A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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segunda-feira, março 08, 2010
PF/MENSALÃO/ARRUDA [In:] É UMA ''CASA'' MUITO ENGRAÇADA...
MENSALEIROS PODEM LIVRAR ARRUDA DE AÇÃO PENAL
| Envolvidos em campo | ||||||
Autor(es): Helena Mader e Ana Maria Campos | ||||||
| Correio Braziliense - 08/03/2010 | ||||||
Câmara Legislativa deve analisar amanhã o pedido do STJ para abertura de ação penal contra Arruda. Os seis distritais envolvidos na Caixa de Pandora vão participar da votação
Ao contrário do processo de impeachment, que passou facilmente pela Câmara Legislativa, o pedido de abertura de ação penal contra o governador afastado José Roberto Arruda promete dividir os distritais. O pedido de autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para processar Arruda por tentativa de suborno e falsidade ideológica está previsto para ser analisado em plenário amanhã. A grande diferença entre as duas votações é a presença dos deputados citados na Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. A decisão da Justiça que afastou os distritais suspeitos vale apenas para as atividades vinculadas ao processo de impeachment. Desta vez, os suplentes não poderão votar. A volta dos deputados envolvidos no escândalo político transforma a votação do pedido de abertura de ação penal em uma grande incógnita. Na avaliação de alguns deputados, esse clima de indefinição pode beneficiar José Roberto Arruda. Em 20 de janeiro, o juiz Vinícius Santos Silva, da 7ª Vara de Fazenda Pública, decidiu que os distritais citados no Inquérito nº 650 do STJ não poderiam se envolver em nenhuma etapa da tramitação dos pedidos de impeachment contra Arruda. Com isso, Aylton Gomes (PR), Benedito Domingos (PP), Benício Tavares (PMDB), Eurides Brito (PMDB), Júnior Brunelli (PSC), Leonardo Prudente (sem partido), Rogério Ulysses (sem partido), Roney Nemer (PMDB), além dos suplentes Berinaldo Pontes (PP) e Pedro do Ovo (PRP) ficaram impedidos de participar das votações nas comissões e no plenário. Brunelli e Prudente já renunciaram ao mandato. Mas a decisão da Justiça é bem específica. O juiz Vinícius Santos Silva destacou que não poderia afastar definitivamente os acusados porque a medida representaria a “cassação do mandato do parlamentar de forma transversa”. Assim, o magistrado destacou que sua decisão seria apenas “para afastamento pontual para o julgamento do impeachment”. Para o procurador-geral da Câmara Legislativa, Fernando Nazaré, não há dúvidas quanto à presença dos deputados citados no Inquérito n° 650 durante a votação de amanhã. “O pedido do STJ(1) não está relacionado ao processo de impeachment, então a decisão da 7ª Vara de Fazenda Pública não incidiria sobre a votação do pedido de abertura de processo”, explica o procurador. “Se a Câmara entender que isso daria mais transparência ao debate, pode convocar os suplentes. Mas tudo depende de uma decisão da mesa diretora. A rigor, a decisão (da 7ª Vara) não incide (sobre o pedido de abertura de processo)”, acrescenta Fernando Nazaré. Mesa diretora Para que o pedido do Superior Tribunal de Justiça para abertura de ação penal seja aprovado em plenário, é preciso o aval de 16 dos 24 distritais. Como o deputado Geraldo Naves (DEM) está preso e Pedro do Ovo ainda não tomou posse, apenas 22 distritais poderão votar — o que torna ainda mais disputada a decisão acerca do futuro de José Roberto Arruda. Pelo artigo 60 da Lei Orgânica do Distrito Federal, é preciso o aval da Câmara Legislativa para que os processos contra o governador tenham andamento (veja O que diz a lei). Depois da apresentação de denúncia pelo Ministério Público Federal, o STJ pede autorização ao legislativo local para processar criminalmente a autoridade. Por solicitação do ministro Fernando Gonçalves, o STJ encaminhou ao legislativo local dois pedidos de autorização para que Arruda responda criminalmente. O documento chegou à mesa diretora na última sexta-feira. Os pedidos são relativos a duas ações penais. Na primeira, o governador preso é acusado de tentativa de suborno ao jornalista Edson dos Santos. Conhecido como Sombra, ele disse que receberia R$ 3 milhões para afirmar à polícia que os vídeos gravados por Durval Barbosa foram manipulados. O governador afastados e outras cinco pessoas estão detidos por corrupção de testemunha. Eles estão presos desde o último dia 11. Na outra ação penal, o Ministério Público Federal acusa o governador afastado de falsidade ideológica. Segundo a denúncia, ele teria inserido informações falsas em quatro notas fiscais entregues