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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

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quarta-feira, outubro 23, 2013

COMBUSTÍVEIS: AUMENTO NA BOMBA

23/10/2013
Após Libra, cresce pressão por reajuste de combustíveis


Com aumento, Petrobrás teria folga para pagar os R$ 6 bilhões que lhe cabem no consórcio do pré-sal
A pressão sobre o governo por reajuste nos preços da gasolina e do diesel aumentou após o leilão do pré-sal no bloco de Libra. Integrantes da equipe econômica dão como certo o aumento no valor dos combustíveis até o fim do ano, e pressionam para que ocorra já nos próximos dias. O argumento é de que o reajuste traria mais recursos à Petrobrás, forçada a importar combustível mais caro que o vendido no mercado interno, onde o preço é controlado para não elevar a inflação. O alívio no caixa daria "condições totais" para a empresa pagar, em 40 dias, os R$ 6 bilhões que lhe cabem por deter 40% do consórcio que terá de desembolsar R$ 15 bilhões após vencer a 1icitacão de Libra. Um reajuste na faixa de 5% a 7% para os preços da gasolina e do diesel nas refinarias já tem o sinal verde da equipe econômica, mas aguarda decisão política do Planalto.

Desembolso da Petrobrás em Libra libera pressão por alta do combustível

João Villaverde / brasília


A pressão sobre o governo para um reajuste nos preços da gasolina e do diesel aumentou após o leilão do pré-sal no campo de Libra. As autoridades na equipe econômica que já defendiam alta nos preços antes mesmo da licitação acreditam no reajuste dos combustíveis até o fim do ano, e pressionam para que ocorra nos próximos dias.

O argumento é que o reajuste daria uma folga de recursos à Petrobrás, forçada a importar combustível mais caro do que vende no Brasil, onde o preço é controlado pelo governo para não aumentar a inflação.

Com o alívio no caixa, a Petrobrás teria "condições totais" de pagar integralmente a parte que lhe cabe no bônus de assinatura do contrato entre a União e o consórcio que venceu o bloco de Libra. Dentro de 40 dias, a Petrobrás terá de pagar R$ 6 bilhões à vista, por deter 40% do consórcio. O bônus total é de R$ 15 bilhões.

O Estado apurou que um reajuste de um dígito, na faixa de 5% a 7% para os preços da gasolina e também para o diesel nas refinarias, já tem o sinal verde da equipe econômica, mas aguarda uma decisão política do Palácio do Planalto quanto ao momento mais adequado.

O governo avalia que o reajuste teria um impacto de até 0,2 ponto porcentual no índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Assim, quanto mais esperar, mais claro estará o cenário para o IPCA de 2013 - o governo trabalha para que a inflação seja inferior aos 5,84% de 2012. No acumulado do ano até setembro, a alta foi de 5,86%.

Quando questionado diretamente sobre a proximidade de uma alta no preço da gasolina e do diesel, anteontem em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que "os reajustes dos combustíveis virão quando forem considerados necessários". 

0 presidente do conselho de administração da Petrobrás. Setores do governo mais preocupados em fechar o ano com "o índice de inflação mais baixo possível" defendem o rea-juste apenas em janeiro de 2014. Esse cenário poderia também se refletir na negociação envolvendo o pagamento dos R$ 6 bilhões que a Petrobrás deve fazer ao Tesouro entre o fim de novembro e o início de dezembro, quando o contrato de Libra for assinado.

Nesse segundo cenário, a Petrobrás pagaria apenas uma parte dos R$ 6 bilhões e negociaria com os demais sócios do consórcio (Shell, Total, GNOOC e CNPC) um rateio da diferença. Em troca, a companhia brasileira ofereceria barris de petróleo, e o pagamento poderia começar já no início do ano que vem.

Sem folga de recursos, um pagamento à vista de R$ 6 bilhões causaria danos a um caixa que j á sofre apertos, diante da obrigação de manter uma carga pesada de investimentos, e, ao mesmo tempo, sem poder remunerar seus produtos adequadamente. Por causa disso, as agências de rating já sinalizaram ao mercado que a nota de crédito da Petrobrás pode ser reduzida nos próximos meses.

"A Petrobrás tem condições de pagar os R$ 6 bilhões, tem dinheiro para isso. Mas fazer esse pagamento de uma vez pode criar um problema desnecessário para a companhia, então não ; podemos descartar, de antemão, um acordo com os sócios", disse uma fonte qualificada do governo, que lembrou o fato de que, na indústria petroleira, acordos como esse, de oferecer produção (barris) em troca de dinheiro, são usuais.

Mesmo afirmando que a estatal tem "dezenas de bilhões" em caixa e o pagamento do bônus não seria problema, Mantega não descartou a tomada de empréstimos com essa finalidade. A mesma hipótese foi aventada ontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

adicionada no sistema em: 23/10/2013 03:26

quarta-feira, outubro 16, 2013

GOVERNO DILMA

16/10/2013
Visão do Correio :: 


Dilma e as metas de inflação


Em campanha eleitoral ou fora dela, é importante que a autoridade de qualquer país que se pretende sério guarde estreita relação com a verdade e, se possível, se esmere em expor com clareza seus pontos de vista sobre os temas realmente importantes. Um deles é o bolso do cidadão e, particularmente, um de seus maiores inimigos, a inflação.

