A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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terça-feira, agosto 27, 2013
QUEM TEM MEDO DE ''MARINA WOOLF''? (ficção)
| 27/08/2013 | |
segunda-feira, agosto 19, 2013
''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNA WOOLF?''
| 19/08/2013 | |
segunda-feira, agosto 05, 2013
''QUEM TEM MEDO DO VIRGÍNIA WOOLF?'' (título de filme)
| 05/08/2013 | |
sexta-feira, junho 21, 2013
PROTESTOS: ''QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF?''
| 21/06/2013 | |
segunda-feira, abril 22, 2013
QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF? (título de filme)
| 22/04/2013 | |
Mercado resiste a Dilma e busca opções
O Estado ouviu dez influentes integrantes do mercado financeiro. Eles disseram unanimemente ter fortes resistências a Dilma Rousseffe, em especial, a seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. O "mercado" divide suas preferências na eleição presidencial do ano que vem entre Aécio Neves e Eduardo Campos, mesmo fazendo ressalvas aos dois.
Setor financeiro resiste a Dilma, mas aponta fragilidades de Aécio e Campos
Cenários de 2014. "Estado" ouviu 10 influentes integrantes do mercado sobre os principais personagens políticos do País que se articulam para disputar a eleição presidencial; sob a condição de anonimato, eles esboçaram opiniões convergentes sobre atual cenário
Julia Duailibi
Sonia Racy
A lua de mel que o mercado financeiro viveu com o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dissipou-se na gestão da presidente Dilma Rousseff. A atual política econômica tornou-se alvo de críticas do setor que, a um ano e meio da eleição, mostra preferência pelos nomes do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
O Estado conversou com dez influentes integrantes do mercado, entre os quais banqueiros, economistas de instituições financeiras, operadores e donos de fundos de investimento. Com o compromisso de não se identificarem, eles traçaram um diagnóstico convergente sobre a gestão Dilma. Emitiram, ainda, opiniões sobre a sucessão do ano que vem e os demais presidenciáveis.
Apesar da resistência à presidente e, especificamente, ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, os integrantes do mercado avaliam que Dilma vencerá a eleição. E no 1.º turno. Aécio e Campos já buscam aproximação com o mercado, tradicional financiador de campanhas. Neste ano, os dois se reuniram com donos de bancos e gestores de fundos. Dilma, que manteve pouco diálogo com o setor nos dois primeiros anos de mandato, acatou conselho de Lula e, a partir de janeiro, começou a conversar com banqueiros no Planalto.
Dilma desperta mais restrição no mercado que Lula. Após anos de desconfiança mútua, o petista começou a mudar o paradigma em 2002, quando prometeu honrar os contratos por meio da Carta ao Povo Brasileiro. "Lula foi fantástico para pobres e ricos. Dilma, nem para ricos nem para pobres, que estão vendo a inflação corroer salários", disse o dono de um fundo de investimento.
A conjuntura econômica no governo Lula favoreceu a relação. Na sua gestão, contou com cenário externo favorável, que, aliado a uma política de aumento real do salário mínimo e de ampliação dos mecanismos de transferência de renda, permitiu crescimento econômico. Lula manteve integrantes do governo FHC na equipe, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, era executivo de banco.
Dilma recebeu um real valorizado de R$ 1,65 por dólar e assiste à queda no preço das commodities. Além da conjuntura, há o estilo: com ela haveria menos diálogo e mais resistência à iniciativa privada e interferência no BC. Na semana passada, a taxa de juros aumentou 0,25 ponto porcentual e foi para 7,5%, após declarações polêmicas da presidente sobre o tema que afetaram o mercado.
"A imagem de Dilma está em processo de deterioração galopante no mercado. Ela dá sinais conflituosos, interfere na economia com mão pesada e não tem agenda de reformas", afirmou o diretor de um banco estrangeiro. Segundo um operador, Dilma não deve falar sobre juros, pois "descredencia" o Banco Central. Para um investidor, a presidente tem uma visão contrária à iniciativa privada ao tentar, por exemplo, diminuir as taxas de retorno dos investidores.
