A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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sexta-feira, junho 22, 2012
RIO +20. UM TEXTO POSSÍVEL
Conferência deixa como resultado um futuro incerto
| "O futuro que queremos" continua incerto em meio a promessas vagas |
| Autor(es): Por Daniela Chiaretti | Do Rio |
| Valor Econômico - 22/06/2012 |
A conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável caminhava para um final melancólico ontem, com ninguém satisfeito e todos parecendo conformados com o destino incerto que "O Futuro que Queremos", principal documento da Rio+20, projeta.
Agora depende de o comprometimento dos países levar à frente, por exemplo, uma nova medida econômica que considere componentes ambientais no cálculo do PIB. Até 2015, se tudo der certo, o mundo pode ter objetivos de desenvolvimento sustentável que tracem metas para energia, água, cidades e oceanos. Pode, também, dar força a um organismo ambiental competente, o Pnuma, que tem 40 anos, mas é tratado pela comunidade internacional como um órgão de segunda categoria no sistema das Nações Unidas.
O ar-condicionado ligado à plena carga criava uma atmosfera ártica em diversos cantos do Riocentro - e inacreditavelmente insustentável. Este clima desconfortável e pouco estimulante marcou a Rio+20. A conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável caminhava para um final melancólico ontem, onde ninguém parecia satisfeito e todos pareciam conformados com o futuro incerto que "O Futuro que Queremos", o principal documento da conferência, projeta para diante.
Agora depende de o comprometimento dos países de levar em frente, por exemplo, uma nova medida econômica que considere componentes ambientais no cálculo do PIB. Até 2015, se tudo der certo, o mundo pode ter objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) que tracem metas para energia, água, cidades, oceanos. Pode, também, dar força a um organismo ambiental competente, o Pnuma, que tem 40 anos, mas é tratado pela comunidade internacional como um órgão de segunda categoria no sistema da ONU.
Os governos se comprometeram a tornar concreto um programa de mudança nos padrões de produção e consumo que levou 8 anos para ficar pronto - mas que poderia ter sido aprovado antes da Rio+20, não fosse uma citação, no prólogo, aos Territórios Ocupados, o que fez com que fosse barrado, na Assembleia Geral das Nações Unidas, há alguns meses. Na Rio+20 ele saiu do papel.
"Esta conferência organizou muitos assuntos ambientais e de desenvolvimento que estavam orbitando", diz um diplomata brasileiro. "Ela abriu processos e é importante", continua. "Vamos voltar a conversar sobre este resultado em três anos", desafia.
Um negociador europeu diz que ficou claro, na atuação do Brasil, que "a presidente Dilma quer tirar da pobreza 50 milhões de pessoas, e nós entendemos isso." Depois, faz um mea culpa: "Não soubemos explicar que a economia verde é o melhor caminho para isso". A Europa, apoiada pelos EUA, insistiu que a conferência adotasse a ideia da economia verde - conceito controverso, visto com desconfiança pelo mundo em desenvolvimento. Poderia ser mais uma embalagem para vender, caro, produtos e tecnologias que os ricos têm e os pobres não, vocalizavam representantes da Bolívia, Venezuela, Cuba, Nicarágua.
Todos reconhecem que acomodar interesses de 193 países em temas que vão do uso dos recursos naturais à redução gradual do uso de combustíveis fósseis, da mudança nos padrões de consumo a regras para a exploração da biodiversidade em alto mar, não é tarefa fácil. Antes da conferência começar, muitos representantes de governos disseram que do Riocentro não ia sair nada - e agora jogam no colo do Brasil o desapontamento.
"Mas o Brasil atuou como um operador de consensos, não como um líder", alfinetou o negociador europeu. "Onde esteve a presidente do Brasil nos últimos três meses?" questionou outra negociadora. "Os diplomatas brasileiros são reconhecidamente competentes e vão até o limite. Mas quem define os limites, definiu por baixo", prosseguiu um observador.
A Rio+20 teve momentos de truculência e constrangimento. Em uma sessão, a negociadora da Suíça manifestou sua oposição a um determinado ponto. Os negociadores brasileiros tinham pressa em fechar o texto. Ela se opunha. "Então será a primeira vez que teremos um texto sem a participação suíça", disse o brasileiro.