Nesse sentido, os brasileiros podem se orgulhar do sucesso que obtiveram a partir de 1994, ao derrotar uma inflação que, só no primeiro semestre daquele ano, tinha acumulado alta de 758,59%. Nenhum governo democrático conseguiria isso sozinho, sem o envolvimento da maioria da população. Por isso mesmo, a conquista é um patrimônio do brasileiro. Mas nenhum povo chegaria lá se não pudesse contar com um governo que, no caso, se tornou confiável por ter sido claro e convincente.

Em sua última visita a Minas, a presidente Dilma Rousseff, certamente preocupada em tranquilizar uma plateia de empresários que enfrentam diariamente a batalha de administrar custos financeiros e de produção, discursou: "Quero lembrar que, pelo 10º ano consecutivo, a inflação vai fechar o ano dentro da meta". Mas todos ali sabiam que a meta anual fixada pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5% desde junho 2006, ano em que o IPCA ficou em 3,14%, e que, desde então, essa meta só foi alcançada mais duas vezes — 4,46%, em 2007, e 4,31%, em 2009, penúltimo ano do governo Lula.

No governo da presidente, que claramente optou pela superada tese de que "um pouco de inflação não faz mal e favorece o crescimento", o dragão não esteve à solta, mas ameaçou o teto de sua prisão. Somou 5,91% em 2010, 6,50% em 2011, 5,84% em 2012 e, tudo indica, vai bater em 5,70% em 2013. Pior: sem a prometida contrapartida do crescimento.

A "solução" de marketing tem sido adotar o teto como meta. Está errado. É certo que, nos dois governos anteriores, as metas foram raramente cumpridas. Mas ninguém tentou confundi-las com o limite da faixa de tolerância. Também é certo que o país tem memória curta. Nem todos lembram que, pelo fato de o Brasil ter preferido manter o ano calendário para cumprir o objetivo fixado dois anos antes, foi necessário estabelecer bandas de dois pontos percentuais. Na maioria dos outros países que adotaram o sistema, a meta é permanente, medida em 12 meses (anualizada).

Melhor e mais seguro para a presidente é não dar ouvidos senão aos que preferem jogar duro com a inflação mais cedo e colher o resultado mais tarde, por mais tempo. Isso passa por severo controle do gasto público (fator de aumento de consumo e pressão sobre os preços) e, no tempo certo, por política monetária restritiva, que não eleva os juros para agradar aos rentistas, mas para evitar o pior: a perda do poder de compra do salário nos meses seguintes. Perda que, aliás, é risco político que não vale a pena correr.

adicionada no sistema em: 16/10/2013 01:50

sexta-feira, junho 28, 2013

TEU ''PIBINHO'' é AMARELINHO ... O DRAGÃO É VERDE (que ironia Verde-Amarelo!)

28/06/2013
Mais inflação e PIB menor, prevê o Banco Central
BC vê inflação de 6% e crescimento menor


Mais inflação e PIB menor, prevê o Banco Central 

Ao que tudo indica, o governo está perdendo a guerra contra a inflação, a despeito da promessa da presidente Dilma Rousseff de que a estabilidade econômica é um bem precioso do qual não abre mão. 


A disseminação de reajustes contaminou tanto a indústria e o varejo, que o Banco Central foi obrigado a rever, de 5,7% para 6%, a sua estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano. Assumiu, ainda, que o custo de vida ficará, até o primeiro trimestre de 2015, sistematicamente acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário (CMN), de 4,5%. Na melhor das hipóteses, a média anual de inflação no governo Dilma será de 5,9%.

Ao mesmo tempo em que elevou a previsão para o IPCA — há 29% de chance de o indicador estourar o teto da meta deste ano, de 6,5% —, o BC derrubou a projeção de crescimento para este ano, de 3,1% para 2,7%, número considerado extremamente positivo por técnicos do próprio governo, que já falam em expansão entre 1,5% e 1,9%, e pelo mercado financeiro. É justamente a escalada de preços que está minando o ritmo da atividade, ao reduzir o poder de compra das famílias e inibir os investimentos produtivos. As empresas temem ampliar a oferta, e, mais à frente, não terem para quem vender.

Escalado para pregar o otimismo e minimizar os números que ele mesmo preparou, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, garantiu que a promessa do presidente da instituição, Alexandre Tombini, de o país encerrar o ano com inflação abaixo de 5,84% ainda está de pé. "Estamos trabalhando para diminuir a inflação. Se vai ter (resultado), o futuro vai dizer", disse. "O BC dispõe de instrumentos, e está fazendo uso deles, para que a inflação permaneça sob controle. Inflação alta é uma coisa, e o BC reconhece que ela está elevada. Mas isso é diferente de inflação fora de controle", afirmou. Ele é o maior defensor de que a autoridade monetária force a mão na alta dos juros como forma de conter os reajustes. Desde abril, a taxa básica (Selic) subiu de 7,25% para 8% ao ano.

Apesar de enfático, o discurso de Hamilton não convenceu o mercado. Jankiel Santos, economista-chefe do Espirito Santo Investment Bank, disse ser praticamente impossível que a inflação chegue ao fim deste ano em patamar inferior ao de 2012. "A não ser que a gente reze muito para São Pedro, e as condições climáticas puxem os preços dos alimentos para baixo, o custo de vida não cederá tão cedo", assinalou. No entender do economista, o Relatório Trimestral de Inflação divulgado ontem já nasceu morto, está ultrapassado, por não considerar, sobretudo, o repasse da alta do dólar para o consumidor.