à Justiça, para justificar o uso de recursos para a compra de panetones — que, segundo a defesa, seriam entregues a pessoas carentes. O presidente da Câmara Legislativa, Cabo Patrício, garante que os pedidos do STJ serão analisados pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, em seguida, vão a plenário até amanhã à tarde. Ciente da influência que ainda tem sobre os deputados citados no inquérito nº 650, Arruda lutou até a última hora para tentar tirar os suplentes da votação do impeachment. Momentos antes da sessão, os advogados do governador afastado recorreram de uma decisão do TJDF que negava liminar pedindo o adiamento da votação. Eles alegaram que a participação dos suplentes ainda está em fase de recurso no Supremo Tribunal Federal, o que poderia, eventualmente, anular a decisão da Câmara. O processo de impeachment foi aprovado na última quinta-feira por unanimidade. Com 19 votos a favor, três ausências e uma abstenção, a Câmara decidiu dar andamento ao pedido de afastamento apresentado contra o governador afastado José Roberto Arruda. Dos suplentes convocados, apenas Wigberto Tartuce (PMDB) faltou à sessão. 1 - Sem resposta A Câmara Legislativa nunca em sua história aprovou em plenário tampouco na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira etapa de deliberação, licença para processar um governador do Distrito Federal. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) encaminhou pelo menos três vezes pedido para abertura de ação penal contra Joaquim Roriz, mas os deputados distritais sequer apresentaram uma resposta. Se a Câmara entender que isso daria mais transparência ao debate, pode convocar os suplentes. Mas tudo depende de uma decisão da mesa diretora” Fernando Nazaré, procurador-geral da Câmara Legislativa
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quarta-feira, março 03, 2010
MENSALÃO DO DEM [In:] ROGAI POR NÓS...
BRUNELLI RENUNCIA, MAS SUPLENTE ESTÁ NA PAPUDA
| DA CÂMARA À PAPUDA E VICE-VERSA | |||||||||||
Autor(es): # Lilian Tahan | |||||||||||
| Correio Braziliense - 03/03/2010 | |||||||||||
O escândalo da Caixa de Pandora empurrou o deputado da oração da propina, Júnior Brunelli (PSC), para fora da Câmara Legislativa. Ele renunciou ao mandato para se livrar de um processo por quebra de decoro parlamentar. O próximo com direito de se sentar na cadeira deixada por Brunelli, no entanto, está na Papuda. O suplente de distrital Geraldo Naves (DEM) está preso preventivamente desde o último dia 12. Ele é suspeito de ter colaborado na tentativa de suborno atribuída ao governador afastado e também preso, José Roberto Arruda (sem partido). Naves, que é jornalista e apresentava o programa policial Barra Pesada, é o terceiro suplente da coligação encabeçada pelo DEM, que elegeu três distritais. Entre eles, Brunelli e Leonardo Prudente, que renunciou na semana passada para evitar a cassação do mandato e a perda dos direitos políticos. Prudente foi flagrado em vídeo escondendo nas meias dinheiro entregue por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do GDF. Com a saída dos dois políticos enrolados na Operação Caixa de Pandora, que investiga o suposto pagamento de mesada do Executivo para os deputados da base aliada ao governo, Naves pode se tornar titular na Câmara Legislativa. Luta pela vaga Na tarde de ontem, a distrital Jaqueline Roriz (PMN) leu em plenário a carta de renúncia de Júnior Brunelli. No texto, ele se diz vítima de conspiração política e afirma que está com a alma despedaçada. “Infelizmente, é com o coração agonizante e a alma em frangalhos que confesso: todo esse histórico de luta e de trabalho incessante em favor daqueles que não têm um teto para morar, dos desempregados, dos injustiçados, não foi suficiente para garantir meu mandato”. Com a saída, Brunelli poderá se candidatar este ano. O suplente de Brunelli, preso por ter sido o emissário de uma das supostas provas reunidas sobre uma operação frustrada de tentativa de suborno — o bilhete escrito por Arruda e entregue ao jornalista Edson Sombra —, não está disposto a abrir mão do mandato. Avalia que, com as prerrogativas de deputado, será mais fácil se explicar e se defender ao sair da detenção. De acordo com o advogado do suplente, Ronaldo Cavalcanti, Naves tem prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual período, para confirmar-se no cargo de deputado. A data é contada a partir do momento da notificação, o que poderia ocorrer até mesmo dentro da prisão, segundo acredita Cavalcanti. A defesa de Geraldo Naves confia que, durante esse período, o suplente será solto e definirá