A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************
“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
----
''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
=========valor ...ria...nine
folha gmail df1lkrha
***
sexta-feira, maio 04, 2012
CPI DEMÓSTENES/CABRAL [In:] O MENINO GAROTINHO
Garotinho ataca Cabral
Autor(es): ADRIANA CAITANO |
| Correio Braziliense - 04/05/2012 |
Deputado explora a proximidade do governador do Rio com o empreiteiro acusado de se beneficiar do esquema de Carlinhos Cachoeira
Na esteira da crise política causada pelas relações suspeitas entre o bicheiro Carlos Cachoeira e figuras públicas como parlamentares e governadores, o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ)emplacou uma série de denúncias contra o atual governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Em seu blog pessoal, Garotinho começou a publicar diariamente fotos e vídeos de 2009 que supostamente provam a ligação pessoal entre Cabral e Fernando Cavendish, diretor afastado da Delta Construções. A empresa é apontada pela Polícia Federal como participante do esquema irregular de Cachoeira e é alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Congresso.
Ontem, Garotinho divulgou novas fotos em que Cabral e sua mulher, Adriana Ancelmo, divertem-se em uma viagem ao Principado de Mônaco ao lado de Cavendish e Jordana Kfouri, mulher do empresário que morreu no acidente de helicóptero que também vitimou a nora do governador no ano passado. O parlamentar ainda tornou público um vídeo em que os dois casais comemoram, em Paris, o aniversário de Adriana e a eleição do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). A acusação mais grave, no entanto, o deputado fez no plenário da Câmara. Garotinho afirmou ter uma gravação na qual um diretor da Delta, falando em nome de Cavendish, conversa com um dos chefes do jogo do bicho carioca sobre um acordo feito com Sérgio Cabral. “Foi acertado com o governador, por meio do Fernando, da Delta, que 30% do mercado do jogo no Rio é de Carlinhos (Cachoeira). Vocês vão ter que abrir”, teria dito o emissário de Cavendish, segundo Garotinho. O bicheiro do Rio teria respondido: “Não vou abrir coisa nenhuma! Nós temos um acordo, mandamos todo mês um dinheiro lá para o Palácio (Guanabara, sede do governo do Rio)”. Segundo o parlamentar, o representante da Delta teria encerrado o diálogo prometendo que a recusa custaria caro ao bicheiro. Semanas depois, afirmou o deputado, uma operação da Polícia Civil do Rio prendeu suspeitos de integrar a cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro. A operação de fato ocorreu entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano, quando o patrono da escola de samba Beija-Flor, Anísio Abraão David, foi detido.
Apesar de ter dado alguns detalhes do diálogo, Anthony Garotinho disse “não ser leviano” ao ponto de publicar a gravação sem ter certeza de sua veracidade. Ele afirmou ter enviado um emissário ao presídio em que o bicheiro carioca está para checar se a conversa de fato ocorreu. “Se a fita que tenho em minhas mãos for autêntica, não haverá nada mais perverso que mandar prender bicheiros de um estado para botar um de outro”, comentou Garotinho, que trabalha para eleger a filha Clarissa como vice-prefeita do Rio de Janeiro, na chapa que deve ser comandada por Rodrigo Maia (DEM). Eduardo Paes, pré-candidato à reeleição apoiado por Sérgio Cabral, está à frente das pesquisas. Por meio de assessoria de imprensa, Cabral disse ao Correio que “não comentará leviandades”.
Ação contra ex-diretor da Delta
Carlos Roberto Duque Pacheco, ex-diretor da Delta, é alvo de uma ação penal do Ministério Público Federal no Tocantins (MPF-TO) por uso de documentos falsos para obter uma Certidão de Acervo Técnico (CAT). A CAT atesta a experiência da empresa na prestação de determinado serviço e é um dos requisitos para habilitá-la a participar de licitações. Segundo o MPF-TO, Pacheco falsificou dois documentos públicos apresentados ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins para obter a CAT, em 5 de fevereiro de 2009. As investigações também apontam que, com documentos forjados, já foram vencidas licitações de limpeza urbana nos municípios de Anápolis e Catalão, ambos em Goiás, em Itanhaém (SP) e em Palmas (TO).