Dólar sobe

Ontem, após a divulgação do documento do BC, o mercado começou a refazer as estimativas para a inflação, movimento reforçado depois de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciar a retirada gradual do desconto de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de móveis e itens de linha branca. Segundo os analistas, mesmo que o repasse do imposto seja lento, terá impacto no custo de vida. "O quadro de inflação continua preocupante e a política fiscal não ajuda. Pelo contrário, estimula fortemente o consumo", argumentou Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos.
Na opinião de José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator, o BC explicitou que o quadro inflacionário piorou em vez de melhorar, o que só pode ser lido como a continuidade da alta dos juros, pelo menos até que a tendência do dólar fique mais clara e as expectativas do BC para a inflação se confirmem. Para os analistas, apenas um choque de juros derrubaria a inflação do ano para um número abaixo dos 5,8% observado em 2012 — estratégia que foi descartada por Carlos Hamilton —, mas isso empurraria o país para uma recessão, como aumento do desemprego, às vésperas das eleições de 2014, quando a presidente Dilma tentará a reeleição.

Segundo o economista Caio Megale, do Itaú Unibanco, a forte oscilação do dólar, que ontem voltou a subir, fechando a R$ 2,196 para venda, pressionará ainda mais os indicadores de preços. A alta da moeda norte-americana frente o real, em 2013, tem potencial para elevar o IPCA em 0,5 ponto percentual. Megale destacou ainda que a redução do custo das passagens de ônibus e de pedágios só ajudará a amenizar a carestia no ano. Não à toa, o economista-chefe da Gap Asset Management, Alexandre Maia, sustenta que as chances de o BC estar certo, ao afirmar que a inflação deste ano ficará abaixo de 2012, são muito pequenas. Ele disse mais: "O BC terá de reduzir, mais uma vez, a projeção de crescimento para este ano. O consumo das famílias dá sinais de enfraquecimento importante e o mercado de trabalho está menos aquecido", observou.

» Demissão

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, leu uma nota ontem, escrita pela assessoria de imprensa da instituição, na qual negou que tenha pedido demissão ou que estivesse insatisfeito com a condução da política econômica, claramente submetida aos interesses do Palácio do Planalto. "Tal informação não corresponde aos fatos", garantiu. Ele afirmou também que o BC procura tomar, sempre, a melhor decisão para o país. "Se foi certa ou errada, não cabe a mim me manifestar."

quinta-feira, junho 20, 2013

O BAFO DO DRAGÃO

20/06/2013
Inflação derruba aprovação de Dilma

Ainda sem efeitos dos protestos de rua, pesquisa CNI/Ibope apontou que a avaliação de ótimo ou bom do governo Dilma caiu de 63% para 55%. A inflação foi apontada como causa.

Inflação afeta popularidade de Dilma, que cai 8 pontos em pesquisa CNI/Ibope

A deterioração da popularidade da presidente Dilma Rousseff detectada pela pesquisa da Confederação Brasileira da Indústria (CNI)/Ibope revelou que o script adotado pela oposição de bater na tecla da inflação surtiu efeito e deixou o governo derrotado na "batalha do tomate", segundo expressão usada pelos próprios petistas numa referência à fruta vilã da alta dos preços, cujo aumento no acumulado do ano foi de 51,6% segundo o IBGE.

A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 11 e não detectou o grau de aderência na imagem dos políticos, incluindo a da presidente, das manifestações e protestos dos últimos dias.

De acordo com o levantamento divulgado ontem, a proporção dos que consideram o governo ótimo ou bom caiu de 63% para 55% em relação à última pesquisa, de março. Já os que consideram, o governo ruim ou péssimo cresceu de 7% para 13% - o que, segundo a CNI, é o maior porcentual desde o início do governo Dilma. Outros 32% consideram o governo regular.

Os dados da CNI/Ibope indicaram a tendência de queda na aprovação do governo, já apurada em pesquisa do instituto Datafolha, divulgada no dia 8. Naquela sondagem, a popularidade da presidente passou de 65% para 57%. O Datafolha apurou que a queda na popularidade tinha origem na decepção com a situação econômica do País.

A mesma percepção se repetiu agora. Entre as causas da queda da popularidade do governo Dilma apontadas pela CNI/Ibope está a percepção do brasileiro de que as armas de combate ao aumento de preço têm se mostrado ineficientes.

Segundo a sondagem, 57% desaprovaram a forma como o governo combate a inflação (eram 47% em março).Nesse período, foram intensas as críticas da oposição aos métodos do governo para combater a carestia. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), provável candidato à Presidência, afirmou que Dilma "é leniente" com a inflação. Os programas dos partidos de oposição na TV fizeram forte carga na ineficácia do combate à alta dos preços.

Sem o clamor das ruas. 

Foram entrevistadas 2002 pessoas em 143 municípios, período anterior ao auge das manifestações de rua que tomaram conta das capitais nos últimos dias, originadas por um protesto contra o aumento das tarifas de ônibus. Para o diretor executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, por ter sido realiza da num período anterior ao ápice das manifestações, os "dados não contaminaram as razões da queda do governo".

Três áreas obtiveram aprovação por mais da metade da população: combate à fome e à pobreza, meio ambiente e combate ao desemprego. E seis áreas foram desaprovadas: segurança pública, saúde, impostos, combate à inflação, juros e educação.

A área de segurança pública obteve a maior desaprovação, 67%. Mas não houve mudanças significativas em relação ao levantamento feito em março. A saúde também está entre os setores com a pior avaliação. E aumentou de 18% para 25% o porcentual dos que consideram o governo de Dilma pior do que o de seu antecessor e padrinho Luiz Inácio Lula da Silva.

