A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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terça-feira, maio 14, 2013
A FAZER CORAR MAQUIAVEL
| 14/05/2013 | |
quinta-feira, fevereiro 28, 2013
EMBAIXADA CUBANA: ''STATUS'' MANTIDO
| 28/02/2013 | |
Não se preocupe, embaixador
:: Demétrio Magnoli
A Carlos Zamora Rodríguez, embaixador de Cuba no Brasil:
Circulam rumores de que a passagem da blogueira Yoani Sánchez pelo Brasil terá efeitos desastrosos para sua carreira diplomática.
Escrevo para acalmá-lo.
À luz dos critérios políticos normais, qualquer um dos quatro motivos mencionados como causas possíveis de sua queda seria suficiente para fulminar um diplomata. Contudo os governos de Cuba e do Brasil não se movem por critérios normais.
Comenta-se, em primeiro lugar, que o Planalto solicitaria sua remoção em reação à interferência ilegal da embaixada nos assuntos internos do País.
De fato, é ultrajante reunir militantes do PT e do PCdoB na representação diplomática cubana para distribuir um CD contendo calúnias contra uma cidadã em visita ao Brasil.
Mas não se preocupe.
Sob Lula, quando prendeu e deportou os pugilistas cubanos que tentavam emigrar, o governo brasileiro violou a Carta Interamericana de Direitos Humanos para atender a um desejo de Havana.
Dilma Rousseff só precisa ignorar a violação de leis nacionais para encerrar o “caso Yoani”.
Em segundo lugar, corre o rumor de que Havana pretende substituí-lo por razões de incompetência funcional.
A causa seria o vazamento para Veja das informações sobre a reunião na embaixada, que contou com a presença de Ricardo Poppi Martins, auxiliar do ministro Gilberto Carvalho - uma notícia depois confirmada pela própria Secretaria-Geral da Presidência.
Certamente as agências de inteligência de seu país não apreciaram a condução desastrada da operação, mas duvido que o governo de Raúl Castro desconsidere os fatores atenuantes: a inconveniência representada pela liberdade de imprensa e os “dilemas morais pequeno-burgueses” de militantes de esquerda não submetidos ao centralismo do Partido Comunista Cubano.
Um terceiro motivo para seu afastamento residiria nas implicações lógicas das acusações difundidas pela embaixada contra a blogueira.
O CD qualifica Yoani como “mercenária financiada pelo governo dos EUA” para “trabalhar contra o povo cubano”. Afirmar isso, porém, significa dizer que, mesmo dispondo das provas da atuação de uma agente inimiga em seu território, o governo de Cuba optou por não prendê-la e processá-la, pondo em risco a segurança do país. O raciocínio, impecável, destruiria um diplomata de um país democrático, mas não arranhará sua reputação perante o regime dos Castros: o discurso totalitário não almeja a persuasão racional, não se deixa limitar pela regra da consistência interna e não admite o escrutínio da crítica.
Afigura-se mais grave a quarta razão que apontam como ameaça à sua carreira.
Ao estimular a perseguição movida por hordas de militantes organizados contra Yoani, a embaixada amplificou a voz e o alcance da mensagem da blogueira, produzindo um efeito contrário ao desejado por Havana.
Construído no terreno de um cínico pragmatismo político, o argumento parece irretocável, mas não creio que deva alarmá-lo. Na perspectiva do regime cubano, as repercussões da visita sobre a opinião pública são o preço a pagar pela afirmação de um princípio inegociável do totalitarismo: os dissidentes nunca estão a salvo da violência real ou simbólica do “ato de repúdio”.
