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sábado, dezembro 03, 2011
EDITORIAL [In:] PARÁ. A QUEM INTERESSA A DIVISÃO ?
Especial
As faces de um Pará desinformado
A poucos dias do plebiscito que pode dar início à criação de Carajás e Tapajós, a população de cidades do interior está completamente alheia à discussão sobre a divisão do estado
Com 13.000 habitantes, o município de Senador José Porfírio foi a primeira aberração que surgiu com a ideia da divisão do estado. No projeto inicial, metade da cidade ficou em território tapajoense e outra metade em área paraense.
Em 11 de dezembro, um domingo, grande parte dos moradores de Altamira, Senador José Porfírio e Anapu, no Pará, acordarão em casas abafadas de palafitas, sem rede de esgoto nem água encanada, e percorrerão ruas de terra batida até alguma escola municipal de muros mal acabados. Diante da urna eletrônica, engolirão em seco antes de decidir se optarão ou não pela divisão do estado. Essa é a realidade dos municípios que ficarão na tríplice fronteira entre Carajás, Tapajós e o chamado Pará remanescente caso vença o “sim” no plebiscito marcado para a próxima semana. A reportagem do site de VEJA visitou a região e constatou que, a poucos dias da votação, a população permanece completamente desinformada. Alguns sequer imaginam que terão de fazer uma escolha em poucos dias.
Os que sabem são movidos por um único motor que embasa tanto os votos dos eleitores pró-divisão quanto os dos que votam contra: a ausência do poder público. Quando aparecerem nas urnas as perguntas “Você é a favor da divisão do Estado do Pará para a criação do Estado do Tapajós?” e “Você é a favor da divisão do Estado do Pará para a criação do Estado do Carajás?”, parte dos 4,8 milhões de eleitores paraenses votará “sim”, porque acredita que isso os tirará da miséria. Parte dos que votam “não” argumenta que a divisão é mais uma ideia dos políticos interessados em algo mais rentável que o bem-estar da população.
O fato é que a divisão do Pará acarretará grandes impactos, que vão desde a repartição dos recursos federais até a alteração da identidade cultural da população, passando pela necessidade de construção de novas assembleias, tribunais, palácios, quarteis, pela criação de cargos eletivos e comissionados e pela possiblidade de se aumentar a carga tributária a nível nacional. Pelo andar da carruagem, no entanto, tudo indica que a escolha dos paraenses não será baseada em argumentos racionais, mas emocionais.
“Voto para não dividir o meu Pará”, afirma Francisca de Souza Silva, uma dona-de-casa de 48 anos, cabelos longos e encaracolados, com as unhas dos pés pintadas de roxo, encostada em um dos dois sofás que compõem o mobiliário da palafita encravada no bairro da Boa Esperança, na periferia de Altamira, a 830 quilômetros de Belém. Por quê? Francisca não sabe. Seu voto é amparado em argumentos que chegaram até ela pela televisão. “Não sei quando vai ser o plebiscito nem o número que tenho que apertar na urna”, diz. Quase todos os dias, ela ouve o apresentador Odair Oliveira, da TV Altamira, comentar a divisão do estado. “Ele não explica nada, só fala que vai ter uma votação. A campanha ainda não chegou aqui”.
Francisca é o retrato perfeito do morador de Altamira, o município mais extenso do mundo, com área equivalente a três estados do Rio de Janeiro e 105.000 habitantes que ficarão no lado de Tapajós com a divisão do estado. O marido trabalha em um garimpo ilegal de ouro às margens do Rio Xingu. O filho mais velho integra a equipe de operários da usina de Belo Monte, terceira maior hidrelétrica do mundo, e, para chegar ao trabalho, percorre 40 quilômetros de terra pela rodovia Transamazônica. Quando chove, as águas dos poços artesianos que matam a sede da vizinhança e os dejetos aglomerados em fossas se transformam em um só lago, onde as crianças insistem em nadar. Não há saneamento, segurança nem educação.
