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quarta-feira, novembro 06, 2013

BRASIL SEM MISÉRIA

Brasil tem mais de 11 milhões de favelados, revela IBGE

Segundo pesquisa Aglomerados Subnormais divulgada nesta quarta-feira, País tinha 3,2 milhões de domicílios em áreas à margem das regras do planejamento urbano em 2010

06 de novembro de 2013 | 10h 00




Wilson Tosta - O Estado de S. Paulo
RIO - Um País com 11.149 moradias fincadas em aterros sanitários, lixões e áreas contaminadas, 27.478 casas erigidas nas imediações de linhas de alta tensão, 4.198 domicílios perto de oleodutos e gasodutos, 618.955 construções penduradas em encostas. Sinais de precariedade, informalidade, improvisação e até perigo, em graus variados, ajudam a formar o retrato do Brasil desenhado pela pesquisa Aglomerados Subnormais - Informações Territoriais, divulgados nesta quarta-feira, 6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O trabalho, uma espécie de mapa das habitações pobres e/ou à margem dos serviços públicos do Brasil - favelas, mocambos, loteamentos e outros - baseia-se no Censo 2010 e aponta, naquele ano, 3.224.529 domicílios particulares ocupados por 11.425.644 pessoas nessas áreas à margem das regras do planejamento urbano.
Para fins de pesquisa, um aglomerado subnormal é definido como "uma área ocupada irregularmente por certo número de domicílios, caracterizada, em diversos graus, por limitada oferta de serviços urbanos e irregularidade no padrão urbanístico", diz o trabalho.
"É um conjunto de no mínimo 51 unidades habitacionais carentes, em sua maioria de serviços públicos essenciais, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e estando dispostas, em geral, de forma desordenada e densa."
Os aglomerados são caracterizados por ocupação ilegal (atual ou recente) da terra (quando existente, título de propriedade há menos de dez anos), urbanização fora dos padrões e/ou precariedade de serviços essenciais.
"A pesquisa foi aplicada no País inteiro, mas em 323 municípios foram detectados aglomerados subnormais", explicou Maria Amélia Vilanova Neta, técnica da Coordenação de Geografia do IBGE. As Regiões Sudeste e Nordeste concentram a maior parte dos domicílios em aglomerados subnormais, constataram os pesquisadores do IBGE.
O trabalho apontou, nessas cidades, 6.329 aglomerados subnormais - para fins estatísticos, reuniram os dados de 15.868 dos cerca de 317 mil setores em que o País foi dividido para o Censo 2010. Isso não quer dizer que não haja moradias precárias em outros municípios, mas que apenas nos primeiros sua quantidade foi suficiente para se enquadrar nos critérios de pesquisa do IBGE.
Em números menores, domicílios com essas características são assunto de instituições estaduais ou municipais, por isso não entram nas contas federais. Mesmo assim, é possível afirmar que a maior parte das moradias do Brasil com essas características precárias e/ou informais foi mapeada no estudo.
Perfil. A pesquisa constatou que 77% dos domicílios dessas áreas de moradia informal, precária, pobre e/ou com serviços precários ficavam, em 2010, em Regiões Metropolitanas com mais de 2 milhões e habitantes. O IBGE descobriu ainda que 59,4% da população de aglomerados subnormais estava em cinco RMs: São Paulo (18,9%), Rio de Janeiro (14,9%), Belém (9,9%), Salvador (8,2%) e Recife (7,5%). Outros 13,7% acumulam-se em outras quatro RMs: Belo Horizonte (4,3%), Fortaleza (3,8%), Grande São Luís (2,8%) e Manaus (2,8%). Essas nove RMs abrigam 73,1% da população de áreas informais identificadas na pesquisa.
Em seu levantamento, o IBGE constatou que a imagem da favela carioca pendurada em uma elevação íngreme não é o perfil majoritário desse tipo de área no País. A pesquisa constatou que 1.692.567 (52,5%) dos domicílios em aglomerados subnormais do País estava em áreas planas; 862.990 (26,8%) em aclive/declive moderado; e apenas 68.972 (20.7%) em aclive/declive acentuado.
Curiosamente, foi na Região Metropolitana de São Paulo que os pesquisadores do IBGE encontraram mais domicílios em áreas com predomínio de aclive/declive acentuado (166.030). Em seguida, veio a RM de Salvador (137.283). A Região Metropolitana do Rio de Janeiro é apenas a terceira nesse quesito, com 103.750.
Entre as regiões nacionais, o Centro-Oeste se destacou com 47% de seus domicílios em aglomerados subnormais situados em áreas de aclive moderado, enquanto Nordeste e Sudeste tinham 25%, cada um, em aclive acentuado.
Nos aglomerados subnormais com predomínio de áreas planas, observou-se uma significativa predominância de construções de um pavimento, quadras com lotes regulares e vias de circulação que permitiam a passagem de caminhões e carros", afirma o texto. "Este padrão de aglomerado subnormal é o mais característico, por exemplo, no município de Macapá, que possui também grande espaçamento entre as construções." Já em áreas com predomínio de aclives/declives moderados ou acentuados, o IBGE detectou forte correlação com a predominância de construções de mais de um pavimento, baixa presença de arruamento (predominantemente becos e vielas), com predomínio de locomoção através de bicicleta/a pé ou motocicletas e de edificações sem espaçamento.
"Na Região Metropolitana do Rio (...), foram identificados muitos exemplos de aglomerados subnormais que reuniram tais características", diz o estudo.
O levantamento do IBGE constata que 51,8% dos domicílios em aglomerados subnormais ficavam em localidades onde as vias eram, predominantemente, ruas (pelas quais era possível passar automóvel ou caminhão). No Nordeste e no Sudeste, porém, predominavam escadarias, becos, travessas e rampas - em correlação com a forte presença de aclives e declives moderados e acentuados. As RMs de São Paulo e do Rio de Janeiro tinham metade dos domicílios com acesso predominante por becos e travessas.
Córregos e rios. "Em termos nacionais, a grande maioria dos domicílios em aglomerados subnormais do País apresentou predominância de nenhum espaçamento entre as construções (72,6%) e de verticalização de um pavimento (64,6%)", observa o estudo. "Nas Regiões Metropolitanas de Natal e Maceió, esse foi o padrão predominante em mais de 90% dos domicílios pesquisados."
Em termos regionais, porém, há variações. No Norte, Sul e Centro-Oeste, a predominância nos domicílios de aglomerados subnormais é de domicílios com espaçamento médio entre si e construções de um pavimento. Assim são mais de 90% das construções encontradas em Rio Branco e Porto Velho, por exemplo. No Nordeste e Sudeste, porém, há maiores porcentuais de domicílios predominantemente sem espaçamento entre si e com dois ou três pavimentos.
"Exemplos desse padrão de ocupação foram encontrados nas Regiões Metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Estas regiões apresentaram uma expressiva quantidade de setores de aglomerados subnormais em áreas não propícias à urbanização regular, como encostas, em locais onde o solo possui menor valorização", observa o estudo.
Outra constatação do IBGE é que os sítios mais procurados para o estabelecimento dos aglomerados subnormais é a margem de córregos, rios ou lagos/ lagoas, com 12% dos domicílios do País. A liderança nesse ponto é da Região Metropolitana de São Paulo, com 148.608 domicílios nessa condição.

