PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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terça-feira, setembro 21, 2010

ELEIÇÕES 2O1O [In:] ''QUE PAÍS É ESSE?..." *

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21/09/2010

PT mobiliza o aparato sindical e faz ato anti-imprensa


Angeli


Iniciada por José ‘Abuso do Direito de Informar’ Dirceu e ecoada por Lula ‘Mídia Partidária’ da Silva, a rusga do PT com a imprensa ganhou ares de guerra.


O partido de Dilma Rousseff levou à sua página na web a convocação de um ato de protesto contra o que chamou de “golpismo midiático”.

Será nesta quinta (23), às 19 horas, num palco inusitado: o auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, filiado à CUT.

A convocatória informa que a pajelança foi organizada “em defesa da democracia” e contra “a baixaria nas eleições”. Anuncia-se a presença de:


1. Dirigentes de quatro centrais sindicais: além da CUT, Força Sindical, CTB e CGTB.

2. Representantes da União Nacional dos Estudantes.

3. Lideranças de quatro partidos políticos: PT, PCdoB, PSB e PDT.

4. Blogueiros progressistas.

O evento é apresentado como reação à “ofensiva dos setores da direita e da mídia conservadora”, marcada por "uma onda de baixarias, de denúncias sem provas [...].”

O texto não menciona as logomarcas “golpistas” nem esmiúça as notícias infundadas. Não há de ser o “Erenicegate”.

Qualificado de “factóide” no nascedouro, o caso já levou ao olho da rua quatro autoridades, incluindo a chefe da Casa Civil, ex-braço direito de Dilma Rousseff.

Diz o documento que a “velha mídia” tornou-se “autêntico partido político conservador” e desenvolve uma “ofensiva antidemocrática”.

Acrescenta: “A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha”.

Como assim? “Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes. E indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso”.

Daí o “ato em defesa da democracia”. Beleza. Decerto os organizadores do movimento farão discursos veementes em fovor do democrático direito à liberdade de imprensa.

Dilma haverá de brandir da tribuna provas irrefutáveis contra as aleivosias inventadas pela “velha mídia” pró-Serra. Restará provado que a Casa Civil foi varrida por um tsunami de probidade.

A coisa promete!

- Siga o blog no twitter.

Escrito por Josias de Souza às 07h40

FOLHA.

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(*) Paralamas do Sucesso.
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quarta-feira, agosto 25, 2010

ELEIÇÕES 2O1O [In:] CENSURA LIVRE

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A menor graça


24 de agosto de 2010 | 0h 00


Dora Kramer,
dora.kramer@grupoestado.com.br -
O Estado de S.Paulo

Deve-se aos programas de humor e à mobilização dos humoristas a contestação de uma das mais graves distorções institucionais na Lei Eleitoral em vigor desde 1997: a abolição do exercício da crítica política no rádio e na televisão nos três meses que antecedem a eleição.

De lá para cá foram realizadas seis eleições, sendo três presidenciais.

Por isso, os rapazes e as moças do humor já mereceriam assento junto aos idealizadores do projeto Ficha Limpa, numa hipotética premiação a iniciativas para melhorar os meios e os modos da tão antiquada política brasileira.

Posto o mérito, é preciso dispor alguns equívocos. Há desorientação e falta de informação na campanha, cujo primeiro ato público foi uma passeata na praia de Copacabana.

Delícia, mas é preciso falar mais sério e certo.

Muita gente ainda acha que a proibição atinge apenas os programas humorísticos e que é uma inovação da Justiça Eleitoral.

Os organizadores cometem seus deslizes. Abriram um abaixo-assinado para ser enviado ao ministro da Cultura pedindo a revogação da lei. Dizem que essa é a maneira de repetir a trajetória do projeto Ficha Limpa.

O veto a candidaturas de gente condenada por tribunal foi obtido pela aprovação de uma lei no Congresso, cujo projeto teve iniciativa popular. Nada a ver com o Poder Executivo, com ministros nem presidentes de autarquias.

