PENSAR "GRANDE":

***************************************************
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************


“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

----

''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

=========
# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
1Radio 1455824919 nhm...

valor ...ria...nine

folha gmail df1lkrha

***

Mostrando postagens com marcador cpi dos bingos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cpi dos bingos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, dezembro 11, 2012

MENSALÃO: QUANTO MAIS MEXE (2)


Mensalao

Depoimento de Marcos Valério relata ameaças de morte

'Ou você se comporta, ou morre', teria dito Paulo Okamotto em 2005; hoje diretor do Instituto Lula, ele não comentou acusação do empresário

11 de dezembro de 2012 | 2h 04


Felipe Recondo, Alana Rizzo e Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA - Visto como um potencial homem-bomba pelo PT por saber como foi montado passo a passo o mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza disse ter sido ameaçado de morte por Paulo Okamotto, atual diretor do Instituto Lula e amigo do ex-presidente. Se abrisse a boca, morreria, disse o empresário no depoimento à Procuradoria-Geral da República.
Ameaças teriam sido feitas por Paulo Okamoto, segundo Valério - Epitácio Pessoa/AE
Epitácio Pessoa/AE
Ameaças teriam sido feitas por Paulo Okamoto, segundo Valério
"Tem gente no PT que acha que a gente devia matar você", teria dito Okamotto a Valério, conforme as duas últimas das 13 páginas do depoimento prestado no dia 24 de setembro pelo operador do mensalão ao Ministério Público Federal. "Ou você se comporta, ou você morre", teria completado Okamotto. Valério disse à subprocuradora da República Cláudia Sampaio e à procuradora Raquel Branquinho que foi "literalmente ameaçado por Okamotto". Procurado, o diretor do Instituto Lula não comentou o caso ontem.
Valério relatou que Okamotto o procurou pela primeira vez em 2005, dias depois da entrevista concedida pelo então presidente do PTB, Roberto Jefferson, em que o escândalo do mensalão era revelado. Okamotto disse, segundo Valério, que o procurava por ordem do então presidente Lula.
Os dois teriam se encontrado primeiro na casa de Eliane Cedrola. Segundo Valério, uma diretora da empresa de Okamotto. O emissário de Lula teria pedido que Valério permanecesse em silêncio e não contasse o que sabia.
Da segunda vez, o encontro ocorreu na Academia de Tênis em Brasília, onde Okamotto se hospedava, conforme Valério. Foi nessa segunda conversa, cuja data não é mencionada, em que as ameaças expressas teriam sido feitas.
Okamotto teria dito que os dois precisavam se entender, caso contrário, Valério sofreria as consequências. Nos vários depoimentos que prestou à Polícia Federal e ao Ministério Público ao longo da tramitação do processo do mensalão, Valério manteve segredo sobre essas ameaças e sobre os detalhes do esquema.
Insinuou várias vezes, porém, que tinha mais informações a dar. Procurou o Ministério Público para tentar "negociar" uma redução de pena e sua inclusão no programa de proteção à testemunha. Um fax chegou a ser enviado por seu advogado aos ministros do Supremo.
Sem proteção. 
Depois que o Estado revelou, em 1.º de novembro, a existência do novo depoimento de Valério, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que o operador do mensalão não chegou a pedir proteção à sua vida. "A notícia que me foi transmitida foi de que não havia nada que justificasse uma providência imediata", disse Gurgel em novembro. "Agora, se ele viesse a fazer novas revelações, esse risco poderia se consubstanciar." Gurgel chegou a classificar Valério como um "jogador".
Okamotto foi alvo da oposição durante as investigações do esquema do mensalão no Congresso Nacional. Na época, ele presidia o Sebrae e entrou na lista de investigados por ter pago uma dívida de R$ 29.436,26 contraída por Lula em empréstimo feito junto ao PT. Passou a ser classificado como um tesoureiro informal do presidente.
A oposição investigava se o dinheiro do fundo partidário do PT foi usado por Lula para pagar despesas pessoais. Okamotto disse que os empréstimos serviram para cobrir despesas feitas por Lula com viagens e diárias ao exterior em 2001. À CPI dos Bingos, em 2005, Okamotto não explicou por que assumiu a dívida de Lula.
A CPI aprovou na época a quebra de sigilo de Okamotto. Mas uma liminar concedida pelo então presidente do Supremo, Nelson Jobim, impediu que dos dados bancários, fiscais e telefônicos de Okamotto fossem investigados. A CPI dos Bingos foi encerrada nove meses depois de concedida a limitar sem que as informações fossem avaliadas.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Instituto Lula no início da tarde de ontem. A assessoria do instituto, no entanto, informou que Lula e Okamotto não "quiseram comentar o depoimento".
Posteriormente, a assessoria informou que Okamotto responderá às acusações "quando souber o teor do documento". Por enquanto, acrescentou a assessoria do instituto, Okamotto não se considera suficientemente informado para se pronunciar.
-----------------

