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sexta-feira, março 15, 2013

INOVA EMPRESA: SETE EIXOS ESTRATÉGICOS

BRASIL ECONÔMICO15/03/2013
Energia e petróleo detêm 30% dos recursos do Inova

Dos R$ 32,9 bi anunciados para inovação tecnológica pelo governo, R$ 9,8 bi ficarão com os dois setores;

Edla Lula, de Brasília


Os setores de energia e de petróleo e gás ficarão com a maior parte dos investimentos em inovação, dentro do Plano Inova Empresa, lançado ontem pelo governo federal, com aporte total de R$ 32,9 bilhões para este e o próximo ano. Estão previstos para os dois setores R$ 9,8 bilhões. 

O plano contempla sete eixos considerados estratégicos pelo governo. 

No caso do setor de Energia serão destinados R$ 5,7 bilhões em projetos de criação de redes elétricas inteligentes; veículos híbridos e eficiência energética veicular; e tecnologias para gaseificação da biomassa. 

O setor de petróleo e gás receberá R$ 4,1 bilhões para pesquisa em tecnologias para a cadeia do pré-sal e para exploração do gás não convencional. Outro eixo estratégico é o da Agropecuária e Agroindústria, que terá R$ 3 bilhões para pesquisas em insumos, mecanização e agricultura de precisão; sanidade agropecuária; equipamentos e tecnologia de alimentos e embalagens.

Para o complexo da saúde estão previstos R$ 3,6 bilhões . Os valores serão aplicados em oncologia e biotecnologia, além de equipamentos médicos. O complexo aeroespacial e de defesa ficará com R$ 2,9 bilhões para investigações em propulsão espacial, satélites e sensores de comando e controle. Para o setor de tecnologia da informação e computação, o Inova Empresa destina R$ 2,1 bilhões, para financiar projetos que tratam de computação em nuvem, mobilidade e internet, softwares, semicondutores e display, banda larga e conteúdos digitais. Com o mesmo valor ficará o eixo de sustentabilidade sócio-ambiental, que irá destinar os recursos para o combate aos efeitos de mudanças climáticas, efeito estufa, tratamento de resíduos, águas e solos contaminados e redução do desmatamento da Amazônia.

Outra linha do plano destina R$ 5 bilhões às “ações transversais”, que, segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, “criam um sistema de inovação forte”. Deste total, R$ 1 bilhão ficarão com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial, a Embrapii, criada no âmbito do Inova Empresa. O restante irá para a criação de laboratórios, parques tecnológicos, incentivos às micro e pequenas empresas, entre outras ações. “O que estamos lançando hoje é algo inédito na história das políticas de Ciência e Tecnologia do país”, disse Raupp, na solenidade de lançamento do Inova Empresa. Segundo ele, o plano traz uma nova concepção para o financiamento da inovação no Brasil, em que todos os agentes monitoram e usam os vários instrumentos de apoio.

Segundo ele, os recursos estão sendo centralizados em um único órgão, o Comitê Gestor, composto por vários ministérios e representantes das empresas. Para a presidente Dilma Rousseff, a inovação é condição para aumentar a competitividade do país e, assim, elevar a taxa de investimento. “Qual é a taxa de investimento que nós queremos? 24%? 25%?”, indagou, para mais tarde responder que “inovar é inovar para aumentar a taxa de investimento do nosso país, assegurar que nós sejamos competitivos, e garantir que esse país seja uma nação desenvolvida de classe média”. Do total de R$ 32,9 bilhões, R$ 28,5 bilhões são investimentos diretos, por meio de subvenção, crédito, fomento para projetos e participação acionária em empresas de base tecnológica. Outros R$ 4,4 bilhões virão de instituições parceiras, como as agencias reguladoras e o Sebrae.
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quinta-feira, abril 29, 2010

BRASIL/MATRIZ ENERGÉTICA [In:] DE BEM COM A VIDA...

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Matriz energética limpa

Fontes renováveis já são 47,3% da matriz energética brasileira

Autor(es): Rafael Rosas, do Rio
Valor Econômico - 29/04/2010

A crise econômica, que reduziu o consumo de combustíveis fósseis, a duração do período chuvoso e a demanda por etanol fizeram as fontes renováveis ocuparem 47,3% da matriz energética do país, maior parcela desde 1992.

