PENSAR "GRANDE":

***************************************************
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************


“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

----

''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

=========
# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
1Radio 1455824919 nhm...

valor ...ria...nine

folha gmail df1lkrha

***

Mostrando postagens com marcador Vinicius de Moraes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vinicius de Moraes. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, agosto 23, 2013

MENSALÃO: ''E POR FALAR EM SAUDADE/ ONDE ANDA VOCÊ?'' (Vinicius de Moraes)

23/08/2013
STF rejeita recurso de Delúbio no mensalão


Principal elo entre os núcleos político e operacional do mensalão, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado a 8 anos e 11 meses de prisão, teve seu recurso rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, votou também por negar o recurso do operador do esquema, o empresário Marcos Valério, condenado a 40 anos e 4 meses e 6 dias de prisão, mas a votação do caso foi suspensa.

Supremo rejeita por unanimidade recurso de Delúbio


Ministros negaram apelação do ex-tesoureiro do PT por redução da pena e divergiram sobre cálculo das multas impostas a Valério

Felipe Recondo
Eduardo Bresciani

BRASÍLIA

Principal elo entre os núcleos político e operacional do mensalão, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado a 8 anos e 11 meses de prisão, teve ontem seu recurso rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). No julgamento, os ministros decidiram não aceitar um argumento que também era usado pela defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.

Relator do processo, o ministro Joaquim Barbosa votou também por negar integralmente o recurso do operador do esquema, o empresário Marcos Valério, condenado a 40 anos, 4 meses e 6 dias. O julgamento, no entanto, foi suspenso e será retomado na quarta-feira.

A rejeição por unanimidade do recurso de Delúbio anulou urna das principais teses da defesa de José Dirceu. Ambos pediam redução da pena por corrupção ativa ao apontar um erro no julgamento. No acórdão, o STF informou que o ex-presidente do PTB José Carlos Martinez havia morrido em dezembro de 2003. Entretanto, Martinez morreu em outubro. 

O erro, na visão das defesas, poderia repercutir na diminuição das penas porque os dirigentes petistas foram condenados levando em conta uma lei de novembro daquele ano, que endureceu as punições para o crime.

Continuidade. 
Delúbio e Dirceu argumentavam que o crime de corrupção ocorreu quando das negociações com Roberto Jefferson, que assumiu o comando do PTB, logo após a morte de Martinez e antes da mudança na lei. Assim, a pena pelo crime deveria ser calculada com base na legislação anterior, com penas mais brandas.

Entretanto, prevaleceu entre os ministros o entendimento de que a pena deveria ser calculada pela lei nova porque o crime foi praticado também nos anos de 2004 e 2005, quando continuou o repasse de recursos do esquema. Por isso, ressaltou Joaquim Barbosa, o erro da data é irrelevante.

Com a decisão, foi mantida a pena de 8 anos e 11 meses pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa, Delúbio era tesoureiro do PT à época do escândalo. As investigações mostraram que cabia a ele a indicação de quem deveria receber dinheiro do esquema.

O recurso de Dirceu deve ser julgado apenas na próxima semana, mas a decisão de ontem foi um novo revés para a defesa do ex-ministro. Na quarta-feira, com os votos dos dois novos ministros, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, o tribunal fechou a possibilidade de mudanças substanciais no julgamento por meio dos embargos de declaração. Esse tipo de recurso serve essencialmente para corrigir erros ou contradições no julgamento ou sanar omissões ou ambiguidades na decisão.

Valério. 
Na sessão de ontem, o relator do processo votou pela rejeição integral dos recursos do operador do esquema, o empresário Marcos Valério, condenado a 40 anos, 4 meses e 6 dias. A sessão foi interrompida sem os votos dos demais ministros, pois uma contradição sobre o cálculo das multas impostas a Valério gerou um impasse no julgamento. Houve divergência nos trechos do acórdão sobre qual a sanção de multa a ser aplicada ao empresário em dois crimes. O tribunal ficou de analisar o tema na próxima semana. Ministros admitem que, caso se opte por reajustar as multas, poderá ser necessário fazer mudanças também em relação aos ex-sócios de Valério, Ramon Hollerbach e Gristiano Paz, que receberam punições financeiras mais altas.