“As pessoas estão saturadas de políticos por aqui”, conta Elys Araújo, 35, pedreiro. “Nunca cumprem as promessas, nunca acontece nada”. Ele acha que, talvez por isso, as discussões sobre o plebiscito não façam parte das conversas dos moradores.
“Aqui todo mundo é leigo”, afirma Francisco das Chagas da Silva, 41, vigilante de uma obra no bairro de São Domingos. “Ninguém sabe em que votar. Ninguém sabe o que pode acontecer de bom ou ruim”. O depoimento de Francisco poderia ter saído da boca de qualquer altamirense. A poucos dias do pleito, as campanhas do “sim” e do “não” continuam concentradas na capital Belém. “Aqui não chega informação”, avisa José Lucas Uchôa, 52, piloto de voadeira no Rio Xingu. Os deputados federais, Zenaldo Coutinho (PSDB), e estadual, João Salame (PPS), presidentes das frentes pró e contra Carajás, respectivamente, informaram que a campanha estava prevista para começar naquela região no início de dezembro.
Xingu ─ Enquanto a campanha não chega, os moradores do interior (35% do eleitorado paraense) permanecem reféns das ondas do rádio e das emissoras de televisão. Na beira do Xingu, por exemplo, as populações ribeirinhas recebem notícias sobre o plebiscito por meio de rádios comunitárias ─ que se limitam a anunciar a data e o local da votação ─ e pela TV Liberal, cujo dono, Rômulo Maiorana Júnior, é contra a divisão.
O resultado: quem tem 400 reais para instalar uma antena parabólica e assiste ao canal de Maiorana vota “não”. “Estava em dúvida sobre o voto, mas aí começaram a falar sobre o ‘não’ na televisão e decidi ir contra a divisão”, afirma Crisleine Pacheco do Nascimento, 25, que trabalha em uma mercearia no município de Senador José Porfírio. Além da TV, Crisleine é influenciada pela avó, Fabiana Pacheco do Nascimento, 82, que também assiste à programação. “Ninguém está vendo que quanto mais estados, mais comedores de dinheiro?”, argumenta Fabiana. “Se os paraenses aceitarem essa armação, o Pará vai ficar sem nada”.
Tapajós ─ Com 13.000 habitantes, o município de Senador José Porfírio, mais conhecido como Souzel, foi a primeira aberração que surgiu com a ideia da divisão do estado. A cidade é uma das poucas que tem sua área descontínua, dividida em duas partes pela cidade de Anapu. Em 1991, quando um grupo de parlamentares liderados pelo deputado federal Hilário Coimbra, do PTB do Pará, desenhou o mapa do estado de Tapajós, as peculiaridades de Souzel foram ignoradas. Metade da cidade ficou em território tapajoense e outra metade em área paraense. “O impasse se estendeu até o começo deste ano”, conta Cléo José Alves da Silva, secretário de Administração, Planejamento e Finanças de Souzel. Em março, o deputado Lira Maia (DEM-PA) apresentou uma proposta para integrar a área remanescente ao território de Tapajós e a questão foi solucionada – ao menos para a prefeitura.
O povo de Souzel ainda não sabe com certeza o próprio endereço, na hipótese de o estado ser dividido. Leure Câmara, 28, que trabalha operando uma máquina de xerox em uma das três avenidas que formam o centro da cidade, afirma com todas as letras: “Aqui vai ser Carajás”. Carlos André Alves de Oliveira, 29, que conserta motocicletas em Souzel, engrossa o coro dos desinformados. “Eu tinha na minha mente que Souzel ia ficar no lado do Pará. Esses dias, descobri que ia ficar no lado do Tapajós. Se me perguntarem hoje, eu não sei onde vai ficar a minha cidade”. Na dúvida, Oliveira prefere optar pelo “não”. Os decretos legislativos 136 (que propõe Carajás) e 137 (que propõe Tapajós), ambos aprovados este ano, são bem claros: se o plano der certo, Souzel fará parte do estado de Tapajós.
