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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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terça-feira, outubro 26, 2010

CASA CIVIL/ERENICE [In:] A VERDADEIRA BOLSA-FAMÍLIA (LV)

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25/10/2010 - 14h46

Em depoimento, Erenice contraria versão da Casa Civil e admite encontro com consultor



A ex-ministra Casa Civil Erenice Guerra recuou e admitiu nesta segunda-feira que se encontrou nas dependências da Presidência da República com empresários da companhia de energia solar EDRB, que procuraram o filho dela para viabilizar contratos com o governo.

A Folha teve acesso ao depoimento prestado na manhã desta segunda-feira à Polícia. Em mais de cem perguntas, Erenice sustentou a tese que não sabia que o filho Israel tinha a empresa Capital Consultoria, que cobrava "taxa de sucesso" para conseguir contratos com o governo federal.

Entenda as acusações envolvendo Erenice Guerra
Entenda o caso dos vazamentos de dados sigilosos na Receita
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Alan Marques/Folhapress
Erenice Guerra admitiu que se encontrou nas dependências da Presidência com empresários da companhia EDRB
Erenice Guerra admitiu que se encontrou nas dependências da Presidência com empresários da companhia EDRB

Um dos casos investigados pela PF é a negociação com a EDRB, que tem como consultor Rubnei Quícoli. Ele afirma que, após a reunião com Erenice, Israel e o sócio, Vinícius de Oliveira Castro, passaram a cobrar dinheiro para viabilizar o financiamento do BNDES.

Quando era ministra, Erenice negou que se encontrou com Quícoli. À PF, admitiu a reunião.

"Através de levantamentos pelo assessor Vladimir [Muskathirovic] soube que a reunião foi em 10/11/2009. Que a mesma foi presidida por Vladmir. Que foi informada por Vladmir, a declarante participou da reunião por alguns minutos, salvo engano entre 20 e 30 minutos", disse Erenice.

A versão dada à PF contraria o que a Casa Civil, quando Erenice era ministra, afirmou em setembro. Disse que apenas o assessor participou da reunião. Essa versão é sustentada pelo governo até hoje.

O depoimento prestado à PF desmente que a própria Erenice já disse sobre o caso. Em entrevista à revista "Istoé", ela disse que não se encontrou com Quícoli. "Nunca recebi. Ele foi recebido na Casa Civil pelo meu assessor", afirmou.

Braço direito da presidenciável petista Dilma Rousseff, Erenice era secretária-executiva da candidata quando recebeu no Planalto empresários que negociavam contrato com a empresa de lobby dos filhos dela e de assessores da Casa Civil. Após a Folha publicar a informação, ela pediu demissão.

DEFESA

"Houve um encontro oficial, marcado pela assessoria dela. Foi uma reunião de uma hora e quinze minutos, na qual ela participou por 30 minutos. Foi uma conversa rigorosamente técnica", disse o advogado de Erenice, Mário de Oliveira Filho.

A defesa afirmou que, na reunião, Erenice deu "os encaminhamentos devidos" para a proposta de Quícoli. Segundo o consultor, depois do encontro com Erenice, a proposta da EDRB foi encaminhada para a estatal responsável por energia solar no Nordeste.

Nesse mesmo período, Quícoli afirmou que a empresa de Israel passou a cobrar para viabilizar o financiamento do BNDES. A defesa de Erenice não comentou sobre as conversas de consultores com pessoas ligadas a Israel Guerra. Diz apenas que não tinha o consentimento da ex-ministra.

"Ela nunca autorizou ninguém, nem filho, a falar em nome dela para gerenciar qualquer negócio", afirmou o advogado.

Segundo a defesa, ela respondeu a todos os questionamentos na condição de testemunha. Os advogados de Erenice afirmam ainda que a ex-ministra nunca atuou para beneficiar qualquer parente no governo.

De acordo com os advogados, os amigos de Israel Guerra que trabalhavam no governo foram contratados por questões técnicas.

Erenice foi intimada pela polícia para explicar a atuação de Israel como lobista dentro do governo e a suspeita de tráfico de influência. A seis dias da eleição, a ex-ministra tentou duas vezes adiar o depoimento.

Braço direito da presidenciável petista Dilma Rousseff, Erenice era secretária-executiva da candidata quando recebeu no Planalto empresários que negociavam contrato com a empresa de lobby dos filhos dela e de assessores da Casa Civil. Após a Folha publicar a informação, ela pediu demissão.

O caso Erenice foi um dos motivos que levou a eleição para o segundo turno, segundo pesquisa Datafolha.


Editoria de Arte/Folhapress

+ Notícias sobre eleições

segunda-feira, setembro 20, 2010

ELEIÇÕES 2O1O/CASA CIVIL [In:] A GRANDE FAMÍLIA

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18/09/2010 - 11h13

Dilma afirma que não sabia de lobby na Casa Civil


ANA FLOR
ENVIADA A CAMPINAS (SP)
MAURÍCIO SIMIONATO
DE CAMPINAS (SP


A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou hoje em Campinas (SP), no interior do Estado, que não sabia da existência de um esquema para facilitar interesses de empresa privadas na Casa Civil e nem da atuação de Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, no governo.

Israel é acusado de fazer lobby em prol de empresas privadas no ministério comandado por Dilma. A ex-ministra criticou a imprensa por dar credibilidade ao consultor Rubnei Quícoli, autor das denúncias contra Israel. Quícoli diz que o filho de Erenice cobrava comissão para facilitar negócios no governo federal.