seus próximos passos políticos. “Ele aguardará ser liberado, tomará posse, se licenciará para decidir com mais calma o que fazer. Não faz nenhum sentido ele renunciar nas condições em que se encontra”, disse o advogado. Para sustentar que, apesar de inusitada, a posse de Naves é possível, Cavalcanti lembrou o caso de José Edmar (PR), que em 2003 foi detido em flagrante por suposto envolvimento com grilagem de terras. Edmar não deixou o mandato de deputado distrital, apesar de ter ficado preso por 29 dias na carceragem da Polícia Federal. Notificação A opção de assumir o mandato é defendida também por uma filha de Geraldo Naves, Andressa, que acompanha a atuação política do pai. Andressa tem visitado o pai na Papuda. “Meu pai não tem por que abrir mão do mandato, não é culpado de nada. Mas essa é uma decisão que só ele poderá tomar”, considerou a filha. A contagem do prazo de 30 dias para uma decisão por parte de Geraldo Naves, no entanto, depende da iniciativa da Mesa Diretora da Câmara Legislativa, que tem 48 horas para estipular como se dará a notificação do suplente. Até ontem, não havia uma definição oficial de como será o processo. É possível, inclusive, que os deputados busquem amparo legal para evitar o constrangimento de convocar um suplente preso. Nos bastidores, a abertura de um processo de quebra de decoro contra Geraldo Naves é considerada inevitável atualmente, caso ele se confirme como titular de distrital. Internautas acertam O site do Correio publicou na última semana enquete com a seguinte pergunta: você acha que os distritais que estão sendo processados por quebra de decoro vão renunciar? Ao todo, 1.101 votos foram computados, e a maioria dos internautas (85,2%) respondeu sim. Com a renúncia, tanto Júnior Brunelli quanto Leonardo Prudente mantêm os direitos políticos e, se quiserem, podem concorrer nas próximas eleições. Apenas 14,8% dos votantes disseram que os parlamentares não renunciariam. Entre os alvos de processo, a única a não abrir mão do mandato é Eurides Brito. O número 8.672 Número de votos que o terceiro suplente Geraldo Naves obteve nas últimas eleições Filha de Roriz chama Eurides de “cara de pau” Helena Mader
O prazo para a deputada Eurides Brito renunciar sem correr o risco de perder os direitos políticos acabou ontem. A parlamentar do PMDB não quis abrir mão do mandato e preferiu enfrentar o processo de cassação. Ela foi notificada pela Comissão de Ética da Câmara Legislativa à tarde e, a partir de agora, fica sujeita às eventuais punições, mesmo se deixar o cargo. Em meio à luta para se salvar da degola, Eurides entrou em mais um embate com Joaquim Roriz (PSC). Depois de declarar que o dinheiro entregue por Durval Barbosa tinha como origem o ex-governador, ela reafirmou a versão ontem, mas teve que ouvir acusações da deputada Jaqueline Roriz (PMN), filha de seu antigo aliado. Em plenário, Jaqueline não poupou críticas à colega. “Ela (Eurides) é uma grande cara de pau. O ano em que ela perdeu a eleição foi o ano em que não teve o apoio dele (Roriz). (…) As imagens falam por si. É bom que ela esclareça (os vídeos), pois achar outro bode expiatório é muita falta de caráter”, desafiou Jaqueline. Eurides Brito preferiu contemporizar. Repetiu que tem “apreço” pelo ex-governador, mas se colocou à disposição para uma eventual acareação. Como já havia postado em seu blog, a deputada disse ontem, em entrevista coletiva, que o dinheiro repassado por Durval Barbosa serviu para pagar despesas com 12 reuniões com lideranças comunitárias para divulgar os próprios projetos e candidatura de Roriz ao Senado. Eurides afirmou desconhecer a origem dos recursos: “Fui lá receber um dinheiro que me deviam e, por isso, considero esse dinheiro legal. Se ele pagou com fonte ilegal, o problema é dele e não meu.” Eurides Brito ficou conhecida como a “deputada da bolsa”, em alusão ao vídeo gravado por Durval na campanha de 2006, no qual a deputada pega maços de dinheiro e os guarda no acessório. “Na minha vida, na minha bolsa, nunca entrou nenhum dinheiro ilegal”, defendeu-se. Questionada por que não recebeu os recursos por meio de transferência bancária, ela respondeu: “Se eu estivesse passando o dinheiro para alguém, certamente faria assim (por transferência)”. Ao todo, a distrital estima ter recebido cerca de R$ 30 mil para as reuniões. Ela admitiu que não se preocupou em guardar notas fiscais dos gastos e lembrou que sua prestação de contas foi aprovada. Sem dar detalhar, a deputada diz que apresentou sua versão para a Corregedoria da Câmara Legislativa. Em relação às eleições de outubro, ela não adiantou se vai apoiar algum candidato ou se pretende, mais uma vez, fazer campanha para Roriz. O futuro de Eurides Brito será definido pelo plenário da Câmara. Amanhã à tarde, a Comissão de Ética se reúne para a escolha do novo presidente — Bispo Renato deixou o posto — e o sorteio do relator. É bom que Eurides esclareça (os vídeos), pois achar outro bode expiatório é falta de caráter” Jaqueline Roriz, deputada distrital |
