A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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quinta-feira, junho 06, 2013
ASAS DE ÍCARO
Azul e Trip recebem multa de R$ 3,5 milhões
| Autor(es): Por Thiago Resende | De Brasília |
| Valor Econômico - 06/06/2013 |
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) multou em R$ 3,5 milhões as empresas Azul e Trip por informações enganosas no momento da notificação da fusão entre as companhias aéreas.
Segundo o processo, as companhias aéreas não informaram sobre o code share (compartilhamento de voos) entre Trip e TAM, que depois foi um dos pontos de restrição para que o Cade aprovasse a fusão entre Azul e Trip.
De início, as companhias aéreas alegaram que o acordo entre Trip e TAM "não chegou a se concretizar", lembrou o conselheiro Ricardo Ruiz, relator do auto de infração. Apenas depois de pedidos de informações feitos pelo órgão antitruste que as companhias confirmaram a existência do acordo, "reconhecendo a inveracidade da informação prestada no momento da notificação" da operação.
Ruiz considerou o erro como altamente grave. "A informação falsa poderia levar a uma avaliação inadequada", disse. Ele frisou ainda que o compartilhamento de voos era de "tamanha importância" para analisar os efeitos concorrenciais da fusão Azul/Trip que o Cade determinou a extinção do code share entre Trip e TAM. "Dada a existência do acordo, a operação se tornou ainda mais complexa", ressaltou o relator.
"A informação enganosa impactava diretamente na restrição que o Cade fez", reforçou o presidente do Cade, Vinicius Carvalho, que considerou adequado o valor da multa.
Em comunicado, a Azul informou ontem que "respeita a decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o auto de infração que versa sobre matéria estritamente processual e em nada afeta a integridade da aprovação da operação Azul-Trip pelo órgão. A Azul aguardará a publicação da decisão para analisar seu conteúdo e definir o melhor encaminhamento."
Terceira maior companhia aérea do Brasil, a Azul se prepara uma oferta pública inicial de ações (IPO) para aumentar a frota e as rotas oferecidas, quitar empréstimos, pagar o arrendamento de aeronaves e reforçar seu capital de giro. (Colaborou João José Oliveira, de São Paulo)
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terça-feira, maio 28, 2013
ITAMBÉ-VIGOR. FUSÕES E AQUISIÇÕES
Cade aprova aquisição de 50% da Itambé pela Vigor
| Autor(es): Por Thiago Resende | De Brasília |
| Valor Econômico - 28/05/2013 |
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem, sem restrições, a compra de 50% do capital social da Itambé pela Vigor. Conforme anunciado em fevereiro, a Vigor, que é controlada pela holding J&F - a mesma que controla a JBS - pagará cerca de R$ 410 milhões pela participação.
A Itambé pertence à Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR) e foi a terceira maior captadora de leite do país em 2012. A Vigor foi a 12ª empresa no mesmo ranking. Além de produzirem leite, ambas atuam no mercado de lácteos com produtos como iogurtes e margarinas, entre outros.
Apesar de transitarem no mesmo mercado, o órgão antitruste considerou que o segmento é pulverizado e que há rivalidade suficiente para amenizar eventuais problemas concorrenciais causados pela operação.
O processo foi analisado pela nova lei de defesa da concorrência e agora, com a anuência do Cade, as empresas poderão realizar a operação. O sinal verde foi dado em despacho da Superintendência-Geral do órgão publicado ontem no "Diário Oficial da União" e, portanto, o caso não precisará passar por julgamento em plenário do Cade.
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terça-feira, março 26, 2013
... TUDO EM FAMÍLIA
| 26/03/2013 | |
Família Klein discorda de acordo no Cade
A família Klein e o Grupo Pão de Açúcar, sócios na empresa Via Varejo, negociam um acordo para fazer avançar a aprovação do processo de fusão de Casas Bahia e Ponto Frio. A operação ainda precisa ser aprovada no Cade e depende de um entendimento - que anda difícil - entre os acionistas.
O Valor apurou que os Klein decidiram não assinar a minuta de proposta que será apresentada ao Cade. Os sócios deixaram isso claro em reunião do conselho da Via Varejo, na semana passada. Ontem à tarde, Enéas Pestana, presidente do Grupo Pão de Açúcar, e Michael Klein, presidente do conselho de administração da Via Varejo (criada com a união das duas redes), se reuniram em Brasília, na sede do Cade, para tratar do assunto. Klein disse que não aceita um dos pontos da proposta, que prevê a manutenção de todas as lojas da rede Extra em detrimento da Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio), que pode ter 60 unidades fechadas.
Klein propõe ao GPA operar negócio de eletro da rede Extra
Por Adriana Mattos | De São Paulo
Em carta ao comando do Pão de Açúcar, Michael Klein acusa o grupo de procurar "impor a sua vontade de forma truculenta e com base em ameaças ocas".
A família Klein e o Grupo Pão de Açúcar (GPA), sócios na empresa Via Varejo, negociam um acordo para que consigam avançar na aprovação do processo de fusão das redes Casas Bahia e Ponto Frio. A operação ainda precisa ser aprovada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e depende de um entendimento, que não existe entre os acionistas hoje. O Valor apurou que os Klein decidiram não assinar o documento final das propostas a serem apresentadas ao Cade. Os sócios deixaram clara a oposição em reunião do conselho de administração da Via Varejo, na sexta-feira passada. O clima entre os acionistas azedou e eles chegaram a trocar correspondências em tom pesado nos últimos dias.
Ontem à tarde, Enéas Pestana, presidente do Grupo Pão de Açúcar, e Michael Klein, presidente do conselho de administração da Via Varejo (criada com a união das duas redes de lojas de eletroeletrônicos), se reuniram em Brasília, na sede do Cade, para tratar do assunto.
Os Klein e o grupo negociam aspectos da proposta há meses. Na reunião, Michael disse que não aceitaria especificamente um ponto do acordo negociado entre a família Klein, o GPA e o Cade. Trata-se do fechamento de lojas das redes Casas Bahia e Ponto Frio e a manutenção dos pontos da rede Extra, que vende eletroeletrônicos em suas unidades.
Os Klein não aceitam que Via Varejo tenha que fechar lojas (ou passá-las para a concorrência) enquanto, dizem eles, se "preservam" os negócios de GPA, sem qualquer efeito sobre a rede Extra. Por isso, no encontro entre as partes ontem, Michael fez uma proposta: em todas as cidades onde uma loja de Casas Bahia ou Ponto Frio for fechada, a unidade do Extra do mesmo município passará a ter eletroeletrônicos vendidos pela Via Varejo. Ou seja, a receita com a venda desses produtos irá para o caixa da varejista de eletroeletrônicos. Hoje, esse valor entra na receita de hipermercados do GPA.
Pelo negociado até agora, cerca de 60 lojas de Casas Bahia e Ponto Frio podem ser fechadas em cidades em que a participação de mercado de Via Varejo supera 57%, taxa determinada pelo Cade como "corte" na análise de concorrência, apurou o Valor. O que os Klein querem, entende o Pão de Açúcar, é uma espécie de "compensação financeira", já que terão os pontos fechados.
O Valor apurou que Enéas Pestana concordou ontem em analisar a proposta apresentada por Michael e não a considera "absurda", mas o grupo não sabia dessa ideia do sócio e precisa tratar da questão no conselho. O Cade deve aguardar esse entendimento para que o tema da fusão das redes seja colocado na pauta de votação. Há acordo em relação a todos os outros pontos que farão parte do Termo de Compromisso de Desempenho (TCD), com as restrições definidas pelo Cade.
Nos últimos dias, a relação entre os Klein e o Pão de Açúcar voltou a piorar. Depois de tomar conhecimento, na semana passada, que os Klein não aceitavam assinar a proposta de acordo, o grupo enviou uma carta ao acionista criticando o posicionamento. Afirmou que estava "surpreso" com a postura dos Klein e afirmou que eles estavam sobrepondo os interesses da família aos interesses da empresa. Na carta, o grupo critica os Klein, que não estariam participando de forma ativa, com o fornecimento de dados e informações, e que isso estaria afetando o avanço das conversas. Ao fim da carta, o grupo ameaça entrar com processo contra a família na câmara de arbitragem, caso os Klein não mostrem interesse em negociar pelo bem da empresa.
Na noite de domingo, os Klein responderam à correspondência, em 26 pontos. Disseram que a companhia procura "impor a sua vontade de forma truculenta e com base em ameaças ocas". Afirmam ainda que eles se empenharam para ter a operação aprovada nos termos contratados, já o GPA "abandonou a luta pela aprovação integral [do acordo] e passou a procurar restrições que não são distribuídas equitativamente entre as partes".
Segundo a carta dos Klein, "é bem melhor para CBD [GPA] preservar lucros na sua companhia, ainda que às expensas de perdas em outra da qual só participa em cerca de 52% do capital". Os Klein ainda informam que esperam uma negociação amigável e caso ela não ocorra em 30 dias, a partir do último domingo (data do envio da carta) eles apoiam a abertura de um processo arbitral.