Auxiliares da presidente tentaram minimizar a queda de popularidade, dizendo que os números ainda são muito bons. Afirmaram não acreditar que as manifestações de rua possam reduzir mais a aprovação da presidente. Sustentam, por fim, que não se pode dizer que há uma tendência de queda na popularidade de Dilma.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que a pesquisa retrata uma situação episódica. "Não gosto de comentar pesquisa, até porque pesquisa são retratos do momento, que se alteram. Não vejo nenhuma relação de causa e efeito entre um governo que é muito bem avaliado e as manifestações", afirmou ele.

Petistas, no entanto, admitem que a inflação foi o motivo central da queda da popularidade. "Perdemos a batalha de comunicação sobre a inflação e para o tomate", disse o presidente em exercício da Câmara, André Vargas (PT-PR). "Não há dúvidas de que a inflação está persistente e as notícias nos meios de comunicação foram muito desfavoráveis", avalia o ex-presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

sexta-feira, junho 14, 2013

ORA, POIS!

14/06/2013
Dora Kramer

Está tudo ótimo

O texto abaixo é o resumo de uma crônica da americana , Dorothy Parker publicada em coletânea organizada e traduzida por Ruy Castro no livro Big loira e outras histórias de Nova York, de 1987. Chama-se Você estava ótimo.

O rapaz de tez pálida acomodou-se lenta e cuidadosamente no sofá e reclinou a cabeça em direção á uma almofada fresca que lhe confortasse a face e a têmpora.
- Aiii - gemeu. - Ai, ai, ai. Aiii
A jovem de olhos claros, sentada firme e ereta na poltrona, lançou-lhe um sorriso malicioso.
- Não está se sentindo bem hoje?
- Oh, estou ótimo, borbulhante, eu diria. Sabe a que horas eu me levantei? Às quatro da tarde, em ponto. Tentei me levantar antes, mas toda vez que punha a cabeça para fora do travesseiro ela rolava para debaixo da cama.
- Quer um drinque para se sentir melhor?
- Para afogar a ressaca em mais bebida? Não, obrigado, parei de beber, de vez, nem mais uma gota. Diga uma coisa: eu me comportei mal ontem à noite?
- Ontem? Ora, que nada. Todo mundo estava meio alto. Você estava ótimo.
- Alguém reclamou de mim?
- Deus do céu, claro que não. Todo mundo achou você terrivelmente engraçado. Claro, Jim Pierson ficou um pouco brabo com você durante o jantar. Mas conseguiram segurá-lo na cadeira e ele se acalmou.
- Jim queria me bater? O que foi que eu fiz?
- Ora, você não fez nada. Você estava ótimo. Mas sabe como Jim fica quando Narrativa de Bilma sobre situação da economia lembra crônica de Dorothy Parker pensa que alguém está dando em cima ; de Elinor.
- Eu estava cantando Elinor? - disse ele.
- Claro que não - ela disse - Você estava só brincando. Ela o achou tremendamente divertido. Só parou de rir um pouco quando você despejou as lulas "en su tinta" pelo decote dela.
- E agora, o que vou fazer?
- Ora, ela vai ficar boa. Mande-lhe flores no hospital. Não se preocupe, não foi nada.
- Cometi mais alguma façanha fascinante no jantar?
- Você estava ótimo. Não seja tolo. Todo mundo estava louco por você. O maître ficou um pouco aborrecido porque você não conseguia parar de cantar, mas, no fundo, não se importou. Só disse que a polícia talvez fechasse de novo o restaurante por causa do barulho.
- Quer dizer que eu cantei. Deve ter sido formidável.
- Não se lembra? Uma música atrás da outra. Todo mundo ficou ouvindo. E adorou. Foi só quando você insistiu em cantar qualquer coisa sobre fuzileiros, que as pessoas começaram a fazer psiu, psiu e você insistia em cantá-la de novo. Foi uma maravilha. Tentamos fazer com que parasse e comesse um pouco, mas você nem queria saber.
- Por quê? Eu não estava comendo?
- Toda vez que o garçom vinha servi-lo você lhe devolvia o prato dizendo que ele era seu irmão postiço, trocado no berço da maternidade por uma quadrilha de ciganos e tudo o que você tinha pertencia a ele. O garçom ficou uma onça com você.
- Bem, o que aconteceu depois desse estrondoso sucesso com o garçom?
- Ah, pouca coisa. Você aparentemente discordou do estampado da gravata de um senhor de cabelos brancos, sentado do outro lado da sala, e foi lá lhe pedir satisfações. Mas conseguimos sair com você do restaurante antes que ele ficasse furioso.
- Ah, fomos embora, saí andando?
- Andando! Claro que sim! Você estava perfeitamente bem. Tanto que, quando você tropeçou no meio-fio e caiu sentado, ninguém se importou; Poderia ter acontecido com qualquer um.

A graça da crônica de Parker é a discrepância entre a versão e os fatos.

Lembra a narrativa da presidente Dilma Rousseff sobre a situação da economia, que de resto não tem a menor graça.

Escola. 
Muito melhor a referência de Dilma aos Lusíadas que as metáforas futebolísticas de Lula. 
Ao menos se aprende algo.

quinta-feira, junho 13, 2013

A CRIATURA DO CRIADOR

13/06/2013
Dora Kramer

Ao fiador, as batatas


É bem mais fácil falar sobre uma possível substituição da presidente Dilma Rousseff pelo ex-presidente Luiz Inácio da Silva na eleição de 2014 do que fazer essa ideia acontecer.

