A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
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sábado, novembro 24, 2007
EDITORIAL: MENSALÃO TUCANO/MG [OS FATOS E AS VERSÕES...]

“CONHEÇA A VERDADE ...”.
Há pouco, revisando o noticiário da semana, deparamos com três fatos que nos chamaram a atenção: i) o rompimento da bancada de senadores do PTB com o “bloco da maioria governista”; ii) a denúncia do Procurador Geral da República, Antonio Fernando Souza, sobre o desvio de recursos públicos, na campanha de 1998, para a reeleição de Eduardo Azeredo [hoje, senador pelo PSDB-MG] ao governo de Minas Gerais, o qual ficou conhecido como o “mensalão tucano” e iii) o pedido de afastamento do cargo do Ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia e sua substituição pelo deputado federal José Múcio (PTB-PE).
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1. A versão, em relação ao rompimento da bancada de senadores do PTB, segundo Romeu Tuma, significa que os petebistas não estão passando para a oposição e sim, adotando uma postura “mais independente” sem fechar questão nem contra nem a favor da aprovação da emenda que prorroga até 2011 a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A tese de não rompimento também foi defendida pelo [ainda] líder do governo na Câmara, deputado José Múcio (PTB-PE). Nestes termos, Tuma disse que “os senadores petebistas pedirão à Executiva Nacional do partido que não feche questão em relação à votação da CPMF”. Conforme foi divulgado, participaram da reunião, além de Tuma, os senadores Epitácio Cafeteira[1] (MA), Gim Argelo[2] (DF), Mozarildo Cavalclanti (RR) e Sérgio Zambiazzi (RS).
O fato político é que, desvinculando-se da “liderança da Maioria”, tendo a frente à senadora Ideli Salvatti (PT-SC), a bancada do PTB passará a ter um líder próprio, com direito à voz nas sessões do Senado. Embora Tuma não tenha mencionado os motivos do rompimento, é sabido que esse movimento foi motivado pelo fato da senadora Ideli Salvatti ter substituído Mozarildo Cavalcanti na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), depois que ele decidiu votar contra a emenda da CPMF. Por sua vez, Mozarildo disse que “a decisão de deixar o bloco é irreversível. Vamos ter independência da base. Não queremos ser tratados como partido de segunda categoria”.
2. O segundo fato [criminoso] da semana se relaciona com o terceiro. Dia 20 de novembro de 2007, o Procurador-Geral da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF), com base nos elementos probatórios constantes do Inquérito nº 2280, do Ministério Público Federal (MPF), o senador Eduardo Brandão de Azeredo (PSDB-MG), o então ministro das Relações Institucionais, Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto, o empresário e publicitário Marcos Valério Fernando de Souza e mais 12 acusados de “peculato e lavagem de dinheiro” (MPF, 2007, p. 5). Eles são suspeitos do desvio de recursos públicos para a campanha derrotada de Azeredo, em 1998, à reeleição ao governo de Minas Gerais. A denúncia sobre esse esquema ficou conhecida como “mensalão tucano”. À época, Mares Guia era vice-governador de Minas e trabalhava na campanha eleitoral de Azeredo como arrecadador informal de recursos financeiros. De acordo com a denúncia do Procurador-Geral: “O esquema envolveu as seguintes situações: a) desvio de recursos públicos do Estado de Minas Gerais, diretamente ou tendo como fonte empresas estatais; b) repasse de verbas de empresas privadas com interesses econômicos perante o Estado de Minas Gerais, notadamente empreiteiras e bancos, por intermédio da engrenagem ilícita arquitetada por Clésio Andrade, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Marcos Valério, em conjunto com o Banco Rural; e c) utilização dos serviços profissionais e remunerados de lavagem de dinheiro operados por Clésio Andrade, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Marcos Valério, em conjunto com o Banco Rural, para garantir uma aparência de legalidade às operações referidas anteriormente, inviabilizando a identificação da origem e natureza dos recursos. A presente denúncia, considerando o comprovado envolvimento de Eduardo Azeredo e Walfrido dos Mares Guia, cujas presenças no pólo passivo justificam a competência dessa Corte Suprema, abarca as imputações de desvios de recursos públicos praticados em detrimento da Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa e da Companhia Mineradora de Minas Gerais – Comig, no montante de um milhão e quinhentos mil reais cada um, o desvio de quinhentos mil reais do Grupo Financeiro do Banco do Estado de Minas Gerais – Bemge, bem como as operações de lavagem de ativos empreendidas em decorrência dos desvios citados. A partir da definição da chapa que concorreria ao cargo de Governador do Estado de Minas Gerais, composta por Eduardo Azeredo, integrante do Partido da Social Democracia – PSDB, e Clésio Andrade, filiado ao Partido da Frente Liberal, atual Democratas9, teve início a operação para desviar recursos públicos da Copasa, da Comig e do Bemge em benefício pessoal dos postulantes aos cargos de Governador e Vice, respectivamente. Diante da demanda de recursos que a campanha eleitoral exigiria, Eduardo Azeredo, Walfrido dos Mares Guia, Cláudio Mourão e Clésio Andrade, tendo em vista a condição de integrantes da cúpula do Estado de Minas Gerais e da organização da campanha eleitoral, delinearam o modo de atuação que seria empregado para viabilizar a retirada criminosa de recursos públicos da Copasa, Comig e Bemge. Eduardo Azeredo, Walfrido dos Mares Guia e Cláudio Mourão, em concurso com Eduardo Guedes, Ruy Lage (fato prescrito), Fernando Moreira, José Cláudio Pinto Rezende (falecido), Lauro Wilson, Renato Caporali, José Afonso Bicalho, Gilberto Machado (fato prescrito), Sylvio Romero, Eduardo Mundim, Jair Alonso de Oliveira e Maurício Horta (fato prescrito) viabilizariam a saída de recursos públicos da Copasa, Comig e Bemge”, (MPF, 2007, p. 8-10), [grifamos].