Na última rodada de negociações, em Nova York, um alto executivo da ONU envolvido no processo criticou a falta de liderança do Brasil. A presidente Dilma teria ligado ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon e pedido a demissão do sujeito. Outro episódio nesta linha teria sido a chamada que a presidente teria dado a Ban Ki-moon, que abriu a cúpula com um discurso dizendo que faltou ambição ao texto final, e ontem se mostrou subitamente mais entusiasmado.
O governo brasileiro manifestou claramente sua insatisfação com as críticas que teve que escutar por fechar um texto sem ambição. Muitos diziam que o Brasil se escondeu atrás dos Estados Unidos na questão do Pnuma. Os países africanos queriam fazer uma alteração editorial no texto: mudar o nome do Pnuma, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, para Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Seria uma modificação semântica e simbólica. Os EUA não quiseram conversa: "Se o texto for reaberto, principalmente na questão do Pnuma, abriremos outras questões", ameaçou o chefe da delegação americana, Todd Stern, na plenária que aprovou o documento.
Em muitos momentos o Brasil se viu diante da opção de a conferência ficar sem um documento final, ou com um documento aguado. Na terça-feira, o ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota declarava qual havia sido a escolha do Brasil, ao dizer que iria se conseguir o texto "possível."
Uma piada era contada nos corredores do Riocentro nos últimos dias da conferência. "O Brasil queria ter um texto antes da chegada dos chefes de Estado. E ponto", comenta um negociador. "Foi uma sorte que tenha terminado logo, assim não perdemos mais do que foi acertado em 1992". Só em alguns anos dará para saber se a Rio+20 ficou só na promessa.
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quarta-feira, março 28, 2012
ECONOMIA MUNDIAL/BRICS [In:] ''CHECK OUT"
Brics querem reformas no FMI e no Banco Mundial
A crise financeira mundial e a necessidade de implantar reformas de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial serão o tema central do comunicado conjunto que deve ser assinado por Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul ao final da quarta reunião dos Brics, que se realiza esta semana na capital indiana.
Segundo a subsecretária-geral de Política do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Maria Edileuza Fontenele Reis, o documento terá também uma parte política, mas deverá se concentrar nas questões econômicas. A crise entre a China e o Tibete, que levou anteontem um tibetano a atear fogo ao corpo em protesto contra a repressão praticada pelo presidente chinês Hu Jintao, não deverá se tratada no documento. 'Não creio que entrará, porque estamos mais preocupados com crises que eclodiram e estão em um momento de grandes episódios de violência', afirmou.
A criação de um banco de desenvolvimento comum aos cinco emergentes também estará em pauta. 'Deve ser anunciada não ainda a criação do banco, mas de um grupo de trabalho para estudar as modalidades de constituição do banco', disse a embaixadora, lembrando que a instituição é importante porque cria uma 'fonte alternativa de financiamento, sobretudo para países em desenvolvimento'.
Ao lembrar a importância dos Brics, Edileuza citou que os cinco países emergentes serão responsáveis, este ano, por 56% do crescimento mundial. O G-7, grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo, responderá por apenas 9,5%. 'A redução do crescimento da economia global é um assunto que preocupa a todos. Preocupa aos Brics, aos outros países em desenvolvimento e aos próprios países desenvolvidos', destacou.
A presidente Dilma Rousseff chegou ontem a Nova Délhi. Dilma encomendou um bolo de chocolate para comemorar, em sua suíte no Taj Palace Hotel, o aniversário de 36 anos de sua filha Paula, que a acompanha na viagem. Para a festinha, foram convidados os seis ministros, os dois governadores e os principais assessores que integram a comitiva presidencial.
A agenda oficial da presidente começa hoje à tarde, com a cerimônia de entrega do título de doutora honoris causa da Universidade de Nova Délhi. À noite, ela participa de jantar oferecido aos presidentes dos Brics.
Banco Mundial. Os presidentes dos cinco países que compõem os Brics não anunciarão durante a cúpula apoio a nenhum dos candidatos ao Banco Mundial, assim como não fizeram em relação ao FMI, quando houve eleição para a instituição.
A falta de consenso sobre que nome apoiar contrasta com o discurso dos governos dos Brics, que querem fortalecer o organismo e defendem reformas das instituições internacionais. A própria presidente Dilma tem reiterado em seus discursos que os países emergentes exigirão maior participação na direção do FMI e do Banco Mundial. Para ela, a escolha dos dirigentes não pode ser por divisão geográfica, e, sim, por competência.
