PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

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segunda-feira, outubro 07, 2013

ELEIÇÕES 2014: A SERVIR A DOIS SENHORES

07/10/2013
Dilma sob pressão de aliados


Acordo entre Marina e Campos azeda clima na base e faz PMDB e PP cobrarem mais espaço no governo


Maria Lima, Paulo Celso Pereira e Ilimar Franco

Brasília- 
A inesperada aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva para a disputa de 2014 aumentou a pressão sobre a presidente Dilma Rousseff. 

No PMDB; seu principal aliado, o clima, "que já estava azedo" segundo políticos do partido, piorou com o novo quadro. Os peemedebistas voltaram a falar em liberar os diretórios regionais para fazer coligações estaduais como eles próprios quiserem. Reclamam de que, para se vingar de Campos, Dilma e o PT tiraram do PMDB o Ministério da Integração Nacional para entregá-lo aos irmãos Cid e Ciro Gomes, fortalecendo seu grupo no Ceará.

— A aliança de Marina com Eduardo está provocando um rebuliço enorme — disse o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), que não descarta a construção, no Ceará, de um palanque duplo para Aécio Neves e Eduardo Campos, com o tucano Tasso Jereissati na chapa para o Senado, contra o candidato de Cid Gomes.

Outro motivo de irritação do PMDB é que, para tentar barrar o crescimento de Campos, o Planalto estaria operando fortemente para tirar do partido líderes regionais e parlamentares para fortalecer o PROS, nova legenda de Cid Gomes.

— Ela (Dilma) tirou do PMDB e entregou para o Cid um poderosíssimo ministério para se vingar do Eduardo. O que estão fazendo, com o patrocínio e a anuência do Planalto, não se faz a inimigo de qualquer espécie — completou Eunício.

— Esse ministério coube ao PMDB no governo Lula. A coisa mais natural do mundo é que, na medida que o PSB saiu do governo, ele ficasse entre o PT e o PMDB. Vamos aguardar a decisão da presidenta sobre o assunto — disse o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ)

Após a reviravolta do fim de semana, Dilma ainda terá problemas para acalmar outro aliado muito fiel. Único partido da base aliada a fazer sua bancada crescer no troca-troca dos últimos dias, ficando com 40 assentos, o PP agora quer outro ministério.

— Meu sonho é o Ministério da Integração, e acho que a gente se credencia para ter mais espaço na Esplanada. A bancada mais fiel ao governo hoje é a do PP — disse o presidente nacional da légenda, Ciro Nogueira (PI).

A despeito do terremoto político, Dilma e seu principal articulador político, o ex-presidente Lula, continuam calados sobre o impacto do acordo entre Marina e Campos, ex-ministros do governo petista, em sua reeleição. Mas, em conversas reservadas, a presidente considera que Marina está sendo injusta ao acusar o Planalto de ter agido para impedir a criação de seu partido, a Rede, e acha que ela se aliou a Campos por vingança.

— Ela (Marina) não se posicionou para viabilizar a Rede nem para ser candidata, mas para derrotar o governo Dilma e o PT — afirma um velho companheiro de Dilma.

Ministros próximos a Lula dizem que o ex-presidente não tem mais dúvidas de que Campos agora consolida sua candidatura para vãler. No sábado, Campos tentou falar com Lula sobre a costura da aliança com Marina, mas Lula não atendeu a nenhuma de suas ligações.

— O Eduardo não será candidato só para marcar posição. Ele vai ser candidato para ganhar. E não terá limites. Vai assumir uma candidatura de oposição à Dilma, aliado a um discurso pesado de Marina contra o PT — avaliou Lula, de acordo com seus interlocutores.

Cotado para integrar o comando da campanha petista, o governador da Bahia, Jaques Wagner, como a maioria dos petistas, prefere propagar, em conversas reservadas, o raciocínio de que a aliança com Marina não ajudará Campos:

— Foi ruim para Eduardo. Seria um gol de placa se, nesta aliança, a candidata fosse Marina.

Mas, como consolo, se diz no PT que o quadro fechou com três candidaturas — Dilma, Eduardo e Aécio — e não com cinco, como poderia ser se Marina e Serra fossem concorrer.

Das cinco maiores bancadas do país, o PP é a única que ainda tem situação indefinida para 2014. O PT lançará Dilma, o PSDB deve ir com Aécio, e PMDB e PSD já anunciaram o apoio à presidente.

— Se depender de mim, apoiamos Dilma, mas temos diretórios importantíssimos, como os de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, que são contra ela. Hoje, o resultado é imprevisível — afirmou Nogueira. 

adicionada no sistema em: 07/10/2013 02:47

quarta-feira, setembro 18, 2013

BASE GOVERNISTA: UM A MENOS?

Jornais O GLOBO
18/09/2013
PSB sairá do governo hoje


Após pressão do Planalto, partido oficializa saída do governo federal, no qual ocupa dois ministérios, consolidando a candidatura à Presidência de Eduardo Campos.


      PSB oficializa hoje entrega de cargos no governo federal


Decisão consolida candidatura presidencial de Eduardo Campos em 2014


Fernanda Krakovics e Maria Lima

Brasília-

 Com um empurrãozinho de PT e PMDB, o presidente do PSB e pré-candidato à Presidência da República, governador Eduardo Campos (PE), precipitou uma decisão adiada até agora. Convocou reunião extraordinária da Executiva Nacional do partido para oficializar decisão preliminar tomada ontem por unanimidade pela cúpula socialista: a entrega dos cargos no governo Dilma Rousseff.

O PSB tem dois ministérios, Integração Regional e Portos, além de cargos no segundo escalão. Com isso, Campos, incomodado com acusações de fisiologismo e com a pressão alimentada pelo Planalto, dá hoje o primeiro passo para consolidar sua candidatura a presidente.

Apesar disso, o discurso é que o partido continuará na base e só baterá o martelo quanto à candidatura presidencial no ano ique vem. O assunto foi discutido ontem em reunião de Campos com a cúpula nacional do PSB. A avaliação foi que a presidente Dilma estaria tentando constrangê-los ao mandar recados, pela imprensa, de que pretendia tirar do govemo o ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional), ligado a Campos, por causa das críticas feitas pelo presidenciável do PSB à gestão petista e por causa de sua aproximação com o pré-candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, senador Aécio Neves (MG). Campos mostrou irritação com as cobranças e disse que o PSB não entraria num balcão por cargos no govemo:

— Nosso debate não é sobre cargos, é sobre o país. A relação do PSB com a frente política que compõe há mais de dez anos é para ajudar a população, jamais foi presidida por interesses fisiológicos.
Sobre a irritação de Dilma com o apoio ao diplomata Eduardo Saboia, que resgatou para o Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina, e com seu encontro com Aécio, Campos desabafou com interlocutores que o avô Miguel Arraes tinha sofrido com o confinamento em embaixadas. E que entendia muito bem o que se passou em La Paz. Também lembrou que no auge da crise do mensalão, petistas pediram que procurasse Aécio e tucanos para pedir ajuda. E não reclamaram naquela época do encontro.
—Na época da crise do mensalão, o Eduardo Campos foi lá conversar com o Aécio e o PSDB com o Mercadante. Mesmo agora, depois de todo o achincalhe que o PT fez com o PSB nas eleições municipais, o Eduardo não se negou a apoiar : Dilma, a pedido de Lula. Se solidariedade faltou, não foi do PSB —disse um dos participantes da reunião.