Na versão do senador Eduardo Azeredo, negando os fatos, ele afirmou que a denúncia do Procurador não é motivo para se deixar o partido, pois, “não há motivo para isto, sempre honrei o PSDB e vou continuar praticando uma boa política”. O senador também divulgou nota negando a existência de desvio de recursos na sua campanha de reeleição ao governo e que não existiu mensalão em Minas Gerais. Aproveitou ainda para lamentar que o relatório da Polícia Federal, oferecendo respaldo para a denúncia, “tenha se baseado em falsa documentação”, uma vez que “trata-se de um engodo politicamente manipulado por meus adversários políticos. Tal documentação foi fabricada por um lobista que responde a diversos processos”.
3. O fato correlato:
O ex-ministro Mares Guia tomou posse no dia 23 de março de 2007. Sua missão era o de “articulador político” do governo Lula, em substituição a Tarso Genro. Na cerimônia de posse, Lula enfatizou as qualidades de um ministro que ele chamou de "unanimidade" entre os congressistas. Segundo o Presidente, “Ele chega a tomar café com deputado. Ele almoça com deputado. Ele ainda se dá ao luxo de jantar com deputado. E, se vacilar, ele faz a sobremesa com os senadores”. Finalizando, Lula acrescentou: “Depois de conversar com deputados e senadores da oposição, de direita, de esquerda, de centro, de qualquer lado, a unanimidade é que Walfrido é o ministro que mais gosta de deputado e senador”.
Essa “unanimidade” também foi expressa pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao avaliar a saída do (ex-)ministro de Mares Guia, como “uma perda para o governo, porque ele tem um papel de articulação política fundamental, que ele faz muito bem. É um companheiro solidário, mas nós continuaremos fazendo as negociações mesmo sem ele. Não acredito que vá haver prejuízo, porque acredito que vamos aprovar a prorrogação da CPMF”. O mesmo sentido foi dado pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que afirmou que a saída do colega, do governo, não prejudicará as articulações para a prorrogação da CPMF, que tramita no Senado.
Contudo, outro fato contido na denúncia do Procurador-Geral aponta que “Walfrido dos Mares Guia também era um dos responsáveis por indicar as pessoas que receberiam os recursos da campanha, fruto dos crimes descritos”, (MPF, 2007, p. 13).
Por sua vez, tão logo fora denunciado pelo procurador-geral da República, por envolvimento com o mensalão mineiro, Walfrido Mares Guia, pediu demissão. Segundo o jornal “O Estado”, sua saída fora acertada na noite anterior com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em carta endereçada ao presidente Lula, Mares Guia diz que “a acusação é injusta e improcedente" onde encerra dizendo que sai “para se defender” e “não causar embaraços à sua gestão”:
"Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Senhor Presidente, quando aceitei seu honroso convite para assumir o Ministério do Turismo e, posteriormente, a Secretaria de Relações Institucionais, o fiz com a tranqüilidade de que tenho uma vida idônea, transparente e marcada por êxitos que obtive à custa de muito trabalho. (...). Nem a Polícia Federal, nem o próprio Procurador deram-me o direito de prestar os esclarecimentos ao longo dos quase dez anos nos quais investigou-se esse assunto (...). Como lhe disse anteriormente, se tivesse um milímetro de dúvida sobre minha biografia, jamais teria aceitado este cargo. Essa convicção me permite afirmar que nunca participei de qualquer reunião sobre o assunto que ora move o Procurador-Geral da República em sua acusação ou dele tive ciência ao longo da campanha eleitoral de 1998, período no qual dediquei-me intensamente à minha eleição para a Câmara dos Deputados. A acusação é injusta e improcedente. Isso ficará provado no curso do processo. (...). Respeitosamente, WALFRIDO DOS MARES GUIA. Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Relações Institucionais”.
