PENSAR "GRANDE":

***************************************************
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************


“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

----

''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

=========
# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
1Radio 1455824919 nhm...

valor ...ria...nine

folha gmail df1lkrha

***

Mostrando postagens com marcador EDISON LOBÃO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador EDISON LOBÃO. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, agosto 29, 2013

... E AQUELA GARGALHADA? A PROVA DOS NOVE!

29/08/2013
Fogo causa 9º apagão de Dilma


Uma queimada numa fazenda em Canto do Buriti, no Piauí, atingiu duas linhas de transmissão e derrubou a energia elétrica em todo o Nordeste por quase três horas ontem, no nono apagão do governo Dilma Rousseff. O baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas da região e a demora natural para ligar as usinas termelétricas fizeram aumentar a duração do blecaute. Segundo especialistas, a falta de investimentos e a opção do governo pelas térmicas mostram a fragilidade do sistema elétrico hoje. Há um ano, depois de anunciar mudanças no setor que ainda não surtiram efeito, Dilma disse que os brasileiros deveriam gargalhar se autoridades culpassem raios por apagões

É fogo!

Queimada no Piauí causa apagão no Nordeste. "Sistema é forte" e isso "lamentavelmente acontece", afirma ministro

Ramona Ordoñez


Caos urbano. Em Salvador, com os sinais de trânsito desligados, o apagão causou engarrafamentos quilométricos, mesmo após o religamento da energia

sem energia

Uma queimada em uma fazenda do Piauí derrubou ontem à tarde todo o sistema de transmissão de energia do Nordeste e causou o nono apagão do governo Dilma Rousseff. Os nove estados da região ficaram sem energia por períodos que variaram de 40 minutos a mais de quatro horas. De acordo com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a queimada ocorreu na região do Canto do Buriti e atingiu uma linha de transmissão que passa pela fazenda Santa Clara, às 14h58m. O incidente retirou do sistema 10.900 megawatts (MW) do Nordeste.

- O sistema é bom, é forte e é igual aos melhores sistemas do mundo. Queimada provoca esse tipo de desligamento e lamentavelmente acontece. Isso já aconteceu outras vezes no Brasil e no mundo inteiro - disse Lobão, citando os Estados Unidos.

O ministro - que convocou uma para hoje uma reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) - explicou que a carga de energia chegou a ser recomposta de imediato, mas uma nova incidência fez com que se perdesse toda a carga do sistema do Nordeste. Segundo ele, 40 minutos depois, a ligação da energia foi reiniciada em todas as capitais. E, por volta das 19h, apenas algumas cidades do interior ainda estavam sem energia.

Aécio culpa governo

O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chip, explicou que a queimada provocou um curto na linha de transmissão e seu consequente desligamento. Inicialmente, foi na linha de transmissão de 500 quilovolts (kV) de São João do Piauí a Ribeiro Gonçalves, da empresa Ienne, controlada pela espanhola Isolux. Às 15h04m, esse circuito foi religado, mas novas queimadas repetiram o problema às 15h06m. Às 15h08m foi desligada a segunda linha de São João do Piauí a Ribeiro Gonçalves, esta de propriedade da Taesa, empresa da Cemig. A partir de então, segundo Chipp, se configurou a "contingência dupla".

- Duas linhas saíram num primeiro momento e, consequentemente após esse desligamento, as outras linhas do Nordeste com o restante do sistema interligado se desligaram. Com isso, a região ficou separada do restante do sistema - explicou Chip, garantindo que às 17h30m, toda a energia nas capitais tinha sido restabelecida.

O presidente do PSDB e provável adversário de Dilma em 2014, Aécio Neves, culpou o governo.

- Somado o período de apagão do governo do PT, certamente foi maior que o que tivemos lá atrás. O governo não planeja. Não existe essa palavra no governo hoje: planejamento. Esses apagões sucessivos e agora gravíssimos que ocorrem no Nordeste e poderão ocorrer no futuro são responsabilidade exclusiva de ausência de gestão do governo Dilma - disse Aécio, acusando a presidente de descapitalizar as empresas com a redução de tarifas.

Aeroportos com geradores

O apagão afetou sete aeroportos administrados pela Infraero no Nordeste (Salvador, lhéus, Paulo Afonso, Aracaju, Maceió, Fortaleza, Recife), além de Belém, no Norte. Segundo o órgão, os geradores foram acionados e os voos não foram prejudicados. Problemas na telefonia, trânsito intenso, lojas e empresas fechadas, cancelamento de aulas e transtornos nos hospitais também foram sentidos nas cidades nordestinas.

Em Salvador, o apagão causou engarrafamentos quilométricos, numa cidade sem sinais de trânsito, e o tráfego ficou ruim por horas, mesmo após o restabelecimento da energia. Empresas do Polo Petroquímico de Camaçari liberaram os funcionários. Os serviços de telefonia móvel e internet foram afetados. As escolas liberaram os alunos e várias empresas fecharam as portas mais cedo.

Em Recife, o blecaute gerou congestionamento generalizado nos corredores viários da Região Metropolitana. Os serviços de metrô foram interrompidos, prejudicando 19 mil usuários. No Hospital da Restauração, maior emergência de Pernambuco, os geradores foram ligados, mas os equipamentos falharam em pelo menos dois setores. Os postos de saúde da capital interromperam os serviços, e as universidades públicas suspenderam as aulas. (Colaboraram Henrique Gomes Batista, Júnia Gama, Geralda Doca, Karoline Fernandes, especial para o GLOBO, e Biaggio Talento, da Agência A Tarde)

adicionada no sistema em: 29/08/2013 04:49

terça-feira, agosto 13, 2013

OUVIDOS MOUCOS AO CLAMOR DAS RUAS

#

Governo ainda avalia pedido da Petrobrás para reajustar combustível

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou, contudo, que ‘nenhum aumento de preços é bom’

13 de agosto de 2013 | 11h 52

Eduardo Rodrigues, da Agência Estado
BRASÍLIA - 

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta terça-feira, 13, que, embora a Petrobrás continue com seus preços defasados em relação ao custo de produção e do petróleo no mercado internacional, o governo ainda irá avaliar os pedidos da empresa por novo reajuste nos combustíveis. "Nenhum aumento de preços é bom. Aumento de preço de combustíveis não é bom", disse o ministro.
Segundo ele, a companhia sempre solicita ao governo correções nos preços porque os reajustes dos preços de combustíveis têm sido apenas "episódicos". "Não estamos dizendo que vamos atender o pedido da Petrobrás, mas estamos avaliando", completou Lobão.
O último aumento autorizado pelo governo para os combustíveis foi em janeiro, de 10,5% para o diesel e 6,6% para a gasolina. Segundo especialistas, a defasagem entre o preço no Brasil e os praticados no mercado internacional estaria, no segundo trimestre na casa de 20%. Agora já teria ultrapassado 25%.
Ontem, em entrevista no Rio de Janeiro, o diretor Financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, disse que a empresa não desistiu de lutar por aumentos do preço dos combustíveis. Segundo ele, esse é um assunto sobre o qual a Petrobrás está trabalhando intensamente, para buscar o alinhamento dos preços internacionais.
Ao mesmo tempo que pressiona o governo para uma correção nos preços, a Petrobrás acena com a possibilidade de distribuir cerca de R$ 600 milhões em dividendos adicionais aos detentores de ações ordinárias (ON). Como a União tem a maioria das papéis ON, a medida serviria um empurrão para alcançar a meta de superávit para as contas públicas.

segunda-feira, agosto 12, 2013

A ÉTICA ALÉM DO QUERER

###

Os senadores prometerão ser éticos?




Autor(es): Renato Janine Ribeiro
Valor Econômico - 12/08/2013
Causou choque a recusa do senador Lobão Filho, relator do regimento do Senado, a incluir a palavra "ética" no compromisso que os membros da Casa prestam ao tomar posse. 