Carajás ─ Em Anapu, município que divide Souzel, a realidade é diferente. Graças a um comitê da campanha do “sim” instalado na principal avenida da cidade e do trabalho de divulgação de lideranças municipais, a maior parte da população sabe que está no lado que pode se transformar em Carajás e vota pela criação do estado ─ embora também não saiba explicar por que.
Em 23 de novembro, quando o radialista José Nilton da Silva, 41, usou o microfone para convocar a população de 20.000 habitantes a ligar para a rádio e dizer qual posição tomariam no dia do plebiscito, o telefone não parou de tocar. Nas primeiras cinco ligações, os cidadãos anunciaram que votariam no “sim”. Por quê? “Do jeito que está, não dá”, resumiram. “A população reclama de tudo, principalmente da saúde e da educação”, conta Nilton. “Temos só dois médicos. O salário é de 22.000 reais e mesmo assim eles não ficam aqui. Falta água e luz quase todos os dias. Carajás tem minérios, Tapajós tem cacau e Belém, que não produz nada, é que fica rica”.
Foi em Anapu que, em fevereiro de 2005, a missionária americana Dorothy Stang foi assassinada a tiros por pistoleiros. O crime ganhou as páginas de jornais do mundo inteiro. De lá para cá, a violência diminuiu. Dos dez presos que ocupam a cadeia da cidade, cinco foram condenados por abuso sexual, três por roubo e dois por tentativa de homicídio.
A precariedade dos serviços públicos, contudo, continua idêntica. Foi agravada em 13 de novembro, quando um tufão atingiu o município, arrancando árvores, derrubando postes e destelhando casas ─ 1.229 pessoas foram afetadas e houve um prejuízo de 270 000 reais só com a infraestrutura pública. Em novembro, Anapu recebeu 397 975 reais do Fundo de Participação dos Municípios, repasse federal determinado pela Constituição. Só a folha de pagamento dos servidores consumiu 159 302 reais.
De acordo com Sandra Xavier, 38, chefe de gabinete da prefeitura e braço-direito do prefeito Francisco de Assis Souza, o Chiquinho do PT, a divisão do Pará resolveria a escassez de recursos. “A região metropolitana consome muito dos recursos estaduais e federais”, diz. “Queremos Carajás simplesmente porque precisamos de desenvolvimento e cansamos de ser esquecidos”. Indignada com a falta de dinheiro, Sandra não se deu conta que a criação de Carajás e Tapajós exigirá a construção de novas assembleias legislativas, palácios, quarteis e tribunais, além da criação de milhares de cargos comissionados ─ infraestrutura que custará caro aos cofres públicos.
A poucos quilômetros dali, em uma palafita que repousa isolada nas margens do Rio Xingu, o seringueiro Iolando Morais Pimentel, 48, que costuma cumprimentar jacarés de cinco metros de comprimento que aparecem na porta da casa todo fim de tarde, sabe do risco que corre. “Eu voto no ‘não’ para a quantidade de políticos corruptos não aumentar”, diz. Ângela Maria, 34, moradora do bairro de palafitas em Altamira, continua em dúvida. Questionada pela reportagem em como votará, ela retrucou com outra pergunta: “Mas por que querem separar? É porque a verba vai ser grande?” Antes de pensar em dividir, o Brasil deveria pensar em informar.
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http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/as-faces-de-uma-para-desinformado
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sexta-feira, dezembro 02, 2011
quinta-feira, dezembro 01, 2011
XÔ! ESTRESSE [In:] BALAIO DE GATOS (Eu sou um negro gato de arrepiar...) *

PRÊMIO FCW/PAULO VANZOLINI [in:] ''VOLTA POR CIMA..."
Paulo Vanzolini é um dos vencedores da nona edição do Prêmio FCW
SÃO PAULO – Jorge Kalil (Ciência), Miguel Srougi (Medicina) e Paulo Vanzolini (Cultura) são os vencedores da nona edição do Prêmio FCW Ciência, Cultura e Medicina. Cada um receberá um prêmio de R$ 300 mil, e a cerimônia de entrega vai acontecer no dia 25 de junho de 2012 na Sala São Paulo.
