produtos como açúcar, suco de laranja e carnes bovinas. "O menor volume de exportações de carne bovina brasileira decorre do embargo expedido pelo governo russo, enquanto suco de laranja e açúcar refletem a queda na demanda internacional", explica o gerente de Coordenação da Indústria do IBGE, André Luiz Macedo.
O professor do Ibmec, Paulo Pacheco, diz que no caso do açúcar houve a influência da antecipação da safra de cana-de-açúcar. "Esse fator não deverá se repetir nos próximos meses. Já no que se refere à carne, não estão descartados novos entraves", avalia, acrescentando que o desaquecimento na produção de alimentos deve persistir, mas não são esperadas novas quedas bruscas como a de agosto.
O avanço da inflação, na análise do economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rogério César de Souza, foi um importante fator para a queda da produção industrial entre julho e agosto. "Veremos se haverá uma tendência de diminuição do consumo, e consequentemente da produção, acompanhando a evolução da massa salarial e do crédito", afirma.
Em agosto, os produtos agropecuários no atacado tiveram alta de 1,64% frente a julho, segundo o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), da Fundação Getulio Vargas (FGV), enquanto no varejo o aumento foi de 0,80%. No mesmo período, o preço dos alimentos subiu 0,72% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em agosto, a retração de 0,2% da produção industrial em relação a julho com ajuste sazonal foi resultado de uma queda na mesma proporção em bens intermediários e de um recuo de 1,3% em bens de consumo. Na direção contrário, o setor de bens de capital produziu 0,9% mais. No acumulado do ano, a indústria cresceu 1,4% sobre 2010.
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sexta-feira, julho 29, 2011

POF/IBGE [In:] BRASIL OBESO


O PERIGO CHEGA À MESA DO BRASILEIRO



A DIETA BRUTA DA VIDA MODERNA
Correio Braziliense - 29/07/2011

Bombardeada pela publicidade, nova classe média troca o feijão com arroz por produtos industrializados que antes não consumia. Professora da UnB alerta para a necessidade de uma política alimentar no país

Nos últimos anos, quase 40 milhões de brasileiros passaram a integrar a classe média. A ascensão, porém, não foi assim tão benéfica no que diz respeito à alimentação. À medida que a renda cresce, revela pesquisa do IBGE, o consumo de alimentos de alto teor calórico e baixo valor nutritivo entre essas pessoas vai subindo. "Elas são bombardeadas pela publicidade, o que gera um anseio de consumo por produtos dos quais eram privadas", avalia Elizabetta Recine, professora do curso de nutrição na UnB. Entre os principais problemas alimentares no país está a ingestão excessiva de açúcar e gordura saturada e o consumo insuficiente de fibras. Esse padrão alimentar de baixo teor nutricional, encontrado principalmente em estabelecimentos de fast food, pode acarretar consequências danosas, como obesidade e doenças crônicas.

Sociedade


Alegando falta de tempo e facilidades financeiras, brasileiros enchem os pratos de comidas com muita caloria e pouco teor nutritivo, segundo o IBGE. Especialistas alertam que o hábito pode virar um problema de saúde pública

Júnia Gama

Larissa Leite



Os quase 40 milhões de brasileiros que passaram a integrar a classe média, nos últimos anos, não estão se alimentando bem. A renda vem aumentando com o consumo de alimentos com alto teor calórico e baixo valor nutritivo. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que a população está abandonando componentes de uma dieta saudável, como arroz, feijão e verduras, e os substituindo por pizzas, salgados, doces e refrigerantes.

Segundo especialistas, o aumento da renda é seguido pela globalização, que facilita o acesso a refeições rápidas e pouco nutritivas. Para a nutricionista Joana D"Arc Pereira Mura, autora do livro Tratado de alimentação, nutrição & dietoterapia, a multiplicação das redes de fast food alterou a relação das pessoas com a alimentação. O Brasil estaria caminhando, segundo ela, em direção a um cenário visto em países onde a obesidade é um problema generalizado de saúde pública.

O estudo realizado pelo IBGE mostra o consumo excessivo de açúcar (61% da população), sódio (90%) e gorduras saturadas (82%). As fibras, importantes para o bom funcionamento do sistema digestivo, são insuficientemente ingeridas por 68% dos brasileiros. A coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Patrícia Jaime, alerta para a gravidade do problema entre os adolescentes. Segundo ela, o padrão alimentar de baixo teor nutricional pode trazer consequências como obesidade e doenças crônicas.

A estudante Luciana Brasil, 18 anos, encaixa-se no perfil que preocupa os agentes do ministério. Ela conta que seus pais têm uma alimentação saudável e que brigam com ela por conta de suas preferências alimentares. "Fast food é mais barato, mais prático, vale mais o prazer da comida gostosa que a saúde", diz a jovem, que costuma ir a lanchonetes com as amigas Renata Teixeira, Talitha Adnet e Fernanda Vargas.

O aumento do consumo de alimentos pouco nutritivos é seguido pelo crescimento do consumo de alimentos saudáveis, o que pode parecer uma contradição. A professora do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (UnB) Elizabetta Recine explica o motivo. É preciso, segundo ela, atentar para o momento atual, em que o movimento de ascensão social é recente. As camadas de renda menor, que têm protagonizado a formação da nova classe média, tendem a consumir mais produtos industrializados, aos quais não tinham acesso. Elizabetta relata que a velocidade de incorporação desses alimentos na dieta dos brasileiros deve-se em parte ao apelo publicitário. "Essas pessoas são bombardeadas pela publicidade, o que gera um anseio de consumo por produtos de um mercado do qual antes eram privadas", diz.

Nas camadas de renda mais elevadas, onde a ascensão social não resulta de um processo tão recente, a informação sobre a qualidade nutritiva dos alimentos tende a ser maior, o que explica o alto consumo de frutas, verduras e legumes. "Pessoas com mais informação incluem itens saudáveis na dieta", afirma a professora.

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quarta-feira, fevereiro 16, 2011

FRANÇA & G20 [In:] ''COMMODITIES'' OU ''LEI DE MERCADO''?

