PENSAR "GRANDE":

***************************************************
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************


“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

----

''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

=========
# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
1Radio 1455824919 nhm...

valor ...ria...nine

folha gmail df1lkrha

***

Mostrando postagens com marcador ESTADO LAICO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ESTADO LAICO. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, março 28, 2013

... A SERVIR A DOIS SENHORES (II)

28/03/2013
Feliciano parte para o ataque

Em esforço para tentar consolidar o controle da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) mandou prender manifestante, proibiu protestos no colegiado e disse que "talvez, a boa mão de Deus" o levou à presidência do órgão. Em nova confusão, outro manifestante foi detido e um grupo tentou invadir o gabinete do parlamentar. Ontem, o PSC revidou a pressão petista para que Feliciano renuncie e acusou o PT de falso moralismo, pois mantém dois mensaleiros, condenados pelo STF, na Comissão de Constituição e Justiça

Em busca de autoridade

Feliciano manda prender manifestante e restringe acesso a comissão; PSC ataca petistas

Evandro Éboli
Jailton de Carvalho

Novo tumulto. Seguranças prendem Marcelo Oliveira, manifestante que acusou Marco Feliciano de racismo e tinha cartaz contra a permanência do deputado em comissão direitos humanos


BRASÍLIA 
Na tentativa de se manter no comando da Comissão dos Direitos Humanos, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) mandou prender manifestante, trocou de plenário e esvaziou a sala, proibindo protestos no colegiado. Ao encerrar a primeira reunião da comissão que conseguiu presidir de fato, Feliciano disse que está ali graças às mãos de Deus. Ontem o dia foi de nova confusão, e, pela primeira vez, integrantes dos movimentos LGBT tentaram invadir o gabinete de Feliciano, sendo contidos pelos seguranças.

O primeiro tumulto começou quando a comissão ouvia o deputado estadual paulista Fernando Capez (PSDB) sobre a situação dos torcedores corintianos presos na Bolívia. O manifestante Marcelo Regis Oliveira, de um grupo LGBT de Brasília, protestava e disse que Capez estava sentado ao lado de um deputado racista, em referência a Feliciano. Imediatamente, o presidente da comissão determinou a seguranças que o retirassem da sala.

- Segurança, aquele rapaz de barba. Me chamou de racista. Racista é crime pelo Código Penal. Ele vai ter que provar isso e vai sair preso daqui - disse Feliciano, dando início à confusão generalizada.

O deputado, então, decidiu mudar de plenário e vetou a presença de manifestantes na audiência pública que tratou da contaminação por chumbo de parte da população de Santo Amaro da Purificação (BA), problema que teve origem na década de 1960. Antes de trocar de plenário, Feliciano enfrentou os manifestantes:

- Vocês não respeitam os direitos humanos. Isso aqui não é a casa da baderna. Não aceito pressão. Podem gritar, podem espernear. Deus é bom.

Grupos favoráveis e contrários a Feliciano se aglomeravam na porta do plenário. Os evangélicos cantavam músicas religiosas, enquanto os manifestantes do movimento LGBT protestavam contra o deputado, separados por seguranças da Câmara. Antes de iniciar a sessão, Feliciano recebeu os cinco convidados para a audiência, alguns representantes de ministérios.

- Vivemos um momento ímpar da democracia. Os senhores puderam constatar o nível de democracia aplicado por um segmento (LGBT). Eles nem param para nos ouvir e impedem nossa entrada. Agradeço o esforço e coragem de virem até aqui - afirmou Feliciano.

O deputado Nilmário Miranda (PT-MG) pediu a palavra antes dos convidados:

- A solução é uma só: a saída do Feliciano. Não sei qual seu objetivo. Fui contra sua presença desde o primeiro dia, desde que seu nome despontou como possível presidente.

Líder do PSC diz que PT tem falso moralismo

Com o PSC e Feliciano irredutíveis, o clima esquentou entre parlamentares da legenda e do PT. Depois de ouvir críticas a Feliciano de dois deputados petistas no plenário, que condenaram a retirada do manifestante, o líder do PSC, André Moura (SE), em discurso, criticou o partido da presidente Dilma Rousseff por ter indicado dois condenados pelo mensalão - José Genoino (SP) e João Paulo Cunha (SP) - para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

- O que me chama mais a atenção são os deputados do PT que vêm aqui criticar a Comissão de Direitos Humanos. Já que são tão moralistas, por que não serem moralistas, por exemplo, com a Comissão de Constituição e Justiça? Por que não pegar um espelho e olhar para si mesmo e perguntar: por que o PT indica para a CCJ dois mensaleiros condenados pela mais alta Corte deste país, o STF? - indagou André Moura.

Com toda a polêmica, Marco Feliciano diz acreditar ter dado à comissão uma visibilidade inédita. No final da audiência pública, ele se disse emocionado com o relato sobre o drama da contaminação de pessoas por chumbo em Santo Amaro. E aproveitou para atacar seus críticos.

- O senhor (porta-voz das famílias contaminadas) representa pessoas que nessa comissão não tiveram vez e voz. Se vocês ficassem gritando pelos corredores e se impedissem alguma sessão de funcionar (uma alusão aos manifestantes que o criticam), teriam sido atendidos - disse Feliciano, que completou: - Até ontem essa comissão era desconhecida. Talvez tenha sido a boa mão de Deus que nos colocou aqui, para mostrarmos as boas coisas. Com tantos deputados presentes (quatro ao todo) me sinto realizado. Quebramos uma barreira e demos uma lição - disse Feliciano.-

Expulso da primeira reunião na comissão, um grupo de cerca de 50 manifestantes tentou, sem sucesso, invadir o gabinete do deputado Feliciano, em um dos prédios anexos da Câmara. Em meio aos protestos, o servidor público Alysson Prata, de 21 anos, foi detido e levado para uma sala da delegacia de polícia da Câmara. Prata, depois de prestar depoimento, fez exame de corpo de delito e disse que foi agredido por um segurança, que o teria agarrado pelo braço esquerdo enquanto negociava com o chefe da segurança para impedir a invasão do gabinete. 

O manifestante relatou que foi surpreendido pelos agentes. E um deles teria gritado:

- Prende esse veado - sustenta Prata.

A Polícia Legislativa informou que vai investigar a suposta calúnia contra Feliciano e apurar se houve abuso da segurança.

Na pressão pela renúncia, integrantes da ONG Avaaz, que faz campanhas virtuais, entregaram ontem à cúpula do PSC 455 mil assinaturas eletrônicas em apoio à petição que pede a saída de Feliciano da comissão. A Rede Fale, integrada por organizações evangélicas, entregou mais de 19 mil assinaturas virtuais e um documento assinado por 273 líderes evangélicos de todo Brasil com o mesmo pedido.
-------------

... A SERVIR A DOIS SENHORES (O Estado só é ''laico" quando há interesses escusos...)

28/03/2013
A assembleia de Deus

Apesar do caráter laico da Casa, deputados estaduais têm usado auditório da Assembleia Legislativa do Rio para a celebração de cultos e missas

Assembleia também de Deus

Cerimônias católicas e cultos evangélicos nas instalações da Alerj causam polêmica

Natanael Damasceno

Momento de fé. Grupo de funcionários e visitantes participa de um culto evangélico, no auditório da Assembleia Legislativa, comandado pela ex-deputada Edna Rodrigues

Casa do povo

Uma reunião movimentou o auditório Senador Nelson Carneiro, no sexto andar do prédio anexo da Assembleia Legislativa do Rio, ontem à tarde. 