É pouco provável que se chegue a esse ponto. O Pão de Açúcar entende que é preciso alcançar um consenso o mais rápido possível, que a aprovação da fusão das redes já se estendeu demais - e os Klein pensam o mesmo. É possível que as partes se entendam nas próximas semanas, segundo fontes ouvidas.
Não é a primeira vez que os sócios se desentendem. Em fevereiro, os Klein ameaçaram entrar com processo arbitral contra o GPA por causa das condições do acordo de associação assinado pelas partes em 2010.
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terça-feira, março 05, 2013
UM NOVO JEITO DE VOAR
| 05/03/2013 | |
Quanto TAM e Gol vão perder
Por Daniel Rittner | De Brasília
As novas regras que o governo propôs para redistribuir "slots" (horários de pousos e decolagens) em Congonhas devem reduzir a presença da TAM e da Gol no aeroporto. Simulações das empresas aéreas e de especialistas do setor indicam que cada uma tende a perder de 16 a 18 slots por dia. Hoje, a TAM (incluindo a controlada Pantanal) e a Gol têm 232 e 212 autorizações diárias, em média. Juntas, elas somam 94% dos slots disponíveis para a aviação comercial.
Não é só isso: a oferta poderá ser reduzida em cerca de 500 mil assentos por ano em Congonhas. O aeroporto recebeu 16,7 milhões de passageiros em 2012, volume só inferior ao de Guarulhos (SP) e do Galeão (RJ).
O raciocínio é simples. TAM e Gol usam, em Congonhas, aeronaves para 174 passageiros (o A320 da Airbus) e 187 passageiros (o 737-800 da Boeing). A Azul/Trip, provável maior beneficiada pela mudança de regras na distribuição de slots, opera com aeronaves da Embraer (de 106 a 118 assentos) e da ATR (entre 48 a 70 passageiros).
"Haverá uma redução da quantidade de assentos ofertados", diz o professor Elton Fernandes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que prevê um enxugamento de 3% a 7%. "O aeroporto perderá receita e os passageiros deixarão de ter oportunidades de conexão.
Congonhas não tem a vocação de aeroporto regional."
Enquanto as regras anunciadas pela Anac - e ainda em consulta pública - são gerais, critérios específicos valerão para Congonhas.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, afirma que a entidade não é contra uma revisão das normas para os slots no aeroporto paulistano. Mas sugeriu iniciar as discussões pela ampliação do número de movimentos autorizados por hora. Eram 48, mas diminuíram progressivamente até 34 após o acidente com o voo 3054 da TAM, em julho de 2007, que teve 199 vítimas fatais.
"Congonhas tem espaço para crescer, respeitando as condições de segurança", diz Jorge Leal de Medeiros, professor da Escola Politécnica da USP. Ele prevê que TAM e Gol vão perder cada uma, mantidas as atuais configurações de malha aérea, pelo menos 100 slots semanais. Se houver ampliação das operações, novos concorrentes poderão entrar no aeroporto sem que haja redução da oferta pelas duas maiores empresas do mercado, segundo Leal.
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VOAR, VOAR/ SUBIR, SUBIR...
| 05/03/2013 | |
Cade pedirá fim de "code share" para Trip e TAM
Por Juliano Basile | De Brasília
Para aprovar a associação entre Trip e Azul, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve determinar o fim do acordo de compartilhamento de voos ("code share") entre Trip e TAM. A restrição foi sugerida pela Superintendência-Geral do órgão antitruste e deve ser seguida pelos conselheiros no julgamento que está marcado para amanhã.
Segundo o Valor apurou, representantes das empresas já teriam concordado em desfazer o compartilhamento de voos entre Trip e TAM. A associação entre Azul e Trip aéreas foi realizada em 28 de maio de 2012, data próxima ao prazo final para que as operações pudessem ser notificadas ao Cade pela antiga Lei de Defesa da Concorrência (Lei nº 8.884, de 1994).
Pela antiga lei, as companhias podiam, primeiro, fazer a fusão e, depois, notificar o Cade à espera da aprovação. Dezenas de empresas fizeram a notificação de fusões e aquisições no fim de maio para aproveitar os últimos dias em vigência da antiga lei e garantir, na prática, a realização de seus negócios antes da aprovação prévia do órgão antitruste.
O negócio entre Trip e Azul resultou na criação da terceira maior empresa do setor aéreo nacional, atrás de TAM e Gol.
A Superintendência só foi informada de que havia um acordo de "code share" entre TAM e Trip em setembro de 2012. Inicialmente, as empresas alegaram que fizeram tratativas para fazer o acordo, mas que o mesmo ainda não havia se concretizado. Depois, admitiram o "code share". A Superintendência considerou "grave" a omissão do acordo às autoridades.
"Trata-se, sem dúvida, de conduta grave, uma vez que a informação falsa inicialmente apresentada poderia induzir as autoridades a informação equivocada ao desconsiderar elemento crucial para a análise antitruste: a existência de acordo de compartilhamento de voos entre uma das requerentes (a Trip) e uma das duas empresas líderes no mercado de aviação civil brasileiro (TAM)", diz o parecer assinado pelo superintendente-geral do Cade, Carlos Ragazzo.
Por causa da omissão dessa informação, a Trip pode ser multada pelo Cade em valor ainda a ser definido.
No entendimento do Cade, os acordos de "code share" podem prejudicar a competição no setor, pois levam as empresas a ter menos interesse em explorar novas rotas e aumenta a possibilidade de coordenação de frequência de voos e tarifas entre distintas empresas. "A probabilidade de que possam produzir efeitos anticompetitivos não deve ser negligenciada", continua o parecer. Segundo a Superintendência, com a associação entre Azul e Trip, "a manutenção de tal acordo poderia desestimular a concorrência no setor aéreo".
Por outro lado, a união dessas duas companhias resultaria numa concentração calculada em até 14% pelo Cade. É bem menos do que o percentual da TAM e da Gol, que estaria em torno de 40%, segundo os estudos feitos pelo órgão antitruste.
"O presente ato de concentração (associação entre Trip e Azul) representa o crescimento de uma concorrente menor, que, com essa operação, pode ter mais condições de concorrer com as líderes, ofertando, entre outros benefícios, malha ampla e interligada, com grande inserção regional", concluiu a Superintendência do Cade.
Na quarta-feira, os conselheiros ainda devem discutir um prazo para que o "code share" entre Trip e TAM seja desfeito. Para a Superintendência, o acordo de compartilhamento de voos deveria ser extinto em dois anos. Agora, caberá ao conselho definir se vai seguir esse prazo ou se vai impor outro.
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sexta-feira, novembro 23, 2012
AVICULTURA PARANAENSE [In:] MEU PINTINHO AMARELINHO
Crise da avicultura se aprofunda no Paraná
Autor(es): Por Marli Lima | De Maringá |
| Valor Econômico - 23/11/2012 |
A Frango a Gosto, de Arapongas, norte do Paraná, foi mais uma das vítimas da crise da avicultura no país. Com alta nos custos de produção e dificuldade para obter crédito para capital de giro, a empresa firmou parceria com o grupo GTFoods, localizado em Maringá, e a Jaguafrangos, de Jaguapitã. Os dois assumiram o fornecimento de pintinhos e ração a 75 integrados e vão pagar pelos serviços para abate no local.
Os frangos vão continuar com a mesma marca. Parte da comercialização regional ficará com o dono do abatedouro e a nacional será de responsabilidade dos novos parceiros. A Frango a Gosto pertence há 25 anos a Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar) e da Unifrango, associação criada em 2001 e que reúne 16 empresas no Estado. Nos últimos dois dias a Unifrango realizou encontro técnico em Maringá para tratar, entre outras coisas, de estratégias para enfrentar as dificuldades do segmento. "Acredito que outras operações de parcerias vão acontecer", prevê Martins, que reclama da falta de ajuda do governo aos avicultores.
O empresário contou que primeiro recorreu aos bancos e, depois, foi atrás de parceiros. O contrato com o GTFoods, dono das marcas Frangos Canção, Gold Frango, Mister Frango e Bellaves, e a Jaguafrangos, que usa o nome Jaguá, terá duração de três anos e passará por avaliação após 12 meses. A Frango a Gosto abate 60 mil aves por dia. Já chegou a exportar 34% da produção, mas hoje essa fatia é de 10%.
Além da Frango a Gosto, a crise agravou problemas que vinham sendo enfrentados por outras empresas no Estado desde 2008. A Diplomata, que tem sede em Cascavel, no oeste, e pertence ao deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR), entrou com pedido de recuperação judicial em agosto e, no dia 16, informou que vai interromper alojamentos nas granjas e suspender abates nas unidades de Xaxim (SC) e Capanema (PR). A Diplomata também faz parte da Unifrango.
Em outubro, a direção de outra empresa que faz parte da associação, a Averama, de Umuarama, confirmou que havia iniciado uma negociação de fusão com a BR Frango, de Santo Inácio, ambas localizadas no noroeste. O fechamento da transação ainda depende de auditoria.
A possibilidade de haver uma consolidação da avicultura no Paraná já havia sido cogitada em setembro pelo secretário de Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, que contou que bancos estavam trabalhando para estimular fusões e aquisições com a intenção de evitar quebras no segmento.