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FRANÇA RECUA ANTE O BRASIL PARA EVITAR RACHA NO G-20


França recua ante o Brasil para evitar racha no G-20


Autor(es): Assis Moreira | De Paris
Valor Econômico - 16/02/2011


Às vésperas da reunião ministerial do G-20, em Paris, a França ensaia um recuo para evitar uma rota de colisão com o Brasil sobre como controlar a disparada dos preços dos alimentos e regular os mercados agrícolas, após a reação do país a suas sugestões. O Valor apurou que o governo francês deflagrou um esforço adicional para explicar ao Brasil que não quer "prejudicar" os países exportadores nem buscar o controle de preços das commodities agrícolas, e sim deter a especulação com derivativos.

A França busca visivelmente evitar uma polarização no grupo das maiores economias do mundo sobre medidas envolvendo o mercado agrícola. Mas um negociador europeu admitiu que ainda é difícil decifrar o que os franceses realmente querem, porque continuam "medindo o pulso" sobre o tema. Diante da reação de países como o Brasil, alguns negociadores acreditam que Paris não vai insistir muito em questões como a formação de estoques reguladores regionais, por exemplo.

A preocupação com os preços dos alimentos está no centro da agenda francesa no G-20.

Primeiro, pela situação atual de explosão dos valores e, segundo, pela aproximação da eleição presidencial na França. O presidente Nicolas Sarkozy quer mostrar que apoia seus agricultores, que tendem para a extrema-direita.

A França continua a ser um dos dez maiores exportadores de produtos agrícolas, o que permitiu que o superávit da balança comercial do país no ano passado superasse € 7 bilhões. O governo francês vem insistindo em vincular volatilidade de preços e segurança alimentar. Para o Brasil, isso tem pouco sentido. A volatilidade dos preços agrícolas sempre existiu. O que se pode tentar buscar é previsibilidade para consumidores e produtores, dentro de mecanismos de mercado e não de intervenção estatal. O Banco Mundial alertou ontem sobre "níveis perigosos" dos preços dos alimentos, que poderiam causar instabilidade política.

Por sua vez, organizações internacionais mostram que o auxílio dos países desenvolvidos para a agricultura de nações mais pobres caiu de 11,5% de toda a ajuda concedida em 1983/84 para 3,5% em 2008/09. Ao mesmo tempo, os gastos com agricultura pelos governos declinou na Ásia, África e América Latina.

O rápido aumento da renda nos países emergentes mudou o padrão da demanda, aumentando os preços dos alimentos com mais proteínas, como carnes e pescado. Só na China, o consumo de carne mais que dobrou em 20 anos e pode dobrar de novo até 2030. Para o Brasil, uma solução que o G-20 deve discutir é o estímulo à produção e o fim das barreiras à importação de produtos agrícolas.

quinta-feira, setembro 16, 2010

VIDA E SAÚDE [In:] VÍDEO E SAÚDE II

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15/09/2010 - 16h22

Médicos americanos satirizam McDonald's com vídeo polêmico; veja

DE SÃO PAULO


Uma propaganda de televisão que se opõe à rede de fast-food McDonald's acaba de ser divulgada pelo Physicians Committee for Responsible Medicine [PCRM, Comitê de Médicos para a Medicina Responsável, em tradução livre] de Washington.

O comercial, que mostra um homem obeso de meia idade morto segurando um Big Mac, é finalizado com o slogan "I was lovin'it" ("Eu estava amando isso" --em tradução livre), que remete ao "I'm lovin'it" ("Amo muito tudo isso", no Brasil), usado pela marca.



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+ Notícias em Multimídia

quinta-feira, dezembro 17, 2009

MUNDO/ALIMENTAÇÃO: UM VERDE REVOLUCIONÁRIO

Especial

Uma nova revolução verde

Para suprir o aumento na demanda mundial, a produtividade
do campo precisará duplicar. A resposta terá de vir do avanço tecnológico,
e não há razões para duvidar de que ela virá


Luís Guilherme Barrucho
Fotos Corbis/Latinstock; Reuters

RESPOSTA À SUPERPOPULAÇÃO
Soja modificada geneticamente da Monsanto (ao lado) e o papa da revolução verde, Norman Borlaug: sem tecnologia de ponta, o mundo estaria passando fome


VEJA TAMBÉM

A matemática é simples, mas assusta. Nos próximos quarenta anos, a população mundial vai crescer 35% e superará 9 bilhões de pessoas. Ao mesmo tempo, a produção de alimentos precisará ser ampliada em 70%. Não apenas haverá mais humanos no globo como também eles serão mais ricos, terão uma expectativa de vida maior e necessitarão de mais calorias. A quantidade de cereais produzidos por ano terá de crescer dos atuais 2,1 bilhões para 3 bilhões de toneladas, e a oferta de carne, de 270 milhões para 470 milhões de toneladas. O desequilíbrio entre a oferta e a demanda já se refletiu num aumento do preço dos alimentos, que subiu 80%, em média, nas duas últimas décadas. A única saída para que o homem não seja vítima da profecia malthusiana de escassez de comida estará mais uma vez na tecnologia. Graças à Revolução Verde dos anos 60, liderada pelo cientista americano e prêmio Nobel Norman Borlaug (1914-2009), a produtividade agrícola mais que dobrou. Agora será preciso dar um novo salto. "O mundo é perfeitamente capaz de produzir a comida de que necessita para as gerações futuras, mas terá de expandir os investimentos em pesquisa, tecnologia e infraestrutura", afirmou a VEJA Per Pinstrup-Andersen, da Universidade Cornell.

A seguir, os três caminhos vitais a ser seguidos para alimentar o planeta nos próximos anos.

Modernização das lavouras
Segundo o relatório "Como alimentar o mundo em 2050", da FAO, a entidade das Nações Unidas para agricultura e alimentação, 90% do crescimento na oferta de comida se dará pelos ganhos de eficiência nos campos. Um bom começo é difundir as tecnologias já existentes. "Apesar de os países desenvolvidos utilizarem técnicas inovadoras, a maior parte do planeta ainda produz comida com tecnologia rudimentar", afirmou a VEJA Alain de Janvry, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. A cada hectare de milho plantado, são colhidos 38 quilos nos Estados Unidos, 24 quilos no Brasil e apenas 11 quilos na África Subsaariana. Uma iniciativa é avançar na mecanização. Nos laboratórios do Massachusetts Institute of Technology (MIT) se desenvolvem robôs agrícolas. Outra técnica promissora é a agricultura de precisão, método que permite um manejo mais detalhado da lavoura por meio do mapeamento do solo, por satélite ou amostras laboratoriais de terra. Resume o representante da FAO para o Brasil, José Tubino: "Devemos buscar soluções que sejam sustentáveis e, ao mesmo tempo, mitiguem a mudança climática".