O “ato de repúdio” é o equivalente político do estupro de gangue. Na China da Revolução Cultural, onde alcançou o apogeu, a prática chamava-se “assembleia de denúncia”. Segundo o relato de Jung Chang, uma jovem chinesa que testemunhou aqueles tempos, a Universidade de Pequim realizou sua pioneira “assembleia de denúncia” em 18 de junho de 1966, quando o reitor e dezenas de professores sofreram espancamentos e foram obrigados a permanecer ajoelhados durante horas em meio à multidão histérica. “Enfiaram à força em suas cabeças chapéus cônicos de burro, com slogans humilhantes” e “derramaram tinta em seus rostos para deixá-los negros, a cor do mal” (Cisnes Selvagens: Três Filhas da China). A matriz chinesa, nós dois sabemos, inspirou a ditadura cubana, cujos “atos de repúdio” excluem a tortura, mas não a violência física moderada, a intimidação direta e uma torrente de insultos. Yoani relata no seu blog o primeiro “ato de repúdio” a que assistiu, quando tinha 5 anos (“as pessoas gritavam e levantavam os punhos ao redor da porta de uma vizinha”), e um outro, do qual foi vítima juntamente com as Damas de Branco (“as hordas da intolerância cuspiram em nós, empurraram e puxaram o cabelo”). No “ato de repúdio”, o “inimigo do povo” deve ser despido de sua condição humana e convertido em joguete da violência coletiva. A agressão física é um corolário último desejável, mas não é um componente necessário do ritual - e, dependendo das circunstâncias políticas, deve ser prudentemente evitada. Estou convicto de que sua embaixada levou isso em conta quando indicou o caminho dos atos contra Yoani. Seu conhecido Breno Altman, um quadro político do PT, defendeu os “atos de repúdio” contra a blogueira em debate televisivo, alegando que “ninguém saiu ferido”.
De fato, apenas em Feira de Santana chegaram a empurrar Yoani e a puxar-lhe o cabelo. Na mesma cidade e em São Paulo, gangues de vândalos insultaram-na em público, cassaram-lhe o direito à palavra, ameaçaram pessoas que queriam escutá-la, provocaram o cancelamento de eventos literários e cinematográficos. Tudo isso caracteriza constrangimento ilegal, um crime contra as liberdades públicas e individuais.
No Brasil, a palavra de Yoani desmoralizou a ditadura cubana. Mas, nessa particular guerra de princípios, sua embaixada venceu: a polícia não interferiu, os “intelectuais de esquerda” silenciaram, a editora que publica Yoani eximiu-se da obrigação de protestar e uma imprensa confusa sobre a linguagem dos valores democráticos qualificou os vândalos como “manifestantes”.
Por sua iniciativa, o “ato de repúdio” fincou raízes no meu país. Creio que lhe devem uma medalha.
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Sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP. |
QUEM TEM MEDO DE YOANI SÁNCHEZ ?
| 28/02/2013 | |
Yoani, a mais recente batalha da guerra fria
:: Francisco Ferraz
A reação de setores da esquerda à visita da jornalista cubana Yoani Sánchez ao Brasil revelou alguns aspectos da política brasileira atual que exigem uma análise objetiva e desapaixonada.
A julgar pelas reações hostis a Yoani, impõe-se uma pergunta inevitável: ela significa alguma ameaça ao Brasil? Que atos terá praticado contra a humanidade para ser percebida como inimiga no País, mesmo que nunca antes tivesse aqui pisado? Qual o imenso e assustador poder que essa jornalista tem para assustar e ameaçar os governantes cubanos, o governo brasileiro, seu partido e sua base parlamentar?
Yoani é uma vítima da guerra fria. Ela conseguiu colocar sua insignificante pessoa na rota dos conflitos entre os grandes. Sua presença, seu exemplo, seu pensamento constituem uma ameaça real ao regime cubano porque são vistos como sinais de fraqueza por seus inimigos - internos e externos.
Mas, e o Muro? O Muro não caiu em 1989? A guerra fria não terminou com a débâcle da Únião Soviética e o fim do comunismo? Não.
É necessário rever conceitos e algumas "verdades" estabelecidas. Não podemos confundir o pertencimento geográfico a um mesmo mundo com um pertencimento decorrente de uma história comum.
Na realidade, há um abismo entre as sociedades do Hemisfério Norte - suas histórias, seus traumas, suas instituições, suas culturas, sua organização social, seus problemas e desafios - e as sociedades do Hemisfério Sul.
