PENSAR "GRANDE":

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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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quinta-feira, maio 20, 2010

"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"

20 de maio de 2010

O Globo

Manchete: Senado aprova Ficha Limpa com brechas que aliviam punições

Processos já julgados ou em andamento podem ser excluídos da nova regra

Sob pressão popular, o Senado aprovou o projeto Ficha Limpa, que veta candidaturas de políticos condenados em instâncias colegiadas da Justiça. Mas uma mudança abriu brechas na lei e sugere que ela só valerá para condenações futuras - podendo excluir casos em julgamento e os já julgados. Onde se lia sobre a não concessão de registro para "os que tenham sido condenados", o texto diz agora:
"Os que forem condenados." Dúvidas terão de ser esclarecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Supremo Tribunal Federal. Para o relator do projeto no Senado, Demóstenes Torres, a lei não pode ser usada retroativamente para prejudicar ninguém e não vale para casos já julgados. "Processos em andamento serão abrangidos", afirmou. O projeto vai a sanção presidencial e, se for aprovado antes de 9 de junho, as regras podem valer para a eleição deste ano. (Págs. 1 e 3)

Delúbio, um bom exemplo

Ex-tesoureiro do PT e operador do mensalão, Delúbio Soares foi condenado, pela Justiça de Goiás, a devolver R$ 164 mil aos cofres públicos. Ele recebia como professor do estado, mas morava em SP. A condenação em segunda instância também cassou por oito anos seus direitos políticos. (Págs. 1 e 12)

Foto legenda: Censura: Comando da campanha de Dilma forçou prefeitos a não exibir vídeo durante encontro. (Págs. 1 e 9)

Foto legenda: Quarta-feira vermelha em Bangcoc

Um integrante da Cruz Vermelha tailandesa olha o corpo de um dos seis mortos no assalto do Exército ao acampamento rebelde no centro de Bangcoc. Os Camisas Vermelhas se renderam após dois meses entrincheirados na área exigindo a renúncia do governo. (Págs. 1 e 29)

Lula deverá sancionar reajuste de aposentados

Em nova derrota do presidente Lula no Congresso, o Senado aprovou a medida provisória que reajusta em 7,72% as aposentadorias acima do salário mínimo. O rombo para o INSS será de R$ 1,6 bilhão em 2010. Foi aprovado também o fim do fator previdenciário em 2011. A tendência é que Lula confirme o reajuste e vete o fim do fator previdenciário. (Págs. 1, 4 e editorial "Para não ser a Grécia amanhã")

CBF desvia seleção para beija-mão a Lula

A seleção brasileira vai fazer uma escala imprevista no trajeto entre Curitiba e Johannesburgo para a Copa do Mundo, conforme informou Ancelmo Gois em seu blog. A pedido da CBF, a delegação será recebida na próxima quarta-feira pelo presidente Lula no Palácio do Planalto, o que atrasará, no mínimo, em quatro horas e meia a chegada à África do Sul. A visita está de acordo com o tom "patriota" do técnico Dunga e, principalmente, do seu auxiliar, Jorginho. A seleção se apresenta no Centro de Treinamento do Atlético-PR, amanhã, em Curitiba. (Pág. 1)

Acordo com Irã foi tiro no pé?

Especialistas e diplomatas dizem que o acordo, passo diplomático mais audacioso dado até agora pelo Brasil, pode garantir notoriedade ao país. Mas, tendo sido ignorado pelos EUA, criaria desconfianças, prejudicando a busca do Brasil por uma vaga no Conselho da ONU. (Págs. 1, 27 e 28)

CNJ vai investigar envolvimento de Wider com os falsos e-mails (Págs. 1 e 12)

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Folha de S. Paulo

Manchete: Congresso veta 'ficha suja' em eleição

Políticos condenados por mais de um juiz ficarão inelegíveis; TSE, porém, não definiu se lei já valerá neste ano

O Senado aprovou por unanimidade o projeto da "ficha limpa", que impede a candidatura de quem for condenado por decisão colegiada da Justiça (mais de um juiz). O texto segue para o presidente Lula, que vai ter 15 dias para sancioná-lo.

Não há consenso, porém, sobre a validade da nova lei nas eleições deste ano. Questionado a respeito, o Tribunal Superior Eleitoral ainda não se manifestou.

Da maneira como foi aprovada, a lei tomará inelegíveis os políticos que forem condenados a partir da sua vigência. Há dúvidas sobre sua aplicação no caso de processos já em andamento.

O texto inclui a possibilidade de recurso suspensivo, que também tem de ser decidido por colegiado da Justiça. O projeto aprovado no Senado se originou de iniciativa popular, com 1,6 milhão de assinaturas. (Págs. 1 e A4)

Senado dá 7,7% para aposentado (Págs. 1 e A6)

Lula diz temer retorno à 'estaca zero' contra Irã

Em Madri, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse temer que a negociação com o Irã volte à "estaca zero" caso as potências não se disponham a dialogar.

"Fizemos o que os EUA queriam fazer há cinco, seis meses", afirmou. A Casa Branca disse que manterá o esforço por sanções. (Págs. 1 e A14)

Leia coluna de Kenneth Maxwell na pág. A2

Foto legenda: Sangue no asfalto

Em meio a confronto na rua, soldado do exército tailandês fica atrás de placa próximo de corpo de manifestante morto na ação do governo contra oposicionistas, cujos líderes se renderam; operação matou ao menos 7 e Bancoc ficou sob toque de recolher (Págs. 1 e A16)

Mercado aberto: Banco do Brasil venderá sua participação em saúde à SulAmérica (Págs. 1 e B2)

Editoriais

Leia "Projeto europeu", sobre o futuro da UE; e "Rastro de escândalo", acerca do incêndio no Instituto Butantan, em SP. (Págs. 1 e A2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Senado aprova Ficha Limpa, mas lei não deverá valer já

Veto à candidatura de políticos condenados na Justiça tende a entrar em vigor só a partir da eleição de 2012

O Senado aprovou o projeto conhecido como Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos condenados pela Justiça. A proposta, de iniciativa popular, foi aprovada pelos 76 senadores que estavam no plenário. O presidente Lula tem agora 15 dias para sancioná-la. Caberá à Justiça definir quando a legislação passa a valer, se nas eleições de outubro deste ano ou apenas no pleito municipal de 2012. O PSDB já protocolou uma consulta no Tribunal Superior Eleitoral sobre o assunto. Uma emenda apresentada por Francisco Dornelles (PP-RJ) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado deixou claro que somente quem for condenado depois da sanção da nova lei é que será impedido de se candidatar. Para o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, autor do projeto de lei, o texto saiu "aperfeiçoado" do Congresso. (Págs. 1 e Nacional A4)

Colunista
Dora Kramer
Único jeito é a cobrança social

Essa súbita transição da apatia à euforia do Congresso no caso do Ficha limpa só se configurará uma trajetória em direção ao avanço quando os políticos se dispuserem a mudar os comportamentos de fato. (Págs. 1 e Nacional A8)