quinta-feira, outubro 31, 2013

BOLSA ESCOLA: A ORIGEM DO BOLSA FAMÍLIA. NA GÊNESE, FHC

31/10/2013
Discurso sobre o fim do Bolsa


Petistas já usaram o discurso segundo o qual os tucanos, se vencessem a eleição presidencial, poderiam reduzir o número de beneficiados do Bolsa Família ou até acabar com o programa de distribuição de renda.

Em 2006, por exemplo, a então coordenadora da campanha à- reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, Marta-Suplicy, afirmou que Geraldo Alckmin, então candidato do PSDB ao Planalto, era. contra o benefício, Ela chegou a sugerir que ele poderia cortá-lo. E isso que o governo do PSDB faz", disse à época a hoje ministra da Cultura de Dilma Rousseff.

Na eleição de 2010, Dilma acusou aliados do então candidato tucano à. Presidência, José Serra, de tentar acabar com o programa. Serra, na época, afirmou que a petista e integrantes de seu partido estavam fazendo "terrotismo" com tais declarações.

adicionada no sistema em: 31/10/2013 02:49

BOLSA NOVA


31/10/2013
Aécio quer tornar programa 'definitivo'


Senador tucano propõe mudar lei do Bolsa Família para tentar evitar, na campanha, acusações de renda


Débora Álvares / Brasília


O presidente nacional do PSDB, senador mineiro Àécio Neves, apresentou ontem um projeto de lei para tomar o programa de distribuição de renda definitivo, qualquer que seja o presidente da República. Trata-se de uma "vacina" eleitoral, a fim de que não seja acusado, durante a campanha, de ser contra o programa de distribuição de renda criado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Provável candidato ao Planalto pelo PSDB, Aécio convocou tuna entrevista coletiva logo após a presidente Dilma Rousseff e Lula atacarem o governo do PSDB no evento de comemoração dos dez anos do Bolsa Família, realizado em Brasília.

A proposta do senador tucano altera a lei que trata da assistência social e vincula o Bolsa Família ao Fundo Nacional de Assistência Social, com recursos garantidos da Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS).

"A partir da aprovação desse projeto, o Bolsa Família deixa de ser um programa de um governo ou de um partido político e passa a ser uma política de Estado", afirmou Aécio.

Integrantes dabase governis-ta criticaram a proposta. "O programa já está consolidado há 10 anos. No lugar dele, eu estaria apresentando um projeto que representasse avanços", disse o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).

FHC. 
Aécio também afirmou ontem que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deveria ser homenageado na comemoração dos dez anos. "Quem deveria, na minha avaliação, ser homenageado era o ex-presidente Fernando Henrique que iniciou os programas de transferência de renda", disse ele.

O senador tucano prometeu apresentar, em breve, outra proposta que garanta que os pais de família, que conseguirem emprego de carteira assinada, possam receber por seis meses os benefícios do programa. "O grande temor das famílias que recebem o Bolsa Família e se reíntroduzem no mercado de trabalho é, depois, eventualmente, perderem o emprego e terem dificuldade de serem recadastradas", afirmou ele.

O senador admitiu que a medida serve para tentar eliminar o discurso dos governistas de que a oposição pretende acabar com o programa que beneficia milhares de brasileiros. "A maior homenagem é tirar o tormento, a angústia das pessoas, que vai acabar com transferência de renda que toda véspera de eleição, são atemorizadas pela leviandade de alguns que acham que seus adversários irão, em determinado momento, terminar o programa", afirmou o tucano.

No PSB do governador Eduardo Campos, a reação foi menos contundente. O senador Rodrigo Roílemberg (PSB-DF) reconheceu a importância da manutenção do pagamento do Bolsa Família, mas deu o tom crítico que deve ocupar o debate eleitoral no ano que vem. "O pagamento apenas do Bolsa. Família, é insuficiente como política social porque o Brasil requer ações que melhorem a qualidade de vida da população, como uma qualificação profissional e melhor educação para que os filhos dos beneficiários de hoje tenham independência."