Mas nem todos os empresários estão com problemas. O GTFoods, que também pertence à Unifrango, vai na contramão da crise e deve crescer por meio de parcerias e aquisições. O grupo foi criado em 2011, pertence aos empresários Rogério Gonçalves e Ciliomar Tortola, e tem como meta faturar R$ 1 bilhão em 2012. A união com a Jaguafrangos deve acelerar os planos de crescimento no Paraná e em outros Estados, como Santa Catarina.
"Nos reunimos e estamos criando uma terceira empresa para ir atrás de oportunidades", conta Tortola. O nome da nova empresa não foi definido. Com a Frango a Gosto, a GTFoods vai abater 400 mil frangos por dia e a Jaguafrangos, 200 mil. "Vai ser bom para eles e para nós", afirma, sobre a negociação com Martins.
Embora a avicultura viva momentos de agitação, alguns empresários e produtores estão levando vida normal, de olho nos problemas, mas sem mudanças nos planos. É o caso da Frangos Pioneiro, do município de Joaquim Távora, que chegou a ser procurada por bancos com oferta de crédito para possíveis aquisições e optou pelo crescimento orgânico. A empresa abate 90 mil aves por dia em um turno e está investindo R$ 15 milhões para aumentar para 120 mil em abril de 2013 e 160 mil em abril de 2014, em dois turnos.
O gerente de fomento, Rhoger Henrique dos Santos, explica que a decisão de investimento foi tomada antes do começo do aumento nos preços dos grãos. Para reduzir custos, a Pioneiro chegou a substituir milho e soja por itens mais baratos, como sorgo e milheto na ração. "Nossa empresa sentiu a crise e estamos preocupados, mas há equilíbrio na gestão e estamos pagando as contas", diz. "Não estamos acostumados com dívidas, por isso não aceitamos créditos para aquisições, mas creio que ainda há coisas para acontecer", comenta.
Quem investiu em aviários recentemente aposta na volta de dias melhores. É o caso de seis amigos que criaram o G12 e investiram R$ 5,5 milhões em uma propriedade com dez alqueires e 12 aviários em Cianorte. Eles são integrados da GTFoods e começaram a fazer alojamentos no pico da crise. "Fizemos a melhor estrutura", diz Dalcides Michelato Filho, um dos sócios, que aposta no segmento para ter boa aposentadoria. "Já trabalhamos com fornecimento de produtos para a avicultura há 20 anos e sempre vimos altos e baixos", completa José Francisco Mendes, outro sócio.
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A jornalista viajou a convite da Unifrango
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sexta-feira, junho 22, 2012
COM AÇÚCAR, SEM AFETO
NAOURI, O NOVO DONO DO PÃO DE AÇÚCAR
| QUEM É E O QUE PENSA O EMPRESÁRIO FRANCO-ARGELINO JEAN-CHARLES NAOURI, QUE ASSUME O CONTROLE DA MAIOR REDE DE VAREJO BRASILEIRA, EM 22 DE JUNHO. |
| Autor(es): Ralphe MANZONI Jr. |
| Isto é Dinheiro - 18/06/2012 |
Foram 2.607 dias, ou longos sete anos, um mês e 18 dias. Uma trajetória que começou em 4 de maio de 2005, quando o empresário Jean-Charles Naouri, presidente da rede varejista francesa Casino, assinou um cheque de US$ 900 milhões, o equivalente a R$ 2 bilhões na época, elevando sua participação para 50% no Grupo Pão de Açúcar (GPA), do empresário Abilio Diniz. Na sexta-feira, 22 de junho, Naouri, 63 anos, deve virar uma página do varejo brasileiro e, provavelmente, da história da família Diniz, que controlou a empresa fundada pelo imigrante português Valentim dos Santos Diniz, pai de Abilio, desde 1948.
Se tudo ocorrer conforme o enredo previsto – e nada indica, até agora, que isso deva ser alterado – Naouri, ou seu representante legal, chegará às 9 horas, à sede do Grupo Pão de Açúcar, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. Nessa ocasião, Naouri será eleito o presidente do conselho da Wilkes, a holding que controla o Pão de Açúcar, no lugar de Diniz. Duas horas mais tarde, os conselheiros da Wilkes terão uma reunião, a primeira desde que a holding foi criada, em 2006. Logo após o almoço, às 14 horas, é a vez do conselho do Pão de Açúcar se reunir. O encontro nomeará três novos conselheiros – Eleazar de Carvalho Filho (ex-Unibanco, UBS e BNDES), Luiz Augusto de Castro Neves (ex-embaixador) e Roberto Lima (ex-Vivo e Credicard).
Com essa nova composição, o Casino passará a contar com oito conselheiros no board da rede varejista. Diniz ficará com três e manterá o cargo de presidente. Outros quatro serão independentes. Esse é o rito que marcará a transição de controle do Grupo Pão de Açúcar, a maior rede varejista brasileira, que fatura R$ 52,6 bilhões e emprega 149 mil pessoas. Há ainda outras formalidades a ser cumpridas. A principal delas é a venda, por Diniz, de um lote de um milhão de ações ordinárias do GPA, o equivalente a 2,4% do capital da Wilkes. O empresário brasileiro tem dois meses para concluir essa operação, mas deverá finalizá-la logo na semana seguinte à reunião do conselho do Pão de Açúcar.
Se não o fizer, o Casino tem o direito de comprar uma ação por R$ 1. Para pessoas próximas, Diniz tem dito que honrará o contrato assinado com Naouri, em 2005. Nos bastidores, no entanto, advogados estudam medidas preventivas, na Justiça, para proteger a companhia – nenhuma delas, no entanto, deverá impedir que o Casino seja o controlador da companhia brasileira, segundo fontes ouvidas por DINHEIRO. A transferência de controle, no entanto, não encerra uma disputa ruidosa e cheia de mágoas entre Diniz e Naouri, que tiveram uma relação harmônica por pelo menos 12 anos. A sociedade começou em 1999, quando o Casino comprou uma participação minoritária do Pão de Açúcar por R$ 1,5 bilhão.
Seis anos depois, a rede francesa elevou sua fatia na companhia brasileira, um acordo foi saudado com grande euforia pelas duas partes na ocasião. Segundo as cláusulas do contrato, os dois teriam um controle compartilhado até 2012, apesar de Diniz manter apenas 21% do capital do grupo. "O que eles estão comprando é o meu passe", afirmou Diniz, em uma entrevista, na época. O empresário brasileiro tinha total autonomia na gestão e nas estratégias de aquisição do Pão de Açúcar. Os bons resultados credenciaram essa parceria franco-brasileira. Tanto que o valor de mercado da empresa passou de R$ 5,6 bilhões, em maio de 2005, para R$ 23,5 bilhões, em maio deste ano.
Abilio Diniz: ele passará o controle ao Casino, mas seus advogados
estudam medidas preventivas para proteger a empresa.
Hoje, está na casa de R$ 19,6 bilhões. O clima amistoso entre ambos, no entanto, desmoronou em junho do ano passado, quando Diniz anunciou a proposta de fusão com o Carrefour. O acordo foi entendido por Naouri como uma manobra para evitar que o Casino assumisse o controle da companhia em 2012. Bombardeada pelo francês, a fusão malogrou. O resto é história. Desde então, os dois empresários têm adotado uma atitude de distância e, principalmente, de desconfiança mútua. A última vez que conversaram foi em 29 de fevereiro deste ano, em Paris, no QG do Casino, no número 83 da Faubourg de Saint-Honoré, uma avenida nobre da capital francesa. Na ocasião, quase houve uma reconciliação.
Mas, logo depois, ficou claro que as feridas abertas entre os dois dificilmente seriam cicatrizadas. As negociações para uma saída de Diniz da empresa estão atualmente paradas – a proposta mais viável era ele ficar com a Viavarejo, o braço do grupo na área de eletroeletrônicos, que reúne Casas Bahia e Ponto Frio, mais uma parte em dinheiro. Há quatro semanas, Pérsio de Souza, da Estáter, que representa Diniz, e Ricardo Lacerda, da BR Partners, do lado de Naouri, não se encontram. "A impressão que dá é que eles empurraram com a barriga", diz uma fonte ligada a Diniz. Do lado do Casino, a opinião é inversa.
"O Casino não está obrigado a aceitar qualquer coisa só porque o Abilio pediu", afirma outra fonte próxima a Naouri. Acostumado a enfrentar diversas batalhas em sua trajetória como empresário – Diniz teve quedas de braço com os irmãos pelo Pão de Açúcar na década de 1980 e com a família Klein, quando comprou a Casas Bahia, em 2010 – ele, desta vez, está enfrentando um adversário incomum. Nascido na Argélia, Naouri é o primogênito de uma professora de inglês e um médico francês. Desde cedo, mostrou uma inteligência acima do normal. Aos 17 anos, foi para Paris estudar na École Normale Supérieure, um centro de excelência francês.