Europa faz Bovespa cair ao pior nível em 8 meses

As incertezas sobre a Europa e as medidas unilaterais alemãs para conter a especulação causaram tensão nos mercados globais. O Ibovespa caiu 1,89% e fechou abaixo dos 60 mil pontos pela primeira vez desde setembro de 2009. No ano, o índice recuou quase 13%, terceiro pior desempenho entre os principais mercados. Para analistas, o fato de o governo alemão ter imposto regras de forma isolada mostra problemas de liderança na Europa. (Págs. 1 e Economia B1 e B3)

Votação das sanções ao Irã fica para junho

Apesar do acordo entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, as novas sanções ao Irã devem ser votadas apenas em junho quando o Líbano, contrário a elas, deixará de presidir o conselho. Seu substituto será o México, que apoia os EUA. Ainda assim não está claro se os americanos e seus aliados conseguirão o número suficiente de votos. O governo iraniano ironizou a iniciativa dos EUA e previu seu fracasso. (Págs. 1 e Internacional A16 e A17)

Brasil foi surpreendido com anúncio de Teerã

Funcionários brasileiros admitiram que o governo foi surpreendido quando o Irã disse que continuaria a enriquecer urânio em até 20%, fragilizando o acordo com o país. (Págs. 1 e Internacional A18)

Foto legenda: Mães em busca dos filhos

Laura Fattal, Nora Shourd e Cindy Hickey, mães de três alpinistas americanos detidos no Irã há quase um ano, chegam a Teerã para tentar libertar os filhos; acusados de espionagem, foram presos ao entrar no Irã, vindos do Iraque, supostamente por engano. (Págs. 1 e Internacional A17)

Receita diz que fechará cerco a ricos

O cerco da Receita às grandes empresas vai se fechar também sobre os cidadãos mais ricos do País. O secretário Otacilio Cartaxo disse ontem que o órgão já está mapeando os maiores contribuintes pessoas físicas do Brasil. (Págs. 1 e Economia B10)

Aluno terá de pagar R$ 8 mil por bullying

Um estudante da 7ª série de um colégio particular de Belo Horizonte foi condenado a pagar indenização de R$ 8 mil pela prática de bullying contra uma colega de sala. O advogado que representa os pais do adolescente classificou de "absurda" a decisão. (Págs. 1 e Vida A28)

Repressão deixa 12 mortos na Tailândia (Págs. 1 e Internacional A19)

Produção de carro elétrico terá incentivo (Págs. 1 e Economia B16)

Notas & Informações: A resposta americana

Os EUA agradeceram, mas mantiveram posição de impor sanções ao Irã. (Págs. 1 e A3)

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Valor Econômico

Manchete: Festival de emendas dobra renúncia fiscal da MP 472

Editada pelo governo federal com o intuito de conceder cerca de R$ 3 bilhões em benefícios fiscais a diversos setores da economia, a Medida Provisória 472 foi aprovada ontem na Câmara com 43 das 53 emendas incluídas pelos senadores - que, por baixo, dobram a renúncia fiscal. O texto tinha inicialmente 15 temas, o Senado introduziu mais 25, com uma enorme variedade de favorecidos: União, Estados, municípios, empresários, funcionários públicos, agricultores, índios, analistas do mercado financeiro, entidades filantrópicas e técnicos contábeis. Na Câmara, a MP chegou com 61 artigos e teve duas emendas sem ampliar benefícios. Aprovada, seguiu para o Senado, de onde voltou com mais 101 artigos.

Nas duas Casas o apoio foi praticamente unânime, de governistas e da oposição. A única emenda que caiu ontem foi a que criava o Conselho Nacional de Política Indigenista - o que foi considerado uma vitória pelas dezenas de índios contrários à sua criação, que desde cedo pressionaram os parlamentares com gritos de guerra e ameaças nos corredores do Congresso. (Págs. 1 e A6)

BCs também estão ariscos com o euro

Alguns dos maiores bancos centrais e administradores de recursos do mundo estão perdendo cada vez mais a confiança no euro, o que representa uma ameaça para o futuro da moeda comum.

Até agora, durante um mês de queda da moeda, a atenção esteve nos fundos de hedge, que estão vendendo ativos europeus, mas bancos centrais e grandes gestores têm uma influência muito maior sobre o câmbio. O BC da Coreia do Sul, que tem cerca de US$ 270 bilhões em reservas, afirmou recentemente que os problemas com dívidas soberanas na zona do euro tornam a moeda menos atraente como reserva. E a Rússia, com US$ 400 bilhões, informou que trocou parte de suas reservas em euro para outras moedas em 2009. (Págs. 1, C1, C2, C5 e C9)

País quer mais poder na cena global, diz Lula

O Brasil quer conquistar no cenário político internacional a mesma relevância que vem ganhando na economia mundial, ao crescer a taxa anual que se aproximou de dois dígitos no primeiro trimestre, enquanto os países desenvolvidos, principalmente da Europa, ainda tentam encontrar saídas para a crise. Esse foi, em resumo, o recado deixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua passagem de dois dias por Madri.

Em seu último compromisso, Lula permaneceu por seis horas com cerca de 150 empresários espanhóis no seminário sobre investimentos no Brasil promovido pelo Valor e o diário "El País". Em encontro reservado com editores dos dois jornais, Lula fez críticas ao ceticismo com que foi recebida em alguns setores sua intermediação no conflito gerado pelo programa nuclear do Irã, particularmente nos EUA. "Ninguém gosta de um novo ator. Mas onde está escrito que os Estados Unidos são o xerife do Oriente Médio e do mundo?" (Págs. 1 e Especial Brasil - Espanha)

Foto legenda: Lula: o mundo já não é o mesmo do tempo em que "as decisões eram tomadas por Churchill, Stalin e Roosevelt em torno de uma garrafa de uísque"

SAP quer fazer parcerias com concorrentes no Brasil

Bill McDermott, coexecutivo-chefe da SAP, tem um recado para as empresas brasileiras de software empresarial, em especial a Totvs, líder no mercado nacional. A companhia alemã afirmou ao Valor que está disposta a firmar parcerias com concorrentes nacionais para ampliar suas operações no país.

"O Brasil é o país onde mais crescemos nos últimos três anos no mundo", disse. "Temos um time muito forte no país e há uma grande possibilidade de trabalharmos junto com fornecedores locais de software, como parceiros. Vamos procurar uma maneira de fazer isso". (Págs. 1 e B3)

Mudança contábil explica quase metade do lucro

A decisão da Oi de aumentar sua previsão da vida útil econômica dos ativos imobilizados - de 5 para 10 anos no caso de equipamentos de comutação - foi responsável por quase metade do lucro líquido no primeiro trimestre. A mudança contábil gerou um efeito positivo no primeiro trimestre de R$ 352 milhões. No ano, deve ser de R$ 1,1 bilhão.