quinta-feira, fevereiro 25, 2010
BRASÍLIA/WILSON LIMA[In:] FECHANDO A CAIXA DE PANDORA
WILSON VETA CONTRATOS SUSPEITOS
| CONTRATOS SUSPEITOS PERDEM VERBAS | ||||||||||||||||||||||||
Autor(es): # Luísa Medeiros | ||||||||||||||||||||||||
| Correio Braziliense - 25/02/2010 | ||||||||||||||||||||||||
No primeiro dia à frente do Governo do Distrito Federal, Wilson Lima (PR) mandou suspender o pagamento de todos os contratos de governo firmados com as empresas citadas no inquérito da Operação Caixa de Pandora — que apura um suposto esquema de arrecadação e distribuição de propina envolvendo o Executivo e o Legislativo locais, além de empresários da cidade. A determinação começa a valer hoje, mas pode ser cancelada quando o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) apresentar o resultado das auditorias das empresas investigadas. Se for comprovado que não houve irregularidades na execução dos contratos, as empresas poderão receber o dinheiro público novamente. “O atual cenário político-administrativo do DF” motivou o novo chefe do Executivo local a tomar a decisão. O argumento foi exposto no ofício encaminhado ao secretário de Fazenda, André Clemente de Oliveira. Ele estará impedido, por enquanto, de autorizar o pagamento de 13 empresas, na grande maioria prestadoras de serviço de informática. Entram na lista das investigadas Vertax, Adler, Linknet, Infoeducacional e Unirepro, entre outras. O montante de dinheiro que deixará de ser pago às empresas não foi divulgado pelo secretário de Comunicação do GDF, André Duda. Segundo ele, o governo espera que, mesmo sem receber o pagamento, as empresas não paralisem os serviços. Caso isso ocorra, há possibilidade de fechar novos convênios. “O governo cancela os contratos e chama a segunda colocada da licitação. Também pode fazer um contrato emergencial sem licitação, com anuência do Tribunal de Contas”, explicou. No fim do ano passado, os distritais aprovaram o orçamento de 2010 com cerca de R$ 505 milhões para as firmas sob suspeição. A suspensão dos contratos das empresas suspeitas foi assunto de um encontro entre o governador interino e a presidenta do TCDF, Anilcéia Machado. A conselheira considerou o ato “uma excelente medida”. Wilson Lima pediu a ela que fosse dada prioridade pelo tribunal às auditorias instauradas em dezembro para apurar as supostas irregularidades nos acordos com as empresas. As apurações (1)estão em fase final e o resultado pode ser divulgado nos próximos dias. Ao todo, o TCDF abriu 68 processos com base nas denúncias reveladas no depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais do GDF Durval Barbosa. Reuniões O governador interino passou a tarde de ontem em reuniões estratégicas. Ele recebeu no gabinete do 11º andar do anexo do Buriti secretários de governo, políticos, representantes de diversos partidos e da sociedade civil organizada, que garantiram apoio contra a intervenção federal no DF. O entra e sai mostrou que Wilson Lima pode conseguir sustentação política. A deputada Eliana Pedrosa (DEM) disse que o novo chefe do Executivo não tem resistência na Câmara Legislativa. “Ele assumiu o cargo com mais apoio do que Paulo Octavio”, afirmou, fazendo referência ao ex-vice-governador do DF. Apesar das manifestações favoráveis ao governador interino, ele já perdeu dois secretários, o de Planejamento e Gestão, Ricardo Penna, e o de Governo, Flávio Giussani. Ambos haviam colocado o cargo à disposição ainda durante a breve passagem de Paulo Octávio pela principal cadeira do Palácio do Buriti. A exoneração de ambos deve ser publicada hoje no Diário Oficial do Distrito Federal. 1 - Trabalho O pente-fino do Tribunal de Contas do DF sobre os contratos firmados com empresas citadas no inquérito da Operação Caixa de Pandora, em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), vem sendo conduzido por um grupo de trabalho que não parou nem mesmo durante o recesso de fim de ano e as férias de janeiro. Em razão das denúncias de Durval Barbosa, foi afastado do tribunal o conselheiro Domingos Lamoglia, ex-chefe de gabinete de Arruda e flagrado em vídeo recebendo dinheiro de origem duvidosa. O número R$ 505 milhões Valor, previsto no Orçamento 2010, reservado a contratos do GDF com empresas investigadas na Operação Caixa de Pandora Quando a corte chega ao Gama Diego Amorim
