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quinta-feira, junho 06, 2013
AGROPECUÁRIA, BIOMASSA e BIOFLEX
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Potencial da energia de biomassa é subaproveitado
| Valor Econômico - 06/06/2013 |
Com peso de cerca de 20% na matriz de energia do Brasil, principalmente por conta do etanol que abastece grande parte da frota de carros e caminhões, a cana-de-açúcar poderá aumentar sua importância energética no país. De um lado, a eletricidade vinda dos canaviais poderá ampliar sua presença na geração de energia elétrica em um momento em que há dificuldade para construir hidrelétricas com grandes reservatórios. De outro, o etanol de segunda geração é essencial para que o país possa atender à crescente demanda pelo combustível, que poderá saltar dos atuais 22 bilhões de litros para algo entre 47 ou 68 bilhões em 2020.
Desde a década de 1990, por conta de pressões ambientais, o Brasil, que tem grande parte de seu potencial hídrico na região Norte, tem privilegiado investimentos na construção de usinas hidrelétricas a fio d"água, ou seja, sem grandes reservatórios de armazenagem, ao contrário do que se via nas décadas de 1970 e 1980. "Antes, tínhamos reservatórios que permitiam que pudéssemos guardar água por dois ou três anos. Sem isso, viramos reféns da chuva", afirmou o físico José Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), durante o seminário.
Para aumentar a segurança no abastecimento, o governo tem recorrido à geração de gás natural para térmicas e já sinalizou com a contratação de carvão para construir novas usinas nos próximos anos. "A sustentabilidade da matriz elétrica, hoje calcada na geração hidrelétrica, está em xeque, o que evidencia a importância de se investir em biomassa de cana de açúcar para gerar eletricidade", destacou. Hoje o país tem uma matriz baseada em fontes renováveis: quase 50% da matriz de energia brasileira é oriunda de fontes limpas, enquanto no mundo 78% da energia vem de combustíveis fósseis. Diante desse cenário em que a disponibilidade de gás ainda é incerta, avançar com a bioeletricidade poderia manter a matriz brasileira verde e ampliar a segurança no abastecimento, disse o físico.
A potência instalada do setor sucroalcooleiro está estimada em cerca de 5 mil MW, mas há potencial para que ela dobre e chegue a 10,2 mil MW em 2020. Além de ser uma fonte renovável, a energia elétrica vinda dos canaviais tem duas outras vantagens: as plantações e usinas estão localizados no Centro-Sul, próximas dos principais centros consumidores, e existe complementariedade entre essa fonte de energia e a hidrelétrica, já que a safra de cana coincide com o período seco dos reservatórios.
"O Brasil tem 200 milhões de cabeças que pastam em cerca de 200 milhões de hectares, o que dá uma cabeça por hectare. Em São Paulo, com um aumento de apenas 20% nessa densidade, foi possível expandir a geração de energia e o plantio de cana sem pressões ambientais", afirmou Goldemberg.
O etanol celulósico, chamado de segunda geração e cujo processo de produção está baseado em enzimas e no uso de bagaço e palha para produção de combustível, será essencial para que o país possa acompanhar o aumento da demanda. Em 2012, o país registrou um déficit de 4,6 bilhões de litros no etanol hidratado. Esse déficit poderá aumentar quase cinco vezes até o fim da década, diante do consumo em ascensão e de estagnação da produção atual por conta da política de combustíveis do governo, que tem evitado reajustes no preço da gasolina.
"O etanol de segunda geração será essencial para atender à demanda", afirmou Bernardo Gradin, presidente da GranBio.
A empresa está construindo uma planta, em Alagoas, voltada à segunda geração do combustível, com capacidade para 82 milhões de litros e que deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2014.
Para o vice-presidente da divisão sucroenergética da Raízen Pedro Mizutani, a tendência é de os custos de produção de combustível de segunda geração possam cair com o aumento de escala ao longo desta década. A empresa investe numa planta para produzir, em 2014, 40 milhões de litros do biocombustível em Piracicaba (SP).
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GRÃOS E CARNES. EXPORTAR É PRECISO
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Grãos e carnes consolidam liderança
| Autor(es): Por Lauro Veiga Filho | Para o Valor, de São Paulo |
| Valor Econômico - 06/06/2013 |
A capacidade de competição demonstrada pelo agronegócio contribuiu para consolidar a liderança do país no mercado global de grãos e carnes. No ano passado, considerando-se o agronegócio e toda sua extensa cadeia de valores, as exportações do setor atingiram US$ 95,814 bilhões, numa variação de 0,89% em relação a 2011, com sua participação avançando de 37,1% para 39,5% nas vendas externas totais do país.
