A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
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quinta-feira, setembro 24, 2009
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
24 de setembro de 2009
O Globo
Manchete: Lula pede pressa à ONU após onda de saques em Honduras
O presidente Lula pediu ações rápidas do Conselho de Segurança da ONU, que se reúne amanhã, para solucionar a crise em Honduras, agravada com a disseminação de confrontos em outros pontos da capital, Tegucigalpa. Pelo menos uma pessoa morreu. "A comunidade internacional exige que Manuel Zelaya reassuma imediatamente à Presidência de seu país", disse o presidente, na abertura da Assembleia Geral da ONU. Lula agendou urna conversa com o presidente dos EUA, Barack Obama, sobre Honduras. Houve uma onda de saques a supermercados, lojas e bancos, depois que o governo de Honduras suspendeu o toque de recolher para sete horas para que as pessoas pudessem reabastecer suas casas. Os protestos em favor de Zelaya se intensificaram após sua volta ao país. Segundo Zelaya, houve mais de dez mortes desde a segunda-feira. Ele continua abrigado na Embaixada do Brasil, onde seus correligionários recusaram-se a dividir com os funcionários brasileiros a comida que receberam de organismos internacionais de ajuda humanitária. As tropas do governo golpista mantinham o cerco à embaixada. (págs. 1, 35 a 37 e editorial "Zona de risco")
Obama prega cooperação
Discursos opostos no palco da ONU
O presidente Barack Obama estreou na Assembleia Geral da ONU com o discurso da cooperação internacional. "Os que costumam criticar os EUA por atuarem sozinhos no mundo não podem agora ficar à margem e deixar que os EUA resolvam os problemas." Também estreante nesse palco, o líbio Muamar Kadafi atacou a ONU, dizendo que seus princípios foram traídos. Em seu discurso, ao referir-se à crise global, Lula disse que "faliu um insensato modelo de pensamento e de ação, que subjugou o mundo por décadas". Lula encontrou-se com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. (págs. 1, 29, 38 e 39)
Foto legenda: Supermercado saqueado em Tegucigalpa: confrontos se espalharam pela capital ontem
Foto legenda: Lula com Ahmadinejad em NY, e os estreantes na Assembleia Geral da ONU, Kadafi e Obama
Prefeito do Rio ataca ponte aérea Barra-SP
Ministros do STF terão 9% de reajuste
Escolas têm 1,1 milhão de alunos a menos
Pedófilos usavam Bolsa Família para chantagear
Bancários entram em greve hoje (págs. 1 e 32)
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Folha de S. Paulo
Manchete: Lula pede saída imediata de golpistas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em discurso na abertura da 64ª Assembleia Geral da ONU, a volta imediata do presidente deposto Manuel Zelaya ao governo em Honduras. Segundo ele, a comunidade internacional repudia o golpe e exige o retorno de Zelaya.
Lula afirmou que o Brasil apoia a permanência por tempo indefinido do presidente deposto na sua embaixada em Tegucigalpa. O presidente disse, ainda, que não cumprirá as exigências feitas por Honduras (dar asilo formal a Zelaya no Brasil ou entregá-lo à Justiça hondurenha) porque não reconhece um "governo golpista".
O secretário-geral Ban Kimoon declarou que a ONU suspenderá temporariamente sua assistência às eleições em Honduras. Ele disse não ver no país condições para realizar o pleito, previsto para novembro.
Segundo o chanceler Celso Amorim, a situação de Zelaya será discutida amanhã em uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU. (págs. 1 e A12)
Governo nega morte e militar reforça cerco a embaixada
A Embaixada do Brasil, que abriga o presidente deposto Manuel Zelaya, teve a segurança reforçada pelos militares, fiéis ao governo interino. Grade móvel fechou a quadra onde está a embaixada. A Folha foi impedida de se aproximar.
O governo negou que um manifestante tenha morrido. A suspensão do toque de recolher entre às 10h e às 17h causou corrida a postos e supermercados. (págs. 1 e A14)
Jânio de Freitas
Princípio básico da democracia é o que está em questão
O fundamental na situação em Honduras perdeu em interesse para aspectos secundários, como saber se estava tudo combinado com o Brasil. Como pessoa ou presidente, Zelaya não tem relevância alguma. O que está em questão é o princípio básico da democracia. (págs. 1 e A7)
Foto legenda: Manifestante é atingido por bala de borracha da polícia durante protesto perto da embaixada brasileira, onde Zelaya se refugiou
Obama propõe 'nova era de engajamento'
Segundo ele, essa era baseia-se em desarmamento, promoção da paz, preservação da Terra e "oportunidade para todos" na economia.
No discurso, Obama procurou marcar suas diferenças em relação a George W. Busb, que via a ONU como entrave aos americanos.