quinta-feira, julho 26, 2012

''VOCÊ É LUZ, É RAIO ESTRELA E LUAR..."



Cachoeira ignora Justiça e faz juras de amor à mulher

O deboche de Cachoeira


Autor(es): Josie Jeronimo
Correio Braziliense - 26/07/2012
 

Bicheiro rompe o silêncio, mas, em vez de rebater a acusação de que comanda a quadrilha responsável pela exploração de jogos ilegais em Goiás, faz declaração de amor à mulher
Goiânia — O bicheiro Carlinhos Cachoeira resumiu em 13 minutos as explicações que deveria dar para rebater acusações do processo que responde na 11ª Vara Federal em Goiânia. Mas, em vez de responder às indagações do juiz Alderico Rocha Santos, o contraventor se denominou um "leproso jurídico", fez declarações de amor à mulher, Andressa Mendonça, disparou provocações aos procuradores da República Léa Batista e Daniel Resende Salgado e aproveitou a sessão para fazer um agradecimento público aos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) Tourinho Neto e Adilson Macabu. "Eu virei um leproso jurídico. Quem me deu voto favorável até agora foram só os desembargadores Tourinho e Macabu, que inclusive chamaram os outros de justiceiros. Mas um dia tudo vai ser esclarecido e eles vão saber quem eu sou."
Cachoeira respondeu às perguntas de qualificação do juiz, alegou que sua profissão é "empresário" e que já foi "processado" no episódio "Waldomiro Diniz", em referência ao ex-assessor especial da Casa Civil flagrado em vídeo de esquema de corrupção pelo próprio bicheiro, que deu origem à CPI dos Bingos, em 2005. Em tom de ironia, ele afirmou ainda que não sabe qual é o seu atual endereço. "Pergunta para ela, nos mudamos e eu estou segregado há cinco meses", disse, apontando para Andressa.
Sobre as investigações da Operação Monte Carlo, ele não aceitou falar nada. "Eu gostaria de fazer um bom debate com o Ministério Público, mas devido às falhas processuais, é melhor não falar nada, eu resolvi não falar nada", disse. Ainda no clima de euforia, que surpreendeu os presentes na audiência —até então as notícias davam conta de um Cachoeira deprimido —, o bicheiro, ao responder sobre seu estado civil, disse que a pergunta era "difícil", pois só estava esperando o Ministério Público o liberar para se casar com Andressa Mendonça. "Vou falar, porque o sofrimento é muito grande: ela me deu nova vida. Eu te amo", declarou, olhando para a mulher, que acompanhou a audiência.
Irritados com a atitude de Cachoeira ao longo da audiência, os procuradores desistiram de fazer perguntas ao bicheiro. Após a sessão, não quiseram comentar o comportamento do contraventor.
Um agente da Polícia Federal que atuou na transferência de Cachoeira de Brasília a Goiânia informou ao Correio que, após passar por consulta médica para avaliar seu quadro psicológico, o contraventor tomou remédios contra a depressão. O efeito de uma "pílula da felicidade", como disse o agente, referindo-se a um tipo popular de antidepressivo, pode ter causado a "espontaneidade" do bicheiro durante o depoimento, na avaliação do policial.
Os advogados de defesa de Cachoeira e dos outros sete réus usaram estratégias variadas para evitar o depoimento do bicheiro ontem. A preocupação não era o conteúdo das declarações de Cachoeira — que apelou ao direito de não se autoincriminar —, mas a possível celeridade que o processo ganha ao fim das audiências de instrução, com a conclusão do interrogatório dos réus.
Depois que todas as testemunhas de acusação e de defesa foram ouvidas, os advogados apresentaram requerimento arrolando o delegado Raul Alexandre Marques, responsável pela Operação Vegas, e o agente Márcio Azevedo, que monitorou Cachoeira na Operação Monte Carlo, para serem ouvidos antes do interrogatório dos réus. A ideia era tentar desqualificar as provas colhidas durante as investigações da Operação Monte Carlo. O juiz Alderico Rocha Santos, no entanto, indeferiu os pedidos e deu continuidade às oitivas.
A audiência também teve momentos tensos. Douglas Messoura, advogado de Gleyb Ferreira da Cruz — suposto braço direito do esquema liderado por Cachoeira —, discutiu com o procurador Daniel Resende Salgado. O procurador interrompeu a fala de uma testemunha e foi criticado pelo advogado. Irritado, Salgado rebateu: "Eu sou o fiscal da lei". Messoura subiu o tom e respondeu o procurador. "Eu sou o defensor, e qual é a diferença entre nós dois? Se o senhor é o fiscal da lei, em quê o senhor é mais do que eu?", questionou. "Eu não estou dizendo que sou mais do que o senhor", rebateu Salgado. "O senhor colocou palavras na boca da testemunha. Coloque-se em seu lugar", continuou o advogado. "Quem tem que se colocar em seu lugar é vossa excelência", finalizou o procurador.
O choro de Gleyb
Minutos antes do depoimento de Carlinhos Cachoeira, o juiz Alderico Rocha Santos ouviu o desabafo de um dos principais operadores do bicheiro, Gleyb Ferreira da Cruz, que chorou durante a explanação ao magistrado. Ele também se recusou a responder a perguntas relacionadas às investigações da Operação Monte Carlo, mas utilizou o tempo à frente do juiz para confrontar o magistrado e os representantes do Ministério Público presentes na sessão. "Eu até queria colaborar, juiz, mas vendo o que ocorre desde o início, não acho que o Ministério Público queira esclarecer a verdade. É um ato de condenação."
Gleyb reclamou que foi preso em casa e que os policiais relataram que ele possuía armamento, informação supostamente inverídica. Apesar de ter sido flagrado em dezenas de escutas telefônicas fechando negócios em nome de Cachoeira, Gleyb disse que está sendo julgado por ter amizade com uma "pessoa pública", disse, referindo–se ao bicheiro. "Eu poderia ter uma amizade com o senhor em um bar, mas minha amizade me imputou essa prisão."
Apontado como principal operador de Cachoeira, Gleyb reclamou ainda que a mulher está sendo constrangida ao visitá-lo na prisão. "Ter a humilhação da minha família, conviver com marginais, estupradores, traficantes, isso não é cabível. Tudo que eles (os advogados de defesa) pediram aqui, nada foi acatado pelo senhor. Eu não tenho no que acreditar. Meu dia tem sido pensar se vale a pena viver ou não. Minha esposa, quando vai me visitar, tem que passar por humilhação. Sei que não é relevante nada do que estou falando, mas é só um desabafo." Em vez de censurar o réu pelo tom agressivo usado durante o depoimento, o juiz Alderico Rocha Santos encerrou a oitiva, oferecendo água a Gleyb.

