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quarta-feira, novembro 21, 2012

... AS ÁGUAS IAM ROLAR ... (3)

...

Cachoeira recorrerá de decisão sobre condenação


A defesa do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, terá cinco dias para recorrer da decisão...


A defesa do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, terá cinco dias para recorrer da decisão que o condenou a cinco anos de prisão em regime semiaberto. A prisão foi decidida pela Justiça Federal do Distrito Federal, dentro do julgamento da operação Saint Michel. Na terça-feira (20), Cachoeira conseguiu suspender sua prisão e deixou o presídio da Papuda, em Brasília, onde estava desde fevereiro.

A Justiça do Distrito Federal mandou soltar Carlinhos Cachoeira no início da noite de terça, depois de nove meses de prisão. A juíza Ana Cláudia Barreto, da 5ª Vara Criminal de Brasília, revogou a prisão provisória imposta ao contraventor a partir da Operação Saint Michel, que apurou tentativa de fraude em licitação do governo local.

Ao estabelecer a sentença na ação, no entanto, a juíza condenou Cachoeira a cinco anos de reclusão, mais 50 dias multa (cerca de R$ 3 mil) pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência. A mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, chegou por volta das 23 horas de terça à penitenciária da Papuda. Da prisão, foram para Goiânia.

O advogado de Cachoeira, Antônio Nabor Bulhões, disse nesta quarta-feira (21) que entrará com uma petição de apelação e depois oferecerá as razões para questionar a decisão da Justiça. Bulhões disse que a operação Saint Michel, que apurou irregularidades na licitação do sistema de bilhetagem do transporte público do DF, não apresentou provas de que Cachoeira tenha integrado uma quadrilha, como avaliou a Justiça. "Afirmava-se que Carlinhos Cachoeira tinha tentado tomar de assalto a administração do Distrito Federal e nada disso se confirmou. A operação Saint Michel fez buscas e apreensões e efetuou quebra de sigilo, mas só verificou que havia a prospecção de um negócio para operar o sistema de transporte. Uma licitação estava aberta a qualquer grupo econômico interessado. Não houve formação de quadrilha ou tráfico de influência", disse o advogado. "Ontem fui certificado da revogação da prisão e agora terei cinco dias para entrar com a petição de apelação e oito dias para oferecer as razões dessa apelação. Poderei fazê-lo na primeira instância ou no tribunal".

Na interpretação do advogado, Cachoeira (que estaria na residência da família, em Goiânia) está em liberdade e não cumprindo pena em regime semiaberto. "Ele tem o direito de recorrer da sentença em liberdade e só estaria cumprindo a pena se a sentença tiver trânsito em julgado", disse o advogado.

http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/cachoeira-recorrer%C3%A1-de-decis%C3%A3o-sobre-condena%C3%A7%C3%A3o

... AS ÁGUAS IAM ROLAR *



CACHOEIRA É CONDENADO, MAS FICA LIVRE DA CADEIA

CACHOEIRA DEIXA A PRISÃO APÓS 265 DIAS


Autor(es): ANA MARIA CAMPOS e EDSON LUIZ
Correio Braziliense - 21/11/2012
 

Juíza da 5ª Vara Criminal de Brasília pune bicheiro com cinco anos de prisão em regime semiaberto por causa de esquema montado para vencer contrato de bilhetagem no transporte do DF. No entanto, determinou a soltura do contraventor por considerar que ele já não pode mais influenciar testemunhas nem atrapalhar a coleta de provas. Cachoeira saiu da Papuda à 0h05 de hoje.

Juíza condena o bicheiro a cinco anos de cadeia por tentar se infiltrar no contrato de bilhetagem eletrônica do transporte público do DF, mas contraventor ganha o direito de recorrer em liberdade

Depois de quase nove meses atrás das grades, o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi colocado em liberdade. Ele deixou a Penitenciária da Papuda à 0h05 de hoje e, segundo a mulher, Andressa Mendonça, seguiria para Goiânia, onde se encontraria com os três filhos, de 9, 11 e 12 anos, que não via desde a prisão, em 29 de fevereiro.  Em frente ao presídio, antes de encontrar Cachoeira, Andressa comemorou a libertação e disse que só queria dizer pessoalmente “o quanto o amava”.

