PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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terça-feira, novembro 05, 2013

AS VOZES ROUCAS DAS RUAS E OS OUVIDOS MOUCOS DO GOVERNO

05/11/2013
O gigante continua adormecido 


:: Marco Antonio Villa


O gigante voltou a adormecer. Seis meses depois das manifestações de junho, o Brasil continua o mesmo. Nada mudou. É o Brasil brasileiro de sempre. Mais uma vez, os fatores de permanência foram muito mais sólidos do que os frágeis fatores de mudança.

As instituições democráticas estavam — e continuaram — desmoralizadas. Basta observar as instâncias superiores dos Três Poderes. O Supremo Tribunal Federal chegou ao cúmulo de abrir caminho para a revisão das sentenças dos mensaleiros. Mais uma vez — e raramente na sua história esteve na linha de frente da defesa do Estado Democrático de Direito — cedeu às pressões dos interesses políticos.

O ministro Luís Roberto Barroso — o "novato" — descobriu, depois de três meses no STF, que o volume de trabalho é irracional. Defendeu na entrevista ao GLOBO que o Supremo legisle onde o Congresso foi omisso. E que o candidato registre em cartório o seu programa, o que serviria, presumo, para cobranças por parte de seus eleitores. Convenhamos, são três conclusões fantásticas.

Mas o pior estava por vir: disse que o país não aguentava mais o processo do mensalão. E o que ele fez? Ao invés de negar a procrastinação da ação penal 470, defendeu enfaticamente a revisão da condenação dos quadrilheiros; e elogiou um dos sentenciados publicamente, em plena sessão, caso único na história daquela Corte.

O Congresso Nacional continua o mesmo. São os "white blocs." Destroem as esperanças populares, mostram os rostos — sempre alegres — e
o sorriso de escárnio. Odeiam a participação popular. Consideram o espaço da política como propriedade privada, deles. E permanecem fazendo seus negócios....

Os parlamentares, fingindo atentar à pressão das ruas, aprovaram alguns projetos moralizadores, sob a liderança de Renan Calheiros, o glutão do Planalto Central — o que dizer de alguém que adquire, com dinheiro público, duas toneladas de carne? Não deu em nada. Alguém lembra de algum?

E os partidos políticos? Nos insuportáveis programas obrigatórios apresentaram as reivindicações de junho como se fossem deles. Mas — como atores canastrões que são — fracassaram. Era pura encenação. A poeira baixou e voltaram ao tradicional ramerrão. Basta citar o troca-troca partidário no fim de setembro e a aprovação pelo TSE de mais dois novos partidos — agora, no total, são 32. Rapidamente esqueceram o clamor das ruas e voltaram, no maior descaramento, ao "é dando que se recebe."


E o Executivo federal? A presidente representa muito bem o tempo em que vivemos. Seu triênio governamental foi marcado pelo menor crescimento médio do PIB — só perdendo para as presidências Floriano Peixoto (em meio a uma longa guerra civil) e Fernando Collor. A incompetência administrativa é uma marca indelével da sua gestão e de seus ministros. Sem esquecer, claro, as gravíssimas acusações de corrupção que pesaram sobre vários ministros, sem que nenhuma delas tenha sido apurada.

Tentando ser simpática às ruas, fez dois pronunciamentos em rede nacional. Alguém lembra das propostas? Vestiu vários figurinos, ora de faxineira, ora de executiva, ora de chefe exigente. Enganou quem queria ser enganado. Não existe sequer uma grande realização do governo. Nada, absolutamente nada.



As manifestações acabaram empurrando novamente Luiz Inácio Lula da Silva para o primeiro plano da cena política. Esperto como é, viu a possibilidade de desgaste político da presidente, que colocaria em risco o projeto do PT de se perpetuar no poder. Assumiu o protagonismo sem nenhum pudor. Deitou falação sobre tudo. Deu ordens à presidente de como gerir o governo e as alianças eleitorais. Foi obedecido. E como um pai severo ameaçou: "Se me encherem o saco, em 2018 estou de volta."

Seis meses depois, estamos no mesmo lugar. A política continuou tão medíocre como era em junho. A pobreza ideológica é a mesma. Os partidos nada representam. Não passam de uma amontoado de siglas — algumas absolutamente incompreensíveis.

Política persiste como sinônimo de espetáculo. É só no "florão da América" que um tosco marqueteiro é considerado gênio político — e, pior, levado a sério.

A elite dirigente mantém-se como o malandro do outro Barroso, o Ary: "Leva a vida numa flauta/Faz questão do seu sossego/O dinheiro não lhe falta/E não quer saber de emprego/ Vive contente sem passar necessidade/Tem a nota em quantidade/Dando golpe inteligente"

Estão sempre à procura de um "golpe inteligente." Mas a farsa deu o que tinha de dar. O que existe de novo? Qual prefeito, por exemplo, se destacou por uma gestão inovadora? Por que não temos gestores eficientes? Por que não conseguimos pensar o futuro? Por que os homens públicos foram substituídos pelos políticos profissionais? Por que, no Congresso, a legislatura atual é sempre pior que a anterisr? Por que o Judiciário continua de costas para o país?

Não entendemos até hoje que a permanência desta estrutura antirrepublicana amarra o crescimento econômico e dificulta o enfrentamento dos inúmeros desafios, daqueles que só são lembrados — oportunisticamente — nas campanhas eleitorais.

O gigante continua adormecido. Em junho, teve somente um espasmo. Nada mais que isso. Quando acordou, como ao longo dos últimos cem anos, preferiu rapidamente voltar ao leito. É mais confortável. No fundo, não gostamos de política. Achamos chato. Voltamos à pasmaceira trágica. É sempre mais fácil encontrar um salvador. Que pense, fale, decida e governe (mal) em nosso nome.

