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terça-feira, agosto 27, 2013

QUEM TEM MEDO DE ''MARINA WOOLF''? (ficção)


27/08/2013
Marina pede ao TSE medidas excepcionais para criar partido


Aliados apelam até para popularidade da ex-senadora nas pesquisas
Paulo Celso Pereira


Frente. Marina teve apoio do tucano Feldman, do petista Dutra (punho erguido) e de Pedro Simon


BRASÍLIA

Foi em clima de intensa pressão que a ex-senadora Marina Silva entrou ontem de manhã no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o pedido de criação de seu novo partido, o Rede Sustentabilidade. Faltando apenas 40 dias para o fim do prazo de filiação dos candidatos que pretendam disputar as eleições de 2014, a Rede solicitou que o tribunal adote medidas excepcionais para que o partido seja criado a tempo. Os aliados apelaram, inclusive, para o fato de Marina figurar como segunda colocada nas pesquisas para a disputa presidencial do próximo ano.

Marina chegou ao tribunal acompanhada de advogados, aliados próximos e dos deputados federais Walter Feldman (PSDB-SP) e Domingos Dutra (PT-MA), que devem migrar para o novo partido. Para ampliar a pressão, ela convidou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que não tem intenção de mudar de legenda, mas acompanhou o grupo para simbolizar seu apoio. O grande problema da Rede é a demora na validação das assinaturas de apoio.

- Mais de 12 mil pessoas coletaram assinaturas de manhã, de tarde e de noite. A maioria dos partidos se forma por processo de fusão. Nós fomos pelo caminho mais difícil, mas que é o mais gratificante, de conversar com cada pessoa, falar do nosso programa, do nosso estatuto, do nosso manifesto. E, a partir daí, ver o cidadão brasileiro assinando por livre e espontânea vontade - defendeu Marina, que agradeceu a presença de Simon.

O grupo entregou cinco sacolas com a certificação de 304.099 assinaturas, quase 190.000 a menos que o necessário. A questão das assinaturas é a grande preocupação dos organizadores da legenda. O documento que pede o registro da Rede tem 42 páginas quase integralmente dedicadas a protestos contra a demora dos cartórios eleitorais em validar as fichas de apoio à criação do partido.

- Compreendemos o problema da falta de estrutura, mas não concordamos que tenhamos que pagar o preço. A Rede tem a participação da sociedade em quase todos os municípios. Portanto, estamos calçados do ponto de vista legal, do ponto de vista material e do ponto de vista da mobilização social de todos aqueles que dão lastro político para a criação de um novo partido político no Brasil - afirmou Marina.

Dutra: Rede não é sigla de aluguel

Domingos Dutra, que já anunciou a saída do PT para se filiar à Rede, apelou para a posição de Marina nas pesquisas:

- Estamos segurando nas mãos de Deus e da Justiça Eleitoral. Se você olhar os prazos pelo seu teto, a gente estaria fora, porque faltam 40 dias. Agora, a gente conta com a sensibilidade da Justiça. Os julgadores têm dito que não se influenciam com a voz das ruas. Mas (...) os julgadores não estão fora do mundo. Portanto, essa preferência pela Marina pode levá-los a ter mais sensibilidade. A Rede não é um partido de aluguel. Vamos rezar para que o relator e os julgadores sejam filhos de Deus.

- Se há uma coisa que o Brasil tem demais, é partido político. Mas casualmente este (a Rede) é o que nós temos de mais importante, um movimento que está sendo altamente positivo e que tem todas as condições para ter uma grande bancada - disse Simon.

A lei prevê que para criar um partido político é necessário o apoio de 0,5% dos eleitores que votaram nas últimas eleições para deputado federal, ou cerca de 492 mil assinaturas certificadas em cartórios ao TSE.

adicionada no sistema em: 27/08/2013 03:55

segunda-feira, agosto 19, 2013

''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNA WOOLF?''


19/08/2013
TSE agiliza processo do Rede, alvo de PT e PSDB


O segundo lugar da ex-ministra Marina Silva nas pesquisas presidenciais criou um clima favorável para que o seu partido, o Rede Sustentabilidade, seja registrado a tempo de poder disputar as eleições no ano que vem. Depois de reunir-se com a cúpula do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marina teria encontrado apoio para que o processo ganhe prioridade. A determinação, segundo apurou o Valor, é que o tribunal trabalhe a pleno vapor para julgar o registo do Rede. O TSE não pretende arcar com o ônus de enterrar o projeto de Marina.
Poupada em 2010, a ex-senadora está na mira de seus potenciais adversários em 2014, especialmente o PT e o PSDB. Os 13 pontos de dianteira de Marina sobre o senador Aécio Neves (PSDB-MG) nas pesquisas transformaram o entusiasmo inicial do partido com sua candidatura em preocupação. Os petistas confiam que esse cenário transformará a candidata em alvo tucano, desobrigando o partido, inicialmente, de atacá-la.

Desconstrução de Marina mobiliza PT e PSDB

Poupada de ataques na campanha presidencial de 2010, a ex-senadora Marina Silva (Rede Sustentabilidade) está na alça de mira de seus potenciais adversários em 2014, especialmente do PT e do PSDB. 

Atualmente, são os tucanos que têm mais motivos de preocupação, uma vez que Marina disparou 13 pontos à frente do senador Aécio Neves, o mais provável candidato do partido à sucessão da presidente Dilma Rousseff, segundo apurou pesquisa do Datafolha.

Trata-se de um cenário real que anima o governo, causa inquietação no PSDB e remete para uma eleição diferente em 2014: desde 2002, na sucessão de Fernando Henrique Cardoso, os tucanos estão presentes no segundo turno da eleição, duas vezes com o ex-governador José Serra e uma com o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Mas Aécio, pelo menos por enquanto, mantém o discurso em defesa da candidatura de Marina.

Aécio e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, eventual candidato pelo PSB, se posicionaram contrários ao projeto, aprovado na Câmara, que dificulta a criação de novos partidos. A proposta teve o apoio do PT e do governo, ainda está em tramitação no Senado, mas escorreu pelo ralo das manifestações de junho. Protestos que aparentemente beneficiaram mais Marina que Aécio como potencial adversário da presidente Dilma nas eleições de 2014.

