PENSAR "GRANDE":

***************************************************
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************


“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

----

''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

=========
# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
1Radio 1455824919 nhm...

valor ...ria...nine

folha gmail df1lkrha

***

Mostrando postagens com marcador CNBB-Conferência Nac. Bispos Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CNBB-Conferência Nac. Bispos Brasil. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, maio 17, 2013

CNJ/CNBB [In:] ''CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS'' (Gênesis)

17/05/2013
Igreja critica decisão do CNJ


Para a CNBB, Conselho Nacional de Justiça não deve regulamentar união civil homossexual, tarefa que cabe ao poder Legislativo

DIEGO ABREU


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reagiu contra a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, na última terça-feira, aprovou uma resolução que obriga os cartórios de todo o país a celebrar casamentos civis entre homossexuais e a converter a união estável homoafetiva em casamento. A direção da CNBB se reuniu ontem à tarde em Brasília e, ao final do encontro, divulgou uma nota na qual reafirma o “princípio da instituição familiar”, destacando que não cabe ao CNJ regulamentar essa questão. 
Embora tenha criticado a possibilidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a entidade manifesta-se contra o preconceito. “Desejamos também recordar nossa rejeição à grave discriminação contra pessoas devido à sua orientação sexual, manifestando-lhes nosso profundo respeito”, destaca o texto assinado pelo presidente em exercício da CNBB, Dom José Belisário da Silva, em conjunto com o vice-presidente, Dom Sergio Braschi, e pelo secretário-geral, Dom Leonardo Steiner.

Para a CNBB, a diferença sexual é “originária” e não mero produto de uma opção cultural. Na avaliação da entidade, que representa a Igreja Católica, “o matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural”. Os bispos acrescentam que o casamento é um patrimônio precioso da humanidade, que não se baseia apenas em afeto, mas em valores subjetivos.

Família

“As uniões de pessoas do mesmo sexo não podem ser simplesmente equiparadas ao casamento ou à família, que se fundamentam no consentimento matrimonial, na complementariedade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e à educação dos filhos”, destaca a nota do CNBB, lida na tarde de ontem por Dom Leonardo Steiner, que acumula as funções de secretário-geral da entidade e de bispo auxiliar de Brasília.

Ao tratar do aspecto jurídico da decisão do CNJ, a CNBB ressaltou que o Poder Judiciário não tem competência para regular o tema. Segundo a entidade, essa seria uma atribuição exclusiva do Congresso Nacional, como representante da sociedade brasileira.

No mês passado, a Igreja excomungou um padre de Bauru (SP) que havia feito declarações de apoio aos homossexuais. Em 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu a união estável homoafetiva, a CNBB já havia se manifestado contrariamente à decisão. Dessa vez, a Igreja reafirma sua posição em nota emitida pouco menos de dois meses antes da visita que o Papa Francisco fará ao Brasil.

“Desejamos também recordar nossa rejeição à grave discriminação contra pessoas devido à sua orientação sexual, manifestando-lhes nosso profundo respeito” 
Resolução da CNBB

quinta-feira, junho 07, 2012

''CORPUS CHRISTI"

...

Quinta-feira, 07 de junho de 2012, 09h32

Corpus Christi: entenda o significado dessa solenidade

Jéssica Marçal
Da Redação



Arquivo
Os tapetes confeccionados para a celebração de Corpus Christi, o que, segundo padre Hernaldo, é uma forma dos fiéis exaltarem a Eucaristia

Nesta quinta-feira, 7, a Igreja Católica no mundo inteiro celebra uma importante solenidade que reveste o mistério central de sua fé: Corpus Christi. Neste dia, celebra-se o Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo. Como tradição popular, muitos fiéis enfeitam as ruas com tapetes feitos à base de pó de serragem, com o objetivo de preparar o local para a procissão que traz o grande motivo da festa, Jesus Eucarístico.

Esta é uma solenidade que há séculos faz parte da vida dos cristãos católicos. O assessor da Comissão Episcopal Pastoral de Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Hernaldo Pinto Farias, explicou que a festa nasceu de uma prática da devoção popular que tem início no final do século IX, mas já no século XI ao XIII está muito difundida em vários lugares da Europa. Depois, em 8 de setembro de 1264, o Papa Urbano IV, com a Bula Transiturus, instituiu esta celebração para toda a Igreja.

De acordo com padre Hernaldo, essa prática surgiu por causa da defesa da compreensão da teologia da presença real. “Contra as heresias do início do segundo milênio, essa festa vem reforçar a posição e a orientação da Igreja sobre a presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento”.

O padre comentou ainda que a Reforma Litúrgica procurou ampliar o Missal de 1970 até o atual, utilizando a denominação de Santíssimo Sacramento do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo. “Ou seja, é uma solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, não só do Corpo, pra não dar esse sentido de redução da compreensão do próprio mistério do Corpo e Sangue de Cristo”, explicou.