Biotecnologia
Apesar de ainda despertar um sem-número de polêmicas, a engenharia genética é vista como a salvação para o futuro da comida no planeta. "Através da utilização de sementes geneticamente modificadas, busca-se aprimorar as qualidades de determinado alimento com atributos obtidos de outras espécies ou bactérias. Isso eleva os ganhos de produtividade em até 10%", afirmou a VEJA Rodrigo Santos, diretor da Monsanto. No Brasil, um exemplo é o milho YieldGard (Bt), resistente às três pragas típicas dessa lavoura: a lagarta-do-cartucho, a lagarta-da-espiga e a broca-da-cana. Para os próximos anos, a Monsanto, líder mundial do setor, planeja lançar sementes tolerantes a secas prolongadas e que produzam alimentos mais nutritivos. Também estão sendo pesquisadas variedades de cana-de-açúcar com o dobro do poder energético.

Expansão da fronteira agrícola
Nos últimos quarenta anos, a área destinada à agricultura no mundo avançou somente 10%. Na Europa, ela está próxima de seu limite, mas ainda há espaço para crescer no Brasil e na África, principalmente. São essas regiões que atraem a cobiça de investidores estrangeiros, sobretudo aqueles de países que dependem da importação de alimentos. É o caso da Arábia Saudita, que planeja gastar 250 milhões de dólares em plantações na Etiópia e no Sudão. Os sauditas sofrem com a escassez de água. Por isso, decidiram que até 2016 deixarão de plantar trigo, cujo cultivo precisa ser permanentemente irrigado. Os chineses, de maneira semelhante, têm comprado propriedades. Foi o bastante para que se levantassem questionamentos sobre uma nova forma de imperialismo, o "agroimperialismo". Diz Paul Collier, da Universidade de Oxford: "A África precisa do tipo de agricultura comercial presente em países como o Brasil, mas não dispõe de recursos. Todos poderão sair ganhando".

Divulgação

ROBÓTICA AGRÍCOLA
Pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT)
criaram a horta automatizada

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http://veja.abril.com.br/161209/uma-nova-revolucao-verde-p-142.shtml

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quinta-feira, setembro 18, 2008

ALIMENTOS: FUSÕES & AQUISIÇÕES II

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Sara Lee compra a brasileira Café Moka e amplia liderança no País

São Paulo - O conglomerado americano Sara Lee anunciou ontem que assinou um acordo para adquirir a brasileira Café Moka, localizada na área metropolitana de São Paulo. Os termos do acordo não foram revelados. A transação deve ser concluída em outubro de 2008 e precisará ser aprovada por autoridades brasileiras.A Café Moka, fundada em 1912, é uma empresa familiar e atende a mais de 4 mil clientes no varejo através de um sistema direto de distribuição, e é dona das marcas Jaraguá e Moka. As vendas líquidas totais da empresa em 2007 alcançaram aproximadamente US$ 65 milhões."Com a aquisição da Café Moka, iremos complementar e fortalecer nossa posição no mercado brasileiro de café, principalmente na importante área de São Paulo, onde fica a empresa", afirmou Frank van Oers, diretor executivo do negócio internacional de bebidas da Sara Lee."A empresa tem um sistema muito bem estabelecido de distribuição e vendas diretas para o crescente segmento de comércio de pequeno e médio porte, e tem grandes oportunidades de expansão. A transação também inclui uma fábrica processadora de café verde, que nos dará acesso às lavouras de café de Minas Gerais, principal estado produtor do Brasil, e ajudará a impulsionar ainda mais nosso programa sustentável de café", afirmou ele.
No Brasil
O Brasil é o maior produtor mundial de café e o segundo maior consumidor do produto. A Sara Lee é líder de mercado no Brasil, e atualmente comercializa cinco marcas: Pilão, Caboclo, Café do Ponto, União e Seleto.A empresa tem em seu portfólio marcas de alimentos, bebidas, produtos para a casa e para cuidados pessoais, incluindo Ambi Pur, Ball Park, Douwe Egberts, Hillshire Farm, Jimmy Dean, Kiwi, Sanex, Sara Lee e Senseo. Coletivamente, essas marcas geram mais de US$ 13 bilhões em vendas líquidas anualmente, cobrindo aproximadamente duzentos países. A empresa norte-americana tem cerca de 44 mil funcionários em todo o mundo.
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DCI - Diário do Comércio & Indústria
Autor: Ana Paula Quintela com agências internacionais
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terça-feira, junho 24, 2008

INFLAÇÃO/TRIGO: O PÃO NOSSO DO ''OUTRO'' DIA

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Preço de pães e massas deve cair no 2º semestre com safra recorde de trigo

