PENSAR "GRANDE":

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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

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sexta-feira, março 26, 2010

SARNEY (O FILHO) [In:] ''MEU GAROTO, MEU PAIPAI" (*)

Confirmada conta suíça de filho de Sarney

Fernando Sarney tem US$ 13 milhões bloqueados em conta na Suíça


O Estado de S. Paulo - 26/03/2010

O Ministério da Justiça confirmou ontem que o governo suíço localizou e bloqueou uma conta com US$ 13 milhões do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


A fonte do Ministério da Justiça que confirmou a informação disse também que os indícios sobre a existência de contas da família Sarney no exterior, administradas por offshores, em paraísos fiscais, apareceram em investigações da Polícia Federal.

"O governo suíço comunicou oficialmente o governo brasileiro e, logo em seguida, foi acionado o Ministério Público do Maranhão", disse a fonte. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, que revelou a descoberta da conta e seu bloqueio, o dinheiro rastreado a pedido da Justiça brasileira não está declarado à Receita Federal.

No início do mês, o mesmo jornal informara que o governo brasileiro obteve documentos comprovando que o dinheiro não foi declarado à Receita. Uma conta na China teria sido usada para receber remessa de US$ 1 milhão.

Silêncio. Eduardo Ferrão, advogado do empresário, disse ontem ao Estado que não iria tratar do assunto. No fim da tarde, em contato telefônico com a reportagem, disse apenas: "Como o inquérito está sob sigilo, não vou me manifestar".

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a conta na suíça está em nome da empresa Lithia. Nos registros bancários, o empresário seria o único autorizado a movimentar a conta. O bloqueio teria acontecido quando Fernando Sarney tentava, de acordo com informações do jornal, transferir recursos da Suíça para o principado do Liechtenstein, paraíso fiscal entre a Áustria e a Suíça.

O Ministério da Justiça confirma que as autoridades suíças fizeram um bloqueio administrativo da conta do filho mais velho do presidente do Senado, que é quem dirige as empresas da família. Esse procedimento antecede o bloqueio de caráter criminal, se o governo brasileiro provar perante as autoridades da Suíça que o dinheiro não declarado à Receita também é proveniente de operações financeiras envolvendo corrupção ou fraudes.

Boi Barrica. Alvo da Operação Boi Barrica (rebatizadade Faktor) da Polícia Federal, o empresário foi indiciado por formação de quadrilha, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, entre outros crimes.


CRONOLOGIA

Junho de 2009
Denúncia
Estado revela a existência de mais de 300 atos secretos para criar cargos e nomear parentes de políticos para o Senado

16 de julho
Escutas
A Operação Boi Barrica esbarrou em provas contra o grupo do empresário Fernando Sarney, filho de José Sarney. A PF divulgou provas de que ogrupo usava o poder do sobrenome Sarney para ter acesso a ministérios e estatais. Fernando Sarney foi interrogado na PF do Maranhão

31 de julho
Censura
O desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, informa o Estado da proibição de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, envolvendo Fernando Sarney


5 de agosto
Recurso
O advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira pede que o desembargador que censurou o Estado imediatamente se declare suspeito para tomar decisões no processo. A exceção de suspeição é protocolada no próprio Tribuna lde Justiça do DF

13 de agosto
Censura mantida
O desembargador Waldir Leôncio Cordeiro, da 2.ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, mantém censura ao jornal ao não acolher pedido de liminar no mandado de segurança. Cordeiro deixa para deliberar após receber dados de Vieira e da Procuradoria

15 de setembro
Afastamento
OTJ-DF declara Vieira suspeito para decidir sobre o pedido de censura. A decisão afasta o desembargador do caso. No mesmo dia foi indicado o novo relator, Lecir Manoel da Luz

13 de outubro
Liminar
Os desembargadores do Conselho Especial do TJ-DF rejeitam recurso do Estado contestando a liminar e jornal continua sob censura

17 de novembro
Reclamação
Estado entra com recurso denominado reclamação pedindo a "pronta suspensão" da censura no STF

18 de dezembro
Efeito midiático
FernandoSarney apresenta à Justiça pedido de desistência da ação contra oEstado, mas a censura ao jornal permanece em vigor. Diretoria do Grupo Estado considera iniciativa uma ação de "efeito midiático"

7 de janeiro de 2010
Mérito
Termina o recesso do Judiciário e Estado aguarda ser intimado a decidir se concorda com a extinção ou prefere que a Justiça aprecie o mérito

29 de janeiro
Ação continua
O advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira apresentou manifestação em que sustenta a preferência do jornal pelo prosseguimento da ação, para queo STF julgue a inconstitucionalidade da censura.