Com cerca de um terço do espaço ocupado, o lugar foi palco de discussões sobre temas díspares, como o significado da Páscoa e o papel da mulher na sociedade. Os assuntos, precedidos da exibição de um filme sobre a celebração cristã, chamaram a atenção das 36 pessoas que participaram do evento com fervor. O grupo, no entanto, formado por funcionários do Parlamento, assessores de deputados e visitantes, não estava numa audiência pública. Tampouco estava de uma das reuniões das comissões da Casa. Todos participavam de um culto evangélico conduzido pela ex-deputada Edna Rodrigues e pelo pastor Joel Vilon da Costa. Prática antiga, os eventos religiosos no espaço legislativo têm incomodado parlamentares, que ressaltam a laicidade da instituição. E, seja nos bastidores da Casa ou nas ruas, alimentam uma polêmica: se o Legislativo é laico, esse tipo de manifestação é constitucional?

Procurador regional da República e professor de direito constitucional da Uerj, Daniel Sarmento afirma que essa prática, também adotada por um grupo católico ligado à deputada Miriam Rios (PDT), vai contra o que determina a Carta Magna:

- Uma coisa é você fazer um culto num local público, como um parque. Outra coisa é você fazer isso num local como o Parlamento, onde o espaço deveria ser usado para discussões de interesse público.

Atualmente organizados sob a responsabilidade da deputada Graça Pereira (PSD), os cultos evangélicos acontecem todas as quartas-feiras há pelo menos nove anos. Edna Rodrigues, pastora da Igreja Universal, que conduziu o encontro de ontem à tarde, conta que eles começaram a acontecer devido ao interesse de um grupo de parlamentares na oitava legislatura da Casa (entre 2003 e 2006).

- Fizemos um requerimento ao então presidente da Casa, Jorge Picciani, e não houve qualquer manifestação contrária - afirma.

Edna, que perdeu o mandato em 2006, explicou ainda que hoje cada reunião é patrocinada por um deputado da extensa bancada evangélica da Casa - segundo a Alerj, pelos menos dez dos 70 deputados estaduais professam a religião - e organizada pelo pastor Vilon da Costa, assessor parlamentar de Graça Pereira.

- Cada reunião tem um responsável, que nem sempre vem aqui. Alguns nem são evangélicos - explica a pastora Edna Rodrigues.

Ela, Vilon da Costa e Graça Pereira rebatem as acusações de que atrapalham a atividade parlamentar. Dizem que ocupam o espaço na hora do almoço e que não usam dinheiro da Assembleia para realizar os encontros. No entanto, os parlamentares contrários à prática afirmam que já tiveram dificuldade para agendar discussões de interesse público devido à extensa agenda dos eventos religiosos. De acordo com a mesa diretora, pelo menos dez encontros aconteceram no local nos últimos dois meses.

E, na semana que vem, haverá mais três: o culto dos evangélicos na quarta-feira, o encontro católico na quinta-feira e uma missa na terça-feira à tarde.

- Só comecei a organizar os encontros católicos depois que meus eleitores vieram a mim com o pedido. E não fiz isso sem consultar a mesa diretora e a Arquidiocese. A missa de terça-feira, por exemplo, deve ser celebrada pelo próprio Dom Orani (arcebispo do Rio) - argumenta Miriam Rios. - E nos últimos dois anos, apenas duas vezes cancelamos um encontro porque alguém precisou do espaço. A prioridade são os eventos da Casa.

Graça Pereira também se defende:

- As pessoas trabalham aqui e a gente percebe que, quando estão ansiosas, buscam conselhos. Por isso, sentimos a necessidade do espaço, semelhante ao que existe em instituições como a Polícia Militar e o Tribunal de Justiça.

O procurador Daniel Sarmento, porém, lembra que a Casa representa um dos poderes do Estado. Presidente da Alerj, o deputado Paulo Melo disse, por meio de sua assessoria, que o auditório não é um espaço da Casa usado só para eventos religiosos e que eles acontecem apenas quando não atrapalham a agenda política.
-----------------

quarta-feira, março 13, 2013

QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?

SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS

13 de março de 2013
O Globo

Manchete: Com medo do STF: Governadores acenam com acordo por royalties
Estados não produtores temem derrota no Supremo e reabrem negociações.

Ministros do STF vão dar prioridade a julgamento da questão. Para Campos, ‘é melhor garantir 80%'.

Para evitar derrota no STF, 16 governadores de estados não produtores de petróleo reabriram a discussão sobre a divisão dos royalties. O grupo, liderado por Eduardo Campos (PE), discutiu acordo que anteciparia R$ 4,5 bilhões de receitas futuras de royalties aos estados não produtores. Os royalties de campos licitados ficariam com os produtores e os do pré-sal seriam rateados entre todos os Estados. (Págs. 1 e 19)
Trono vazio no Vaticano: A primeira fumaça é negra
A primeira votação para eleger um novo Papa terminou ontem em fumaça negra — sem consenso para a escolha do sucessor de Bento XVI. A disputa para valer começa hoje, e estão previstos quatro escrutínios por dia. Antes de se fecharem na Capela Sistina, os 115 cardeais participaram de uma missa na Basílica de São Pedro e ouviram, do decano Angelo Sodano, um forte apelo por unidade. Mas enquanto o polêmico cardeal americano Roger Mahony se trancava na capela, a Arquidiocese que comandou em Los Angeles fazia acordo de US$ 10 milhões para pagar a quatro vítimas de pedofilia. (Págs. 1 e 26 a 30, Elio Gaspari e Helena Celestino)

Dom Odilo defende Banco do Vaticano

Apontado como um dos favoritos, Dom Odilo Scherer defendeu o banco citado em dossiê, segundo o diário italiano "La Repubblica” no último encontro dos cardeais. Pesam sobre o banco, gerido pela Cúria Romana, denúncias de lavagem de dinheiro. Para interlocutores do brasileiro, há uma campanha para reduzir as suas chances no conclave. (Págs. 1 e 27)

Comissão da Verdade: Brasil pede explicações à Argentina
A Comissão da Verdade enviará ao governo argentino pedido de informações sobre o desaparecimento de 15 brasileiros naquele país, durante a Operação Condor.
O último presidente argentino na ditadura militar, Reynaldo Bignone, foi condenado à prisão perpétua. (Págs. 1 e 3)

Após três meses: Orçamento de 2013 é aprovado
Com quase três meses de atraso, o governo aprovou ontem, com voto favorável de 53 senadores, o Orçamento Geral da União. A oposição, no entanto, tentará anular a votação no STF. (Págs. 1 e 4)
Tensão nos campi: Greve expõe crise em universidades
Greve de professores expõe crise que atinge UniverCidade e Gama Filho, que têm 35 mil alunos. Mantenedores serão acusados de formação de quadrilha em relatório de CPI na Alerj. (Págs. 1 e 10)
Arroubos eleitorais: Maduro se diz ‘filho’ de Chávez
Na primeira entrevista após a morte de Hugo Chávez, o presidente em exercício Nicolás Maduro, em campanha, disse ser como seu "filho". Para analistas, tais exageros podem beneficiar a oposição. (Págs. 1 e 31)
Liberdade de expressão - OEA: bolivarianos perdem debate
No Equador, a maioria dos 24 países signatários da Convenção de Direitos Humanos negou apoio às propostas radicais de grupo bolivariano para debilitar comissão da OEA. (Págs. 1 e 9)