A reação de Agnelo
ARTHUR PAGANIN
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, repudiou ontem as tentativas de sabotagem do grupo do bicheiro Carlos Cachoeira para se infiltrar no governo local. Reportagem do Correio publicada ontem revelou conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal entre Cachoeir a e integrantes da organização criminosa que tramavam chantagear Agnelo. O governador se disse surpreso com os métodos do grupo. “Tínhamos indicativos claros das tentativas de sabotagem dentro do governo, mas não nesse nível que o grampo da PF mostrou. As conversas divulgadas mostram como são falsas quaisquer acusações de participação do nosso governo no esquema do Cachoeira”, afirmou.
Agnelo também disse confiar no trabalho da Polícia Federal. “Sem dúvida, essa investigação vai mostrar claramente que esse não é um problema de Brasília. Vai esclarecer também até onde essa organização conseguiu se infiltrar no Estado, como no Ministério Público, que é citado nas investigações”, acrescentou.
Em um dos trechos interceptados pela Polícia Federal, um dos membros do grupo de Cachoeira conversa com Marcelo de Oliveira Lopes, conhecido como Marcelão — policial civil que trabalhou com Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete de Agnelo. Na ligação, eles dizem esperar por uma denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o governador para pressioná-lo. A intenção seria favorecer os interesses da empreiteira Delta em contratos com o GDF.
O governador disse desconhecer qualquer denúncia contra ele. “O que eu posso imaginar é que eles montavam essas denúncias e as divulgavam por meio da imprensa. Depois, essas acusações seriam prontamente repercutidas, inclusive por órgãos como o Ministério Público, como foram no passado, sem a menor investigação e sem a menor apuração para desestabilizar o nosso governo”, disse.
"Sem dúvida, essa investigação vai esclarecer até onde essa organização conseguiu se infiltrar no Estado, como no Ministério Público, que é citado nas investigações"
Agnelo Queiroz, governador do DF.
---
|
BRASIL/INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO [In:] À SO(m)BRA DA CHINA
Desaceleração da indústria afeta receita de ICMS
Autor(es): Marta Watanabe, Marcos de Moura e Souza, Sérgio Ruck Bueno e Vanessa Jurgenfeld | De São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Florianópolis |
| Valor Econômico - 04/05/2012 |
A desaceleração da produção industrial afetou a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nesses Estados houve crescimento menor ou queda no recolhimento do ICMS pelas indústrias durante o primeiro trimestre. Puxada pelo setor de petróleo e de siderurgia, a indústria fluminense foi exceção.
Em Minas, a receita tributária total gerada pela indústria no período cresceu 3,2% em relação ao primeiro trimestre do ano passado sem descontar a inflação, um percentual bem abaixo da média da arrecadação total, que subiu 12,1% na mesma comparação. Em São Paulo, a arrecadação total de ICMS cresceu 1,2% em termos reais de janeiro a março, com atualização pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O setor industrial deu contribuição negativa nos primeiros três meses em São Paulo. Em março, a arrecadação da indústria paulista teve queda real de 5,7% em relação ao mesmo mês de 2011. Em abril, porém, a indústria do Estado apresentou pequena recuperação. Em Santa Catarina, o recolhimento da indústria cresceu 12,3% nominais, mas foi ajudado por um programa para recuperação de ICMS atrasado, chamado Revigorar III, que, segundo a fazenda catarinense recuperou R$ 30 milhões no primeiro trimestre.
Nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina a desaceleração industrial fez a arrecadação tributária ficar abaixo do esperado. A avaliação dos Estados, porém, é que ainda é cedo e há chances de cumprir a previsão de crescimento para o ano. Em Minas, a receita com tributos tem crescido dentro do esperado.
