PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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valor ...ria...nine

folha gmail df1lkrha

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sexta-feira, outubro 01, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] MEGA-SENA

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Homenagem aos chargistas brasileiros.
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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''

01 de outubro de 2010

Folha de S. Paulo

Manchete: TSE vai considerar nulo voto dado a fichas-sujas

Quadro de eleitos pode ter reviravolta se barrados conseguirem vitória judicial depois

O Tribunal Superior Eleitoral esclareceu em nota que os votos dados a candidatos enquadrados pela Lei da Ficha Limpa serão considerados nulos no domingo. Isso significa que também não serão levados em conta no cálculo das bancadas. A indefinição traz instabilidade, pois o resultado está sujeito a mudança posterior.

Se algum campeão de votos impugnado receber sentença favorável mais tarde, sua votação passa a valer e pode causar reviravolta na composição do Congresso.

Na eleição passada, os 740 mil votos obtidos pelo ex-prefeito Paulo Maluf, cuja candidatura está barrada, garantiram a seu partido, o PP, mais dois deputados.

Levantamento da Folha mostra que 224 candidaturas fora indeferidas nos tribunais regionais eleitorais com base na Lei da Ficha Limpa. (Págs. 1 e Esp. 1)

Análise

Confusão deixa aos juizes 0 papel de "eleitores finais" em alguns casos, escreve Joaquim Falcão. (Págs. 1 e Esp. 3)

Rebelião policial coloca Equador em estado de exceção

A rebelião de um grupo da Polícia Nacional do Equador, apoiada por pelo menos uma facção militar, levou o governo equatoriano a decretar estado de exceção no país por cinco dias.

Os rebeldes tomaram quarteis, aeroportos e a Assembleia Nacional. Houve saques ria capital, Quito.

Ao menos uma pessoa morreu, diz o governo. Alvejado com bombas de gás, o presidente Rafael Correa acusou tentativa de golpe.

À noite, houve confronto entre a polícia e militares que levavam Correa do hospital onde estava. Ele voltou ao palácio e prometeu punição aos rebeldes. (Págs. 1 e A10)

Clóvis Rossi

Brasil quer evitar que crise leve a situa~ao similar a de Honduras. (Págs. 1 e A12)

Roriz negociou contratar genro de Ayres Britto, do Supremo

O ex-governador Joaquim Roriz (PSC-DF) negociou a contratação do advogado Adriano Borges, genro de Carlos Ayres Britto, do STF.
O objetivo era forçar o ministro a se declarar impedido de votar o Ficha Limpa, que relatou. "Eu não tenho nada com isso", declarou o ministro. (Págs. 1 e Esp.4)

STF decide que será necessário documento com foto para votar

Por 8 votos a 2, 0 STF decidiu que o eleitor terá de apresentar um documento oficial com foto para votar. Ao contrário de anos anteriores, não será possível levar só o título de eleitor.
A ação foi do PT, que temia que a exigência de dois documentos prejudicasse Dilma Rousseff. (Págs. 1 e Esp.5)

Em eventual 2º turno, 51% dos votos em Marina iriam para Serra (Págs. 1 e Esp. 6)

Foto legenda: Na retranca
Observados por Marina Silva (PV), Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) cumprimentam-se antes de debate na Globo, o último antes do 1º turno; petista e tucano evitaram embate, e só resposta de Serra a Marina desfez clima morno. (Págs. 1 e Esp. 8)

PF volta a emitir passaporte, mas serviço é lento e mostra falhas (Págs. 1 e C5)

Editoriais
Leia "Política externa", que defende correção de rumo do Itamaraty sob futuro presidente; e Mais segurança, que traça metas para a área. (Págs. 1 e A2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Supremo cancela exigência de 2 documentos para votar
STF julga ação do PT e decide que eleitor não precisa levar o título, apenas documento com foto

Ao julgar urna ação movida pelo PT no início da semana, o Supremo Tribunal Federal decidiu apenas ontem, por 8 votos a 2, que o eleitor não pode ser impedido de votar caso não disponha do título de eleitor. A exigência havia sido aprovada no Congresso e sancionada pelo presidente Lula. Na sessão do STF, o ministro Gilmar Mendes negou que tenha recebido um telefonema do candidato presidencial José Serra (PSDB) antes de interromper o julgamento do caso, anteontem. Para o tucano, a PT "deve achar que o voto menos controlado o favorece". Já a candidata petista, Dilma Rousseff, considerou que o STF eliminou urna "restrição" que “ia causar muita confusão" para o e1eitor. (Págs. 1 e Nacional A4)

Só título de eleitor não vale

O eleitor poderá votar no domingo portando apenas um documento oficial com foto. Assim, quem apresentar somente o título de eleitor não poderá votar. (págs. 1 e Nacional A4)

Confusão sobre Ficha Limpa afeta 76 candidatos

Pelo menos 76 candidatos vão participar das eleições de domingo sem a certeza jurídica de que, se eleitos, vão assumir de fato os cargos que disputaram. (Págs. 1 e Nacional A12)

Dilma interrompe queda, diz pesquisa do Datafolha

O levantamento indica que a petista esta com 52% dos votos válidos a dois dia da eleição. Pela margem de erro, não e passível dizer se haveria segundo turno. (Págs. 1 e Nacional A6)

Rebelião leva o Equador a estado de exceção

O presidente do Equador, Rafael Correa, denunciou "tentativa de golpe de Estado" e decretou estado de exceção no país após crise iniciada com urna rebelião de policiais militares, descontentes com lei que corta benefícios da categoria. 0 governo acusa a oposição de insuflar o movimento. Tropas tomaram os principais regimentos, o aeroporto de Quito e o Congresso. A cúpula militar anunciou fidelidade a Correa. A OEA aprovou resolução de "repúdio a qualquer tentativa de rompimento da ordem institucional". (Págs. 1 e Internacional A21 a A23)

BC espera menos inflação, mas vê risco em salário e crédito

Relatório trimestral do Banco Central reduziu suas previsões para o IPCA de 2010 e 2011 e já vê a inflação ligeiramente abaixo da meta de 4,5% até o terceiro trimestre de 2012. Apesar da expectativa mais favorável, o BC alertou que existem dais riscos importantes para a concretização desse cenário: reajustes exagerados de salários e o mercado de crédito aquecido. (Págs. 1 e Economia B1)

4,6% - É a estimativa do BC para a inflação medida pelo IPCA em 2011. (Pág. 1)

'Estado' é premiado por revelar fraude

A denúncia do vazamento da prova do Enem deu ao Estado o Premio Ayrton Senna de Jornalismo. Um ano após a fraude, acusados não foram ouvidos pe1a Justiça. (Págs. 1 e Vida A26)

Pane na PF acaba, mas passaporte ainda é difícil (Págs. 1 e Cidades C4)

Dora Kramer
Atos erráticos

Entre Gilmar Mendes e José Serra, impassível decidir quem teve o pior desempenho no caso da votação envolvendo título de eleitor. (Págs. 1 e Nacional A6)

Visão global

Democracia conta

É importante conter a onda antidemocrática no mundo, diz Roger Cohen. (Págs. 1 e Internacional A25)

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Valor Econômico

Manchete: Voto sugere continuidade e reformas
Os quatro principais institutos de pesquisa do país convergem para a tendência de definição da eleição presidencial em primeiro turno. No cenário mais apertado, do último Datafolha, Dilma Rousseff (PT) tem 52% dos votos válidos, o que a colocaria quatro pontos percentuais além da soma de seus adversários. José Serra (PSDB) tem 31%, Marina Silva (PV), 15% e os demais, 2%.
A decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF) de flexibilizar a obrigatoriedade de dois documentos para a votação tende a beneficiar a candidata petista, cuja base eleitoral seria mais afetada pela exigência. O debate de ontem na TV Globo marcou a última grande chance de Serra e Marina tentarem levar a disputa para o segundo turno. (Págs. 1, A9 a A21 e A26)

Dilma foi 'criada' no vácuo da oposição. (Págs. 1 e A12)

