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terça-feira, maio 28, 2013

BIG FRANGO. É ASSIM QUE FUNCIONA NAS EMPRESAS PRIVADAS!


Big Frango se reestrutura para ser viável

Autor(es): Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Valor Econômico - 28/05/2013

Depois de quase ser colocada à venda no ano passado devido às dificuldades provocadas pela disparada dos grãos usados na ração animal e, principalmente, por sua elevada dívida de curto prazo, a processadora de carnes paranaense Big Frango deflagrou um profundo choque de gestão. À frente da companhia, o empresário Evaldo Ulinski demitiu toda a diretoria e iniciou uma peregrinação pelos bancos credores em busca de prazo mais longos para o pagamento das dívidas da companhia.
A ofensiva começa a mostrar efeito. Graças ao repasse de preços da carne de frango, a Big Frango saiu do vermelho e encerrou o primeiro trimestre deste ano com um lucro líquido de R$ 5 milhões. No mesmo intervalo de 2012, havia amargado um prejuízo de R$ 4 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) passou de cerca de R$ 15 milhões no primeiro trimestre de 2012 para R$ 37 milhões nos primeiros três meses deste ano. Na mesma comparação, o faturamento saltou de R$ 310 milhões para R$ 370 milhões. Com os resultados do primeiro trimestre, a Big Frango já estima um faturamento de R$ 1,5 bilhão em 2013, ante R$ 1,2 bilhão em 2012.
Em entrevista ao Valor, Ulinski reconheceu sua parcela de "culpa" no difícil momento vivido pela empresa no ano passado. "Perdi o foco quando resolvi me dedicar a uma operação que representava apenas 5% do faturamento", disse ele, referindo-se à incursão da Big Frango no mercado de cortes especiais de carne bovina, operação que foi já abandonada pela companhia.
A situação delicada da Big Frango se refletia, principalmente, no elevado endividamento para uma empresa de médio porte. No fim de 2012, a companhia acumulava uma dívida de R$ 400 milhões, dos quais R$ 200 milhões com vencimento no curto prazo. "Do jeito que estava, teríamos que vender a empresa", afirmou Ulinski. Propostas não faltaram. O executivo não comenta, mas o Valor apurou que a Big Frango recebeu sondagens da JBS e de um fundo de investimentos americano. Questionada sobre o interesse na Big Frango, a JBS não comentou.
De volta ao negócio principal da companhia, Ulinski demitiu, em setembro passado, toda a diretoria. No mesmo mês, iniciou as conversas com os bancos para renegociar a dívida, processo que deve ser concluído ainda neste mês.
Nas negociações com os bancos, a Big Frango conseguiu um prazo de carência de dois anos com os grandes bancos e seis meses de carência com os bancos médios, segundo Ulinski. "Teremos cinco anos para pagar a dívida com os grandes bancos", disse o executivo. Ele informa, ainda, que a apenas 20% da atual dívida da empresa está nas mãos dos bancos médios, que começarão a ser pagas ainda neste ano.
Confiante que a Big Frango conseguirá manter a margem Ebitda de 10% registrada no primeiro trimestre, o empresário já estima que a dívida da companhia cairá para cerca de R$ 350 milhões no fim do ano. A empresa também deterá um caixa de R$ 50 milhões, projeta Ulinski.
Parte do otimismo do executivo está ancorada numa decisão da diretoria demitida, que não reduziu o alojamento de matrizes em agosto do ano passado. Naquele momento, quase todas as grandes indústrias cortaram a produção para amenizar os efeitos da alta dos grãos usados na ração. A Big Frango não o fez e por isso agora tem oferta para atender a demanda. A empresa obtém 85% de sua receita com carne de frango.
Hoje, a Big Frango opera com capacidade máxima, abatendo 460 mil frangos por dia, nas unidades de Rolândia e Santa Fé, ambas no Paraná. Na área de suínos, a empresa abate 1,5 mil cabeças por dia em Palmas (PR) e produz embutidos em uma unidade em Maringá.
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quinta-feira, janeiro 31, 2013