O democrata disse ainda que nenhuma nação deve tentar dominar outra. Suas metas, porém, foram vistas como vagas demais. (págs. 1 e A17)
Comissão aprova repatriação de dinheiro ilegal
O projeto ainda terá de ser votado em plenário, antes de ir ao Senado. (págs. 1 e B1)
Investigação aponta indício de novo cartel em aeroportos
As empresas negaram as acusações. A Infraero afirmou que desconhece a possibilidade de acerto em pregões eletrônicos. (págs. 1 e A4)
Agência quer fim de repasse da inflação em tarifa de energia
A medida beneficiaria o consumidor, que paga pelos repasses nas contas de luz. O governo cogita impor a regra como condição para renovar concessões. Para empresas geradoras e distribuidoras, ela é impraticável. (págs. 1 e B3)
Editoriais
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Brasil atribui a estratégia da volta de Zelaya a Chávez
A estratégia para a volta do presidente deposto Manuel Zelaya a Honduras teve a colaboração da Venezuela. É o que sustentam assessores do presidente Lula e do Itamaraty, informa o repórter João Domingos. Segundo informações nos meios diplomáticos, Chávez considerou que a Embaixada do Brasil era o local mais seguro para Zelaya. Em Tegucigalpa, novos confrontos entre simpatizantes do deposto e a polícia mataram ao menos um manifestante e feriram dezenas. Para Zelaya, são seis os mortos. Houve saques em bairros pobres da capital, transformados em zonas de guerra. O toque de recolher paralisou a fronteira entre El Salvador e Honduras, e o abastecimento local estava comprometido, relata a enviada especial Denise Chrispim Marin. O governo golpista se disse aberto a dialogar, mas manteve o cerco a embaixada brasileira. Na ONU, Lula defendeu a recondução imediata de Zelaya a seu cargo e voltou a advertir Honduras sobre a inviolabilidade da missão brasileira. (págs. 1 e A12 a A17)
Análises
Rubens Barbosa
Ex-embaixador em Washington
Gestão temerária
Se é difícil ver ganho para o Brasil, é fácil esperar um sério arranhão em nossa credibilidade. (págs. 1 e A16)
Cândido Mendes
Cientista político
Pela democracia
O caso de Zelaya na embaixada do Brasil sacudiu a resignação em que o golpe já se sedimentara. (págs. 1 e A16)
Foto legenda: Pilhagem - Supermercado saqueado durante a madrugada em bairro pobre de Tegucigalpa: polícia registrou 50 focos de violência em todo o país e prendeu 113 pessoas
Gestores de rodovias querem mais verba
Obama diz que EUA querem nova era de engajamento
Kadafi discursa e mistura tudo
Atração à parte na ONU, o discurso do líbio Muamar Kadafi teve temas como "gripe do peixe” e sodomia de soldados americanos no Iraque. (págs. 1 e A22)
Europa terá controle maior do mercado financeiro
Anac autoriza nova ponte aérea entre Rio e São Paulo
Foto legenda: Sydney: Tempestade de areia
'Estado' sob censura há 55 dias (págs. 1 e A11)
Enem: Alunos criticam locais de prova
Notas e Informações: Selo de qualidade para o País
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http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
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quarta-feira, setembro 23, 2009
ILHA DE VERA CRUZ [IN:] NAU SEM RUMO...
Ciro sobe e empata com Dilma, mostra CNI/Ibope
| Ibope aponta crescimento de Ciro na corrida presidencial |
Autor(es): Daniel Bramatti |
| O Estado de S. Paulo - 23/09/2009 |
Na primeira pesquisa CNI/Ibope em que é incluído o nome da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, recém-filiada ao PV, Ciro Gomes (PSB) aparece empatado, em segundo lugar, com Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência em 2010. O tucano José Serra (PSDB) lidera, mas com menos do que a soma dos adversários - ou seja, haveria segundo turno se as eleições fossem hoje. Ciro está em trajetória ascendente desde a pesquisa anterior, feita em junho, conforme indicam dois dos cenários avaliados pelo Ibope - em outros quatro não é possível fazer uma comparação, por causa da recente entrada de Marina na corrida. Nas simulações em que a representante do PV não aparece na lista apresentada aos eleitores, o pré-candidato do PSB sobe cinco pontos de junho para setembro. Com 17%, fica atrás de Serra, que cai de 38% para 34% e empata tecnicamente com Dilma, que passa de 18% para 15%. Quando é Aécio Neves quem aparece como candidato do PSDB, Ciro chega a liderar. Nos cenários com Marina - os mais prováveis, dada a movimentação política da ex-ministra -, a preferência por Ciro oscila entre 14% e 17%, quando Serra também está na disputa, ou entre 25% e 28%, quando o governador paulista é substituído por seu colega de Minas Gerais. "A pesquisa foi feita em um momento de boa exposição para Ciro e de desgaste para Dilma", disse o cientista político Carlos Melo, do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. Ele se referiu ao programa de TV do PSB, exibido em rede nacional no último dia 3, e ao episódio em que Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal, acusou a ministra da Casa Civil de pressioná-la para supostamente favorecer a família Sarney, alvo de investigação do Fisco. Carlos Melo destacou que uma pesquisa feita com tanta antecedência em relação à eleição serve mais para "definir o grid de largada" do que para indicar favoritos em 2010. Para ele, com o resultado, Ciro se posiciona como possível "plano B" da base governista ou como eventual vice de Dilma - cargo que o PMDB cobiça. Lúcio Rennó, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), fez avaliação semelhante: "Ciro Gomes fortalece sua posição e se posiciona como uma alternativa viável para a candidatura Dilma dentro do campo governista". TUCANOS Apesar de ter reduzido suas chances de uma vitória no primeiro turno, o governador de São Paulo, com índices entre 34% e 35%, permanece em situação confortável na disputa interna com Aécio. O tucano mineiro não passa da terceira colocação nos diferentes cenários e chega a empatar tecnicamente com Marina e Heloísa Helena (PSOL). Serra e Ciro são os mais conhecidos e os menos rejeitados entre os candidatos. Dilma e Marina, por sua vez, têm alta rejeição e são pouco conhecidas. Os fenômenos estão relacionados, segundo a MCI Estratégia, do cientista político Antônio Lavareda, empresa que assessora a Confederação Nacional da Indústria na interpretação dos dados da pesquisa. "Candidatos menos conhecidos podem apresentar índice de rejeição mais elevado", alerta o relatório que acompanha o levantamento. Em três meses, os eleitores que disseram não votar "de jeito nenhum" em Dilma passaram de 34% para 40%. No caso de Serra, essa evolução foi de 25% para 30%. Apenas 32% dos eleitores dizem conhecer "bem" ou "mais ou menos" a ministra da Casa Civil. Já o governador paulista é conhecido por 66% dos pesquisados. |
... VELHO BARREIRO ''SINCE'' 1930
Filho de Sarney afirma pôr 'quem quiser' no Senado
| "Boto quem eu quiser" no Senado, diz filho de Sarney | ||
Folha de S. Paulo - 23/09/2009 | ||
Em grampo da PF, Fernando Sarney acalma filho em relação a cerco ao nepotismo
O empresário Fernando Sarney ANDRÉA MICHAEL ANDREZA MATAIS HUDSON CORRÊA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
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BRASIL/HONDURAS [ In:] ...E AGORA JOSÉ (laya)?