"Não cheguei a tomar conhecimento. Agora, eu acho estarrecedor que se dê credibilidade a uma pessoa com aquele currículo", disse Dilma, durante entrevista coletiva.


Jorge Araújo/Folhapress
Dilma Rousseff, em Campinas, com o ator Benicio Del Toro.
Dilma Rousseff, em Campinas, com o ator Benicio Del Toro.

Com duas condenações na Justiça, Quícoli chegou a ficar preso cerca de dez meses.

A petista também disse que não teve conhecimento dos alertas que o consultor Rubnei Quícoli enviou ao e-mail da Casa Civil apontando a existência de um esquema de lobby operado no governo. "Não cheguei a tomar conhecimento", disse.

Dilma afirmou também desconhecer a participação de Israel em assuntos de governo.

"Não tinha nenhum filho da Erenice na Casa Civil. O que tinha lá eram amigos dele [trabalhando no governo]. Se esses amigos cometeram algum delito, lamento a indicação deles, lamento profundamente", afirmou a candidata.

Segundo ela, os culpados "dessa história" --envolvendo Erenice Guerra-- têm que ser rigorosamente punidos, independentemente de quem sejam.

Sobre Erenice, ela afirmou que não se pode condená-la sem provas. "Qualquer ato que a desabone tem que ser provado, e não vice-versa. Eu aguardo, não faço pré-julgamento. A ministra Erenice trabalhou comigo e, enquanto trabalhou comigo, demonstrou muita capacidade."

Dilma foi a Campinas para participar de um comício, que contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pela manhã, tomou café com o ator Benício Del Toro, que está de passagem no Brasil.

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http://www1.folha.uol.com.br/poder/800900-dilma-afirma-que-nao-sabia-de-lobby-na-casa-civil.shtml

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sábado, setembro 18, 2010

EDITORIAL [In:] A CASA CAIU! E A ''VIZINHANÇA e EX-MORADORES'' DA CASA COMO FICAM ? II

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O polvo no poder

Quem é Erenice Guerra


A ficha da ministra da Casa Civil, sucessora de Dilma Rousseff, revela um histórico de casos polêmicos


Braço direito de Dilma Rousseff, Erenice Guerra, 51 anos, tornou-se ministra-chefe da Casa Civil em abril deste ano, quando Dilma saiu do posto para disputar a Presidência. Antes, tentou, sem sucesso, ocupar uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Superior Tribunal Militar (STM). Formada em direito, filiou-se ao PT em 1981.



Veja abaixo escândalos envolvendo a ministra:


Lobby na Casa Civil

setembro de 2010 Reportagem de VEJA revelou que o filho de Erenice, Israel Guerra, comanda, com ajuda da ministra, um esquema de lobby dentro da Casa Civil. Por meio do pagamento de uma “taxa de sucesso”, o filho da ministra facilita a aproximação entre empresários e o governo. Um empresário do setor aéreo relatou ter conseguido contratos de R$ 84 milhões nos Correios após pagar um percentual de 6% ao grupo de lobistas. Nesta segunda-feira, 13, um dos assessores da Casa Civil citados no esquema, Vinícius de Oliveira Castro, pediu demissão.

Em prol dos Sarney

agosto de 2009 A pedido de Dilma Rousseff, Erenice Guerra foi ao gabinete da então secretária da Receita Federal, Lina Vieira, para agendar uma reunião entre as duas. Na ocasião, Dilma pressionou Lina a encerrar uma investigação do Fisco sobre a família de José Sarney. Dilma negou o encontro. Lina revelou detalhes sobre ele, citando Erenice. As imagens do circuito interno de TV do Palácio do Planalto, que poderiam comprovar ou desmentir a reunião, sumiram, como revelou VEJA em julho de 2010.

Dossiê contra FHC

abril de 2008 Como secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra comandou a elaboração de um dossiê sobre gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. O documento seria usado para chantagear políticos da oposição, em revanche às revelações de gastos de ministros de Lula feitas pela CPI dos Cartões Corporativos. O governo blindou Erenice e Dilma. A número 2 da Casa Civil sequer foi citada na sindicância interna sobre o caso.











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http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/quem-e-erenice-guerra
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EDITORIAL [In:] A CASA CAIU! E A ''VIZINHANÇA e EX-MORADORES'' DA CASA COMO FICAM ?

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Em VEJA desta semana

Filho de Erenice Guerra comanda esquema de lobby no Planalto

Reportagem de VEJA revela acordos milionários entre empresários e órgãos do governo.

Ministra facilitou esquema, que envolveu o pagamento de propina

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, participam da cerimônia de assinatura do contrato de concessão da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em 26 de agosto de 2010
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, participam da cerimônia de assinatura do contrato de concessão da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em 26 de agosto de 2010 (Sérgio Lima/Folhapress).

A edição de VEJA desta semana traz à tona um caso surpreendente de aparelhamento do estado. Sua figura central é Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil, sucessora de Dilma Rousseff no cargo. A reportagem demonstra que, com a anuência e o apoio de Erenice, seu filho, Israel Guerra, transformou-se em lobista em Brasília, intermediando contratos milionários entre empresários e órgãos do governo mediante o pagamento de uma "taxa de sucesso". A empresa de Israel se chama Capital Assessoria e Consultoria. Não bastasse recorrer à influência da ministra para fazer negócios, a "consultoria" ainda tem como sócios dois servidores públicos lotados na Casa Civil.