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(*) CASCATA E CASCATINHA. Bordão utilizado pelos personagens (televisivo) de Chico Anísio e Castrinho.

quinta-feira, março 25, 2010

SARNEY [In:] CHOCOLATE SUÍCO, MEIO AMARGO...

SUIÇA BLOQUEIA CONTA DE FILHO DE SARNEY

Conta de US$ 13 mi de filho de Sarney é bloqueada na Suíça


Autor(es): LEONARDO SOUZA e ANDREZA MATAIS
Folha de S. Paulo - 25/03/2010
Rastreado a pedido da Justiça brasileira, depósito não foi declarado à Receita


Suíços retiveram recursos quando Fernando Sarney tentava transferi-los para paraíso fiscal; ele já afirmou não ter conta no exterior

O governo suíço achou e bloqueou conta de US$ 13 milhões controlada pelo filho mais velho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Os depósitos foram rastreados a pedido da Justiça brasileira, por suspeita de que a família do senador tenha remetido ilegalmente dinheiro para fora do Brasil.
Os depósitos estão em nome de uma empresa e eram movimentados exclusivamente por Fernando Sarney, que cuida dos negócios da família no Maranhão. O dinheiro não está declarado à Receita Federal, segundo a Folha apurou.
O bloqueio da conta na Suíça é um desdobramento da Operação Faktor (ex-Boi Barrica), conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Nesse inquérito, Fernando já foi indiciado por formação de quadrilha, gestão financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Recursos no exterior não declarados à Receita caracterizam sonegação de tributos e geralmente são frutos de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Empresas da família Sarney são alvo do fisco e da PF sob a suspeita desses crimes.
O bloqueio determinado pelos suíços ocorreu quando Fernando tentava transferir recursos daquele país para o principado de Liechtenstein, conhecido paraíso fiscal entre a Áustria e a Suíça.
Trata-se de um bloqueio administrativo, adotado preventivamente quando há suspeitas sobre a natureza do dinheiro. Se comprovado que o dinheiro tem origem ilícita, como corrupção ou fraude bancária, o bloqueio passa a ter caráter criminal, e os recursos podem ser repatriados ao país de origem.
Procurado pela reportagem, Fernando disse que não comentaria o assunto. Em 2009, em entrevista ao jornal, ele negou operar contas no exterior.
A Folha também entrou ontem em contato com o escritório do advogado do empresário, Eduardo Ferrão, mas ele não pôde atender a ligação porque estava numa reunião com o pai de Fernando, José Sarney.
Essa é a segunda conta no exterior movimentada por Fernando que foi rastreada pelas autoridades brasileiras e não informada à Receita Federal.
Como a Folha revelou no início do mês, o governo chinês já havia informado o Ministério da Justiça que Fernando transferiu em 2008 US$ 1 milhão de uma conta no Caribe para Qingdao, na China. A ordem foi assinada de próprio punho pelo empresário.
Segundo as autoridades chinesas, os recursos foram creditados na conta da Prestige Cycle Parts & Accessories Limited (uma empresa, pelo nome, de acessórios de bicicleta), exatamente como estava escrito no ordem bancária. Os investigadores brasileiros ainda não sabem qual a finalidade desse depósito.
Tanto no caso da Suíça quanto no da China, as contas não estão diretamente no nome de Fernando, mas no de "offshores" -empresas localizadas no exterior, normalmente em paraísos fiscais. A conta suíça estava registrada em nome de uma empresa chamada Lithia. Fernando consta nos registros da conta como único autorizado a movimentá-la, segundo a Folha apurou.
As autoridades brasileiras aguardam novas informações dos governos estrangeiros para decidir quais passos serão tomados a partir de agora.
A Receita continua a auditoria da família Sarney -as empresas e várias pessoas físicas. A devassa começou em 2008 a partir do trabalho da PF. Os fiscais já detectaram indícios de crimes contra a ordem tributária, como remessa ilegal de recursos para o exterior, falsificação de contratos de câmbio e lavagem de dinheiro.
Na Operação Faktor, a PF interceptou com autorização judicial diálogos e e-mails de Fernando, de familiares e de amigos. Nessas conversas e mensagens, eles tratavam, às vezes em código, de transações no exterior. Numa, o filho de Sarney fala sobre levantar "dois americanos" -US$ 2 milhões, no entendimento da PF.
A movimentação constante de contas ilegais pode caracterizar o que o direito penal define como "crime continuado". Segundo investigadores do caso, a prática pode justificar uma prisão em flagrante.