Onde investem os candidatos. (Págs. 1 e D1)

SP e RJ devem ter decisão no domingo. (Págs. 1 e A14)

Armadilhas ameaçam contas públicas e Delfim prevê problemas externos (Págs. 1 e Eu & Fm de Semana)

Economia da Venezuela começa a se recuperar

Com preços do petróleo estáveis e produção estagnada, a economia venezuelana sofreu os efeitos da recessão global e do racionamento de energia elétrica. 0 PIB deve cair cerca de 2% neste ano, mas iniciou uma tímida recuperação no segundo trimestre. A dúvida é se as taxas de crescimento de 2005 a 2009, quando economia avançou a um ritmo médio de 6%, poderão voltar. (Págs. 1 e A23)

Camargo Corrêa vai investir R$ 3,6 bilhões em cimento

O grupo Camargo Correa vai investir RS 3,6 bilhões entre 2011 e 2016 para expandir e construir fábricas de cimento, diante do cenário de crescimento sustentado da demanda. A intenção é fazer com que a Camargo Correa Cimentos aumente a produção em 75%. "Há muita obra de infraestrutura a ser realizada no país, demanda por obras industriais, comercias e continuidade da demanda por moradias”, explica Humberto Junqueira de Farias, presidente da empresa.
Com esse investimento, a companhia pretende entrar de vez nos mercados do Nordeste - a região onde o consumo de cimento mais cresce - e Norte. Está prevista uma grande fábrica em cada região. Cada unidade industrial será integrada - desde a extração de calcaria, principal matéria-prima do cimento. Instalações desse tipo geralmente são desenhadas para produzir pelo menos 1 milhão de toneladas/ano e requer investimentos de no mínimo US$ 250 milhões. (Págs. 1 e B1)

Estrangeiros criticam modelo de banda larga

O modelo de compras de equipamentos para o plano de banda larga da Telebrás, que dá preferência às soluções com tecnologia desenvolvida no país, recebe críticas das empresas estrangeiras. 0 modelo é "destrutivo" e desestimula a produção no Brasil, diz Aluízio Byrro, da Nokia Siemens. "Afasta empresas que estão no país há anos investindo", afirma Jônio Foigel, da Alcatel-Lucent (Págs. 1 e B2)

A todo vapor

Resultado do crescimento da massa salarial e da maior oferta de crédito, o aumento do consumo reduziu a sazonalidade da atividade industrial em alguns segmentos neste ano. (Págs. 1 e A5)

Carne para os EUA

Estados Unidos sinalizam a liberação de importações de carne suína e bovina de Santa Catarina até 20 de outubro, antes das eleições legislativas de 2 de novembro.(Págs. 1 e B11)

Commodities em alta

Demanda aquecida, puxada pelos emergentes, e problemas climáticos sustentam os preços das commodities agrícolas, movimento reforçado pela fraqueza do dólar e pela ação dos fundos de investimentos. (Págs. 1 e B12)

Boom segurador

Seguradoras e resseguradoras preparam-se para explosão de negócios no Brasil na próxima década, com obras da Copa, Olimpíadas, PAC e pré-sal. Prêmios deverão somar US$ 5,5 bilhões. (Págs. 1 e C1)

'Xerife' da magistratura
Primeira mulher a ocupar uma vaga no Superior Tribunal de Justiça, a ministra Eliana Calmon, que acaba de deixar a Corte para assumir a cargo de corregedora nacional de Justiça, quer "tolerância zero" com a corrupção no Judiciário e rigor nas corregedorias estaduais. (Págs. 1 e E1) Em meio a protestos violentos de policiais, Equador declara estado de exceção (Págs. 1 e A22)

Brasil tem tudo para entrar na onda do carro elétrico, diz Ghosn, da Renault (Págs. 1 e B8)

Ideias
Claudia Safatle

Opção inicial do governo, em um leque de medidas para deter valorização do real, é o aumento da alíquota do IOF. (Págs. 1 e A2)

Ideias

Maria Cristina Fernandes

Oito em cada dez eleitores que vão às urnas no domingo nunca foram privados do direito de escolher os dirigentes do país. (Págs. 1 e A10)

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radiobras.

quinta-feira, setembro 30, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] ''CÂNDIDO URBANO URUBU" *

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Homenagem aos chargistas brasileiros.
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(*) Título de livro. Carlos Eduardo Novaes (1982).
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ELEIÇÕES 2O1O [In:] ... QUASE UMA ''BOCA DE URNA''

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Datafolha: Dilma sobe mas vitória no 1º turno segue indefinida


Petista passou de 46% para 47%.
Serra
continua com 28% e
Marina
, com 14%


Redação Época


A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, aparece com 47% das intenções de voto na pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (30). Dilma cresceu um ponto em relação ao levantamento de terça-feira (28). José Serra, do PSDB, continua com 28% das intenções, assim como Marina Silva, do PV, que continua com 14%.

Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) teve 1% das intenções. Nenhum dos outros candidatos conseguiu 1%. Brancos e nulos somaram 3%, e indecisos, 6%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Considerando os votos válidos, Dilma subiu de 51% para 52%. Serra tem 31%, Marina, 15%, e Plínio, 1%. Segundo o Datafolha, é impossível afirmar que se petista seria ou não eleita no primeiro turno, caso a eleição fosse agora. O Sul e o Sudeste foram responsáveis pela subida de Dilma.

Em um eventual segundo turno Dilma aparece com 53%, e Serra, com 39%. A pesquisa foi encomendado pela TV Globo em parceria com o jornal Folha de S. Paulo.

RDF

ELEIÇÕES 2O1O [In:] ELEITOR ''ABESTADO''

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Justiça não aceita denúncia contra Tiririca


Juiz entendeu que vale decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo


REDAÇÃO ÉPOCA


A Justiça Eleitoral de São Paulo rejeitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra Tiririca (PR), candidato a deputado federal, por suposto analfabetismo. O juiz Aloísio Sérgio Rezende Silveira considerou que o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) já havia entendido “não haver qualquer causa de inelegibilidade do candidato inclusive no que se refere à instrução mínima, ou seja, o não analfabetismo”.

O promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes queria fazer um teste de escrita e leitura com o candidato. Nas suas representações, Lopes anexou uma reportagem publicada por ÉPOCA com indícios que sugerem que Tiririca não sabe ler nem escrever. A Constituição proíbe candidatos analfabetos e a lei obriga que todo candidato apresente um comprovante de escolaridade ou declaração de próprio punho afirmando que sabe ler e escrever.

A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP) divulgou na segunda-feira (27) uma nota afirmando que não havia possibilidade de impugnar a candidatura antes das eleições mas que o órgão iria solicitar o registro da candidatura ao TRE-SP para examinar o que foi apresentado por Tiririca. A PRE-SP também afirmou que se Tiririca for eleito e se for comprovada eventual irregularidade, há possibilidade de recurso.

RDF


GOVERNO LULA/LULISMO [In:] OS PARÂMETROS DA DEMOCRACIA

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''Lula poderá ser um poder paralelo''


Merval Pereira, Jornalista - Em livro que reúne seus artigos desde 2002, jornalista mostra como o lulismo assumiu o poder

25 de setembro de 2010 | 0h 00


José Maria Mayrink -
O Estado de S.Paulo


A releitura de 372 artigos selecionados entre aqueles que publicou no jornal O Globo, entre junho de 2002 e junho de 2010, levou Merval Pereira à conclusão de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva instalou no poder um lulismo que marcará o governo nos próximos anos, com a eventual vitória do PT e de Dilma Rousseff.

Os artigos publicados no livro O Lulismo no Poder, a ser lançado terça-feira na Academia Brasileira de Letras, no Rio (Editora Record, 784 páginas, R$ 79,90), apresentam uma visão realista e, às vezes, profética do governo Lula, embora alguns deles tenham sido ultrapassados pelos acontecimentos. "Resolvi manter essas colunas porque mostram como se faz o jornalismo político no dia a dia."