O assunto ressoou até no jornal espanhol "El País". Disse o parlamentar que ética é questão subjetiva, com significados diferentes conforme a pessoa. Ele está errado e direi por quê. Mas também erram alguns críticos seus - os que não têm dúvidas sobre o que é certo ou errado, postura que só vale numa visão bem simplista da ética.

Como professor de ética, sempre insisto que ela não consiste numa lista pronta, que nos limitaríamos a obedecer. Tal lista existe e se chama lei. Leis são votadas pelo poder competente, sendo sua violação punida pela Justiça. 
O que importa é cumprir a lei, pouco importando por quê.

Mas a ética é diferente. Exige muito mais. 

A lei pede apenas a obediência nos atos; na ética, também está em pauta a intenção. Para o sistema legal, é suficiente que eu pague os impostos, não mate, agrida ou furte ninguém; mas essa obediência externa, se faz de mim um não criminoso, não me torna uma pessoa ética. Porque, se acatei as leis só por medo do castigo, não foi por amor a elas, nem por respeito aos outros, meus próximos.
Várias mudanças nestas épocas foram éticas.
Por ser exigente, a ética incomoda. Ética é antes de mais nada isso: uma enorme perturbação. Interpela os indivíduos, para que eles se tornem pessoas. Eu me explico. Cada um de nós é, em seu corpo, um ser único, indivisível. Isso é o indivíduo. Mas, dizendo isso, só descrevo um fato. Já a palavra "pessoa" é mais que isso. Designa um titular de direitos e obrigações. Saio da descrição e entro na prescrição. Um indivíduo nunca chegará a pessoa, se não assumir seus deveres e direitos. O que a ética cobra de cada um de nós é esta responsabilidade pelos atos.
Não basta, pois, cumprir ordens. Há pessoas, sobretudo as de religiosidade superficial, para quem tudo o que deve ser feito está nos mandamentos divinos. Elas os cumprem à risca. Mas, quando se limitam a obedecer o que está escrito, sem pôr nada em questão, não chegam ao nível ético. Uma coisa é tratar os Dez Mandamentos como lei - outra, como preceitos morais ou éticos. Porque, quando você os considera pela ética, tem de aprofundar. Por exemplo, o que quer dizer "não matarás"? É apenas "não tire a vida de outro ser humano" - ou deve incluir "socorra quem estiver ameaçado de morte"? É consenso que não devo matar ninguém, salvo legítima defesa; mas, se deixo matarem alguém, não estarei sendo cúmplice de assassinato? Essa conclusão me parece lógica, mas não é trivial ou óbvia. E mais ainda: e se "matar" também for "deixar uma pessoa morrer, quando tenho condições de ajudá-la", por exemplo, saciando sua fome? Neste caso, se não contribuo para minorar a fome mesmo de quem eu não conheço, estou matando. Ou ainda: se voto num candidato ou partido indiferente à fome, também estaria matando. Pode haver divergências nestas conclusões, mas vale o princípio de que "matar" não é apenas o que é óbvio (você usar a faca ou o revólver para tirar uma vida), porém pode significar várias outras coisas.
Mais um ponto. A maior parte dos dez mandamentos começa pelo "não": isso sugere que, para ser ético, seria suficiente nada fazer de mau. Mas vamos expandir. Num regime ditatorial, não colaborar com a repressão é digno; mas basta? Não fará parte da ética lutar contra a ditadura? Num país assolado pela miséria e marcado pela corrupção, é ético o indiferente? Ou, para ser ético, tenho que combater esses dois flagelos?
A corrupção, como insistimos alguns há muitos anos, mata. Corruptos podem ser pessoalmente adoráveis, porque não enfiam a faca ou atiram em ninguém. Mas matam. Igualmente a miséria. Pode haver diferenças políticas no modo como enfrentamos miséria e corrupção, mas enfrentá-las é um imperativo ético.
Por isso, quando discutimos a ética, ela não é nada óbvia. Daí, a inanidade de expressões como "ética vem do berço", como se as pessoas nascessem já decentes ou não (se assim fosse, não teríamos por que condenar quem é antiético, porque a pessoa teria nascido desse jeito - e nada poderia mudar...). Ou mesmo o absurdo de supor que a ética vem só da família - o que dispensaria quem cresceu sem família, ou com má formação familiar, da responsabilidade de ser ético. De modo geral, quem tem muita certeza sobre a ética é porque obedece ao que lhe foi ensinado como se lei fosse. Ou seja, não percebe o que a ética é, nem que ela é mais exigente do que qualquer lei.
Mas este campo de incerteza que há na ética, quando saímos da superfície e do óbvio, não justifica o senador. Ele deveria saber que é bem essa imprecisão do ético, essa sua capacidade de expansão, esse progresso para cobrir sempre novos significados, que lhe confere valor. Nestas décadas, muitos avanços nossos, como o desprezo que passamos a ter pelo assédio sexual ou moral, pelo preconceito racial ou de gênero, decorreram de questionamentos éticos. Nossa sociedade foi cedendo no moralismo, na moral das aparências, para se tornar mais exigente na ética dura. É um "work in progress", um trabalho em andamento, e é um dos grandes motores do desenvolvimento social. Já se tornou obsceno tolerar a miséria. 
A carteirada perdeu a graça. A corrupção se tornou feia. A exigência ética em relação a políticos obviamente introduz um elemento de insegurança jurídica, mas isso é essencial na ética, não é secundário nela. Faz parte da ética nos interpelar, nos tirar da zona de conforto, nos questionar. Por isso mesmo, ela precisa estar presente no compromisso dos senadores.
------------------
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras

quarta-feira, abril 24, 2013

''É MENTIRA TERTA?'' (Bordão televisivo de personagem de Chico Anysio).

...
PT censura propaganda com críticas a Roseana

Josias de Souza/FOLHA



Membro da Executiva do PT no Maranhão, Márcio Jardim estrelou um dos comerciais de 30 segundos que a legenda levou ao ar nas emissoras de tevê do Estado. A peça começou a ser exibida na segunda-feira (22). Menos de 24 horas depois, estava censurada, expurgada da programação e desautorizada. Tudo isso com o aval de Rui Falcão, presidente do PT federal.
O vídeo de Márcio Jardim começa bem, rendendo homenagens a Lula e Dilma Rousseff. Em dez anos, “tiraram milhões de brasileiros da situação de probreza extrema”, ele enaltece. Do meio para o final, a mensagem compara esse Brasil que “melhorou muito” com o Estado governado por Roseana Sarney (PMDB).





“O Maranhão continua ostentando os piores indicadores sociais do país”, espinafra o companheiro Jardim. “Somos os piores na saúde e na educação. Vivemos num estado de profunda insegurança, medo e violência, que aterroriza a todos nós.” Roseana e seu pai, o senador José Sarney, não apreciaram as observações.
Por ironia e imposição legal, o palavreado tóxico do petista foi veiculado inclusive na tevê Mirante, emissora da família Sarney. Armou-se no eixo São Luís Brasília algo que os nordestinos chamam de furdunço. Presidente do PT maranhense, Raimundo Monteiro falou pelo telefone com Rui Falcão. Na sequência, divulgou no site do PT nacional uma nota.
No texto, disponível aqui, Raimundo anotou que foi “surpreendido” com a veiculação da peça na qual Jardim “faz críticas à administração liderada pela governadora Roseana Sarney.” O dirigente desceu ao ponto: “…Consultando o presidente nacional do PT, Rui Falcão, determinei a substituição dos programas, cujo conteúdo está desautorizado.”
Por quê? “Não fosse pela contradição de o PT criticar o governo do qual faz parte, também não faz sentido investir contra uma liderança que tem apoiado desde o inicio o nosso projeto nacional.” Márcio Jardim surpreendeu-se com a reação. Ouvido pelo repórter John Cutrim, declarou: “Sequer citei o nome da governadora Roseana, fiz apenas observações pontuais. Incrível como a oligarquia se incomoda quando alguém desnuda a falta de capacidade de continuarem governando esse Estado. Não resistem sequer a trinta segundos.”
Certas decisões, como essa avalizada por Rui Falcão, deveriam ser censuradas. Ou, pelo menos, difundidas de mão em mão em envelopes de plástico preto. Ninguém tomaria conhecimento do vídeo do companheiro Márcio Jardim se a irritação dos Sarney e a censura do PT não tivessem o cuidado de chamar a atenção. 

