PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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quarta-feira, maio 22, 2013

''MEU MULATO INZONEIRO..." (Ary Barroso)

22/05/2013
Cotas suspensas

Editais do Ministério da Cultura para negros são considerados racistas e ficam suspensos


Editais do minC são suspensos

Justiça entendeu que ações exclusivas para cultura negra são uma prática racista

André Miranda 


A Justiça Federal suspendeu os editais de incentivo à cultura negra lançados pelo Ministério da Cultura (MinC) em novembro de 2012, por entender que eles representam uma prática racista. Com um valor total de R$ 9 milhões, os editais foram, até agora, a principal novidade da gestão de Marta Suplicy à frente da pasta, que assumiu há cerca de nove meses prometendo políticas de inclusão.

A decisão, do juiz José Carlos do Vale Madeira, da 5a Vara da Seção Judiciária do Maranhão, foi publicada no Diário Oficial de ontem. Ele escreveu que o MinC "não poderia excluir sumariamente as demais etnias" e que os editais "destinados exclusivamente aos negros abrem um acintoso e perigoso espectro de desigualdade racial". 
Os editais suspensos foram: Apoio para Curta-Metragem - Curta Afirmativo: Protagonismo da Juventude Negra na Produção Audiovisual; Prêmio Funarte de Arte Negra; Apoio de Coedição de Livros de Autores Negros; e Apoio a Pesquisadores Negros. O primeiro é de gestão da Secretaria do Audiovisual (SAv) do MinC, o segundo, da Funarte, e os dois últimos, da Fundação Biblioteca Nacional.

Ministério promete recorrer

Os editais foram lançados em 20 de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. A ideia anunciada por Marta era facilitar o acesso a verbas por parte de artistas e produtores que lidam com a cultura negra, cujos projetos seriam, de acordo com o MinC, pouco acolhidos pelas políticas usuais de patrocínio. Todos eles já haviam encerrado suas inscrições e deveriam anunciar os projetos habilitados no início do segundo semestre.

O processo foi movido como ação popular pelo escritório do advogado Pedro Leonel Pinto de Carvalho, do Maranhão, citando como réus a União Federal, a Funarte e a Fundação Biblioteca Nacional.

Em nota, o MinC informou que vai apresentar recurso à decisão: "O edital da SAv é legal, constitucional e há segurança na regularidade da política. O mesmo entendimento têm as áreas jurídicas da Funarte e Fundação Biblioteca Nacional, que também entrarão com recurso".

quinta-feira, março 07, 2013

EDUCAÇÃO E MATEMÁTICA: O FIM DE UMA ERA DE "HOMENS QUE CALCULAVAM" (Malba Tahan)


07/03/2013 - 04h30

Estudantes do ensino fundamental evoluem, mas nível cai no médio

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

Etapa com mais dificuldades na educação básica do país, o ensino médio chegou a ter uma leve piora de qualidade entre 2009 e 2011 em matemática. Já os estudantes mais novos do fundamental mantiveram um processo de melhoria nas notas.


As conclusões foram divulgadas ontem pela ONG Todos pela Educação, que reúne empresários, educadores e gestores da área.

Segundo o levantamento, a proporção de alunos no 3º ano do ensino médio que atingiu os conhecimentos esperados caiu de 11% para 10%, em matemática.

Em português, o percentual permaneceu em 29%.

O estudo leva em conta os microdados da Prova Brasil, avaliação nacional aplicada pelo Ministério da Educação.

A evolução das notas considera estudantes da rede pública e da privada.

Isolados os colégios públicos, que concentram mais de 80% das matrículas no ensino médio, a situação é ainda pior: apenas 5% dos alunos chegaram ao patamar esperado em matemática.

Nenhum Estado bateu as metas desenhadas pela ONG. Das três séries avaliadas, o último ano do ensino médio é a com piores desempenhos.

Já os alunos do 5º ano do fundamental seguem apresentando melhorias. A proporção de alunos com conhecimento satisfatório em matemática foi de 33% para 36%.

Editoria de Arte/Folhapress


PROJETOS E CURRÍCULOS

Para a diretora executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, falta para a matemática projeto estruturante de governos estaduais (ensino médio público) e do Ministério da Educação. Ela diz ainda ser necessária a adoção do currículo nacional. "Preciso saber o que o aluno deve aprender. Do contrário, como formar os professores?".

Doutora em matemática pela Faculdade de Educação da USP, Katia Stocco Smole diz que o problema da disciplina no ensino médio começa já na metade do ensino fundamental, quando a matéria fica mais complexa.

"Se o aluno não tem o apoio adequado, acumula dificuldades." Para a pesquisadora, a matemática traz um complicador: os alunos têm menos contato com a área no cotidiano, fora da escola.

"Muitas vezes, o pai nem consegue ajudar. Por isso, é um esforço que cabe basicamente à escola", completou.

O presidente do Inep (instituto de pesquisas do Ministério da Educação), Luiz Claudio Costa, afirma que a pasta já trabalha com os secretários de Educação o desenho de um pacto para a melhoria do ensino médio como um todo.

Ele diz reconhecer que há problema nessa etapa, mas que a análise do ministério não mostra piora no cenário.


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06/03/2013 - 12h00

Cai número de alunos com conhecimento adequado em matemática

DE SÃO PAULO


A proporção de alunos que têm o conhecimento adequado em matemática no terceiro ano do ensino médio caiu de 11% para 10% entre 2009 e 2011.


Os dados foram divulgados hoje pela ONG Todos pela Educação, que detalhou os resultados da Prova Brasil, avaliação nacional do Ministério da Educação.

Segundo a diretora executiva da ONG, Priscila Cruz, ainda que a queda seja pequena, ela é preocupante, pois foi o nível de ensino no qual os alunos têm a menor conhecimento entre todas as pesquisadas.

Em português, o nível se manteve em 29%.

De positivo, foi apontado que os alunos mais novos do ensino fundamental têm melhorado. Em matemática no quinto ano, por exemplo, a proporção de alunos com o conhecimento adequado subiu de 34% para 40%.


segunda-feira, novembro 05, 2012

... ENEM e ''EVAZÃO'': ''E NEM trabalha, E NEM estuda, E NEM me fale nisso ..."



1,6 MILHÃO DE CANDIDATOS PERDEM ENEM

INTERNET MARCA EDIÇÃO



Autor(es): » GRASIELLE CASTRO » JULIA CHAIB
Correio Braziliense - 05/11/2012

A estimativa é de que cerca de 27,9% dos inscritos não compareceram às provas no segundo dia de exame em todo o país. No DF, o índice de faltas chegou a 32%. Uma jovem que deu à luz na hora da prova terá nova chance. MEC vai avaliar pedido de aluno do Marista, em Brasília, que não pôde fazer o teste porque foi espancado e está internado em hospital

Problemas nas redes sociais, que eliminaram 65 candidatos, fazem o MEC exigir lei mais rígida. No fim de semana, 4,17 milhões prestaram o exame, entre eles, jovem que deu à luz minutos antes da prova. Ela terá nova chance