Importância

Para enfatizar a importância de se reconhecer em Corpus Christi uma solenidade não só do Corpo, mas também do Sangue de Cristo, padre Hernaldo recorreu à uma menção que o Papa João Paulo II, hoje beato, fez sobre o Sacramento na Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine, de 2004. Nessa carta, o beato disse que nenhuma dimensão desse Sacramento da Eucaristia pode ser deixada de lado, esquecida.

“Neste sentido, os textos bíblicos propostos, portanto, para esta festa nos trazem todas as riquezas deste Sacramento, como alimento, como banquete, aliança, sacramento da unidade da Igreja, do memorial da morte e da ressurreição de Cristo, não fica apenas no sentido da morte, mas revela o mistério como tal”, enfatizou o padre.

O assessor da Pastoral Litúrgica da CNBB lembrou que o sentido maior dessa solenidade está na celebração da Quinta-feira Santa. Dessa forma, Corpus Christi é como uma repetição, uma duplicação do dia da instituição da Eucaristia, porém com um aspecto mais devocional, o que também é bem vindo para a Igreja. “A Igreja não condena, porém ela quer nos ajudar a não ficar no puro devocional, se não a gente se perde”.

A tradição dos tapetes, por exemplo, que todos os anos tomam as ruas de diversas cidades do país para preparar a procissão que traz Jesus Eucarístico, segundo padre Hernaldo, é costume popular de reverenciar, de dar importância e exaltar a própria Eucaristia. O Padre explicou que, no entanto, a Igreja não pode parar nesse puro reverenciar.

“A gente lembra os Santos Padres que nos convidavam a olhar o Sacramento para além dele, ou seja, a gente tem que celebrar, ver o Sacramento para além daquilo que ele está mostrando enquanto realidade física, ele está revelando também todo um mistério  que esse Sacramento quer nos ajudar a viver”, ressaltou.

Participação ativa

Como padre Hernaldo explicou, os tapetes de Corpus Christi já fazem parte da tradição popular. Em Lorena (SP), o professor aposentado Cláudio César de Araújo, que já foi ministro da Eucaristia e fez a experiência de ajudar nesta tradição dos tapetes, contou que é muito gratificante poder participar ativamente.

“A sensação primeira é de gratidão. A gente vai mesmo por gratidão de tantas bênçãos que a gente recebe Dele (Jesus) e pelo prazer de querer deixar uma rua bem bonita e bem enfeitada para que Jesus passe por lá, é o mínimo que nós podemos fazer. É uma alegria poder participar sabendo que Jesus vai passar por ali”, relatou.

O aposentado acredita que a celebração de Corpus Christi é o momento que representa o respeito e o amor que se tem por Jesus, pela Sagrada Eucaristia. Ele contou que receber este Sacramento pela primeira vez marcou muito sua vida; foi seu primeiro encontro com Cristo.

“Eu me lembro do entusiasmo, da alegria, da fé que eu tive quando eu recebi a Eucaristia pela primeira vez, então pra mim ali foi o meu primeiro encontro. Depois eu tive vários reencontros, então essa comunhão com Jesus é sempre, espiritualmente é sempre”.

Eucaristia: como vivenciar este mistério?

Para os católicos, a Eucaristia é o sacramento mais importante, é a centralidade da vida cristã. Tendo em vista a importância desse Sacramento, padre Hernaldo deixou dois conselhos para que esta intimidade com Jesus Eucarístico seja vivenciada não só na celebração de Corpus Christi, mas ao longo de toda a vida cristã.

“Aí entra a importância, sobretudo, do Dia do Senhor, que tem que ser cada vez mais valorizado em nossas comunidades. O domingo é o dia por excelência da Eucaristia, porque é o dia por excelência da ressurreição do Cristo. O conselho que eu dou é preparar melhor as nossas celebrações dominicais, celebrá-la com mais intensidade, sem interferências. Outro conselho, por decorrência, é o aprofundamento, o estudo da liturgia da Eucaristia”, disse o padre. 



Fonte http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=286438
-----

quarta-feira, março 09, 2011

CNBB [In:] CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011. VIDA NO PLANETA.

...

CNBB abre Campanha da Fraternidade

(Quarta-feira de Cinzas)



cartazcf2011(..) A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) abre oficialmente a Campanha da Fraternidade 2011 (CF), que tem por tema: “Fraternidade e a Vida no Planeta” e lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22). O ato de lançamento nacional, aberto à imprensa, acontece no auditório Dom Helder Câmara, na sede da CNBB, em Brasília, às 14h30, e será presidido pelo secretário geral da Conferência dos Bispos, dom Dimas Lara Barbosa.