Marco Antonio Villa é historiador




adicionada no sistema em: 05/11/2013 02:50

quinta-feira, outubro 24, 2013

GRAN PRIX DE FUTSAL: ''CON PERMISO!!!''

  • 23/10/2013 às 21:16    -    Atualizado em 24/10/2013 às 06:57
  • Brasil bate Argentina com goleada de 11 a 1 no Grand Prix de Futsal em Maringá

  • Rosângela Gris







O Brasil deu mais um show no 8º Grand Prix de Futsal, disputado em Maringá. A seleção brasileira goleou a Argentina, pelo elástico placar de 11 a 1, para delírio da torcida que lotou as arquibancadas do ginásio Chico Neto na noite desta quarta-feira (23).

Notícias Relacionadas

Assim que o juiz autorizou o pontapé inicial, os brasileiros partiram para o ataque. Sinoê fez o primeiro gol do Brasil logo aos dois minutos de bola rolando. Rodrigo - duas vezes-, Lukaian e Falcão também balançaram as redes no primeirto tempo.
João Paulo Santos
Falcão é abraçado pelos companheiros na comemoração do gol









E o Brasil poderia ter ido para os vestiários com uma vantagem maior se o craque Falcão não tivesse desperdiçado o pênalti defendido pelo goleiro Elias, que acabou expulso minutos depois. O argentino recebeu o cartão vermelho por um toque de mão na bola fora da área.
O segundo tempo foi um passeio brasileiro em quadra. Zico e Fernandinho fizeram dois gols cada um. O jovem Bateria e Daniel também deixaram sua marca na goleada. Pelo lado argentino, Maldonado aproveitou uma bobeira brasileira e fez o gol de honra dos hermanos.
O Brasil soma agora seis pontos e lidera isoladamente o Grupo A. Argentina tem apenas um ponto assim como o Irã, que enfrenta o Japão ainda esta noite.
A seleção brasileira fecha a sua participação na primeira fase diante do Irã, nesta quinta-feira (24), às 18h15. A Argentina pega o Japão às 20h15.

segunda-feira, outubro 14, 2013

''SPY vs. SPY"

14/10/2013
Dilma anuncia sistema de e-mail antiespiões.

Dilma anuncia sistema de e-mail antiespionagem


No Twitter, presidente diz que Brasil vai desenvolver mecanismo de mensagens criptografas para garantir maior segurança online

Anne Warth / brasília


A presidente Dilma Rousseff disse ontem que o governo vai criar um sistema nacional de e-mail criptografado para evitar que autoridades nacionais sejam alvo de espionagem. A determinação foi dada ao Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda.

"Esta é a primeira medida para ampliar a privacidade e a inviolabilidade de mensagens oficiais", afirmou a presidente, em sua conta oficial no Twitter. "É preciso mais segurança nas mensagens para prevenir uma possível espionagem."

O sistema será desenvolvido pela Serpro em parceria com os Correios e terá uso obrigatório no governo. O Ministério das Comunicações deve começar a testá-lo ainda neste mês.

A Serpro e os Correios também estudam o lançamento de um serviço público e gratuito de e-mail seguro para a população.

Outras medidas para dar segurança às informações têm sido desenvolvidas em sintonia com o Planalto. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) criou e está agora aprimorando telefones fixos e celulares que transmitem sinal criptografado e dificultam a decodificação de conversas sigilosas. Apesar da dificuldade de usá-los, mais assessores e ministros pediram à agência para receber os aparelhos.

A Abin também apresentou ao Palácio do Planalto uma espécie de pen drive que cria áreas seguras em computadores, dispositivos e sistemas.
Os documentos criados nesse ambiente são automaticamente criptografados e podem ser enviados pela internet com segurança.

O governo também quer comprar um satélite geo estacionário próprio, por meio da Telebrás. Hoje, dados, telefonia, sinais de TV paga e comunicações militares passam pelo satélite da Embratel, privatizada em 1997 e, atualmente, nas mãos da Claro, do empresário mexicano Carlos Slim.

O satélite e a tecnologia serão fornecidos pelo grupo franco-italiano Thales Alenia Space. A Visiona, uma joint venture entre a Telebrás e a Embraer, será a responsável pela montagem do satélite. A tecnologia ficará a cargo da Agência Espacial Brasileira (AEB). Ao custo de cerca de US$ 600 milhões, ele deve entrar em órbita em 2016.

No mês passado, reportagens do jornalista Glenn Greenwald mostraram que apresidente Dilma foi monitorada pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA).

O órgão invadiu telefonemas e e-mails enviados por Dilma a seus assessores, além de mensagens trocadas entre ela e o atual presidente mexicano, Enrique Pena Nieto. O repórter se baseou em documentos revelados pelo ex-técnico da NSA Edward Snowden.

Dilma cobrou esclarecimentos do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Insatisfeita com as explicações, ela decidiu cancelar a visita oficial que faria ao país neste mês.

adicionada no sistema em: 14/10/2013 02:49

quinta-feira, setembro 19, 2013

"BRASIL/ MOSTRA A TUA CARA!" (Cazuza). MOSTROU !!!

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''(...) Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...
Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...(2x)
Confia em mim
Brasil!! ''

BRASIL (Cazuza).
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quarta-feira, setembro 18, 2013

DIPLOMACIA: SPY vs. SPY

18/09/2013
Debate: A decisão trará prejuízo para o Brasil?



Roberto Giannetí da Fonseca

Sim. 
Foi um absurdo suspender a visita. A decisão empurra o diálogo bilateral para uma agenda negativa e prejudica a parte positiva, centrada na discussão de temas multilaterais, como o necessário impulso à Organização Mundial do Comércio (OMC), na maior parceria entre Brasil e EUA e no debate sobre questões de propriedade intelectual. O fato de haver espionagem não traz surpresa nenhuma. Infelizmente, a espionagem é a regra do jogo atualmente. O importante seria saber se, a partir da espionagem realizada, houve dano ao interesse do Brasil. Até agora, isso não foi evidenciado.

