PENSAR "GRANDE":

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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

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quarta-feira, julho 31, 2013

UM CABRAL SEM CARAVELAS (CEDAE, cedeu...)

31/07/2013
Enchente estatal: Adutora rompe, mata criança, destrói casas e inunda bairro

Jato d´água de 20 metros de altura deixa rastro de destruição em três quarteirões de Campo Grande.
Moradores contam que tubulação da Cedae apresentava rachaduras e sofreu reparos recentemente. Empresa nega, mas hipótese é investigada pela polícia, que suspeita também de terraplenagem.
O rompimento de uma adutora da Cedae matou uma menina de 3 anos e deixou um rastro de destruição, ontem, em Campo Grande, na Zona Oeste. O jato d"água, que atingiu 20 metros de altura, inundou três quarteirões, destruiu 17 casas, invadiu outras 200, arrastou carros e deixou 16 feridos. Bombeiros usaram botes para resgatar as vítimas, levadas para hotéis da região. Moradores dizem que a tubulação apresentava rachaduras e que, recentemente, funcionários da Cedae fizeram reparos na adutora. A companhia desmente. A polícia, porém, suspeita que o acidente seja resultado de um conserto malfeito ou de terraplenagem. Ao visitar o local, ao lado do prefeito Eduardo Paes, o governador Sérgio Cabral foi hostilizado por um grupo de moradores

Enxurrada de destruição

Rompimento em adutora da Cedae mata criança, deixa 16 feridos e inunda 200 casas
Célia Costa
Rafael Galdo

Rastro de destruição. 
A força da água foi tanta, arrastando lixo e entulho, que derrubou quase todas as paredes da casa. A Cedae prometeu reconstruir os imóveis e comprar novos equipamentos para quem perdeu tudo
Jorro. O jato d"água, que chegou a três metros, inundou dez casas em segundos.

Cenário de guerra. Levado pela enxurrada, um carro terminou virado de cabeça para baixo.

Problemas em rede
Com várias escoriações pelo corpo e sem saber ainda como estavam a mulher, a enteada e o cunhado, o mecânico Agilson da Silva Serpa, de 42 anos, era só desolação depois de ter sido resgatado por bombeiros num bote inflável, ontem de manhã. Sua casa, que consumiu anos de trabalho para ser erguida, foi um das 17 totalmente destruídas pela enxurrada provocada pelo rompimento de uma adutora da Cedae no Bairro Mendanha, em Campo Grande. O jato d"água que atingiu 20 metros de altura, além de pôr as construções abaixo, arrastou carros e móveis, inundou cerca de 200 casas em seis ruas, feriu 16 pessoas e, o mais grave, matou a menina Isabela Severo dos Santos, de 3 anos, que ficou submersa, presa nos escombros de um muro que desabou.

- A força da água era tanta que arrancou o telhado da minha casa, destruiu as paredes e jogou as quatro pessoas que estavam em casa no meio da rua - contou o mecânico.

"O ALAGAMENTO FOI SÚBITO"

O acidente aconteceu pouco antes das 6h, quando muitos moradores ainda dormiam ou se preparavam para sair de casa. Rapidamente, a água tomou trechos das estradas do Mendanha e do Encanamento, além das ruas Votorantim, Projetada A, B e D, todas próximas à Avenida Brasil. As casas destruídas estavam todas na linha de projeção do jato d"água, em dois quarteirões. Quando os bombeiros chegaram, a água já ultrapassava um metro de altura em alguns pontos.

- Havia um pânico generalizado. Diferentemente de um alagamento provocado por uma chuva forte, em que a água sobe gradativamente, aqui o alagamento foi súbito. De pronto, cerca de dez casas já tinham sido destruídas - afirmou o comandante do Corpo dos Bombeiros, coronel Sérgio Simões, ressaltando que foi necessário usar 12 botes e barcos de alumínio nos resgates, que contaram com 90 homens.
Ao todo, 230 pessoas ficaram desabrigadas, e outras 70, desalojadas. Até o início da noite, 86 famílias haviam sido cadastradas para receber alojamento, mas só 17 aceitaram ir para hotéis na região central de Campo Grande, com as despesas pagas pela Cedae. A maioria preferiu se hospedar em casa de parentes. Segundo Jorge Briard, diretor de operações da Cedae, o rompimento não resultou de falta de manutenção. As causas, explicou, ainda estão sendo apuradas.