Embaixada sob fogo cruzado em Honduras
| Cerco a Zelaya | ||||
Autor(es): Rodrigo Craveiro | ||||
| Correio Braziliense - 23/09/2009 | ||||
Militares reprimem com violência simpatizantes do líder deposto que se reuniam diante da Embaixada do Brasil e matam um ativista. Governo de fato corta luz, água e telefone do prédio, na tentativa de forçar a saída do presidente A volta de Manuel Zelaya a Honduras transformou a capital, Tegucigalpa, em um ambiente cada vez mais tenso. Enquanto o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, permanecia aquartelado dentro da Embaixada do Brasil, no bairro de Colonia Palmira (região central), um clima de guerra tomou conta da cidade: soldados do Exército tomaram as ruas, reprimiram manifestações e isolaram a representação diplomática brasileira. Nas vias que dão acesso a Tegucigalpa, cerca de 600 mil simpatizantes do líder deposto estão impedidos, pelas forças de segurança, de prosseguir viagem. O presidente de fato, Roberto Micheletti, ordenou o corte de água, eletricidade e dos telefones da embaixada — um artifício para levar Zelaya à rendição. Durante todo o dia, nenhum tipo de alimento podia chegar ao prédio. Lá dentro, ele; a mulher, Xiomara Castro; os filhos e assessores mais próximos contavam com o fornecimento de luz por meio de um gerador. O governo brasileiro apelou na noite de ontem por uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a crise. Por telefone, Juan Barahona, coordenador do Bloco Popular e da Frente Nacional contra o Golpe de Estado, afirmou ao Correio que esteve ao lado do presidente afastado até as 23h de segunda-feira (3h de ontem em Brasília), quando deixou o prédio e montou guarda diante dos portões, com cerca de 4 mil pessoas. Os seguidores de Zelaya desafiaram o toque de recolher, imposto inicialmente até as 7h (hora local) de ontem e estendido até as 6h de hoje, e não arredaram do local. Foram retirados à força. “Às 5h30 de hoje (ontem), a polícia e o Exército chegaram usando canhões d’água, bombas de gás lacrimogêneo e gás lacrimogêneo. Resistimos por várias horas e, às 9h, conseguiram dispersar a resistência. Foi aí que eles (policiais) usaram ‘balas vivas’”, relatou o ativista, assegurando ter visto feridos. Relatos davam conta de que pelo menos uma pessoa morreu, várias ficaram feridas e 300 estão detidas em um estádio de Tegucigalpa. O jornalista Eduardo Maldonado, da Rádio Globo de Honduras, confirmou à reportagem que o sindicalista Oscar Chávez, do Instituto Nacional Agrário, foi morto ontem durante a repressão. “Temos dezenas de feridos nos hospitais. Houve uma repressão terrível por parte da polícia”, contou. “Cerca de 400 pessoas estão dentro da embaixada”, acrescentou. Depois de expulsarem os manifestantes, policiais colocaram amplificadores voltados em direção à embaixada e tocaram o hino nacional de Honduras. Invasão “A repressão aqui é brutal. Vários veículos foram danificados”, admitiu o radialista Omar Rodríguez, um militante de esquerda cuja emissora de rádio teve ontem o fornecimento de energia elétrica cortado. “Há uma ordem da Suprema Corte de Justiça para invadirem o prédio e capturarem Zelaya, mas Honduras é signatária das Convenções de Viena”, observou. Barahona garantiu que uma comissão de advogados foi chamada à Casa Presidencial, ao meio-dia de ontem (15h em Brasília), para analisar o tratado. A informação foi desmentida por um assessor de Micheletti. “Isso (invasão) é impossível”, disse, sob a condição de anonimato. Dario Nuñez Fiallos, de 34 anos, afirmou ao Correio que vive a apenas 400m da representação brasileira. “As casas aqui perto estão pichadas com mensagens de apoio a Zelaya e de repúdio a Micheletti, muitos vidros foram quebrados e várias pessoas foram golpeadas.” Ele acusou a polícia de negligência, ao usar bombas de gás lacrimogêneo. “Crianças e famílias foram atingidas dentro da embaixada”, denunciou. O presidente de fato disse que não tem a intenção de entrar em confronto com o Brasil. “Se ele (Zelaya) quiser ficar vivendo lá uns 5 ou 10 anos, nós não temos nenhum inconveniente em que viva lá”, afirmou Micheletti, em entrevista à agência de notícias Reuters. “Nós não iremos fazer absolutamente nada que confronte outro país irmão, nós queremos que eles compreendam que ou lhe dão asilo político ou o entregam às autoridades hondurenhas para seu julgamento.” Para evitar a extensão do confronto entre partidários de Zelaya e governistas, a comunidade internacional engajou-se numa corrida diplomática. José Miguel Insulza, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), revelou que apenas esperava garantias de segurança para viajar a Tegucigalpa e mediar o restabelecimento da democracia. Em carta aos membros do Conselho de Segurança da ONU, o Itamaraty demonstrou-se preocupado “com a segurança do presidente Zelaya e com a segurança e integridade física das instalações da embaixada e de funcionários”. Localizado pelo Correio no Rio de Janeiro, o embaixador Brian Michael Neele, preferiu não falar. O líder deposto exortou seus embaixadores a retornarem a Honduras. Por telefone, o deputado Toribio Aguilera, do Partido de Inovação e Unidade Social Democrata (Pinud-SD), se disse decepcionado com o Brasil. “A posição de Lula e de outros presidentes é uma intromissão”, afirmou. Ouça entrevistas com o líder pró-Zelaya, Juan Barahona, e com o deputado Toribio Aguilera (ambas em espanhol) Eu acho...