O júri, composto por membros de dez instituições parceiras da premiação, como a Academia Brasileira de Letras (ABL) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), escolheu os vencedores nos últimos dias 24 e 25.
Jorge Kalil é diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP e diretor do Instituto Butantan. Miguel Srougi é professor titular de Urologia da Faculdade de Medicina da USP. Especialista em câncer de próstata, Srougi foi chamado neste ano para uma reunião sobre a doença do presidente venezuelano Hugo Chávez, com diplomatas do país. Já Paulo Emilio Vanzolini, 87, é zoólogo e compositor de sucessos como “Ronda” e “Volta por Cima”.
A Fundação Conrado Wessel foi criada em 1994 na ocasião da morte do fotógrafo Ubaldo Augusto. Em seu testamento, Augusto pedia a criação de uma fundação voltada para a filantropia, fomento e apoio às atividades artísticas e científicas do Brasil.
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ECONOMIA/TEORIA ECONÔMICA [In:] O RETORNO (TRIUNFANTE) DE SCHUMPETER !
O ano do dragão
O ano de 2012 corresponde ao 4710 no calendário chinês e está associado à sua única criatura mítica, o dragão, considerado o rei dos animais e símbolo da sabedoria, força, saúde e da harmonia - é colocado em cima de portas para espantar demônios e atrair sorte. Algo oportuno para os períodos de transformações. Na China Antiga, dragões eram também usados como guardiões dos tesouros.
O ano que vem será de mudanças, menos pelos protestos em centenas de cidades no mundo, como o "ocupe Wall Street", a "Primavera Árabe" e as passeatas aqui, e mais pelo quadro econômico e político que exige adaptações. Quem não se adequar à nova realidade afundará. 2012 começará desalentador, com volatilidade, estresses e ritmo lento, mas ao longo do ano observar-se-á uma melhoria com uma retomada mais consistente da economia mundial.
A economia brasileira vai começar o período andando de lado, com o crescimento voltando no segundo trimestre
Coincidência ou não, o setor que mais exige ajustes e será o centro das atenções é o de guardiões do tesouro moderno: o financeiro. Antes da crise, os bancos eram considerados os propulsores da economia mundial; atualmente, são seu maior entrave. Há cinco desafios a serem superados: equacionar as dívidas soberanas, rolar os financiamentos do setor privado, começar a receber as dívidas contraídas, manterem-se solventes e, o mais importante, voltar a emprestar. Exigirá um esforço especial dos banqueiros e seus reguladores.
Na última década, na maioria dos países, com exceção da China, a política econômica esteve orientada pela demanda - com crédito bancário abundante e déficits fiscais generosos. Em 2012 tem que haver uma mudança de protótipo e a economia passará a ser conduzida pela oferta, com foco em mais eficiência e inovação. Keynes sai de cena e entra Schumpeter como ator principal. A capacidade de reinventar-se é que vai determinar o sucesso, ou fracasso, de cada país. Os casos mais dramáticos são os europeus e a Argentina.
No velho continente, o impasse entre os alemães que querem das nações mais endividadas um compromisso maior com o euro é complexo e tem dimensões econômicas, políticas, soberanas e culturais. Mas os problemas se resolvem, de uma forma - adequando-se que é o mais provável, ou de outra. É fato, a demora em superar a crise impõe um custo elevado, mas a união monetária sairá mais fortalecida e mais bem estruturada, com ou sem os gregos. Fazer com que políticos, economistas, banqueiros e eleitores cheguem a um único consenso é um trabalho hercúleo e demanda tempo, suor e imaginação.
A Argentina necessita reinventar-se urgentemente; seu "modelo" está esgotado. Lá se observa uma inflação crescente, investimento baixo, fuga de capitais e a capacidade fiscal do governo reduzida. Com bastante racionalidade econômica, alguma sorte e um pouco de financiamento externo ainda é possível fazer ajustes e evitar maiores problemas. Alguns passos foram dados. Um novo paradigma pode fazer o país hermano acontecer, caso contrário, a culpa cairá sobre a crise externa.
