A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************
“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
----
''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
=========valor ...ria...nine
folha gmail df1lkrha
***
sexta-feira, maio 24, 2013
BOM DIA, BRASIL !!!
Renan Calheiros assume a Presidência da República nesta sexta-feira
- Wilson Dias/Agência BrasilO senador Renan Calheiros, presidente do Senado, assume a Presidência da República com as viagens internacionais de Dilma, Temer e Henrique Alves
quinta-feira, maio 23, 2013
''NAS ASAS DA PAN AIR''
Dilma viaja à África e Renan assume Presidência
Na ausência do vice e do presidente da Câmara, que também estarão fora do País, cabe ao senador ocupar o cargo; em 2006 ele já havia assumido a presidência interinamente
--------
-----
(*) CONVERSANDO NO BAR (Milton Nascimento).
Nas asas da Pan Air
E lá vai menino xingando padre e pedra
E lá vai menino lambendo podre delícia
E lá vai menino senhor de todo fruto
Sem nenhum pecado, sem pavor...
-------------------
segunda-feira, maio 20, 2013
EQUADOR: MEU BRASIL BRASILEIRO (Ary Barroso)
| 20/05/2013 | |
segunda-feira, fevereiro 18, 2013
EQUADOR. NEGÓCIO 'DA' CHINA
| 18/02/2013 | |
Dinheiro chinês ajuda a reeleger Correa no Equador
Por Fabio Murakawa | De São Paulo
Os bilhões de dólares em créditos concedidos pela China facilitaram a tarefa de Rafael Correa de se reeleger presidente com uma margem folgada nas eleições de ontem no Equador.
Segundo analistas, o dinheiro chinês tornou-se fundamental para o governo Correa depois que o presidente anunciou um calote de US$ 3,2 bilhões em pagamentos de títulos da dívida em 2008. Sem outras fontes de financiamento, foram os chineses que ajudaram a cobrir o déficit causado pela alta dos gastos do governo nos últimos anos. Esses gastos levaram o país a um crescimento sólido do PIB e ajudaram a reduzir a taxa de pobreza de 52% para 32%, desde que ele assumiu o cargo, em 2007.
Com o gasto público em alta, o déficit fiscal do Equador chegou a 5,7% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado e deve superar os 7% do PIB neste ano. Esse déficit tem coberto em parte pelos US$ 9,25 bilhões em créditos concedidos pela China, muitos deles tendo o petróleo - principal produto de exportação do país - como moeda de troca. Correa também elevou os gastos com educação de 2,5% para 6% do PIB, concedeu benefícios sociais em dinheiro para famílias mais pobres e tem bilhões de dólares contratados em obras de infraestrutura, que impulsionam o crescimento do país.
"O Equador é hoje um dos países com mais alto índice de investimento na América Latina, com 15% a 16% do PIB", diz uma fonte do governo brasileiro. "Sem o dinheiro chinês, provavelmente esses investimentos não existiriam."
A fórmula deve continuar intacta no novo mandato, de quatro anos. Em dezembro, o ministro das Finanças, Patricio Rivera, anunciou que o governo usará um novo empréstimo de US$ 2 bilhões do Banco de Desenvolvimento da China (BDC) para financiar um déficit orçamentário estimado para este ano em US$ 6 bilhões, cerca de 7,75% do PIB.
Kevin Gallagher, professor de Relações Internacionais da Universidade de Boston e estudioso da atuação da China na América Latina, aponta outro benefício dos empréstimos concedidos pelo país asiático. Ele lembra que só o fato de a China estar financiando os gastos do governo Correa levou a agência Moody"s a aumentar a nota de crédito ao Equador no ano passado. "Isso foi de certa maneira surpreendente, porque eles haviam dado um default em 2008 e não estavam com uma imagem muito boa", disse ele ao Valor. "Eu não sei se a China estava fazendo isso conscientemente. Mas, ao emprestar dinheiro ao Equador, melhorou a credibilidade do país."
Para Gallagher, o relatório da Moody"s sinaliza ao mercado que o Equador tem liquidez para cumprir seus compromissos e pode facilitar a tarefa de Correa para conseguir outros empréstimos no mercado de capitais, apesar do calote de 2008.
Além dos mais de US$ 9 bilhões em financiamentos, a China também é o principal parceiro do país em obras de infraestrutura. Segundo a fonte do governo brasileiro, os chineses tocam hoje cerca de US$ 6 bilhões em projetos como hidrelétricas, irrigação e estradas, entre outros, no país. As empresas brasileiras, também com participação importante, têm hoje contratos que totalizam cerca de US$ 1,5 bilhão no Equador.
Essas obras, dizem analistas, foram fundamentais para gerar empregos e melhorar a renda no país, o que se refletiu na avalanche de votos recebida ontem pelo presidente. Em entrevista à rede britânica BBC nesta semana, Ralph Murphine, que foi consultor de Correa na campanha presidencial de 2006, resumiu: "A campanha de Correa começou um ou dois anos atrás, quando estradas foram pavimentadas e quando as pessoas começaram a receber pagamento em dinheiro."
|
segunda-feira, novembro 12, 2012
GOVERNO DILMA: "YO TENGO TANTOS HERMANOS''
Após 4 anos, BNDES volta a dar créditos para obras no Equador
| Brasil volta a financiar o Equador após "geladeira" |
Autor(es): Por Fabio Murakawa | De São Paulo |
| Valor Econômico - 12/11/2012 |
O BNDES voltará a financiar projetos no Equador. Nos próximos dias, o banco e o governo equatoriano firmarão um contrato de crédito de US$ 90,2 milhões para a construção da hidrelétrica de Manduriacu, com capacidade de 60 megawatts, na província de Pichincha, no norte do país. A responsável pelas obras será a construtora Odebrecht. O custo total da obra é estimado em US$ 125 milhões.
O BNDES não financia obras no Equador desde 2008, quando o governo local apontou falhas na construção da hidrelétrica de San Francisco, também realizada pela Odebrecht, que acabou expulsa do país. O presidente Rafael Correa recorreu à Corte Internacional de Arbitragem para não pagar parte do financiamento de US$ 242 milhões ao BNDES.
Depois de quatro anos, o Brasil tirou o Equador da "geladeira" e voltará a financiar obras no país.