A posição de integrantes do mercado é ponderada por alguns acadêmicos. Para Francisco Lopreato, da Unicamp, a mudança no patamar de juros na gestão Dilma está por trás da insatisfação. "Você tem que tirar um pouco o doce da boca da criança e, provavelmente, eles vão chorar mesmo."
Em 2011, primeiro ano de gestão Dilma, o BC inaugurou quedas sucessivas na Selic, estreando a primeira em agosto, quando foi de 12,5% para 12%. "Alexandre Tombini ( presidente do BC) não é tão market friendly. Meirelles deixava mais claro o passo que iria tomar. Agora, a relação mudou. Ficou mais incerta", disse Lopreato.
"A presidente fez mudanças importantes na economia, todas elas, aliás, reclamadas por amplos segmentos empresariais: redução dos juros, estabilização cambial, redução do custo da energia, desoneração da folha de pagamentos, investimento em infraestrutura em parceria com o setor privado etc. Como em qualquer mudança, há sempre interesses contrariados, mas creio que são minoritários", disse Ricardo Carneiro, diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Reuniões. Apesar das críticas a Dilma, o mercado já "precifica" a eleição de 2014. "Como ela vai ganhar no primeiro turno, deve minguar o financiamento para os outros candidatos. Ninguém vai por dinheiro sabendo que o candidato vai perder", afirmou o dono de um fundo de investimento.
Aécio desperta a confiança do setor em relação à condução da economia. "Ele é música para os ouvidos do mercado. Ele é visto como o resgate da agenda de FHC. É mais ortodoxo", disse o economista de um banco estrangeiro.
Há resistências, porém, sobre seu modo de vida. "Ninguém acredita que, de fato, queira ser presidente. Sua vida pessoal é incompatível com a vida pública. E sua atuação como senador é uma piada", disse o diretor de um banco estrangeiro. "Não sei se aguenta ser presidente, com uma rotina dura. Parece ficar dividido entre isso e abrir mão da sua vida atual", disse o dono de um fundo de investimentos.
Campos ainda é visto como uma incógnita, mas que suscita interesse. "A opinião dele não está clara, mas não há rejeição do mercado a ele", declarou o banqueiro brasileiro.
"Campos tem história em Pernambuco, está com discurso muito alinhado, aberto a ouvir. É uma luz no fim do túnel, uma alternativa a Dilma", disse o diretor do banco estrangeiro. "Ele não é a primeira opção de ninguém que conheço, mas é definitivamente uma opção", afirmou o economista.
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quarta-feira, abril 10, 2013
MENSALÃO: ''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?''
| 10/04/2013 | |
Feliciano promete sair se PT tirar mensaleiros
Procurador-geral da República reforça pedido ao STF para que abra processo contra o deputado do PSC.
Em ofício enviado ao Supremo, o chefe do Ministério Público Federal, Roberto Gurgel, reafirmou a denúncia — apresentada em janeiro — de que o parlamentar incorreu em crime de discriminação por comportamentos racistas e homofóbicos. Sob forte pressão para deixar a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano(PSC-SP) fez um desafio ao PT, que acusa de estar por trás dos protestos. Ele admitiu renunciar ao cargo desde que o partido afaste João Paulo Cunha {SP) e Genoino (SP), condenados pelo STF no processo do mensalão, da Comissão de Constituição e Justiça. O líder petista, José Guimarães (CE), classificou a proposta de "provocação" e "desaforo".
Pastor faz troça com mensaleiros e irrita PT
Marco Feliciano promete renunciar à presidência da Comissão de Direitos Humanos desde que José Genoino e João Paulo Cunha deixem a CCJ. Petista classifica a declaração de "desaforo"
ADRIANA CAITANO
AMANDA ALMEIDA
A tão esperada conversa do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) com as lideranças parlamentares e a Mesa Diretora da Câmara, marcada para ontem, serviu para esquentar ainda mais a arranhada relação do parlamentar com o PT.