Quem conhece apenas esse PT dos últimos dez anos talvez não acredite. Mas já foi proibido no partido falar bem da família Sarney. Nos velhos tempos do ex-PT, o próprio Lula puxava o coro. Repare no vídeo abaixo.







terça-feira, abril 09, 2013

APAGÃO ELÉTRICO (''... quem tem medo do lobo mau, lobo mau, lobo mau?''; canção infantil)

09/04/2013
Lobão descarta risco de racionamento

Cúpula do setor elétrico alega que modelo do ONS está defasado e não leva em conta o uso das térmicas

Danilo Fariello

Cúpula. A partir da esquerda: Rufino (Aneel), Tolmasquim (EPE), Zimmermann (MME), ministro Lobão, Grüdtner (MME) e Chipp (ONS)
Givaldo Barbosa


BRASÍLIA e RIO 

A cúpula do setor elétrico no governo federal convocou a imprensa para negar a possibilidade de racionamento de energia durante a Copa das Confederações, neste ano, e a Copa do Mundo, no ano que vem. 

Reportagem publicada ontem no GLOBO, com base em dados do Plano Mensal de Operação (PMO) do Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS) repassados aos agentes do mercado, informa que o risco de um racionamento de energia no próximo ano subiu para 9%, acima da média histórica de 5%. E que obras de geração e transmissão de energia previstas para o 2014 estão atrasadas.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, garantiu que não faltará energia em nenhuma hipótese nos estádios e cidades onde esses eventos ocorrerão e chegou a dizer que "nunca mais" haverá racionamento no Brasil. O ministro estava acompanhado dos principais nomes de Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e ONS.

- Quero dizer, definitivamente, que atrasos em nossas obras não comprometem a segurança do abastecimento nacional. Lamento profundamente o tom alarmista com que esse assunto vem sendo tratado. Não quero crer que haja nisso qualquer motivação política. Mas desassossega-se o país e gera-se incertezas econômicas - disse Lobão.

Na entrevista, Lobão comparou os órgãos de imprensa e especialistas que apontam os riscos de fornecimento ao velho do Restelo, personagem de "Os Lusíadas", de Camões, que apresentava um pessimismo exagerado em relação à epopeia do povo português no mar.

- Temos de ter segurança de que não faltará oferta de energia, desabastecimento. Se a matriz é hidrotérmica, temos que lançar mão dela. As térmicas não existem para enfeitar o sistema - disse Lobão.

O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, disse que o risco de desabastecimento de 9% apontado pelo GLOBO, na realidade, é menor, porque o cálculo não levaria em conta o uso das termelétricas - que estão ligadas atualmente para fazer frente ao baixo nível dos reservatórios.

- Se fala em risco sem considerar o despacho de térmicas. Esse despacho é exatamente para garantir a segurança e o abastecimento no ano seguinte. Sem essas térmicas complementares, não se pode fazer esse cálculo de risco. O importante é que o sistema considera as térmicas para que o risco fique próximo a zero. Ninguém quer passar o que passamos em 2001 - disse Chipp.

O risco de déficit de 9% consta do Plano Mensal de Operação do ONS deste mês. O indicador de confiabilidade de suprimento calculado pelo ONS é indicado pelo termo "risco de qualquer déficit". A cada mês, o ONS se reúne com os agentes do mercado, como geradoras e transmissoras de energia, para preparar os dados do PMO, indicando como deve funcionar o sistema no mês.

Cada agente tem acesso a uma cópia dos dados do PMO e pode rodar o programa "Newave" com esses informações para traçar cenários próprios. No PMO de abril de 2013, o indicador "risco de qualquer déficit" para a região Sudeste, em 2014, é de 9,35%, o que corresponde ao risco de 9% mencionado na reportagem.

Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, o modelo "Newave" está defasado, porque não leva em conta o uso das usinas térmicas ligadas por motivos de segurança. Só daqui a alguns meses o programa será atualizado para levar em conta os novos critérios em vigor desde 2008, para se considerar o risco real do sistema.

- No momento em que se está operando quantidade grande de térmicas, não tem sentido olhar para esse número. Hoje, o risco é praticamente zero por uma razão determinística, porque você vai chegar a novembro com um nível que permite enfrentar a pior hidrologia dos últimos 40 anos. Só teria problema se não tivéssemos térmicas suficientes - disse Tolmasquim.

"Atrasos não comeram folga do setor"

O presidente da EPE afirmou que o cálculo do equilíbrio estrutural do sistema elétrico, que leva em conta as perspectivas de oferta e demanda projetadas, considera um nível de risco de 2% de falta de oferta, o que hoje é confortável por conta de um excedente de geração de 1.773 Megawatts médios em relação à demanda prevista.

- Contrata-se mais do que o necessário, e os atrasos não comeram a gordura, a folga que temos no setor - disse Tolmasquim, alegando que a lista de obras da Aneel apontada na reportagem não se refere àquelas consideradas para assegurar as necessidades de oferta do mercado.

Tolmasquim e Chipp destacaram que, apesar do baixo nível dos reservatórios hoje, termelétricas estão sendo usadas para que as represas cheguem ao fim do período de chuvas com um nível de água que assegure a oferta de energia elétrica necessária para os próximos anos.

- Estamos aqui para, com todas as razões e todas as forças, dizer que não há risco nenhum de desabastecimento, de racionamento de energia A margem de risco é mínima, mas estamos a todo momento valorizando o risco, e não a segurança, que é de mais de 98%. O Brasil aprendeu com aquela dificuldade (de 2001) e nunca mais haverá racionamento no país - disse Lobão.
-------------

quarta-feira, dezembro 26, 2012

SENADO: RENUNCIAR É PRECISO *



Seis anos após renúncia, Renan deve voltar a presidir Senado



O Globo - 26/12/2012

Peemedebista já teve atritos com Dilma; Henrique Alves, também do PMDB, deve comandar a Câmara
Maria Lima

