PENSAR "GRANDE":

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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

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segunda-feira, julho 15, 2013

''--ALÔ, ALÔ MARCIANO!" (Elis Regina)

15/07/2013
O marciano, o Brasil e Aristóteles 


:: Denis Lerrer Rosenfield
MARCELO

Um marciano desembarcou no planeta Terra e, desta vez, optou por conhecer o Brasil. Há muito tempo atrás, antepassados seus tinham visitado a Grécia clássica. Lá tomaram conhecimento da filosofia de Aristóteles, que os apaixonou. Levaram, inclusive, os manuscritos mais elaborados para seu planeta, deixando para os terráqueos o duro trabalho de edição de suas obras por séculos a fio.

Particularmente, tinham sido atraídos pelo princípio de não contradição, que passou a ser ensinado em todas as escolas. Mais especificamente, qualquer político deveria fazer provas duríssimas, aplicando esse princípio aos assuntos públicos. Afinal, tratava-se de algo maior: a prevalência do bem comum.


Nosso amigo marciano ficou, então, surpreso com o que estava ocorrendo em nosso país, pois tudo o que via percebia como uma infração às regras mais elementares da lógica e, neste sentido, de como entendia a política. Nas manifestações da última quinta-feira, anunciadas como "greve geral" ou como "dia nacional de lutas", ele não conseguia compreender o que bem podia significar uma "greve" de movimentos sociais "organizados", como CUT e MST, aparelhados pelo PT e financiados pelos governos petistas, contra o próprio governo petista. Traduzindo em miúdos, isto significa uma "greve" do PT contra o PT. O princípio de não contradição estaria sendo infringido!


Como podia acontecer que, no décimo terceiro ano de um governo petista, o PT se sentisse tão incomodado com o seu próprio governo? Cansado de si mesmo? Desorientado consigo? O que diriam, então, os cidadãos confrontados com tal confusão? Como pode alguém fazer oposição a si mesmo?

Ficou particularmente intrigado com uma expressão de muito uso no governo do ex-presidente Lula e posta à prova no da presidente Dilma. 

Trata-se de uma tal de "herança maldita". 

Não conseguia bem perceber o que significava. Em sua formação intelectual, além de Aristóteles, tinha lido muito Descartes, quando de outra incursão de seus antepassados ao planeta Terra. Tinha aprendido com o filósofo francês um critério de verdade baseado na clareza e distinção das ideias. Lógico como era, tratou de aplicar esse critério à expressão "herança maldita".

Ora, qual não foi a sua estupefação ao constatar que o que o ex-presidente Lula considerava como herança "maldita" de seu antecessor tinha sido "bendita", assegurando-lhe o êxito de seu primeiro mandato. 

Ficou sabendo que o primeiro governo petista tinha mantido as linhas básicas de sua política econômica e, mesmo, social. Tinha tucanado. A lógica do governo teria sido uma, a retórica outra. Ou seja, fazia uma coisa e dizia outra. Não há princípio de não contradição que resista, além do problema de ordem propriamente moral de não reconhecimento.

Perseguindo ainda a clareza e a distinção das ideias, terminou por compadecer-se com a presidente Dilma, pois ela se encontrou em uma sinuca de bico. Do ponto de vista moral, teve uma atitude digna ao qualificar a herança de seu antecessor como "bendita", quando, na verdade, ela é "maldita". Está agora recolhendo os seus frutos que crescem nas ruas em manifestações autônomas. O seu discurso está, neste sentido, impregnado de contradições, apesar de ter, no início de seu mandato, mantido a coerência ao ter reconhecido o legado do ex-presidente Fernando Henrique. Aliás, de sua própria iniciativa, fez uma "faxina ética", tendo depois recuado ao seguir novamente o seu antecessor.

Contudo, os dilemas de nosso marciano não pararam por aí. 

Seus princípios e critérios não cessavam de ser postos à prova - e que provação! Não conseguia entender o que o governo e o PT entendiam por "movimentos sociais" quando confrontou duas manifestações, a monstro de duas semanas atrás e a esquálida desta última quinta, tendo sido esta uma caricatura daquela.

Ele próprio, apenas poucas décadas atrás, tinha entrado em contato com outro grego, naturalizado francês, de nome Cornelius Castoriadis. Em privado, era chamado Corneille, porém isso também o confundia por lembrar o célebre dramaturgo francês. O problema, porém, não era esse. O que estava em questão era a distinção feita por esse filósofo entre "autonomia" e "heteronomia".

Autonomia designava movimentos populares autônomos, genuínos, que brotavam da sociedade por ela mesma, lutando contra governos que os oprimiam ou não atendiam às suas reivindicações. Heteronomia, por sua vez, significava movimentos controlados por aparatos partidários e burocráticos, de uso corrente na esquerda, cujo objetivo consistia precisamente em substituir e aniquilar uma manifestação independente da sociedade civil.

Ora, as manifestações de duas semanas atrás se caracterizaram, precisamente, por serem autônomas, nascidas do próprio seio da sociedade civil, ultrapassando qualquer "aparelho" que tenha procurado controlá-las. Foi um espetáculo de liberdade. Uma expressão da mais legítima indignação com distintos governos de diferentes partidos, sejam eles do PT, PMDB ou PSDB, tanto no nível federal, quanto estadual e municipal.

