PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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quinta-feira, abril 25, 2013

''RELATIONSHIPS'': O ''XIS'' DA QUESTÃO

25/04/2013
Eike, emblema e indício 

:: Demétrio Magnoli


Eike Batista valia US$ 1,5 bilhão em 2005, US$ 6,6 bi em 2008, US$ 30 bi em 2011 e US$ 9,5 bilhões em março passado, depois de 12 meses nos quais seu patrimônio encolheu num ritmo médio de US$ 50 milhões por dia. 

Desconfie das publicações de negócios quando se trata do perfil dos investimentos de grandes empresários. Apenas cinco anos atrás, uma influente revista de negócios narrou a saga de Eike sem conectá-la uma única vez à sigla BNDES. 

Mas o ciclo de destruição implacável de valor das ações do Grupo X acendeu uma faísca de jornalismo investigativo. Hoje, o nome do empresário anda regularmente junto às cinco letrinhas providenciais - e emergem até mesmo reportagens que o conectam a outras quatro letrinhas milagrosas: Lula.

A história de Eike é, antes de tudo, um emblema do capitalismo de estado brasileiro. Durante o regime militar, Eliezer Batista circulou pelos portões giratórios que interligavam as empresas mineradoras internacionais à estatal Vale do Rio Doce. Duas décadas depois, seu filho converteu-se no ícone de uma estratégia de modernização do capitalismo de estado que almeja produzir uma elite de megaempresários associados à nova elite política lulista.

"O BNDES é o melhor banco do mundo", proclamou Eike em 2010, no lançamento das obras do Superporto Sudeste, da MMX. O projeto, orçado em R$ 1,8 bilhão, acabava de receber financiamento de R$ 1,2 bilhão do banco público de desenvolvimento, que também é sócio das empresas LLX, de logística, e MPX, de energia. No ano seguinte, o banco negociou com o empresário duas operações de injeção de capital no valor de R$ 3,2 bilhões, aumentando em R$ 600 milhões sua participação na MPX e abrindo uma linha de crédito de R$ 2,7 bilhões para as obras do estaleiro da OSX, orçadas em pouco mais de R$ 3 bilhões, no Porto do Açu, da LLX. Hoje, o endividamento do Grupo X com o banco mais generoso do mundo gira em torno de R$ 4,5 bilhões - algo como 23% do seu valor total de mercado.

"A natureza sempre foi generosa comigo", explicou Eike. "As pessoas ricas foram as que mais ganharam dinheiro no meu governo", explicou Lula. A política, não a economia, a "natureza" ou a sorte, inflou o balão do Grupo X. 

Dez anos atrás, o BNDES não era "o melhor banco do mundo". Ele alcançou essa condição por meio de uma expansão assombrosa de seu capital deflagrada no fim do primeiro mandato de Lula da Silva. A mágica sustentou-se sobre o truque prosaico da transferência de recursos do Tesouro Nacional para o BNDES. O dinheiro ilimitado que irrigou o Grupo X e impulsionou uma bolha de expectativas desmesuradas no mercado acionário é, num sentido brutalmente literal, seu, meu, nosso, dos filhos de todos nós e das crianças que ainda não nasceram, mas pagarão a conta da dívida pública gerada pela aventura do empresário emblemático.

Eike é emblema, mas também indício. A saga da célere ascensão e do ainda mais rápido declínio do Grupo X contém uma profusão de pistas, ainda não exploradas, das relações perigosas entre o círculo interno do lulismo e o mundo dos altos negócios.

Na condição de "consultor privado", em julho de 2006, o ex-ministro José Dirceu viajou à Bolívia, num jatinho da MMX, exatamente quando o governo de Evo Morales recusava licença de operação à siderúrgica de Eike. Nos anos seguintes, impulsionado por um fluxo torrencial de dinheiro do BNDES, o Grupo X atravessou as corredeiras da fortuna. Durante a travessia, em 2009, o empresário contou com o beneplácito de Lula para uma tentativa frustrada de adquirir o controle da Vale, pela compra a preço de oportunidade da participação acionária dos fundos de pensão, do BNDES e do Bradesco na antiga estatal. 

Naquele mesmo ano, o fracasso de bilheteria "Lula, o filho do Brasil", produzido com orçamento recordista, contou com o aporte de um milhão de reais do empreendedor X.

A parceria entre os dois "filhos do Brasil" não foi abalada pela reversão do movimento da roda da fortuna. 

Em janeiro passado, a bordo do jato do virtuoso empresário, Eike e o ex-presidente visitaram o Porto do Açu. O tema do encontro teria sido um plano de transferência para o Açu de um investimento de R$ 500 milhões de um estaleiro que uma empresa de Cingapura ergue no Espírito Santo. 

Em março, depois que Lula recomendou-lhe prestar maior atenção às demandas dos empresários, Dilma Rousseff reuniu-se com 28 megaempresários, entre eles o inefável X. Dias depois, numa reunião menor, a presidente e um representante do BNDES teriam se sentado à mesa com Eike e seus credores privados do Itaú, Bradesco e BTG-Pactual.

Equilibrando-se à beira do abismo, o Grupo X explora diferentes hipóteses de resgate. O BNDES, opção preferencial, concedeu um novo financiamento de R$ 935 milhões para a MMX e analisa uma solicitação da OSX, de créditos para a construção de uma plataforma de petróleo. Entrementes, diante da deterioração financeira do "melhor banco do mundo", emergem opções alternativas. 

No cenário mais provável, o Porto do Açu seria resgatado por uma série de iniciativas da Petrobras e da Empresa de Planejamento e Logística. A primeira converteria a imensa estrutura portuária sem demanda em base para a produção de petróleo na Bacia de Campos. A segunda esculpiria um pacote de licitações de modo a ligar o porto fincado no meio do nada à malha ferroviária nacional, assumindo os riscos financeiros da operação.

No registro do emblema, a vasta mobilização de empresas estatais e recursos públicos para salvar o Grupo X pode ser justificada em nome da "imagem do país no exterior", como sugere candidamente o governo, ou da proteção da imagem do próprio governo e de seu modelo de capitalismo de estado, como interpretam as raras vozes críticas. No registro do indício, porém, o resgate em curso solicitaria investigações de outra ordem e de amplas implicações - que, por isso mesmo, não serão feitas.

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

VALIA QUANDO PESAVA

28/02/2013
Vale tem 1º prejuízo em 10 anos

Queda no valor do preço do minério, produção menor e perdas contábeis fizeram a Vale ter um prejuízo de R$ 5,628 bilhões no quarto trimestre, a primeira perda em dez anos e a maior da história da companhia. No ano de 2012, a mineradora teve lucro de R$ 9,734 bilhões, um tombo de 75% em relação a 2011 e o menor desde 2004

Vale no prejuízo

Perda de R$ 5,6 bi no 4º trimestre é a primeira em 10 anos. Lucro anual recua 75%.

Danielle Nogueira

A Vale registrou lucro líquido de R$ 9,734 bilhões em 2012, um tombo de 75% em relação ao ganho do ano anterior e o menor desde 2004, informou a empresa ontem. A principal razão para a queda foram as baixas contábeis de R$ 12,2 bilhões, que levaram a empresa a apresentar prejuízo líquido de R$ 5,628 bilhões no quarto trimestre. Esta foi a primeira perda trimestral desde 2002 e a maior da história da empresa. O menor preço do minério de ferro e uma leve queda na sua produção contribuíram igualmente para o mau desempenho da companhia.

As projeções de mercado para o lucro líquido da empresa eram muito diversas. Para o ano, iam de R$ 9 bilhões a R$ 12 bilhões. A variação dependia de quais baixas contábeis eram consideradas pelos analistas. As previsões mais pessimistas incluíam em seus cálculos a depreciação da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), na qual a Vale detém pouco mais de 25%. Segundo o balanço da empresa, essa baixa foi de R$ 1,8 bilhão. Entre outros ativos que tiveram seu valor reduzido está o projeto de níquel de Onça Puma (PI), que sofreu uma baixa de R$ 5,8 bilhões. Para o quarto trimestre, as estimativas de prejuízo iam de R$ 3 bilhões a R$ 6 bilhões.