Cerca de 1,5 milhão de estudantes deixaram de participar neste fim de semana do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dados preliminares apontam que dos 5,79 milhões de inscritos, 4,17 milhões compareceram aos locais de provas — abstenção média de 27,9%. O percentual é próximo do registrado em anos anteriores — 26,4% em 2011 e 27,9%, em 2010. No Distrito Federal, dos 89,5 mil participantes, cerca de 32% faltaram. Além dos ausentes, outros 65 alunos foram eliminados por causa da internet. Ontem, mais 28 participantes repetiram o erro dos 37 candidatos que, no sábado, postaram imagens da avaliação em redes sociais.
O ministro Aloizio Mercadante afirmou ontem, em coletiva após o encerramento das provas, que esses casos, com o de uma pessoa de Campinas (SP), que publicou no Twitter no sábado de manhã um alerta falso de que a prova havia sido cancelada, serão investigados com rigor. A Polícia Federal apura os fatos e uma delegacia especializada em crimes eletrônicos foi acionada. "Uma irresponsabilidade como essa gera uma insegurança ou prejuízo muito grande. Precisamos melhorar a legislação e trabalhar em cima disso." O ministro espera que as normas sejam atualizadas e os crimes cibernéticos melhores tipificados. Em 24 de outubro, outra pessoa também postou que o Enem seria cancelado. "Queremos analisar e ajustar a legislação a esses novos desafios."
Uma série de incidentes pontuais marcaram o fim de semana de provas. No DF, uma mãe deixou o filho de cinco anos abandonado fora do prédio onde ela fazia o exame — o Conselho Tutelar foi acionado. O caso mais emblemático, entretanto, foi o da estudante Pâmela de Oliveira Lescano, 17 anos, que deu à luz um menino minutos antes de a avaliação começar, em Sidrolândia, a 70km de Campo Grande (MS). Uma fiscal a encontrou no banheiro sangrando, com o menino nos braços. O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) foi chamado e os dois passam bem. Logo depois, o ministro ligou para a adolescente e informou que ela poderá fazer a prova em 4 e 5 de dezembro.
Participantes sabatistas (guardam o sábado por motivos religiosos) que fizeram o primeiro dia de prova em Rio Branco, onde teve falta de energia devido às chuvas, além de deficientes visuais do Rio de Janeiro, que reclamaram que o material não era adaptado, também poderão fazer o Enem no próximo mês. A avaliação já estava prevista para a população carcerária do país. A pasta avalia ainda a possibilidade de incluir nesse rol os candidatos de uma escola de Amargosa (BA), fortemente atingida pelas chuvas. O caso do estudante brasiliense Leonardo Guimarães Moreira, 18 anos, agredido na saída de uma festa no dia 28, também será estudado. De acordo com a irmã do jovem, Lauseani Santoni, 30, a família entrará na Justiça ainda esta semana para tentar assegurar o direito de o rapaz fazer o Enem. "Vamos entrar com um mandato de segurança. Ele está se recuperando bem e conseguirá fazer a prova."
Falhas

De 2009 a 2011, nas três edições, o exame apresentou erros. No ano passado, questões do pré-teste vazaram e foram usadas no material de estudo do Colégio Christus, de Fortaleza. Um erro técnico na correção da redação fez com que um aluno conseguisse mudar a nota de zero para 880. Em 2010, os gabaritos divergiam das provas e, em 2009, a prova foi furtada e teve de ser adiada. Para Mercadante, o resultado deste ano foi positivo. "Não tivemos nenhuma fraude até esse momento ou qualquer episódio que pudesse arranhar a eficiência do exame", disse. Segundo ele, a pasta aprendeu com as experiências anteriores e levará os aprendizados desta para o ano que vem.
Atrasados

No Distrito Federal, a cena dos estudantes que chegam atrasados e são eliminados se repetiu ontem. "Por três minutos, perdi a chance", desabafou Luis Felipe Santana, 22 anos, que quer estudar matemática. Ele havia realizado as provas no sábado, mas disse que o ônibus demorou muito para passar. "Moro em Ceilândia Norte e tive de fazer a prova na Asa Norte, não deu tempo mesmo", lamenta. Ruim também para Juán Cortez, 14, que chegou ao local um minuto depois de o portão fechar. "Estou no 1º ano do ensino médio e queria fazer o Enem como treinamento. Se eu tivesse buscando entrar na universidade, teria ficado muito chateado."
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sexta-feira, outubro 26, 2012

MERCADO DE TRABALHO



As profissões e o mercado de trabalho



Autor(es): Naercio Menezes Filho
Valor Econômico - 26/10/2012
 

O Brasil precisa aumentar o número de pessoas com ensino superior completo. Em 2010 havia cerca de 10 milhões de graduados na população brasileira, que correspondiam a 10% da população adulta. No México essa taxa é de 15%, no Chile, 25%, a média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 30%, sendo que na Coreia e nos EUA os graduados formam 40% da população adulta. Como podemos aumentar o número de graduados no Brasil? Existe mesmo um apagão de mão de obra qualificada? Que tipos de profissionais são mais necessários hoje em dia?
Na verdade, é difícil afirmar que há um apagão generalizado de mão de obra qualificada no Brasil. O salário médio das pessoas com nível superior declinou na última década, passando de R$ 4.317 em 2000 para R$ 4.060 em 2010. Essa queda no salário real foi maior do que a observada entre os que completaram apenas o ensino médio cujo salário passou de R$ 1.378 a R$ 1.317). Se a demanda por graduados no ensino superior estivesse realmente crescendo a uma taxa superior à expansão da oferta, os diferenciais de salários nesse nível deveriam estar aumentando.
Dados de uma pesquisa recente1 mostram que a diminuição dos diferenciais de salário do ensino superior na última década reflete a queda salarial ocorrida em algumas formações específicas, que tiveram grande aumento na proporção de formados. Essas profissões são: pedagogia, administração de empresas, enfermagem, turismo, farmácia, marketing, atuárias, comércio, terapia/reabilitação, engenharia eletrônica e de produção. Todas essas carreiras tiveram reduções salariais significativas ao longo da década, como resultado da grande expansão de oferta. Vale notar que, apesar dessas reduções salariais, ainda vale a pena cursar qualquer um desses cursos, já que o seu salário médio continua muito superior ao do ensino médio completo.
Dados mostram que é difícil afirmar que há um apagão generalizado de mão de obra qualificada no Brasil
A grande expansão das matrículas nesses cursos atendeu aos anseios de muitas famílias da "nova classe média", que sonham com o diploma universitário como comprovante de sua ascensão social. A maior parte dos cursos nessas áreas são baratos, não necessitam de grandes investimentos em infraestrutura (como laboratórios de pesquisa) e oferecem um conteúdo menos técnico. Por isso a demanda é tão grande.
Por outro lado, outras profissões tiveram aumentos menores e até redução no número de formados atuando no mercado de trabalho. As principais são: medicina, odontologia, matemática, quase todas as engenharias, física, química, geologia, economia e ciências sociais. Nessas profissões o salário real aumentou significativamente, uma vez que a demanda pelos egressos aumentou mais rapidamente do que sua oferta. Ou seja, a sociedade está precisando de mais profissionais dessas áreas. Filosofia foi a única profissão em que o salário caiu juntamente com a redução da oferta.
Mas, por que não houve expansão maior de oferta nas profissões que pagam altos salários? O problema é que grande parte desses cursos são mais difíceis, mais caros e contam com entidades corporativistas que dificultam a abertura de novas vagas. O caso de medicina é emblemático. O médico é o profissional mais bem pago entre todas as profissões, com salário médio de R$ 8.340 em 2010, três vezes maior do que o dos filósofos. Entretanto, um curso típico de medicina dura seis anos, além do período de residência que o médico deve cursar para tornar-se especialista. A mensalidade média de um curso de medicina no estado de São Paulo é de R$ 4.200, valor que poucas famílias brasileiras teriam condições de pagar sem acesso a crédito.
Por fim, entidades de classe frequentemente criam novos exames para os formados e dificultam a abertura de novos cursos, com o argumento de que é necessário zelar pela formação dos médicos. Assim, o número de médicos cresceu apenas 9% na última década, enquanto o total de graduados cresceu 97%. Enquanto isso, pessoas adoecem e morrem de doenças facilmente tratáveis pelo país afora. O mesmo ocorre com conselhos e ordens de outras profissões que estão em alta.
Outro aspecto importante, que diminui o ingresso nas profissões mais técnicas é a baixa qualidade da educação básica, principalmente em matemática e ciências. Como se sabe, o aprendizado nas escolas públicas brasileiras está entre os piores do mundo. As deficiências de aprendizado vão se acumulando ao longo do ensino básico, fazendo com que o jovem, ao concluir o ensino médio, tenha poucas condições de acompanhar um ensino superior de qualidade em engenharia, por exemplo.
Além disso, vários profissionais acabam trabalhando em ocupações diferentes de sua área de formação. Apenas 10% dos formados em economia, por exemplo, trabalham efetivamente como economistas. No caso das engenharias, essa proporção varia de 30% e 50%, mas aumentou na última década. Além disso, o diferencial de salário para os engenheiros que trabalham em ocupações típicas de engenharia também aumentou. Isso significa, por exemplo, que a sociedade está precisando de mais engenheiros construindo obras do que trabalhando no mercado financeiro.
Em suma, o Brasil precisa ter mais pessoas formadas em medicina e nas ciências exatas. Para que possamos fazer isso é necessário melhorar a qualidade da educação básica; aumentar o crédito estudantil privilegiando essas áreas; facilitar a imigração de profissionais de outros países e evitar que entidades de classe dificultem o processo de expansão de vagas e o exercício profissional dos alunos egressos dessas carreiras.
1 "Apagão de Mão de Obra Qualificada? As Profissões e o Mercado de Trabalho Brasileiro entre 2000 e 2010", Centro de Políticas Públicas do Insper e Brain Brasil Investimentos e Negócios.
Naercio Menezes Filho, professor titular - Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, é professor associado da FEA-USP e escreve mensalmente às sextas-feiras.