O governo e o PT se dizem animados com a possibilidade de enfrentar Marina em eventual segundo turno, pois entendem que podem jogá-la às cordas: sem um partido forte, como ela poderia governar? Enquanto no Instituto FHC se discute e estuda como "esvaziar" o discurso de Marina, o senador Aécio Neves decidiu botar o pé na estrada. 

Até o fim do ano, Aécio pretende fazer entre oito a dez viagens a São Paulo, maior colégio eleitoral do país, cuja adesão é vital para o projeto do PSDB, sobretudo se José Serra se filiar ao PPS e entrar na disputa e dividir o eleitorado. E a partir de setembro o eventual candidato tucano fará cinco seminários regionais para a discussão da conjuntura nacional e da região sede do encontro.

Enquanto Aécio, pré-candidato do principal partido de oposição, tenta recuperar os pontos perdidos para Marina, o PT já alinhavou um discurso completo para tentar desconstruir Marina Silva. Na avaliação de dirigentes petistas e integrantes do núcleo de campanha da reeleição da presidente, Marina, que é evangélica, terá dificuldades para discutir questões latentes nas grandes cidades, como sexo e drogas. "Essa é uma temática em que a Marina não tem o que oferecer", diz um dirigente do PT.

O PT espera que o PSDB, ameaçado de não passar para o segundo turno, assuma o discurso mais pesado contra a candidata. Mas não hesitará em fazer esse discurso, se julgar necessário. É opinião dominante que Marina passou incólume em 2010, na expectativa do apoio dela no segundo turno, o que não aconteceu. Na realidade, até o voto de Marina, no segundo turno, deve ser cobrado: o PV, partido ao qual estava à época filiada, não apoiou nem Dilma nem José Serra, e Marina nunca disse em quem votou ou se votou em branco.

Segundo o PT, de nada vai adiantar Marina falar bem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como fez na campanha de 2010, ao mesmo tempo em que "cutucava" Dilma Rousseff. Uma fonte credenciada do partido e da campanha da reeleição contou ao Valor que Lula vai assumir o discurso contra a ex-senadora: "Olha, não votem na Marina, a candidata é a Dilma. Ela é que ficou comigo o tempo todo, a Marina foi embora, já se ligou com outros, está aí com uns empresários que eu não conheço bem. É contra a política", deve ser o discurso de Lula.

O fato de Marina se manter distante da política tradicional também deve ser questionado tanto pelo PT como pelos adversários. O próprio José Serra, como já havia feito Lula, falou sobre a importâncias das demandas e conflitos da sociedade serem resolvidas no território da política. Marina, lembra-se no PT, nem no partido que está com dificuldades para botar de pé colocou a palavra "partido". É Rede Sustentabilidade. "Ela vai apanhar como cachorro magro", diz um cardeal petista.

adicionada no sistema em: 19/08/2013 02:04

segunda-feira, agosto 05, 2013

''QUEM TEM MEDO DO VIRGÍNIA WOOLF?'' (título de filme)

05/08/2013
Entrada de Serra na disputa preocupa PT


Por Raquel Ulhôa | De Brasília



Uma derrota da presidente Dilma Rousseff em 2014, possibilidade que nenhum petista ousava admitir há quatro meses, hoje é considerada perspectiva real para setores do PT, empenhados em manter, ao menos, uma governabilidade mínima até a eleição. A preocupação mais recente é a hipótese de o ex-governador José Serra concorrer ao Palácio do Planalto, com apoio do PSD.


O partido de Gilberto Kassab mantém o apoio à reeleição da presidente, mas seus dirigentes deixam claro que o compromisso é com ela e não com o PT. Se Dilma não for candidata, o PSD estará livre para tomar outro caminho. E o mais natural seria o apoio a Serra, caso ele entrasse na disputa, como admitem até pessedistas que não gostam dele.

Esse cenário é considerado bastante provável por analistas. Por ter concorrido com Dilma e ter trajetória política marcada pela oposição ao PT, Serra seria o mais beneficiado com a queda da aprovação e do índice de confiança na presidente, mostrada por pesquisas de opinião. Serra é visto como adversário mais forte que o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e seu pré-candidato à Presidência da República, por ter discurso e atuação mais combativos.

Com relação à ex-senadora Marina Silva - que pretende disputar por uma legenda em formação (Rede Sustentabilidade) e aparece como a principal beneficiada das manifestações de rua-, a vantagem de Serra, segundo analistas, é a experiência como gestor. Além disso, Marina se destaca hoje dos demais pré-candidatos por uma prática política supostamente diferente, mas há receio de que, quando a campanha começar de fato, com debates e discussão de programas, o "glamour" será quebrado.

O fracasso da articulação pela fusão entre PPS e PMN, em uma legenda que daria maior estrutura -especialmente tempo de televisão- a eventual candidatura presidencial, foi um complicador para os planos de aliados de Serra, mas não os sepultou. A avaliação é que, se ele aparecer nas pesquisas como um candidato competitivo ao Planalto, Dilma cair e outros candidatos da oposição não empolgarem, haverá chances de atrair partidos para uma coligação nacional.

Segundo o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), o partido "vê com bons olhos" a discussão do lançamento de uma possível candidatura do ex-governador à disputa presidencial.

Além da competitividade de eventual candidatura de Serra para presidente da República, outro complicador para o PT seria a situação em São Paulo. A especulação é que, se o PSD entrasse numa aliança para lançar Serra à Presidência da República, Gilberto Kassab, presidente da legenda, teria apoio do ex-governador, ex-prefeito e ex-ministro da Saúde para concorrer a governador.

Pessedistas dizem que o partido de Kassab não apoiaria a reeleição do tucano Geraldo Alckmin nem a candidatura de um petista para o governo do Estado. Ala do PT acredita que dessa vez um nome do partido na eleição estadual poderia ter alguma chance, especialmente porque a população mostra cansaço com a hegemonia do PSDB no Estado, a chamada "fadiga de material".

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conversas recentes, depois das grandes manifestações populares, ouviu de petistas próximos que, se até junho de 2014 Dilma não recuperar índices de aprovação que aumentem sua competitividade, ele "não será convidado a disputar a Presidência no lugar dela, mas será intimado, convocado" a fazê-lo.