Os Estados Unidos já apresentam sinais indicando que o pior já passou. Os remédios aplicados estão começando a fazer efeito; números recentes de emprego, crédito, vendas e produção estão fracos mas positivos e apontando para uma recuperação. Observar-se-ão alguns estresses, mas é um quadro que dificulta a vida dos republicanos e melhora as chances de reeleição de Barack Obama.
A China continua como locomotiva do planeta e prepara-se para ser a maior economia do mundo em dois anos, mais precisamente em 2014, o ano do cavalo. Há décadas cresce com políticas de oferta, o aumento da demanda em outros países com crédito e gastos fiscais ajudou-a a expandir sua indústria e a acumular reservas. Atualmente, aparenta ter controlado as pressões inflacionárias e deve manter o ritmo de expansão no ano vindouro. Sua influência global deve aumentar e o yuan já começa ter um papel nas finanças internacionais, mais por conta da má gestão do euro e do dólar do que por méritos próprios.
O ritmo de atividade mundial começa mais devagar por conta da ressaca da crise e aos poucos aumenta, com um segundo semestre melhor que o primeiro. O cenário internacional anêmico não é totalmente desfavorável ao Brasil. No canal comercial, a demanda de commodities deve sustentar-se e o preço das suas importações deve arrefecer, as projeções mostram saldos comerciais melhores com a crise externa. No lado financeiro, as perspectivas de investimento externo são altas, e uma parte dos fluxos que entram estão canalizados para investimentos produtivos, contribuindo de forma favorável para o crescimento nacional.
A economia brasileira deve andar de lado no começo do ano, mais em razão do ciclo dos estoques do que por conta da crise. Com ou sem estímulos da demanda agregada, a retomada do crescimento acontece a partir do segundo trimestre. A oportunidade para o Brasil crescer a taxas mais altas estará presente com a janela demográfica, a demanda externa, o fluxo de investimentos estrangeiros e o pré-sal, que pode tornar o país o quinto maior produtor de petróleo do mundo em alguns anos.
Este é um exemplo emblemático, que mostra as duas opções de desenvolvimento para o Brasil com a descoberta de jazidas: o venezuelano e o norueguês. No vizinho, são privilegiadas as políticas para usufruir ao máximo as receitas do petróleo; no país do norte, a tônica são ações que sustentem o crescimento, investindo os recursos. Aqui há um amplo debate sobre a distribuição dos royalties, já seu uso é tratado como uma questão menor. Obviamente, a qualidade da condução política brasileira é melhor do que a do país ao lado, mas há espaço para aprimoramentos. O Brasil tem as condições para fazer acontecer. A questão é ajustar o modelo e evitar os erros que outros cometeram e não repetir a história nacional (leia-se ciclos da borracha, do ouro etc.).
No ano do dragão haverá mais crises políticas no Oriente Médio, em Cuba e na Venezuela, mas também uma consolidação do euro e Londres 2012. Haverá mais aquecimento global e Rio +20 para evitar que piore; observar-se-ão mais inovações e o começo de um novo ciclo de expansão. A economia mundial terá quatro pelotões com velocidades diferentes: os países na fase mais crítica de ajuste, como a Grécia, com números negativos; os desenvolvidos, como EUA e Japão, a taxas baixas; a América Latina num patamar mais elevado e a China e a Índia no pelotão de elite. A questão é fazer o Brasil subir ao pódio, sobram desejos. Feliz 2012 a todos!