De cabelo molhado, terno bem passado e broche de Nossa Senhora Aparecida na lapela, Wilson Lima desceu do apartamento onde mora para o seu primeiro dia como governador do Distrito Federal. Faltavam cinco minutos para as 8h de ontem. Falando ao celular, com andar vagaroso no pilotis do Residencial Village Mediterranné, no Setor Central do Gama, o terceiro chefe do Executivo local em duas semanas parou para cumprimentar o porteiro e tomar um gole de água. À frente, um assessor mais afoito carregava a pasta dele. Ao ser chamado de governador por jornalistas, Lima deu tchauzinho e fez sinal positivo com o polegar direito. Antes de o carro oficial sair pela garagem em alta velocidade, ele abaixou a janela, mas não quis muito papo. “Hoje não vou falar, não, tá bom? Hoje não. Depois eu faço uma notinha pra vocês”, despistou. Meio sem jeito, contou que havia dormido bem. Uma hora e meia antes, quando a equipe do Correio chegou ao prédio do governador em exercício, ele já estava de pé, recebendo muitas ligações. Dois seguranças do governo passaram a madrugada de plantão no local. Às 7h, começou a chegar reforço. A movimentação de quatro carros pretos e um vaivém de homens de terno e gravata atraiu curiosos às janelas do prédio. “Agora sou vizinho do governador. Que chique!”, comentou uma das moradoras. A servidora do GDF Vânia Bueno, 48 anos, também se gabava de morar perto de Lima. “Temos um governador do Gama! Não interessa, pode durar só um dia, mas ele deu sorte. É a mesma coisa que ganhar na Mega-Sena. Meu vizinho está de parabéns!”, exaltou. Improvisos Apressada, uma estudante saía para a escola incomodada com a presença de seguranças embaixo do prédio. “Esse Wilson Lima já começou a infernizar minha vida”, resmungou ela, com a típica rebeldia adolescente. Às 7h30, o assessor direto do novo governador, Walquimar Alckmin, chegou para acompanhar o chefe. “Tudo para mim é novo, não sei nada do governador Wilson Lima, sei do deputado e do amigo”, afirmou. “Sinceramente, não faço ideia de qual vai ser a agenda do dia.” O primeiro dia de trabalho de Lima foi cheio de improvisos. Minutos antes de ele descer do apartamento, os seguranças nem sabiam para onde o levariam. “Vamos esperar ele descer, mas a ordem é facilitar a passagem”, lembrava um do grupo. O comboio com o governador deixou o Residencial Village Mediterranné às 8h em ponto. Na saída do Gama, os quatro carros não conseguiram escapar de um engarrafamento de 7km, até o chamado Balão do Periquito. Paulo Octávio Às 8h34, Wilson Lima, chamado de ursinho por colegas, chegou à residência oficial da vice-governadoria do DF, no Lago Sul. Ainda sorridente, foi recebido por um batalhão de assessores desconhecidos dele. Sem falar com a imprensa, entrou na casa e por quase uma hora esperou Paulo Octávio, que renunciou ao governo na terça-feira. Paulo Octávio chegou dirigindo o próprio carro, um Accord. “Sou apenas um cidadão que continua trabalhando por Brasília. Vim apresentar a casa a ele (Wilson Lima) e só”, disse, negando que vá tirar férias e viajar para os Estados Unidos nos próximos dias. O ex e o atual governador interino do DF conversaram por cerca de 40 minutos. Na entrada da casa, andando de um lado para o outro, o assessor Walquimar atendia três celulares. “Ele está em uma reunião, não pode falar agora. Reze muito por nós”, repetia ele a quem ligasse. Lima é católico fervoroso. Walquimar o conheceu na igreja, anos atrás. Do Lago Sul, o novo chefe do Executivo local seguiu para o Centro Administrativo do DF em Taguatinga, o Buritinga, para a primeira reunião com o secretariado. No encontro de 30 minutos, Lima sorriu bastante, mostrou-se disponível e pediu que cada um preparasse um relatório. No fim, foi aplaudido de pé. Perto do meio-dia, o novo governador em exercício deixou Taguatinga e se dirigiu ao 11º andar do Buriti, o palácio oficial do governo. Ao longo de toda a tarde, evitando a imprensa, recebeu alguns secretários em particular, como o de Segurança, Valmir Lemos; o de Transportes, Alberto Fraga; e o da Fazenda, André Clemente. Atendeu ainda os prefeitos dos municípios de Água Fria de Goiás, João de Deus, e de Planaltina de Goiás, José Olinto Neto, além da presidenta da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), Danielle Moreira.
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quarta-feira, fevereiro 24, 2010
BRASÍLIA: A ''DANÇA COM LOBOS'' (?) *
PAULO OCTÁVIO RENUNCIA.E AGORA, WILSON?