Provável candidato ao governo do Distrito Federal e braço direito nas costuras políticas de Campos, Roílemberg afirmou acreditar que, no ano que vem, nenhum candidato vai defender a extinção do programa. "A inclusão social é uma conquista do Brasil, assim como a democracia e a estabilidade econômica. São coisas das quais ninguém quer, nemvai abrir mão." E completou dizendo o que a maioria dos políticos passou a dizer após os protestos de junho. "A população não quer só manter essas conquistas, ela quer mais educação, saúde, segurança e mobilidade urbana."
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/ COLABORARAM DÉBORA BERGAMASCO E EDUARDO BRESCIANI
Vacina
"A maior homenagem é tirar o tormento, a angústia das pessoas que em toda véspera de eleição são atemorizadas pela leviandade de alguns que acham que seus adversários irão, em determinado momento, terminar o programa" 

Aécio Neves (PSDB)
SENADOR DE MINAS GERAIS
"O pagamento do Bolsa Família é insuficiente (...) pois o Brasil requer ações que melhorem a qualidade de vida da população"
Rodrigo Rollemberg (PSB)

SENADOR DO DISTRITO FEDERAL


adicionada no sistema em: 31/10/2013 02:46

PALANQUEADURA

31/10/2013
PT aposta em programas sociais para frear Campos


Para petistas, Dilma supera no Nordeste ex-governador de Pernambuco


Fernanda Krakovics


-BRASÍLIA- 
Mesmo com o crescimento da candidatura presidencial do bem avaliado governador Eduardo Campos (PSB), o ex-presidente Lula e o PT apostam no favoritismo da presidente Dilma Rousseff na Região Nordeste. O cálculo leva em conta que, além de palanques mais fortes do que Campos, a presidente terá o impacto dos investimentos federais e dos programas sociais na região. Esse foi um dos assuntos discutidos, ontem, em almoço da presidente Dilma com Lula e outros petistas no Palácio da Alvorada.

O Bolsa Família, motivo da festa de ontem, foi também tema do encontro: avaliou-se a possibilidade de fazer nos estados eventos comemorativos dos dez anos do programa, nos moldes do realizado em Brasília, inclusive nos estados do Nordeste. Mais uma vez o programa social deve ter lugar de destaque nas eleições nacionais, e o PT quer se consolidar com o único pai do benefício.

Em Pernambuco, a campanha de Dilma ressaltará investimentos federais no estado, como a construção de uma fábrica da Fiat, que contou com incentivos fiscais do governo Lula. Os petistas pretendem reivindicar parte do mérito pelo crescimento econômico do estado governador por Eduardo Campos.

Na avaliação feita no Alvorada, os petistas consideraram que Dilma contará com palanques mais fortes do que Campos, principalmente no Ceará e na Bahia. Por outro lado, reconheceram que, além de Pernambuco, o governador deve ter boa votação no Rio Grande do Norte e na Paraíba. Mas, foram feitas ressalvas ao potencial dele em toda região.

— Essa abordagem (vantagem de Campos no Nordeste) não é real. Trabalhador vota em trabalhador? Negro vota em negro? Nordestino vota em nordestino? — questionou um dos participantes do almoço.

Apesar da preocupação com Eduardo Campos, o entorno de Dilma ainda aposta que Marina pode ser a candidata e que isso gere problemas na chapa:

— No fundo, há dúvida de como esse binômio vai se desenvolver. Por enquanto, quem carrega os votos é ela, mas a estrutura (partidária) é dele — disse outro participante do almoço.

adicionada no sistema em: 31/10/2013 03:17

sexta-feira, agosto 09, 2013

GERAÇÃO ''NEM-NEM''

09/08/2013
Os que nem trabalham nem estudam


Cerca de 1,5 milhão de jovens entre 19 a 24 anos, concentrados nas faixas mais pobres da população brasileira, não trabalham, não estudam, nem procuram emprego - e o número de pessoas que se encaixam nesse perfil cresce. É o que mostra estudo feito por Joana Monteiro, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, batizado de "Os Nem-Nem-Nem: exploração inicial sobre um fenômeno pouco estudado". O levantamento, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011, mostra que o grupo de jovens desalentados (exclui donas de casa com filhos) já representava 10% da população nessa faixa etária. Com pouca escolaridade e baixa renda, eles podem elevar o desemprego se buscarem trabalho após os 24 anos ou serem permanentemente dependentes do governo.

Jovens sem trabalho e fora da escola são 1,5 milhão

Por Alessandra Saraiva | Do Rio


Cerca de 1,5 milhão de brasileiros entre 19 a 24 anos, concentrados nas faixas mais pobres da população e excluindo donas de casa e mulheres com filhos, nem trabalham, nem estudam e nem procuram emprego e esse perfil tem crescido dentro do total da população jovem do país.

É o que mostra o estudo "Os Nem-Nem-Nem: Exploração Inicial Sobre um Fenômeno Pouco Estudado", da pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Joana Monteiro. Para a especialista, o avanço desse perfil preocupa. A maioria desses jovens, com parcela significativa de baixa escolarização, podem ajudar a elevar o desemprego, caso decidam tentar a sorte no mercado de trabalho, após os 24 anos. "A baixa qualificação limita muito o tipo de trabalho que podem conseguir."

Além disso, o fato de pertencerem a famílias mais pobres, com pouca capacidade de sustentá-los, eleva a probabilidade de se tornarem dependentes do governo, avalia a especialista. Do total de 1,5 milhão, em torno de 46% podem ser considerados pobres, pois vivem em domicílios que estão entre os 40% mais pobres na distribuição de renda, segundo cálculos de Joana.