“Zelaya é um homem que não respeita acordos, é um homem irresponsável. Me preocupa muito a forma bruta que ele volta ao país. Tememos um derramamento de sangue. O papel do Brasil nos deixou muito decepcionados. Era importante seguir com o diálogo do Acordo San José. Estávamos analisando alguns aspectos para operacionalizar o acordo, mas a intromissão do Brasil nos obriga a reconsiderar o caminho. A posição de Lula e de outros presidentes é de intromissão. Lula e companhia estão dizendo que não vão respeitar nossas eleições, o que é um absurdo” Toribio Aguilera, deputado do Partido de Inovação e Unidade Social Democrata (Pinud-SD) Amorim rejeita ameaça O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assegurou que o Brasil “não vai tolerar” nenhuma ação contra as instalações da embaixada em Tegucigalpa, onde o presidente deposto, Manuel Zelaya, está aquartelado desde a última segunda-feira. Segundo Amorim, o governo de fato enviou uma “nota impertinente e em termos inadequados” à representação, na qual afirmava que ia “blindar” as imediações do prédio. O chanceler brasileiro condenou de forma veemente a suspensão do fornecimento de água, luz e telefone à representação, bem como a decisão da polícia de lançar bombas de gás lacrimogêneo próximo ao prédio. “Entramos em contato com outros países que mantêm diálogo com o governo de fato para que saibam que seria intolerável qualquer ataque à nossa embaixada”, anunciou Amorim em entrevista coletiva, em Nova York. O ministro evitou dizer que a embaixada na capital hondurenha estava “cercada”, mas confessou preocupação com a segurança de todos os que estão na representação — entre 60 a 80 pessoas, inclusive crianças. Amorim afirmou ainda que o Brasil estudou enviar uma carta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para abordar a questão da segurança na embaixada. Em Brasília, o líder do PPS na Câmara, deputado Fernando Coruja, apresentou requerimento pedindo a convocação de Amorim para explicar o abrigo dado a Zelaya. Segundo o partido, é preciso esclarecer melhor se o Brasil tinha conhecimento da entrada do presidente deposto e se houve descumprimento de acordos internacionais no episódio. “O senhor Zelaya não pode estar na embaixada e atuando politicamente, usando a embaixada como plataforma política. Ele não pode fazer comício de lá de dentro”, disse o vice-líder do partido, Raul Jungmann. |
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
23 de setembro de 2009
O Globo
Manchete: Ação do Brasil acirra crise e tensão cresce em Honduras
A presença do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, abrigado na Embaixada do Brasil após obter autorização de Brasília, agravou a crise política no país. Ainda sob versões desencontradas sobre a chegada de Zelaya, a embaixada viveu momentos de muita tensão com confrontos entre policiais e manifestantes. Água, luz e telefone foram cortados. O chanceler Celso Amorim pediu reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para garantir a integridade da embaixada. Já o presidente de fato, Roberto Micheletti, foi taxativo: ou o Brasil entrega Zelaya ou lhe dá asilo. Senadores brasileiros criticaram o cerco à embaixada, mas advertiram que ela não pode ser usada como palanque por Zelaya. (págs. 1, 28 e 29 e editorial "Campo minado")
Foto legenda: Em berço esplêndido
Manuel Zelaya descansa numa poltrona improvisada em cama, na embaixada brasileira: mapa do Brasil ao fundo e bandeira do Rio ao lado
Perguntas sem resposta
Zelaya estava fora de Honduras em segurança e entrou deliberadamente no país. Ao voltar e se colocar em condição voluntária de risco, o problema é dele ou do Brasil?
Por que o Brasil permitiu que Zelaya usasse a embaixada para fazer comício e manifestações políticas?
É verdade que Zelaya aterrissou primeiro em El Salvador, procedente da Nicarágua, num avião venezuelano, como publicou o jornal espanhol “El País”?
O governo Lula sabia que Zelaya pediria abrigo ou foi surpreendido com o presença do presidente deposto batendo na porta da embaixada brasileira?
É verdade, como disse o embaixador Gonçalo de Barros Carvalho e Mello Morão, chefe do departamento da América Central e Caribe do Itamaraty que Zelaya “quase que se materializou na embaixada”?
Que certeza tinha Zelaya do sucesso de sua ação para levar um grupo de 70 pessoas, incluindo a família, para o interior da embaixada?
Amorim perde outra, na Unesco
A série de derrotas do Itamaraty em eleições para órgãos internacionais, na gestão Celso Amorim, aumentou ontem com a derrota do egípcio Farouk Hosni, candidato apoiado pelo Brasil à direção geral da Unesco. Ele perdeu para a ex-chanceler e atual embaixadora da Bulgária na França, Irina Bokova. Hosni era acusado de antissemitismo. (págs. 1 e 30)
Trânsito melhor no Dia Sem Carro
China surpreende no clima
EUA e China, os maiores poluidores do mundo, disseram ontem na ONU estarem comprometidos a combater o aquecimento global. Mas só a China apresentou metas, modestas. Os EUA de Obama ficaram só nas intenções. (págs. 1 e 31)
Foto legenda: O prefeito Eduardo Paes pedala pela Rua São Clemente: 20 quilômetros de bicicleta, de casa ao trabalho
Governador diz querer estuprar ministro
Senado paga até capoeira em Cingapura
Peixe fora d’água
Agência promove Brasil, primeiro após crise
Ciro sobe e passa Dilma no Ibope
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Folha de S. Paulo
Manchete: Honduras sitia Embaixada do Brasil
Forças de segurança do governo golpista de Honduras cercaram a embaixada brasileira no país, onde o presidente Manuel Zelaya, deposto em junho, está abrigado desde anteontem.
Soldados lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra cerca de 4.000 manifestantes pró-Zelaya nos arredores da casa, e os manifestantes atiraram pedras. Houve ao menos 20 feridos. De madrugada, o governo cortara água, luz e telefone da embaixada, deixando os 313 presentes na dependência de um gerador a diesel.
O Brasil pediu reunião do Conselho de Segurança da ONU para garantir a segurança de Zelaya. O presidente Lula chamou o governo hondurenho de "golpista" e defendeu negociações por "uma saída democrática". O presidente interino do país, Roberto Micheletti, diz que não invadirá a embaixada.
Em entrevista por telefone a Eliane Cantanhêde, Zelaya afirmou que não combinou com o Brasil sua volta a Honduras e se disse "muito tranquilo". (págs. 1 e Mundo)
CLÓVIS ROSSI
Brasil foi atacado por golpistas e não tem como reagir
Ao cortar água, telefone e luz da embaixada, o governo Micheletti atacou o território brasileiro. E o Brasil não tem como reagir. Pelo, menos não fisicamente. É inimaginável mandar tropas. Resta o recurso à legislação internacional, demorado demais e que não tem comovido os golpistas. (págs. 1 e A12)
Foto legenda: O presidente deposto Manuel Zelaya dorme dentro de uma das salas da embaixada brasileira em Tegucigalpa, capital hondurenha
Agência recomenda investimentos no país
Para a agência americana, a economia brasileira foi "resiliente" durante a crise e teve um desempenho melhor que o de outras nações.