A arrecadação total de tributos de janeiro a março no Estado de São Paulo teve elevação real de 2,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. A Secretaria da Fazenda avalia que a receita tributária deve ter crescimento real de 3,5% em 2012. A queda de arrecadação do ICMS no setor industrial não tem afetado tanto a arrecadação do Estado porque tem sido compensada com o desempenho de preços administrados e do imposto recolhido na importação. A arrecadação de preços administrados, por exemplo, aumentou 15% em termos reais em março, em relação ao mesmo mês do ano passado.
"A indústria tem sido afetada pelo câmbio e pela perda de competitividade, o que originou um resultado desfavorável no primeiro trimestre. Mas uma parte disso tem sido compensada pelo comércio atacadista e varejista. Esse segmento não foi tão afetado porque trabalha com as importações e o consumo se dá em São Paulo", diz André Luís Grotti Clemente, assessor de política tributária da Secretaria da Fazenda de São Paulo.
A expectativa da Fazenda, lembra Clemente, é de que haja recuperação nos próximos meses, principalmente a partir do segundo semestre, como resultado da desvalorização maior do real em relação ao dólar iniciada no último mês e da redução da taxa de juros.
Em abril a arrecadação paulista de ICMS foi 10,3% superior ao registrado em igual mês do ano passado, em termos nominais. A alta do imposto sobre importados, de 21,2%% em relação a abril de 2011, explica em grande parte o resultado, mas o salto de 14,8% no imposto pago pela indústria também contribuiu para o bom desempenho, que foi 2,8% superior ao projetado pelo Estado para o mês.
O crescimento no período, segundo avaliação do Secretário de Fazenda de São Paulo, Andrea Calabi, foi verificado principalmente por causa da recomposição de estoques após o forte ajuste entre fevereiro e março, com aumento da utilização da capacidade instalada. No entanto, a fraca base de comparação também ajudou. Em abril do ano passado, a arrecadação de ICMS da indústria havia subido apenas 2,5% em termos nominais, na comparação com igual mês de 2010.
No quadrimestre a arrecadação de ICMS aumentou 7,7%. Apesar do número mais forte do que o observado no acumulado até março (6,8%), a variação ainda está 0,9% abaixo do projetado pela Fazenda.
Em Minas, mesmo com o desempenho mais fraco da indústria, a arrecadação do primeiro trimestre ficou dentro do projetado para o período. O recolhimento do comércio mineiro cresceu a um ritmo quatro vezes maior do que a da indústria do Estado. Enquanto a arrecadação do setor manufatureiro registrou um aumento de 3,2% nominais, a do comércio subiu 13,1%.
"Esses resultados refletem a desaceleração do ritmo da atividade industrial", diz o secretário-adjunto da Fazenda de Minas Gerais, Pedro Meneguetti. No acumulado de janeiro e fevereiro, a produção industrial no Estado recuou 1,8% ante o mesmo período do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Enquanto isso, as importações em Minas cresceram 7,6% nos três primeiros meses do ano. "É uma sinalização de desindustrialização, com os importados ocupando mais espaços no nosso mercado", diz Meneguetti.
Segundo o secretário-adjunto, neste início de ano o Estado não contou com nenhuma receita extraordinária. A situação muda a partir deste mês. É quando começa a ser cobrada uma nova tarifa sobre a atividade de mineração. Sancionada pelo governador do fim do ano passado, a tarifa deve gerar uma caixa extra estimado em R$ 300 milhões. A receita não tinha sido incluída no orçamento deste ano porque o governo não descartava a hipótese de que as empresas conseguissem barrar a cobrança na Justiça.
No Rio Grande do Sul, a arrecadação no primeiro trimestre ficou abaixo do esperado, segundo o secretário da Fazenda, Odir Tonollier. A receita tributária do Estado de janeiro a março ficou em R$ 7,5 bilhões, ou 2,9% a menos do que havia sido previsto no orçamento de 2012 para o período. Em comparação com os três primeiros meses de 2011, houve crescimento nominal de 9,9%.
