A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************
“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
----
''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
=========valor ...ria...nine
folha gmail df1lkrha
***
terça-feira, março 26, 2013
... TUDO EM FAMÍLIA
| 26/03/2013 | |
Família Klein discorda de acordo no Cade
A família Klein e o Grupo Pão de Açúcar, sócios na empresa Via Varejo, negociam um acordo para fazer avançar a aprovação do processo de fusão de Casas Bahia e Ponto Frio. A operação ainda precisa ser aprovada no Cade e depende de um entendimento - que anda difícil - entre os acionistas.
O Valor apurou que os Klein decidiram não assinar a minuta de proposta que será apresentada ao Cade. Os sócios deixaram isso claro em reunião do conselho da Via Varejo, na semana passada. Ontem à tarde, Enéas Pestana, presidente do Grupo Pão de Açúcar, e Michael Klein, presidente do conselho de administração da Via Varejo (criada com a união das duas redes), se reuniram em Brasília, na sede do Cade, para tratar do assunto. Klein disse que não aceita um dos pontos da proposta, que prevê a manutenção de todas as lojas da rede Extra em detrimento da Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio), que pode ter 60 unidades fechadas.
Klein propõe ao GPA operar negócio de eletro da rede Extra
Por Adriana Mattos | De São Paulo
Em carta ao comando do Pão de Açúcar, Michael Klein acusa o grupo de procurar "impor a sua vontade de forma truculenta e com base em ameaças ocas".
A família Klein e o Grupo Pão de Açúcar (GPA), sócios na empresa Via Varejo, negociam um acordo para que consigam avançar na aprovação do processo de fusão das redes Casas Bahia e Ponto Frio. A operação ainda precisa ser aprovada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e depende de um entendimento, que não existe entre os acionistas hoje. O Valor apurou que os Klein decidiram não assinar o documento final das propostas a serem apresentadas ao Cade. Os sócios deixaram clara a oposição em reunião do conselho de administração da Via Varejo, na sexta-feira passada. O clima entre os acionistas azedou e eles chegaram a trocar correspondências em tom pesado nos últimos dias.
Ontem à tarde, Enéas Pestana, presidente do Grupo Pão de Açúcar, e Michael Klein, presidente do conselho de administração da Via Varejo (criada com a união das duas redes de lojas de eletroeletrônicos), se reuniram em Brasília, na sede do Cade, para tratar do assunto.
Os Klein e o grupo negociam aspectos da proposta há meses. Na reunião, Michael disse que não aceitaria especificamente um ponto do acordo negociado entre a família Klein, o GPA e o Cade. Trata-se do fechamento de lojas das redes Casas Bahia e Ponto Frio e a manutenção dos pontos da rede Extra, que vende eletroeletrônicos em suas unidades.
Os Klein não aceitam que Via Varejo tenha que fechar lojas (ou passá-las para a concorrência) enquanto, dizem eles, se "preservam" os negócios de GPA, sem qualquer efeito sobre a rede Extra. Por isso, no encontro entre as partes ontem, Michael fez uma proposta: em todas as cidades onde uma loja de Casas Bahia ou Ponto Frio for fechada, a unidade do Extra do mesmo município passará a ter eletroeletrônicos vendidos pela Via Varejo. Ou seja, a receita com a venda desses produtos irá para o caixa da varejista de eletroeletrônicos. Hoje, esse valor entra na receita de hipermercados do GPA.
Pelo negociado até agora, cerca de 60 lojas de Casas Bahia e Ponto Frio podem ser fechadas em cidades em que a participação de mercado de Via Varejo supera 57%, taxa determinada pelo Cade como "corte" na análise de concorrência, apurou o Valor. O que os Klein querem, entende o Pão de Açúcar, é uma espécie de "compensação financeira", já que terão os pontos fechados.
O Valor apurou que Enéas Pestana concordou ontem em analisar a proposta apresentada por Michael e não a considera "absurda", mas o grupo não sabia dessa ideia do sócio e precisa tratar da questão no conselho. O Cade deve aguardar esse entendimento para que o tema da fusão das redes seja colocado na pauta de votação. Há acordo em relação a todos os outros pontos que farão parte do Termo de Compromisso de Desempenho (TCD), com as restrições definidas pelo Cade.
Nos últimos dias, a relação entre os Klein e o Pão de Açúcar voltou a piorar. Depois de tomar conhecimento, na semana passada, que os Klein não aceitavam assinar a proposta de acordo, o grupo enviou uma carta ao acionista criticando o posicionamento. Afirmou que estava "surpreso" com a postura dos Klein e afirmou que eles estavam sobrepondo os interesses da família aos interesses da empresa. Na carta, o grupo critica os Klein, que não estariam participando de forma ativa, com o fornecimento de dados e informações, e que isso estaria afetando o avanço das conversas. Ao fim da carta, o grupo ameaça entrar com processo contra a família na câmara de arbitragem, caso os Klein não mostrem interesse em negociar pelo bem da empresa.
Na noite de domingo, os Klein responderam à correspondência, em 26 pontos. Disseram que a companhia procura "impor a sua vontade de forma truculenta e com base em ameaças ocas". Afirmam ainda que eles se empenharam para ter a operação aprovada nos termos contratados, já o GPA "abandonou a luta pela aprovação integral [do acordo] e passou a procurar restrições que não são distribuídas equitativamente entre as partes".
Segundo a carta dos Klein, "é bem melhor para CBD [GPA] preservar lucros na sua companhia, ainda que às expensas de perdas em outra da qual só participa em cerca de 52% do capital". Os Klein ainda informam que esperam uma negociação amigável e caso ela não ocorra em 30 dias, a partir do último domingo (data do envio da carta) eles apoiam a abertura de um processo arbitral.
É pouco provável que se chegue a esse ponto. O Pão de Açúcar entende que é preciso alcançar um consenso o mais rápido possível, que a aprovação da fusão das redes já se estendeu demais - e os Klein pensam o mesmo. É possível que as partes se entendam nas próximas semanas, segundo fontes ouvidas.
Não é a primeira vez que os sócios se desentendem. Em fevereiro, os Klein ameaçaram entrar com processo arbitral contra o GPA por causa das condições do acordo de associação assinado pelas partes em 2010.
|
terça-feira, setembro 18, 2012
''SUGAR, AH HONEY, HONEY!! ''
Abilio Diniz e Casino têm nova disputa por poder no Pão de Açúcar
quarta-feira, agosto 29, 2012
NOTÍCIAS DA CORTE E CONDADOS
Réu confesso
Brasília-DF - Luiz Carlos Azedo |
| Correio Braziliense - 29/08/2012 |
O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot, em depoimento na CPI do Cachoeira, de forma surpreendente, admitiu o uso da máquina administrativa para arrecadação de recursos de campanha eleitoral de 2010 — supostamente em benefício da presidente Dilma Rousseff.
Pagot disse que foi procurado duas vezes pelo deputado federal José de Filippi (PT-SP), então tesoureiro da campanha do PT. "Passei para ele uma lista imensa de empresas, mas ele disse que não me preocupasse com as grandes empresas, pois delas cuidaria o Diretório Nacional do PT. Então eu separei umas 30 a 40 empresas e pedi as doações", revelou Pagot.
» » »
O depoimento de Pagot pegou de surpresa os integrantes da CPI, principalmente os governistas, que mais puseram lenha na fogueira para sua convocação. Para o senador Pedro Taques (PDT-MT), que é procurador federal de carreira, Pagot acabou se incriminando.
Dosimetria// Os advogados de defesa já dão como causa perdida a absolvição da maioria dos réus do mensalão. Agora, que o julgamento marcha para seu desfecho, cresce a expectativa em relação à chamada dosimetria das penas que serão imputadas pelo STF aos que forem condenados.