Vale-Cultura: Marta recua e exclui TV paga (Págs. 1 e 9)

------------------------------------------------------------------------------------
O Estado de S. Paulo

Manchete: Governo dá prioridade a pacto federativo
Medida visa a conter agenda da oposição; PSDB apresentou dossiê em que critica gestão da Petrobrás

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, pediu a aliados a votação quatro propostas que, segundo o governo, podem tornar o pacto federativo mais equilibrado: a emenda que muda a cobrança do ICMS no comércio eletrônico; o projeto que unifica as alíquotas do ICMS; a medida provisória que cria os fundos para compensar as mudanças com a alteração do ICMS e o projeto sobre o endividamento dos Estados. A ideia é esvaziar o discurso dos potenciais candidatos à Presidência Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB). A questão também será discutida hoje, entre governadores e os presidentes da Câmara e do Senado. Ontem, o PSDB anunciou o que chama de “guerra para salvar o País”. Apresentou uma espécie de dossiê da Petrobrás na gestão do PT, com motivos que teriam levado a empresa ao declínio, e promete fazer o mesmo para outras áreas. (Págs. 1 e Nacional A4 e A6)

Dilma promete até cabra

Na segunda visita ao Nordeste em menos de 8 dias, a presidente Dilma Rousseff prometeu cabras para agricultores que sofreram com a seca. (Págs. 1 e A4)
Cesta básica leva mercado a reduzir previsão de inflação
Quatro dias após o governo ter anunciado desoneração de oito itens da cesta básica, consultorias privadas cortaram ontem em até 0,30 ponto porcentual a previsão de inflação para 2013 e calculam o índice em torno de 5,5%. Com isso, a possibilidade de novo reajuste no preço da gasolina para o segundo semestre também ganhou força. O governo espera queda de 0,60 ponto na inflação de 2013 com a redução e impostos. (Págs. 1 e Economia B1)
Arcebispos de Milão e de SP tiveram mais votos, diz jornal
Segundo o jornal La Repubblica, os cardeais mais votados ontem no conclave foram o arcebispo de Milão, Angelo Scola, seguido por d. Odilo Scherer e pelo arcebispo de Budapeste, Peter Erdo. Hoje haverá quatro votações. Na segunda-feira, o secretário de Estado, Tarcisio Bertone, trocou acusações com o brasileiro d. João Braz de Aviz. (Págs. 1 e Vida A12 a A16)

Fotolegenda: Ainda não

Cardeais votam na Capela Sistina; fumaça negra mostra que o papa não foi eleito.

Análises

Gilles Lapouge
Império do segredo

No Vaticano, cardeais elegem o novo papa. Em Pequim, deputados designam o novo presidente e o primeiro-ministro, já escolhidos. Parece arbitrário unir os eventos, mas há parâmetros comuns. (Págs. 1 e A16)

Entrevista

Jean-Robert Armogathe,
padre e filósofo

Para ele, os principais desafios do novo papa serão a reforma da Cúria de Roma, a mudança do governo da Igreja, a nova evangelização na Europa e conflitos culturais. (Págs. 1 e A15)
Fotolegenda: Sob pressão, Feliciano fica
O pastor Marco Feliciano (PSC-SP) ficará à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, mas mudou pauta para abafar protestos. (Págs. 1 e Nacional A7)
Capriles diz ter sido ameaçado
Segundo apoiadores, o candidato da oposição na Venezuela, Henrique Capriles, desistiu de registrar candidatura pessoalmente por ter sido ameaçado de morte. (Págs. 1 e Internacional A9)
Ações da petroleira OGX têm forte queda (Págs. 1 e Internacional B11)

SP propõe troca da Controlar por oficina
Projeto de lei enviado à Câmara pela Prefeitura de SP propõe o credenciamento de até 450 oficinas mecânicas da cidade para realização da inspeção veicular no lugar da Controlar. (Págs. 1 e Cidades C1)
Dora Kramer 
Faca no pescoço

Se a ideia de Sérgio Cabral é pôr a faca no pescoço do STF na questão dos royalties, não é o caminho mais eficaz porquanto seja o mais desrespeitoso. (Págs. 1 e Nacional A6)
Celso Ming 
Balde furado

A suspensão de projeto da Vale na Argentina dá ideia do tamanho do risco para investidores em que desemboca o governo de Cristina Kirchner. (Págs. 1 e Economia B2)
Roberto Damatta 
Uma avalanche de eventos

Não julguei Michel Temer como poeta, mas testemunhei pela leitura do seu livro a angústia contida na poesia rascunhada em papel de guardanapo. (Págs. 1, Caderno 2 E D6)
Notas & Informações
O balaio da enganação

A desoneração da cesta básica foi ressuscitada pelo governo como bandeira eleitoral
. (Págs. 1 e A3)
------------------------------------------------------------------------------------
Correio Braziliense

Manchete: O futuro por trás da fumaça
O eleito para suceder Bento XVI terá de ser conciliador e ao mesmo tempo enérgico para enfrentar a dura missão de resgatar a Igreja Católica de uma profunda crise, mergulhada em escândalos de corrupção e denúncias de abuso sexual. Uma pequena mostra disso foi a discussão travada entre o cardeal emérito de Brasília, dom João Braz de Aviz, e o camerlengo (que administra a Santa Sé desde a renúncia do papa), o italiano Tarcisio Bertone. O brasileiro teria arrancado aplausos dos colegas ao fazer duras críticas à Cúria Romana e ao cobrar transparência no banco do Vaticano. Nada disso, porém - conta o enviado especial do Correio ao Vaticano, Diego Amorim —, foi capaz de abalar a fé dos milhares de católicos reunidos na Praça de São Pedro à espera do anúncio do próximo pontífice. (Págs. 1 e 18 a 20)

Violência nas ruas
O DF teve oito assassinatos em apenas 21 horas. No total, foram 16 mortes em quatro dias, o dobro da média registrada na cidade. (Págs. 1 e 28)
Cerco total a Feliciano
Deputados pedem que o STF anule a eleição do parlamentar do PSC-SP para a presidência da Comissão de Direitos Humanos. (Págs. 1 e 2)

Baixaria na Venezuela
Candidatos a presidente, o chavista Maduro e o oposicionista Capriles trocam acusações e já há ataques até a opção sexual. (Págs. 1 e 21)
------------------------------------------------------------------------------------
Valor Econômico

Manchete: Química e petroquímica têm US$ 8 bi em projetos parados
Com a paralisação de projetos importantes, a indústria química e petroquímica vive um momento difícil. Os custos de produção elevados têm forçado empresas a se desfazer de ativos, fechar unidades produtoras e adiar investimentos. O principal projeto no país - o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) - foi empurrado para 2014. Para piorar o cenário, tradicionais empresas químicas, como a Unigel, paralisaram unidades. Um levantamento feito pelo Valor mostra que US$ 8 bilhões em projetos estão engavetados.