“Fui informado de que, para conseguir os negócios que eu queria, era preciso conversar com Israel Guerra e seus sócios”, relata a VEJA Fábio Baracat, empresário do setor de transportes que, no segundo semestre do ano passado, buscava ampliar a participação de suas empresas nos serviços dos Correios. Baracat seguiu o conselho e aproximou-se de Israel, que, depois de alguns encontros preliminares, levou-o para um primeiro encontro com sua mãe. Nessa época, Dilma Rousseff ainda era a titular da Casa Civil e Erenice, seu braço direito. "Depois que eles me apresentaram a Erenice, senti que não estavam blefando", conta Baracat, que teve de deixar para trás caneta, relógio, celular ─ enfim, qualquer aparelho que pudesse embutir um gravador ─ antes da reunião.

O empresário contratou os préstimos da Capital Assessoria e Consultoria, e passou a pagar 25 000 reais mensais, sempre em dinheiro vivo, para que Israel fizesse avançar seus interesses em órgãos do estado. Se os negócios das empresas de Baracat se ampliassem, uma "taxa de sucesso" de 6% seria paga.

Houve mais encontros com Erenice. No último deles, em abril deste ano, quando ela já havia assumido o ministério - o mais poderoso na estrutura governamental, sempre é bom lembrar - registrou-se um diálogo, no mínimo, curioso. Incomodada com o atraso de um dos pagamentos, disse Erenice: "Entenda, Fábio, que nós temos compromissos políticos a cumprir." A frase sugere que parte do dinheiro destinado a Israel Guerra era usada para alimentar o projeto de poder do grupo que hoje ocupa o governo.

O lobby de Israel Guerra, com patrocínio materno, trouxe dividendos para as empresas de Fábio Baracat. Nos dois meses que se seguiram ao último encontro com Erenice, ele obteve contratos no valor de 84 milhões de reais com os Correios. Estima-se, portanto, que a Capital Assessoria e Consultoria tenha embolsado algo em torno de 5 milhões de reais em todo o processo.

O polvo no poder - O esquema no alto escalão do governo também inclui Vinicius Castro, funcionário da Casa Civil, e Stevan Knezevic, servidor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) hoje lotado na Presidência. Eles são parceiros de Israel Guerra. Como a Capital Assessoria e Consultoria tem sede na casa do proprio Israel, o trio recorre a um escritório de advocacia em Brasília para despachar com os clientes. Ali trabalha gente importante. Um dos advogados é Marcio Silva, coordenador em Brasília da banca que cuida dos assuntos jurídicos da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Outro é Antônio Alves Carvalho, irmão de Erenice Guerra.

Em resposta à reportagem, a ministra-chefe da Casa Civil mandou um assessor informar que “o seu sigilo bancário está disponível para verificação”. (1)

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16/09/2010

às 12:18

Erenice Guerra deixa a Casa Civil


O braço direito de Dilma Rousseff não é mais a ministra-chefe da Casa Civil. Erenice Guerra escreveu sua carta de demissão nesta quinta-feira após cinco meses no comando da pasta. No final da manhã, Erenice se reuniu com o ministro das Comunicações, Franklin Martins, para redigir essa carta, que foi lida por um porta-voz, em Brasília, às 13 horas. Carlos Eduardos Esteves Lima, atual secretário-executivo da Casa Civil, vai assumir o cargo interinamente até a próxima semana, quando Lula deve anunciar quem ocupará a chefia da pasta.

Nos bastidores, fala-se em Miriam Belchior, secretária-executiva do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para ficar à frente da Casa Civil. O presidente se reuniu nesta quinta-feira com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e das Relações Exteriores, Celso Amorim, também para discutir o caso.

Denúncias – A sucessora da candidata petista à Presidência não resistiu às denúnicas publicadas em VEJA desta semana, que revelaram que seu filho, Israel Guerra, comanda um esquema de lobby dentro da Casa Civil.

Por meio do pagamento de uma “taxa de sucesso”, o filho da ministra facilita a aproximação entre empresários e o governo. Israel é dono da empresa Capital Assessoria e Consultoria e marcava reuniões entre os interessados no negócio e a ministra para garantir sua influência no contrato.

Nesta quinta-feira, o jornal Folha de S.Paulo publicou nova denúncia contra o filho de Erenice Guerra. Segundo o empresário Rubnei Quícoli, Israel pedia 40.000 reais mensais para ajudá-lo a liberar um empréstimo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Aos olhos do Planalto e do PT, no entanto, o erro mais grave de Erenice foi relacionar o seu caso à campanha presidencial, dizendo que os ataques eram um ato de desespero de um candidato – o tucano José Serra – “já derrotado”. Todo o esforço da campanha de Dilma Rousseff era para manter dissociadas as questões da Casa Civil e do processo eleitoral. (2)

(Atualizada às 13h05)

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Escândalo na Casa Civil

Empresa revela que filho de Erenice cobrou propina para intermediar empréstimo junto ao BNDES

Uma informação divulgada nesta quinta-feira reforça a existência de um esquema de aparelhamento do estado montado sob a supervisão da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, revelado por VEJA em sua edição desta semana. Uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo revela que o filho da ministra, Israel Guerra, cobrou dinheiro de uma empresa para obter liberação de empréstimo no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

No sábado, VEJA havia revelado que, com a anuência da mãe, Israel transformou-se em lobista em Brasília, intermediando contratos milionários entre empresários e órgãos do governo, mediante o pagamento de uma "taxa de sucesso".