A decisão do Palácio do Planalto demonstrou uma visão muito miúda da relação bilateral. A visita de Estado da presidente Dilma Rousseff abriria a possibilidade de, finalmente, os dois países assinarem um acordo de eliminação da bitributação. O Brasil poderia ser retirado da lista de observação da seção especial 301, que trata da pirataria. O setor privado dos dois países já tinha uma pauta pronta para dar impulso a partir de outubro, agenda que será atrasada por causa da suspensão. A presidente Dilma foi mal aconselhada e tomou uma decisão ruim.


Rubens Ricupero

Não. 
No fundo, a suspensão foi um bom pretexto para a presidente Dilma Rousseff porque a visita fora cogitada no começo de seu mandato, quando a abordagem prevalecente era de uma nova fase na relação entre Brasil e EUA e de superação dos atritos acumulados no governo anterior. Mas esse objetivo não foi alcançado até hoje.

Se fosse mantida, a visita seria, na verdade, uma peça de marketing, um meio de fingir que um país abraçava o outro. Essa construção falaciosa tornou-se inviável com a denúncia sobre a espionagem americana no Brasil e com a dúvida dos EUA se o País pode ou não ser considerado amigo.

Para Obama, a visita não seria relevante. Para a presidente Dilma, será um alívio não ter de ir a Washington. Ela não teria como capitalizar essa viagem. A suspensão da visita, na verdade, trará ganhos para Dilma junto a seu eleitorado, que é mais nacionalista. Se houvesse vontade política dos dois lados, haveria uma solução. Os diplomatas são criativos. Inventariam algo como a "construção do processo de confiança" bilateral, e a visita ocorreria. Não há nada a lamentar. Nada será perdido.

adicionada no sistema em: 18/09/2013 02:48

segunda-feira, setembro 16, 2013

IRÃ. TODA A SORTE DE IRA

16/09/2013
Obama mantém ameaça de ataque ao Irã


O presidente Barack Obama disse ontem que o acordo sobre a Síria não afasta a possibilidade de ataque ao Irã porque a questão nuclear é "muito maior" que o problema do arsenal químico. Ele pediu confiança aos aliados da região.


Após acordo na Síria, Obama repete ameaça de ataque americano ao Irã


Cláudia Trevisan
Correspondente / Washington


O acordo diplomático que evitou um ataque dos Estados Unidos à Síria não sinaliza que esteja afastada a possibilidade de uma ação militar para impedir que o Irã obtenha armas nucleares, afirmou ontem o presidente Barack Obama. 
"Os iranianos não devem concluir que porque nós não atacamos nós não vamos atacar o Irã."

Segundo o presidente, a questão nuclear é "muito maior" para os EUA do que o problema, de armas químicas na Síria e está muito mais próxima, dos interesses estratégicos dos americanos no Oriente Médio, na medida em que representa uma ameaça direta a Israel.

"Uma corrida nuclear na região é algo que seria profundamente desestabilizador", disse Obama em entrevista à rede de TV ABC.

Além de Teerã, a advertência também tem por alvo os aliados americanos no Oriente Médio, abalados pela maneira errática com que Obama administrou a crise com a Síria. Depois de recuar duas vezes da ameaça de atacar as forças de Bashar Assad, o presidente foi salvo por Vladimir Putin de uma provável derrota humilhante no Congresso em seu pedido de autorização para agir contra a Síria.

"Aliados dos EUA estão alarmados pelas súbitas mudanças na política americana e vão questionar o grau de comprometimento dos EUA com a sua segurança" avaliou Ayham Kamel, analista de Oriente Médio do Eurasia Group.

Para John Judis, editor sênior da revista New Repúblic, o pacto alcançado entre russos e norte-americanos no sábado para destruição do arsenal químico de Assad poderá ofuscar as "trapalhadas" que o antecederam. "O acordo é uma conquista significativa" ponderou Judis, que também é acadêmico visitante do Carnegie Endowment for International.Peace.

Pesquisa realizada em Israel    na quarta-feira, antes do anúncio do acordo, mostrou que 67% dos entrevistados avaliaram com.o malsucedida a maneira pela qual Obama administrou a crise. Para 48%, Putin foi o grande vencedor do confronto, seguido por Assad (29%). E 76% disseram não acreditar que o regime sírio abrirá mão de suas armas químicas.

Obama refutou as críticas ontem e disse que está menos preocupado com estilo do que com a obtenção de resultados, que ele acredita terem sido alcançados pelo acordo negociado entre o secretário de Estado, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. Kerry chegou ontem a Israel para uma conversa com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

O presidente também minimizou o fato de que Putin foi o protagonista da iniciativa que levou à saída diplomática. "Isso não é a Guerra .Fria. Isso não é uma competição entre os EUA e a Rússia. Se a Rússia quiser ter alguma influência na. Síria pós-Assad, isso não prejudica nossos interesses", declarou Obama, pressupondo como inevitável a queda do regime.

Mas esse cenário parece ter sido dificultado pelo pacto anunciado no sábado, que representou um golpe para a oposição. Os rebeldes contavam com os ataques americanos para ganhar terreno na luta.. "Os únicos perdedores nessa negociação são provavelmente os rebeldes", opinou Judis,

Apesar de Obama continuar a desejar sua saída, é inegável que Assad saiu fortalecido da crise, que o transformou em interlocutor da comunidade internacional na busca de uma solução negociada para a guerra civil e a questão de armas químicas.

Durante a entrevista, o presidente ressaltou que os EUA querem ver uma Síria "estável", e que isso será improvável com a permanência de Assad no poder. "É difícil imaginar como o sr. Assad vai retomar qualquer legitimidade depois de ele - ou o seu Exército - intoxicar com gás civis e crianças inocentes."