Os analistas entenderam que a Oi antecipou mudanças contábeis obrigatórias só para os balanços de 2010. Mas a empresa explicou que foi apenas uma decisão da administração, ligada ao processo de compra e incorporação da BrT. (Págs. 1 e D3)

Senado aprova por unanimidade o projeto Ficha Limpa (Págs. 1 e A9)

Expansão ferroviária

O governo vai licitar 1,6 mil km de ferrovias em junho, um investimento de R$ 6,4 bilhões. Participação do setor na matriz de transportes deveria ser de 35% até 2020. (Págs. 1 e A2)

Locação de automóveis avança

As locadoras de veículos no país encerraram o ano passado com faturamento de R$ 4,3 bilhões, alta de 9,5%. Até a Copa de 2014, o crescimento anual estimado será de 15%. (Págs. 1 e B8)

Previ tenta reerguer Sauípe

A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, assume gestão do complexo hoteleiro da Costa do Sauípe e investe para tentar
"relançar" o empreendimento. (Págs. 1 e B8)

Expansão submarina

Há 15 anos no Brasil, a norueguesa Subsea 7, especializada em montagens submarinas para a indústria de petróleo, investe em sua terceira unidade no país, no litoral paranaense. (Págs. 1 e B10)

Commodities também recuam

Os contratos de commodities metálicas em Londres e Nova York acompanham o mau humor dos mercados acionários e a tendência de curto prazo é de queda. (Págs. 1 e B11)

Moagem antecipada

Estimativa da Datagro aponta alta de 11,6% no processamento de cana pelas usinas do Centro-Sul no atual ciclo 2010/11. A safra também será mais alcooleira, com 58,3% da cana destinada à produção de etanol. (Págs. 1 e B14)

Teste de resistência

Enquanto a bolsa derrete, os fundos de ações registram saques relativamente modestos. Mas as fortes perdas das últimas semanas têm assustado investidores novatos, como a dona de casa Nilza Rocha. (Págs. 1, D1 e D2)

Menos fiscalização

Os conselhos fiscais estão saindo de moda. Contrariando tendência dos últimos anos, o saldo das assembleias em 2010 foi retração de 205 para 188 órgãos instalados. (Págs. 1 e D3)

Festa da 'firma' gera hora extra

Decisão recente da 6ª Turma do TST determina que funcionários têm direito a horas extras pelo comparecimento em festas, cursos e viagens realizadas pelas empresas. (Págs. 1 e E1)

Ideias

José Roberto Campos
Governos da zona do euro precisam desesperadamente de mais receitas e crescimento, não de fortes cortes de déficits. (Págs. 1 e A2)

Ideias

Maria Inês Nassif

PSDB domina a política estadual paulista desde 1994 e define também uma reserva de poder para poucos. (Págs. 1 e A6)
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RADIOBRAS

quarta-feira, maio 19, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] ''EMOBRAS''

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[Homenagem aos chargistas brasileiros].
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ELEIÇÕES 2O1O [In:] FICHA LIMPA ou ''FAIR PLAY'' ?

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Jogadas da coluna

Roberto Damatta/Estadão.


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O projeto Ficha Limpa é da mesma linhagem do Plano Real. Trata-se de uma norma preliminar, sem a qual o jogo se torna impossível. O dado mais importante de uma economia capitalista é o valor do dinheiro; de uma democracia liberal é a figura da representação, quando alguns são transformados pelo simbolismo político moderno fundado na escolha e na quantidade, numa pessoa única. O representar é uma incorporação livre e voluntária, como queria o bíblico Hobbes.

É uma delegação dada a um outro cidadão, de decidir sobre assuntos que o "nosso" grupo concorda. Como, pois, se deixar representar por canalhas e criminosos? O que representa um bandido com ficha na polícia, mas protegido pelo Parlamento?

Esse projeto tem repercussões entre os partidos e, como toda lei, não resolve nada enquanto não for honrada com sua aplicação ao real, punindo tanto os outros quantos os nossos. Isenção, sem a qual, as virtudes cívicas do altruísmo ? que Rousseau queria transformar em religião ? não superam o jogo da politicagem rasteira como rotina, como testemunhamos neste fim de governo.

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O ilustre líder do governo no Senado, Romero Jucá, traduziu esplendidamente a ética governista. Como o projeto Ficha Limpa é da sociedade, o governo não tem obrigação de apoiá-lo. A prioridade é o pré-sal que vai salvar o Brasil, transformando todo mundo em funcionário público, como na Grécia e em Portugal. Parece que o senador entrou na minha obra. O que ele disse confirma a separação radical entre Estado e sociedade vigente no Brasil. Nós, com uma carga tributária fenomenal, trabalhando para a máquina de barganhas e ineficiências que constitui o Estado nacional. É um retrato brilhante deste governo, sempre dividido entre "nós" e "vocês", como diz reiteradamente a candidata-Lula.
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GOVERNO LULA/SARNEY´s [In:] ''AMIGOS DE FÉ..."

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PT volta atrás e agora quer apoiar Roseana no Maranhão

Partido havia aprovado, em março, aliança com o PCdoB no Estado para sucessão de governadora

18 de maio de 2010 | 21h 11


Vera Rosa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo


Preocupada com o novo foco de incêndio político na campanha de Dilma Rousseff à Presidência, a cúpula do PT fará intervenção branca no Maranhão para obrigar o partido a apoiar a candidatura à reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB).

O primeiro passo do roteiro combinado com o Palácio do Planalto será suspender o Encontro Estadual do PT, marcado para sábado e domingo, sob o argumento de que haverá confronto entre as alas petistas. O último encontro, no dia 27 de março, havia aprovado a aliança com o deputado Flávio Dino (PC do B-MA) para a sucessão de Roseana.

Agora, a estratégia autorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva consiste em empurrar a decisão sobre a chapa ao governo do Maranhão para o Diretório Nacional do PT, que vai se reunir em 12 de junho, véspera da convenção que homologará a candidatura de Dilma.

Sob pressão do Planalto, o diretório deverá dar sinal verde à coligação com Roseana, desmontando a parceria com o comunista Dino. Motivo: Lula quer palanque único para Dilma no Maranhão e alega que precisa do apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pai de Roseana.

Creolina. A manobra, porém, não ocorrerá sem traumas. "Pode ter morte no Maranhão", ameaçou o deputado Domingos Dutra (PT), que ocupou ontem a tribuna da Câmara para protestar contra a suspensão do encontro. "Se houver alguma tragédia lá, a responsabilidade será de Sarney, Roseana e da turma do PT que quer vender o partido."

O PT do Maranhão é dividido em duas correntes e uma delas ocupa cargos no governo Roseana. Pelo script acertado com Lula, a Executiva Estadual do PT vai aprovar resolução, hoje, suspendendo o encontro que indicaria o vice de Dino e os candidatos ao Senado, à Câmara e à Assembleia Legislativa.

Em rota de colisão com o comando petista, Domingos Dutra está organizando um ato político para sexta-feira, em São Luiz, que promete pôr mais combustível na crise. "Nós vamos lavar a estrela do PT com creolina para tirar a catinga dos Sarney", anunciou ele. "Ninguém entende por que Dilma não pode ter dois palanques no Maranhão se essa prática vai ocorrer em nove Estados. Dois palanques dão mais votos do que um."

Magoado, Dino afirmou que a cúpula do PT não pode "simplesmente ignorar" a decisão do partido de aderir à sua candidatura. "Isso seria um desrespeito a um aliado, um ato de violência, uma espécie de golpismo."

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GOVERNO LULA/LULA [In:] 'TÔ NEM AÍ, ´TÔ NEM AÍ... *

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Lula recebe a 3ª multa por propaganda antecipada

Valor Econômico - 19/05/2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi multado, ontem, pela terceira vez, por propaganda antecipada, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os ministros decidiram, por quatro votos a três, que Lula agiu incorretamente ao pedir para fazer a sua sucessora durante um evento do governo, no interior de Minas Gerais, em fevereiro.