Em 2008, antes da crise, as agências Standard and Poor's e Fitch Ratings já haviam elevado o Brasil a patamares de alta confiabilidade.
O dólar caiu a R$ 1,798, nível mais baixo em um ano. Com a decisão da Moody's, analistas preveem valorização maior do real. (págs. 1 e Dinheiro)
Governador de MS chama Minc de 'veado' e diz que o estupraria
Mais tarde, o governador disse que, "na hipótese" de ofensa,
"apresenta seu pedido de desculpas". A assessoria de Minc definiu Puccinelli como "truculento ambiental" e disse que o caso "revela seu caráter". (págs. 1 e A8)
Filho de Sarney afirma pôr 'quem quiser' no Senado
Brasil: Congresso aprova criação de 7.709 novas vagas de vereadores (págs. 1 e A6)
Fleury alega ser vítima em caso de remédio roubado
Editoriais
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O Estado de S. Paulo
Manchete: Dívida no cartão de crédito é recorde
Os brasileiros nunca deveram tanto no cartão de crédito, informa o repórter Fernando Nakagawa. Dados do Banco Central mostram que o uso de crédito rotativo, o parcelamento com juros e os saques somaram R$ 14,56 bilhões em julho, um recorde histórico. No mês, 28,3% das transações tinham atraso superior a 90 dias. Apesar de o juro do cartão - hoje em.237,9% ao ano - ser mais alto até que o do cheque especial, a participação dessa modalidade nos empréstimos só cresce. Hoje, a cada R$ 4 tomados pelas pessoas físicas, R$ 1 é no cartão. Para especialistas, o aumento do consumo e o já elevado nível de endividamento nos financiamentos mais baratos explicam a alta. Em julho, enquanto o volume de novas operações no crédito pessoal recuou 0,16% e o cheque especial caiu 1,02%, as novas concessões nos cartões saltaram 15,4% ante junho. Assim, o saldo acumulado de endividamento nessa modalidade atingiu R$ 26,49 bilhões em 31 de julho. A dívida é 580% maior que o total de financiamentos para a compra da casa própria e 54% superior à do cheque especial. (págs. 1 e B5)
Número
28,3% das transações com cartão de crédito tinham atraso superior a 90 dias em julho
Missão do Brasil em Honduras vive tensão
Fotos legendas:
Sono - Zelaya dorme na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa: situação sem precedentes na diplomacia
Conflito - Polícia usa água e bombas de gás contra manifestantes
Agência de risco sobe avaliação brasileira
Um ano e meio depois de suas principais concorrentes, a agência de classificação de risco de crédito Moody's concedeu ao Brasil o grau de investimento. Isso sinaliza aos investidores que a probabilidade de o País dar calote é baixa. Para analistas, o grau não terá implicações relevantes, mas é simbólico que tenha sido dado em meio à crise global. "É a cereja de um bolo que já estava pronto", afirmou o vice-presidente do Bradesco, Norberto Barbedo. A Moody's informou que pode haver em breve nova elevação do grau, ao definir a perspectiva do País como "positiva". (págs. 1, B1 e B3)
Ciro avança e empata com Dilma, mostra CNI/Ibope
Artigo
No G-20, temos motivo para festejar?
O mundo soube reagir à crise. Devemos simplesmente esperar a próxima crise? Afinal, caiu por terra a ilusão de que os mercados são autorreguláveis. (págs. 1 e B9)
Análise: Dora Kramer
Eleitorado atrapalha o jogo de cartas bem marcadas entre PT e PSDB. (págs. 1 e A6)
Cresce em SP número de crianças analfabetas
Quadrilha de jogatina pela internet agia em 12 Estados
Rombo: Briga entre famílias afeta PIB saudita
Notas e Informações: Licença para gastar
'Estado' sob censura há 54 dias (págs. 1 e A11)
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http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
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terça-feira, setembro 22, 2009
MEIRELLES [In:] O DIA DO FICO
Lula pede e Meirelles deve ficar no Banco Central
| A pedido de Lula, Meirelles deve abrir mão de candidatura para ficar no BC |
Autor(es): Cristiano Romero |
| Valor Econômico - 21/09/2009 |
Aconselhado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, não deverá sair candidato ao governo de Goiás em 2010. Interessado em ter Meirelles no BC até dezembro do próximo ano, Lula, segundo apurou o Valor, deu a dois ex-ministros de seu governo - Antonio Palocci e Márcio Thomaz Bastos - a missão de convencê-lo a desistir da candidatura. A conversa com Palocci e Thomaz Bastos surtiu efeito. Na semana passada, durante colóquio com um amigo, Meirelles confidenciou que, hoje, a chance de ele não se candidatar ao governo de Goiás é de 80%. "Com viés de alta", observou o presidente do BC, usando linguagem típica dos comunicados do Comitê de Política Monetária (Copom). À mesma linguagem Meirelles recorreu para falar das chances de se filiar a um partido político até o fim deste mês, quando expira o prazo dos interessados em se candidatar em 2010. "A chance de filiação hoje é 50-50", disse ele a um amigo, segundo relato feito por uma fonte ao Valor. No contato com Meirelles, Palocci e Márcio Thomaz Bastos explicaram que a candidatura em Goiás seria de alto risco. O Estado vive momento de forte polarização política, com o PSDB do senador Marconi Perillo de um lado e o PMDB do prefeito de Goiânia, Iris Rezende, do outro. O atual governador, Alcides Rodrigues (PP), gostaria de lançar Meirelles, mas, para tanto, o presidente do BC teria que se entender com Iris porque não é comum, em Goiás, ter três candidatos fortes disputando o governo. O presidente Lula, por sua vez, tem interesse especial em derrotar o PSDB em Goiás. Por isso, vem defendendo que os partidos da base aliada montem uma frente antiPerillo. Nesse ambiente, prevê-se que a campanha em Goiás será milionária, dos dois lados. "Vai ser uma campanha para políticos profissionais e Meirelles não é um desses políticos", diz um assessor do presidente Lula. Palocci e Thomaz Bastos alertaram Meirelles sobre a possibilidade de a disputa em Goiás ir além do resultado da eleição. Mesmo que ele vença o pleito, corre o risco de ter uma gestão tumultuada por uma oposição aguerrida, que pode, inclusive, tentar derrubá-lo do cargo em processo de impeachment. Os casos recentes de decisões da Justiça