Vivemos num mesmo mundo apenas pelo imperativo geográfico, pela instantaneidade das comunicações e por processos sociais e econômicos de que participamos principalmente como espectadores e consumidores. Quando se tratado uso de produtos materiais que, sem dificuldade, incorporamos à nossa vida, a diferença entre quem os inventou e produz e quem os consome é de menor importância.
Há, entretanto, uma grande diferença na importação de produtos culturais, que resultam da experiência histórica de sociedades diferentes. Os grandes episódios da História ocidental, como as Revoluções Francesa e Russa, o nazismo e o comunismo, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, a guerra fria e ameaça atômica, a débâcle do comunismo, nós os vivemos vicariamente, como leitores curiosos ou espectadores distantes, que podem escolher o que, quanto, quando e como desejam incorporá-los à sua vida.
Não temos, nem o Brasil nem a América Latina, nenhum significado existencial do que seja uma guerra. No Hemisfério Norte as pessoas não somente sabem, como guardam lembranças familiares amargas de suas consequências.
Não temos o menor significado existencial do que é uma revolução, tampouco o que é um regime totalitário como o nazismo e o stalinismo. Temos um conhecimento livresco, ou romântico, sobre o comunismo. Nada que equivalha ao conhecimento de russos e europeus que o viveram.
Para nós, terror é um gênero cinematográfico. Não temos nenhuma ideia do que é o terror como uma categoria da práxis política ou do que foi o holocausto como tragédia e pavor.
Essa a razão por que teorias, ideologias, conceitos, instituições, valores, interpretações do passado, embora usando-se os mesmos nomes, sofrem uma violenta refração de significado quando se deslocam do Hemisfério Noite para o Hemisfério Sul.
Nós os importamos desidratados. Passamos a usá-los com a leveza e até inconsequência de quem, não tendo vivido sua realidade, também não adquiriu a prudência, a lucidez, o senso crítico que só aquele "saber de experiências feito", de que fala Camões, ensina.
Fascista é um termo que evoca lembranças marcadas a fogo para um europeu. Para nós não passa de um adjetivo.
Por essas razões os muros que caíram de forma tão estrepitosa na Europa, teimam em não cair aqui... Como não têm significados existenciais para nós, podem continuar em pé, mesmo quando a realidade que os levantou alhures já deixou de existir.
Assim a queda do Muro de Berlim não tem a menor importância para a política brasileira nem potencial politicamente explorável entre nós, como não têm importância para a política europeia o futuro de Cuba, a doença de Hugo Chávez ou as decisões da Unasul.
O apoio do Brasil ao Irã, apesar da perseguição a gays, mulheres e cristãos, a proteção estendida a Cesare Battisti, o silêncio em relação aos prisioneiros políticos em Cuba e o tratamento de inimiga dado a Yoani são chocantemente contraditórios com a tradição política do PT e da esquerda brasileira, e com a sua política de direitos humanos.
A oposição acusa de "incoerência" o PT e a esquerda por essas atitudes políticas. Aliás, essa é a principal arma em que repousa a esperança da oposição para abalar o governo do PT e seu projeto político. Essa acusação, entretanto, não produz nenhum efeito político importante. Não constrange os acusados da incoerência nem é compreendida pelo eleitor médio.
Na verdade, para o PT e para a esquerda não há incoerência.
O que a oposição chama de incoerência é a necessária subordinação à lógica férrea da guerra fria. Assim a ação política dos historicamente deslocados sobre uma população com baixa informação e avaliação crítica acaba por conferir realidade àquele muro virtual.
Por isso Cuba precisa ser protegida. Cuba é o ícone que sobrou, o símbolo que resta. O ícone que a URSS deixou de ser.
O muro emblemático da esquerda na América Latina não é o de Berlim. Esse é o muro do Hemisfério Norte. O muro emblemático, cuja queda significaria o fim do comunismo e do socialismo para a América Latina, é Cuba.
E por isso que Yoani é perigosa para Cuba, para o bolivarianismo de Chávez, para o PT e seu governo. Na guerra fria do Hemisfério Sul ela é uma peça tão importante quanto eram os literatos e bailarinos russos que fugiam para o Ocidente nas décadas de 50 e 60.