A empresa EDRB revelou à Folha que, no ano passado, foi orientada a procurar a Capital Assessoria e Consultoria, empresa que Israel mantém em sociedade com dois servidores públicos lotados na Casa Civil, para destravar um projeto paralisado desde 2002 na burocracia federal. A EDRB pretendia instalar uma central de energia solar no Nordeste.

Após o contato com a Capital, representantes da EDRB foram recebidos por Erenice em audiência oficial na Casa Civil. Na ocasião, ela ainda ocupava o cargo de secretária-executiva da pasta, cuja titular era Dilma Rousseff, hoje candidata à Presidência pelo PT.

A empresa informou ao jornal que as condições para que o negócio fosse feito incluíam o pagamento de 40.000 reais mensais à Capital durante seis meses, além de uma comissão de 5% sobre o valor do empréstimo – o financiamento do BNDES chegaria a 9 milhões de reais. Sentindo-se chantageada, a EDRB decidiu cortar as relações com os lobistas. (4)


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(1) http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/filho-de-erenice-guerra-comanda-esquema-de-lobby-no-planalto

(2) http://veja.abril.com.br/blog/eleicoes/veja-acompanha-eleicoes-2010/erenice-guerra-deixa-a-casa-civil/

(3) http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/empresa-acusa-filho-de-erenice-de-cobrar-propina-para-intermediar-emprestimo-junto-ao-bndes
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sexta-feira, setembro 17, 2010

CASA CIVIL/ERENICE GUERRA [In:] O QUE PODERIA TER SIDO FEITO ? III

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16/09/2010 - 16h49

Buemba! Erenice vai ser indiciada por formação de família!

Da Redação
Em São Paulo

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Monkey News no ar! Ereções 2010! A gente pensa que só Brasil tem essas pessoas medonhas, mas tem também no Peru.
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http://noticias.uol.com.br/monkeynews/ultimas-noticias/2010/09/16/buemba-erenice-vai-ser-indiciada-por-formacao-de-familia.jhtm
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CASA CIVIL/ERENICE GUERRA/DILMA ROUSSEFF [In:] O QUE PODERIA TER SIDO FEITO ? II

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Brasil

Escândalo ‘tira o brilho’ da candidatura de Dilma, diz jornal

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Dilma Rousseff durante evento de campanha no Rio de Janeiro

Apesar de escândalo, jornais vêem vitória de Dilma quase certa

O escândalo que derrubou a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, ganhou destaque em vários jornais estrangeiros nesta sexta-feira.

O britânico The Times traz um artigo assinado pela editora de internacional do jornal, Bronwen Maddox, intitulado “Acusações de corrupção tiram o brilho da sucessora de uma superestrela”.

O artigo comenta que a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais, com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é dada quase como certa, mas diz que as acusações de corrupção contra a aliada próxima podem reduzir sua liderança ou mesmo “ofuscar o início de sua presidência em um momento crucial para o Brasil”.

A ministra Erenice Guerra, braço-direito e sucessora de Dilma Rousseff na Casa Civil, anunciou na quinta-feira sua demissão do cargo após duas denúncias sobre suposto tráfico de influência e cobrança de propinas envolvendo seus filhos.

Erenice Guerra negou as acusações e disse que deixaria o cargo para se defender do que chamou de “sórdida campanha” para “desconstruir” sua imagem.

O artigo no Times observa que, “apesar de as acusações terem sido negadas por um coro estridente, elas reduziram o ímpeto (de Dilma Rousseff), e uma vitória clara no primeiro turno, no dia 3 de outubro, não pode mais ser presumida”.

“Apesar de a vitória agora parecer inevitável, o endosso de seu mentor (Lula) não a pode proteger totalmente desses danos”, diz.

'Chuva de acusações'

O diário espanhol El País desta sexta-feira traz uma reportagem assinada pelo correspondente no Rio de Janeiro, Francho Barón, com análise semelhante.

“A chuva de acusações de tráfico de influências e corrupção que salpicou nos últimos dias a candidata à Presidência do Brasil, Dilma Rousseff, precipitou a saída fulminante da até ontem ministra da Casa Civil e ex-colaboradora próxima de Rousseff, Erenice Guerra”, informa o texto.

Para o jornal, “o escândalo ameaça impactar de forma negativa na brilhante campanha eleitoral de Rousseff”.

O texto comenta que a candidata de Lula “acusa a oposição de jogar sujo na reta final da corrida eleitoral aventando acusações sem fundamento contra pessoas à sua volta”.

'Recordação'

O americano The Wall Street Journal também destaca o assunto em sua edição desta sexta-feira, com um texto intitulado “Escândalo Ofusca Candidata no Brasil”.

“Pelo fato de Guerra ser ex-braço-direito de Dilma Rousseff, a ex-chefe da Casa Civil do presidente e sua candidata escolhida para a Presidência, o escândalo é uma recordação de outras acusações de corrupção que mancharam o popular Partido dos Trabalhadores”, diz o jornal.

O texto observa que as acusações não devem mudar o resultado da eleição no dia 3 de outubro, mas “forçaram o governo e a campanha de Rousseff a trabalhar em modo de controle de danos”.

O jornal comenta que no passado os eleitores brasileiros ignoraram escândalos de corrupção quando os candidatos não pareciam estar diretamente envolvidos e que o próprio Lula foi beneficiado por esse fato nas eleições de 2006, após o escândalo do mensalão.