segunda-feira, outubro 22, 2012

EDUCAÇÃO e E.P.B.: Lembram? *



Desafios brasileiros: Por trás do sucesso, uma boa escola

Por trás do sucesso, uma boa escola


O Estado de S. Paulo - 22/10/2012

Para formar profissionais em número suficiente para atender ao mercado de trabalho, o Brasil precisa melhorar a educação básica, ampliar a formação de técnicos e reduzir deficiências do ensino superior, como mostra o 2º caderno da série "Desafios Brasileiros", iniciativa de O Estado e O Globo.

Nos últimos anos, o Brasil conseguiu garantir que praticamente todas as crianças entre 6 e 14 anos fossem matriculadas na escola, mas o País ainda está longe de formar profissionais em número suficiente para atender ao mercado de trabalho - seja em nível técnico ou superior. É o que mostra este segundo caderno do projeto "Desafios Brasileiros", uma parceria entre Estado e O Globo.
Mesmo quem consegue concluir os estudos e obter o diploma, nem sempre está dentro dos padrões que as empresas precisam pa­ra acompanhar um mundo em rápida transformação. Diante dis­so, grandes empresas investem cada vez mais no aperfeiçoa­mento de seu pessoal. Instituições ligadas ao terceiro setor, não governamental, também agem em várias frentes para compensar as deficiências do sistema educacional.
Para quem estuda, a recompensa é inequívoca: dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, mostram que o trabalhador com diploma universi­tário chega a receber 167% mais do que aquele que con­cluiu apenas o ensino médio. O prêmio é ainda maior à medida em que avança a formação mais qualificada. Um grau de mestrado ou doutorado garante salário 426% maior que o de quem só tem o ensino médio.
Melhorar o desempenho desde os primeiros anos da educação básica é tarefa árdua. E garantir uma boa es­cola para os jovens também. Segundo o IBGE, há 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos longe dos bancos escolares e que também não trabalham nem bus­cam colocação no mercado.
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A série "Desafios Brasileiros" continua no 5 de novembro, com o caderno "Energia e Econo­mia Verde". A publicação simultânea nos dois jornais alcança 2,5 milhões de leitores.
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* EPB - ESTUDOS DE PROBLEMAS BRASILEIROS.
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segunda-feira, outubro 15, 2012

BRASIL: EDUCAÇÃO E INFRAESTRUTURA



Desafios Brasileiros

Corrida para chegar entre os primeiros


O Estado de S. Paulo - 15/10/2012
 

Corrida para chegar entre os primeiros
Pela primeira vez, o Brasil está entre os 50 países mais competitivos, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial. Mas ocupa o 48º lugar entre 144 analisados. Melhorar os níveis educacionais, investir em infraestrutura e reduzir a mão forte do Estado são alguns gargalos apontados no 1° caderno da série "Desafios Brasileiros", uma iniciativa de O Estado de S. Paulo e O Globo, que aborda competitividade.

Pela primeira vez, o Brasil passa a figurar entre os 50 países mais competitivos, de acordo com relatório do Fórum Eco­nômico Mundial. Mas o País não ficou bem na foto: ocupa o 48° lugar, entre 144 analisados. 
Considerando que despon­tou como a sexta economia do mundo - tirando o posto do Reino Unido -, os números parecem, no entanto, um boca­do desanimadores. 
Afinal, é esse mesmo Brasil que tem ape­nas 1,4% do comércio mundial e ainda depende, excessiva­mente, da venda de produtos básicos (como soja, minério de ferro e café) para somar divisas. Melhorar os níveis edu­cacionais, investir mais pesadamente em portos, aeropor­tos, ferrovias e estradas e reduzir a mão forte do Estado são algumas das premissas para ser competitivo e avançar posi­ções. Esses gargalos são apontados por técnicos de diversos setores no primeiro caderno da série "Desafios Brasilei­ros", uma iniciativa de O Estado de S. Paulo e O Globo, que aborda o tema da competitividade.
Mas o Brasil também reúne bons exemplos de em­presas e institutos de pesquisa que fazem bonito: in­vestem, geram conhecimento de ponta e colocam o País no mapa da inovação e do desenvolvimen­to de tecnologias. Não são poucos os desafios do governo - que precisa apostar alto na aprovação de reformas, como a tributária e a traba­lhista da sociedade e da iniciativa privada.
Tudo para reduzir a distância entre o Brasil e as outras grandes nações que buscam o progresso e a geração da riqueza. O próxi­mo caderno, no dia 22, tratará de Merca­do de Trabalho e Educação.

terça-feira, abril 03, 2012

BRASIL/INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO [In:] ''PROPENSÃO MARGINAL A INVESTIR = ZERO'' *

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Educação, pilar da economia


Autor(es): Sergio Amad Costa
O Estado de S. Paulo - 03/04/2012

Sabe-se que, para o Brasil ser realmente competitivo, é preciso que se façam as reformas estruturais. Mas, se o País realizá-las e não investir pesadamente na educação, elas se tornarão, a médio e a longo prazos, meros paliativos na tentativa de fazer uma nação desenvolvida. Na condição em que se encontram os nossos recursos humanos, o País não consegue crescer a taxas superiores a 4,5% do PIB, em termos constantes. Temos hoje uma baixíssima produtividade por causa da escassez de trabalhadores qualificados em praticamente todos os setores da economia.