Excluindo-se os itens não-recorrentes, como depreciação de ativos e perdas monetárias, a Vale teve um lucro de R$ 22,2 billhões, 43% menor que os R$ 39,2 bilhões obtidos em 2012, segundo dados atualizados pela empresa ontem. No quarto trimestre, desconsiderando-se esses itens não-recorrentes, a empresa teve lucro de R$ 4 bilhões. Ainda assim, abaixo dos R$ 8,9 bilhões registrados em igual período de 2011. Em comunicado, a Vale esclareceu que as alterações contábeis não afetam o resultado financeiro da empresa.

- A indústria como um todo apresentou baixas contábeis em 2012. Novas baixas são possíveis, mas não imediatamente. Queremos fazer tudo com a maior transparência para os investidores - disse Murilo Ferreira, presidente da Vale, ao comentar os resultados da companhia em teleconferência com jornalistas.

Otimismo com China em 2013

O ano de 2012 foi de fato ruim para as mineradoras. A anglo-sul-africana Anglo American registrou prejuízo líquido de US$ 1,493 bilhão em 2012, contra um lucro líquido de US$ 6,169 bilhões em 2011. O resultado negativo foi puxado pela baixa contábil de US$ 4 bilhões do projeto Minas-Rio, que inclui minas de minério de ferro e um mineroduto para escoamento da produção, comprado do grupo EBX, de Eike Bastista, em 2008. Já a anglo-australiana Rio Tinto teve perda de US$ 3 bilhões, também relacionada à depreciação de ativos e provisões.

Além das mudanças contábeis, o resultado da Vale foi afetado pelo recuo de 0,8% na produção de minério de ferro em 2012, para 319,9 milhões de toneladas. A queda, a primeira desde 2009, está vinculada ao excesso de chuvas em alguns períodos de 2012 e também à retração do apetite chinês pela commodity. A redução no preço do minério de ferro em 2011 no mercado internacional foi outro fator que pesou no desempenho da companhia.

Para o analista da corretora SLW Pedro Galdi, as perspectivas para 2013 são boas, com um cenário menos volátil de preços em relação a 2012. No ano passado, a média do preço por tonelada de minério de ferro foi US$ 130, ante US$ 143 em 2011, ano em que a Vale teve o melhor resultado de sua história. Nos dois primeiros meses de 2013, a média de preço já está em US$ 150 a tonelada.

- Em 2012, a Vale arrumou a casa, fez as baixas contábeis e teve que enfrentar cenário adverso principalmente no terceiro trimestre, quando o minério caiu muito. Este ano tudo indica que o cenário será melhor - diz Galdi.

Segundo o diretor-executivo de Ferrosos e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, a expectativa é que os preços subam no primeiro semestre, mas desacelerem no segundo, quando haverá aumento de capacidade de produção de minério na Austrália.

- Temos uma visão otimista em relação a China. Isso não significa que não vai haver oscilações. Mas a China não nos tira o sono - afirmou o executivo.

Apesar da perspectiva melhor para 2013, a Vale manterá a racionalização dos gastos. O diretor financeiro da empresa, Luciano Siani, frisou que os esforços da companhia vêm dando resultado. No ano, houve queda de 5% nas despesas aministrativas em relação a 2011. Se considerado o quarto trimestre, esse recuo foi ainda maior: 30% ante igual período. A empresa também reduziu os gastos com pesquisa mineral em 12% em 2012, para US$ 1,5 bilhão e continua a buscar sócios para tocar projetos, como o Rio Colorado (minas de potássio em Mendoza, na Argentina). O prazo para que a Vale entregasse um novo cronograma do projeto ao governo de Mendoza acabaria hoje, mas, segundo Murilo Ferreira, o Conselho de Administração da companhia ainda não conseguiu analisar a proposta, o que deve acontecer apenas em 11 de março.

Perda de R$ 27 bi em valor de mercado

O resultado da mineradora deve pressionar ainda mais suas ações no curto prazo, segundo analistas. A mineradora já perdeu R$ 27,5 bilhões em valor de mercado neste ano, praticamente quanto vale a siderúrgica Gerdau, caindo para um valor de mercado de R$ 187,6 bilhões. O desempenho das ações foi pior do que o das concorrentes internacionais. Há um descolamento entre as cotações da Vale e o preço do minério de ferro na China. Enquanto o minério sobe 4,83% no ano, os papéis preferenciais da Vale recuam 13,26% no período.

Segundo Marcel Kussaba, estrategista da gestora Quantitas, isso é um sinal de que o mercado passou a temer excessivamente uma maior cobrança de royalties sobre a mineração. Um novo marco regulatório do setor está em preparo pelo governo federal, e analistas já estimam que a operação da mineradora vai ser mais onerada. Ontem as ações preferenciais da Vale subiram 0,85%, a R$ 35,45, enquanto o Ibovespa avançou 0,57%, aos 57.273 pontos.

- Na maior parte do tempo, a ação da Vale sobe com o preço do minério. 

Agora nem de perto está acompanhando. O novo marco regulatório está atrapalhando. O mercado está com muito receio de ser criada uma nova cobrança parecida com a participação especial das petrolíferas e isso está fazendo muitos investidores venderem Vale. O medo é que a Vale vire uma Petrobras - disse Kussaba.

Com o mau momento para as ações, os fundos FGTS que aplicam em Vale acumulam perda média de 15,68% em 2013 até 22 de fevereiro, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Nesse período, foram resgatados R$ 57 milhões por investidores insatisfeitos. Mas, desde que esse tipo de uso do FGTS começou a ser oferecido, em março de 2002, os fundos já renderam em média 859,66%.

Apesar do resultado trimestral, o analista Felipe Reis, do Santander, espera desempenho melhor no primeiro trimestre, puxado pela alta no preço médio do minério de ferro. (Colaborou Daniel Haidar)
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quarta-feira, setembro 19, 2012

MERCADO DE AÇÕES. ''STEADY STATE''



A mão 'visível' do governo



Autor(es): Por Flavia Lima, Alessandra Bellotto e Karla Spotorno | De São Paulo
Valor Econômico - 19/09/2012
 