Britânico e iraniano marcam reunião

O ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha confirmou ontem que o chanceler do país, William Hague, terá uma reunião com seu colega iraniano, Javad Zarif. O encontro deve acontecer até o fim do mês em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU.


adicionada no sistema em: 16/09/2013 04:37

sábado, setembro 14, 2013

EDITORIAL: O FETICHE DA MERCADORIA (e/ou "mais médicos...")

"De vez em quando me pego pensando, começo a teclar e resulta em ''coisas'' assim... (rs).


***
O FETICHE DA MERCADORIA (Um conto)

Após uma batalha quase hercúlea com o ócio, resolvemos atender aos reclames do (novo) cardiologista e iniciar um programa de atividade física (... no singular).

Para tanto, aproveitamos o final do curto, mas tenebroso inverno e enfrentamos a pista de caminhadas sob uma temperatura de 4 graus, n’alguns dias e de 6 a 8 noutros, nas madrugadas das 7 horas matutinas (7:00 AM). E, assim, trocamos os “edredom, orelhas e conchas” pelo par do “velho” tênis. Tênis; posto que o outro, em similar som[1] não é tão velho assim e, infelizmente , não nos foi provido em “par” pela mãe Natureza.

Ato contínuo e “... para a nossa alegria’’ (tal qual aquele conhecido viral que circulou pela internet) numa bela manhã de sábado nos encontramos com o "nosso" cardiologista, também em sua caminhada.

“Nosotros”, mais do que depressa, enviamos a ele um “cordial bom dia’’, com o intuito de lhe dizer com esse social gesto: “—Veja! vou reduzir meu colesterol”.

E ele, contudo, “impávido que nem Muhammed Ali”[2].

Não convencido, na outra volta do circuito, refizemos nossa ‘’cordialidade’’, porém, desta vez restrita a um meneio com a cabeça.

E ele, “tranquilo e infalível como Bruce Lee”[3].

(...)
Ao retornar para casa “comentamos com os nossos” e eles entenderam como uma “atitude normal” por parte do médico.

E, ainda justificaram: “ — Entenda! Você é um dos muitos que ele atende no dia a dia de seu consultório e nos plantões das “Uni’s da vida...”. (...) É impossível que ele te reconhecesse de uma ou de duas consultas realizadas”.

E, “eu do meu lado aprendendo, a ser louco, ... maluco total, ... na loucura real...”[4] e pensando:

“ — É! Talvez eu já represente a sua clientela (“pacientela”) de velhinhos com a ‘’mesma cara’’ e achaques semelhantes!!!

“ — OK! Você venceu. Batatas fritas!!!”[5]

(...)
Assim, na próxima consulta cumpriremos o protocolo do "fetiche da mercadoria"[6].





[1] Paronomásia.
[2] Um Índio (Doces Bárbaros: Caetano, Maria Bethânia, Gal e Gil).
[3] Idem, ibidem.
[4] Maluco beleza (Raul Seixas).
[5] Você não soube me amar (kkkkkkkkkkkkkk) [Blitz].
[6] O Capital (Karl Marx).

quarta-feira, setembro 11, 2013

BIODIVERSIDADE, CLIMA E DESMATAMENTOS.


O nosso 11 de setembro



Autor(es): Mauro Oliveira Pires
Correio Braziliense - 11/09/2013

Sociólogo

Esta é a 11ª vez que se comemora o Dia do Cerrado, instituído em 2003 por meio de decreto presidencial, atendendo a proposta do Ministério do Meio Ambiente encampada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A data, 11 de setembro, foi uma homenagem ao ambientalista e artista Ary Pára-Raios, fundador do grupo artístico Esquadrão da Vida, que vem encantando nosso cenário cultural há mais de três décadas, graças ao trabalho de seus filhos, imbuídos de continuar a obra do pai, após a morte dele em 2003.

Em vida, Ary, que fez carreira no Distrito Federal, tornou-se militante apaixonado pelo bioma que o acolheu. Na Eco-92, articulou, com outros ambientalistas, um Tratado Internacional do Cerrado, a fim de chamar a atenção do mundo para esse importante conjunto de seres vivos, esquecido pela Constituição Federal de 1988.

Enquanto nos Estados Unidos o 11 de setembro remonta a uma tragédia assombrosa, no Brasil, a data é para refletir e celebrar a vida de um bioma único, rico em espécies e em diversos mosaicos vegetacionais, singular em sua geografia e, porque não, na diversidade humana que vem abrigando há milênios, como dizem os paleontólogos e arqueólogos.

Claro que há motivos para entristecimento; afinal, quase metade da área original foi destruída em menos de 40 anos e, na parte restante, poucos são os fragmentos remanescentes de maior porte. Mas tão importante quanto denunciar os crimes ambientais cometidos contra ele, é valorizá-lo. 


E não poderia haver momento mais propício. Em pleno mês em que a secura é elevada, em que as queimadas e incêndios alastram-se espantosamente, o cerrado surpreende, por meio dos ipês-amarelos, floridos por poucos dias, parecendo dizer algo profundo e nos convidar para uma celebração.

Aproveitemos a ocasião para isto: reflexão e celebração. Que reflitamos sobre a ocupação desenfreada, movida pelo agronegócio de extensas monoculturas, destruindo ecossistemas, aniquilando nascentes, erodindo os solos, contaminando-os com agrotóxicos.

Que reflitamos se é realmente esse o modelo a ser exportado para as savanas africanas, enquanto aqui na sua porção norte, denominada Matopi (entroncamento entre os estados do Maranhão, Tocantins e Piauí), avança o desmatamento. Será que repetirão naquele continente os erros socioambientais praticados aqui? Esperemos que não. Esperemos que o Brasil não seja o imperialista de outrora, o novo colonizador que emula práticas de seus antigos conquistadores.