A situação deixou o governo gaúcho em alerta, mas Tonollier entende que é "muito cedo" para uma avaliação precisa dos riscos. Segundo ele, o plano de investimentos de R$ 2 bilhões para 2012 não está ameaçado porque será garantido com operações de crédito já aprovadas ou em negociações avançadas. No custeio, a postura é de maior "cautela", mas o secretário disse que até agora não há necessidade de "contingenciamento" de recursos.
A arrecadação bruta de ICMS no Estado cresceu 10,4% em relação a igual período de 2011, abaixo da meta de 15,4%. A desaceleração foi influenciada pelo desempenho abaixo da média de setores como telecomunicações, varejo e indústrias de bebidas, petroquímicas e de calçados.
Em Santa Catarina, a arrecadação total no primeiro trimestre apresentou alta nominal de 9,43% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 4 bilhões. Apesar da alta, o recolhimento ficou abaixo da meta, que estabelecia elevação de 13%.
De acordo com o secretário da Fazenda em exercício, Almir Gorges, há um ritmo de crescimento menor na arrecadação tanto do comércio quanto da indústria em relação ao início de 2011. Neste primeiro trimestre, o comércio aumentou somente 8%, enquanto no ano anterior sua taxa de incremento chegava a 10%. Já a indústria cresceu 12,34%. No mesmo período do ano passado, sua taxa de crescimento havia sido de 20%.
"O crescimento em si da arrecadação não foi ruim, mas houve desaceleração nos primeiros meses e isso causou apreensão", disse Gorges. No entanto, em março já houve sinais de melhora e Gorges estima que o Estado poderá ter um crescimento nominal de 10% no ano. "O problema maior poderá ser no ano que vem, quando haverá impactos da aprovação da Resolução 72", diz Gorges, referindo-se à unificação do ICMS interestadual de importados em 4%, medida que passa a valer em janeiro de 2013. Santa Catarina estima que deve perder R$ 1 bilhão da receita por conta disso. (Colaborou Tainara Machado, de São Paulo).
--
|
GOVERNO DILMA/MANTEGA/POUPANÇA [in:] ... AO ESTILO ''ÚLTIMO TANGO'' *
POUPANÇA MUDA E JURO REAL CAI A 2,45%, O MENOR DESDE O PLANO REAL
GOVERNO MUDA REMUNERAÇÃO DA POUPANÇA E TIRA "TRAVA" DA SELIC |
| Autor(es): Claudia Safatle, João Villaverde e Yvna de Souza | De Brasília |
| Valor Econômico - 04/05/2012 |
Decidido a abrir caminho para novas quedas da taxa de juros básica, o governo retirou ontem o maior obstáculo legal para que possa cumprir esse objetivo: mudar as regras de remuneração da aplicação financeira mais popular do país, a caderneta de poupança. Pelo novo sistema, a caderneta passa a ser remunerada em 70% da taxa Selic quando ela for inferior a 8,5%, e pelo sistema atual, quando for superior. Nada muda para as contas já existentes.
A mudança derrubou ainda mais os juros futuros, que passaram a apontar uma taxa Selic de 8% a 8,25% para o ano. A taxa real de juros — de 360 dias, descontada a inflação projetada em 12 meses, de 5,53% — atingiu nova mínima histórica, aos 2,45% ao ano.
A partir de hoje a remuneração da caderneta de poupança obedecerá a um gatilho: sempre que a taxa básica de juros (Selic) for igual ou menor do que 8,5% ao ano, os novos depósitos da poupança serão corrigidos por 70% da Selic. As aplicações já existentes permanecem com a regra atual de rentabilidade: juros fixos de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a variação da Taxa de Referência (TR). A TR, com Selic em 8,5% ao ano, cai para zero. O incentivo fiscal da isenção do Imposto de Renda permanecerá.
