A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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quarta-feira, março 20, 2013
PETRÓPOLIS/RJ: DESCASOS. (FOCO: OBRA$ DO MARACANÃ)
| 20/03/2013 | |
Tragédia na Serra: Número de mortos em Petrópolis sobe para 27
De R$ 112,8 milhões orçados para reassentamento na cidade, só 1,9% foi gasto.
Entre as vítimas, doze são crianças. Sem teto chegam a 1.463 pessoas.
O número de mortos na tragédia provocada pelo temporal em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, subiu para 27, desde a noite de domingo. Desse total, 12 são crianças. A chuva deixou outras 18 pessoas feridas e 1.463 desalojadas.
Dados do Sistema de Acompanhamento Financeiro do Estado obtidos pelo GLOBO mostram que, no ano passado, de uma previsão orçamentária de R$ 112,8 milhões para o programa de reassentamento da população instalada em áreas de risco, só R$ 2,2 milhões foram gastos.
Mortos chegam a 27
Do total de vítimas em Petrópolis, 12 são menores. Cidade já tem 1.463 sem teto
Diego Barreto, Sérgio Ramalho e
Selma Schmidt
Desorientado e envolto em cerca de 30 metros de corda, o jardineiro José Ventura Fernandes, de 42 anos, caminhava ontem pela manhã numa busca incessante para tentar localizar os corpos dos sobrinhos Nicolás e Letícia, de 8 e 4, de seu irmão Pedro, de 45, e da mulher dele, Cristina Malter. A família desaparecida vivia às margens do rio que corta a Favela Boca do Mato, no bairro Quitandinha, em Petrópolis. No último levantamento divulgado à noite pela prefeitura, dos 27 mortos na enxurrada que atingiu a cidade na noite de domingo e na madrugada de segunda-feira, dez eram crianças e dois eram adolescentes. Somente ontem, dos dez mortos encontrados, seis eram menores. A estimativa do comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, é que ainda haja entre quatro e oito desaparecidos. E a prefeitura de Petrópolis contabiliza 1.463 desabrigados e desalojados.
José tinha os olhos vermelhos. Estava sem dormir desde segunda-feira, quando soube que a casa onde Pedro vivia com a família fora arrastada por um deslizamento de terra. Ele não conseguia lembrar os sobrinhos sem chorar.
- O menino era muito apegado à gente - disse David, outro irmão de Ventura, que também ajudava nas buscas. - Foi uma desgraça.
O 27º corpo foi encontrado ontem à noite. Simões contou que um homem parou o carro para socorrer vítimas na localidade de Lopes Trovão e foi soterrado.
Já a aposentada Ilceli Alves Freitas, de 65 anos, conseguiu ser retirada de casa na noite de domingo pelo filho, o ambulante Paulo Roberto Alves Freitas. No entanto, foi a última vez em que o viu com vida. No meio do temporal, Paulo Roberto, de 42 anos, pegou uma enxada e partiu para ajudar os vizinhos. Acabou soterrado por um desmoronamento que arrastou pelo menos quatro casas na Boca do Mato.
- O meu filho morreu como herói, tentando salvar vidas - disse Ilceli.
Paulo Roberto vivia com a mulher, Francisca, e quatro filhas num imóvel ao lado da casa da mãe. As residências da família escaparam da enxurrada, mas foram interditadas pela Defesa Civil. Desalojados, os moradores estão abrigados numa igreja evangélica.
- Não posso nem entrar na minha casa para retirar o pouco que tenho - lamentou a aposentada, que não desgruda da bolsa preta, suja de barro, onde estão algumas roupas e seus documentos.
Outras três pessoas também morreram como heróis. Paulo Roberto Filgueiras e Fernando Fernandes Lima, agentes da Defesa Civil de Petrópolis, e o jardineiro Nilton Pereira Fonseca conseguiram salvar dezenas de vidas na Boca do Mato. No entanto, acabaram soterrados durante o trabalho de resgate.
Filgueiras, de 39 anos, fundou a ONG Anjos da Serra, que atua no resgate de vítimas de tragédias. Ele havia ingressado na Defesa Civil no início do ano.
- A satisfação dele era ajudar o próximo - contou Natali Lopes, socorrista voluntária da Anjos da Serra.
- Queremos seguir com a missão da ONG, resgatando vidas. Era isso que ele gostaria de estar fazendo - disse a enfermeira Juliana Araújo, durante o velório de Filgueiras realizado ontem.
Jardineiro costumava ajudar moradores
Morador da Boca do Mato, o jardineiro Nilton estava acostumado a ajudar quando temporais obrigavam parte da população a deixar suas casas.
- Era um herói anônimo. No domingo, ele soube que havia gente em perigo, saiu da casa dele e foi ajudar. O pessoal até brincava e o chamava de tenente Fonseca - contou o irmão mais velho de Nilton, Nelson Pereira Fonseca, de 57 anos. - Agora, vai ficar uma saudade muito grande, uma dor. Ele deixou cinco filhos e a esposa.
Outro herói da tragédia é Ricardo Correia, de 46 anos. Também funcionário da Defesa Civil, ele foi atingido por um deslizamento e se encontra em estado grave no CTI do Hospital Santa Teresa, em Petrópolis.
- Somos treinados a seguir até um determinado limite. Eles foram além. Tiveram atitude de heróis - disse o comandante da Defesa Civil de Petrópolis, tenente-coronel Rafael Simão.