-Brasília- 
Se prevalecer a escrita, a partir de fevereiro a presidente Dilma Rousseff terá de conviver com um Congresso sob o comando de dois peemedebistas com os quais ela não teve as melhores relações até há pouco tempo: o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que pretende fazer um acerto de contas com o passado e retomar à presidência do Senado depois de renunciar em 2007, no auge do chamado "Renangate"; e o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que tenta amarrar o apoio da maioria dos partidos para evitar um segundo turno com o azarão Júlio Delgado (PSB-MG).
A escolha dos sucessores de José Sarney (PMDB-AP) e Marco Maia (PT-RS) acontece no início de fevereiro, na volta do recesso parlamentar. Mas, enquanto Henrique e Delgado batem ponto em jantares e festas de fim de ano, Renan está discreto e só deverá oficializar a candidatura no último momento. Ele quer evitar que todas as denúncias de corrupção que motivaram sua renúncia (e quase cassação do mandato) em duas votações, em 2007, sejam retiradas da gaveta e voltem a esquentar o noticiário.
Depois do escândalo, Renan ficou um tempo no ostracismo, mas foi voltando aos poucos ao comando da cena política. Ele foi acusado de receber ajuda financeira de lobistas ligados a construtoras, que teriam pago despesas pessoais, como o aluguel de um apartamento e a pensão alimentícia de sua filha com a jornalista Mônica Veloso.
Mas, com a eleição de Sarney para a presidência da Casa, Renan se rearticulou com o apoio dele e o do líder do PTB, Gim Ar-gello (DF), Voltou a ter o comando do PMDB e protagonizou algumas trombadas com a presidente Dilma, que tentou isolá-lo, tirando Romero Jucá (PMDB-RR) da liderança do governo e botando em seu lugar Eduardo Braga (PMDB-AM), um dissidente do grupo de Renan.
Dilma nunca escondeu seu mal-estar com a possibilidade de Renan presidir o Senado no lugar de Sarney. Nos bastidores, chegou a articular o nome do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), para o cargo. Ao próprio Renan, Dilma chegou a dizer que ele teria seu apoio para disputar o governo de Alagoas, o que o afastaria da presidência do Senado.
Mas, como é quem comanda, de fato, a bancada do PMDB e de partidos da base no Senado, Renan continuou fortalecido, principalmente depois da criação da CPI de Carlinhos Cachoeira, quando o governo precisou do seu partido. Ele se considera, portanto, pronto para voltar a presidir o Senado, e com apoio dos governistas.
A oposição articula o lançamento de um nome da base para disputar com Renan. O mais cotado é o senador Luiz Henrique (PMDB-SC), que viajou para a Rússia com Dilma, no início de dezembro, o que gerou especulações na seara governista.
— Renan já conversou com Sarney e com amigos sobre a candidatura. Mas só vai oficializar na véspera da eleição. Ele acha que foi arrancado injustamente da presidência do Senado em 2007. Por isso, quer o cargo de volta — conta um senador peemedebista.
----------
(*) Votar não é preciso (... Metáfora - meta fora - e/ou parafraseando Fernando Pessoa).
---

terça-feira, março 27, 2012

GOVERNO DILMA [In:] 15 MESES DE GOVERNO ...

...

A incompetência virou elogio



Autor(es): agência o globo:Marco Antonio Villa
O Globo - 27/03/2012

O governo Dilma Rousseff lembra o petroleiro João Cândido. Foi inaugurado com festa, mas não pôde navegar. De longe, até que tem um bom aspecto. Mas não resiste ao teste. Se for lançado ao mar, afunda. Não há discurso, por mais empolgante que seja, que consiga impedir o naufrágio.

A presidente apresenta um ar de uma política bem-intencionada, de uma tia severa e até parece acreditar no que diz. Imagina que seu governo vai bem, que as metas estão cumpridas, que formou uma boa equipe de auxiliares e que sua relação com a base de sustentação política é estritamente republicana.

Contudo, os seus primeiros 15 meses de governo foram marcados por escândalos de corrupção, pela subserviência aos tradicionais oligarcas que controlam o Legislativo em Brasília e por uma irritante paralisia administrativa.


Inicialmente, a presidente vendeu a ideia que o Ministério não era dela, mas de Lula. E que era o preço que teria pagado por ser uma neófita na política nacional. Alguns chegaram até a acreditar que ela estaria se afastando do seu tutor político, o que demonstra como é amplo o campo do engodo no Brasil. Foi passando o tempo e nada mudou. Se ocorreram algumas mudanças no Ministério, nenhuma foi por sua iniciativa. Além do que, foi mantida a mesma lógica na designação dos novos ministros.

Confundindo cara feia com energia, a presidente continuou representando o papel de hábil executiva e que via a política com certo desprezo, como se os seus ideais de juventude não estivessem superados. Como sua base não é flor que se cheire, acabou até ganhando a simpatia popular. Contudo, não se afastou deste jardim, numa curiosa relação de amor e ódio. Manteve o método herdado do seu padrinho político, de transformar a ocupação do Estado em instrumento permanente de negociação política. E ainda diz, sem ficar ruborizada, que não é partidária do toma lá dá cá. Dá para acreditar?

O Ministério é notabilizado pela inoperância administrativa. Bom ministro é aquele que não aparece nos jornais com alguma acusação de corrupção. Para este governo, isto basta. Sem ser enfadonho, basta destacar dois casos. Aloizio Mercadante teve passagem pífia pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Se fosse demitido na reforma ministerial - aquela que a presidente anunciou no último trimestre do ano passado e até hoje não realizou -, poucos reclamariam, pois nada fez durante mais de um ano na função. Porém, como um bom exemplo do tempo em que vivemos, acabou promovido para o Ministério da Educação. Ou seja, a incapacidade foi premiada.


O mesmo, parece, ocorrerá com Edison Lobão, que deve sair do Ministério de Minas e Energia para a presidência do Senado, com o beneplácito da presidente. O que fez de positivo no seu ministério?


Numa caricata representação de participação política, Dilma patrocinou uma reunião com o empresariado nacional para ouvir o já sabido. Todas as reclamações ou concordâncias já eram conhecidas antes do encontro. Então, para que a reunião? Para manter a aura da Presidência-espetáculo? Para garantir uma fugaz manchete no dia seguinte? Será que ela não sabe que não tem o poder de comunicação do seu tutor político e que tudo será esquecido rapidamente?

Uma das maiores obras da atualidade serve como referência para analisar como o governo trata a coisa pública.

Desde quando foi anunciada a transposição de parte das águas do Rio São Francisco, inúmeras vozes sensatas se levantaram para demonstrar o absurdo da proposta. Nada demoveu o governo. Além do que estava próxima a eleição presidencial de 2010. Dilma ganhou de goleada na região por onde a obra passaria - em algumas cidades teve 92% dos votos. Passaria porque, apesar dos bilhões gastos, os canteiros estão abandonados e o pouco que foi realizado está sendo destruído pela falta de conservação. Enquanto isso, estados como a Bahia estão sofrendo com a maior seca dos últimos 30 anos. E, em vez de incentivar a agricultura seca, a formação de cooperativas, a construção de estradas vicinais e os projetos de conservação da água desenvolvidos por diversas entidades, a presidente optou por derramar bilhões de reais nos cofres das grandes empreiteiras.

A falta de uma boa equipe ministerial, a ausência de projetos e o descompromisso com o futuro do país são evidentes. O pouco - muito pouco - que funciona na máquina estatal é produto de mudanças que tiveram início no final do século XX. A ausência de novas iniciativas é patente. Sem condições de pensar o novo, resta ao governo maldizer os países que estão dando certo em vez de aprender as razões do êxito, reforçando um certo amargor nacional com o sucesso alheio. No passado a culpa era imputada aos Estados Unidos; hoje este papel está reservado à China.

Como em um conto de fadas, a presidente acredita que tudo terá um final feliz. Mas, até agora, o lobo mau está reinando absoluto na floresta. Basta observar os péssimos resultados econômicos do ano passado quando o Brasil foi o país que menos cresceu na América do Sul. E a comparação é com o Paraguai e o Equador e não com a Índia e a China.

Não é descabido imaginar que a presidente foi contaminada pelo "virus brasilienses". Esta "espécie", que prolifera com muita facilidade em Brasília, tem uma variante mais perigosa, o "petismus". A vacina é a democracia combinada com outra forma de governar, buscando a competência, os melhores quadros e alianças programáticas. Mas em um país marcado pela subserviência, a incompetência governamental se transformou em elogio.

---

terça-feira, maio 10, 2011

PETROBRAS [In:] O COMBUSTÍVEL DA INFLAÇÃO

...