Nos próximos dias, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e governo equatoriano firmarão um contrato de crédito de US$ 90,2 milhões para a construção da hidrelétrica de Manduriacu, uma central com capacidade para gerar 60 MW na Província de Pichincha, norte do Equador. A responsável pelas obras será a construtora Odebrecht, que venceu uma concorrência que o governo equatoriano ofereceu a empresas brasileiras já de olho nos recursos do banco de fomento do Brasil. O custo total da obra está estimado em US$ 125 milhões. Procurada, a empresa não se pronunciou.
O BNDES não financia obras no Equador desde 2008, quando o governo local apontou falhas na hidrelétrica de San Francisco, cuja construção havia sido concluída um ano antes pela própria Odebrecht, que acabou expulsa do país.
Os recursos brasileiros para projetos no país sul-americano caíram a zero depois que o presidente Rafael Correa recorreu à Corte Internacional de Arbitragem, em Paris, para não pagar parte do financiamento de US$ 242,9 milhões do BNDES. O gesto irritou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a retirar o embaixador brasileiro de Quito e a suspender missões empresariais e visitas de ministros ao país.
"O Equador perdeu a causa no tribunal de Paris e está em dia com o pagamento do financiamento, mas as relações comerciais entre os dois países não haviam se normalizado até agora", disse uma fonte do governo brasileiro. Oficialmente, Brasília não admite ter colocado o Equador na "geladeira".
O BNDES confirma a aprovação do crédito de US$ 90,2 milhões para a construção de Manduriacu. Fontes dentro do banco afirmam que essa é a "primeira operação para a retomada do relacionamento" entre a instituição e o Equador. Uma fonte do governo equatoriano também confirma o acerto.
Fontes dos governos brasileiro e equatoriano afirmam que uma outra obra está perto de receber financiamento do BNDES. Trata-se do projeto de irrigação de Daule Vinces, no oeste do país, cuja concorrência entre empresas brasileiras também foi vencida pela Odebrecht. Orçado em aproximadamente US$ 185 milhões, ele prevê a irrigação de 170 mil hectares de terras ligando as águas de dois rios, e inclui ainda obras de combate a enchentes. O Valor apurou, no entanto, que não ainda há nenhuma outra operação do Equador em análise pelo BNDES.
Desde 2008, o Equador tem dependido do dinheiro chinês para financiar seus projetos, como a maior hidrelétrica do país, Coca Codo Sinclair, com custo de construção estimado em US$ 2 bilhões. Mas o fato de a China cobrar juros mais altos do que o BNDES e exigir quotas de petróleo como garantia em empréstimos levou os equatorianos a sentir saudades do Brasil.
Em meados de 2011, teve início uma reaproximação, com uma visita do ministro de Setores Estratégicos do Equador, Jorge Glas, a Brasília. Na época, ele se reuniu com membros do Cofig (Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações), órgão colegiado formado por diversos ministérios e que trata do financiamento público brasileiro. Acompanhado por uma comitiva, Glas pediu a volta dos empréstimos a projetos em seu país, assegurando que problemas como os de 2008 não voltariam a ocorrer, segundo fontes do governo brasileiro.
Em março último, fontes do governo equatoriano disseram ao Valor que o Equador havia oferecido um pacote de obras de infraestrutura de US$ 2,5 bilhões a empresas brasileiras, já contando com a volta dos financiamentos do BNDES. Dentre essas obras, estava a hidrelétrica de Manduriacu, cujo crédito acabou sendo aprovado pelo banco brasileiro no fim de julho, segundo apurou o Valor.
---
|
quinta-feira, outubro 29, 2009
DITADURAS DE DIREITA E ESQUERDA/DITADORES: OS DITA DORES
Internacional
Ditadores perpétuos
Pobre América Latina. Sob influência de Chávez, outro governante,
Daniel Ortega, da Nicarágua, não quer deixar o poder
Ao cortar o entusiasmo dos que o insuflavam a buscar o terceiro mandato, o presidente Lula adquiriu estatura e força moral que o diferenciam radicalmente de muitos líderes da América Latina. A região, onde historicamente a normalidade é um hiato, está de novo sensível à pregação antidemocrática e, como um elástico esticado que busca a posição de descanso, mergulhando no caudilhismo. É o mesmo pântano populista em que a América Latina chafurdou no passado. A diferença agora é que os caudilhos se dizem de esquerda e "bolivarianos", tendo como traços comuns a impossibilidade de convivência com a imprensa livre, o desrespeito à Constituição e a formação de esquadras de bate-paus para intimidar fisicamente os adversários. O patrono da turma é o venezuelano Hugo Chávez, secundado por figuras menores como o equatoriano Rafael Correa e o boliviano Evo Morales. Em Honduras, Manuel Zelaya tentou o golpe bolivariano, mas seu voo de galinha foi interrompido em pleno ar pela Corte Suprema e pelos militares. O mais novo aderente ao caudilhismo de esquerda é o nicaraguense Daniel Ortega. A única surpresa é ele não ter sido o primeiro a aderir.
Ortega está cumprindo à risca o manual de instalação de ditaduras de esquerda em países de instituições fracas. Na segunda-feira passada, um grupo de seis juízes da Corte Suprema acatou um recurso, apresentado pelo próprio presidente, exigindo a anulação do artigo 147 da Constituição, que proíbe a reeleição. Caso a decisão seja ratificada por nove dos dezesseis magistrados do tribunal, Ortega poderá concorrer nas eleições de 2011. Como ele nomeou oito desses juízes e ainda tem direito a indicar mais um, o golpe constitucional está praticamente pronto. Quando for consumado, o presidente da Nicarágua engrossará o time dessa nova modalidade de ditadura.
Daniel Ortega foi o líder da Revolução Sandinista, que derrubou a ditadura de Anastásio Somoza, em 1979, e teve uma passagem ruinosa pela Presidência do país. Meses antes de deixar o poder, em 1990, ele comandou a piñata, o saque de bens e propriedades promovido pelos sandinistas. A casa em que o presidente mora foi roubada de um rico empresário. Ortega voltou para disputar as eleições em 2006 travestido de democrata, pedindo "perdão pelos erros do passado". Ganhou com 38% dos votos, e a máscara caiu rápido. Logo que tomou posse, ingressou na Alba, o clube dos amigos de Hugo Chávez. Em 2008, os sandinistas fraudaram descaradamente as eleições municipais, levando 105 das 146 prefeituras – ocupadas por políticos que, caso a reeleição seja permitida, também poderão se candidatar novamente.