A sucessão no Banco Mundial e a visita da presidente Dilma a Washington, em abril, foram os principais temas da reunião realizada ontem, em Brasília, entre o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O americano de origem coreana, Jim Yong Kim, é o candidato dos EUA ao cargo.
'Falamos do nosso candidato ao Banco Mundial. Eles (o governo brasileiro) têm excelente disposição de se reunir com o candidato e falar com ele sobre a posição e a visão do Brasil para o Banco Mundial', disse o embaixador. /
COLABOROU EDUARDO CUCOLO
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quinta-feira, dezembro 01, 2011
DESENVOLVIMENTO vs. ''BRIC'' [In:] ''QUO VADIS"
Dez anos de novos Bric para o mundo
| Autor(es): Jim O'Neill |
| Valor Econômico - 01/12/2011 |
Há dez anos publiquei relatório intitulado "O Mundo Precisa de Melhores Brics Econômicos" (brics soa como "tijolos" em inglês), quando lancei pela primeira vez o acrônimo que usei para descrever o provável alto crescimento que Brasil, Rússia, Índia e China alcançariam. Está claro agora que a expansão desses quatro países foi ainda mais forte. Os Bric tornaram-se um nome familiar tanto na esfera cultural como de negócios, além de ter resultado na criação de um grupo político. O décimo aniversário coincide com preocupações terríveis quanto à economia mundial, especialmente para os países mais desenvolvidos. Continuo otimista de que à medida que os quatro gigantes emergentes, e mais alguns, continuarem se expandindo em tamanho e riqueza, sua prosperidade não apenas fortalecerá seu papel no mundo, mas também dará a chance de um futuro melhor às economias que atualmente se deparam com mais desafios pela frente. A ascensão em andamento dos Bric será boa para esses países e para o resto de nós. Além disso, seu crescimento ao longo dos últimos dez anos sugere que, enfim, poderemos ver algumas melhoras consideráveis que deem mais eficiência à formulação mundial de políticas e a suas instituições. Meu estudo de 2001 tinha três mensagens principais. Primeira, mostrei que se Brasil, Rússia, Índia e China continuassem com seus altos índices de crescimento, passariam a representar uma parte muito maior da economia mundial em 2010. No cenário mais otimista que contemplei, indiquei que sua participação combinada do Produto Interno Bruto (PIB) mundial subiria de aproximadamente 8% para, talvez, 14%. No fim deste ano, provavelmente a porcentagem girará em torno a 20%, com o PIB tendo aumentado de cerca de US$ 3 trilhões para provavelmente pouco mais de US$ 13 trilhões. Isso representa cerca de um terço do aumento total do PIB nominal mundial dos últimos dez anos. O crescimento real dos Bric, em torno a 8%, ajudou a levar a média mundial para 3,5%, apesar dos imensos problemas vistos em 2001-2002, 2008 e, é claro, desde então. Se não tivesse sido pelos Bric, o crescimento mundial teria ficado mais próximo à decepcionante média de 1,6% verificada no chamado mundo desenvolvido. Como muitas vezes comento, o aumento combinado, de US$ 10 trilhões, na prática, criou o equivalente a seis ou sete vezes o que era o Reino Unido em 2001 ou, de fato, o equivalente a toda uma economia dos Estados Unidos. Ao olharmos para o futuro, nos próximos dez anos, os quatro países provavelmente verão desaceleração em seus índices de crescimento, mas sua participação no PIB mundial quase certamente aumentará. A China parece encaminhada a crescer de 7% a 8%, já que terá de enfrentar vários desafios, mas a Índia pode ter aceleração e por fim atingir taxas de crescimento no estilo chinês, especialmente se persistir em seu recém-descoberto zelo por reformas, como a importante decisão de dar boas vindas ao controle majoritário estrangeiro em empresas do setor de varejo. Em poucos anos, o PIB nominal combinado dos quatro países superará tanto o dos Estados Unidos como o da Europa. Com base em seu provável crescimento, a segunda parte de meu relatório de 2001 argumentava que os Bric precisavam assumir papel mais central na formulação mundial de políticas econômicas. Eles continuaram excluídos por muitos anos, o que os levou a promover seus encontros políticos conjuntos anuais. Na verdade, foi necessária uma crise total como a de 2008, para os países avançados finalmente perceberem a importância central