A crise financeira internacional, a duração do período chuvoso e o contínuo crescimento da demanda por etanol contribuíram para que a participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira atingisse 47,3% do total no ano passado, o maior percentual desde os 47,6% de 1992. A expectativa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é que o percentual se mantenha em 2010, uma vez que o uso de termelétricas a gás, óleo combustível e diesel continuará baixo e o etanol deverá aumentar gradativamente sua participação na matriz.

O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, ressaltou que a queda da fatia dos combustíveis fósseis foi puxada pela redução de 19,4% na oferta de carvão mineral e derivados, um reflexo direto do impacto da crise financeira sobre o setor de siderurgia. As chuvas abundantes e o consequente nível elevado dos reservatórios das hidrelétricas levaram a uma queda de 17,7% na oferta de gás natural, enquanto a oferta de energia hidráulica e eletricidade subiu 5,2% e os produtos de cana-de-açúcar avançaram 2,8%.

"A despeito da retomada da siderurgia em 2010, a fatia de renováveis na matriz energética não deve ter grande alteração, já que o período de chuvas está bom, além do crescimento da produção de etanol", frisou Tolmasquim, que apresentou os resultados preliminares do Balanço Energético Nacional 2010.

A oferta de energia geral no Brasil caiu 3,4% no ano passado, para 243,9 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (TEP), enquanto a oferta de energia renovável caiu apenas 0,6%, para 115,3 milhões de TEP.

Tolmasquim ressaltou ainda que o bom regime de chuvas contribuiu para que a energia hidráulica respondesse por 15,3% da matriz nacional e por 90,6% da geração de eletricidade no país no ano passado. De acordo com o executivo, a expectativa é que nos próximos dez anos as térmicas a óleo combustível gerem 7% da capacidade, enquanto as térmicas a gás produzirão 26% e as usinas a óleo diesel apenas 1%.

Outra característica do consumo de energia no ano passado foi o efeito gerado pelo crescimento da renda, que elevou o consumo elétrico residencial mensal per capita para 43,8 kWh, 4,3% acima dos 42 kWh de 2009.

No segmento automotivo, esse aumento da renda significou o crescimento de 3,6% do consumo combinado de etanol e gasolina em relação ao ano anterior, reflexo direto dos bons resultados das vendas de automóveis no país.

"O avanço aconteceu principalmente no etanol, já que 93% dos carros novos vendidos no país são flex fuel e os consumidores têm preferido abastecer com álcool", disse Tolmasquim.

A EPE chamou a atenção ainda para a manutenção da autossuficiência brasileira no setor de óleo e gás. As exportações de petróleo no ano passado atingiram 525,6 mil barris por dia, 21,3% acima dos 433,1 mil barris diários de 2008 e 40,16% acima dos 375 mil barris diários importados.

Tolmasquim evitou adiantar números, mas destacou que o próximo Plano Decenal mostrará a tendência de que o país se torne um relevante exportador de petróleo e derivados nos próximos anos.

terça-feira, novembro 17, 2009

BRASIL/ENERGIA: ENERGIA LIMPA?

A energia da cana pode fortalecer o sistema elétrico

Autor(es): Marcos Sawaya Jank
Valor Econômico - 17/11/2009

No planejamento do setor elétrico, a bioeletricidade da cana deve ser vista como importante fonte de geração

A Copa do Mundo de futebol em 2014, a Olimpíada em 2016 e o crescimento do país acima da média mundial nos próximos anos são eventos que exigirão mais planejamento e um modelo de produção de energia elétrica suficiente para garantir qualidade de abastecimento frente à crescente demanda. Um modelo que, mesmo diante de ocorrências imponderáveis como o último apagão, ocorrido na semana passada, seja capaz de minimizar seus efeitos.

No Brasil, as últimas décadas têm sido marcadas pela "geração centralizada" de energia elétrica a partir da construção de grandes centrais hidrelétricas distantes dos principais centros de consumo, o que demanda pesados investimentos em expansão dos sistemas de transmissão de energia. O apagão da semana passada decorreu de falhas precisamente em um dos grandes "linhões" de Itaipu.