Os produtos derivados de trigo devem diminuir a pressão sobre a inflação no segundo semestre deste ano. Os preços devem cair, mas ainda não ao patamar de 2007. A redução é esperada porque a safra 2008/2009 do trigo começa no dia 1º de julho e, segundo previsões do setor, deve ser recorde.
No acumulado deste ano, o preço do pão francês registra alta de 19,38%, segundo dados da IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 12 meses, a alta é de 28,04%. Já as massas, segundo estimativa da Abima, registraram elevação de 25% nos preços nos últimos 12 meses. Segundo o presidente da Abima (Associação Brasileira das Indústria de Massas Alimentícias), Claudio Zanão, a próxima safra mundial de trigo -que vai até 30 de junho de 2009-- deve alcançar 650 milhões de toneladas, contra 600 milhões de toneladas da safra atual, que se encerra na semana que vem. "Estamos vivendo os últimos dias de inferno astral. No segundo semestre o consumo é maior, mas também é o período em que 70% do trigo é colhido. E será uma super safra", afirma. O aumento do preço do trigo no mercado internacional é um dos fatores apontados por Zanão para o aumento da safra. O produtor, ao ver as altas, se anima com o cultivo. A tonelada do grão passou de US$ 250 para US$ 400 de 2007 até agora, mas pode cair a US$ 350 ao final deste ano. A demanda mundial de trigo, segundo expectativa do setor, é da manutenção de 630 milhões de toneladas no período da safra, como ocorreu neste último período. Isso significa que, na safra atual, a demanda superou em 30 milhões de toneladas a oferta e, na próxima, a folga será de 20 milhões de toneladas. Com isso, o preço dos derivados, especialmente pão e massas, deve cair. Mas o consumidor não deve esperar por reduções drásticas neste ano. 'Com a safra melhor será possível recompor parte do estoque. Os preços devem cair, mas só devem retornar aos patamares de 2007 em 2011', estima Zanão.
Com a "super safra", o preço do trigo no mercado internacional tende a ceder, o que resulta na queda dos derivados.
Brasil
O Brasil também dá seus passos para aumentar a produção de trigo. O país consome, segundo dados do setor de 2007, cerca de 10,5 milhões de toneladas de trigo por ano na indústria, mas produz apenas 3 milhões. Para a próxima safra, a estimativa é de aumento para 4 milhões de toneladas. Para atender a demanda, a indústria importa, principalmente, da Argentina. Pelo menos importava, já que o país vizinho tem evitado as exportações e as últimas remessas foram feitas quase a conta-gotas. A dependência da produção argentina não é, no entanto, o principal motivo para a alta dos preços aqui. A forte demanda mundial, causada pelo aumento do consumo na China e Índia, pressionou os preços no mercado internacional. 'É claro que o ideal é reduzir essa dependência e inverter a porcentagem, produzindo 70% do que a indústria consome e importando 30%, o que ajudaria muito a segurar a inflação dos alimentos', afirma Zanão.
Ranking
No último levantamento mundial, de 2005, o Brasil aparece em terceiro lugar na produção mundial de massas, o segundo nas Américas, com 1 milhão de toneladas por ano. A Abima afirma, no entanto, que esse número fechou em 1,270 milhão em 2007. No ranking de consumo per capita, o Brasil ocupa o 12º lugar, com 6,6 quilos por ano . O faturamento da indústria de massas foi de R$ 4,5 bilhões em 2007 e deve crescer 5% neste ano. Sem nenhuma surpresa, a Itália, país das nonas e tradicional consumidora de massas, lidera os dois rankings. O país europeu produz mais de 3 milhões de toneladas por ano de massas e o consumo per capita anual é de 28 quilos.
Massa industrializada
Pesquisa realizada pela Abima revela que 79% das massas consumidas no chamado food service, como restaurantes, bares, lanchonetes, hotéis, são industrializadas. A pesquisa é apresentada em feira do setor que acontece em São Paulo. Divididos por segmento, o levantamento aponta que o índice é de 76% entre os restaurantes, 80% nas lanchonetes, 66% em fast foods, 90% em hotéis e 100% em refeições coletivas. Segundo dados da entidade, 40% dos setores com refeição fora do lar preferem as massas industrializadas pela qualidade e 20% apontam as vantagens com o preço.
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KAREN CAMACHO; Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online - 2406.

sexta-feira, junho 20, 2008

PRODUÇÃO DE ALIMENTOS: INCENTIVO VIA SUBSÍDIOS

Governo quer produção maior de alimentos
Depois de elevar os juros e o superávit primário, o governo agora pretende controlar a inflação com um incremento na produção de alimentos.
Os agricultores terão R$ 65 bilhões para financiar a próxima safra e outros R$ 13 bilhões serão destinados a produtores familiares, medidas que farão parte de pacote agrícola a ser anunciado no início de julho pelo presidente Lula.
O governo vai divulgar também na próxima semana de onde virão R$ 14,2 bilhões para cumprir a nova meta oficial de superávit primário, elevada de 3,8% para 4,3% do PIB. Lula fez uma reunião ontem com a equipe econômica, economistas de fora do governo e o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para discutir o andamento de medidas de combate à inflação e eventuais novas propostas. Nas palavras de um ministro, o governo vai continuar a monitorar o comportamento da inflação a fim de mantê-la na meta oficial.
Na área agrícola, o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse que as medidas discutidas ontem serão suficientes para elevar a produção de alimentos em 5%, alcançado 148 milhões de toneladas. "Não queremos cair na armadilha em que alguns países estão caindo de tabelar e não ter produto, ou limitar as exportações ou até de taxar, que é o caso da Argentina, e acabar desorganizando o próprio setor produtivo", disse Stephanes. No ano passado, o financiamento à safra foi de R$ 58 bilhões e à agricultura familiar, de R$ 12 bilhões. Designado porta-voz da reunião, o ministro Guido Mantega (Fazenda) deu rápida entrevista, na qual respondeu a poucas perguntas e da qual saiu puxado por um assessor. Lula não gostou do vazamento de que haveria a reunião, noticiada pela Folha e que acabou ocorrendo num horário em que o mercado financeiro estava aberto. Mantega fez avaliação otimista da situação econômica. "O balanço é que a economia brasileira continua em trajetória muito saudável, que a inflação que temos é passageira, que vem principalmente de fora." O ministro disse que o governo fará novos cortes de gastos para conseguir elevar o superávit primário, economia que é feita para pagar os juros da dívida, de 3,8% para 4,3% do PIB. Apesar de sustentar o discurso de que mantém de pé a proposta do fundo soberano (usar parte do superávit para gastos fora do país financiando empresas brasileiras, por exemplo), a proposta está praticamente engavetada no momento. E o 0,5 ponto percentual a mais de superávit neste ano deverá ser dedicado a reduzir a dívida pública. Nos bastidores, Lula já autorizou que se mire meta de 4,5% de superávit.No entanto, Mantega disse que não haverá redução nos gastos prioritários do governo. Na apresentação que fez durante a reunião, o ministro avaliou que "o aumento do esforço fiscal contrai um pouco o consumo e reduz a necessidade de juros mais altos".Para ele, as medidas tomadas pelo governo, como alta de juros e da meta de superávit, elevação do imposto sobre empréstimos e desonerações, estão surtindo efeito e desaquecendo a economia em medida considerada suficiente para evitar o descontrole de preços.O ministro disse que o governo não estuda medidas adicionais para conter o crescimento do crédito. O objetivo é fazer com que o país cresça em torno de 5% neste ano e repita o desempenho no ano que vem.Além de Mercadante, Mantega e Stephanes, participaram da reunião Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social), o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o professor Luiz Gonzaga Belluzzo. Como Henrique Meirelles está viajando, foi representado pelo diretor do BC Alexandre Tombini.
(LETÍCIA SANDER, LEANDRA PERES, KENNEDY ALENCAR e VALDO CRUZ). Estadão, da sucursal de Brasília, 2006.