Praticamente 70% das exportações do agronegócio em 2012 tiveram origem nos complexos soja e carnes, sucroalcooleiro e produtos florestais, com destaque para papel, celulose e madeira.
Para este ano, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), segundo sua superintendente Rosimeire Cristina dos Santos, espera um crescimento novamente modesto, diante do cenário internacional ainda conturbado e dos problemas logísticos enfrentados pelo país. "Pode ser que tenhamos um crescimento mais expressivo no segundo semestre, com a normalização dos fluxos de carga no setor", diz.
Os dados acumulados até abril deste ano, segundo o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sugerem que o agronegócio terá que realizar um esforço adicional para manter suas exportações em crescimento. No primeiro quadrimestre, as exportações cresceram 14,3% em valor, alcançando US$ 30,217 bilhões, mas os volumes embarcados cresceram em torno de 28%, com retração de 10,4% nos preços médios, considerando-se os 15 principais grupos da pauta do setor, que representam 96% das exportações.
A contribuição do setor tem sido mais relevante, nos últimos anos, pelos sucessivos saldos positivos na balança comercial. Nos quatro primeiros meses deste ano, o superávit chegou a US$ 24,5 bilhões, crescendo 17,6% em relação ao mesmo período de 2011. Os demais setores da economia amargaram déficit comercial de US$ 30,652 bilhões, num salto de 74,8% frente ao primeiro quadrimestre de 2011. Entre 2001 e 2012, o agronegócio gerou um superávit acumulado de US$ 565,325 bilhões, permitindo ao país um saldo positivo de US$ 325,635 bilhões no período, já que o restante da economia teve déficit de US$ 239,690 bilhões.
Neste ano, pela primeira vez na história, as projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) colocam o Brasil à frente dos americanos quando se trata de vender soja em grão ao mundo. As exportações brasileiras estão estimadas em 38,4 milhões de toneladas, ligeiramente acima das projeções da Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove), frente à expectativa de vendas na faixa de 36,6 milhões de toneladas a partir dos portos americanos.
Desta forma, o complexo soja deverá consolidar sua liderança na pauta de exportações do agronegócio neste ano. "Temos tudo para bater o recorde (de exportações), embora os preços devam ficar um pouco abaixo de 2012. Mas o ano passado foi o recorde dos recordes", afirma Fábio Trigueirinho, secretário da Abiove.
A indústria do setor espera exportar, no total, perto de US$ 28,294 bilhões, o que seria um avanço de 8,3% em relação aos US$ 26,122 bilhões registrados em 2012, recorde anterior. Pouco mais de 70% das vendas externas do complexo terão como origem os embarques de soja em grão, que deverão crescer de US$ 17,455 bilhões para US$ 19,864 bilhões, num avanço de 13,8%, com salto de 16% em volume, para 38,2 milhões de toneladas, e ligeiro recuo de 1,9% para os preços médios, previstos em US$ 520 por tonelada.
A vigorosa expansão dos volumes exportados pelo setor, no entanto, diz Trigueirinho, tornaram ainda mais evidentes as deficiências do sistema de logística, que concentra 70% do transporte de grãos sobre caminhões. "A situação caótica da logística elevou os custos de frete", diz. Os congestionamentos em rodovias e portos causaram o cancelamento de cargas e atrasos nos embarques, reforça Flávio França Júnior, consultor da Safras&Mercado, que trabalha com projeções até mais otimistas para o complexo soja, com salto de 14% em volume e elevação de 10% nas receitas, para US$ 28,6 bilhões.
Depois de reassumir a liderança mundial no mercado de carne bovina desde outubro de 2012, respondendo por 19% das exportações globais, o país deverá exportar neste ano "a cifra histórica de US$ 6 bilhões", batendo o recorde de 2012, quando as vendas do setor atingiram US$ 5,744 bilhões, prevê Antônio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Como tendência, o volume a ser vendido lá fora pela indústria de carne bovina deverá aumentar 27%, com avanço entre 20% e 25% em receita. "Vários países alteraram o pacote de oferta, num rearranjo de cardápio que privilegiou os cortes de menor valor agregado". Esse fator explica o valor médio mais baixo neste ano.