Com 16 anos, outra vítima do temporal, Lucas Ladislau Santos, foi enterrado ontem. Ele e a irmã, Jade Siqueira Barbosa, de 12 anos, morreram quando a casa onde estavam, no Quitadinha, foi soterrada. Pai de Lucas e padrasto de Jade, Luciano dos Santos, de 38 anos, contou que há 20 anos quase perdeu o filho mais velho:
- Isso se repete todo ano. O meu filho mais velho tem 21 anos. Quando ele tinha 1, eu o salvei de um deslizamento. Mas dessa vez não conseguimos salvar nossos meninos. O Adriano, meu outro filho, está no hospital.
Na noite de domingo, Lucas Mateus Araújo, de 18 anos, decidiu dormir na casa da namorada, Jéssica, no bairro Alto Independência. Quando começou a cair a chuva, ele ligou para o pai, Naor Araújo. O jovem estava preocupado porque chovia e ventava demais, e o local onde estava era de risco de queda de barreiras. O pai ainda tentou convencer o filho a sair do lugar, mas, no meio da conversa, às 23h30m, a ligação caiu. Nesse momento, a casa onde Lucas estava foi atingida por um deslizamento. Ontem de manhã, Naor foi ao Alto Independência acompanhar os trabalho dos bombeiros, que buscam não só por seu filho, como também por outros moradores desaparecidos.
- Ele não saiu daqui porque não sabia para onde ir - contou Naor, desolado.
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QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?
SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS
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Entre as vítimas, doze são crianças. Sem teto chegam a 1.463 pessoas.
O número de mortos na tragédia provocada pelo temporal em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, subiu para 27, desde a noite de domingo. Desse total, 12 são crianças. A chuva deixou outras 18 pessoas feridas e 1.463 desalojadas. Dados do Sistema de Acompanhamento Financeiro do Estado obtidos pelo GLOBO mostram que, no ano passado, de uma previsão orçamentária de R$ 112,8 milhões para o programa de reassentamento da população instalada em áreas de risco, só R$ 2,2 milhões foram gastos. (Págs. 1 e 12 a 15)
A Petrobrás desistiu de vender a refinaria de Pasadena, nos EUA, alvo de investigação do Tribunal de Contas da União. A transação provocaria prejuízo de US$ 1 bilhão. O problema com o negócio foi revelado pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. No balanço do quarto trimestre, a companhia lançou baixa contábil de R$ 464 milhões referente a Pasadena, valor que já reconhece como perdido. A presidente da Petrobrás, Graça Foster, disse que será preciso investir na refinaria antes de vendê-la. Ela confirmou que estão à venda ativos na Argentina. A previsão é de que a Petrobrás vá desinvestir US$ 9,9 bilhões - o plano de negócios quinquenal previa US$ 14,8 bilhões. Até 2017, a empresa prevê produzir 750 mil barris/dia de óleo a mais, com US$ 75 milhões extras/dia. (Págs. 1 e Economia B1 e B3)
Joaquim Barbosa
Presidente do CNJ
“Há muitos (juízes) para colocar para fora. Há decisões condescendentes”
Cresce avaliação de Dilma
Apesar do empate técnico, governo Dilma já é considerado melhor que o de Lula, mostra pesquisa CNI/Ibope. (Págs. 1 e A4)
Litoral de SP tem risco de deslizamento
Juqueí, no litoral norte de SP, está em alerta depois que um deslizamento de terra atingiu uma casa. Ninguém se feriu. São Sebastião continua em estado de calamidade após enchente. (Págs. 1 e C3)
Com a rejeição do plano de salvação formulado por União Europeia, Banco Central Europeu e FMI, aumentam as incertezas na área do euro. (Págs. 1 e Economia B2)
Surgem sinais de um possível fim do impasse sobre o programa nuclear do Irã. Boa notícia, mas os EUA terão de mudar sua estratégia de negociação. (Págs. 1 e Visão Global A10)
Ninguém seria capaz de viver sem uma narrativa. Não pode haver nada pior do que ser consagrado. O prêmio é o fim. É o cemitério da criação. (Págs. 1 e Caderno 2, D10)
A irritação de parlamentares com a ministra Cármen Lúcia tem a ver com interesses eleitorais. (Págs. 1 e A3)
A entrevista, que precede a 5ª reunião dos Brics no fim do mês, em Durban, na África do Sul, foi carregada de simbolismo e meticulosamente planejada. Um jornal de cada país dos Brics (Brasil, Rússia, índia, China e África do Sul) foi convidado a participar. No Brasil, o convite foi feito ao Valor. (Págs. A14 e A15)
O ingresso de novos correntistas na Caixa se acentuou após abril, quando o banco cortou os juros dos empréstimos pessoais, financiamento a veículos, cartão de crédito, consignado e outras linhas, diz Katia Maria Loureiro Torres, superintendente de clientes da Caixa. Para ter acesso ao custo reduzido do crédito, os clientes precisam transferir suas contas-salário para a Caixa, por isso o banco foi beneficiado pela portabilidade, usada por 480 mil pessoas. (Págs. 1 e C16)
Ontem, o Senado aprovou em 1º turno a proposta que amplia os direitos dos empregados domésticos. (Págs. 1 e A8, Dl e D2)