quarta-feira, junho 18, 2008

ALIMENTOS & INFLAÇÃO [In:] AFETANDO OS ''PEG-PAGS'' DA VIDA

Inflação dos alimentos já afeta o comércio
A inflação dos alimentos já afeta as vendas do comércio varejista. Em abril, houve expansão, em volume, de 0,2% na comparação livre de efeitos sazonais com março, quando a alta havia sido mais robusta (1,5%). Em relação a abril de 2007, houve expansão de 8,7%, menor do que em março (11%). Segundo o IBGE, o desempenho foi influenciado negativamente pelo setor de supermercados, alimentos e bebidas. A alta dos preços já indica que o consumidor está procurando produtos mais baratos para fugir dos efeitos da inflação, de acordo com o IBGE. Um sinal desse efeito é que o volume de vendas de super e hipermercados cresceu 0,5% em relação a março, mas a receita nominal caiu 6,4%. Ou seja, a quantidade cresceu, mas com a venda de itens de menor valor. Considerando todo o setor de hiper, supermercados e demais lojas de produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas recuaram 0,1% de março para abril. Na comparação com abril do ano passado, houve uma expansão de 0,6% -menor que os 8,5% de março. Outro dado que indica que a alta dos alimentos fez sobrar menos dinheiro no bolso dos consumidores é a redução das vendas de artigos de uso pessoal e doméstico, que incluem jóias e artigos esportivos. Na comparação com março, houve queda de 1%. Em relação a abril de 2007, as vendas subiram 10,2%, num ritmo bem menor do que os 27,6% constatados em março." A inflação afeta principalmente as classes mais pobres, e as pessoas já começam a deixar de fazer uso de supérfluos e a consumir produtos de menor valor agregado", observou o economista-chefe da consultoria Gouvêa de Souza & MD, Cesar Fukushima." A alta em relação ao ano passado, no resultado geral, é razoável. Teria sido maior caso o comportamento do grupo ligado aos alimentos tivesse sido melhor. Se esse segmento tivesse mantido os patamares deste ano, o comércio teria crescido mais de 10%", afirmou Reinaldo Silva Pereira, responsável pela Pesquisa Mensal do Comércio. De janeiro a abril, as vendas no varejo subiram 11%. Nos últimos 12 meses, o comércio teve uma expansão de 10,3%, de acordo com o IBGE.
Efeito Páscoa
De acordo com Pereira, o resultado mais fraco dos setores ligados a alimentos não é culpa somente da inflação, mas também do "efeito Páscoa". É que no ano passado a data foi celebrada em abril, e a base de comparação foi elevada. "O dado da Páscoa é relevante no resultado. Mas já faz sentido dizer que a alta dos produtos alimentícios afeta as vendas do comércio varejista", disse o chefe do departamento econômico da CNC (Confederação Nacional do Comércio), Carlos Thadeu de Freitas. Por outro lado, setores como o de móveis e eletrodomésticos continuam com as vendas em alta, impulsionados pela forte oferta de crédito e pela valorização do câmbio. Em relação a abril do ano passado, as vendas desse ramo aumentaram 27,8%. É o maior resultado desde abril de 2004, quando as vendas haviam superado em 32,2% o resultado em igual mês do ano anterior. " O resultado de abril mostra um ajuste saudável no varejo. As vendas deverão cair um pouco, mas não irão despencar. É um ajuste natural, que tem que ser feito e que ajuda a evitar movimentos bruscos na economia, como a elevação dos juros", destacou o diretor-executivo do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), Emerson Kapaz.
CIRILO JUNIOR. DA FOLHA ONLINE, NO RIO - 1806.

quarta-feira, junho 11, 2008

INFLAÇÃO: ALIMENTOS QUE ''ALIMENTAM'' OS ÍNDICES

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Inflação medida pelo IPCA acelera para 0,79% em maio, diz IBGE



A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), taxa oficial usada pelo governo, registrou alta de 0,79% em maio, o que representa aceleração frente aos 0,55% verificados em abril, informou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É a maior alta mensal desde abril de 2005, quando a inflação chegara a 0,87%, e da maior variação verificada para um mês de maio desde 1996. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumula alta de 5,58%, acima dos 5,04% identificados nos 12 meses imediatamente anteriores. No ano, a inflação acumula alta de 2,88%, ante 1,79% no mesmo período do ano passado. Em maio de 2007, a inflação pelo IPCA subira 0,28%.

Entenda a diferença entre os principais índices de inflação

Mais uma vez, os alimentos pressionaram o índice e tiveram alta de 1,95%, acima dos 1,23% constatados no mês anterior. A contribuição deste grupo representou 0,43 ponto percentual do IPCA, o equivalente a 54% do índice. Trata-se da maior alta do grupo desde o início do Plano Real, em 1994. Entre os alimentos, o destaque entre as altas foi o arroz, que subiu 19,75% na comparação com abril, representando 0,11 p.p. do resultado geral. O pão francês teve alta de 4,74% e as carnes, 3,45%. No ano, os alimentos acumulam alta de 6,40%, acima dos 2,81% verificados de janeiro a maio de 2007. Já os produtos não-alimentícios tiveram alta de 0,46%, ante 0,34% em abril. No ano, acumulam elevação de 1,91%.