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:: Francisco Ferraz. Professor de Ciência Política na UFRGS, pós-graduado pela Universidade de Princeton, é diretor-presidente do site Política para políticos (www. politicaparapoliticos.com.br)
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terça-feira, fevereiro 26, 2013
YOANI SANCHEZ: POR QUEM OS SINOS DOBRAM
Indecentes úteis
sexta-feira, fevereiro 22, 2013
A VOZ DO DONO E O DONO DA VOZ *
Novela cubana
(*) Chico Buarque.
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quinta-feira, fevereiro 21, 2013
XÔ! ESTRESSE [In;] ORA, BOLAS !!!
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
QUEM TEM MEDO DE YOANI SÁNCHEZ ? *
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Blogueira cubana aceita convite do PSDB e vai a Brasília visitar Congresso
RETROSPECTIVA: QUASE SE CONSEGUIU
| 16/02/2013 | |
O dossiê da vergonha
O PT, o governo cubano e até um funcionário do Palácio do Planalto estão envolvidos numa conspiração para espionar e tentar desqualificar Yoani Sánchez — a blogueira conhecida por denunciar a ditadura dos irmãos Castro —, que chega ao Brasil nesta semana.
Robson Bonin
A blogueira Yoani Sánchez desembarca no Brasil nesta semana para divulgar o livro De Cuba, com Carinho, uma coletânea de seus textos sobre o triste cotidiano do povo cubano sob a ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro.
O trabalho rendeu à dissidente uma perseguição implacável.
Ela foi sequestrada, torturada e, durante anos, impedida de deixar o país. É rotulada de mercenária pelos comunistas da ilha e acusada de trair os princípios revolucionários.
O que Yoani não sabe é que, apesar da distância que separa o Brasil de Cuba — 5 000 quilômetros —, ela não estará livre dos olhos e muito menos dos tentáculos do regime autoritário.
Para os sete dias em que permanecerá no Brasil, o governo cubano escalou um grupo de agentes para vigiá-la e recrutou outro com a missão de desqualificá-la a partir de um patético dossiê. Uma conspirata oficial em território estrangeiro contra quem quer que seja é uma monumental afronta à soberania de qualquer nação. Esse caso. porém, envolve uma inquietante parceria. O plano para espionar e constranger Yoani Sánchez foi elaborado pelo governo cubano, mas será executado com o conhecimento e o apoio do PT, de militantes do partido e de pelo menos um funcionário da Presidência da República.
Veja apurou os detalhes da operação clandestina deflagrada pelo regime cubano para perseguir Yoani Sánchez em território brasileiro.
No último dia 6 de fevereiro, um grupo de militantes de esquerda, em sua maioria ligados ao PT — na lista estavam também integrantes do PCdoB e da CUT —, foi chamado ao prédio da Embaixada de Cuba em Brasília para uma reunião com o embaixador Carlos Zamora Rodríguez.
Organizado pelo conselheiro político da embaixada, Rafael Hidalgo, o encontro, já no início, intrigou os convidados pela ausência dos protocolos oficiais: os participantes foram convocados de última hora, por telefone, e orientados a não dizer os nomes, mas apenas as entidades e os partidos que representavam, durante a reunião. Quando todos já estavam acomodados nas velhas cadeiras da embaixada - uma das poucas coisas em perfeito estado no prédio é o quadro de Fidel Castro pendurado na recepção —, a figura grisalha de Rodríguez, em um terno azul-turquesa-escuro, apareceu no hall principal, falando ao celular. Já com o aparelho desligado, foi direto ao assunto. Os militantes de esquerda estavam ali, segundo ele, para ajudar o regime cubano a colocar nas ruas uma ofensiva de "contrainformação" para desmascarar" Yoani Sánchez — "uma mercenária, financiada pelo governo dos Estados Unidos para trabalhar contra a levolução Cubana, contra o povo, contra os trabalhadores".