O recorte por faixa etária a partir de 19 anos é proposital, visto ser difícil encontrar jovens abaixo de 18 anos fora da escola, tendo em vista o avanço da escolaridade entre os brasileiros na última década, bem como a legislação envolvida em manter os jovens na escola, até essa idade.

O recorte por faixa etária a partir de 19 anos é proposital, visto ser difícil encontrar jovens abaixo de 18 anos fora da escola, tendo em vista o avanço da escolaridade entre os brasileiros na última década, bem como a legislação envolvida em manter os jovens na escola, até essa idade.

O levantamento, que trabalhou basicamente dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que, esses jovens desalentados, excluindo donas de casa e mulheres com filhos, já representavam 10% da população total de jovens nessa faixa etária em 2011 - um avanço em relação a 2006, quando a fatia era de 8%. "Nem mesmo a melhora nos indicadores de emprego, com aumento de vagas e de renda, estimulou a entrada desse jovem no mercado de trabalho", diz a pesquisadora da FGV.

O nome da pesquisa vem daqueles que "nem trabalham, nem estudam, nem procuram emprego", explicou Joana, usando expressão "nem-nem" que já vem sendo utilizada por economistas para delimitar jovens que não trabalham nem estudam.

Excluir donas de casa e mulheres com filhos, que também não trabalham, não estudam e nem procuram emprego, torna mais claro o possível impacto desse cenário no mercado de trabalho futuro, afirma Joana. A economista informou que, com a inclusão de donas de casa com filhos, essa fatia de "nem-nem-nem" na população entre 19 e 24 anos pularia para 17% dessa faixa etária - em torno de quatro milhões de pessoas.

No entanto, Joana observou que há probabilidade menor de que mulheres donas de casa com filhos, que não procuram vagas, conduzirem a um impacto negativo no emprego. Isso porque é relativamente baixa a perspectiva de que essa mulher vá procurar trabalho, em futuro próximo, porque já cuida da casa e dos filhos.

O mesmo não se pode dizer dos jovens desalentados sem filhos. Desses 1,5 milhão de jovens, 20% tinham menos de cinco anos de escolaridade - a maior fatia entre as faixas de estudo delimitadas. Ela considerou que, em um segundo momento, esses jovens podem se converter em adultos em busca de uma vaga. Mas a baixa qualificação tornaria difícil um lugar na população ocupada. Na prática, seriam mais pessoas em busca de trabalho, sem encontrar, impulsionando indicadores de desocupação.

Outro aspecto estudado por Joana é o ambiente domiciliar que permite esse jovem não trabalhar, não estudar e não procurar emprego. Ela admitiu que jovens de baixa escolaridade têm chance muito maior de serem inativos, quando estão em domicílios cuja renda conta com forte presença de benefícios sociais, como programas de transferência de renda. Mas essa não pode ser considerada a única explicação, frisou. "Impossível dizer se recebimento de benefícios sociais é causa ou consequência da inatividade", afirmou.

Para ela, o fenômeno não é puramente econômico. A figura protetora da mãe brasileira, disposta a sustentar os filhos até mais tarde, ajudaria na formação do cenário, segundo Joana. "Incentivar a entrada dos "nem-nem-nem" na população economicamente ativa está longe de ser trabalho fácil. O grupo não responde às condições do mercado de trabalho. É possível que essa parcela entre 8% e 10% [sem donas de casa e mulheres com filhos] seja um nível normal de inatividade", disse.


adicionada no sistema em: 09/08/2013 01:27

segunda-feira, julho 22, 2013

BOLSA FAMÍLIA. NADA A TEMER

22/07/2013
Bolsa Família: Justiça arquiva inquérito


Juiz considerou relatório da PF, que concluiu que boatos foram espontâneos


BRASÍLIA


O juiz do 3º Juizado Especial Criminal de Brasília determinou o arquivamento da investigação criminal sobre os boatos envolvendo o programa Bolsa Família, que provocaram uma corrida dos beneficiários às agências da Caixa Econômica Federal (CEF) em maio. O inquérito criminal, conduzido pela Polícia Federal, apurava a autoria dos boatos sobre um possível cancelamento do programa.

O caso provocou repercussão depois que a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, acusou a oposição pelos boatos, provocando reação indignada de líderes de partidos como PSDB, PPS e DEM. O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios pediu o arquivamento por não verificar "nenhuma comprovação idônea e adequada de que o crime em investigação tenha sido praticado e que a pessoa investigada, ou indicada pela vítima, tenha agido com culpa ou mesmo dolo".

O juiz acolheu o pedido de arquivamento, considerando as conclusões obtidas pela investigação da Polícia Federal. Semana passada, a PF concluiu que não houve responsáveis pelo boato. Em nota, a PF disse que não há ocorrências que possam configurar crime ou contravenção penal. E concluiu que o ruído foi espontâneo, a partir de uma decisão da CEF de antecipar o pagamento dos benefícios sem comunicar aos interessados. Segundo a PF, não se pode afirmar que tenha sido causado por apenas uma pessoa ou grupo.

A decisão da Justiça destaca o relatório final produzido pela PF, no qual conclui pela "inexistência" de elementos capazes de delimitar autoria e materialidade do suposto fato delitivo: "Segundo a polícia, não seria possível identificar um ponto de origem das notícias anônimas vinculadas ao benefício Bolsa Família divulgadas entre 18 e 19 de maio".