Entre outros motivos porque a troca seria consequência do fracasso do atual governo e ainda há muita água para rolar até que se desenhe uma percepção negativa do eleitorado ou que se delineie no horizonte a recuperação do terreno rumo ao êxito na reeleição.

Mas, como é o próprio PT que dissemina aversão sobre a candidatura de Lula dando a entender que o partido está insatisfeito com o governo e acha que o eleitorado pensa o mesmo, vamos ao exame da situação com o olhar fixado na realidade.

Esta nos fornece dados indicativos das dificuldades. Primeiro deles: Lula não tem na pesquisa do Instituto Data-folha índice de intenção de votos muito superior ao de Dilma (ele 55%, ela 51%) e em São Paulo perderia a eleição estadual para o governador Geraldo Alckmin por 26% a 42%.

Não está, portanto, com essa bola toda. Não se confirma o mito de que seria alvo de amor eterno e indissolúvel por parte do eleitorado; sofre os efeitos das circunstâncias como qualquer outro político.

Mas, até aí é o de menos. Se resolvesse entrar em campanha poderia revelar-se mesmo imbatível A dificuldade maior é de outra natureza. 

Nada a ver com possível resistência da presidente em ceder o lugar, pois ela o faria se assim fosse pedido alegando razões de ordem pessoal para não concorrer.

O obstáculo aparentemente intransponível decorre do fato de que Lula é avalista de Dilma. E, como todo fiador, é o responsável pelo pagamento da conta. No caso de fracasso Lula seria o sócio majoritário.

Para construir uma candidatura como salvador da lavoura teria de partir do princípio de que a safra foi um fiasco e se apresentar ao público como o único capaz de fazer o País voltar à situação que tanta saudade provoca. Isso não se faz só com "estilo". Requer propostas concretas e diversas.

Precisaria necessariamente se apresentar como antagonista de sua criatura, o que além de uma contradição em termos na prática trata-se de uma impossibilidade.

As imagens de Lula e Dilma fundidas no último comercial do PT concebido pelo marqueteiro João Santana falariam mais que as palavras se estas também não tivessem sido mescladas na forma de discurso único: um começava a frase, outra a completava e vice-versa.

A fórmula funciona na bonança; na adversidade volta-se na forma de prejuízo ao criador.

Mal maior. Com outras palavras o ministro Aloizio Mercadante disse dias atrás que um pibinho à toa não dói, se o poder de compra está preservado e o emprego garantido.

Não levou em conta que baixo crescimento econômico faz doer o bolso do cidadão que transfere a dor à parte mais sensível do organismo governamental: a avaliação de desempenho com reflexo nas intenções de votos.

Meia-volta. O apoio do PSDB ao pedido de perda do mandato do vice-governador Guilherme Afif, em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo, é sinal de que passou a prevalecer no partido ideia de impor o máximo de desgaste possível ao ex-prefeito Gilberto Kassab.

Ao alimentar o questionamento ao acúmulo do cargo de vice com o posto de ministro da Micro e Pequena Empresa, o PSDB quer mostrar que a adesão do PSD ao governo federal rende mais custos que benefícios.

Até então, tucanos ligados a José Serra defendiam o direito de Afif à dupla função. Nos últimos dias, porém, o partido passou a se conduzir conforme concepção do presidente Aécio Neves que não vê Kassab como santo de sua devoção.

XEQUE-MATE no POPULISMO

13/06/2013
Credibilidade em xeque: Governo zera imposto para tentar segurar dólar


Moeda fecha a R$ 2,15, na maior cotação em quatro anos, e pressiona ainda mais a inflação.
Ministro Guido Mantega também garante cumprimento da meta de superávit fiscal de 2,3% do PIB para este ano.
Após mais um dia de alta do dólar, que fechou a R$ 2,15, na maior cotação desde abril de 2009, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que o governo vai zerar a alíquota de 1% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no mercado de derivativos. O objetivo é estimular a entrada de dólares no país, derrubando a cotação e tentando impedir que a inflação fuja do controle. O dólar alto encarece importados e onera as empresas que se endividaram no exterior. Mantega também se comprometeu com o superávit fiscal de 2,3% do PIB. O Ibovespa, da Bolsa de São Paulo, fechou em queda de 1,18%, aos 49.180 pontos, o menor patamar desde agosto de 2011. 

Imposto zerado contra dólar

Moeda fecha na maior cotação em quatro anos, e governo extingue IOF no mercado futuro

Martha Beck, Cristiane Bonfanti e Bruno Villas Bôas


BRASÍLIA, RIO E SÃO PAULO


No mesmo dia em que o dólar comercial fechou cotado acima de R$ 2,154 pela primeira vez desde 30 de abril de 2009, o governo anunciou ontem mais uma medida para tentar segurar a escalada da moeda americana. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1% que incidia sobre operações no mercado de câmbio futuro, foi zerado. Desde julho de 2011, os investidores vinham sendo tributados sobre posições vendidas (que apostam na queda do dólar) a partir de um determinado valor. É a segunda redução de impostos em menos de um mês anunciada pelo governo para frear o dólar. No começo de junho, já havia sido suspensa a cobrança de IOF sobre aplicações de renda fixa para estrangeiros.