As ações da Cesp caíram 27,5% apenas no pregão do dia 12 de setembro - a maior queda em um único dia registrada no ano. Após um período de incertezas, os papéis da Usiminas têm a melhor performance em setembro, até o dia 17, em alta de 41%.
O desempenho dessas ações está diretamente ligado a medidas formuladas pelo governo. Nas últimas semanas, a equipe econômica anunciou aumento das tarifas de importações, ampliação do número de setores que ganham com a desoneração da folha de pagamento e um pacote que reduz tarifas de energia e impõe novas regras para renovação das concessões, dentre outras medidas.
A percepção é a de que este é um momento de presença mais forte do Estado, e que isso não vale somente para o Brasil, mas para o mundo. É o que a equipe do fundo CSHG Verde chamou de "Bull Market In Politics", em carta a seus clientes em abril deste ano. A ideia é que existem ciclos políticos assim como existem ciclos econômicos. E, segundo o que a equipe via naquele momento, mudanças estruturais na economia global somadas ao esgotamento do modelo de crescimento brasileiro (com perda de competitividade e endividamento do consumidor), traziam o país a um ponto em que uma resposta política aos desafios era inevitável.
Ao investidor, no entanto, a questão é: como agir em um mercado que não caminha escorado apenas nos fundamentos das empresas? À parte as considerações sobre a eficácia da mão cada vez mais visível do governo sobre agentes e setores econômicos, o que os especialistas afirmam é que ao investidor cabe compreender a dinâmica e, assim, alocar seus recursos de maneira eficiente. "Independentemente de juízo de valor, o objetivo do investidor é ganhar dinheiro. Para isso, é preciso entender a lógica do governo e tentar traduzi-la na escolha dos papéis", diz Jorge Simino, diretor de investimentos da Fundação Cesp.
"O investidor está num restaurante chamado Brasil e esse é o cardápio. Se ele não quer esse cardápio, não vá a esse restaurante", afirma outro gestor que preferiu não ser identificado. Para Lika Takahashi, estrategista da Fator Corretora, se o investidor escolher certo [e investir nos setores beneficiados pelas medidas do governo], pode se dar bem. "A questão é que muitos acabam escolhendo as ações meio que na sorte".
Escolher acertadamente, dizem os analistas, passa pela tradução correta dos acontecimentos: há uma preocupação clara do governo com o ritmo de crescimento em 2013. O esforço é recuperar parte da competitividade da indústria brasileira afetada pelas importações, sem, contudo, mexer com o câmbio - o que está sendo feito via desonerações tributárias e corte nos custos de energia.
Assim, apesar de o tombo das ações das elétricas provocado pelo pacote de energia ter roubado todas as atenções na última semana, Andrew Campbell, estrategista-chefe da corretora do Credit Suisse, lembra que vários outros segmentos da economia foram, na verdade, beneficiados pelas medidas recentes. E é aí que o investidor deve se socorrer.
Na avaliação geral, o maior ganhador é o setor de bens de capital, com empresas como Randon, Iochpe-Maxion, Weg, Mahle Metal Leve e Autometal. Essas empresas se beneficiam do aumento da tarifa de importação, do pacote do setor elétrico e da desoneração da folha de pagamento - fora a retomada do crescimento local.
"Mas é preciso atenção porque alguns destes papéis já subiram bastante", diz Hamilton Moreira Alves, estrategista do BB Investimentos. Para ele, o investidor deve olhar também o que, mesmo tendo subido, ainda está atrasado, como siderurgia e mineração.
O setor de siderurgia se beneficia do aumento da tarifa de importação e do pacote do setor elétrico. Nesse segmento, um dos papéis que mais subiram nas últimas semanas foi Usiminas. No ano, contudo, a ação ainda sustenta o nono pior desempenho do Ibovespa, em queda superior a 23% (até dia 17).
Para Campbell, do Credit Suisse, Usiminas é destaque entre as empresas beneficiadas por operar com uma rentabilidade menor no setor (o que aumenta o impacto da medida), pelo tipo de aço que produz (plano) e por ter capacidade ociosa de produção. O papel, porém, é visto com desconfiança. A casa elevou a recomendação para Usiminas, mas não indica a compra. "A situação melhorou, mas não dá para dizer que os problemas ficaram para trás", diz. "Além disso, as ações já subiram muito".
Para Simino, da Fundação Cesp, os setores conectados ao crescimento doméstico voltam a ser óbvios, enquanto as ações com características mais defensivas - como os papéis do setor elétrico - vão precisar de muito "stock picking", ou seja, avaliação caso a caso, para voltar a fazer parte das carteiras. Já Flavio Sznajder, sócio-gestor da Bogari Capital, destaca Cosan e os setores de bancos e educação (ligados ao mercado interno e com gestão que pode trazer melhoras ao longo do tempo).
Para o Credit Suisse, Brasil Foods é uma aposta interessante em consumo, com múltiplos mais baixos que os das varejistas. Fora que o setor, que tem uso intensivo de mão de obra, foi incluído no pacote de desoneração de folha de pagamento. Papel e celulose é outro segmento que se beneficiou de mais de uma das medidas. Nesse universo, a recomendação do Credit Suisse é Klabin.
Aos que se perguntam se mais setores ainda podem ser afetados, Sznajder, da Bogari, diz que o investidor deve entender que a bolsa tem riscos e que não há fórmula mágica. "Estudar muito para não ser pego de surpresa e comprar barato pode ser o melhor caminho".

terça-feira, março 15, 2011

ECONOMIA JAPONESA E MUNDIAL [In:] A ''MÃO VISÍVEL'' DO TSUNAMI

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EFEITO JAPÃO SE ESPALHA NA ECONOMIA

MERCADO FAZ CONTA COM A TRAGÉDIA NO JAPÃO


Autor(es): Daniele Camba
Valor Econômico - 15/03/2011

A paralisação de boa parte da máquina produtiva do Japão, a terceira economia mundial, espalha dificuldades para toda a rede integrada de fabricação regional asiática, em uma cadeia de consequências que atinge o Brasil. Com a destruição assustadora do nordeste do país, o perigo de mais vazamentos radioativos na usina nuclear atingida pelo terremoto e sem perspectiva de regularização do fornecimento de energia por várias semanas, a Sony, maior exportadora japonesa de eletrônicos de consumo, suspendeu a operação de dez fábricas. A Toyota, maior montadora do mundo, fez o mesmo com suas 12 unidades.Automóveis, autopeças e material eletroeletrônico predominam na pauta de vendas do Japão para o Brasil. O país é o maior exportador de autopeças para o Brasil - US$ 1,84 bilhão, ou 14% de todas as importações de componentes automotivos. As subsidiárias de suas montadoras - Honda, Mitsubishi, Toyota e Nissan - são as mais dependentes de peças e podem sofrer interrupção em suas linhas de montagem. O efeito sobre a produção brasileira de eletroeletrônicos não deve ser grande, pois ela pode ser abastecida com insumos fabricados em outros locais da Ásia. Por outro lado, os japoneses são um dos principais compradores do minério de ferro do Brasil - em 2010, consumiram US$ 3,27 bilhões.

Todo o comércio será afetado de imediato, pois a infraestrutura japonesa sofreu abalos consideráveis e os portos do nordeste foram destruídos. E com fábricas paralisadas, o desembarque de encomendas tende a ser um problema a mais para as empresas japonesas. "Num primeiro momento deve acontecer a suspensão de contratos, depois o can- celamento de alguns", prevê José Augusto de Castro, vice-presidente da Asso- ciação de Comércio Exterior do Brasil.


Não existem dúvidas de que o terremoto e o tsunami no Japão são tragédias gigantescas para a população japonesa e para o mundo. No entanto, o mercado vive de oportunidades e o que se vê é que essa catástrofe pode abrir algumas boas alternativas, pelo menos na Bovespa.

Os analistas acreditam que as principais beneficiadas devem ser as empresas que, de alguma forma, podem contribuir para a reconstrução do país. Nessa linha de raciocínio, as siderúrgicas devem ser as maiores ganhadoras. Isso explica, inclusive, a valorização desses papéis na sexta-feira e ontem.

As notícias dão conta de que as cinco principais siderúrgicas japonesas (Muroran e Kimitsu, da Nippon Steel; Chiba e Keihin, da JFE Holding; e Kashima, da Sumitomo Metal Industries) paralisaram ou reduziram significativamente a produção.

O chefe de análise da corretora SLW, Pedro Galdi, lembra que, além de ter que importar aço de outros países, o Japão provavelmente deixará de exportar, o que deve causar um equilíbrio entre oferta e demanda e contribuir para um aumento nos preços da commodity no mercado internacional.

"As siderúrgicas brasileiras devem ganhar mais com a melhora do cenário para o aço do que propriamente com a exportação para o Japão, já que, por uma questão de logística, o país deve importar muito mais de outras siderúrgicas asiáticas", explica.

Produtoras de commodities serão as mais beneficiadas

Já sobre a Vale, existe uma discussão de como ela deve ficar com a tragédia. Galdi lembra que, num primeiro momento, a mineradora perderia, já que 11% do seu faturamento vem das exportações para as siderúrgicas japonesas, sendo que algumas estão parando suas operações. Ele acredita, no entanto, que a Vale deve ganhar vendendo minério de ferro para as outras siderúrgicas que precisarão produzir mais do que nunca para bancar a reconstrução do país.

Na visão economista-chefe da Way Investimentos, professor de finanças da ESPM-RJ e do Ibmec-RJ, Alexandre Espírito Santo, esse possível crescimento nas vendas pode deixar em segundo plano problemas que pairam hoje sobre as ações da Vale. "Existe uma nuvem negra em cima da companhia, por causa das questões dos royalties e pelas incertezas sobre a possível saída de Roger Agnelli", lembra o professor.

A outra gigante do mercado brasileiro, a Petrobras, também pode ganhar com a tragédia chinesa, acredita Espírito Santo. Os problemas nas usinas nucleares, com a possibilidade de vazamentos, deve provocar falta de energia, se refletindo sobre o preço do petróleo. Junte-se a isso os conflitos no Oriente Médio e no norte da África, que já estão pressionando o preço da commodity.

Galdi, da SLW, também acredita que empresas de alimentos, como Brasil Foods, Marfrig e JBS, também devem ganhar com a exportação para a China. "O país precisará de tudo um pouco para se reerguer, de comida à matéria-prima para construir casas, ruas, estradas etc." Ele cita as produtoras de madeira, como a Duratex.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

AGRONEGÓCIOS/GRÃOS [In:] ADM e BARREIRAS A ENTRADA

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ADM constrói no Pará sua 1ª esmagadora de palma no país



Autor(es): Bettina Barros | De São Paulo
Valor Econômico - 10/02/2011

A multinacional americana Archer Daniels Midland (ADM), maior processadora de grãos do mundo, anunciou ontem a construção de sua primeira fábrica de esmagamento de palma no Brasil, entrando em um mercado com crescimento potencial mas ainda concentrado em poucas empresas.