Foco, como exemplo, o caso da nossa engenharia, pois nenhum país cresce desprovido dela. O Brasil forma em média 40 mil engenheiros por ano, enquanto a Coreia do Sul, mais de 80 mil ao ano, tendo menos da metade da nossa população. Quanto aos países emergentes, a China forma 650 mil engenheiros/ano; a Índia, 220 mil; e a Rússia, 190 mil.

O fato é que, pela quantidade de vagas oferecidas nas universidades públicas e privadas brasileiras, poderiam se formar aqui quase o dobro dos engenheiros que se graduam por ano. Mas isso não ocorre porque, além de as vagas para alguns desses cursos não serem preenchidas, há um elevado nível de evasão nas escolas de engenharia, girando em torno de 54%, considerando as universidades públicas e privadas. E há, também, o problema da retenção. O curso de engenharia tem cinco anos de duração, mas, em média, o aluno leva seis anos para se formar.

O esforço para solucionar o problema não deve ser realizado com a criação de mais e mais escolas de engenharia. Tal esforço deve ser para um segundo momento. O foco, agora, deveria estar centrado em preencher adequadamente as vagas existentes desses cursos e reduzir o elevado índice de evasão e retenção dos estudantes. Para isso são necessárias políticas públicas voltadas para uma reforma profunda, com investimentos de recursos maciços, nos ensinos fundamental e médio.

Esses níveis de educação, em geral, não estimulam adequadamente o ensino das ciências exatas, dificultando a assimilação de conhecimentos futuros para a engenharia, fundamentais na Física, na Matemática e na Química. O resultado é a falta de base para acompanhar a faculdade de engenharia. Esse é o principal motivo que gera tanto a evasão quanto a retenção.

Além disso, não são muitos os jovens que procuram ingressar nas escolas de engenharia, pois nos níveis fundamental e médio, com raras exceções, não se ensinam as matérias de exatas de forma a estimular os estudantes a seguirem carreira na área de tecnologia. As vocações para os campos da engenharia não são despertadas, como deveriam ser, mediante novas técnicas de ensino, com didáticas apropriadas a um mundo pós-moderno.

As vocações vão sendo formadas, mediante as condições que se apresentam para os estudantes, durante seu processo de amadurecimento intelectual. E é isso que precisa ser levado em conta, e com uma visão de longo prazo. Fazer trabalhos e projetos com as crianças e os adolescentes para que eles gostem de Física, Química e Matemática.

Pouco adianta criar mais escolas de engenharia, mais vagas, se o País não conta com uma quantidade realmente expressiva de jovens interessados nelas. Ou se tiver ingressantes nos cursos que não conseguem aprender as disciplinas porque não tiveram base para isso nos cursos fundamental e médio. Continuarão, nesse caso, a ter vagas não preenchidas, elevados níveis de evasão e uma média alta de retenção.

Há quem defenda, numa visão imediatista, a criação de cursos de engenharia de curta duração, visando a ofertar mais profissionais da área para o mercado de trabalho. Ora, elevaríamos o número de engenheiros no Brasil, porém com o risco de serem construídas "pontes que caem".

Para o País crescer e um dia ser realmente desenvolvido, seria preciso que as estratégias voltadas para a educação fossem de longo prazo. Aí, sim, teríamos uma engenharia que, em vez de minguar, proliferaria no Brasil.

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(*) A lembrar Keynes.

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quinta-feira, fevereiro 16, 2012

ORÇAMENTO UNIÃO/GOVERNO DILMA [In:] ANALFABETOS E DOENTES

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GOVERNO TIRA R$ 7,4 BI DA SAÚDE E DA EDUCAÇÃO

ARROCHO DE R$ 55 BI

Autor(es): ROSANA HESSEL
Correio Braziliense - 16/02/2012

Governo anuncia redução no Orçamento deste ano, mas garante investimentos para impulsionar o crescimento econômico do país. Planalto limou todas as despesas criadas pelo Congresso NotíciaGráfico

Depois de muito suspense e de várias divergências dentro da equipe econômica, o governo anunciou ontem um corte de R$ 55 bilhões no Orçamento deste ano. Nem mesmo as áreas de saúde e educação, consideradas vitais pela presidente Dilma Rousseff, escaparam da tesoura. Os dois setores perderam R$ 7,4 bilhões em relação ao que foi aprovado no Congresso Nacional. O Palácio tentou minimizar o impacto da medida com o discurso de que os ministérios comandados por Alexandre Padilha e Aloizio Mercadante, ambos petistas, tiveram as verbas preservadas em relação à proposta orçamentária encaminhada ao Legislativo no fim de agosto de 2011. O argumento não convenceu.

No Palácio, assessores de Dilma disseram que os cortes anunciados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, contemplaram todos os interesses. Inicialmente, discutia-se um arrocho entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões, cifra defendida pelo Banco Central, como forma de a instituição manter os juros em baixa sem pressionar a inflação.

De outro lado, a Casa Civil e o Planejamento apoiavam um bloqueio orçamentário menor, entre R$ 45 bilhões e R$ 50 bilhões, para garantir os investimentos públicos e um maior crescimento da economia. A presidente preferiu acatar a sugestão de Mantega e evitar os extremos.

O corte previsto para este ano é 10% maior que o de R$ 50 bilhões anunciado em 2011.

Mantega explicou que o objetivo do contingenciamento é, em meio à crise vivida na Europa e às incertezas que rondam o mundo, dar continuidade ao crescimento econômico brasileiro e atingir a meta de superavit primário (economia para o pagamento de juros da dívida) de R$ 139,8 bilhões ou 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Para alcançar esse resultado, o governo aposta em um avanço da atividade de 4,5% este ano, bem acima dos 3% estimados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), com inflação de 4,7%.

Gritaria
Na comparação entre os ministérios, além da Saúde e da Educação, o das Cidades, alvo de fortes denúncias de corrupção, foi um dos mais prejudicados, com perdas de R$ 3,3 bilhões em verbas. Depois dele, destacam-se as pastas da Defesa, com redução de R$ 3,3 bilhões; da Justiça, com menos R$ 2,2 bilhões; e da Integração Nacional, esvaziada em R$ 2,1 bilhões. Por meio de sua assessoria de imprensa, o ministro da Defesa, Celso Amorim, contestou os dados do Planejamento. Argumentou que o corte não será de R$ 3,3 bilhões, mas, sim, de R$ 2,7 bilhões, pois o que foi limado se refere a emendas parlamentares. O ministro ressaltou ainda que foram mantidos projetos estratégicos, como o monitoramento de fronteiras e o controle do espaço aéreo.

Entre as despesas discricionárias, que são consideradas não obrigatórias e incluem os investimentos, a redução na peça orçamentária foi de R$ 35 bilhões — foram R$ 15 bilhões, além dos R$ 20,3 bilhões em emendas de políticos, decisão que, por sinal causou uma gritaria geral no Congresso contra o governo (veja mais na página 12).

Outros R$ 20,5 bilhões foram reduzidos das despesas obrigatórias, fruto, principalmente, da mudança de parâmetros econômicos. Por exemplo, o Orçamento previa um salário mínimo de R$ 623, mas o valor foi cravado em R$ 622. Além disso, houve redução de R$ 7,7 bilhões na previsão de gastos com benefícios previdênciários. De acordo com Miriam Belchior, a projeção de crescimento vegetativo dessa despesa foi reduzida de 3,2% para 3,1%.