Sua formação inclui mestrado em matemática pela mesma escola, aos 20 anos. Mais tarde, graduou-se em administração na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. É leitor voraz de filósofos gregos, especialmente Platão, que lê no original. Sua formação de negócios o levou a assumir, em 1984, o posto de chefe do gabinete do ministro socialista da Economia e Finanças, Pierre Bérégovoy. O cargo lhe garantiu uma valiosa agenda de contatos, entre eles David Rothschild, um dos herdeiros do banco que leva seu sobrenome. Com Rothschild criou o fundo Euris, com o qual comprou em 1991, a pequena Rallye, em dificuldades financeiras na ocasião, entrando no mercado de varejo.
Na vida pessoal, Naouri é extremamente discreto. Tanto que quando nasceu seu filho do segundo casamento foi trabalhar normalmente. Só informou a equipe do nascimento da criança 15 dias depois. É visto com frequência com o seu indefectível terno preto. Não gosta de piadas e sorri com parcimônia. Seu império na França foi construído à base de negociações com empresas de origem familiar – e muita polêmica. Alguns de seus sócios ficaram para trás, como o caso dos Baud, ex-donos do Franprix e do Leader Price. Outros continuam parceiros, a exemplo dos Guichard, do Casino. Há disputas ainda não resolvidas, como com a família Moulin, fundadora da Galeries Lafayette, dona do supermercado Monoprix (saiba mais no quadro ao final da reportagem).
Naouri é reconhecido também por ser um CEO implacável e autoritário, que coloca extrema pressão sob seus comandados. Se não estão dando resultado, demite-os. Se o enfrentam, também podem perder o emprego. Foi assim com Georges Plassat, ex-presidente do Casino, em 1997, e que hoje comanda o rival Carrefour. Ele se opôs a uma proposta hostil de compra. No meio empresarial, alguns o consideram um gênio. Uma de suas qualidades é a forma minuciosa com que analisa os contratos. Dizem que é viciado em detalhes. Antes da assinatura, passa as noites examinando todas as opções. Por isso, quando há conflitos, sabe exatamente como agir. Tem fama de inflexível.
Desde que entrou em conflito com Diniz, por exemplo, ele não mudou um milímetro sua posição. "O Casino vai assumir o controle do Pão de Açúcar em 22 de junho", repetiu ele, como um mantra, a todos os interlocutores que o questionaram, inclusive em entrevista à DINHEIRO, em julho do ano passado. Para Naouri, trata-se de um direito que lhe está assegurado em contrato e que fez por merecer. "Em 1999, o Grupo Pão de Açúcar era um negócio medíocre, que saía de uma quase falência", afirmou. "Quando Diniz procurou investidores no mundo inteiro, eu fui aquele que aceitou." O que Naouri fará após 22 de junho, no entanto, é ainda uma incógnita. Pelo menos para Diniz.
O empresário brasileiro tem dito a assessores próximos que está muito preocupado com a estratégia de crescimento do Pão de Açúcar. Em sua visão, a fusão com o Carrefour, como fora proposto no ano passado, era o negócio certo para avançar não só no Brasil, como também internacionalmente. "Cansei de disputar o Campeonato Brasileiro", afirmou Diniz a um conselheiro da empresa. "Agora, eu quero a Liga Mundial." Quando é instigado a debater o assunto, ele tem na ponta da língua todas as informações que comprovariam que seria um bom negócio. Um exemplo das divergências que podem ocorrer a partir de agora aconteceu no fim de maio. O Pão de Açúcar havia acertado a compra da rede Tenda Atacado, dona de 17 lojas e faturamento de R$ 1,6 bilhão.
Michael Klein: ele contratou assessores financeiros para fazer
uma proposta pela Viavarejo.
Abilio era favorável ao negócio. O Casino, indeciso, deixou a decisão para a diretoria executiva, que não levou a transação adiante, ao ver que os dois principais acionistas não tinham uma posição clara sobre o negócio, segundo uma fonte próxima a Diniz. O Casino conta uma história diferente e diz que não vetou o negócio. Apesar dos receios de Diniz sobre a estratégia de crescimento do Pão de Açúcar, o Casino, toda vez que se manifesta publicamente, elogia a gestão realizada até agora pelos executivos da companhia. "Não há nenhuma razão para Naouri tirar o Enéas Pestana da presidência do Pão de Açúcar", diz uma fonte ligada ao empresário francês. "O plano que será tocado é o mesmo aprovado no ano passado e que contempla o período de 2012 a 2014."
O combinado é investir R$ 1,8 bilhão neste ano. Na área alimentar, o objetivo é abrir até 80 lojas. Na Viavarejo, a estimativa é de 60 novos pontos de venda. O faturamento bruto deve atingir R$ 57,2 bilhões, alta de quase 9%. "O Brasil é muito importante para o Casino", afirma essa fonte. "Naouri não fará nada para prejudicar o crescimento." É fácil comprovar a importância do Brasil para o Casino, que faturou € 34,3 bilhões em 2011. As vendas na França são responsáveis por 55% do desempenho global. Ao assumir o controle do Pão de Açúcar, Naouri poderá consolidar integralmente o resultado em seu balanço. A operação brasileira passará então a ser ligeiramente superior em receita à da França.
A profissão de fé de Naouri no Brasil, porém, não tem sido suficiente para tranquilizar Diniz. Ele tem dúvidas, muitas dúvidas. A principal delas é qual será o seu papel na nova companhia controlada pelo Casino. Como presidente do conselho do Pão de Açúcar, poderá ajudar a definir a estratégia do grupo, mas estará em minoria. Teme, neste caso, se transformar numa espécie de "rainha da Inglaterra", uma posição que não seria tolerada por um empresário autoconfiante e que acredita que está longe da aposentadoria – aos 75 anos, ele diz estar em plena forma física e intelectual. O empresário Michael Klein, antigo controlador da Casas Bahia, também tem um papel decisivo nessa disputa.
Ele poderá fazer uma oferta pela Viavarejo após 22 de junho. Para isso, teria contratado o Citigroup e a Arion Capital como assessores. "Vamos aguardar a assembleia para definir os rumos dos negócios de minha família", disse Klein à DINHEIRO. Quanto a Diniz , a transferência de controle ao Casino não significa que as negociações para sua saída estejam encerradas. "Nunca trabalhamos com a faca no pescoço em razão de 22 de junho", diz uma fonte. Uma coisa, no entanto, já está definida. Como tem feito nos últimos 30 anos, quando assumiu uma posição de liderança no Pão de Açúcar, ele pretende acordar cedo, fazer exercícios e ir até a sede da empresa, onde ocupa uma mesa em uma sala sem divisórias, em que está localizada toda a diretoria executiva da rede varejista.