Governador é hostilizado

Segundo explicou a empresa, a adutora Henrique Novaes é formada por duas linhas de tubulações paralelas na Estrada do Encanamento, uma das quais se rompeu. Cada uma delas, localizadas dois metros abaixo da superfície, tem 1,75 metro de diâmetro e vazão de 3 mil litros por segundo (no total, são 6 mil litros por segundo). Com cerca de 60 anos e parte do sistema do Guandu, a adutora abastece toda a região do Jabour, Mendanha, Lameirão, além de parte dos bairros de Santa Cruz, Campo Grande, Santíssimo, Bangu, Padre Miguel e Realengo. Após o vazamento, técnicos desligaram o registro que abastece a tubulação, desviando a água para outras linhas. Mas, de acordo com a Cedae, em partes do Mendanha, de Bangu e de Santíssimo poderão ser sentidos os efeitos da redução do fornecimento.

Ontem de manhã, ainda com as ruas alagadas, cerca de quatro horas depois do rompimento, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes foram ao local, onde falaram com a imprensa. Cabral, que foi informar que o estado daria assistência às famílias afetadas, foi hostilizado pelos moradores, que o vaiaram e o chamaram de "covarde". A entrevista aconteceu na Escola Municipal Casimiro de Abreu, na área atingida, porque a assessoria do governador queria evitar o contato com um grupo que protestava no trecho da Estrada do Mendanha onde fora montada uma base dos bombeiros. Alguns carregavam um cartaz que dizia "Fora, Cabral". A van que transportava a comitiva com as autoridades foi cercada pela população, que exigia que o governador abrisse os vidros. Houve um momento de tensão, mas o carro conseguiu avançar.

Segundo Cabral, os desabrigados ficarão em hotéis custeados pela Cedae o tempo que for necessário para a reconstrução das casas. 

E disse que a causa do rompimento seria apurada não só pela Cedae, mas por peritos externos.

- Essas famílias viveram momentos de terror. Viemos prestar solidariedade. Ouvi o relato do primo da menina Isabela sobre o desespero da família na tentativa de salvar a criança. Não há perda material que se compare à perda de uma criança. Não podemos deixar de dar uma atenção especial a essa família - disse o governador.

Já a Cedae deslocou seus assistentes sociais e psicólogos para o Hospital Rocha Faria, onde nove das vítimas foram atendidas. Funcionários da assessoria de segurança patrimonial também foram ao local para levantar os prejuízos. A companhia pediu que os moradores não se desfizessem dos bens danificados, para facilitar esse levantamento das perdas. Após a conclusão do inventário, as pessoas irão com funcionários da Cedae a lojas para escolher novos móveis e eletrodomésticos, a serem pagos pela companhia, que também prometeu reconstruir as casas destruídas. Terão muito trabalho. Quando a água abaixou, era grande o rastro de destruição. De uma das casas, sobrou apenas o piso. As ruas ficaram tomadas de entulho e móveis. A força da água foi tão grande que deixou um carro de cabeça para baixo.


adicionada no sistema em: 31/07/2013 04:14

sexta-feira, julho 22, 2011

OPINIÃO: INDIGNAÇÃO SEM AÇÃO, É LETRA MORTA !

Em torno da indignação

22 de julho de 2011 | 0h 00



Fernando Gabeira - O Estado de S.Paulo



Muitas pessoas afirmam que a corrupção chegou a níveis intoleráveis. E algumas, como Juan Arias, editor do El País, perguntam por que os brasileiros não se indignam. Em vez de buscar as causas sociológicas e econômicas, tão debatidas nos artigos sobre o tema, procuro utilizar também a memória.