Mais pobres

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado entre as famílias com renda mensal até seis salários mínimos, ficou em 0,96% em maio, ante 0,64% de março. Nos 12 meses encerrados em abril, o indicador acumula elevação de 6,64%, acima dos 5,90% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio. 1106.

sexta-feira, junho 06, 2008

ONU [In:] CRISE ALIMENTAR

Cúpula da fome nada propõe contra "situação dramática"


Jacques Diouf, o diretor-geral da FAO, braço da ONU para Alimentação e Agricultura, havia dito, ao inaugurar na terça-feira a Cúpula sobre Segurança Alimentar, que havia passado o tempo das palavras e era hora da ação.
Dois dias depois, a cúpula termina sem ação alguma e quase sem palavras, porque o comunicado final foi sucessivamente adiado, para sair só no início da noite romana, em termos tão aguados que o chanceler italiano, Franco Frattini, reconheceu que o texto "é decepcionante". Emendou Frattini: "Se os líderes mundiais não conseguem pôr-se de acordo ao menos para evitar os danos de uma situação dramática de emergência alimentar, isso me preocupa". A emergência já havia sido quantificada por Diouf no discurso inaugural, ao lembrar que há 832 milhões de pessoas passando fome. Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, ampliou a dimensão da emergência ao dizer que a disparada dos preços da alimentação colocava 2 bilhões de pessoas em "perigo imediato". Muitos países já enfrentam protestos populares por causa da alta dos alimentos. Três dias de debates e de discursos, com a participação de cerca de 40 governantes, nada produziram, a não ser anúncios de verbas de emergência até agora no valor de US$ 3 bilhões, quando Diouf havia dito que seriam necessários US$ 30 bilhões por ano para criar uma situação de segurança alimentar. O pior é que os delegados se envolveram em discussões absolutamente bizantinas, em torno de um documento que já nasceu aguado por causa das divergências de todos os tipos. Das divergências, passou-se à fofocas sem sentido, que retardaram a divulgação do texto por mais de quatro horas. Uma das fofocas envolveu o Brasil. Delegados europeus disseram aos jornalistas que o Brasil vetava trecho da declaração que considerava crítico aos biocombustíveis, a principal bandeira internacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Qual era a suposta crítica? Dizer que "é essencial enfrentar os desafios e oportunidades colocados pelos biocombustíveis em vista das necessidades mundiais de energia, segurança alimentar e ambiental". Ao falar em "segurança alimentar", o trecho insinuaria que os biocombustíveis são deletérios para ela, no pressuposto de que os plantios para obtê-los invadiriam áreas destinados à culturas para a alimentação. A acusação é falsa pela simples e boa razão de que nenhum governo pode se dizer contra a segurança alimentar e ambiental e recusar-se a assinar um documento que as defenda. No caso do Brasil, Lula, em seu discurso na cúpula, deu todas as informações necessárias para demonstrar que o etanol da cana-de-açúcar não interfere no plantio de alimentos -e tampouco na devastação ambiental da Amazônia. O texto final da cúpula, tal como a Folha já havia adiantado desde o princípio dela, não toma partido sobre biocombustíveis. Joga qualquer definição mais concreta para "estudos em profundidade" e um "diálogo internacional". Uma segunda polêmica era igualmente sem sentido. O rascunho pedia aos países-membros que se abstivessem de medidas unilaterais e contrárias às leis internacionais. Os EUA, pela versão que chegou aos jornalistas, entenderam que se tratava de condenar o bloqueio à Cuba, que já dura mais de meio século. De novo, nenhum país pode defender medidas contrárias às leis internacionais, mesmo quando eventualmente as apliquem.
Tudo somado, ficou de concreto o óbvio: um pedido para "ação coordenada e urgente para combater os impactos negativos dos crescentes preços de alimentos sobre os países e populações mais vulneráveis" e a cobrança de mais investimentos na agricultura, além da ajuda imediata para os famintos. Muito menos do que prometia o longo título do encontro: "Conferência de Alto Nível sobre Segurança Alimentar Mundial - os Desafios da Mudança Climática e da Bioenergia".

CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A ROMA - Folha Online, 0606.

terça-feira, junho 03, 2008

ENERGIA vs. ALIMENTOS: IND. AUTOMOBILÍSTICA vs. GOVERNOS

Secretário-geral da ONU pede que produção de alimentos seja duplicada até 2030

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu durante seu discurso perante a Cúpula da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) em Roma que a produção de alimentos seja duplicada até o ano de 2030 para superar a atual crise mundial.
Durante a abertura do evento Ki-moon exigiu que se passe das palavras à ação e pediu um consenso mundial para a utilização dos biocombustíveis, assim como outras medidas para atenuar a crise na oferta de alimentos. O principal diretor da ONU lembrou que existem 850 milhões de pessoas famintas no mundo, e que o Bird (Banco Mundial) previu que esse número pode aumentar em cem milhões nos próximos anos caso não sejam tomadas as medidas necessárias conter o problema. "Todos os senhores conhecem a severidade e a escala da atual crise mundial. As ameaças são óbvias", disse o secretário-geral aos delegados dos 191 países que participam da cúpula. No entanto, ele destacou que a reunião é uma oportunidade para revisar as políticas, que devem tanto "responder imediatamente aos altos preços" quanto "aumentar a segurança alimentar mundial a longo prazo".
Assistência e restrições
Entre as medidas receitadas por Ban para alcançar esses objetivos, destacou o aumento da assistência, por meio da ajuda em comida, vales e dinheiro, e o ajuste do comércio e das políticas fiscais para minimizar as restrições e as tarifas à importação.
Por esse motivo, rejeitou as limitações impostas às exportações por alguns países, que podem "distorcer os mercados e aumentar os preços". Ban pediu a suspensão dessas restrições às exportações a todas as nações que as impuseram.
Também pediu que o ajuste do comércio e das políticas fiscais sobre a agricultura esteja ligado a uma rápida resolução das negociações na Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), e a um maior investimento na agricultura de todo o mundo.
O secretário-geral da ONU calculou em entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões o esforço anual que deverá ser realizado pelos países em desenvolvimento e pelos doadores para poder dobrar a produção mundial de alimentos.
Politização
Ontem, durante sua chegada à Roma, Ki-moon advertiu que o aumento dos preços dos alimentos pode provocar outras crises com efeitos negativos sobre o crescimento econômico, o progresso social e inclusive a segurança política no mundo.
Os governos deixaram de lado "decisões difíceis e subestimaram a necessidade de investir em agricultura", disse o secretário-geral, acrescentando que hoje está se "pagando o preço" dessa atitude. Além disso, o sul-coreano expressou preocupação com a "excessiva politização" na discussão da crise. Em visita ao Brasil, noticiada pela BBC, Ki-moon disse que deve-se "evitar que uma excessiva politização do tema impeça medidas que são necessárias para melhorar a produção e o abastecimento de alimentos". Mais de 30 chefes de Estado discutirão em Roma os fatores que estão causando a alta do preço dos alimentos, que chegou a gerar crises políticas e violência em alguns países. Vários fatores são associados ao aumento --alta do preço do petróleo, aumento da produção dos biocombustíveis, especulação, queda da cotação do dólar e crescente demanda por alimentos em países emergentes. No entanto, não existe um consenso dentro da FAO sobre o peso de cada um dos fatores.
da Efe, em Roma; da Folha Online - 0306.

segunda-feira, junho 02, 2008

LULA: 'SUBSIDIANDO' A POLÍTICA MUNDIAL...