terça-feira, julho 10, 2012

SEM ''DATASHOW''




Cassação: STF proíbe divulgar voto em painel

Abrir o voto, sim, mas não no painel


Autor(es): agência o globo:Fernanda Krakovics
O Globo - 10/07/2012
 
Senadores vão declarar em plenário posição no processo de cassação de Demóstenes

BRASÍLIA. Com a decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) proibindo a exibição do voto, em plenário, sobre o pedido de cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), senadores pretendem apenas anunciar como votaram, sem mostrar o registro no painel eletrônico do Senado. A votação está marcada para amanhã e será secreta.
O ministro Celso de Mello, do STF, negou, liminarmente, na última sexta-feira, pedido do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) para que a Mesa do Senado adotasse providências para tornar abertos seus votos. Para o ministro, como a Constituição estabelece o voto secreto em caso de cassação de mandato, essa regra só pode ser modificada com a aprovação de uma Proposta de Emenda Constitucional, o que já ocorreu no Senado, na semana passada. Para entrar em vigor, a matéria precisa ser aprovada também pela Câmara.
- O voto é secreto, mas o direito do parlamentar de se manifestar é inviolável - afirmou Ferraço, que pretende votar pela cassação.
Alguns senadores estão cautelosos, temendo eventual anulação do voto. O advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse, no entanto, que não pretende recorrer à Justiça para tentar invalidar o voto de quem declarar sua posição.
- A Constituição garante a liberdade de expressão, mas, por cautela, acho que não cabe manifestação na hora do voto - opinou o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-ES), que também é favorável à cassação de Demóstenes.
Para o presidente e líder do DEM, senador José Agripino (RN), a declaração de voto abre brecha para Demóstenes pedir anulação da votação no STF:
- Quando o senador declarar o voto, estará dando ao acusado o direito de contestar o resultado pela violação da Constituição.
Na tentativa de salvar seu mandato, Demóstenes afirmou ontem, em novo discurso, que nenhuma das acusações contra ele configura quebra de decoro parlamentar. Mesmo assim, ele negou ter mentido ao afirmar que sua relação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira era apenas de amizade, e não de negócios; e disse que a cozinha importada e o rádio Nextel que ganhou do contraventor não se caracterizam como vantagem indevida.
- E a verdade é que não quebrei o decoro parlamentar, não cometi ilegalidades, não menti em discurso no plenário do Senado, não percebi vantagem indevida, não pratiquei irregularidades, não me envolvi em qualquer crime ou contravenção, não conhecia as atividades de Carlinhos Cachoeira investigadas pela Operação Monte Carlo - argumentou Demóstenes.
O senador goiano afirmou ontem que mentir não é quebra de decoro. Segundo ele, esse precedente foi estabelecido, de maneira informal, na cassação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF).
- Se o parlamentar mentir, é um problema dele com sua consciência e sua audiência, não com o decoro. Aliás, nada do que o parlamentar diz da tribuna pode ser quebra de decoro. Criou-se esse mito por causa do precedente utilizado para cassar um senador no ano 2000. A diferença é que eu não menti - afirmou Demóstenes.

BODEMO



Demóstenes, a ser julgado amanhã, defende mentiras

O decoro segundo Demóstenes


Autor(es): JOÃO VALADARES
Correio Braziliense - 10/07/2012
 

Senador defende que não feriu os princípios parlamentares ao negar a relação próxima com o bicheiro Carlos Cachoeira. STF decide que cassação será por voto fechado