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Fatos semelhantes de malversação do dinheiro público também fora divulgado em Maringá (PR). Nesta semana (19), segundo o noticiário local “O juíz da 4ª Vara Cível de Maringá, Alberto Marques dos Santos condenou o presidente da Câmara de Vereadores, João Alves Correa (John) (PMDB) por não acatar ordem judicial para a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a compra, suspeita de superfaturamento, de 20 computadores portáteis. Na sentença, o juiz condenou o presidente a pagar multa no valor equivalente a 30 vezes a maior remuneração recebida por John, durante a Presidência da Câmara, com correção pelo INPC do IBGE, mais um por cento de juros ao mês. Sem juros e correção, o valor seria de algo próximo a R$ 262 mil. John foi condenado também a pagar as custas processuais e os honorários. O presidente da Câmara, livrou-se, no entanto, da suspensão dos direitos políticos, que resultaria em perda de mandato. Em agosto de 2006, o juíz da 2ª Vara Cível, Airton Vargas da Silva, determinou que fosse aberta, no prazo de cinco dias, a CEI para investigar a contra, suspeita de superfaturamento, de 20 laptops, dois tripés de filmadora e de alguns acessórios para a câmara. O presidente da Câmara recorreu da decisão e a CPI só foi aberta 80 dias após a determinação judicial. Os equipamentos foram comprados em 2005. O Ministério Público acusa a licitação de ter sido dirigida e vê superfaturamento na aquisição dos equipamentos. A condenação é em primeira instância e cabe recurso” (O Diário), [grifamos].
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O título deste Editorial está baseado em [São] João (8: 32): “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Esta é a nossa sugestão em relação a todas as notícias veiculadas sobre o comportamento-conduta-desempenho dos políticos em Brasília, nas capitais dos Estados e nos Municípios deste País. Por certo, a verdade te libertará frente à urna eleitoral eletrônica em 2008, 2010, 2014, [...] e não dentro da urna funerária, pelo arrependimento da procuração dada a eles, em forma de teu voto.
[1] O senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), foi o relator pela absolvição de Renan Calheiros (PMDB-AL), mantida pelo seu sucessor, no primeiro processo de cassação (caso Mônica Veloso).
[2] O senador Gim Argelo (PTB-DF) é suplente do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF). Ambos respondem por acusações de recebimento de dinheiro, no caso “Nenê Constantino” (da GOL), através da “Operação Aquarela”, da Polícia Federal. É necessário lembrar ainda que o senador Romeu Tuma (PTB-SP), à época, DEM, era o corregedor do Senado e, como tal, teve acesso a essas informações por intermédio do juiz Roberval Belinati, da 1ª Vara Criminal do Distrito Federal.
[3] Foto: Estadão online.
sexta-feira, novembro 23, 2007
GOVERNO LULA: MINISTROS & M[IN]ISTÉRIOS


MENSALÃO MINEIRO: LISTA DOS ENVOLVIDOS
Na época, o ministro de Relações Institucionais Walfrido dos Mares Guia era vice-governador de Minas e trabalhava na campanha eleitoral de Azeredo como uma espécie de arrecadador informal de recursos financeiros.
Alem de Azeredo e Walfrido, outros 13 foram denunciados. Veja abaixo a lista dos 15 denunciados:
1. Eduardo Brandão de Azeredo - atual senador pelo PSDB-MG e governador de Minas de 1995 a 1998, quando disputou a reeleição e perdeu;
2. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto - atual ministro de Relações Institucionais e coordenador da campanha à reeleição de Azeredo em 1998;
3. Cláudio Mourão da Silveira - tesoureiro da campanha de Azeredo nas eleições de 1998;
4. Clésio Soares de Andrade - candidato a vice-governador de Minas pelo PFL (atual DEM) em 1998, quando Azeredo disputou a reeleição e ex-vice-governador de Minas de 2003 a 2006, durante o primeiro mandato do governador Aécio Neves (PSDB). Também foi sócio da SMPB Comunicação Ltda. criada por Valério para desviar os recursos para a campanha de Azeredo;
5. Marcos Valério Fernandes de Souza - empresário e publicitário;
6. Ramon Hollerbach Cardoso - publicitário e sócio de Valério;
7. Cristiano de Mello Paz - empresário e sócio de Valério;
8. Eduardo Pereira Guedes Neto - foi secretário-adjunto de Comunicação Social de 1997 a 1998 no governo de Azeredo;
9. Fernando Moreira Soares - foi diretor Financeiro e Administrativo da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais);
10. Lauro Wilson de Lima Filho - foi diretor de Administração e Finanças da Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais);
11. Renato Caporali Cordeiro - foi diretor de Desenvolvimento e Controle de Negócios da Comig (Companhia Mineradora de Minas Gerais);
12. José Afonso Bicalho Beltrão da Silva - foi diretor-presidente do BEMGE (Banco do Estado de Minas Gerais) de 1995 a 1998. Foi responsável por cinco repasses de R$ 100 mil para a SMP&B Comunicação;