Com a conclusão da instrução do processo da Operação Saint-Michel referente a um esquema montado no Distrito Federal para abocanhar o milionário contrato de bilhetagem eletrônica no transporte público, a juíza Ana Cláudia Barreto, da 5ª Vara Criminal de Brasília, considerou que o bicheiro não tem mais como influenciar testemunhas e atrapalhar a coleta de provas. 
“A Justiça começou a ser feita. A defesa está convicta que ele não cometeu os crimes que lhe foram imputados. Vamos recorrer e, como ele já cumpriu mais de seis meses de prisão, não ficaria nem no regime semiaberto, mas no aberto”, disse o advogado de Cachoeira, Nabor Bulhões, momentos antes de o cliente deixar a Papuda.

O alvará de soltura foi expedido no dia em que a magistrada condenou o bicheiro a cinco anos de prisão em regime semiaberto, além do pagamento de multa correspondente a R$ 155,5 mil pelos crimes de formação de quadrilha e tráfico de influência. É a primeira sentença contra Cachoeira desde que vieram à tona, em fevereiro, com a Operação Monte Carlo, as denúncias de que o contraventor liderava uma máfia em Goiás e no Entorno, com ramificações no poder público, o que motivou a abertura de CPI no Congresso.

Na sentença, a juíza acatou os fundamentos e os elementos de prova compartilhados pelo Ministério Público Federal com os promotores de Justiça do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público do DF. Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF) revelaram um intenso movimento de Cachoeira para conseguir o contrato do DFTrans que prevê a tercerização da exploração da operação do transporte público por meio de um sistema sofisticado de informática. Cachoeira queria entregar o negócio de cerca de R$ 60 milhões por mês para a Delta Construções, empresa que havia conseguido entrar no DF por meio de contrato de limpeza pública, hoje considerado ilegal e extinto. Dois ex-diretores da Delta, Cláudio Abreu, responsável pelo Centro-Oeste, e Heraldo Puccini Neto, gerente em São Paulo, também foram condenados a cinco anos de prisão por quadrilha e tráfico de influência. 

A sentença abrange ainda o ex-servidor da Secretaria de Planejamento Valdir Reis, o contato da quadrilha com o Governo do Distrito Federal. A quebra do sigilo bancário mostrou que Reis recebeu pelo menos R$ 80 mil como pagamento pela intermediação de encontros entre o grupo de Cachoeira e integrantes do Executivo local, entre os quais, o secretário de Transportes, José Valter Wasquez, testemunha no processo.

Segundo a Justiça, Reis recebeu pagamentos por meio de empresas laranjas do esquema, como a Adecio & Rafael, abastecida com recursos da Delta nacional. No computador dele, promotores de Justiça do DF encontraram, durante busca e apreensão da Operação Saint-Michel, o projeto do sistema de bilhetagem que teria sido elaborado pelo grupo de Cachoeira. O ex-servidor mantinha um trânsito tão fácil no anexo do Palácio do Buriti que ostentava um crachá de servidor do GDF.

Foragido
Outras quatro pessoas, entre as quais o vereador Wesley Clayton da Silva, de Anápolis (GO), terra de Cachoeira, também foram condenados. A lista dos considerados culpados dos crimes inclui um dos principais assessores de Cachoeira, Gleyb Ferreira da Cruz, e o contador do bicheiro, Geovani Pereira da Silva, que está foragido há quase nove meses, desde que a primeira decretação da prisão preventiva, em 29 de fevereiro.

Num dos diálogos interceptados pela Polícia Federal, Cachoeira demonstra abertamente o interesse no negócio. A intenção dele era que a Delta subcontratasse uma empresa coreana, com expertise na área de bilhetagem, uma vez que a construtora com quem mantinha relação próxima não possuía know how no setor. O grupo chegou a participar de reuniões com um diretor do DFTrans e com o secretário de Transportes para apresentar uma proposta.