| Paulo Octávio sai de cena | |||||||||||
Autor(es): # ANA MARIA CAMPOS | |||||||||||
| Correio Braziliense - 24/02/2010 | |||||||||||
A Operação Caixa de Pandora deixa mais uma marca na história. Às 17h28, quando o deputado distrital Cabo Patrício (PT) começou a ler a carta de renúncia do vice-governador Paulo Octávio, agora sem partido, encerrava-se a aliança de dois políticos que sempre sonharam comandar a capital do país, passaram anos às turras na disputa pela chefia do Executivo local e afundaram juntos diante da contundência das denúncias feitas pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa. José Roberto Arruda está preso há 13 dias na Superintendência da Polícia Federal e Paulo Octávio saiu da política para se dedicar exclusivamente às empresas, um conglomerado que inclui interesses no ramo imobiliário, construção civil, hotelaria, concessionária de veículos e shoppings. Não vai concorrer nas próximas eleições. Encerrou, assim, uma obsessão: governar a cidade onde construiu o seu império. Ele ainda tentou ficar. Desde que a prisão preventiva de Arruda foi decretada, no último dia 11, Paulo Octávio buscou um pacto suprapartidário, com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Envolvido em acusações de recebimento de propina, ele não conseguiu nem mesmo caminhar com seu próprio partido, o DEM. Numa carta com apenas uma linha, Paulo Octávio se despediu da legenda pela qual disputou as últimas três eleições: “Venho por meio desta comunicar a minha desfiliação do partido”. Foi uma saída para evitar a expulsão sumária, mesma estratégia adotada por Arruda em dezembro. A renúncia foi um gesto amadurecido nos últimos seis dias. Na última quinta-feira, ele chegou a escrever uma carta em que entregava o cargo. Anunciou que sairia e voltou atrás sob a justificativa de que atendia pedido de partidos, do Palácio do Planalto e da população. O vaivém o deixou ainda mais fragilizado politicamente e fez crescer o sentimento no meio político de que sua permanência apressaria a intervenção federal no DF. Além do bombardeio de denúncias em que seu nome aparece em investigações de corrupção, Paulo Octávio desistiu de enfrentar a crise porque não obteve a promessa de apoio na Câmara Legislativa para evitar o processo de impeachment. Numa resposta objetiva, ele explicou por que jogou a toalha: “Não me sentiria confortável para negociar apoio ao governo dia a dia”. Ou seja, cada projeto exigiria trocas com distritais. Em entrevista ao Correio, Paulo Octávio disse que nunca participou de nenhum acordo com deputados envolvendo pagamentos em troca da aprovação de projetos na Câmara, cerne do Inquérito nº 650 em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), origem da Operação Caixa de Pandora. Sobre a acusação que pesa contra Arruda, Paulo Octávio afirmou: “Não tenho conhecimento disso”. Na quinta-feira, quando foi e voltou na ideia de renunciar, Paulo Octávio recebeu deputados no fim da noite, no gabinete do Palácio do Buriti. Chegou a dizer, segundo distritais presentes, que temia ficar à frente do Executivo, sem conseguir montar a sua própria equipe, com muitos assessores em quem não confia, num momento de crise institucional tão profunda e acabar como Arruda, na prisão. Desde junho do ano passado, quando Durval Barbosa deu os primeiros depoimentos ao Ministério Público do Distrito Federal, a gestão compartilhada de Paulo Octávio e Arruda passou a ser devassada pelos investigadores. Cobrança Em conversas com ex-correligionários do DEM, Paulo Octávio fez uma espécie de cobrança. Disse que se tivesse sido escolhido candidato do partido em 2006, tudo poderia ser diferente, já que a ligação de Durval Barbosa, o delator dos escândalos no GDF, seria diretamente com Arruda. A reclamação expõe uma relação difícil entre os dois comandantes da administração “compartilhada”. Eles trombaram muitas vezes, mas precisaram um do outro para vencer as eleições. O acordo eleitoral chegou a ser renovado, mas se perdeu diante da avalanche provocada pela Caixa de Pandora. Sem partido político, nenhum dos dois será candidato nas próximas eleições. Mas Paulo Octávio poderá ser representado pela mulher, Anna Christina Kubitschek Pereira. Filiada ao DEM, ela sempre acalentou planos de seguir os passos do avô, Juscelino Kubitschek, fundador de Brasília, e da mãe, Márcia, que foi deputada federal e vice-governadora. “Ela seria uma ótima política e pensa no assunto”, contou Paulo Octávio. Partiu da mulher o incentivo para que Paulo Octávio ficasse mais tempo no governo e enfrentasse a crise. Mas não deu. Sobre o sentimento da renúncia no ano em que Brasília completará 50 anos, Paulo Octávio limitou-se a dizer: “Vou ter um tempo para mim”. INTERINO 288 horas Período em que Paulo Octávio ficou à frente do Governo do Distrito Federal. Ele assumiu o cargo às 17h15 de 11 de fevereiro e a carta de renúncia foi lida ontem, às 17h28, na Câmara Legislativa. NA POLÍTICA 24 anos Tempo de vida política de Paulo Octávio. Ele filiou-se ao PFL em 1986. Em 1990, foi eleito deputado federal com 38.253 votos, terminando a disputa em segundo lugar, atrás apenas de Augusto Carvalho. ELEIÇÕES 4 mandatos Quantidade de cargos públicos conquistados nas urnas. Em 1990 e 1998, foi eleito deputado federal. Em 2002, conquistou o mandato de senador. Em 2006, elegeu-se vice-governador. BENS R$ 323 milhões Patrimônio declarado por Paulo Octávio à Justiça Eleitoral em 2006. Ele é um bem-sucedido empresário do ramo da construção civil. A família nas eleições Presidente da Fundação Memorial JK, Anna Christina Kubitschek Barbará Pereira é filiada ao DEM, partido que até o início do escândalo provocado pela Operação Caixa de Pandora era presidido no DF por Paulo Octávio, com quem tem dois filhos. Neta de JK, a filha mais velha de Márcia Kubitschek sempre cogitou disputar eleições, seguindo os passos da família tradicional na política do Distrito Federal. Mas até agora preferiu acompanhar os projetos do marido. A candidatura a vaga de deputada federal ou senadora neste ano ocorreria no cinquentenário da capital e pode significar a continuidade do poder político de Paulo Octávio. Com personalidade forte, Anna Christina durante anos guardou mágoa de José Roberto Arruda, a quem atribui a derrota da mãe na candidatura ao Senado em 1994. (AMC)
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terça-feira, fevereiro 23, 2010
PF/CAIXA DE PANDORA: A ABERTURA DA ''CAIXA-PRETA'' ?