Ao ser pressionado para deixar o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), o pastor condicionou a renúncia à saída dos réus do mensalão José Genoíno (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O líder petista, José Guimarães (CE), classificou a proposta de "provocação" e "desaforo". Sem a contrapartida, Feliciano disse que fica, mas saiu do encontro com uma bronca do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que o obrigou a reabrir as sessões do colegiado: "Ele vai ter que se comportar".
Enquanto alguns líderes, como o do PSDB, Carlos Sampaio (SP), se recusaram a participar do encontro porque não vislumbravam qualquer alternativa para a crise, outros saíram dele decepcionados. "Foi uma reunião totalmente desnecessária, sem efeito algum, não deveria nem ter participado, foi só para ouvir desaforos", reclamou José Guimarães, referindo-se à condição imposta por Feliciano para deixar o comando da CDHM. "Quando ele disse que não ia renunciar e pediu que tivéssemos misericórdia, porque estava sendo perseguido, foi desanimador", comentou Ivan Valente (SP), líder do PSol. "Ele quer se manter a qualquer custo, está se colocando como vítima para aproveitar o momento a seu favor e acaba aumentando o impasse", reclamou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).
[FOTO2]
Os apelos pela saída, porém, não foram unânimes. Muitos líderes evitaram falar, e outros defenderam o direito de o pastor se manter na presidência do colegiado. "É lógico que é uma situação delicada para a imagem da Casa, mas, regimentalmente, não há nada a ser feito. Todos temos direito de nos manifestar dentro dos limites da lei", argumentou o líder do PSD, Eduardo Sciarra (PR). Com o apoio de parte dos colegas, Feliciano saiu do encontro sentindo-se fortalecido. "A maioria dos líderes foi a favor da minha permanência, porque é regimental. Eu fico, fui eleito democraticamente. Estou tentando viver, estou com seis quilos a menos. Deem-me uma chance de trabalhar", disse.
A autoconfiança do pastor, no entanto, esbarrou no Regimento da Casa e na irritação de Henrique Alves. A decisão tomada por Feliciano de fechar as próximas sessões da CDHM teve que ser revogada. "Essa história de comissão proibir o acesso do povo às suas reuniões é inviável, aqui é a Casa do povo", declarou o peemedebista. A entrada de manifestantes nas reuniões, a partir de agora, só poderá ser proibida se os protestos atrapalharem a sessão.
Comportamento
Além de exigir a abertura da comissão, Henrique Alves criticou o comportamento e os comentários de Feliciano. "Ele não pode associar a sua palavra de presidente da comissão e de pastor, não pode ser aqui uma pessoa, exercer a presidência, que tem dever de agregar, e sair daqui e ter uma posição diferenciada, em conflito com as minorias", ponderou. "O compromisso dele agora é de que vai se comportar respeitosamente aqui e fora daqui."
Apesar de não haver mais possibilidades regimentais para Feliciano deixar o comando da CDHM, parlamentares contrários ao pastor ainda estudam medidas alternativas. Por meio de projetos de resolução a serem apresentados à Mesa Diretora, eles querem aumentar o número de integrantes do colegiado, o que poderia esvaziar a hegemonia evangélica na atual composição, ou permitir que um presidente de comissão possa ser deposto do cargo pelo Conselho de Ética em caso de quebra de decoro — atualmente, a única punição possível é a perda de mandato. "Ainda vamos encontrar uma saída", promete André Figueiredo.
À tarde, ao ser questionado se teria condicionado sua renúncia à presidência da CDHM à de deputados condenados pelo mensalão, Feliciano ironizou: "Será que eu falei isso mesmo? Tá gravado?"
"Será que eu falei isso mesmo? Tá gravado?"
Marco Feliciano, deputado do PSC-SP, sobre a possibilidade de deixar a CDHM caso os condenados pelo mensalão deixem a CCJ.