Quais são os indícios de que o lulismo assumiu o poder?

Cito o aparelhamento do Estado, o Bolsa-Família e a política externa. Vê-se aí que há uma lógica nesse governo. A confusão entre público e privado sempre existiu no governo Lula. Com o escândalo do mensalão, descobriu-se que, antes de chegar à administração federal, o PT já tinha essa mistura nas prefeituras que comandava. Foi a mesma coisa no controle dos meios de comunicação. Desde o primeiro momento, o governo apareceu com várias propostas de controle, como o Conselho Nacional de Jornalismo e o projeto para controlar a cultura.

O ex-ministro José Dirceu tem o maior destaque em seu livro. Foi com ele que se desenvolveu o lulismo?

Esse é o período do mensalão, quando Lula ficou enfraquecido e quase caiu. Depois que se recuperou, ele acelerou o projeto. Dirceu era e é até hoje fortíssimo no PT. A saída do Dirceu fez com que o lulismo crescesse. Lula passou a ser a figura central. Antes, era o Palocci, era o Dirceu. Claro que Lula nunca foi uma figura decorativa, mas havia personagens que tinham autonomia no governo. A partir da saída desses dois, especialmente do Dirceu, o lulismo cresceu. Lula teve essa sorte, é um homem de sorte. Quando a crise do mensalão veio, começaram a vir também os efeitos dos programas assistencialistas, que transformaram Lula num mito no Nordeste.

Quem constrói o lulismo, os petistas ou também Lula?

Principalmente o Lula. Tem aí uma figura central que é o Patrus Ananias. Porque o Fome Zero/Bolsa-Família, do jeito que estava montado pela turma do Frei Betto, era um projeto de reforma estrutural, da estrutura do Estado. Frei Betto queria fazer comissões regionais sem políticos, para distribuição do Bolsa-Família, e a partir daí fazer educação popular. Era um projeto muito mais de esquerda, muito mais voltado para mudanças estruturais da sociedade. O Bolsa-Família hoje é um programa para manter a dominação do governo sobre esse povo necessitado. Patrus transformou-o num instrumento político espetacular, que foi o começo da força do lulismo.

Em fevereiro de 2004, sua coluna mostrava que Lula estava por baixo e que talvez fosse melhor ele desistir da reeleição para voltar em 2010. Isso mudou. Foi aí que o lulismo disparou?

Deixei no livro vários artigos que foram depois superados pelos fatos justamente para mostrar como é feito o jornalismo político, no dia a dia. Naquele momento, Lula estava morto. Eu me lembro de que, no PSDB, achavam que era só deixar o Lula sangrando até a eleição. Aí a coisa virou. Na recuperação, Lula foi em frente, viu que tinha um respaldo popular, que era muito menor do que hoje.

O lulismo continuaria sem o Lula no poder, com a eventual eleição de Dilma, ou supõe que o Lula voltaria mais tarde?

Eu achava antes que o Lula não ia querer voltar em 2014 e que ia ter uma vida política no exterior, abrir uma ONG ou um instituto, que ia andar pelo mundo fazendo palestras e sendo homenageado. Esse projeto furou um pouco, depois da crise com o Irã, depois das crises internacionais em que se meteu.

Lula então se voltaria mais para o Brasil?

Ele está reagindo muito mal à perspectiva de ficar fora do poder. Vai querer permanecer atuando, vai querer escolher ministros da Dilma, vai querer interferir. Isso previsivelmente provocará uma crise política. Dirceu já disse que a eleição da Dilma é um projeto do PT. Se Dilma for eleita, é por causa do Lula e não por causa do PT. Se o PT está querendo tomar conta do governo tanto quanto o Lula, vai dar confusão. E, se o Lula passar a viajar pelo País, a fazer comícios, será um poder paralelo no governo. Não sei como o PT vai reagir, como a Dilma vai reagir.
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Lançamento

‘O Lulismo no poder’

O livro de Merval Pereira será lançado no próximo dia 28

21/09/2010
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Convite de lançamento do livro

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O jornalista Merval Pereira vai lançar, no próximo dia 28 de setembro, o livro “O Lulismo no poder”, da editora Record. O evento acontecerá na Academia Brasileira de Letras, no Castelo. Segundo o autor, o título é uma homenagem ao jornalista Carlos Castello Branco, uma espécie de patrono dos colunistas políticos brasileiros. Recentemente, o livro de Castello Branco “Os militares no poder” foi reeditado. Merval Pereira foi responsável pelo prefácio da obra. A Academia Brasileira de Letras fica na Avenida Presidente Wilson, número 203, térreo, Castelo.


''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''

30 de setembro de 2010

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Folha de S. Paulo

Manchete: Dilma interrompe queda
Mercadante sobe e reduz vantagem de Alckmin, que tem 54% dos votos válidos

No RS, distância entre Tarso Genro e rivais diminui e torna o 1º turno indefinido

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, estancou a tendência de perda de votos dos últimos 20 dias e mantém seu favoritismo.
Segundo pesquisa nacional Datafolha feita ontem e anteontem, Dilma oscilou positivamente um ponto e tem 52% em votos válidos. José Serra (PSDB) variou um ponto para baixo e ficou com 31%, mesmo movimento de Marina Silva (PV), que passou de 16% para 15%.
Os rivais de Dilma somam 48% dos votos válidos; ela precisa de 50% mais um para vencer já neste domingo. Como a margem de erro é de dois pontos, é impossível afirmar com segurança que não haverá segundo turno.
Cenário similar se repete no RS, onde a vantagem de Tarso Genro (PT) sobre os adversários caiu e ele tem 52% dos votos válidos; na pesquisa gaúcha , porém, a margem de erro é de três pontos.
Em SP, a vantagem de Geraldo Alckmin sobre Aloizio Mercadante diminuiu seis pontos: o petista subiu para 29% e o tucano recuou para 54%, mas ainda venceria no primeiro turno se a eleição fosse hoje. (Págs. 1 e Esp.3)

Edir Macedo, da Universal, divulga carta a favor de Dilma. (Págs. 1 e Esp. 3)

Após ligação de Serra, Mendes para julgamento de ação do PT

O STF interrompeu ontem o julgamento de recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentar dois documentos na hora de votar.
A interrupção, quando a votação era de 7 a 0 a favor da ação, foi provocada por Gilmar Mendes, que pediu mais prazo para análise.
Horas antes, a Folha viu em SP quando o tucano José Serra solicitou uma ligação para o ministro do Supremo, com quem conversou.
A exigência dos dois documentos é apontada como prejudicial para os petistas.
Serra e Mendes negaram ter conversado. (Págs. 1 e Esp. 5)

Tucano defende revisão de idade para servidores se aposentarem

Em reunião com representantes do funcionalismo, José Serra (PSDB) sugeriu a possibilidade de rever a idade mínima para concessão da aposentadoria no serviço público, caso eleito.
“Prefiro mexer muito mais na idade do que na remuneração”, disse o tucano aos servidores. (Págs. 1 e Esp. 4)

Polícia apura se Netinho omitiu a casa em que mora

A cinco dias da eleição, policiais civis foram ao condomínio em que vive Netinho de Paula (PC do B) para fotografar a casa em que ele mora, a pedido do Promotoria Eleitoral de Barueri. Foi aberto inquérito para apurar se ele omitiu o imóvel, avaliado em R$ 2 milhões. O PC do B criticou. (Págs, 1 e Esp.8)

Análise

Na reta final, até microfato pode definir 2º turno. (Págs. 1 e Esp. 3)

Boa notícia

Planos de saúde não podem descartar idoso, decide o STJ. (Págs. 1 e C5)

Eleições 2010

O Brasil que os candidatos querem

Caderno mostra como os candidatos querem manter o ciclo de desenvolvimento do país e os cinco momentos cruciais das campanha de cada um. (Págs. 1 e Especial Presidente 40)

Eleições 2010

Elio Gaspari

Desembarcar do pedestal vai dar trabalho a Lula. (Págs. 1 e Especial Presidente 40)