A programação será bastante objetiva, iniciando com a apresentação da mensagem do papa Bento XVI, saudando a Campanha. Em seguida, o secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, exporá os objetivos da Campanha, bem como a dinâmica de sua realização nas dioceses, paróquias e comunidades do país. O secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, encerra o ato falando sobre as expectativas da Igreja com a Campanha. Terminada a cerimônia, dom Dimas atende os jornalistas, numa coletiva de imprensa.

Esta é a 47ª Campanha da Fraternidade desde que foi criada em 1964. A conscientização sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas está entre os principais objetivos da Campanha. A busca de ações que preservem a vida no planeta é outra meta da CF.

Com 124 páginas e dividido em quatro partes, o texto-base, carro-chefe da CF, apresenta o conteúdo a ser discutido ao longo da Campanha. Na primeira, faz uma análise da realidade procurando estabelecer as causas do aquecimento global e das mudanças climáticas. Toca na relação que há entre o aquecimento global e as atividades humanas; questiona o modelo energético do país; denuncia o desmatamento e as queimadas, responsáveis por 50% da emissão de gases de efeito estufa no Brasil; interpela o agronegócio e o atual modelo de desenvolvimento. A Campanha vai alertar, ainda, para a ameaça à biodiversidade e para o risco da escassez de água no planeta.

A segunda parte do texto-base busca na bíblia, na teologia e na palavra da Igreja a fundamentação do tema e do lema da CF. Já na terceira parte, aponta diversas atitudes que podem ser tomadas por pessoas, comunidades, governo, empresas e instituições, com o objetivo de preservar a vida no planeta terra.

Para o secretário geral da CNBB, a Igreja é motivada pela fé quando discute temas como o proposto pela CF deste ano. “A fé nos torna específicos numa discussão como essa. A nossa fundamentação é teológica e se baseia no próprio projeto de Deus para com a criação e para com o ser humano”, explica dom Dimas. “A ecologia humana é um tema fundamental trazido pelo papa João Paulo II e, depois, por Bento XVI. De acordo com o papa, o centro do universo está na pessoa humana e, muitas vezes, as políticas públicas não levam em conta esses dois pontos, principalmente as pessoas mais vulneráveis, os mais pobres”, acrescenta.

O secretário executivo da CF, padre Luiz Carlos Dias, diz que a preocupação da Igreja com o meio ambiente está ligada à sua missão de defender a vida. “A Igreja demonstra suas preocupações com o estado de nosso planeta, que precisa de cuidados para que continue a oferecer as condições necessárias para a vida nele instalada”, disse o secretário.

Esta não é a primeira vez que a CF aborda o tema meio ambiente. Em 1979, a Campanha discutiu o tema “Preserve o que é de todos”; em 2004, “Fraternidade e Água – Água, fonte de vida”; e, em 2007, a Amazônia foi lembrada: “Fraternidade e Amazônia – vida e missão neste chão”.

--------
http://www.cnbb.org.br/site/campanhas/fraternidade/5967-cnbb-abre-campanha-da-fraternidade-na-quarta-feira-de-cinzas
---

terça-feira, outubro 19, 2010

ELEIÇÕES 2O1O/IGREJA [In:] HOMILIA HOMOGÊNEA

...
19/10/2010 - 09h08

Arcebispo do Rio diz que igreja 'não apoia candidatos nem partidos'


O arcebispo do Rio de Janeiro, d. Orani Tempesta, divulgou ontem à tarde artigo para reafirmar que a arquidiocese "não apoia candidatos e nem partidos", seguindo a "posição oficial" da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e "em sintonia com a atual legislação eleitoral".

Ele diz, no entanto, que a arquidiocese se "preocupa em oferecer critérios" ao fieis. Pede que estes votem "fora de qualquer pressão externa" em candidatos "que trabalhem em favor do povo, da valorização da vida, da coerência familiar e dos valores do Evangelho".


O artigo de d. Orani, que assumiu o cargo em 2009, inclui entre os critérios de voto o respeito "à vida desde a concepção até seu termo natural", incluindo a promoção da "dignidade no trabalho, saúde, habitação, lazer, comunicação".

Mesmo com referências indiretas ao debate sobre descriminalização do aborto e legalização da união civil de homossexuais, o texto tem tom mais contido do que nota divulgada na manhã de ontem pela Regional Leste 1 da CNBB.

A nota "incentiva" os fieis, "agora mais do nunca", a votar em quem respeita "o valor da vida desde sua concepção" e "a família com sua própria constituição natural". Também cita --diferentemente de d. Orani-- o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, enviado em maio ao Congresso:

"Renovamos nossa crítica ao PNDH-3, mesmo depois de ter sido retirada a proposta de legalização do aborto, porque foi falaciosamente indicada como 'questão de saúde pública'. Não é aceitável a visão da pessoa fechada ao transcendente."

Pressões de igrejas já haviam levado o governo Lula a suprimir do PNDH-3 frase que reivindicava a "autonomia da mulher para decidir sobre o próprio corpo".