Ocorre que vários países têm buscado diversificar a sua matriz elétrica e reduzir riscos de blecautes por meio da "geração distribuída", próxima aos centros de consumo, dando preferência às energias renováveis, com baixa emissão de gases de efeito estufa. Um bom exemplo foi a Olimpíada de Pequim de 2008, garantida por centrais de geração distribuída, que conferiram maior credibilidade ao sistema no que tange à continuidade de fornecimento de eletricidade.

O Brasil conta com 434 usinas sucroalcooleiras, todas elas autosuficientes em energia graças à produção de vapor por meio da queima de bagaço de cana em caldeiras. Porém, somente 20% das usinas (88 unidades) comercializam os seus excedentes de energia elétrica no mercado, sendo 54 centrais de cogeração exportando energia elétrica para a rede dentro do estado de São Paulo (61% do total) e 34 centrais em outros 11 estados brasileiros.

Trata-se de uma fonte típica de geração descentralizada, instalada ao lado do principal centro de consumo de eletricidade do país, que têm correspondido adequadamente às crescentes exigências de confiabilidade do sistema elétrico brasileiro. Além disso, a bioeletricidade é uma fonte de energia renovável com características altamente complementares à fonte hídrica (a produção ocorre no período de seca para o sistema elétrico, de abril a novembro no Centro-Sul), fruto de projetos baseados em tecnologia nacional e realizados com prazos reduzidos de instalação e operação. Isso sem contar que a bioeletricidade apresenta nítidas vantagens ambientais, pois seu nível de emissões é praticamente nulo em comparação com as demais fontes termelétricas convencionais, como o carvão mineral, o óleo combustível e o gás natural.

A reserva potencial de bioeletricidade adormecida nos canaviais brasileiros é imensa. Estima-se que, se conseguíssemos aproveitar plenamente toda a biomassa de cana disponível no país, seria possível exportar para a rede elétrica um volume de energia da ordem de 10.000 MW médios até a safra 2017-18, o que equivale a uma usina do porte de Itaipu. Somente no estado de São Paulo, a reserva de cana permitiria exportar 4.800 MW médios para a rede em 2017-18, valor 20% superior ao hoje gerado em todo o complexo da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

A bioeletricidade da cana deveria ser considerada de forma expressa e definitiva no planejamento do setor elétrico, como importante fonte de geração distribuída para tornar o sistema menos vulnerável ou dependente de grandes obras estruturantes de geração e de transmissão, reduzindo os riscos de blecaute ao facilitar o restabelecimento e a estabilização do sistema. Ao mesmo tempo, ela certamente ajudará a cumprir os ambiciosos compromissos de redução de gases de efeito estufa que os governos Federal e Estadual estarão levando para Copenhague este ano.

Porém, a tarefa de extrair essa imensa reserva de energia elétrica dos canaviais brasileiros não depende apenas da boa vontade dos empresários do setor. É preciso uma programação regular de leilões específicos para essa fonte, se possível começando já no princípio de 2010, e com especial atenção para projetos de modernização de instalações de usinas mais antigas (chamadas de retrofits), principalmente no Estado de São Paulo.

Além disso, é fundamental encontrar soluções definitivas para os graves problemas de conexão que têm dificultado a decisão de investimento por parte dos empreendedores.

Inspirando-se em Harry Markowitz, ganhador do prêmio Nobel de economia em 1990, pode-se afirmar que um planejamento de leilões de energia focados na diversificação das fontes de suprimento é o mecanismo mais apropriado para que riscos de falta ou falhas no suprimento de energia sejam diluídos de forma consistente. As grandes obras de geração hidrelétrica e transmissão são importantes, mas seria desejável ao mesmo tempo aprofundar a diversificação na direção da geração descentralizada, de pequeno e médio porte, com balanço ambiental positivo e próximo aos grandes centros consumidores.

quarta-feira, novembro 07, 2007

BRASIL/ENERGIA: GÁS vs 'DIESEL'

