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quarta-feira, maio 29, 2013

HAITI/BRASIL - YUNUS/BRF. NOVO PORTO DE GALINHAS

29/05/2013
BRF faz planos para produzir frango no Haiti


Por Bettina Barros | De São Paulo

A BRF pretende investir na cadeia produtiva de frangos no Haiti. Para isso, a empresa brasileira trabalhará em parceria com o fundo de negócios sociais de Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz e criador do conceito de microcrédito para populações carentes.

Segundo Wilson Mello, vice-presidente de assuntos corporativos da BRF, a decisão de atuar na pequena e carente ilha da América Central visa causar um impacto social maior. "A população não tem acesso a emprego, a renda nem a proteínas. Queremos abrir essas três frentes no Haiti", afirmou ele em evento de lançamento do fundo de Yunus no Brasil.

Aplaudido por uma plateia de quase 100 empresários, entre eles o acionista da BRF Horácio Lafer, Mello explicou que o Yunus Social Business entregará à empresa um estudo de viabilidade econômica para as operações no Haiti. O ideal, disse, seria desenvolver um projeto que abrangesse toda a cadeia produtiva de frangos, do campo ao abatedouro. "O estudo nos apontará se isso é possível ou não. 

Provavelmente teremos de importar soja e milho, para alimentação das aves, e trabalhar apenas com aviários e abatedouro. Mas, em um segundo momento, gostaríamos de mexer com os grãos lá também, integrando a cadeia como fazemos no Brasil", afirmou.

Mello não soube precisar o investimento necessário para as operações no Haiti. A informação depende do volume e da abrangência do negócio. O estudo, que exigiu US$ 300 mil, deverá ficar pronto em 60 dias. "Precisamos antes do levantamento sobre genética de raças, ração, de tudo para saber ao certo o tamanho da nossa atuação". De qualquer forma, disse ele, o fundo de Yunus entraria com metade do aporte.

Na primeira semana de julho, uma equipe da BRF vai ao país conhecer a situação local da produção de frangos. Atualmente, apenas uma empresa produz essa proteína animal, com índices de mortalidade altos, entre outros indicadores ruins, disse o executivo. Segundo ele, a BRF poderá produzir tanto para o consumo doméstico como para exportação. "Uma possibilidade seria embarcar para os EUA, que têm tratado comercial com o Haiti e não há tarifas comerciais".

Os investimentos no Haiti foram uma "provocação" à BRF, que procurou Muhammad Yunus para pedir consultoria para o lançamento de produtos mais nutritivos e mais baratos no Brasil. "Ele me devolveu com a seguinte provocação: por que não criar algo no Haiti, onde o impacto seria ainda maior?", disse Mello. No início da década de 2000, Yunus inspirou a Danone a lançar um iogurte mais nutritivo em Bangladesh, onde 56% das crianças sofrem de desnutrição. O produto, considerado um caso de sucesso, custa o equivalente a R$ 0,13 a unidade.

O desenvolvimento de produto nesses moldes no Brasil não foi esquecido, diz Mello. Com o lançamento do fundo de negócios sociais de Yunus no país, as negociações estão só começando. O fundo deverá ser administrado pelo Bank of America. "Seremos os primeiros no Brasil a fazer parceria com Yunus. Quero ver quem será o segundo", cutucou.

O Yunus Social Business está presente na Albânia, Alemanha, Togo, Tunísia, Uganda, Haiti e, agora, no Brasil. Juntos, esses países deverão atingir a marca de US$ 100 milhões em dois anos para negócios sociais.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

BRASIL. CARNES e AGRONEGÓCIOS



Preços de frango e suíno batem recorde em janeiro



Autor(es): Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Valor Econômico - 31/01/2013
 

Ainda afetados pela severa estiagem que atingiu as lavouras de grãos dos Estados Unidos, os preços médios das carnes de frango e suína atingiram níveis recordes para um mês de janeiro.
Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o preço médio do frango inteiro congelado em São Paulo nos primeiros 28 dias do mês foi de R$ 3,94 o quilo, salto de 35,8% sobre janeiro do ano passado. Já a carcaça comum do suíno foi cotada, em média, a R$ 5,59 por quilo, alta de 32,7%.
Esses produtos ficaram mais caros mesmo na comparação com dezembro, mês de pico no consumo de carnes por conta das festas de fim de ano. No caso do frango inteiro congelado, o avanço foi de 1,5%, enquanto o preço médio da carcaça suína subiu 0,7%.
Ainda sem consenso sobre a direção dos preços de frango e suíno ao longo deste ano, analistas projetam um alívio moderado pelo menos nos primeiros três meses do ano. "O cenário de custos mais acomodados deve estimular a indústria de frango e suíno. De toda forma, o que podemos dizer categoricamente é que o primeiro trimestre está garantido", afirma César Castro Alves, analista da consultoria MB Agro. A avaliação é compartilhada por Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores. "Passamos por um período de declínio relativo dos preços dos grãos, o que deve levar a uma queda gradual dos preços das carnes". A RC Consultores estima que o preço médio do frango abatido destinado ao mercado doméstico cairá 10,8% ao longo de 2013, para R$ 3,90 o quilo.
Mas a projeções de queda não encontram total ressonância. Mesmo com uma aposta baixista, Alves se diz bastante receoso com a safra 2013/14 de grãos nos EUA, que começa a ser plantada em abril. "Não existe espaço para qualquer quebra. Além disso, o clima está muito esquisito e os meteorologistas não são enfáticos sobre o que vai acontecer", pondera o analista, que ainda trabalha com a hipótese de acomodação dos preços de milho e soja em seu cenário base.
Na opinião do economista Fábio Romão, da consultoria LCA, uma eventual redução nos preços dos grãos não será suficiente para evitar uma nova alta das carnes de frango e suíno e seus derivados. "Acho difícil reeditar um movimento como o do ano passado, mas vai ter uma alta acima da inflação", prevê ele.
Em 2012, o frango inteiro subiu 16,9% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para este ano, a LCA projeta uma alta de 7,5% para frango inteiro, 9,9% para o frango em pedaços e de 5,5% para a carne suína. A previsão está ancorada na valorização esperada para a carne bovina, concorrente direta dos produtos à base de frango e, em menor medida, de suínos. "Não são substitutos perfeitos, mas há uma relação importante com a carne bovina", afirma Romão, para quem o preço da carne bovina deve subir, em média, 6%.
Guilherme Melo, analista do Rabobank, faz análise semelhante. Segundo ele, as cotações elevadas de frango e suíno neste início de ano abrem espaço para aumentos de preço na carne bovina, especialmente se a forte demanda externa pela carne brasileira se confirmar ao longo do ano. "A oferta mundial está curta, com queda de produção nos EUA e na União Europeia", diz Melo. Nas primeiras três semanas deste mês, a média diária das exportações brasileiras de carne bovina foi 45,7% superior à verificada no mesmo intervalo de 2012.
Na contramão dessa avaliação, Castro Alves, da MB Agro, relativiza uma possível alta da carne bovina. Ele diz que o aumento das exportações não será capaz de anular a maior disponibilidade de gado no país, "a não ser que o Japão aumente muito as compras de carne bovina dos EUA e obrigue a Rússia a importar mais do Brasil". Caso contrário, diz, qualquer aumento de preços de frango e suíno seria limitado pela carne bovina.
Em meio a tantas incertezas, os analistas seguem atentos à influência que o setor terá para a inflação em 2013. Pela metodologia do IBGE, as carnes in natura (bovinas, de frango e suínas) têm um peso de 2,51% no IPCA.