Na Colômbia, o presidente Álvaro Uribe, que não pode ser definido como de esquerda, também achou uma maneira de mudar a Constituição para conseguir um segundo mandato e agora trabalha para emplacar o terceiro. Pode-se argumentar que ele tem suas razões. A mais óbvia delas é Uribe ter sido o único governante a enfrentar com sucesso as Farc, narcoguerrilha de esquerda que chegou a dominar territorialmente metade do país. Ele acha que precisa de mais um mandato para consolidar sua vitória contra as Farc. Vitória mesmo seria se Uribe tivesse fortalecido de tal forma as instituições democráticas da Colômbia a ponto de elas poderem prescindir de uma única personalidade política. Ainda assim, é gigantesca em qualidade e intenções a diferença que separa Uribe de um Chávez e de um Ortega. Os "bolivarianos" não querem apenas mais um mandato. Querem mesmo é se tornar ditadores perpétuos, massacrando a oposição, fechando jornais e redes de televisão, emasculando o Legislativo e o Judiciário, como Chávez fez na Venezuela.
"Convivi com Ortega por muitos anos e sei que sua vontade é manter-se no poder a qualquer custo, mesmo que isso implique a destruição de nossa incipiente democracia", disse a VEJA Sergio Ramírez, que foi vice-presidente da Nicarágua no primeiro governo de Ortega. Antes de conseguir o apoio de magistrados, Ortega já havia promovido uma campanha no Congresso para reformar a Constituição. Desse projeto autoritário fazem parte ele e sua mulher, Rosario Murillo. Em 1998, quando a filha dela do primeiro casamento acusou Ortega de tê-la estuprado dos 11 aos 19 anos de idade, Rosario ficou ao lado do marido. Ele se livrou do processo por estupro por ter imunidade parlamentar. Hoje, é a primeira-dama quem redige decretos presidenciais, preside sessões do governo e traduz para o inglês discursos de Ortega. Os sete filhos do casal foram colocados em postos estratégicos, sendo o mais ilustre deles um diretor do canal estatal. O apego de Ortega à democracia foi definido pelo próprio em discurso na última reunião do Foro de São Paulo, entidade que congrega os ideólogos da ditadura de esquerda. Disse Ortega: "(A democracia) é um instrumento para os capitalistas se perpetuarem no poder. Somente aprendi a usar os meios do inimigo para ascender ao comando do país". Uma vez usada com sucesso, a democracia, ensina o Foro de São Paulo, deve ser descartada.
--------------------
http://veja.abril.com.br/281009/ditadores-perpetuos-p-092.shtml
-----------------
quinta-feira, outubro 01, 2009
AMÉRICA LATINA [In:] OS ''ZÉ´S'' DE PLANTÃO...
Vitória de Chávez
| O Globo - 01/10/2009 |
A situação da diplomacia brasileira continua crítica no impasse político em Honduras. O chanceler Celso Amorim afirmou que suspender o “abrigo” ao presidente deposto, Manuel Zelaya, na Embaixada do Brasil, seria “um incentivo a novos golpes de Estado na América Latina”. Parece esquecer-se, ou propositalmente esquece, que Zelaya também tinha um projeto golpista, à moda bolivariana, ou seja: realizar referendos para minar por dentro as instituições hondurenhas, tal qual Hugo Chávez na Venezuela e seus discípulos Evo Morales, na Bolívia, e Rafael Correa, no Equador. Já o assessor especial do presidente Lula para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, que evitou criticar o fechamento de 34 emissoras de rádio por Chávez na Venezuela, acha que as tentativas de envolver o líder venezuelano na trapalhada em Honduras são “uma cortina de fumaça”. Mesmo tendo sido o presidente deposto transportado, a caminho de Honduras, num avião venezuelano, e o próprio Chávez admitido que monitorara o deslocamento de Zelaya pelo telefone, enganando quem o esperava na Assembleia da ONU, em Nova York. Tendo sido passiva (“Zelaya materializou-se na embaixada”, disse um diplomata brasileiro) ou ativa (o que o governo nega, com baixa credibilidade), a participação brasileira no episódio exacerbou o impasse. O governo interino de Honduras endureceu sua posição, enquanto Zelaya deixava mal a diplomacia brasileira ao transformar a missão em Tegucigalpa num bunker político de agitação e propaganda, em claro desafio às regras do asilo político — que ele não pede, nem o Brasil impõe, o que facilita sua atuação. Querendo ou não, o Itamaraty virou cúmplice do impasse. Logo, da crise. A grande vítima, além da credibilidade brasileira, é o povo hondurenho, pois o governo interino, sob o pretexto de evitar uma insurreição dos partidários de Zelaya, decretou estado de sítio, restringindo as liberdades civis. Embora claramente a negociação seja a única via admissível, não está afastada a hipótese de mais violência. É o pior dos mundos: o governo interino se acerca rapidamente de uma ditadura, o Brasil se vê acuado, o México — influente na América Central — se mantém mudo, e os EUA, que sempre apoiaram o retorno de Zelaya para que terminasse seu mandato constitucional, se mostram reticentes, diante das evidências das más intenções chavistas. Até agora, o vencedor é Hugo Chávez, que gosta de cultivar um clima de tensão propício a seu protagonismo bolivariano de cunho histriônico e desestabilizador. Quanto mais esticada a corta, melhor para ele. ---------------- |
terça-feira, maio 26, 2009
VENEZUELA: A TRUCULÊNCIA TAMBÉM É UMA BOMBA
O Estado de S. Paulo - 26/05/2009 |