Com participação de 6,4% na pauta de exportações do agronegócio, abaixo dos 8,5% alcançados no primeiro quadrimestre de 2012, o café tenderá a registrar crescimento na quantidade destinada ao mercado externo, mas não conseguirá repetir a receita de 2012, ano em que foram exportados US$ 6,46 bilhões, considerando-se as vendas de café verde, torrado e solúvel. As exportações em volume, que já haviam crescido 17% no primeiro quadrimestre, tendem a ser acelerar, espera o analista da MB Agro, César de Castro Alves, já que vinham em ritmo muito modesto desde a segunda metade do ano passado, com a decisão do setor de retardar os embarques à espera de preços mais favoráveis lá fora.
Rui Eduardo Saldanha Vargas, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), informa uma queda de quase 9% nas exportações de carne suína no primeiro quadrimestre deste ano, com embarques de 155 mil toneladas. A receita sofreu perda de 5%, para US$ 416 milhões, com avanço de 4,2% nos preços médios.
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quarta-feira, abril 03, 2013
SETOR SUCROALCOOLEIRO: A INEVITÁVEL RELAÇÃO HOMEM-MÁQUINA
| 03/04/2013 | |
Mecanização avança, mas cana perde produtividade
A tradicional figura do cortador de cana, sujo e sofrido, está praticamente extinta no Centro-Sul. A colheita recém-iniciada na região será pelo menos 85% mecanizada, em uma área de 7 milhões de hectares. No início da década passada, a colheita manual chegou a demandar 750 mil pessoas em todo o país, sendo 500 mil no Centro-Sul, estima o professor do Departamento de Economia Rural da Unesp de Jaboticabal, José Giacomo Baccarin. Na safra passada, o número de cortadores empregados era de apenas 189 mil pessoas. No Nordeste, que responde por 10% da produção brasileira de cana, a mecanização ainda é ínfima e demanda 330 mil cortadores
Cortador de cana sobrevive à mecanização
Por Fabiana Batista | De Araçatuba e Valparaíso (SP)
Franzino e com forte sotaque nordestino, Antônio Francisco Soares conta que quando se mudou de Alagoas para São Paulo, em 2004, já tinha mais de 15 anos de experiência em colher cana-de-açúcar. Na época, a grande "ameaça" que enfrentava para se estabelecer na atividade no campo paulista era a concorrência com os migrantes de Minas Gerais. Ao sinal de qualquer protesto da massa de cortadores, lembra, o fiscal da fazenda dizia: "Olha que a gente busca 400 mineiros para fazer o serviço e manda todos vocês embora".
Os mineiros vinham com tudo, afirma Soares. "Deixavam o couro e levavam o dinheiro. Trabalhavam como doidos, mais até do que o exigido pela usina". Mas as mudanças que tomaram forma nos canaviais nos anos seguintes tiraram do páreo mesmo esses concorrentes, vindos sobretudo do norte mineiro. E a mecanização criou outra lógica nas relações de trabalho nos canaviais.
No ano 2000, quando a produção de cana ocupou 3,8 milhões de hectares na região Centro-Sul do país, as máquinas responderam por 28% da colheita total. Na safra recém-encerrada (2012/13), que ocupou mais de 7 milhões de hectares, o percentual chegou a 85%, de acordo com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).
E, diferentemente do que se imaginava quando a substituição do homem pela máquina se acelerou, não houve uma catástrofe social, ainda que centenas de milhares de pessoas tenham sido afetadas e que a qualificação e a recolocação dos cortadores sejam desafios permanentes e, muitas vezes, frustrantes.
José Giacomo Baccarin, professor do departamento de Economia Rural da Unesp de Jaboticabal, no interior paulista, estima que, no início da década passada, a colheita manual de cana chegou a demandar, no auge das safras, 750 mil pessoas em todo o país, 500 mil no Centro-Sul.
No Nordeste, onde os canaviais estão em áreas mais montanhosas, a mecanização é ínfima e o quadro não mudou muito. Responsável por 10% da produção brasileira, a região ainda conta com cerca de 330 mil trabalhadores na atividade, conforme o Sindaçúcar de Pernambuco.