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segunda-feira, abril 01, 2013
''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?'' (Título de filme)
| 01/04/2013 | |
A ameaça que virou piada
Após divulgar fotografia de mapa com seu plano de guerra, Coreia do Norte vira alvo de deboche para moradores de cidade texana incluída na improvável ofensiva
AUSTIN, EUA
REUTERS
Mal-humorado, pobre e com baixa autoestima, Bisonho, o amigo asno do ursinho Pooh, pode ter um piquenique em sua homenagem destruído num ataque nuclear caso as ameaças de Kim Jong-un se realizem e Austin, no Texas, seja dizimada pelas forças da empobrecida Coreia do Norte.
Os moradores da capital texana ficaram sabendo que eram alvo do mais jovem homem no comando de um arsenal nuclear quando um site especializado em Coreia do Norte analisou o mapa que aparecia no fundo de algumas fotos em que Kim, de 30 anos, se reunia com o Supremo Comando de suas forças armadas.
Sob a frase "Plano para atacar os EUA no continente", saíam setas da Coreia com direção a pontos citados em prévias ameaças aos EUA. Surpreendentemente, Austin foi identificada como provável alvo, e seus habitantes começaram a zombar do regime que promete disciplinar o imperialismo americano.
No Twitter, os moradores respondiam a pergunta #whyaustin (por que Austin?) com variados deboches, que iam do computador usado por Kim nas fotos ao tipo de churrasco da cidade. Piadas também questionavam se o ataque ao município se devia ao fato de Kim Jong-un não ter sido convidado para o 50º Aniversário do Bisonho, uma festa tradicional que reúne pessoas fantasiadas dispostas a ajudar ONGS locais.
"Ok, povo de Austin, quem estava responsável por enviar um convite a Kim?", se perguntava David Wenger.
Alguns se perguntavam se, de fato, ele apareceria, na festa. Outro fazia referência à má fama do aplicativo de mapas da Apple e ao fato de Kim ser fotografado ao lado de um computador da marca. "Não se preocupem, ele usa os mapas da Apple", dizia. Houve quem associasse a fúria de Kim a sua ausência numa série de shows que ocorreram na cidade em março.
A brincadeira cresceu tanto que até a conta oficial da prefeitura se somou ao jogo, postando um vídeo de 1950 da Guerra Fria sobre um bunker nuclear: "Não se preocupe Austin... estamos preparados".
De acordo com as declarações de autoridades sul-coreanas e americanas, os moradores de Austin podem mesmo rir. Estimativas indicam que a Coreia do Norte alcançaria, no máximo, a costa oeste, dada a capacidade técnica de alguns de seus mísseis de longo alcance. O caráter nuclear do ataque é ainda menos provável, de acordo com o discurso americano, já que a Casa Branca afirma que os norte-coreanos não tem tecnologia nuclear suficiente para equipar os mísseis de longo alcance.
E, mesmo que haja mísseis capazes de atacar o Texas, parece improvável que o percurso de 11 mil quilômetros entre Pyongyang e Austin fosse realizado sem que Seul, Tóquio ou Washington derrubassem o projétil ainda no ar.
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quinta-feira, fevereiro 28, 2013
QUEM TEM MEDO DE YOANI SÁNCHEZ ?
| 28/02/2013 | |
Yoani, a mais recente batalha da guerra fria
:: Francisco Ferraz
A reação de setores da esquerda à visita da jornalista cubana Yoani Sánchez ao Brasil revelou alguns aspectos da política brasileira atual que exigem uma análise objetiva e desapaixonada.
A julgar pelas reações hostis a Yoani, impõe-se uma pergunta inevitável: ela significa alguma ameaça ao Brasil? Que atos terá praticado contra a humanidade para ser percebida como inimiga no País, mesmo que nunca antes tivesse aqui pisado? Qual o imenso e assustador poder que essa jornalista tem para assustar e ameaçar os governantes cubanos, o governo brasileiro, seu partido e sua base parlamentar?
Yoani é uma vítima da guerra fria. Ela conseguiu colocar sua insignificante pessoa na rota dos conflitos entre os grandes. Sua presença, seu exemplo, seu pensamento constituem uma ameaça real ao regime cubano porque são vistos como sinais de fraqueza por seus inimigos - internos e externos.