“A gente faz o negócio do DFTrans, rapaz, é um negócio de sessenta pau por mês e dá pra aumentar 30%. Quer dizer, se a gente pegar um percentual do aumento na licitação é bom demais. Então é bom sentar com o cara e falar em nome da Delta, porque aí pesa mais”, disse Cachoeira a Cláudio Abreu, então diretor da Delta no Centro-Oeste, em telefonema interceptado pela PF em 15 de junho de 2011.

Linha do tempo
Confira como o bicheiro Carlinhos Cachoeira se tornou conhecido no cenário nacional e relembre os principais fatos desde que voltou ao noticiário


2004
Carlinhos Cachoeira ganha destaque na mídia após a divulgação de um vídeo (foto), gravado por ele, no qual Waldomiro Diniz, na época assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, negocia propina. O dinheiro seria destinado à campanha eleitoral do PT e do PSB no Rio de Janeiro. Diniz prometia ajudar Cachoeira em uma licitação.

29 de fevereiro de 2012
Oito anos após o escândalo, Cachoeira voltou ao noticiário nacional ao ser preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, acusado de chefiar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal em Goiás e no Entorno. 

30 de fevereiro
O bicheiro é levado para o presídio federal de Mossoró (RN). 

4 de março
Reportagens divulgam as ligações entre o então senador Demóstenes Torres e Cachoeira. O contraventor presenteou o parlamentar e a mulher com um fogão e uma geladeira. O Correio revela que Demóstenes e Cachoeira conversaram 298 vezes por telefone entre fevereiro e agosto de 2011.


6 de março
Em discurso no Senado, Demóstenes (foto) nega as relações com Cachoeira. 

3 de abril
Demóstenes pede afastamento do DEM.

18 de abril
Cachoeira é transferido para a Papuda. 

19 de abril
Criada CPI para investigar a relação de Cachoeira com políticos e empresas.

11 de maio
O Ministério Público do Distrito Federal denuncia à Justiça Cachoeira e mais sete acusados de formação de quadrilha e tráfico de influência.

22 de maio
Cachoeira fica em silêncio e se recusa a depor na CPI. 

4 de julho
Descobre-se que a casa em que Cachoeira foi preso tinha sido comprada de Marconi Perillo.

10 de julho
O plenário do Senado cassa o mandato de Demóstenes Torres.

20 de novembro
Cachoeira consegue a liberdade.

terça-feira, julho 31, 2012

BINGOOO !



CACHOEIRA DEPÕE AMANHÃ NO TJDF

CACHOEIRA SERÁ OUVIDO NO TJDFT


Autor(es): ANA MARIA CAMPOS
Correio Braziliense - 31/07/2012
 

Acusados de formação de quadrilha e tráfico de influência, o bicheiro e mais sete investigados pela Operação Saint-Michel serão ouvidos na 5ª Vara Criminal de Brasília. Eles tramavam assumir o controle da bilhetagem eletrônica do transporte coletivo do Distrito Federal.