Em seu voto, Barbosa rejeitou a argumentação de Valério de que o seu papel de comando sobre os ex-sócios no esquema não deveria ter sido considerado como agravante em todos os crimes pelos quais foi condenado, Ele alegou que a condição só deveria ter sido usado como agravante no crime de formação de quadrilha.

adicionada no sistema em: 23/08/2013 04:51

sexta-feira, junho 28, 2013

''QUE NÃO SEJA IMORTAL, POSTO QUE É CHAMA...'' (Vinicius de Moraes)*

28/06/2013
FHC vai criar grupo de conjuntura na ABL


Por Paola de Moura | Do Rio


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito ontem para uma vaga na Academia Brasileira de Letras. 

Fernando Henrique recebeu 34 dos 39 votos e foi eleito para a cadeira 36, na vaga do escritor e jornalista João de Scantimburgo, que morreu em março deste ano.

FHC evitou comentar aspectos políticos do país, mas frisou que seu papel na ABL será o de criar um grupo apartidário para discutir o cenário brasileiro no contexto atual, nacional e mundial.

"O que eu posso colaborar é falar sobre o Brasil e seus desafios. Neste momento, o Brasil está sem rumo, falta estratégia", disse.

Em agosto, o ex-presidente participará de seminário na ABL no qual discursará sobre o papel do Brasil no mundo. Segundo FHC, os integrantes da ABL têm conhecimento suficiente para discutir e influenciar o país sem interesses de atender ao poder.

O ex-presidente comemorou sua vitória para a ABL com uma brincadeira. 

"As outras eleições foram mais difíceis, mas espero que eles [os demais imortais da ABL] saibam o que estão fazendo", disse.

Fernando Henrique lembrou que anteriormente não queria concorrer porque, segundo ele, não queria misturar sua vida política com a acadêmica. "Desde os anos 90 sou convidado a concorrer. Mas agora refleti que o que está em jogo aqui é o conhecimento que tenho a transmitir e não minha vida política", afirmou. Em sua página na rede social Facebook, ele complementou: "Ao saber, porém, que desde sua fundação a Academia contemplava intelectuais em geral, e não apenas escritores [...], arrisquei submeter meu nome à apreciação dos acadêmicos.

-----------------
----

Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

----------------

quarta-feira, abril 24, 2013

MINHA CASA, MINHA VIDA [''... ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA/ NÃO TINHA TETO/ NÃO TINHA NADA'' (Vinicius de Moraes)]

24/04/2013
Dilma reconhece fraude

Presidente diz que gigantismo de programa habitacional dá margem para irregularidades

Catarina Alencastro

BRASÍLIA 
A presidente Dilma Rousseff admitiu ontem que, por conta da dimensão, o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) pode ser alvo de irregularidades, e é obrigação do governo investigar as fraudes. A presidente falou sobre o tema ao ser indagada sobre as denúncias reveladas pelo GLOBO. Na semana passada, o jornal informou que a RCA Assessoria comandava um esquema de empresas de fachada para fraudar projetos do MCMV em municípios de até 50 mil habitantes.

- Fraudes, minha querida, em um programa desse tamanho também podem ocorrer. A minha obrigação, a obrigação do governo é combatê-las. Assegurar que eles (moradores) terão a casa da melhor qualidade possível. Sabe por que eu falo isso? Porque o nosso país tem ótimas tradições, mas tem tradições que não são muito boas, herdadas da escravidão e que acham que o povo brasileiro, de baixa renda, merece qualquer coisa. Eu não fui eleita para dar casas de qualquer jeito para a população brasileira - disse a presidente.

Após publicação de reportagens do GLOBO sobre a atuação da RCA, uma empresa montada por ex-servidores do Ministério das Cidades, a Controladoria Geral da União (CGU) abriu investigação sobre o caso. O próprio ministério também instaurou uma sindicância. A RCA também será investigada por suposta violação de senhas de dirigentes da Secretaria Nacional de Habitação a fim de ter acesso a e-mails funcionais. Dois dos sócios da RCA, Daniel Vital Nolasco e José Iran Alves dos Santos, eram servidores do ministério. O primeiro foi diretor de Produção Habitacional do Ministério das Cidades. O segundo tinha sido garçom. Nolasco é filiado ao PCdoB.

presidente provoca tucanos sobre moradia

Os detalhes da atuação da RCA estão narrados numa ação movida por outro ex-servidor do ministério, Fernando Borges, que alega ser sócio oculto da empresa. Borges cobra sua parte no negócio. Ele chega a sustentar que a RCA repassava dinheiro para o PCdoB e também cita a ex-ministra Erenice Guerra, cujo irmão teria intermediado a negociação pré-judicial entre os donos da RCA e Fernando Borges.