- Não faz sentido manter o empecilho para que as posições vendidas em dólar no mercado futuro sejam penalizadas com alíquota de 1%. Estamos reduzindo esta alíquota de modo a facilitar para aqueles que quiserem fazer aplicações de posição vendida em dólar. Haverá uma oferta maior de moeda no mercado futuro e, com isso, a diminuição da valorização do dólar - explicou o ministro Fazenda, Guido Mantega, que aproveitou para rebater as críticas dos analistas sobre a política fiscal do governo e explicitar que a equipe econômica trabalha com uma meta de superávit fiscal primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) de 2,3% do PIB para este ano.

Segundo Mantega, com o dólar subindo, não há motivo para manter medidas que pressionem ainda mais o câmbio. Agora, a única barreira imposta ao ingresso de dólares no mercado brasileiro é uma alíquota de 6% cobrada sobre empréstimos tomados no exterior com prazos inferiores a 12 meses. A retirada também está em estudo, segundo técnicos.

Mantega voltou a afirmar que o mercado está volátil em função da sinalização que vem sendo dada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que os EUA vão praticar uma política monetária menos expansionista e subir juros. Isso tem provocado uma fuga de capitais de mercados de maior risco e valorizado o dólar.

- É um processo de ajuste da economia mundial - disse o ministro, defendendo que as medidas que o governo adota não são de curto prazo.

Com a forte alta do dólar nos últimos dias, a equipe econômica vinha sendo pressionada pelo mercado a suspender o IOF sobre derivativos. Parte dos técnicos defendia que o imposto fosse reduzido, mas não totalmente zerado, porque a tributação também serve para monitorar operações especulativas.

- Uma boa parte dessas operações é para dar hedge para as empresas. É para dar uma margem de garantia. (...)- explicou o ministro.

para mantega, desempenho fiscal é "excelente"

Ontem, sem uma intervenção do Banco Central, o dólar registrou alta de 0,84%, a R$ 2,154. Na máxima do dia, a moeda chegou a ser negociada a R$ 2,158. No mercado internacional de divisas, no entanto, o dólar americano perdeu força na comparação com moedas de países emergentes.

O efeito da retirada do IOF sobre os derivativos de câmbio dividiu economistas consultados pelo GLOBO. Para Sergio Goldenstein, sócio-gestor da Arsa Investimentos, a medida foi "importante para segurar a desvalorização do real" e ajudará a moeda a recuar para perto de R$ 2,10 no curto prazo.

- IOF de 1 % estava favorecendo a depreciação do real. Gerava um viés de alta para o câmbio. Essa medida é bastante importante e tende a acalmar o mercado - disse Goldenstein.

Já Fabio Kanczuk, professor da USP, avalia que a medida "não vai fazer nenhum efeito". Isso porque ainda terá mais força o cenário internacional de valorização da moeda americana na medida em que surgem sinais de recuperação da economia americana.

- A outra medida que fizeram, a de retirar o IOF de renda fixa, durou 5 minutos de efeito. Essa não dura nem 5 minutos - afirmou Kanczuk.

Embora com efeito limitado, a isenção do imposto era inevitável, na opinião de Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora de Câmbio.

- O tipo de dinheiro que resta ao Brasil é de natureza especulativa. Portanto, essa medida era necessária - disse.

Mantega tratou também das cobranças do mercado em relação à política fiscal. O ministro explicitou com que meta de superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública) a equipe econômica trabalha para 2013. Ele disse que a meta é equivalente a 2,3% do PIB, o que demonstra uma disposição do governo de tornar as contas mais transparentes. A declaração foi dada poucos dias depois de a agência de classificação de risco Standard & Poor"s (S&P) ter ameaçado rever para baixo o rating do Brasil por causa do baixo crescimento da economia e da política fiscal expansionista.

- Procuramos conter as despesas com custeio de modo que o objetivo do primário que vamos alcançar em 2013 é de 2,3% do PIB - afirmou ele, assegurando que o governo pode eventualmente fazer mais cortes de despesas para garantir esse compromisso.

Como adiantou o GLOBO, a decisão da S&P e as críticas do ex-ministro Delfim Netto à política fiscal levaram a equipe econômica a avaliar o que pode ser feito para mostrar mais compromisso com a meta de superávit primário. O governo estuda segurar despesas por meio de um novo contingenciamento e pela redução no ritmo das desonerações, de modo que parte delas só impacte as contas públicas a partir do ano que vem.
Mesmo assim, Mantega fez questão de afirmar que as principais despesas do governo - com Previdência, gasto de pessoal e juros - estão controladas.

Segundo ele, o superávit primário do país tem sido o melhor do mundo nos últimos 10 anos. O ministro destacou que o governo vem conseguindo reduzir a dívida pública, que fechou o ano passado em 35,4% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) e deve ficar em torno de 34,7% do PIB em 2013.
- Estamos tendo um excelente desempenho fiscal e não vejo motivos para questionamentos.

Ainda segundo o ministro, a tendência é de "uma inflação mais bem comportada" no Brasil. Ele admitiu uma preocupação com o aumento dos preços no início do ano, principalmente com alimentos. Mas, agora, diz: "o grosso da inflação está caindo".

MARAVILHA, MARAVILHA !!! (Acorda Alice! A corda..., Alice!)

13/06/2013
Para Dilma, economia está sob controle


No lançamento do Brasil Melhor, que facilita venda de móveis e eletrodomésticos aos beneficiários do Minha Casa Minha Vida, a presidente disse que "não há a menor hipótese" de que o governo relaxe no controle da inflação e das contas públicas. Criticou a "leviandade política" e comparou os críticos ao Velho do Restelo, de "Os Lusíadas" que agourava os navegadores.