Com início da construção previsto para 2013, a planta estará localizada próxima a São Domingos do Capim, a 140 Km de Belém (PA), e deverá iniciar as operações em 2016. A unidade faz parte do plano de investimento - não revelado - de cinco anos, que incluirá o plantio de árvores em 21 mil hectares, informou a empresa, em nota. A ADM também não informou o volume de produção estimado.

Segundo a presidente do conselho e CEO da ADM, Patricia Woertz, uma parte importante da estratégia do grupo para o crescimento rentável é expandir o tamanho e alcance global da originação e unidades de processamento. E o investimento em palma acrescenta uma nova commodity à cadeia de valores da ADM no país e diversifica as opções de matéria-prima para a produção de biodiesel.

"Somos incentivados pelo compromisso do governo brasileiro com a promoção do desenvolvimento agrícola sustentável que, além de auxiliar a suprir as demandas crescentes de energia do país, também melhora o meio de vida de centenas de famílias de agricultores no programa Selo Combustível Social", afirmou Domingo Lastra, presidente da ADM do Brasil.

Membro da Mesa Redonda do Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês), a aliança internacional que reúne produtores, varejistas e ambientalistas para incutir os conceitos de produção sustentável na cadeia produtiva, a ADM afirma que cumprirá com as orientações e processos da organização para a plantação de palma e fábrica de processamento.

A planta brasileira será a primeira do mundo da ADM que irá processar o óleo de palma. A empresa, no entanto, já refina o mesmo óleo nos EUA e na Alemanha.

Ainda que tenha pouca relevância no Brasil, responsável por pouco mais de 100 mil toneladas de uma produção mundial anual da ordem de 37 milhões de toneladas, o óleo de palma é o óleo vegetal mais consumido. A oferta é encabeçada por Malásia e Indonésia. A China é o maior consumidor.

O principal produtor brasileiro é a Agropalma, que tem 40 mil hectares próprios plantados e outros 10 mil de pequenos e médios produtores, ligados à empresa. Cerca de 90% da produção brasileira da palmácea está no Pará.

No início deste mês, a Vale anunciou a aquisição do grupo paraense Biopalma, por US$ 173,5 milhões. A empresa iniciará sua operação este ano, com estimativa de produzir 500 mil toneladas de óleo por ano em 2019. A produção será usada pela Vale para fabricação de biodiesel para abastecer sua frota de locomotivas, máquinas e os equipamentos de grande porte, em uma mistura de 20% de biodiesel e 80% de diesel comum.

Extraído da polpa da palmeira, o óleo é utilizado na alimentação, como o azeite de dendê. Já o óleo de palmiste, extraído da semente, serve às indústrias oleoquímica e de cosméticos, entre outras.

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quinta-feira, outubro 28, 2010

VALE/LUCRO [In:] VALE QUANTO PESA

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Lucro da Vale sobe 253% e chega ao recorde de R$ 10,5 bi no 3º trimestre



Autor(es): Agencia o Globo/Irany Tereza
O Estado de S. Paulo - 28/10/2010

Balanço. Recuperação da demanda mundial por minério impulsionou os resultados da mineradora, que estabeleceu um novo recorde para o resultado trimestral, superando em 33% a marca anterior, registrada há dois anos, antes do início da crise mundial.




Os reajustes no preço do minério de ferro, que este ano passaram a ser trimestrais, e a recuperação da demanda mundial embalaram os resultados financeiros da Vale, que registrou no terceiro trimestre do ano o melhor resultado de sua história. O lucro líquido recorde de R$ 10,554 bilhões foi 33,5% maior do que o último recorde da empresa, no segundo trimestre de 2008, imediatamente antes do baque da crise mundial.

Se comparado ao terceiro trimestre de 2009, quando a mineradora ainda buscava recuperar o mercado que a crise reduziu, o aumento foi de impressionantes 253,4%. O documento de divulgação do resultado, distribuído na noite de ontem, intitulado Um excepcional desempenho, destaca recordes de receita operacional bruta, lucro e geração de caixa. "Este desempenho resultou da forte demanda por minerais e metais e dos nossos esforços para aumentar a produção, mantendo os custos sob controle", diz o documento, sintetizando a estratégia da empresa de elevação de preços, aproveitando o aquecimento da demanda, e de segurar custos de produção.

A receita operacional também foi recorde: chegou a R$ 26,4 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 23,3% em relação ao recorde anterior, de R$ 21,4 bilhões, registrado no segundo trimestre de 2008. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o crescimento foi de 39%.

Classificando os meses posteriores a setembro de 2008, quando foi deflagrada a crise mundial, como "a grande recessão", a empresa projeta uma manutenção do crescimento, acompanhando a recuperação do mercado global - principalmente a forte demanda da China, que respondeu, no terceiro trimestre, por 46% de todas as compras de minério de ferro da companhia.

"Há motivos sólidos para se esperar melhora expressiva nas perspectivas de crescimento global para a primeira metade de 2011", prevê a empresa. O documento lembra que os últimos dados mostram que o nível de atividade econômica na China está bastante robusto, "o que sugere que o crescimento do PIB tenha atingido seu pior momento no segundo trimestre de 2010". De acordo com cálculos da Vale, o PIB chinês anualizado cresceu 8,5% no terceiro trimestre.

A Vale destacou, ainda, seus investimentos no terceiro trimestre, que somaram US$ 3,081 bilhões, sem contar as aquisições - US$ 1,902 bilhão foi gasto na execução de projetos, US$ 346 milhões em pesquisa e desenvolvimento e US$ 833 milhões na manutenção das operações existentes. Em aquisições de ativos foram gastos, de janeiro a setembro, US$ 6,37 bilhões nas áreas de fertilizantes (US$ 5,78 bilhões), minério de ferro (US$ 500 milhões) e carvão (US$ 92 milhões).

Vendas. As vendas de minério de ferro e pelotas da Vale totalizaram 78,628 milhões de toneladas no terceiro trimestre, um incremento de 7,8% se comparado ao mesmo período de 2009. Esse é o terceiro melhor resultado trimestral da história do grupo. As vendas de minério somaram 68,043 milhões de toneladas, 1,9% a mais do que no mesmo trimestre de 2009. No acumulado do ano, as vendas de minério e pelotas alcançaram 313,873 milhões de toneladas, um aumento de 19,6% frente ao apurado entre janeiro e setembro de 2009.

Em posição financeira bastante confortável, a geração de caixa da Vale será suficiente para financiar seu crescimento e "satisfazer o acionista". A dívida total da empresa em 30 de setembro de 2010 era de US$ 25,267 bilhões, com prazo médio de 9,6 anos. A alavancagem (relação entre dívida e patrimônio) da empresa caiu substancialmente, ficando em 1,3 vez. Em setembro do ano passado, era de 2,2 vezes.

Com o caixa desafogado, a empresa se dedica a novas captações de recursos no mercado internacional. "Como parte da estratégia de financiamento, estamos assinando contratos com instituições oficiais de crédito de vários países, envolvendo financiamento de longo prazo nos nossos projetos de mineração e logística", diz a empresa.

sexta-feira, outubro 22, 2010

MERCADO DE AÇÕES [In:] VALE QUANTO PESA

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Bolsa cai e ação da Vale custa o dobro da Petrobras


Bolsa cai e ação da Vale custa o dobro da Petrobras


Autor(es): Bruno Villas Bôas, Emanuel Alencar e Aguinaldo Novo
O Globo - 22/10/2010


O dólar comercial subiu ontem 1,61%, para R$1,702, em dia marcado por temores de novos aumentos na taxação de investidores estrangeiros, além de reações às medidas do governo que vedaram aos estrangeiros chances de fugirem do pagamento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos em renda fixa e margens de garantia de contratos no mercado futuro de dólar. Com a valorização, a moeda atinge o maior patamar em mais de duas semanas. O Banco Central (BC) retirou de circulação US$150 milhões em dois leilões de compra de dólares no mercado à vista.