Com a divulgação do caso, o PSDB pediu apuração. Foi aprovado no plenário do Senado requerimento determinando que o Tribunal de Contas da União (TCU) faça uma auditoria no Minha Casa Minha Vida, especialmente nos contratos que tiveram a participação da RCA. O pedido de apuração foi formulado pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). A RCA fraudava processos de seleção de construtoras responsáveis por obras do MCMV. O site da empresa registra a escolha de uma construtora cujo endereço era o mesmo da RCA. O registro dessa fraude foi apagado do site da empresa após seus donos terem sido procurados pelo GLOBO. A RCA também apagou do seu site fotos mostrando um dos sócios participando de evento no Nordeste.

Ontem, a presidente afirmou que o governo do tucano Fernando Henrique não fez um programa de moradia popular desse porte por falta de convicção ou devido à "crise do Estado". Ela disse que o ex-presidente Lula entregou um milhão de moradias e que, no atual governo, ela contratará mais 2,4 milhões. E que as casas terão piso de cerâmica ou de lâmina de madeira.

Lula, porém, terminou o governo sem entregar todas as habitações contratadas. Em agosto de 2012, cerca de 400 mil unidades ainda não haviam sido entregues.

Segundo ela, agora, mesmo quem já recebeu as casas sem piso pode reivindicar o revestimento. Dilma alegou que, quando Lula lançou o programa, os recursos não eram suficientes para fazer o piso.

- Na primeira fase do programa, os recursos não eram tão avultados. 

Então o piso ficaria de cimento, muitas vezes se usa piso de cimento em casas até sofisticadas, piso queimado, nós estamos optando por fazer piso de cerâmica, de lâmina de madeira. 
Minha obrigação é estar atenta para que ninguém queira vender gato por lebre, para que ninguém queira entregar produtos que não sejam de qualidade.

Quanto aos problemas de rachaduras en algumas casas do programa, Dilma disse que as falhas podem ser contadas nos dedos.

- Os que racharam, em um milhão, se você cortar nos dedos, você conta muito. Num montante de 2,4 milhões novos (empreendimentos), você vai ter um problema aqui, o outro ali. A arte é estar atento e monitorando e obrigando a refazer, não aceitando quando entregar errado. Não há perfeição absoluta em 2,4 milhões. A obrigação do poder público é zelar pela qualidade, e vocês contribuem quando denunciam.

quinta-feira, abril 04, 2013

PIB: ''... E POR FALAR EM SAUDADE, ONDE ANDA VOCÊ?'' (Vinicius)

04/04/2013
CNI reduz previsão do PIB para 3,2%


Entidade representativa da indústria avalia que o quadro econômico se deteriorou desde dezembro. No setor, a alta da produção não deverá passar de 2,6% neste ano

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4% para 3,2% neste ano, diante da menor expansão no consumo das famílias, no investimento e no próprio setor industrial. 

A reavaliação das expectativas ocorreu, segundo a entidade, porque o país atravessa um ambiente mais desafiador do que no fim do ano passado, quando foi feita a projeção anterior. A dificuldade, de acordo com a entidade, deve-se à lentidão na implementação de medidas do governo e à recente valorização do real frente ao dólar.

Com isso, a CNI previu que o PIB industrial terá expansão de 2,6% em 2013, ante 4,1% previstos anteriormente. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimentos, deverá ter alta de 4% neste ano, ante 7% na estimativa feita em dezembro, enquanto o consumo das famílias crescerá 3,5%, em vez de 3,8%. As projeções foram divulgadas ontem no boletim Informe Conjuntural, que é elaborado a cada três meses pela Unidade de Política Econômica da confederação. 

“No fim do ano passado, havia um ambiente mais positivo em relação à rapidez de retomada do investimento. Mas a resposta não está tão forte, sugerindo uma recuperação mais moderada da atividade”, afirmou o gerente executivo da CNI, Flávio Castelo Branco.