As palavras do embaixador foram ouvidas em respeitoso silêncio. Rodríguez explicou que a ação precisava ser rápida e só seria bem-sucedida se contasse com o apoio ostensivo das redes veiais ligadas aos partidos e dos blogs comandados pelos petistas e jornalistas amigos do regime. Ainda em silêncio, o diplomata passou a distribuir um dossiê com as informações que deveriam subdiar a campanha difamatória contra Yoani Sánchez. Cada um dos presentes recebeu um CD com capa diferente, provavelmente para identificar um eventual vazamento.
O documento que "incrimina" Yoani Sánchez, ao qual VEJA também teve acesso, é uma produção típica de ditaduras comunistas e acaba jogando mais luz sobre a miséria do regime cubano. Comida, bebida e diversão são transformados em artigos de luxo da "vida mercenária" da blogueira, que usaria sua luta pelas liberdades individuais em Cuba para ganhar dinheiro e, assim, desfrutar mordomias impensáveis para a maioria dos moradores da ilha, como comprar uma lata de cerveja, um cacho de banana ou ir à praia com amigos. Dividido em duas panes, o dossiê tem 235 páginas, reúne fotos pessoais de Yoani Sánchez, montagens e uma lista de seus prêmios internacionais — entre eles o Ortega y Gasset, da Espanha, e o Príncipe Claus, da Holanda, comendas concedidas apenas a destacados defensores da liberdade de expressão.
Apesar do clima de camaradagem entre brasileiros e cubanos, houve protestos. Incomodados com uma das condições do plano — ao difundir as acusações contra a blogueira na internet, ninguém poderia revelar a origem das informações —, alguns militantes preferiram abandonar a reunião ainda no começo. Os que ficaram ouviram um longo relato do embaixador sobre a "verdadeira história de Yoani". Foram quase três horas de explanação, ao longo das quais foi servido café preto e três tipos de biscoito. Por iniciativa de um dos participantes. chegou-se a discutir uma saída alternativa à conspiração arquitetada pela diplomacia cubana. Os movimentos sociais preparariam um manifesto contra a blogueira para ser divulgado durante a visita. A proposta, no entanto, foi descartada por Rodríguez. Na avaliação dele, as entidades demorariam muito para formar um consenso e, a menos de duas semanas da chegada de Yoani Sánchez, "o negócio precisaria ser rápido". "É melhor cada um fazer a sua pane", orientou o embaixador, segundo relato de um dos participantes do encontro.
A ação conta com ingredientes ainda mais ousados. Além de distribuírem o dossiê e montarem a estratégia para assassinar a reputação de Yoani Sánchez, os cubanos se encarregarão de outra investida: seguir os passos da blogueira desde o instante em que ela pisar em território brasileiro, 24 horas todos os dias. A revelação foi feita pelo próprio Carlos Zamora Rodríguez. Segundo ele, o governo dos irmãos Castro ainda não sabe ao ceno o que está por trás da visita de Yoani ao Brasil, mas pretende descobrir. Para isso, entrará em ação o G2. o serviço secreto cubano, que vai monitorar cada passo da blogueira e de seus colaboradores durante a viagem. O embaixador não explicou como isso será feito, já que a presença de espiões de Cuba seria inconcebível, um atentado à soberania do Brasil, por mais simpáticas e próximas que sejam as relações entre os dois países. Relações, aliás, que ficam mais explícitas quando se descobre a identidade de alguns dos presentes à reunião.
Um dos mais ativos e entusiasmados participantes do encontro clandestino na embaixada cubana chama-se Ricardo Poppi Martins. Ele passaria despercebido entre os militantes, não fosse sua proximidade com um dos ministros mais poderosos do governo da presidente Dilma Rousseff. Subordinado ao chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, Poppi, além de militante do PT, é coordenador-geral de Novas Mídias do ministério. Ele participou da reunião do começo ao fim, ouviu os planos de espionagem e conspiração do embaixador cubano e também levou embora o CD com o dossiê contra a blogueira. Poppi Martins trabalha com o ministro Gilberto Carvalho desde o início do governo Dilma e recebe cerca de 6 800 reais por mês. Estava em pleno horário de expediente quando foi chamado a participar da conspiração na embaixada cubana. Suas relações com o regime castrista são bastante intensas. Um dia após a reunião, ele viajou para Havana com todas as despesas pagas pelo governo brasileiro. Foi participar de um encontro promovido pela ditadura cubana sobre técnicas de "ciberguerra" e "novas formas de comunicação de rede e batalhas políticas".