13. Jair Alonso de Oliveira - foi diretor da Bemge Distribuidora de Valores Mobiliários S/A;
14. Sylvio Romero Perez de Carvalho - foi diretor da Bemge Administradora de Cartões de Crédito Ltda.;
15. Eduardo Pimenta Mundim - foi gerente comercial da Bemge Administradora de Cartões de Crédito Ltda.
MENSALÃO: A HORA E A VEZ DO PSDB

Prevê-se que o grosso do trabalho adicional será feito pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais. Antonio Fernando já remeteu para a procuradoria mineira documentos que considera úteis para o desdobramento das apurações. Envolvem pessoas que, sem mandato eletivo ou funções ministeriais, não dispõe da chamada prerrogativa de foro. Significa dizer que não precisam ser processados no STF. As novas denúncias podem ser ajuizadas na primeira instância do Judiciário. Entre os implicados estão o publicitário Duda Mendonça e a sócia dele, Zilmar Fernandes. Embora mencionada na denúncia já formalizada contra Eduardo Azeredo, Walfrido dos Mares Guia e outros 13 personagens, Duda e Zilmar não constaram do rol de acusados. A exemplo do que ocorreu no caso do mensalão petista, a agência de Duda foi contratada para prestar serviços à campanha de Azeredo, em 1998. Contrato no valor de R$ 4,5 milhões. Mas só R$ 750 mil foram lançados na escrituração oficial da campanha. O resto transitou por baixo da mesa. O dinheiro proveio do esquema fraudulento montado por Marcos Valério e seus sócios. Antonio Fernando de Souza deseja levar aos tribunais também os gestores do Banco Rural, instituição financeira já encrencada no mensalão do PT. Acusa-os de conceder "empréstimos fictícios" a empresas de Marcos Valério, para irrigar as arcas eleitorais da coligação de Eduardo Azeredo. Empréstimos liquidados com recursos desviados de empresas públicas mineiras e obtidos de empresas privadas com interesses junto ao governo do Estado. O procurador-geral encomendou também o detalhamento das investigações em relação a essas empresas privadas que injetaram verbas nas arcas tucanas de Minas. Nesse ponto, as investigações vão alcançar a Samos Participações Ltda., firma na qual Walfrido dos Mares Guia detém 99% do capital. Emprestou R$ 507.134, para pagar dívida de campanha reclamada pelo ex-tesoureiro de Eduardo Azeredo, Cláudio Mourão. O dinheiro foi obtido pela Samos por meio de empréstimo contraído em 26 de setembro de 2002 no Banco Rural. Operação avalizada pelo próprio Mares Guia e por Azeredo. O ex-coordenador político de Lula jamais reclamou a devolução do numerário. O dinheiro que foi entregue ao ex-tesoureiro, segundo o Ministério Público, como parte de uma “operação abafa.” Funcionou como uma espécie de cala boca, já que Mourão ameaçava “revelar as operações delituosas ocorridas em 1998”. Por último, o procurador-geral quer que continuem a ser esmiuçados os repasses monetários feitos ao ex-juiz eleitoral Rogério Lanza Tolentino e à mulher dele, Vera Maria Soares Tolentino. A dupla recebeu, entre agosto e outubro de 1998, cinco pagamentos da coordenação financeira da campanha de Azeredo. Somaram R$ 302.350. Vieram, de acordo com o Ministério Público, do bolo de R$ 3,5 milhões desviados de empresas públicas mineiras. Na época dos repasses, Rogério Tolentino era juiz eleitoral. Suspeita-se que, nessa condição, tenta votado a favor de Azeredo em processos que envolviam o candidato. O caso foi noticiado pela Folha em 30 de setembro de 2007. Ouvido na ocasião pelo repórter Frederico Vasconcelos, o ex-juiz disse que atuara como "advogado da agência SMPB, de Marcos Valério, entre 1988 e 2005." Daí os repasses, que seria meros pagamentos de honorários. Parte do dinheiro foi parar na conta da mulher, segundo ele, "por mera comodidade ou para evitar a cobrança de CPMF".
Escrito por Josias de Souza, Folha Online, 2311. Foto Folha.
IPEA & BANCO CENTRAL: NOVOS RUMOS?
SENADORES: "NAS ONDAS DO RÁDIO..."
A aproximação do julgamento do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que está licenciado da presidência do Senado e poderá ter o mandato cassado por acusação de usar laranjas na compra de duas rádios em Alagoas, reacende a discussão sobre a proibição a parlamentares de obter e manter concessões de emissoras de rádio e TV.
Andrea Vianna, BRASÍLIA. Estadão, 2311.
' QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA ?'
Primeira tarefa é cuidar do PTB, diz ministro José Múcio. O novo ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, afirmou que a primeira tarefa será reorganizar o apoio de seu partido, o PTB, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os senadores petebistas decidiram deixar o bloco de apoio ao governo em retaliação à liderança da petista Ideli Salvatti (SC). “Primeiro tem que cuidar da casa para, depois, sair para a rua. Conversei com alguns senadores do PTB, conversei com o presidente do PTB, Roberto Jefferson. E tenho um jantar, na terça-feira (27), com toda a bancada do PTB no Senado”, disse o novo ministro que tomou posse nesta sexta-feira (23). Múcio quer evitar uma revolta dentro do próprio partido que lhe custe votos considerados fundamentais para a aprovação da emenda que prorroga até 2011 a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A bancada do partido é composta por seis senadores.
Tiago Pariz Do G1, em Brasília.