O maior problema do setor são os custos da matéria-prima: gás natural e nafta. Segundo Fernando Figueiredo, presidente da Associação Brasileira da Indústria Química, os custos de produção no país são, em média, 25% mais altos que na Ásia e nos Estados Unidos. Por isso, a balança comercial do setor apresentou déficit de US$ 28,1 bilhões no ano passado, valor que deve subir para US$ 30 bilhões em 2013. “O setor sofre concorrência desleal”, diz Figueiredo. (Págs. 1 e B6)
Planos da Vale para potássio são reduzidos
A Vale planeja colocar à venda a concessão de potássio na província de Mendoza, na Argentina, empreendimento âncora da Vale Fertilizantes para o segmento, com potencial para produzir 4,3 milhões de toneladas anuais. O projeto Rio Colorado foi suspenso em razão dos altos custos do investimento, que saltaram de US$ 5,9 bilhões para quase US$ 11 bilhões.

Em entrevista a veículos locais, o governador de Mendoza, Francisco Pérez, afirmou que o projeto vai prosseguir “com ou sem a Vale”, o que sinalizaria para a revogação da concessão, equivalente a uma expropriação. (Págs. 1 e B16)
Ociosidade na indústria é a menor em 5 anos
Após dois anos ruins, novos dados indicam que a indústria segue em trajetória de recuperação. Segundo a CNI, em janeiro o setor operou, em média, com 84% da capacidade, a taxa mais alta desde fevereiro de 2008.

Para o diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, Octavio de Barros, os indicadores apontam para um primeiro trimestre forte, mas ainda marcado por alta volatilidade mensal. Segundo o economista, a produção cresceu bastante em janeiro e uma parte relevante disso “deve ter sido devolvida em fevereiro”. (Págs. 1 e A3)
Angra 3 vai usar urânio importado
A usina de Angra 3, símbolo da retomada do programa nuclear brasileiro, será abastecida com urânio importado. A meta do governo de garantir oferta suficiente para atender a demanda do país não será alcançada em razão do atraso nos investimentos na cadeia de produção do combustível. A produção de urânio é responsabilidade da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB).

O país tem uma das maiores reservas de urânio do mundo, mas segundo especialistas ouvidos pelo Valor, um dos principais motivos para o atraso é que a INB, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, tem recursos muito limitados. (Págs. 1 e A16)
Soja quebra com forte seca no Piauí
A produção de grãos do sul do Piauí deve sofrer uma quebra severa nesta safra 2012/13 por causa da pior estiagem em uma década. Segundo produtores, as chuvas praticamente cessaram desde o fim de janeiro. As regiões de Bom Jesus, Palmeira do Piauí e Serra do Quilombo foram particularmente afetadas, com quilômetros de lavouras destruídas pela seca.

Adilson Rogério Biesek, gerente da Fazenda Vista Verde, do grupo Insolo, conta que cerca de 3 mil hectares de área plantada sequer serão colhidos. Diante do resultado ruim, o grupo resolveu congelar os investimentos. Para Wilson Sturmer, da Fazenda Boaventura, a seca pode ter abreviado o sonho de se estabelecer na região como produtor rural. Ele de-embolsou quase R$ 4 milhões na compra de uma fazenda e no plantio de sua primeira safra. “Se o banco e o antigo proprietário da terra não aceitarem renegociar a dívida, eu quebro”, afirma. (Págs. 1 e B16)
Arapongas aposta em móvel mais caro
Polo moveleiro de Arapongas (PR), antes focados em produtos populares, quer atrair o consumidor de maior poder aquisitivo. Com cerca de 840 empresas na região, o setor faturou R$ l,4 bilhão em 2012. (Págs. 1 e B5)

Roullies compra 50% da Magnesium
O grupo francês Roullier, controlador da fabricante de fertilizantes e produtos de nutrição animal Timac Agro, comprou 50% da mineradora Magnesium do Brasil, de Jucás (CE), que produz magnésia cáustica. O valor do negócio não foi divulgado. (Págs. 1 e B6)
Suzano engaveta projetos
A Suzano Papel e Celulose suspendeu os projetos da Suzano Energia Renovável e da fábrica de celulose no Piauí, que somariam US$ 4 bilhões. O foco agora são a nova fábrica de Imperatriz (MA), redução do endividamento e melhora dos resultados, diz Walter Schalka. (Págs. 1 e B7)
Raízen investe em etanol celulósico
A Raízen, maior produtora de etanol e açúcar do país, pretende implantar neste ano sua primeira usina de etanol celulósico no Brasil, em Piracicaba (SP), com investimento de R$ 200 milhões. (Págs. 1 e B15)

Fidcs perdem espaço
Muito utilizados pelos bancos médios como instrumento de captação de recursos até dois anos atrás, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios estão perdendo espaço para outras alternativas de funding de longo prazo. (Págs. 1 e Cl)
UBS planeja aquisição no Brasil
Desde que retomou a gestão de fortunas no Brasil, em 2011, o banco suíço UBS — um dos líderes mundiais nesse segmento — busca ganhar escala no país e, agora, inclui em seus planos a compra de um “private bank” local. (Págs. 1 e C12)

Previdência privada sob pressão
Pesquisa das consultorias NetQuant e Towers Watson mostra que fundos abertos de previdência privada sem renda variável ficaram no vermelho em fevereiro, devido à mudança de expectativas para a Selic — mas ganhos em 12 meses ainda são altos. (Págs. 1 e Dl e D2)

Ideias
Cristiano Romero
Comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária envelheceu em menos de dois dias. (Págs. 1 e A2)

Martin Wolf
O colapso da produção no Reino Unido foi responsável pela explosão nos déficits e no endividamento. (Págs. 1 e A15)

Com reestruturação, Casino quer dar mais agilidade ao Pão de Açúcar (Págs. 1 e BI)

Favorito na corrida papal, cardeal Scola é expoente de movimento laico católico (Págs. 1 e A12)

------------------------------------------------------------------------------------

quarta-feira, novembro 14, 2012

''PAI, PERDOA-LHES, PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM'' *


13/11/2012
 às 6:05

Um procurador que, quando está desocupado, decide perseguir… Deus!


Volte e meia, tudo indica, o procurador Jefferson Aparecido Dias, do Ministério Público Federal, fica com síndrome de abstinência dos holofotes e decide, então, inventar uma causa para virar notícia. 
Aprendeu, com a experiência, que dar uns cascudos em Deus — nada menos — ou na fé de mais de 90% dos brasileiros, que são cristãos, rende-lhe bons dividendos. 
Eventualmente ele pode juntar o combate à religião a alguma outra causa politicamente correta (já chego lá), e aí tem barulho garantido. E, por óbvio, granjeia o apoio de amplos setores da imprensa, que podem até admirar o lulo-petismo, mas acham que religião é mesmo um atraso… Acham legítima a fé num demiurgo mixuruca, mas não em Deus. Entendo. É uma questão de padrão intelectual.
A mais nova e essencial decisão deste senhor, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, de São Paulo, foi entrar com uma ação civil pública para retirar das notas do real a expressão “Deus seja louvado”. 