O texto do arcebispo do Rio também é mais moderado do que o publicado na semana passada por um de seus bispos auxiliares, d. Antonio Dias Duarte, no site da Regional Leste 1.

"As experiências trágicas de 121 anos de República --governos corruptos, ditaduras, leis e medidas provisórias e decretos e programas nacionais de direitos humanos-- só deixaram um rastro de sangue e violência moral", disse d. Antonio.

O teor dos textos evidencia as divergências públicas entre líderes católicos desde que o bispo de Guarulhos, d. Luiz Gongaza Bergonzini, divulgou em julho artigo em que recomendava aos "verdadeiros" fieis que não votassem na petista Dilma Rousseff.

O texto --semelhante ao distribuído em Aparecida (SP) e Contagem (MG) no Dia de Nossa Senhora Aparecida-- estava até a semana passada no site da Regional Sul 1 da CNBB. No sábado, a regional divulgou nota em que "esclarecem que não vetam candidatos ou partidos".

Em reação a d. Luiz Gonzaga, os bispos de Jales (SP), d. Demétrio Valentini, e Caçador (SC), d. Luiz Eccel, divulgaram textos em defesa de Dilma. "A questão do aborto está sendo instrumentalizada para fins eleitorais", disse d. Demétrio. "Por que estão jogando pedras só na Dilma?", disse d. Luiz.


CLAUDIA ANTUNES
DO RIO - folha.

domingo, outubro 17, 2010

A HORA DO "ÂNGELUS''

...

Cardeal Scherer:

O Aborto não é um direito humano



Prof. Felipe Aquino
at 3:05 pm on sexta-feira,
outubro 15, 2010



SÃO PAULO, 14 Out. 10 (ACI)


No seu artigo “Um estatuto para os nascituros” o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, defende a vida do não-nascidos alerta para o fato de que alguns defendam o aborto como um direito humano e afirma que tirar a vida de seres humanos inocentes e indefesos jamais pode ser considerado um direito. «Para camuflar a realidade, fala-se em “despenalização” ou “descriminalização” do aborto, “interrupção da gravidez” ou “parto antecipado”… O objetivo é sempre o mesmo: Legalizar a supressão da vida de seres humanos inocentes e indefesos», denuncia o purpurado que também afirma que não podemos «ficar indiferentes diante do desprezo à vida».

Recordando que , no começo de outubro, a Igreja Católica realiza no Brasil a semana pela vida e celebra no dia 08 deste mês o dia do nascituro, o cardeal Scherer destaca que «a vida é preciosa e deve ser defendida e protegida sempre: “escolhe, pois, a vida”, é a recomendação bíblica (Dt 30,19). Os cristãos crêem no Deus da vida, que ordenou – “não matarás”; e são discípulos de Jesus Cristo, vencedor da morte e restaurador da vida: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo14,6)».

Em seguida, Dom Odilo destaca que o «objetivo da semana pela vida é alimentar uma cultura favorável à vida. Mas também é uma manifestação de alerta diante de todo desprezo, desrespeito e agressão contra a vida humana, ameaçada pela miséria que mata cedo, ou impede de viver dignamente; pelas drogas e outros vícios, que estragam a saúde e corrompem a vida; pela violência, exercida de mil maneiras, causa de tragédia e dor; pelo aborto provocado, silenciosa e assombrosa ceifa de vidas inocentes e indefesas».
«Não dá para ficar indiferentes diante do desprezo à vida!», enfatizou o arcebispo.

O purpurado também denuncia em seu artigo que «há projetos de lei no Congresso Nacional para legalizar a prática do aborto!».
«Há mesmo quem pretenda que isso é um direito humano. Tirar a vida de seres humanos inocentes e indefesos seria um direito humano?! Para camuflar a realidade, fala-se em “despenalização” ou “descriminalização” do aborto, “interrupção da gravidez” ou “parto antecipado”… O objetivo é sempre o mesmo: Legalizar a supressão da vida de seres humanos inocentes e indefesos», alertou.
Dom Scherer também adverte para o fato que «espalhou-se o uso da pílula do dia seguinte (”método contraceptivo de emergência”), que também pode ser abortiva, se já houve fecundação após uma relação sexual. Inócua, a discussão sobre o início da vida humana; alguém tem dúvida séria?»

«Há também quem argumente que a mulher teria o direito de decidir sobre seu próprio corpo; tratando-se da gravidez, há nisso um equívoco primário, pois o feto ou bebê, que ela traz no útero, não é parte do seu corpo, mas um outro corpo, diverso do dela; melhor dito, é um outro ser humano, diverso dela», frisou também o prelado da capital paulista.

O purpurado também esclarece em seu recente texto que «evidentemente, desaprovando o aborto, não queremos a todo custo o castigo das mulheres que, por alguma razão, o praticam. A proibição legal da prática do aborto não visa o castigo, mas a proteção do direito à vida. Porém, como proteger a vida nascente e assegurar o primeiro de todos os direitos humanos, se o aborto fosse legalizado?»