Azeredo nega desvio de recursos na campanha. O senador Eduardo Azeredo (MG) afirmou ontem que o fato de ter sido alvo de denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, não é motivo para deixar o PSDB. "Não há motivo para isto, sempre honrei o PSDB e vou continuar praticando uma boa política", afirmou. Azeredo evitou transferir para os assessores da sua campanha à reeleição, em 1998, entre eles o ministro demissionário das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, a responsabilidade pelo mensalão mineiro, apesar de reconhecer que "a campanha é muito ampla". "Mas você tem de confiar nas pessoas e eu sempre confiei." O senador também divulgou nota negando ter havido desvio de recursos na sua campanha. Segundo ele, não existiu mensalão em Minas Gerais. "Servirá de oportunidade para que seja definitivamente comprovada minha correção", disse sobre o pedido de indiciamento do Ministério Público Federal. "E para que sejam encerrados a injustiça e o embuste político dos quais tenho sido vítima há mais de dois anos. Confio agora no trabalho isento do Supremo Tribunal Federal."
Rosa Costa, BRASÍLIA, Estadão.
Ministro diz que ''''acusação é injusta'''' e deixa coordenação política do governo. Minutos depois de ser denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, por envolvimento com o mensalão mineiro, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, pediu demissão. Sua saída fora acertada na noite anterior com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como antecipou o Estado.Em carta endereçada a Lula, Mares Guia diz que "a acusação é injusta e improcedente" e isso "vai ficar provado no curso do processo". Acrescenta que sai "para se defender" e "não causar embaraços à sua gestão".
Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, BRASÍLIA, Estadão.
MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES INSTITUCIONAIS: AS MESMAS RELAÇÕES...

Na carta divulgada mais cedo em que pede seu afastamento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mares Guia negou as denúncias de que teria participado do esquema que ficou conhecido como mensalão mineiro. Ele classifica as acusações imputadas pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de injustas e improcedentes. “A acusação é injusta e improcedente. Isso ficará provado no curso do processo. Considero que neste momento é meu dever empenhar todos os meus esforços para me defender. Não quero, entretanto, que um assunto alheio ao seu governo cause qualquer embaraço à sua gestão e à importante agenda que vossa excelência tem para o país”, afirmou. O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, ofereceu denúncia junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra Mares Guia e o ex-governador de Minas Gerais e atual senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Perda
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta quinta-feira (22) que a saída do ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, é uma "perda" para o governo, que negocia neste momento a prorrogação da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF). A intenção do governo é que o tributo seja mantido até 2011. "A saída do Walfrido é uma perda para o governo, porque ele tem um papel de articulação política fundamental, que ele faz muito bem. É um companheiro solidário, mas nós continuaremos fazendo as negociações mesmo sem ele. Não acredito que vá haver prejuízo, porque acredito que vamos aprovar a prorrogação da CPMF", disse Mantega. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, por sua vez, afirmou que a provável saída do colega Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais) do governo não prejudicará as articulações para a prorrogação da CPMF, que tramita no Senado. "Se se confirmar a saída do ministro, lamento por ser um grande quadro, um grande ministro. Mas é evidente que o governo continua, as metas estão traçadas com tranqüilidade, e sob a liderança do presidente Lula, com certeza, vamos vencer essa batalha", afirmou Temporão nesta quinta-feira (22).
"Não é problema meu", disse nesta quinta-feira (22) o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o provável afastamento do ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, após denúncia apresentada por ele mesmo no Supremo Tribunal Federal por crime de peculato. "Faço denúncias sobre fatos do passado. É dever meu. E as conseqüências estão na lei", acrescentou o procurador-geral da República. O procurador-geral da República disse ainda que o texto de sua denúncia, de 86 páginas, descreve minuciosamente o esquema ocorrido em Minas Gerais, em 1998. Segundo ele, o objetivo do esquema seria o desvio de recursos públicos. "O ministro é co-autor porque participou dos atos que engendraram este esquema", afirmou ele.
Tiago Pariz Alexandro Martello Do G1, em Brasília.2311. Foto Beto Barata/AE [José Múcio e Mares Guia durante entrevista coletiva ], Estadão.
quinta-feira, novembro 22, 2007
IBGE/BRASIL: EMPREGO/DESEMPREGO [RESULTADOS DIVULGADOS]

Rendimento
O IBGE também divulgou que o rendimento médio habitualmente recebido pelos trabalhadores, no conjunto das regiões pesquisadas, subiu 0,5% em outubro em relação a setembro, chegando a R$ 1.123,60. Ainda na comparação com o mês anterior, o rendimento dos trabalhadores teve alta nas regiões metropolitanas de Recife (3,2%), Belo Horizonte (2,4%) e São Paulo (1,4%). Já Rio de Janeiro e Porto Alegre tiveram queda, de 1,9% e 0,6%, respectivamente. Na comparação anual, apenas Salvador registrou queda, de 5,0%. Houve alta em Recife (1,4%), Belo Horizonte (3,8%), Rio de Janeiro (0,6%), São Paulo (1,3%) e Porto Alegre (3,0%).
MARES GUIAS: MENSALÃO MINEIRO, UAI!!!