É o mesmo rapaz que de mobilizou para caçar e cassar todos os crucifixos de prédios públicos, lembram-se? Também foi ele que tentou, sem sucesso, levar o pastor Silas Malafaia às barras dos tribunais quando este protestou contra o uso de santos católicos em situações homoeróticas numa parada gay. 

Referindo-se a ações na Justiça, o pastor afirmou que a Igreja Católica deveria “baixar o porrete” e “entrar de pau” nos organizadores do evento. O contexto deixava claríssimo que se referia a ações na Justiça. O procurador, no entanto, decidiu acusar o religioso de incitamento à violência. Era tal o ridículo da assertiva que a ação foi simplesmente extinta. Eis Jefferson Aparecido Dias! Eu o imagino levando os recortes de jornal para as tias: “Este sou eu…”
Jefferson é um homem destemido. Não tem receio de demonstrar a sua brutal e profunda ignorância. É do tipo que diz bobagens de peito aberto. Depois de gastardinheiro dos contribuintes com a questão do crucifixo e com a tentativa de ação contra Malafaia, ele agora se volta para as notas do real. E justifica a sua ação com esta boçalidade intelectual:
“A manutenção da expressão ‘Deus seja louvado’ [...] configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro (…). Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxóssi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus”.
Como se nota, trata-se de uma ignorância cultivada com esmero, com dedicação, com afeto até. Jefferson é do tipo que ama as tolices que diz, o que é demonstrado pelo recurso da enumeração. Trata-se, assim, para ficar no clima destes dias, de uma espécie de continuidade delitiva do argumento.
Vamos ver.
O procurador é o tipo de temperamento que gosta de propor remédios para males que não existem, o que é próprio de certas mentalidades autoritárias. Em que a expressão “Deus seja louvado” impede “a coexistência em condições igualitárias” de todas as religiões? Cadê os confrontos? Onde estão os enfrentamentos? Apontem-me as situações em que as demais religiões, em razão dessa expressão, passaram por um processo de intimidação. Em tempo: Alá é Deus, doutor! Vá estudar!
Não sei que idade tem este senhor, mas sei, com certeza, que ele se formou na era em que o “princípio da igualdade” tem de se sobrepor a qualquer outro, mesmo ao princípio da realidade e da verdade. Ora, “Deus” — sim, o cristão! — tem, para as esmagadora maioria dos brasileiros, uma importância cultural, moral, ética e religiosa que aqueles outros símbolos religiosos não têm. Todos os brasileiros são iguais no direito de expressar a sua fé — e isso está assegurado pelo Inciso VI do Artigo 5º da Constituição, a saber:
“VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”
Ocorre, doutor Jefferson, que a mesma Constituição que garante essa liberdade — e que assegura a liberdade de expressão, aquela que o senhor tentou cassar do pastor Malafaia — também tem o seguinte preâmbulo:

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”
Como é que o doutor Jefferson tem o topete de evocar uma Constituição promulgada “sob a proteção de Deus” para banir das notas do real a expressão “Deus seja louvado”, sustentando que ela “impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões”? Doutor Jefferson é macho o bastante (em sentido figurado, claro, como o emprega o povo) para dar início a um movimento para cassar Deus da Constituição? Ou, acovardado, ele se limita a perseguir crucifixos em repartições públicas e a expressão genérica da fé em cédulas de dinheiro?
A Constituição que tem “Deus” em seu preâmbulo persegue ou protege os crentes em Oxóssi?
A Constituição que tem “Deus” em seu preâmbulo persegue ou protege os crentes em Lord Ganesha?
A Constituição que tem “Deus” em seu preâmbulo persegue ou protege os ateus?
O nome disso é intolerância. Esse mesmo procurador já tentou processar um outro pastor evangélicos que atacou o ateísmo — ainda que o tenha feito em termos impróprios. Já me ocupei de doutor Jefferson neste blog algumas vezes no passado. Quase invariavelmente, ele comparece ao noticiário tratando de questões dessa natureza, o que, fica evidente, caracteriza uma militância. O que me pergunto é se este senhor, ele sim!, por ser eventualmente ateu (e é um direito seu), não tenta usar uma posição de autoridade que conquistou no estado brasileiro para impor a sua convicção.
Maiorias, minorais e respeito
Nas democracias, prevalece a vontade da maioria na escolha dos mandatários e, frequentemente, no conteúdo das leis. Elas também se fazem presentes nos costumes e nos valores. Mas o regime só será democrático se os direitos das minorias forem garantidos. Haver na cédula do real a expressão “Deus seja louvado” significa, sim, que este é um país em que a esmagadora maioria acredita em Deus, mas não caracteriza, de modo nenhum, supressão dos direitos daqueles que não acreditam em Deus nenhum, que acreditam em vários deuses ou que simplesmente acham a religião uma perda de tempo. Em sociedade, a afirmação positiva de um valor não implica, necessariamente, a cassação da expressão de quem pensa de modo diferente.
Ora, seria mesmo um despropósito, meu senhor, que houvesse, no Brasil, com a história e com o povo que tem, algo como “Lord Ganescha seja louvado” ou “Oxóssi seja louvado” pela simples e óbvia razão de que essas, quando considerada a sociedade brasileira no seu conjunto, são crenças de exceção, que traduzem escolhas e convicções da minoria do povo. O Brasil é uma nação de maioria cristã, o que o doutor não conseguirá mudar. O que se exige é que essa nação resguarde os direitos de quem quer cultuar outras divindades e deuses ou deus nenhum. E isso está garantido pela Constituição Brasileira, promulgada “sob a proteção de Deus”.
Finalmente, o argumento de que o estado é laico — e, felizmente, é mesmo! — não deve servir de pretexto para que se persigam as religiões. Um estado laico não significa um estado ateu, que estivesse empenhado em combater as religiões. A sua laicidade é afirmativa, não negativa; ela assegura a livre expressão da religiosidade, em vez de reprimir a todos igualmente. Entendeu a diferença, doutor?
Sei que a questão parece menor, quase irrelevante. Mas não é, não! Essa é apenas uma das vezes em que supostos iluministas, falando em nome da razão, tentam impor uma espécie de censura da neutralidade ao conjunto da sociedade. Pretendem que escolhas com viés ideológico sejam apenas as alheias, a de seus adversários. Promovem permanentemente uma espécie de guerra cultural contra os valores da maioria para poder acusá-la de autoritária.
Como sabemos, a cada vez que os ingleses cantam “God save our gracious Queen” e se ouve o eco lá naquele “novo continente” — “And this be our motto: ‘In God is our trust’” —, o que se tem é a voz da ditadura cristã dominando o mundo, não é mesmo?
Deveria haver um limite para o ridículo, mas não há! Parece que o que falta ao procurador é serviço!
Texto publicado originalmente às 5h09
Por Reinaldo Azevedo