“A mesma coisa deve acontecer com Rousseff, cujo sucesso na campanha é longamente atribuído ao apoio de Lula, que está impedido pela lei de concorrer a um terceiro mandato consecutivo”, diz o Wall Street Journal.

O jornal observa que, “com poucas outras armas” para tirar a vantagem de Dilma, o principal candidato opositor, José Serra, do PSDB, intensificou seus ataques para tentar ligar a candidata do governo ao escândalo envolvendo Erenice Guerra e a um escândalo anterior, no qual funcionários da Receita Federal foram acusados de acessar informações sigilosas de pessoas ligadas a candidatos da oposição.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/09/100917_escandalo_erenice_press_rw.shtml
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CASA CIVIL/ERENICE GUERRA [In:] ''CESTEIRO QUE FAZ UM CESTO FAZ UM CENTO" *

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PT monitora os efeitos do ‘Erenicegate’ na campanha


Para comitê de Dilma, caso é mais danoso que ‘Fiscogate’

Pesquisas internas indicam que ainda não houve prejuízo

Avalia-se que proximidade do pleito inibe o risco de revés


Lula Marques/Folha
O comitê de Dilma Rousseff opera com a luz amarela acesa. Pesquisas internas monitoram os efeitos dos escândalos em ritmo diário.

Os operadores da campanha petista enxergam no caso que envolve Erenice Guerra um grau de combustão que não viam no episódio das violações da Receita.

Por quê? Erenice integrara a assessoria de Dilma no Ministério de Minas e Energia. Chegara à Casa Civil levada pelas mãos de Dilma. Ali, tornara-se braço direito de Dilma. Virara ministra por indicação de Dilma.

Ou seja: Erenice, 51 anos, filiada ao PT desde 1981, deve sua existência na burocracia da gestão Lula a Dilma Roussef. Daí o receio.

O elo entre a suspeita de malfeito e a candidata, frágil no caso da violação do sigilo de tucanos, materializou-se na encrenca da Casa Civil.

Até o início da semana, o alto comando da campanha avaliava que a manutenção de Erenice no cargo seria “menos pior” do que sua demissão. Em declarações calculadas, Dilma tomara distância da encrenca.

Dissera que não admitia ser julgada por acusações feitas contra o filho de uma ex-assessora. Passara a esgrimir a tese segundo a qual o “Erenicegate” era assunto do governo, não dela.

No mais tachara de "factóide" as novas estocadas do rival José Serra. Nos subterrâneos, Erenice foi aconselhada a se dissociar do filho Israel Guerra, acusado de empinar negócios privados no governo. Porém...

Porém, numa fase em que a cabeça ainda se equilibrava sobre o pescoço, a ministra não demonstrou disposição de abandonar o rebento no oceano de suspeições. Pior: numa conversa telefônica da noite de domingo (12), Erenice admitira ter recebido em casa o empresário Fábio Baracat, com quem Israel transacionava.

Para complicar, Erenice passou a operar na contramão do comitê. Pôs-se a emitir notas oficiais nas quais vinculava as denúncias à cena eleitoral. Em sua última nota, trazida à luz na quarta (15), Erenice investira contra Serra. Chamara-o de “aético”. Pespara nele a pecha de “derrotado”.

Lula fez saber à ministra que não gostara do timbre do texto. Foi o primeiro sinal de que a cabeça de Erenice balançava.

A manchete da Folha de quinta (16) fez amadurecer o escalpo. Nova denúncia. De novo tráfico de influência. Novamente Israel Guerra. Um detalhe foi considerado especialmente incômodo.

Uma trinca de representantes da empresa EDRB, a nova cliente de Israel, fora recepcionada na Casa Civil. A audiência ocorrera em 10 de novembro de 2009. Dilma ainda era ministra. O negócio não se efetivou. Mas a oposição ganhou munição fresca.

De resto, uma coincidência de datas fez piscar a luz amarela no painel de controle do QG de Dilma. Veio à memória o escândalo dos “aloprados” de 2006. Um caso que explodira em 15 de setembro.

Lula, então candidato à reeleição, ostentava no Datafolha favoritismo semelhante ao de Dilma. Uma semana depois da chegada das manchetes aziagas, prevalecia sobre Geraldo Alckmin, o presidenciável tucano de então, por 50% a 29%. No último Datafolha, Dilma cravou 51%, contra 27% de Serra.

A imagem das notas usadas na tentativa de compra de um dossiê (R$ 1,7 milhão) ajudara a compor o quadro que levara Alckmin a um segundo turno que parecia improvável.

A analogia como que tonificou os receios que levam o petismo a observar com lupa os efeitos do alarido da Casa Civil sobre a campanha de Dilma. Um dos coordenadores do comitê disse ao repórter, na noite passada, que as pesquisas internas são indicam, por ora, a perspectiva de erosão de votos.

Ao contrário. O favoritismo de Dilma mantém-se intacto. O PT espera para os próximos dias uma ofensiva de Serra. Mas estima que, a 17 dias da eleição, não haveria tempo hábil para reviravoltas.

Ainda que uma certa insatisfação da classe média irradiasse para outros nichos do eleitorado, Dilma, 24 pontos à frente de Serra, disporia de “gordura” para queimar.

É em meio a esse cenário de apreensão que se produziu a decisão de levar Erenice ao microondas. Acredita-se que, bem tostada, a imagem da ex-ministra vai produzir a impressão de que o governo não transige com a suspeição. Uma novidade em relação à administração de escândalos pretéritos.