O pessimismo dos investidores estrangeiros se refletiu na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Seu principal índice, o Ibovespa, fechou em queda de 1,07%, aos 69.652 pontos.

As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras encerraram o pregão valendo a metade de uma ação PNA da Vale, o que não acontecia desde janeiro de 1993, há mais de 17 anos, segundo histórico da Economatica. Uma ação PN da Petrobras valia ontem R$24,16, enquanto a ação da Vale era negociada a R$48,33.

Segundo analistas, essa relação entre ações da Petrobras e Vale era de um para um menos de anos atrás, antes das primeiras informações sobre a capitalização da companhia.

- A taxação do IOF é ruim e prejudicial aos investidores estrangeiros. Traz preocupação de que o governo possa adotar novas taxações. O dia foi de fuga de investidores da Bovespa - disse Paulo Hegg, analista da Corretora Um Investimentos.

Mas o presidente da BM&F Bovespa, Edemir Pinto, disse ontem que o aumento do IOF não deve ser repetido nas operações com ações.

- Já houve uma manifestação do ministro (da Fazenda, Guido Mantega) de que a questão estava mais no mercado futuro - disse ele. - Eu não posso afirmar que eles não vão fazê-lo, mas tem sido claro nos nossos debates que não há essa intenção.

sexta-feira, setembro 17, 2010

VALE [In:] ''O QUE ERA DOCE SE ACABOU...'' *

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17/09/2010

Sob ameaça de degola, presidente da Vale vai a Lula

Denis Balibouse/Reuters

Privatizada sob FHC, a Vale é tratada por Lula como se ainda fosse estatal. Presidente da companhia, Roger Agnelli viu-se convertido em candidato à degola.

Dissemina-se a notícia de que, eleita, Dilma Rousseff providenciaria a substituição de Agnelli. Incomodado com o zunzunzum, o executivo foi à presença de Lula.

A coluna de Monica Bérgamo resume, numa trinca de notas veiculadas na Folha, o resultado da investida de Agnelli. Leia abaixo:

- Vale futuro: Roger Agnelli, presidente da Vale, se reuniu anteontem com o presidente Lula em meio a rumores de que não seguirá no cargo num eventual governo de Dilma Rousseff (PT). Saiu com a impressão de que a degola pode ser revista. Disse a interlocutores que Lula o tratou ‘muito bem’.

- Tudo ou nada: O tratamento dispensado por Lula ‘pode não querer dizer muita coisa’, diz um conselheiro da Vale. ‘Numa hipótese, há pessoas em torno dele alvoroçadas para tirar o Roger do cargo e Lula não está nesse ritmo. Na outra, ele simplesmente está evitando marola na eleição.’ O problema de Agnelli seria outro: ele e Dilma não se bicam. E parte do PT o quer fora da Vale.

- Tradução: Lula teve contrariedade recente com Agnelli, quando ele anunciou que compraria 20 navios no exterior, e não no Brasil. Dirigente do PT diz que o presidente, apesar de tratar bem o executivo, ‘ainda está furioso’. O conselheiro da Vale afirma que o episódio foi superado. Lula entendeu que os navios brasileiros custam caro.

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 07h27

Folha.

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(*) CANTIGA de roda (brincadeira de meninas ''nos tempos do Liceu").
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terça-feira, março 23, 2010

VALE DO RIO DOCE/MINÉRIO DE FERRO [In:] A MÃO VISÍVEL...

VALE REAJUSTA MINÉRIO DE FERRO EM 114%

VALE REAJUSTA PREÇOS E ADOTA NOVO SISTEMA


Autor(es): Vera Saavedra Durão, do Rio
Valor Econômico - 23/03/2010

A Vale enviou documento a seus clientes em todo o mundo comunicando a adoção de um novo sistema de preços, denominado Iodex (IronOre Index). No mesmo comunicado, a mineradora já informa a nova tabela do minériode ferro a vigorar no segundo trimestre. O preço do minério tipo sinterfeed Carajás, de maior teor de ferro, sobe para US$ 122,20 a tonelada FOB (posto no porto da Vale), valor que é 114,38% superior ao preço de referência de US$ 57 vigente no mesmo período do ano passado.

A Vale enviou este mês documento aos seus clientes do mundo inteiro comunicando a adoção de um novo sistema de preços, o IODEX (IronOre Index) em alternativa ao "benchmark", acompanhado de uma nova tabela de preços do minério de ferro a vigorar no segundo trimestre do ano. O preço do minério do tipo minério fino (sinter feed) de Carajás, de maior teor de ferro, sobe para US$ 122,20 a tonelada FOB (entregue em portos da Vale), correspondendo a um aumento de 114,38% acima do preço de referência de US$ 57 vigente no ano passado. O novo preço vai vale para o período de abril a junho. O IODEX passa a vigorar a partir de 1º de abril, quando tem início o ano fiscal dos países asiáticos.

No comunicado, ao qual o Valor teve acesso, a Vale explica que a nova tabela de preços foi elaborada tendo por base o preço de referência de US$ 125,90 - a média da tonelada do minério no bimestre janeiro/fevereiro, calculada pela fórmula do Índice Platts, o mais antigo do mercado, que leva em conta US$ 4,56 pelo teor de 62% de ferro do minério e frete de US$ 18,58 a tonelada.

Foto Destaque

O Platts é um índice americano que tem por base o mercado à vista na China e leva em conta um teor básico de ferro do minério de 62% e retira do cálculo final o valor do frete. Ou seja, o sistema calcula o preço FOB do minério para o cliente, que terá de arcar com o transporte até o destino final do produto.

Fontes do setor siderúrgico criticaram a iniciativa da Vale, que levou a nova sistemátiva para apresentá-la à seus clientes, que consideraram que este "fato consumado" tolhe a discussão dos preços e do novo sistema de precificação do minério da maior produtora do insumo no mundo.

Os interlocutores afirmaram ainda que a Vale usou no cálculo, com referência no IODEX/Platts para calcular os preços vigentes a partir do segundo trimestre, um valor de frete de US$ 18,58 entre Brasil e China, bem abaixo do preço do frete do mercado (atualmente na faixa de US$ 29 a tonelada embarcada). O fato torna o preço do minério fixado pelo modelo IODEX mais caro, pois o desconto do frete é menor do que o valor do mercado.

As críticas se estendem ainda ao prêmio pela qualidade do minério que é somado à média do mercado à vista chinês no período de vigência dos preços. Isso porque a cada 1% a mais no teor de ferro do minério é acrescido US$ 4,56. Assim, o preço do sinter feed Carajás que foi fixado em US$ 122,20 a tonelada FOB para o segundo trimestre, leva em conta um p rêmio pela qualidade do minério de US$ 22,28 por tonelada, já que este tipo de minério tem um teor de ferro de 66,89%.

"O preço de referência do bimestre de US$ 125,90 a tonelada do minério é para o tipo com 62% de teor de ferro. Ou seja, a Vale vai cobrar mais US$ 4,56 para cada ponto percentual adicional de ferro. Além do que, isto dificulta às siderúrgicas fazer o cálculo do novo preço", destacou um especialista em mineração.

O comunicado da Vale sepulta definitivamente o benchmark, que a companhia defendia até 2008, quando acabou adotando preços com desconto para seus clientes e até mesmo vendendo no spot por conta da crise global que paralisou as atividades da indústria do aço na Europa e no Japão e manteve a Vale refém das vendas chinesas. Hoje, a referência do mercado spot de minério é muito elevada no mercado transoceânico onde a Vale detém 30% dos negócios. Em 2000 esta referência era zero, como destaca um relatório do Credit Suisse, divulgado ontem.

Ao explicar a seus clientes porque está enterrando o benchmark a Vale se baseia justamente nesse movimento do mercado. Hoje a demanda por minério é avaliada em 1,032 bilhão de toneladas, ante uma oferta de 1 bilhão. "O insaciável apetite por minério de ferro por parte da China criou um crescente mercado spot, que vem ganhando importância dia após dia", destaca o documento da Vale. A mineradora traça um cenário de stress que viveu com a crise para justificar a medida. "A Vale foi a mineradora mais afetada dentre os maiores fornecedores de minério de ferro no mercado transoceânico". Em 2008, a companhia embarcou 296,2mihlões de toneladas de minério, ante 247,3 milhões de toneladas em 2009, ou seja, menos 16,5%., argumentou a Vale.