O juiz também negou o pedido da PF para que fosse decretado segredo de Justiça, pois alegou não haver motivos para sigilo. Ele permitiu acesso ao processo ao líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), e à diretoria jurídica da Caixa.

adicionada no sistema em: 22/07/2013 03:50

terça-feira, julho 09, 2013

A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO (... é só lembrar as causas da decadência... nos cadernos do Colegial)

09/07/2013
A queda 


:: Rodrigo Constantino



Eike Batista está para a economia como Lula está para a política. O "sucesso" de ambos, em suas respectivas áreas, tem a mesma origem. Trata-se de um fenômeno bem mais abrangente, que permitiu a ascensão meteórica de ambos como gurus: Eike virou o Midas dos negócios, enquanto Lula era o gênio da política. Tudo mentira.


Esse fenômeno pode ser resumido, basicamente, ao crescimento chinês somado ao baixo custo de capital nos países desenvolvidos. As reformas da era FHC, que criaram os pilares de uma macroeconomia mais sólida, também ajudaram. Mas o grosso veio de fora. Ventos externos impulsionaram nossa economia. Fomos uma cigarra que ganhou na loteria.

A demanda voraz da China por recursos naturais, que por sorte o Brasil tem em abundância, fez com que o valor de nossas exportações disparasse. Por outro lado, após a crise de 2008 os principais bancos centrais do mundo injetaram trilhões de liquidez nos mercados. Isso fez com que o custo do dinheiro ficasse muito reduzido, até negativo se descontada a inflação.

Desesperados por retorno financeiro, os investidores do mundo todo começaram a mergulhar em aventuras nos países em desenvolvimento. Algo análogo a alguém que está recebendo bebida grátis desde cedo na festa, e começa a relaxar seu critério de julgamento, passando a achar qualquer feiosa uma legítima "top model".

Houve uma enxurrada de fluxo de capitais para países como o Brasil. A própria presidente Dilma chegou a reclamar do "tsunami monetário". Os investidores estavam em lua de mel com o país, eufóricos com o gigante que finalmente havia acordado. Havia mesmo?


O fato é que essa loteria permitiu o surgimento dos fenômenos Eike Batista e Lula. Eike, um empresário ousado, convenceu-se de que era realmente fora de série, que tinha um poder miraculoso de multiplicar dólares em velocidade espantosa, colocando um X no nome da empresa e vendendo sonhos.


Lula, por sua vez, encantou-se com a adulação das massas, compradas pelas esmolas estatais, possíveis justamente porque jorravam recursos nos cofres públicos. A classe média também estava em êxtase, pois o câmbio se valorizava e o crédito se expandia. Imóveis valorizados, carros novos na garagem, e Miami acessível ao bolso.


O metalúrgico, que perdera três eleições seguidas, tornava-se, quase da noite para o dia, um "gênio da política", um líder carismático espetacular, acima até mesmo do mensalão. Confiante desse poder, Lula escolheu um "poste" para ocupar seu lugar. E o "poste" venceu! Nada iria convencê-lo de que isso tudo era efeito de um fenômeno mais complexo do que ele compreendia.


Dilma passou por uma remodelagem completa dos marqueteiros, virou uma eficiente gestora por decreto, uma "faxineira ética", intolerante com os "malfeitos". Tudo piada de mau gosto, que ainda era engolida pelo público porque a economia não tinha entrado na fase da ressaca. O inverno chegou.


O crescimento chinês desacelerou, e há riscos de um mergulho mais profundo à frente. A economia americana se recuperou parcialmente, e isso fez com que o custo do capital subisse um pouco. Os ventos externos pararam de soprar. Os problemas plantados pela enorme incompetência de um governo intervencionista, arrogante e perdulário começaram a aparecer.

A maré baixou, e ficou visível que o Brasil nadava nu. O BNDES emprestou rios de dinheiro a taxas subsidiadas para os "campeões nacionais", entre eles o próprio Eike Batista. O Banco Central foi negligente com a inflação, que furou o topo da meta e permaneceu elevada, apesar do fraco crescimento econômico. Os investidores começaram a temer as intervenções arbitrárias de um governo prepotente, e adiaram planos de investimento.

A liquidez começou a secar. O fluxo se inverteu. E o povo começou a ficar muito impaciente. Eike Batista se viu sem acesso a novos recursos para manter seu castelo de cartas. As empresas do grupo X despencaram de valor, sendo quase dizimadas enquanto as dívidas, estas sim, pareciam se multiplicar. A palavra calote passou a ser mencionada. O BNDES pode perder bilhões do nosso dinheiro.

Já a presidente Dilma, criatura de Lula, mergulhou em seu inferno astral. Sua popularidade desabou, os investidores travaram diante de tantas incertezas, e todos parecem cansados de tamanha incompetência.
Eike e Lula deveriam ler Camus: "Brincamos de imortais, mas, ao fim de algumas semanas, já nem sequer sabemos se poderemos nos arrastar até o dia seguinte."



adicionada no sistema em: 09/07/2013 04:05

segunda-feira, julho 08, 2013

E TUDO SERÁ COMO ANTES...

07/07/2013 - 02h45

Dilma não erradicará a pobreza extrema até 

2014, diz especialista


PEDRO SOARES
DO RIO
FOLHA



Para a economista Sônia Rocha, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade e especialista em programas sociais, o baixo crescimento e a inflação maior frearam a redução da pobreza, algo que não se via desde 2003, primeiro ano do governo Lula.

O mercado de trabalho, diz ela, parou, com renda e emprego estagnados. Para compensar, as transferências de renda devem aumentar.

Rocha se mostra cética em relação à promessa da presidente Dilma Rousseff de zerar a pobreza extrema até o fim de 2014. "Isso não existe. Esquece."

Na avaliação da economista, a onda de protestos, que teve a inflação como uma de suas bandeiras, não foi fruto da "nova classe média" que emergiu nos últimos anos, mas sim de uma camada mais "articulada" da sociedade.