Editoriais

Leia "Metas sociais", que delineia objetivos a serem atingidos pelo futuro presidente da República nas áreas de saúde e educação. (Págs. 1 e A2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Polêmica do aborto faz Dilma se explicar a líderes cristãos
Petista diz que nunca defendeu interrupção de gravidez; para Marina, ela mudou

Preocupada com a perda de votos entre cristãos por causa de polêmica sobre o aborto, a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) reuniu padres e pastores para dizer que nunca defendeu a interrupção da gravidez. Dilma disse que a confusão é "vilania" de quem está perdendo a eleição. A polêmica é alimentada por declarações dadas por Dilma em outras ocasiões. Marina Silva (PV) afirmou que a petista "já disse que era favorável e depois mudou". 0 bispo Edir Macedo disse que o "jogo do diabo" a difusão de texto que atribuía a Dilma declaração de que "nem mesmo Cristo” lhe tiraria a vitória. (Págs. 1 e Nacional A7e A8)

Ibope dá petista no 1º turno

A pesquisa mostra Dilma com 55% dos votos válidos. Segundo o levantamento, ela não perdeu eleitores, diferentemente do que informou pesquisa Datafolha. (Págs. 1 e Nacional A4)

A 4 dias da eleição, STF não define como votar

O ministro Gilmar Mendes pediu vista e paralisou, no Supremo Tribunal Federal, o julgamento de ação contra a necessidade de apresentar o título de eleitor e um documento com foro para votar no domingo. 0 placar estava em 7 a 0, suficiente para acabar com a exigência, conforme proposto pelo PT. A decisão de Gilmar Mendes surpreendeu outros ministros e foi contestada no plenário do STF, por causa do desgaste causado pelo impasse no julgamento da Lei da Ficha Limpa. (Págs. 1 e Nacional A11)

Entrada de dólares bate recorde e cotação cai

Dados preliminares do Banco Central mostram que US$ 14,45 bilhões ingressaram no País em setembro até o dia 24, em operações como a compra de ações. A capitalização da Petrobras é o principal responsável. Mesmo sem os últimos quatro dias úteis do mês, o valor já é o maior da série iniciada em 1982 e deve crescer, segundo analistas. 0 dólar caiu para R$ 1,7050, o menor valor em dez meses. 0 governo pretende agir de forma mais incisiva contra a especulação e pode acionar a elevação do IOF, hoje em 2%. (Págs. 1 e Economia B1 e B3)

ANS determina que planos de saúde agilizem autorizações

Após as empresas de planos de saúde reconhecerem que clientes chegam a esperar dois meses para ter acesso a determinados procedimentos, a Agência Nacional de Saúde Suplementar definiu prazos máximos de atendimento a usuários de convênios. Para consultas básicas, o prazo será de até 7 dias. Para consultas de especialidades, a espera será de no máximo 15 dias. Prazo para cirurgias também serão fixados. (Págs. 1 e Vida A30)

Anvisa suspende o Avandia

O registro do Avandia, usado para tratamento de diabete tipo 2, foi cancelado. Estudos mostraram que o remédio aumenta o risco de problemas vasculares, como enfarte e AVC. (Págs. 1 e Vida A30)

Pelo 3º dia segue suspensa emissão de passaportes

O agendamento e a entrega de passaportes continuaram suspensos ontem em todo o País, pelo terceiro dia seguido, por causa de pane em sistema entre a Polícia Federal e a Casa da Moeda do Brasil. Não há previsão para a volta ao normal. (Págs. 1 e Cidades C1)

Greve dos bancários afeta 3,8 mil agências (Págs. 1 e Economia B8)

Procurador receberia propina no TO, diz dossiê (Págs. 1 e Nacional A18)

Dora Kramer
Do alto do salto

Excesso de autoconfiança acabou fazendo Lula errar ao pesar a mão na reação ao caso Erenice. (Págs. 1 e Nacional A6)

Notas & Informações

A desordem cambial

O governo não poderá ficar parado em meio à desordem cambial global. Terá de continuar interferindo no câmbio. Produzindo efeito maior se eliminasse outros obstáculos à competitividade. (Págs. 1 e A3)

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Valor Econômico

Manchete: Petrobras atrai R$ 21 bi do exterior

Os investidores estrangeiros entraram com cerca de R$ 21 bilhões na oferta de ações da Petrobras, segundo cálculo feito a partir de informações obtidas pelo Valor. 0 número oficial sobre a divisão do bolo das ações da petroleira será conhecido até 25 de outubro, quando for divulgado o anúncio de encerramento da oferta.
A venda total de ações da estatal somou R$ 120 bilhões, e R$ 85 bilhões corresponderam ao que ficou conhecido como oferta prioritária, destinada aos acionistas já existentes, principalmente a União. A oferta efetivamente pública (livre) correspondeu a R$ 35 bilhões. Pelas estimativas obtidas pelo Valor, os estrangeiros ficaram com aproximadamente 60% das ações vendidas na oferta livre. (Págs. 1, C1 e C2)

Múltis do país já faturam lá fora R$ 136 bi

Chegou a R$ 136 bilhões o faturamento no exterior de 52 multinacionais brasileiras no ano passado, um avanço "m relação aos R$ 110 bilhões de 2008. E isso apesar da crise financeira mundial, que reduziu um pouco o índice de internacionalização dessas empresas, segundo pesquisa feita para o Valor pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globaliza¢o Econômica (Sobeet).
O ranking das empresas brasileiras mais internacionalizadas tem a Odebrecht em primeiro lugar, seguida por JBS, Gerdau, Metalfrio e Andrade Gutierrez. 0 índice de internacionalização, formado pela média da participação de ativos, empregos e receitas no exterior em relação ao total, está detalhado no anuário "Multinacionais Brasileiras" que circula hoje para os assinantes do Valor. (Pág. 1)

Rota final de campanhas obstinadas

Escolhida pessoalmente pelo presidente Lula para ser a candidata petista a sua sucessão, mas sem o carisma de seu mentor, Dilma Rousseff procurou ao máximo ligar sua imagem a dele e liderou também a campanha mais organizada desde a redemocratização do país. Inspirada na estrutura da Presidência da República, funcionou com hierarquia militar, organizando o trabalho de quase cem pessoas - sem contar as 180 da equipe de João Santana, o publicitário. Dilma fez a campanha a bordo de um Cessna Citation Sovereign, um luxuoso jatinho de nove lugares, com autonomia de voo de 5,2 mil quilômetros.
Seu principal oponente, o candidato tucano José Serra, usou um Learjet 60 em uma campanha que enfrentou turbulências desde antes de receber o mandado do PSDB para concorrer à Presidência. Uma disputa na qual o tucano chega com pequena chance de ir para o segundo turno. Apesar da lenda de ter pavor de aviões, na campanha ele literalmente morou dentro de jatinhos - único jeito de "caçar" votos num país continental. Para ser mais preciso, o candidato passou madrugadas dentro de aviões e helic6pteros.
No Estado campeão em focos de incêndio, a candidata do PV, Marina Silva, procurou enfatizar sua profissão de fé no "onda verde". "A eleição tem que ter dois turnos, para pensar duas vezes. No primeiro turno a gente vota em quem a gente gosta. No segundo, desvia do pior". 0 crescimento aa candidata na reta final e a possibilidade de Marina forçar a realização de um segundo turno deixaram o comitê de campanha e o partido em clima de festa - reavivando a lembrança de que ela não foi a primeira opção do PV para disputar a Presidência.
Às vésperas da eleição, o candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, tem encontrado espaço em sua agenda para encontros em universidades, em que aproveitou o apoio estudantil e o espaço nos debates para chamar a atenção para questões polêmicas, como a desapropriação de escolas particulares e terras agrícolas e a legalização da maconha. (Págs. 1 e A7 a Al2)

Mobilidade nos pagamentos

Banco do Brasil, Cielo e Oi fecham acordo para impulsionar o mercado de pagamentos por meio do telefone celular. A parceria inclui emissão de cartões e joint venture para captura de transações. (Págs. 1 e B2)