O voto do dia
Prossegue hoje o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com o mais aguardado dos votos dos ministros vogais: o de Cezar Peluso, ex-presidente da Corte que deve se aposentar na próxima semana. A grande surpresa, se houver, será o ministro votar integralmente, apreciando as acusações contra todos os réus. Pelo andar do julgamento, caso aprecie apenas os casos de Marcos Valério, do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e de outros réus acusados de desvio de recursos públicos, será quase impossível a participação de Peluso no julgamento do ex-ministro José Dirceu.
Sem diferençasTem chamado a atenção do meio publicitário, que conhece em detalhes a conduta profissional dos ex-sócios de Marcos Valério, a inclusão deles no chamado "pacote publicitário" do julgamento do mensalão. Não está sendo feita a diferenciação entre as atividades de Valério e as deles, que se dedicavam exclusivamente à rotina de trabalho na agência SMP&B. Serão apenados da mesma forma? Vale lembrar que a gestão da DNA era conduzida por outros sócios, que não foram incluídos na denúncia. Está nos autos.
Lavagem/ Confederação Nacional das Profissões Liberais — CNPL — entrou com ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo para suspender de alguns dispositivos da nova lei de lavagem de dinheiro. Alega inconstitucionalidade do dispositivo que obriga o profissional liberal a identificar seus clientes e informar ao Conselho de Administração Financeira — COAF — todas as transações em moeda nacional ou estrangeira, títulos e valores mobiliários, títulos de crédito, metais, ou qualquer ativo passível de ser convertido em dinheiro.
Barulho/ O Sinpol convoca os filiados para concentração, hoje, em frente ao Departamento de Polícia Especializada (DPE), às 10h, Em seguida, às 14h, os policiais seguirão para a Rodoviária do Plano Piloto, onde haverá distribuição de panfletos na região central, informando à população os reais motivos da greve dos Policiais Civis do DF. Logo depois, seguirão em passeata até o Ministério do Planejamento e Palácio do Planalto.
Montevidéo/ A ex-superintendente da Polícia Federal no DF Valquíria Teixeira de Andrade, é a nova adida policial no Uruguai. Antes de ser indicada para o cargo, ela ocupava a diretoria interina de Gestão de Pessoal. Ficará no posto por dois anos.
DesatendidosPagot disse ainda que a então senadora Ideli Salvatti (foto), hoje ministra das Relações Institucionais, também pediu doações de empreiteiras para campanha eleitoral dentro do Dnit. A petista, que era candidata ao governo de Santa Catarina, não foi atendida. Outro citado foi o ex-senador Hélio Costa (PMDB-MG), que também teria sido desatendido.
À labutaVoltarão ao trabalho na segunda-feira 250 mil servidores públicos ligados à Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef). Após dois meses em greve, decidiram ontem, em plenária nacional, assinar acordo com o governo federal e aceitar a proposta de reajuste de 15,8%
Chapéu
Com a ajuda de Abílio Diniz, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (foto) entrou em campo para levantar recursos para os candidatos do PT, que andam meio à mingua em alguns estados. O pretexto foi uma discussão sobre economia com pesos pesados do empresariado nacional. Por via das dúvida, mesmo quem anda descontente não falou mal da presidente Dilma Rousseff |
sexta-feira, julho 13, 2012
''QUE PAÍS É ESSE?'' ou ... no ''NOVO TEMPO'' **
...
Grupo Pão de Açúcar se torna o maior comprador de arroz orgânico produzido pelo MST
Serão ao todo 15 toneladas
sexta-feira, junho 22, 2012
COM AÇÚCAR, SEM AFETO
NAOURI, O NOVO DONO DO PÃO DE AÇÚCAR
| QUEM É E O QUE PENSA O EMPRESÁRIO FRANCO-ARGELINO JEAN-CHARLES NAOURI, QUE ASSUME O CONTROLE DA MAIOR REDE DE VAREJO BRASILEIRA, EM 22 DE JUNHO. |
| Autor(es): Ralphe MANZONI Jr. |
| Isto é Dinheiro - 18/06/2012 |
Foram 2.607 dias, ou longos sete anos, um mês e 18 dias. Uma trajetória que começou em 4 de maio de 2005, quando o empresário Jean-Charles Naouri, presidente da rede varejista francesa Casino, assinou um cheque de US$ 900 milhões, o equivalente a R$ 2 bilhões na época, elevando sua participação para 50% no Grupo Pão de Açúcar (GPA), do empresário Abilio Diniz. Na sexta-feira, 22 de junho, Naouri, 63 anos, deve virar uma página do varejo brasileiro e, provavelmente, da história da família Diniz, que controlou a empresa fundada pelo imigrante português Valentim dos Santos Diniz, pai de Abilio, desde 1948.
Se tudo ocorrer conforme o enredo previsto – e nada indica, até agora, que isso deva ser alterado – Naouri, ou seu representante legal, chegará às 9 horas, à sede do Grupo Pão de Açúcar, na avenida Brigadeiro Luís Antônio, em São Paulo. Nessa ocasião, Naouri será eleito o presidente do conselho da Wilkes, a holding que controla o Pão de Açúcar, no lugar de Diniz. Duas horas mais tarde, os conselheiros da Wilkes terão uma reunião, a primeira desde que a holding foi criada, em 2006. Logo após o almoço, às 14 horas, é a vez do conselho do Pão de Açúcar se reunir. O encontro nomeará três novos conselheiros – Eleazar de Carvalho Filho (ex-Unibanco, UBS e BNDES), Luiz Augusto de Castro Neves (ex-embaixador) e Roberto Lima (ex-Vivo e Credicard).
Com essa nova composição, o Casino passará a contar com oito conselheiros no board da rede varejista. Diniz ficará com três e manterá o cargo de presidente. Outros quatro serão independentes. Esse é o rito que marcará a transição de controle do Grupo Pão de Açúcar, a maior rede varejista brasileira, que fatura R$ 52,6 bilhões e emprega 149 mil pessoas. Há ainda outras formalidades a ser cumpridas. A principal delas é a venda, por Diniz, de um lote de um milhão de ações ordinárias do GPA, o equivalente a 2,4% do capital da Wilkes. O empresário brasileiro tem dois meses para concluir essa operação, mas deverá finalizá-la logo na semana seguinte à reunião do conselho do Pão de Açúcar.
Se não o fizer, o Casino tem o direito de comprar uma ação por R$ 1. Para pessoas próximas, Diniz tem dito que honrará o contrato assinado com Naouri, em 2005. Nos bastidores, no entanto, advogados estudam medidas preventivas, na Justiça, para proteger a companhia – nenhuma delas, no entanto, deverá impedir que o Casino seja o controlador da companhia brasileira, segundo fontes ouvidas por DINHEIRO. A transferência de controle, no entanto, não encerra uma disputa ruidosa e cheia de mágoas entre Diniz e Naouri, que tiveram uma relação harmônica por pelo menos 12 anos. A sociedade começou em 1999, quando o Casino comprou uma participação minoritária do Pão de Açúcar por R$ 1,5 bilhão.
Seis anos depois, a rede francesa elevou sua fatia na companhia brasileira, um acordo foi saudado com grande euforia pelas duas partes na ocasião. Segundo as cláusulas do contrato, os dois teriam um controle compartilhado até 2012, apesar de Diniz manter apenas 21% do capital do grupo. "O que eles estão comprando é o meu passe", afirmou Diniz, em uma entrevista, na época. O empresário brasileiro tinha total autonomia na gestão e nas estratégias de aquisição do Pão de Açúcar. Os bons resultados credenciaram essa parceria franco-brasileira. Tanto que o valor de mercado da empresa passou de R$ 5,6 bilhões, em maio de 2005, para R$ 23,5 bilhões, em maio deste ano.
Abilio Diniz: ele passará o controle ao Casino, mas seus advogados
estudam medidas preventivas para proteger a empresa.