Daniel Marenco/Folhapress
A economista Sônia Rocha, especializada em programas sociais, em sua casa, no Rio
A economista Sônia Rocha, especializada em programas sociais, em sua casa, no Rio
A seguir trechos da entrevista concedida à Folha:

Folha - A resistência inicial aos programas de transferência de renda foi superada?

Sonia Rocha - A sociedade é permeada pela ideia de que dar dinheiro não é bom, de que o beneficiário não vai saber usar direito. Isso foi se perdendo, mas hoje ainda existe [a resistência]. Somos uma sociedade urbana e moderna de consumo. Por isso, o bem estar depende da renda.

Há quem defenda que o Bolsa Família seja um programa assegurado na Constituição.

[O Bolsa Família] é uma decisão de governo, mas não é uma obrigação legal como o BPC [Benefício de Prestação Continuada, que paga desde 1988 um salário mínimo para deficientes e idosos pobres]. Isso até agora tem sido ótimo. Não ter uma regra permite ajustar o programa, ao contrário do BPC, que precisa de uma emenda constitucional para mudar. Os dois programas estão voltados para os pobres e têm quase a mesma linha de pobreza, mas o problema é que nós temos um arcabouço constitucional.

Com o avanço da renda, O Bolsa Família tende a acabar?
Houve aquele corre-corre [de saques e tumultos em agências da Caixa], mas foi porque eles liberaram os pagamentos antes [da data prevista, o que ocorreu em meio ao boato do fim do programa]. As pessoas sabem que não vai acabar. Veio para ficar. São 14 milhões de benefícios, 22% das famílias brasileiras. Isso nunca vai acabar, independentemente do governo.

Mas pode ser reduzido?
Pode diminuir, isso é esperado e desejável. O que faz diminuir não é o benefício em si. Você aumenta renda e consumo imediato [com o Bolsa Família], mas não muda a estrutura familiar. O que muda a estrutura é a educação e o mercado de trabalho. Essas famílias são disfuncionais, com pouca educação, problemas de saúde e de articulação de seus membros. Então, a maneira de resolver é dando esse dinheiro e cuidando para que as crianças tenham a melhor educação possível. Proteger as crianças é o pulo do gato. Sabemos hoje que as famílias entram, ficam muito tempo [no programa] e só saem quando os filhos crescem e começam a trabalhar.

A inclusão da classe C fomentou os protestos? Essa "nova classe média" foi às ruas?
Quem foi para a rua não foi a classe C e D. Os protestos são mais articulados. Não é a nova classe média. Temos gastos enormes e desperdício em saúde e educação. Não se viu as pessoas pedirem mais recursos. Não falta dinheiro. Ele é mal gasto.

Como a sra. vê a inflação, outro foco dos protestos?
A inflação está alta e o mercado de trabalho parou. A situação para a frente não está bonita. A conjuntura externa está muito adversa. Não temos mais espaço para aumentar o consumo interno. Aliás, passamos muito além do que deveria ter sido feito. O governo toma iniciativas de desoneração de produtos de linha branca e carros para não pressionar a inflação, mas a verdade vai vir à tona. Não se fala mais em meta da inflação, mas no teto. Mas 4,5% [o centro da meta] já é patamar alto. E a gente passou dos 6,5% [o teto]. Estamos numa espiral inflacionária e taxa de juros [em alta], nesse caso, não faz milagre. E a renda e o emprego estagnaram.

Esse cenário pode levar ao aumento da pobreza?
Eu diria que em 2013 a pobreza não deve cair [o que seria o primeiro aumento desde 2003]. Mas vai depender muito do salário mínimo e dos benefícios sociais. Se eles derem uma boa tacada no Bolsa Família, a pobreza pode manter a tendência de queda. É transferência de renda na veia.

E a promessa da presidente Dilma de erradicar a pobreza extrema até 2014?
Isso não existe. Esquece. As pessoas entram e saem da pobreza. Acontece de famílias não terem nenhuma renda num mês porque o chefe deixou de trabalhar, mas têm reservas. É uma questão estatística.
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terça-feira, junho 18, 2013

A GERAÇÃO ''BOLSA NOVA''

18/06/2013
O aumento de uma geração que nem trabalha, nem estuda


O grupo dos "nem-nem" cresceu de 12,3% para 16% dos jovens entre os anos de 2000 e 2010

Natanael Damasceno
Selma Schmidt

Kelly Cristina Estrela, de 24 anos, deixou a escola há nove, ao descobrir que estava grávida do primeiro dos quatro filhos. 

História semelhante à de Evelyn Marcelli Lima Marcelino, que em 2010, logo após saber que estava esperando filho, abandonou o oitavo ano do ensino fundamental aos 15 anos. Já Glauciane Rodrigues Hilário, de 22, interrompeu os estudos há uns três ou quatro anos, quando concluiu a oitava série, e parou de trabalhar há um ano, pouco antes de engravidar de Maria Eduarda, hoje com 3 meses. 

As três fazem parte de um um grupo de cariocas que cresceu significativamente entre os censos realizados pelo IBGE em 2000 e 2010. São jovens com idade entre 15 e 24 anos que nem estudam, nem trabalham e nem procuram emprego. 

No último levantamento demográfico, os "nem-nem", como são chamados nos círculos acadêmicos, eram pouco mais de 157 mil dos 972.856 cariocas nessa faixa etária (16%). Em 2000, eram 124,6 mil, ou 12,3% dos cariocas nessa idade.