De acordo com o jornal "Financial Times", edição de ontem, as mineradoras mundiais e as siderúrgicas japonesas tinham já chegado a acordo preliminar para substituir o sistema de preços do minério de ferro, que existe há 40 anos e é baseado em contratos anuais e longas negociações, com os contratos de curto prazo ficando ligados ao mercado à vista. "Há um entendimento de ambos os lados para passarmos a preços trimestrais", afirmou um alto executivo envolvido nas negociações. "As negociações não são mais sobre contratos anuais".

As mineradoras, entre as quais estão a Vale, a BHP Billiton e a Rio Tinto, e as siderúrgicas Nippon Steel, JFE, Sumitomo Metals e Kobe, ainda precisavam resolver obstáculos significativos para chegar a um acordo final, segundo o executivo. "O entendimento é o sinal mais claro até agora do fim do sistema anual tradicional, em meio às pressões das mineradoras por uma mudança", destacou o jornal inglês. O executivo disse que um acordo final poderia ser anunciado até o fim do mês. "Estamos falando de semanas, não meses". Por outro lado, ainda eram visto muito distante um acordo com as usinas siderúrgicas da China e Europa.

Pelo sistema tradicional do minério de ferro, o primeiro preço acertado entre uma mineradora e um siderúrgica torna-se referência para o resto da indústria por um ano. Como o custo do minério de ferro afeta os preços siderúrgicos e, no fim das contas, o custo dos produtos em geral, a definição do preço referencial vem sendo uma das mais importantes negociações sobre o custo das commodities.

As siderúrgicas, conforme a reportagem, enfrentariam custos mais altos se passassem a usar preços trimestrais ligados ao mercado à vista. O atual preço à vista, de US$ 143,80 por tonelada é, quando ajustado pelo custo do frete, mais do que o dobro dos US$ 60 firmados no acordo anual de minério de ferro para o ano 2009-2010, que se encerra em abril.

Ontem, em Bruxelas, a associação europeia da indústria siderúrgica, Eurofer, anunciou que pedirá aos reguladores antitruste da União Europeia para que avaliem se a Vale está abusando de sua posição dominante, afirmou o diretor-geral da organização, segundo relato da Reuters.

A Eurofer, cujos membros incluem ArcelorMittal e ThyssenKrupp, pode encaminhar reclamação formal à Comissão Europeia ainda esta semana, disse o diretor-geral da entidade, Gordon Moffat. "Encaminharemos uma queixa contra a Vale por abuso de domínio de mercado. Nosso argumento não é tanto sobre o aumento de preços, mas a mudança nos termos dos preços e propostas para uma alteração no preço anual para preços de mercado à vista", afirmou. "Mudar unilateralmente os termos em contratos sem negociação pode ser considerado abuso de posição de mercado", acrescentou.

segunda-feira, outubro 19, 2009

XÔ! ESTRESSE [In:] ''... E O SERTÃO VAI VIRAR'' VOTO

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[Homenagem aos chargistas brasileiros].
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LULA & VALE [In:] CADA UM TEM A LUMA QUE MERECE...

Lula e Agnelli a um passo da paz

Lula e presidente da Vale a um passo da paz


Autor(es): Sabrina Lorenzi
Jornal do Brasil - 19/10/2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Vale, Roger Agnelli, se reaproximarão hoje, quando a empresa anunciará investimentos bilionários. O governo desistiu da pressão sobre o cargo do executivo, mas prepara mudanças para o setor de mineração.

RIO - O presidente Lula e o presidente da Vale, Roger Agnelli, se reaproximarão hoje, quando a empresa anunciará investimentos bilionários, segundo fontes. Acaba a pressão sobre o cargo do executivo, mas as mudanças que o governo prepara para o setor de mineração continuam de pé, de acordo com técnicos do Planalto.

(...)

Mais R$ 3 bilhões

Reportagem de "O Estado de São Paulo" informa que a Vale vai anunciar investimentos de R$ 12 bilhões para 2010, um aumento de R$ 3 bilhões em relação ao último anúncio. A matéria cita ainda que Lula teria desistido de cobrar do Bradesco (acionista que controla a Vale) a saída de Agnelli do cargo. Também circula no mercado a informação de que a Vale vai construir novas siderúrgicas para agregar valor ao minério de ferro – um dos maiores pontos de insatisfação do governo.

FMI

Reportagem publicada ontem pelo Jornal do Brasil mostra que dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) respaldam a insatisfação do governo com relação às exportações de minério de ferro. Disponível no site do Ministério de Minas e Energia (MME), o estudo Perspectiva Mineral, da Secretaria de Geologia, conclui que o modelo tributário atual aplicado ao setor beneficia exportadores de matérias-primas e pune as siderúrgicas, que agregam valor como quer Lula.

Procurados, Vale, Instituto Brasileiro das Empresas de Mineração e o Instituto Aço Brasil não se pronunciaram.

Cautela

Se por um lado o governo busca agregar valor e gerar mais empregos a partir das riquezas minerais, por outro corre risco de prejudicar a balança comercial com mudanças na Lei Kandir. A conclusão também consta do estudo do MME baseado em dados do FMI. Segundo a Reuters, as exportações líquidas da Vale responderam por 65,2% do superávit da balança comercial brasileira e uma taxação poderia ser prejudicial ao próprio governo. Ainda segundo a agência de notícias, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse desconhecer o assunto.

– Não tenho informações sobre isso. Sei que houve essa conversa no Congresso. Já ouvi governadores falando isso, principalmente os produtores", disse o ministro ao ser perguntado se o governo estudava taxar as exportações. – Mas dentro do governo não estamos trabalhando com isso – concluiu Bernardo, sugerindo que procurassem a Fazenda. Procurado pela Reuters, o Ministério da Fazenda, disse que não comentariam o assunto.

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GOVERNO LULA: VALE DO RIO DOCE (''vale-voto'')

Brasil

O PT quer engolir a Vale

Nos bastidores do violento ataque contra a maior empresa privada brasileira existe a articulação para subordiná-la aos planos do partido para 2010


Ronaldo França e Felipe Patury

Fotos Chip East/Reuters, Dida Sampaio/AE, Fabio Motta/AE e divulgaão/CVRD

A FERRO E FOGO
Agnelli, Lula e Eike no centro da disputa pelo controle da mineradora: a companheirada não desiste da Vale


Há duas maneiras de olhar para a Vale, a maior empresa privada do país. A primeira é com orgulho pelo colosso empresarial que se tornou, principalmente, depois da privatização, em 1997. Seus números são inquestionáveis. Ela mantém 60 000 pessoas empregadas e recolhe 3 bilhões de dólares em impostos. Em 2008, faturou 38,5 bilhões de dólares e foi responsável por metade do superávit primário do país. No primeiro trimestre deste ano, garantiu o superávit inteiro. Avaliada em 127 bilhões de dólares, a Vale perde em valor de mercado apenas para a anglo-australiana BHP Billiton e, sozinha, equivale quase à soma da terceira e da quarta colocadas no ranking das mineradoras. A outra forma de ver a Vale é pelo ângulo do oportunismo. A empresa tem a capacidade rara de agradar a governos – e ajudá-los a recolher votos – com sua força para construir ferrovias, estradas, portos e siderúrgicas. E é assim que a enxerga o governo do PT. Seu ponto de vista ficou mais claro nos últimos dois meses, quando se intensificaram as ações para desestabilizar a direção da empresa e enquadrá-la no ideário petista. Fizeram parte do arsenal uma torrente de críticas de integrantes do governo e a tentativa de uma mudança no controle, com estímulo ao empresário Eike Batista para que entrasse no quadro de acionistas com direito a voto.

Na superfície, as ações são movidas pelo descontentamento do presidente Lula em relação a três fatos ocorridos no último ano: a compra de doze navios da China, em detrimento de estaleiros nacionais; o atraso na construção de cinco usinas siderúrgicas no país, que acabaram virando promessa de campanha da candidata oficial, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff; e a demissão de 1 500 funcionários. Isso é o que se mostra na superfície. No fundo, o ataque tem o cheiro inconfundível do ranço estatizante e intervencionista do PT, que nunca se conformou com a privatização da Vale do Rio Doce, antigo nome da companhia. Aliás, com nenhuma privatização, como demonstraram as cenas de socos e pontapés em todos os leilões. Nos últimos tempos, essa parte fossilizada do pensamento petista ganhou fôlego e um banho de loja, inspirado no modelo chinês, de forte dirigismo estatal na economia. Assim como faz na Petrobras, que sozinha sustenta mais da metade do PAC, o governo pressiona a Vale para atender a seus interesses, sem levar em conta a missão da empresa, que é produzir riqueza a seus acionistas. Nisso a Vale é exemplar (veja o quadro). Até 1997, seu faturamento era de 4,9 bilhões de dólares. No ano passado, superou os 38 bilhões. A produção de minério triplicou. O Brasil não pode aspirar a um papel de liderança mundial sem empresas globais.