Lula quer fim de subsídios para motivar produção de alimentos

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, disse que para se combater a forme no mundo, uma das atitudes a ser adotada, seria a de concluir o acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) na Rodada de Doha, e "que os países ricos abram mão dos subsídios agrícolas que dão aos seus agricultores, que os Estados Unidos diminuam os subsídios. E aí sim os países pobres vão se sentir motivados a produzir mais alimentos para comer e para vender".
Falando de Roma, onde participará da reunião da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o presidente adiantou que, durante seu discurso no evento, falará de programas sociais de seu governo, como o Fome Zero e o Bolsa Família, e procurará lembrar aos demais líderes mundiais que tem batido na tecla do combate à fome desde 2003, quando assumiu o governo. Lula disse ainda que a crise de alimentos é mundial, que passa pela China, Brasil, Chile, Estados Unidos e Europa. Durante a FAO, o presidente disse que afirmará que é preciso fazer algo urgente. "Discutir, por exemplo, porque que o preço do petróleo pode implicar no aumento do custo do produto a partir do custo do transporte e a partir do custo da matéria prima que faz o fertilizante", disse. "Nós temos terra no mundo, nós temos água, nós temos sol em vários países. É importante, então, que a gente comece a estabelecer uma estratégia de melhorar e aumentar a produção de alimentos e, sobretudo, tirar os subsídios na agricultura dos países mais ricos que tornam praticamente impossível do mundo pobre vender comida à Europa. Ou seja, porque não tem incentivo para produzir". E complementou: "Se nós conseguirmos fazer isso, eu penso que nós estaremos criando as condições para que o alimento volte a se tornar acessível, sobretudo à parte mais pobre da população. Eu acho que nós queremos abrir um debate [no encontro da FAO] para discutir a questão do alimento, a questão da inflação e também discutir como fazer para que as pessoas não joguem a culpa do preço dos alimentos em cima dos países pobres mais uma vez".
Grau de investimento
Ao analisar o fato de mais uma companhia de análise de risco, a inglesa Fitch, ter atribuído ao Brasil o grau de investimento, Lula disse ter a certeza de dizer ao povo brasileiro que "a economia está no caminho certo". Essa foi a segunda agência desse tipo que deu esse status ao Brasil. Antes, a nota havia sido dada pela Standard & Poor's.
"O fato do Brasil ser reconhecido por uma segunda agência como grau de investimento demonstra que nós estamos acertando na política fiscal, demonstra que nós estamos acertando na política de investimento, e tudo isso é resultado de uma coisa bem planejada, pensando no futuro". Lula disse que no País hoje se combina o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) com "uma política de desenvolvimento produtiva que nós lançamos no País, você vai dando ao mundo e aos investidores a certeza de que o Brasil está levando a sério essa história de se transformar num país de uma economia altamente sustentável e de um novo ciclo de crescimento".

quarta-feira, maio 28, 2008

LULA/HAITI: VISITA RELÂMPAGO

No Haiti, Lula defenderá ampliação de missão brasileira

Porto Príncipe, Haiti - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à capital haitiana, Porto Princípe, nesta quarta-feira, onde irá se encontar com o presidente do país, René Preval, e com membros do governo interino do Haiti.

Durante sua visita, Lula deverá reforçar o papel dos militares brasileiros que comandam as forças de paz da ONU (Minustah, na sigla em francês) e defender a ampliação do número de soldados do Brasil na nação caribenha. Na terça-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu o aumento do número de tropas brasileiras em mais cem soldados, todos eles pertencentes ao Batalhão de Engenharia, que atuariam em obras de infra-estrutura. De acordo com o ministro, a vinda de Lula ao Haiti é ''uma visita de vistoria'', porque o país deve preparar o terreno para a "visita de mais cem militares". O projeto de ampliação do número de soldados está atualmente parado na Câmara dos Deputados. Jobim defendeu a aprovação o quanto antes, argumentando que, assim que a Câmara aprovar o envio de militares, ''em 30 dias eles poderão se deslocar, estarão prontos, estarão preparados''. ''Basta andar pelas ruas para saber que isso (a presença dos engenheiros militares) é preciso'', afirmou o ministro. Durante sua estadia no país, o presidente irá visitar a sede do Batalhão Brasileiro da Minustah e as instalações da Companhia de Engenheiros do Exército, que vem realizando obras de reconstrução na nação caribenha.

Segunda visita
Esta será a segunda visita do presidente ao Haiti. A primeira delas se deu em agosto de 2004, quando a Seleção Brasileira realizou um amistoso contra a equipe haitiana. Naquele ano, teve início a missão militar brasileira no país. Lula deve desembarcar em Porto Príncipe pela manhã e pouco depois seguirá para o Palácio Nacional, onde irá se encontrar com o presidente René Preval. O presidente deverá participar de um almoço com o líder haitiano e assinar acordos de projetos de cooperação no setor agrícola e no combate à violência contra a mulher. De acordo com um relatório divulgado pela Anistia Internacional nesta quarta-feira, a violência contra as mulheres e a falta de acesso à Justiça no Haiti são motivo de ''grande preocupação'' para a entidade. A ONG afirmou ainda que denúncias de agressões sexuais registraram um aumento em relação aos anos anteriores e que as mais sujeitas à violência sexual no país são as jovens, com mais da metade dos incidentes atingindo menores de 17 anos. Na terça-feira, a ONG britânica Save The Children acusou as forças de paz presentes no Haiti de praticarem abusos sexuais contra menores. O comandante das forças de paz da ONU no país, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, pediu que a entidade forneça casos concretos de abusos cometidos por militares, para que possam ser abertos inquéritos sobre as supostas denúncias.
BBC Brasil - Estadão. 2805.

sexta-feira, maio 09, 2008

GOVERNO LULA/BRASIL: ASPIRANTE À "OPEP"

Brasil quer ingressar na Opep, diz Lula a revista alemã

FRANKFUR - O Brasil quer ingressar na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e trabalhar em direção à queda dos preços, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à edição do próximo sábado da revista alemã Der Spiegel, com vistas à próxima cúpula UE-América Latina, que será realizada em Lima, e à viagem da chanceler alemã, Angela Merkel, ao Brasil.
Na entrevista, o presidente disse ainda que a Europa deveria deixar a produção de biocombustíveis para outros países e rejeitou as críticas de que os cultivos de cana atrapalhariam os produtos destinados à alimentação, especialmente cereais. "Nós e os africanos podemos fazer isso muito melhor", afirmou o presidente. Lula disse também que o primeiro mundo deveria parar de subsidiar sua agricultura e reduzir os elevados impostos de importação para outros países. Em vez de criticar, "o primeiro mundo deveria deixar de subvencionar seus agricultores e de estabelecer enormes tarifas às importações", sustentou o presidente.
Estadão, 0905. (Com Efe) .