Com todas essas mudanças, grosso modo, o governo passou a perna no Congresso Nacional e fez o Orçamento retornar à proposta original encaminhada no ano passado. Reforçou ainda o discurso dos especialistas de que a peça orçamentária é uma obra de ficção.

Ceticismo
Alheio às críticas, o ministro da Fazenda destacou que o arrocho no Orçamento brasileiro é diferente do ajuste fiscal realizado nos países europeus, com corte de investimentos, de programas sociais e de empregos. "Estamos fazendo uma consolidação fiscal que vai levar a um resultado primário satisfatório e viabilizar investimentos. Não é um reajuste clássico, conservador", disse.

O ministro também deixou claro que o corte de R$ 55 bilhões é um empurrãozinho no trabalho do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, de dar sequência à redução da taxa básica de juros (Selic), hoje em 10,50% ao ano, e, com isso, estimular projetos de investimentos da iniciativa privada. Não à toa, Mantega está apostando em um incremento de 10,8% nos desembolsos produtivos ao deste ano na comparação com 2011.

A meta do governo é que a taxa de investimento em relação ao PIB fique em 20,8%, acima dos 19,6% registrados no ano passado. Desse total, a fatia do setor público é algo em torno de 3%. O restante caberá à iniciativa privada. "Vamos chegar a uma taxa de investimentos de 24% do PIB em 2014", estimou. Nas contas do mercado, se esse indicador não avançar na velocidade estimada pela Fazenda, dificilmente o país conseguirá crescer acima de 5% ao ano sem pressionar a inflação.

Tanto Mantega quanto Miriam Belchior asseguraram que os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de mais de R$ 40 bilhões, serão 20% maiores do que os de 2011. "É ambicioso, mas é possível. Se olharmos para os anos anteriores, o crescimento acompanhou esse ritmo. Hoje, temos mais projetos e mais experiência. O Estado está mais aparelhado para realizar as obras neste ano. É uma meta exequível e vamos trabalhar para que ela seja cumprida", afirmou o ministro.

Mantega ainda prevê um crescimento de 10% nas receitas administrativas na comparação com o ano passado para R$ 700 bilhões, ou seja, R$ 24,5 bilhões a menos do que os previsto inicialmente no Orçamento aprovado em dezembro. Essa previsão de aumento na receita é vista como positiva pelo economista Frederico Turolla, diretor da consultoria Pezco. "O fato de o corte ter sido maior do que o do ano passado é uma sinalização positiva de compromisso com a manutenção da política fiscal neste ano", comentou.

Já o economista sênior da Economist Intelligence Unit, Robert Wood, duvidou se o contingenciamento será suficiente para o governo alcançar a meta cheia de superavit primário (sem descontos de gastos do Programa de Aceleração do Crescimento) de 3,1% do PIB. Ele também questionou a estimativa da de avanço de 4,5% do PIB. "Nossa projeção de crescimento para o Brasil é de 3,3%, diante do quadro pessimista para a economia global", afirmou.

Áreas ambiental e tecnológica perdem
O contingenciamento anunciado ontem pelo governo afetou também os ministérios do Meio Ambiente (MMA) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Os órgãos perderam, respectivamente, 19,4% e 22,1% dos montantes previstos na lei aprovada pelo Congresso Nacional. O primeiro sofreu uma redução de R$ 197 milhões do total de R$ 1,01 bilhão previsto na peça orçamentária. Já o MCTI viu seus recursos caírem de R$ 6,71 bilhões para R$ 5,23 bilhões, uma diferença de R$ 1,48 bilhão.

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quarta-feira, fevereiro 08, 2012

BRASIL/EDUCAÇÃO [In:] ''QUERO VER QUEM PAGA PRÁ GENTE FICAR ASSIM..."

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PAÍS AINDA TEM 3,8 MILHÕES DE CRIANÇAS FORA DA ESCOLA

QUASE 4 MILHÕES FORA DA ESCOLA

Autor(es): agência o globo:Adauri Antunes Barbosa
O Globo - 08/02/2012

Estudo mostra que Brasil não cumpriu meta de incluir crianças e jovens de 4 a 17 anos


O Brasil tinha 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola em 2010, segundo dados divulgados ontem pelo movimento Todos Pela Educação, que monitora o desenvolvimento do ensino no país.

Entre 2000 e 2010, houve um aumento de 9,2% na taxa de acesso à escola, atingindo 91,5% da população entre 4 e 17 anos, mas nenhuma das regiões do país conseguiu atingir a meta intermediária de 93,4% estabelecida para 2010.

— Esses 3,8 milhões de crianças e jovens fora da escola excedem a população do Uruguai. É uma população mais difícil de incluir porque são os estão no campo, em favelas, em bairros muito pobres — disse a diretora-executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz.

O estado que tem o maior percentual de crianças e adolescentes fora da escola é o Acre (15%). Já Rio e São Paulo têm, respectivamente, 6,8% e 7%. Ao longo da última década, o Norte apresentou o maior aumento na frequência ao ensino, mas tem o pior indicador: 12,2% estão fora da escola. No Sudeste, o avanço foi mais lento, mas tem o melhor percentual de inclusão: 7,3%.

O movimento, que é financiado pela iniciativa privada, desde 2006 acompanha as condições de acesso e alfabetização.

Para isso, estabeleceu cinco metas, que têm prazo final de cumprimento em 2022. Além da meta de incluir todas as crianças de 7 a 14 anos na escola, quer que elas estejam alfabetizadas aos 8 anos, que todo aluno tenha aprendizado adequado à série e que todo jovem tenha concluído o ensino médio até os 19 anos. Quer ainda que o investimento seja ampliado.

Inclusão é menor na faixa de 4 a 5 anos

l No relatório, o país também não conseguiu a meta intermediária para 2010, de que 80% ou mais das crianças deveriam apresentar habilidades básicas de leitura e escrita até o final do 3, ano do ensino fundamental. Segundo dados da Prova ABC, aplicada em 2011, em escrita; a média nacional foi de 53,3%, em matemática, de 42,8%; e em leitura, de 56,1%.

Duas das cinco metas foram atingidas.

Além de fazer com que 64,5% dos jovens tivessem concluído o ensino fundamental aos 16 anos em 2009 — o país atingiu 63,4%, ou seja, ficou dentro do intervalo de confiança —, foi alcançado o objetivo de conclusão do ensino médio até os19 anos: o resultado foi de 50,2% contra 46,5% da meta.

Embora o Brasil tenha alcançado a meta intermediária, o ritmo está lento para que o país possa atingir a meta de 2022. Até lá, 95% ou mais dos jovens até16 anos devem ter concluído o ensino fundamental e 90% ou mais dos jovens até 19 anos devem ter finalizado o ensino médio. As previsões indicam uma taxa de conclusão (com até um ano de atraso) de 76,8% para o fundamental e 65,1% para o médio.

— A crise que estamos vivendo no país acaba desaguando no ensino médio.

Apenas 50% dos jovens têm o ensino médio concluído. Temos um funil: metade conclui o ensino médio e, dessa metade, só 11% aprenderam o mínimo de matemática — disse Priscila.

De acordo com Priscila, o relatório aponta que no 5, ano a porcentagem de alunos que aprendem o mínimo esperado é maior do que no 9, ano, que, por sua vez, também é maior do que no final do 3, ano do ensino médio.

Ontem, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, comentou o relatório do Todos pela Educação. Mercadante disse que o problema de crianças e jovens fora da escola se concentra na pré-escola e no ensino médio, e que o governo trabalha nessas duas frentes: por um lado, quer acelerar o ProInfância.