INFLAÇÃO FAZ GOVERNO PRESSIONAR PETROBRAS A BAIXAR A GASOLINA

Posto de chapa branca



Autor(es): agência o globo: Mônica Tavares e Ramona Ordoñez
O Globo - 10/05/2011

Ministro diz que governo vai usar a BR para forçar queda nos preços dos combustíveis e deter inflação

Ogoverno decidiu utilizar a BR Distribuidora - subsidiária da Petrobras que tem cerca de 7 mil postos no Brasil (18% do total de revendedores) e 47,8% do volume de combustíveis vendido - para forçar a queda dos preços dos combustíveis aos consumidores finais. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou ontem ao GLOBO que o objetivo será acirrar a competição, em um ambiente que, para ele, está passando por um processo de cartelização. Ainda assim, o ministro garantiu que preços do etanol começaram a cair ontem, refletindo o fim da entressafra da cana-de-açúcar. O etanol é o principal foco de pressão individual sobre a inflação nos últimos meses. Tem reflexo ainda no preço da gasolina, que, no Brasil, é comercializada com 25% de álcool combustível.

- O governo vai pressionar a BR Distribuidora, da Petrobras, para baixar o custo, ela tem uma cadeia de postos. Se os outros (revendedores) não seguirem a queda, a BR vai vender mais combustível - afirmou o ministro, sem adiantar em que fase estão as conversas com a Petrobras.
Não será a primeira vez que a estatal será usada, este ano, como instrumento para evitar a alta dos combustíveis. Na visão da empresa, a escalada acentuada da cotação do barril do petróleo no mercado internacional desde janeiro, há mais de um mês justificaria um reajuste da gasolina nas refinarias. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, fez esta ponderação mais de uma vez em público, e sofreu ataque incisivo tanto de Lobão quanto do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Prevaleceu a decisão da presidente Dilma Rousseff de segurar ao máximo o repasse. A preocupação é com a inflação. Entre janeiro e abril, o álcool subiu 31,09%, mais de nove vezes e meia a inflação acumulada no período pelo IPCA, que ficou em 3,24%. A gasolina aumentou três vezes a variação média dos preços da economia, 9,58%.

Preço nas usinas cai; nos postos, não

Lobão credita parte da alta duradoura dos preços dos combustíveis nas bombas a uma suposta formação de cartel no setor. Lembrou que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) - que agora fiscaliza não só a gasolina mas também o etanol - foi chamada a participar do combate às práticas anticompetitivas e fazer as denúncias ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O ministro garantiu que, caso sejam constatadas infrações, os postos serão multados e até fechados. Para ele, haverá redução dos preços em consequência da ação.

- Estava havendo em Brasília e na minha terra, São Luís, um cartel e eu assumi a responsabilidade de pedir à ANP que se dirigisse ao Cade para que oficialmente o governo interviesse para que este descalabro fosse resolvido.
A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis (Fecombustíveis) rebateu as críticas e classificou as declarações de "irresponsáveis e infundadas". Em nota, a entidade afirma que, se há casos comprovados de formação de cartel, "é dever do governo agir e aplicar as sanções cabíveis para todos aqueles que infringem a lei e prejudicam o mercado".
Esta semana, segundo Lobão, a sociedade já começará a verificar queda nos preços dos combustíveis.

- A partir de hoje (ontem), nós poderemos perceber nitidamente a redução dos preços do etanol na bomba.
Nas usinas, os preços do álcool hidratado e anidro (misturado à gasolina) caíram na semana passada, pela segunda semana consecutiva. O anidro foi vendido a R$1,8817 o litro, sem impostos, 20,98% menos que o valor de R$2,3815 da semana anterior. Já o hidratado ficou 20,35% mais barato: o preço foi de R$1,3374 na semana anterior para R$1,0652.

presidente da Fecombustíveis, Paulo Miranda, também prevê que a redução chegue aos postos esta semana. Ele diz que o recuo nos preços das usinas leva em torno de três semanas para chegar às bombas, por causa da logística e dos estoques em poder das distribuidoras e dos postos revendedores.

- Muitos postos começaram hoje (ontem) a receber álcool com alguma redução de preços. Então, só a partir desta semana é que podem começar a cair nas bombas - disse Miranda.

o Rio, no posto Jurema (bandeira BR), na Tijuca, o gerente Flavio Calafara disse que recebeu ontem gasolina com o preço normal. Ele acredita que amanhã ou quinta-feira receberá o combustível com preços menores. Com os altos preços, seu movimento caiu cerca de 15%. Já no posto Modelo (Shell), em Botafogo, a gasolina deverá ficar mais em conta a partir de amanhã, quando haverá entrega de combustível. Ontem, o litro da gasolina custava R$3,099, e do etanol, R$2,499.

...

terça-feira, março 15, 2011

BRASIL-USINA NUCLEAR [In:] FÚRIA INDOMÁVEL III

...

ACIDENTE REAVIVA DEBATE EM TORNO DA OPÇÃO BRASILEIRA


BRASIL TEME ABALO EM PROGRAMA NUCLEAR


Autor(es): Marta Salomon
O Estado de S. Paulo - 15/03/2011

CNEN acompanha esforços para impedir vazamento no Japão e Empresa de Política Energética diz que plano de novas usinas está mantido


De olho nos sucessivos informes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre os esforços para evitar um acidente nuclear de grandes proporções no Japão, o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Gonçalves, disse ontem que os danos em usinas japonesas podem abalar o programa nuclear brasileiro.

Retomado no segundo mandato do então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, com a decisão de levar adiante as obras de Angra 3, o programa prevê a construção de mais quatro usinas no país até 2030. "O debate sobre a segurança das instalações vai ressurgir, com resistências, mas espero que o programa não seja paralisado", afirmou Gonçalves.

Subordinada ao Ministério de Minas e Energia, a Empresa de Política Energética informou ontem que, por ora, está mantido o cronograma de construir mais quatro usinas no Brasil, além das três usinas de Angra dos Reis (RJ). As novas usinas devem entrar em operação nos próximos 19 anos.

A presidente Dilma Rousseff não dá prioridade ao assunto. Mantém sem data marcada uma nova reunião da cúpula do governo para definir a localização dessas quatro usinas - duas delas no Nordeste e outras duas no Sudeste - e há sinais de que o assunto ficará fora da pauta do Planalto, pelo menos até as consequências do terremoto japonês ficarem mais claras.

"A situação é preocupante", reconhece Gonçalves. Mas ele viu nos relatos da AIEA, ainda com base em informações precárias, uma chance de os reatores nucleares resistirem.

Estudo recente feito pelo governo sobre a oportunidade de o país exportar urânio enriquecido para geração de energia elétrica considera um cenário pessimista para o negócio "no caso de algum incidente nuclear que reavivasse a rejeição popular a esse tipo de energia".

Esse cenário foi considerado pouco provável no estudo, que apontava grandes chances de crescimento do número de usinas nucleares no mundo, estimuladas sobretudo pela necessidade de gerar energia com baixa emissão de gases de efeito estufa.

Debate nos EUA. A crise nuclear no Japão também ressuscitou nos EUA o dilema da convivência com 104 usinas - a maioria próxima do limite de 40 anos de operação - e abriu uma polêmica em torno do plano do governo americano de construir 20 novas centrais. O episódio trouxe de volta o mais grave acidente do gênero nos EUA - o derretimento do reator da usina nuclear de Three Mille Island, na Pennsylvania, em 1979. Houve vazamento radioativo e cerca de 140 mil pessoas foram retiradas da região.

Segundo Arnie Gundersen, engenheiro da área nuclear, 23 reatores nos EUA são iguais aos de Fukushima. Com base em documentos oficiais, Gundersen afirmou que a Comissão Reguladora Nuclear admitiu que as usinas com esses reatores jamais deveriam ter recebido sua licença.