No terceiro dia da série Retratos Cariocas, O GLOBO destaca essa e outras conclusões de um estudo do Instituto Pereira Passos (IPP) sobre mercado de trabalho, juventude e educação no Rio de Janeiro. Os painéis, que serão divulgados na íntegra no Armazém de Dados, site da instituição, mostram que pouco menos da metade (48,9%) dos jovens com idades entre 15 e 24 anos compunha a população economicamente ativa do município, ou seja, estava trabalhando ou procurando emprego. Mostra ainda que o desemprego jovem na cidade registrava em 2010 uma taxa de 17,5%, bem menos que os 29% de 2000. E, que entre as Regiões de Planejamento da cidade, a que apresentou um maior índice no Censo de 2010 foi a de Santa Cruz, com 23,3% de desempregados entre 15 e 24 anos. Em seguida ficaram Campo Grande, com 21,5%; e Inhaúma, com 19,6%.

Marcelli mora com os pais e uma irmã no Bairro Canaã, em Santa Cruz. O pai de seu filho viveu com ela na casa de sua família, mas há alguns meses voltou para a residência dos pais dele, em Campo Grande. Em janeiro, ela completou 18 anos e, estimulada por uma amiga, aceitou um emprego do qual tinha poucas informações. Foram, no entanto, apenas cinco dias de trabalho:

- Não dão oportunidades para as pessoas. Olho às vezes na internet. Exigem ensino fundamental completo e experiência. Como vou ter experiência se nunca trabalhei? Estou desestimulada.
Kelly, que mora com o companheiro numa casa de apenas um cômodo no alto do Morro do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, tem argumento semelhante e ainda acrescenta:

- Meu marido trabalha como entregador de jornais e passa os dias fora. Se for trabalhar, além de ganhar pouco, não tenho com quem deixar meus dois filhos pequenos.

Glauciane, por sua vez, diz que precisa encontrar creche integral para sua filha para voltar a trabalhar.

- Era muito cansativo trabalhar e estudar. Mas me arrependo de ter parado de estudar. Quando minha filha ficar um pouco maior, pretendo voltar para a escola e até fazer faculdade.

Para especialistas, no entanto, as causas do aumento do grupo dos "nem-nem" extrapolam as explicações usuais, associadas à gravidez ou à falta de motivação e de apoio para procurar emprego. Doutora em educação, Andrea Ramal diz que a evasão no ensino médio é um dos fatores que agravam a situação.

- O Censo Escolar de 2011 (Inep) mostrou que dois milhões de jovens brasileiros de 15 a 17 anos estão fora do ensino médio. Os jovens abandonam os estudos por muitos fatores: falta de estímulo; necessidade de obter uma renda; ambiente familiar com baixa escolaridade e com poucas oportunidades de ampliação do repertório cultural; aspectos comportamentais, como baixa motivação para o autodesenvolvimento e falta de um projeto de vida; e reprovação. No caso de muitas meninas, a gravidez precoce também é um fator de abandono escolar. Como resultado, no Brasil constatamos o crescimento dessa geração "nem-nem". Por sua baixa qualificação, esses jovens acabam não se colocando bem no mercado de trabalho e, com o passar dos anos, têm mais dificuldade para permanecer. Esse quadro não traz boas perspectivas para o Brasil e tampouco para o Rio. Essa geração de jovens certamente vai fazer falta no horizonte de crescimento sustentável desejado para o município.

segunda-feira, junho 17, 2013

CORRUPÇÃO ("Un poco maestoso"!)


Corrupção de dar medo



Autor(es): Rubem Azevedo Lima
Correio Braziliense - 17/06/2013
 

O novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, exagerou ao tratar o escândalo do mensalão, afirmando que usaria o coração para julgá-lo, o que mereceu crítica do jornalista Guilherme Fiuza, no Globo de sábado 8 de junho, pedindo-lhe para votar com o cérebro, como é dever de um jurista.
Na mesma semana, sem considerações desse tipo, a revista Caros Amigos praticamente esgotou o assunto corrupção, com reportagens sérias sobre trapaceiros, tipo Maluf e outros mais. A Folha de S.Paulo revelou que Alagoas não dará mais "http://imgsapp.impresso.correioweb.com.br/">
prêmios a políticos alagoanos, por não haver nenhum sério no estado. Esse jornal diz ainda que uma editora (LeYa) publicará biografia não autorizada de José Dirceu, réu condenado no mensalão.

No Correio Braziliense, Luiz Carlos Azedo conta que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, não engoliu as trapalhadas do Bolsa Família (de um petista, na Caixa Econômica) e os recentes conflitos indígenas no país.
Voltando ao novo ministro do STF e ao voto que ele admite dar na Corte, com certeza não é ditado por inconsciência nem para desafiar os seus pares, mas pôr lhe parecer que alguns réus não teriam cometido crime algum, mas deslizes éticos. 
Pode-se admitir que Barroso tenha adotado essa hipótese.
Infelizmente, os envolvidos no mensalão lidaram com dinheiro, em parte privado, mas também público. Portanto, um crime. O autor de Justiça: o que é fazer a coisa certa, Michael J. Sandel, de Harvard, tratou de muitos casos jurídicos discutíveis, que, de fato, envolviam razões morais, mesmo na classe política. Nessa, alguns usam brechas na lei para resolver questões sociais, sem saberem nem obterem lucro pessoal, uma atenuante.
Se cumprir o prometido, o ministro Barroso pode, pois, criar problemas políticos e eleitorais para a presidente que o nomeou. Esta é Dilma, que está caindo em sua popularidade. O candidato mais votado na oposição, contra ela, desde já, agradece ao novo ministro do STF, se ele votar mesmo com seu coração.

segunda-feira, junho 10, 2013

O BAFO DA ONÇA

10/06/2013
Para especialistas, inflação reduziu aprovação de Dilma

O governo considerou "oscilação normal" a queda de oito pontos percentuais na aprovação da presidente Dilma, mas especialistas avaliam que a pesquisa Datafolha mostra efeitos do aumento da desconfiança da população com problemas como a inflação. Oposicionistas afirmaram que já esperavam a queda e que o governo está se desmantelando.