Diante do impacto da queda abrupta das cotações do petróleo sobre as finanças venezuelanas e a capacidade do presidente Hugo Chávez de influenciar governos latino-americanos a peso de petrodólares, a sua reação tem sido a de ampliar o controle do Estado sobre a economia nacional - agora com repercussões na região - e intensificar a repressão ao que resta no país de instituições e forças sociais independentes, como imprensa e os sindicatos (ele pretende substituí-los por conselhos de trabalhadores que se reportariam ao partido chavista). Mais do mesmo, portanto. Segundo dados oficiais, nos dois últimos anos a participação estatal na economia aumentou de pouco mais de 25% para perto de 30%. O setor privado, que soma hoje cerca de 7 mil indústrias, tinha 11 mil quando Chávez chegou ao poder, em 1999. Nesse período, o número de empregados da área pública saltou de 1,2 milhão para 2,1 milhões. Há pouco ele resolveu à sua maneira o problema dos mais de US$ 10 bilhões em dívidas do governo com dezenas de empresas prestadoras de serviços petrolíferos: expropriou-as. Na semana passada, o chavismo atravessou a campanha para as eleições de 28 de junho na Argentina, quando serão renovados 1/3 do Senado e metade da Câmara dos Deputados. A disputa antecipa a sucessão presidencial de 2011 e ameaça privar o governo de Cristina Kirchner, com a popularidade em baixa, da maioria no Congresso. Na última sexta-feira, um dia depois de Chávez anunciar de inopino a estatização de três siderúrgicas da multinacional portenha Technit instaladas na Venezuela, as seis maiores entidades empresariais argentinas exigiram da presidente providências para reaver as empresas. Até mesmo a peronista Confederação Geral do Trabalho (CGT) condenou as encampações. Autoridades do governo prometeram "proteger os interesses nacionais" respeitando embora as "decisões soberanas" da Venezuela. A Casa Rosada teve ainda de adotar uma posição defensiva diante dos crescentes rumores de que estaria planejando a "chavização" da economia argentina. Um dos principais nomes da oposição, a ex-candidata presidencial Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, denunciou "o modelo de populismo confiscatório" de Chávez que o governo estaria se preparando para adotar. "Acreditamos em um capitalismo nacional, mas não vamos sair estatizando empresas", desmentiu um ministro. O caudilho venezuelano deixou Cristina numa situação difícil. Ou ele a teria avisado da iminente nacionalização - o que o governo desmente, para não ser acusado de omisso - ou ela foi colhida de surpresa, numa evidente falta de consideração. O problema de fundo é a dependência argentina, inaugurada pelo então presidente Néstor Kirchner, do muy amigo venezuelano. Chávez comprou US$ 9,2 bilhões em títulos da dívida pública portenha, cobrando juros de 14%. (Imediatamente os repassou para a banca local, deteriorando o valor dos papéis no mercado secundário.) A soberba, a rigor, é a marca da ação política do coronel Chávez. No plano interno, é sinônimo de truculência, como a exibida na sua sistemática perseguição à imprensa. A TV Globovisión, que se opõe à tirania que ele vem erguendo passo a passo, foi acusada de "terrorismo midiático" pouco depois de Chávez ameaçar as estações opositoras com "uma surpresinha". Ele costuma cumprir as ameaças que faz. No ano passado, uma sequência de intimidações contra a RCTV, a mais popular do país, no ar desde 1955, culminou com a sua recusa de renovar a concessão da emissora. Na quinta-feira passada, a polícia fez uma razzia na casa do proprietário da Globovisión, que também é sócio de uma concessionária de veículos, apreendendo "uma grande quantidade" de carros que não teriam os documentos em ordem. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e um relator da ONU acusaram Caracas de promover um ambiente em que "o direito à liberdade de expressão é seriamente limitado". É o ambiente que ele fomenta na região. Chávez e o equatoriano Rafael Correa propuseram à União das Nações Sul-Americanas (Unasul) a criação de um organismo que "defenda os governos locais dos abusos da imprensa". A história mostra que, na América Latina, a imprensa é que tem sido obrigada a se defender dos governos cujos abusos denuncia. É o que acontece sempre onde a democracia não sucumbe aos seus inimigos. |
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
EQUADOR: O TRÁFEGO DO TRÁFICO
Agência AFP
QUITO - A investigação de um caso de tráfico de drogas tirou da corrida eleitoral um ex-ministro e homem forte do governo equatoriano, bem no início da campanha pela reeleição do presidente, Rafael Correa. O ex-titular do ministério de Segurança, Gustavo Larrea, desistiu de sua candidatura à Assembléia Nacional (Congresso) na segunda-feira, encurralado por um escândalo que começa a vir à tona.
Larrea se afastou da disputa em conseqüência da suposta ligação de um de seus assessores, Ignacio Chauvín - que também possui um cargo no governo -, com uma rede de tráfico de drogas, que, ao que tudo indica, exportava drogas com o apoio da guerrilha colombiana das Farc.
Apesar dos esforços para evitar danos à imagem do governo, o tema já é o centro das atenções de sua campanha, que começa oficialmente na quinta-feira, quando acaba o prazo para a inscrição das candidaturas à presidência. As eleições estão marcadas para o dia 26 de abril.
- Isso é um assassinato de imagem. Há setores interessados, não em prejudicar minha imagem, mas sim a gestão do governo - declarou Larrea, citado pela imprensa como a primeira vítima política do caso dos irmãos Ostaiza, investigados por contrabando de drogas.
O ex-ministro - que é apontado pela Colômbia como suposto contato das Farc no Equador durante uma crise diplomática entre os dois países envolvendo o grupo guerrilheiro - deixou implícito que continuará trabalhando em sua campanha, embora com uma atuação mais discreta.
A oposição, que ainda não definiu as chapas que disputarão com Correa nas eleições, assumiu a linha de frente dos ataques contra o presidente.
- É um assunto muito grave, que deve ser investigado com profundidade, e será muito mais grave ainda se for comprovado o financiamento (com dinheiro do narcotráfico) das campanhas do Movimento País (presidido por Correa) - disse a pré-candidata de esquerda Martha Roldós.
Essas suposições têm sido ventiladas por Fernando Balda, ex-militante governista e atual membro da oposição, que afirmou dispor de uma gravação na qual o ex-colaborador de Larrea fala sobre a intenção dos irmãos Ostaiza de doar dinheiro para a campanha do presidente em 2006.
- Levarei a gravação ao Ministério Público como princípio de prova, para que sejam iniciadas as investigações correspondentes e possamos esclarecer a verdade - indicou Balda à imprensa.
Correa, por sua vez, questionou publicamente a polícia, por não ter capturado ainda o ex-assessor de seu ministro. Segundo o jornal El Comercio, foi ele quem decidiu tirar Larrea da campanha.