Dilma: críticos são como o Velho do Restelo

Presidente cita personagem de Camões que agourava navegadores e diz que inflação está sob controle

Geralda Doca, Catarina Alencastro e Martha Beck

brasíliA


A presidente Dilma Rousseff disse ontem que seu governo está combatendo a inflação e que as contas públicas estão sob controle. 

Segundo ela, "não há a menor hipótese" de que o seu governo não tenha uma política de controle e combate à inflação. 

No lançamento do programa Brasil Melhor, que facilitará a compra de móveis e eletrodomésticos para beneficiários do Minha Casa, Minha Vida, a presidente comparou as pessoas que apostam que as coisas vão dar errado em seu governo com o personagem Velho do Restelo, do escritor português Luís de Camões, que ficava agourando os navegadores portugueses que iam desbravar os mares.

- O Velho do Restelo é um personagem que encontra eco através da história. Em toda, e durante muito tempo, a história do nosso país, muitos velhos do Restelo apareceram nas margens das nossas praias. 

Hoje, o Velho do Restelo não pode, não deve e, eu asseguro para vocês, não terá a última palavra no Brasil - disse Dilma, que acabou de voltar de uma viagem a Portugal.

Segundo a presidente, os que apostam no descontrole são os mesmos que no início do ano previram que haveria um racionamento de energia, que não se confirmou. Dilma classificou as críticas de "movimentos localizados, especulativos, que duram um tempo, mas fazem mal ao Brasil".

- Era uma leviandade. E leviandade política é grave porque ela não afeta a pessoa, ela afeta o país. Eu queria dizer, portanto, que não há a menor hipótese, primeiro porque a inflação não está sem controle, segundo porque o governo tem todas as condições para impedir que ela fuja ao controle - disse a presidente.
- A situação real do Brasil é de inflação sob controle, contas públicas sob controle. Isso significa que, quando nós olhamos no entorno, a relação do Brasil com vários componentes que caracterizam os indicadores macroeconômicos é muito saudável - reforçou.

tombini diz que bc "não dará trégua" à inflação

Em entrevista ontem à TV Record, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o BC não "dará trégua" no combate à alta de preços.

-A inflação está sob controle. Nós não daremos trégua no combate à inflação. Traremos a inflação mais para baixo, mais perto da nossa meta de 4,5%.

Mas, na contramão de uma política fiscal contracionista, que poderia contribuir para o combate à inflação e ainda melhorar a imagem do Brasil junto ao mercado, o governo tem usado bancos públicos e estatais para ampliar gastos. O exemplo mais recente está na capitalização de R$ 8 bilhões que o Tesouro Nacional vai fazer na Caixa para bancar o programa Minha Casa Melhor. Mais uma vez, a estratégia será emitir títulos públicos que terão impacto no já elevado estoque da dívida bruta do governo, para que uma instituição pública ofereça crédito abundante e estimule o consumo.

Somente este ano, o Tesouro já conseguiu autorização para emitir R$ 45 bilhões para dar fôlego a estatais. Deste total, R$ 15 bilhões vão para capitalizar o BNDES, que elevou muito o seu volume de empréstimos (quase 60% até abril). Outros R$ 15 bilhões vão para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), para ajudar a bancar a redução das contas de luz. Além disso, haverá uma emissão de mais R$ 15 bilhões para que a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias possa garantir compromissos assumidos com os vencedores dos leilões de concessão que vão ocorrer nos próximos meses.

Técnicos do próprio governo admitem que, no caso da Valec, o Tesouro vai acabar se endividando junto ao mercado apenas para mostrar aos investidores que o compromisso com as concessões está assegurado. Eles admitem que havia um receio da equipe econômica de que não houvesse demanda no setor de ferrovias por temor de que a Valec não tivesse dinheiro para honrar os compromissos assumidos.

Também não estão descartadas capitalizações de outras estatais como do Banco do Nordeste e a Eletrobras. Com isso, a dívida bruta da União, que fechou o ano passado em 58,69% do Produto Interno Bruto (PIB), tende a continuar crescendo. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), ela é a maior entre os Brics (grupo que reúne Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul)

Para o ex-presidente do Banco Central e sócio da consultoria Tendências Gustavo Loyola, a estratégia do governo acaba indo no sentido oposto aos esforços do BC para conter a inflação, que está próxima do teto da meta de 6,5% fixada para o ano. Ele lembra que a autoridade monetária já começou a subir as taxas de juros para segurar a alta dos preços e que uma política que estimule a demanda acaba anulando parte desse esforço. Outro problema, segundo ele, é que as emissões do Tesouro para capitalizar as instituições também têm impacto sobre a dívida bruta, e prejudicam a política fiscal.

quarta-feira, junho 12, 2013

XÔ! ESTRESSE [In:] ''-- ACORDA ALICE!'' *

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(*) Bordão personagem televisivo de Jô Soares.
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''-- CRISE? ONDE É QUE ESTÁ A CRISE?''