Pelo entendimento da CVM, os fundos de pensão das estatais Previ, Funcef, Petros, além do BNDES, não deveriam indicar como representantes dos minoritários os empresários Jorge Gerdau Johannpeter, dono do grupo Gerdau, e Josué Gomes da Silva, dono da têxtil Coteminas, como ocorreu em tumultuada assembleia da Petrobras em 2012. Gerdau e Josué receberam, cada um, votos de 1,4 bilhão de ações ordinárias e preferenciais, contra 300 milhões de ações de cada espécie dos minoritários. (Págs. 1 e B6)
Na avaliação do Planalto, a liminar concedida anteontem pela ministra Cármen Lúcia não afeta a 11ª rodada de licitações de blocos exploratórios de petróleo e gás, prevista para maio. A situação, porém, é ligeiramente diferente no caso das áreas do pré-sal, diretamente atingidas pela derrubada dos vetos presidenciais às novas regras de distribuição dos royalties. O receio em Brasília é que Estados como Rio e Espírito Santo criem tributos ou aumentem taxas sobre a indústria do petróleo para compensar uma eventual perda de arrecadação com os royalties. (Págs. 1 e A8)
A Marina falta partido; a Eduardo, ser conhecido; a Dilma, um discurso que vá além da propaganda; e a Aécio, tudo. (Págs. 1 e A6)
Martin Wolf
Imbróglio de Chipre deveria servir de lição sobre como não lidar com problemas financeiros e de dívidas soberanas. (Págs. 1 e A17)
terça-feira, março 19, 2013
XÔ! ESTRESSE [In:] (M)ÁGUAS DE MARÇO
''ALAGADOS, TRENCHTOWN, FAVELA DA MARÉ... (Os Paralamas...)
| 19/03/2013 | |
Chuva mata 16 em Petrópolis e Dilma fala em 'ação drástica'
Presidente culpou "pessoas que não querem sair" das áreas de risco; temporal também castigou litoral de SP
Ao menos 16 pessoas morreram, incluindo dois técnicos da Defesa Civil, e 560 ficaram desalojadas após temporal em Petrópolis, na região serrana do Rio. Entre a noite de domingo e a manhã de ontem, choveu na cidade 358 milímetros, mais do que o previsto para todo o mês. Os Rios Quitandinha e Piabanha transbordaram, destruindo casas e provocando alagamentos. Encostas desabaram. Em janeiro de 2011, na pior tragédia de causa natural do País, 71 pessoas morreram no município. Em Roma para a entronização do papa Francisco, a presidente Dilma Rousseff defendeu "ações drásticas" para a retirada de pessoas das áreas de risco. "Acho que devem ser tomadas medidas mais drásticas, para que as pessoas não fiquem onde não podem ficar", afirmou. A chuva castigou também o litoral paulista. A Rodovia Rio-Santos foi liberada depois de 26h fechada. Mil pessoas estão desalojadas em São Sebastião.
Chuva mata 16 no Rio e Dilma defende ‘medidas drásticas’ em áreas de risco
Um temporal na região serrana do Rio, que começou na noite de domingo, matou 16 pessoas em áreas de risco de Petrópolis, feriu 33 e deixou 560 desalojados.
Em Roma, ao saber do caso, a presidente Dilma Rousseff negou que faltem investimentos governamentais em prevenção de tragédias, mas defendeu ações mais fortes na área. "Eu acho que vão ter de ser tomadas medidas um pouco mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões que não podem ficar. O problema é que muitas vezes as pessoas não querem sair."
Dilma também alegou que foi 1 a chuva em abundância que causou a tragédia. "É uma situação muito difícil, porque choveu 300 : milímetros. Quase o tanto que ; chove em um ano em certas regiões do Brasil, choveu em um dia em Petrópolis", insistiu.
Na localidade de Vila São João, no bairro Quitandinha, região central do município, uma encosta desabou e soterrou um número ainda desconhecido de pessoas. Pelo menos quatro moradores estavam desaparecidos até o início da noite de ontem. Segundo moradores, três casas foram destruídas. Somente duas : meninas, de 12 e 15 anos, foram resgatadas com vida. -i Entre os mortos estão dois técnicos da Defesa Civil municipal que trabalhavam no resgate dos soterrados. "Tinham muita experiência. São insubstituíveis e morreram como heróis. Estavam ali salvando vidas", afirmou o prefeito Rubens Bomtempo (PSDB). A Defesa Civil atendeu a mais de 270 ocorrências desde o início das chuvas.
Com o volume das águas, os Rios Quitandinha e Piabanha, que cortam acidade, transbordaram, destruindo casas e provocando alagamentos em 21 pontos, principalmente nos bairros Quitandinha e Independência.
0 maior índice pluviométrico foi registrado em Quitandinha: 415 milímetros em 24 horas, o equivalente a dois meses de chuva, segundo a prefeitura.
Uma encosta deslizou e interditou a Rua Joaquim Rolla, bem ao lado do Palácio Quitandinha, um cartão-postal dá cidade. À tarde, era possível avistar uma casa de classe média alta, de dois andares, à beira do precipício. Já no bairro Amazonas, uma casa caiu e matou duas pessoas.
Sem socorro. Ao longo do dia, várias autoridades pediram que ; moradores de áreas de risco deixassem suas casas. Um dos si: nais sonoros, por exemplo, foi ! acionado na rua Espírito Santo, onde pessoas foram soterradas.