Quando a taxa Selic for superior a 8,5% ao ano - hoje ela é de 9% ao ano - a caderneta de poupança volta a ter a rentabilidade usual (juros de 6,17% ao ano mais a TR). Assim, a nova regra só entrará em vigor se o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a taxa Selic para 8,5%, o que poderá ocorrer já na reunião do fim deste mês.
Dessa forma, a regra de remuneração da poupança deixa de ser uma trava para a queda da taxa de juros no país. Os atuais depositantes ficam com uma pequena vantagem em relação aos novos no caso do gatilho ser acionado, o que foi feito para evitar futuras demandas judiciais. Para as novas cadernetas, a remuneração será calculada com base na Selic em vigor no dia do depósito.
A medida, engenhosa, foi anunciada no início da noite pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, após seguidas reuniões da presidente Dilma Rousseff com o Conselho Político, com os dirigentes das centrais sindicais e com um grupo de empresários ao longo de toda a tarde, no Palácio do Planalto. Dilma procurou se cercar de um amplo apoio político para mexer num tema tão delicado para o poupador brasileiro.
Os planos originais do Palácio do Planalto eram um pouco diferentes. Imaginava-se poder alterar a rentabilidade da poupança só após as eleições municipais de outubro. O cenário externo, que voltou a piorar, a demora na reação da atividade econômica doméstica e os sinais da última ata do Copom, de que os juros podem cair mais, justificam a antecipação da medida. Quem alimentava a expectativa de que a economia brasileira cresceria cerca de 1% no primeiro trimestre agora espera crescimento de apenas 0,5%.
Dos parlamentares da base aliada do governo, Dilma teve garantia de apoio à aprovação da medida provisória, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial.
O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), disse que a presidente "garantiu todos os diretos de todos os poupadores". Aos políticos, Dilma disse: "Não estou aqui para vender facilidades. É um passo que tem que ser dado", segundo relatou Alves, que concluiu: "A presidente estava muito determinada, convencida e convincente". Na reunião do Conselho Político, ela se referiu a "três amarras" que precisam ser trabalhadas: a redução dos juros para empresas e consumidores; a valorização cambial; e a diminuição de impostos, prosseguiu o líder do PMDB. Os mesmos problemas que ela ressaltou em discurso da presidente na posse do ministro do Trabalho, Brizola Neto.
Os dirigentes sindicais também deixaram a reunião com declarações de apoio a Dilma. O presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), assegurou que as centrais vão sustentar as mudanças propostas. "Achamos que não mexer nas atuais poupanças significa uma coisa positiva", disse ele. "Somos nós, as centrais, que podemos colocar o povo na rua e, para ela, é importante ter o nosso apoio em uma medida tão sensível como essa", disse o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.
Os 26 empresários que estiveram com a presidente ontem também aplaudiram a iniciativa do governo de reduzir os juros, pressionar os bancos para reduzirem os spreads e pediram que a "guerra" se estenda para o alongamento do crédito, contou Joesley Batista, da JBS Friboi. "São medidas de bom senso, boas para o Brasil", disse André Esteves, presidente do banco BTG Pactual.
O ministro Guido Mantega avaliou que os custos do crédito imobiliário tendem a cair na medida que o custo da captação da poupança diminui. Disse, também, que terão que ser feitos "ajustes" na portabilidade e que os técnicos estão estudando isso. Para o ministro, no entanto, a pressão do governo para a queda dos juros é concentrada, principalmente, nas modalidades em que considera o spread bancário (diferença entre a taxa de captação e a cobrada do tomador) elevado. Esse é o caso, segundo ele, do capital giro e crédito consignado.
Os bancos, segundo o Ministério da Fazenda, terão 30 dias para se prepararem para a mudança, tendo que operacionalizar uma segregação das contas dos poupadores entre os depósitos antigos e os que vão obedecer ao gatilho. Quando o investidor for sacar da caderneta de poupança, o banco abaterá automaticamente o saque da conta nova, que renderá menos.