Na reunião de ontem, apenas o governador Renato Casagrande (ES) ponderou que talvez fosse melhor esperar mais, porque o desembarque do govemo precipitaria a candidatura de Campos. Embora o socialista já esteja percorrendo o país em campanha, o PSB quer avaliar o cenário, principalmente as pesquisas de intenção de voto, e confirmar sua candidatura.

— Há um incômodo com esse tratamento. Nunca condicionamos o apoio ao governo a cargos. Temos tido postura muito leal em todos os momentos difíceis, ao contrário de outros partidos. Não colocamos a faca no pescoço do governo e expressamos críticas com lealdade. Uma parcela do partido está muito constrangida com esse tipo de situação e quer deixar a presidente Dilma à vontade — afirmou o líder do PSB no Senado, Rodrigo Rollemberg (DF).

— Não somos o partido da boquinha — afirmou Albuquerque, ao deixar a reunião, defendendo a entrega dos cargos.
O governador do Piauí, Wilson Martins, confirmou que o PSB vai entregar hoje os cargos, inclusive os dos ministros Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional) e Leônidas Cristino (Secretaria de Portos):

— Pode apostar na notícia do rompimento.

Hoje, na reunião da Executiva Nacional, o governador Cid Gomes (CE) deve se posicionar contra o desembarque do governo federal. Campos conversou ontem com Leônidas, que é da cota dos irmãos Ferreira Gomes. E deveria ligar para Lula.

Apesar da irritação de Dilma e do PT com os movimentos de Campos, o ex-presidente Lula estava tentando contemporizar, defendendo que o socialista fosse tratado como um aliado, de olho em uma aliança no provável segundo turno das eleições do ano que vem. Para Lula, Dilma só deveria mexer em sua equipe em janeiro.

Colaborou: Efrém Ribeiro; de Teresina 


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terça-feira, agosto 27, 2013

PRÓTESES, ''MESÓCLISES E ÊNCLISES" (... isso é que é integração!!!)

27/08/2013
STF autoriza investigação contra ministro da Integração


Ele é suspeito de fraude em licitação quando era prefeito em Pernambuco

BRASÍLIA


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), por suspeita de contratação irregular de uma empresa para fornecer órteses e próteses e de malversação de recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS), quando o atual ministro era prefeito de Petrolina (PE). Toda a licitação foi feita em apenas um dia e, segundo o ex-procurador geral da República, Roberto Gurgel, há indícios de fraude e dispensa ilegal na licitação.


Por nota, Bezerra negou as irregularidades e afirmou que "a contratação por inexigibilidade de licitação se deu no âmbito da Secretaria municipal de Saúde e fundamentou-se na inexistência de outras empresas aptas a fornecer tais materiais cirúrgicos na região de Petrolina à época".

adicionada no sistema em: 27/08/2013 03:54

sexta-feira, abril 05, 2013

VIDAS SECAS

05/04/2013
Seca denuncia incompetência desde a monarquia


Diante dos chamados fenômenos climáticos extremos, já ficou entendido que, se é impossível evitá-los, o melhor a fazer é tomar medidas de precaução. É óbvio, mas não se aplica às secas no Nordeste. Mesmo que o conhecimento humano na meteorologia tenha avançado bastante, e seja possível fazer previsões com grande antecedência, a cíclica falta de chuvas na região parece sempre apanhar governos de surpresa.

Deve-se reconhecer que a atual seca, considerada a pior dos últimos 50 anos, demonstra grande poder de destruição de plantações e rebanhos. Mas ela já constava há tempos dos mapas de previsão dos especialistas. 
Não surpreende que o aparato burocrático criado para tratar de questões como esta se mostre lento, incapaz de formular e executar projetos no ritmo exigido pelos problemas. É uma característica do Estado. E quando formula, não executa.

O exemplo gritante é o projeto de transposição de águas do Rio São Francisco para irrigar o agreste. Discutido já na monarquia, na corte de D. Pedro II, o empreendimento sempre foi centro de intenso conflito político regional, até que, no segundo governo Lula, com Ciro Gomes no Ministério da Integração Nacional, o que estava nas pranchetas começou a se tornar realidade. Não por muito tempo. Mesmo com a participação de destacamentos de engenharia do Exército, frentes de trabalho foram paralisadas por falta de pagamento. Canais já construídos se deterioraram. Perda de tempo e dinheiro. 


Em Brasília, gosta-se muito de falar em "obras estruturantes". Pois esta é uma, e não recebeu a prioridade merecida. Venceu a tradição de se gastar mais na atenuação dos efeitos da seca - carros-pipa, Bolsa Estiagem etc. - do que em projetos de largo alcance. (Também é assim na Serra Fluminense.) 


Levantamento da ONG Contas Abertas constatou que, no ano passado, o programa Oferta de Água, do qual constam a construção de barragens, adutoras e a transposição do São Francisco, aparecia no Orçamento com uma dotação de R$ 3,4 bilhões. Porém, foi empenhado apenas R$ 1,9 bilhão, e gastos, de fato, R$ 406,9 milhões.

Quer dizer, obras para reter e transportar água no atacado ficam em segundo plano, enquanto o varejo dos carros-pipa deslocados para encher cisternas de quintal, entre outras ações fáceis de serem capitalizadas pelo coronelismo político, leva a parte do leão do dinheiro público.

A esta altura, não resta mesmo muito mais a fazer além de assistir as pessoas. Mas esta seca deveria servir de marco zero no enfrentamento da questão. Já existe conhecimento suficiente para se formular um programa sério, com metas de curto, médio e longo prazos, para enfrentar a seca. Teria, porém, de ser um projeto de Estado, não só de governos. 
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quarta-feira, março 13, 2013

ELEIÇÕES 2014: ''NA NOSSA FESTA VALE TUDO..." (As Frenéticas)

13/03/2013
Contra seca, Dilma promete 'vale-bode'

Presidente quer ajudar agricultor a recuperar rebanho

Eduardo Bresciani
Enviado especial
Água Branca (AL)


Em sua segunda visita ao Nordeste em menos de oito dias, a presidente Dilma Rousseff inaugurou ontem em Alagoas trecho de uma obra que leva água ao sertão e prometeu até cabras e vacas para agricultores que sofrem com a seca. A região costuma ter um eleitorado tradicionalmente petista, mas há o temor de que esses votos migrem para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), caso ele concorra ao Planalto em 2014.

A inauguração pela presidente dos dois primeiros trechos da obra do Canal do Sertão visa a minimizar os efeitos dos atrasos no cronograma da transposição do Rio São Francisco, que beneficiará quatro Estados e tem como prazo de entrega o ano de 2015. O projeto do Canal do Sertão prevê 250 quilômetros de extensão dentro de Alagoas. Até agora, 65 quilômetros foram entregues.