Hoje, está na casa de R$ 19,6 bilhões. O clima amistoso entre ambos, no entanto, desmoronou em junho do ano passado, quando Diniz anunciou a proposta de fusão com o Carrefour. O acordo foi entendido por Naouri como uma manobra para evitar que o Casino assumisse o controle da companhia em 2012. Bombardeada pelo francês, a fusão malogrou. O resto é história. Desde então, os dois empresários têm adotado uma atitude de distância e, principalmente, de desconfiança mútua. A última vez que conversaram foi em 29 de fevereiro deste ano, em Paris, no QG do Casino, no número 83 da Faubourg de Saint-Honoré, uma avenida nobre da capital francesa. Na ocasião, quase houve uma reconciliação.
Mas, logo depois, ficou claro que as feridas abertas entre os dois dificilmente seriam cicatrizadas. As negociações para uma saída de Diniz da empresa estão atualmente paradas – a proposta mais viável era ele ficar com a Viavarejo, o braço do grupo na área de eletroeletrônicos, que reúne Casas Bahia e Ponto Frio, mais uma parte em dinheiro. Há quatro semanas, Pérsio de Souza, da Estáter, que representa Diniz, e Ricardo Lacerda, da BR Partners, do lado de Naouri, não se encontram. "A impressão que dá é que eles empurraram com a barriga", diz uma fonte ligada a Diniz. Do lado do Casino, a opinião é inversa.
"O Casino não está obrigado a aceitar qualquer coisa só porque o Abilio pediu", afirma outra fonte próxima a Naouri. Acostumado a enfrentar diversas batalhas em sua trajetória como empresário – Diniz teve quedas de braço com os irmãos pelo Pão de Açúcar na década de 1980 e com a família Klein, quando comprou a Casas Bahia, em 2010 – ele, desta vez, está enfrentando um adversário incomum. Nascido na Argélia, Naouri é o primogênito de uma professora de inglês e um médico francês. Desde cedo, mostrou uma inteligência acima do normal. Aos 17 anos, foi para Paris estudar na École Normale Supérieure, um centro de excelência francês.
Sua formação inclui mestrado em matemática pela mesma escola, aos 20 anos. Mais tarde, graduou-se em administração na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. É leitor voraz de filósofos gregos, especialmente Platão, que lê no original. Sua formação de negócios o levou a assumir, em 1984, o posto de chefe do gabinete do ministro socialista da Economia e Finanças, Pierre Bérégovoy. O cargo lhe garantiu uma valiosa agenda de contatos, entre eles David Rothschild, um dos herdeiros do banco que leva seu sobrenome. Com Rothschild criou o fundo Euris, com o qual comprou em 1991, a pequena Rallye, em dificuldades financeiras na ocasião, entrando no mercado de varejo.
Na vida pessoal, Naouri é extremamente discreto. Tanto que quando nasceu seu filho do segundo casamento foi trabalhar normalmente. Só informou a equipe do nascimento da criança 15 dias depois. É visto com frequência com o seu indefectível terno preto. Não gosta de piadas e sorri com parcimônia. Seu império na França foi construído à base de negociações com empresas de origem familiar – e muita polêmica. Alguns de seus sócios ficaram para trás, como o caso dos Baud, ex-donos do Franprix e do Leader Price. Outros continuam parceiros, a exemplo dos Guichard, do Casino. Há disputas ainda não resolvidas, como com a família Moulin, fundadora da Galeries Lafayette, dona do supermercado Monoprix (saiba mais no quadro ao final da reportagem).
Naouri é reconhecido também por ser um CEO implacável e autoritário, que coloca extrema pressão sob seus comandados. Se não estão dando resultado, demite-os. Se o enfrentam, também podem perder o emprego. Foi assim com Georges Plassat, ex-presidente do Casino, em 1997, e que hoje comanda o rival Carrefour. Ele se opôs a uma proposta hostil de compra. No meio empresarial, alguns o consideram um gênio. Uma de suas qualidades é a forma minuciosa com que analisa os contratos. Dizem que é viciado em detalhes. Antes da assinatura, passa as noites examinando todas as opções. Por isso, quando há conflitos, sabe exatamente como agir. Tem fama de inflexível.
Desde que entrou em conflito com Diniz, por exemplo, ele não mudou um milímetro sua posição. "O Casino vai assumir o controle do Pão de Açúcar em 22 de junho", repetiu ele, como um mantra, a todos os interlocutores que o questionaram, inclusive em entrevista à DINHEIRO, em julho do ano passado. Para Naouri, trata-se de um direito que lhe está assegurado em contrato e que fez por merecer. "Em 1999, o Grupo Pão de Açúcar era um negócio medíocre, que saía de uma quase falência", afirmou. "Quando Diniz procurou investidores no mundo inteiro, eu fui aquele que aceitou." O que Naouri fará após 22 de junho, no entanto, é ainda uma incógnita. Pelo menos para Diniz.
O empresário brasileiro tem dito a assessores próximos que está muito preocupado com a estratégia de crescimento do Pão de Açúcar. Em sua visão, a fusão com o Carrefour, como fora proposto no ano passado, era o negócio certo para avançar não só no Brasil, como também internacionalmente. "Cansei de disputar o Campeonato Brasileiro", afirmou Diniz a um conselheiro da empresa. "Agora, eu quero a Liga Mundial." Quando é instigado a debater o assunto, ele tem na ponta da língua todas as informações que comprovariam que seria um bom negócio. Um exemplo das divergências que podem ocorrer a partir de agora aconteceu no fim de maio. O Pão de Açúcar havia acertado a compra da rede Tenda Atacado, dona de 17 lojas e faturamento de R$ 1,6 bilhão.
Michael Klein: ele contratou assessores financeiros para fazer
uma proposta pela Viavarejo.
Abilio era favorável ao negócio. O Casino, indeciso, deixou a decisão para a diretoria executiva, que não levou a transação adiante, ao ver que os dois principais acionistas não tinham uma posição clara sobre o negócio, segundo uma fonte próxima a Diniz. O Casino conta uma história diferente e diz que não vetou o negócio. Apesar dos receios de Diniz sobre a estratégia de crescimento do Pão de Açúcar, o Casino, toda vez que se manifesta publicamente, elogia a gestão realizada até agora pelos executivos da companhia. "Não há nenhuma razão para Naouri tirar o Enéas Pestana da presidência do Pão de Açúcar", diz uma fonte ligada ao empresário francês. "O plano que será tocado é o mesmo aprovado no ano passado e que contempla o período de 2012 a 2014."
O combinado é investir R$ 1,8 bilhão neste ano. Na área alimentar, o objetivo é abrir até 80 lojas. Na Viavarejo, a estimativa é de 60 novos pontos de venda. O faturamento bruto deve atingir R$ 57,2 bilhões, alta de quase 9%. "O Brasil é muito importante para o Casino", afirma essa fonte. "Naouri não fará nada para prejudicar o crescimento." É fácil comprovar a importância do Brasil para o Casino, que faturou € 34,3 bilhões em 2011. As vendas na França são responsáveis por 55% do desempenho global. Ao assumir o controle do Pão de Açúcar, Naouri poderá consolidar integralmente o resultado em seu balanço. A operação brasileira passará então a ser ligeiramente superior em receita à da França.
A profissão de fé de Naouri no Brasil, porém, não tem sido suficiente para tranquilizar Diniz. Ele tem dúvidas, muitas dúvidas. A principal delas é qual será o seu papel na nova companhia controlada pelo Casino. Como presidente do conselho do Pão de Açúcar, poderá ajudar a definir a estratégia do grupo, mas estará em minoria. Teme, neste caso, se transformar numa espécie de "rainha da Inglaterra", uma posição que não seria tolerada por um empresário autoconfiante e que acredita que está longe da aposentadoria – aos 75 anos, ele diz estar em plena forma física e intelectual. O empresário Michael Klein, antigo controlador da Casas Bahia, também tem um papel decisivo nessa disputa.