Analistas atribuem queda na aprovação de Dilma à inflação

Mercadante diz considerar "oscilação normal" a redução de 8 pontos na popularidade da presidente no Datafolha

Deborah Berlinck*, Fernanda Krakovics e Thiago Herdy

LISBOA, BRASÍLIA e SÃO PAULO


O governo minimizou ontem a pesquisa do instituto Datafolha que mostrou uma queda de oito pontos percentuais na popularidade da presidente Dilma Rousseff, de 65% para 57%, mas especialistas disseram que o resultado é relevante por mostrar os efeitos do aumento da desconfiança da população com indicadores da economia.

Horas depois de desembarcar em Portugal acompanhando a presidente numa visita oficial de dois dias, Aloizio Mercadante, ministro da Educação e um dos principais conselheiros, reagiu assim:

- A pesquisa mostra uma oscilação normal. Mantém a presidente no melhor patamar de apoio popular e de intenções de voto para 2014, quando a gente compara com qualquer outro presidente neste momento de governo (dois anos e meio).

Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais da Presidência, relutou em falar, mas terminou dizendo:

- Sinceramente, não sei qual é a margem de erro, não acho que... Não acho que seja relevante.

A ministra da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Helena Chagas, lembrou que a presidente "nunca comenta pesquisas de opinião". Mas deixou claro que Mercadante falou em nome de Dilma:

- O Mercadante falou com vocês (jornalistas), não?

O vilão da queda de popularidade de Dilma, segundo Mercadante, foi a inflação do tomate:

- É um episódio totalmente superado. Já está na mesa de todo o povo brasileiro e vai estar na mesa até o final do ano.

"Excelentes perspectivas"

Apesar do baixo crescimento e do aumento da inflação, Mercadante pintou um quadro de sonho para a economia. Falou em "excelentes perspectivas", com o Brasil "caminhando para uma supersafra" agrícola este ano, o "emprego crescendo", a "indústria forte" e a inflação já "apontando na direção da meta", além de dívida pública resolvida.

Justificando a queda na pesquisa, ele citou o boato de que o Bolsa Família acabaria, que provocou um corre-corre de beneficiários às agências da Caixa Econômica Federal. O episódio está "totalmente superado", garantiu.

O ministro disse que não vê problema no fato de a agência de classificação de risco Standard & Poor ter colocado a economia em perspectiva negativa:

- Uma agência de rating (de classificação de risco) fez uma sinalização. Vamos aguardar. As contas do Brasil são um diferencial. Somos um dos poucos países que conseguiu reduzir o nível de endividamento ao longo dos últimos anos.

Na visão de especialistas, porém, a piora no cenário econômico foi o fator-chave para a queda da popularidade de Dilma, porque a população está sentindo "na pele" a alta dos preços. Eles avaliam que o desequilíbrio na economia pode afetar o projeto de reeleição.

- A população está preocupada. As mulheres, que geralmente lidam com o orçamento familiar, estão sentindo na pele (a inflação), principalmente as de renda mais baixa - observou o cientista político David Fleischer, professor da Universidade de Brasília (UnB).

O cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, destacou que a oposição, já com o olhar em 2014, também trouxe o aumento dos preços para o debate. E o próprio governo demonstra preocupação com a popularidade, ao adotar discurso menos ambicioso sobre juros e metas de crescimento.

- Parte do movimento (na comunicação) ocorreu, porque o governo percebeu que o país estava com desequilíbrio na economia e isso poderia afetar o projeto de reeleição da presidente Dilma - disse ele.
Para o mestre em Ciências Políticas Rudá Ricci, a popularidade do governo não decorre, desde o segundo mandato de Lula, de fatores ideológicos, mas da melhoria da qualidade de vida.

- A população mais pobre percebe que tem algo de inconsistente na economia, o que gera insegurança em relação ao futuro. A baixa inflação e o alto consumo (são conceitos que) estão começando a ser corroídos, do ponto de vista político e da percepção popular - diz Ricci, para quem esta é a pior notícia que o governo poderia receber no momento.

O cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas, concorda que a insegurança na economia é o fator fundamental para explicar a perda de popularidade:

- Não estou dizendo que este governo não tenha responsabilidade, mas quando a avaliação econômica fica negativa, é natural que o mesmo ocorra do ponto de vista político.

Braço-direito do pré-candidato à Presidência Eduardo Campos, o deputado Márcio França (PSB-SP) afirmou que a queda da popularidade era prevista:

- Era quase um consenso em Brasília que ela começaria a cair por causa da inflação, da MP dos Portos e de problemas de articulação política.
Para o presidente do Mobilização Democrática (MD), Roberto Freire, a pesquisa Datafolha sinalizaria o fim de um ciclo:

- O governo está se desmantelando por seus próprios erros. É um sinal de que o ciclo do lulo-petismo está se esgotando.

Para o líder do PT na Câmara, deputado José Guimarães (CE), porém, o cenário de inflação alta e preocupação com o desemprego não é real e esse "artificialismo" é um problema de comunicação do governo.

- Os dados na verdade são muito positivos. Isso (cenário negativo) é mais uma sensação criada do que a realidade. Estamos quase com pleno emprego e o IPCA caiu. Temos que desmistificar isso (* Enviada especial a Lisboa)