Até mesmo uma eventual candidatura de Lula a presidente, em lugar de Dilma, é considerada temerária por petistas, por ser corresponsável por seu governo. Com ela no cargo e a gestão mal avaliada pela população, ele teria dificuldade de sustentar um discurso de campanha.

Pelo conjunto da obra, a ordem, no PT, inclusive dada por Lula, é esquecer 2014 no momento e pensar na governabilidade de Dilma. Os petistas fazem as contas dos aliados com os quais o governo pode, de fato, contar no Congresso até o início do ano que vem, inclusive se a situação da presidente se agravar.

A contabilidade não é animadora. Os petistas colocam o PSD no campo do apoio duvidoso, no qual o PSB já estava incluído, por causa da pré-candidatura do governador Eduardo Campos (PE), presidente nacional do partido, a presidente. Os petistas estão convencidos de que, a esta altura, Eduardo só não disputará se Lula for candidato, em vez de Dilma.


Pelas contas de petistas, Dilma começou o governo com uma base parlamentar no Congresso que contava com 62 dos 81 senadores e 400 dos 513 deputados. Com as manifestações e a queda nas pesquisas, o governo contaria, hoje, com apoio de 37 senadores e 270 deputados. Mas, se a situação de Dilma piorar, a avaliação é que os aliados certos seriam, apenas, 25 no Senado (alguns falam em 22) e 120 na Câmara dos Deputados.

Além de analisar as pesquisas de opinião com lupa, para detectar as fragilidades de Dilma e as reais insatisfações da população, os petistas avaliam os erros cometidos por seu governo. Dilma foi recomendada por aliados a fortalecer o diálogo com os partidos da base. Lula deve ajudar, viajando e conversando mais.

"Quando a popularidade de Dilma estava alta, Lula já nos alertava para pararmos de cantar vitória antes do tempo. Agora, com a queda na avaliação do governo mostrado pelas pesquisas, todo mundo desceu do salto alto", diz um petista. O ex-presidente ainda se nega a admitir a possibilidade de disputar. O desafio do PT é ajudá-la a manter a sustentação no Congresso e a melhorar sua performance nas pesquisas - sempre de olho nos passos da oposição, no momento com foco em Serra.

adicionada no sistema em: 05/08/2013 12:24

sexta-feira, junho 21, 2013

PROTESTOS: ''QUEM TEM MEDO DE VIRGINIA WOOLF?''

21/06/2013
Sem reação, Dilma reúne ministros


A presidente Dilma Rousseff passou a quinta-feira no Palácio do Planalto, cancelou os compromissos fora de Brasília para acompanhar da capital federal as movimentações em todo o país e, à noite, ordenou que nenhum ministro deixasse a capital federal. 


Em reunião com assessores, ela avaliava a possibilidade de fazer um pronunciamento oficial em cadeia nacional de rádio e televisão — a Secretaria de Imprensa da Presidência (SIP), entretanto, negou que ela tenha discutido essa hipótese.


Hoje, Dilma iria para Salvador, onde lançaria o Plano Safra — Semiárido, ao lado de governadores do Nordeste. 

No domingo, embarcaria para Tóquio, onde passaria a semana em visita de Estado, e só retornaria entre os dias 29 e 30. Mas os protestos, que ontem foram os mais violentos das últimas duas semanas, acenderam o sinal vermelho. 

A agenda oficial desta sexta-feira começa às 9h30, em reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e outros titulares de pastas da Esplanada, como Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral, e Gleisi Hoffmann, da Casa Civil.


O problema, entretanto, é que nem o próprio governo sabe bem o que está ocorrendo nas ruas. Além da preocupação com os rumos do país, Dilma e o PT estão temerosos com as implicações eleitorais dos eventos recentes. Tanto que ela tem mantido contato permanente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o marqueteiro João Santana, com quem se reuniu na terça-feira para pedir conselhos e traçar estratégias.


Petistas avaliam que cancelar as viagens é o movimento mais sensato a ser feito pela presidente agora. "Tem um movimento acontecendo no Brasil. Se ela fosse para Salvador, diriam que desprezou o que está ocorrendo no país. Ela tem que estar em Brasília", afirmou o senador Walter Pinheiro (PT-BA). O líder do partido no Senado, Wellington Dias (PI), reconhece que a extensão das manifestações acendeu o alerta no PT e no governo, o que exige uma parada para a reflexão. "Nós teremos que ter a humildade de entender que quem comanda tudo é o povo."

Já a oposição critica esse recolhimento de Dilma, e a avaliação é que a reação do governo está "muito tímida". "O momento recomenda cautela e precauções, e ela deve evitar exposições, que serão, inevitavelmente, desgastantes. Mas a postura do Executivo é de visível constrangimento", afirma o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).

Na avaliação do cientista político Rui Tavares, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o cancelamento de agendas vai além da preocupação da presidente com a situação no país. Ele acredita que existe também uma nítida questão eleitoral. "Basta ver que um dos seus principais conselheiros, com quem ela se reuniu esta semana, é um marqueteiro", sustenta.

Colaborou Paulo de Tarso Lyra

segunda-feira, abril 22, 2013

QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF? (título de filme)

22/04/2013
Mercado resiste a Dilma e busca opções

O Estado ouviu dez influentes integrantes do mercado financeiro. Eles disseram unanimemente ter fortes resistências a Dilma Rousseffe, em especial, a seu ministro da Fazenda, Guido Mantega. O "mercado" divide suas preferências na eleição presidencial do ano que vem entre Aécio Neves e Eduardo Campos, mesmo fazendo ressalvas aos dois.

Setor financeiro resiste a Dilma, mas aponta fragilidades de Aécio e Campos

Cenários de 2014. "Estado" ouviu 10 influentes integrantes do mercado sobre os principais personagens políticos do País que se articulam para disputar a eleição presidencial; sob a condição de anonimato, eles esboçaram opiniões convergentes sobre atual cenário

Julia Duailibi
Sonia Racy


A lua de mel que o mercado financeiro viveu com o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva dissipou-se na gestão da presidente Dilma Rousseff. A atual política econômica tornou-se alvo de críticas do setor que, a um ano e meio da eleição, mostra preferência pelos nomes do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

O Estado conversou com dez influentes integrantes do mercado, entre os quais banqueiros, economistas de instituições financeiras, operadores e donos de fundos de investimento. Com o compromisso de não se identificarem, eles traçaram um diagnóstico convergente sobre a gestão Dilma. Emitiram, ainda, opiniões sobre a sucessão do ano que vem e os demais presidenciáveis.