A perspectiva da entidade patronal contrasta com a expectativa otimista do governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem dito que vê um crescimento de cerca de 8% dos investimentos neste ano, baseado no fato de a FBCF, nos últimos três meses de 2012, ter crescido pela primeira vez após quatro trimestres seguidos de recuo. Mantega acredita ainda que o PIB vai subir de 4% a 4,5% neste ano.

Os dados dos primeiros meses de 2013, no entanto, não têm sido muito animadores para a indústria. Em fevereiro, a produção do setor caiu 2,5%, o pior resultado em mais de quatro anos. O desempenho ruim de fevereiro acabou praticamente anulando a expansão de 2,6% verificada em janeiro.

Já no lado cambial, o dólar saiu de um patamar acima de R$ 2,05 nas últimas semanas de 2012, desceu para R$ 1,94 em 8 de março passado e tem permanecido, nos últimos dias, no patamar de R$ 2,02. “A taxa de câmbio vinha numa direção (de maior competitividade), que acabou revertendo. Isso responde por uma menor reação do investimento”, disse Castelo Branco. Segundo ele, a moeda norte-americana ficará, na média do ano, em R$ 1,98, ante R$ 2,06 na projeção anterior.

Apesar de reduzir bastante a estimativa do crescimento da indústria, a CNI informou que considera haver “sinais de recuperação” no setor. “Os estoques estão no nível planejado pelos empresários, o que abre espaço para o aumento de produção nos próximos meses”, diz o Informe Conjuntural. 

Já a previsão para o saldo da balança comercial piorou consideravelmente. Em dezembro, a entidade acreditava que o país teria em 2013 um superavit de US$ 18,1 bilhões. Agora, a projeção recuou para apenas US$ 11,3 bilhões. 

O Informe elevou ainda a previsão de inflação para 5,7%, em linha com o Banco Central, ante estimativa anterior de 5,5%. Apesar disso, e dos seguidos sinais do BC de que vai agir contra a escalada dos preços, o documento prevê que a taxa básica de juros (Selic) será mantida nos atuais 7,25% ao ano até o fim de 2013.

quarta-feira, março 13, 2013

''POETA, MEU POETA CAMARADA..." (Toquinho ao Vinicius de Moraes)

13/03/2013



Roberto DaMatta

Uma avalanche de eventos


Temos vivido uma avalanche de eventos. 

Da morte de Chávez às divergências sobre os royalties do petróleo cujas sequelas vão mudar a cena política. Isso para não falar sobre a renúncia e agora eleição de um novo pontífice e o rompimento de uma trégua pela Coreia do Norte. 

Tudo isso pesa num mundo cada vez menor.

No plano insignificante do cronista, há a carta insigne que recebi do vice-presidente da República, o senhor Michel Temer - assinada como Michel Temer reclamando do modo como ele é mencionado na crônica Eu não Aceito, publicada em 6 de fevereiro.

O sr. Michel Temer ficou magoado com o que leu como uma censura à sua poesia. Ora, não é todo dia que um sujeito que dá aulas lê, escreve e pesquisa por mais ou menos 50 anos; um alucinado que andou estudando índios e que transformou alegrias como o carnaval e futebol em chatices teóricas; que vive denunciando a amizade e o apadrinhamento como valores essenciais no mundo público; enfim, um professor, essa profissão tão valorizada no Brasil, recebe uma carta acompanhada de três livros de um vice-presidente da República, uma pessoa superocupada com os problemas nacionais e com uma trajetória pública invejável.

Daí porque - pela deferência à figura de Michel Temer e pelo respeito que tenho pelo papel que ocupa (e que a ele não pertence totalmente) - torno público um assunto relativamente particular.

Observo que o nome do sr. Michel Temer surge na minha crônica no papel de poeta. E de poeta hígido (hígido, para quem não sabe, significa saudável!). Observo, em seguida, que minha crônica é permeada de ironia que se manifesta nas imagens que usei para salientar a minha desilusão com a dinâmica política nacional. O fato concreto, entretanto, é que jamais larguei coisa alguma. Muito pelo contrário, estou enfronhado no Brasil e, por circunstâncias que não inventei, tenho viajado muito mais para dentro do que para fora de mim mesmo. No momento, estou aprendendo a viver com menos.