No evento, Dilma destacou ações emergenciais do governo para minimizar os efeitos de uma das secas mais rigorosas dos últimos anos e prometeu recompor o rebanho perdido por agricultores por causa da estiagem dentro de um programa que j será implementado após o fim da seca.

"É um programa de retomada. Quando a seca passar, não basta chover, vai ter de recuperar rebanho, bode, cabra, bovino, galinhas. O governo federal está atento a isso. Não posso recuperar quando tem seca, porque vai morrer outra vez, mas quero assegurar ao pequeno produtor que teve sua cabrinha morta, seu boizinho, que o governo federal vai recompor isso", disse Dilma.

O modelo para financiar o rebanho não está definido. Também não se sabe de onde virá o dinheiro, podendo ser do Banco do Brasil. Na semana passada, Dilma já tinha falado, para os integrantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), da necessidade de recuperação das criações de galinha, cabras e bois, mortos por causa da seca. 

Ela destacou ainda a compra de milho subsidiado durante a seca, o repasse de recursos por meio de dois programas federais e a contratação de carros-pipa para atender às áreas mais afetadas.União. 

O ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), correligionário e aliado próximo de Eduardo Campos, fez um discurso recheado de elogios à presidente e, antes de passar a palavra a Dilma, defendeu a unidade dos partidos que compõem a base aliada do governo federal. 

/ Colaborou Tânia.

segunda-feira, novembro 12, 2012

O SERTÃO VAI VIRAR MAR (4)


11/11/2012
 às 15:00 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo arrasador: Para acabar de novo com o drama da seca, a presidenta não promete fazer chover, mas radicaliza no dilmês de pajelança: “Nós queremos usá a água pra aumentá o chamado di comer”.

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Dilma Rousseff não tem dado muita sorte na Bahia: há duas semanas, seu já lendário “Comício de Cazajeiras” consagrou a derrota da candidatura de Nelson Pelegrino à prefeitura de Salvador. Mas este é um momento mágico na relação entre o homem e o meio ambiente: em Malhada, a 900 quilômetros da capital, no castigadíssimo sertão baiano, a presidenta vai transformar um discurso pífio em água abundante, na cerimônia de inauguração da primeira etapa do sistema adutor da região de Guanambi – na verdade, mais uma inauguração da promessa de acabar com a seca no nordeste.
O truque é velho, mas ainda funciona. Encharcados pelos perdigotos errantes da discurseira presidencial, os baianos ali presentes, e em seguida todos os nordestinos, já começaram a se imaginar mergulhando em suas novas jacuzzis naturais.
E o milagre parece ainda maior quando se ouve com boa vontade – e o espanto de sempre — este vídeo de 5min37s com o Discurso de Malhada: a estiagem do pensamento de Dilma chega a ser bíblica, apocalíptica. Nenhum sertanejo sem água e letras jamais escutou uma fala tão primitiva, arcaica e árida – e incompatível com as altas funções da animada senhora que traz consigo uma enchente de prenúncios de vida farta e fértil.
Sem tempo sequer para se abrir um guarda-chuva, começa o dilúvio de sandices:
“Eu queria dar bom dia pra todas as mulheres aqui. E também pros homens. Afinal de contas, afinal de contas, as mulheres são mães de todos os homens. Então tá todo mundo em casa”.

Weslian Roriz disse isso? Ângela Bismarchi? Não, foi a presidente da República – que, desde a campanha de 2010, encasquetou com essa imagem tosca da transcendência feminina através da maternidade masculina e a vem piorando de discurso em discurso: as mulheres, maravilha-se ela, são as mães de todos os homens — como o são, aliás, de todos os seres humanos. Ou seja: como nunca antes neste país, somos filhos de nossas mães. Uma grande vitória da mulher: na herança maldita e machista de FHC, nós, os homens, é que éramos pais de todas as mulheres.
É, mas esse negócio de DNA não é tão simples. A presidente, meio mineira, meio gaúcha, nas proporções que lhe convêm, é um cadinho de torrões natais:
– Porque eu tenho um pedaço de mim que é baiano.

Sobre essa estranha baianidade, mais não disse nem lhe foi perguntado, mesmo porque o assunto em pauta vai além de regionalismos: as vidas secas, neste país, estão com os dias contados, como insistiu o retirante Lula, também conhecido como Dom Predo III, durante oito anos.
– Pra nós agora, chegou a hora, junto com o Jaques Wagner, da gente (sic) resolver o problema da água de uma forma a garanti que as mulheres e os homens, as crianças, possam tomá café de manhã, tomá banho, tê uma água saudável.

No nordeste, o chamado “problema” da água continua sendo sua inexistência. Mas isso agora será consertado, começando por esta adutora baiana. E com um governo que se orgulha de suas secretarias de promoção da igualdade racial, das mulheres e dos direitos humanos em geral, é um alento saber que a nova água não fará discriminação de gênero e faixa etária – conservadas, é claro, suas características organolépticas clássicas: incolor, insípida e inodora. Melhor ainda: degustada no café da manhã, também poderá ser usada para a higiene pessoal. Outra grande ideia do governo Dilma.
Mas, espere, não é só:
–E também nós queremos, e por isso que nós vamos lançar terça-feira o programa de irrigação, nós queremos usá a água pra aumentá o chamado “di comer”. Nós queremo aumentá a produção de alimentos.

Claro: depois do “di beber”, o “di comer” – ou o “chamado di comer”. Mas quem chama? É como se diz comida por aquelas bandas? Ok, não importa. Sim, em se plantando, tudo dá – mas vá fazer isso sem água: o governo Dilma descobriu, em boa hora, mais uma aplicação vital do “precioso líquido”. E, oba, vem aí mais um programa com a marca do governo Dilma. Na terça-feira, tem discurso de inauguração de mais uma promessa.
Parece que, antes mesmo de achar água, Dilma está se achando, de novo com essa velha história de acabar com a seca no nordeste, enquanto os sertanejos e suas criações minguam e fritam como torresmo, mortos de sede, numa escala como nunca antes neste país. Humilde, nossa moça do tempo se rende à força da natureza:
– A gente sabe, dentro da nossa condição de seres humanos, que nós num controlamos o clima. Nós não controlamos o dia que chove, quando não chove, porque um ano chove mais do que o outro. Mas nós podemos garantir que a gente tenha instrumentos para que quando não chovê a gente tenha água istocada, que a gente tenha um açude, que a gente tenha uma adutora pra captá água de um rio volumoso, como é o São Francisco, e levá água pra população, de forma garantida, chova ou faça sol.