Apesar da resistência à presidente e, especificamente, ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, os integrantes do mercado avaliam que Dilma vencerá a eleição. E no 1.º turno. Aécio e Campos já buscam aproximação com o mercado, tradicional financiador de campanhas. Neste ano, os dois se reuniram com donos de bancos e gestores de fundos. Dilma, que manteve pouco diálogo com o setor nos dois primeiros anos de mandato, acatou conselho de Lula e, a partir de janeiro, começou a conversar com banqueiros no Planalto.

Dilma desperta mais restrição no mercado que Lula. Após anos de desconfiança mútua, o petista começou a mudar o paradigma em 2002, quando prometeu honrar os contratos por meio da Carta ao Povo Brasileiro. "Lula foi fantástico para pobres e ricos. Dilma, nem para ricos nem para pobres, que estão vendo a inflação corroer salários", disse o dono de um fundo de investimento.

A conjuntura econômica no governo Lula favoreceu a relação. Na sua gestão, contou com cenário externo favorável, que, aliado a uma política de aumento real do salário mínimo e de ampliação dos mecanismos de transferência de renda, permitiu crescimento econômico. Lula manteve integrantes do governo FHC na equipe, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, era executivo de banco.

Dilma recebeu um real valorizado de R$ 1,65 por dólar e assiste à queda no preço das commodities. Além da conjuntura, há o estilo: com ela haveria menos diálogo e mais resistência à iniciativa privada e interferência no BC. Na semana passada, a taxa de juros aumentou 0,25 ponto porcentual e foi para 7,5%, após declarações polêmicas da presidente sobre o tema que afetaram o mercado.

"A imagem de Dilma está em processo de deterioração galopante no mercado. Ela dá sinais conflituosos, interfere na economia com mão pesada e não tem agenda de reformas", afirmou o diretor de um banco estrangeiro. Segundo um operador, Dilma não deve falar sobre juros, pois "descredencia" o Banco Central. Para um investidor, a presidente tem uma visão contrária à iniciativa privada ao tentar, por exemplo, diminuir as taxas de retorno dos investidores.

A posição de integrantes do mercado é ponderada por alguns acadêmicos. Para Francisco Lopreato, da Unicamp, a mudança no patamar de juros na gestão Dilma está por trás da insatisfação. "Você tem que tirar um pouco o doce da boca da criança e, provavelmente, eles vão chorar mesmo."

Em 2011, primeiro ano de gestão Dilma, o BC inaugurou quedas sucessivas na Selic, estreando a primeira em agosto, quando foi de 12,5% para 12%. "Alexandre Tombini ( presidente do BC) não é tão market friendly. Meirelles deixava mais claro o passo que iria tomar. Agora, a relação mudou. Ficou mais incerta", disse Lopreato.

"A presidente fez mudanças importantes na economia, todas elas, aliás, reclamadas por amplos segmentos empresariais: redução dos juros, estabilização cambial, redução do custo da energia, desoneração da folha de pagamentos, investimento em infraestrutura em parceria com o setor privado etc. Como em qualquer mudança, há sempre interesses contrariados, mas creio que são minoritários", disse Ricardo Carneiro, diretor do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Reuniões. Apesar das críticas a Dilma, o mercado já "precifica" a eleição de 2014. "Como ela vai ganhar no primeiro turno, deve minguar o financiamento para os outros candidatos. Ninguém vai por dinheiro sabendo que o candidato vai perder", afirmou o dono de um fundo de investimento.

Aécio desperta a confiança do setor em relação à condução da economia. "Ele é música para os ouvidos do mercado. Ele é visto como o resgate da agenda de FHC. É mais ortodoxo", disse o economista de um banco estrangeiro.

Há resistências, porém, sobre seu modo de vida. "Ninguém acredita que, de fato, queira ser presidente. Sua vida pessoal é incompatível com a vida pública. E sua atuação como senador é uma piada", disse o diretor de um banco estrangeiro. "Não sei se aguenta ser presidente, com uma rotina dura. Parece ficar dividido entre isso e abrir mão da sua vida atual", disse o dono de um fundo de investimentos.

Campos ainda é visto como uma incógnita, mas que suscita interesse. "A opinião dele não está clara, mas não há rejeição do mercado a ele", declarou o banqueiro brasileiro.

"Campos tem história em Pernambuco, está com discurso muito alinhado, aberto a ouvir. É uma luz no fim do túnel, uma alternativa a Dilma", disse o diretor do banco estrangeiro. "Ele não é a primeira opção de ninguém que conheço, mas é definitivamente uma opção", afirmou o economista.

quarta-feira, abril 10, 2013

MENSALÃO: ''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?''

10/04/2013
Feliciano promete sair se PT tirar mensaleiros

Procurador-geral da República reforça pedido ao STF para que abra processo contra o deputado do PSC.
Em ofício enviado ao Supremo, o chefe do Ministério Público Federal, Roberto Gurgel, reafirmou a denúncia — apresentada em janeiro — de que o parlamentar incorreu em crime de discriminação por comportamentos racistas e homofóbicos. Sob forte pressão para deixar a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano(PSC-SP) fez um desafio ao PT, que acusa de estar por trás dos protestos. Ele admitiu renunciar ao cargo desde que o partido afaste João Paulo Cunha {SP) e Genoino (SP), condenados pelo STF no processo do mensalão, da Comissão de Constituição e Justiça. O líder petista, José Guimarães (CE), classificou a proposta de "provocação" e "desaforo".

Pastor faz troça com mensaleiros e irrita PT

Marco Feliciano promete renunciar à presidência da Comissão de Direitos Humanos desde que José Genoino e João Paulo Cunha deixem a CCJ. Petista classifica a declaração de "desaforo"

ADRIANA CAITANO
AMANDA ALMEIDA


A tão esperada conversa do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) com as lideranças parlamentares e a Mesa Diretora da Câmara, marcada para ontem, serviu para esquentar ainda mais a arranhada relação do parlamentar com o PT. 