Eurides, Brunelli e Prudente já admitem renunciar ao mandato
quarta-feira, dezembro 02, 2009
BRAS-ILHA [In:] DURVAL. O PAGADOR DE PROMESSAS
E o Senhor ouviu as preces
30/11/2009 - 16:30 | Enviado por: lmazzini
No clipe da sem-vergonhice, estrelam Durval Barbosa - o pagador do mensalão - o deputado Brunelli (o grande orador, de camisa roxa) e o atual presidente da Câmara Distrital, Leonardo Prudente, de camisa branca. Eles oram depois de tratarem negociatas.
Todos acusados de receber propinas, com dinheiro recolhido de empresas prestadores de serviço do GDF, segundo a operação Caixa de Pandora da PF. O indiciamento é questão de tempo.
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terça-feira, dezembro 01, 2009
BRAS-ILHA: FÉ CEGA. ''SANTINHOS DO PAU OCO''... nada ''prudentes''...
A bênção da propina
| Vídeos têm até oração da propina | ||||
Autor(es): # Daniela Lima | ||||
| Correio Braziliense - 01/12/2009 | ||||
Imagens gravadas em gabinete do anexo do Buriti mostram Leonardo Prudente e Brunelli rezando em agradecimento a Durval Barbosa
No vídeo, uma das produções de Durval Barbosa, o ex-secretário do governo do DF com participação determinante da explosão da Operação Caixa de Pandora, Brunelli e Prudente pedem a Deus pela vida do homem que detonou uma das maiores crises da capital. É que a gravação em que protagonizam a tal prece não é a única em que os dois aparecem. Brunelli e Prudente também foram filmados recebendo dinheiro — segundo eles, recursos destinados à campanha eleitoral em 2006 — no gabinete de Durval na Codeplan, em 2006. Nessas cenas, Brunelli enfia um gordo maço no bolso e Prudente, que acabou recebendo uma quantia maior, chega a esconder notas nas meias. “Somos gratos pela vida do Durval, instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele. Nós precisamos da tua cobertura e dessa tua graça, da tua sabedoria, de pessoas que tenham armas para nos ajudar nesta guerra”, pede Brunelli na oração. A combinação das imagens fez com que o secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), Dimas Lara Barbosa, se dissesse “perplexo”. “Lamento que a religião esteja tão banalizada, a tal ponto de as pessoas não a verem como serviço a Deus e ao próximo, mas como servir-se da fé e do próximo”, afirmou. Na Câmara, o vídeo causou mal-estar entre os parlamentares e agravou a crise no Legislativo. Um café da manhã que estava marcado para hoje foi cancelado. Nele, seriam distribuídos os gabinetes da nova sede, em fase final de construção à beira do Eixo Monumental. A sessão que aconteceria à tarde, também foi cancelada. Os parlamentares preferiram marcar uma reunião que contará com a presença dos 24 distritais. Explicações Procurada pelo Correio, a assessoria de imprensa de Júnior Brunelli informou que a mídia está criando um “equívoco”. “São dois momentos distintos. A oração aconteceu em outro contexto, diferente da gravação anterior (quando Brunelli sai do gabinete de Durval com dinheiro no bolso). Durval Barbosa havia dito que estava com problemas pessoais, com a família, e foi por isso que eles oraram por ele”, informou a assessoria. Sobre os valores arrecadados junto ao ex-secretário do GDF, Brunelli preferiu não se manifestar. “O deputado não recebeu oficialmente nem o inquérito, nem as gravações. Ele só falará sobre citações formais, periciadas e que estejam dentro da investigação”, ressaltou. Já Leonardo Prudente preferiu não comentar a oração. Mas, em coletiva, falou sobre o dinheiro que pegou com Durval. Disse que tratava-se de recursos para a campanha e que colocou maços no que preferiu chamar de “vestimentas” por questões de segurança, já que não tem o costume de usar pastas ou outros acessórios do tipo.