sábado, março 06, 2010

EDITORIAL [In:] OS AMIGOS DO REI...

>>>
Sarney e Arruda, pesos e medidas

Por Lilia Diniz em 3/3/2010



Por que o jornal O Estado de S.Paulo está impedido de publicar notícias sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal (PF), rebatizada de Faktor, enquanto toda a mídia cobre sem restrições a Operação Caixa de Pandora, realizada pela mesma instituição?

O programa Observatório da Imprensa exibido na terça-feira (2/3) pela TV Brasil discutiu os diferentes caminhos que essas duas investigações traçaram na imprensa. Uma sob censura prévia e a outra sem entraves judiciais. Há 215 dias, por determinação do desembargador Dácio Vieira,


do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), o Estadão está proibido de publicar reportagens sobre a operação da PF que investiga o filho e a nora do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O empresário Fernando Sarney, Tereza Murad e mais 11 pessoas são acusadas de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O empresário chegou a anunciar que abriria mão da ação, mas o jornal não aceitou a desistência e prefere que o mérito seja julgado. Já as notícias sobre a Operação Caixa de Pandora, que investiga um esquema de corrupção envolvendo integrantes do governo do Distrito Federal conhecido como "mensalão do DEM", estão sendo publicadas livremente. O governador licenciado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) entregou-se à PF e foi pedido o seu impeachment.

Para debater o tema, o programa recebeu no estúdio do Rio de Janeiro a diretora da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amerj), Márcia Cunha, e Chico Otávio, repórter especial do jornal O Globo, autor de premiadas reportagens investigativas. Em Brasília, o Observatório contou com a presença de Rodrigo Rangel, repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo. Rangel recebeu três vezes o Prêmio Esso – o mais recente, ano passado, pelas reportagens sobre o Caso Sarney.

Atrás das grades

Na coluna "A Mídia na Semana", Alberto Dines comentou dois fatos que tiveram destaque na imprensa recentemente. A morte do bibliófilo José Mindlin foi o primeiro tema da seção. "Cada uma das quase quarenta mil raridades bibliográficas que salvou do esquecimento foi uma aventura", relembrou. Em seguida, Dines criticou o fato de o desembargador Fernando Marques, do Tribunal Regional da 2ª Região, ter obrigado o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro a conceder carteira de identidade de jornalista ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Rede Record.

Antes do debate ao vivo, em editorial, Dines ponderou que à luz da Justiça os casos Sarney e Arruda são diferentes e, por isso, os inquéritos tiveram procedimentos distintos. "Cada cabeça uma sentença. Mas a sociedade brasileira deveria estar apta a entender como funcionam estas cabeças e o porquê de cada sentença. Pelo menos parte das suspeitas seriam esclarecidas", afirmou. Para Dines, a exposição dos vídeos da equipe de José Roberto Arruda recebendo propinas contribuiu para o desfecho do caso. "Pela primeira vez em nossa história recente, um governador em exercício foi parar no xilindró."