De outro, aposta na oferta de ensino técnico-profissionalizante para quem cursa o ensino médio. Segundo o relatório, crianças de 4 e 5 anos têm a menor taxa de atendimento (80,1%).

-— A pré-escola prepara para alfabetizar.

A criança chega pronta (ao fundamental) para aprender a ler e fazer contas.

Ao ensino médio, vamos juntar o ensino técnico-profissionalizante, para que os alunos tenham condições de continuar estudando.

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ENSINO BÁSICO E FUNDAMENTAL [In:] CAÓTICO, SERIA O TERMO ?

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Em apenas 35 cidades do País mais da metade dos alunos sabe matemática

O restante não tem conhecimento compatível com a série em que está, mostra relatório anual

07 de fevereiro de 2012 | 23h 38


Mariana Mandelli, de O Estado de S. Paulo


SÃO PAULO - Apenas 35 cidades brasileiras – 0,6% do País – têm 50% ou mais de seus alunos com aprendizado em matemática adequado à série que cursam. Isso quer dizer que a maior parte dos estudantes desses municípios não aprendeu, por exemplo, a identificar objetos em mapas e a resolver problemas com números inteiros e racionais fazendo várias operações. Os dados se referem ao 9.º ano do ensino fundamental das redes públicas.

Meta do plano é de que, até 2022, 70% ou mais dos alunos tenham aprendido o conteúdo da série - Antonio Milena/AE - 31/07/2008
Antonio Milena/AE - 31/07/2008
Meta do plano é de que, até 2022, 70% ou mais dos alunos tenham aprendido o conteúdo da série

No caso da língua portuguesa, esse índice é de 1,2%. Ou seja: apenas 67 municípios apresentam a metade ou mais de seus estudantes com conteúdo satisfatório para o ano da escola em que estão. Isso significa que a grande maioria ainda não aprendeu a identificar o conflito e os elementos que constroem a narrativa de um texto, por exemplo.

Os dados são referentes a 2009 e constam do relatório anual do movimento Todos Pela Educação, apresentado na terça-feira, 7. Todo aluno com o aprendizado adequado à sua série é uma das metas da organização.

Para acompanhar o desenvolvimento desse processo nos municípios, a organização usa o porcentual de estudantes com aprendizagem adequada em língua portuguesa e matemática. As duas disciplinas são avaliadas em todo o País pela Prova Brasil, no 5.º e 9.º ano do fundamental, e pelo Saeb, nas mesmas séries e também no 3.º ano do médio.

No caso do 5.º ano, em matemática, são 1.029 as cidades (19%) que têm 50% ou mais de seus alunos sabendo o que foi ensinado – como ler dados em tabelas. Em língua portuguesa, essa taxa cai para 14,3% – ou 773 cidades – com metade ou mais dos estudantes sabendo, por exemplo, identificar efeitos de humor em um texto.

Nenhuma das capitais do País tem metade ou mais de suas crianças e jovens com o aprendizado adequado nas duas disciplinas dos dois anos avaliados. As taxas mais altas pertencem a Belo Horizonte, com 49% de suas crianças do 5.º ano com conteúdo correto em português e em matemática.

Esses mesmos índices, na cidade de São Paulo, são de 33,6% para matemática e 34,5% para língua portuguesa.

Cidades grandes paulistas, como Campinas, também têm todos os índices abaixo da metade. O mais baixo é 12,3% de alunos do 9.º ano com aprendizado adequado em matemática.

O secretário de Educação do município, Eduardo Coelho, reconhece que o aproveitamento escolar no 9.º ano é um “sinal amarelo” para os administradores. “Isso reflete o que vem ocorrendo desde anos anteriores e mostra que temos de caprichar, fazer mais investimentos, trabalhar para que o aluno tenha vontade de ir à escola, de aprender”, afirmou Coelho.

Objetivos. Parte dos municípios e Estados cumpriu as metas do Todos Pela Educação para aprendizado adequado. Em matemática, no 5.º ano, por exemplo, cinco Estados deixaram de atingir as metas. Já no 9.º ano, só quatro Estados as atingiram.

Para os especialistas em educação básica, não aprender o que foi ensinado acarreta em prejuízos sociais. “Temos de manter a eficiência do processo. Vemos hoje que, no 5.º ano, a porcentagem de alunos que aprendem o esperado é maior que no 9.º ano – que, por sua vez, é maior que no fim do ensino médio”, explica Priscila Cruz, diretora executiva da organização.
“É uma crise que estamos vivendo no País, e toda a ineficiência desse sistema acaba desaguando no ensino médio: apenas 11% dos que concluem têm aprendizado suficiente em matemática”, afirma Priscila.

A meta do Todos Pela Educação é de que, até 2022, 70% ou mais alunos tenham aprendido o conteúdo ensinado em sua série. Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirma que o problema da aprendizagem depende de um conjunto de fatores, que passa até mesmo pela infraestrutura da escola.

“A qualidade do equipamento escolar hoje é muito baixa. Não é só um problema curricular ou de motivação do docente: a escola deve promover a cidadania por meio de sua infraestrutura.”

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quarta-feira, dezembro 28, 2011

EDUCAÇÃO[In:] ''TABLETS'' QUANDO NÃO SABEMOS A ''TABUADA'' ? NÃO SERIA MELHOR ''ÁBACOS" ?

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Elio Gaspari

A pedagogia da marquetagem


A compra de 300 mil tabuletas (equipamento também conhecido como tablet) para estudantes da rede de ensino público nacional poderá ser a última encrenca da gestão do ministro Fernando Haddad, ou a primeira de Aloizio Mercadante.

O repórter Luciano Máximo informa que falta pouco para que o governo federal ponha na rua o edital de licitação para essa encomenda. Governos que pagam mal aos professores, que não têm programas sérios de capacitação dos mestres, onde escolas estão caindo aos pedaços, descobriram que a compra de equipamentos eletrônicos é um bálsamo da pedagogia da marquetagem. Cria-se a impressão de que se chegou ao futuro sem sair do passado.

O governo de Pernambuco licitou a compra de 170 mil tabuletas, num investimento global de R$ 17 milhões. A Prefeitura do Rio anunciou em outubro que tem um projeto para distribuir outras 25 mil. A de São Paulo contratou o aluguel de 10 mil ao preço de R$ 139 milhões. Felizmente, o negócio foi abatido em voo.

A rede pública de Nova Iorque, com 1,1 milhão de estudantes, investiu apenas US$ 1,3 milhão, numa experiência que colocou 2 mil iPads nas mãos de professores e de alunos de algumas escolas. Já a cidade mineira de Itabira (12 mil jovens na rede pública) comprou 3 mil laptops, num investimento de US$ 573 mil.

Na Índia, onde se fabricam tabuletas simples por US$ 35, existe um projeto piloto, para 100 mil alunos, num universo de 300 milhões de estudantes. Se tudo der certo, algum dia distribuirão 10 milhões de unidades. Na Coreia, o governo planeja colocar tabuletas nas mãos de todas as crianças do ensino fundamental. Lá, a garotada tem jornadas de estudo de 12 horas diárias. O projeto de Pindorama parece mais com o do Cazaquistão do companheiro Borat, onde se prevê a compra de 83 mil tabuletas até 2020.

Encomendas milionárias de computadores ou tabuletas para a rede pública são apenas compras milionárias, com tudo o que isso significa. Se a doutora Dilma quiser, pode pedir as avaliações técnicas que porventura existam do programa federal. Um Computador por Aluno. Com quatro anos de existência, o UCA tem muitos padrinhos e fornecedores (150 mil máquinas entregues e 450 mil encomendadas por estados e municípios). Nele, algumas coisas deram certo. Outras deram errado, ora por falta de treinamento dos professores, ora pela compra de equipamentos condenados à obsolescência.