Fora essa "visão estratégica", que se integra bem com a imagem que o governo quer projetar interna e externamente, existem ambições menos proclamáveis. A mais forte delas é a utilidade eleitoral inestimável que o PT enxerga no fabuloso caixa da Vale. O presidente da empresa, Roger Agnelli, não menosprezou as delícias que essa situação traz junto aos centros de comando do Planalto. Desde o início do governo petista, Agnelli cultivou uma relação privilegiada com o Palácio do Planalto. O atual presidente da Vale deve seu acesso ao Planalto ao ex-ministro José Dirceu, que mantém antiga e amistosa relação com o Bradesco e com o presidente do conselho do banco, Lázaro Brandão. Ex-executivo do Bradesco, Agnelli foi introduzido por ele no gabinete de Lula. Esse canal começou a ser obstruído há um ano. Lula, que classificou o solavanco na economia de "marolinha", não engoliu a demissão de 1 500 funcionários para compensar os efeitos da crise mundial. O presidente temeu que a decisão da Vale fosse seguida por outras empresas. A relação com o governo azedou. O caldo entornou quando Agnelli respondeu às queixas com uma campanha publicitária, na tentativa de estancar as críticas e impedir um novo avanço do discurso da reestatização. Na semana passada, o executivo correu os gabinetes de Brasília para acalmar os ânimos. Com Lula, só falou por telefone. O presidente e Agnelli voltam a se encontrar em São Paulo na segunda-feira, quando a Vale anunciará seu plano de investimentos para 2010.

Lula e seus assessores já vinham cogitando forçar a substituição de Agnelli. Faltava um candidato. Há dois meses, depararam com Eike Batista, o homem mais rico do Brasil, o empreendedor ousado, trovador de um discurso nacionalista à feição do gosto petista. Eike trilhou um caminho parecido com o de Agnelli para se aproximar de Lula. No início do governo, recorreu ao senador Delcídio Amaral (PT-MS) para marcar audiências com o presidente e Dilma Rousseff, então ministra de Minas e Energia. A partir de 2007, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ajudou-o na aproximação. O empresário financiou, com generosos 23 milhões de reais, a campanha para que o Rio sediasse a Olimpía-da de 2016. Há um mês, Cabral ajudou Batista a se reunir com Lula, em Nova York. Nesse encontro, o empresário expôs seu desejo de comprar a participação do Bradesco na Vale. Lula deu seu aval. A investida de Eike, que chegou a se reunir com Lázaro Brandão, não prosperou.

Fotos Ricardo Stuckert e Christina Bocayuva/Folha Imagem
FELIZMENTE, DERROTADOS
Manifestação contra a privatização da Vale e o pontapé que virou símbolo da irracionalidade no leilão da Usiminas: ainda há quem tenha saudade desse tempo


Foi quando o caso ganhou uma via alternativa. Eike compraria parte das ações dos fundos de pensão estatais. Juntas, a Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, a Funcef (Caixa Econômica Federal) e a Petros, dos funcionários da Petrobras, detêm 49% do controle. O Bradesco só tem 21%. A Previ terá de se desfazer de uma parte de suas ações, porque não pode ter investido, em uma única companhia, mais do que 10% de seu patrimônio, hoje na casa dos 130 bilhões de reais. Estaria aí a chance de Eike, que chegou a sugerir o nome de Sérgio Rosa, presidente da Previ, para comandar a Vale. Nada disso andou. Mexer no controle da companhia não é tão fácil. A escolha de um novo diretor-presidente inclui a contratação de um headhunter oficialmente investido da missão de indicar três nomes. Nenhum sócio controlador tem privilégio nessa indicação. Na semana passada, o empresário comunicou que desistiu momentaneamente de seus planos. Eike viu suas investidas comerciais para controlar a Vale ser usadas politicamente e se assustou. "Sou homem da iniciativa privada. Não participo de movimentos políticos. Não sou homem do Lula ou do PT, nem de qualquer partido. Ninguém me usa, como andou saindo nos jornais", disse Eike a VEJA. O desabafo é sincero. Eike é mesmo um extraordinário empresário privado, suas empresas estão listadas em bolsa e é com a avaliação positiva do mercado que elas se valorizam. Mas a meia-volta de Eike no caso Vale foi muito radical e muito rápida para ter sido motivada apenas pela súbita constatação de que estava havendo aproveitamento político de suas investidas. Suas empresas têm negócios em estados governados por outros partidos que não o PT e seus aliados. Foi de territórios tucanos que partiram, na semana passada, alertas pouco amigáveis ao bilionário.

A retomada da Vale pela burocracia petista continua um objetivo a ser perseguido. O governo chegou a pedir a cabeça do publicitário Nizan Guanaes, mentor da campanha que incomodou o Planalto. Nizan foi conversar com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, a quem a Vale imputa a orquestração dos ataques mais odiosos. Dois diretores executivos da empresa, Carla Grasso e Fabio Barbosa, também entraram na alça de mira, por serem identificados com o governo tucano. Agnelli esteve a ponto de pedir ao conselho da companhia uma declaração pública de que a diretoria executiva cumpria diretrizes determinadas pelo próprio conselho. Desistiu, por enquanto. Não há sinais de que o governo tenha desistido de seus planos. É inegável a força do núcleo jurássico do PT, do qual fazem parte colaboradores muito próximos do presidente. É claro também que, quando essa turma olha para a Vale, enxerga possibilidades eleitorais que seu gigantesco programa de investimentos pode trazer. O discurso contra a privatização da joia da coroa da era estatal ainda seduz parte do eleitorado. O marketing petista sonha em reavivar esse sentimento em 2010, a despeito de suas falácias. Se conseguir, pode até levar vantagem nas eleições. Mas todos os brasileiros perdem.

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Com reportagem de Ronaldo Soares;

http://veja.abril.com.br/211009/pt-quer-engolir-vale-p-72.shtml

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sexta-feira, abril 18, 2008

MST: PARANDO "A LOCOMOTIVA" (ou, perdendo o "trem da história"...)

MST desobedece à Justiça e pára ferrovia da Vale


A invasão da Estrada de Ferro Carajás (EFC), da mineradora Vale, em Parauapebas (PA), foi o ponto alto dos protestos do Movimento dos Sem-Terra (MST) para lembrar os 12 anos do massacre de Eldorado dos Carajás e pedir a aceleração da reforma agrária - em todo o País, ocorreram ações em 17 Estados e no Distrito Federal. O movimento garante que as invasões vão prosseguir. "Continuamos mobilizados. Ocupações de terra vão continuar, assim como outras ações. A data do dia 17 é simbólica, mas a luta continua, já que as reivindicações não foram atendidas", disse José Batista de Oliveira, membro da coordenação nacional do MST. A questão da Vale é polêmica porque a Justiça proibiu, em liminar concedida em março pela Justiça Federal do Rio, interdições da ferrovia. O juiz titular da 41ª Vara, Wilson do Nascimento Reis, já avisou que pode multar em R$ 10 mil o principal líder do MST, João Pedro Stedile, por desobedecer à determinação da liminar. "A decisão judicial não foi respeitada", reclamou a Vale, em nota. O MST, por sua vez, respondeu que há uma tentativa da empresa para criminalizar o movimento. "A interdição não foi feita por nós, e sim pelo Movimento dos Trabalhadores em Mineradoras (MTM). A Vale quer criminalizar o MST e desviar a atenção da sociedade para seus próprios problemas, inclusive trabalhistas", disse Batista.Na liminar, a juíza Patrícia Whately, da 41ª Vara Cível do Rio, reconheceu o direito de o movimento promover ações, desde que não sejam "atos violentos" ou interrompam a atividade da empresa. O MST e Stedile poderiam ser multados em R$ 5 mil por infração. Na ocasião, Stedile classificou a ação de "uma idiotice". A Justiça já avisou que só espera uma comunicação oficial da Vale - que, de acordo com a própria empresa, já foi enviada.