Que celebremos a diversidade da vida, que lembremos quão importante é o cerrado para o dinâmico equilíbrio ecossistêmico, para a formação das bacias hidrográficas e os estoques de carbono, graças à sua elevada biomassa. Que aproveitemos para cobrar do Congresso Nacional a tão esperada aprovação da emenda constitucional que eleva esse bioma, a caatinga e os pampas à condição de patrimônio nacional. Afinal, já são 18 anos de lenta tramitação.

Que aproveitemos para lembrar que, a cada dia, todos podem fazer alguma coisa pelo cerrado — seja diminuindo o lixo doméstico, seja na hora de eleger os representantes políticos, escolhendo aqueles realmente comprometidos com a conservação e o uso sustentável, pois 2014 está próximo.

Brasília conta com diversos lugares para essa celebração: seus parques, sua água mineral e arredores estão aí para serem visitados e para se descobrir as cores, os frutos, as flores e toda a fauna desse bioma riquíssimo. Que os próximos 11 de setembro sirvam para ampliar a consciência e a ação em favor do cerrado. Essa era e continua sendo a ideia para a instituição do seu dia.
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segunda-feira, setembro 02, 2013

A RIQUEZA DAS NAÇÕES (Adam Smith)


02/09/2013
José Roberto Toledo


Surf no tsunami brasileiro


Políticos gostam de aparecer como agentes da mudança. Se alguma coisa boa acontece, assumem a responsabilidade quase tão rapidamente quanto somem quando algo dá errado. Agem assim porque cola. Muito brasileiro crê em salvadores da pátria, em deputado-presidiário e no ET de Varginha. Mas e se os líderes forem uma consequência da mudança social, e não sua causa? 

Poucas coisas têm maior peso no sucesso de um país do que a estatura etária de sua população, Nações  jovens têm menos probabilidade de serem ricas do que nações maduras, pois há relativamente pouca gente produzindo riqueza. Não há dinheiro suficiente para ser distribuído com equanimidade entre as muitas crianças e adolescentes que dependem de poucos adultos.

Nações envelhecidas também têm problemas. O peso crescente dos idosos na população aumenta a carga a ser suportada pelos habitantes em idade de trabalhar. A vantagem desses países é que, para chegar a esse estágio, passaram antes por uma fase dourada, na qual aproporção de pessoas potencialmente ativas suplanta em muito os dependentes idosos e infantojuvenis.

É a fase de acumulação de riqueza, a chamada janela demográfica. Ela começa com uma onda populacional sem precedentes, uma espécie de tsunami de gente.

A crista da onda é formada pela maior geração que uma nação já mais importante - que verá em muito tempo.

Porque, depois que a crista passa, sobram alguns anos de gerações volumosas,mas segue seu vale íngreme,com cortes populacionais cada vez menores, que fecham a janela de oportunidade que abrisse vagas para acomodar

O tsunami demográfico atingiu o  Brasil em 1983. Foi o pico de nascimento de brasileiros. Nos primeiros anos, produziu uma demanda inédita por educação. A princípio, os governante foram engolfados pela onda. Demoraram mais de uma década para reagir. Finalmente, buscou-se a universalização do ensino fundamental. Acaso ou não, o presidente era um professor.

A demora custou parte da oportunidade de bem formar a geração-tsuna-mipara que, quando ela chegasse à idade de trabalhar, estivesse preparada para produzir a riqueza necessária ao desenvolvimento do País. Mesmo assim, foi uma geração com mais anos de estudo do que a anterior e a primeira que não precisou aplicar correção monetária à mesada.

Quando essa onda entrou na adolescência e na idade de tomar suas próprias decisões de consumo - do final dos anos 90 ao começo do século 21 o Brasil enfrentou uma epidemia de assassinatos também inédita. Os "baby boomers" brasileiros foram, agentes e vítimas dessa violência. Perdeu-se aí outra parte dessa geração.

Em 2003, a crista da onda chegou aos 20 anos - idade de entrar no mercado de trabalho e começar a produzir. Coincidência ou não, o País elegeu um líder trabalhista que defendia uma política econômica expansionista, que abrisse vagas para acomodar essa força de trabalho excepcionalmente grande.

Nos dez anos seguintes, a pressão da onda demográfica - reforçada por um contexto internacional raras vezes tão favorável - favoreceu políticas de estímulo e universalização do consumo, retroalimentando o emprego e a renda dos novos trabalhadores. Foi surfe no tsunami: muita gente em idade ativa empregada, menos crianças e ainda poucos idosos para cuidar.

A crista tem agora 30 anos de idade. O arrasto da onda demográfica se estende, segundo o IBGE, até a geração que tem 12 anos. Depois disso, a diminuição populacional é abrupta. Em tese, 0 Brasil tem mais duas décadas com a janela de oportunidade aberta - o tempo de acumular riqueza e conhecimento suficientes para enfrentar a fase de envelhecimento da Nação.

 Em 2014 os brasileiros saberão  quais líderes esses novos e cruciais tempos vão forjar. Espera-se que saibam surfar.

adicionada no sistema em: 02/09/2013 03:27

quinta-feira, agosto 29, 2013

SÍRIA, PETRÓLEO, PETROBRAS

29/08/2013
Economia mundial é atingida em ataque à Síria



A perspectiva de um iminente ataque militar à Síria já fez vítimas no mercado mundial. O preço do petróleo, que já vinha em alta de 15% nos últimos três meses por conta da situação em Egito e Síria, saiu de US$ 107 o barril para US$ 112 ontem. Uma ação militar no Oriente Médio poderia ter impacto diferente nas diversas regiões. A economia dos EUA, que se recupera lentamente, poderia ganhar algum impulso pelas encomendas à indústria de armamentos, mas nada que compense algum impacto negativo de fora. Já a Europa, que engatinha para sair do fundo do poço em que se meteu, poderá sofrer com o aumento do custo da energia.