dos Bric para a economia mundial moderna, sendo que a decisão de colocar o G-20 no centro da formulação política global foi basicamente uma iniciativa para incluir os Bric. Em 2001, argumentei que cada um dos Bric deveria juntar-se aos EUA, Japão, região do euro e talvez Canadá e Reino Unido para formar algum novo "G", talvez um G-9 ou um novo G-7, se Reino Unido e Canadá ficassem excluídos. A terceira ideia no relatório de 2001 indicava que, tendo em vista sua moeda comum, França, Itália e Alemanha deveriam abandonar sua representação nacional nos órgãos mundiais e no G-7, permitindo uma governança global muito mais eficiente. Que melhor forma de demonstrar seu verdadeiro compromisso com a União Monetária Europeia (UME) do que um passo tão firme de verdadeira liderança? Nos anos subsequentes, como percebemos recentemente, tal liderança firme da UME não marcou presença. Quem sabe, a escala da crise que se desdobra atualmente leve os líderes europeus a dar passos mais ousados. Enquanto isso, à medida que os países do Bric continuem a ver sua sorte melhorar, proporcionarão mais e mais oportunidades para que o resto de nós aprimore seus padrões de vida e prosperidade. De fato, para que o mundo continue crescendo frente aos desafios que se apresentam a muitas economias desenvolvidas, precisamos da argamassa econômica dos Bric, algo que, por sorte, eles têm de sobra. Jim O"Neill é presidente do Goldman Sachs Asset Management. |
quinta-feira, maio 26, 2011
COMÉRIO EXTERIOR [In:] PRIMOS RICOS E PRIMOS POBRES
Crise dos ricos ameaça emergentes, reclama Brasil
| Valor Econômico - 26/05/2011 |
O Brasil cobrou ontem dos países desenvolvidos que "façam seu dever de casa" e reformem suas economias, porque do jeito que estão ameaçam o desenvolvimento das nações emergentes. A cobrança foi expressa pelo subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, embaixador Valdemar Carneiro Leão, na OCDE, espécie de clube dos países ricos. "A ideia de que os emergentes vão crescer indefinidamente, confiando em crescimento endógeno e em comércio sul-sul, é uma visão parcial das coisas", afirmou. "Não tomamos como certo que isso vai ser mantido no longo prazo. O desafio é como fazer que esse crescimento persista, para que todos se beneficiem, e isso depende também dos países ricos." Carneiro Leão reclamou que os desenvolvidos mantêm políticas fiscal frouxa e monetária expansionista, além de se protegerem no comércio, de maneira que terminam por prejudicar os emergentes. No debate, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, disse que o crescimento dos emergentes é boa notícia globalmente, mas que a verdade política é que isso não é percebida como tal. Para Lamy, os países ocidentais, sobretudo EUA e os europeus, precisam abandonar o reflexo de ameaça e de proteção diante da mudança de poder na economia mundial. Alertou que se as opiniões públicas americana e europeia continuarem a pensar que China, Índia e Brasil são uma ameaça, "então vamos para um sério problemas". Daí, segundo ele, a importância de "reforçar disciplinas para que o jogo global seja de soma positiva, porque na opinião pública é jogo de soma negativa". Alguns interpretaram isso como a necessidade de a OMC não só concluir a negociação de novas regras previstas no Acordo de Doha, como ir além no futuro com regras sobre trabalho no comércio internacional, concorrência e outras questões sensíveis. Para Lamy, certo mesmo é que os países desenvolvidos precisam mudar suas políticas econômicas, para gerar mais empregos e melhorar educação, inovação e formação. Ele alertou também que o crescimento dos emergentes num ritmo de 6% a 7% por ano não é sustentável nas condições energética e ambientais atuais. E destacou a necessidade de que nos próprios países emergentes, como China, Brasil e Índia, o crescimento seja menos desequilibrado e contribua efetivamente para reduzir a desigualdade. Lamy considerou que o reequilíbrio do sistema de poder na cena internacional será consequência lógica da expansão dos emergentes, e lembrou que na OMC isso já ocorre, com Brasil, China e Índia no núcleo central das decisões, ao contrário do passado, quando EUA, UE, Japão e Canadá davam sozinhos as cartas. Na defensiva, Roberto Hormats, subsecretário de Estado dos EUA para a