Uma boa ideia não precisa desembocar em contratos megalomaníacos que terminam em escândalos. Se um cidadão que cuida do seu orçamento não sabe qual tabuleta deve comprar, o governo, que cuida da Bolsa da Viúva, deve ter a humildade de reconhecer que não se deve encomendar 300 mil tabuletas, atendendo a fabricantes que não conseguem produzir máquinas baratas como as indianas ou versáteis como as americanas, japonesas e coreanas.

Se esses equipamentos só desembarcarem em cidades e escolas onde houver banda larga e professores devidamente capacitados, tudo bem. Se o que se busca é propaganda, basta comprar 20 tabuletas, chamar a equipe de marqueteiros que faz filmes para as campanhas eleitorais e rodar o vídeo. Consegue-se o efeito e economiza-se uma montanha de dinheiro.
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http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=117&Numero=89&Caderno=0&Editoria=110&Noticia=375411
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terça-feira, dezembro 20, 2011

EDUCAÇÃO/BRASIL [In:] ASSIM CAMINHA(RÁ) A EDUCAÇÃO...

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Educação: as lições do professor Hanushek

Autor(es): João Batista Araujo e Oliveira
Valor Econômico - 20/12/2011

Os países em desenvolvimento mais que duplicaram seus recursos em educação, nos últimos 20 anos. No geral, o esforço financeiro esteve associado à expansão. Em poucos casos, o recurso adicional se converteu em resultados, o que ocorreu especialmente em países da Ásia. Apenas contar com mais dinheiro não resolve. Muito menos quando o dinheiro bom é jogado num sistema ineficiente.

Há várias formas de aprender sobre o que funciona em educação. Mas há só uma forma rigorosa: aprender com base em evidências científicas e com as melhores práticas dos países que estão à frente. O professor Erik Hanushek mais uma vez nos surpreende pelo rigor da análise e simplicidade de suas conclusões em estudo recém concluído. De 9 mil casos examinados, ele acabou ficando com apenas 79 deles para realizar a sua meta-análise. Suas conclusões restringiram-se, no entanto, aos 13 estudos mais rigorosos.

Foram examinadas inúmeras variáveis relacionadas com a infraestrutura da escola, provisão de materiais, condições do professor e organização escolar. Pouparemos o leitor das explicações metodológicas. Eis as conclusões, em ordem de seu impacto nos resultados.

Primeiro, a infraestrutura é fundamental. Funcionam bem as escolas arrumadas e com qualidade mínima adequada, carteiras, quadro-negro, giz e bibliotecas impecáveis. A presença de livros didáticos tem impacto positivo, mas seu efeito não é tão consistente.

Segundo, o professor. O profissional que conhece os conteúdos do que ensina faz grande diferença. Sua presença diária e constante também. Titulação e tempo de serviço não afetam os resultados. Capacitação em serviço costuma atrapalhar, sobretudo quando impede a presença do professor em classe. Professores contratados tendem a produzir melhores resultados do que professores efetivos.

Terceiro, a organização. Além da presença do professor, o tempo de aula influi nos resultados, na direção esperada. Tudo o que não está mencionado - inclusive os computadores em sala de aula, merenda escolar, salários e gastos em educação - não apresenta resultados consistentes. Políticas do tipo bolsa-escola podem afetar a frequência e permanência na escola, mas sozinhas não melhoram o desempenho dos alunos.

Como interpretar esses resultados? Entendendo o contexto em que foram realizados os estudos. Basicamente, o conjunto deles mostra que há duas condições necessárias para a escola funcionar: uma infraestrutura minimamente adequada e bem cuidada e professores que saibam o conteúdo do que vão ensinar.

O resto pode ou não impactar, dependendo da organização da escola. Ou seja, quem tem compromisso mantém a escola limpa, escolhe professores que dominam o conteúdo e, possivelmente, faz o resto que precisa para que a escola funcione. Sem isso, o resto é resto.

Outra forma de interpretar esses resultados é cotejá-los com a evidência concorrente provinda de outros estudos. O estudo de Hanushek e seus colegas traz, como conclusão, que é necessário examinar com mais atenção a importância dos fatores locais. As evidências dos estudos sobre escolas eficazes corroboram as linhas gerais dessa premissa, mas detalham alguns instrumentos (programas de ensino) e ações gerenciais (clima de estudo, avaliação) que fazem a escola funcionar.

No nível de sistemas escolares, estudo da McKinsey, realizado em 2009/2010 e amplamente divulgado no Brasil, também aponta para a importância de intervenções compatíveis com o nível de desempenho de um sistema escolar: diferentes intervenções fazem sentido de acordo com o nível em que o sistema se encontra. Quanto mais baixo o nível, maior a necessidade de intervenções mais estruturadas, quanto mais competentes os professores, maior a importância de diferentes graus de autonomia e participação dos diretores em decisões pedagógicas.

Livros e materiais didáticos, por exemplo, podem funcionar se são adequados à capacidade de uso pelo professor. Na mesma linha, e com base na análise de reformas educativas realizadas em países mais avançados, Michael Fullan, um dos maiores estudiosos desse tema, aponta para a importância de reformas que abranjam todas as escolas de um dado sistema escolar - e não se concentrem em escolas individualmente.

No Brasil a ansiedade da expansão desenfreada não nos permite assegurar as condições necessárias - muito menos as suficientes. Isso vale especialmente para o que se refere aos professores e a regras básicas de funcionamento das redes de ensino. Os sistemas de incentivo ou são perversos ou adotam modismos de curto fôlego.

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) opera como se fosse responsável por escolas imaginárias, supostamente habitadas por professores livres-docentes, e as Secretarias de Educação, em sua grande maioria, operam como se fossem delegacias do MEC, cuidando mais de pedagogia e de uma miríade de projetos do que de planejar e gerir a educação.

Ninguém dá a menor atenção para as evidências científicas, a começar pelas faculdades de educação. Estamos aumentando vertiginosamente os custos da educação, enrijecendo os gastos a título de assegurar "as conquistas da classe" e sem melhoria nos resultados.

Os dados da SAEB/Prova Brasil mostram que ainda não conseguimos retomar os níveis de 1995, ano em que essa prova começou a ser aplicada. Que tal se avaliássemos, com maior cuidado, a lição do professor Hanushek? Certamente gastaríamos menos, de forma melhor e com mais resultados.

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João Batista Araujo e Oliveira é presidente do Instituto Alfa e Beto

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO [In:] LEIS DE MERCADO

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20/12/2011 - 09h01

Educadores temem Mercadante no Ministério da Educação


O nome de Aloizio Mercadante para o MEC causa apreensão em dirigentes da educação básica, mas tem boa receptividade entre reitores de universidades federais, que têm bom diálogo com ele em sua atual função de ministro da Ciência e Tecnologia, informa reportagem de Antônio Gois, publicada na Folha desta terça-feira (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

O "Painel" da Folha informou ontem que a presidente Dilma Rousseff escolheu Mercadante como sucessor de Fernando Haddad, que deixará o cargo para disputar a Prefeitura de São Paulo.

Mercadante substituirá Haddad no Ministério da Educação

Antônio Cruz/ABr
0 ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, discursa durante evento da SBPC em Goiás
0 ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, discursa durante evento da SBPC em Goiás

A preocupação é que um ministro originário da pasta de Ciência e Tecnologia dê prioridade ao ensino superior, em detrimento dos investimentos no ensino básico.