Boa parte das 104 atuais usinas - responsáveis por 20,3% da eletricidade nos EUA - começa a ser desativada em 2012. Será preciso substituí-las por outras mais modernas ou ampliar a geração em outras fontes. /


DENISE CHRISPIM MARIN, DE WASHINGTON

JAPÃO/TSUNAMI-USINA NUCLEAR [In:] FÚRIA INDOMÁVEL *

...
Síndrome do Japão

Desastre nuclear depois de terremoto e tsunami deflagra dúvidas sobre ressurgimento da energia atômica como opção para gerar eletricidade

Primeira lição da emergência nuclear na central de Fukushima, Japão: os piores cenários podem, sim, materializar-se. Não bastasse o terremoto que forçou o desligamento da central atômica, um tsunami nocauteou geradores e bombas do sistema de resfriamento auxiliar de pelo menos três das seis usinas no local.

Dois golpes seguidos e certeiros, que lançaram por terra a aura de infalibilidade associada à cultura tecnológica japonesa de qualidade e segurança.

Prosseguindo a atual dificuldade de resfriar o combustível, não se descarta o derretimento total dos núcleos dos reatores. Uma perspectiva mais similar a Tchernobil (maior desastre atômico da história, em 1986, na Ucrânia), com liberação de grande quantidade de material radioativo.

Autoridades japonesas afastam a possibilidade desse outro pior cenário. Por toda parte, no entanto, o acidente já suscita discussão sobre a energia nuclear.

Apesar das dificuldades econômicas, o Japão está longe da decadência da União Soviética nos anos 1980. Se um desastre desses ocorre no país mais rico da Ásia, a terceira economia do mundo, pode acontecer em qualquer lugar.

Nenhuma central nuclear do planeta está protegida contra os mais graves episódios sísmicos possíveis no local, pois o custo do sistema de segurança seria proibitivo. Com base em análise de riscos, fixa-se o nível de probabilidade e gravidade do desastre (um evento a cada século, por exemplo) que as instalações devem ser capazes de suportar.

Segundo Michael W. Golay, especialista em engenharia nuclear do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, EUA), não há no mundo, hoje, usina atômica pronta para sair intacta de um terremoto de intensidade 9 na escala Richter. Mas ele ocorreu no Japão.

O território brasileiro não está sujeito a sismos dessa magnitude. Tampouco a Alemanha; mesmo assim, a premiê Angela Merkel realizou reunião de emergência no fim de semana para reavaliar a segurança de reatores.

China e Índia, entre outras nações, anunciam que revisarão seus planos de expansão para termelétricas nucleares. Existem 443 usinas em operação no mundo, gerando 15% da eletricidade produzida, e 158 planejadas.

Diante do desastre de Fukushima, parece provável que esse "renascimento nuclear" seja posto em compasso de espera. No Brasil, servirá talvez para soterrar a ideia mirabolante aventada em 2008 pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, de erguer 50 novas usinas, além das 2 em funcionamento (Angra 1 e 2), 1 em construção (Angra 3) e mais 4 previstas.

---------------


editoriais@uol.com.br

http://sergyovitro.blogspot.com/2011/03/editorial-folha-de-sao-paulo_6819.html
--------------
(*) Título de filme.
-----

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

FURNAS [In:] OS LOBOS DA ESTEPE...

...

Dilma escolhe nome ligado a Sarney para chefiar Furnas


Escolha de Dilma para Furnas amplia força política de grupo ligado a Sarney


O Estado de S. Paulo - 04/02/2011

Flávio Decat, apadrinhado do presidente do Senado e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, vai presidir a estatal; decisão barra hegemonia de deputados peemedebistas no setor elétrico, como Eduardo Cunha (RJ), e amplifica atritos na base aliada

BRASÍLIA - Em mais uma demonstração pública de afirmação de sua autoridade e da animosidade que marca a relação entre os partidos da base aliada, a presidente Dilma Rousseff confirmou nesta quinta-feira, 3, a escolha do engenheiro Flávio Decat para presidir Furnas Centrais Elétricas. Dilma tinha a intenção de levar Decat para a presidência da Eletrobrás, mas a crise política vivida por Furnas, com a circulação de dossiês e acusações mútuas entre petistas e peemedebistas, levou a presidente a mudar sua escolha.

Para a presidência da Eletrobrás o nome mais forte passou a ser o do atual secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, homem de confiança de Dilma Rousseff no setor elétrico. O atual presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Filho, deverá ser descolocado para a presidência da Eletronorte, cargo que já ocupou.

A escolha dos primeiros nomes para a direção das estatais do setor elétrico demonstra, mais uma vez, a força do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no atual governo. Flávio Decat, que ultimamente estava no Grupo Energia, do setor privado, tem o apoio de Sarney e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Sarney elegeu-se para a presidência do Senado pela quarta vez na última terça-feira. Muniz Filho, que agora deverá ir para a Eletronorte, também é afilhado de Sarney.

Razões

A escolha de Decat para a presidência de Furnas teve três objetivos: além da afirmação da autoridade presidencial e de fazer mais um agrado ao grupo do senador José Sarney, serviu de punição ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), padrinho do atual presidente de Furnas, Carlos Nadalutti Filho.

Dilma mostrou a Cunha que só negociará com o PMDB como um todo, deixando de atender pleitos solitários.

Na crise de Furnas, a presidente optou por ignorar o PMDB da Câmara, ao mesmo tempo em que fortaleceu o PMDB do Senado e seus líderes.

De acordo com participantes de uma reunião entre os dirigentes peemedebistas com o ministro Antonio Palocci (Casa Civil), encerrada às 2 horas da madrugada desta quinta-feira, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), deu berros ao saber que Dilma escolheria Decat para Furnas. "A Câmara não aceita perder Furnas para o Senado", teria dito Henrique Alves, segundo um dos presentes.

Dessa reunião participaram, além de Henrique Alves e Palocci, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), e o vice-presidente Michel Temer.

O encontro foi realizado num apartamento de Temer, num hotel que fica a menos de 600 metros do Palácio da Alvorada. No final da tarde de ontem foi feita nova reunião entre os mesmos participantes, quando o nome de Decat foi confirmado.

Coube ao ministro Edison Lobão anunciar a escolha de Decat. "Ele foi convidado pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff", afirmou Lobão.

Um dos padrinhos da indicação, o ministro disse que não há o que se falar contra Decat, que é um técnico do setor elétrico e que já trabalhou tanto na iniciativa privada quanto nas estatais. Ele já foi diretor da Eletrobrás - quando caiu nas graças de Dilma Rousseff - e já presidiu estatais do setor elétrico nos Estados, como as de Alagoas e as do Piauí.

De acordo com Lobão, Decat vai pedir que todos os diretores de Furnas coloquem seus cargos à disposição. Os novos nomes que comporão a diretoria, afirmou Lobão, serão definidos por consenso entre ele e Decat. Atualmente a direção de Furnas é dividida entre petistas e peemedebistas.

Colaboraram Christiane Samarco, João Domingos, Tânia Monteiro, Vera Rosa e Leonencio Nossa

---------
(*) ... baseado no título de livro (1927) de Hermann Hesse.
---

quinta-feira, dezembro 23, 2010

DILMA PRESIDENTE [In:] VERBAS INDENIZATÓRIAS

...

Ministros de Dilma usam e abusam de verbas

Autor(es): Tiago Pariz e Ivan Nunes
Correio Braziliense - 23/12/2010

Os 12 parlamentares indicados para o ministério de Dilma Rousseff se destacam por uso intenso da verba indenizatória e pelo alto índice de faltas no Congresso. Garibaldi Alves (PMDB-RN) utilizou R$ 31 mil de dinheiro público para divulgar o mandato em emissora de parentes.

transição

Ministros bons de faltas e de cifras

Os 12 parlamentares indicados para compor o ministério de Dilma tiveram ausência média de 40% nas sessões do último semestre. Alguns usaram a verba de gabinete para se promover e alugar aviões durante as eleições

Os 12 deputados e senadores indicados ministros pela presidente eleita, Dilma Rousseff, apresentaram altos gastos com verbas indenizatórias e faltas em plenário. Divulgação do mandato em empresas da própria família, aluguéis de jatinhos e passagens aéreas em plena campanha eleitoral, além da utilização da verba de parlamentar para autopromoção, são exemplos de despesas. Nas quase 30 sessões deliberativas que Câmara e Senado tiveram nos últimos seis meses, a ausência média foi de 40%.