economia, defendeu a cooperação internacional e procurou justificar a enorme liquidez deflagrada pelos EUA, que acabou empurrando volumes gigantescos de capitais em direção dos emergentes e valorizando excessivamente as moedas locais. Segundo ele, a ação do Federal Reserve foi necessária para "impedir que a situação econômica (nos EUA) se deteriorasse". Por sua vez, em discurso ontem à noite na OCDE, a secretária de Estado americana, Hilary Clinton, defendeu que os países desenvolvidos "repartam suas lições econômicas com os emergentes". Defendeu que os países em desenvolvimento trabalhem para eliminar corrupção, taxar suas elites e criar regulamentações para atrair investimentos estrangeiros. |
sexta-feira, abril 08, 2011
VIOLÊNCIA URBANA/REALENGO [In:] UMA TRISTE MANEIRA DE ENTRARMOS PARA O ''PRIMEIRO'' MUNDO
COLUMBINE À BRASILEIRA
| UM ATO DE COVARDIA E UM PAÍS PERPLEXO |
Autor(es): Paula Sarapu, Diogo Martins e Rafael Alves |
| Correio Braziliense - 08/04/2011 |
Eram 8h quando Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, chegou a uma escola municipal em Realengo, subúrbio do Rio, dizendo que ia fazer uma palestra e deu início a uma tragédia sem precedentes no Brasil. Armado com dois revólveres, o ex-aluno começou a disparar. Matou 12 estudantes - 10 meninas e dois garotos, todos com idade entre 12 e 15 anos - e deixou pelo menos 12 feridos. Só parou depois que foi atingido no abdome por um policial e, em seguida, atirou na própria cabeça. O caso lembra o massacre de Columbine, ocorrido em abril de 1999 no interior do Colorado, nos Estados Unidos, no qual dois jovens invadiram escola secundária, mataram 13 pessoas e depois cometeram suicídio.
Atirador invade escola na Zona Oeste do Rio de Janeiro, dispara contra estudantes inocentes, mata 12 crianças e deixa outras 12 feridas Na cidade que tenta se desvencilhar do estigma de violenta, no país em que a brutal criminalidade causa cada vez menos espanto entre os moradores, um ato cruel e covarde conseguiu surpreender e deixar milhões de pessoas com uma pergunta simples e ao mesmo tempo de difícil resposta: Por quê? Na manhã de ontem, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, um jovem introvertido, calado, tímido e incapaz de manter relações sociais, segundo descrições de parentes e ex-companheiros de trabalho, entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, local onde havia estudado, e, usando dois revólveres calibres .32 e .38, disparou contra crianças e adolescentes, matando 12 alunos e ferindo outros 12, todos com idade entre 12 e 15 anos. |
segunda-feira, junho 15, 2009
PROTOCOLO DE KYOTO: ''COFF, COFF" ? *
| Emergentes se unem em acordo climático |
Autor(es): Daniela Chiaretti, de Bonn |
| Valor Econômico - 15/06/2009 |
Nos últimos minutos da reunião preparatória de Bonn, o Brasil liderou uma manobra tática para impedir que o Protocolo de Kyoto morra depois de 2012. Junto com outras 37 nações apresentou uma proposta de redução de 40% nas emissões dos gases-estufa dos países ricos entre 2013 e 2020, quando expira a vigência de Kyoto. A intromissão no terreno do vizinho foi uma estratégia dos países em desenvolvimento para avançar as negociações climáticas. Até aquele momento, os industrializados não haviam apresentado nenhuma meta de corte dos gases de efeito-estufa para o intervalo 2013- 2020. O risco era perder o prazo de 17 de junho, data estabelecida pela ONU para que estejam na mesa todas as propostas que se quer discutir na conferência de Copenhague, daqui a seis meses. Na sexta-feira, a Rússia havia vetado qualquer nova meta dos países industrializados. Os ricos, que são os grandes poluidores do passado, querem um novo acordo em Copenhague, com a inclusão de novos atores na lista de cortes e abandonar Kyoto. O bloco dos países em desenvolvimento, onde estão as economias emergentes e grandes poluidoras do presente, não querem. China, Brasil, Índia e África do Sul concordam que a trajetória de crescimento de suas emissões seja contida, mas sem metas internacionais obrigatórias. "Não houve acordo nas metas dos países desenvolvidos e isso estrangularia o futuro do Protocolo de Kyoto", disse o ministro Luiz Figueiredo Machado, líder dos negociadores brasileiros e que leu no plenário a proposta de metas assinada em