A viagem do representante do governo brasileiro só termina nesta segunda-feira, mas o manifesto produzido no encontro já estava disponível nos sites cubanos na semana passada. Entre as resoluções finais aprovadas, constam "o apoio às reivindicações de Cuba contra as restrições para acessar serviços de computador e internet, junto a autoridades e empresas nos Estados Unidos", e "a solidariedade de todos com a Revolução Bolivariana e o presidente Hugo Chávez, diante das
campanhas de mídia e da ação desestabilizadora dos inimigos do processo revolucionário na Venezuela". Poppi, portanto, foi a Cuba em missão oficial, com as despesas pagas pelo contribuinte, para, segundo a pauta disponibilizada pelos próprios organizadores do evento, apoiar ditaduras e aprender a usar a internet para destruir reputações de quem não pensa como ele, exatamente como planejam fazer com a blogueira Yoani Sánchez.
O servidor do Palácio do Planalto não foi localizado. A Secretaria-Geral da Presidência informou que desconhece a sua participação na reunião com o embaixador e confirma que Poppi realmente esteve na representação diplomática cubana em 6 de fevereiro, mas para "trocar informações" sobre a viagem que faria uma semana depois. Em relação à expedição a Havana, a secretaria entendeu ser de interesse da administração pública enviar um representante para "conhecer as experiências trocadas no seminário e aportar a experiência brasileira na área". Já o conselheiro político da embaixada cubana, Rafael Hidalgo, também se apressou em negar o encontro: "Não, não, não. Não aconteceu nenhuma reunião nesse sentido (Yoani)". O embaixador Carlos Rodriguez não respondeu às perguntas enviadas pela reportagem. Procurado, o PT preferiu manter silêncio sobre o caso. Como nas ditaduras, a transparência é apenas um detalhe.
Não é a primeira vez que as relações umbilicais do PT com o regime dos irmãos Castro produzem uma situação ilegal ou vergonhosa.
Em novembro de 2005, VEJA revelou que dólares do regime cubano, acondicionados em caixas de bebida, haviam circulado por Brasília e Campinas até chegar ao comitê eleitoral de Lula em São Paulo. Na ocasião, dois ex-auxiliares do então ministro Antonio Palocci confirmaram a existência de uma operação para levar ao comitê eleitoral de Lula 3 milhões de dólares vindos de Cuba. Anos mais tarde, em 2007, o governo de Lula, recusando-se a ajudar refugiados, devolveu ao regime dos irmãos Castro os boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que haviam se desligado da delegação durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Os atletas tentavam escapar da ditadura cubana, mas o governo brasileiro não lhes deu a mínima chance. A decisão foi servil, desumana, mas legal — ao contrário da situação que se passou em Brasília. A Convenção de Viena estabelece que um embaixador pode atuar livremente em um país estrangeiro desde que não realize atos políticos para defender seus interesses nem interfira em assuntos internos. Diz o embaixador Rubens Barbosa: "Um diplomata pode receber quem quer que seja, mas não pode ter atuação política, não pode promover reuniões públicas para defender isto ou aquilo, não pode participar de reuniões partidárias". Cabe ao governo brasileiro avaliar se esses princípios valem também para os representantes de Cuba.
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''QUEQUE ISSU CUMPANHÊRADA!!!''
| 20/02/2013 | |
Cuba é aqui
Perseguida pelo regime castrista em Cuba, a blogueira Yoani Sánchez precisou da escolta de 14 policiais para garantir sua segurança durante visita à Bahia, após ser agredida por sindicalistas e militantes de movimentos estudantis ligados a alas de PT, PCdoB e PSOL. Houve reações no Congresso, e Yoani decidiu aceitar o convite do PSDB para comparecer hoje a Brasília.
Sob escolta fora de Cuba
Após agressões, Yoani tem proteção policial para debater liberdade de expressão no Brasil
Flávio Tabak
Enviado especial
Feira de Santana (BA) Ela saiu de Havana em busca de liberdade para dizer ao mundo o que pensa do regime dos irmãos Castro.