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Roberto Luis Troster, consultor e doutor em economia pela USP, foi economista chefe da Febraban e da ABBC e professor da USP, Mackenzie e PUC-SP. E-mail: robertotroster@uol.com.br
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DESENVOLVIMENTO vs. ''BRIC'' [In:] ''QUO VADIS"
Dez anos de novos Bric para o mundo
| Autor(es): Jim O'Neill |
| Valor Econômico - 01/12/2011 |
Há dez anos publiquei relatório intitulado "O Mundo Precisa de Melhores Brics Econômicos" (brics soa como "tijolos" em inglês), quando lancei pela primeira vez o acrônimo que usei para descrever o provável alto crescimento que Brasil, Rússia, Índia e China alcançariam. Está claro agora que a expansão desses quatro países foi ainda mais forte. Os Bric tornaram-se um nome familiar tanto na esfera cultural como de negócios, além de ter resultado na criação de um grupo político. O décimo aniversário coincide com preocupações terríveis quanto à economia mundial, especialmente para os países mais desenvolvidos. Continuo otimista de que à medida que os quatro gigantes emergentes, e mais alguns, continuarem se expandindo em tamanho e riqueza, sua prosperidade não apenas fortalecerá seu papel no mundo, mas também dará a chance de um futuro melhor às economias que atualmente se deparam com mais desafios pela frente. A ascensão em andamento dos Bric será boa para esses países e para o resto de nós. Além disso, seu crescimento ao longo dos últimos dez anos sugere que, enfim, poderemos ver algumas melhoras consideráveis que deem mais eficiência à formulação mundial de políticas e a suas instituições. Meu estudo de 2001 tinha três mensagens principais. Primeira, mostrei que se Brasil, Rússia, Índia e China continuassem com seus altos índices de crescimento, passariam a representar uma parte muito maior da economia mundial em 2010. No cenário mais otimista que contemplei, indiquei que sua participação combinada do Produto Interno Bruto (PIB) mundial subiria de aproximadamente 8% para, talvez, 14%. No fim deste ano, provavelmente a porcentagem girará em torno a 20%, com o PIB tendo aumentado de cerca de US$ 3 trilhões para provavelmente pouco mais de US$ 13 trilhões. Isso representa cerca de um terço do aumento total do PIB nominal mundial dos últimos dez anos. O crescimento real dos Bric, em torno a 8%, ajudou a levar a média mundial para 3,5%, apesar dos imensos problemas vistos em 2001-2002, 2008 e, é claro, desde então. Se não tivesse sido pelos Bric, o crescimento mundial teria ficado mais próximo à decepcionante média de 1,6% verificada no chamado mundo desenvolvido. Como muitas vezes comento, o aumento combinado, de US$ 10 trilhões, na prática, criou o equivalente a seis ou sete vezes o que era o Reino Unido em 2001 ou, de fato, o equivalente a toda uma economia dos Estados Unidos. Ao olharmos para o futuro, nos próximos dez anos, os quatro países provavelmente verão desaceleração em seus índices de crescimento, mas sua participação no PIB mundial quase certamente aumentará. A China parece encaminhada a crescer de 7% a 8%, já que terá de enfrentar vários desafios, mas a Índia pode ter aceleração e por fim atingir taxas de crescimento no estilo chinês, especialmente se persistir em seu recém-descoberto zelo por reformas, como a importante decisão de dar boas vindas ao controle majoritário estrangeiro em empresas do setor de varejo. Em poucos anos, o PIB nominal combinado dos quatro países superará tanto o dos Estados Unidos como o da Europa. Com base em seu provável crescimento, a segunda parte de meu relatório de 2001 argumentava que os Bric precisavam assumir papel mais central na formulação mundial de políticas econômicas. Eles continuaram excluídos por muitos anos, o que os levou a promover seus encontros políticos conjuntos anuais. Na verdade, foi necessária uma crise total como a de 2008, para os países avançados finalmente perceberem a importância central dos Bric para a economia mundial moderna, sendo que a decisão de colocar o G-20 no centro da formulação política global foi basicamente uma iniciativa para incluir os Bric. Em 2001, argumentei que cada um dos Bric deveria juntar-se aos EUA, Japão, região do euro e talvez Canadá e Reino Unido para formar algum novo "G", talvez um G-9 ou um novo G-7, se Reino Unido e Canadá ficassem excluídos. A terceira ideia no relatório de 2001 indicava que, tendo em vista sua moeda comum, França, Itália e Alemanha deveriam abandonar sua representação nacional nos órgãos mundiais e no G-7, permitindo uma governança global muito mais eficiente. Que melhor forma de demonstrar seu verdadeiro compromisso com a União Monetária Europeia (UME) do que um passo tão firme de verdadeira liderança? Nos anos subsequentes, como percebemos recentemente, tal liderança firme da UME não marcou presença. Quem sabe, a escala da crise que se desdobra atualmente leve os líderes europeus a dar passos mais ousados. Enquanto isso, à medida que os países do Bric continuem a ver sua sorte melhorar, proporcionarão mais e mais oportunidades para que o resto de nós aprimore seus padrões de vida e prosperidade. De fato, para que o mundo continue crescendo frente aos desafios que se apresentam a muitas economias desenvolvidas, precisamos da argamassa econômica dos Bric, algo que, por sorte, eles têm de sobra. Jim O"Neill é presidente do Goldman Sachs Asset Management. |
POBREZA/UNICEF [In:] ''CADÊ'' O CRIANÇA COMO E$PERANÇA ?