A multa tem pequeno valor - R$ 5 mil -, mas a decisão mostra que o TSE caminha para ser cada vez mais rigoroso com Lula e a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, o que, no limite, pode levar ao julgamento da própria candidatura da ex-ministra-chefe da Casa Civil.

No processo julgado ontem, o relator, ministro Aldir Passarinho Junior, que já havia decidido contra o pedido feito pelo PSDB, pelo DEM e pelo PPS para que Lula fosse condenado, mudou radicalmente de posição. Em 12 de março, Passarinho afirmou que Dilma não foi sequer citada por Lula durante a inauguração das obras. Ontem, ele mudou de posição. "Eu peço vênia a mim mesmo", disse o ministro do TSE. "Entendo que houve a propaganda antecipada em razão dessa interação entre a fala do representado (Lula) e o público presente", concluiu.

A frase que pesou no julgamento foi a seguinte: "Nós vamos fazer a sucessão neste país porque esse país não pode retroceder, voltar atrás como se fosse um caranguejo".

Os ministros Passarinho, Cármen Lúcia Antunes Rocha, Arnaldo Versiani e Marco Aurélio Mello concluíram que o ato de inauguração de obras foi convertido numa espécie de comício. "O que se busca é o princípio da isonomia que, no caso, é quebrado porque, ao se fazer uma inauguração de obra pública, promove-se alguém", disse Cármen Lúcia. "Tudo ocorreu em cima da exaltação da figura da pré-candidata que se encontrava no evento ainda detendo, naquela altura, a cadeira de auxiliar como ministra-chefe", completou Marco Aurélio.

Já os ministros Marcelo Ribeiro, Fátima Nancy Andrighi e o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, foram contrários à multa. Lewandowski argumentou que o tribunal não tinha esse entendimento rigoroso antes e, por isso, Lula não teria como ser punido por práticas que a Justiça Eleitoral não condenava na época em que ele fez os discursos. Essa jurisprudência foi alterada entre março e abril. O evento em Minas ocorreu em fevereiro.

Mas, nesse caso, como nos dois anteriores, Lula perdeu por quatro votos a três no TSE. Entre março e abril, o presidente já foi multado em R$ 5 mil e em R$ 10 mil por antecipar a campanha durante inaugurações de obras. Na quinta-feira, Dilma foi condenada a pagar R$ 5 mil por conta da exaltação de seu nome em horário do PT. No mesmo dia, o PT foi condenado a pagar R$ 20 mil por usar o seu horário a favor de Dilma.

Outras punições podem surgir em breve, rumando, no limite, para o julgamento da própria candidatura de Dilma à Presidência. Na noite de segunda-feira, o PSDB pediu ao TSE a aplicação de multa de até R$ 250 mil por conta do horário eleitoral do PT de quinta-feira, que foi quase inteiramente dedicado a falar de Dilma e a enaltecer o governo Lula. Na ação, os tucanos pedem ainda que o PT fique sem o direito de exibir propaganda partidária no segundo semestre de 2011.

Em outra decisão tomada ontem, o PT perdeu novamente: foi negado pedido para retirada do site do PSDB do ar. Neste caso, o PT alegou que o PSDB fez campanha antecipada em seu site ao veicular críticas contra Dilma. Mas, para o ministro Joelson Dias, o fato de os tucanos criticarem Dilma não configura propaganda eleitoral. Segundo ele, "críticas à ação administrativa do governo são inerentes à atividade política".

"A propaganda eleitoral, tanto positiva quanto negativa, ainda não pode ser realizada, pois a legislação só a permite a partir de 6 julho", escreveu Dias. Mas, a Constituição "garante a todos o direito de crítica, em respeito à liberdade de manifestação do pensamento", continuou o ministro.

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(*) Luka.

''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''

19 de maio de 2010

O Globo

Manchete: ONU ignora acordo e já debate sanções ao Irã

China apoia punição, mas diz que população não pode ser prejudicada

Um dia após o Irã assinar com Brasil e Turquia um acordo de enriquecimento de urânio fora do país, os EUA anunciaram ontem ter obtido apoio dos outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para novas sanções ao regime iraniano. Tanto a Rússia quanto a China, que relutavam, deram consentimento. Mas Pequim ressaltou que as punições não podem atingir a população iraniana e que seu objetivo é levar o Irã de volta à mesa de negociações. O chanceler Celso Amorim e seu colega turco vão enviar carta à ONU explicando o acordo. (Págs. 1, 29 e 30, editorial "A motivação de um plano temerário" e Zuenir Ventura)

Amorim: China e Rússia elogiaram

O ministro Celso Amorim disse ter ouvido elogios dos chanceleres de China e Rússia ao acordo mediado pelo Brasil. Ele alertou que ignorar o acordo seria desprezar uma solução pacífica: "Aqueles que desprezaram essa chance assumirão suas responsabilidades." (Págs. 1 e 30)

Aeroportos terão obras sem licitação

Medida provisória autoriza Infraero a gastar quase R$ 5 bi com reforma de terminais para a Copa

Com atraso no cronograma de obras para a Copa de 2014, o governo decidiu autorizar a Infraero a contratar serviços de engenharia em regime de urgência, sem precisar cumprir a lei 8.666, que exige licitação. Ao todo, nas 12 cidades-sede da Copa, deverão ser gastos quase R$ 5 bilhões em reformas de terminais. O maior volume será destinado a Guarulhos, em São Paulo. A alternativa encontrada pelo governo foi incluir a permissão na medida provisória 489, que trata das Olimpíadas. (Págs. 1 e 23)

Com as vendas em alta, já começam a faltar produtos da Copa: de televisores a camisas. (Págs. 1 e 24)

STJ assumirá caso dos falsos e-mails no Rio

Foi enviado ao Superior Tribunal de Justiça o inquérito sobre o suposto envolvimento do desembargador Roberto Wider, do TJ, no caso de envio de falsos e-mails a 180 juízes em nome de repórter do GLOBO. (Págs. 1 e 3)

PMDB formaliza indicação de Temer para vice de Dilma (Págs. 1 e 4)

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Folha de S. Paulo

Manchete: Com nova Telebrás, teles temem perder R$ 20 bi

Cerca de 20% do faturamento de companhias vem de contratos públicos

As companhias telefônicas temem perder R$ 20 bilhões por ano com a volta da Telebrás. O valor se refere aos contratos com a administração pública (federal, estadual e municipal e estatais) -20% do faturamento líquido das teles em 2009.

Segundo a Folha apurou, a resistência das teles ao Plano Nacional de Banda Larga vem do receio de perder as contas de governo, não da eventual atuação da Telebrás na oferta de acesso à internet a usuários finais em locais remotos.

As operadoras alegam que atender à administração pública foi determinante em seus planos de negócios quando participaram da privatização, em 1998.

Para Rogério Santanna, presidente da estatal, as teles deveriam se preocupar com os valores que cobram dos outros clientes. Com a Telebrás no mercado, "terão que baixar". (Págs. 1 e B1)

EUA lançam proposta para novas sanções contra o Irã

Um dia após Brasil, Turquia e Irã anunciarem acordo para destravar o impasse nuclear, os EUA propuseram novas sanções contra Teerã, com o endosso dos outros integrantes do grupo P5+ l - França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha.