Ele poderá fazer uma oferta pela Viavarejo após 22 de junho. Para isso, teria contratado o Citigroup e a Arion Capital como assessores. "Vamos aguardar a assembleia para definir os rumos dos negócios de minha família", disse Klein à DINHEIRO. Quanto a Diniz , a transferência de controle ao Casino não significa que as negociações para sua saída estejam encerradas. "Nunca trabalhamos com a faca no pescoço em razão de 22 de junho", diz uma fonte. Uma coisa, no entanto, já está definida. Como tem feito nos últimos 30 anos, quando assumiu uma posição de liderança no Pão de Açúcar, ele pretende acordar cedo, fazer exercícios e ir até a sede da empresa, onde ocupa uma mesa em uma sala sem divisórias, em que está localizada toda a diretoria executiva da rede varejista.
----------------
|
sexta-feira, julho 22, 2011
OPINIÃO: INDIGNAÇÃO SEM AÇÃO, É LETRA MORTA !
Em torno da indignação
Muitas pessoas afirmam que a corrupção chegou a níveis intoleráveis. E algumas, como Juan Arias, editor do El País, perguntam por que os brasileiros não se indignam. Em vez de buscar as causas sociológicas e econômicas, tão debatidas nos artigos sobre o tema, procuro utilizar também a memória.
Os governos Juscelino Kubitschek e João Goulart eram acusados de corrupção. É possível até dizer que os oficiais da Aeronáutica que promoveram a Revolta de Aragarças achavam a corrupção intolerável e não entendiam por que os brasileiros não se indignavam. No período Goulart havia uma forte ligação entre sindicatos e governos. Movimentos independentes no setor só surgiram no fim da década de 1960, com as greves de Osasco e Contagem. Na época anterior à ditadura, como agora, as denúncias de corrupção parecem ser apenas um contraponto oposicionista e figuram como um episódio lateral ao impulso desenvolvimentista de JK ou ao projeto de reformas de base de Goulart.
O pensamento da esquerda no poder é semelhante. Para ela, a floresta é o desenvolvimento com distribuição de renda. A corrupção é apenas uma árvore torta que insistimos em denunciar. Nesse quadro, a História do Brasil contemporâneo seria circular, com as realizações se desdobrando e algumas forças, à margem, gritando contra a corrupção.
Muita coisa mudou. O projeto de desenvolvimento recheado de corrupção não é sustentável. Novos e poderosos instrumentos estão à disposição de brasileiros muito mais bem informados que no passado. Nem sempre é preciso ir às ruas: 50 pessoas em Nova Friburgo conseguiram se organizar para pressionar a Câmara por uma CPI independente. O governo tinha maioria, mas elas venceram. Minúscula exceção, numa cidade atingida pela tragédia.
Mas a verdade é que em outros campos há também resistência. É o caso da resistência contra o mais importante ator econômico do momento: a associação do governo com alguns empresários, fundos de pensão e o BNDES. Esse grande ator é percebido de forma fragmentária. Ora se esforçando para tornar viável a usina de Belo Monte, ora no varejo tentando fundir Pão de Açúcar e Carrefour, ora sendo rejeitado no seu progressismo ingênuo, como no projeto do trem-bala. Sua ação articulada nem sempre é percebida como a de um novo ator. Exceto pelos vizinhos latino-americanos, que o consideram - a julgar pelo seminário internacional realizado no iFHC - um elemento singular do capitalismo brasileiro. Apoiadas no BNDES, as empresas brasileiras tornam-se mais competitivas no exterior. Mas trazem a desconfiança como um efeito colateral.
Cheguei, num certo momento, a comparar Lula-Dilma com Putin-Medvedev. E o capitalismo dirigido pelo Estado como fator que aproximava as experiências de Brasil e Rússia. Mas o desenrolar da crise de 2008 foi diferente para os dois. A Rússia sofreu mais que o Brasil e a interpretou como sinal para modernizar algumas áreas, privatizando-as. O Brasil, como uma oportunidade para ampliar o papel do Estado.
Pode-se compreender a demanda de indignação. Mas o sistema político está dominado, há um ator econômico poderoso e o governo emergiu vitorioso das eleições. Não há desemprego de 40% entre os jovens, como na Espanha. Ainda assim, houve indignação em Teresópolis, revelada em inúmeras manifestações. O movimento esbarrou no próprio processo político, pois conseguiu uma CPI e ela foi controlada pelo governo. O que as pessoas decidiram? Continuar manifestando indignação ou voltar à carga no momento eleitoral, quando o sistema fica mais vulnerável? Optaram pela última alternativa. Na Espanha foi a proximidade das eleições que permitiu o avanço dos indignados, mesmo sem a pretensão de disputar cargos.
Parte dos brasileiros acha que a corrupção é um preço que se paga ao desenvolvimento. Um setor da esquerda não somente acha isso, como confere uma qualidade especial ao desvio de dinheiro para causas políticas: os fins justificando os meios. Não se pode esquecer que 45 milhões votaram na oposição depois de oito anos do mesmo governo. Não eram da UNE nem da CUT.
A corrupção no Ministério dos Transportes é bastante antiga. Às vezes ele muda de mãos, passa de um partido a outro. Para os que conhecem o processo político brasileiro, a notícia não foi surpresa. As denúncias de corrupção sucedem-se diariamente e não se resolvem dentro dos canais parlamentares. Se os eleitores se indignarem, ostensivamente, podem se transformar numa indignação ambulante. As próprias pessoas que pedem hoje que se indignem vão achá-las monótonas e repetitivas. Para que os que têm o potencial de se indignar, coloca-se a questão da oportunidade exata, do preciso emprego da energia. Navega-se num sistema político cada vez mais distante, tripulado por um gigantesco ator econômico e um crescimento com viés inclusivo. Quando o adversário é ao mesmo tempo indiferente, opaco e poderoso, a indignação social tem hora.
É um problema deixar de se indignar com uma corrupção que mata, como na saúde e nos transportes, e aniquila sonhos, como na educação. Mas também é um problema indignar-se e voltar para casa de mãos vazias.
A indignação na Espanha ocorreu num momento em que poderia crescer. Ainda assim, como não se voltou para a ocupação de espaço institucional na política, seus resultados estão em aberto. O caso de Teresópolis mostrou que sem uma contrapartida institucional as melhores aspirações se afogam no pântano do próprio sistema político. O que torna a questão mais complicada do que pura e simplesmente se indignar às vésperas das eleições. É necessário vencê-las ou, no mínimo, eleger uma oposição de verdade.