Planalto quer estocar gás e usar mais diesel em usinas

Reunidas na noite de anteontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as principais autoridades do setor energético repetiram o discurso de que não há risco de "apagão" devido à escassez de gás. Mas reconheceram que, para evitá-lo, será preciso estocar o material e utilizar mais diesel --que, além de mais caro, é mais poluente.
Segundo assessores, foram discutidas alternativas para minimizar problemas de abastecimento na próxima estação de seca. Uma delas seria acelerar o processo para que todas as usinas termelétricas possam funcionar tanto a diesel quanto a gás. Outra seria o país estocar mais gás, importando-o de países como Angola e Marrocos. É o que informa reportagem publicada na edição de hoje da Folha (só para assinantes). A reunião foi convocada depois que, na semana passada, a Petrobras restringiu o volume de gás entregue a distribuidoras de Rio e São Paulo --gerando o temor de escassez de energia. O governo repete à imprensa seu discurso otimista. Culpa governos passados pela falta de investimentos em usinas e diz que há um "processo de retomada". Mas, desde o início do primeiro mandato de Lula, em 2003, a maior parte da energia elétrica contratada em leilões veio de usinas que já existiam.
Folha Online. 0711.

sexta-feira, maio 11, 2007

ENERGIA & MEIO AMBIENTE: RECUPERANDO HIDRELÉTRICAS INSTALADAS - Conclusão

ENTREVISTA CÉLIO BERMANN
Alternativa econômica a novas hidrelétricas, repotenciação tem prazo
Recuperar equipamentos desgastados de usinas com mais de 20 anos pode adicionar 8 mil megawatts ao estoque de energia gerada hoje, o que atenderia grande parte dos 12,3 mil MW exigidos pelo PAC. É mais barato e menos impactante que novas hidrelétricas. Mas se o país optasse por essa alternativa, teria de implementá-la já.

Planejamento necessário: A repotenciação tem que ser planejada. Nós temos hoje, não por muito tempo, mas temos ainda, uma folga no sistema de geração elétrica, cuja capacidade é maior do que a demanda. O que temos concretamente é que várias termoelétricas a gás não estão despachando para o sistema nacional. Aqui em São Paulo, por exemplo, temos uma termoelétrica da Petrobrás de grande porte, a Piratininga, parada. Não está vendendo energia porque não está precisando. Mas tem várias outras paradas. No Rio de Janeiro são duas. Isso mostra que temos uma margem de manobra, uma folga, que pode não existir daqui a dois anos. Então, o momento para fazer a repotenciação é agora. É uma intervenção que não pode acontecer no limite da demanda.Essa retirada de usinas para o trabalho de repotenciação tem que ser planejada. Hoje temos 157 usinas hidrelétricas gerando energia. Destas, cerca de 70 tem mais de 20 anos. 87 vão continuar operando normalmente. Esse planejamento deve envolver diversos órgãos que atuam no Sistema Elétrico Nacional, como o ONS (Operador Nacional do Sistema), a Aneel e a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), levando em consideração que os trabalhos de repotenciação duram em média quatro a seis meses. Trata-se de um período de tempo que a usina ficará indisponível, e sem planejamento, o sistema pode ficar comprometido. Por que o governo não adotou a repotenciação como alternativa de geração energética? Essa pergunta deve ser feita ao governo. Mas eu tenho uma hipótese. A questão não é técnica, é política. É corriqueiro dizermos que prefeito algum gosta de investir em saneamento, porque a canalização do esgoto está escondida debaixo