Ao ser pressionado para deixar o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), o pastor condicionou a renúncia à saída dos réus do mensalão José Genoíno (PT-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). 

O líder petista, José Guimarães (CE), classificou a proposta de "provocação" e "desaforo". Sem a contrapartida, Feliciano disse que fica, mas saiu do encontro com uma bronca do presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que o obrigou a reabrir as sessões do colegiado: "Ele vai ter que se comportar".

Enquanto alguns líderes, como o do PSDB, Carlos Sampaio (SP), se recusaram a participar do encontro porque não vislumbravam qualquer alternativa para a crise, outros saíram dele decepcionados. "Foi uma reunião totalmente desnecessária, sem efeito algum, não deveria nem ter participado, foi só para ouvir desaforos", reclamou José Guimarães, referindo-se à condição imposta por Feliciano para deixar o comando da CDHM. "Quando ele disse que não ia renunciar e pediu que tivéssemos misericórdia, porque estava sendo perseguido, foi desanimador", comentou Ivan Valente (SP), líder do PSol. "Ele quer se manter a qualquer custo, está se colocando como vítima para aproveitar o momento a seu favor e acaba aumentando o impasse", reclamou o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).
[FOTO2]

Os apelos pela saída, porém, não foram unânimes. Muitos líderes evitaram falar, e outros defenderam o direito de o pastor se manter na presidência do colegiado. "É lógico que é uma situação delicada para a imagem da Casa, mas, regimentalmente, não há nada a ser feito. Todos temos direito de nos manifestar dentro dos limites da lei", argumentou o líder do PSD, Eduardo Sciarra (PR). Com o apoio de parte dos colegas, Feliciano saiu do encontro sentindo-se fortalecido. "A maioria dos líderes foi a favor da minha permanência, porque é regimental. Eu fico, fui eleito democraticamente. Estou tentando viver, estou com seis quilos a menos. Deem-me uma chance de trabalhar", disse.

A autoconfiança do pastor, no entanto, esbarrou no Regimento da Casa e na irritação de Henrique Alves. A decisão tomada por Feliciano de fechar as próximas sessões da CDHM teve que ser revogada. "Essa história de comissão proibir o acesso do povo às suas reuniões é inviável, aqui é a Casa do povo", declarou o peemedebista. A entrada de manifestantes nas reuniões, a partir de agora, só poderá ser proibida se os protestos atrapalharem a sessão.

Comportamento

Além de exigir a abertura da comissão, Henrique Alves criticou o comportamento e os comentários de Feliciano. "Ele não pode associar a sua palavra de presidente da comissão e de pastor, não pode ser aqui uma pessoa, exercer a presidência, que tem dever de agregar, e sair daqui e ter uma posição diferenciada, em conflito com as minorias", ponderou. "O compromisso dele agora é de que vai se comportar respeitosamente aqui e fora daqui."

Apesar de não haver mais possibilidades regimentais para Feliciano deixar o comando da CDHM, parlamentares contrários ao pastor ainda estudam medidas alternativas. Por meio de projetos de resolução a serem apresentados à Mesa Diretora, eles querem aumentar o número de integrantes do colegiado, o que poderia esvaziar a hegemonia evangélica na atual composição, ou permitir que um presidente de comissão possa ser deposto do cargo pelo Conselho de Ética em caso de quebra de decoro — atualmente, a única punição possível é a perda de mandato. "Ainda vamos encontrar uma saída", promete André Figueiredo.


À tarde, ao ser questionado se teria condicionado sua renúncia à presidência da CDHM à de deputados condenados pelo mensalão, Feliciano ironizou: "Será que eu falei isso mesmo? Tá gravado?"

"Será que eu falei isso mesmo? Tá gravado?"

Marco Feliciano, deputado do PSC-SP, sobre a possibilidade de deixar a CDHM caso os condenados pelo mensalão deixem a CCJ.
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segunda-feira, abril 01, 2013

''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?'' (Título de filme)

01/04/2013
A ameaça que virou piada

Após divulgar fotografia de mapa com seu plano de guerra, Coreia do Norte vira alvo de deboche para moradores de cidade texana incluída na improvável ofensiva

AUSTIN, EUA
REUTERS


Mal-humorado, pobre e com baixa autoestima, Bisonho, o amigo asno do ursinho Pooh, pode ter um piquenique em sua homenagem destruído num ataque nuclear caso as ameaças de Kim Jong-un se realizem e Austin, no Texas, seja dizimada pelas forças da empobrecida Coreia do Norte.

Os moradores da capital texana ficaram sabendo que eram alvo do mais jovem homem no comando de um arsenal nuclear quando um site especializado em Coreia do Norte analisou o mapa que aparecia no fundo de algumas fotos em que Kim, de 30 anos, se reunia com o Supremo Comando de suas forças armadas. 
Sob a frase "Plano para atacar os EUA no continente", saíam setas da Coreia com direção a pontos citados em prévias ameaças aos EUA. Surpreendentemente, Austin foi identificada como provável alvo, e seus habitantes começaram a zombar do regime que promete disciplinar o imperialismo americano.

No Twitter, os moradores respondiam a pergunta #whyaustin (por que Austin?) com variados deboches, que iam do computador usado por Kim nas fotos ao tipo de churrasco da cidade. Piadas também questionavam se o ataque ao município se devia ao fato de Kim Jong-un não ter sido convidado para o 50º Aniversário do Bisonho, uma festa tradicional que reúne pessoas fantasiadas dispostas a ajudar ONGS locais.

"Ok, povo de Austin, quem estava responsável por enviar um convite a Kim?", se perguntava David Wenger.

Alguns se perguntavam se, de fato, ele apareceria, na festa. Outro fazia referência à má fama do aplicativo de mapas da Apple e ao fato de Kim ser fotografado ao lado de um computador da marca. "Não se preocupem, ele usa os mapas da Apple", dizia. Houve quem associasse a fúria de Kim a sua ausência numa série de shows que ocorreram na cidade em março.

A brincadeira cresceu tanto que até a conta oficial da prefeitura se somou ao jogo, postando um vídeo de 1950 da Guerra Fria sobre um bunker nuclear: "Não se preocupe Austin... estamos preparados".