(Colaboraram Edna Simão, Fernando Exman, Daniel Rittner e Andre Borges)
---
(*) ... a lembrar "Maria Schneider". --- |
''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''
SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS
|
O governo anunciou ontem uma mudança ousada nas cadernetas de poupança, que reduzirá o rendimento para quem fizer novos depósitos já a partir de hoje. A medida, no entanto, é considerada indispensável para abrir caminho para uma queda maior da taxa básica de juros no país, hoje em 9% ao ano. Pelas novas regras, quando a taxa básica (Selic) ficar igual ou menor do que 8,5%, a poupança terá rendimento equivalente a 70% da Selic mais a Referencial (TR). Na prática, um depósito de R$ 10 mil, pelas regras atuais, renderia R$ 616,78 ao fim de um ano. Com a nova regra e Selic a 8,5%, esse mesmo depósito renderia R$ 582,91. Para angariar apoio político para a cruzada pela redução dos juros, a presidente Dilma Rousseff reuniu-se ontem com políticos, empresários e centrais sindicais. A oposição criticou. (Págs. 1, 27 a 31, Míriam Leitão e Flávia Oliveira, Negócios & Cia)
A presidente Dilma Rousseff mexeu nas regras da poupança, a mais tradicional e popular aplicação financeira do país, e reduziu o seu rendimento, conforme havia antecipado a Folha.
O objetivo é reduzir os juros sem que haja fuga de outros investimentos para a caderneta. A medida vale a partir de hoje para novas aplicações e novos depósitos em contas já existentes. (Págs. 1 e Poder A4)
Ele ainda não vê indícios suficientes para que os três governadores envolvidos no escândalo sejam convocados para depor. (Págs. 1 e Poder A10)
Para tentar salvar as operações da empresa, a construtora Delta foi posta à venda. (Págs. 1 e Poder A11)
Em março, a produção industrial recuou 0,5% em relação a fevereiro. (Págs. 1 e Poder A8)
O banco teve queda de 15% no lucro do primeiro trimestre e diz ter sob controle a inadimplência. (Págs. 1 e Mercado B1)
Para permitir a queda dos juros, o governo criou um gatilho que vai reduzir o ganho da poupança. Nada muda de imediato, mas, se o Banco Central decidir cortar a Selic (taxa de juros básica) para 8,5% ou menos - o que pode acontecer neste semestre -, o rendimento passará a ser 70% dessa taxa acrescido da variação da Taxa Referencial (TR), em vez dos tradicionais 0,5% mais TR. Essa nova fórmula atingirá os depósitos feitos a partir de hoje. Para depósitos antigos, nada muda. As características da poupança atual, como isenção do Imposto de Renda, rendimentos mensais e liquidez diária, não mudam. “É um passo histórico, mas é só um passo”, disse a presidente Dilma Rousseff a líderes da base aliada. Dilma pediu ainda cuidado na divulgação do tema, pois admitiu preocupação com interpretações errôneas de que o governo congelará a poupança. “Não vamos fazer nenhuma gracinha, nenhuma loucura”, afirmou a presidente a sindicalistas. A Confederação Nacional da Indústria manifestou apoio à medida. (Págs. 1 e Economia B1,B3 a B5 e B8)
Análises
Celso Ming
Além da mudança
Confirmam-se duas quase suspeitas: o BC passou a operar com meta de juros e vem aí um corte maior da Selic. (Págs. 1 e B2)
José Paulo Kupfer
Sem ‘Lei de Gérson’
Uma aplicação financeira não pode ser, ao mesmo tempo, a mais segura, a mais líquida e a mais rentável. (Págs. 1 e B4)
O relator do caso de Demóstenes Torres (sem partido) no Conselho de Ética do Senado, Humberto Costa (PT-PE), pediu processo por quebra de decoro contra o senador goiano. A tendência é que o conselho aceite o pedido. Demóstenes é suspeito de participar de esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira. No parecer de Costa, ele é acusado de mentir. O último senador que enfrentou processo de cassação no Conselho de Ética foi Renan Calheiros (PMDB-AL), em 2007. Ele foi absolvido. (Págs. 1 e Nacional A4, A6 e A7)
José Serra
Pré-candidato à prefeitura de SP
“(Se) a pessoa tem uma religião e quer discutir princípios, é legítimo. Não são os candidatos que fazem a agenda”
Paradoxal e ironicamente, há cada vez mais sujeira na limpeza pública, com o lixo urbano pagando o luxo mundano de empresários e políticos. (Págs. 1 e Nacional A9)