da terra, ninguém vê. Essa é uma cultura do país, o governante politicamente busca obras com grande visibilidade, novas obras, não melhoria daquelas que já existem. Mas diante das demandas do PAC, e do ponto de vista econômico, a repotenciação é de fato uma opção. Por exemplo: o tempo de retorno de investimento na repotenciação é de cinco anos, quando o tempo de retorno de uma usina nova é de no mínimo 20. Na repotenciação, além do custo de investimento menor, o tempo de amortização também é menor. Sob o ponto de vista da lógica econômico-financeira, a repotenciação é uma bela saída para reduzir a demanda por novas usinas de geração de energia. Ela não vai resolver, mas a gente está falando de 8 mil megawatts numa demanda de 12,3 mil MW previstos no PAC.A outra alternativa, para atingir a meta do PAC, seria reduzir a perda técnica da transmissão. A perda hoje no sistema elétrico, desde a geração até a tomada do consumidor final, é de 15%. Se a gente reduzisse isso em 5%, já chegaríamos às metas do PAC. Mas sobre as hidrelétricas, falemos do Madeira. O projeto está parado não apenas por uma questão ambiental. É uma obra cara, e Furnas, que é uma empresa pública, não tem capacidade de aportar os recursos. A empresa Norberto Odebrecht que faz parte do consórcio, não deverá aportar mais do que 10% do total do investimento necessário previsto. A experiência recente da Parceria Público-Privada no nosso país tem demonstrado que os investimentos dependem, fundamentalmente, do aporte de recursos públicos. Numa situação destas, outros investidores privados ficam receosos. Porque além do custo da usina existem as dificuldades de instalação das linhas de transmissão. O custo de trazer a energia da região amazônica para o consumidor do Centro-sul é muito superior. Os custos das linhas de transmissão precisam ser adicionados ao da geração da energia elétrica. E também os impactos ambientais da construção destas linhas. Se acrescermos ao valor da construção de uma hidrelétrica todos os custos de um adequado gerenciamento sócio-ambiental – cuidado com os reservatórios para que não ocorra assoreamento, as indenizações às populações deslocadas, etc –, se começarmos a pensar nisso, o custo da energia, que já é alto, vai ser maior ainda. Na minha opinião, está se criando uma situação de histeria em torno das hidrelétricas, dizendo que é a única forma de geração de energia, senão teremos que apelar para a nuclear ou o carvão, o que já coloca a opinião publica numa situação de desconforto muito grande, sem que seja resolvida a questão ambiental. Não só o governo, mas a sociedade como um todo, terá que enfrentar o fato de que a hidroeletricidade da forma que nós a vivenciamos até agora, não existe mais. Não existe mais a energia elétrica a partir da água que seja barata e limpa. O custo da hidroeletricidade poderá ser comparada em breve ao da energia elétrica obtida a partir da queima de combustível fóssil ou termoelétrica, em função da obrigatoriedade de um correto manejo sócio-ambiental.A questão da energia barata é cada vez mais inviável. Por isso temos que pensar de forma mais efetiva em melhoria de eficiência e readequar o padrão de consumo. O governo precisa parar com essa histeria e voltar sua atenção para a necessidade de colocar para a sociedade este debate. A sociedade, quanto melhor informada estiver dos problemas e dos procedimentos necessários para reduzí-los, poderá participar de forma mais ativa na superação destes problemas. Verena Glass - Carta Maior