De acordo com as declarações de autoridades sul-coreanas e americanas, os moradores de Austin podem mesmo rir. Estimativas indicam que a Coreia do Norte alcançaria, no máximo, a costa oeste, dada a capacidade técnica de alguns de seus mísseis de longo alcance. O caráter nuclear do ataque é ainda menos provável, de acordo com o discurso americano, já que a Casa Branca afirma que os norte-coreanos não tem tecnologia nuclear suficiente para equipar os mísseis de longo alcance.

E, mesmo que haja mísseis capazes de atacar o Texas, parece improvável que o percurso de 11 mil quilômetros entre Pyongyang e Austin fosse realizado sem que Seul, Tóquio ou Washington derrubassem o projétil ainda no ar.
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quinta-feira, fevereiro 28, 2013

QUEM TEM MEDO DE YOANI SÁNCHEZ ?

28/02/2013
Yoani, a mais recente batalha da guerra fria 

:: Francisco Ferraz


A reação de setores da esquerda à visita da jornalista cubana Yoani Sánchez ao Brasil revelou alguns aspectos da política brasileira atual que exigem uma análise objetiva e desapaixonada. 

A julgar pelas reações hostis a Yoani, impõe-se uma pergunta inevitável: ela significa alguma ameaça ao Brasil? Que atos terá praticado contra a humanidade para ser percebida como inimiga no País, mesmo que nunca antes tivesse aqui pisado? Qual o imenso e assustador poder que essa jornalista tem para assustar e ameaçar os governantes cubanos, o governo brasileiro, seu partido e sua base parlamentar?

Yoani é uma vítima da guerra fria. Ela conseguiu colocar sua insignificante pessoa na rota dos conflitos entre os grandes. Sua presença, seu exemplo, seu pensamento constituem uma ameaça real ao regime cubano porque são vistos como sinais de fraqueza por seus inimigos - internos e externos.

Mas, e o Muro? O Muro não caiu em 1989? A guerra fria não terminou com a débâcle da Únião Soviética e o fim do comunismo? Não.

É necessário rever conceitos e algumas "verdades" estabelecidas. Não podemos confundir o pertencimento geográfico a um mesmo mundo com um pertencimento decorrente de uma história comum. 

Na realidade, há um abismo entre as sociedades do Hemisfério Norte - suas histórias, seus traumas, suas instituições, suas culturas, sua organização social, seus problemas e desafios - e as sociedades do Hemisfério Sul.

Vivemos num mesmo mundo apenas pelo imperativo geográfico, pela instantaneidade das comunicações e por processos sociais e econômicos de que participamos principalmente como espectadores e consumidores. Quando se tratado uso de produtos materiais que, sem dificuldade, incorporamos à nossa vida, a diferença entre quem os inventou e produz e quem os consome é de menor importância.

Há, entretanto, uma grande diferença na importação de produtos culturais, que resultam da experiência histórica de sociedades diferentes. Os grandes episódios da História ocidental, como as Revoluções Francesa e Russa, o nazismo e o comunismo, a 1ª e a 2ª Guerras Mundiais, a guerra fria e ameaça atômica, a débâcle do comunismo, nós os vivemos vicariamente, como leitores curiosos ou espectadores distantes, que podem escolher o que, quanto, quando e como desejam incorporá-los à sua vida.

Não temos, nem o Brasil nem a América Latina, nenhum significado existencial do que seja uma guerra. No Hemisfério Norte as pessoas não somente sabem, como guardam lembranças familiares amargas de suas consequências.

Não temos o menor significado existencial do que é uma revolução, tampouco o que é um regime totalitário como o nazismo e o stalinismo. Temos um conhecimento livresco, ou romântico, sobre o comunismo. Nada que equivalha ao conhecimento de russos e europeus que o viveram.

Para nós, terror é um gênero cinematográfico. Não temos nenhuma ideia do que é o terror como uma categoria da práxis política ou do que foi o holocausto como tragédia e pavor.

Essa a razão por que teorias, ideologias, conceitos, instituições, valores, interpretações do passado, embora usando-se os mesmos nomes, sofrem uma violenta refração de significado quando se deslocam do Hemisfério Noite para o Hemisfério Sul.

Nós os importamos desidratados. Passamos a usá-los com a leveza e até inconsequência de quem, não tendo vivido sua realidade, também não adquiriu a prudência, a lucidez, o senso crítico que só aquele "saber de experiências feito", de que fala Camões, ensina.

Fascista é um termo que evoca lembranças marcadas a fogo para um europeu. Para nós não passa de um adjetivo.

Por essas razões os muros que caíram de forma tão estrepitosa na Europa, teimam em não cair aqui... Como não têm significados existenciais para nós, podem continuar em pé, mesmo quando a realidade que os levantou alhures já deixou de existir.

Assim a queda do Muro de Berlim não tem a menor importância para a política brasileira nem potencial politicamente explorável entre nós, como não têm importância para a política europeia o futuro de Cuba, a doença de Hugo Chávez ou as decisões da Unasul.

O apoio do Brasil ao Irã, apesar da perseguição a gays, mulheres e cristãos, a proteção estendida a Cesare Battisti, o silêncio em relação aos prisioneiros políticos em Cuba e o tratamento de inimiga dado a Yoani são chocantemente contraditórios com a tradição política do PT e da esquerda brasileira, e com a sua política de direitos humanos.

A oposição acusa de "incoerência" o PT e a esquerda por essas atitudes políticas. Aliás, essa é a principal arma em que repousa a esperança da oposição para abalar o governo do PT e seu projeto político. Essa acusação, entretanto, não produz nenhum efeito político importante. Não constrange os acusados da incoerência nem é compreendida pelo eleitor médio.

Na verdade, para o PT e para a esquerda não há incoerência. 

O que a oposição chama de incoerência é a necessária subordinação à lógica férrea da guerra fria. Assim a ação política dos historicamente deslocados sobre uma população com baixa informação e avaliação crítica acaba por conferir realidade àquele muro virtual.

Por isso Cuba precisa ser protegida. Cuba é o ícone que sobrou, o símbolo que resta. O ícone que a URSS deixou de ser.