Ex-presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) assumirá a Previdência depois de pagar durante o ano R$ 31 mil para divulgar o mandato na emissora de televisão que conta com parentes do senador em seu quadro acionário. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), são acionistas da empresa o deputado federal e primo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o sobrinho Aluizio Alves Neto e a tia Ivone Alves.

De acordo com a assessoria do parlamentar, o espaço contratado na emissora teve alto custo graças à audiência que ela tem no estado e não houve favorecimento dos familiares. Além dos gastos com divulgação, o senador utilizou R$ 24,4 mil em passagens em julho, quando estava em plena campanha para reeleição ao Senado. Entre os senadores que mudarão para a Esplanada em janeiro, Alves é o que registra maior índice de faltas a sessões deliberativas e de gastos com verba indenizatória (veja quadro). Ao todo, foram 17 ausências nas 29 sessões do Senado no segundo semestre: 58%. As despesas do mandato atingiram R$ 80 mil.

O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que assumirá a Secretaria de Relações Institucionais, desembolsou R$ 10,7 mil em dezembro para postar cartões de Natal e agradecer os votos recebidos em outubro. O parlamentar informou que evitou pedir ressarcimento do gasto da impressão. “Como tinha um agradecimento da eleição, não usei a verba”, disse. Ao explicar o motivo de ter usado dinheiro público para postagem, limitou-se a dizer que o gasto com correspondência consta da cota mensal dos deputados. A assessoria do parlamentar informou que o cartão também tem dados sobre o mandato.

A cota indenizatória pode ser usada com telefonia, correios, passagem aérea, hospedagem e fretamento de jatinhos. O deputado Pedro Novais (PMDB-MA), indicado para o Ministério do Turismo, usou a verba para alugar jatinhos pelo interior do Maranhão em pleno calor eleitoral. O maranhense usou R$ 28 mil da cota para visitar 10 cidades em cinco viagens entre setembro e novembro. Além disso, o parlamentar foi flagrado usando dinheiro público para bancar uma festa com 15 casais num motel em São Luís (leia ao lado).

Pelo telefone
Dois dos principais colaboradores da presidente eleita colecionaram faltas na Câmara. Os deputados Antônio Palocci (PT-SP) e José Eduardo Cardozo (PT-SP) não compareceram a 76% das sessões. Palocci gastou R$ 66,6 mil com verba indenizatória, o maior gasto com telefonia (R$ 42,4 mil). Cardozo registrou R$ 91,6 mil em reembolsos, R$ 31,6 mil com telefonia. Eles justificaram as ausências como obrigações político-partidárias. A assessoria de ambos disse que eles estavam imersos na campanha de Dilma.

O futuro ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, gastou R$ 67 mil em verba indenizatória no segundo semestre. A deputada Iriny Lopes (PT-ES), indicada para assumir a Secretaria das Mulheres, registrou R$ 118,8 mil em despesas indenizatórias. A maior parcela, R$ 54,2 mil, para divulgação de mandato. Entre julho e agosto, usou R$ 4,5 mil em passagens aéreas. O senador Edison Lobão (PMDB-MA), que ocupará o Ministério de Minas e Energia, teve R$ 21,5 mil em despesa com bilhetes de avião. O valor das passagens foi publicado pelo Portal da Transparência. O montante pode ser reduzido caso haja reembolso de bilhetes emitidos e não usados.

Dilma quer explicações
Denise Rothenburg

A presidente eleita, Dilma Rousseff, não deu qualquer declaração oficial sobre a nota fiscal de um motel em São Luís apresentada pelo gabinete de seu futuro ministro do Turismo, Pedro Novais (PMDB-MA), à Câmara, pedindo ressarcimento da despesa de R$ 2,1 mil. Deixou muito claro a interlocutores, contudo, que não gostou de ver um ministro de seu governo começar sob esse tiroteio. Dilma fez como Lula: conversou com o PMDB a respeito para saber do que se tratava e se era verdade. Agora, vai esperar para ver se o ministro se segura perante à enxurrada de notícias que pipocaram nos jornais e na internet depois da reportagem publicada em O Estado de S.Paulo.

Pedro Novais, 82 anos, foi enfático ao reagir à notícia. Primeiro, devolveu o dinheiro à Casa, soltou uma nota oficial e foi incisivo: “É mentira. Nunca estive no tal estabelecimento”, avisa o deputado. “Indignei-me como parlamentar e como homem público, mas, acima de tudo, como cidadão e marido. A acusação leviana tenta atingir a minha moral e a firmeza de minha vida familiar. Sou casado há 35 anos. Na noite de 28 de junho, data da emissão da nota fiscal pelo referido estabelecimento, estava em casa, ao lado de minha mulher, Maria Helena”, diz o texto.

===

sexta-feira, dezembro 03, 2010

DILMA PRESIDENTE/MINISTÉRIOS [In:] NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM ''CARDOZO''; TINHA UM ''CARDOZO'' NO MEIO DO CAMINHO ... *

...

CARDOZO FECHA A COTA DE DILMA



NOVO LOTE DE NOMES COM O "OK" DE DILMA


Autor(es): Denise Rothenburg
Correio Braziliense - 03/12/2010

A presidente eleita escolheu o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), um dos coordenadores da campanha, para o Ministério da Justiça. Já o PMDB emplacou Edison Lobão em Minas e Energia, e Wagner Rossi na Agricultura.

A presidente eleita planeja confirmar hoje mais uma lista de figuras que vão compor o seu ministério. Cardozo, na Justiça, além dos peemedebistas Lobão (Minas e Energia) e Wagner Rossi (Agricultura), está confirmado

Está tudo pronto para que a presidente eleita, Dilma Rousseff, anuncie hoje mais um lote de ministros. Entre a madrugada e a tarde de ontem, por exemplo, ela escolheu mais três: José Eduardo Cardozo (PT-SP) para a Justiça; Wagner Rossi (PMDB-SP), para Agricultura, e o senador reeleito Edison Lobão (PMDB-MA), que retorna ao Ministério de Minas e Energia. Os anúncios devem ser feitos por nota oficial, conforme ocorreu com os nomes já oficializados.

A intenção da equipe de transição é a de que ela anuncie hoje o núcleo palaciano e aqueles mais próximos, algo que já está fechado. Dilma raiou a madrugada batendo o martelo sobre o nome do futuro ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O deputado petista, que não foi candidato a deputado federal para voltar à advocacia, terminou integrando a coordenação da campanha. Ontem, foi convidado oficialmente para o governo, numa reunião na Granja do Torto que terminou depois de 1h da manhã. Lá estava ainda o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Cardozo saiu da Granja do Torto e viajou para aproveitar a sexta-feira e o fim de semana em consultas a dois ex-ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e Tarso Genro, sobre a composição da equipe (leia mais na página 3).

A escolha de Cardozo fecha a configuração dos ministros da cota pessoal da presidente eleita e aqueles mais próximos. Estão nesse rol os futuros ministros da Casa Civil, Antonio Palocci; da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho; o da Fazenda, Guido Mantega; e a doPlanejamento, Miriam Belchior. Carvalho e Palocci ainda não foram anunciados e há ainda Alexandre Padilha, cotado para permanecer no Ministério de Relações Institucionais, nas mesmas funções que exerce hoje no governo Lula.