Um dia, alguém que hoje tem grande credibilidade transformou água em vinho. De palanque em palanque, de promessa em promessa, a presidente anuncia, em conta-gotas, um milagre muito mais difícil: transformar papel em água.
Daí a evocação de São Francisco? Por falar nele, e a transposição? A enxurrada de desvios já foi transposta para a polícia? As obras, abandonadas pelas empreiteiras conchavadas, serão retomadas, sem caudalosos aditivos, chova ou faça sol?
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Augusto Nunes/VEJA.
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GOVERNO DILMA/NE. O SERTÃO VAI VIRAR MAR (3)


Imprensa

Discursos

Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, durante cerimônia de inauguração do sistema adutor da região de Guanambi - Adutora do Algodão - Malhada/BA

09/11/2012 às 13h35
Bom dia! Agora vocês falaram mais alto do que da vez do Jaques, hein?
Eu queria dar bom dia para todas as mulheres aqui, e também para os homens. Afinal de contas... afinal de contas, as mulheres são mães de todos os homens, então está todo mundo em casa.
Eu queria dizer para vocês que eu estou muito feliz de estar aqui. Primeiro, porque, quando eu venho à Bahia, eu sempre agradeço. Eu agradeço porque, seu eu sou presidente, eu devo muito aos votos que vocês me deram na eleição, e também porque eu tenho um pedaço de mim que é baiano.
Meu bisavô por parte de pai... não, desculpa, meu querido... meu bisavô, por parte do meu avô, porque meu pai é búlgaro, então não podia morar em Caetité. Meu bisavô, que chamava... o apelido dele era Dudu, saiu daqui de Caetité e foi para Minas Gerais, que é aqui pertinho, e foi morar lá em Paracatu, e aí nasceu o meu avô.
Então, eu quero dizer para vocês que eu tenho um orgulho especial de estar aqui hoje. É um orgulho porque ele saiu daqui, e agora, o que eu estou fazendo é garantir que as pessoas possam ficar aqui, porque elas vão ter água. Então, é um grande... mas é muita alegria para mim, e quando eu vejo esta obra eu penso isso. Eu penso de como é importante para as pessoas viverem, para as famílias, para as mães, porque uma coisa horrível é não poder dar uma água limpa para um filho ou para uma filha, não ter água, faltar água.
Então, por isso eu estou aqui agradecendo a todos aqui presentes, agradecendo ao Jaques Wagner, governador da Bahia, por essa parceria que permitiu que nós construíssemos essa adutora, agradecendo ao Fernando Bezerra, ministro da Integração, pela rapidez com que foi construído.
Agradecendo à empresa privada que fez, a Embasa, a Codevasf, enfim, agradecendo a todos aqui presentes.
Queria dizer para vocês que eu estou aqui - me acompanhado está também, o general Jose Elito, que é do Gabinete de Segurança Institucional, e a ministra Helena Chagas, da Comunicação.
E eu queria cumprimentar os baianos, os meus queridos baianos aqui presentes: a senadora Lídice da Mata; o deputado Afonso Florense, que foi meu ministro do Desenvolvimento Agrário e a quem eu agradeço muito; ao Arthur Oliveira Maia, ao Daniel Almeida, ao Luiz Alberto.
Queria fazer um cumprimento especial a dois prefeitos: ao prefeito Valdemar Lacerda Silva, de Malhada; e ao prefeito Charles Fernandes, de Guanambi.
Mas eu cumprimento a todos os prefeitos aqui da região: o prefeito José Barreira de Alencar, de Caetité, terra do meu bisavô; o prefeito de Candiba, Reginaldo Martins Prado; a prefeita de Carinhanha, Francisca Alves Ribeiro; ao prefeito de Iuiú, Reginaldo Barbosa; o de Lagoa Real, José Carlos Trindade; e a prefeita de Matina, Olga Gentil; e o padre Amário, de Santa Maria da Vitória.
Cumprimento, também, aqui - que me acompanha nesta viagem - o Vicente Andreu, que é da Agência Nacional de Águas.
Queria cumprimentar, também, o Elmo Vaz, presidente da Codevasf; e o Abelardo de Oliveira, que também nós trabalhamos juntos, né, Abelardo? Lá no Ministério das Cidades, quando eu era ministra do Lula.
Queria, por fim, fazer uma homenagem especial à querida Maria do Pindaí, a Maria Mendes.
Vocês viram companheiras mulheres, como a Maria falou bem. Falou bem, falou do fundo do coração e falou palavras sábias.
A Maria falou muito bem. É, mas as Marias, minha filha, deste mundo - ou seja, nós todas, que somos as Marias deste país -, nós também temos direito a nossa hora e a nossa vez.
Queria cumprimentar os moradores aqui da região, de toda a região. Eu sei que são vários municípios: Malhada, Iuiú, Carinhanha, Guanambi, Caetité, Lagoa Real, e, se eu esqueci algum, vocês me desculpem.
E queria cumprimentar os fotógrafos, os jornalistas e os cinegrafistas.
Eu vim aqui inaugurar este sistema adutor, esta adutora chamada Adutora do Algodão. E eu vim fazer isso por um motivo. Primeiro, porque é importante que o Brasil resolva alguns problemas que tem anos e anos e anos que eles se repetem.
E aqui, na Bahia - que é um dos maiores estados do país, um dos maiores estados, e que para o Brasil ser grande, a Bahia ter que ser grande -, uma das coisas essenciais, como acontece em vários outros estados do Nordeste, é a água. Essa água que a Bahia tem, porque esse rio que está aqui perto, que é o rio São Francisco, ele corta a Bahia inteirinha. E, portanto, para nós, agora chegou a hora, junto com o Jaques Wagner, da gente resolver o problema da água de uma forma a garantir que as mulheres e os homens, as crianças possam tomar café da manhã, como a Maria disse, tomar banho, ter uma água saudável.
E também nós queremos – e por isso que nós vamos lançar, terça-feira, o programa de irrigação -, nós queremos usar a água para aumentar o chamado “de comer”. Nós queremos aumentar a produção de alimentos. Nós queremos que a Bahia use de todo o seu potencial também para produzir e criar gado.
Por isso, eu venho aqui. Esta é uma obra simbólica, e é simbólica porque é com obras assim que nós vamos resolver, e vamos derrotar a seca.
A gente sabe, dentro da nossa condição de seres humanos, que nós não controlamos o clima. Nós não controlamos o dia que chove, quando não chove, porque um ano chove mais do que o outro, mas nós podemos garantir que a gente tenha instrumentos para que, quando não chover, a gente tenha água estocada, que a gente tenha um açude, que a gente tenha uma adutora para captar água de um rio volumoso, como é o São Francisco, e levar água para a população, de forma garantida - chova ou faça sol. Por isso, eu estou muito feliz de estar aqui.
Mas a gente... a gente não pode descuidar, não pode fingir que não viu as dificuldade do povo. Por quê? É obrigação de um governo cuidar das pessoas que são aquelas mais frágeis. Garantir também que o país inteiro desfrute da riqueza que ele tem.
Mas cuidar dos mais frágeis significa, necessariamente no caso da seca, tomar não só as medidas, como esta adutora, mas tomar medidas de emergência. Porque quando sua casa está pegando fogo, você tem de apagar o fogo. E aí, nós tomamos uma série de medidas para impedir que as pessoas sofram com a seca mais do que seria o humano.
Nós sabemos que o Brasil é hoje um país melhor, porque é um país que cuida de todos e, em especial, dos mais pobres. Nós criamos o Bolsa Família, e o Bolsa Família funciona como uma rede de proteção para impedir que as pessoas tenham dificuldade de alimentar seus filhos.