Nesta terça-feira, o governo disse que a decisão de Larrea ao abandonar a corrida eleitoral foi um gesto "sensível, com a intenção de preservar o governo", e impedir que o caso possa ser usado por "aqueles que buscam, de qualquer maneira, afetar" Correa, estimou César Rodríguez, vice-presidente do Legislativo.
-----------------
http://jbonline.terra.com.br/nextra/2009/02/03/e03028020.asp
--------------------
sexta-feira, outubro 10, 2008
LULA x RAFAEL CORREA: RUGIDO À VISTA ???
.
O governo brasileiro reagira com sangue de barata à decisão de Rafael Correa de fazer gato-sapato da construtora Odebrecht.
Animado, o presidente do Equador passou a brandir ameaças contra a Petrobras.
Tanto fez que, nesta quinta (9), Lula decidiu subir o tom.
Mandou cancelar uma viagem do ministro Alfredo Nascimento (Transportes) à cidade de Quito.
Nascimento voaria para a capital equatoriana no próximo dia 15.
Chefiaria uma missão de apoio financeiro do Brasil a obras de infra-estrutura viária no Equador.
Em nota, o Itamaraty informa: o embaixador brasileiro em Quito foi orientado a avisar à chancelaria equatoriana acerca do adiamento –“sine die”— da viagem do ministro.
Uma resposta aos "últimos desdobramentos envolvendo empresas brasileiras (...), que contrastam com a expectativa de solução favorável...”
Finalmente, o governo Lula demonstra que, confrontado com a tentativa de humilhação, também pode subir pelas paredes.
Não deixa de ser um avanço. Evoluiu-se do papel de barata para o de lagartixa. Pode não resolver. Mas já é um bom começo. Não demora e Lula estará rugindo como leão.
Escrito por Josias de Souza , Folha Online, foto Antonio Cruz,ABr.
------------
sábado, setembro 27, 2008
EDITORIAL: "PODE SER A GOTA D´ÁGUA..."
Está na hora de perder a paciência
quinta-feira, março 06, 2008
COLÔMBIA/URIBE: "MEA CULPA"
Em reunião esta noite no Palácio de Nariño, sede da Presidência, com diretores de meios de comunicação colombianos, agências e correspondentes estrangeiros, Uribe voltou a assumir "toda a responsabilidade" pela operação militar, na qual Luis Edgar Devia, nome verdadeiro de Raúl Reyes, e cerca de 20 guerrilheiros morreram em território equatoriano. O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta quarta em Washington uma resolução pactuada por Colômbia e Equador que estabelece que Bogotá violou a soberania e integridade territorial do Equador nessa operação, e os princípios do direito internacional. "Aceitamos a resolução da OEA e assumo a responsabilidade", afirmou Uribe, que, em seguida, pediu "franqueza" nas relações entre os países e defendeu uma "solução diplomática" para a crise. Após a operação militar, o presidente do Equador, Rafael Correa, decidiu romper as relações diplomáticas com a Colômbia, e ordenou o envio de tropas à fronteira comum. A Venezuela fechou sua embaixada em Bogotá, expulsou o embaixador colombiano em Caracas e também enviou tropas à fronteira, o que gerou uma crise na região, que mesmo com a resolução da OEA, está longe de acabar. Uribe reconheceu que a Colômbia pode encontrar dificuldades por causa de sua intervenção em território equatoriano, e afirmou que este é "um momento difícil para o país", mas se mostrou convencido de que no futuro "será bom" para a Colômbia. O presidente colombiano afirmou que conversou nos últimos dias com "quase todos" os governantes do continente, com a União Européia e com os secretários gerais da ONU, Ban Ki- moon, e da OEA, José Miguel Insulza, para apresentar seus argumentos, o que fará também no próximo fim de semana na reunião do Grupo do Rio, na República Dominicana. Uribe negou que a morte de Raúl Reyes pudesse prejudicar um possível acordo humanitário para libertar os seqüestrados das Farc em troca de guerrilheiros presos. "Raúl Reyes era um obstáculo para o acordo humanitário e para negociar a paz", afirmou. O governante rejeitou que seu Governo seja "belicista", mas insistiu em que seu dever "é proteger a vida de 43 milhões de colombianos", o que o obriga a atuar "com determinação contra o terrorismo". Efe/G1. SP. 0603.
quarta-feira, março 05, 2008
COLÔMBIA/URIBE: CACHIMBO DA PAZ
Amorim afirmou que a data do encontro com Uribe ainda não foi marcada e que a chancelaria brasileira terá um encontro com o ministro de Relações Exteriores venezuelano na República Dominicana, onde se reúnem os representantes internacionais do Grupo do Rio, para tratar da ação contra a Colômbia. A reunião do Grupo do Rio (integrado por países da América Latina e do Caribe) foi convocada para discutir acordos energéticos e propostas de prevenção nas mudanças climáticas e desastres naturais. Na avaliação de Amorim, as exigências do governo do Equador não são difíceis de serem cumpridas pelo governo da Colômbia, para por fim a esse desentendimento: pedido de desculpa inequívoca, compromisso de que outras invasões não ocorrerão no Equador e deixar de lado acusações de que o Equador estaria apoiando as Farc. Para Amorim, quanto mais confusão e conflitos internos existirem na América Latina, pior será para os próprios países sul-americanos, que ficam enfraquecidos nas negociações com os grandes blocos comerciais. Segundo o ministro, a paz sempre fortaleceu esses países nessas negociações.