Em Feira de Santana, porém, Yoani Sánchez sofreu restrições. Não de censura, como em Cuba, mas físicas, tamanha a força com que foram feitos protestos por grupos de esquerda ligados a alas do PCdoB e do PT, além do movimento estudantil local. A ponto de a própria blogueira reconhecer que passou por uma "situação de risco físico", antes do cancelamento da apresentação do filme "Conexão Cuba-Honduras", na noite de anteontem.
À comitiva, 14 soldados foram incorporados.
Ontem, uma visitante cercada por seguranças, com direito à escolta armada, cancelou atividades pela manhã, e redobrou os cuidados para o debate público, que ocorreu à noite.
- Conversei com os manifestantes e disse que, se precisar, usaremos a força - afirmou o homem que deu o sinal verde para que a blogueira entrasse, pela porta dos fundos, no auditório Olimpo, do grupo educacional Nobre, que recebeu 2 mil pessoas para o último compromisso de Yoani na Bahia. Lá, os simpatizantes da blogueira estavam em maioria em relação aos defensores do regime castrista. O debate foi quente, com alternância entre vaias e aplausos.
Yoani fez uma rápida apresentação e depois respondeu a perguntas da plateia. Com cartazes dizendo que Yoani era persona non grata e que tinha apoio da imprensa brasileira, manifestantes questionaram por que ela não critica os EUA. A dissidente respondeu que vive em Cuba e se preocupa mais com os problemas da ilha.
- A Yoani representa a alienação e o sistema capitalista - afirmou o estudante secundarista Victor Aicau, de 18 anos.
A sexóloga Ozana Barreto divergiu:
- No Brasil, com tanta podridão política, não vi nenhuma manifestação sobre mensalão (dos ativistas que defendem Castro).
Mais cedo, Yoani foi à Câmara dos Diretores Lojistas, sempre escoltada por PMs. Como o evento era fechado, os manifestantes não apareceram. As visitas agendadas a um museu e a um mercado de artesanato foram canceladas. A organização da viagem argumentou que foi por falta de tempo.
- A preocupação e a tensão aumentaram muito. Ficamos extremamente preocupados. Agora temos mais seguranças particulares. São quatro (ontem) - disse César Oliveira, proprietário do jornal "Tribuna Feirense" e um dos integrantes do grupo que convidou a cubana para a cidade.
Depois do almoço, ela decidiu visitar o Centro de Abastecimento da cidade, onde há uma feira de artesanato. E, pela primeira vez, sentiu o calor do simpatizantes, com direito à tietagem de quem a reconheceu durante os 20 minutos em que ficou no local. Hoje, ela parte para Brasília, onde participa de debate na Câmara dos Deputados.
No blog, dissidente responde a manifestantes
No blog Generación Y, Yoani comentou os atos de partidários do regime e lembrou que o primeiro ato de repúdio que viu foi quando tinha cinco anos, no solar onde morava. Anos depois, entendeu que era uma violência contra alguém que queria emigrar. "O piquete de extremistas que impediu a projeção do filme de Dado Galvão em Feira de Santana era algo mais que uma soma de adeptos incondicionais ao governo cubano. Todos tinham, por exemplo, o mesmo documento - impresso a cores - com mentiras sobre mim", escreveu.
Segundo ela, os manifestantes gritavam palavras de ordem "que não se usam nem mais em Cuba". A blogueira relata que, com a ajuda do senador petista Eduardo Suplicy, conseguiu começar a falar. "Eles queriam me linchar, e eu, conversar", conta Yoani.
Sobre o tumulto de ontem, ela ressaltou que nada foi surpresa e que já havia sido ameaçada por sites do governo cubano de que receberia uma resposta contra sua iniciativa de escrever o blog e sair do país:
- Meu governo trabalha sempre com métodos muito sujos contra adversários. Se fosse fazer uma antologia de acusações contra mim, teria mais de mil páginas. Por sorte, não me afeto psicologicamente.
Mas é difícil.
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