Nós sabemos que o Bolsa Família melhorou a vida dos brasileiros, mas, diante da seca, só o Bolsa Família não aguenta. Por isso, nós criamos o programa que chama Bolsa Estiagem, que é para aquele produtor que perdeu a plantação e que tem de receber um auxilio enquanto a seca durar.
E criamos também o Garantia Safra, porque se a safra... se ele não puder colher a safra de feijão, ele tem de ter como sobreviver. Por isso vocês têm de saber uma coisa: um pequeno produtor que tiver aqui e que sofreu com a seca, ele tem direito a receber do governo federal, em cinco parcelas de R$ 80,00, totalizando R$ 400,00, um auxílio que se chama Bolsa Estiagem.
Agora, como a seca em muitos lugares ainda não acabou, nós prorrogamos por mais dois meses. Em vez de R$ 400,00, ele terá direito a mais duas parcelas de R$ 80,00, totalizando R$ 160,00. Isso vai ajudar a enfrentar a seca. E se a gente ver que ela continua feia em alguns lugares, porque aqui, graças a Deus, está chovendo, mas em vários lugares do nordeste não está.
Nós vamos continuar, aqui, fazendo essa política importantíssima das cisternas. A cisterna é fundamental porque quando você tem falta d’água, choveu, assim, você acumula sua água na cisterna, e você guarda essa água para outro momento... ou usa a água.
Eu queria dizer para vocês, que assim como essas medidas, várias outras que nós tomamos são importantes. A gente vai querer resolver o problema do nordeste com obras deste tipo. Mas enquanto elas não estão prontas, nós usamos carros-pipas. O exército brasileiro - e por isso o general Elito me acompanha nesta viagem – o exército brasileiro está administrando quase 4.200 carros-pipas. Nós autorizamos mais 900. Vamos chegar a uns 5 mil carros-pipas. Justamente para impedir que as pessoas fiquem sem saber para onde ir, sem ter a quem recorrer.
E eu queria dizer para vocês uma coisa: nesses últimos anos, com o governo do presidente Lula, nós fizemos um grande esforço para que o Nordeste crescesse mais, para que a Bahia crescesse mais, para que vocês aqui – nesta região de Malhada, Guanambi e Caetité – tivessem melhores empregos.
Nós não vamos permitir, nós vamos usar de todos os recursos que pudermos para que vocês tenham uma volta atrás com a seca. Por isso, eu estou muito feliz de estar aqui - eu repito mais uma vez. Por que o que nós queremos é que a seca passe, e que ninguém sofra as consequências dela. É isso que o governo federal e o governo do estado vão trabalhar incansavelmente para fazer.
Nós queremos que a seca nunca afete a vida das pessoas, que, é óbvio, que a gente vai usar de adutoras, de irrigação, nós vamos usar do que há de melhor no mundo para garantir que o combate à seca não seja uma volta atrás àquele passado antigo, em que se usava a seca para extrair boa vontade, ou extrair benefícios para o povo.
Nós queremos que as adutoras, as cisternas, a irrigação, seja a realidade, que cada vez menos nós precisemos de carros-pipas e de qualquer outro tipo de reforço.
Mas eu vou dizer para vocês uma coisa: eu fico muito satisfeita também de ver uma coisa que é muito forte aqui nesta região. Até outro dia aqui não chovia, e a terra devia estar cinzenta. Aí, chove, e esta terra ela fica verdinha de dar gosto.
Nós brasileiros, nós somos assim. A gente é um povo capaz de aguentar a dificuldade, mas nós temos força suficiente, como esta terra – porque é dela também que a gente tira a força -, para, se chover um pouquinho que seja, a gente verdejar.
E é isso que eu tenho certeza quando eu venho aqui e falo para vocês, porque é uma grande emoção para mim ver a quantidade de gente trabalhadora, lutadora e empreendedora. E eu quero dizer para vocês, que o Brasil, hoje, é um Brasil diferente. No passado, quando tinha seca, você via multidões de gente nas ruas pedindo esmolas. No passado, você via invasões de supermercado, porque as pessoas não tinham para onde correr.
Nós vamos, cada vez mais, ver o nosso povo de cabeça erguida, de nariz em pé, olhando para a seca e sabendo que nós temos todos os recursos para enfrentá-la.
 E aqui na Bahia - eu quero dizer outra coisa para vocês - eu conto... eu conto... esse é um estado especial, é um estado com uma imensa alegria, é um estado com um povo extremamente trabalhador e determinado. Nós temos de dar uma grande importância. E eu vou falar isso aqui, porque eu falo em todos os lugares que eu vou – pra educação. Por quê? Por mais que nós façamos obras, por mais que nós resolvamos os problemas - esses graves - como é o fato, por exemplo de Caetité, não ter um sistema de saneamento. E nós vamos fazer o sistema de saneamento de Caetité.
Mas é preciso educação. Por isso eu peço às mães – nós lançamos ontem um programa que chama Alfabetização na Idade Certa. Alfabetizar as crianças na idade certa...  e qual é a idade certa? E até oito anos. Até oito anos uma criança tem de saber ler e escrever, tudo isso no nível da criança, e interpretar um textinho simples, e também fazer duas operações, as operações mais simples – matemáticas.
Se a criança não sabe isso, a criança, quando ela for fazer o 3º, o 4º, o 5º, ela vai se prejudicar. Então, eu peço às mães e aos pais, aqui: dêem incentivo aos seus filhos para não deixar de comparecer às aulas estes anos, que é o primeiro ano, o segundo e o terceiro, são anos essenciais para a criança poder crescer.
O governo federal vai fazer o possível e o impossível. Nós vamos colocar dinheiro em todas as escolas. Nós consideramos que a professora que alfabetiza é uma pessoa que a gente tem de fazer por ela tudo o que for preciso, porque ela é a grande heroína do professorado do nosso país.
E nós, sem essas crianças saberem bem direitinho, se elas tiverem uma boa educação, nós vamos ter engenheiros, nós vamos ter ótimos técnicos, nós vamos ter cientistas, nós vamos ser aquele país que nós queremos: com emprego de qualidade e cada vez melhor. Nós vamos ser um país que é o país que todos nós sonhamos, em que o mínimo de renda seja de classe média.
Por isso, eu faço esse apelo às mães: cuidem para colocar... é importantíssimo que a criança vá à escola, que a mãe olhe se ela está aprendendo ou não, que a mãe vá lá e queixe para a professora se ela não estiver  aprendendo.
Nós iremos premiar a escola e as professoras que bem alfabetizarem neste país. Só para prêmio de professor e de escola, no ano que vem, nós vamos colocar R$ 500 milhões.
E eu quero dizer para vocês que, fazendo isso, criando as adutoras, garantindo água, fazendo com que este país tenha melhores empregos, garantindo educação para todos, levando muitos jovens que estão aqui a ter acesso ao ProUni, às universidades e às escolas técnicas, é que este país vai, cada vez mais, orgulhar cada um de vocês, e à mim também.
E a Bahia – vou repetir uma vez -, a Bahia é o maior estado aqui do Nordeste, é um dos maiores estados do país. Sem a Bahia, o Brasil também não se desenvolve.
Por isso, eu vou vir aqui sistematicamente com o Jaques Wagner, fazer uma série de  obras para vocês.
Um beijo no coração!  