Constituição Cidadã

O programa exibiu uma reportagem com opiniões a área jurídica e de jornalistas. O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, avaliou que o caso do ex-governador José Roberto Arruda se situa em um "quadro de normalidade" de uma sociedade democrática. "A imprensa pode aprofundar e alargar o noticiário com fundamento na liberdade de informação que a Constituição assegura", enfatizou. Azêdo acredita que no caso da Operação Faktor há favorecimento da Justiça para um "personagem poderoso". Outro problema apontado foi a "relação de camaradagem" entre o desembargador que proibiu a veiculação das matérias e a família do senador Sarney. "Há uma clara distorção do pronunciamento do Judiciário, que depois da imposição da censura prévia mostrou, como tem mostrado até hoje, lerdeza no tratamento do caso", criticou.

O advogado Sérgio Bermudes disse que a censura a O Estado de S.Paulo é "inconcebível" porque a liberdade expressão é um dos fundamentos do Estado Democrático de Direito. "A liberdade de imprensa não é uma garantia da imprensa. Ao contrário do que se pensa, a liberdade de imprensa é uma garantia do cidadão, que tem que ser informado, e a imprensa é um veículo de informação das pessoas. Eis por que repugna à Constituição e repugna às leis que um jornal, seja ele grande ou pequeno, possa ser censurado", criticou.

Para o jornalista Eugênio Bucci, em toda cobertura que envolve denúncias de corrupção de homens públicos existem interesses contrariados e interesses que se quer preservar. "A notícia favorece um e desfavorece outro", assinalou. "As forças políticas que procuram interferir na linha editorial, na pauta dos veículos, estão sempre presentes. Não é a existência de uma força política no caso Sarney e no caso Arruda que explica as diferenças de desdobramento que os dois casos tiveram. As forças políticas estão presentes em um e em outro", comentou. O jornalista enfatizou que O Estado de S. Paulo não recuou na apuração das denúncias contra a família Sarney a despeito da existência de pressões políticas.

A quem o segredo serve?

No debate ao vivo, Dines pediu para Rodrigo Rangel rememorar o trabalho de apuração de O Estado de S.Paulo no caso Sarney. O repórter explicou que a cobertura dos atos secretos do Senado – que atingiam em cheio o presidente da Casa – estava no auge quando a equipe do jornal chegou a informações relevantes que ligavam os atos secretos à investigação da PF. Nesta, havia uma conversa telefônica em que Fernando Sarney tratava da nomeação do namorado de sua filha para um cargo no Senado e esta nomeação ocorreu por meio de um ato secreto.

"No âmbito da Operação Boi Barrica, vimos que havia elementos concretos sobre a maneira como se negociavam as nomeações", disse. Dines questionou se o jornal sabia que o caso estava sob sigilo. Rangel enfatizou que o empresário Fernando Sarney tomou conhecimento da investigação, por meio de um vazamento, meses antes da imprensa, mas o segredo de Justiça foi pedido apenas quando a imprensa obteve os dados sobre o assunto. O jornal estava ciente da decisão, mas publicou as informações porque havia interesse público.

Para Chico Otávio, é lamentável que um jornal esteja sob censura, mas é preciso salientar que a polêmica se trava dentro do processo legal. A situação é diferente da que ocorre em outros países da América Latina, como a Venezuela, onde "obstáculos são erguidos pelo braço forte do Estado, do poder". O jornalista avalia que há um exagero por parte da Justiça em decretar sigilo porque há a possibilidade de proteger apenas parte de uma investigação.

Já existe o entendimento de que a responsabilidade legal pelo vazamento cabe a quem passou a notícia, e não aos jornais que a publicaram. Chico Otávio destacou que a imprensa tem servido de fiscal da atividade judiciária – então, é salutar que os meios de comunicação tenham acesso aos processos, mesmo levando em conta que a "imprensa política" pode exercer um grande peso nas decisões judiciais.

Público e privado

Márcia Cunha explicou que o sigilo tenta proteger a investigação e não a pessoa do investigado. Em algumas situações, nem o próprio alvo do processo tem acesso às informações. A intenção é fazer com que nenhuma influência externa possa atrapalhar a apuração dos fatos. Na Operação Boi Barrica, o pedido partiu de Fernando Sarney e pretendia resguardar a sua honra até o julgamento. A opinião da desembargadora é diferente desta decisão judicial. "O homem público tem que ter consciência de que ele não tem uma privacidade igual a do homem que não é público. Ele tem a sua vida pública exposta e é dever dele prestar contas. A única coisa que deve ser preservada é a vida particular", disse.