O que se espera de Hollande é que ele solte a camisa de força com a qual Merkel e Sarkozy prenderam o corpo extenuado da Europa. (Págs. 1 e Internacional A17)
A crise chegou aos portos brasileiros, derrubando os preços dos principais produtos exportados. (Págs. 1 e A3)
A mudança derrubou ainda mais os juros futuros, que passaram a apontar uma taxa Selic de 8% a 8,25% para o ano. A taxa real de juros — de 360 dias, descontada a inflação projetada em 12 meses, de 5,53% — atingiu nova mínima histórica, aos 2,45% ao ano. (Págs. 1, A2 e C1 a C4)
A companhia não informa quanto poderia captar por meio da oferta inicial de ações, caso siga em frente com o plano. O mercado estima que poderia ser algo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, por 25% a 30% da empresa. Entre os acionistas minoritários da companhia, com 14% de participação, estão as famílias Junqueira Franco e Biagi, ex-controladores da Santelisa Vale, comprada pela Dreyfus em 2009. (Págs. 1 e B12)
Três dos cinco ministros que analisaram recurso da Fazenda contra a liminar entenderam que só poderiam interromper a cobrança em situações excepcionais, o que não era o caso. O julgamento foi iniciado em abril, mas terminou apenas ontem com voto de desempate do ministro Mauro Campbell Marques, que integra a 2ª Turma do tribunal e foi convocado para decidir a questão no lugar do ministro Benedito Gonçalves, que estava impedido. (Págs. 1 e E1)
A empresa já diz que poderá transferir os investimentos para outro município se o projeto de lei que tomba uma área desejada por ela for aprovado. Mas ainda não existe um plano alternativo desenhado, diz a companhia, que tem promovido encontros com moradores para esclarecer dúvidas sobre os impactos do empreendimento. Junto com a Namisa, a CSN produz hoje 25 milhões de toneladas de minério de ferro por ano em Congonhas. (Págs. 1 e A16)
“Coloca-se aí um tema ético sobre o país que queremos. O Brasil é o Brasil da anistia?” questiona Passos, referindo-se a um dos pontos controversos do texto, que perdoa os desmatamentos ilegais anteriores a 2008. Piva diz que este é o momento decisivo para que a presidente não se torne refém de parte do Congresso. Os empresários reconhecem que o tema toca a interesses contraditórios, mas acreditam que o oportunismo político foi decisivo na votação da Câmara e que o assunto extrapola a esfera do agronegócio. (Págs. 1 e Eu & Fim de Semana)
A noção efetivamente perigosa na Europa atual é a premissa de que as coisas podem simplesmente continuar como estão. (Págs. 1 e A15)
Não será fácil navegar em um mundo de ciclos econômicos curtos e de crescimento moderado e desigual. (Págs. 1 e A11)
quinta-feira, maio 03, 2012
''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''
SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS
|
No primeiro dia útil após o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff na TV atacando os bancos pelos juros altos, o mercado reagiu e as ações das principais instituições financeiras do país despencaram. Enquanto o Ibovespa, índice de referência do mercado, subiu 0,98%, os papéis de todos os bancos recuaram. Os do Banco do Brasil (BB) caíram 2,71% por que os analistas entendem que a instituição pode ter sua margem de lucro reduzida com o corte drástico dos juros determinado pelo governo. Mas caíram também ações de Itaú Unibanco PN (-2,48%), Bradesco PN (-1,4%) e Santander (-0,19%). Para especialistas, as quedas mostram a aversão dos investidores a interferências do governo no setor. Cientistas políticos dizem que, com o discurso de Primeiro de Maio, Dilma quis fazer a população pressionar os bancos. Hoje, a presidente se reúne com políticos, empresários e líderes sindicais para apresentar a proposta do governo para mudar a remuneração da caderneta de poupança. Uma das alternativas é ter remuneração variável entre 65% e 80% da taxa básica de juros (Selic), em vez de TR mais 6% ao ano, como é hoje. A mudança só valerá para os novos depósitos. (Págs. 1 e 21 a 23)
O governo deve anunciar hoje mudanças nas regras da poupança. O novo modelo foi discutido ontem pela presidente Dilma com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e com o presidente do BC, Alexandre Tombini.