A pergunta de Juan Arias é legítima. Mas seria ilusório pensar numa resposta simples, como se houvesse no enigma uma espécie de bala de prata, uma descoberta que pusesse a indignação em movimento. Em processos complicados, uma das respostas mais sábias é a do comercial de televisão: Keep walking.
terça-feira, julho 19, 2011
sexta-feira, julho 01, 2011
O envolvimento do BNDES em um negócio duvidoso
| Valor Econômico - 01/07/2011 |
A participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na mais recente tacada do empresário Abílio Diniz é injustificável. Depois de negar durante várias semanas, Abílio Diniz teve de revelar finalmente que estava negociando a fusão da rede de supermercados Pão de Açúcar com a filial brasileira do grupo francês Carrefour. A megafusão só pode se concretizar com a participação financeira do BNDES, que prometeu entrar com € 2 bilhões no negócio por meio da BNDES Participações (BNDESPar), o seu braço de participações acionárias. Não haverá financiamento a juros subsidiados. Se o negócio for concretizado, o BNDES vai ter 18% da nova empresa e vai entrar no ramo de venda de frutas e verduras. O governo, por meio do BNDES, pode e deve apoiar a capitalização das empresas, quando isso for justificável, o que não parece ser o caso da criação do Novo Pão de Açúcar (NPA). Em primeiro lugar porque a operação irá capitalizar uma empresa estrangeira, o Carrefour, em dificuldades, é verdade, mas que tem capacidade de obter recursos no mercado internacional. A BNDESPar participa do capital de cerca de 150 empresas, totalizando R$ 90 bilhões, mas elas são eminentemente de capital nacional. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, defendeu a participação do BNDES no negócio atacando os bancos brasileiros. "Tudo seria resolvido se o setor financeiro privado do Brasil fizesse o papel dele, que é financiar o capital brasileiro. Como ele não faz isso, o BNDES tem de atuar", afirmou. A crítica não se justifica porque está na operação o banco brasileiro BTG Pactual, que se juntou às discussões há pelo menos um mês e deverá entrar com cerca de R$ 700 milhões, que lhe garantirá 3,2% do capital do NPA, além de acenar com mais R$ 1,1 bilhão em crédito. Outro motivo que põe em dúvida a operação é a reação contrária do Casino, o que significa uma incerteza jurídica. Sócio do Pão de Açúcar desde 1999, o grupo francês Casino aumentou sua participação em 2005, quando selou um acordo de acionistas que lhe garantiu a possibilidade de exercer uma opção de compra que lhe daria o controle do negócio brasileiro em 2012. Se Diniz for bem-sucedido, além de não obter o controle, seu sócio francês será diluído. O Casino não deve jogar a toalha facilmente e até já contratou o advogado criminalista José Carlos Dias para reforçar o batalhão de especialistas jurídicos que duelam no caso, desde que os franceses descobriram a "traição", há cerca de um mês, e entraram na Justiça com um pedido de arbitragem. Os argumentos apresentados pelo BNDES para entrar no negócio não são sustentáveis. A operação não cria uma multinacional verde-amarela, como argumentam os formuladores da operação. O controlador de fato do novo negócio será o Carrefour francês, embora a proposta preveja que a administração das duas redes de supermercados no Brasil ficará a cargo de pessoas indicadas pelo Novo Pão de Açúcar, a empresa que terá como principais acionistas Casino, BNDES, Abilio Diniz e BTG Pactual. As regras contábeis internacionais IFRS, usadas na Europa e no Brasil, determinam que uma empresa só pode consolidar os números de uma aquisição se controlar, de fato, a empresa. Na prática, o Carrefour francês deverá controlar o Pão de Açúcar, que, por sua vez, terá o Carrefour Brasil como subsidiária integral. Possivelmente o principal motivo para o BNDES não apoiar essa operação é a concentração de mercado que ela proporcionará, com impacto negativo sobre a cadeia de fornecedores e consumidores e sobre a competição, sempre necessária no combate à inflação. Se o negócio se concretizar, o Pão de Açúcar vai dominar 32,2% das vendas do mercado brasileiro de varejo, com ampla distância em relação ao segundo colocado, o Walmart, que tem 11,1% do mercado. Os demais participantes ficariam com 56,7%. Ao defender a fusão, os envolvidos argumentam que, em outros países, a concentração também é grande. Nos Estados Unidos, por exemplo, o Walmart tem 32% do mercado; na França, o Carrefour domina 26%. Nada recomenda, porém, que se reproduzam no Brasil os mesmos índices, que aliás serão muito maiores em alguns Estados. Quanto maior for a concorrência no varejo, melhor para um país cujo histórico de hiperinflação exige extremo cuidado com essa matéria. |
ABILIO DINIZ/PÃO DE AÇÚCAR/BNDES [iN:] "COM AÇÚCAR E COM AFETO..."
Diniz declara guerra ao Casino
| Diniz está entre grandes importadores, mas não entre maiores exportadores |
Autor(es): agência o globo: Marta Beck, Fabiana Ribeiro e Henrique Gomes Batista |
| O Globo - 01/07/2011 |
BRIGA DE GIGANTES: Com Casino, redes nacionais, como Sendas, foram compradas Números do Pão de Açúcar não confirmam a tese de desnacionalização RIO e BRASÍLIA. O argumento de que o apoio do BNDES à fusão entre Carrefour e Pão de Açúcar seria uma forma de evitar uma desnacionalização da empresa brasileira e do setor supermercadista não convenceu especialistas. Até porque os números de importação e exportação da rede não corroboram a tese do empresário Abilio Diniz e do governo. Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que, em 2009, o Grupo Pão de Açúcar importou US$150 milhões, valor que subiu para US$236 milhões em 2010 - alta de 57,3%. Já na lista dos 250 maiores exportadores - considerando que o último do grupo exportou US$100 milhões no ano passado - não há referência à empresa. Para o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, o argumento é infundado. Ele destaca que o Grupo Pão de Açúcar está entre os 250 maiores importadores do país, mas não faz parte da lista dos maiores exportadores. - O Pão de Açúcar importa muito mais do que exporta. E a fusão tende a aumentar essa diferença. O Carrefour não vai aumentar as vendas da nova companhia. É muito mais provável que importe mais para atender à demanda do mercado brasileiro - disse Castro, acrescentando que outro elemento contra a fusão recai sobre o mercado de trabalho. - O BNDES deveria estar dando dinheiro a quem gera emprego e renda no Brasil. "Uma invasão de produtos do Casino no Pão de Açúcar" Nas lojas do Pão de Açúcar, o Casino é, sem dúvida, marca de destaque. Em algumas lojas, como a do Flamengo, biscoitos Casino - a R$9,90 - estão expostos logo na entrada. Na loja, havia quatro marcas de lata de milho, sendo uma delas a Casino, vendida, em promoção, por R$4,49. A barra de chocolate da rede francesa está, em oferta, por R$4,99 - mais barata do que uma similar da Lacta, por R$6,59. Já a embalagem com duas caixas de biscoito Palmiers do Casino era vendida por R$7,90. Apenas uma caixinha da argentina Hojalbre estava saindo por R$4,35. Destaques ainda nas geleias, massas de tomate, macarrão, molhos, azeites e vinagres. Já no site da empresa, o prestígio do Casino continua: a marca, numa lista de categorias do delivery, é a primeira, à frente das marcas próprias do Grupo e de seções como mercearia ou carnes. Na avaliação de Sérgio Lazzarini, professor do Insper, a operação não garante totalmente que as redes de supermercado ficarão sob o controle nacional. - Isso (o argumento da desnacionalização) é uma desculpa para viabilizar esta operação com dinheiro público. Isso quase não importa. A concentração é muito mais importante que a nacionalidade das redes. Os supermercados podem ser de outros países e contribuírem para a concorrência que beneficia consumidor e fornecedores - afirmou Lazzarini. - O desenho me parece algo como a fusão da Ambev com a Interbrew, onde os belgas não têm o controle total, onde há uma gestão brasileira. José Ricardo Scaroni, da ESPM-Rio, alerta que, além de antiquada, o argumento de que a operação evita a desnacionalização é falso: - O Pão de Açúcar está trocando de sócio francês. Mas o fato é que continuarão sócios, com metade do negócio. Ele afirmou que, Abilio Diniz que agora defende o varejo nacional foi quem se associou com o Casino em 1999. A empresa, quando fez isso não estava mal, mas queria adquirir o conhecimento da rede francesa. Depois, comprou importantes redes 100% nacionais - como Sendas, Sé, ABC, Ponto Frio e Casas Bahia - que ficaram sob a participação do sócio francês. O professor lembra ainda que os outros argumentos apresentados em favor da fusão também são fracos, como aumento de investimentos e empregos - quando a lógica da sinergia indica o contrário - e aumento da participação de produtos nacionais em lojas europeias. - O que vemos, isso sim, foi uma invasão de produtos do Casino no Pão de Açúcar. |