Mas, no Centro-Sul, os postos de trabalho para os cortadores foram minguando conforme a mecanização avançou, movida, principalmente, por novas exigências sócio-ambientais. Em 2007, quando se intensificou o movimento, Baccarin calcula, com base no Caged/IBGE, que o número de cortadores na região já havia recuado para 284 mil.
"Muitos eram migrantes e, provavelmente, viraram agricultores familiares. A maior parte deve ter ido para a construção civil ou para outros setores de menor exigência de mão de obra qualificada", afirma. E a tendência não mudou. Em 2012, estima o especialista, eram 189 mil.
Uma pequena parte da "catástrofe" esperada foi evitada pelo aumento do número de vagas para outras funções nas usinas. Em 2007, segundo os números de Baccarin, o número de cortadores foi equivalente a 56% do número total de trabalhadores empregados na indústria sucroalcooleira. Em 2012, foram 42%. Mas apenas uma pequena parte.
"O problema é que os cortadores têm escolaridade baixa e, portanto, mais dificuldade de adaptação a outras funções nas usinas e em outros setores. A exceção são as áreas que exigem menor qualificação, como a construção civil, que absorveu muito dessa mão de obra". Ainda assim, deixar um trabalho exaustivo como cortar cana para trás pode ser também uma vantagem social, desde que a opção não seja o desemprego.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul, estima que, dos 80 mil cortadores que suas 190 associadas empregavam em 2007, pelo menos 22,7 mil foram qualificados para novas demandas da indústria, como mecânico e operador de máquinas. E 80% desse total está empregado no próprio segmento, segundo Maria Luiza Barbosa, gerente de sustentabilidade da Unica.
Para Jaelson Ferreira do Nascimento, a safra 2013/14, recém-iniciada, será a primeira como operador de colheitadeira de cana. Mineiro de Montezuma, ele chegou a Valparaíso, no oeste paulista, em 2009, aos 20 anos, e por três safras cortou cana na usina Univalem, da Raízen.
Chegava a ganhar até R$ 1,9 mil com o corte da cana, acima do salário de R$ 1,2 mil que embolsará como operador iniciante de colheitadeira. Mas está animado. "Agora eu posso crescer. Quero fazer o curso de mecânico de colheitadeira", planeja.
Não é fácil.
Uma máquina de colher cana pesa cerca de 20 toneladas e custa, em média, R$ 900 mil. Quando quebra, o prejuízo à usina é enorme, já que, por dia, serão 500 toneladas de cana que deixarão de ser colhidas. O mesmo acontece com outras máquinas da operação agrícola. Por essas e outras, ainda hoje o corte da cana pode ser a única solução.
Nascido em Lavínia, a 70 quilômetros de Araçatuba, Aparecido Silva, 52 anos, sempre trabalhou em fazendas de gado naquela área do oeste paulista. Com a chegada da cana, o gado migrou e, para Aparecido, não restou alternativa ao facão.
Há 15 anos é o que ele faz. Na usina onde trabalha (Univalem), todos os anos são abertas turmas de qualificação para operador. Mas Aparecido ficará na operação manual até ela acabar. "Tenho curso de mecânica, fui motorista e tratorista. Mas a cobrança é grande. Se a máquina quebra, a empresa acha que você é o culpado". Ademais, acrescenta ele, o ganho mensal de um cortador (R$ 1,2 mil, em média) equivale ao de um operador iniciante de máquina.
Para Maria Luiza Barbosa, uma das surpresas dessa gigantesca troca de braços por engrenagens é justamente o fato de o trabalho rural, mesmo nas usinas totalmente mecanizadas, não ter acabado. Na unidade onde Aparecido Silva e outros 180 trabalhadores braçais estão empregados, colheita e plantio são 100% mecanizados. Mas há atividades de campo que justificam a manutenção desse quadro de pessoal.
Eles carpem o mato, limpam a terra e abrem os primeiros metros das fileiras de cana madura que serão colhidas em seguida pelas máquinas. Colhem também cana plantada nas curvas onde a máquina não alcança - que estão em desuso com o avanço do plantio mecanizado.
Além disso, ainda há usinas e fornecedores de cana que não assinaram o protocolo agroambiental que antecipa o fim das queimadas para 2014. Portanto, ainda ateiam fogo nos canaviais, contratam mais cortadores e, por lei, têm até 2017 para eliminar essa prática nas áreas mecanizáveis (declive de até 12%).