No mais, a despeito das similitudes que aproximam 2010 de 2006, os operadores da campanha de Dilma acham que falta ao ‘Erenenicegate’ a plasticidade do monturo de cédulas do escândalo dos “aloprados”. E, numa tentativa de estreitar a margem de manobra do inimigo, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, anunciou a decisão de processar Rubnei Quícoli, o autor da denúncia que carbonizou Erenice (assista abaixo).

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Escrito por Josias de Souza às 03h31

FOLHA.
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(*) ditado popular.
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CASA CIVIL/ERENICE GUERRA [In:] O QUE PODERIA TER SIDO FEITO ?

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17/09/2010 - 07h59

Consultor diz ter alertado Casa Civil sobre extorsão


RUBENS VALENTE
FERNANDA ODILLA
ANDREZA MATAIS
DE BRASÍLIA

O consultor Rubnei Quícoli diz ter alertado a Casa Civil sobre a existência do esquema de lobby que era operado dentro do órgão pelo filho da então secretária-executiva, Erenice Guerra.

A Folha obteve cópias de dois e-mails, que ele alega ter enviado em 1º de fevereiro, endereçados a assessores e secretárias de Erenice. Na época, a ministra da Casa Civil era Dilma Rousseff (PT).

Nos textos, o consultor reclamava da cobrança de dinheiro para que a empresa de energia EDRB recebesse um empréstimo no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) e pedia que Erenice e Dilma fossem avisadas.

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Entenda as denúncias envolvendo Erenice Guerra
Veja repercussão do caso Erenice na imprensa internacional
FHC diz que saída de Erenice não será suficiente para acabar com escândalos
Vice de Dilma afirma que lobby na Casa Civil foi 'circunstancial' e um 'acidente'
Empresa diz que parceria era só em projeto energético
Empresa espera que caso Erenice não faça projeto de energia ir 'água abaixo'
Para Eliane Cantanhêde, caso Erenice impacta mais em eventual governo Dilma
Ministro afirma que saída de Erenice Guerra foi 'decisão pessoal'
Em cerimônia oficial no Pará, Lula não comenta saída de Erenice
PT vai pedir inquérito na PF contra consultor que acusou lobby na Casa Civil

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O projeto pleiteado pela EDRB previa a captação de recursos junto ao banco para a construção de torres geradoras de energia solar no Nordeste. Quícoli foi contratado pelos donos da EDRB para, segundo eles, "fazer virar o negócio".

A ideia foi apresentada em audiência na Casa Civil em 10 de novembro. Pela EDRB, estavam um dos sócios, Aldo Wagner, e Quícoli. Ambos dizem que Erenice participou da reunião, o que ela nega.

Ontem a Folha revelou que a Capital Consultoria, firma do filho de Erenice, encaminhou à EDRB uma minuta de contrato, cobrando R$ 240 mil e 5% de "comissão de sucesso" sobre o empréstimo, caso fosse aprovado.

As suspeitas de tráfico de influência resultaram na demissão de Erenice, que havia substituído Dilma no comando da Casa Civil em abril.

Quícoli e Wagner confirmaram à Folha o recebimento em 10 de dezembro da minuta de contrato --que o consultor chamou de "extorsão". A EDRB negou-se a assiná-lo. Em março, o BNDES rejeitou o pedido de crédito.

Quícoli disse ontem que, com a recusa, o projeto parou de andar. Ele, então, decidiu avisar a Casa Civil.

Num e-mail, o consultor ameaçou revelar o pedido de dinheiro feito pela empresa Capital. Em outro e-mail, Quícoli escreve não ter "vínculos com bandidos". Ele encerra, em tom de ameaça, com o pedido de que a mensagem fosse encaminhada ao comando da Casa Civil.

"Se vocês não fizerem chegar [a mensagem], eu faço chegar", escreveu.

Colaborou FILIPE COUTINHO, de Brasília

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quinta-feira, setembro 16, 2010

CASA CIVIL/GOVERNO LULA [In:] ''AMIGOS PARA SEMPRE É O QUE NÓS IREMOS SER..."

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Entre fraldas e fraudes


Roberto da Matta - O Estado de S.Paulo


Quando virei avô, um papel social para o qual eu contribui apenas indiretamente, pois como sabe o óbvio mais ululante quem faz os netos são os nossos filhos, entendi a força daquilo que chamamos de "graça". A graça de ter uma filhinha e dois filhos que repetiam o lado mais humildemente humano do meu trajeto, correndo o risco de gerar filhos e, mais que isso, de honrá-los neste mundo; a graça de viver o papel de "pai com açúcar" ou de ser "pai duas vezes" porque os elos entre os avós e os netos têm aquela mesma obliquidade ou distância da dos tios: eles passam por uma outra pessoal, são sempre indiretos. Por isso, permitem o resgate de uma igualdade insuspeita, marcada por uma liberdade graciosa e, às vezes, repleta de humor, que permite falar com os netos sobre coisas impossíveis de serem tocadas com os filhos. Outro dia, perguntei ao meu neto mais velho, Samuel, se ele estava amando muito. Ouvi um bom e sonoro sim como resposta e, em seguida, a pergunta inesperada que só ocorre entre iguais: e você vovô, como vai de vida amorosa?
Bill Cosby, um genial comediante americano negro, contava como, aos 10 anos, foi visitar o avô que, engravatado, lhe ofereceu uma cerveja, deu-lhe um charuto, sentou-o numa confortável cadeira de balanço e, em seguida, perguntou-lhe sobre o que ele achava da política do Partido Democrata. Cosby discutia política nacional dando gostosas baforadas com o pai do seu pai, quando o genitor chegou e liquidou a farra de uma igualdade que só pode existir entre as gerações alternadas, como sabiam os antropólogos da minha tribo. Os laços entre pais e filhos contêm uma rígida autoridade que se alterna e compensa pelo tratamento chistoso e livre entre avós (ou tios) e netos (e sobrinhos), esses papéis que eram semelhantes em Roma e em muitos outros sistemas de família e parentesco.