Michel Temer escreve-me discorrendo sobre a sua vocação poética e explica que somente publicou seus pensamentos instado por amigos fiéis que, por sinal, são indivíduos admiráveis.Em seguida, ele fala de sua trajetória como acadêmico no campo do Direito Constitucional, cujo sucesso foi inegável, e exprime, não sem uma boa e justa dose de sarcasmo, o seu ressentimento por eu ter condenado a sua poesia. Termina dizendo uma verdade: "Talvez o que o tenha influenciado é o meu lado político. Duvido que V.S. seja daqueles que desestimulam os "calouros" que se atrevem a impulsionar pelas letras sentimentais".

O poeta no vice-presidente está certo. Depois de ler o seu livro Anônima Intimidade percebo sua reação. Michel Temer é um homem dividido como eu. É um correligionário de letras e de mediunidade que a política escondeu e que, espero, não tenha liquidado totalmente. 

Na carta que ele se dignou a mim endereçar, Michel Temer me situa no Olimpo da vida literária nacional. Ledo engano, Michel. Eu moro em Niterói e tenho a certeza, como muitos que criticaram o meu trabalho, que sou um especialista menor, errado ou superficial, que luta para fechar suas contas praticando uma antropologia antiga.

Na referida crônica, eu expressava a minha indignação não contra a sua poesia, mas contra a posse como presidente do Senado de um político sobre o qual pesam graves acusações. Um parlamentar que, entre outros fatos, é um recordista de atos secretos e, mesmo assim, ou talvez por isso mesmo, dava uma aula de "ética". 

Se o poeta Michel Temer reler a minha crônica, ele verá que o seu nome aparece por ele ser a segunda pessoa da República e sua excelência, o presidente do Senado, o sr. Renan Calheiros, o qual pertence ao seu partido, ser a terceira. 

Quer se queira ou não, o vice-presidente faz parte de um governo no qual a política tem sido descarrilhada por troca de favores e escândalos que me envergonham - razão do meu desabafo.

Eu não o julguei como poeta, mas testemunhei pela leitura do seu livro a angústia contida na poesia rascunhada em papel de guardanapo de avião ao sair de Brasília. Vejo que é um composto de perplexidades e angústias causadas pelo campo de sua atuação principal: a política - justamente a dimensão que motivou minha crônica. Lendo as suas ansiedades, eu bem posso imaginar a profundeza das consternações que marcam a sua biografia. No seu livro enxerguei a purgação que uns poucos podem fazer diante de um quadro político tão, data vênia, deprimente. Se fazemos em parte o mesmo, como poderia censurá-lo como poeta? Lamento o mal-entendido e por ele me desculpo.

Mas gostaria de aproveitar esta ocasião para dizer como eu gostaria que o seu lado de poeta estivesse mais próximo do seu lado de político profissional e - ouso sugerir com índole fraternal - pudesse ouvir esse seu lado literário com mais frequência. Foi imperdoável tê-lo ignorado como poeta e rogo para que sua poesia possa iluminar - com a agonia e as incertezas de todo poema - este nosso Brasil, cujo palco político produz dramas tão calhordas sem nenhum constrangimento.

PS: Aqui fica um convite para um encontro em minha casa no Olimpo chamado Niterói. Seria um prazer conhecer pessoalmente o poeta que é vice-presidente da República e liderança da base governista.




-----------------

Início do conteúdo

Roberto Damatta
Início do conteúdo


Eu não aceito!

06 de fevereiro de 2013 | 2h 14



Roberto Damatta - O Estado de S.Paulo

Quando o hígido Michel Temer vira poeta e Renan Calheiros - acusado pela Procuradoria Geral da República de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso - é apossado (com voto secreto - o voto da covardia) na Presidência do Senado Federal no posto número 3 da sucessão republicana e entra no papel dando uma aula de ética e com apoio do PSDB, um lado meu pergunta ao outro se não estaria na hora de sumir do Brasil.