Aliás, cumpre ressaltar que se dependesse do Poder Executivo o projeto não teria sido aprovado. Acabou sendo pela conjugação de dois fatores: a pressão social e a certeza de muitos congressistas e palacianos de que a lei não entraria em vigor neste ano ou seria derrubada na Justiça por inconstitucionalidade.

O caminho correto, portanto, é o Legislativo. Seja por intermédio de algum parlamentar ou mediante apresentação de projeto de lei com o apoio de 1 milhão de cidadãos.

A proibição, que fique claro, pois, não foi uma invenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas consta de uma lei aprovada em 1997 e que não visa apenas, mas também, a atingir os humorísticos.

Suspende de um modo geral a vigência do artigo da Constituição que assegura a liberdade de expressão, uma vez que proíbe que as pessoas - jornalista, humorista, qualquer um - façam juízo de valor sobre candidatos, partidos ou coligações.

Deu para entender? É proibido dar opinião. Talvez fosse o caso de pedir ao Ministério Público para entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade.

Excelente os humoristas terem aberto esse caminho. Só assim alguém - além de jornalistas que sempre podem ser acusados de advogar em causa própria - prestou atenção nesse aspecto da lei.

Por isso mesmo é necessário entrar na luta de modo correto, com as informações certas, para não acabar pedindo ajuda na casa do inimigo.

Partilha. Quanto mais as pesquisas mostram o favoritismo de Dilma Rousseff, mais abertamente o PMDB trata da divisão do latifúndio público federal.

No domingo o presidente do partido e candidato a vice de Dilma, Michel Temer, divulgou nota oficial negando essa intenção. Foi a terceira negativa nesse sentido no último mês. Nas primeiras duas vezes Temer desmentiu a si mesmo: em uma delas, disse que o PMDB seria "protagonista" no governo e, na segunda, discorreu a senadores a respeito do compartilhamento de espaços.

No lugar de divulgar notas à imprensa, mais eficaz seria Temer tentar conter o ímpeto da tropa.

Antigamente. Logo depois de eleito, em outubro de 2002, Lula fez um pronunciamento público em que, entre outros agradecimentos, dizia-se grato ao então presidente Fernando Henrique Cardoso por sua "imparcialidade" durante o processo eleitoral.

Segundo Lula, a conduta de FH e a Justiça Eleitoral "contribuíram para que os resultados das eleições representassem a verdadeira vontade do povo brasileiro".
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sábado, agosto 21, 2010

EDITORIAL [In:] ''É NA SOLA DA BOTA..." (*)

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A liberdade de imprensa existe porque, por enquanto, Franklin perdeu.

E o fabuloso ato falho deste grande democrata


O candidato tucano à Presidência, José Serra, discursou ontem no encontro da Associação Nacional de Jornais e afirmou o que todo mundo ligado à área sabe: o governo e o PT tentam intimidar a imprensa. E opera em três frentes: 1) propõe mecanismos velados de censura por meios legais; 2) pratica intimidação econômica e financia chicaneiros na Internet; 3) mobiliza seus militantes para patrulhar o jornalismo (há um post a respeito). O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, emitiu uma nota bastante indignado.

Quando Franklin se indigna, sai de baixo! Outro texto indignadíssimo dele de que me lembro é a carta em que anuncia o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick. Já faz algum tempo, eu sei. Mas ele mantém orgulhoso o texto em um blog até hoje. Sinal de que continua a apreciar aquele tipo de literatura. A exemplo de Dilma, companheira de Franklin, também acho que a gente deve olhar para o passado. Sigamos. Vamos ver o que diz Franklin e o que se deve dizer a Franklin, que comete um ato falho fabuloso que revela quem é e o que pensa.

“Ao dizer que o governo censura e persegue a imprensa, Serra não só falta com a verdade como contribui também para arranhar a imagem internacional do Brasil, dando a entender que nossas instituições são frágeis, e os valores democráticos, pouco consolidados”.