"Fazemos um apelo para que todas as pessoas deixem as áreas de risco", ressaltou o governador Sérgio Cabral. A remoção de pessoas, porém, vai na contramão do que defendem especialistas das Nações Unidas. Eles já alertaram o governo brasileiro em diversas ocasiões que forçar uma saída deve ser a última alternativa e é algo que precisa ser realizado com extrema cautela para não causar caos social.
Na parte de recursos públicos, o Estado anunciou a liberação de R$ 3 milhões - a prefeitura liberou outros R$ 200 mil. Já a presidente Dilma Rousseff designou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para acompanhar todo o trabalho e deslocou uma equipe da Força Nacional de Defesa Civil. Jamil Chade.
Sirenes soam, mas pedidos de socorro não são atendidos
A prefeitura de Petrópolis informou que nove sinais sonoros foram acionados na madrugada para que os moradores de quatro bairros deixassem as casas e dez escolas municipais foram abertas para a população.
Mas o secretário de Estado de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, disse, na manhã de ontem, que grande número de pedidos de socorro não pode ser atendido porque as equipes não conseguiam chegar áos locais afetados. Como o solo encharcado provocava risco de novos desabamentos, o coronel fez um apelo para que as pessoas procurassem locais seguros.
Houve ainda registros de enchentes e deslizamentos de terra, mas sem vítimas, em Teresópolis, Duque de Caxias e Nova Friburgo.
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sexta-feira, setembro 21, 2012
CHOVE, CHUVA
Volta das chuvas reanima início do plantio de grãos
| Autor(es): Por Mariana Caetano | De São Paulo |
| Valor Econômico - 21/09/2012 |
A chuva que começou a cair há dois dias no Paraná trouxe alívio aos produtores de grãos, que aguardavam ansiosamente o retorno da umidade para acelerar o plantio. A semeadura de soja está oficialmente liberada desde ontem, mas a de milho já tinha sinal verde desde o fim de agosto. Entretanto, como em muitas regiões não caía uma gota do céu há mais de 60 dias, o início dos trabalhos estava em suspenso.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná, cerca de 10% da área que será destinada ao milho nesta safra 2012/13 já foi semeada. O número está bem aquém dos 30% que já haviam sido plantados no mesmo período do ano passado, quando estava em jogo a semeadura do ciclo 2011/12, e dos 21% da média das últimas três safras.
"Não há mais condições ideais de plantio, mas também é cedo para falar em quebras. Em um primeiro momento, a preocupação é com perda de produtividade", avalia Marcelo Garrido, economista do Deral. Segundo ele, os agricultores preferem apertar o passo para reduzir os riscos na safra de inverno - que, iniciada mais cedo, minimiza a exposição das lavouras às geadas.
Em Ponta Grossa, cidade que deve responder pela maior área cultivada de milho no Paraná, a semeadura está praticamente na estaca zero. "Alguns se arriscaram a plantar quando veio uma chuva dias atrás, mas já dizendo que, se o milho não vingasse, plantariam feijão em cima", conta Gustavo Ribas Neto, presidente do sindicato rural local.
Os mapas climáticos indicam precipitações para esta semana, ainda que localizadas, o que deve animar os produtores a iniciar os trabalhos com mais firmeza. Por ora, as previsões apontam chuvas mais abundantes apenas entre o final de setembro e início de outubro. "Com a umidade se estabelecendo, mesmo de forma incipiente, o agricultor não vai perder tempo, porque tem um zoneamento a cumprir e insumos já comprados", afirma Garrido.
O Deral estima uma área de 850 mil hectares para o milho no Paraná, queda de 13% ante o ciclo anterior, e uma safra 4% maior, de 6,83 milhões de toneladas.
Em Mato Grosso, onde temia-se que o tempo seco pudesse postegar o plantio de soja, voltou a chover no início da semana em importantes municípios produtores, como Primavera do Leste, Rondonópolis, Sorriso e Campo Verde - neste último já existem, inclusive, relatos de que o plantio já começou. A projeção do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) é que o Estado produza 24,1 milhões de toneladas de soja em 2012/13, alta de 13% ante o ciclo passado, em uma área 11% superior, de 7,9 milhões de hectares.
Ainda que haja atraso no início da safra, os produtores esperam que possíveis perdas de rendimento sejam compensadas pelos preços no mercado internacional, que seguem em níveis excelentes, favorecidos pela quebra causada pela seca nos EUA. Ontem, na bolsa de Chicago, os contratos de soja para janeiro (que ocupam a segunda posição de entrega, normalmente a de maior liquidez) sofreram uma realização de lucros e recuaram 3% (51,50 centavos), a US$ 16,1775 por bushel. Os papéis de milho para março caíram 1,21% (9,25 centavos), a US$ 7,4950 por bushel.
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quinta-feira, setembro 20, 2012
MEU PINTINHO AMARELINHO...
Produção de carne de frango vai encolher no país em 2012
Autor(es): Por Sérgio Ruck Bueno | De Porto Alegre |
| Valor Econômico - 20/09/2012 |
A crise enfrentada pela avicultura brasileira devido à escassez de oferta de grãos, à disparada nos preços de milho e soja e à falta de crédito para produtores e indústrias deverá provocar em 2012 a primeira queda da produção do segmento pelo menos desde 2000. Segundo o presidente da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), Francisco Turra, o volume deverá ficar 1 milhão de toneladas abaixo das 13,1 milhões de toneladas de carne de frango produzidas em 2011. As exportações também deverão cair, 10%, na primeira retração desde 2006, acrescentou o dirigente, que fez palestra ontem na Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul).