Diante dos indícios de que pode mesmo ser denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no caso do mensalão mineiro, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, acertou ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o seu afastamento do governo. "Saindo a denúncia, ele já disse ao presidente Lula que leva apenas uns 15 minutos para deixar o governo", disse ao Estado o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE). O "candidato natural" ao cargo é o próprio José Múcio, que é do mesmo partido de Mares Guia, o PTB. Ele se recusou a falar com o Estado sobre a possibilidade de substituir o ministro, mas um assessor de Lula disse ontem à noite que, "mesmo não estando batido o martelo, essa é uma hipótese muito provável". O procurador deve apresentar a denúncia do caso do mensalão mineiro até amanhã ou, no mais tardar, no início da semana que vem.Inquérito da Polícia Federal aponta o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) como mentor e principal beneficiário do esquema de arrecadação ilegal de recursos nas eleições de 1998, quando disputou - e perdeu para Itamar Franco - a reeleição ao governo de Minas. O inquérito relaciona 36 envolvidos, incluindo Mares Guia.O ministro já admitiu ter feito empréstimo de R$ 511 mil para cobrir dívidas de campanha de Azeredo não-declaradas. Segundo o relatório da PF, Mares Guia teria indicado políticos para receber dinheiro da campanha do tucano e ajudado a levantar um empréstimo no Banco Rural, mas ele nega ter participado da campanha.
Tânia Monteiro e Denise Madueño. Estadão, 2211.
' QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA ?'
José Múcio foi indicado pelo Planalto para liderar a base aliada na Câmara em 2007. O gesto foi encarado como uma tentativa de prestigiar a ala do PTB contrária ao deputado cassado Roberto Jefferson, pivô da denúncia do mensalão.
FHC não defende Azeredo e diz que 'quem tem culpa, paga'. BRASÍLIA - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao comentar, nesta quinta-feira, 22, a decisão do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de denunciar 15 pessoas por envolvimento no chamado "mensalão" tucano em Minas Gerais, inclusive o senador Eduardo Azeredo (PSDB), declarou: "É preciso que se apure. Quem tiver culpa que pague". Ele não defendeu nenhum de seus correligionários. "Se houver culpa, o que vai fazer? Que assuma a responsabilidade", disse. (...) Azeredo foi denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza por suposto envolvimento em esquema irregular de financiamento de sua campanha à reeleição ao governo de Minas, em 1998. A denúncia também atingiu o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, que decidiu pedir afastamento temporário do governo para se defender.Cida Fontes e Eugênia Lopes, do Estadão. Foto matéria.
Procuradoria pede julgamento separado de sócio de Valério. BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), junto com a denúncia do mensalão mineiro, um pedido para que Rogério Lanza Tolentino, advogado e sócio do empresário Marcos Valério, seja investigado separadamente dos demais denunciados. Há uma "suspeita forte", de acordo com o Ministério Público, de que Tolentino, advogado do publicitário Marcos Valério e ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, tenha recebido dinheiro de Valério durante a campanha de 1998, quando Eduardo Azeredo (PSDB-MG) disputou o governo do Estado. Tolentino é suspeito de ter recebido R$ 302 mil para votar favoravelmente à candidatura de Azeredo em julgamentos no tribunal. Na ação penal do mensalão petista, Tolentino responde por lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
Felipe Recondo, do Estadão.2211.
LULA & PTB: ETERNO ENQUANTO DUROU...
Tuma não mencionou os motivos do rompimento, mas o movimento nessa direção começou recentemente, quando a senadora Ideli Salvatti (PT) substituiu Mozarildo Cavalcanti, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), depois que este decidiu votar contra a emenda da CPMF. "Agora, com uma situação mais independente, o partido vai comunicar à presidência do Senado o rompimento com o bloco da maioria governista, e os senadores (petebistas) pedirão à Executiva Nacional (do partido) que não feche questão em relação à votação da CPMF", disse Tuma. Da reunião da bancada participaram, além de Tuma, os senadores Epitácio Cafeteira (MA), Gim Argello (DF), Mozarildo Cavalclanti (RR) e Sérgio Zambiazzi (RS). Só não compareceu - por motivos de saúde, segundo Tuma - o senador José Vicente Claudino.Desvinculando-se da Liderança da Maioria, comandada por Ideli Salvatti, a bancada do PTB passará a ter um líder próprio, com direito a voz nas sessões do Senado.
quarta-feira, novembro 21, 2007
RENAN CALHEIROS [iN:] "VOCÊ É UM, CASO SÉRIO..." *
Aloizio Mercadante (SP) e Delcídio Amaral (MS) não revelaram, mas indicam que votarão pela cassação. Fátima Cleide (RO), Ideli Salvatti (SC), Tião Viana (AC) e Sibá Machado (AC) não falaram os votos.