12/11/2012
 às 21:57

Igreja questiona pedido para retirar “Deus seja louvado” das notas de real

Leiam o que segue abaixo. Na madrugada, volto ao tema.
O cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, questionou nesta segunda-feira (12) a ação do Ministério Público Federal que pede que as novas cédulas de real sejam produzidas sem a expressão “Deus seja louvado”. “Questiono por que se deveria tirar a referência a Deus nas notas de real. Qual seria o problema se as notas continuassem com essa alusão a Deus?”, afirmou, em nota.
“Para quem não crê em Deus, ter ou não ter essa referência não deveria fazer diferença. E, para quem crê em Deus, isso significa algo. E os que creem em Deus também pagam impostos e são a maior parte da população brasileira”, segue a nota. No pedido, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão diz que a existência da frase nas notas fere os princípios de laicidade do Estado e de liberdade religiosa.
A manutenção da expressão ‘Deus seja louvado’ [...] configura uma predileção pelas religiões adoradoras de Deus como divindade suprema, fato que, sem dúvida, impede a coexistência em condições igualitárias de todas as religiões cultuadas em solo brasileiro”, afirma trecho da ação, assinada pelo procurador Jefferson Aparecido Dias.
“Imaginemos a cédula de real com as seguintes expressões: ‘Alá seja louvado’, ‘Buda seja louvado’, ‘Salve Oxossi’, ‘Salve Lord Ganesha’, ‘Deus não existe’. Com certeza haveria agitação na sociedade brasileira em razão do constrangimento sofrido pelos cidadãos crentes em Deus”, segue o texto.
Banco Central, consultado pela Procuradoria, emitiu um parecer jurídico em que diz que, como na cédula não há referência a uma “religião específica”, é “perfeitamente lícito” que a nota mantenha a expressão. “O Estado, por não ser ateu, anticlerical ou antirreligioso, pode legitimamente fazer referência à existência de uma entidade superior, de uma divindade, desde que, assim agindo, não faça alusão a uma específica doutrina religiosa”, diz o parecer do BC.
O texto do BC cita ainda posicionamento do especialista Ives Gandra Martins, em que afirma que a ” Constituição foi promulgada, como consta do seu preâmbulo, ‘sob a proteção de Deus’, o que significa que o Estado que se organiza e estrutura mediante sua lei maior reconhece um fundamento metafísico anterior e superior ao direito positivo”.
(…)
Por Reinaldo Azevedo-VEJA.
---

(*) LUCAS, 23: 34.
----

domingo, setembro 19, 2010

A HORA DO ''ÂNGELUS'' [In:] O DIREITO À VIDA: A ESCOLHA ENTRE A URNA ELEITORAL e a URNA FUNERÁRIA

...

Eleições 2010 – Vida Limpa



Prof. Felipe Aquino *
at 9:30 pm on sexta-feira,
setembro 17, 2010



Apresentamos artigo do bispo auxiliar do Rio de Janeiro Dom Antonio Augusto Dias Duarte, sobre o tema da Vida nas Eleições 2010 no Brasil



O direito à vida é o primeiro dos direitos naturais, é um dos direitos supra-estatais (como ensinava o eminente jurista Pontes de Miranda – Comentários à Constituição de 1946, 3ª ed., Tomo IV, pg. 242-243: “não existem conforme os cria ou regula a lei; existem a despeito das leis que os pretendem modificar ou conceituar. Não resultam das leis, precedem-nas; não têm o conteúdo que elas lhes dão, recebem-no do direito das gentes”), porque diz respeito à própria natureza humana e daí o seu caráter inviolável, intemporal e universal (cf. Manoel Gonçalves Filho, Comentários à Constituição Brasileira de 1988, Saraiva 1990, vol. I, p. 23).

Direito originário, condicionante dos demais direitos da personalidade – direito fundamental absoluto – o direito à vida é um direito-matriz, explicitamente mencionado no artigo 5º da Constituição Brasileira de 1988 (“à inviolabilidade do direito à vida” é gratuito ‘petreamente’, isto é, qualquer ação contra a vida, toda medida que permite interrompê-la em seu desenvolvimento intra-uterino ou em qualquer fase da existência, seja qual for a justificação, é, inequivocamente, inconstitucional e anticonstitucional e, portanto, um ato de lesa-sociedade).

Convém considerar que desde a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, o caráter laical do Estado Brasileiro marcou profundamente a legislação do país, e nas Constituições de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988, tutelaram, e atualmente continua tutelando, os direitos humanos fundamentais: “à liberdade, à segurança individual e à propriedade” (Constituições de 1891, 1934, 1937), “à inviolabilidade dos direitos concernentes à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade” (Constituições de 1946, art. 141 e de 1967, art. 150), “à inviolabilidade do direito à vida” (Constituição de 1988, art. 5º).

Certamente esse Estado brasileiro laical, desvinculado logicamente da religião, mas respeitando todas as crenças existentes no Brasil, não se inspirou em princípios e em sentimentos religiosos ao redigir esses artigos que assegura constitucionalmente os direitos fundamentais dos seus cidadãos e certamente fundamentaram-se somente na dignidade da pessoa humana e não apenas na fé religiosa.

A ordem jurídica repetindo, – não só a religiosa – é quem socialmente exige o respeito e a proteção ao bem supremo da pessoa, que é a vida humana em todas as fases de suas manifestações. Reconhece assim que a vida humana jamais é uma concessão jurídico-estatal e, inclusive, o direito a ela transcende ao direito da pessoa sobre si mesma, mas é um direito natural anterior à constituição do Estado e da própria sociedade.

A pessoa humana não vive só para si, mas também, para a sociedade, e para o bem do Estado, já que ela não só é portadora de humanidade, mas é patrimônio da humanidade.

Nelson Hungria, conhecido e afamado jurista brasileiro, afirmava que quem pratica o aborto não opera ‘in materiam’, mas atua contra um ser humano na ante-sala da vida civil, o que acaba acarretando com esse ato homicida numa civilização da violência e da morte.

O titular da vida humana é unicamente a própria pessoa, que desde a sua concepção tem seus direitos garantidos (conforme o artigo 2º do Código Civil Brasileiro de 2002, o artigo 41 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e o preâmbulo da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança), e tem personalidade jurídica formal, desde seu momento inicial na fecundação, embora adquira só com o nascimento a sua personalidade jurídica material.

Ainda que não nascida tem capacidade de direito, não de exercício, devendo aos pais ou o curador zelar pelos interesses como são amparados pelo sistema jurídico brasileiro.

Não é válido portanto o argumento de que cabe à mulher o direito absoluto de dispor livremente da sua saúde reprodutiva, pois uma vez que há uma vida semelhante à sua no seu útero e em desenvolvimento, esse caráter absoluto deixa de existir. Uma vez que é mãe a sua saúde reprodutiva continuará sendo um direito associado a deveres constitucionais básicos: assistir socialmente ao filho (cf., art. 203), proporcionar-lhes alimento (cf., art. 5º, LVII), cuidar do filho se tem anomalias físicas ou psíquicas (cf, art. 227, § 1º, II). Inclusive se corre o risco de vida estando grávida ou se o filho resultou de um estupro, deve saber que a vida humana concebida é um bem jurídico maior e qualquer ação contra ela é um crime horrendo, ainda que não se aplique uma pena contra ele (caput do artigo 128, do Código Penal Brasileiro). A exclusão da culpabilidade não significa a exclusão da juridicidade, já que o aborto sempre é um crime contra a pessoa humana (conforme o Título I – “Dos crimes contra a Pessoa”, parte especial do Código Penal Brasileiro).