Na opinião do chanceler Celso Amorim, houve precipitação. A embaixadora do Brasil na ONU se retirou no meio da reunião. (Págs. 1 e A11)

TSE dá terceira multa a Lula e pune instituto de pesquisa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi multado pela terceira vez pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por propaganda eleitoral antecipada para a pré-candidata Dilma Rousseff (PT). Lula vai ter de pagar R$ 5.000.

O TSE também multou, em R$ 53 mil, o Instituto Sensus, por desrespeitar prazo entre registro e divulgação de pesquisa. Nos dois casos, cabe recurso. (Págs. 1 e A4)

Pais de aluno vão ter de indenizar professora no RS

A Justiça gaúcha mandou os pais de um adolescente de 13 anos que agrediu a professora na escola, há quase dois anos, pagarem a ela R$ 2.000 de indenização.

A agressão ocorreu numa escola estadual de Jaguarão (383 km de Porto Alegre). Os pais dizem que não pretendem recorrer. (Págs. 1 e C5)

Anvisa proíbe propaganda do Alpino líquido

Estão proibidas desde ontem as propagandas da bebida Alpino Fast que induzam os consumidores a acreditar que o produto tem o chocolate de mesmo nome.

O caso foi revelado pela Folha. A medida da Anvisa prevê multa de até R$ 1,5 milhão. A Nestlé tem 15 dias para recorrer. (Págs. 1 e C3)

Editoriais

Leia "O acordo" sobre ação diplomática do Brasil com Irã; e "São Paulo saturada", acerca de corredores de ônibus. (Págs. 1 e A2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: BC projeta crescimento de 9,85% no trimestre

Novo índice capta aceleração acima das previsões; arrecadação de impostos sobe 16,75% em abril
O índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), criado para tentar antecipar o resultado do PIB e subsidiar a política de juros, mostrou que a economia teve alta de 9,85% no primeiro trimestre ante igual período de 2009. O resultado é superior ao que a maioria dos analistas e a Fazenda estão projetando - na casa dos 8%. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o IBC-Br teve expansão de 2,38%, o que significa, em termos anualizados, crescimento próximo de 10%. O dado reforça a análise de que a economia está em um ritmo muito forte neste início de ano e que é necessário colocar um freio no nível de atividade. O crescimento fez a arrecadação da Receita Federal crescer 16,7S% em abril sobre igual período de 2009, atingindo R$ 70,9 bilhões, o melhor resultado para o mês. (Págs. 1 e Economia B1 e B3)

EUA ignoram acordo e propõem sanções ao Irã

Hillary elogia 'esforço sincero' de Brasil e Turquia, mas defende resolução 'forte' e diz ter apoio de China e Rússia no Conselho de Segurança da ONU

Um dia depois de Brasil e Turquia celebrarem um acordo com o Irã, os EUA apresentaram ontem uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que prevê sanções contra o regime iraniano por causa de seu programa nuclear. A medida tem apoio de todos os membros permanentes do conselho - EUA, Grã-Bretanha, China, Rússia e França, que têm poder de veto. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse "reconhecer os sinceros esforços" de brasileiros e turcos, mas afirmou que há necessidade de buscar uma resolução com punições
“fortes". A ação dos americanos irritou o governo brasileiro. O chanceler Celso Amorim declarou que "ignorar o acordo (com o Irã) é desprezar a busca de uma solução pacífica e negociada". (Págs. 1 e Internacional A12 a A14)

Reação turca

As potências nucleares não têm credibilidade para fazer cobranças, disse o governo turco. (Págs. 1 e Internacional A12)

Trem-bala terá modelo inédito de financiamento

Um modelo inédito para tornar viável a construção do trem de alta velocidade ligando o Rio a São Paulo e Campinas está em estudo pelo governo. A obra terá financiamento do Tesouro Nacional, em operação compartilhada com o BNDES, informa Irany Tereza. O banco deverá incluir, também pela primeira vez, uma cláusula especial que permite renegociar a divida caso o fluxo de passageiros fique abaixo do previsto e a receita seja comprometida. As condições do empréstimo só serão divulgadas junto com o edital de licitação, que ainda está cm análise. (Págs. 1 e Economia B8)

R$ 36,4 bilhões é a previsão de custo do projeto do trem-bala, que não deve ficar pronto a tempo para a Copa de 2014

Coquetel pode ser usado para evitar a aids

O governo cogita ampliar a indicação de antirretrovirais no País: além de tratar pacientes, o coquetel seria usado para evitar contágio pelo HIV. Comitê avaliará em junho medidas como antecipar o início da terapia de soropositivos e a indicação do coquetel logo após a pessoa se submeter a situação de risco, como relação sexual sem proteção. (Págs. 1 e Vida A16)

PMDB indica Temer para vice de Dilma

A Executiva Nacional do PMDB decidiu, por aclamação, levar a proposta de aliança formal com o PT à convenção do partido, em 12 de junho. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), ocupará o posto de candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. A aliança com o PMDB renderá a Dilma mais 5min47s diários no horário eleitoral da televisão. (Págs. 1 e Nacional A4)

PF prende acusados de vender sentenças (Págs. 1 e Nacional A10)

Palocci é condenado a devolver R$ 400 mil (Págs. 1 e Nacional A6)

Roberto DaMatta: Politicagem rasteira

Como se deixar representar por canalhas e criminosos? O que representa um bandido com ficha na polícia, mas protegido pelo Parlamento? (Págs. 1 e Caderno 2 D14)

Dora Kramer: A pena vale a pena

Foi tão vantajosa a aposta do PT de transformar seu programa partidário em propaganda de Dilma que a oposição fará o mesmo com Serra. (Págs. 1 e Nacional A8)

Notas & Informações: Sinais de superaquecimento

Em 2008 a economia do país crescia em ritmo dificilmente sustentável. Isso parece se repetir. (Págs. 1 e A3)

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Valor Econômico

Manchete: Lucro das empresas cresce 57% no primeiro trimestre

Um ano depois do auge da crise internacional, o resultado das companhias abertas no primeiro trimestre mostra que as empresas voltaram rapidamente aos tempos dos bons lucros. Houve crescimento em todas as linhas dos balanços, considerando 231 empresas, exceto as de intermediação financeira e as gigantes Vale e Petrobras - que por seu tamanho distorcem a amostra.

Conforme estudo do Valor Data, o lucro líquido das companhias registrou um salto de 57,3%, alcançando R$ 13,9 bilhões. A evolução é significativamente maior que a da receita líquida, que foi de 16,5% e somou R$ 172,5 bilhões. (Págs. 1 e D1)

Crise europeia pinta cenário negro na bolsa

A queda de 3,22% da bolsa ontem, que levou o Ibovespa de volta à casa dos 60 mil pontos pela primeira vez desde 28 de outubro, reacendeu os temores de que a crise na Europa tenha reflexos mais fortes no mercado local. Gestores de recursos se mostram céticos com o pacote de socorro à Grécia e veem riscos de contágio para outros países da região, o que agravaria o marasmo econômico no continente e reduziria o crescimento global este ano.