Ontem, Renan disse que só vai definir sobre a prorrogação de sua licença ou a renúncia definitiva do cargo de presidente do Senado depois que a data da votação do seu processo de cassação em plenário for marcada pelo presidente interino da Casa, Tião Viana (PT-AC). O peemedebista evitou adiantar sua decisão, apesar de o prazo de 45 dias de licença terminar na próxima segunda-feira. "Eu não quero nada que me ajude, quero provar minha inocência. Quero um encaminhamento justo, humano. Eu vou aguardar que digam o calendário porque, só depois disso, vou dizer o que vou fazer." O senador disse não compreender a postura da oposição em adiar a votação do seu processo de cassação no plenário da Casa. Segundo Renan, o DEM e o PSDB foram os primeiros a defender que o processo entrasse na pauta do Senado no início de novembro --motivo que o levou a se afastar por somente 45 dias do comando da Casa. "Esse processo de marcar data e desmarcar é sobretudo desumano. Tentar compreender esse processo é uma coisa meio louca. Tirei licença com pelo menos 20 dias de folga para retornar à presidência [depois da votação do processo em plenário]", afirmou. Renan nega a existência de um suposto "acordão" entre PT e PMDB para absolvê-lo no plenário ao afirmar que deseja somente provar sua inocência --sem manobras em seu favor. "Não tem absolutamente nada a ver. Eu quero provar a minha inocência, as minhas forças são todas direcionadas neste sentido."
Nesse processo, o peemedebista é acusado de usar "laranjas" para comprar um grupo de comunicação em Alagoas.
Adiamento
O adiamento da votação do processo contra Renan foi provocado pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), que vai relatar o caso na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O tucano vai encaminhar seu relator à comissão na próxima quarta-feira, o que permite que o processo chegue ao plenário do Senado somente no início de dezembro. Inicialmente, a apresentação do parecer de Virgílio à CCJ estava prevista para esta quinta-feira. A oposição se articula para pedir vista ao texto do relator, o que poderá adiar ainda mais a votação do parecer na comissão. O presidente da CCJ, Marco Maciel (DEM-PE), afirmou que pretende conceder apenas um dia de vista para que o processo possa entrar na pauta do plenário no início de dezembro.
'QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA ?'
Petróleo supera recorde de US$ 99 nos mercados asiáticos. O barril do petróleo era cotado acima dos US$ 99 nesta quarta-feira (21) nas operações eletrônicas da Ásia, atingindo um novo valor recorde. No pregão eletrônico asiático, o barril do "light sweet crude" para entrega em janeiro era cotado a US$ 99,29, batendo o recorde de 98,62 dólares, registrado em 7 de novembro passado. Na terça-feira (20), em Nova York, o barril do "light sweet" para entrega em janeiro já tinha fechado ao preço recorde de 98,03 dólares.
Paulo Guilherme Do G1, em São Paulo.
PF/CISCO: UM "CISCO" NO OLHO DO PT
A Mude é a maior distribuidora de produtos da Cisco no Brasil. Já a Cisco, uma das maiores empresas mundiais de redes para computadores. Segundo a PF, a Cisco usou empresas de laranjas para doar R$ 500 mil ao PT. O dinheiro teria sido doado para que a Caixa Econômica Federal beneficiasse a Damovo, integradora que usa produtos Cisco, em licitação de R$ 9,9 milhões. A CEF e a Damovo negam. A auditoria cita as duas empresas --Nacional Distribuidora e ABC Industrial-- que fizeram a doação ao PT, como integrantes do suposto esquema. A auditoria confirma alguns pontos da investigação da PF, que sustentou a Operação Persona. "As importações de determinados produtos fabricados pela Cisco Systems e revendidos no mercado brasileiro por essa sociedade [Mude] são realizadas pela empresa Brastec, Waytec e ABC, que vendem as mercadorias à Tecnosul e à Nacional, que, por sua vez, os revendem a essa sociedade", diz o texto.
PMDB vs. PT: "VERSUS"???
Para o governo, a articulação não poderia chegar em hora mais imprópria. Dá-se justamente no instante em que, acossado pela oposição, Lula derrama suor para arrebanhar votos a favor da emenda da CPMF no Senado. A tese de Quércia é a de que, em troca de “uns carguinhos”, o PMDB vem arrostando um “enorme desgaste” por apoiar o governo. É hora, segundo diz, de o partido desatrelar-se do Planalto e distanciar-se do PT. Defende que o PMDB elabore uma estratégia própria para as eleições de prefeito, no ano que vem, e para a corrida presidencial, em 2010. Foram convidados para a reunião desta sexta dirigentes do PMDB das 27 unidades da federação. Além do diretório paulista, o convite foi chancelado pelo PMDB de Pernambuco, submetido à liderança do senador dissidente Jarbas Vasconcelos, avesso a Lula; e pelo diretório do Paraná, controlado pelo governador Roberto Requião, amigo do presidente. Antes de costurar o encontro dos dirigentes estaduais, Quércia propusera ao deputado Michel Temer (SP), a convocação do conselho político do PMDB, um colegiado mais amplo –inclui, além dos presidentes de diretórios, os governadores, os líderes no Congresso e os ex-presidentes do partido. Pela proposta de Quércia, a cúpula peemedebista se encontraria em Brasília. Presidente nacional do PMDB e fiador do acordo que levou a legenda ao consórcio governista, Temer torceu o nariz para a idéia de Quércia. Disse que o momento era