Ouça a íntegra do discurso (24min04s) da Presidenta Dilma.
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http://www2.planalto.gov.br/imprensa/discursos/discurso-da-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-durante-cerimonia-de-inauguracao-do-sistema-adutor-da-regiao-de-guanambi-adutora-do-algodao-malhada-ba/view
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GOVERNO DILMA/NE: O SERTÃO VAI VIRAR MAR... (2)


Imprensa

Discursos

Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, por ocasião do encerramento da 16ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo da Sudene

09/11/2012 às 22h20

Salvador-BA, 09 de novembro de 2012

Eu queria, no encerramento, cumprimentar novamente os governadores Jaques Wagner, da Bahia,
Eduardo Campos, de Pernambuco,
Cumprimentar o governador do Ceará, Cid Gomes,
O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho,
O governador do Piauí, Wilson Martins,
A governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini,
O vice-governador, aliás, o governador em exercício de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho,
O vice-governador do Espírito Santo, Givaldo Vieira,
O vice-governador de Alagoas, José Thomaz Nonô,
O governador em exercício de Sergipe, Jackson Barreto de Lima,
O representante do Maranhão, Luiz Fernando Silva, secretário da Casa Civil,
Cumprimentar os ministros de Estado Fernando Bezerra, da Integração Nacional; Agnaldo Ribeiro, ministro das Cidades; general José Elito Siqueira, do Gabinete de Segurança Institucional; Helena Chagas, da Comunicação Social.
Dirigir um cumprimento ao General de Exército Enzo Martins Peri, comandante do Exército,
Aos senadores Lídice da Mata, Humberto Costa, Walter Pinheiro,
Ao superintendente da Sudene, Luiz Gonzaga Paes Landim,
Aos membros do Conselho Deliberativo da Sudene,
E a todos os presentes aqui, em especial ao presidente do BNDES, Luciano Coutinho; ao Cezar Borges, que aqui representa o Banco do Brasil.
Queria cumprimentar também o secretário-executivo Nelson Barbosa, da Fazenda,
Queria cumprimentar o Beto Vasconcelos, secretário da Casa Civil,
E cumprimentar a todos os demais aqui presentes.
Eu queria dizer que, em abril, quando nós nos reunimos e tomamos a decisão de combater, de forma implacável, com todas as nossas forças e recursos, numa parceria que eu acredito que é uma das mais bem-sucedidas, a seca que grassava e que estava iniciando aqui, no Nordeste, diante da avaliação de que seria um momento muito dramático porque todas as perspectivas e todas as avaliações indicavam uma seca extremamente vigorosa, implacável, e uma das grandes secas dos últimos tempos, nós, eu acho que tivemos uma atitude que tem duas ótimas características. Primeiro, é o fato de nós entendermos que este país não tem mais o direito de deixar que a seca se transforme num flagelo. E, segundo, que este país não pode, para resolver seus problemas, agir de forma parcial ou isolada, no que se refere às suas diferentes esferas de poder – governo federal, governos estaduais e governos municipais.
Eu considero que nós fomos capazes de elencar, naquele momento, através do diagnóstico conjunto que fizemos, medidas que nós considerávamos que eram emergenciais e urgentes, e medidas que nós temos certeza que são aquelas fundamentais para que a gente, em definitivo, supere essa fase em que a seca possa se abater sobre nós de uma forma que nos deixe sem defesas, que são as obras estruturantes, que nós chamamos de estruturantes. E eu, naquele momento, falei que o meu governo seria parceiro dos senhores governadores, e disse que essa parceria era incondicional, porque ela estava baseada na população e nas necessidades da população nordestina.
Nós temos consciência que, neste período, nós, acho que conseguimos estabelecer uma ação coordenada. Acho, e queria agradecer a todos os governadores, cumprimentar todos os governadores pela inequívoca capacidade de articulação, parceria. E queria dizer que essa relação constante, esse acompanhamento que nós fizemos, passados esses seis meses, nos permite dizer que nós conseguimos superar a maioria dos problemas, mas ainda temos muita coisa a enfrentar nesse período de seca, que o nosso Carlos Nobre mostrou aqui, através de um prognóstico climático de alta categoria técnica, que nós teremos melhorias em partes restritas, mas a falta de chuva vai se prolongar, na maioria das áreas, até os primeiros meses de 2013 e que, portanto, nós teremos de fazer um acompanhamento permanente.
Por isso, a primeira questão que eu coloco aqui, que é o meu compromisso, é fazer sistemáticas revisões, por quê? Nós teremos de fazer aquele monitoramento que implica em um acompanhamento fino da situação, sendo capazes de tomar as medidas de forma pronta e de forma tempestiva. Vou dizer quais medidas.
Primeiro, respondendo a uma boa colocação da nossa governadora, que quero dizer que no que se refere tanto à Bolsa Estiagem, quanto no que se refere à Seguro de Garantia-Safra, no primeiro, que nós começamos com R$ 400,00 por pessoa, por família de agricultor que necessita, que corresponde a R$ 80,00/mês, e nós prorrogamos por mais duas parcelas, totalizando, portanto, R$ 560,00, nós estaremos atentos, governadora, para a necessidade de prorrogar isso por um período maior. Estaremos inteiramente atentos e, inclusive, o ministro Fernando Bezerra, ele tem já esta orientação. Nós vamos agora, em dezembro, fazer uma avaliação bastante apurada disso novamente.            A segunda, que é a questão do Seguro Garantia-Safra, que nós antecipamos e que nós também ampliamos em mais R$ 136,00 por mais duas vezes de R$ 136,00, aí totalizando não mais R$ 680,00, mas, agora, totalizando R$ 956... Não, 52, seis e seis doze... R$ 952,00.
Esses dois benefícios que nós construímos porque nós achávamos que era imprescindível ter uma ordem de prioridade. Essa ordem era primeiro proteger o agricultor e sua família, que perdesse renda. A segunda questão era, junto com a primeira, e concomitantemente, garantir carros-pipa. E nós, de fato, fizemos talvez a maior operação de carros-pipa feita neste país. Nós nos orgulhamos de ter feito a maior operação pela necessidade, mas não nos orgulhamos de estarmos usando os carros-pipa, mais uma vez, como forma de superar a seca. Nós achamos que carro-pipa não é a melhor resposta para o Nordeste. Nós estamos usando porque estamos na fase de superar este momento em que nós ainda temos de recorrer a carros-pipa, até o momento em que as obras estruturantes – e todos os senhores sabem – e que abrange a todos os estados, estiverem em seu pronto... na sua maior maturidade. Até lá, nós vamos recorrer a uma combinação de ações para fazer face a essa tragédia, que é a seca.