Eleitoral na Paraíba, no Maranhão e em Tocantins são lembrados como exemplos disso. Para o presidente Lula, é confortável manter Meirelles no posto até dezembro de 2010. Seria uma forma de evitar ruído na área econômica durante a campanha presidencial. O governo está confiante no fato de que o bom desempenho da economia ajudará a provável candidata de Lula - a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff - a crescer nas pesquisas. Recentemente, Meirelles disse a Lula que, no terceiro trimestre do ano que vem, portanto, na reta final da campanha presidencial, a economia brasileira estará crescendo, na margem, algo entre 6% e 7% ao ano, o mesmo patamar do terceiro trimestre de 2008, o último antes da eclosão da crise financeira mundial. No mercado, a expectativa é que o Copom só volte a aumentar a taxa básica de juros (Selic) no último trimestre de 2010. Por essas razões, Lula avalia que é melhor não mexer no BC. Mesmo não se candidatando ao governo de Goiás e não tendo interesse em disputar uma vaga ao Senado, Meirelles, segundo seus interlocutores mais próximos, considera filiar-se a um partido para manter a possibilidade de disputa em 2010. Só lhe restam, no entanto, duas opções: concorrer à presidência da República ou compor em alguma chapa como candidato a vice-presidente. O PTB, um dos partidos que o vêm sondando para filiação, ofereceu a candidatura à presidência. Meirelles só considera essa hipótese, no entanto, na eventualidade de o atual quadro político-eleitoral se transformar inteiramente, com a possível retirada de cena de alguns dos atuais pré-candidatos. Já a candidatura a vice-presidente seria o alento de Meirelles. E, nesse caso, a alternativa mais forte é integrar a chapa da ministra Dilma Rousseff. |
DELFIN NETTO [IN:] LULA CAPITALISTA
Delfim: ‘Lula salvou o capitalismo’
| "O Lula mudou o país de forma a salvar o capitalismo" |
O Globo - 21/09/2009 |
Ex-ministro diz que falta de regulação provocou crise financeira global SÃO PAULO. Homem-forte da economia no regime militar, o ex-ministro Delfim Netto defende a volta do "Estado indutor", em substituição ao "mercado perfeito", que naufragou com a crise global. Em entrevista ao GLOBO, ele disse que a falta de regulação do sistema bancário está na raiz da crise. "Não há mercado sem Estado forte." Um dos principais conselheiros do presidente Lula, Delfim disse ainda que o governo foi o primeiro a perceber que "o mundo não acabaria" e que o capitalismo deve aos programas de distribuição de renda sua sobrevivência no país. "Ele (Lula) mudou o país de forma importante, de forma a salvar o capitalismo". Aos 81 anos e recuperando-se de cirurgia para colocação de dois stents, para ajudar no fluxo sanguíneo do coração, Delfim retoma aos poucos a rotina de trabalho. Chega antes das 7h ao escritório, num casarão do Pacaembu, em São Paulo. Sua sala, no segundo andar, comporta uma mesa com seis cadeiras, uma escrivaninha e duas estantes com 500 livros. É só parte da biblioteca que começou a reunir aos 14 anos, e que soma 250 mil títulos, catalogados e guardados em casa. Ex-ministro da Fazenda e do Planejamento e ex-embaixador na França, ironiza a ideia de escrever suas memórias. "Morro de dar risada dos livros de memórias de meus amigos. Frequentemente, há exagero". Aguinaldo Novo ------------ |
GOVERNO LULA: A POUPANÇA DO COLLOR/ZÉLIA
Economia
Ficou pela metade
A decisão de taxar a caderneta de poupança não resolve
o principal problema: a distorção provocada pelo anacrônico
rendimento fixado em lei
| Montagem sobre foto de Nicholas Parfit/Getty Images |
Depois de muito protelar, o governo finalmente anunciou as novas regras para a caderneta de poupança. Uma alíquota única de imposto de renda, de 22,5%, vai incidir sobre as cadernetas com saldo superior a 50 000 reais. A taxação será feita sobre o valor que exceder esse patamar (veja o quadro abaixo). Se for aprovada, a mudança valerá a partir de janeiro de 2010. Atingirá apenas 1% das contas, que representam mais de 40% do volume de recursos da poupança, hoje superiores a 282 bilhões de reais. Mesmo deixando de fora a esmagadora maioria dos poupadores, as novas regras não têm apoio nem da base aliada. É mesmo uma decisão política difícil mexer no investimento mais popular do Brasil, mas não havia como escapar.
O objetivo da mudança é recuperar o fôlego dos fundos de investimento, que perderam atratividade para a poupança com a queda dos juros. Zelar pela saúde dos fundos é importante porque eles são grandes compradores de títulos públicos, papéis com os quais o governo capta recursos e rola sua dívida sem emitir dinheiro nem produzir inflação. Essa harmonia fica ameaçada se as cadernetas competirem com os fundos. Além de criar dificuldades para o país financiar sua dívida, uma enxurrada de depósitos na poupança concentraria recursos em financiamento imobiliário, no qual os bancos são obrigados a aplicar 65% dos depósitos. Isso acarretaria escassez de crédito em outros setores, pressionando os juros novamente para cima.
O problema é que o governo não mexeu no principal. As cadernetas são atraentes porque têm rendimentos fixados por lei. Essa regra foi criada num período de inflação descontrolada, e servia não só para proteger o pequeno poupador, mas para incentivar o crédito imobiliário. Agora isso não faz mais sentido, mas optou-se por não corrigir essa distorção. E o motivo está nas eleições do ano que vem. "O governo preferiu empurrar com a barriga. Criou uma medida transitória, para evitar o desgaste político de mexer na caderneta", diz o professor Alexandre Assaf Neto, da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, ligada à USP. Na avaliação dos especialistas, existe outro problema. A taxação é insuficiente para tornar a caderneta menos atraente que os fundos. Dependendo da taxa de administração cobrada pelos bancos, ela pode continuar oferecendo rendimento melhor.
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http://veja.abril.com.br/230909/ficou-pela-metade-p-092.shtml
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AÇÚCAR: GOSTO OU DESGOSTO?