Podemos ser fraudes como genitores, mas é impossível fraudar o papel de avô. Num caso, exige-se muito; noutro, a fraude é substituída pelas fraldas. Ora, fraudar é mais do que mentir: é criar ilusões, é inventar competências, é encobrir malfeitos com imagens e propaganda enganosa. Fraldar, porém, diz respeito a fazer exatamente o oposto. Trata-se de vestir o infante, dando-lhe aquela primeira tintura de um traço que temos como básico na nossa sociedade: a diferença essencial entre o sujo e o limpo. Se as regras forem realmente honradas, as fraudes devem ser punidas; fraldas, entretanto, são jogadas fora. Mas tanto a fralda quanto a fraude implicam alguma "sujeira", no sentido popular do termo. Fraudes remetem a falcatruas e hipocrisias (por exemplo: eu falo que vou fazer isso ou aquilo só para ter votos); fraldas têm tudo a ver com mamadas e banhos que fazem crescer. Ademais, elas limpam e separam o sujo do limpo. Entende-se, portanto, o ato falho auditivo da candidata Dilma quando, ao ser indagada sobre "fraldas", entendeu que era questionada sobre "fraudes". Estas mal traçadas sobre o que significa ser avó ou avô, esses papéis nos quais - dizem - o sexo e a sexualidade não têm mais importância, talvez ajudem a compreender a falha da audição de uma candidata tão preocupada em pretender ser o que obviamente não é; que a fralda da avó se confunde com a fraude tão comum na política do partido que ela representa.

Um dia eu escrevi um texto teorizando sobre o "voto amigo", no qual justificava por que não ia votar motivado ideologicamente, mas por simpatia pessoal. A nota, que foi recebida furiosamente por uma esquerda que sempre espuma de ódio com os outros, mas vive debaixo de uma ética de condescendência consigo mesma, foi escrita com o intuito de politizar os elos pessoais. Os laços de amizade e reciprocidade que até hoje nos obrigam a escolher mais pessoas amigas do que representantes de posicionamentos políticos ou movimentos sociais como motivos para o voto. Se tudo - inclusive e, sobretudo, o sexo - é política, como me ensinava um professor ativista nos idos de 1960, então por que os amigos não são também "politizáveis" e, assim assumidos, transformados em figuras capazes de trazer à nossa consciência, que se quer transformadora, as eventuais desarmonias entre partidos e ideologias; entre as incoerências dos hábitos praticados sem pensar e das instituições desenhadas para transformar o mundo? Afinal de contas, eis o que eu dizia: se exigimos uma politização do mundo, como deixar de fora os amigos, a casa, os parentes e os compadres? Se a coerência é impossível, não seria o caso de discuti-la e, assim, politizá-la no sentido mais produtivo dessa palavra?

Fiquei muito feliz descobrindo que muitos brasileiros geniais, ilustres e sábios, como Caetano Veloso e Oscar Niemeyer, vão votar em amigos. O arquiteto vai votar em Marco Maciel, um neoliberal que, para muitos, deveria queimar no inferno, porque, diz Niemeyer, "eu o conheço há muito tempo e ele é inteligente, discreto, honesto, honestíssimo".

Haveria algum problema entre o desejo de mudar, permanecendo leal àqueles que "eu conheço"? A amizade suspende todos os juízos, leis e normas? Afinal, pelos amigos podemos fazer tudo. E se Judas, Stalin, Fidel, Chávez ou Hitler fossem meus amigos?

Eu acho que é preciso distinguir fraudes e fraldas. E essa distinção é o projeto mais básico no nosso momento político-eleitoral.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100915/not_imp609962,0.php
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CASA CIVIL/GOVERNO LULA [In:] ''ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA..."

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Lula assume operação para blindar Erenice e culpar Serra por denúncias


Tânia Monteiro, João Domingos BRASÍLIA -
O Estado de S.Paulo

Coube ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o comando da contraofensiva do governo e da coordenação da campanha da petista Dilma Rousseff para inocentar a ministra Erenice Guerra e jogar no tucano José Serra a culpa pela repercussão das denúncias de envolvimento da auxiliar, de um filho dela e de familiares em tráfico de influência na Casa Civil.

Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE
Apoio. Dilma só falou sobre o caso após saber o que os ministros haviam dito

Erenice Guerra, que sempre atuou como braço direito de Dilma, animou-se com o apoio do presidente. Ao saber que ficaria no governo, divulgou nota à imprensa com ataques a Serra, qualificando-o de "aético" e "derrotado".

"Chamo a atenção do Brasil para a impressionante e indisfarçável campanha de difamação que se inicia contra minha pessoa, minha vida e minha família, sem nada poupar, apenas em favor de um candidato aético e já derrotado, em tentativa desesperada da criação de um fato novo que anime aqueles a quem o povo brasileiro tem rejeitado", disse ela.