Os governos Juscelino Kubitschek e João Goulart eram acusados de corrupção. É possível até dizer que os oficiais da Aeronáutica que promoveram a Revolta de Aragarças achavam a corrupção intolerável e não entendiam por que os brasileiros não se indignavam. No período Goulart havia uma forte ligação entre sindicatos e governos. Movimentos independentes no setor só surgiram no fim da década de 1960, com as greves de Osasco e Contagem. Na época anterior à ditadura, como agora, as denúncias de corrupção parecem ser apenas um contraponto oposicionista e figuram como um episódio lateral ao impulso desenvolvimentista de JK ou ao projeto de reformas de base de Goulart.

O pensamento da esquerda no poder é semelhante. Para ela, a floresta é o desenvolvimento com distribuição de renda. A corrupção é apenas uma árvore torta que insistimos em denunciar. Nesse quadro, a História do Brasil contemporâneo seria circular, com as realizações se desdobrando e algumas forças, à margem, gritando contra a corrupção.

Muita coisa mudou. O projeto de desenvolvimento recheado de corrupção não é sustentável. Novos e poderosos instrumentos estão à disposição de brasileiros muito mais bem informados que no passado. Nem sempre é preciso ir às ruas: 50 pessoas em Nova Friburgo conseguiram se organizar para pressionar a Câmara por uma CPI independente. O governo tinha maioria, mas elas venceram. Minúscula exceção, numa cidade atingida pela tragédia.

Mas a verdade é que em outros campos há também resistência. É o caso da resistência contra o mais importante ator econômico do momento: a associação do governo com alguns empresários, fundos de pensão e o BNDES. Esse grande ator é percebido de forma fragmentária. Ora se esforçando para tornar viável a usina de Belo Monte, ora no varejo tentando fundir Pão de Açúcar e Carrefour, ora sendo rejeitado no seu progressismo ingênuo, como no projeto do trem-bala. Sua ação articulada nem sempre é percebida como a de um novo ator. Exceto pelos vizinhos latino-americanos, que o consideram - a julgar pelo seminário internacional realizado no iFHC - um elemento singular do capitalismo brasileiro. Apoiadas no BNDES, as empresas brasileiras tornam-se mais competitivas no exterior. Mas trazem a desconfiança como um efeito colateral.

Cheguei, num certo momento, a comparar Lula-Dilma com Putin-Medvedev. E o capitalismo dirigido pelo Estado como fator que aproximava as experiências de Brasil e Rússia. Mas o desenrolar da crise de 2008 foi diferente para os dois. A Rússia sofreu mais que o Brasil e a interpretou como sinal para modernizar algumas áreas, privatizando-as. O Brasil, como uma oportunidade para ampliar o papel do Estado.

Pode-se compreender a demanda de indignação. Mas o sistema político está dominado, há um ator econômico poderoso e o governo emergiu vitorioso das eleições. Não há desemprego de 40% entre os jovens, como na Espanha. Ainda assim, houve indignação em Teresópolis, revelada em inúmeras manifestações. O movimento esbarrou no próprio processo político, pois conseguiu uma CPI e ela foi controlada pelo governo. O que as pessoas decidiram? Continuar manifestando indignação ou voltar à carga no momento eleitoral, quando o sistema fica mais vulnerável? Optaram pela última alternativa. Na Espanha foi a proximidade das eleições que permitiu o avanço dos indignados, mesmo sem a pretensão de disputar cargos.

Parte dos brasileiros acha que a corrupção é um preço que se paga ao desenvolvimento. Um setor da esquerda não somente acha isso, como confere uma qualidade especial ao desvio de dinheiro para causas políticas: os fins justificando os meios. Não se pode esquecer que 45 milhões votaram na oposição depois de oito anos do mesmo governo. Não eram da UNE nem da CUT.