Especial
AÇÚCAR é a droga da vez?
Nos EUA, especialistas em saúde e nutrição começam a tratar
o açúcar com o mesmo rigor que isolou o tabaco do convívio
social – e o alvo número 1 é o refrigerante
| Montagem sobre foto Chris Collins/Corbis/Latin Stock |
O açúcar, em suas várias formas, é o grande promotor da obesidade, mas seus níveis altos no sangue podem ser associados a quase todas as moléstias degenerativas, do ataque cardíaco ao derrame cerebral e ao diabetes. Existem suspeitas científicas sérias de que o açúcar possa até ser uma das causas de alguns tipos de câncer. Na lista, está o câncer de pâncreas, o mesmo que matou o ator Patrick Swayze aos 57 anos na semana passada. Em Harvard, pesquisadores acompanharam 89 000 mulheres e 50 000 homens e descobriram que os refrigerantes podem aumentar o risco de câncer de pâncreas em mulheres, só em mulheres. Antes que os homens se sintam premiados pela natureza, outro estudo, que examinou 1.800 doentes, sugere que uma dieta açucarada pode aumentar o risco de câncer do intestino grosso em homens, só em homens.
Mas, se o açúcar, como o tabaco, subir ao patíbulo, o refrigerante se tornará o cigarro da vez. Nos Estados Unidos, já há um movimento, incipiente mas sólido, integrado pelos cientistas mais reputados do país, contra o consumo de refrigerante. Os estados de Nova York e do Maine discutiram a possibilidade de cortar seu consumo a golpes de imposto. Em Nova York, o governador David Paterson propôs uma alíquota de 18%, mas recuou depois de perceber a má vontade dos parlamentares e a força do lobby do açúcar, cujo poder é lendário na política americana (veja a matéria). Recentemente, um artigo publicado no New England Journal of Medicine causou furor ao defender uma taxa punitiva sobre os refrigerantes. A repercussão se deveu à assertividade do artigo – que sugere tratar o açúcar como se tratou o tabaco – e à identidade de seus autores. Um é Kelly Brownell, renomado epidemiologista da Universidade Yale. O outro é Thomas Frieden, que, trabalhando na prefeitura de Nova York, liderou o combate à gordura trans e fez 300.000 nova-iorquinos largar o cigarro. Agora, Frieden assessora o presidente Barack Obama como cabeça do CDC, órgão que cuida do controle e da prevenção de doenças.
| Gilberto Tadday |
EPIDEMIA DE OBESIDADE |
Fechando o cerco, o professor Walter Willett, uma sumidade acadêmica que chefia o departamento de nutrição da escola de saúde pública de Harvard, lidera o lobby para convencer a indústria a adotar uma fórmula de refrigerante menos prejudicial à saúde. Quer que cada latinha ou garrafa tenha, no máximo, 50 calorias, o equivalente a três colheres de chá de açúcar. Uma lata de refrigerante normalmente tem 150 calorias, o equivalente a dez colheres de chá de açúcar. Um adulto que bebe uma lata com 150 calorias por dia pode chegar ao fim de um ano quase 7 quilos mais gordo. Elegantemente, Willett declarou: "Quando um adulto se acostuma a comer tudo doce, fica difícil apreciar a doçura suave de uma cenoura ou uma maçã". No mês passado, outro golpe duríssimo. Pela primeira vez na história, a American Heart Association, a entidade dos cardiologistas, divulgou limites específicos para o consumo de calorias de açúcar. Surpreendentemente, definiu níveis inferiores aos comumente recomendados. As mulheres não devem consumir mais que 100 calorias de açúcar por dia, o que corresponde a pouco mais de seis colheres de chá de açúcar. Para os homens, o limite diário é de 150 calorias, ou dez colheres.
Os EUA são a barricada mais potente contra o açúcar do refrigerante, mas não a única. A Inglaterra e a França estão proibindo a propaganda de refrigerantes na televisão. No México, onde a obesidade cresce num ritmo assustador, o refrigerante está sendo banido das escolas. Na Alemanha e na Bélgica, a proibição vale até para o comércio nas imediações das escolas. Na Irlanda, celebridades não podem fazer comerciais de refrigerantes dirigidos ao público infantil. O açúcar e a obesidade que dele advêm são um problema em todo o planeta, inclusive no Brasil. Examinando dados relativos a 2005, a Organização Mundial de Saúde estimou que 1,6 bilhão de seres humanos estejam acima do peso e 400 milhões, obesos. É um colosso de gordura, uma fartura de matar de inveja nossos ancestrais da savana africana, eles que, coitados, se arrebentavam por uma mísera caloria. Já surgiu um neologismo para sublinhar a dimensão global da obesidade – é a "globesidade". Com sua autoridade científica, Willett prevê: "Obesidade e diabetes serão o desafio de saúde pública do século XXI".
Obviamente, há diferenças entre o açúcar e o tabaco em termos de agressão ao organismo. A começar pelo fato de que nunca precisamos de tabaco para viver, mas necessitamos de açúcar – embora nos baste o açúcar encontrado naturalmente nas frutas, no leite e no mel, nos legumes e temperos. Do ponto de vista exclusivo do funcionamento metabólico humano, é inteiramente desnecessário o açúcar que se adiciona a alimentos e bebidas, sucos, bolos, balas, doces, pudins, chocolates e a uma infinidade de produtos que nem desconfiamos conter açúcar, como cerveja e massa de tomate. Como tudo o que é desnecessário ao metabolismo, o açúcar em excesso faz mal à saúde. Outra diferença é que o tabaco causa 95% dos cânceres de pulmão, mas o açúcar não é, sozinho, o responsável por 95% dos casos de obesidade ou diabetes. A obesidade tem raízes múltiplas. O hábito de comer fora, a popularização das lanchonetes de fast-food, a invenção do freezer e do forno de micro-ondas, o estilo de vida sedentário, a superoferta de alimentos a preços acessíveis, tudo isso contribui para a obesidade. Nos EUA, há um ingrediente adicional: as porções diabolicamente generosas. O americano preza o gigantesco, o monumental. Esse traço cultural aparece na preferência nacional pelas caminhonetes enormes, pelas casas que parecem castelos, pelas calças largas do hip hop e, claro, pelos pratos enormes. A batata frita do McDonald’s é um indicador. Em 1960, cada porção tinha 200 calorias. Essa quantidade subiu para 320, 450, 540 e está em 610! Há estudos teorizando que o americano associa o tamanho das porções ao poder, à masculinidade. Assim, o jovem se sentiria mais macho ao entrar no cinema carregando não um saco, mas um balde de pipoca. Pode ser. Faz sucesso no país um lanche que se chama Del Taco Macho Meal. Pesa quase 2 quilos.