ENERGIA & MEIO AMBIENTE: RECUPERANDO HIDRELÉTRICAS INSTALADAS - 1a. parte

ENTREVISTA CÉLIO BERMANN
Alternativa econômica a novas hidrelétricas, repotenciação tem prazo.
Recuperar equipamentos desgastados de usinas com mais de 20 anos pode adicionar 8 mil megawatts ao estoque de energia gerada hoje, o que atenderia grande parte dos 12,3 mil MW exigidos pelo PAC. É mais barato e menos impactante que novas hidrelétricas. Mas se o país optasse por essa alternativa, teria de implementá-la já.

SÃO PAULO - Não é nova a tese de que uma boa revisão nas hidrelétricas com mais de 20 anos poderia gerar grande parte da demanda estimada de energia elétrica para o futuro próximo. Ainda em 2004, o professor de pós-graduação em Energia do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, Célio Bermann, coordenou um extenso estudo sobre a chamada repotenciação de usinas hidrelétricas e sugeriu que, sem a construção de uma única nova unidade, o estoque atual de energia poderia ter um acréscimo de 8 mil megawatts, se 70 das 157 hidrelétricas de grande porte do país fossem repotenciadas. Com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo passou a insistir na urgência de possibilitar a oferta de 12,3 mil megawatts adicionais à eletricidade gerada atualmente através de novas grandes obras, como as hidrelétricas do rio Madeira (RO) e Belo Monte (PA), e a usina atômica de Angra 3. A que custo?, questiona Bermann. Segundo o pesquisador, as usinas do Madeira são um exemplo do risco econômico em que se transformaram as hidrelétricas na Amazônia. Além dos mais de 25 bilhões previstos na construção das usinas, há que se adicionar ainda o custo das linhas de transmissão que levariam a energia do coração da floresta ao consumidor do Centro-sul. Além do custo do manejo socioambiental do projeto, já que o desastre ambiental e o genocídio social causados por usinas como Samuel (RO), Balbina (AM) e Tucuruí (PA) não são mais pensáveis. Evitar, atender e gerenciar passivos socioambientais é um elemento novo e caro neste negócio. Por outro lado, segundo Bermann não só é menos impactante e muito mais barato trocar turbinas e geradores de velhas usinas, como também o retorno do investimento na repotenciação se dá em no máximo cinco anos (sendo que este prazo, para novas hidrelétricas, é de 20 anos). Apesar de ter manifestado algum interesse no tema em 2004 e durante a elaboração do Plano de Governo do PT na campanha de 2006, o governo nunca incluiu a repotenciação como uma opção real no seu projeto energético. Internamente, se comenta, à boca pequena, que esta alternativa foi folclorizada e jamais considerada seriamente. Agora, se a repotenciação for efetivamente incorporada nos planos de geração de energia do país, há pressa. Ainda existe uma folga, uma sobra de energia que permitiria um processo planejado de retirada do mercado de certo número de usinas para que sejam realizados os trabalhos de repotenciação. Mas o tempo está se esgotando, alerta Bermann. Leia a seguir os principais trechos de sua entrevista à Carta Maior.RepotenciaçãoQuando fazemos o trabalho de repotenciação de uma hidrelétrica, avaliamos o quanto uma usina gera em função da disponibilidade hídrica e de suas condições de operação, e sugerimos modificações no isolamento dos diversos componentes, ou a troca dos equipamentos. Turbinas, gerador, rotor, são equipamentos que podem ser substituídos, e o custo é substancialmente inferior ao da construção de uma nova usina (que, além destes equipamentos, tem que incorporar também os custos com as obras civis. O que é relevante entender: a usina mais antiga não está quebrada nem precisa ser desativada. Ela simplesmente perdeu eficiência na geração de energia elétrica, por uma série de razões. Com uma repotenciação pesada, onde se troca o conjunto de turbinas e geradores, é possível teóricamente alcançar um ganho de cerca de 23% na sua capacidade de geração. O nosso estudo de avaliação do potencial de repotenciação é uma avaliação teórica. Ele precisa ser detalhado com base em evidencias concretas, em estudos caso a caso. No Brasil, já tivemos vários trabalhos neste sentido, cujos resultados foram utilizados como base da avaliação do potencial de repotencição das usinas hidrelétricas com mais de 20 anos - cerca de 70 estão atualmente nessa situação. Em 20 anos, a perda mínima da capacidade geradora de uma hidrelétrica é de 3% em função da deterioração do equipamento, mas pode chegar a 25%. Se considerada a repotenciação das 70 usinas mencionadas, temos a possibilidade concreta de um acréscimo de 8 mil megawatts à geração atual de energia. Isso corresponderia a um aumento de 8% da atual capacidade instalada de energia, sem a construção de uma nova usina. Um grande obstáculo à repotenciação é que a legislação atual não permite que uma usina possa paralisar a produção de energia. As usinas são obrigadas pela legislação a garantir energia em conformidade ao montante estabelecido no contrato de concessão. Uma usina que, por alguma razão, para de entregar para o sistema a quantidade de energia assegurada é penalizada. Isso desestimula as empresas geradoras a fazer a repotenciação. Por isso, é necessário modificar a legislação, criando normas que permitam este processo. Verena Glass - Carta Maior

terça-feira, fevereiro 20, 2007

EUA vs IRÃ: PETRÓLEO vs URÂNIO...


BBC revela suposto plano de ataque dos EUA ao Irã:

Os planos de contingência dos Estados Unidos para bombardear o Irã vão além de áreas nucleares conhecidas e incluem incursões aéreas na maior parte da infra-estrutura militar iraniana, afirmaram fontes diplomáticas à BBC. Caso fosse ordenado, o suposto ataque americano teria como objetivo bases aéreas e navais iranianas, instalações de mísseis e centros de comando e controle. Os Estados Unidos insistem que não estão planejando um ataque contra o Irã e que estão tentando persuadir Teerã a pôr fim ao seu programa de enriquecimento de urânio. A Organização das Nações Unidas (ONU) já determinou que, caso o Irã não suspenda o programa até 21 de fevereiro, irá enfrentar sanções econômicas. No entanto, fontes diplomáticas ouvidas pela BBC disseram que, caso os esforços diplomáticos não tenham sucesso, altos oficiais do Comando Central americano na Flórida já escolheram seus alvos em território iraniano em um plano alternativo. Essa lista inclui a usina de enriquecimento de urânio em Natanz, além de unidades em Isfahan, Arak e Bushehr. (Fonte: BBC Brasil, Folha Online).