Momentos antes da fala do chanceler brasileiro aproveitou para voltar a criticar o governo colombiano. "Não é porque somos um país pequeno que aceitaremos ser ultrajados", afirmou. "Não permitiremos o desrespeito a nossa soberania e vamos até as últimas conseqüências. Somos sensíveis, mas soberanos", acrescentou. Ele disse ainda que o governo colombiano de Álvaro Uribe "quer a guerra, não quer a paz". Ao invés de uma entrevista coletiva, como estava previsto inicialmente, Correa apenas se pronunciou para agradecer ao governo brasileiro e em especial "ao amigo" Lula pelo repúdio à invasão colombiana no Equador para atacar tropas da Farc. Ao lado do ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Correa disse confiar e acreditar nas organizações internacionais e na comunidade latino-americana. "Não podemos aceitar a lógica de Uribe de que um país pode entrar em qualquer território. Ratificamos a inviolabilidade do território". Mantendo o discurso duro, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse que o governo da Colômbia "perdeu até a vergonha". O tom de Correa frustrou a expectativa dos diplomatas brasileiros de que o presidente equatoriano abrandaria o discurso após a conversa com Lula. Correa cobrou uma posição dos organismos internacionais, em especial da Organização dos Estados Americanos (OEA), com relação ao episódio do fim de semana passada, quando tropas colombianas entraram em território equatoriano para perseguir membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). "É o momento das instâncias internacionais se posicionarem eficientemente, em função de princípios e não de pressão. Exigimos que a OEA se posicione de forma rápida e ratifique a inviolabilidade dos territórios internacionais", disse. Ao finalizar seu discurso, Correa agradeceu "profundamente" ao governo brasileiro e ao presidente e amigo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Sem meias palavras, (o Brasil) tem sabido condenar de forma frontal e direta a agressão à soberania de um país", disse. Leonencio Nossa, Leonardo Goy e João Domingos, de O Estado de S. Paulo. 0503.
COLÔMBIA & VENEZUELA: UM TIRO NO PÉ (de Chávez)
"Dessa vez os militares colombianos resolveram ir em frente, por razões legítimas de auto-defesa", diz o jornal."Duvidamos que os Estados Unidos teriam parado suas tropas na fronteira, se terroristas tivessem bombardeado alvos no Texas de algum ponto no México", diz o jornal. Mas o que realmente deve ter irritado Chávez foi a captura do laptop de Reyes", diz o jornal americano. O laptop "revela segredos de Chavez", chamado pelo jornal de "valentão venezuelano". Citando declarações do chefe de polícia da Colômbia, general Oscar Naranjo, o jornal diz que "o laptop mostrou que a Venezuela teria pago US$ 300 milhões às Farc em troca da recente libertação de seis reféns".
'Insulto'
Na Espanha, o El País afirma em editorial que “Chávez quer capitalizar a equivocada operação colombiana contra as Farc no Equador”. “Mais uma vez o exagero veio do líder venezuelano, que insultou de modo chulo seu homólogo colombiano e usou linguagem bélica inadmissível em quem não é parte prejudicada. O afeto de Chávez pelas Farc – para quem pede status de Exército combatente – arrasa a decência mínima que se exige de um chefe de Estado”, afirma o El País. Na França, o jornal Le Monde diz que “pela primeira vez na história, a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, de extrema esquerda) foi ferida no coração”. O Le Monde ainda pergunta se, com a morte de Reyes, as Farc vão adotar uma linha dura, militarista, ou aceitar a negociação política. “De imediato, ela (a morte de Reyes), não pode fazer nada, a não ser complicar a comunicação com as Farc. Será que Ingrid Betancourt (refém das Farc), que parece estar à beira da morte, e seus companheiros de infortúnio poderão suportar muito mais tempo nessa situação?”. BBC Brasil, 0503.
COLÔMBIA & OEA: SALVA PELO 'TIO SAM'?
“O principal aliado dos Estados Unidos na região conta com um escudo protetor de muitos países, em especial da América Central, fortemente influenciados em sua economia, política e até seu idioma pela principal potência do mundo.” Segundo o jornal, o resultado da reunião da OEA convocada para a terça-feira – de não condenar a Colômbia nem criar uma comissão investigadora, mas apenas convocar uma reunião dos chanceleres do continente - já era esperado. O Página 12 afirma que esta não é uma solução definitiva, “mas vale”. “A esta altura, não existe uma panacéia, nem é imaginável desativar tudo de um dia para o outro. Álvaro Uribe, sob a sombra da maior potência do mundo, põe em cheque a paz na região.” Na reportagem sobre o mesmo assunto, o jornal afirma que a “Colômbia conseguiu sair ilesa em sua primeira batalha contra o Equador na OEA”, graças ao apoio americano na organização. “Em um sinal de forte apoio, e em uma das poucas vezes em que se referiu à América Latina, o presidente norte-americano, George W. Bush, falou pessoalmente pela televisão e deixou claro que não ia abandonar seu ‘aliado democrático’.” O jornal ainda destaca o tom emotivo da ministra do Exterior equatoriana, Maria Isabel Salvador, que apresentou a queixa na reunião da OEA, em Washington e rebateu os argumentos colombianos para justificar a invasão territorial. O representante colombiano, segundo o jornal, adotou o mesmo tom de seu governo, de pedir desculpas brevemente e acusar os governos equatoriano e colombiano de ter ligação com as Farc.
“A saída fácil que a Colômbia obteve ontem (terça-feira) teria sido difícil de conseguir sem o valioso apoio dos Estados Unidos. Antes de realizada a sessão da OEA, foi o presidente Bush que o expressou com maior claridade. ‘A mensagem de nosso país para o presidente (Álvaro) Uribe e ao povo colombiano é que estamos ao lado de nosso aliado democrático’.” O Página 12 ainda afirma que o representante americano na OEA fez o possível para não regionalizar o conflito e afirmou que se tratava de uma questão entre a Colômbia e o Equador. BBC Brasil, 0503.
EQUADOR/RAFAEL CORREA [In:] O 'TOM' DA DIPLOMACIA

A crise entre Colômbia, Equador e Venezuela começou depois que o Exército colombiano atacou guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionária da Colômbia (Farc), causando a morte do número dois das Farc, Raúl Reyes. Nesta terça, Correa deu início a uma viagem diplomática a cinco países para discutir a crise entre Equador, Colombia e Venezuela. Na quarta, ele terá uma reunião, às 10 horas, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Correa afirmou que o Equador "não quer a guerra", diferentemente do presidente colombiano. "Estamos aqui em busca de uma solução pacífica, mas não vemos muita chance por se tratar de um presidente farsante que tem as mãos manchadas de sangue. Uribe não quer a paz, quer a guerra. Foi uma ofensa por parte dele", afirmou Correa.