« O Estado não pode ser relapso em fazer cumprir a lei existente, sobretudo contra clínicas clandestinas (nem tão clandestinas), que exploram o mercado do aborto», assinalou Dom Odilo.

«Verdadeira política pública de amparo à maternidade e à infância seria ajudar toda mulher a ter seu filho com dignidade e segurança. A mulher grávida merece todo o respeito e homenagem; ela presta um serviço inestimável à humanidade!», exclamou o arcebispo, que também recordou que o Congresso também tramita o Estatuto do Nascituro (PL 478/2007) «na linha dos principais tratados e convenções internacionais de direitos humanos assinados pelo Brasil, nos quais é reconhecida cada vez mais claramente a personalidade e o direito do ser humano à vida, mesmo antes do nascimento, esse Estatuto visa dar proteção à vida por nascer».

O Cardeal Scherer também recordou que a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU de 1948 já afirmava que “todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança de sua pessoa. Todo ser humano tem direito, em toda parte, ao reconhecimento de sua personalidade jurídica”.

«Dez anos depois, em 1958, a Convenção sobre os Direitos da Criança, da ONU, da qual o Brasil é signatário, foi além e afirmou que “a criança (…) necessita de proteção e cuidados especiais, inclusive a devida proteção legal, tanto antes, quanto após seu nascimento”. Passados mais dez anos, em 1969, o Pacto de São José, da Costa Rica, que o Brasil também endossou, afirmou: “Para efeitos desta Convenção, pessoa é todo ser humano. Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua personalidade jurídica. Toda pessoa tem o direito a que se respeite sua vida».

«Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção”», sublinhou também o bispo.

Falando sobre o Código Penal brasileiro de 1940 que reconhecia o nascituro como pessoa, e enquadrava o aborto entre os “crimes contra a pessoa”, Dom Odilo referiu-se ao novo Código Civil, de 2002, que ao tratar do direito de herança, menciona como pessoas tanto aquelas nascidas como as já concebidas: “Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da abertura da sucessão”. «Ora, se a lei reconhece o direito de herança “às pessoas já concebidas”, quanto mais deve ser reconhecido o direito à vida, o primeiro e mais fundamental!», enfatizou o cardeal.

Finalmente, o arcebispo de São Paulo destacou que «aos Parlamentares, apenas eleitos, cabe a missão de retomar o Estatuto do Nascituro para a sua discussão e aprovação final. Os nascituros são bem-vindos a este mundo; suas mães sejam abençoadas! Eles ainda nada podem fazer por si, nem lutar pelo seu direito de viver e de serem considerados seres humanos, e não “coisas” descartáveis. É tarefa que cabe aos adultos: Aos genitores, a cada pessoa, à sociedade como um todo e ao Estado».

Outros textos do purpurado explicando porque a Igreja defende a vida desde a concepção, visite:


http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/artigos/2010/artigos_100917_artigo_00.htm

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/
---------

sexta-feira, outubro 08, 2010

ELEIÇÕES 2O1O/2o. TURNO [In:] LEGALIZAÇÃO DO ABORTO

...

Guerra insana


Dora Kramer - Dora Kramer
O Estado de S. Paulo - 08/10/2010


Com tanto assunto para ser discutido, a curta campanha para o segundo turno da eleição presidencial começa dominada por uma agenda de caráter religioso e irrelevante do ponto de vista das preocupações nacionais.

Evidente que não há assunto proibido nem momento inadequado para se discutir o que for, inclusive aborto. Mas convenhamos que o tempo é exíguo para que se dê atenção quase exclusiva a um assunto que pode até apaixonar, mas não faz parte da pauta de prioridades do brasileiro.

Não há forças em choque querendo mudar a lei atual e, portanto, trava-se uma discussão sobre teses. Muito justo como parte do debate, mas é totalmente fora do contexto ocupação do espaço todo com a discussão sobre filosofias de vida e concepções religiosas.

E já que o tema surgiu como uma das explicações para que Dilma Rousseff não tenha conseguido se eleger no primeiro turno - por causa de uma campanha de padres e pastores nas respectivas igrejas -, caberia ao PT encerrar o assunto o quanto antes para que o baile prossiga ao som de outras melodias.

Por causa dessa (falsa) celeuma passou quase em branco a conclusão da Receita Federal de que o acesso aos dados do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, em Minas Gerais foi ilegal e feito por um petista.

O silêncio dos filhos de Erenice Guerra na Polícia Federal, contrastando com o barulhento tom da primeira nota oficial da mãe chamando a todos de caluniadores, mereceu canto de página e nem parece que outro dia mesmo se descobriu uma central de corrupção funcionando a partir da Casa Civil da Presidência da República.

Essa questão também não causou desconforto no eleitor e não fez Dilma perder votos? Ao menos foi essa a avaliação do PT no dia seguinte.