O crime do aborto existe sempre e mesmo que haja discussão acadêmicas, política-partidárias, legislativas e, até mesmo, haja um plebiscito com resultado a favor do aborto legal, não se irá tornar ético um ato profundamente anti-ético, anti-social e, sobretudo, anti-natural e sangrento.

Nesse período de campanha eleitoral quando se procura uma renovação dos quadros executivos e legislativos do país e dos estados brasileiros o tema do aborto e demais temas correlatos – eutanásia, anticoncepção abortiva, distanásia, segurança pública, atendimento hospitalar público – podem ficar escondidos, sob o manto midiático de manchetes chamativas a respeito das pesquisas de opinião pública ou do crescimento econômico-social promovido por governantes e partidos a eles ligados.

O povo brasileiro não pode continuar sendo ingênuo e continuar na atitude de omissão política. O exemplo que ele deu na campanha ficha limpa é demonstrativo do seu poder transformador da sociedade.

É necessário que os brasileiros tirem a venda dos olhos e enxerguem com nitidez nos olhos dos seus candidatos e vejam neles a intenção, sem eufemismos de palavras, de defender realmente a vida humana desde a sua concepção até o seu final natural, que eles e elas mostrem nos seus programas de governo e nos seus projetos legislativos a vontade política de promover a natureza e a finalidade social da família brasileira fundada sobre o casamento entre o homem e a mulher, e que respeitem de verdade a inteligência dos cidadãos, não enganando-os mais com palavras e slogans políticos vazios.

Votar conscientemente é um direito e não só um dever político! Enganar conscientemente e “marqueteiramente” os eleitores é um crime contra a nação! Governar e legislar a favor da Vida Limpa, sem manchas ou poças sanguinolentas, é a esperança dos milhões de eleitores que são a favor da vida do brasileiro!

-----

Dom Antonio Augusto Dias Duarte

Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

---

* http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/


quarta-feira, agosto 11, 2010

GOVERNO LULA/LULA [In:] OS TENTÁCULOS DE UM ESTADO ''LAICO''

...

O Grande Pai



Autor(es): Fábio Tofic Simantob
O Estado de S. Paulo - 11/08/2010

Em comemoração pelos 20 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - como se houvesse motivos para comemorar a data -, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou projeto de lei ao Congresso Nacional propondo a penalização dos castigos físicos dispensados a crianças e adolescentes. O projeto prevê pena de advertência, proteção à família e orientação psicológica para quem usa castigo corporal ou confere tratamento cruel ou degradante à criança ou ao adolescente.


É importante observar que, ao contrário do que a proposta sugere, nossa lei penal há décadas criminaliza o abuso dos meios corretivos e educacionais praticados contra pessoas sob a guarda ou vigilância do agressor (seja ele criança, adolescente, idoso ou incapaz por qualquer outro motivo). É o que prevê o artigo 136 (maus-tratos) do Código Penal, ao estabelecer que é crime apenado com detenção de 2 meses a 1 ano ou multa a conduta de "expor a perigo a vida ou a saúde de pessoas sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina".

Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave, a pena é de 2 a 4 anos e, se resulta morte, é de 4 a 12 anos, em todo caso aumentada em um terço se a vítima for menor de 14 anos.

Se, de um lado, o que permite a comprovação dos maus-tratos é a objetiva constatação das sevícias, a configuração ou não da palmada acabará sendo decidida ao alvitre do intérprete, no ilimitado terreno dos subjetivismos. Sim, pois fazendo um confronto lógico entre as duas figuras, a que existe há décadas no Código Penal (os maus-tratos) e a que consta da proposta do governo de reforma do ECA, a conclusão é de que esta última servirá como figura subsidiária da outra. Ou seja, quando o fato não for grave o suficiente para configurar maus-tratos, será enquadrado na figura mais branda do ECA. É a punição da famosa palmada no bumbum.

Isso quer dizer que os problemas graves de violência doméstica contra a criança continuarão a ocorrer, e quanto a isso não se apresentou nenhuma proposta. Mesmo porque esse, como vários outros, não é um problema que se resolve no fácil terreno da canetada legislativa, mas no árduo e espinhoso alpendre da política pública.

Ao querer ensinar como se educa, o governo prova não conhecer outro meio senão aquele mesmo que ele visa a coibir: o do castigo. Isso não é de estranhar, basta dar uma espiada na forma como o próprio Estado educa as crianças e os adolescentes que vivem sob sua tutela nas casas correcionais (entre as quais a Febem é de triste memória e a Fundação Casa não chega a ser um louvável exemplo presente), ou pior até, aquelas que deveriam estar sob sua tutela, mas não estão. A regra, então, é a da lógica cartesiana. Como há um consenso de que não se deve castigar uma criança com corretivos físicos, a conclusão é uma só: quem assim procede deve ser punido. Nada mais aparentemente óbvio, nada mais equivocado.

Essa é a tática totalitária de resolver problemas pelo caminho do óbvio. Havendo consenso nacional sobre um mal a combater, ao chefe supremo cabe abreviar o caminho que leva ao aniquilamento imediato do problema. Tão simples quanto desastroso. Não é demais lembrar que práticas totalitárias não são privilégio de Estados tirânicos, a tirania só é uma forma não-democrática de escolher os métodos, o que não significa a escolha de métodos piores.

Arvorando-se em Grande Pai da Nação, como que monopolizando para si todo o amor do povo, nosso Leviatã chega ao ponto de querer ser amado ao custo da desintegração familiar. Consegue numa só tacada o amor do filho repreendido e o temor do pai equivocado, atingindo a perfeição maquiavélica (ser amado e temido ao mesmo tempo).

O que diferencia as práticas totalitárias das outras é a completa falta de sensibilidade das primeiras e sua incompreensão sobre a complexidade dos problemas do homem; não há naquelas a sábia percepção de que a política nunca será capaz de resolver todos os problemas da condição humana e que, às vezes, deixar um problema sem resposta é melhor do que dar-lhe uma política equivocada.

Pergunta-se: afinal, o que é mais humilhante ou degradante, a palmada no bumbum numa via pública ou a eterna lembrança de que, por causa disso, sua mãe foi levada a prestar contas à polícia?

Ainda que se argumente com a possibilidade de a própria criança ou o adolescente se ofender com o corretivo dos pais e, por causa disso, denunciá-los às autoridades, é certo que o abuso causado pela exposição da família a vexame é tão ou mais traumatizante do que qualquer tratamento mais rígido dispensado ao menor - desde que, repita-se, não venha a configurar a forma de agressão mais grave, já prevista há décadas como crime de maus-tratos no Código Penal.

De fato, a criança pode ser capaz de esquecer as palmadas de um dia para o outro, mas custará a se livrar do martírio que é ver seus pais respondendo pela acusação que ela mesma deflagrou. O Estado que queremos ainda é aquele do policial que pega um menor desses pelo braço e o devolve aos pais, aconselhando-o a ser uma criança mais obediente.