Ressaltando que não prega restrições às exportações de milho, Turra disse que o país poderá ter de estabelecer alguma "regulação" sobre os embarques do grão - que compõe dois terços da ração usada na alimentação das aves - para "manter a indústria funcionando e preservar empregos", numa referência às mais de 5,7 mil demissões registradas no segmento nos últimos quatro meses. Segundo ele, a desoneração da folha de pagamentos estendida para o ramo na semana passada "ajuda", mas a "sobrevivência" dos frigoríficos depende de ração e crédito.
Provocada pela quebra da safra americana, a corrida de importadores pelo milho brasileiro deve reduzir os estoques de passagem no país a 4,4 milhões de toneladas no início de 2013, um nível "perigoso" em comparação com as 14,2 milhões de toneladas do começo de 2012, disse Turra. Por conta disto, o Ministério da Agricultura e a Conab já começaram a "monitorar" os embarques de milho e também de soja, explicou.
Segundo o presidente da Ubabef, o sinal vermelho acendeu em agosto, quando as vendas externas de milho cresceram 81,1% sobre o mesmo mês de 2011, para quase 2,8 milhões de toneladas. Depois disso, as exportações já atingiram 1,5 milhão de toneladas nas duas primeiras semanas de setembro e deverão manter uma média mensal de 3,8 milhões no quarto trimestre, prevê o dirigente.
Com a demanda externa aquecida, Turra reforçou o pedido para que o governo amplie os leilões de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) para levar o milho do Centro-Oeste até a região Sul, que foi mais atingida pela estiagem na última safra e onde se concentra a maior parte da indústria avícola brasileira. "Se não houver agilidade o destino deste milho será o porto".
Outra reivindicação do segmento é pela liberação de crédito para capital de giro para pequenas e médias empresas, que enfrentam dificuldades para financiar a aquisição de insumos, além da extensão, para os criadores integrados, da prorrogação dos empréstimos concedidos aos não integrados pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo Turra, a exclusão dos produtores vinculados às indústrias, que representam 90% do segmento no país, foi um "equívoco" e deve ser corrigido.
Conforme o presidente da Ubabef, sem apoio oficial o milho que custa R$ 18 a saca no Centro-Oeste chega ao Sul entre R$ 32 e R$ 34, o que representa uma alta de 44% desde o início do ano. No caso do farelo de soja, os preços passaram de R$ 600 para quase R$ 1,4 mil a tonelada no período. Segundo ele, pelo menos 18 empresas da área no país estão "em situação de dificuldade", incluindo a paranaense Diplomata, que já pediu recuperação judicial.
Além disto, segundo Turra, com os custos em alta os preços da carne de frango no mercado interno já subiram 25% desde janeiro e deverão ser elevados em mais 10% a 15% até o fim do ano. O mesmo vale para o preço médio dos produtos exportados, que foi de US$ 1,9 mil a tonelada em agosto, mas deve chegar à faixa dos US$ 2,2 mil em dezembro, influenciado pela redução da oferta dos Estados Unidos, o maior concorrente do Brasil no mercado externo.
Com isso, apesar da queda projetada de 10% no volume das exportações brasileiras neste ano em comparação com as 3,9 milhões de toneladas de 2011, a retração nas receitas deverá ser de 7% ante os US$ 8,2 bilhões de 2011. De janeiro a agosto, o volume cresceu 0,94%, para 2,6 milhões de toneladas. Se o recuo das vendas físicas ao exterior se confirmar no acumulado do ano, será a primeira queda desde 2006, quando o surto de gripe aviária reduziu o consumo mundial do produto.
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segunda-feira, abril 12, 2010
A VIDA IMITA A ARTE [In:] ''RIO 40 GRAUS. CIDADE MARAVILHA. PURGATÓRIO DA BELEZA E DO CAOS..." *
Brasil
Rio...
Genilson Araújo/Ag. O Globo | 219 mortos 161 feridos 11 562 desabrigados 10,3 milhões de moradores atingidos 22 municípios afetados |
| CIDADE SUBMERSA A Lagoa Rodrigo de Freitas subiu quase 1,5 metro acima do nível normal e a água invadiu pistas e calçadas: uma semana de caos |
e das vítimas de suas águas
A maior tempestade da história do estado causa centenas de mortes nas favelas e expõe o lado sombrio da política de incentivos à ocupação ilegal de áreas de risco nos morros.
Ronaldo França,
Ronaldo Soares e
Roberta de Abreu Lima
A tempestade que se abateu sobre o Rio de Janeiro na madrugada da última terça-feira, com fúria e persistência recordes, escancarou a gravidade de um problema há décadas negligenciado: o incentivo oficial para a ocupação de encostas. Não fosse o risco de vida embutido, a "indústria da favelização" poderia até ser vista como um programa social. Não é. Os falsos beneméritos dão ajuda material a famílias inteiras para que se instalem em áreas de alto risco em troca do voto delas nas eleições. Quando ocorrem tragédias como a da semana passada, eles fingem que o problema não é com eles. O último levantamento oficial mostra que em 119 favelas, de sete municípios do estado, ocorreram 197 das 219 mortes registradas até agora. Ao testemunhar o desabamento de dezenas de casebres e a morte de vizinhos no Morro dos Prazeres, na Zona Sul da cidade e um dos mais atingidos pelas chuvas, José Ferreira, 60 anos, resumiu: "Parecia um tobogã". O padrão se repetiu em diversos pontos. Um após o outro, os morros foram lavados pela força das águas da chuva, perdendo sua fina cobertura de terra onde foram plantados os barracos irregulares não apenas com a complacência das autoridades mas com sua ajuda. Diz o sociólogo Bolívar Lamounier: "O fenômeno da favelização no Rio é consequência do relaxamento moral e jurídico".