INTERDIÇÃO

A ferrovia de Carajás, em Parauapebas, ficou fechada durante oito horas por 1.300 manifestantes, o que chegou a impedir o teste do maior trem do mundo em São Luís. A interdição foi suspensa às 15 horas. Três horas depois do fechamento da ferrovia, a Polícia Militar paraense deslocou 450 homens do Comando de Missões Especiais com cães e bombas de efeito moral. O comandante da operação, tenente-coronel Mário Solano, recomendou cautela à tropa. Não houve enfrentamentos, mas duas pessoas foram presas depois que a ferrovia foi desocupada. Ainda durante a interdição, cerca de dez integrantes do MST, segundo o movimento, ficaram feridos depois que um trem da Vale carregado com minério de ferro não conseguiu parar e bateu em pedaços de madeira colocados nos trilhos, que acabaram atingindo militantes. A Vale negou que isso tenha ocorrido.

PREJUÍZO

A empresa paralisou o transporte do minério de ferro e dispensou do trabalho em Carajás seus 5 mil funcionários. O prejuízo com a paralisação dos trens, de acordo com um diretor da empresa, chega a R$ 22 milhões diariamente. O bloqueio foi o terceiro nos últimos cinco meses.

MOACIR ASSUNÇÃO, ALEXANDRE RODRIGUES, IRANY TEREZA e CARLOS MENDES e WILSON LIMA, ESPECIAIS PARA O ESTADO. 1804. Foto: capa do dia.

quinta-feira, abril 10, 2008

GOVERNO LULA [In:] "DAS KAPITAL"

Com alta recorde em 2007, lucro de empresas dobra na gestão Lula

O lucro somado das 257 empresas brasileiras de capital aberto (com negociação de ações em Bolsa de Valores) em 2007 teve o melhor desempenho desde o início do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O bom resultado fez com que o ganho dessas companhias dobrasse sobre o registrado no início da gestão do atual presidente brasileiro.
Segundo a consultoria Economática, em 2007, ano de vários recordes no mercado acionário brasileiro, o lucro somado das companhias abertas atingiu R$ 123,7 bilhões --crescimento de 20,16% sobre 2006 (R$ 102,9 bilhões). Ao longo dos cinco anos em que Lula está no Palácio do Planalto, a alta sobre o lucro total de 2003, que foi de R$ 61,643 bilhões, já atinge 100,76%. Mais uma vez os bancos se sobressaíram na divisão por setores, assim como já ocorreu nos últimos anos. O lucro das instituições financeiras foi o maior em 2007, com R$ 28,741 bilhões. Em seguida apareceram os setores de petróleo e gás (R$ 22,095 bilhões), mineração (R$ 20,006 bilhões), energia elétrica (R$ 14,491 bilhões), siderurgia e metalurgia (R$ 11,105 bilhões) e telecomunicações (R$ 6,904 bilhões). Apenas dois dos 22 setores analisados apontaram prejuízos no ano: têxtil e agro e pesca, com perdas de R$ 5 milhões cada. Só fazem parte da pesquisa da Economática as empresas que já possuíam capital aberto em 2003 e continuam ativas.
Vale e Petrobras
Se for desconsiderado na conta os lucros da Petrobras e Vale do Rio Doce, as maiores empresas brasileiras de capital aberto, o lucro somado em 2007 é de R$ 82,2 bilhões, montante 139,64% maior do que em 2003 (R$ 34,3 bilhões). Sozinhas, Petrobras e Vale possuem o equivalente a 50,2% do lucro obtido pelas demais 255 empresas brasileiras de capital aberto. A Petrobras fechou o ano de 2007 com um lucro líquido de R$ 21,512 bilhões --17% menor do que o registrado no ano anterior (R$ 25,919 bilhões). Já o lucro líquido da mineradora Vale atingiu R$ 20,006 bilhões em 2007, ficando 48,95% acima do registrado em 2006 (R$ 13,431 bilhões). Folha Online, 1004.

sexta-feira, março 14, 2008

VALE [DO RIO DOCE]. "... MANDANDO FERRO!"

Vale fica mais perto de comprar a Xstrata

A Vale, maior empresa privada do Brasil, está próxima de fechar o maior negócio de sua história, a compra da mineradora anglo-suíça Xstrata. O valor da transação pode chegar a US$ 90 bilhões -bem mais do que os US$ 17,5 bilhões pagos pela Vale pela canadense Inco, no final de 2006.
Segundo a Folha apurou, a mineradora brasileira estava ontem perto de concluir a negociação com a trading suíça Glencore, a maior acionista da Xstrata, com participação de 35%, e uma das maiores tradings do mundo. Executivos da mineradora, Mike Davis, e da trading, Ivan Glasenberg, vieram ao Brasil para fechar o negócio, numa última rodada de negociação com o presidente da Vale, Roger Agnelli -o brasileiro está impossibilitado de viajar, pois quebrou o pé. O último entrave ao negócio, que pode ser anunciado publicamente ainda hoje, segundo analistas ouvidos pela Folha, é o pleito da Glencore de manter o direito à comercialização que já possui da Xstrata. A Vale prefere cuidar ela própria da venda dos produtos. Tal barreira teria sido superada, com a Vale abrindo mão do direito de venda de parte da produção. Um acordo provável seria a Vale manter a comercialização de minério de ferro. A Glencore ficaria com o carvão, principal produto da Xstrata, e outros metais por um prazo de cinco anos. A questão do preço parece um problema superado, depois que a Vale aceitou melhorar sua oferta inicial de US$ 78 bilhões e ofereceu algo próximo a US$ 90 bilhões pela mineradora suíça. Procurada, a Vale informou apenas que não comentaria rumores de mercado. Rumo ao topo
A Xstrata é a quinta maior mineradora do mundo. A Vale ocupa a segunda posição, atrás da mineradora australiana BHP-Billiton. Passaria à primeira posição com o negócio e ganharia destaque na produção mundial de carvão e cobre, produtos nos quais tem uma participação modesta. Em sua estratégia de crescimento, a Vale, antes da negociação com a Xstrata, deu seu passo mais importante em outubro de 2006, quando adquiriu a canadense Inco. A empresa, grande produtora de níquel, permitiu a diversificação da Vale, maior produtora mundial de minério de ferro. Na época, a empresa comprou a mineradora apenas com recursos de terceiros, por meio de um empréstimo-ponte de um pool de bancos. Com a operação, o mercado passou a duvidar de sua capacidade de manter o grau de investimento por causa do alto endividamento e imaginava que a Vale levaria tempo para "digerir" a aquisição. Não foi isso o que aconteceu. A empresa levou adiante um bem-sucedido plano de refinanciamento da dívida, com prazos maiores e juros mais baixos -o endividamento caiu US$ 22,5 bilhões ao final de 2006 para US$ 19 bilhões em dezembro de 2007. A forte demanda global por commodities metálicas fortalece a Vale, que teve lucro recorde de R$ 20 bilhões em 2008. Agora, acredita-se que conseguirá o mesmo na provável aquisição da Xstrata. Para financiar o negócio, a Vale tem à disposição US$ 50 bilhões de um consórcio de bancos estrangeiros, que inclui o Santander e o HSBC. O restante será pago com ações preferenciais (sem direito a voto) da companhia, a fim de evitar sua desnacionalização, que poderia ocorrer caso fossem dadas ações ordinárias (votantes) como pagamento. O governo Lula havia manifestado resistências à aquisição da Xstrata pela Vale, temendo que o controle decisório da empresa se transferisse ao exterior, como ocorreu na fusão da AmBev com a Interbrew, criando a InBev, sediada na Bélgica. A Inco foi a primeira grande aquisição internacional da Vale. Privatizada em 1997, cresceu primeiro com uma série de aquisições no Brasil -Caemi, Ferteco, Samitri e Coimex- no começo da década. Mesmo assim, se manteve forte apenas em minério de ferro. Antes da Inco, o produto representava 75% de sua receita. O percentual baixou para 55% após a aquisição. GUILHERME BARROS; COLUNISTA DA FOLHA. PEDRO SOARES, DA SUCURSAL DO RIO. 1403.