O muro emblemático da esquerda na América Latina não é o de Berlim. Esse é o muro do Hemisfério Norte. O muro emblemático, cuja queda significaria o fim do comunismo e do socialismo para a América Latina, é Cuba.

E por isso que Yoani é perigosa para Cuba, para o bolivarianismo de Chávez, para o PT e seu governo. Na guerra fria do Hemisfério Sul ela é uma peça tão importante quanto eram os literatos e bailarinos russos que fugiam para o Ocidente nas décadas de 50 e 60.
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:: Francisco Ferraz. Professor de Ciência Política na UFRGS, pós-graduado pela Universidade de Princeton, é diretor-presidente do site Política para políticos (www. politicaparapoliticos.com.br)
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sexta-feira, fevereiro 22, 2013

''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF?'' *


22/02/2013 - 03h00

Morte de pacientes de UTI não tem razão financeira, diz apuração

CURITIBA/FOLHA DE SP


Investigação conduzida pela Prefeitura de Curitiba não apontou evidências de que tenha havido vantagem financeira com a morte de pacientes no hospital em que trabalha a médica Virgínia Helena Soares Souza, 56, presa nesta semana sob suspeita de homicídio qualificado.


A investigação, que ocorre paralelamente à da Polícia Civil, tem o apoio de um auditor do Ministério da Saúde.

A polícia apura se a médica provocou a morte de pacientes na UTI geral do Hospital Universitário Evangélico. Ela nega as acusações.


Segundo a polícia, há indícios de que pacientes do SUS tenham sido mortos para "liberar" vagas para outros que pagariam pelo serviço. O hospital tem uma dívida de cerca de R$ 260 milhões.


Para a comissão que investiga o caso, porém, essa suspeita não se sustenta.
"A gente acredita que é uma coisa isolada, de uma das UTIs e especificamente de uma pessoa. Não é ordem superior, não é política do hospital", afirma o auditor Mário Lobato da Costa.

Ele justifica que os convênios pagam quase a mesma diária que o SUS e são muito rigorosos ao avaliar despesas.


Henry Milleo/Gazeta do Povo/Folhapress
A médica Virginia Helena Soares de Souza, medica chefe da UTI do hospital Evangélico, foi presa pela Polícia Civil
A médica Virgínia Helena Soares de Souza, médica chefe da UTI do hospital Evangélico, foi presa pela Polícia Civil

BILHETE

Bilhete divulgado ontem pelo site G1 mostra suposto pedido de uma paciente para que fosse retirada do hospital.

Ao "Jornal Nacional", a mulher disse que ficou internada em dezembro de 2012 e ouviu a médica mandando que desligassem seus aparelhos. "Se eu não conseguisse [sobreviver], eu não tinha chance. Só que daí uma enfermeira viu que eu estava 'agoniando' e ligou de novo."

Médica há 30 anos, Virgínia chefiava o setor desde 2006. "Ela mandava e desmandava naquele lugar", afirmou à Folha um colega.

A defesa, que afirma não haver provas contra Virgínia, diz que pedirá a liberdade dela.
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(*) Título de filme.
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quarta-feira, fevereiro 20, 2013

QUEM TEM MEDO DE YOANI SÁNCHEZ ? *


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Blogueira cubana aceita convite do PSDB e vai a Brasília visitar Congresso

20 de fevereiro de 2013 | 2h 02

DENISE MADUEÑO , JOÃO DOMINGOS , 
BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
A blogueira cubana Yoani Sánchez mudou sua agenda no Brasil e decidiu partir hoje de Feira de Santana (BA) para Brasília, onde fará uma visita ao Congresso. 
Vítima da hostilidade de movimentos de esquerda, que impediram na segunda-feira a exibição do documentário Conexão Cuba-Honduras (mais informações nesta página), Yoani confirmou presença no Congresso a convite do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) e do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), comprometeu-se a pôr em votação na sessão de hoje um requerimento solicitando que a Polícia Federal proteja a blogueira durante sua permanência em território brasileiro. Alves levará ao plenário um texto alternativo ao requerimento original apresentado ontem pelo deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que não foi aceito por setores governistas. "Essa não é uma questão de oposição ou de governo. (O tratamento a Yoani) está constrangendo o Brasil todo. Não é tradição do povo brasileiro (esse tipo de manifestação)", afirmou Henrique Alves.
"Ela tem sido agredida no País e não aceitamos isso. Yoani Sánchez é uma cidadã estrangeira, dissidente do regime ditatorial cubano e deve ter total proteção do Estado democrático brasileiro", afirmou Mendonça Filho.
No requerimento, o deputado também pediu à PF que investigue a atuação de Augusto Poppi Martins, assessor da Secretaria-Geral da Presidência, que, segundo a revista Veja, estaria envolvido em um suposto plano de espionagem e perseguição política à blogueira, em articulação com o governo de Raúl Castro. A Secretaria-Geral confirmou que Poppi Martins recebeu um CD com informações sobre a blogueira, mas negou seu envolvimento em um complô.
O líder do PPS, Rubens Bueno (PR), divulgou nota de apoio a Yoani, "símbolo da luta pela democracia em seu país". Ele considerou "inadmissíveis" as manifestações como a ocorrida em Feira de Santana, quando militantes de grupos de esquerda impediram a exibição do documentário.
"Democracia e liberdade de opinião não podem descambar para manifestações de fanatismo retrógrado", afirmou a nota de Bueno. Referindo-se à reportagem de Veja, o PPS também condenou a "utilização do aparelho estatal e a participação de funcionários do governo, até do Palácio do Planalto, na distribuição de um dossiê delirante contra a blogueira, que nada mais fez em seu país do que lutar pelos direitos de liberdade de opinião e manifestação de um povo".
Bueno afirmou ainda que Yoani merece o apoio de todos que lutam pela liberdade dos povos e defendem a plena democracia. "E o governo brasileiro tem a obrigação de garantir a segurança e o pleno direito de ir e vir da blogueira durante a sua passagem pelo País."
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(*) Paráfrade de "Quem tem medo de Virgínia Woolf.
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quarta-feira, novembro 07, 2012

''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF ?'' (3)