Baccarin acredita que a mecanização está chegando ao limite no Centro-Sul, e que daqui para frente os impactos no mercado de trabalho tendem a diminuir. "Acredito que será possível mecanizar 90% da área, não mais que isso".
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segunda-feira, outubro 29, 2012
SUCO DE LARANJA. O MIX AGRÍCOLA
Integrada, do Paraná, estreia no mercado de suco de laranja
Autor(es): Por Marli Lima | De Curitiba |
| Valor Econômico - 29/10/2012 |
"Fizemos estudos e a citricultura apareceu como uma boa opção de diversificação", afirma o diretor Katsumi Otaguiri
No mesmo ano em que a Cocamar, cooperativa de Maringá, vendeu sua indústria de suco de laranja para a Louis Dreyfus, a Integrada, de Londrina, norte do Paraná, está estreando no segmento. Os primeiros testes de esmagamento começaram na sexta-feira e, após ajustes finais, 250 mil caixas de 40,8 quilos cada da fruta devem ser processadas em 2012. O número poderá subir para 800 mil caixas em 2013 e para 2 milhões em 2015.
Os investimentos na fábrica, que foi erguida em Uraí, distante 50 quilômetros da sede, somaram R$ 15 milhões. Katsumi Sergio Otaguiri, diretor da área industrial, lembra que o projeto foi iniciado em 2007, quando produtores de grãos enfrentavam problemas de preço e quebras por problemas climáticos.
"Fizemos estudos e a citricultura apareceu como uma boa opção de diversificação", conta. O plantio começou em 2008 e hoje há 2 mil hectares com laranja na área da cooperativa. A intenção era ter 5 mil hectares, o que não aconteceu ainda devido à forte alta das cotações dos grãos.
Otaguiri diz que a construção da indústria de sucos estava prevista para 2013 e os esmagamentos deveriam começar em 2014, mas no ano passado a Integrada teve dificuldade para processar laranjas produzidas por associados. Das 120 mil caixas colhidas, 20 mil foram vendidas no varejo e 100 mil foram esmagadas na indústria que era da Cocamar. Como havia a previsão de chegar a 350 mil caixas em 2012, a fábrica foi antecipada e as obras duraram 135 dias. Mesmo assim, 100 mil caixas da fruta tiveram de ser vendidas. E o mercado não está bom para o produtor.
Se, no ano passado, o preço da caixa ficou perto de R$ 15, caiu pela metade em 2012. A Integrada vai adiantar R$ 5 ao produtor e, no encerramento do ano, pagará a diferença. No começo, a fábrica vai gerar 25 empregos e funcionará em um turno. A produção será exportada e os contratos estão em negociação. O faturamento previsto no segmento é de R$ 13 milhões em 2013. A Integrada tem 6,7 mil associados e faturou R$ 1,3 bilhão em 2011. Ela já tem fábrica de fiação de algodão e de ração e está investindo também em uma nova indústria de derivados de milho, orçada em R$ 50 milhões, no município de Andirá, que deve entrar em operação em agosto de 2013.
A Integrada possui duas unidades arrendadas para processamento de milho para a indústria de alimentos (como cereais matinais) e bebidas (cervejas). Hoje, envia para essas indústrias 12 mil toneladas do grão por mês, volume que vai saltar para 25 mil toneladas. Otaguiri explica que atualmente a indústria responde por 15% a 18% do faturamento da cooperativa e, com os investimentos em andamento, a intenção é chegar 25%. Sobre a laranja, ele avisa que se trata de um projeto de longo prazo. "Deve haver mais adesão de produtores", diz. Atualmente, 112 associados da cooperativa cultivam a fruta. Feita em módulos, a fábrica poderá ser ampliada.
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sexta-feira, outubro 22, 2010
ALCOOLDUTO [In:] ''ÊTA NÓI$'' !