Solução
O presidente equatoriano deu três condições para uma solução diplomática que evite a guerra: condenação expressa da comunidade internacional, sobretudo de organismos multilaterais como a ONU e a OEA; um pedido de desculpas do governo colombiano e um compromisso explícito de que não voltará a praticar esse tipo de agressão. Segundo ele, a Colômbia premeditou os ataques ao país para prejudicar a libertação de reféns das Farc, inclusive a da franco-colombiana Ingrid Bettancourt. "A Colômbia premeditou o ataque para atrapalhar a libertação de Ingrid. (O presidente colombiano, Álvaro) Uribe sabia que tentávamos libertar reféns", afirmou o chefe de Estado equatoriano. Ele negou que seu governo tenha dado apoio às Farc e disse que nos últimos anos foram desmantelados 42 acampamentos da guerrilha colombiana ao longo da fronteira do seu país. Correa declarou, ao Jornal da Globo, que a fronteira entre os países da América do Sul "é porosa" e, por isso, não é difícil que haja bases das Farc em países como Venezuela, Equador e, até, no Brasil. O presidente equatoriano agradeceu a postura que o governo brasileiro tomou em relação aos ataques. "Tenho que agradecer a postura firme e ética do governo brasileiro e do presidente Lula". Segundo Correa, apesar de pequeno, o Equador é "íntegro, igual ao Brasil".
Correa será cobrado por Lula
Na reunião desta quarta-feira, 5, Correa ouvirá de Lula que tem razão no embate com a Colômbia. Ao mesmo tempo, Lula vai fazer uma cobrança a Correa: lembrará que o Equador é de paz e que, por isso mesmo, precisa ficar longe das Farc. Caso contrário, pode perder a razão que hoje o assiste. Esse será o tom da conversa, que ocorrerá às 10 horas, no Palácio do Planalto, de acordo com informação de um auxiliar do presidente Lula. Para o Brasil, o direito internacional tem de ser preservado a qualquer custo, o que significa condenar a incursão das forças colombianas no território equatoriano. Para o auxiliar do presidente, a invasão das Forças Armadas colombianas foi um "caso pensado". Por um motivo: porque aconteceu duas vezes; primeiro, no combate com as Farc; em seguida, para a busca de corpos e apreensão de equipamentos, entre eles muitos computadores. A conversa de Correa com o presidente Lula é a segunda etapa de um périplo do presidente do Equador em busca de apoio na sua disputa com a Colômbia. A primeira parada do chefe de Estado equatoriano ocorreu no Peru. Teve um significado forte em política internacional. Há uma década, Equador e Peru ainda viviam uma guerra por conflitos de fronteiras. A paz foi patrocinada pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Por isso, depois da parada no Peru, Correa decidiu vir ao Brasil. A expectativa das autoridades brasileiras é que tanto o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, quanto o seu colega do Equador, Rafael Correa, vão continuar a se estranhar por alguns dias. Depois, vão baixar o tom das declarações e acabarão por se recompor, porque esse é o caminho natural dos países da América do Sul. A torcida do Brasil é para que Uribe faça um segundo pedido de desculpas ao Equador, agora sem as justificações para a ação de combate aos guerrilheiros das Farc. Se isso ocorrer, raciocinam as autoridades brasileiras, será mais fácil fazer cobranças ao presidente equatoriano daqui para a frente. Será possível fazer a Rafael Correa a pergunta: afinal, o que faziam tropas das Farc dentro do território do Equador? Isso, na opinião dos brasileiros, no mínimo constrangerá Correa, que poderá evitar novos acampamentos do grupo dentro do território equatoriano.
Estadão, 0503. Texto alterado às 0h25 para acréscimo de informações. (Colaborou Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo). Foto Ed Ferreira/AE.
terça-feira, março 04, 2008
VENEZUELA/EQUADOR/COLÔMBIA: UM CONFLITO EM EXTENSÃO?

Reyes, que tinha 59 anos, era considerado um dos homens da linha dura das Farc e braço direito do fundador da guerrilha, Manuel Marulanda ("Tirofijo"), de quem era genro. Ele foi morto com pelo menos mais 10 guerrilheiros durante uma operação nas proximidades de Teteyi, no departamento de Putumayo, que faz fronteira com o Equador. Logo após a incursão colombiana em território equatoriano, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou a saída de todos os funcionários da embaixada em Bogotá. "Por favor, chanceler (Nicolás) Maduro, feche a embaixada e mande que todos voltem", afirmou Chávez. Ele ordenou ainda ao ministro da Defesa, Gustavo Rangel, que enviasse "dez batalhões para a fronteira com a Colômbia". "Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império (Estados Unidos) e nem o seu cachorro venham a nos atacar", completou. Chávez criticou Álvaro Uribe, a quem acusou de "mentiroso, criminoso e mafioso", entre outras coisas, pelo que considera uma "flagrante violação da soberania do Equador".
Desculpas
Após os pronunciamentos de Chávez, o presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou a retirada de seu embaixador em Bogotá, Francisco Suéscum (que tinha classificado como "ato de guerra" o ataque militar colombiano), e a posterior "expulsão imediata" do embaixador da Colômbia em Quito, Carlos Holguín. Correa também solicitou uma reunião urgente da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comunidade Andina de Nações (CAN) para tratar do ataque. Tentando minimizar o confronto, no domingo (2) o governo colombiano pediu desculpas ao Equador pela incursão na "zona de fronteira" de helicópteros colombianos. O comunicado lido em Bogotá pelo chanceler colombiano, Fernando Araújo, acrescenta que a ação consistiu na "entrada de helicópteros colombianos com pessoal das Forças Armadas no território equatoriano, para verificar o local". Em cadeia nacional de televisão, Correa informou que tinha ordenado a "mobilização de tropas" na fronteira com a Colômbia e exigiu do presidente colombiano, Álvaro Uribe, não só desculpas, mas também "compromissos firmes de respeito ao Equador".
Documentos
No meio da crise, o governo da Colômbia acusou o presidente equatoriano de ter compromissos com as Farc e revelou documentos que mencionam o interesse de Quito de manter relações com a guerrilha. "Os documentos levantam perguntas que merecem respostas concretas, que revelem à Colômbia e ao mundo qual é o estado da relação do governo equatoriano com um grupo terrorista como as Farc", disse em Bogotá o general Oscar Naranjo, chefe de polícia. Os documentos foram encontrados em um dos três computadores pertencentes a Raúl Reyes.