inadequado. Citou a votação da CPMF e o julgamento de Renan Calheiros (PMDB-AL). Mencionou o risco de que alguém propusesse o fechamento de questão contra o imposto do cheque ou um posicionamento explícito contra Renan. Diante da negativa, Quércia pôs-se a articular o encontro dos dirigentes estaduais. Há duas semanas, avisou a Temer que faria uma reunião em São Paulo. Na semana passada, disse-lhe que o encontro, encorpado pela adesão de Jarbas e Requião, fora transferido para Curitiba. Num telefonema a Temer, Requião argumentou que seria importante que ele, como presidente do partido, estivesse presente à reunião de Curitiba. O deputado ponderou ao governador acerca dos riscos do encontro: “É possível que apareça aí a tese do rompimento com o governo". E Requião: “Não, imagina, de jeito nenhum. Isso não vai acontecer.” Nas pegadas de Requião, o próprio Quércia instou Temer a voar para Curitiba. O deputado pretextou dificuldades. Disse que terá, na mesma sexta-feira, um almoço com o governador Sérgio Cabral, no Rio. E talvez não conseguisse vôo para chegar a tempo à capital paranaense. No Planalto, suspeita-se que, por trás do súbito anti-governismo de Quércia esteja um “carguinho”. O PMDB paulista reivindica o comando da Ceagesp, a companhia de entrepostos e armazéns gerais de São Paulo, que pende do organograma do Ministério da Agricultura. Hoje, para contrariedade de Quércia, a empresa é comandada pelo PT. O posto compõe a lista de reivindicações encaminhadas por Temer ao Planalto. Lula não fechou as portas. Mas demora-se em atender à reivindicação. Nos diálogos privados que mantém com Temer, Quércia costuma invocar a lendária figura de Ulysses Guimarães. “No tempo do Ulysses, ele mandava no governo”, diz. E Temer: “Vivemos um momento histórico inteiramente distinto.” Ulysses presidiu o PMDB durante a gestão de José Sarney. Fiador da aliança que resultara na composição da chapa Tancredo Neves-Sarney, Ulysses converteu-se numa espécie de tutor de Sarney depois que Tancredo morreu. Mandava e desmandava no governo. Algo que, sob Lula, Temer, mesmo que quisesse, não teria como fazer. A insatisfação de Quércia vem sendo farejada pelo Planalto há meses. O próprio Temer avalia, a portas fechadas, que o Planalto desdenhou do aliado. Chegou mesmo a recomendar a Lula que desse um telefonema para Quércia. O presidente prometeu ligar. Mas não ligou. A despeito da arenga, nem Temer nem o Planalto crêem que Quércia tenha força bastante para empurrar o PMDB na direção da oposição. A aliança com o governo foi referendada pelo conselho político da legenda. Só Jarbas Vasconcelos votou contra. Disseram “sim” os presidentes de 27 diretórios estaduais, inclusive Quércia. Trabalha-se com a perspectiva de que a reunião urdida por Quércia não terá a mesma densidade. Seja como for, a simples marola leva inquietude ao governo.
Escrito por Josias de Souza, Folha Online, 2111.
PETROBRÁS: CAMPO DE TUPI [DEUS TUPÃ]
A Petrobrás pretende concluir até o fim de 2010 a construção de um projeto piloto para começar a extrair petróleo e gás natural do campo gigante de Tupi, na Bacia de Santos, informou ontem o diretor de Exploração e Produção da estatal, Guilherme Estrella. Segundo ele, essa unidade inicial de produção terá capacidade para extrair 100 mil barris por dia de óleo e entre 1,5 milhão e 2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. A Petrobrás estima que o campo de Tupi tenha, ao todo, reservas que vão de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de petróleo e gás. Guilherme Estrella ressaltou que na exploração de Tupi a Petrobrás pretende perseguir o objetivo de não desperdiçar gás natural. ''''A exploração será feita com queima zero de gás'''', garantiu o executivo. Considerando a distância da plataforma até a costa, de 250 quilômetros, a Petrobrás estuda três alternativas à solução padrão, que seria construir um gasoduto para transportar o gás. ''''O gasoduto não está descartado, mas avaliamos que essa solução custaria muito caro devido à distância da costa'''', afirmou. Além disso, Estrella lembrou que, caso se opte pelo gasoduto, seria necessário construir uma unidade de processamento do gás no litoral, o que poderia ser complicado do ponto de vista ambiental. ''''Aquela região do litoral, desde Parati até mais para o sul, é turística e tem várias áreas de reserva ambiental'''', disse. A primeira das três alternativas que a empresa está estudando prevê a construção de termoelétricas flutuantes para produzir energia elétrica no mar usando o gás da plataforma. Nesse caso, a eletricidade seria conduzida para o continente por meio de cabos submersos.Outra opção seria transformar o gás em líquido ainda no mar e transportá-lo como gás natural liquefeito (GNL) até as unidades de regaseificação que a Petrobrás vai instalar em Pecém, no Ceará, e no Rio de Janeiro.A terceira alternativa seria construir cavernas na camada de sal subterrânea perto da área de onde serão extraídos o petróleo e o gás.Essas cavernas poderiam servir como depósito para o gás até a empresa dar um outro destino ao combustível. ''''Esse tipo de solução já foi usado na Europa, por exemplo'''', disse Estrella.Segundo ele, a Petrobrás pretende definir até o fim do primeiro trimestre do ano que vem qual solução tecnológica dará para o gás de Tupi.
Estadão, Leonardo Goy. 2111.