Em primeiro lugar, o tucano não disse que “censura”, mas que tenta censurar e que financiou conferências que pretendem criar mecanismos com essa finalidade. É tudo verdade! A Conferência de Comunicação, de que Franklin cuidou pessoalmente, consolidou mais de 600 propostas. Entre elas, está a criação de verdadeiros “tribunais da mídia”.

Oh, Franklin está preocupado “com a imagem internacional do Brasil”!!! Grande patriota! Essa imagem já está arranhada pelo abraço insano que Lula dá num tirano que, achando uma violência apedrejar mulheres acusadas de adultério, opta pelo “enforcamento humanitário”. Isto mesmo, companheiro Franklin: o Brasil é o país cujo presidente revela ter “carinho e amizade” por esse grande humanista. Nas horas vagas, o chapa de Lula nega o Holocausto, promete varrer Israel do mapa e faz chantagem nuclear. Nesse particular, não há o que arranhar. Já era! Se fosse pouco, anda de braços dados com governos para os quais a liberdade de imprensa não tem a menor importância.

Outro trecho encantador:
“A imprensa no Brasil é livre. Ela apura - e deixa de apurar - o que quer. Publica - e deixa de publicar - o que deseja. Opina - e deixa de opinar - sobre o que bem entende. Todos os brasileiros sabem disso. Diariamente lêem jornal, ouvem rádio e assistem a telejornais que divulgam críticas procedentes ou não ao governo.”

Digamos que isso seja verdade. Por enquanto. Enquanto Franklin Martins estiver perdendo essa parada, será assim; se ele ganhar, não será mais. Os mecanismos propostas nas tais conferências, caso se transformem em leis, como ele quer, submeterão a imprensa a verdadeiros tribunais controlados por supostos grupos da sociedade civil que nada mais são do que franjas do PT. Um deles cria um conselho que é uma verdadeira polícia — subordinada ao Executivo!

Como Franklin, na sua indignação cívica, explicaria a PL 193, que ele gostaria de ver transformada em lei? Leiam com atenção:
Proposta: Garantia de mecanismo de fiscalização, com controle social e participação popular, em todos os processos como financiamento, acompanhamento das obrigações fiscais e trabalhistas das emissoras, conteúdos de promoções de cidadania, inclusão, igualdade e justiça, cumprimento de percentuais educativos, produções nacionais.

Trata-se de um “soviete da imprensa”. Imaginem uma assembléia popular — daquelas que a gente sabe que petistas gostam de fazer, em que bate-paus do partidocontrolaram “a massa” — para debater a pauta dos jornais ou, o que é o sonho de consumo de todas as horas, o Jornal Nacional. Tudo em nome da “inclusão, igualdade e justiça”. Demitido da Globo, tenho a impressão de que Franklin gostaria de demitir a Globo… É claro que só faço uma graça, não é? O alvo é a imprensa como um todo.

Quanto à pistolagem na Internet, há pouco a dizer porque ela já não tem nem mais recorrido a disfarces. Tornou-se tão explícita, até em razão da falta de talento dos operadores, que já evoluiu para a caricatura. E o mesmo se diga de mecanismos oblíquos para usar a publicidade oficial para regular amores e ódios. A imprensa ainda é livre, sim. É livre porque tem resistido a esses assédios. Mas é lúcida o bastante, por enquanto ao menos — na sua maioria —, para perceber as ameaças.

Dilma também falou na ANJ. Poderia ter repudiado as propostas de censura, mas não o fez. Limitou-se a declarar seu amor pela liberdade de imprensa — e não há mérito nisso, já que dizer o contrário seria absurdo —, mas não repudiou seus aliados das conferências . Não só não repudiou como os acolheu, chamando-os de “movimentos sociais”, com os quais dialoga e, afirmou, continuará a dialogar. Ora, quem “dialoga” com fascistóides dessa espécie não está querendo boa coisa. De resto, essa conversa de “diálogo” é cascata. Estamos falando de ações concertadas de um mesmo partido, cujas alas podem divergir na tática, mas não no propósito.