Relações com as Farc
Além dos documentos que ligam o Equador às Farc, o governo colombiano anunciou nesta segunda-feira (3) que levará ao conhecimento da ONU (Organização das Nações Unidas) e da OEA (Organização dos Estados Americanos) "revelações sobre acordos do grupo terrorista Farc com os governos do Equador e da Venezuela". Também informou que não mobilizará tropas à fronteira. "O governo expressa sua preocupação por acordos que possam existir entre as Farc e os governos do Equador e Venezuela, que violam as normas internacionais em sua proibição de os países abrigarem terroristas", afirmou Cisar Mauricio Velásquez, assessor de imprensa da Presidência, lendo uma nota oficial do governo.
Mediação brasileira
Na segunda-feira, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que tomaria medidas diplomáticas para tentar solucionar a crise que se instalou na região. Segundo Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República, o governo brasileiro usará os canais diplomáticos para mediar os problemas políticos gerados após a operação militar colombiana. “O presidente Lula conversou com [o chanceler] Celso Amorim, que está tomando as medidas necessárias. Acho que nós vamos mobilizar toda a força da diplomacia brasileira e de outras capitais sul-americanas para reduzir ao máximo a tensão e procurar encontrar uma solução duradoura para esse problema”, disse Marco Aurélio Garcia em entrevista à rádio "CBN", nesta segunda-feira (3). Garcia contou ainda que Lula tem o assunto na pauta para o encontro com a presidente da Argentina, Cristina Kirchner. “Há interesse do Chile também em coordenar as operações”, afirmou. “Agora, o mais importante é reduzir ao máximo a tensão”, disse. “Respeitamos as medidas dos países, não queremos interferir nas medidas internas, mas não podemos ser indiferentes”, completou.
Armas sujas
Nesta terça-feira (4), o vice-presidente colombiano, Francisco Santos Calderón, acusou as Farc de armar uma ‘bomba suja’. A acusação foi feita em Genebra, durante a Conferência de Desarmamento das Nações Unidas. Calderón afirmou que a informação foi encontrada nos computadores de Raul Reyes, número 2 das Farc, morto no último sábado (1), em uma ação militar em território equatoriano. Nas palavras do vice-presidente colombiano, a guerrilha “estaria negociando material radioativo para gerar armas sujas de destruição e terrorismo”. “Esta informação está sendo submetida a um processo de verificação com acompanhamento internacional”, disse Calderón, que afirmou ainda que as Farc fazem uso de dinheiro do narcotráfico.
Fronteiras
O ministro venezuelano da Agricultura e Terra, Elias Jaua, afirmou nesta terça-feira (4) que o governo mandou fechar todas as fronteiras com a Colômbia. O anúncio foi feito após mais tropas venezuelanas serem enviadas às fronteiras e também depois de o presidente Hugo Chávez expulsar o embaixador e os funcionários da embaixada da Colômbia em Caracas.
Do G1, com agências. 0403. Mapa localiza Equador, Colômbia e Venezuela, e suas respectivas capitais (Arte: G1).
FARC E SUAS RELAÇÕES: "CARACAS!!!"
O Equador rompeu relações diplomáticas com a Colômbia e a Venezuela expulsou o embaixador colombiano, enquanto os países da América Latina se mobilizam para conter a grave crise diplomática, iniciada após um ataque colombiano contra a guerrilha Farc (Forças Armadas revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, ocorrido no ultimo sábado (1º), e que levou à morte Raúl Reyes, um dos principais líderes da guerrilha, além de outros 16 membros das Farc.

O presidente do Equador, Rafael Correa, que iniciará uma viagem por vários países latino-americanos para tentar obter apoio em meio à crise, pediu aos "governos da região que formem fileiras frente ao "nefasto e traidor" ato da Colômbia contra as Farc em seu território.
Correa afirmou nesta segunda-feira que o ataque colombiano contra um acampamento das Farc no Equador frustrou a libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt e de outros dez reféns da guerrilha, que deveria ocorrer em março no território equatoriano.

Bogotá reagiu imediatamente e rebateu a versão do presidente equatoriano e afirmou que as conversas do governo deste país com as Farc "têm mais as características de tráfico de seqüestrados com fins políticos".
Ontem, a França admitiu que Reyes era o contato do governo francês nas negociações da libertação de Betancourt.
Documentos
Segundo a Colômbia, os acordos entre Caracas e Quito com as Farc são evidenciados em documentos e fotografias encontrados em três computadores apreendidos no acampamento onde morreu Reyes, situado no Equador a 1,8 km da fronteira bilateral.
O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse que o país não enviará mais forças à fronteira e disse que as informações encontradas nos computadores eram "preocupantes". Ele disse ainda que os contatos entre Reyes e o ministro da Segurança equatoriano, Gustavo Larrea, que para ele provam "uma convivência, uma espécie de associação do governo do Equador com a guerrilha". Larrea admitiu que se reuniu em janeiro com Reyes fora do Equador e da Colômbia para tentar obter a libertação dos reféns das Farc.
Venezuela

"Esta nota traz implícita uma proximidade e torna evidente uma aliança em termos armados das Farc e o governo da Venezuela", disse. O ministro do Interior da Venezuela, Ramón Rodríguez Chacín, rebateu as acusações e disse "são falácias absolutas". Ele disse ainda que a Colômbia manipula os dados do computador de Reyes para justificar uma "guerra preventiva" contra a Venezuela e acusou o chefe da polícia colombiana de ligações com o narcotráfico.
A preocupação com a crise se espalhou por todo o continente e vários países, incluindo o Brasil, defendem a via diplomática. O governo dos Estados Unidos respaldou as ações da Colômbia contra as Farc. Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula teria pedido ao ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que reunisse o maior número de informações sobre o caso para se pronunciar depois sobre o tema no Itamaraty. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesta segunda-feira que o Brasil deve exercer seu papel de liderança para evitar que a crise traga prejuízos para a região. "Eu acho que a mediação é necessária e tem que ser consentida. A atitude do Brasil de buscar a mediação, ao lado de outros países, é medida eficaz", disse. Apesar de defenderem a atuação do Brasil como mediador do conflito, os parlamentares defendem que o país fique neutro na disputa. Ou seja, não tome partido nem da Colômbia nem do Equador nem da Venezuela. Da France Presse, em Bogotá; da Folha Online. 04.03. [Fotos: Reyes, Folha Imagem; Betancourt, Efe; Chávez, Correa, Uribe, Efe/AP].