Mas, e o Muro? O Muro não caiu em 1989? A guerra fria não terminou com a débâcle da Únião Soviética e o fim do comunismo? Não.
É necessário rever conceitos e algumas "verdades" estabelecidas. Não podemos confundir o pertencimento geográfico a um mesmo mundo com um pertencimento decorrente de uma história comum.
Na realidade, há um abismo entre as sociedades do Hemisfério Norte - suas histórias, seus traumas, suas instituições, suas culturas, sua organização social, seus problemas e desafios - e as sociedades do Hemisfério Sul.
Vivemos num mesmo mundo apenas pelo imperativo geográfico, pela instantaneidade das comunicações e por processos sociais e econômicos de que participamos principalmente como espectadores e consumidores. Quando se tratado uso de produtos materiais que, sem dificuldade, incorporamos à nossa vida, a diferença entre quem os inventou e produz e quem os consome é de menor importância.
Há, entretanto, uma grande diferença na importação de produtos culturais, que resultam da experiência histórica de sociedades diferentes. Os grandes episódios da História ocidental, como as Revoluções Francesa e Russa, o nazismo e o comunismo, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, a guerra fria e ameaça atômica, a débâcle do comunismo, nós os vivemos vicariamente, como leitores curiosos ou espectadores distantes, que podem escolher o que, quanto, quando e como desejam incorporá-los à sua vida.
Não temos, nem o Brasil nem a América Latina, nenhum significado existencial do que seja uma guerra. No Hemisfério Norte as pessoas não somente sabem, como guardam lembranças familiares amargas de suas consequências.
Não temos o menor significado existencial do que é uma revolução, tampouco o que é um regime totalitário como o nazismo e o stalinismo. Temos um conhecimento livresco, ou romântico, sobre o comunismo. Nada que equivalha ao conhecimento de russos e europeus que o viveram.
Para nós, terror é um gênero cinematográfico. Não temos nenhuma ideia do que é o terror como uma categoria da práxis política ou do que foi o holocausto como tragédia e pavor.
Essa a razão por que teorias, ideologias, conceitos, instituições, valores, interpretações do passado, embora usando-se os mesmos nomes, sofrem uma violenta refração de significado quando se deslocam do Hemisfério Noite para o Hemisfério Sul.
Nós os importamos desidratados. Passamos a usá-los com a leveza e até inconsequência de quem, não tendo vivido sua realidade, também não adquiriu a prudência, a lucidez, o senso crítico que só aquele "saber de experiências feito", de que fala Camões, ensina.
Fascista é um termo que evoca lembranças marcadas a fogo para um europeu. Para nós não passa de um adjetivo.
Por essas razões os muros que caíram de forma tão estrepitosa na Europa, teimam em não cair aqui... Como não têm significados existenciais para nós, podem continuar em pé, mesmo quando a realidade que os levantou alhures já deixou de existir.
Assim a queda do Muro de Berlim não tem a menor importância para a política brasileira nem potencial politicamente explorável entre nós, como não têm importância para a política europeia o futuro de Cuba, a doença de Hugo Chávez ou as decisões da Unasul.
O apoio do Brasil ao Irã, apesar da perseguição a gays, mulheres e cristãos, a proteção estendida a Cesare Battisti, o silêncio em relação aos prisioneiros políticos em Cuba e o tratamento de inimiga dado a Yoani são chocantemente contraditórios com a tradição política do PT e da esquerda brasileira, e com a sua política de direitos humanos.
A oposição acusa de "incoerência" o PT e a esquerda por essas atitudes políticas. Aliás, essa é a principal arma em que repousa a esperança da oposição para abalar o governo do PT e seu projeto político. Essa acusação, entretanto, não produz nenhum efeito político importante. Não constrange os acusados da incoerência nem é compreendida pelo eleitor médio.
Na verdade, para o PT e para a esquerda não há incoerência.
O que a oposição chama de incoerência é a necessária subordinação à lógica férrea da guerra fria. Assim a ação política dos historicamente deslocados sobre uma população com baixa informação e avaliação crítica acaba por conferir realidade àquele muro virtual.