Não são boas as perspectivas para os países emergentes, entre eles o Brasil, que já sentiam os efeitos da desaceleração da China - o importador universal - e da mudança do fluxo financeiro planetário. Durante a crise mundial, os emergentes receberam muito capital em fuga dos baixos rendimentos em EUA e Europa, por conta da política de afrouxamento monetário adotada. Com o anúncio, pelo Fed (BC americano), de que esse recurso para deprimir juros e facilitar a recuperação econômica tende a ser descontinuado a partir de setembro, muitos investidores começaram a "repatriar" seus recursos, em busca do aumento de ganhos nos mercados mais tradicionais. Outros buscam refúgios clássicos, como o ouro.

As ameaças aos emergentes com o provável ataque à Síria começam pelo aumento do custo da energia e passam pela turbulência nos mercados cambiais - as moedas se desvalorizam frente ao dólar, barateando as exportações, mas encarecendo as importações, que tendem a cair e também gerar inflação.

O Brasil é exemplo de emergente em apuros. Se não é tão atingido na área energética diante do aumento da produção nacional (a não ser o caixa da Petrobras, que compra combustível no mercado externo mais caro do que vende no país), sofre com o elevado custo Brasil (excesso de burocracia, legislação confusa e Estado paquidérmico, consumidor de recursos que deveriam ser aplicados em infraestrutura, Saúde, Educação) num momento de volatilidade dos fluxos de capitais.

Ação militar na Síria, para punir uma ditadura que mata com armas químicas, enviaria ondas de choque a uma região conturbada, com muito petróleo e interesses conflitantes dos diversos atores e alianças que se entrecruzam. Zbigniew Brzezinski, assessor de segurança nacional do presidente Jimmy Carter, aconselha, em artigo no "Financial Times", que é esta a hora de mobilizar a opinião pública mundial contra a guerra sectária na Síria; e de medidas abrangentes para evitar uma explosão no Oriente Médio.

Se a comunidade internacional concluir que não existe solução fora do ataque punitivo, pelo menos que ele seja o mais breve possível.

adicionada no sistema em: 29/08/2013 04:25

quarta-feira, agosto 28, 2013

ITAMARATY: CUIDADO FRÁGIL (ESTE LADO PARA CIMA)

28/08/2013
Um dos piores momentos da diplomacia brasileira



Embora haja ainda muito a esclarecer sobre a história da retirada do senador boliviano Roger Pinto Molina do confinamento de 455 dias na embaixada em La Paz, pelo diplomata brasileiro Eduardo Saboia, o caso parece ser mais uma demonstração de como o profissionalismo outrora reconhecido do Itamaraty foi corroído por interesses partidários e simpatias lulopetistas pelo nacional-populismo bolivariano-chavista hegemômico na Bolívia.


A defenestração do chanceler Antonio Patriota é apenas parte do enredo. 

Dizendo-se surpreendido pelo desfecho da operação executada pelo encarregado de negócios da embaixada, Eduardo Saboia - filho do embaixador aposentado Gilberto Vergne Saboia, conhecido pela atuação na defesa dos direitos humanos -, não havia mesmo como o chanceler continuar no cargo. Sem ter conseguido se impor minimamente no ministério de Dilma, Patriota já não contava com a simpatia da centralizadora presidente, segundo se dizia há tempos.

Nas entrevistas seguras que concedeu depois de cruzar a fronteira em veículos diplomáticos, sob a segurança de fuzileiros navais brasileiros, o diplomata foi claro: já comunicara ao ministério que poderia tomar uma decisão de emergência por razões humanitárias, devido ao estado de saúde de Molina, obrigado a ficar num cubículo, com pouco contato com o mundo exterior. Situação diferente de Julian Assange (Wikileaks), também forçado de forma abusiva pelo governo inglês a acampar na embaixada equatoriana em Londres, mas onde concede entrevistas e recebe visitas.

Até que desmentidos comprovados convençam do contrário, o governo Dilma, com o Itamaraty de agente, aceitou passivamente que o governo boliviano de Evo Morales não concedesse o salvo-conduto ao senador de oposição, para vencê-lo por fadiga psicológica. A atual política externa brasileira assumiu o papel indecoroso de carcereiro, contra os princípios da diplomacia do velho Itamaraty. Foi traída uma política de Estado de sempre colocar o Brasil ao lado de boas causas do ponto de vista ético.


Mas a flexibilidade da espinha dorsal desta política externa de ocasião não parece ter limites. A Bolívia já expropriou refinaria da Petrobras sem um resmungo de Brasília, que também aceitou fazer parte de uma operação sibilina com a Argentina e Uruguai para trocar o velho aliado Paraguai pela Venezuela chavista no Mercosul.


O novo ministro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, logo será testado, diante do provável pedido de extradição que a Bolívia encaminhará. O senador é acusado na Justiça de corrupção, mas a independência do Judiciário boliviano tem o valor de uma folha de coca ao sopé dos Andes. 