conjunto por emergentes e outros 33 países. "Se você quer um acordo razoável, ambicioso e realista em Copenhague, não tem que mudar as regras do jogo agora" dizia o embaixador Sergio Serra, porta-voz para a mudança do clima do Itamaraty. "O que negociamos em Báli não foi isso." "Manter o protocolo de Kyoto vivo é uma prioridade, mas é fácil para os países em desenvolvimento só olharem as reduções dos outros", analisava João Talocchi, coordenador da campanha do clima do Greenpeace-Brasil. "Estamos contentes que os países em desenvolvimento voltaram a mostrar liderança", animava-se uma ativista chinesa do WWF. Os representantes dos ricos não fizeram nenhum comentário sobre a iniciativa. Há uma confusão de números neste momento no debate do clima. A recomendação do IPCC, o braço científico da ONU, é que os cortes de emissões em 2020 fiquem entre 25% e 40%, em relação aos volumes de 1990, para que a temperatura do planeta aumente no máximo 2°C no fim do século. A UE fala em 20% a 30% desde que outros façam o mesmo e considera 1990 como ano-base. Os EUA trabalham com menos 17% em 2020, mas tem 2005 como ponto de referência. Segundo a ONU, as promessas de cortes até agora variam de 16% a 26% em relação a 1990, o que é considerado insuficiente. Na conta das ONGs estes números estão errados e representam entre 6% e 13% na melhor das hipóteses. "É preciso ter clareza nas metas", repetia como um mantra o holandês Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima. No meio do encontro de Bonn os negociadores souberam que estava havendo uma reunião bilateral sobre mudança climática entre China e EUA, na China. Os dois países respondem por 40% das emissões de gases-estufa do mundo. "Para os EUA, o acordo do clima parece ser um acordo EUA-China", dizia Mark Lutes, conselheiro do WWF no Canadá. O que discutiram ninguém soube. Mas, ao voltar a Bonn, o chefe dos negociadores dos EUA, Jonathan Pershing, deixou algum otimismo no ar ao fazer uma referência ao slogan da campanha de Obama, o "Yes, we can": "Nós podemos e nós estamos buscando chegar a um acordo abrangente em Copenhague." A jornalista viajou a convite da CoP-15, a conferência de Copenhague |
(*) Onomatopeia para "tosse" e afins.
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quinta-feira, abril 02, 2009
CRISE MUNDIAL & G-20: "CRASH" OU "CASH" ???
| G-20 INJETA US$ 1 TRI NO MERCADO |
Autor(es): Ricardo Rego Monteiro |
| Jornal do Brasil - 02/04/2009 |
O G-20, grupo que reúne as principais potências e países emergentes, deve anunciar hoje a criação de um megafundo de US$ 1 trilhão para socorrer a economia mundial. Do total previsto, US$ 200 bilhões (20%) serão destinados ao destravamento do comércio internacional, por meio de financiamentos para exportações e importações. Antecipada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, a medida surpreendeu positivamente especialistas do setor, que não esperavam resultados concretos do encontro de hoje. O ministro revelou que o Japão e a União Europeia (UE) devem emprestar US$ 100 bilhões, cada, para o fundo. A Noruega, por sua vez, deve destinar outros US$ 48 bilhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil também pode emprestar dinheiro para o fundo, desde que as reservas não sejam prejudicadas. A declaração do ministro foi dada ontem, durante a viagem de trem da comitiva presidencial de Paris (França) a Londres (Inglaterra), sob o Canal da Mancha. O novo pacote, se confirmado, representa mais uma injeção de recursos dos governos desde o agravamento da crise financeira internacional, em setembro do ano passado. Até o momento, já foram anunciados mais de US$ 15 trilhões pelos governos para socorrer e estimular a retomada da atividade econômica mundial. Surpresa O ex-embaixador Sebastião do Rego Barros manifestou surpresa com a informação divulgada pelo ministro Mantega. Ao se confessar cético quanto a resultados concretos no encontro de hoje, em Londres, Barros classificou como boa notícia a nova injeção trilionária de recursos, com uma fatia gorda para o comércio internacional. – Se essa informação se confirmar hoje, esse fundo será um avanço extraordinário para a economia mundial – exaltou Barros, com a experiência de negociador do governo brasileiro durante a crise do petróleo, em 1973. Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), o economista Marco Aurélio Cabral recebeu a notícia da mesma forma que o ex-embaixador, ao classificá-la de surpresa favorável. Para Cabral, a medida representaria importante avanço na coordenação da ajuda econômica internacional. Polêmica sobre coordenação Tanto Cabral quanto Barros advertem, porém, para as dificuldades criadas pelo impasse em torno do novo modelo de supervisão bancária, que também será discutido hoje. Os especialistas alertam que as diferenças entre americanos e europeus representam uma inflexão nas expectativas de mudança de atitude do governo dos Estados Unidos nos diversos foruns internacionais. Embora a eleição do presidente Barack Obama tenha ocorrido em meio a expectativas de transição para um multilateralismo, a defesa de um regime apenas nacional de supervisão dos mercados coloca os americanos novamente em rota de colisão com o restante do mundo. – Embora a eleição de Obama tenha representado uma mudança na direção de um multilateralismo do ponto de vista da política internacional, sob o aspecto econômico tem confirmado o unilateralismo do governo americano – avalia Rego Barros. – Na política externa tivemos boas novidades, como o movimento de aproximação com a Rússia e o Irã. Em linha com a análise de Rego Barros, Marco Aurélio Cabral vê o Brasil como peça importante na busca pelo que classifica de "multilateralismo negociado", ao lado das nações europeias, na reunião de hoje. No tabuleiro dos interesses econômicos, projeta Cabral, estarão colocadas a posição brasileira e europeia, em favor de um modelo de supervisão supranacional, o qual considera progressista, e outro, americano, o qual classifica de liberal-conservador, favorável a mudanças pontuais, com a reafirmação de um sistema de regulação nacional, como é hoje. – Essa posição americana, liberal-conservadora, se deve à composição da equipe econômica do Obama, com ex-representantes do governo de Bill Clinton – justifica Cabral. – Essa equipe foi artífice desse modelo, que teve seu auge no governo Clinton. |
segunda-feira, março 30, 2009
DISTRIBUIÇÃO DE RENDA [In:] ''BRASIL, MOSTRA A TUA CARA..."
| BRASIL PERDE A DIANTEIRA |
Autor(es): Bruno Rosa O Globo - 30/03/2009 |
Segundo economistas, a política de juros altos nos últimos anos, a forte desvalorização cambial e falta de uma política de comércio internacional próativa foram determinantes para o desempenho dos últimos anos. Segundo Gonçalves, os erros na política macroeconômica colocam o Brasil na lanterna do crescimento da renda per capita durante os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula. Por outro lado, ressalta Claudio Dedecca, do Instituto de Economia da Unicamp, as nações em desenvolvimento e da América Latina promoveram cortes de juros ao longo da última década, reduzindo os custos de investimentos e, assim, gerando emprego e renda. Com crise, queda de 1,1% este ano A situação fica mais crítica para o Brasil este ano. Gonçalves lembra que a previsão do Boletim Focus, do Banco Central (BC), é de crescimento zero no país em 2009. Com base no estudo de Gonçalves, a renda anual per capita deve cair 1,1%, para US$ 10.185. Em 2008, o ganho anual por habitante foi de US$ 10.298. Já nos países em desenvolvimento, o crescimento médio chegará a 2% este ano, elevando a renda per capita em 0,6%, para US$ 5.657. Na América Latina, com alta modesta de 1% da economia em 2009, haverá recuo de 0,6% na renda per capita, para US$ 10.665. Todos os valores são balizados pela Paridade do Poder de Compra (PPP), que permite comparar a mesma cesta de bens em todos os países, ressalta Gonçalves. — Nos países em desenvolvimento, persistem, como puxadores, China, Índia e economias mais dinâmicas, como a da Coreia do Sul. Na América Latina, nenhum país será puxador: a escola de samba latino-americana não desfilará em 2009. Brasil e México estão descarrilhando. Nos últimos anos, o Brasil ficou muito focado na Rodada de Doha, que foi um fracasso, e não fez como diversos países da região, que partiram para negociações bilaterais. E, assim, obtiveram mais avanços. Este ano, a desaceleração da grande maioria dos países da América Latina será menor que a do Brasil e do México — explica Gonçalves. Assim, em 1995, a renda do