Bicheiro responde à acusação de que teria tentado assumir o controle da bilhetagem eletrônica do transporte coletivo do DF
Preso há cinco meses na Papuda, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, vai deixar a Penitenciária da Papuda amanhã para acompanhar, durante toda a tarde, na Justiça de Brasília, a audiência de instrução do processo em que foi denunciado por formação de quadrilha e tráfico de influência ao tramar para conseguir operar o sistema de bilhetagem eletrônica do transporte coletivo do Distrito Federal. O bicheiro e outros sete acusados de participação nos crimes investigados pela Operação Saint-Michel deverão prestar depoimento perante a juíza Ana Cláudia Barreto, da 5ª Vara Criminal de Brasília, depois que forem ouvidas as testemunhas arroladas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e pela defesa.
Entre as testemunhas de acusação, está o secretário de Transportes, José Walter Vazquez. Responsáveis pela Operação Saint-Michel, deflagrada em 25 de abril, os promotores do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público do DF incluíram também o ex-diretor administrativo-financeiro do DFTrans Milton Martins de Lima Júnior entre os que deverão prestar depoimento amanhã à tarde. Afastado do trabalho quando as denúncias vieram à tona até a conclusão de uma apuração da Secretaria de Transparência sobre o caso, Milton Martins é citado em conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) na Operação Monte Carlo, que deu origem à Saint-Michel, como um dos contatos da organização criminosa liderada por Cachoeira.
O grupo demonstrou nos diálogos que tramava fraudar o processo de seleção do DFTrans para entregar o negócio avaliado em R$ 60 milhões para a Delta Construções sem licitação. Integrantes da suposta quadrilha chegaram a pagar R$ 50 mil para que o ex-assessor da Secretaria de Planejamento Valdir Reis intercedesse para favorecer o negócio. Ele tinha uma boa relação com o secretário de Transportes e com Milton Martins, uma vez que todos foram colegas no governo anterior. As testemunhas de defesa de Cachoeira indicados pelos advogados no bicheiro — o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e Dora Cavalcanti Cordani — moram fora do Distrito Federal e devem ser ouvidas por meio de carta precatória, pela Justiça local. São eles: Belchior Carlos Ferreira, de Araxá (MG); Arnaldo de Souza Teixeira Júnior, João Bosco Machado, Frederico Dutra Medeiros, Carlos Galvão Victor, Fábio de Moraes Rosa, de Anápolis (GO); e Rejane Gomes Bucar, de Palmas.
Além de Cachoeira, também foram intimados o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu e o diretor da construtora em São Paulo, Heraldo Puccini Neto; além do braço direito de Cachoeira, Gleyb Ferreira da Cruz; o tesoureiro da organização, Giovani Pereira da Silva; Valdir Reis e dois supostos lobistas: Dagmar Alves Duarte e o vereador Wesley Clayton da Silva (PMDB). Cada réu tem o direito de arrolar até oito testemunhas de defesa.
Na Operação Saint-Michel, os policiais civis do DF apreenderam um telefone celular de Gleyb em que há registro em foto da participação de Milton Martins numa reunião com empresários coreanos em Brasília. Ele nega envolvimento com o caso. A expectativa do grupo, segundo investigação, era fazer uma parceria entre a empresa EB-Card, com expertise no setor de bilhetagem, e a Delta Construções, sem experiência no negócio. A investigação também descobriu no computador de Valdir dos Reis uma minuta de licitação para bilhetagem eletrônica.
Silêncio como estratégia
Como em todas as instâncias por onde tem passado, Carlinhos Cachoeira poderá usar o direito de permanecer calado e não responder às perguntas que o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deverá lhe dirigir por meio da juíza Ana Cláudia Barreto, na audiência de amanhã na 5ª Vara Criminal de Brasília. Essa tem sido a estratégia de defesa do contraventor nos depoimentos à Justiça Federal em Goiânia. O silêncio também é a opção de Cachoeira na CPI que leva o seu nome no Congresso.
Na audiência, que começará às 14h, Cachoeira, no entanto, terá o direito de acompanhar cara a cara o relato das testemunhas de acusação. O depoimento do bicheiro e dos outros sete acusados poderá ser suspenso caso alguma testemunha de defesa ainda não tenha prestado depoimento. Os réus são ouvidos por último, quando se esgotam os demais depoimentos judiciais, segundo estabelece o Código de Processo Penal.
Na Operação Saint-Michel, Cachoeira e outras sete pessoas tiveram a prisão preventiva decretada. Apenas o bicheiro, no entanto, ainda não conseguiu o relaxamento da prisão. Ao julgar dois habeas corpus impetrados pela defesa de Cachoeira, o Tribunal de Justiça do DF considerou que a liberação do contraventor representa um risco de ocorrência de novos crimes e de intimidação de autoridades públicas. (AMC)