Ampliação de Jirau custará R$ l bi

Aumento da potência instalada da hidrelétrica de Jirau para 3.750 megawatts, em análise no governo, terá um custo adicional de R$ 1 bilhão. (Págs. 1 e B8)

Cenários sustentam preço da carne

Com a oferta pressionada e a demanda em alta, principalmente nos mercados emergentes, preços da carne bovina devem continuar firmes, prevêem especialistas. (Págs. 1 e B12)

Relatório de inflação

Queda-de-braço entre o BC e o mercado sobre o juro real de equilíbrio do país aumenta expectativa sobre o relatório de inflação do terceiro trimestre, divulgado hoje. (Págs 1 e C2)

Ideias

Wanderley Guilherme dos Santos

Há dois óbitos iminentes: a eficácia eleitoral da redistribuição de renda e o poder desestabilizador da grande mídia. (Págs. 1 e A5)

Ideias

Maria Inês Nassif

Velhos medos conservadores não cabem no novo mundo nem no Brasil de 2010, mas estão sendo chamados às urnas. (Págs. 1 e A6)

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quarta-feira, setembro 29, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] BALA LAICA

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Homenagem aos chargistas brasileiros.
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ELEIÇÕES 2O1O/VENEZUELA [In:] A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR...

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29/09/2010

Uma jovem jornalista precisou de um minuto e meio para desmoralizar o bufão bolivariano

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Em menos de 10 minutos, o vídeo ergue um monumento ao jornalismo de verdade e, simultaneamente, escancara a grandiosa pequenez de um farsante. Repórter da Rádio França Internacional, a jovem venezuelana Andreina Flores precisou de 1 minuto e 39 segundos para emparedar o presidente Hugo Chávez com a interrogação que inquieta os democratas do mundo inteiro. Se o governo ganhou as eleições parlamentares por uma diferença ligeiramente superior a 100 mil votos, como pôde instalar no Congresso uma bancada que tem 37 integrantes a mais que a formada pela oposição? A distorção não seria fruto das mudanças introduzidas por Chávez no sistema eleitoral às vésperas da votação, concebidas para impedir que as urnas traduzissem efetivamente a vontade popular?

Clara, concisa, corajosa, Andreina disse tudo o que o embrião de ditador não queria ouvir. A apresentação de Chávez ocupa os 7 minutos e 58 segundos restantes. Mistura piadas infelizes, grosserias, sorrisos amarelos, frases desconexas, falácias, provocações, patriotadas malandras, alusões preconceituosas, truques de quinta categoria, ameaças veladas — tudo, menos argumentos consistentes. Sentada na primeira fileira, sem arrogância e sem medo, Andreina continua à espera da resposta que não virá.

O rei Juan Carlos desmoralizou o bufão bolivariano com a célebre ordem para calar-se. A jornalista venezuelana desmoralizou-o ao exigir que falasse.

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ELEIÇÕES 2O1O [In:] FÉ E TRABALHO

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Um pronunciamento exemplar de Silas Malafaia, líder evangélico, sobre liberdade de expressão, religião e eleições

Os leitores sabem que sou católico, e alguns bobos confundem a crítica que faço a alguma “igrejas mais novas do que o uísque que eu bebo” com preconceito contra evangélico. Não tenho preconceito nenhum! Combato é vigaristas disfarçados de religiosos. Se vejo alguém recorrer ao Eclesiastes para justificar o aborto por causa de uma metáfora que há naquele texto, acuso a besteira; afirmo com clareza: “É mentira! Não há uma só passagem na Bíblia que justifique tal crime”. Combato também o que chamo de indústria da fé, que recorre aos assuntos de Deus para cuidar de assuntos demasiadamente humanos.

Pois bem. Abaixo, segue um vídeo de um líder evangélico que costuma ter opiniões muito claras — o que alguns confundem com posições polêmicas. Aliás, no Brasil, ultimamente, se você evita a ambigüidade, logo vira um “polêmico”. Trata-se do pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus Vitória em Cristo. Ele faz uma das melhores defesas que já ouvi da liberdade de expressão e trata de modo muito correto a relação entre fé e política.

Não estou me alinhando com esta ou com aquela opiniões de Malafaia. O que me interessa em sua fala é a abordagem irretocável sobre democracia e estado de direito. Assista. Volto em seguida.

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Voltei
A organização evangélica a que Malafaia pertence tem seis horas de programação diária na TV aberta (Bandeirantes, RedeTV e CNT). Um irmão seu é candidato a deputado pelo PR do Rio — nacionalmente, o partido apóia a candidata Dilma Rousseff. Mas não Malafaia. Estava com Marina (ela também é fiel da Assembléia de Deus), mas rompeu o apoio por causa da posição da candidata sobre o aborto: ela se diz favorável a um plebiscito. Para o pastor, cristão não tergiversa sobre esse assunto. Nesse particular, concordo com ele. O pastor passou a apoiar o tucano José Serra.

O partido a que ele se refere no vídeo é o PT, que lhe mandou uma carta. Reproduzo trecho do texto de seu site que explica as circunstâncias
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No programa Vitória em Cristo, exibido no dia 11 de setembro deste ano, o pastor Silas Malafaia sugeriu que os telespectadores assistissem ao vídeo do Pr. Paschoal Piragine (aqui) sobre as eleições 2010. Nele, Piragine criticou o PT e pediu aos internautas para não votarem em nenhum candidato do partido.
A repercussão foi tão grande que, até o fim da tarde desta sexta-feira (17/09), o vídeo postado no YouTube já havia sido assistido (sic) por mais de 1,6 milhão de pessoas. O fato motivou integrantes do Partido dos Trabalhadores a enviarem uma carta ao pastor Silas Malafaia alegando: “Não é verdade que deputados do PT foram expulsos por se manifestarem contra o aborto. É verdade que eles tiveram conflitos com movimentos de mulheres sobre questões relacionadas ao aborto, mas não houve expulsão.”
Em resposta, o pastor Silas Malafaia saiu em defesa do vídeo e afirmou em carta enviada aos integrantes do PT: “Espero que, se Dilma ganhar, vocês que são cristãos não fiquem envergonhados, e não se calem diante de coisas que virão por aí, e que só o tempo poderá nos mostrar.” A íntegra da carta dos petistas e da resposta de Malafaia está aqui.

Por Reinaldo Azevedo/VEJA.

29/09/2010

às 6:55
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Pr. Silas recebe carta de integrantes do PT e responde

17/09/2010 17:00


No programa Vitória em Cristo exibido no dia 11 de setembro deste ano, o pastor Silas Malafaia sugeriu que os telespectadores assistissem ao vídeo do Pr. Paschoal Piragine (http://www.youtube.com/watch?v=ILwU5GhY9MI) sobre as eleições 2010.
Nele, Piragine criticou o PT e pediu aos internautas para não votarem em nenhum candidato do partido.


A repercussão foi tão grande que, até o fim da tarde desta sexta-feira (17/09), o vídeo postado no youtube já havia sido assistido por mais de 1,6 milhão de pessoas. O fato motivou integrantes do Partido dos Trabalhadores a enviarem uma carta ao pastor Silas Malafaia, alegando: "Não é verdade que deputados do PT foram expulsos por se manifestarem contra o aborto. É verdade que eles tiveram conflitos com movimentos de mulheres sobre questões relacionadas ao aborto, mas não houve expulsão."

Em resposta, o pastor Silas Malafaia saiu em defesa do vídeo e afirmou em carta enviada aos integrantes do PT: "Espero que, se Dilma ganhar, vocês que são cristãos não fiquem envergonhados, e não se calem diante de coisas que virão por aí, e que só o tempo poderá nos mostrar."

Leia abaixo, na íntegra, a carta enviada pelo PT e, em seguida, a resposta do pastor Silas Malafaia:

CARTA ENVIADA POR INTEGRANTES DO PT

“Prezado Pr. Silas Malafaia

Graça e Paz!