Para a diretora da Amerj, quando um processo de interesse público que está sob segredo de Justiça vaza para a mídia, esta tem o direito de divulgar e é um direito do cidadão ser informado. "Tenho certeza absoluta que as coisas neste caso do governador de Brasília não teriam caminhado com a celeridade com que caminharam se não fosse o grande apelo público. E esse apelo é feito como? Através da imprensa, sem dúvida", disse.

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As cabeças e as sentenças

Alberto Dines # editorial do

Observatório da Imprensa na TV nº 535,

exibido em 2/3/2010


Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

Por que foi possível publicar os impressionantes vídeos das propinas no governo do Distrito Federal enquanto eram embargadas pela Justiça as denúncias sobre a corrupção no Maranhão? Este é um debate que se trava em algumas redações brasileiras, mas ainda não chegou ao leitor. Deveria. Seria muito instrutivo e, sobretudo, oportuno.

É evidente que ninguém está lastimando a divulgação daqueles vídeos da turma do governador Arruda embolsando as propinas. Graças à intensa exposição através da mídia, pela primeira vez em nossa história recente um governador em exercício foi parar no xilindró. Um avanço, vitória inequívoca na luta contra a corrupção.

Mas este avanço poderia ter ocorrido meses antes se a Justiça não impedisse o jornal O Estado de S.Paulo de prosseguir as revelações sobre o inquérito da Polícia Federal a respeito dos negócios da família Sarney. O Estadão está sob censura judicial há 214 dias. Não fosse este atentado contra a liberdade de expressão, o governador Arruda talvez não tivesse sido primeiro governador a ser encarcerado.

Dois pesos e duas medidas? Este tipo de comparação não pode ser linear. A ciência jurídica é mais sutil, complexa. Cada caso é um caso. A Polícia Federal investigou ambos, mas os inquéritos tiveram procedimentos diferenciados e foram apreciados por juízes com visões diferentes.

Cada cabeça uma sentença. Mas a sociedade brasileira deveria estar apta a entender como funcionam essas cabeças e o porquê de cada sentença. Pelo menos parte das suspeitas seriam esclarecidas.

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A mídia na semana

** É considerada a última profissão romântica, por isso o sonho de ser jornalista sempre fascinou as novas gerações que pretendiam mudar o mundo. Com o fim da exigência do diploma, evaporou-se parte desta sedução. Por isso causa estranheza a insistência do bispo-empresário Edir Macedo de forçar as portas do Sindicato do Rio para conseguir pela via judicial uma carteira de jornalista. O bispo ainda não entendeu uma questão elementar: ele é empresário, empregador. O Sindicato de Jornalistas é de trabalhadores, empregados. Para ser jornalista além de saber escrever é preciso entender o que se lê.

** Será impossível relacionar todas as façanhas de José Mindlin. Cada uma das quase quarenta mil raridades bibliográficas que salvou do esquecimento foi uma aventura. Nos merecidos elogios publicados a propósito da sua morte não se falou no seu desprendimento em ceder para republicação a sua preciosa coleção com os 29 volumes do Correio Braziliense, o primeiro periódico livre a circular no Brasil. A reedição do mensário de Hipólito da Costa e a sua disponibilização para as escolas de jornalismo do país deu à nossa imprensa uma dimensão histórica que poucos conheciam.

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http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=579JDB008


http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/3/6/eletrobras-tera-nova-marca


http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/3/6/tucanos-promovem-primeiro-grande-encontro-sobre-eleicoes


http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/3/6/lula-nega-licenca-para-fazer-campanha


http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/3/6/o-que-for-necessario

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quarta-feira, agosto 05, 2009