A perspectiva é que o Ibovespa siga em queda nos próximos dias, aponta Roseli Machado, responsável pela Fator Administração de Recursos (FAR). A possibilidade de recuo mais acentuado da bolsa, para a casa dos 50 mil pontos, já é vista como factível por parte dos analistas. Para os grafistas, os 60 mil pontos é um nível a se observar com atenção. Se o índice romper essa marca, é provável que siga em baixa até os 52 mil pontos, o que significaria uma queda de 14,53% frente ao fechamento de ontem. (Págs. 1 e D2)

BNDES luta para deixar o Independência

O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recorreu à câmara arbitral da Bovespa para tentar recuperar R$ 250 milhões que investiu em novembro de 2008 ao comprar uma participação que representa entre 11% e 13% no frigorífico Independência, pouco antes de a empresa entrar com pedido de recuperação judicial, em fevereiro de 2009. Fontes do setor informam que o BNDES quer sair do capital do frigorífico. Por isso, seus controladores buscam um investidor para comprar a participação. No ano passado, o banco já tinha aberto processo judicial contra a empresa. (Págs. 1 e B12)

Foto legenda: Parceria em larga escala

Shamanna Balasubramanya, que em junho assumirá a presidência da Tata Consultancy Services no Brasil, pretende aumentar a integração com outros países da América Latina. Além de trocar tecnologia, também pretende 'exportar' brasileiros para projetos no exterior. (Págs. 1 e B1)

Presidenciáveis querem taxar minério

As mineradoras devem enfrentar um problema adicional no próximo governo. Tanto o pré-candidato tucano, José Serra, quanto a petista Dilma Rousseff e a senadora Marina Silva (PV-AC) já se posicionaram a favor do aumento da cobrança de royalties sobre minérios. A questão está mais avançada na pré-campanha de Dilma e já está marcada uma reunião para definir a proposta para o setor mineral. Serra afirmou pelo menos três vezes que vai elaborar uma proposta sobre o tema e mencionou que a receita dos municípios com a exploração mineral em todo o Estado de Minas Gerais é menor do que Macaé (RJ) recebe pelo petróleo. (Págs. 1 e A14)

Seminário discute investimento espanhol

O Valor e o jornal "El País" promovem hoje, em Madri, o seminário "Brasil: Parceria para uma Nova Economia Global", que reunirá investidores, empresários e executivos brasileiros e espanhóis. Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros da área econômica, o seminário discutirá oportunidades para investimentos espanhóis no Brasil.

No evento, os participantes receberão a revista especial bilíngue
"Brasil-Espanha", que identifica as afinidades entre os dois países e as possibilidades de crescimento dos investimentos espanhóis na economia brasileira. Mostra, ainda, que multinacionais brasileiras usam a Espanha como entrada para a Europa. A revista circula hoje para os assinantes do Valor. (Pág. 1)

União Europeia aperta o controle de fundos de hedge e private (Págs. 1 e C10)

Venezuela cria sistema de banda para tentar deter a desvalorização do bolívar (Págs. 1 e A11)

Arrecadação bate novo recorde

O aquecimento da atividade econômica fez a arrecadação federal somar R$ 70,9 bilhões em abril, valor recorde para o mês, com aumento real de 16,7% sobre igual período de 2009. (Págs. 1 e A4)

Ganhos de escala

Animadas com o crescimento do mercado imobiliário, principalmente nos segmentos mais populares, fabricantes de metais desenvolvem linhas específicas para a classe média. (Págs. 1 e B1)

Aquisição em TI

A Senior Solution, empresa brasileira líder no segmento de softwares e serviços de TI na área financeira, anuncia hoje a compra da consultoria Controlbanc. O valor do negócio não foi divulgado. (Págs. 1 e B2)

Exploração amazônica

A brasileira HRT Oil & Gas fechou contrato com a canadense Tuscany para construção e posterior aluguel de duas sondas de perfuração que serão utilizadas em blocos exploratórios na bacia do rio Solimões, no Amazonas. (Págs. 1 e B7)

Abertura açucareira

Governo cubano negocia a entrada de grupos privados estrangeiros no setor sucroalcooleiro do país, que chegou a ser o maior exportador de açúcar do mundo, mas terá o pior resultado em mais de cem anos. (Págs. 1 e B11)

Brasil agora apoia Moreno

Brasil muda de posição e passa a apoiar a reeleição do colombiano Luis Alberto Moreno à presidência do BID, em troca de agilidade na concessão de financiamentos para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. (Págs. 1 e C2)

Rolagem sem crise

A crise na Europa não prejudicou a captação de recursos dos grandes bancos brasileiros. As taxas dos CDBs são hoje muito inferiores às do segundo semestre de 2008. (Págs. 1 e C3)

Ideias

Martin Wolf
É errada a visão de que, caso as regras fiscais tivessem sido seguidas na zona do euro, agora tudo estaria bem. (Págs. 1 e A13)

Ideias

Cristiano Romero
O grande desafio dos fundos de pensão será se preparar para o novo momento da economia brasileira. (Págs. 1 e A2)
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RADIOBRAS.
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terça-feira, maio 18, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] TOMBO DA PAZ

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[Homenagem aos chargistas brasileiros].
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EM TEMPO [In:] CIDINHA CAMPOS

Um discurso que traduziu a indignação com a roubalheira

14 de maio de 2010

Na tarde de 24 de março, a deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ) subiu correndo a escadaria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para chegar a tempo de, aproveitando um debate sobre a produção de leite, denunciar os adultos que “mamam”. Num veemente discurso de sete minutos, a parlamentar protestou contra a candidatura do colega José Nader Junior (PTB) a uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Cidinha qualificou-o de corrupto e estendeu a acusação ao pai, também ex-deputado e ex-conselheiro do TCE.

Em 9 de abril, 16 dias depois do libelo de Cidinha, a Mesa Diretora considerou José Nader Junior inabilitado para concorrer à vaga de conselheiro do TCE. “Foi um discurso que teve resposta”, anima-se a deputada. O recurso apresentado por José Nader foi rejeitado pelo plenário.

O deputado Luiz Paulo (PSDB), corregedor da Alerj, recomendou a abertura de processo de cassação contra Nader. Na sexta-feira passada, o relatório da corregedoria foi apreciado pela Mesa Diretora da Assembleia. Compareceram apenas 8 dos 13 integrantes. Quatro votaram pela aceitação do processo, quatro votaram contra. O presidente Jorge Picciani (PMDB) desempatou a favor do parecer da corregedoria. Em 60 dias, o Conselho de Ética decidirá se o caso será ou não objeto de votação no plenário.

O futuro de Nader é incerto. O discurso de Cidinha Campos já se transformou numa peça histórica. Daqui a muitos anos, continuará ajudando a entender o Brasil da Era da Mediocridade.



IRÃ/ACORDO NUCLEAR [in:] O ''BOOM'' DA BOMBA

Por Reinaldo Azevedo/VEJA.

OS TRÊS PATETAS

terça-feira, 18 de maio de 2010 | 6:07

Líderes celebram o acordo nuclear com o Irã

Líderes celebram o acordo nuclear com o Irã. Dia de gala para o governo Lula

O grande pensador sobre energia nuclear no governo Lula é o vice-presidente, José Alencar. E a razão é simples: ele é claro. Há dias, defendeu que a bomba nuclear pode ser apenas dissuasória — vale dizer, ela desestimularia a ação de certos países beligerantes. Assim, Alencar cravou um conceito novo nesse debate, que é a chamada “Bomba Nuclear para Fins Pacíficos”, que substitui o ultrapassado conceito da “energia nuclear para fins pacíficos”. É o fundo do poço em matéria de política externa.