quinta-feira, junho 30, 2011
FUSÃO PÃO DE AÇÚCAR/CARREFOUR [In:] PÃO-DE-LÓ
GOVERNO DÁ SINAL VERDE À OPERAÇÃO DINIZ-CARREFOUR
| CASINO COMPRA O PÃO DE AÇUCAR |
Autor(es): Graziella Valenti, Fernando Torres, Daniele Madureira e Denise Carvalho | De São Paulo |
| Valor Econômico - 30/06/2011 |
Setores do governo deram sinais favoráveis à fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil, com apoio de R$ 3,9 bilhões do BNDES. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, disse que a operação é estratégica para o país pela possibilidade de ampliar o mercado internacional para produtos nacionais. A presidente Dilma Rousseff foi informada previamente da operação. Segundo fontes do Palácio do Planalto, pediu "cautela", mas não se opôs ao envolvimento do BNDES no negócio. O banco deve participar por meio do BNDESPar, seu braço de participações acionárias. Dessa forma, não haveria empréstimo subsidiado. O governo compara a união das duas redes de supermercados com aquela que resultou na criação da Inbev. Na fusão da brasileira Ambev com a belga Interbrew, em 2004, a gestão da multinacional passou a ser feita por executivos brasileiros. Segundo informações que chegaram ao Planalto, o mesmo poderia ocorrer com a união entre Pão de Açúcar e Carrefour. O governo considera que o grau de concentração resultante da fusão - estimado em 32,2% - seria normal. Nos EUA, o Walmart também detém 32% do mercado e, na França, o Carrefour tem 26%. Numa avaliação preliminar, não haveria superposição de lojas, mas complementaridade. O governo acredita que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deverá aprovar a operação, mas poderá exigir a venda de alguns supermercados. O anúncio da possível fusão provocou forte valorização das ações do Pão de Açúcar. Em dois dias, as ações PN, sem direito a voto, tiveram alta de 9,18%. No mês, até ontem, a valorização é de 12,32%, ante uma queda de 3,54% do Ibovespa. As ações da varejista bateram recorde de negociação e giraram quase R$ 1,7 bilhão, quatro vezes o movimento da Vale e cinco vezes o da Petrobras. No entanto, em vez de representar um aval dos investidores, comemorando a potencial transação, a grande demanda vinha do próprio Casino, sócio e atual rival de Abílio Diniz pelo controle do Pão de Açúcar. O Casino informou ontem à noite que nos últimos dias comprou mais 6% do capital da empresa em bolsa. Com isso, sua fatia na companhia subiu de 37% para 43%, num investimento de R$ 1,1 bilhão. Por isso, analistas recomendam cautela aos investidores, porque o Casino tem poder para vetar a operação. Sócio de Abilio Diniz investe R$ 2 bilhões e adquire na bolsa mais 10% do varejista brasileiro, nas últimas duas semanas.
No dia seguinte ao anúncio da proposta de combinação de Pão de Açúcar e Carrefour, as ações da varejista brasileira baterem recorde absoluto de volume negociado. Giraram quase R$ 1,7 bilhão, quatro vezes o movimento da Vale e cinco vezes o da Petrobras. Foi nada menos do que 25% do total negociado na BM&FBovespa ontem, ou o equivalente a 9,2% de todo o valor de mercado da companhia. Mas, no lugar de ser um aval dos investidores comemorando a potencial transação, a grande demanda veio do Casino, sócio e atual rival de Abilio Diniz no controle do Pão de Açúcar. Ontem à noite, a rede francesa informou ao Pão de Açúcar que comprou mais 6% do capital da empresa em bolsa, em ações preferenciais, nos últimos dias. Com isso, sua fatia na companhia subiu de 37% para 43%. Trata-se de um investimento de R$ 1,1 bilhão. Independentemente do que decidirá sobre a proposta de combinação com o Carrefour, o Casino está se preparando para a guerra, embora o discurso é de que tais aquisições - é o segundo grande investimento em bolsa, o outro foi de 3,7% do capital, com gasto da ordem de R$ 800 milhões - visam apenas comprovar seu comprometimento com o Pão de Açúcar e com o Brasil e o reforço de sua posição de controlador. Juntos, os dois movimentos elevaram a participação do Casino nas últimas duas semanas em 10%, aproximadamente, com um desembolso de quase R$ 2 bilhões. Com eles, a fatia do Casino no Novo Pão de Açúcar (NPA) - holding que dividiria o controle do Pão de Açúcar mais o Carrefour Brasil, com o Carrefour França - está perto de se igualar ao que teriam juntos Abilio Diniz, BNDES e BTG Pactual. Antes dessa aquisição, o Casino seria diluído de 37% para 29,8% com a operação sugerida. Agora, sua fatia ficaria em 34,4% - os demais sócios, sem contar o mercado, somariam 38%. Durante o dia, ainda sem a confirmação do Casino, o mercado já dava como certo que a empresa era o comprador, por conta do grande volume de ontem. Além disso, os investidores destacavam que não havia motivo para comprar as ações ao preço atual, uma vez que ainda existe um risco expressivo de a operação não se concretizar - já que a palavra final é do Casino. Até o começo da tarde, quando houve a maior concentração das compras, as ações do Pão de Açúcar chegaram a registrar forte alta novamente: a máxima mostrava valorização de 12%, repetindo o movimento de terça-feira. Mas os papéis fecharam o dia em baixa de 3,07%. Na guerra para a qual o Casino estaria se preparando, ele poderia utilizar as ações preferenciais que possui para votar contra a proposta de conversão em ordinárias. A unificação das espécies de ações seria o primeiro passo da proposta de combinação com o Carrefour. Por conta de uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), baseada na Lei das Sociedades por Ações, os ordinaristas não podem votar na assembleia que aprovar a conversão das preferenciais porque têm um prêmio na conversão dos papéis. Cada preferencial receberia 0,95 ordinária. Mas Abilio Diniz também estaria pensando em revidar. Os advogados que assessoram o empresário - do escritório Mattos Filho e Barbosa, Müssnich & Aragão - estudam a possibilidade de fazer uma consulta na CVM justamente para questionar se acionistas preferencialistas, também detentores de ações ordinárias, poderiam votar na assembleia geral que decidirá se aprova a integração das operações do Pão de Açúcar com o Carrefour. O objetivo de Diniz seria levantar a discussão para que o colegiado da CVM avalie que o Casino e o Pão de Açúcar devem ser impedidos de votar, independentemente da classe de ação que possuem, pelo conflito de interesse. No mercado, também circulavam outros exercícios sobre os motivos do Casino de fazer essas compras. Entre eles estaria demonstrar sua capacidade financeira própria, sem a necessidade de um financiador. A configuração final da proposta de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour nasceu a partir da entrada do BTG no negócio, que aconteceu por volta do dia 10 de junho. Foi a partir daí que se desenhou a criação do Novo Pão de Açúcar (NPA) com uma classe apenas de ações, capital inicial de € 2 bilhões (de BNDESPar e BTG) e € 500 milhões em