Por isso Cuba precisa ser protegida. Cuba é o ícone que sobrou, o símbolo que resta. O ícone que a URSS deixou de ser.
O muro emblemático da esquerda na América Latina não é o de Berlim. Esse é o muro do Hemisfério Norte. O muro emblemático, cuja queda significaria o fim do comunismo e do socialismo para a América Latina, é Cuba.
E por isso que Yoani é perigosa para Cuba, para o bolivarianismo de Chávez, para o PT e seu governo. Na guerra fria do Hemisfério Sul ela é uma peça tão importante quanto eram os literatos e bailarinos russos que fugiam para o Ocidente nas décadas de 50 e 60.
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:: Francisco Ferraz. Professor de Ciência Política na UFRGS, pós-graduado pela Universidade de Princeton, é diretor-presidente do site Política para políticos (www. politicaparapoliticos.com.br)
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sexta-feira, fevereiro 22, 2013
''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?'' *
Morte de pacientes de UTI não tem razão financeira, diz apuração
'Quero desentulhar a UTI', diz médica suspeita de matar
Polícia investiga formação de quadrilha em mortes em hospital
Médica é presa sob suspeita de provocar mortes de pacientes
| Henry Milleo/Gazeta do Povo/Folhapress | ||
| A médica Virgínia Helena Soares de Souza, médica chefe da UTI do hospital Evangélico, foi presa pela Polícia Civil |
(*) Título de filme.
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quarta-feira, fevereiro 20, 2013
QUEM TEM MEDO DE YOANI SÁNCHEZ ? *
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Blogueira cubana aceita convite do PSDB e vai a Brasília visitar Congresso
quarta-feira, novembro 07, 2012
''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF ?'' (3)
Eremildo e Gilberto Carvalho
Autor(es): Elio Gaspari |
| O Globo - 07/11/2012 |
Eremildo não entende por que a oposição insiste em contestar a versão oficial do assassinato de Celso Daniel, o prefeito de Santo André que em 2002 chefiava a coordenação da campanha de Lula. Ele acha que ocorreu um sequestro de bandidos e ponto final. É verdade que o irmão do morto contou ao Ministério Público que o ex-secretário de governo do município, Gilberto Carvalho, confidenciou-lhe que levava ao comissariado petista propinas arrecadadas na cidade.
Há dez anos, o médico João Francisco Daniel dizia que "o PT tem caixa dois, como qualquer outra legenda". Mesmo sendo um idiota confesso, Eremildo reconhece que, em relação à caixinha, o irmão de prefeito estava certo. Afinal, esse trambique tornou-se a espinha dorsal da defesa dos companheiros no Supremo Tribunal Federal.
À época, o irmão do morto foi desqualificado pela viúva e por Gilberto Carvalho. Atribuiram suas acusações a "um desequilíbrio emocional visível". Eremildo entendeu.
São Paulo é uma cidade violenta e, talvez por isso, cinco pessoas relacionadas com a morte de Celso Daniel foram assassinadas. Uma num presídio. Outras duas, a tiros.
O garçom que serviu o jantar do prefeito antes do sequestro acabou-se numa moto, fugindo de uma perseguição. A testemunha desse acidente morreu a bala.
Considerando-se que os conspiromaníacos já contaram 103 mortes estranhas de pessoas ligadas ao presidente John Kennedy e ao seu assassinato entre 1963 e 1976, o número de Santo André é miserável.
O que incomodou Eremildo foi a resposta que Gilberto Carvalho, atual secretário-geral da Presidência, deu à acusação de Valério, de que o comissariado teria pedido ajuda financeira para calar chantagistas de Santo André. Carvalho repetiu que nunca viu o companheiro financista e acrescentou: "Tenho até que respeitar o desespero dessa pessoa."
Essa foi forte para o idiota. Seria razoável poupar o irmão de Celso Daniel em nome de um hipotético "desequilíbrio emocional visível". "Respeitar o desespero" de um réu confesso a quem nunca viu é um exagerado exercício de caridade.