O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), acusado de colocar o mandato parlamentar a serviço do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, segue o seu calvário. Na tarde de ontem, durante o sexto discurso que fez na tribuna do Senado Federal desde a semana passada, ele defendeu que não quebrou o decoro ao negar a relação com Cachoeira, ao falar da tribuna aos senadores em 6 de março — interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo evidenciaram posteriormente que o parlamentar era o braço político de Cachoeira no Congresso Nacional. "Se o parlamentar mentir, é um problema dele com sua consciência e sua audiência, não com o decoro. Aliás, nada do que o parlamentar diz da tribuna pode ser quebra de decoro", disse Demóstenes.
Embora não tenha convencido seus pares com a fala, o senador pôde comemorar uma vitória importante: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Melo negou pedido do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) para que o parlamentares pudessem externar o posicionamento no momento da votação do pedido de perda do mandato, que ocorre amanhã, no plenário do Senado. De acordo com a decisão, o sigilo do voto é imposto pela Constituição.
Falando mais uma vez para poucos colegas, o senador goiano proferiu um discurso genérico. Mais do mesmo. Repetiu que é vítima de um massacre da imprensa, que as provas são ilegais e fez um alerta: "O Senado não vai cair na armadilha de me fazer de bode expiatório de uma crise fabricada". Para a cassação, são necessários 41 votos. Temendo o esvaziamento do plenário amanhã, o senador Humberto Costa (PT-PE) iniciou campanha no Twitter para cobrar presença dos congressistas. O pernambucano disponibilizou, nas redes sociais, lista com o Twitter de todos os senadores para que a opinião pública possa pressionar.
No discurso de ontem, o senador Demóstenes Torres não citou o episódio do rádio Nextel. O equipamento, segundo investigações da Polícia Federal, foi dado pelo contraventor a todos os membros da organização criminosa. Uma linha direta entre o chefe e seus subordinados. Demóstenes confessou, durante depoimento no Conselho de Ética, que a conta do aparelho era paga por Cachoeira. Ele aproveitou o pronunciamento para rebater o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do pedido de cassação no Conselho de Ética.
Lobby do bicho
No parecer, aprovado por unanimidade, o pernambucano classificou Demóstenes como mentiroso, boquirroto, gabola. "Converso muito ao telefone, converso até demais, mas boquirroto é o que não guarda segredos e não fui eu quem violou o sigilo do inquérito resguardado judicialmente. Gabola é o vaidoso e eu só me gabo de gostar de discos. Mentiroso eu não sou."
No pronunciamento, Demóstenes alegou que nunca articulou legalização dos jogos de azar no Senado. "O relatório me desenha como articulador do jogo no Senado. Repito a pergunta já feita aqui outras vezes: qual senador eu procurei para ajudar a liberar o jogo? Que lobista é esse que não pediu voto aos próprios colegas? Não procurei ninguém", garantiu.
O parlamentar admitiu ter recebido os presentes, mas afirmou que isso não configura nenhuma  ilegalidade. "A geladeira e o fogão foram da mulher de Cachoeira para a minha mulher. Havia uma justificativa, o nosso casamento. E isso não trouxe vantagem indevida, até porque quem presenteou não foi ressarcido." Ontem, os advogados do senador começaram a distribuir, em alguns gabinetes, documento com os principais pontos da defesa do senador.
"Boquirroto é o que não guarda segredos e não fui eu quem violou o sigilo do inquérito resguardado judicialmente"
"Se o parlamentar mentir, é um problema dele com sua consciência e sua audiência, não com o decoro"
"O Senado não vai cair na armadilha de me fazer de bode expiatório de uma crise fabricada"
Demóstenes Torres (sem partido-GO), senador