Por isso que o Exército – e aí eu cumprimento o general Enzo – o Exército tem sido extremamente parceiro, nosso parceiro, e nós autorizamos que além dos quase 4.120 carros, nós tenhamos mais 906 carros-pipa, pelo Exército. Nós fornecemos recursos para os estados que se traduziram em dois mil carros-pipa. Nós estamos prontos para fazer uma avaliação precisa, se houver mais necessidades e onde elas estão.
O governo federal prefere, para facilitar a execução, e tendo em vista uma maior eficiência, ter esta relação mais concentrada nos estados. Obviamente, se for impossível que a solução seja essa, a gente encara outra solução, mas a nossa opção é por parceria com os estados, é mais ampla, mais efetiva e mais rápida.
Além disso, eu quero dizer aos senhores que o governo federal está extremamente preocupado em solucionar a questão do milho. Nós vamos fazer o possível e o impossível para aumentar o fornecimento de milho subsidiado para os pequenos produtores dos estados nordestinos. Isto inclui uma avaliação muito séria com a Conab, a respeito de duas coisas: dos destinatários das quantidades de milho e também das estruturas logísticas de distribuição de milho. Estou me referindo às estruturas rodoviárias, às formas de distribuição. E queremos uma parceria com os estados, porque nós precisamos de apoio de pontos de distribuição. Nós só resolvemos essa questão em conjunto. Sozinhos, ou só os senhores, ou só nós, nós não vamos resolver. Para dar certo tem de ser como as coisas deram certo até agora: em parceria. E nessa parceria, que nós todos pegamos juntos, resolvemos as coisas de forma simplificada e desburocratizada, que é pelo telefone, falando uns com os outros, com presteza.
O ministro Fernando Bezerra, ele tem todo o mandato para convocar as reuniões, inclusive trazer mais integrantes do governo para essas reuniões porque nós sempre trabalhamos de forma interligada, daí por que a Conab vai fazer reunião com o Centro de Controle da Seca, e vai responder para nós sobre a quantidade de produtos de milho... porque eu vi que também tem outros produtos. Nós vamos ver o que é... eu acho que hoje aqui foi lançada a questão das tortas, a questão do bagaço de cana, do farelo de soja, do algodão. Eu acho que nós temos de atirar com todas as armas.
Quero dizer que tem uma coisa que me preocupa muito. A gente, quando está numa situação de emergência, a gente tem sempre de tirar um tempo para pensar na emergência e na estruturação, e daí a importância dessa seleção de investimentos em infraestrutura que beneficiam tanto os senhores como beneficiam o conjunto do país porque significa mais investimento em infraestrutura, investimento que é essencial para o país retomar uma taxa elevada de crescimento, que é o que todos nós queremos.
Mas eu queria dizer uma coisa que eu considero muito importante no que se refere à infraestrutura. Eu acho que, para nós e para a forma pela qual nós pretendemos sair da crise... da infraestrutura de distribuição que eu estou me referindo. Eu acho que nós vamos ter de nos preparar para sustentar rebanhos e recompô-los. Por isso é bom que a gente já olhe com o olho um pouquinho mais longe e pense também na recomposição de rebanhos.
Finalmente, eu queria dizer que eu me sinto bastante alegre por algumas coisas. Primeiro, porque nós vamos lançar, na terça-feira, o Programa de Irrigação, que eu acho que é essencial também para o Nordeste, e quando a gente fala em irrigação, você inicia no Nordeste, mas tem várias, várias regiões do Brasil que precisam, hoje, de irrigação. Mas o Nordeste tem, e principalmente essa região da qual nós estávamos falando, ele precisa e ele tem, eu diria, assim, um potencial que nós pretendemos realizar.
E queria dizer também, mais uma vez, que eu acho que o momento é histórico e concordo com as avaliações, tanto é que assinei a medida, que é a financeirização do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Nordeste, do FNDE e do FDA, do Amazonas. Por quê? Porque eu acredito que nós precisamos, no Brasil, de ter instrumentos similares. Instrumentos similares é o seguinte: para equilibrar a desigualdade territorial regional do nosso país, que se expressa também em desigualdade social, nós precisamos de ter instrumentos, não só a proteção do Bolsa Família, não só todas essas medidas, nós temos de ter instrumentos... os chamados “instrumentos sofisticados”. As estruturas do financiamento, elas são essenciais para que a gente possa assegurar que aqui haja investimento de qualidade e que mudem a distribuição desigual e assimétrica de infraestrutura, no nosso país. Por isso, eu acho que é um passo. A Sudene ganha corpo, musculatura, e pode enfrentar esses desafios. Nesse sentido, de fato, é um momento histórico.
E aí eu queria fazer justiça. Fazer justiça a todos os governadores do Nordeste, ao ministro Fernando Bezerra, a todos aqueles, ao Luciano Coutinho, ao pessoal do BNB, a todos aqueles que demonstraram essa consciência da importância dos fundos e de sua financeirização. Eu assisti, acompanhei, eu sei – não é, Fernando? – que não foi fácil. Mas as coisas que não são fáceis – sabe, Jaques – eu tenho a impressão que são as melhores.
Por isso, eu tenho certeza que esse é um grande passo e hoje é um grande dia, daqui a alguns anos nós saberemos o quanto. Eu acho que até já dá para ver, no curto prazo, um pouco, já dá para ver. Agora, no médio, vai ser muito importante.
Finalmente, eu queria dizer a vocês mais uma vez: nós não vamos deixar com que tudo que conquistamos até agora aqui no Nordeste, aqui na Bahia – eu estou na Bahia, então vou falar para os nossos queridos baianos e baianas – nós não vamos deixar, de maneira alguma, que o Nordeste volte atrás. Pelo contrário, nós vamos usar essa seca para avançar mais. Eu acho que aumenta o nosso compromisso e torna esse compromisso ainda maior: nós vamos resolver estruturalmente o problema da seca. Esse é um compromisso que eu acho que sai dessa reunião de Brasília, com todos nós, governadores, ministros, presidenta da República, e todos os senhores presidentes de bancos, de diferentes instituições que deram a honra para nós dessa reunião.
Muito obrigada.
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http://www2.planalto.gov.br/imprensa/discursos/discurso-da-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-por-ocasiao-do-encerramento-da-16a-reuniao-ordinaria-do-conselho-deliberativo-da-sudene
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GOVERNO DILMA/NE. O SERTÃO VAI VIRAR MAR...