Na reunião com Dilma, Palocci, Cardozo e ainda o presidente do PT, José Eduardo Dutra, fizeram uma avaliação geral do processo de escolha dos ministros de outras pastas. Citaram inclusive a preferência por Antonio Patriota para Relações Exteriores e a indicação de Paulo Bernardo como nome já fechado para as Comunicações. Bernardo, inclusive, já se reuniu com integrantes do futuro ministério. No seu ofício, passarão pelo seu crivo a escolha do presidente dos Correios, de diretores da Agência Nacional de Telecomunicações e da Telebras. Ele foi uma espécie de interventor na área para ajudar a fortalecer os Correios quando houve a crise que resultou na queda da diretoria este ano.

“Tricô”
Dilma aproveitou ainda para tratar com seus futuros ministros e aliados de primeira hora o espaço do PMDB. E foi justamente para tentar amenizar a situação do partido que ela convidou ontem os ministros da Agricultura e de Minas e Energia. A ideia é não deixar enfraquecer a posição de Michel Temer como negociador. Afinal, Dilma aprendeu a confiar e a admirar o vice e não deseja outro interlocutor no PMDB.

Já ficou definido, por exemplo, que o PMDB terá mais dois ministérios, um para a Câmara e outro para o Senado. No rol estão Cidades e Previdência. “Se Cidades não for oferecido ao PP, nós poderemos discutir, mas não vamos pedir o espaço de um aliado do bloco”, comentou ontem o líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN), numa declaração mais amena do que aquela feita há dois dias. E já há quem diga que é possível dar ao partido uma quinta posição. Ontem mesmo houve reunião entre Palocci e o ex-vice-presidente de Loterias da Caixa Econômica Wellington Moreira Franco, do PMDB, para conversar a respeito (leia detalhes na página 6). Michel Temer, quebrando a tradição, permaneceu em Brasília ontem fechado em negociações sobre o futuro ministério. Enquanto ele conversava com o partido, os governadores do Nordeste se reuniam em Brasília para tentar se fortalecer e, assim, conquistar não só a Integração Nacional como outros espaços importantes para o governo (leia mais na página 4).

Colaborou Ivan Iunes

O time e as cifras
Veja o perfil e o Orçamento à disposição de alguns dos integrantes (uns prováveis, outros certos) do ministério de Dilma

Justiça
José Eduardo Cardozo (PT)
Um dos assessores diretos de Dilma, o deputado pelo PT paulista desistiu da reeleição para se dedicar à campanha. Como participou das negociações para formar a aliança de apoio à petista, tornou-se um dos três nomes principais ao redor da candidata. Foi convidado oficialmente na madrugada de ontem. Na pasta da Justiça, caberá a ele controlar um caixa de R$ 11,017 bilhões.

Minas e Energia
Édison Lobão (PMDB-MA)
Jornalista, advogado e empresário, assumiu o cargo pela primeira vez em janeiro de 2008, depois da longa interinidade de Nelson Hubner. A desconfiança sobre suas capacidades no setor não durou. Montou quase toda a equipe com pessoas que já haviam trabalhado com a ex-ministra Dilma Rousseff e não se desviou um milímetro dos projetos traçados por ela. Caiu nas graças e na simpatia da toda-poderosa do Planalto. É senador desde 1987, com intervalos de 1991 a 1994, quando foi governador do Maranhão. Sempre fiel à família Sarney, garantiu fácil sua recondução ao ministério. Terá a seu dispor um cofre com R$ 5,7 bilhões.

Agricultura
Wagner Rossi (PMDB-SP)

Ex-deputado pelo PMDB paulista, sempre foi próximo a Michel Temer e da bancada ruralista, a qual integrou por cinco anos. Esses dois fatores lhe garantiram a indicação para permanecer no cargo. Rossi chegou ao governo Lula como presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e, em 2008, foi guindado ao ministério, substituindo o deputado Reinhold Stephanes, também do PMDB. A pasta gerenciará R$ 8 bilhões.

Ministério das Comunicações
Paulo Bernardo (PT)
Entre os desafios que o atual ministro do Planejamento terá pela frente na pasta está a questão das concessões de rádio e TV, da implantação do Plano Nacional de Banda Larga e da nova lei de comunicação eletrônica. Bernardo tem grande credibilidade e respeito do presidente Lula, que recorre a ele quando tem problemas a resolver. Terá ao seu dispor um cofre com R$ 4,36 bilhões.

Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior Fernando Pimentel (PT)
Ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato derrotado ao Senado, é amigo pessoal da presidente eleita. Conheceu Dilma durante o movimento estudantil e na militância contra a ditadura militar. Na campanha, atuou como colaborador informal. Sua principal tarefa será ajudar a formular a política industrial do governo num cenário de dificuldades no setor exportador por conta da valorização do real frente ao dólar e ao euro. Terá à disposição um Orçamento estimado em R$ 1,76 bilhão.

Defesa
Nelson Jobim
O ministro da Defesa aceitou o convite da presidente eleita para continuar no cargo. O presidente Lula havia manifestado o desejo de que ele permanecesse em razão de sua boa relação com as Forças Armadas. De acordo com um petista, Jobim só aceitou negociar sua permanência com a condição de retirar o setor de aviação civil da competência do Ministério da Defesa. Tem ao seu dispor R$ 60,2 bilhões.

Educação
Fernando Haddad (PT)
Após pressão de Lula pela manutenção de Haddad, a presidente eleita, Dilma, decidiu fazer o convite para sua permanência. Haddad teve a imagem arranhada pelas falhas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Apesar de resistências do PT ao ministro, considerado “pouco político”, a avaliação de Lula, de que ele faz um bom trabalho, falou mais alto. Maneja um dos maiores orçamentos da esplanada: R$ 62,5 bilhões.

Casa Civil
Antonio Palocci (PT)
Provável titular do ministério responsável pela coordenação do governo, Palocci será reabilitado na cena política. Fiador do rumo econômico no primeiro mandato de Lula, o então comandante da Fazenda foi abatido em março de 2006, no rastro do escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo. Palocci foi inocentado pelo STF. Entre suas atribuições, fará dobradinha com a Secretaria das Relações Institucionais na articulação política e cuidará da interlocução com governadores e prefeitos. A Casa Civil tem orçamento estimado em torno de R$ 1 bilhão.

Saúde
Sérgio Côrtes (PMDB)
O secretário de Saúde do Rio de Janeiro era nome praticamente certo, mas ficou pendente em função de o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ter anunciado o nome antes de a bancada do PMDB ser consultada. É responsável pela implantação das Unidades de Pronto-Atendimento 24 Horas, as UPAs, que Dilma esperava ampliar para o resto do país. O titular da pasta terá de manejar um montante de R$ 74 bilhões.

Fazenda
Guido Mantega
Quadro histórico do PT, nasceu em Gênova (Itália) e sempre defendeu uma filosofia econômica voltada ao desenvolvimento, com juros menores. Intitula-se “keynesiano”, corrente que se caracteriza pela percepção de que o mercado não se autorregula e, também, por uma intervenção maior do Estado na economia. Mantido no cargo, que assumiu em março de 2006 após a demissão de Palocci, seus primeiros desafios serão melhorar a gestão das contas públicas, compromisso de Dilma durante a campanha. No cofre da pasta, R$ 19,7 bilhões.

Planejamento
Miriam Belchior
Já confirmada na pasta, deve levar para o novo cargo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do qual estava à frente como subchefe da Casa Civil. Foi uma das responsáveis pela implantação do programa em 2007 e atuou nos últimos meses na seleção dos projetos do PAC 2. Como integrante da equipe de Dilma na Casa Civil, assumiu uma posição de diálogo nos temas referentes à infraestrutura entre União, estados e municípios. Foi mulher de Celso Daniel, ex-prefeito do PT de Santo André assassinado em 2002. No primeiro mandato de Lula, atuou na integração de programas no Bolsa Família. Sua pasta gerencia um caixa de R$ 16,2 bilhões.

===

(*) Parafraseando Drummond de Andrade.

---