E como esse pensamento triunfou nas negociações que Brasil e Turquia empreenderam com o Irã, aconteceu o óbvio: hoje, o Mahmoud Ahmadinejad está um pouco mais perto da bomba do que antes. E contou com a inestimável ajuda do Brasil. Lula apostou que o mundo cairia de joelhos; em vez disso, os presidentes do Brasil e da Turquia estão a um passo de ser ridicularizados. A reação foi de incredulidade — em muitos casos, de ironia. O próprio governo do Irã explicitou a trapaça poucas horas depois do anúncio do acordo: continuaria a enriquecer urânio, apesar da troca mediada pela Turquia. E já se sabe que as restrições à atuação da Agência Internacional de Energia Atômica continuam. Se Lula atuou para tornar mais distantes as sanções, que são instrumentos da paz, então deixou o Oriente Médio, e o mundo, mais perto da guerra. Eis o pacifista das esferas.

O truque foi malsucedido. Aquela retórica típica do lulismo, que trata verdades como mentiras e mentiras como verdades, que funciona tão bem no mercado interno das idéias, esfarelou-se no mercado externo. Até mesmo a Rússia, não exatamente interessada em endossar a liderança dos EUA no sistema de segurança global, reagiu com menoscabo, desprezo quase, ao anunciou pateticamente tonitruante dos “negociadores”, com a sua coreografia de periféricos orgulhosos, com as mãos unidas e para o alto, anunciando a vitória do perigo.

Lula viajou, sim, ao Irã com a promessa de ser, quem sabe?, um negociador de peso no cenário mundial; volta do tamanho das escolhas que fez: é o amigo do Irã. No seu cesarismo tosco, endossado pelos aloprados do Itamaraty, prefere certamente ser o primeiro num grupo de nações mais ou menos delinqüentes, em suposta rota de colisão com os “donos do mundo”, a ser um dos dez da ordem global. Tornou-se um bobo da corte em escala internacional.

É claro que a existência de um suposto acordo, que agora será avaliado pela AIEA, dá fôlego ao Irã. Conceder na troca do urânio enriquecido a 3,5% pelo outro a 20% é só uma “concessão” que o país já havia decidido fazer, sem que isso implicasse, diga-se, o fim das querelas. Esse era só o gesto de boa vontade que se esperava do governo Ahmadinejad em outubro do ano passado para que começasse a conversa. Chegou a aceitar a proposta, com a Rússia, então, no papel que agora está reservado à Turquia. Recuou e passou a fazer ameaças novas.

O governo brasileiro, agora, tenta vender a questão como “a” resposta que faltava. O minueto dançado por Lula e Ahmadinejad, com a assistência da Turquia, foi explícito: são dois “líderes”, imaginem vocês!, apoiando-se mutuamente na tentativa de acuar os EUA, demonstrando, então, que uma suposta nova ordem mundial estaria em construção. A piada não chega a ser macabra porque ela só consegue ser ridícula. A AIEA deve afirmar, claro, que não deixa de ser um avanço o dito acordo, ciente, no entanto, de que nada aconteceu. Celso Amorim, com o seu rebolation retórico, afirmou que o objetivo do suposto acordo é “restabelecer a possibilidade de reabrir as negociações”. Seja lá o que isso signifique.

No mundo, os críticos mais acerbos da atuação de Lula erram apenas num particular: ele não é o “inocente” útil da jogada iraniana. Ao contrário até: é o “culpado” útil. Sabe muito bem o nome do que pratica. O discurso de Ahmadinejad, ontem, em defesa de uma nova ordem mundial que reflita um novo arranjo de nações, diferente do pós-guerra, é, como demonstrei à tarde, clonagem da fala de Lula. Notem que o notório financiador do terrorismo passou a falar como alguém que anseia ter voz no cenário global. Em vez da satanização do Ocidente, e dos EUA em particular, temos o discurso sobre a suposta obsolescência da ordem mundial. E o Irã pretende fazer parte da nova. De que modo? Ora, enfrentando os ditos “donos do mundo” com um programa nuclear que hoje tem no Brasil seu principal, para não dizer ÚNICO, aliado internacional.

Sanções distantes, eventualmente impossíveis, diante de um Irã que não tem razão nenhuma para brecar seu programa nuclear, aproximam ainda mais Israel desse perigoso tabuleiro. E o país vai, e é um dever seu, fazer o que for necessário para se defender se o mundo não conseguir fazer isso antes. A Liga Árabe viu um avanço nas conversações em nota discreta, e o Catar expressou o seu apoio. Os países árabes que contam ficaram de bico calado. Não só porque a maioria não vê com bons olhos o robustecimento militar do Irã, mas porque já perceberam que, na cadeia de eventos possíveis, é razoável supor que Israel considere a bomba iraniana inaceitável.

Não! Lula não conseguiu enganar ninguém, e a saudação no Brasil se restringiu àquele circulo de petista e de subjornalistas que tocam tuba para o governo Lula — alguns o fazem a peso de ouro, naquele encontro sempre muito festivo entre a grana e a subserviência. E a coisa, desta vez, ficou por aí. O Lula festejado mundo afora como o operário que foi ao Olimpo começa a ser visto, para ficar na mitologia, como um daqueles titãs meio medonhos que resolveram escalar de modo atabalhoado a morada de Zeus.

Não deixa de ser útil que o mundo perceba com quem está, de fato, lidando. O governo Obama vai acabar percebendo que, no que respeita à questão política, o lulo-petismo pode ser um adversário muito mais incômodo do que o chavismo — aquele é explícito na sua delinqüência, e a clareza de sua identidade também não alimenta esperanças vãs.

Lula foi ao Irã também em busca de palanque. Nos comícios pró-Dilma, no horário eleitoral gratuito da TV e na rua petista, será saudado como o homem que livrou o mundo de uma guerra, como se ela estivesse aí, a bater à porta da história. E, no entanto, o que se tem é rigorosamente o contrário: sem que o Irã abra mão do enriquecimento de urânio a 20% e sem o amplo acesso da AIEA às instalações nucleares, não se faz um acordo de paz, mas um compromisso de guerra.

PS - Uma das razões da fúria dos inimigos do blog é certa capacidade desta página de enxergar além da neblina. Basta ver o que se andou escrevendo aqui antes do “acordo” micado. Pois que se divirtam com seu ódio.

ELEIÇÕES 2010/SP [In:] ''MARINA, MORENA MARINA...'' (II)

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A POLÍTICA E A COSMÉTICA

terça-feira, 18 de maio de 2010 | 16:01


Não há nada de curioso no fato de a presidenciável do PV, Marina Silva, alérgica a cosméticos, ter com vice Guilherme Leal, presidente do conselho da Natura. Qual a contradição? Ela se diz alérgica a cosméticos, não a bilionários, e, nesse particular, está com Lula.

A propósito: a alergia a “cosméticos” não pertence propriamente ao terreno da medicina; está mais afeita à área, sei lá, político-literária, de construção de personagem. A “cosmética” não é uma substância, mas um ramo da cultura. Afinal, qual é o componente químico universal dos cremes, batons, loções etc. que seria incompatível com Marina?