INFLAÇÃO: IGP-M (subindo, subindo ...)

IGP-M dispara 1,36% na 1ª prévia; maior resultado desde 2002

RIO - A primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de maio subiu 1,36%, em comparação com o aumento de 0,33% apurado em igual prévia do mesmo indicador em abril. Trata-se do maior resultado para uma primeira prévia desde dezembro de 2002, quando esse tipo de indicador subiu 2,61%. O índice foi anunciado nesta sexta-feira, 9, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
A aceleração refletiu uma significativa elevação nos custos no atacado. Os preços dos produtos agrícolas no setor subiram 1,27% na primeira prévia de maio, ante queda de 1,52% na primeira prévia de abril. Em 12 meses, os produtos agrícolas acumulam elevação de 31,99%. Já os preços dos itens industriais no atacado tiveram avanço de 2,04% na prévia anunciada nesta sexta, ante alta de 0,96% na primeira prévia de abril. O resultado da primeira prévia do IGP-M ficou acima das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam uma taxa entre 0,55% e 1,30%, e foi superior à mediana das expectativas (0,78%). Nesta semana, o IGP-DI de abril já havia surpreendido negativamente os analistas, pressionando fortemente o mercado de juros futuros. A FGV também informou os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M. O Índice de Preços por Atacado (IPA) subiu 1,82% na prévia anunciada nesta sexta, ante elevação de 0,26% na primeira prévia de abril. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 0,27%, ante 0,40% em abril. Já o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) teve elevação de 0,79% em maio, ante avanço de 0,59% na primeira prévia de abril. Até a primeira prévia de maio, o IGP-M acumula elevações de 4,48% no ano e de 11,25% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo da primeira prévia do IGP-M de maio foi do dia 21 a 30 de abril.
ALESSANDRA SARAIVA - Agencia Estado. 0905.

segunda-feira, abril 28, 2008

ONU/BIOCOMBUSTÍVEIS: ALIMENTO vs. 'ENERGIA'

Relator da ONU culpa biocombustíveis e especulação pela crise dos alimentos

A transformação de alimentos em biocombustíveis e a especulação financeira são as principais causas da alta dos preços dos produtos alimentícios, denunciou hoje o relator da ONU (Organização das Nações Unidas) para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, que qualificou a crise de "verdadeira tragédia".
O relator, que deu uma entrevista em Genebra para fazer um balanço de seu mandato, que termina nesta semana, disse que os biocombustíveis são "um crime contra grande parte da humanidade, algo intolerável", pois a transformação em massa de alimentos em combustível provocou a escalada dos preços de produtos básicos. Ziegler qualificou de "histórica e essencial" a reunião que as agências e organismos da ONU --com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon realizam hoje em Berna (Suíça) para enfrentar a crise alimentícia. O relator apelou aos doadores do Programa Mundial de Alimentos da ONU para que aumentem suas doações, porque a agência "perdeu 40% de seu poder aquisitivo em três meses" devido à alta dos preços. Ziegler lembrou que 75 milhões de pessoas no mundo "dependem para sua sobrevivência de receber as provisões do programa". Segundo dados da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) citados por Ziegler, no último ano, o preço dos cereais --especialmente o trigo-- aumentou 130%; o do arroz, 74%; o da soja, 87%; e o do milho, 53%. Além disso, há os custos do transporte dos alimentos, lembrou o suíço. Por isso, o relator defendeu uma moratória imediata durante pelo menos cinco anos na produção de biocombustíveis. Ziegler ressaltou que o "massacre cotidiano da fome" é uma crise "antiga", mas que no último mês e meio, com a forte alta dos preços no mercado mundial, "novas classes sociais caíram, por milhões, no abismo da fome". Uma família européia destina de 10% a 12% de seu orçamento à alimentação. No mundo em desenvolvimento, onde 2,2 bilhões de pessoas vivem na extrema pobreza, segundo o Banco Mundial, a proporção é de 85% a 90% da renda gastos com os alimentos. Sobre os biocombustíveis, disse entender que é preciso combater a mudança climática, "mas sem matar as pessoas de fome", e defendeu potencializar o transporte público e outras fontes de energia, como a elétrica. "O direito à vida e à alimentação é o principal", disse.
O relator criticou os Estados Unidos, que destinou no ano passado um terço de sua colheita de milho à produção de álcool, e a União Européia, por sua diretiva segundo a qual 10% de seu consumo energético deve vir dos biocombustíveis em 2020. "Todo o mundo está de acordo em que a UE não pode proporcionar isso, portanto é a África, que já está atingida pela fome, que deverá fazê-lo", acrescentou. Sobre a especulação, disse que "é responsável por 30% da explosão dos preços", especialmente a Bolsa de Valores de Chicago, onde os fundos de produtos básicos dominam 40% dos contratos. Disse que as duas causas, os biocombustíveis e a especulação, "não são fatalidades", mas têm remédio, como a moratória e controles mais severos, respectivamente.
Por fim, culpou a política "aberrante" do FMI (Fundo Monetário Internacional) por desenvolver culturas de exportação para reduzir a dívida externa, em detrimento de agriculturas de subsistência, e defendeu o fim dos "cultivos coloniais". O relator também lembrou que o novo diretor do Fundo, Dominique Strauss Kahn, "se referiu à moratória dos biocombustíveis como uma possibilidade a levar em conta".
da Efe, em Genebra/ Estadão. 28.04.