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sexta-feira, julho 01, 2011
O envolvimento do BNDES em um negócio duvidoso
| Valor Econômico - 01/07/2011 |
A participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na mais recente tacada do empresário Abílio Diniz é injustificável. Depois de negar durante várias semanas, Abílio Diniz teve de revelar finalmente que estava negociando a fusão da rede de supermercados Pão de Açúcar com a filial brasileira do grupo francês Carrefour. A megafusão só pode se concretizar com a participação financeira do BNDES, que prometeu entrar com € 2 bilhões no negócio por meio da BNDES Participações (BNDESPar), o seu braço de participações acionárias. Não haverá financiamento a juros subsidiados. Se o negócio for concretizado, o BNDES vai ter 18% da nova empresa e vai entrar no ramo de venda de frutas e verduras. O governo, por meio do BNDES, pode e deve apoiar a capitalização das empresas, quando isso for justificável, o que não parece ser o caso da criação do Novo Pão de Açúcar (NPA). Em primeiro lugar porque a operação irá capitalizar uma empresa estrangeira, o Carrefour, em dificuldades, é verdade, mas que tem capacidade de obter recursos no mercado internacional. A BNDESPar participa do capital de cerca de 150 empresas, totalizando R$ 90 bilhões, mas elas são eminentemente de capital nacional. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, defendeu a participação do BNDES no negócio atacando os bancos brasileiros. "Tudo seria resolvido se o setor financeiro privado do Brasil fizesse o papel dele, que é financiar o capital brasileiro. Como ele não faz isso, o BNDES tem de atuar", afirmou. A crítica não se justifica porque está na operação o banco brasileiro BTG Pactual, que se juntou às discussões há pelo menos um mês e deverá entrar com cerca de R$ 700 milhões, que lhe garantirá 3,2% do capital do NPA, além de acenar com mais R$ 1,1 bilhão em crédito. Outro motivo que põe em dúvida a operação é a reação contrária do Casino, o que significa uma incerteza jurídica. Sócio do Pão de Açúcar desde 1999, o grupo francês Casino aumentou sua participação em 2005, quando selou um acordo de acionistas que lhe garantiu a possibilidade de exercer uma opção de compra que lhe daria o controle do negócio brasileiro em 2012. Se Diniz for bem-sucedido, além de não obter o controle, seu sócio francês será diluído. O Casino não deve jogar a toalha facilmente e até já contratou o advogado criminalista José Carlos Dias para reforçar o batalhão de especialistas jurídicos que duelam no caso, desde que os franceses descobriram a "traição", há cerca de um mês, e entraram na Justiça com um pedido de arbitragem. Os argumentos apresentados pelo BNDES para entrar no negócio não são sustentáveis. A operação não cria uma multinacional verde-amarela, como argumentam os formuladores da operação. O controlador de fato do novo negócio será o Carrefour francês, embora a proposta preveja que a administração das duas redes de supermercados no Brasil ficará a cargo de pessoas indicadas pelo Novo Pão de Açúcar, a empresa que terá como principais acionistas Casino, BNDES, Abilio Diniz e BTG Pactual. As regras contábeis internacionais IFRS, usadas na Europa e no Brasil, determinam que uma empresa só pode consolidar os números de uma aquisição se controlar, de fato, a empresa. Na prática, o Carrefour francês deverá controlar o Pão de Açúcar, que, por sua vez, terá o Carrefour Brasil como subsidiária integral. Possivelmente o principal motivo para o BNDES não apoiar essa operação é a concentração de mercado que ela proporcionará, com impacto negativo sobre a cadeia de fornecedores e consumidores e sobre a competição, sempre necessária no combate à inflação. Se o negócio se concretizar, o Pão de Açúcar vai dominar 32,2% das vendas do mercado brasileiro de varejo, com ampla distância em relação ao segundo colocado, o Walmart, que tem 11,1% do mercado. Os demais participantes ficariam com 56,7%. Ao defender a fusão, os envolvidos argumentam que, em outros países, a concentração também é grande. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Walmart tem 32% do mercado; na França, o Carrefour domina 26%. Nada recomenda, porém, que se reproduzam no Brasil os mesmos índices, que aliás serão muito maiores em alguns Estados. Quanto maior for a concorrência no varejo, melhor para um país cujo histórico de hiperinflação exige extremo cuidado com essa matéria. |
quarta-feira, junho 29, 2011
MERCADOS [In:] PÃO-DE-LÓ
DINIZ BUSCA R$ 3,9 BI NO BNDES PARA MEGAFUSÃO COM CARREFOUR
| COM APOIO DO BNDES, DINIZ AFAGA CARREFOUR |
Autor(es): Graziella Valenti | De São Paulo |
| Valor Econômico - 29/06/2011 |
Em mais uma manobra surpreendente, o empresário Abílio Diniz fez uma proposta de união do Pão de Açúcar com a filial do Carrefour no Brasil. A oferta só tem chances de prosperar se o BNDESPar colocar R$ 3,9 bilhões no negócio e se o enfurecido sócio de Diniz, o francês Casino, concordar em perder o direito de controlar o Pão de Açúcar em 2012. Os sócios da varejista brasileira se tornariam o maior acionista individual do Carrefour na França, com no mínimo 11,7% e no máximo 18% do capital. A transação não envolveria dinheiro, só troca de ações
Um grande negócio foi anunciado ontem em São Paulo: a combinação entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil. A operação, contudo, ainda não passa de uma grande ideia, com R$ 5,75 bilhões disponíveis na mesa, oferecidos pela BNDESPar (68%) e pelo BTG Pactual (32%), ainda que o negócio não envolva dinheiro, apenas troca de ações. Por enquanto, trata-se apenas de uma proposta que precisa ser aprovada por todos os envolvidos - Carrefour e seus acionistas e Pão de Açúcar e seus controladores, família Diniz e grupo Casino. A proposta tem validade de 60 dias. Como o negócio foi desenhado por Abilio Diniz e um grupo de acionistas do Carrefour liderado pela Blue Capital, a sua concretização está nas mãos do Casino, que vem publicamente mostrando seu descontentamento pelas negociações há cerca de um mês - tendo, inclusive, iniciado um processo de arbitragem contra Diniz. A operação pretendida colocaria as rivais francesas Carrefour e Casino como acionistas do grupo Pão de Açúcar, junto dos Diniz. Além disso, os atuais acionistas da varejista brasileira se tornariam o maior sócio individual do Carrefour na França, com no mínimo 11,7% e no máximo 18% do capital. O poder de sim ou não está todo com o Casino. O rede que controla o Pão de Açúcar com a família Diniz recebeu a proposta na madrugada de ontem, quase junto com a divulgação ao público, o que mais uma vez deixou-a indignada. Agora, recai sobre o grupo francês a pressão de aceitar ou recusar uma operação capaz de gerar sinergias estimadas de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,8 bilhão e que tem R$ 3,9 bilhões de aval do banco de fomento estatal, o BNDES, em tempos de capital escasso no Hemisfério Norte. No negócio proposto, a BNDESPar se tornaria acionista do que seria o Novo Pão de Açúcar (NPA), com 18%. O BTG colocaria outros R$ 690 milhões e receberia 3,2% das ações. Além do aporte, o banco de investimentos ainda emprestaria R$ 1,15 bilhão à empresa. O argumento para o dinheiro novo é "preparar a empresa para novos desafios". E o apelo político é a criação de um grupo de varejo com atuação nacional e internacional. Ainda que, ao final, os franceses - Carrefour e Casino - devam ficar com 65% do capital da empresa operacional. Há grande expectativa de que o Casino diga não à proposta. Resta saber se as características da operação serão suficientes para seduzir o sócio francês ou se alguns termos poderão ser revisados. |
quinta-feira, junho 09, 2011
CADE-FUSÕES & AQUISIÇÕES [In:] FRANGÃO & PERU (A difícil união estável)
FUSÃO DA PERDIGÃO COM A SADIA CORRE RISCO NO CADE
| RELATOR DO CADE REPROVA UNIÃO ENTRE PERDIGÃO E SADIA |
Autor(es): Juliano Basile | De Brasília |
| Valor Econômico - 09/06/2011 |
Alimentos: Conselheiro pede vistas e votação será retomada dia 15; empresa apresentará nova proposta.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça começou a julgar ontem a compra da Sadia pela Perdigão e deu uma forte indicação de que pode reprovar o negócio que criou a BRF - Brasil Foods.O relator do processo, conselheiro Carlos Ragazzo, reprovou a operação e indicou que se o seu voto prevalecer a união entre as empresas deverá ser desconstituída em dez dias após a publicação do resultado do julgamento no "Diário Oficial". Segundo ele, a razão é que haveria risco de aumentos nos preços dos produtos vendidos pelas duas empresas aos consumidores, como carnes, frangos, perus e outros. "A operação não envolve artigos de luxo. Trata-se de provimento de comida", disse Ragazzo durante o julgamento. Segundo ele, eventuais aumentos nos preços dos produtos vendidos pela BRF vão influenciar diretamente na inflação e podem comprometer a renda dos cidadãos. Após o voto de Ragazzo, que durou mais de cinco horas, todos os conselheiros fizeram elogios à sua conclusão. Mas houve pedido de vista do conselheiro Ricardo Ruiz. "Eu tenho dificuldade para encontrar contribuição da minha parte para melhorar o voto do relator", disse Ruiz. "Eu não tenho dúvidas sobre a conclusão, mas são 500 páginas e vou pedir vista para ler o voto", completou. Com o pedido de vista, a BRF terá mais uma semana para apresentar uma nova proposta para o Cade que impeça a reprovação do negócio. É como se o Cade colocasse a empresa em xeque. Ou a Brasil Foods apresenta uma proposta aceitável ou sua criação será reprovada. Essa proposta deve ser apresentada antes do dia 15, quando o julgamento será retomado. O Valor apurou que a Brasil Foods está disposta a adaptar sua proposta no que for necessário, mas não fará nenhum acordo e pode ir à Justiça caso a operação seja reprovada. A empresa não teria tido a oportunidade de negociar a proposta inicial com o relator. Em nota, a BRF disse discordar do posicionamento do relator e considerar o pedido de vistas positivo. "(...) com o pedido de vistas, os demais quatro conselheiros terão mais tempo para avaliar a questão." A empresa acrescenta que apresentou aos cinco conselheiros que analisam a operação uma proposta inicial de acordo. "A BRF está, como sempre esteve, à disposição do Cade para uma solução negociada e acredita numa análise justa e imparcial do caso", diz em nota. Na sessão de ontem, a proposta