| Fotos Marcos Tristão, Marcos de Paula/AE, André Coelho/Ag. O Globo e Genilson Araújo/Ag. O Globo |
| A VIDA NO PRECIPÍCIO Os alagamentos no subúrbio do Rio (acima à esq.), a destruição de casas na Zona Sul (no centro) e carros empilhados no Maracanã (à esq.) foram cenas comuns na semana passada, mas nada se equiparou à tragédia nos morros: em favelas como a do Caramujo, em Niterói (ao lado), barracos desmoronaram. |
| Fabio Gonçalves/Ag. O Globo |
| AVALANCHE EM ENDEREÇO NOBRE Deslizamento arrastou árvores, pedras e lama para os fundos de um edifício no Alto Leblon: apartamentos tiveram de ser interditados |
Décadas de irresponsabilidade e demagogia por parte de governantes foram determinantes para explicar o acelerado inchaço das favelas do Rio de Janeiro. Desde 1950, quando levas de nordestinos aportaram na cidade, a população nos morros cresceu a um ritmo de quatro vezes a do Rio como um todo - velocidade impressionante. Outras grandes cidades brasileiras, como São Paulo e Brasília, também viram o surgimento de barracos, mas em nenhum outro lugar do país o populismo foi tão decisivo para que as favelas tomassem as dimensões de hoje. Nos anos 80, o governador Leonel Brizola chegou a incentivar abertamente a ocupação dos morros. Ali, fincava seus currais eleitorais, proibindo até, pasme-se, a entrada da polícia, um aval para o banditismo. "Favela não é problema, é solução", pregava o então vice-governador, Darcy Ribeiro. A coisa ganhou uma escala tal que agora existe uma bancada fluminense a serviço da favelização. Nada menos que treze dos 51 integrantes da Câmara de Vereadores e 21 dos setenta deputados mantêm centros sociais em favelas. Em troca de votos, eles prestam todo gênero de assistência aos moradores - de distribuição de dentaduras a atendimento médico. Quando algum governante lança a ideia de remover uma favela, esses políticos são os primeiros a fazer pressão contra. Resume o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor do livro A Cabeça do Brasileiro: "Grassa nos morros do Rio a indústria da favelização, alimentada por políticos com o único interesse de ter nos barracos mais e mais pessoas dependentes deles".
| Fotos Rafael Andrade/Folhapress e Genilson Araújo/Ag. O Globo |
| O SALDO DO DESCASO A Praça da Bandeira (à esq.), na Tijuca, registrou o pior de todos os alagamentos e deu um nó no trânsito da cidade, atrasando o socorro às vítimas em locais como o Morro dos Prazeres, uma das 179 favelas da capital com deslizamentos (à dir.): quantas tragédias mais ainda ocorrerão até que o Rio de Janeiro descubra suas fragilidades? |
As frágeis construções encravadas em encostas de declive acentuado evidentemente não estavam preparadas para resistir ao maior temporal da história do Rio de Janeiro desde 1912, ano em que o índice pluviométrico começou a ser medido. Pela última contagem dos mortos, essa tempestade ombreia com a de 1966, que fez da cidade uma praça de guerra - e também fez vítimas nos deslizamentos em favelas que, àquela altura, já estavam bem povoadas. A catástrofe da semana passada mostra que não houve progressos nos quarenta anos que separam as duas tormentas, mas apenas retrocessos, uma vez que o número de pessoas que vivem em encostas só aumentou. Sempre que chove forte, os barracos perigam desabar. Eles estão apoiados em uma base bastante instável do ponto de vista geológico: trata-se de uma camada de terra que não passa dos 2 metros de espessura e fica sobre rochas que, com o tempo, vão se despregando do maciço original. Uma vez encharcada de água, essa superfície facilmente desliza, como se viu nas favelas com mortos no último temporal. Define o geógrafo Marcelo Motta: "Terrenos assim são como bombas-relógio. Podem despencar a qualquer momento".
| Fotos Rafael Andrade/Folhapress, Marcos de Paula/AE e Fernando Souza/Ag.O Dia/AE |
| OPERAÇÃO DE RESGATE No Morro dos Prazeres, o desespero de pessoas que procuram parentes e vizinhos na pilha de corpos (à esq.), o trabalho incessante dos bombeiros (no alto) e até moradores com enxadas e pás em busca de sobreviventes (à dir.): a prefeitura prometeu remover a favela |
Juntando-se a geologia dos morros à violência do aguaceiro, não havia chance para que as favelas saíssem ilesas. A fúria da tempestade, que desencadeou a série de 692 deslizamentos ao longo da semana só na cidade do Rio, explica-se por uma conjunção rara de três fatores meteorológicos. Primeiro, o Oceano Atlântico estava 1,5 grau acima da média desta época do ano, o que precipitou o aparecimento de uma gigantesca massa de ar quente e úmido. Uma vez no continente, essa massa se chocou com a mais intensa frente fria do ano, vinda do sul, provocando as fortes chuvas. Nessas condições, tudo indicava que o temporal duraria seis horas, mas ele acabou se estendendo por catorze horas seguidas, graças a uma terceira variável que complicou o cenário: na ocasião, ventos de até 60 quilômetros por hora formavam uma espécie de cortina de ar, impedindo que a frente fria seguisse rumo ao norte. Diz o meteorologista Marcelo Seluchi, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos: "As origens do temporal no Rio são bem semelhantes às da tempestade que assolou Santa Catarina, em 2008, mas sua intensidade é incomparável".