quinta-feira, julho 05, 2012

DEMóstenes


CCJ aprova processo de cassação de Demóstenes



CCJ aprova por unanimidade pedido de cassação de Demóstenes
Autor(es): EUGÊNIA LOPES , RICARDO BRITO
O Estado de S. Paulo - 05/07/2012

Por 22 votos a zero, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou ontem parecer que concluiu pela legalidade de todo o processo favorável à perda de mandato do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A votação no plenário será no dia 11
Agora processo segue para o Senado, que dará o voto final sobre mandato do político goiano na quarta-feira


O Senado deu ontem mais um passo para cassar, na quarta-feira, o mandato do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) por falta de decoro parlamentar. Por 22 votos a zero, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou parecer do senador Pedro Taques (PDT-MT), que concluiu pela legalidade de todo o processo favorável à perda de mandato de Demóstenes, acusado de ser o braço político do esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Se for cassado, Demóstenes só poderá se candidatar novamente em 2027.
No plenário do Senado serão necessários os votos favoráveis de 41 senadores para que Demóstenes seja cassado. Mas o voto aí é secreto. No Conselho de Ética e na CCJ, as votações foram abertas e o pedido de cassação foi aprovado por unanimidade.
Se o plenário cassar o mandato de Demóstenes, ele ficará inelegível até 1.º de fevereiro de 2027. Motivo: Demóstenes foi reeleito em 2010 e tomou posse no novo mandato em 1.º de fevereiro de 2011 por período de oito anos, que termina em 31 de janeiro de 2019. Pela legislação em vigor, o político cassado fica inelegível nos oito anos seguintes ao fim de seu mandato. Ou seja, no caso de Demóstenes a "quarentena" terminará somente daqui a 15 anos.
No parecer de 28 páginas aprovado ontem na CCJ, Taques afirmou que a "inexistência de vícios de constitucionalidade, legalidade e juridicidade" no processo. "Conclui-se pela absoluta compatibilidade dos procedimentos adotados pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar com as normas regimentais pertinentes e com os princípios do contraditório e da ampla defesa".
Ausência. Demóstenes Torres não compareceu à CCJ. A leitura do relatório, que durou mais de uma hora, foi acompanhada pelo advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Ao defender seu cliente, Kakay voltou a contestar a legalidade das provas e afirmou que a defesa não teve acesso à integridade das provas apresentadas. "(As provas) foram apresentadas de forma descontextualizada. O que a defesa pede é uma análise serena do que está posto nos autos. Sem esse massacre a que esse senador foi submetido", argumentou Kakay.
Dos titulares da CCJ, apenas o senador José Agripino Maia (DEM-RN) não estava presente à sessão e não votou pela cassação do ex-companheiro de partido. Onze senadores falaram defendendo a punição de Demóstenes. Um dos discursos mais contundentes foi o da senadora Marta Suplicy (PT-SP). Ao afirmar que se decepcionou com o senador goiano, a petista acusou Demóstenes de sofrer de uma "patologia grave" e de ter "duas personalidades". "Tivemos uma surpresa gigantesca. É uma pessoa com duas personalidades. Que pessoa é esta? Uma pessoa com capacidade de mentir, manipular, o que raramente se vê em pessoas corretas, para não dizer normais", disse.
O processo de cassação do mandato de Demóstenes tramitou em pouco mais de três meses. A representação contra o senador foi apresentada em 28 de março pelo PSOL. Em 8 de maio foi instaurado o processo no Conselho de Ética do Senado. Na semana passada, dia 25, o Conselho aprovou por 15 votos a recomendação de cassação do mandato de Demóstenes.