E agora vem o trecho que revela o aspecto quase sublime desta alma autoritária. Poder-se-ia dizer que Franklin saiu do partido stalinista a que pertencia, mas o stalinismo não saiu dele. Leiam isto:
“Para nós a liberdade de imprensa é sagrada. O Estado Democrático só existe, consolida-se e se fortalece com uma imprensa livre. E, ao garantir a liberdade de imprensa no país, o governo federal sabe que está em perfeita sintonia com toda a sociedade”.

O “governo federal” não garante liberdade de imprensa coisa nenhuma, meu senhor!!! Quem garante a liberdade de imprensa é o Artigo 5º da Constituição, que ainda não foi seqüestrado por ninguém, apesar das reiteradas tentativas. Franklin faz parecer que uma prerrogativa constitucional deriva de uma generosidade do governo.

Que coisa! Franklin continua dono de uma alma juvenil… A mesma que redigiu aquela carta no passado.

Como diria Dilma Rousseff, é preciso olhar o passado!

Por Reinaldo Azevedo
VEJA.
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quinta-feira, agosto 12, 2010

ELEIÇÃO 2O1O [In:] A ERA DO ''ZÉ BONITINHO'' (*)

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Marcelo Tas repudia era da 'photoshopização'


Encontros Estadão & Cultura: humoristas criticam veto a piadas com candidatos

12 de agosto de 2010 | 0h 00


- O Estado de S.Paulo

"Estamos vivendo a era da "photoshopização" da vida. Tudo tem de ser bonitinho, sem palavrão e sem celulite": a conclusão é de Marcelo Tas, jornalista, ator e atual âncora do programa CQC, da Bandeirantes, sobre os esforços legislativos ou de militâncias diversas que conspiram por um mundo tão politicamente correto, que chega a ser fake. A frase surgiu ontem, durante a abertura de mais uma edição da série Encontros Estadão & Cultura na Livraria Cultura. O tema da vez são os 60 anos da TV no Brasil.

Por mais de 1h30, Tas e Márcio Ballas, do grupo Jogando no Quintal e apresentador do É tudo Improviso, também da Band, divertiram uma plateia predominantemente jovem que lotou o Teatro Eva Hertz. O tema do dia foi o humor.

Ao citar a obsessão da nossa era por patrulhas ideológicas, Tas falou sobre a lei que veta palmadas nas crianças e o caso de um juiz que proibiu a mãe de batizar a filha com o nome "Amora". Mestre em humor de improviso, Ballas tem esperança de que o gênero possa contribuir para reverter tantas exigências. "O improviso traz à tona algo falível."

A pergunta mais encaminhada aos dois pela plateia dizia respeito à proibição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a piadas referentes aos candidatos nesta época de eleição. Para Tas, sem meio termo, isso é uma forma de "censura". "Nem quando eu fazia o (repórter) Ernesto Varela (personagem dos anos 80) havia tanta intromissão, e olha que o presidente era o (João) Figueiredo", completou Tas.

A aceleração da internet no Brasil, que dá a Tas e Ballas um ibope até maior que a TV, também foi assunto do encontro.

Os Encontros Estadão & Cultura terão hoje Ana Paula Padrão, Lillian Witte Fibe e Paulo Markun, com foco no jornalismo e amanhã, o autor de novelas Silvio de Abreu: sempre às 13h, no Teatro Eva Hertz (Livraria Cultura do Conjunto Nacional).

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(*) ''MULHERES, CHEGUEI !!!" (Bordão utilizado por Zé Trindade/Cinédia/Atlântida).

  • Nome Completo: Milton da Silva Biftencourt
  • Natural de: Salvador, BA, Brasil
  • Nascimento: 18 de Março de 1915
  • Falecimento: 02 de Maio de 1990.