A república do benjamim



Autor(es): Roberto P. d'Araujo
Valor Econômico - 12/06/2013
 

Convido o leitor a uma "viagem" pelo setor elétrico brasileiro, mostrando que, mesmo nesse segmento onde o Brasil tem óbvias vantagens, dominam os nossos típicos improvisos e incoerências. Como personagem principal, o nosso benjamim, esse adaptador de tomadas que tem seu nome ligado a Benjamim Franklin, um dos pioneiros da eletricidade e que, certamente, nada tem a ver com o artefato. Seja o próprio ou como metáfora, o benjamim domina o nosso setor.
O Brasil fez uma rígida reforma nas suas tomadas exigindo um padrão "mais seguro", objetivo que não deve ser criticado. O erro foi a forma afobada da mudança, como se estivéssemos perante uma epidemia de choques elétricos. 
Adotamos conectores embutidos e até um terceiro pino para aterramento, que, por enquanto, vai gerar o "pino nada", pois a maioria das residências não tem a fiação necessária para essa função. 

Para o júbilo dos fabricantes e irritação dos consumidores, implantou-se um design incompatível com todos os modelos existentes, e, de repente, nos vimos obrigados a comprar adaptadores e benjamins para "darmos um jeito", o que nos deixa na mesma situação anterior.

Para que a vida útil se estenda e as usinas fiquem como novas, as concessionárias têm que manter investimentos
Nos postes de distribuição, são comuns os emaranhados de fios, mesmo em bairros de classe alta. Em ligações elétricas, como nos benjamins, qualquer contacto ou dimensionamento mal feito gera perdas por calor. 
Portanto, não se trata apenas de estética e segurança, pois alguns kWh"s ficam por ali. Nesses "novelos" pode haver o "gato", mas, como a energia roubada ou perdida é cobrada de quem paga a fatura, o assunto fica em segundo plano. No Brasil, fora os apagões, mais de 15% dos kWh"s ficam pelo caminho. Uma redução de perdas significaria mais eficiência, segurança e tarifas menores. Mas o recente desconto foi meramente contábil e nem aquele atabalhoado rigor que se viu nas tomadas se vê nos postes.
Nosso sistema de transmissão tem um papel integrador muito mais amplo que as redes de outros países, pois leva grandes quantidades de energia de uma região para outra, reorganizando o estoque dos reservatórios. Não há similar no mundo. Com essa função, imagina-se um sistema o mais homogêneo, compatível e monitorado possível, pois qualquer anomalia pode causar interrupções de grande porte. Mas, surpresa! A nossa rede tem múltiplos donos. Por exemplo, a subestação Colinas no Tocantins abriga nada mais nada menos do que linhas de seis diferentes empresas, com equipamentos, tecnologia e equipes desiguais! Vejam a semelhança da inconsistência de padrões, pois é como se fossem "benjamins" de alta tensão.
Enfim, chegamos às usinas. Para reduzir tarifas, abdicando de qualquer aumento de eficiência no mundo real, a opção das autoridades foi a de impor mágicos descontos, um festival de "benjamins" na contabilidade do setor. Se valesse o que está registrado, alguma redução seria possível, mas não no nível prometido. Tal qual o adaptador de tomadas, uma nova contabilidade "deu um jeito", resultando numa redução de 70% na receita da Eletrobras.
Já ultrapassamos a fase de lamentar a sequela na estatal, que definha sem cerimônia admitindo perda de R$ 1 milhão por hora. Trata-se de lembrar que, em qualquer país, o regime que garante a redução de tarifas via amortização é o de serviço pelo custo. Era o que valia no Brasil até 1995 e, se não tivesse proporcionado modicidade, a tarifa de então não seria a metade da atual em termos reais. Mas, seguindo a moda da década, ele foi banido pela lei 8987/95 que implantou o modelo de "mercado", onde o preço nada tem a ver com estágio de amortização. Ora, se o governo está assustado com o encarecimento, porque o manteve na sua "reforma" de 2004? Agora, como na troca das tomadas, numa súbita "meia volta, volver" perante um consumidor que entende cada vez menos o que ocorre, o "benjamim" contábil faz os dois regulamentos, de princípios distintos, repartirem o mesmo sistema, mais um ineditismo brasileiro.
Sob a filosofia do "benjamim metafórico", as empresas passam a ser meras "empreiteiras" de operação e manutenção (O&M), perdendo a iniciativa de investir, pois, qualquer despesa que não for classificada como tal terá que ser autorizada pela Aneel. Por outro lado, com um orçamento voltado para seu "umbigo", a usina também deixa de participar da vida da empresa, que, tendo uma inserção na sociedade, não se limita a gerar e transmitir energia. Figurativamente, é como se as usinas fossem "benjamins" nas empresas.
Usinas não são como tomadas e não precisam ser trocadas porque duram muito. Mas, para que a vida útil se estenda e ela fique como nova, as concessionárias têm que manter investimentos. Ora, se a amortização insuficiente faz o lucro extrapolar, ou se geram recursos para construir novas usinas ou a tarifa é reduzida. É assim em sistemas de matriz semelhante, onde antigas hidrelétricas são "velhas senhoras", mas não sofrem a "laqueadura" que a política adotada vai impor. As nossas "velhas senhoras" nunca vão gerar "novas meninas".
O que é grave nisso tudo é o modo adaptado e improvisado com que se fazem as políticas públicas no país. O benjamim é um ícone do nosso setor, pois tal e qual a mudança brusca das tomadas, quando os consumidores "se viram" com adaptadores, um artifício contábil também "dá um jeito" para nos convencer que o setor ficou mais eficiente e mais barato.
A eletricidade brasileira, além de cara, tem o suprimento arriscado. Como último sintoma de que a situação não é tranquila, além das térmicas à toda, as bandeiras tarifárias vêm insinuar que o consumidor é culpado pelo esvaziamento dos reservatórios.
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