Lula e o comando da campanha de Dilma mostravam muita preocupação com a possibilidade de as denúncias contra Erenice tirarem votos de Dilma. Por isso, decidiram pela rápida reação. Pela manhã, o presidente chamou os ministros mais próximos para uma conversa. Concluíram que o melhor seria anunciar que a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) vão investigar se Israel Guerra, filho da ministra, está envolvido num esquema de tráfico de influência dentro da Casa Civil e cobrança de propina de empresários, como revelou a revista Veja.

Entrevistas. Lula determinou que o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, convocasse entrevista coletiva, para informar a entrada da PF no caso, e que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciasse uma medida positiva em sua área, para se contrapor às denúncias de quebra de sigilo fiscal de contribuintes, fato muito explorado pela campanha de Serra.

A exemplo de Barreto, Mantega convocou entrevista coletiva. Anunciou que o sigilo fiscal de políticos ficará mais protegido do que o dos demais cidadãos.

Em seguida, a defesa do governo ficou por conta do ministro Jorge Hage, da Controladoria-Geral da União. Ele afirmou que a CGU vai auditar contratos mencionados nas reportagens sobre supostas irregularidades na Casa Civil. A respeito dos pedidos feitos formalmente por Erenice para que a PF e a CGU analisem as reportagens, Hage comentou: "É importante que ela manifeste interesse em esclarecer o caso e isso influencia na prioridade da apuração." Mas não há prazo para as respostas. O governo trabalha com calendário curto - 18 dias - para abafar o tema, pois a eleição presidencial será no dia 3 de outubro.

Já Dilma, que no debate entre os candidatos na RedeTV!, no domingo, se recusou a pôr a mão no fogo por Erenice, além de pedir que todas as denúncias fossem apuradas da forma mais severa possível, também concedeu entrevista para defender sua ex-auxiliar tanto no Ministério de Minas e Energia quanto na Casa Civil.

Marcada para as 15h30, a entrevista de Dilma só ocorreu duas horas depois. Desta vez, a candidata apoiou Erenice e também acusou Serra de estar por trás das acusações.

A ministra da Casa Civil não se contentou apenas com a nota à imprensa. Divulgou outras duas, nas quais apresentou cópia dos ofícios encaminhados ao Ministério da Justiça e à Controladoria-Geral da União em que pede para ser investigada.

No primeiro, solicitou a adoção de "procedimentos cabíveis" para averiguar as denúncias contra ela e sua família (no dia anterior a própria Polícia Federal já havia anunciado que iria entrar no caso); no segundo, requereu à CGU auditoria em contratos e procedimentos que passaram por ela. /

COLABOROU MARTA SALOMON


Reação

ERENICE GUERRA
MINISTRA DA CASA CIVIL
"Chamo a atenção do Brasil para a impressionante e indisfarçável campanha de difamação que se inicia contra minha pessoa"

JORGE HAGE
MINISTRO DA CGU
"É importante que ela manifeste interesse em esclarecer o caso"


AS NA CASA CIVIL

Domingo
Reportagem de "Veja" revela que Israel Guerra, filho de Erenice, está envolvido em tráfico de influência

Segunda-feira
Denúncia atinge outros parentes de Erenice e um funcionário da Casa Civil, que é demitido

Ontem
Ministra divulga nota negando envolvimento

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100915/not_imp610072,0.php
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segunda-feira, setembro 13, 2010

GOVERNO LULA/CASA CIVIL [In:] DOSSIÊS E ''LOBBY''

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13/09/2010

às 13:14

Assessor da Casa Civil pede demissão após denúncias



A Casa Civil sofreu a primeira baixa após escândalo envolvendo Israel Guerra, filho da ministra da pasta, Erenice Guerra. O assessor jurídico da Casa Civil, Vinícius Castro, pediu demissão na manhã desta segunda-feira – resultado da repercussão negativa do caso levado à tona em reportagem de VEJA desta semana.

Castro é parceiro de Israel Guerra na empresa Capital Assessoria e Consultoria. Era ele quem recebia – em encontros com empresários – a propina de 6% sobre o valor de negócios fechados com o governo federal. No papel, a mãe do assessor, Sônia Castro, aparece como sócia da consultoria. Na realidade, ela seria laranja do filho, já que reside no interior de Minas Gerais e trabalha com venda de queijos.

Investigação - A ministra Erenice Guerra encaminhou, nesta segunda, à Comissão de Ética Pública da Presidência um ofício solicitando que as denúncias apontadas por VEJA sejam apuradas e que ela mesma seja investigada.

No documento, Erenice diz que ela e seu filho abrem mão do sigilo de informações bancárias, fiscais e telefônicas. A ministra afirma ainda estar disposta a dar mais esclarecimentos sobre o episódio.

Aparelhamento – Não é só o filho de Erenice Guerra que possui influência política sobre negócios milionários do governo. A irmã dela, Maria Euriza Alves Carvalho, também utilizou o cargo de confiança que tem no Ministério de Minas e Energia para contratar sem licitação o escritório de advocacia do próprio irmão delas. A denúncia foi apontada em matéria desta segunda-feira do jornal O Estado de S. Paulo,

A funcionária contratou por 80.000 reais, em setembro de 2009, o escritório Trajano e Silva Advogados – cujo sócio era Antônio Alves Carvalho, irmão de Maria Euriza e de Erenice. Reportagem de VEJA mostrou que o escritório é o mesmo utilizado por Israel Guerra e Vinícius Castro para despachar com clientes. O advogado da campanha de Dilma Rousseff Márcio Silva também trabalha no local, mas nega qualquer envolvimento com o caso.

(Luciana Marques)/VEJA. Foto imagem matéria.

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