Valerá para Pinto Molina o que valeu para o esquerdista italiano Cesare Battisti, condenado na Itália por homicídio, mas acolhido pelo PT, ou não?

adicionada no sistema em: 28/08/2013 04:11

A FRAGILIDADE DO MERCADO

28/08/2013
Tensão síria derruba Bolsas

Mercados de ações caem em todo o mundo, e perdas somam US$ 850 bi. Petróleo e ouro sobem

João Sorima Neto
Bruno Villas Bôas

turbulência sem fim

SÃO pAULO, RIO, WASHINGTON E NOVA YORK


A escalada das tensões políticas após o ataque com armas químicas contra civis na Síria - tornando iminente uma intervenção militar dos EUA e seus aliados no país - contaminou os mercados financeiros mundiais ontem. Em meio a retóricas belicosas que assustaram investidores, as Bolsas despencaram nas principais praças e tiveram perdas somadas de US$ 850 bilhões em valor de mercado, segundo a Bloomberg News. O dólar se valorizou frente às principais moedas, mas não em relação ao real; o ouro, outro ativo procurado em momentos de incertezas, também avançou; e as cotações do petróleo fecharam com forte alta. Analistas temem o impacto de um conflito na ainda combalida economia mundial.
- Todo mundo está esperando para ver o que vai acontecer - disse Randy Bateman, diretor de Investimento do Huntington Asset Management,em Columbus, Ohio. - Isso (o conflito) vai escalar? Se os preços de energia subirem muito, isso afetará a recuperação recente da economia? Com o aumento dos preços de moradia, se houver ainda alta do custo de alimentos e combustível, veremos a inflação subir e isso afetará a política do Fed (Federal Reserve, o banco central americano).
petrobras puxa queda da BOVESPA
EUA, França e Reino Unido anunciaram ontem uma série de medidas legais para apoiar uma ação militar. Para os mercados, a iminência de um ataque pode afetar a recuperação econômica de EUA e Europa. Neste cenário, investidores correram para ativos considerados um refúgio em períodos de incerteza, como ouro e petróleo. O ouro avançou 1,95%, para US$ 1.420,20 a onça. Este é o maior patamar do metal em três meses. A cotação do barril para entrega em outubro em Londres, avançou 2,66%, para US$ 114,11. Em Nova York, o preço do leve subiu 2,9%, a US$ 109,01 o barril, o maior patamar em dois anos. A alta da cotação do petróleo é uma má notícia para a Petrobras, cujos preços praticados no país estão defasados em 23%, como destaca relatório do Bank of America, afetando as contas da estatal. Apesar da diferença de preços, o governo teme o impacto sobre a inflação.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, seguiu o mau humor do mercado internacional e fechou com desvalorização de 2,6%, aos 50.091 pontos e volume de R$ 7,3 bilhões, puxada pela queda das ações de Petrobras e OGX. Foi o pior pregão desde 2 de julho, quando o Ibovespa recuou 4,24% e o terceiro pior desempenho ontem, em termos percentuais, entre as principais Bolsas, atrás apenas de Índia (-3,18%) e Madri (-2,96%).
Em Wall Street, a crise síria ofuscou a notícia da melhora inesperada da confiança do consumidor americano em agosto, e o índice Standard & Poor"s 500 sofreu a maior queda desde 20 de junho, ao recuar 1,6%. O Dow Jones perdeu 1,1%; e o Nasdaq, 2,2%. Na Europa, Frankfurt caiu 2,28%; Londres, 0,79%; e Paris, 2,42%. Na Ásia, o Nikkei, de Tóquio, recuou 0,69%; e o Heng Seng, de Hong Kong, 0,59%.
- A possibilidade de um conflito geopolítico na Síria aumentou a aversão ao risco e as principais Bolsas globais caíram. É um fator de tensão a mais para o mercado, num cenário que já vinha complicado com as incertezas em relação ao prazo para a redução dos estímulos à economia americana pelo Fed - diz Luís Gustavo Pereira, estrategista da Futura Corretora.
Segundo Pereira, o fato de o governo dos EUA estar próximo de seu limite de endividamento, de novo, com os políticos tentando entrar em acordo para aprovar o aumento do teto da dívida, acentuou o nervosismo dos investidores.
O mercado de câmbio também registrou o nervosismo dos operadores. No Brasil, o dólar abriu com alta de mais de 1% frente ao real. Mas, pouco antes das 15h30m, a moeda americana inverteu o sinal e passou a se desvalorizar, descolando-se do cenário externo. O dólar fechou em baixa de 0,67%, a R$ 2,368. Operadores atribuíram a queda a uma entrada forte de recursos no fim do pregão.
João Medeiros, diretor da Pioneer Corretora, disse que a instabilidade do câmbio marcou o início da queda de braço de bancos pela formação da taxa de câmbio Ptax, no fim do mês, pela qual os contratos de câmbio futuro são liquidados na BM&FBovespa. Quatro bancos, segundo ele, estariam por trás das ordens que provocaram a baixa da moeda.
No resto do mundo, o dólar se valorizou. Moedas como lira turca, peso mexicano e rand sul-africano perderam valor. A divisa americana já vinha subindo em relação a essas moedas pela incerteza sobre a condução da política monetária do Fed. Ontem, a rúpia indiana perdeu 2,84%, a 65,93 por dólar. O iene recuou 1,8%, para 87,27 ienes por dólar. O euro fechou estável com queda de 0,03%.

adicionada no sistema em: 28/08/2013 04:21

SÍRIA: O INÍCIO DO FIM [?]

28/08/2013
EUA, França e Reino Unido estão prontos para atacar Síria

Um ataque militar à Síria se tornou iminente depois que os Estados Unidos asseguraram o apoio contundente de Reino Unido e França, seus principais aliados europeus. O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, garantiu que o Pentágono está pronto para agir imediatamente. A intervenção deverá ser cirúrgica e de curta duração, sem o deslocamento de tropas por terra, e visa apenas a minar as capacidades militares de Assad, e não a derrubá-lo. Aliados do ditador sírio, Rússia e Irã alertaram para os riscos de uma intervenção. Fontes do Pentágono disseram ao jornal “The New York Times" que os principais alvos dos ataques serão bases aéreas do regime e não os arsenais de armas químicas, pelo temor de que caiam em poder de extremistas. O início da operação depende apenas da escolha, pelo presidente Obama, do melhor plano de ação e da articulação da coalizão ocidental. Mas a ofensiva militar não vai esperar a conclusão da investigação da ONU sobre o uso de armas químicas