SARNEY, COLLOR E RENAN: ATOS EXPOSTOS

O fermento da podridão

O Estado de S. Paulo - 05/08/2009

A República de Alagoas voltou. Acionados pelo senador José Sarney, os seus dois mais notórios representantes no Congresso Nacional, Fernando Collor e Renan Calheiros, protagonizaram segunda-feira no Senado um espetáculo de truculência e intimidação que logrou dar um sentido ainda mais degradante ao que já está implícito na expressão "tropa de choque". O ex-presidente da República, despejado do Planalto por corrupção, e o presidente do Senado, obrigado a renunciar ao cargo para conservar o mandato, investiram com fúria e brutalidade contra o peemedebista dissidente Pedro Simon porque ele teve a ousadia de pedir que Sarney deixasse a direção da Casa antes da reunião de hoje do Conselho de Ética, onde é alvo de 11 representações ou denúncias de partidos e parlamentares oposicionistas. O gaúcho comparou a situação de Sarney à de Getúlio Vargas na crise que o levou ao suicídio, em agosto de 1954.

Mostrando com palavras e esgares que continua o mesmo histrião que foi como presidente, Collor disse a Simon que engolisse e digerisse a referência que fizera ao seu nome, ao lembrar a Calheiros que desertou do então presidente na véspera de sua cassação. Em seguida, proclamou o seu alinhamento com Sarney, suposta vítima do "interesse da mídia". Em 1987, governador de Alagoas, ele dizia que o maranhense era "o corrupto do Planalto". Que diferença faz? O Collor que atingiu Lula com uma baixaria inominável na campanha de 1989 não é hoje seu admirador? E Lula não o acolhe como a um aliado fraternal? É nessa atmosfera irrespirável que prossegue a operação destinada a manter Sarney no posto do qual, na semana passada, ele insinuava abrir mão. Pelo visto, mudou de ideia. "Isso não existe", garantiu ao deixar o plenário antes do discurso de Simon e do vexame que se seguiu. Declarou-se ainda "firmíssimo" no cargo.

Se assim é, prepare-se a opinião pública para ver fermentar a podridão no Senado. Sarney e a sua tropa sabem que o presidente do Conselho de Ética, Paulo Duque, não acolherá nenhum dos pedidos para que ele seja processado por quebra do decoro parlamentar. Afinal, foi exatamente para isso que Calheiros, como líder do PMDB, indicou esse segundo suplente de senador pelo Rio de Janeiro para chefiar o colegiado. A oposição, por deter apenas 5 de suas 15 cadeiras, não conseguirá reverter a decisão. No máximo, poderá transferir o problema para o plenário, onde o sarneysismo permanece majoritário. De seu lado, Lula e a cúpula do PT tratam de conter o desassossego na bancada partidária, cujo líder Aloizio Mercadante se indispôs com os operadores políticos do Planalto por insistir no afastamento de Sarney. Nove dos seus 12 membros serão candidatos em 2010 e não escondem as pressões recebidas de eleitores indignados com o apoio lulista ao oligarca.

Sinal de que os velhos costumes prevalecem sobre a retórica da reforma no Senado, a diretoria-geral, orientada por Sarney, trata de adiar a demissão dos funcionários nomeados por atos secretos, contrariando a recomendação de seu desligamento sumário adotada pela comissão especial criada para examinar o escândalo. A fórmula encontrada foi a de pedir a abertura de processos administrativos individuais. Serão cerca de uma centena de ações, uma delas envolvendo o namorado da neta de Sarney, nomeado em abril do ano passado. O caso ficou conhecido depois que este jornal divulgou telefonemas gravados com autorização judicial em que o filho do senador, Fernando, pede ao pai que empregue o interessado. As interceptações foram feitas pela Polícia Federal, no curso da Operação Boi Barrica, que levou ao indiciamento de Fernando por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Numa nota em que endossa a iniciativa do filho de pedir à Justiça que proibisse o jornal de continuar cobrindo o caso, numa clamorosa censura prévia, o senador acusou o Estado de promover uma "cruel e violenta campanha infamante" contra ele. A alegação não tem o mais remoto fundamento. O jornal publicou informações objetivas de um inquérito policial que levou ao indiciamento do empresário Fernando Sarney pela prática de diversos delitos. Nada menos e nada mais do que isso. A tática de "culpar o mensageiro" é o recurso desesperado de todos quantos gostariam de ocultar os fatos que os perturbam. Não tendo conseguido, posam de vítima para se desviar das próprias responsabilidades.

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