inicial que a BRF apresentou foi rechaçada pelo relator. A companhia se dispôs a vender marcas menores, como Excelsior, a fornecer produtos para concorrentes e a dar acesso a canais de distribuição de seus produtos. A advogada da Sadia, Barbara Rosenberg, disse que a proposta poderia levar à criação da quinta maior indústria de alimentos do Brasil "da noite para o dia". A advogada não detalhou os termos da proposta. Apenas ressaltou que ela configura "a clara disponibilidade de solução negociada" por parte da empresa. Mas Ragazzo considerou a proposta insuficiente. "A proposta está muito longe de minimizar os efeitos anticompetitivos da operação", afirmou. Para ele, o fato de a Sadia e a Perdigão assinarem contratos de industrialização sob encomenda com concorrentes não tira da BRF o poder de ditar os preços no mercado. "Não há transferência de tecnologia ou de ativos (para concorrentes)", apontou o relator. "É possível que esse contrato atrapalhe o concorrente, pois ele teria que pagar para obter os produtos", completou. No caso de venda de marcas, Ragazzo advertiu que a Sadia e a Perdigão são as únicas classificadas como "premium" nos diversos setores em que as duas atuam. "Elas são a primeira e segunda preferência dos consumidores." As demais seriam marcas de combate. "Um remédio que não inclua as marcas "premium" certamente seria insuficiente para evitar eventuais aumentos de preços", disse o relator. Pouco antes de pedir vista, Ruiz disse que a proposta era inadequada. "Você não faz contratos com concorrentes", criticou o conselheiro. Para ele, deixar que a BRF forneça produtos a concorrentes seria como permitir a formação de um cartel. Após o pedido de vista, os conselheiros Alessandro Octaviani, Marcos Paulo Veríssimo e Olavo Chinaglia fizeram questão de elogiar "a excelência do voto do relator". "Sou professor da USP, mas hoje fui seu aluno", disse Octaviani a Ragazzo. "Gostaria de aguardar a volta dos autos cumprimentando o relator pela excelência do voto", completou Veríssimo. O recado para a BRF foi claro: ou ela apresenta nova proposta ou os conselheiros devem seguir o voto de Ragazzo e reprovar o negócio. No início do julgamento, o advogado Paulo de Tarso Ribeiro, que representa a BRF, defendeu que o objetivo principal da nova companhia é a exportação. Ele argumentou que, com o aumento das exportações, há também a elevação de sobras de carne e frango que são utilizadas para atender o mercado interno. Esse acréscimo no mercado interno levaria à redução nos preços aos consumidores brasileiros. Já o advogado Thiago Brito, que defende a Dr. Oetker, afirmou que a fusão leva a altíssimas concentrações, que em alguns mercados chegariam a mais de 80%, e que o consumidor é muito fiel às marcas Sadia e Perdigão. Portanto, seria necessária a imposição de restrições. Antes de iniciar o julgamento, os conselheiros negaram um pedido de vista do processo ao representante do Ministério Público no Cade, procurador Luiz Augusto Santos Lima. Ele alegou que não foi notificado para apresentar um parecer e pediu prazo para tanto. Mas os conselheiros verificaram que não há previsão legal para que o MP faça pareceres em processos no Cade. "Não é praxe e há um acordo com o MP de que o pedido (de parecer) seja feito até a entrada do processo em pauta", afirmou Ragazzo. Contrariado, Lima advertiu os conselheiros que estudará medidas judiciais cabíveis. Uma delas pode ser entrar na Justiça contra o Cade. Se isso ocorrer, a decisão final do órgão antitruste pode parar no Judiciário, como ocorreu com outros casos, como o Nestlé-Garoto - negócio reprovado em 2004 e que está até hoje está sem solução. (Colaborou Alda do Amaral Rocha, de São Paulo) |
terça-feira, fevereiro 15, 2011
ÁLCOOL-ETANOL [In:] FUSÃO E INCORPORAÇÃO
Cosan e Shell dobrarão produção de etanol
Meta de Cosan e Shell é dobrar produção de etanol |
O Estado de S. Paulo - 15/02/2011 |
Em cinco anos, estimativa dos controladores é que nova empresa atinja uma produção de 100 milhões de toneladas de cana-de-açúcar Eduardo Magossi - O Estado de S.Paulo A joint venture entre Cosan e Shell, anunciada oficialmente em fevereiro do ano passado, deverá atingir a produção de 100 milhões de toneladas de cana-de-açúcar dentro de 5 anos. A meta foi anunciada ontem durante apresentação do nome da nova empresa - que se chamará Raízen. Segundo o presidente da Raízen, Vasco Dias, o nome foi criado com a união das palavras raiz (de cana) e energia. A joint venture, que ainda espera aprovação dos órgãos reguladores, deve entrar em operação até o final do primeiro semestre. Atualmente em 62 milhões de toneladas, a produção de cana da Cosan ficará dentro da nova empresa, assim como a produção de açúcar e etanol. Assim, novas aquisições de usinas deverão ser feitas pela Raízen, após o início das suas operações. O vice-presidente designado de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, Pedro Mizutani, disse que a mais recente aquisição da Cosan, a Usina Zanin, será integralizada na Raízen em breve, pois ela não fazia parte do acordo original entre Cosan e Shell. "Já existe um memorando de entendimento nesse sentido." Com a Zanin, a Raízen terá 24 usinas. Mizutani disse também que a expansão da cana se dará por meio de greenfields (usinas novas) e também de aquisições, dependendo do comportamento do mercado. "Podemos passar de 62 milhões para 70 milhões de toneladas de cana apenas com ajustes nas atuais usinas", disse. No plano estratégico aprovado pelo conselho de administração, também está previsto o aumento expressivo da produção de etanol, dos atuais 2,2 bilhões para 5 bilhões de litros. A energia de cogeração deve crescer de 900 megawatts para 1,3 mil megawatts. A produção de açúcar deve passar de 4 milhões para 6 milhões de toneladas. Com isso, o faturamento anual da Raízen deverá ser de R$ 50 bilhões. A empresa está avaliada hoje em R$ 20 bilhões. Recursos. Vasco Dias não especificou de onde virão os recursos para impulsionar esse crescimento. Ele disse ainda que o montante da sinergia gerada pela joint entre as duas empresas deve ser anunciado em breve. O mercado estima que essa sinergia fique em torno de R$ 1,6 bilhão. Segundo o executivo, a pendência com o Cade em relação à venda realizada em 2008 pela Cosan do negócio de combustível de aviação para a Shell não atrapalha a oficialização do acordo. Segundo Dias, ainda está pendente a questão da inclusão ou não na Raízen da produção de açúcar para o varejo. "A tendência é que o setor de varejo não fique na joint venture, mas na Cosan", disse ele. Assim, a própria Cosan, dona das marcas União e DaBarra, passa a ser uma das principais clientes da joint venture. Como o acordo inicial previa que esse setor ficaria na joint venture, Cosan e Shell estudam uma compensação para a saída dessa operação. O executivo também disse que a Raízen utilizará a grande capilaridade da Shell na Europa e na Ásia para elevar a penetração do etanol de cana-de-açúcar no exterior. A expectativa é de que a joint venture comercialize 20 bilhões de litros por ano. Para o presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto, a Raízen nasce com uma situação financeira confortável, pois, da dívida de US$ 2,5 bilhões que foi transferida para joint venture na sua criação, no ano passado, o aporte previsto pela Shell, de US$ 1,6 bilhão, deverá reduzi-la para menos de US$ 1 bilhão. |
quinta-feira, setembro 02, 2010
LEI ANTI-TRUSTE/''CADE'' [In:] PODER DE MERCADO...
Cade aprova a fusão entre Itaú e Unibanco por unanimidade
DE BRASÍLIA
Folha de SP
O plenário do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, nesta quarta-feira, por unanimidade a fusão entre o Itaú e o Unibanco, anunciada em novembro de 2008.
O relator do caso, conselheiro Fernando Furlan, explicou que, mesmo nas áreas examinadas onde havia mais de 20% de participação conjunta dos dois bancos, não havia risco de "poder de mercado" pelas instituições.
Os setores onde Itaú e Unibanco têm participação conjunta maior que a tolerada pela lei antitruste (20%) não ameaçam a concorrência, segundo Furlan. São eles: cartão de crédito, financiamento para compra de carros, empréstimo em moeda estrangeira, grupo de seguros patrimonial, grupo de seguros responsabilidade, seguros de cascos e previdência privada.
Sobre a competência do Cade em julgar atos de concentração envolvendo instituições financeiras (tema controverso, em que há divergências com o Banco Central), ele não foi tão incisivo. O assunto ainda está sendo discutido no Judiciário.
Para Furlan, o Cade vem demonstrando sua capacidade de análise e a interação com o BC nesses casos deveria ser maior.
Ao contrário do Banco Central, que aprovou a fusão, mas exigiu a adoção das menores tarifas praticadas entre as duas instituições, o Cade não impôs exigências ou recomendações.
No começo da sessão de julgamento, o presidente do Cade, Arthur Badin, anunciou um acordo de cooperação técnica com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) para estudos de casos econômicos complexos.
segunda-feira, julho 05, 2010
FUSÃO [In:] PÃO BAHIANO
Varejo
Pão de Açúcar e Casas Bahia chegam a novo acordo
Novo modelo dará à família Klein, fundadora das Casas Bahia, maior participação na empresa resultante da fusão com o Pão de Açúcar
...
Em dezembro, Abílio Diniz, do Pão de Açúcar, e Michael Klein, das Casas Bahia anunciaram a fusão (Agência Estado)
Pelo novo acorodo, família Klein terá direito a veto nas decisões do grupo que envolvam as Casas Bahia
Após quatro meses de negociações, Pão de Açúcar e Casas Bahia chegaram a um acordo sobre o contrato de fusão das empresas, que corria o risco de ser desfeito. O novo acordo foi assinado por Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, e Michael Klein, da Casas Bahia, na noite de quinta-feira – e deve ser formalmente anunciado na tarde desta sexta.
A família Klein terá participação maior do que acertada no início do ano e terá direito a veto em decisões do grupo que envolvam as Casas Bahia. Os executivos dos dois grupos convocaram uma teleconferência para as 15 horas desta sexta-feira para dar mais detalhes do acordo. A fusão das empresas, acertada em dezembro do ano passado no valor de 19 bilhões de reais, deu origem à maior rede varejista do Brasil. Em abril deste ano, porém, a Casas Bahia contratou o escritório Pinheiro Neto Advogados para fazer a revisão do contrato por se considerar em desvantagem.