A corrupção no Ministério dos Transportes é bastante antiga. Às vezes ele muda de mãos, passa de um partido a outro. Para os que conhecem o processo político brasileiro, a notícia não foi surpresa. As denúncias de corrupção sucedem-se diariamente e não se resolvem dentro dos canais parlamentares. Se os eleitores se indignarem, ostensivamente, podem se transformar numa indignação ambulante. As próprias pessoas que pedem hoje que se indignem vão achá-las monótonas e repetitivas. Para que os que têm o potencial de se indignar, coloca-se a questão da oportunidade exata, do preciso emprego da energia. Navega-se num sistema político cada vez mais distante, tripulado por um gigantesco ator econômico e um crescimento com viés inclusivo. Quando o adversário é ao mesmo tempo indiferente, opaco e poderoso, a indignação social tem hora.

É um problema deixar de se indignar com uma corrupção que mata, como na saúde e nos transportes, e aniquila sonhos, como na educação. Mas também é um problema indignar-se e voltar para casa de mãos vazias.

A indignação na Espanha ocorreu num momento em que poderia crescer. Ainda assim, como não se voltou para a ocupação de espaço institucional na política, seus resultados estão em aberto. O caso de Teresópolis mostrou que sem uma contrapartida institucional as melhores aspirações se afogam no pântano do próprio sistema político. O que torna a questão mais complicada do que pura e simplesmente se indignar às vésperas das eleições. É necessário vencê-las ou, no mínimo, eleger uma oposição de verdade.

A pergunta de Juan Arias é legítima. Mas seria ilusório pensar numa resposta simples, como se houvesse no enigma uma espécie de bala de prata, uma descoberta que pusesse a indignação em movimento. Em processos complicados, uma das respostas mais sábias é a do comercial de televisão: Keep walking.

JORNALISTA

terça-feira, junho 29, 2010

GOVERNO LULA [In:] NORDESTE. ''VIDAS MOLHADAS''...

Início do conteúdo

Os homens criaram este Haiti aqui

29 de junho de 2010 | 0h 00
Arnaldo Jabor - O Estado de S.Paulo

Não adianta mais analisar p... nenhuma no Brasil de hoje. Tudo voltará ao início como cobra mordendo o próprio rabo, tudo continuará sob anestesia mas sem cirurgia, como disse uma vez Mario Henrique Simonsen. Tudo era previsível neste súbito Haiti que brotou no Nordeste, variando do deserto para o "tsunami" de lama, das "vidas secas" para o afogamento, sempre atingindo os mesmos pobres-diabos sem voz, sem rosto, sem destino, que vagam nas cidades desgraçadas que o subfeudalismo dos barões nordestinos cultiva.

A análise tradicional não serve; só resta oferecer-me como testemunha inútil deste crime secular sem autores visíveis.

O autor não é Deus, não é a natureza; os homens teceram esta desgraça de agora, não por seus atos malignos apenas, mas por uma distribuição de causalidades inexplicáveis que cria o crime sem sujeito uma difusa culpa que acaba inocentando todos.

No entanto, a verdade brasileira aparece nestas tragédias visíveis soterramentos, alagamentos, bebês morrendo em berçários de hospitais assaltados.

Por outro lado, a verdade sempre esteve ali, silenciosa, dissimulada nos miseráveis vilarejos de Alagoas e Pernambuco, na paz trágica do nada, na mansidão da ignorância, no silêncio da miséria seca, aquela paz vazia que tranquiliza ladrões e demagogos, a paz da ignorância de vassalos toscos e obedientes.

Mas, de repente, jorrou a verdade com as águas das represas e açudes arrebentados. Tudo que não queríamos ver bate em nossos olhos grudados na TV, vendo o Maradona de terninho ou o Dunga com sua cara espessa e dura. A verdade aponta os responsáveis pela tragédia que certamente vão esconder que 57% das verbas para prevenção de catástrofes desse tipo foram gastos na Bahia, para favorecer o candidato do governo para governador. Também não vão explicar por que só 14% das verbas preventivas (R$ 71 milhões apenas) foram destinados aos Estados de Alagoas e Pernambuco.