brasileiro equivalia a 2,57 vezes à do habitante dos países em desenvolvimento. Em 2008, essa diferença caiu para 1,83. Este ano, segundo projeções de Gonçalves, o número cairá para 1,8. Em relação à América Latina, a renda per capita brasileira, que correspondia a 1,02 vez à da região em 1995, passou a corresponder a apenas 0,96 ano passado. Em 2009, cairá para 0,95. O economista José Marcio Camargo, da PUC-Rio, lembra que os diferentes estágios de desenvolvimento das economias explica o fato de o Brasil estar perdendo a corrida para outras nações. O Brasil, por exemplo, que tem 80% de sua população nas grandes cidades, difere de países em desenvolvimento, como China e Índia, onde 60% das pessoas ainda vivem no campo. Com isso, a migração para os grandes centros urbanos eleva a renda per capita, pois esses trabalhadores têm aumento de ganhos e produtividade ao irem para as cidades. — Em relação à América Latina, países como Chile e Peru têm uma estrutura regulatória mais desenvolvida, como agências reguladoras e políticas de desenvolvimento, o que acaba atraindo mais investimentos, aumentando a renda per capita. Ainda faltam muitas reformas no Brasil, como a previdenciária, trabalhista e fiscal, apesar dos avanços nas últimas décadas — afirma Camargo. Dedecca, da Unicamp, diz que o crescimento do Brasil nos últimos cinco anos foi apenas um reflexo do avanço da economia internacional e, por isso, não houve melhora substancial no mercado de trabalho e na renda per capita. Luiz Fernando de Paula, da Uerj, ressalta que a média da expansão do país ficou abaixo dos quase 11% registrados pela China, dos 8,5% da Índia e dos 7,2% da Rússia. — O Brasil ainda cresceu menos que Chile, Peru e Colômbia. A questão é que o país seguiu com rigidez as metas de inflação. O Chile, por exemplo, foi mais flexível — afirma. Já Dedecca diz que o governo já começa a fazer a sua parte, com a criação de programas de transferência de renda e de pacotes de estímulo. Porém, faltam ações inovadoras dos trabalhadores e do setor produtivo, já que todas as ações refletem melhorias apenas de curto prazo. Entre os países que compõem os Brics, grupo formado, além do Brasil, por China, Rússia e Índia, economistas reforçam que a Rússia é que deve ter mais dificuldades em 2009 e 2010. — A Rússia tem um setor produtivo sem competitividade e um setor financeiro quebrado — diz Dedecca. Apesar do crescimento recente da economia e dos programas do governo de transferência de renda, o Brasil andou para trás nos últimos 13 anos. Entre 1995 e 2008, a renda per capita (ganho anual por habitante) do brasileiro avançou 59,41%, número menor que o crescimento de 68,50% dos países da América Latina e bem inferior ao aumento de 123,31% registrado pelas nações em desenvolvimento. A conclusão é de estudo preparado pelo economista Reinaldo Gonçalves, professor titular em economia internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a partir de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Este ano, com a piora do cenário internacional, o ganho individual no Brasil terá um dos maiores recuos. |
terça-feira, março 06, 2007
quinta-feira, março 01, 2007
BRASIL: PIB (PRODUTO INTERNO BRUTO)

O crescimento econômico do Brasil não chega nem à metade dos países em desenvolvimento como um todo. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,9% em 2006, divulgou nesta quarta-feira (28) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já a média do bloco em desenvolvimento é de 6,5%, segundo estimativa da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal). São dados de fontes diferentes, mas que se assemelham e permitem situar o andamento da economia brasileira num contexto internacional. O estudo da Cepal previu, por exemplo, que o Brasil cresceria 2,8%, ou seja, apenas 0,1 ponto percentual abaixo do cálculo do IBGE. O crescimento brasileiro equivale ao dos países desenvolvidos (2,9%, segundo a Cepal), que naturalmente crescem menos. Os ricos cresceram menos da metade dos países em desenvolvimento pelo sexto ano seguido. O Brasil está abaixo da estimativa mundial (3,8%), da América Latina e Caribe (5,3%), da África (5,6%) e da China (10,2%). Também perde para os Estados Unidos (3,3%) e tem ligeira vantagem sobre Japão (2,8%) e a zona do euro (2,5%).