O PT gostaria e o presidente Luiz Inácio da Silva já "ordenou" que a candidata fuja do assunto aborto. O problema é que não é assim que se vira a página. Só será possível fazê-lo mediante uma tomada definitiva de posição por parte de Dilma Rousseff.

Senão, ganha enorme relevância outro aspecto: a mudança de opinião para atender a uma conveniência eleitoral.

Dilma ao que se saiba nunca se pronunciou a favor do aborto. Ninguém é favorável à interrupção da gravidez. Apenas umas pessoas acham que quando isso acontece por alguma circunstância não pode ser punido como crime; outras consideram que equivale a assassinato e um terceiro grupo admite o aborto sob determinadas condições.

O que deu para entender até agora sobre a posição da candidata é que é favorável à descriminalização. Ela e muitas mulheres no Brasil e no mundo.

Por que, então, o escarcéu? Porque o PT resolveu incluir o assunto em seu programa de governo e porque grupos religiosos radicalmente contrários ao aborto fizeram campanha anti-Dilma.

Detectado o movimento, tentou-se contornar o problema com um remendo mal costurado, um gesto artificial, imaginando que a parada estaria ganha em 3 de outubro.

Não estava. O passivo acumulou-se e explodiu quando institutos de pesquisas atribuíram o segundo turno à pregação religiosa.

A saída seria uma manifestação coerente e convincente da candidata. Mas aí é que está o xis da questão: do modo como estão as coisas, Dilma não pode ser ao mesmo tempo coerente e convincente. Ou consegue conciliar as duas posições ou não vai superar esse insano impasse.

De uma vez. Assim que o próximo recurso de candidato ficha-suja chegar ao Supremo Tribunal Federal entidades que se organizaram em favor da Lei da Ficha Limpa pedirão que o desempate não espere o preenchimento da vaga do ministro Eros Grau.

Segundo o presidente da OAB, Ophir Cavalcanti, isso "politizaria" a nomeação.

Na prática deixaria o desempate nas mãos do presidente da República, criaria um debate político na sabatina do Senado e também abriria uma brecha para que, dependendo da escolha, favoráveis ou contrários à aplicação imediata da lei contestassem a imparcialidade do nomeado para julgar.

ELEIÇÕES 2O1O/2o. TURNO [In:] CNBB E DIREITO À VIDA

...
08/10/2010 - 17h09

CNBB pede aos católicos que votem no candidato com respeito 'incondicional à vida'

LARISSA GUIMARÃES
DE BRASÍLIA/FOLHA.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou uma nota nesta sexta-feira afirmando que não indica candidatos na disputa presidencial, mas estimula os fiéis a votarem em quem apresenta "respeito incondicional à vida".

"Reafirmamos, ainda, que a CNBB não indica nenhum candidato, e recordamos que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão. Diante de tão grande responsabilidade, exortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana", declarou, em nota.


A CNBB afirmou também que é direito e "dever" de cada bispo orientar os fiéis de suas dioceses "sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã".

A manifestação da entidade chega no momento em que o aborto virou um dos principais temas da campanha presidencial.

Estrategistas da campanha da candidata Dilma Rousseff (PT) avaliam que a petista não venceu no primeiro turno, entre outros motivos, devido a controvérsia sobre a posição dela. Em 2007, Dilma declarou-se a favor da descriminalização e agora afirma ser pessoalmente contra o aborto.

Na volta da propaganda eleitoral na TV, nesta sexta-feira, Dilma reforçou seu discurso de defesa à vida. Seu opositor, José Serra (PSDB), afirmou na TV que sempre condenou o aborto.


quinta-feira, maio 13, 2010

ELEIÇÕES 2O1O [In:] CNBB vs. CANDIDATOS

...

No RS, Dilma muda discurso sobre o aborto

CNBB prega voto "pró-vida", e candidatos condenam aborto

Folha de S. Paulo - 13/05/2010

Igreja defende apoio a "pessoas comprometidas com respeito incondicional à vida"

Dilma, que em 2007 era a favor de descriminalização, hoje vê "violência" contra a mulher; Serra adota crítica vaga, e Marina apoia texto


DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA AGÊNCIA FOLHA EM PORTO ALEGRE

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) recomendou ontem aos fiéis que votem em outubro em "pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida".

A "Declaração sobre o momento político atual" não faz menção explícita ao aborto. Mas sua divulgação ocorre no momento em que a Igreja Católica cobra do governo federal mudanças no PNDH 3 (Plano Nacional dos Direitos Humanos) -no qual um dos temas mais polêmicos é o aborto.

"Incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana", diz a CNBB, na "Declaração sobre o momento político nacional".

O documento foi produzido durante a Assembleia-Geral da CNBB, que termina hoje em Brasília. O texto também apontou "distorções inaceitáveis" no plano de direitos humanos.