Se não seria o momento de pegar o meu chapéu e deixar de escrever, abandonar o ensino das antropologias, desistir do trabalho honesto, beber fel, tornar-me um descrente, aloprar-me, abandonar a academia (de ginástica, é claro), deixar-me tomar pela depressão, desistir de sonhar, aniquilar-me, andar de joelhos, dar um tiro no pé, filiar-me a uma seita de suicidas, mijar sentado, avagabundar-me, virar puxa-saco, fazer da mentira a minha voz; e - eis o sentimento mais triste - deixar de amar, de imaginar, de ambicionar e de acreditar. Abandonar-me a esse apavorante cinismo profissional que toma conta do País - esse inimigo da inocência -, porque minha cota de ingenuidade tem sido destroçada por esses eventos. Eu não posso aceitar viver num país que legaliza a ilegalidade, tornando-a um valor. Eu não posso aceitar um conluio de engravatados que vivem como barões à custa do meu árduo trabalho.

"A ética não é um objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, é o interesse nacional. A ética é obrigação de todos nós e é dever deste Senado", professa Renan Calheiros, na sua preleção de po(s)se.

Para ele, a ética, o Brasil, o dever, o interesse e as obrigações são coisas externas. Algo como a gravata italiana que chega de fora para dentro e pode ou não ser usada. Façamos uma lei que torne todo mundo ético e, pronto!, resolvemos o problema da cena política brasileira - esse teatro de calhordices.

A ética não é a lei. A lei está escrita no bronze ou no papel, mas a ética está inscrita na consciência ou no coração - quando há coração... Por isso, ela não precisa de denúncias de jornais, nem de sermões, nem de demagogia, nem da polícia! A lei precisa da polícia, o moralismo religioso carece dos santarrões e as normas, de fiscais. A ética, porém, requer o senso de limites que obriga à mais dura das coragens: a de dizer não a si mesmo e, no caso deste Brasil impaludado de lulopetisto, a de negar o favor absurdo ou criminoso à namorada, ao compadre, ao companheiro, ao irmão, ao amigo.

"O Zé é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo!", eis a cínica palavra de ordem de um sistema totalmente aparelhado e dominado pelo poder feito para enriquecer a quem o usa, sem compostura, o toma lá dá cá com tonalidades pseudoideológicas, emporcalhando a ideologia.

Quem é que pode acreditar na possibilidade de construir um mundo mais justo e igualitário no qual a esfera pública, tocada com honestidade, é um ideal, com tais atores? Justiça social, honestidade, retidão de propósito são valores que formam parte da minha ideologia; são desígnios que acredito e quero para o Brasil. Ver essa agenda ser destruída em nome dos que tentaram comprar apoio político e hoje se dizem vítimas de um complô fascista, embrulha o meu estômago. Isso reduz a pó qualquer agenda democrática para o Brasil.

O cínico - responde meu outro lado - precisa (e muito) de polícia; o ético tem dentro de si o sentido da suficiência moral. Ela ou ele sabem que em certas situações somente o sujeito pode dizer sim (ou não!) a si mesmo. Isso eu não faço, isso eu não aceito, nisso eu não entro. É simples assim. A camaradagem fica fora da ética, cujo centro é o povo como figura central da democracia.

O que vemos está longe disso. Um eleito condenado pelo STF é empossado deputado, Maluf - de volta ao proscênio - sorri altaneiro para os fotógrafos, um outro companheiro com um passado desabonado por acusações vai ser eleito presidente da Câmara; a presidente age como a rainha Vitória. E o Direito: o correto e o honesto viram "direita". Entrementes, a "esquerda" tenta desmoralizar a Justiça porque não aceita limites nem admite abdicar de sua onipotência. 

Articula-se objetivamente, com uma desfaçatez alarmante, uma crise entre poderes exatamente pela mais absoluta falta de ética, esse espírito de limite ausente dos donos do poder neste Brasil de conchavos vergonhosos e inaceitáveis. Você, leitor pode aceitar e até considerar normal. 

Eu não aceito!

-------------

sábado, outubro 08, 2011

EDITORIAL [In:] ''PORQUE HOJE É SÁBADO" *

...
"(...) para um olhar destreinado, um diamante pode aparentar não ser mais do que um simples pedaço de vidro".
ruadajudiaria.com/
...

Dia Da Criação

Vinicius de Moraes


Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.

====
http://youtu.be/jpfymRLaPaA



======

Nota do Bloguista: 
Excelente!!! Excetuando-se a imagem de o Vinicius ''fumando'', devemos lembrar que, à sua época, fumar em ambiente público não era considerado ''não-politicamente correto".
===