BRASIL. CARNES e AGRONEGÓCIOS



Preços de frango e suíno batem recorde em janeiro



Autor(es): Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
Valor Econômico - 31/01/2013
 

Ainda afetados pela severa estiagem que atingiu as lavouras de grãos dos Estados Unidos, os preços médios das carnes de frango e suína atingiram níveis recordes para um mês de janeiro.
Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o preço médio do frango inteiro congelado em São Paulo nos primeiros 28 dias do mês foi de R$ 3,94 o quilo, salto de 35,8% sobre janeiro do ano passado. Já a carcaça comum do suíno foi cotada, em média, a R$ 5,59 por quilo, alta de 32,7%.
Esses produtos ficaram mais caros mesmo na comparação com dezembro, mês de pico no consumo de carnes por conta das festas de fim de ano. No caso do frango inteiro congelado, o avanço foi de 1,5%, enquanto o preço médio da carcaça suína subiu 0,7%.
Ainda sem consenso sobre a direção dos preços de frango e suíno ao longo deste ano, analistas projetam um alívio moderado pelo menos nos primeiros três meses do ano. "O cenário de custos mais acomodados deve estimular a indústria de frango e suíno. De toda forma, o que podemos dizer categoricamente é que o primeiro trimestre está garantido", afirma César Castro Alves, analista da consultoria MB Agro. A avaliação é compartilhada por Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores. "Passamos por um período de declínio relativo dos preços dos grãos, o que deve levar a uma queda gradual dos preços das carnes". A RC Consultores estima que o preço médio do frango abatido destinado ao mercado doméstico cairá 10,8% ao longo de 2013, para R$ 3,90 o quilo.
Mas a projeções de queda não encontram total ressonância. Mesmo com uma aposta baixista, Alves se diz bastante receoso com a safra 2013/14 de grãos nos EUA, que começa a ser plantada em abril. "Não existe espaço para qualquer quebra. Além disso, o clima está muito esquisito e os meteorologistas não são enfáticos sobre o que vai acontecer", pondera o analista, que ainda trabalha com a hipótese de acomodação dos preços de milho e soja em seu cenário base.
Na opinião do economista Fábio Romão, da consultoria LCA, uma eventual redução nos preços dos grãos não será suficiente para evitar uma nova alta das carnes de frango e suíno e seus derivados. "Acho difícil reeditar um movimento como o do ano passado, mas vai ter uma alta acima da inflação", prevê ele.
Em 2012, o frango inteiro subiu 16,9% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para este ano, a LCA projeta uma alta de 7,5% para frango inteiro, 9,9% para o frango em pedaços e de 5,5% para a carne suína. A previsão está ancorada na valorização esperada para a carne bovina, concorrente direta dos produtos à base de frango e, em menor medida, de suínos. "Não são substitutos perfeitos, mas há uma relação importante com a carne bovina", afirma Romão, para quem o preço da carne bovina deve subir, em média, 6%.
Guilherme Melo, analista do Rabobank, faz análise semelhante. Segundo ele, as cotações elevadas de frango e suíno neste início de ano abrem espaço para aumentos de preço na carne bovina, especialmente se a forte demanda externa pela carne brasileira se confirmar ao longo do ano. "A oferta mundial está curta, com queda de produção nos EUA e na União Europeia", diz Melo. Nas primeiras três semanas deste mês, a média diária das exportações brasileiras de carne bovina foi 45,7% superior à verificada no mesmo intervalo de 2012.
Na contramão dessa avaliação, Castro Alves, da MB Agro, relativiza uma possível alta da carne bovina. Ele diz que o aumento das exportações não será capaz de anular a maior disponibilidade de gado no país, "a não ser que o Japão aumente muito as compras de carne bovina dos EUA e obrigue a Rússia a importar mais do Brasil". Caso contrário, diz, qualquer aumento de preços de frango e suíno seria limitado pela carne bovina.
Em meio a tantas incertezas, os analistas seguem atentos à influência que o setor terá para a inflação em 2013. Pela metodologia do IBGE, as carnes in natura (bovinas, de frango e suínas) têm um peso de 2,51% no IPCA.