| Jadson Marques/AE |
| FOI POR POUCO Sob os escombros da casa que ruiu, Carlos Eduardo dos Santos, 24 anos, conseguiu escapar com vida: o vizinho morreu tentando salvá-lo |
Os efeitos foram devastadores. Com a capital em estado de emergência, faltou luz em catorze bairros, uma espessa camada de lama e lixo encobriu várias ruas da Zona Sul e as principais avenidas ficaram bloqueadas. Em favelas como a dos Prazeres, a destruição se traduzia nos destroços de doze casebres engolidos por um deslizamento que deixou saldo de trinta mortes. Talvez uma das mais comoventes cenas produzidas pela tragédia tenha sido protagonizada por Walmir França da Mata, 50 anos, que perdeu o filho, Marcus Vinícius, de 8 anos. Com as duas pernas presas nos escombros da casa que desabou, o menino permaneceu vivo durante doze horas, período em que não parava de suplicar: "Pai, me tira logo daqui". Walmir, que ajudava os bombeiros na operação de resgate, renovava as esperanças. "Eu estive muito perto do meu filho, mas não consegui tirá-lo de lá", conta ele, que entrou em desespero ao testemunhar um novo desabamento, ao qual Marcus Vinícius não sobreviveria. Já com o corpo do menino no colo, seu pranto se misturava ao de vizinhos que também haviam assistido, de perto, à morte de familiares.
| Fotos Fernando Maia/Ag. O Globo e Eduardo Martino/Documentography |
| NÁUFRAGOS NO GINÁSIO Às 17h30 de segunda-feira, a equipe de vôlei feminino sob o comando do treinador Bernardinho foi surpreendida, em pleno treino, por uma súbita enxurrada de água com lama que, em questão de minutos, inundou o Maracanãzinho, atingindo 1,5 metro de altura. O jeito foi correr para o 2º andar e ali pernoitar. Faminto, o grupo apelou a um amigo que morava por perto para que levasse pizza. "Eu me senti o próprio náufrago", disse o treinador. Só no dia seguinte, por volta das 11 horas, ele e as moças conseguiram deixar o ginásio. |
| Severino Silva/Ag. O Dia/AE |
| "PERDI MEU MENINO" Durante as doze horas em que tentou ajudar os bombeiros a resgatar o filho, Walmir França da Mata (no detalhe), 50 anos, manteve-se esperançoso. Com as pernas presas sob os escombros de uma casa que havia desabado no Morro dos Prazeres, Marcus Vinícius, de 8 anos (na foto ao lado com 6), não parava de suplicar por ajuda ao pai. Já de noite, veio um novo deslizamento, e a operação precisou ser interrompida. "O buraco em que ele estava ficou completamente soterrado. Naquele momento, entendi que nunca mais veria meu filho vivo", conta Walmir. |
O Rio, que durante toda a semana chocou o Brasil com imagens dos morros sob escombros, vê-se agora diante de uma questão premente e que jamais foi tratada com real seriedade: está bem claro que a situação das favelas é insustentável. O debate, até então, repousou sob a sombra da demagogia e dos interesses políticos. Diz o urbanista Sérgio Magalhães: "O primeiro tabu que precisa cair é o de que remover moradias é uma afronta". Nos casos em que os moradores chegam a correr risco de vida ou em que a existência de amplas áreas degradadas tem impacto econômico negativo para a cidade, esse tipo de ação, sim, se justifica. A ideia da remoção de favelas, no entanto, tornou-se maldita em decorrência das iniciativas encabeçadas pelo governador Carlos Lacerda, que, na década de 60, retirou moradores de doze favelas cariocas. Feita com truculência, a operação fracassou, uma vez que os novos conjuntos habitacionais para onde eles foram levados acabaram também se favelizando, abandonados à própria sorte pelo poder público. A experiência mostra que é justamente quando o estado se faz presente que essa política dá certo. Durante o governo de Nelson Mandela, na década de 90, nada menos que 5 milhões de pessoas foram removidas de favelas na África do Sul - 10% do total no país. Na Cidade do Cabo, elas foram reassentadas em áreas mais distantes do centro, porém dotadas de boa infraestrutura. O mercado imobiliário do centro, por sua vez, explodiu, e o comércio tornou-se vibrante como nunca.