terça-feira, julho 03, 2012

''ÊTA AMOR! CARA-DE-PAU!'' *



02/07/2012 - 17h50 - Atualizado em 02/07/2012 - 17h50

Em discurso, Demóstenes pede perdão pelos erros


Ao apelar para um discurso emocional, mas sem se emocionar, Demóstenes afirmou que decidiu falar em plenário para provar a inocência dele diante do "incrível repertório de ofensas" dirigidas a ele

AGÊNCIA ESTADO

foto: ANDRE DUSEK/AGÊNCIA ESTADO/AE
Demóstenes pede perdão
O senador disse que tem certeza de que mostrará a todos sua "honradez" e "retidão"

O senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO) fez nesta segunda (02) à tarde um discurso em plenário no qual pediu "perdão" a todos os 44 senadores que, no dia 6 de março, deram voto de confiança ao parlamentar, no início das revelações do envolvimento dele com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Demóstenes prometeu fazer diariamente discursos até o próximo dia 11, quando será julgado, em votação secreta em plenário, no processo de cassação a que responde.

"É de peito aberto que eu volto aqui pedindo perdão pelos erros" afirmou Demóstenes, num discurso de 26 minutos acompanhado por apenas cinco senadores. Acusado de usar seu mandato na defesa dos interesses de Cachoeira, citou nominalmente todos os parlamentares que o apoiaram há cerca de três meses.

Ao apelar para um discurso emocional, mas sem se emocionar, Demóstenes afirmou que decidiu falar em plenário para provar a inocência dele diante do "incrível repertório de ofensas" dirigidas a ele. O senador justificou sua presença pelo fato de que no dia da votação não terá tempo suficiente para se explicar. "Há quatro meses vivo um calvário sem tréguas", disse. "No tribunal das manchetes, já fui denunciado e condenado".

Mais uma vez, o senador rebateu uma a uma as acusações que lhe foram feitas. Ele admitiu que foi amigo de Cachoeira, com quem conversava com frequência. Mas disse que nunca teve negócios legais e ilegais com ele. "Eu não coloquei o meu mandato a serviço de Cachoeira, mas tão somente às forças produtivas do meu Estado", afirmou. Negou, por exemplo, ter procurado parlamentares para defender a liberação dos jogos de azar, uma das bandeiras do contraventor.

Demóstenes, que disse nunca ter faltado com a verdade, lembrou que pediu perícia para mostrar que houve adulteração nos grampos feitos pelas operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal. O Conselho de Ética, órgão que aprovou na semana passada o pedido de cassação do parlamentar por unanimidade, negou pedido. "Minha súplica pela realização de perícia não é apenas para mostrar a ilegalidade da prova, mas também para compreender, contextualizar", destacou.

O senador queixou-se do vazamento de "grão em grão" das conversas dele. "A estratégia do vazamento em pílulas surtiu um efeito devastador: até quem confiava em mim ficou cético", disse. "Não se inventou a gravação, mas o método", completou.

O parlamentar apelou até para os números para mostrar o que considera desproporção para cassá-lo. Segundo ele, das 250 mil horas de gravação de conversas feitas pela PF, o relatório que pediu sua cassação se vale apenas 3 minutos de interceptações. E das 416 conversas entre ele e Cachoeira, apenas 1% delas, disse, foi considerado relevante para o processo de quebra de decoro.

Demóstenes disse quatro delegados e 10 agentes da PF ficaram no encalço dele durante quatro anos. Referindo-se ao projeto de lei que libera os jogos de azar no país, o senador disse que tirar o mandato de alguém porque informa o andamento de uma proposta legislativa é "desproporcional". "É um precedente perigoso", afirmou ele, dizendo-se "envergonhado", abatido", "cansado" e "esgotado".