Somos evangélicos e tomamos conhecimento da Vossa orientação no programa exibido em 11/09/2010, para que os expectadores assistissem ao vídeo do Pr. Paschoal Piragine, que pede aos cristãos não votar nos candidatos do Partido dos Trabalhadores do qual fazemos parte.

O Pr. Paschoal Piragine é bastante conhecido e o temos como uma pessoa íntegra que esteja considerando que as informações que possui contra o PT sejam realmente verdadeiras. Entretanto, trata-se de afirmações que não correspondem com a realidade.

Diante do conteúdo vídeo, gostaríamos de esclarecer que:

Não é verdade que um parlamentar do PT não pode descumprir uma deliberação coletiva do partido por uma questão religiosa ou de foro íntimo. Veja o que diz o inciso XV do art 13 do estatuto do PT:

“Art. 13. São direitos do filiado:
XV – excepcionalmente, ser dispensado do cumprimento de decisão coletiva, diante de
graves objeções de natureza ética, filosófica ou religiosa, ou de foro íntimo, por decisão da
Comissão Executiva do Diretório correspondente, ou, no caso de parlamentar, por decisão
conjunta com a respectiva bancada, precedida de debate amplo e público.”

Não é verdade que deputados do PT foram expulsos por se manifestarem contra o aborto. É verdade que eles tiveram conflitos com movimentos de mulheres sobre questões relacionadas ao aborto, mas não houve expulsão. Em função desses problemas eles foram punidos pelo PT, o que os levou a mudarem de partido.

Não é verdade que o PT possui uma orientação pela legalização do aborto. Em seu IV Congresso, o PT modificou a resolução que falava de aborto e estabeleceu para o atual programa de governo da Dilma o seguinte texto: “Promover a saúde da mulher, os direitos sexuais e direitos reprodutivos: O Estado brasileiro reafirmará o direito das mulheres ao aborto nos casos já estabelecidos pela legislação vigente, dentro de um conceito de saúde pública”.

O Plano Nacional de Diretos humanos é elaborado pela sociedade por meio dos conselhos de diretos humanos com a participação do governo federal, mas não é uma novidade do governo Lula. O primeiro plano foi publicado através do Decreto número 1.904, de 13 de maio de 1996, e o segundo através do Decreto número 4.229, de 13 de maio de 2002. Em todos eles estão presentes assunto polêmicos ligados com a sexualidade. Diante disso seria um equívoco afirmar que todos os méritos e deméritos do PNDH 3 é de responsabilidade do governo Lula ou do PT.

O conteúdo apresentado no vídeo não corresponde, portanto, com a realidade do que está sendo defendido pelo PT. Podemos pegar os posicionamentos do PT e comparar com o conteúdo do vídeo e observaremos que não existe veracidade. Um exemplo bastante claro é a questão da pedofilia. Não conhecemos nenhum parlamentar, de nenhum partido político, ou algum grupo social que defenda a pedofilia. Atribuir uma acusação dessa natureza ao PT é de extrema injustiça.

Até o dia 13/09/2010 já houve mais de um milhão, duzentos e cinquenta mil acessos ao vídeo disponibilizado na internet. Diante desses fatos nos sentimos extremamente injustiçados e pedimos que os esclarecimentos fossem veiculados em seu próximo programa.

Desde já agradecemos um retorno.

Na Graça de Deus!

Gilmar Machado
Candidato a Deputado Federal – PT/MG – Igreja Batista Central de Uberlândia
Isaac Cunha
Candidato a Deputado Estadual – PT/BA – Primeira Igreja Batista
Joaquim Brito
Candidato a Vice-Governador de Ronaldo Lessa - PT/AL – Igreja Batista do Pinheiro
Walter Pinheiro
Candidato ao Senado – PT/BA – Igreja Batista da Pituba
Wasny de Roure
Candidato a Deputado Distrital – PT/DF – Igreja Batista do Lago Norte”


RESPOSTA DO PR. SILAS MALAFAIA

“Sr. Geter Borges e Candidatos do PT,

Já que vocês me enviaram um e-mail apresentando defesa do Partido dos Trabalhadores em relação às questões que o pastor Paschoal Piragine levanta, gostaria de contraditar a argumentação de vocês. Antes de fazê-lo, quero deixar bem claro que não tenho restrições pessoais ao PT ou a qualquer outro partido. Os meus questionamentos têm a ver com os princípios que defendo, independente de partidos políticos. Esclareço também que sou amigo pessoal de Walter Pinheiro. Em duas eleições passadas, eu o ajudei. Já o citei várias vezes em meu programa de TV como exemplo de cristão na política. Ele tem a liberdade de usar a minha imagem na sua campanha, o que permito de maneira muito restrita a pouquíssimos candidatos.

Vamos aos fatos:

1. O deputado que saiu do PT, saiu por ter posição cristã contrária aos princípios do partido. E se não saísse, seria expulso.
2. O PT está na vanguarda da defesa do aborto e da PL 122. Estes são fatos reais, verdadeiros. Inclusive, no último dia antes do recesso parlamentar no senado no ano de 2009, se não fossem os senadores Magno Malta e Demóstenes Torres, a líder do PT teria aprovado na calada da noite, por voto de liderança, a PL 122. Isto é uma vergonha, e vocês querem que a liderança evangélica fique quieta!
3. O PNDH3 foi enviado ao congresso pelo Sr. Presidente da República no dia 21/12/2009, e a vergonha é que, nesse documento, em vários pontos, só houve recuo em alguma coisa devido à pressão violenta da igreja católica. O PNDH3, sim senhor, é responsabilidade do governo Lula e do PT.
4. Lamento dizer, mas a verdade absoluta é que os princípios cristãos são inegociáveis para nós. Quanto a isto, o PT está do outro lado. Quero ser franco e honesto: eu só não entrei de cabeça na campanha do Serra, porque também não vi nele garantias de respeito a esses princípios. Nas duas vezes em que fui convidado para participar de audiências públicas pela Comissão de Constituição e Justiça, na primeira vez, que foi sobre a questão do aborto, os deputados que estavam defendendo a legalização do mesmo, eram do PT. Na segunda vez, no Estatuto das Famílias, os deputados do PT estavam defendendo a inclusão dos homossexuais a fim de beneficiá-los na adoção de crianças. Esta é a verdade nua e crua.

Espero que, se Dilma ganhar, vocês que são cristãos não fiquem envergonhados, e não se calem diante de coisas que virão por aí, e que só o tempo poderá nos mostrar. Sinceramente, honestamente, gostaria de estar equivocado em relação às posições do PT. Não ficarei triste se o tempo mostrar que estou equivocado nestas questões, porque no tempo presente, elas são a realidade dos fatos.

Um forte abraço!

Na paz de Cristo,

Silas Lima Malafaia”
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http://www.vitoriaemcristo.org.br/_gutenweb/_site/pg_noticias.cfm?cod_materia=291
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29ª BIENAL/SP [In:] O CÉU É O LIMITE (?)

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A arte criminosa


Na Bienal, Gil Vicente se retrata matando líderes políticos. A OAB acusa o desenhista de fazer apologia do crime. Até onde pode ir o artista?