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sexta-feira, março 26, 2010

GOVERNO LULA/LULA [In:] IMPRENSA ! (do verbo ''imprensar'')

Uma obsessão de Lula

O Estado de S. Paulo - 26/03/2010

Luiz Inácio Lula da Silva não é o primeiro nem será o último chefe de governo, em qualquer instância e de qualquer país democrático, a se queixar da imprensa. Para não ir muito atrás, nem muito longe, o que se falava mal da mídia no Palácio do Planalto do presidente Fernando Henrique e o que se fala no Palácio dos Bandeirantes do ainda governador José Serra, por exemplo, ocupariam páginas inteiras de um periódico. Jornalistas essa a reclamação recorrente nos palácios de todas as cores ignoram na maior parte do tempo o que se faz de bom (e o esforço que isso demanda), só destacam o que vai mal (sem se aprofundar nas causas dos problemas) e preferem a fofoca aos fatos relevantes (porque estes dão mais trabalho para apurar).

Há, no entanto, uma diferença não de grau, mas de natureza entre os protestos dos que se julgam injustiçados pelos meios de comunicação e os sistemáticos ataques de Lula à imprensa a que acusa, indistintamente, de tratar o seu governo com "má-fé". Governadores e prefeitos, ministros e secretários podem deplorar a suposta miopia do noticiário, mas reconhecem a carga inerente de tensão no seu relacionamento com o jornalismo que a eles não se subordina. Já o caso de Lula é obsessão. Desde o escândalo do mensalão, em 2005, ele está em campanha para demolir a credibilidade dos órgãos de informação. As suas diatribes, como a de anteontem, durante um evento, são uma mistura de vezo autoritário com ressentimento de classe, agravada pelo descontrole emocional diante da mera expectativa de receber críticas.

No passado, Lula dizia que não teria se tornado o que se tornou, a ponto de disputar a Presidência da República, não fosse a liberdade de imprensa no Brasil. Foi ela quem de fato propeliu o seu nome, cobrindo passo a passo a sua trajetória, fossem quais fossem os julgamentos que pudesse fazer a seu respeito. Isso não mudou, mas o que Lula hoje entende por liberdade de imprensa é uma caricatura grotesca. "É triste", investiu, "quando as pessoas têm o direito de escrever as coisas certas e escrevem as coisas erradas." Nas democracias, as pessoas têm o direito de escrever ponto. Nas ditaduras, quem diz o que é certo ou errado é o ditador. Para Lula, o certo seria a imprensa dizer que o PAC é uma maravilha. O errado, informar que apenas 11% de suas obras foram concluídas e 54% não saíram do papel.

Certo também seria a imprensa olhar para o outro lado enquanto ele promove, com assombroso despudor, a candidatura Dilma Rousseff. Na mesma ocasião em que vociferou contra a mídia, deu a deixa para a plateia gritar o nome da ministra, ao afirmar: "Eu não posso dizer quem vai ser (o sucessor), eu não posso dizer, porque, porque vamos aguardar." Errado é noticiar que Dilma inaugura obras que não estão concluídas. Lula afirma que a imprensa tem predileção pela desgraça "para dizer: "viu, o menino não era letrado, o menino nasceu para ser torneiro mecânico. A partir daí já é abuso"". Ele jamais se cansará de fazer praça de suas origens menos por justo orgulho do que para insuflar o eleitorado pobre. Mas nunca pôs a sua formidável popularidade a serviço da educação, dizendo algo como "se sou o que sou sem ter estudado, imaginem o que eu seria se tivesse".

Os historiadores do futuro certamente terão muito a dizer sobre a contribuição do governo Lula para o prosseguimento das transformações pelas quais o País começou a passar nos anos 1990. Tampouco deixarão de registrar que a democracia lhe deve a decisão de não buscar um terceiro mandato mediante emenda constitucional. Mas haverão de lembrar que nunca antes neste país, em regime democrático, um presidente havia manifestado tanto ódio pela imprensa livre. Lula é o governante que, com pouco mais de um ano no poder, tentou expulsar do País o correspondente do New York Times por ter escrito uma reportagem (de duvidosa qualidade, por sinal) sobre o que seria o seu gosto pela bebida. Alertado pelo então ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, de que a expulsão seria inconstitucional (o jornalista era casado com uma brasileira), Lula explodiu: "F?-se a Constituição."

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