Ataque iminente à Síria

EUA e aliados se dizem prontos para punir Bashar al-Assad pelo uso de armas químicas

Flávia Barbosa
Correspondente
Batalha incessante. Rebeldes inspecionam um tanque abandonado pelas forças de Assad na região de Aleppo

CONTAGEM REGRESSIVA
WASHINGTON

Uma intervenção militar na Síria ficou iminente depois de os Estados Unidos assegurarem o apoio contundente de seus principais aliados europeus - Reino Unido e França - e de a Liga Árabe condenar veementemente o regime de Bashar al-Assad pelo uso de armas químicas contra civis nos arredores de Damasco na semana passada. Extraoficialmente, a Casa Branca já informou o Congresso da intenção de usar força, e o secretário de Defesa, Chuck Hagel, garantiu que o Pentágono está pronto para agir imediatamente. O início da operação depende apenas da escolha, pelo presidente Barack Obama, do melhor plano de ação e da articulação final da coalizão ocidental. A intervenção deverá ser cirúrgica e de curta duração, sem o deslocamento de tropas por terra, e visa apenas a minar as capacidades militares de Assad, não derrubá-lo.
Sem garantias de segurança na Síria, os inspetores da ONU deixaram ontem de vasculhar os locais dos ataques químicos na região de Ghouta, próximo a Damasco, adiando o recolhimento de amostras de sangue e ambientais que embasarão a avaliação das Nações Unidas. Mas a ofensiva militar não vai esperar a conclusão dos trabalhos e, possivelmente, nem mesmo o relatório que a Inteligência americana prepara para o fim desta semana com evidências tangíveis de uso de armas não convencionais pelo regime de Assad, no último dia 21.
OPERAÇÃO NOTURNA E DE CURTA DURAÇÃO
O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, reforçou a avaliação do governo, já exposta na véspera pelo secretário de Estado, John Kerry, de que a base para um ataque à Síria está dada.
- Armas químicas foram usadas, todos (no mundo) reconhecem , e não há dúvida sobre quem é o responsável por utilizá-las. O regime sírio é o único que tem as armas, já as utilizou no passado, tem os meios para utilizá-las, tem estado determinado em arrasar os locais onde os ataques ocorreram e tem repetidamente tentado isolá-los dos inspetores das Nações Unidas. Não há dúvida de que uma norma internacional essencial foi violada. O presidente acredita, e eu acredito, que aqueles que usam armas químicas contra homens, mulheres e crianças indefesos devem prestar contas - declarou Biden.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, também deixou poucas dúvidas de que o governo dos EUA já tomou a decisão de intervir militarmente na Síria e que Obama estuda apenas a melhor forma de fazê-lo. Entre as muitas especulações sobre a data do possível ataque, especialistas ouvidos pelas imprensas europeia e israelense apostaram que a ofensiva poderia durar cerca de 48 horas, sendo lançada durante a noite e, provavelmente, não antes do fim de semana - uma vez que até domingo a equipe de especialistas da ONU ainda estará na Síria.
- As deliberações em curso não são sobre se houve ou não uso de armas químicas na Síria em escala significativa, nem sobre se o regime sírio é responsável. São sobre qual a resposta apropriada a esta clara violação das normas internacionais - afirmou o porta-voz.
Carney, porém, salientou que a ação é limitada em seu propósito:
- As opções não são sobre mudança de regime. São sobre a resposta à violação de proibição internacional de uso de armas químicas.
Segundo Hagel, todos os planos possíveis para a ofensiva já estão sobre a mesa de Obama.
- Deslocamos ativos (armamento e máquinas) para sermos capazes de atender qualquer escolha pelo presidente. Estamos prontos para agir imediatamente - garantiu o secretário de Defesa.
Um ataque coordenado pelos americanos ganhou uma justificativa importante ontem após uma reunião de emergência da Liga Árabe. Em comunicado, 22 países-membros do bloco não só culparam categoricamente Assad pelo ataque químico como clamaram à comunidade internacional por uma resposta contundente à Síria.
A expectativa pelo sinal verde para a operação mobilizou atores contra e a favor da intervenção. Entre os favoráveis, o Reino Unido antecipou o fim do recesso de verão do Parlamento para convocar, amanhã, um debate seguido de votação sobre uma resposta militar. Em Paris, o presidente francês, François Hollande, disse estar pronto "para punir aqueles que tomaram a decisão atroz de usar gás tóxico contra inocentes". A Alemanha, por sua vez, manteve um perfil discreto: na segunda-feira, o governo dissera estar "avaliando a situação".
Entre os opositores à ofensiva militar, os maiores aliados de Assad - Rússia e Irã. Ambos cobraram provas que incriminem o regime sírio e advertiram para os riscos de um confronto regional.
Essa expectativa também mergulhou a região numa guerra de advertências. Em Damasco, o chanceler sírio, Walid al-Muallem, voltou a negar o uso de armas químicas e afirmou que seu país vai reagir caso seja agredido.
- Todos ouvimos os tambores da guerra ao redor. Se querem atacar a Síria, utilizar a mentira das armas químicas é uma falácia imprecisa. Eu os desafio a mostrar provas. A Síria vai reagir de todas as maneiras possíveis - assegurou.
Nos EUA, a corrida é para que figuras do primeiro escalão do governo, entre eles Kerry e Hagel, mantenham informados os líderes do Congresso sobre os desdobramentos da montagem da operação - embora, na prática, a Casa Branca não dependa de autorização para a ofensiva.
Mas, ainda assim, 21 parlamentares republicanos e um democrata enviaram ontem uma carta a Obama pedindo que ele convoque o Congresso do recesso para autorizar a ação militar. Fontes da Casa Branca descartaram a opção.

adicionada no sistema em: 28/08/2013 04:45