Como se vê, há também um contingente de perversidade na proposta governamental, que é o de fazer do Estado o Grande Pai, prática muito comum nas máfias e na criminalidade organizada. O Estado passa a usar um instrumento perigoso e fortemente sedutor numa criança de mente ainda bastante vulnerável - o da libertação parental, com a qual toda criança zangada um dia sonhou - para se imiscuir numa relação íntima e privada, e sair dela como o grande e falso herói. É o Estado querendo se apoderar das relações afetivas para se redimir da catastrófica forma como ele próprio vem tratando as nossas crianças.

quarta-feira, julho 11, 2007

SP/SAÚDE PÚBLICA [In:] CONTRACEPÇÃO

Começa distribuição de anticoncepcionais em terminais e metrôs.

O Governo do Estado de São Paulo começou a distribuir nesta quarta-feira (11) anticoncepcionais de graça nas estações de trem e de metrô, e nos terminais de ônibus. A ação faz parte do programa de Saúde da Mulher, lançado pela Secretaria de Estado da Saúde em março deste ano. Para retirar as pílulas, é preciso apresentar receita médica da rede pública, obtida em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), postos de saúde ou de Assistência Médica Ambulatorial (AMA). Segundo a coordenadora do Saúde da Mulher, Tânia Lago, a apresentação da receita é uma exigência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "O que nós pudemos fazer para facilitar foi não exigir uma nova receita para cada retirada. As receitas valem por um ano." É possível retirar pílulas suficientes para três meses de uma vez só. O medicamento é distribuído diariamente nas 20 Farmácias Dose Certa - que ficam nas estações e terminais -, das 8h às 17h, além de continuar disponível nas unidades de Saúde, onde já era fornecido pela prefeitura. As Farmácias Dose Certa são um auxílio do governo do Estado à distribuição de remédios na capital. As Farmácias Dose Certa estão localizadas em lugaresde fácil acesso, por onde circulam diariamente milhões de pessoas. Algumas estão internamente nas estações outras para fora da catraca. Pílulas do Dia Seguinte devem começar a ser distribuídas em agosto, segundo a Secretaria. Junto com elas, a mulher receberá um kit com 12 preservativos e um folheto explicativo, que orienta o uso da pílula só em casos de emergência. G1, SP.

sábado, maio 12, 2007

EDITORIAL: ESTADO LAICO ?

EDITORIAL – 12 de maio de 2007.

ESTADO LAICO OU ESTADO LACO-PACO?

Há algum tempo, pelos idos anos setenta, era comum dizer que o Brasil era constituído de dois Brasis e conhecido pela alcunha de BRASÍNDIA, a fusão de Brasil com Índia[1]. O primeiro representado pelos estados do Sudeste/Sul e o segundo pelos do Norte/Nordeste. O primeiro rico e o segundo pobre. A nosso ver, esse mesmo sentido pode ser mantido, contudo, a partir do conceito locacional e não mais regional, trazendo a localização de um dos Brasis para o paralelo 15º e denominando os dois países de BRASILHA[2]. Assim, ao CONTRÁRIO de Brasíndia, o primeiro seria constituído pelos 26 estados brasileiros e o segundo por Brasília. E, mais especificamente pelos políticos que, após eleitos, se distanciam dia-a-dia da “ciência política”. Esta introdução neste Editorial está baseada na indignação que nos assola a partir da votação “simbólica” na Câmara “dos” Deputados, na última quinta-feira (10), que reajustam em 28,5% os salários dos parlamentares, dos ministros, do Presidente da República e do Vice-presidente, aproveitando-se da chegada do Papa Bento XVI ao Brasil, para a qual toda a atenção da mídia e da população estava voltada. No bojo desta indignação e frustração, lembramos parte da letra de uma canção (Cálice), de Gilberto Gil[3] e Chico Buarque, bem apropriada para este momento: “... como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano”. Este Editorial quase se poderia findar por aqui.
.../
Nestes termos, uma vez que os representantes eleitos não tomam conhecimento do que ocorre além Brasilha, à medida que eles vivem numa “ilha de prosperidade”, é quase que desnecessário lembrar qualquer promessa ou programa de campanha seja para o pleito de 2002 seja para o de 2006, principalmente para a eleição do presidente do País, considerando que os Programas de Governo contavam com a anuência dos “partidos em coligação”, atualmente (re)nominados de “partidos de coalizão”. Não obstante, vejamos: Conforme constamos no editorial da semana passada, o Programa de Governo do PT apresentado à sociedade na campanha eleitoral de 2002, no capítulo intitulado Mais e Melhores Empregos, continha o compromisso de “dobrar o poder de compra do salário mínimo ao longo dos quatro anos de mandato”[4] como meta do novo governo, de maneira a gerar 10 milhões de empregos (p. 7). As justificativas da necessidade desses novos postos de trabalhos, entre outras, davam conta de que “(...) os trabalhadores de mais idade vivem a total insegurança. É cada vez mais difícil encontrar um novo trabalho após os 40 anos. (...) Para os que trabalham resta a insegurança. A perda de renda e a persistente ameaça de um dia voltar para casa com o constrangimento de demissão” (p. 1). Promessas! Para a campanha de 2006, no programa de Governo[5] para o segundo mandato do Presidente Lula (2007/2010), está escrito que “o nome do meu segundo mandato será desenvolvimento. Desenvolvimento com distribuição de renda” (p. 5). Para isso, “gerar mais e melhores empregos, por meio da expansão do investimento público e do estímulo ao investimento privado nos setores com maior potencial de criação de novos postos de trabalho e (...) definir uma política de recuperação do poder de compra do salário mínimo”, (p.20).
Ao assumir o governo em 2003, o presidente Lula corrigiu o salário mínimo de R$200,00 para R$240,00. Reportando-nos aos dados do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) observamos que o salário mínimo no mês de abril de 2003, deveria ser de R$1.557,55 para ser “capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo”. Ao final do seu primeiro mandato (em 2006) o salário mínimo era de R$350,00 e segundo o DIEESE (R$1.536,96). Agora, no seu segundo mandato (2007/2010), o salário mínimo foi corrigido em 8,6% elevando-o para R$380,00 em abril de 2007, cujo valor para o DIEESE deveria ser de R$1.672,56 o que corresponderia a 8,8% de correção.
Esse valor de R$380,00 em termos de “poder de compra do salário mínimo”, pelos cálculos do DIEESE, seria de R$284,16 em abril de 2003 e que equivale a 5,48 do salário necessário, calculado por esse mesmo Departamento. Tomando-se esse índice como referência, o “salário necessário” então deveria ser de R$1.918,00 em abril de 2007. Logo, mediante um reajuste de 24,8% e não de 8,8%.
.../
Nem mesmo assim, o salário mínimo do Governo ou do Dieese teria sido “o dobro” na gestão 2003/2006.
Esperaríamos por mais quatro anos? Ou mesmo como Estado Laico podemos esperar por milagres, agora que temos um santo brasileiro?
_________________________
[1] Obviamente que esta expressão não mais se aplica haja vista o PIB da Índia “vis a vis” o PIB do Brasil segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE (inclusive neste blogue), por ocasião da mudança da metodologia de cálculo do Instituto para essa mensuração.
[2] Nossa definição de Brasilha: "uma porção de políticos cercada de eleitores por todos os lados".
[3] Gilberto Passos Gil Moreira, “hoje”, Ministro da Cultura (2003/2006; 2007/2010).
[4] http://www.pt.org.br/site/assets/maisempregos.pdf
[5] http://www.pt.org.br/site/assets/plano_governo.pdf