dívida, captados pelo banco de André Esteves. Se o Casino aprovar o negócio, o acordo da Wilkes deixaria de existir. Seria feito um novo acordo entre NPA e Carrefour França. O Casino passa a ser o maior acionista individual na NPA, com 29,8%, mas terá que respeitar a governança da nova empresa. Ou seja, se submeter a um acordo prévio desenhado por Abilio Diniz, atual presidente do conselho do Pão de Açúcar, e o Carrefour mundial. O NPA terá um novo CNPJ (o da Gama, sociedade para fins específicos criada pelo BTG), mas não vai para o Novo Mercado. A intenção é adotar partes do Novo Mercado - tag along de 100%, uma classe só de ações. A empresa não iria para o Novo Mercado porque não quer sofrer as restrições desse ambiente de negócios. Como, por exemplo, a exigência de laudo de três bancos diferentes para aprovar algumas operações. Isso tornaria a empresa mais "engessada". Além disso, cada acionista tem direito a um voto (independentemente da quantidade de ações). O BNDESPar, por exemplo, tem 18% da empresa, mas vota com 15% (limite para todos os acionistas). No Carrefour França, que também é listado em bolsa, o NPA será o segundo maior acionista, após a Blue Capital. É por conta da negociação com a Blue Capital, iniciada em fevereiro, que o NPA terá o direito de indicar dois conselheiros para o Carrefour. A partir de 2013, o NPA indicaria três conselheiros. O conselho do Carrefour se baseia no trabalho de quatro comitês de estudo para tomar suas principais decisões. São quatro comitês, dos quais participam alguns membros da gestão e do conselho: de estratégia, de nomeação, de remuneração e de auditoria. Está acordado que o NPA vai dirigir o comitê de estratégia. Além disso, participaria dos outros três. Com isso, o NPA ganharia poder nas tomadas de decisão do Carrefour. Mas o contrário não aconteceria - pelo menos, não na mesma proporção. É o NPA quem daria as cartas na gestão da mega varejista criada a partir da união de Pão de Açúcar e Carrefour Brasil. A ideia é tornar a administração da empresa no país mais eficiente, dizem fontes que acompanham o negócio. A administração executiva da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), que pretende incorporar o Carrefour Brasil, seria indicada pela NPA. O único cargo a ser indicado diretamente pelo Carrefour seria o de diretor financeiro. O presidente do conselho seria Abilio Diniz, enquanto o Carrefour daria o nome do vice-presidente do conselho de administração. O Carrefour indicaria ainda um membro para um comitê financeiro a ser criado no CBD. Sob a responsabilidade desse comitê, está a avaliação e aprovação do plano de negócios, apresentado pelo presidente executivo e diretores, o orçamento anual, além de questões relevantes como fusões e aquisições e outros grandes investimentos. |
quarta-feira, junho 29, 2011
MERCADOS [In:] PÃO-DE-LÓ
DINIZ BUSCA R$ 3,9 BI NO BNDES PARA MEGAFUSÃO COM CARREFOUR
| COM APOIO DO BNDES, DINIZ AFAGA CARREFOUR |
Autor(es): Graziella Valenti | De São Paulo |
| Valor Econômico - 29/06/2011 |
Em mais uma manobra surpreendente, o empresário Abílio Diniz fez uma proposta de união do Pão de Açúcar com a filial do Carrefour no Brasil. A oferta só tem chances de prosperar se o BNDESPar colocar R$ 3,9 bilhões no negócio e se o enfurecido sócio de Diniz, o francês Casino, concordar em perder o direito de controlar o Pão de Açúcar em 2012. Os sócios da varejista brasileira se tornariam o maior acionista individual do Carrefour na França, com no mínimo 11,7% e no máximo 18% do capital. A transação não envolveria dinheiro, só troca de ações
Um grande negócio foi anunciado ontem em São Paulo: a combinação entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil. A operação, contudo, ainda não passa de uma grande ideia, com R$ 5,75 bilhões disponíveis na mesa, oferecidos pela BNDESPar (68%) e pelo BTG Pactual (32%), ainda que o negócio não envolva dinheiro, apenas troca de ações. Por enquanto, trata-se apenas de uma proposta que precisa ser aprovada por todos os envolvidos - Carrefour e seus acionistas e Pão de Açúcar e seus controladores, família Diniz e grupo Casino. A proposta tem validade de 60 dias. Como o negócio foi desenhado por Abilio Diniz e um grupo de acionistas do Carrefour liderado pela Blue Capital, a sua concretização está nas mãos do Casino, que vem publicamente mostrando seu descontentamento pelas negociações há cerca de um mês - tendo, inclusive, iniciado um processo de arbitragem contra Diniz. A operação pretendida colocaria as rivais francesas Carrefour e Casino como acionistas do grupo Pão de Açúcar, junto dos Diniz. Além disso, os atuais acionistas da varejista brasileira se tornariam o maior sócio individual do Carrefour na França, com no mínimo 11,7% e no máximo 18% do capital. O poder de sim ou não está todo com o Casino. O rede que controla o Pão de Açúcar com a família Diniz recebeu a proposta na madrugada de ontem, quase junto com a divulgação ao público, o que mais uma vez deixou-a indignada. Agora, recai sobre o grupo francês a pressão de aceitar ou recusar uma operação capaz de gerar sinergias estimadas de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,8 bilhão e que tem R$ 3,9 bilhões de aval do banco de fomento estatal, o BNDES, em tempos de capital escasso no Hemisfério Norte. No negócio proposto, a BNDESPar se tornaria acionista do que seria o Novo Pão de Açúcar (NPA), com 18%. O BTG colocaria outros R$ 690 milhões e receberia 3,2% das ações. Além do aporte, o banco de investimentos ainda emprestaria R$ 1,15 bilhão à empresa. O argumento para o dinheiro novo é "preparar a empresa para novos desafios". E o apelo político é a criação de um grupo de varejo com atuação nacional e internacional. Ainda que, ao final, os franceses - Carrefour e Casino - devam ficar com 65% do capital da empresa operacional. Há grande expectativa de que o Casino diga não à proposta. Resta saber se as características da operação serão suficientes para seduzir o sócio francês ou se alguns termos poderão ser revisados. |
segunda-feira, julho 05, 2010
FUSÃO [In:] PÃO BAHIANO
Varejo
Pão de Açúcar e Casas Bahia chegam a novo acordo
Novo modelo dará à família Klein, fundadora das Casas Bahia, maior participação na empresa resultante da fusão com o Pão de Açúcar
...
Em dezembro, Abílio Diniz, do Pão de Açúcar, e Michael Klein, das Casas Bahia anunciaram a fusão (Agência Estado)
Pelo novo acorodo, família Klein terá direito a veto nas decisões do grupo que envolvam as Casas Bahia
Após quatro meses de negociações, Pão de Açúcar e Casas Bahia chegaram a um acordo sobre o contrato de fusão das empresas, que corria o risco de ser desfeito. O novo acordo foi assinado por Abílio Diniz, dono do grupo Pão de Açúcar, e Michael Klein, da Casas Bahia, na noite de quinta-feira – e deve ser formalmente anunciado na tarde desta sexta.
A família Klein terá participação maior do que acertada no início do ano e terá direito a veto em decisões do grupo que envolvam as Casas Bahia. Os executivos dos dois grupos convocaram uma teleconferência para as 15 horas desta sexta-feira para dar mais detalhes do acordo. A fusão das empresas, acertada em dezembro do ano passado no valor de 19 bilhões de reais, deu origem à maior rede varejista do Brasil. Em abril deste ano, porém, a Casas Bahia contratou o escritório Pinheiro Neto Advogados para fazer a revisão do contrato por se considerar em desvantagem.
O principal ponto de conflito do negócios era financeiro. De acordo com a edição desta sexta do jornal O Estado de S. Paulo, agora, os ativos foram reavaliados e a rede de Abilio Diniz concordou em fazer uma capitalização adicional entre 600 milhões e 700 milhões de reais na Nova Casas Bahia - empresa resultante da fusão entre Casas Bahia, Extra Eletro e Ponto Frio. O objetivo é ajustar a equivalência patrimonial. O dinheiro vai sair do caixa do Pão de Açúcar para a nova empresa.