Uma coisa seria dizer que Valério está desesperado porque delinquiu e viu-se condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Respeitá-lo por isso é cortesia que escapa à percepção do idiota. Talvez Carvalho pudesse falar, no máximo, em piedade. Afinal, a acusação feita por Valério é mais grave do que quaisquer malfeitorias citadas nas 50 mil páginas do processo do mensalão, pois envolve um homicídio. Eremildo é um idiota, mas conhece diversas pessoas que não o são. Algumas dão a Valério o benefício da dúvida, nenhuma respeita-o.
O procurador-geral da República informa que, até agora, Marcos Valério não é um réu colaborador. Pelo conhecimento do idiota, Roberto Gurgel leu tudo o que Valério contou ao Ministério Público. A acusação deveria levar o PT e Gilberto Carvalho a pedir a abertura de um novo processo. Se o caixa do mensalão tiver provas de que botou dinheiro na conta de companheiros ligados ao esquema de Santo André, os comissários deverão se explicar à Justiça. Por enquanto, a bola de ferro continua presa ao tornozelo de Valério. Eremildo não entende por que o secretário-geral da Presidência respeita um condenado desesperado.
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''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF ?'' (2)
Partidos pedem que Gurgel investigue Lula
Autor(es): Por Cristine Prestes e Juliano Basile | De São Paulo e Brasília |
| Valor Econômico - 07/11/2012 |
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma hoje o julgamento do processo do mensalão com a continuidade da definição das penas - a chamada dosimetria - aos 25 réus condenados pelo plenário da Corte. Em fase final, o mensalão ganhou, ontem, um novo pedido de investigação. Parlamentares do PPS e do PSDB ingressaram com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles querem que seja aberta uma investigação sobre a suposta participação de Lula no mensalão.
A representação baseia-se em reportagem da revista "Veja" envolvendo o empresário Marcos Valério, apontado como o operador do mensalão e condenado pelo STF por peculato, corrupção ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo a revista, Valério teria declarado ao Ministério Público que foi procurado para conseguir dinheiro para um empresário disposto a extorquir dinheiro de Lula e de seu chefe de gabinete, então ministro Gilberto Carvalho, com supostas informações sobre corrupção no caso da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.
O documento é assinado pelo presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), o líder do partido na Câmara, deputado Rubens Bueno (PPS-PR), o líder do PSDB no Senado, senador Álvaro Dias (PR), o líder da minoria na Câmara, deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Nele, os parlamentares afirmam levar ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, "alguns fatos que, em tese, poderiam ensejar a propositura de uma nova ação penal, intimamente ligada àquela já referida [a do mensalão]".
De acordo com o documento, os parlamentares referem-se "à suspeita, até aqui não confirmada, de que o representado, ex-presidente da República, poderia estar por trás de toda a engrenagem criminosa que foi desbaratada pela CPI dos Correios e que, agora, restou comprovada e reconhecida pela histórica decisão" do STF. "É fato público e notório que, à época dos fatos, existia uma íntima ligação política e pessoal entre o representado e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, entendido como o chefe da quadrilha pelo Supremo", diz o documento. "Nesta perspectiva, indaga-se: a teoria do domínio do fato, que foi utilizada para a condenação de José Dirceu, não poderia ser aplicada - e com muito mais razão - ao chefe do próprio José Dirceu?"
A teoria do domínio do fato, pela qual é possível atribuir responsabilidade penal a quem pertence a um grupo criminoso, mas não praticou diretamente o delito porque ocupava posição hierárquica de comando, foi utilizada pelo STF para condenar Dirceu por corrupção ativa e formação de quadrilha no processo do mensalão. Segundo a representação dos partidos, outra reportagem da revista afirma que Valério teria dito a pessoas próximas que estaria disposto a contar tudo, e conclui que ele poderia indicar "os caminhos para a obtenção das provas que sejam suficientes para a propositura de uma ação penal" contra Lula. O pedido será analisado pelo procurador-geral, que pode arquivá-lo ou pedir providências para a realização de uma investigação.
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