Sexta-feira, 9 de novembro de 2012 às 21:32

Dilma: vamos resolver estruturalmente o problema da seca


Presidenta Dilma Rousseff durante 16ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo da Sudene. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
No encerramento da 16ª Reunião do Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), nesta sexta-feira (9), a presidenta Dilma Rousseff fez um balanço das ações de enfrentamento da estiagem desde abril, e destacou a ação coordenada entre os diversos entes federativos envolvidos. Para Dilma, os governos foram capazes de reconhecer as obras emergenciais e as estruturantes que deverão resolver a situação de forma definitiva.
“Eu considero que nós fomos capazes de elencar as medidas que eram consideradas emergenciais e urgentes. E medidas que nós temos certeza que são aquelas fundamentais para que a gente, em definitivo, supere essa fase em que a seca possa se abater sobre nós de uma forma que nos deixe sem defesas, que são as obras estruturantes. (…) Entendemos que esse país não tem mais o direito deixar que a seca se transforme em flagelo. (…) Nós não vamos deixar que o Nordeste volte atrás. Vamos usar essa seca para avançar mais. Nós vamos resolver estruturalmente o problema da seca.”, disse.
Para a presidenta, a situação deverá continuar sendo acompanhada, e novas prorrogações de benefícios, como o Bolsa Estiagem, poderão voltar a acontecer. Uma nova avaliação deve ser feita em dezembro. Outro ponto destacado por Dilma é a distribuição de milho pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que deverá ser aumentada, com preços subsidiados, para pequenos produtores.
“Estaremos atentos para a necessidade de prorrogar [os benefícios]. Nós vamos, em dezembro, fazer uma avaliação bastante apurada. Esses dois benefícios que construímos, porque era preciso ter uma ordem de prioridade. A primeira questão era proteger o agricultor que perdesse renda e sua família, e junto garantir carros-pipa”, afirmou.
Mais investimentos
Durante a reunião, ainda foi anunciado o investimento de R$ 1,8 bilhão na construção e ampliação de adutoras, barragens, sistemas de abastecimento e outros empreendimentos. Ao todo, são 77 obras que vão aumentar a oferta de água em municípios do Nordeste e norte de Minas Gerais.
Os termos para o início dos trabalhos foram assinados pelos governadores durante a reunião. Os investimentos serão disponibilizados pelo Ministério da Integração Nacional (R$ 1,06 bilhão para 33 obras); Ministério das Cidades (656,2 milhões para 22 obras); e pela Fundação Nacional de Saúde (R$ 108 milhões para 22 obras). Estados e municípios executarão os empreendimentos e a supervisão será feita pela Caixa Econômica Federal.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

RIO SÃO FRANCISCO [In:] ''SALVE-NOS, PADIM PADI´CIÇO''

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CUSTO EXPLODE E OBRA DO S. FRANCISCO TERÁ LICITAÇÃO DE R$ 1,2 BI

GOVERNO FARÁ LICITAÇÃO DE R$ 1,2 BI PARA SALVAR TRANSPOSIÇÃO E EVITAR PARALISIA
Autor(es): MARTA SALOMON

O Estado de S. Paulo - 29/12/2011

Ministro diz que vai refazer contratos da transposição do rio porque consórcios precisariam receber até 60% a mais; gasto com projeto chega a R$ 6,9 bilhões

O governo Dilma Rousseff lançará duas novas licitações no valor total de R$ 1,2 bilhão para terminar trechos da transposição do Rio São Francisco já entregues a consórcios privados, informa a repórter Marta Salomon. Iniciado em 2007, o projeto já consumiu R$ 2,8 bilhões, mas tem trechos parados e outros que precisarão ser refeitos. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, calcula que o custo inicial da obra saltou de R$ 5 bilhões para R$ 6,9 bilhões. As novas licitações foram a forma encontrada por Bezerra para driblar um problema: os consórcios não conseguiriam terminar o trabalho mesmo que o valor aumentasse 25%, limite legal para aditivos em contratos. "Vimos que teríamos de fazer aditivos de até 60%", disse o ministro, que admitiu erros no projeto, como a número insuficiente de sondagens de solo.



Para tentar terminar as obras da transposição do Rio São Francisco em mais quatro anos, o governo Dilma Rousseff recorrerá a uma nova licitação bilionária de obras já entregues à iniciativa privada. O custo estimado do negócio é de R$ 1,2 bilhão, informou ao Estado o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, responsável pela obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) bancada com dinheiro dos impostos.

A obra começou em 2007 como um dos grandes projetos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A transposição desviará parte das águas do São Francisco por meio de mais de 600 quilômetros de canais de concreto para quatro Estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

Depois de R$ 2,8 bilhões gastos, a transposição registra atualmente obras paralisadas, em ritmo lento e até trechos onde os canais terão de ser refeitos, como é o caso de 214 metros em que as placas de concreto se soltaram por entupimento num bueiro de drenagem. As falhas foram testemunhadas por reportagem do Estado, no mês passado.

O custo inicial da transposição, estimado em R$ 5 bilhões, já saltou para R$ 6,9 bilhões, calcula Fernando Bezerra, incluindo a nova licitação. "Só vamos ter certeza do valor quando concluirmos o processo licitatório e fecharmos os contratos", avalia o ministro. Ele espera lançar as novas licitações até março.

Relicitar parte dos trechos entregues a grupos de empreiteiras foi a forma que a equipe de Bezerra encontrou para concluir as obras e evitar que a transposição do São Francisco se transforme em um elefante branco.

Os oito consórcios privados, responsáveis por 12 lotes da obra, não conseguiriam terminar o trabalho para a qual foram contratados mesmo que o valor pago fosse aumentado em 25%, limite legal autorizado para aditivos contratuais. O ministro optou, então, por eliminar parte das tarefas previstas originalmente em contratos. Os consórcios receberão apenas pelo serviço feito. "Todos toparam", conta Fernando Bezerra. "Houve uma negociação e uma negociação que não foi fácil", destaca.

Desde que assumiu o cargo, no início do ano, Fernando Bezerra tenta renegociar os contratos. "Numa primeira avaliação, vimos que teríamos de fazer aditivos de até 60%", disse o ministro. "Não diria que foi erro de projeto, mas o projeto básico não estava detalhado e foi incapaz de identificar as situações de campo. O número de sondagens foi insuficiente para garantir o tipo de solo que seria encontrado", alegou.

Fernando Bezerra tenta negociar com o Tribunal de Contas da União (TCU) um reajuste maior do que o limite legal, de 25%, para a manutenção do consórcio responsável pelo lote número 14, que envolve a construção de túneis. "Seria uma exceção, porque os túneis são máquinas caras, a mobilização de novo maquinário não seria vantajosa. Seria importante ir com o aditivo acima dos 25%", argumenta.

Os outros sete consórcios já teriam sido chamados a renegociar o que o ministro chama de "aditivos supressivos". Eles fazem menos do que o planejado, recebem menos do que o previsto e passam o serviço adiante.

Bezerra defende a licitação de dois saldos remanescentes de obras, um no eixo Norte e outro no eixo Leste. "O ideal seria termos dois pacotes de obras complementares", avalia.

No eixo Leste, que Lula gostaria de inaugurar ainda durante seu mandato no Planalto, ainda faltam 30% das obras. A nova previsão é inaugurar no final do mandato da presidente Dilma Rousseff. Já o eixo Norte tem menos de metade das obras concluídas, e a inauguração ficaria para dezembro de 2015.

Fernando Bezerra insiste em que as obras não ficarão paradas à espera da nova licitação. Entre maio e novembro de 2012, a obra ganhará ritmo mais acelerado, imagina, com a conclusão de obras nos lotes tocados pela iniciativa privada e a chegada dos novos empreiteiros. Insiste também que trechos mal feitos serão reconstruídos sem custo extra para o governo. "Apesar de todas as dificuldades, foi ano positivo para a transposição."

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