Dada a dimensão das favelas cariocas, que chegam a reunir dezenas de milhares de habitantes, restringir a discussão às remoções seria uma simplificação do problema. Existe um consenso de que há casos em que é mais fácil e barato urbanizá-las, de modo a integrar à economia da cidade as áreas em que viceja a informalidade. Afirma o urbanista Jonas Rabinovitch, conselheiro da Organização das Nações Unidas: "Em favelas como a Rocinha, o mais acertado a fazer é legalizar os imóveis e dotar esses locais com toda a infraestrutura urbana, para que deixem de estar à margem do estado e da lei". Contra as práticas ilegais que grassam nas favelas, como o tráfico de drogas e a extorsão de comerciantes por parte dos bandidos, não há outra saída senão, de novo, o estado fazer-se presente - algo que por décadas a fio simplesmente não ocorreu no Rio de Janeiro.
| Reginaldo Teixeira |
| O RESGATE DE UM BEBÊ O velejador Torben Grael, 49 anos, acordou na madrugada de terça-feira com um estrondo seguido por gritos desesperados de socorro. Quando chegou à rua, viu um carro soterrado por um deslizamento da encosta que desabara em frente à sua casa, em Niterói. Ainda vivos estavam uma mulher e um bebê, que Grael conseguiu resgatar pela janela, com a ajuda dos vizinhos. O pai da criança, ao volante, morreu na hora. Torben presenciou um segundo desabamento, que pôs sua casa (à esq.) em situação de risco. "Não sei quando vou poder voltar para lá." |
O histórico descaso das autoridades com a questão conspirou para a proliferação dos barracos que, na semana passada, deslizavam morro abaixo. Um novo relatório do Tribunal de Contas da União chama atenção para o fato de que foram destinados ao Rio apenas 0,9% dos 143 milhões de reais que o governo federal reservou aos estados, em 2008, para obras de prevenção a desastres. Além de antigos gargalos de infraestrutura, como galerias pluviais obsoletas e insuficientes para dragar até a água de chuvas mais leves, falta à cidade, por exemplo, um radar meteorológico próprio, instrumento fundamental para prever a aproximação de tempestades e tomar as precauções necessárias. Tal serviço é feito hoje por um equipamento da Aeronáutica que fica na Serra de Petrópolis, fincado a 1 800 metros de altitude. Como o radar não consegue flagrar tormentas abaixo dessa altura, isso comprometeu a previsão da intensidade da chuva - que surpreendeu a população.
| Eduardo Martino/Documentography |
| A FAMÍLIA SOB OS ESCOMBROS Quando chegou à favela do Bumba, em Niterói, o comerciante Júlio César Carvalho, 43 anos, espantou-se com o mar de lama, terra e lixo que tomava o terreno onde, minutos antes, havia casas. Acompanhado de vizinhos, ele muniu-se de pás e enxadas em busca do pai, da irmã e de uma sobrinha. O grupo passou a madrugada inteira escavando o terreno até com as mãos. A cada sobrevivente encontrado, Júlio César renovava as esperanças de achar sua família, o que jamais aconteceu. "Essa dor vai me acompanhar daqui para a frente." |
| Eduardo Martino/Documentography |
| "POR QUE ELE NÃO SAIU DE CASA?" Em frente a uma montanha de terra de onde escavadeiras retiravam corpos das vítimas do deslizamento no Morro do Bumba, o motorista Marco Antônio Caternol, de 31 anos, já não acreditava que encontraria o filho Caíque, de 6 anos. Na noite anterior, o menino jantava em casa, na companhia da avó, da mãe e do irmão mais novo, quando se ouviu um estrondo. Assustada, a mãe foi à rua com o caçula para ver o que havia acontecido - exato momento em que sua casa foi engolida pela avalanche, levando Caíque e a avó. "Sempre vou me perguntar: por que ele não saiu na hora certa?", diz o pai. |
Seus efeitos, no entanto, não seriam tão nefastos caso os barracos que desabaram, em flagrante situação de perigo, não estivessem ali. O mais recente relatório da prefeitura apontou trinta favelas sob alto risco de deslizamento. Espanta saber que apenas três das que registraram desabamentos no último temporal constavam da lista. A situação vai se perpetuando à custa de demagogia. Tentava justificar o prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, depois que o morro do Bumba virou um tobogã de terror: "Essas coisas são incontroláveis. A gente tem um povo pobre, e, para remover, é um drama". Drama é incentivar esse "povo pobre" a se equilibrar sobre bombas-relógio naturais em troca de servidão eleitoral e, em face da tragédia evitável, apenas resignar-se. Se é inimaginável esperar que os políticos fluminenses deixem de pensar apenas na próxima eleição para se preocuparem com a próxima geração, é uma obrigação exigir deles que, pelo menos, pensem na próxima estação de chuvas.
| Fotos Charles O'Rear/Corbis/Latinstock, Fernando Maia/Ag. O Globo e Agb Photo/Grupo Keystone |
| UM EXEMPLO QUE VEM DE FORA Na Cidade do Cabo (no alto), um bem-sucedido programa de remoção de favelas manteve as encostas dos morros livres e valorizou o centro: a política habitacional de lá contrasta com a ausência de planejamento que contribuiu para o aumento das favelas em cidades como o Rio (à esq.) e Brasília (à dir.) |
Carlos Eduardo Folhapress
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(*) Rio 40 Graus. Fernanda Abreu
Rio 40 Graus..(2x)
Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...(2x)
Capital do sangue quente
Do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior
Do Brasil...(2x)
Cidade sangue quente
Maravilha mutante...
O Rio é uma cidade
De cidades misturadas
O Rio é uma cidade
De cidades camufladas
Com governos misturados
Camuflados, paralelos
Sorrateiros
Ocultando comandos..."
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