O porta-voz da Assembleia-Geral da CNBB, dom Orani Tempesta, disse que a entidade não quis apontar candidatos, e sim orientar os fiéis a votar de acordo com suas convicções.

O presidente Lula recebeu ontem uma comissão da CNBB e garantiu que mudará o texto do PNDH 3. Lula afirmou que serão retirados o apoio à descriminalização do aborto e a proibição à ostentação de símbolos religiosos em prédios públicos.

Longe da polêmica
Ontem, os pré-candidatos à Presidência adotaram um discurso moderado sobre aborto, em consonância com a CNBB.

Em Porto Alegre, em entrevista a um programa da rede RBS, Dilma Rousseff (PT) disse que aborto "é uma coisa que nenhuma mulher defende". "Ninguém fala: "Eu quero fazer aborto". Aborto é uma violência contra as mulheres", disse.

Para a petista, aborto não é uma "questão de foro íntimo", e sim uma "política de saúde pública". "Há uma legislação que prevê casos de aborto. Nestes casos que são bastante conhecidos e que dizem respeito, inclusive, a condições adversas de gravidez ou por risco de vida."

Questionada se o aborto seria uma opção da mulher, disse que a lei "é muito clara em que condições está previsto". "Para ser possível o aborto tem de estar previsto em lei. Tem de ser legal." Dilma não disse se pretende mudar a lei se for eleita.

Em sabatina na Folha em 2007, Dilma defendeu a descriminalização do aborto. "Acho que tem de haver descriminalização do aborto. No Brasil, é um absurdo que não haja, até porque nós sabemos em que condições as mulheres recorrem ao aborto. Não as de classe média, mas as de classe mais pobres deste país", disse.

Questionado ontem pela Folha sobre o que pensa a respeito do tema, José Serra (PSDB) evitou se aprofundar. Voltou a afirmar ser contra a prática e disse que uma mudança na legislação atual não dependerá de um ato seu, caso seja eleito.

"Qualquer deputado pode fazer isso [propor mudança na lei]. Como governo, eu não vou tomar essa iniciativa", disse.

Em Natal, Marina Silva (PV) disse que o documento de ontem reflete "a posição histórica da CNBB". "Está de acordo com a visão que eu tenho de defesa da vida. Mas isso não significa que eles estejam direcionando [o voto] a ninguém", afirmou.

Colaborou a Reportagem Local

terça-feira, maio 04, 2010

ELEIÇÕES 2O1O [In:] FICHA LIMPA

...

Maiores chances para a aprovação da ficha limpa

Valor Econômico - 04/05/2010


Não será uma guerra fácil, nem a batalha final, mas hoje, quando manifestantes se colocarem à frente do Congresso com baldes, vassouras e espanadores, o projeto Ficha Limpa terá cumprido uma etapa importante na sua trajetória, mesmo que seja a de estampar nas televisões, nos rádios, nos jornais e na internet o rosto dos parlamentares que têm medo da ética.

.

No plenário, será votado o requerimento de urgência para a proposta de iniciativa popular encampada pela Comissão Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades reunidas no Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), apoiado por mais de 1,6 milhão de eleitores. Se o requerimento for aceito pela maioria dos deputados, o projeto estará pronto para ser votado, mesmo sem ter sido votado na Comissão de Constituição e Justiça. Aprovado pelo plenário, irá à votação do Senado - e só então, se tiver também a maioria dos votos dos senadores, estará fechada a porta da política para candidatos com pendências na Justiça.

O projeto Ficha Limpa foi entregue ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), em 29 de setembro de 2009. Propunha a exclusão das eleições daqueles condenados em primeira instância por crimes de racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de dinheiro público. Andou penosamente pelos corredores do Congresso, enfrentando ações protelatórias e má vontade da parcela de parlamentares que pode ser excluída do processo político caso seja aprovada. A última manobra ocorreu na quarta-feira, quando os deputados Régis de Oliveira (PSC-SP), Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Ernandes Amorim (PTB-RO), Maurício Quintela Lessa (PR-AL) e Vicente Arruda (PR-CE) pediram vistas ao relatório apresentado pelo deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP). O pedido adiou a votação na comissão. Régis de Oliveira afirmou que o pedido de vistas não era uma ação para retardar o exame do projeto pelo plenário, mas uma "medida de cautela" para exame da constitucionalidade do relatório de Cardozo.