Aluguéis das lojas – O novo acordo entre o Pão de Açúcar e a Casas Bahia também prevê que a parcela cindida desta última, a ser incorporada por Nova Casas Bahia, não compreenderá bens imóveis. Com isso, a Casas Bahia alugará para a Nova Casas Bahia imóveis operacionais de sua propriedade. Isso garantirá à família Klein um montante anual de R$ 140 milhões, durante os três primeiros anos de vigência dos contratos de locação. Nesse período, o valor do aluguel será fixo, com correção anual com base na variação positiva do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com nota ao mercado divulgada nesta sexta-feira, a partir do "quarto ano de vigência dos contratos de locação, o valor do aluguel dos imóveis em que estão instaladas as lojas, que corresponde a 50% do valor acima, será o maior valor apurado entre o valor fixo acima corrigido pelo IPCA, e o valor correspondente à aplicação de determinado porcentual sobre o faturamento bruto, porcentual este que variará entre o quarto e o sétimo ano de vigência da locação".
Conforme divulgado anteriormente pelas empresas, será firmado também contrato de fornecimento de móveis entre Globex e Nova Casa Bahia, de um lado, e Bartira Indústria de Móveis Bartira Ltda., de outro, para fornecimento exclusivo de móveis. Esse contrato vigorará pelo prazo de seis anos, a contar da data de sua assinatura. A Nova Casas Bahia, em decorrência da cisão parcial, será titular de 25% do capital social da Bartira Indústria de Móveis Bartira, com o fim exclusivo de resguardar seus direitos no âmbito do contrato de fornecimento de móveis.
(com Agência Estado)
VEJA.
---
quinta-feira, dezembro 10, 2009
FUSÕES E AQUISIÇÕES [In:] CLASSE ''C'' VITAMINADA...
Negócios
Um casamento de 19 bilhões de reais
Pão de Açúcar e Casas Bahia fundem suas operações e dão origem
a um grupo que é cinco vezes maior do que o segundo colocado
na venda de eletrodomésticos no mercado brasileiro
Renata Betti e Benedito Sverberi
| Keiny Andrade/AE |
Namoro secreto |
VEJA TAMBÉM |
| • Quadro: O novo gigantes dos eletrodomésticos |
Um negócio selado na última sexta-feira entre o Pão de Açúcar e as Casas Bahia resultou num gigante do setor de eletroeletrônicos cujas dimensões não têm paralelo com as de nenhuma outra empresa do varejo brasileiro. O segundo colocado do setor, o Magazine Luiza, fatura hoje um quinto daquilo que o novo grupo, segundo projeções, deve atingir: 19 bilhões de reais, o equivalente a 25% do mercado. Desde junho, o Pão de Açúcar já ocupava a vice-liderança do segmento de eletroeletrônicos, posto que conquistara após a aquisição do Ponto Frio. Depois da compra, o grupo passou a atuar com força numa área na qual tinha participação irrelevante, com a bandeira Extra Eletro, e que julgava prioritária. Estava, no entanto, atrás das Casas Bahia, que permaneciam na dianteira havia vinte anos. Com a união, formou-se uma terceira empresa, que manteve o nome Globex, sob o qual já se abrigava a operação do Ponto Frio. A ela, juntam-se agora as cinquenta lojas Extra Eletro (marca que deve desaparecer) mais as 500 das Casas Bahia em onze estados. Para se unirem, tanto o Pão de Açúcar quanto as Casas Bahia transferiram para a nova Globex ativos que, somados, chegam a 2,6 bilhões de reais. Se tudo correr como o previsto, em 120 dias o conglomerado já estará estruturado como reza o contrato: 51% das ações nas mãos do Pão de Açúcar, de Abilio Diniz, e 49% com as Casas Bahia, de Michael Klein. Diz o analista financeiro Cauê Pinheiro: "Essa fusão é decisiva para as duas empresas envolvidas – e pode transformar o setor de eletroeletrônicos no país".
Dois meses atrás, quando o empresário Abilio Diniz, fundador e atual presidente do conselho do Pão de Açúcar, procurou Michael Klein, o dono das Casas Bahia, para propor negócio, sua intenção era justamente firmar uma parceria que o levasse, enfim, ao topo do setor de eletroeletrônicos. O interesse número 1 era ganhar musculatura num mercado em que as margens de lucro chegam a 30%, ao passo que nos supermercados elas não ultrapassam 10%. Abilio queria ainda ter como aliada uma empresa com a qual tinha dificuldade em competir. Nenhuma de suas operações ia tão bem nas classes C, D e E, a especialidade das Casas Bahia desde que sua primeira loja abriu as portas, 57 anos atrás. Admite Enéas Pestana, vice-presidente financeiro do Pão de Açúcar: "Não temos a mesma expertise deles para atrair as classes mais baixas. Por isso, a união nos ajuda". Um ponto fraco do novo grupo continua a ser o Nordeste, onde o líder absoluto no varejo é a rede baiana Insinuante, que consegue atrair a tão almejada classe C. Nos últimos cinco anos, ingressaram nela 26 milhões de brasileiros. Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas, estima-se que a classe C responda por um terço do consumo do país. Em algumas categorias de produtos, como celulares, a porcentagem chega a 70%. As Casas Bahia estão entre as maiores vendedoras desse produto no Brasil.
A empresa de Klein, por sua vez, não passa por um momento fácil. Discordâncias quanto à condução dos negócios levaram, em agosto, à saída de Saul, o irmão de Michael, que comandava a área comercial – e embolsou 4 bilhões de reais ao deixar a sociedade. O faturamento deve ser, em 2009, 1 bilhão de reais menor do que o aferido no ano passado, efeito de uma mudança no país que atinge uma das artérias centrais das Casas Bahia: a concessão de crédito. Até recentemente, o braço financeiro das Casas Bahia era uma das principais fontes de empréstimos para a clientela de baixa renda. Hoje, as fontes de crédito aumentaram. Os bancos já se mostram mais receptivos a esse público. Abriram linhas próprias para atender à classe C ou se associaram a empresas que já tinham um pé nesse segmento. "Nossas margens nesse mercado estão diminuindo", diz o próprio Michael Klein, que, em 2004, se associou ao Bradesco. O empresário, que assumirá o cargo de presidente do conselho da Globex, reconhece que sua empresa tem algo a aprender com o Pão de Açúcar no campo da gestão de negócios: "Ainda estamos muito ligados ao modelo familiar. Eles são mais avançados nessa área".
A união de Pão de Açúcar e Casas Bahia pode, sob alguns aspectos, favorecer os consumidores, segundo sinaliza a experiência de grandes fusões no varejo. Em geral, uma junção entre duas empresas desse porte resulta no aumento da oferta de produtos e na melhoria dos serviços prestados por elas, uma vez que as boas práticas de cada uma tendem a ser preservadas. Os preços, no entanto, perigam subir. Resume a economista Elizabeth Farina, da Universidade de São Paulo: "Sempre que uma empresa domina o mercado, ela ganha poder para determinar os preços de toda a indústria – tanto no lado dos fabricantes como no dos clientes". Uma particularidade do varejo brasileiro como um todo, no entanto, reduz – pelo menos por ora – o poder de pressão do novo gigante. No país, esse ainda é um setor bastante pulverizado. As três empresas na liderança – Pão de Açúcar, Carrefour e Wal-Mart – detêm, juntas, 38% do mercado. Em países da Europa e nos Estados Unidos, a fatia abocanhada pelas três líderes beira os 60%. Essa pulverização no mercado brasileiro está relacionada a questões socioeconômicas. Em lugares de renda mais baixa, a tendência é que as pessoas procurem o comércio vizinho – daí a proliferação de milhares de pequenas lojas. Outra razão remete à própria maturidade do setor. No mercado americano, fusões e aquisições vêm ocorrendo há mais de uma década. No Brasil, esse processo de consolidação teve início há cinco anos.
| Xando Pereira |
Todos querem a classe C |
Com reportagem de Luís Guilherme Barrucho.
-------------
http://veja.abril.com.br/091209/casamento-de-19-bilhoes-reais-p-138.shtml
-------------