Eremildo e Gilberto Carvalho



Autor(es): Elio Gaspari
O Globo - 07/11/2012
 

Eremildo não entende por que a oposição insiste em contestar a versão oficial do assassinato de Celso Daniel, o prefeito de Santo André que em 2002 chefiava a coordenação da campanha de Lula. Ele acha que ocorreu um sequestro de bandidos e ponto final. É verdade que o irmão do morto contou ao Ministério Público que o ex-secretário de governo do município, Gilberto Carvalho, confidenciou-lhe que levava ao comissariado petista propinas arrecadadas na cidade.
Há dez anos, o médico João Francisco Daniel dizia que "o PT tem caixa dois, como qualquer outra legenda". Mesmo sendo um idiota confesso, Eremildo reconhece que, em relação à caixinha, o irmão de prefeito estava certo. Afinal, esse trambique tornou-se a espinha dorsal da defesa dos companheiros no Supremo Tribunal Federal.
À época, o irmão do morto foi desqualificado pela viúva e por Gilberto Carvalho. Atribuiram suas acusações a "um desequilíbrio emocional visível". Eremildo entendeu.
São Paulo é uma cidade violenta e, talvez por isso, cinco pessoas relacionadas com a morte de Celso Daniel foram assassinadas. Uma num presídio. Outras duas, a tiros.
O garçom que serviu o jantar do prefeito antes do sequestro acabou-se numa moto, fugindo de uma perseguição. A testemunha desse acidente morreu a bala.
Considerando-se que os conspiromaníacos já contaram 103 mortes estranhas de pessoas ligadas ao presidente John Kennedy e ao seu assassinato entre 1963 e 1976, o número de Santo André é miserável.
O que incomodou Eremildo foi a resposta que Gilberto Carvalho, atual secretário-geral da Presidência, deu à acusação de Valério, de que o comissariado teria pedido ajuda financeira para calar chantagistas de Santo André. Carvalho repetiu que nunca viu o companheiro financista e acrescentou: "Tenho até que respeitar o desespero dessa pessoa."
Essa foi forte para o idiota. Seria razoável poupar o irmão de Celso Daniel em nome de um hipotético "desequilíbrio emocional visível". "Respeitar o desespero" de um réu confesso a quem nunca viu é um exagerado exercício de caridade.
Uma coisa seria dizer que Valério está desesperado porque delinquiu e viu-se condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Respeitá-lo por isso é cortesia que escapa à percepção do idiota. Talvez Carvalho pudesse falar, no máximo, em piedade. Afinal, a acusação feita por Valério é mais grave do que quaisquer malfeitorias citadas nas 50 mil páginas do processo do mensalão, pois envolve um homicídio. Eremildo é um idiota, mas conhece diversas pessoas que não o são. Algumas dão a Valério o benefício da dúvida, nenhuma respeita-o.
O procurador-geral da República informa que, até agora, Marcos Valério não é um réu colaborador. Pelo conhecimento do idiota, Roberto Gurgel leu tudo o que Valério contou ao Ministério Público. A acusação deveria levar o PT e Gilberto Carvalho a pedir a abertura de um novo processo. Se o caixa do mensalão tiver provas de que botou dinheiro na conta de companheiros ligados ao esquema de Santo André, os comissários deverão se explicar à Justiça. Por enquanto, a bola de ferro continua presa ao tornozelo de Valério. Eremildo não entende por que o secretário-geral da Presidência respeita um condenado desesperado.
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''QUEM TEM MEDO DE VIRGÍNIA WOOLF ?'' (2)



Partidos pedem que Gurgel investigue Lula



Autor(es): Por Cristine Prestes e Juliano Basile |
De São Paulo e Brasília
Valor Econômico - 07/11/2012

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma hoje o julgamento do processo do mensalão com a continuidade da definição das penas - a chamada dosimetria - aos 25 réus condenados pelo plenário da Corte. Em fase final, o mensalão ganhou, ontem, um novo pedido de investigação. Parlamentares do PPS e do PSDB ingressaram com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eles querem que seja aberta uma investigação sobre a suposta participação de Lula no mensalão.
A representação baseia-se em reportagem da revista "Veja" envolvendo o empresário Marcos Valério, apontado como o operador do mensalão e condenado pelo STF por peculato, corrupção ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo a revista, Valério teria declarado ao Ministério Público que foi procurado para conseguir dinheiro para um empresário disposto a extorquir dinheiro de Lula e de seu chefe de gabinete, então ministro Gilberto Carvalho, com supostas informações sobre corrupção no caso da morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel.
O documento é assinado pelo presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), o líder do partido na Câmara, deputado Rubens Bueno (PPS-PR), o líder do PSDB no Senado, senador Álvaro Dias (PR), o líder da minoria na Câmara, deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Nele, os parlamentares afirmam levar ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, "alguns fatos que, em tese, poderiam ensejar a propositura de uma nova ação penal, intimamente ligada àquela já referida [a do mensalão]".
De acordo com o documento, os parlamentares referem-se "à suspeita, até aqui não confirmada, de que o representado, ex-presidente da República, poderia estar por trás de toda a engrenagem criminosa que foi desbaratada pela CPI dos Correios e que, agora, restou comprovada e reconhecida pela histórica decisão" do STF. "É fato público e notório que, à época dos fatos, existia uma íntima ligação política e pessoal entre o representado e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, entendido como o chefe da quadrilha pelo Supremo", diz o documento. "Nesta perspectiva, indaga-se: a teoria do domínio do fato, que foi utilizada para a condenação de José Dirceu, não poderia ser aplicada - e com muito mais razão - ao chefe do próprio José Dirceu?"
A teoria do domínio do fato, pela qual é possível atribuir responsabilidade penal a quem pertence a um grupo criminoso, mas não praticou diretamente o delito porque ocupava posição hierárquica de comando, foi utilizada pelo STF para condenar Dirceu por corrupção ativa e formação de quadrilha no processo do mensalão. Segundo a representação dos partidos, outra reportagem da revista afirma que Valério teria dito a pessoas próximas que estaria disposto a contar tudo, e conclui que ele poderia indicar "os caminhos para a obtenção das provas que sejam suficientes para a propositura de uma ação penal" contra Lula. O pedido será analisado pelo procurador-geral, que pode arquivá-lo ou pedir providências para a realização de uma investigação.
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