Jovens e miseráveis
| O país jovem dos meninos miseráveis |
Autor(es): Larissa Leite |
| Correio Braziliense - 01/12/2011 |
Cresce no Brasil o número de crianças vivendo em famílias muito pobres. Segundo relatório da Unicef, 3,7 milhões de brasileiros com idade entre 12 e 17 anos vivem em situação de extrema pobrezaNotíciaGráfico
No Brasil, a pobreza e a miséria têm rosto de criança e adolescente. É o que constatou o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em relatório divulgado ontem. A partir de dados oficiais, a entidade chegou à conclusão que houve uma piora no indicador entre brasileiros de 12 a 17 anos: de 2004 a 2009, o percentual de adolescentes vivendo em famílias extremamente pobres cresceu de 16,3% para 17,6%, o que representa 3,7 milhões de pessoas. Na população em geral, ao contrário, o percentual de extrema pobreza — renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo (R$ 128,50) — diminuiu de 12,4% para 11,9% no mesmo período. "O problema não é o adolescente, e sim a violação constante dos seus direitos. (...) O principal desafio é quebrar o ciclo infernal da pobreza", avalia a representante da Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier. A situação fica ainda mais alarmante se levarmos em conta que o país vive o ápice da juventude. O Brasil nunca teve e não voltará a ter tão grande população de adolescentes na sua história, segundo o Unicef — são 21 milhões de pessoas, o equivalente a 11% da população brasileira. Gente como Tatiane Correa, 15 anos, que mora com os pais e três irmãos no Varjão (DF). A estudante e a família sobrevivem com uma renda de R$ 700 e limitações que vão além da questão financeira. "Até comprei uma bicicleta, mas eles só andam aqui perto e têm hora para voltar", diz Michele Correa, 33 anos. A mãe dos adolescentes tenta mantê-los por perto, longe da droga e da violência. De acordo com o relatório do Unicef, os jovens que moram nas comunidades populares dos grandes centros urbanos enfrentam mais um cotidiano marcado por dificuldades. São quase 6 milhões vivendo nas 10 maiores regiões metropolitanas do país, incluindo o DF. Entre eles, cerca de um terço é pobre ou muito pobre. "Eles acham que a juventude está perdida e nos deixam de lado", queixa-se Tatiane Correa. O irmão mais novo, Ricardo,13 anos, se apega a um sonho para mudar a realidade em que vive: ser jogador de futebol. Segundo o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Rômulo Paes, o aumento de adolescentes na extrema pobreza pode ser explicado pelo crescimento populacional. "O efeito demográfico fez com que uma faixa muito numerosa da população aumentasse o grupo de adolescentes. Mas essa massa populacional aumentou sem alteração da massa de rendimentos, que só vai mudar com a inserção no mercado de trabalho." A pasta tem o objetivo de retirar 16,2 milhões de brasileiros da extrema pobreza até 2014 por meio do Plano Brasil sem Miséria. |
GOVERNO DILMA/CARLOS LUPI [In:] DEMISSÃO OU DEMISSÃO !