O senador disse que tem certeza de que mostrará a todos sua "honradez" e "retidão". "Tenha a certeza, sou inocente", finalizou ele, retirando-se logo em seguida do plenário.
-------
(*) Rick e Renner.
---

quarta-feira, junho 13, 2012

''QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ" *

...

Dora Kramer

Só Perillo não viu



O governador Marconi Perillo começou comandando o show na CPMI mais famosa do Brasil.
Senhor do tempo na apresentação inicial feita em tempo quatro vezes maior que os 20 minutos regulamentares, deu explicações em princípio convincentes sobre a venda da casa onde foi preso Carlos Cachoeira, aproveitou para propagandear seus feitos em Goiás e ainda reivindicar a autoria de dois dos mais celebrados programas sociais do governo petista: o ProUni e o Bolsa-Família
...
Em uma hora e meia de questionamento, o deputado Odair Cunha deixou passar oportunidades de preencher lacunas sobre as relações dele com Cachoeira.Contou para isso com a colaboração da linha de interrogatório escolhida pelo relator, feita no intuito de cumprir o rito de defesa e levar o governador a se pronunciar sobre tópicos polêmicos já conhecidos e a respeito dos quais Perillo chegou bem preparado para responder.
Tampouco deu ouvidos às reiteradas referências do governador ao envolvimento de pessoas, partidos e governos com pagamento de propinas, com a construtora Delta, com o senador Demóstenes Torres e com o acusado de comandar a organização criminosa alvo da comissão de inquérito.
Fruto de um pacto não escrito nem explícito de não agressão entre PT e PSDB, com participação coadjuvante do PMDB?
As citações elogiosas de Perillo ao governo, aos ministros, à presidente Dilma Rousseff e a maneira como se esquivou de abordar o aviso dado a Lula sobre a existência do mensalão poderiam reforçar essa percepção.
Mas acertos são de difícil sustentação, como demonstrado pela reação do PSDB quando o relator referiu-se ao governador como “investigado” e perguntou se ele abria mão de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico.
Além disso, as investigações dependem mais do cruzamento de informações substantivas – obtidas, por exemplo, da quebra de sigilos – que do conteúdo dos depoimentos.
Nestes, às vezes importa observar mais o que o depoente busca ocultar e menos o que se preparou para contar.
Na participação do governador Marconi Perillo chamou atenção o modo como procurou mostrar-se absolutamente alheio às atividades ilegais de Carlos Cachoeira.
Soou artificial ao dizer que desconhecia as andanças de Cachoeira pelas margens da lei e que não acompanhou a participação dele como um dos personagens principais da CPI dos Bingos – da qual resultou um pedido de indiciamento criminal – por falta de tempo para “ver televisão”. Pueril, não suscitasse desconfiança tamanha alienação.
Também não viu nem ouviu coisa alguma sobre um vídeo divulgado no ano de 2004 em que Cachoeira e Waldomiro Diniz, este como presidente da Loterj e aquele como representante de consórcio prestador de serviços à autarquia fluminense, dialogavam sobre o pagamento de um porcentual do valor de contrato para financiamento de campanhas eleitorais.
A acreditar nessa versão, Perillo teria sido o único.
O governador foi contraditório na diferença de tratamento adotada conforme a situação. Quando relatava encontros em dois jantares, uma audiência em palácio de governo e telefonema de cumprimentos por ocasião do aniversário, o Perillo referiu-se a Carlos Augusto Ramos como “empresário”.
Quando lhe interessou marcar distância, citou gravação da Polícia Federal em que Cachoeira reclamava com a mulher da ação do governo contra o jogo ilegal, para mostrá-lo como contraventor caçado pela polícia de Goiás.
Se era alvo da polícia, por que o governador telefonou para cumprimentá-lo? A quem fez a gentileza, ao contraventor ou ao empresário?
Dúvida que fica. Não a única.
Há elos a serem esclarecidos: a proximidade da ex-chefe de gabinete do governador com Cachoeira a quem é ligada a pessoa jurídica compradora do imóvel onde foi preso nosso personagem, em negócio intermediado por Wladimir Garcez, dublê de funcionário da Delta e agente facilitador do contraventor junto ao poder público.
---
---
(*) Quem te viu, quem te vê. Chico Buarque.
''Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua...".
----