Alcoolduto une Petrobras, Cosan e Copersucar
Autor(es): Mônica Scaramuzzo e Fabiana Batista | De São Paulo |
| Valor Econômico - 22/10/2010 |
Logística: Empresas estruturam acordo de participação de até 20% para cada uma, e aporte total de US$ 2 bilhões. O principal projeto do alcoolduto criado para escoar o etanol do Centro-Oeste do país até São Paulo, enfim, deverá sair do papel. Grandes grupos sucroalcooleiros, como Cosan e Copersucar, vão se unir à Petrobras para colocar em prática o empreendimento, que terá investimentos superiores a US$ 2 bilhões, apurou o Valor. Originalmente criado pela petrolífera brasileira, o alcoolduto foi desenhado para escoar a produção de etanol de Senador Canedo (GO) até Paulínia (SP). No meio do caminho, grandes grupos sucroalcooleiros também anunciaram projetos paralelos para transportar etanol por dutos. O mais estruturado, o da Uniduto, companhia que reúne grandes usinas como Cosan e Copersucar, decidiu unir forças com a estatal para viabilizar o projeto, que mal saiu do papel desde que foi anunciado há cinco anos. Procuradas, as duas empresas não se pronunciaram. Sem mencionar nomes, o gerente de logística da Petrobras, Eduardo Autran, que está à frente desse projeto, confirmou que a estatal está negociando com outros "players importantes" da indústria de álcool para constituir uma sociedade para desenvolver um sistema integrado de logística para etanol, que inclui dutovia, mas não se restringe a ela. Outros modais, segundo ele, integram a negociação, entre eles, a hidrovia e a ferrovia. Autran informa que a Petrobras ficará com 20% da nova sociedade, cujas negociações devem ser concluídas até o fim deste ano, conforme prevê o executivo. Uma fonte familiarizada com a negociação afirmou que as outras empresas privadas integrantes não poderão ter fatia maior que a da estatal. A saída da trading japonesa Mitsui do projeto, que participava do bloco da PMCC, em parceria com a Petrobras e a construtora Camargo Corrêa, acelerou a união do setor privado e da estatal. "Parecia óbvio que os projetos de alcooldutos existentes fossem se convergir. Começamos a conversar e as negociações, ainda no início, já dão mostras da grande dimensão que esse empreendimento poderá tomar", afirmou outra fonte que também participa das conversações. O percurso da Uniduto Logística, empresa criada em 2008 e que reúne 80 usinas associadas, ligadas a dez grandes grupos produtores de etanol, previa a construção de um corredor dutoviário de 612,4 quilômetros, interligando 46 municípios do Estado até o terminal portuário, com capacidade para escoar 16,6 bilhões de litros de álcool por ano. Entre os principais associados estão, além dos já citados, o grupo São Martinho, Santa Cruz, São João e a Bunge. Segundo fontes próximas às negociações, os dois projetos se fundirão, mas o traçado original, de Goiás a Paulínia, deverá se manter. A partir de Paulínia, havia expectativa de que o combustível seria escoado até Ilha D"Água (RJ), em dutos adaptados de outros combustíveis da Petrobras. Agora, esse pedaço a partir de Paulínia será repensado. Os dois projetos de dutovia para etanol, o da Uniduto e o da PMCC, já preveem a integração com modais hidroviário e ferroviário, modelo que deve ser estendido para a nova sociedade. Anunciado em meados de 2004, o alcoolduto da Petrobras começou a ser desenhado para facilitar o escoamento do etanol até os portos, uma vez que as exportações estavam em ascensão. Com expectativa de embarques superiores a 5 bilhões de litros/ano, marca só alcançada em 2008, o projeto começou a perder espaço por conta do recuo das vendas externas. No entanto, o crescimento do consumo no mercado interno (os projetos incluem distribuição no mercado doméstico) voltou a colocar o empreendimento em pauta, uma vez que várias usinas, estimuladas pelo boom de investimentos do setor, começaram a construir projetos "greenfields" (construção do zero) no país fora do Estado de São Paulo - principal polo produtor de cana no país. Entre os maiores projetos "alcooleiros" está o da antiga Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), que foi comprada pela ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, no primeiro semestre deste ano. Somente desse polo "ex-Brenco" são quatro usinas alcooleiras que, quando concluídas, vão produzir mais de 1,2 bilhão de litros, nos estados do Centro-Oeste. Além das usinas, a ETH também trouxe da Brenco um projeto de alcoolduto. Antes da fusão, a Centro-Sul Transportadora Dutoviária, já havia sido criada pela Brenco para implantar o duto entre Alto Taquari (MT) e o porto de Santos. Os estudos de pré-engenharia mostravam que esse duto poderia se encontrar com o duto projetado pela PMCC na altura da Serra do Mar (SP). Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a ETH, neste momento, não participa das negociações com a Petrobras, embora tenha interesse na integração. Procurada, a ETH não se pronunciou. |