Em uma manobra de grande inabilidade, o governo federal e o PT, em vez de procurarem atender a uma indignação generalizada dos cidadãos brasileiros, partiram para a cooptação e a burocratização de movimentos autônomos. Colocaram em pauta a heteronomia. 


Sindicatos financiados com recursos públicos e movimentos sociais organizados como o MST, também financiados pelo governo, usurparam a bandeira da liberdade e da moralidade. O resultado foi um fiasco total. Ruas comparativamente vazias, burocratização das marchas, uniformização dos discursos e indignação fingida.


A presidente, com humildade, deveria ter reconhecido desde o início os seus erros e os de seu antecessor, resgatando o princípio de não contradição e a clareza e a distinção de ideias. Poderia ter aberto um novo caminho. Nosso amigo marciano, por sua vez, confuso, preferiu voltar ao seu planeta. Pelo menos lá reinam a coerência e a racionalidade.

adicionada no sistema em: 15/07/2013 04:01

quinta-feira, julho 04, 2013

A QUEM SERVE O ESTADO? ETERNO MAQUIAVEL.

04/07/2013
Maquiavel já sabia 


:: Rodrigo Elias


As pessoas estão assustadas por conta das manifestações dirigidas, de forma mais ou menos difusa, ao Estado brasileiro — a prefeitura de São Paulo, a Assembleia Legislativa do Rio e o Congresso. Afinal, quase todos somos favoráveis ao estado democrático de direito.

Parece, entretanto, que há nesta postura uma certa dose de incompreensão histórica. 

O Estado, desde que foi estabelecido de forma aparentemente definitiva no Ocidente, no século XV, nunca esteve montado essencialmente para o bem geral da população. 

É claro que desde a Antiguidade, com Aristóteles, e por toda a Idade Média, teóricos e teólogos afirmaram que os governos existem essencialmente para o bem dos homens. A grande dúvida era sobre quem havia decidido por sua implantação: Deus, que sempre quer o melhor para os seus filhos, ou os próprios homens, reunidos em um suposto Estado original pré-estatal. Toda a teoria política medieval são variações desta certeza.

Acontece que há 500 anos, em 1513, um ex-funcionário do governo florentino escreveu um livro no qual colocava a questão a nu. 

Em "O príncipe", Nicolau Maquiavel mostrava que o objetivo do Estado não tinha nada a ver com a felicidade ou a segurança dos cidadãos: ele existia para perpetuar a si próprio. Esta verdade era tão evidente e tão constrangedora que o escritor foi condenado por católicos e protestantes (que não concordavam em quase nada), liberais e comunistas. Ser chamado de "maquiavélico" ainda é ofensivo.

Entretanto, Maquiavel não estava simplesmente aconselhando políticos que buscavam manter o poder: estava mostrando que os governantes bem-sucedidos e as formações estatais que tiveram alguma perenidade gastavam todas as suas energias na autopreservação, independentemente do caráter das suas ações. Ao transformar a política em uma ciência econômica, os ingleses e escoceses do século XVIII também partiram deste princípio.

Outros dois que perceberam de maneira clara esta natureza das formações estatais foram Marx e Engels, em cujos nomes costuma-se cometer injustiças intelectuais. O primeiro, observando o funcionamento do Parlamento da Renânia, na década de 1840, notou que o Estado funciona basicamente para proteger aqueles que o administram. Engels, 40 anos depois, também expôs a lógica do Estado em termos de uma proteção muito seletiva de grupos sociais — sempre aqueles que controlam o próprio aparato estatal.

O fato, entretanto, é que não há registro de uma formação estatal que tenha como traço característico constitutivo essencial o bem do conjunto da população. Quem entra na gerência do Estado atua necessariamente para a sua manutenção, mesmo que isto seja feito contra o conjunto da sociedade — e o militante partidário que disser o contrário estará necessariamente mentindo. O governo só se moveu em prol da sociedade, ao longo dos últimos 600 anos, quando esta se mobilizou contra o Estado, constrangendo-o de forma pacífica ou não.

Se os sans-culottes tivessem esperado Luís XVI baixar de bom grado o preço do pão, ainda estaríamos vivendo no Absolutismo. Se escravos e abolicionistas tivessem aguardado na lavoura ou em suas casas até que o Estado imperial decidisse bondosamente pela Abolição, a sociedade brasileira não seria composta inteiramente por cidadãos.
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Rodrigo Elias é historiador

terça-feira, junho 04, 2013

INOVAÇÃO. O ''SUMO BEM''


ESTADÃO PME » INFORMAÇÃO » NOTÍCIAS

Diferente| 29 de maio de 2013 | 16h 37

A estratégia dos grandes: Coca-Cola lança latinha que se divide em duas

Ação de marketing foi desenvolvida em parceria com agência internacional
ESTADÃO PME




Reprodução de vídeo
Reprodução de vídeo
Trecho da campanha publicitária

A Coca-Cola, durante anos, estimulou em suas campanhas publicitárias a mensagem de que a empresa não vendia apenas refrigerantes, mas por meio das bebidas, estimulava os clientes a compartilharem felicidade. A nova campanha da empresa, feita em parceria com a agência Ogilvy & Mather´s, segundo informa o site da revista Fast Company, ampliou esse conceito de compartilhamento.
...