COMISSÃO DA PRESIDÊNCIA PEDE A DEMISSÃO DE LUPI
| COMISSÃO DE ÉTICA PEDE CABEÇA DE LUPI |
Autor(es): » GUILHERME AMADO » DENISE ROTHENBURG |
| Correio Braziliense - 01/12/2011 |
Integrantes do Conselho de Ética Pública recomendam à presidente Dilma Rousseff que exonere o ministro do Trabalho. Por unanimidade, eles consideraram insatisfatórias as explicações do pedetista sobre as denúncias de corrupção.
Em decisão unânime, conselheiros avaliam que o ministro não respondeu satisfatoriamente às denúncias NotíciaGráfico
A Comissão de Ética Pública recomendou ontem à presidente Dilma Rousseff que exonere o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. A orientação foi unânime, depois de cinco horas de reunião dos seis conselheiros, no Palácio do Planalto. À tarde, ainda durante o encontro, o colegiado informou à assessoria de Dilma sobre a recomendação. No início da noite, o grupo enviou ao gabinete presidencial ofício com a indicação. Antes de deixar o Palácio, por volta das 21h, a presidente, entretanto, disse que não comentaria o assunto porque não tinha recebido o documento. Mas Dilma enviou emissários ao ministro para dizer que espera a carta de demissão dele ainda hoje. O substituto será definido quando a presidente voltar da viagem à Venezuela. No início da noite, Lupi ainda tentava se segurar. A amigos, disse que era mais uma contra ele e que iria conversar com a presidente, mas o encontro não tinha ocorrido até as 22h. No governo, há quem diga que Dilma só falará com Lupi através do Diário Oficial. Segundo o presidente da comissão, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Sepúlveda Pertence, Lupi também foi advertido formalmente. A comissão avaliou que o ministro não respondeu satisfatoriamente às denúncias publicadas pela imprensa, especialmente as que se referem a irregularidades em convênios firmados pela pasta. Três denúncias foram citadas pela comissão como determinantes para a recomendação de exoneração: a acusação de que um assessor de Lupi, Anderson Alexandre dos Santos, cobraria propina para firmar convênios, o suposto envolvimento de duas ONGs na emissão de notas frias para o Ministério do Trabalho e a existência de 20 inquéritos da Polícia Federal para apurar desvios protagonizados por ONGs. "São fatos de um mês para cá e explicações não satisfatórias a juízo da comissão. (...) Ele se defendeu e a comissão entendeu que ele não tinha explicado sobre toda a base das acusações, que era a série de convênios irregulares firmadas com pessoas de seu partido", explicou Pertence. Sem se referir explicitamente a nenhum episódio, Pertence afirmou ainda que a Comissão também reprovou as declarações dadas por Lupi durante a crise "A própria resposta (dada por Lupi) no Congresso Nacional e para a imprensa, é inconveniente a um ministro de Estado", defendeu. Em entrevista na sede do PDT, Carlos Lupi afirmou que só deixaria o cargo "abatido à bala". Dias depois, em depoimento no Senado, negou ter viajado em um jatinho alugado pela ONG Pró-Cerrado. Dias depois, após a publicação de imagens em que o ministro aparece próximo ao presidente da ONG e ao avião, Lupi voltou atrás e disse ter se enganado. Segundo a relatora do caso na Comissão, professora Marília Muricy, a punição foi a mais grave que o colegiado poderia tomar contra Carlos Lupi. Embora tenha sido a primeira recomendação para exoneração de um ministro, não foi a primeira decisão da comissão contra Lupi. Em dezembro de 2007, os conselheiros afirmaram que era incompatível o acúmulo do cargo de ministro com a presidência do PDT. Diante do impasse, Lupi optou por deixar a presidência do partido. Sepúlveda Pertence informou ainda que a comissão não abriu nenhum processo em relação ao ministro das Cidades, Mário Negromonte. As denúncias feitas contra o ex-ministro do Esporte Orlando Silva ainda estão à espera de resposta do acusado. |