O principal ponto de conflito do negócios era financeiro. De acordo com a edição desta sexta do jornal O Estado de S. Paulo, agora, os ativos foram reavaliados e a rede de Abilio Diniz concordou em fazer uma capitalização adicional entre 600 milhões e 700 milhões de reais na Nova Casas Bahia - empresa resultante da fusão entre Casas Bahia, Extra Eletro e Ponto Frio. O objetivo é ajustar a equivalência patrimonial. O dinheiro vai sair do caixa do Pão de Açúcar para a nova empresa.
Aluguéis das lojas – O novo acordo entre o Pão de Açúcar e a Casas Bahia também prevê que a parcela cindida desta última, a ser incorporada por Nova Casas Bahia, não compreenderá bens imóveis. Com isso, a Casas Bahia alugará para a Nova Casas Bahia imóveis operacionais de sua propriedade. Isso garantirá à família Klein um montante anual de R$ 140 milhões, durante os três primeiros anos de vigência dos contratos de locação. Nesse período, o valor do aluguel será fixo, com correção anual com base na variação positiva do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com nota ao mercado divulgada nesta sexta-feira, a partir do "quarto ano de vigência dos contratos de locação, o valor do aluguel dos imóveis em que estão instaladas as lojas, que corresponde a 50% do valor acima, será o maior valor apurado entre o valor fixo acima corrigido pelo IPCA, e o valor correspondente à aplicação de determinado porcentual sobre o faturamento bruto, porcentual este que variará entre o quarto e o sétimo ano de vigência da locação".
Conforme divulgado anteriormente pelas empresas, será firmado também contrato de fornecimento de móveis entre Globex e Nova Casa Bahia, de um lado, e Bartira Indústria de Móveis Bartira Ltda., de outro, para fornecimento exclusivo de móveis. Esse contrato vigorará pelo prazo de seis anos, a contar da data de sua assinatura. A Nova Casas Bahia, em decorrência da cisão parcial, será titular de 25% do capital social da Bartira Indústria de Móveis Bartira, com o fim exclusivo de resguardar seus direitos no âmbito do contrato de fornecimento de móveis.
(com Agência Estado)
VEJA.
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segunda-feira, maio 03, 2010
USA/AVIAÇÃO CIVIL/FUSÃO [In:] CÉU DE BRIGADEIRO
United Airlines e Continental Airlines anunciam fusão
Acordo vai criar a maior empresa aérea do mundo em receita
Patrícia Braga, da Agência Estado
NOVA YORK - A United Airlines (UAL) e a Continental Airlines anunciaram um acordo de fusão que vai criar a maior empresa aérea do mundo em receita. O acordo, que as duas empresas descreveram como uma fusão de iguais, será baseado em um swap de ações sem prêmio. Cada 1,05 ação da UAL será trocada por uma ação da Continental, o que dará aos acionistas da UAL 55% da nova companhia. O negócio ainda depende da aprovação de autoridades e acionistas.
Com a fusão das duas empresas, que vai manter o nome United, a nova companhia passará a ser 8% maior do que a Delta Air Lines em tráfego aéreo, medida pelo número de voos e passageiros pagantes em todo o mundo, incluindo as afiliadas. A nova empresa comandará 22% dos assentos do mercado norte-americano, versus os 20% de participação da Delta, depois que ela passou a ficar no topo da lista com a aquisição, em 2008, da Northwest Airlines.
A nova companhia aérea terá sede em Chicago e será dirigida pelo executivo-chefe da Continental, Jeff Smisek. A fusão pode ajudar a estabilizar as perdas recentes ocorridas no setor aéreo.
A United e a Continental informaram que a companhia combinada expandirá serviços com uma sobreposição mínima de rotas domésticas e nenhuma internacional. A empresa unida terá 10 hubs (aeroportos onde as empresas centralizam suas operações), sendo Houston o maior, e uma força de trabalho de quase 90 mil pessoas.
A Associação Internacional de Maquinistas e Trabalhadores da Indústria Aeroespacial informou em comunicado que está preocupada sobre os efeitos da fusão sobre os benefícios e estabilidade de emprego de seus mais de 26 mil membros em ambas as empresas.
Texto atualizado às 9h30
(com informações da Reuters e da Dow Jones)
terça-feira, março 16, 2010
FUSÕES E AQUISIÇÕES [In:] CITROSUCO-CITROVITA (Esmagando o ''market share'')
Avançam negociações para fusão citrosuco-citrovita
| Citrosuco e Citrovita costuram a integração de suas operações | |||
Autor(es): Fernando Lopes, Nelson Niero, Francisco Góes e Paulo de Tarso Lyra, de São Paulo, do Rio e de Brasília | |||
| Valor Econômico - 16/03/2010 | |||
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Os grupos Fischer e Votorantim negociam unir suas operações no segmento de suco de laranja, no qual atuam por meio das empresas Citrosuco e Citrovita, duas das maiores companhias do setor. O Valor apurou que as discussões avançaram nos dois últimos meses. Em busca de escala em tempos de demanda estável, o plano envolve todo o negócio de suco das empresas, incluindo fábricas, estrutura logística e pomares de laranja em produção ou em desenvolvimento nas fazendas próprias de ambas. As terras pertencentes aos dois grupos não entrariam no negócio. A intenção é criar uma nova companhia cujo controle seria dividido em partes iguais por Fischer e Votorantim, ainda que, hoje, a Citrovita seja bem menor que a Citrosuco e tenha de ganhar musculatura para ter o mesmo peso na sociedade. Os grupos Fischer e Votorantim negociam unir suas operações no segmento de suco de laranja, onde atuam por meio das empresas Citrosuco e Citrovita, respectivamente. Fontes gabaritadas deste mercado afirmam que há conversações em curso e que elas avançaram nos dois últimos meses. Procuradas, a Citrovita afirmou que não comenta rumores de mercado e a Citrosuco não se pronunciou O Valor apurou que o plano envolve todo o negócio de suco das empresas, incluindo fábricas, estrutura logística e pomares de laranja em produção ou em desenvolvimento nas fazendas próprias de ambas. As terras em si não estão no pacote. A ideia é criar uma nova companhia dividida em partes iguais por Fischer e Votorantim, ainda que, hoje, a Citrovita seja bem menor que a Citrosuco e tenha que ganhar musculatura para ter o mesmo peso na sociedade.