O artista pernambucano Gil Vicente virou a vedete da 29ª Bienal de São Paulo antes mesmo de o evento abrir para o público. É uma série de desenhos em que o próprio artista se autorretrata assassinando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o papa Bento XVI, a rainha Elizabeth II da Inglaterra e o presidente George W. Bush, entre outros líderes. As imagens podem parecer chocantes para muita gente. Por esse motivo, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio D’Urso, solicitou em nota que os as obras de Gil Vicente fossem retiradas da mostra da Bienal porque elas fazem “apologia ao crime” (sic). Quem tem razão nesse caso? O artista em expressar graficamente sua revolta contra os líderes mundiais, assassinando-os simbolicamente, ou o jurista indignado com a incitação ao crime manifestada na série de desenhos? Na minha opinião, os dois têm lá suas razões. O artista, ao chamar atenção sobre si próprio com uma obra que ele considera de teor “crítico”. E o jurista, que deseja também ele promover as artes, mesmo que seja falando mal. Ambos manifestam comovente ingenuidade. Os dois, mesmo em polos opostos, pensam que a arte ainda tem um poder de afetar a realidade. Pobre arte. Ela já não pode nada, virou refém do mercado e tem pouco ou nada a dizer. A controvérsia pelo menos ajuda a arte a sair da tumba para fazer algum barulho.
Para o curador da Bienal, Agnaldo Faria, a indignação da OAB só ajudou a promover a obra de Gil Vicente – até então um artista mais ou menos obscuro no cenário local, embora veterano e dono de uma produção numerosa. Pelo que pude ver, a série de Gil Vicente é formada realistas, sem nenhum tipo de recurso simbólico ou abstrato e revelam o talento do artista em representar personagens reais. É um artista que usa a boa e velha mimese (imitação da natureza) para fazer efeitos especiais em desenhos de boa fatura. Agora Gil Vicente vive seu momento de glória.

Não conheço os gostos artísticos do doutor D’Urso, mas aparentemente ele se rendeu ao efeito mais óbvio da arte: o fato de que ela imita a natureza e, por isso, carrega dentro dela características que a tornam tão real quando a realidade. Mostrou toda a sua noção “naif” em relação a obras artísticas. E acabou promovendo uma obra, tentando aplicar censura, como nos tempos da ditadura.

Condenar obras de arte por subversão à ordem é algo antiquado. Em 1857, o escritor francês Gustave Flaubert teve de responder nos tribunais por ofensa à moral e à religião. Teve de defender a personagem de seu romance, Madame Bovary, Emma, uma adúltera que chamaríamos hoje de viral ou serial. “Madame Bovary c’est moi” (Madame Bovary sou eu), foi a frase que Flaubert pronunciou no tribunal. Queria dizer assim que o artista carregava todos os pecados de sua personagem – e da humanidade. O artista, portanto, era culpado como todos nós o somos, porque imaginamos crimes, porque a arte não é pregação moral. A arte faz perguntas – e tenta responde-las muitas vezes com violência.

O crítico Affonso Romando de Samnt’Anna lembra o fenômeno da “morte em efígie”, uma forma que os artistas encontraram de eliminar gente que de quem não gostavam, exterminando-as em representação. Sant”Anna cita o assassinato simbólico do artista Marcel Duchamp feito em 1965 por três pintores: Gilles Aillaud, Antonio Recalcati e Eduardo Arroyo. Eles pintaram oito quadros em que apareciam agredindo e matando Duchamp, o artista que preconizava a morte da arte. Duchamp não gostou das obras. E quem gostaria de se ver representado assim? Mas ali havia pelo menos uma motivação artística: contra aquele que queria matar a arte, nada melhor que matá-lo e assim restituir a arte. O crítico lança uma questão incõmoda: até que ponto o artista pode se atrever? Para ele Gil Vicente comete violência. Ele seria um justiceiro, ainda que simbólico. “É o artista um cidadão acima de qualquer suspeita, acima de todas as leis sociais?”

Eu responderia que não. Quando um artista magnífico como Iberê Camargo matou um homem, foi julgado, e, mesmo absolvido, seu ato teve consequências em sua arte, contaminada desde então pelo luto. O mesmo se deu ao príncipe Gesualdo di Venosa, que no século XVII assassinou a mulher e o amante – e se persignou por isso até morrer inutilmente. Mesmo assim, compôs madrigais cromáticos e dissonantes que até hoje nos impressionam. O marquês de Sade criou um catálogo de perversões sexuais, praticou algumas, foi preso por longos anos por isso, mas hoje é considerado um gênio. O artista não está acima do bem e do mal, quando ele pratica um crime. Mas a arte que ele pratica não deve ser considerada como um prolongamento do crime que supostamente cometeu.

Eu me pergunto se Gil Vicente praticou um crime simplesmente porque se desenhou matando personalidades vivas e ativas no cenário mundial. Ele incita a violência ou provoca nosso desalento e reflexão? A motivação do artista pernambucana é motivação política. Ele quer se vingar da ordem constituída e matar os ícones em seus desenhos. Diz que as personalidades que ele matou no papel são em geral criaturas detestáveis e muitas delas desonestas. Quer mostrar sua revolta contra o Estado e a ordem jurídica. Gil Vicente diz que não vota e odeia líderes. Podemos discordar ou não dessas afirmações, mas não vejo mais do que isto: a intenção de chocar que todo artista cedo ou tarde (neste caso tarde) tem.

Não vou me deter na qualidade das obras. Elas me parecem bem feitas, hiper-realistas e interessantes. São virulentas no efeito, e refletem este mundo feito de violência desenfreada, em que atentados contra políticos, tortura e crueldades passam a ser tolerados. Gil Vicente está debaixo do mal, afetado por um espírito de época em que tudo parece permitido. Nem por isso deve ser condenado. Retirar suas obras da Bienal seria um ato de violência e censura maior que os perpetrados na série do artista. Seria interpretar literalmente uma obra de arte. Bom ou mal, o artista só é criminoso quando pratica um crime. As obras não constituem um crime em si mesmas.

O doutor D’Urso está agindo como inocente útil, e colaborando na divulgação do evento. Sugiro que os monitores da Bienal levem-no a dar um passeio pelas obras, para entender o estado da arte contemporânea. Ele talvez se espante. E, quando quiser prender todo mundo no pavilhão da Bienal, será preciso explicar que a ordem simbólica e imaginária é outra que a real.

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LUÍS ANTÔNIO GIRON
Revista Época Luís Antônio Giron
Editor da seção Mente Aberta de ÉPOCA, escreve sobre os principais fatos do universo da literatura, do cinema e da TV.

(Luís Antônio Giron escreve às terças-feiras)/ÉPOCA.

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CRÔNICA/ENSAIO: DORA KRAMER

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Dora Kramer

Em marcha à ré

Publicado em 28/09/2010 |
Agência Estado •
dora.kramer@grupoestado.com.br



A justificativa do desembargador Liberato Póvoa para impor censura a 84 jornais, sites, emissoras de rádio e televisão expressa o pensamento dos defensores da tese de que liberdade de expressão é um conceito relativo.

Bem como a alegação do governador do Tocantins para pedir na Justiça o embargo da divulgação de notícias sobre a investigação de que é alvo por corrupção reproduz o raciocínio de que a imprensa serve aos propósitos da oposição, devendo, por isso, ser obrigada a calar.


O ato do governador acusado, e que disputa agora a reeleição, de mandar a Polícia Militar apreender a partida da revista Veja no aeroporto, antes da distribuição às bancas de Palmas, caracteriza, entre outros crimes, o de uso da máquina pública em proveito individual.

Dirão que é exagero, pois agora se instituiu a prática da defesa moderada da democracia, mas nesse caso escabroso estão presentes todos os elementos da guerra contra a liberdade de manifestação aberta pelo PT em geral e o presidente Luiz Inácio da Silva em particular.

Há o conceito do PT, aprovado no último congresso do partido, sobre a necessidade de se criar controles sobre o conteúdo do que se publica nos meios de comunicação; há o envolvimento do outro parceiro da aliança presidencial, o PMDB, como o partido do requerente da censura; há a argumentação presente nos discursos do presidente e há o uso eleitoral do patrimônio público.

A Justiça já havia feito parecido numa sentença que mantém o jornal O Estado de S.Paulo há mais de um ano impedido de publicar notícias sobre a investigação que alcança o filho empresário do senador e presidente do Senado, José Sarney. A última providência judicial foi remeter o caso para a Justiça do Maranhão, onde está até hoje sem decisão enquanto o jornal e o leitor ficam interditados.

Agora a atitude de um desembargador cuja suspeição é total, porque teve a mulher indicada para cargo pelo governador favorecido pela censura, atingiu 84 veículos.