Agora, com Lula e sua clone correndo para aparecer no teatro de lama, para impedir perda de votos, o governo vai gastar mais de R$ 2 bilhões para consertar o que era evitável (ah... e que bons negócios se farão...)

A catástrofe estava encravada nas fazendas fantasmas, nos municípios controlados por barões, na indústria da seca não só a seca do solo, mas a seca mental onde a estupidez e a miséria são cultivadas para criar bons serviçais para a burguesia boçal. A catástrofe estava se armando enquanto soavam as doces camaradagens corruptas em halls de hotel, os almoços gordurosos, as cervejadas de bermudão, as gargalhadas, as "carteiradas" autoritárias, os subornos e as chaves de galão. As catástrofes estavam se armando durante os jantares domingueiros, na humilhação das esposas de botox, no respeito cretino dos filhos psicopatas, na obediência dos peões, dos capatazes analfabetos. A catástrofe se armava no sarapatel de ideias que vão desde um leninismo tardio até este "revival" de um sindicalismo getulista a que assistimos.

Os indícios desse desastre se veem na recente frase irada que Lula lançou: "Os impostos no Brasil têm de ser altos sim, do contrário não temos Estado." Esqueceu-se de dizer que os impostos que recolhe são gastos para pagar a folha de milhares de pelegos empregados, nos desvios de verbas públicas, esqueceu de dizer que a catástrofe se armava nos últimos sete anos quando gastaram R$ 8 bilhões em propaganda oficial, sem contar os gastos de empresas estatais.

A catástrofe também se armou aos poucos com a frente unida da Utopia, que permite que todos os erros sejam cobertos por um manto de "fins justificados" ? a frente unida dos três tipos de radicais: os radicais de cervejaria, os radicais de enfermaria e os radicais de estrebaria. Os frívolos, os loucos e os burros. Uns bebem e falam em revolução; outros alucinam e os terceiros zurram, todos atacando o "capitalismo do mal", quando justamente esse mal (que também existe) é a única bomba capaz de arrebentar nosso estamento patrimonialista de pedra.

A catástrofe se arma para futuras tragédias, com a má utilização dos bilhões de dólares que entram em nossa economia, canalizados para países emergentes, pois estão sendo sugados pelo Estado inchado e inchando.

A realidade (se é que isso ainda existe no País) é que a tragédia fixa, silenciosa, invisível se transformou numa tragédia bruta e retumbante. Só isso aconteceu no Nordeste.

E para nós restam o horror e a pena, porque os fatos estão muito além da piedade. Ninguém tem palavras para exprimir indignação, ou melhor, ninguém tem mais indignação para exprimir em palavras.

Resta-nos a impotência diante do fato consumado e um sentimento nobre, mas que chega sempre depois da desgraça: a solidariedade.

O que é a solidariedade? Como sentir a dor dos outros? Sou solidário aqui ou apenas faço meu artigo semanal? Por que me comovo? Será que me comovo mesmo, será que me imagino ali na lama, procurando pedaços de comida no lixo e aí me purifico com minha indignação impotente? Como posso saber o que sente um homem-gabiru, faminto, analfabeto, que só é procurado pelos poderosos sacanas para ser "laranja" em roubalheiras para a cumbuca das oligarquias? Como posso saber da alma de um desgraçado limpando um pedaço de pão no lodo para dar para o filho bebê, com seu sofrimento mudo, enquanto os culpados dizem "que horror" nos prédios de luxo nas praias de Pajuçara e Boa Viagem ou se escondem nos cabides de emprego de Brasília? Como se sentem os homens sofridos que vemos chorando na TV, sob o som de gritos da Copa do Mundo, uivos de vuvuzelas e patetas pulando de alegria patriótica?

Os diques e os açudes que se romperam são os diques rompidos da mentira política sistemática. Então, pode ser que a história se mova um pouco e que a consciência de nosso absurdo aumente. Mas, isso... só por um tempo... Depois, novas catástrofes voltarão a se armar...
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