O relatório, no entanto, trilhou o caminho do bom senso. Não existiam razões para "medida de cautela". Cardozo, jurista respeitado e parlamentar reconhecido pela luta contra a corrupção na política, conseguiu chegar a bom termo nas questões que tinham forte resistência dos parlamentares e tornavam a proposta objeto de divergências quanto a sua constitucionalidade. A principal delas é a declaração de inelegibilidade das pessoas condenadas em primeira instância do texto original. O argumento contra essa determinação era o de que a lei proposta não respeitaria a presunção de inocência prevista no texto constitucional - pela Carta Magna, esse é um direito do cidadão até o trânsito em julgado da sentença, isto é, o julgamento definitivo. O MCCE sustenta, em parecer assinado pelos juristas Aristides Junqueira, Celso Antônio Bandeira de Mello, Emmanuel Girão, Fábio Konder Comparato, Fátima Aparecida de Souza Borghi, Fernando Neves da Silva e João Batista Herkenhoff, entre outros, que a inelegibilidade não é a pena a uma condenação em primeira instância, mas uma medida preventiva - uma medida administrativa, portanto. O candidato, ao resolver o seu problema com a Justiça, teria sua elegibilidade restabelecida.

No grupo de trabalho que analisou inicialmente o texto da lei proposta pelo MCCE, o relator Índio da Costa (DEM-RJ) havia instituído a inelegibilidade após condenação colegiada - isto é, em segunda instância. Cardozo adicionou a isso a possibilidade de o político manter a sua candidatura mediante um efeito suspensivo à condenação em segunda instância, concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), para manter a sua candidatura, mas, nesse caso, o julgamento do réu em instância superior teria de ser imediato. O próprio representante do MCCE, Chico Whitaker, considerou a solução de Cardozo satisfatória - para Whitaker, os culpados de fato não teriam interesse em conseguir o efeito suspensivo, pois isso abreviaria o prazo do julgamento definitivo da questão.

O relatório de Cardozo também introduziu, no texto original, a inelegibilidade para o condenado por doação ilegal de campanha, para os PMs que incorrerem nos crimes previstos na lei e para os juízes que tiverem sido punidos com aposentadoria compulsória. O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara, considerou que as alterações "mantêm o espírito do projeto".

Se aprovada, a proposta poderá ser um instrumento importante de profilaxia da vida política brasileira. Até agora, a única lei de iniciativa popular vigente, também articulada pelo MCCE e aprovada há dez anos, trouxe ganhos fantásticos para a democracia. Segundo dados divulgados recentemente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram convocadas pelo menos 100 eleições suplementares às de 2008 para substituir prefeitos cassados por abuso do poder político ou econômico no processo eleitoral.

As entidades da sociedade civil que se mobilizam na cruzada de moralização da política estão cumprindo um papel no aperfeiçoamento das instituições políticas do país. É preciso, no entanto, muita pressão para convencer parlamentares a votar contra os seus próprios interesses. A mobilização deverá ser mantida nos próximos meses, até que o projeto seja definitivamente aprovado e sancionado pelo presidente da República.

--------

quinta-feira, março 18, 2010

ELEIÇÕES 2010 [In:] ''PORQUE SE SUJAR FAZ BEM..." (*)

Não aos fichas-sujas

Autor(es): Agencia O Globo
O Globo - 18/03/2010

Apesar de não garantir para já a votação do chamado projeto Ficha Limpa, entregue ontem pelo grupo encarregado de analisar a proposta, que chegou à Câmara avalizada por 1,3 milhão de assinaturas e por entidades que pugnam pela assepsia da política brasileira, o presidente da Casa, Michel Temer, ainda pode levá-la a plenário a tempo de as regras serem adotadas nas eleições deste ano. Precisa fazê-lo, por ser uma demonstração de apreço a uma matéria oriunda da vontade popular e de compromisso com a moralização do exercício de mandatos eletivos.

O projeto de iniciativa popular chegou à Câmara em setembro do ano passado. Tem o peso, além das assinaturas recolhidas em todo o país, do apoio de entidades como o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A proposta original, entre outras restrições à participação nas eleições de pessoas de vida pregressa incompatível com o decoro que se exige de representantes do povo, vetava a candidatura de quem tivesse condenação na Justiça em primeira instância.

O projeto que chegou ontem a Temer, fruto de previsíveis negociações, afrouxa um pouco o nó da restrição, estabelecendo que a proibição só alcançará aqueles que tenham sido condenados por órgão colegiado do Judiciário. Apesar da contumaz presença de candidatos de notória folha corrida nas eleições, é aceitável que o dispositivo estabeleça a segunda instância da Justiça como o ponto a partir do qual os fichassujas sejam barrados.

Evita-se, assim, que interesses alheios ao da moralização da política influenciem decisões de magistrados na primeira instância.

É possível que ainda haja arestas a serem aparadas no projeto, daí a relutância de Temer a levá-lo de imediato a plenário. Mas a exiguidade do tempo (a matéria tem de ser aprovada até junho para vigorar nas eleições deste ano) impõe um esforço aos parlamentares para aprovar logo as propostas.

Diferente disso, estaremos mais vez assistindo ao desfile eleitoral de candidatos que, com fichas criminais em lugar de plataformas, disputam cargos públicos atrás não de um mandato, mas da imunidade que lhes serve de salvo-conduto para atividades marginais.

-------

(*) Alusão a um comercial de sabão em pó.

-------