A empresa colocou à disposição dos consumidores latas que se dividem ao meio - possibilitando que duas pessoas consumam a bebida separadamente. O nome da ação é Sharing Can e mais detalhes podem ser obtidos no vídeo abaixo.


O principal ensinamento dessa estratégia para pequenos empreendedores é a maneira como a empresa comunica seu produto. Assim, é possível dizer que a Coca-Cola não vende Coca-Cola, mas comercializa um meio de facilitar a troca de 'felicidade' entre as pessoas. A inovação, que possibilitou a criação dessa latinha, reforçou justamente essa mensagem aos seus consumidores.

A qualidade do vídeo também reforça a ação - e poderia acabar com ela caso o resultado fosse negativo. É claro que o pequeno empreendedor não dispõe dos recursos financeiros da Coca-Cola, mas a mensagem principal é: você precisa saber comunicar ao mercado, às pessoas, o que você vende. Esse é o caminho para você crescer. 

terça-feira, fevereiro 19, 2013

A ÉTICA DE ARISTÓTELES. E A NOSSA?

19/02/2013
Valores éticos e morais na atuação parlamentar 

:: José Matias-Pereira

Professor de administração pública e pesquisador do programa de pós-graduação em contabilidade da Universidade de Brasília, doutor em ciência política, pós-doutor em administração. As recentes eleições dos novos dirigentes do parlamento brasileiro receberam enorme destaque por parte mídia. 

Essas coberturas, em geral, tinham como pano de fundo fatos que envolviam os dois principais candidatos a possíveis desvios nos campos éticos e morais. 

Sem entrar no mérito das acusações — as quais estão sendo analisadas nos âmbitos do Ministério Público e do Poder Judiciário — merece maior reflexão o teor do discurso feito pelo novo presidente do Senado Federal, pouco antes da sua eleição.

Eleito com 56 votos dos seus pares, o que equivale a 71% do total dos senadores, ele retornou seis anos depois ao cargo ao qual renunciou, após ter sido alvo de denúncias de corrupção, acusado de ter parte de suas despesas pessoais custeadas por uma empreiteira. A renúncia, segundo noticiado na ocasião, fez parte de um acordo político que impediu possível cassação do seu mandato.

É relevante destacar no pronunciamento a afirmação de que "a ética não é objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, é o interesse nacional", sintetizando que a "ética é meio, não é fim." 

Considerando as distorções contidas nessa afirmação, visto que ética e política interagem de forma permanente, há questões relevantes que envolvem a compreensão da ética e da moral. A ética é obrigação da nação, por ser princípio indispensável na construção de uma sociedade democrática e justa.

Filósofos e pensadores, em distintos períodos da história, trataram especificamente dos temas relacionados com a ética e com a moral — os pré-socráticos, Aristóteles, os estoicos, os pensadores cristãos: patrísticos, escolásticos e normalistas, Kant, Espinoza, Nietzsche, Paul Tillich. 

A reflexão que o indivíduo deve fazer na busca de responder à pergunta "como devo atuar ante os outros" é o ponto inicial da discussão. 

Assim, a questão fundamental da moral e da ética trata da vida em sociedade, o que permite que o ser humano conviva com os outros, tendo por referência um conjunto de regras e valores que guiam a conduta.

A ética, que pode ser aceita como conjunto de princípios que orientam a atuação do homem, quando estudada no âmbito da gestão pública, apresenta profunda integração com a relação que existe entre o Estado e a sociedade. Sua relevância fica mais nítida quando envolve o exercício da cidadania. 

Nesse sentido, é importante assinalar as diferenças básicas: a ética é um princípio; a moral trata sobre os aspectos de condutas especificas. A ética persiste, a moral é passageira; a ética é universal, a moral é cultural; a ética é uma norma, a moral é uma conduta da norma; e a ética é teoria, a moral é prática.

A partir dessas distinções, é importante que os governantes, os políticos e os empresários procurem aprofundar mais a compreensão sobre o tema – a ética – que deve ser praticada sem distinções, de forma sistemática, por todos os indivíduos numa sociedade. 

A prática da ética é dever básico dos que governam ou representam a nação, em particular, na atuação parlamentar, visto que sua prática é essencial para legitimar a instituição parlamento junto à sociedade.

Feitas essas considerações, conclui-se que, tanto do ponto de vista filosófico quanto político, a afirmação do presidente do Senado Federal de que "a ética é meio, não é fim", é uma afirmação completamente extemporânea e equivocada. A ética constitui a base, ou seja, o alicerce indispensável da nossa convivência em sociedade. 

A ética não é negociável, nem pode ser elástica, na medida da conveniência de cada indivíduo, empresas, partidos políticos ou governos. 

A sua prática, sem subterfúgios, é fundamental para a sobrevivência das instituições, do governo, da administração pública e do Estado democrático de direito.
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