Apesar de todos esses fatores, o açúcar tem papel central na pandemia de obesidade, e o refrigerante é seu veículo mais popular, particularmente nos EUA. A América é a pátria da Coca-Cola, o único país do mundo cuja imagem é associada a um refrigerante. A Coca-Cola é o símbolo do sucesso americano. Ideologizada, sua marca representa o triunfo do capitalismo e, para os velhos comunistas italianos, nada mais era do que l’acqua nera dell’ imperialismo. Os americanos bebem 56 bilhões de litros de refrigerante por ano, quatro vezes o consumo brasileiro. Como um sinal dos tempos, o consumo de bebidas açucaradas cai, enquanto a venda de refrigerantes diet cresce, em média, 3% ao ano – desempenho sem precedentes na indústria. Mas, de todo modo, os americanos são grandes devoradores de açúcar. Do açúcar de cana, consomem 9,6 milhões de toneladas por ano. E ainda devoram outro tanto do açúcar conhecido pela sigla HFCS, um xarope de milho com alto poder edulcorante que é mais rapidamente absorvido pelo organismo humano do que o açúcar de cana refinado.
Americano obeso corre o risco de virar pleonasmo. Eles estão por toda parte. Andam encostados às paredes para descansar a cada dez passos. Usam bengala, cadeira de rodas. Nos hospitais, há mesas de cirurgia especiais para recebê-los. Há fábricas de caixões reforçados para defuntos muito obesos. Os militares dizem que 25% dos jovens são pesados demais para se alistar. Teme-se que, pela primeira vez desde a guerra civil (1861-1865), a expectativa de vida caia devido às mortes por obesidade. A estatística é tenebrosa: 34,3% dos americanos com 20 anos ou mais estão obesos. Entre as crianças de 6 a 11 anos, que bebem hoje mais refrigerante do que leite, a incidência chega a 17%. No Brasil, a situação é menos grave, mas preocupa (veja a tabela).
| Edson Silva/Folha Imagem |
| O AÇÚCAR ESTÁ EM TODA PARTE O trabalho num armazém de açúcar no interior de São Paulo: ele está na economia e também na alma brasileira |
Desde que o jornalista William Dufty (1916-2002) lançou Sugar Blues nos anos 70, um livro meio panfletário que virou um clássico na demonização do açúcar, disseminou-se cada vez mais a ideia de que açúcar engorda. VEJA consultou seis especialistas sobre os males que, com certeza científica, o açúcar em excesso pode causar, além da obesidade*. O resultado é uma devastação, porque um mal provoca outro, que por sua vez provoca um terceiro, colocando em movimento um carrossel que pode incluir cárie dentária, hipertensão, doenças cardiovasculares, derrame cerebral, falência renal, cegueira, doenças nervosas, amputações – e algo como seis a sete anos de vida a menos. É óbvio que ninguém que consome açúcar obrigatoriamente passará por esse calvário, e ninguém está proibido de beber uma lata de refrigerante, um copo de caldo de cana ou comer uma fatia de bolo. A questão está no excesso ou, mais propriamente, no que pode ser considerado o excesso.
A guerra contra o açúcar e suas diversas encarnações acabará produzindo, cedo ou tarde, mudanças sísmicas na vida de bilhões de pessoas. Ao atravessar o planeta das florestas da Polinésia até as Américas, a cana-de-açúcar alterou a dieta ocidental como talvez nenhum outro produto. Popularizou o sorvete, o chá, o café, o chocolate, o rum. Tomou de assalto nossos rituais afetivos. O açúcar está no chocolate do Dia dos Namorados. Está nos ovos de Páscoa dos pequenos, no pirulito com que docemente chantageamos a criança em troca de lhe sapecar um beijo. Está no bolo diante do qual os noivos bebem a taça de champanhe na festa de casamento. É difícil imaginar o mundo de hoje sem açúcar. O Brasil, então, é impossível.
Maior produtor e maior exportador do mundo, o Brasil está também entre os maiores consumidores. Mais que artigo econômico, o açúcar faz parte da identidade nacional. Na sua herança mais sombria, o açúcar é a escravidão negra, a açucarocracia, regime despótico do senhor de engenho. É o trabalho brutal, exaustivo e mutilante dos canaviais de ontem e hoje. Mas o açúcar também tem seu aspecto iluminado entre nós. Para o sociólogo Gilberto Freyre, ameigou nossas maneiras e gestos, amolengou as palavras do português falado no Brasil, que soa tão desossado, tão doce diante do português salgado e metálico de Portugal. O açúcar integrou-se de tal modo na alma brasileira que inspira sinônimos para todas as gradações. Na dose certa, é meiguice, suavidade, brandura. Com um grão de ousadia, é dengo e sedução. No exagero, é enjoo, tédio. O açúcar, sendo doce e amargo, é uma bela metáfora do próprio brasileiro, que funde em si mesmo, com desembaraço intrigante, o homem cordial e o homem violento. Que o açúcar tenha o destino que tiver de ter para que a humanidade seja saudável e feliz. Se um dia desaparecer da mesa, os brasileiros pelo menos terão o consolo de lembrar dele na doce, sensual e úmida definição do poeta Ferreira Gullar:
"Afável ao paladar
Como beijo de moça, água
Na pele, flor
Que se dissolve na boca."
| Paulo Vitale |
* Os especialistas consultados por VEJA: David Ludwig e Frank Hu (Harvard), David Katz e Kelly Brownell (Yale), Silke Vogel (Columbia) e Barry Popkin (Carolina do Norte), esse último autor de O Mundo Está Gordo, recentemente lançado no Brasil pela editora Elsevier.
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http://veja.abril.com.br/230909/acucar-droga-da-vez-p-98.shtml
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