Fontes do segmento afirmam que a proposta de fusão partiu da Citrovita, e que não há data marcada para o desfecho das negociações, que poderão durar até um ano - apesar de "alguns conceitos" já estarem acordados. A gestão da nova companhia, que corre sério risco de ser vetada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) mesmo que as conversas sigam firmes, deverá ser liderada pela Citrosuco. A Citrosuco é a segunda maior exportadora de suco de laranja do país, à frente justamente da Citrovita. Juntas, praticamente empatam com a Cutrale, tradicional líder do ranking nacional e mundial. Também forte no país, a francesa Louis Dreyfus Commodities completa o seleto grupo das quatro grandes exportadoras. O Brasil domina mais de 80% da soma entre as exportações globais do produto congelado e concentrado (FCOJ) e não concentrado (NFC), que ganha espaço desde 2003. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, em 2009, as exportações totais da Cutrale, entre suco concentrado, não concentrado e subprodutos, somaram US$ 673,3 milhões, 22% menos que em 2008. Puxadas por suco e derivados, os embarques da Fischer Comércio, Indústria e Agricultura renderam US$ 551,1 milhões, alta de 135,2%. No caso da Citrovita, foram US$ 125,2 milhões, uma retração de 26,1%. O parque produtivo do segmento é concentrado em São Paulo, onde as indústrias têm suas fazendas próprias de laranja, seus fornecedores tercerizados da fruta para fabricação de suco e suas fábricas de processamento. Das 14 fábricas das quatro companhias instaladas no Estado, cinco são da Cutrale, e as demais empresas contam com três unidades cada. A Citrosuco mantém fábricas nos municípios paulistas de Matão - a maior do país -, Limeira e Bebedouro, sendo que está última está desativada. As unidades da Citrovita estão nas cidades de Matão, Catanduva e Araras. A Citrosuco também tem uma fábrica nos Estados Unidos, onde a Cutrale há anos está com duas unidades e a Louis Dreyfus, uma. Além disso, as companhias ampliaram os investimentos em suas estruturas logísticas de exportação nos últimos anos, com navios e terminais nos principais portos de mercados como EUA, Europa e Ásia. Com o avanço do suco não concentrado, que demanda mais espaço para o transporte, os investimentos em logística tiveram que ser fortalecidos. Como disse um especialista, "a exportação de suco de laranja é, antes de tudo, um negócio de logística", e um bom exemplo disso é o terminal da Citrosuco no porto de Ghent, no norte da Bélgica, visitado recentemente pelo Valor e fundamental para a entrada dos produtos da empresa no mercado europeu, o principal para os embarques brasileiros em geral. No ano passado, este terminal movimentou 350 mil toneladas de suco, 20% mais que em 2008. O volume significou 30 escalas de grandes navios que atracaram no porto para descarregar o produto. Depois de descarregar, os navios voltam vazios para o Brasil. Operando desde 1982, o terminal da Citrosuco em Ghent tem capacidade de estocagem de 50 mil toneladas, entre concentrado e NFC. No total, a Citrosuco tem quatro navios próprios, dos quais dois com capacidade para 38 mil toneladas cada e os demais para 16 mil toneladas. Por ano, 15 mil caminhões de transporte a granel refrigerados passam apenas pelo terminal da empresa em Ghent, carregando o produto para ser entregue aos clientes finais da empresa na Europa, que o engarrafam. Parte do suco que passa por Ghent destina-se à Ásia e Austrália. No total, a Citrosuco Europe tem cerca de 150 clientes, entre Europa, Ásia e Austrália. A Citrosuco tem outros terminais logísticos para o escoamento de suco, sendo o maior deles em Santos (SP), como suas concorrentes. Outros dois terminais estão em Wilmington, nos Estados Unidos, e em Toyohashi, no Japão. Apesar de fazer todo o sentido nesta nova era de demanda internacional por suco de laranja relativamente estável, preços vulneráveis e ganhos de escala difíceis e perdas em elos da operação qualquer aproximação entre Citrosuco e Citrovita esbarra desde já em investigações sobre uma suposta formação de cartel entre as grandes empresas exportadoras de suco. Mantidas em pauta graças à pressão de citricultores que reclamam de prejuízos com a prática e fortalecidas pelo depoimento de um ex-executivo de uma das quatro empresas, que aceitou colaborar com as investigações graças a um acordo de leniência, as investigações devem ganhar fôlego a partir do deslacre de documentos apreendidos na sede da Citrovita durante a Operação Fanta, da Polícia Federal, em janeiro de 2006. Esses papéis são mantidos lacrados graças a liminares, mas a expectativa é que a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça a qualquer momento consiga acesso a eles. Entrevista do ex-empresário Dino Tofini confirmando que o segmento era cartelizado na década de 90, publicada ontem na "Folha de S. Paulo", também animou citricultores que pedem a abertura dos documentos, principalmente aqueles vinculados à Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), sediada em Bebedouro, a acreditar que o processo agora vai ganhar celeridade. Mário Bavaresco Júnior é o principal executivo da Citrovita. Já os rumos da Citrosuco são definidos por Maria do Rosário Fischer, viúva de Carlos Guilherme Eduardo Fischer, filho do fundador Carl Fisher, já falecido. A sra. Fisher tem quatro filhas, uma delas casada com Ricardo Ermírio de Moraes, um dos herdeiros da Votorantim. Moraes já foi alto executivo da Citrosuco, mas se afastou em parte pelas questões concorrenciais. |
quinta-feira, dezembro 10, 2009
FUSÕES E AQUISIÇÕES [In:] CLASSE ''C'' VITAMINADA...
Negócios
Um casamento de 19 bilhões de reais
Pão de Açúcar e Casas Bahia fundem suas operações e dão origem
a um grupo que é cinco vezes maior do que o segundo colocado
na venda de eletrodomésticos no mercado brasileiro
Renata Betti e Benedito Sverberi
| Keiny Andrade/AE |
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Um negócio selado na última sexta-feira entre o Pão de Açúcar e as Casas Bahia resultou num gigante do setor de eletroeletrônicos cujas dimensões não têm paralelo com as de nenhuma outra empresa do varejo brasileiro. O segundo colocado do setor, o Magazine Luiza, fatura hoje um quinto daquilo que o novo grupo, segundo projeções, deve atingir: 19 bilhões de reais, o equivalente a 25% do mercado. Desde junho, o Pão de Açúcar já ocupava a vice-liderança do segmento de eletroeletrônicos, posto que conquistara após a aquisição do Ponto Frio. Depois da compra, o grupo passou a atuar com força numa área na qual tinha participação irrelevante, com a bandeira Extra Eletro, e que julgava prioritária. Estava, no entanto, atrás das Casas Bahia, que permaneciam na dianteira havia vinte anos. Com a união, formou-se uma terceira empresa, que manteve o nome Globex, sob o qual já se abrigava a operação do Ponto Frio. A ela, juntam-se agora as cinquenta lojas Extra Eletro (marca que deve desaparecer) mais as 500 das Casas Bahia em onze estados. Para se unirem, tanto o Pão de Açúcar quanto as Casas Bahia transferiram para a nova Globex ativos que, somados, chegam a 2,6 bilhões de reais. Se tudo correr como o previsto, em 120 dias o conglomerado já estará estruturado como reza o contrato: 51% das ações nas mãos do Pão de Açúcar, de Abilio Diniz, e 49% com as Casas Bahia, de Michael Klein. Diz o analista financeiro Cauê Pinheiro: "Essa fusão é decisiva para as duas empresas envolvidas – e pode transformar o setor de eletroeletrônicos no país".
Dois meses atrás, quando o empresário Abilio Diniz, fundador e atual presidente do conselho do Pão de Açúcar, procurou Michael Klein, o dono das Casas Bahia, para propor negócio, sua intenção era justamente firmar uma parceria que o levasse, enfim, ao topo do setor de eletroeletrônicos. O interesse número 1 era ganhar musculatura num mercado em que as margens de lucro chegam a 30%, ao passo que nos supermercados elas não ultrapassam 10%. Abilio queria ainda ter como aliada uma empresa com a qual tinha dificuldade em competir. Nenhuma de suas operações ia tão bem nas classes C, D e E, a especialidade das Casas Bahia desde que sua primeira loja abriu as portas, 57 anos atrás. Admite Enéas Pestana, vice-presidente financeiro do Pão de Açúcar: "Não temos a mesma expertise deles para atrair as classes mais baixas. Por isso, a união nos ajuda". Um ponto fraco do novo grupo continua a ser o Nordeste, onde o líder absoluto no varejo é a rede baiana Insinuante, que consegue atrair a tão almejada classe C. Nos últimos cinco anos, ingressaram nela 26 milhões de brasileiros. Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas, estima-se que a classe C responda por um terço do consumo do país. Em algumas categorias de produtos, como celulares, a porcentagem chega a 70%. As Casas Bahia estão entre as maiores vendedoras desse produto no Brasil.
A empresa de Klein, por sua vez, não passa por um momento fácil. Discordâncias quanto à condução dos negócios levaram, em agosto, à saída de Saul, o irmão de Michael, que comandava a área comercial – e embolsou 4 bilhões de reais ao deixar a sociedade. O faturamento deve ser, em 2009, 1 bilhão de reais menor do que o aferido no ano passado, efeito de uma mudança no país que atinge uma das artérias centrais das Casas Bahia: a concessão de crédito. Até recentemente, o braço financeiro das Casas Bahia era uma das principais fontes de empréstimos para a clientela de baixa renda. Hoje, as fontes de crédito aumentaram. Os bancos já se mostram mais receptivos a esse público. Abriram linhas próprias para atender à classe C ou se associaram a empresas que já tinham um pé nesse segmento. "Nossas margens nesse mercado estão diminuindo", diz o próprio Michael Klein, que, em 2004, se associou ao Bradesco. O empresário, que assumirá o cargo de presidente do conselho da Globex, reconhece que sua empresa tem algo a aprender com o Pão de Açúcar no campo da gestão de negócios: "Ainda estamos muito ligados ao modelo familiar. Eles são mais avançados nessa área".
A união de Pão de Açúcar e Casas Bahia pode, sob alguns aspectos, favorecer os consumidores, segundo sinaliza a experiência de grandes fusões no varejo. Em geral, uma junção entre duas empresas desse porte resulta no aumento da oferta de produtos e na melhoria dos serviços prestados por elas, uma vez que as boas práticas de cada uma tendem a ser preservadas. Os preços, no entanto, perigam subir. Resume a economista Elizabeth Farina, da Universidade de São Paulo: "Sempre que uma empresa domina o mercado, ela ganha poder para determinar os preços de toda a indústria – tanto no lado dos fabricantes como no dos clientes". Uma particularidade do varejo brasileiro como um todo, no entanto, reduz – pelo menos por ora – o poder de pressão do novo gigante. No país, esse ainda é um setor bastante pulverizado. As três empresas na liderança – Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart – detêm, juntas, 38% do mercado. Em países da Europa e nos Estados Unidos, a fatia abocanhada pelas três líderes beira os 60%. Essa pulverização no mercado brasileiro está relacionada a questões socioeconômicas. Em lugares de renda mais baixa, a tendência é que as pessoas procurem o comércio vizinho – daí a proliferação de milhares de pequenas lojas. Outra razão remete à própria maturidade do setor. No mercado americano, fusões e aquisições vêm ocorrendo há mais de uma década. No Brasil, esse processo de consolidação teve início há cinco anos.
| Xando Pereira |
Todos querem a classe C |
Com reportagem de Luís Guilherme Barrucho.
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http://veja.abril.com.br/091209/casamento-de-19-bilhoes-reais-p-138.shtml
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