A liminar foi dada na sexta-feira e suspensa ontem à tarde pelo plenário do TRE do Tocantins. A suspensão alivia, mas não resolve o problema.

A gravidade do episódio é que junto com outros dá sinais de que os arautos do atraso e do retrocesso estão se sentindo à vontade ultimamente.

Só isso explica uma decisão tão obviamente contrária aos ditames democráticos e que muito dificilmente esse desembargador teria tido coragem de proclamar caso não se sentisse em ambiente propício.

Muito já se falou sobre isso, mas é sempre bom repetir: o Brasil avançou em quase tudo da redemocratização para cá, menos na política, cujos métodos são exatamente os mesmos da primeira metade do século passado. E agora, no governo Lula, celebrados como evidência de habilidade.

Primeiro escolhemos não avançar, depois optamos por aprofundar relações com os velhos vícios e mais recentemente parece que resolvemos manifestar preferência pelo retrocesso.

Estamos voltando ao tempo em que era preciso organizar um abaixo-assinado, lançar um manifesto por dia. OAB, AMB, CNBB e similares toda semana estão no noticiário dizendo alguma coisa em defesa da democracia ou denunciando alguma agressão à Constituição.

Ora, o que precisa ser defendido com essa frequência, convenhamos, é porque vai mal.

Alguém já viu isso em país de democracia consolidada?

Pois aqui no Brasil voltou a se tornar uma questão em aberto. Governantes consideram que têm o condão de arbitrar o que seja correto ou incorreto divulgar, juízes prestam serviços particulares, militantes decretam o fim da moralidade que agora passa a se chamar “moralismo udenista” e os parvos ainda acham que os protestos exorbitam e enxergam fantasmas ao meio-dia.

Amanhã ou depois nada impede que o gesto do desembargador tocantinense se repita, até ampliado, caso não haja uma reação muito forte e desprovida de meios tons.

Defesa da democracia que o Brasil reconquistou ao custo de vidas, da liberdade e de anos perdidos não comporta moderação nem bom-mocismo de ocasião.

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CRÔNICA/ENSAIO: ARNALDO JABOR

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Arnaldo Jabor - As boquinhas fechadas

Extraído de: PPS - 18 horas atrás


Estamos vivendo um momento grave de nossa história política em que aparecem dois tumores gêmeos de nossa doença: a união da direita do atraso com a esquerda do atraso.

O Brasil está entregue à manipulação pelo governo das denúncias, provas cabais, evidências solares, tudo diante dos olhos impotentes da opinião pública, tapando a verdade de qualquer jeito para uma espécie de "tomada do poder". Isso; porque não se trata de um nome por outro - a ideia é mudar o Estado por dentro.

Tudo bem: muitos intelectuais têm todo o direito de acreditar nisso. Podem votar em quem quiserem. Democracia é assim.

Mas, e os intelectuais que discordam e estão calados? Muitos que sempre idealizaram o PT e se decepcionaram estão quietinhos com vergonha de falar. Há o medo de serem chamados de reacionários ou caretas.


Há também a inércia dos "latifúndios intelectuais". Muitos acadêmicos se agarram em feudos teóricos e não ousam mudá-los. Uns são benjaminianos, outros hegelianos, mestres que justificam seus salários e status e, por isso, não podem "esquecer um pouco do que escreveram" para agir. Mudar é trair... Também não há coragem de admitirem o óbvio: o socialismo real fracassou. Seria uma heresia, seriam chamados de "revisionistas", como se tocassem na virgindade de Nossa Senhora.

O mito da revolução sagrada é muito grande entre nós, com o voluntarismo e o populismo antidemocrático. E não abrem mão de utopias - o presente é chato, preferem o futuro imaginário. Diante de Lula, o símbolo do "povo que subiu na vida", eles capitulam. Fácil era esculhambar FHC. Mas, como espinafrar um ex-operário? É tabu. Tragicamente, nossos pobres são fracos, doentes, ignorantes e não são a força da natureza, como eles acham. Precisam de ajuda, educação, crescimento para empregos, para além do Bolsa-Família. Quem tem peito de admitir isso? É certo que já houve um manifesto de homens sérios outro dia; mas faltam muitos que sabem (mas não dizem) que reformas políticas e econômicas seriam muito mais progressistas que velhas ideias generalistas, sobre o "todo, a luta de classes, a História". Mas eles não abrem mão dessa elegância ridícula e antiga. Não conseguem substituir um discurso épico por um mais realista. Preferem a paz de suas apostilas encardidas.

Não conseguem pensar em Weber em vez de Marx, em Sérgio Buarque em vez de Florestan Fernandes, em Tocqueville em vez de Gramsci.

A explicação desta afasia e desta fixação num marxismo-leninismo tardio é muito bem analisada em dois livros recentemente publicados: Passado Imperfeito, do Tony Judt (que acaba de morrer), e o livro de Jorge Caldeira História do Brasil com Empreendedores (Editora Companhia da Letras e Mameluco). Ali, vemos como a base de uma ideologia que persiste até hoje vem de ecos do "Front Populaire" da França nos anos 30, pautando as ideias de Caio Prado Jr. e deflagrando o marxismo obrigatório na Europa de 45 até 56. Os dois livros dialogam e mostram como persiste entre nós este sarapatel de teses: leninismo, getulismo desenvolvimentista - e agora, possível "chavismo cordial".

A agenda óbvia para melhorar o Brasil é consenso entre grandes cientistas sociais. Vários "prêmios Nobel" concordam com os pontos essenciais das reformas políticas e econômicas que fariam o Brasil decolar.

Mas, não; se o PT prevalecer com seu programa não-declarado (o aparente engana...), não teremos nada do que a cultura moderna preconiza.

O que vai acontecer com esse populismo-voluntarista-estatizante é previsível, é bê-á-bá em ciência política. O PT, que usou os bons resultados da economia do governo FHC para fingir que governou, ousa dizer que "estabilizou" a economia, quando o PT tudo fez para acabar com o Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra tudo que agora apregoa como atos "seus". Fingem de democratas para apodrecer a democracia por dentro.

Lula topa tudo para eleger seu clone que guardará a cadeira até 2014. Se eleito, as chamadas "forças populares", que ocupam mais de 100 mil postos no Estado aparelhado, vão permanecer nas "boquinhas", através de providências burocráticas de legitimação.

Os sinais estão claros.

As Agências Reguladoras serão assassinadas.

O Banco Central poderá perder a mínima autonomia se dirigentes petistas (que já rosnam) conseguirem anular Antonio Palocci, um dos poucos homens cultos e sensatos do partido.

Qualquer privatização essencial, como a do IRB, por exemplo, ou dos Correios (a gruta da eterna depravação) , será esquecida.

A reforma da Previdência "não é necessária" - já dizem eles -, pois os "neoliberais exageram muito sobre sua crise", não havendo nenhum "rombo" no orçamento.

A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada.

Os gastos públicos aumentarão pois, como afirmam, "as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública".

Portanto, nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada.

Voltará a obsessão do "Controle" sobre a mídia e a cultura, como já anunciam, nos obrigando a uma profecia autorrealizável.

Leis "chatas" serão ignoradas, como Lula já fez com seus desmandos de cabo eleitoral da Dilma ou com a Lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, "esquecendo-a" de propósito.

Lula sempre se disse "igual" a nós ou ao "povo", mas sempre do alto de uma "superioridade" mágica, como se ele estivesse "fora da política", como se a origem e a ignorância lhe concedessem uma sabedoria maior. Em um debate com Alckmin (lembram?), quando o tucano perguntou a Lula ao vivo de onde vinha o dinheiro dos aloprados, ouviu-se um "ohhhh!...." escandalizado entre eleitores, como se fosse um sacrilégio contra a santidade do operário "puro".

Vou guardar este artigo como um registro em cartório. Não é uma profecia; é o óbvio. Um dia, tirá-lo-ei do bolso e sofrerei a torta vingança de declarar: "Agora não adianta chorar sobre o chopinho derramado!"...

Autor: O Estado de S.Paulo

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