As mudanças devem atingir só as novas aplicações. Entre as propostas em debate, estão a que prevê associar a remuneração a um percentual da Selic, a cobrança de IR e a correção com base em um índice de preços. (Págs. 1 e Poder A4 e A6)
A investigação sobre a empreiteira se limitará à sua atuação no Centro-Oeste. Cachoeira e o senador Demóstenes Torres serão ouvidos neste mês. (Págs. 1 e Poder A8)
Para a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, abre-se “um caminho para a humanização da Justiça”. O advogado do pai afirmou que deve recorrer. (Págs. 1 e Cotidiano C1)
Querem acabar com uma das poucas instituições de respeito internacional: a Fundação Bienal de São Paulo, com magníficos 60 anos de existência. Esse desmando do Ministério da Cultura deveria levar a uma comoção paulistana. (Págs. 1 e Opinião A3)
A CPI do Cachoeira tirou a blindagem montada pelo PT para proteger o governo federal e decidiu investigar em todo o Brasil, e não só no Centro-Oeste, as ligações da empreiteira Delta, que executa obras do PAC, com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Quanto aos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), a CPI nada decidiu. Os nomes de Agnelo e Perillo aparecem nas escutas telefônicas obtidas pela Polícia Federal. Quanto a Cabral, os parlamentares de oposição desejam convocá-lo por causa da ligação com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta e suspeito de ser “sócio oculto” de Cachoeira. (Págs. 1 e Nacional A4 e A6 a A8)
Análise: Dora Kramer
Sérgio Cabral precisa explicar conduta e provar honestidade. (Págs. 1 e A6)
Crescimento em pauta
Dilma Rousseff se reunirá hoje com sindicalistas, empresários e integrantes do conselho político. (Págs. 1 e Economia B3)
Um país em que os repórteres são fuzilados é um país em que o direito à informação está sendo seqüestrado. A liberdade de imprensa reflui. (Págs. 1 e Espaço Aberto, A2)
O despreparo de Brizola Neto combina com o critério para o preenchimento de vagas no governo. (Págs. 1 e A3)
As compras externas de matérias-primas e bens intermediários caíram 6,6% em relação a abril de 2011, indicando fraco apetite da indústria por insumos, enquanto as de bens de consumo recuaram 11%, arrastadas pela menor importação de automóveis. Já as exportações de produtos básicos diminuíram 7,2% e as de industrializados, 8,2% na mesma base de comparação. Para o economista Francisco Pessoa, da LCA Consultores, os indicadores de abril conhecidos até agora acendem “um sinal amarelo” para a indústria no início do segundo trimestre. (Págs. 1 e A3)
A divulgação da medida foi adiada para hoje. A presidente Dilma Rousseff terá, à tarde, vários encontros para obter apoio político à alteração das regras da poupança. Primeiro, com o Conselho Político e, em seguida, com as centrais sindicais e empresários. Antes, deverá ter nova discussão com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para fechar o texto final. (Págs. 1 e C1)
Situação da indústria e do mercado de crédito mostra que o “modelo Lula” de crescimento chegou à exaustão. (Págs. 1 e A14)
De 2009 a 2011, quase toda a perda de participação dos manufaturados se deveu à queda de preços em relação aos primários. (Págs. 1 e A15)
.jpg)
.jpg)