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segunda-feira, novembro 30, 2009
ARRUDA: ''MEIA'' VERDADE
VÍDEO TRAZ ALIADO DE ARRUDA ESCONDENDO PROPINA NA MEIA
| NOVO VÍDEO MOSTRA ALIADOS DE ARRUDA ESCONDENDO DINHEIRO ATÉ NAS MEIAS |
Autor(es): Rodrigo Rangel e Leandro Colon |
| O Estado de S. Paulo - 30/11/2009 |
Novos vídeos sobre o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal revelado pela Operação Caixa de Pandora aprofundam ainda mais a crise política que pode custar o mandato do governador José Roberto Arruda, do DEM. As cenas mostram deputados escondendo dinheiro nos bolsos e até nas meias. As imagens, gravadas com uma câmera escondida pelo ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda, Durval Barbosa, apresentam os bastidores do chamado mensalão do DEM e a divisão do dinheiro que, de acordo com a investigação, era proveniente de propina paga por empreiteiras e prestadoras de serviço. Deputados e aliados políticos de Arruda aparecem em gabinetes do governo embolsando dinheiro e falando abertamente sobre o esquema. O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente (DEM), aparece escondendo dinheiro nas meias e nos bolsos da calça e do paletó. Falta espaço na roupa do deputado para guardar os maços de notas de R$ 50. Os vídeos mostram ainda um encontro de Barbosa com Marcelo Carvalho, executivo das empresas do vice-governador Paulo Octávio (DEM). Barbosa disse à PF e ao Ministério Público que era Carvalho quem costumava receber a parte do dinheiro que cabia a Paulo Octávio. Nas imagens obtidas pelo Estado, o executivo recebe uma pasta preta de Barbosa. Boa parte das imagens foi gravada no escritório do ex-secretário, um dos responsáveis pela arrecadação de dinheiro entre empresas que mantinham contratos com o governo e pela distribuição dos pagamentos a integrantes do primeiro escalão e a políticos aliados. Conhecido em Brasília como "rei do grampo", por causa do hábito de gravar seus interlocutores, Barbosa resolveu revelar o esquema após fazer um acordo de delação premiada com o Ministério Público, que pode lhe garantir redução de pena em caso de condenação judicial. BOLSA Outros parlamentares aparecem nos vídeos. A deputada Eurides Brito (PMDB) entra rapidamente na sala e pergunta: "Cadê o Durval?" Barbosa pede que ela dê meia volta e tranque a porta. Os dois trocam poucas palavras, a deputada abre a bolsa de couro marrom e, na mesma velocidade com que chegou, joga para dentro cinco maços de dinheiro. A conversa prossegue. Eurides ainda ensaia uma crítica a Arruda. "Você não acha que o governador perdeu as estribeiras?", pergunta. Logo depois, sai da sala carregando a bolsa, agora cheia de dinheiro. Em outro vídeo, o deputado Rubens César Brunelli (PSC-DF) entra na sala, recebe um maço de dinheiro e o coloca no bolso. Numa das gravações, Brunelli aparece rezando com Barbosa e com Leonardo Prudente (veja a oração ao lado). "Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos", diz o deputado, para em seguida pedir proteção à vida de Barbosa. "Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para nossa cidade", diz Brunelli. O ex-secretário também gravou conversas com empresários apontados como contribuintes do esquema. Cristina Boner, dona da TBA, holding de Brasília que representa a gigante americana Microsoft, trata com Barbosa de um contrato a ser firmado com o governo do DF. Já nos minutos finais da conversa, o ex-secretário sentencia: "Vou fazer uma emergencial com você por cinco meses, mais a licença." No inquérito, há documentos indicando que R$ 50 mil pagos pela empresária a Barbosa foram repassados ao governador "para pagamento de despesas pessoais". Outro financiador que aparece nas imagens é José Celso Gontijo, dono de uma das maiores construtoras de Brasília. Gontijo, a quem o secretário se refere como "Zé Pequeno", abre uma pasta, retira dois pacotes de dinheiro e os entrega a Barbosa. Os pacotes, com notas de R$ 50 e R$ 100, são postos sobre a mesa. O escritório do ex-secretário era frequentado por lideranças de partidos aliados ao governo Arruda, que também aparecem recebendo dinheiro. Um deles é Luiz França, ex-presidente do PMN. Outro é o ex-administrador da cidade-satélite de Samambaia José Naves. Ele recebe oito maços com notas de R$ 50. Hoje, Naves é diretor-presidente da companhia de habitação do Distrito Federal. O ex-deputado Odilon Aires, atual presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do DF, também foi gravado recebendo dinheiro. Oração da Propina "Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham armas para nos ajudar nesta guerra. Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares." ------------------ |