Alguns posicionamentos de Mercadante, por exemplo, causa apreensão no setor. Na sua campanha ao governo de São Paulo, em 2010, o ministro foi favorável ao fim do que ele chamou de aprovação automática. O Ministério da Educação, no entanto, é favorável ao sistema nas séries iniciais do ensino fundamental, para dar mais tempo para o aluno aprender antes de ser reprovado precocemente.

Leia mais na edição da Folha desta terça-feira, que já está nas bancas.

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terça-feira, novembro 29, 2011

EDUCAÇÃO [in:] MERITOCRACIA

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O segredo dos grandes colégios de Fortaleza

Por Beth Koike | De Fortaleza
Jarbas Oliveira/Valor/Jarbas Oliveira/Valor
Oto (foto) criou o colégio Ari de Sá Cavalcante em 2000, após romper a sociedade que mantinha com seu irmão Tales no tradicional colégio Farias Brito

Alunos que conquistam medalha de ouro em Olimpíadas de Matemática têm direito a uma bolsa de estudos e outras benesses em colégios premium de Fortaleza (CE). Esse é um dos atrativos oferecidos pelas escolas locais no acirrado mercado de escolas particulares da capital cearense. A disputa por alunos que obtêm notas acima da média em seus boletins escolares é liderada por quatro colégios: Ari de Sá, Christus, Farias Brito e 7 de Setembro.

Os quatro colégios de grande porte, que juntos possuem 35,5 mil alunos, têm em comum o alto índice de aprovação em importantes vestibulares do país, com destaque para o ITA. No processo seletivo da faculdade de São José dos Campos, considerado o mais difícil do país, cerca de 30% dos aprovados são procedentes do Ceará, segundo o ITA. Desse grupo cearense, a maioria é proveniente dos quatro colégios.

O que leva o cearense a figurar na lista de importantes vestibulares não passa por fórmulas matemáticas complexas. A reportagem do Valor entrevistou vários professores e alunos para entender os motivos que levam a esse bom desempenho. O que se constatou é que existe uma combinação de alguns fatores: professores preparados, com cursos regulares de atualização; boa formação do aluno, desde o ensino fundamental; e uma grande dose de determinação e dedicação por parte do aluno e dos familiares. Não é raro parentes contribuírem, em dinheiro, para ajudar a financiar a vida escolar de uma criança (ver nesta página).

"O cearense é teimoso", diz Henrique Soárez, diretor e neto do fundador do colégio 7 de Setembro. "O cearense é muito obstinado. É como se fosse o japonês da década de 70", diz Luiz Carlos Rossato, coordenador do vestibular do ITA. "Não acredito em QI alto. Passamos na faculdade porque estudamos muito", diz o cearense Ricardo Sales, 25 anos, ex-alunos do Farias Brito, formado pelo ITA. Hoje, ele trabalha em um banco de investimento americano em São Paulo.

Os quatro colégios de Fortaleza contam com turmas especiais a partir do ensino médio - período de três anos em que há uma forte carga horária de disciplinas de exatas e professores altamente especializados. Os salários de professores especializados que ministram aulas no terceiro ano e em cursos preparatórios para o vestibular chegam a R$ 25 mil - cifra superior a de professores universitários de São Paulo. "Normalmente, os professores das turmas especiais são formados pelo ITA e convidados a voltar para Fortaleza", diz Tales de Sá Cavalcante, presidente do Farias Brito.

A onda de aprovações de cearenses no ITA e, posteriormente, em outros importantes vestibulares começou na década de 1990 com o colégio GEO Studio, que inicialmente era focado em geografia e outros cursos na área de humanas. "Até o começo dos anos 90, não havia aprovados do Ceará, chegamos a pensar em cancelar o vestibular em Fortaleza. Mas os diretores do GEO nos procuraram afirmando que iam um criar um curso focado em ITA. Dois anos depois já conseguiram bons resultados e as outras escolas seguiram os mesmos passos", disse o coordenador da faculdade de São José dos Campos, lembrando que o criador do ITA, Casimiro Montenegro Filho, é do Ceará.


Tales, presidente do colégio Farias Brito

Atualmente, a aprovação em renomadas faculdades é usada como ferramenta de marketing pelas escolas. Estas espalham outdoors e cartazes com fotos dos seus aprovados pela cidade. Os alunos tornam-se celebridades e ajudam a atrair novas matrículas. Portanto, quanto maior o número de ingressantes em universidades de excelência, maiores são as chances de a instituição de ensino crescer.

Os 35,5 mil alunos do Ari de Sá, Christus, Farias Brito e 7 de Setembro representam cerca de 15% do total de matriculados em escolas particulares de Fortaleza. O Christus, envolvido no vazamento das questões do Enem deste ano, não atendeu o Valor.

A disputa na cidade é tamanha que é comum o "aluno medalhista", ou seja, aquele com grandes chances de ser aprovado no vestibular, receber proposta de colégios concorrentes para que mude de escola em troca de bolsa de estudo, pagamento de transporte e alimentação, entre outras regalias.

Essa migração não é bem vista pelo mercado e nenhuma das escolas assume que adota essa prática. "Esse tipo de transferência não é ética porque a formação educacional foi toda trabalhada por um determinado colégio e aí chega o concorrente oferecendo uma proposta pouco tempo antes do vestibular apenas para aumentar o volume de aprovados", diz Airton de Almeida Oliveira, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Ceará (Sinepe).

A forte concorrência acabou por tirar do mercado o colégio pioneiro na preparação de alunos para o ITA, o GEO Studio. "Decidimos sair de Fortaleza no fim da década de 1990 por causa da canibalização. Os outros colégios tiravam os melhores alunos da nossa escola e do colégio militar", diz Daniel Machado, diretor do GEO, que atualmente tem um sistema de ensino em parceria com a Abril Educação e algumas escolas franqueadas com a marca GEO, em Pernambuco.

Com a saída do GEO abriu-se um espaço no mercado que foi rapidamente ocupado por uma nova escola, a Ari de Sá Cavalcante - fruto da cisão do tradicional colégio Farias Brito. No ano 2000, o engenheiro Oto de Sá Cavalcante, o mais velho dos cinco irmãos que comandavam o Farias Brito, saiu da sociedade para abrir sua própria escola.

Na época, o Farias Brito tinha quatro unidades em Fortaleza. Duas escolas e a marca Farias Brito ficaram com os irmãos Tales, Hilda e Dayse. Oto, por sua vez, ficou com duas unidades que se transformaram em Ari de Sá Cavalcante. "Foi um processo traumático por causa da mudança da marca. Mas felizmente não houve evasão de alunos e também não precisamos reduzir o preço das mensalidades para segurar gente", diz o dono da Ari de Sá, a segunda maior escola da cidade perdendo apenas para o colégio de seus irmãos.

Segundo Oto, para evitar a evasão foram feitos altos investimentos nas unidades, cujo valor ele não revela. "Investi com recursos que recebi da venda minha parte em uma construtora da família, alguns imóveis e também recebi um dinheiro ao me desfazer da marca Farias Brito", explicou.

De lá para cá, os dois colégios dobraram de tamanho. O Farias Brito saiu de 6,7 mil para 12,3 mil alunos, em dez anos, e é o único a ter uma unidade fora de Fortaleza, em Sobral. Também tem uma faculdade, com quatro cursos e 1,2 mil matriculados.

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