Que eu saiba, nenhum! Pergunta: a senadora verde é tão alérgica ao Hexylene Glicol quanto ao urucum, ou as virtudes telúricas deste acalmam a sua pele tanto quanto o artificialismo daquele a irritam? Em tempo: não tenho a menor idéia do que seja Hexylene Glicol. Li o nome num frasco de xampu. Nem sei se a Natura substitui o dito-cujo por extrato de umbu.

Vivem-se novos tempos na política. Caso a candidata do PV não seja eleita, eu proponho uma nova experiência no próximo mandato: Marina como vice-presidente da Natura.


Blog

Reinaldo Azevedo/VEJA.

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ELEIÇÕES 2010/SP [In:] MARTA SUPLICY

A primeira-dama das cavalariças

17 de maio de 2010

“Candidato Kassab: por que você tem vergonha de dizer que anda com o Maluf e com o Pitta?”, pôs as mãos nas cadeiras Marta Suplicy no meio do debate na TV. “Eu ando com o Lula”, prosseguiu, com cara de debutante contrariada, a edição vespertina da colegial do Sion. “E tenho muito orgulho das pessoas com quem ando”, encerrou acionando o pisca-pisca das pestanas.

Naquela noite de 2008, o prefeito Gilberto Kassab limitou-se a reiterar o arrependimento que sente por ter chefiado a secretaria municipal de Finanças na administração Celso Pitta. E só registrou de passagem que Mônica Valente, a mulher de Delúbio Soares, era a assessora de estimação da candidata do PT. Um adversário menos clemente iria bem mais longe.

Teria perguntado, por exemplo, se Marta ainda é a melhor amiga de Delúbio, e se continua andando com o companheiro gatuno que, em 2003 e 2004, festejou a seu lado a passagem do ano. Também perguntaria se tem saudade das temporadas em que Delúbio e Mônica Valente se hospedaram na casa alugada no Guarujá por Marta e Luis Favre.

A pose de quatrocentona sempre contracenou sem remorsos com mensaleiros, sanguessugas, aloprados, estelionatários companheiros, punguistas da base alugada ─ todas as vertentes da bandidagem com imunidade têm espaço garantido no palanque de Marta Suplicy. Sempre fez de conta que as vestais com himen complacente não caíram na vida, e portanto merecem conviver com Marta Teresa Smith de Vasconcellos Suplicy.

Antes do debate em que censurou o adversário por equívocos passados, a favorita da delinquência presente expediu a instrução famosa aos flagelados do apagão aéreo: relaxem e gozem. Dias depois do confronto na televisão, ordenou aos eleitores paulistanos que perguntassem ao prefeito por que não era casado e não tinha filhos. Certos filhos, melhor evitá-los, e qualquer solidão é preferível à companhia de um argentino fantasiado de francês, deixou de responder Kassab. As urnas responderam por ele.

Quanto mais idosa fica, menos ajuizada Marta é, comprova a declaração em que absolveu Dilma Rousseff, acusou Fernando Gabeira e condenou-se, de novo, a explicar o inexplicável. Até os bebês de colo e os doidos de pedra sabem de que lado estão os malfeitores em geral, os corruptos em particular e todos os milicianos da esquerda psicótica. Estão com Marta, que ainda assim resolveu responsabilizar pelo sequestro e quase morte do embaixador Charles Elbrick o único que se penitenciou publicamente pelo equívoco histórico. É muito cinismo.

Somada à infamante comparação entre Dilma Rousseff e Nelson Mandela, a derrapada moral e política que Marta protagonizou escancara o fantasma que assombra o palanque de filme de terror: o prontuário da sucessora que Lula inventou está recheado de assaltos a bancos dos quais jamais se arrependeu. A cafajestagem com Gabeira reafirmou, também, que os milicianos seguem tentando institucionalizar o avesso das coisas.

No Brasil da Era Lula, o errado repreende o certo, os honestos são condenados à danação eterna por pecadores juramentados e muitos já desistiram da apresentação de recursos à Divina Providência: pelo que anda dizendo e fazendo, Lula virou conselheiro de Deus. Nada tem de espantoso o orgulho que Marta sente dos parceiros que, se a Justiça brasileira funcionasse, só conseguiria ver de perto em visitas dominicais à cadeia.

A granfina arrogante namora há alguns meses o presidente do Jockey Club de São Paulo. Já há alguns anos está pronta para o posto de primeira-dama das cavalariças.

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LULA/JUSTIÇA ELEITORAL [In:] ''DURA LEX, SED LEX'', para quem ???

Brasil

Nas barbas da justiça

O PT descobriu que o crime eleitoral compensa e que pode continuar usando impunemente a máquina e Lula na propaganda da candidatura oficial


Otávio Cabral/VEJA.

Fotos Pedro Ladeira/Folha Imagem/Folhapress e Sérgio Lima
/Folha Imagem/Folhapress
PROPAGANDA SEM LIMITES
"Jamais me defrontei com algo tão escancarado", disse Marco Aurélio (à esq.) sobre
o programa do PT em que o TSE viu crime eleitoral na propaganda antecipada de Dilma.


Milhões de brasileiros assistiram na semana passada ao programa do PT. Durante dez minutos, foram apresentados detalhes da biografia da ex-ministra Dilma Rousseff, algumas de suas ideias e opiniões. Entremeado com números sobre as realizações do governo Lula, o programa mostrou também o presidente narrando a emoção que sentiu no dia em que conheceu a ministra. "E um belo dia, em 2002, entra na minha sala uma mulher com um laptop na mão (...). Quando terminou a reunião, me veio na cabeça a certeza de que eu tinha encontrado a pessoa certa pro lugar certo." Em uma daquelas inacreditáveis coincidências, minutos antes de o programa ir ao ar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) colocou em julgamento uma reclamação contra outro programa do PT, exibido em dezembro, que teria usado o espaço para promover ilegalmente a candidatura de Dilma Rousseff. O resultado é que o partido perdeu o direito de veicular seu próximo programa nacional e terá de pagar multa de 20 000 reais. Dilma também foi multada em 5 000 reais. A sentença, no papel, foi dura. Mas seu efeito prático é um deboche.
O anúncio da condenação, na noite de quinta-feira, ocorreu uma hora e meia depois de o partido exibir um novo programa que, não fosse a demora da decisão judicial, nem poderia ter ido ao ar. A Justiça tarda mas não falha, certo? Errado. A decisão só vai ter impacto no ano que vem, quando a eleição presidencial estará decidida. A Justiça Eleitoral tardou e falhou.

A demora do tribunal em analisar o caso adiou a punição para 2011 e permitiu que o PT exibisse cenas eleitorais ainda mais explícitas que as condenadas pelo TSE. Ao lado de Dilma, Lula apontou sua candidata como a responsável pelo sucesso do governo e sugeriu que ela é a única capaz de continuar sua obra. O programa foi visto por mais da metade dos brasileiros que estavam com a televisão ligada. "A relação custo-benefício do desrespeito à lei foi totalmente favorável ao PT", diz Alberto Rollo, especialista em legislação eleitoral. O desprezo que se vê às regras eleitorais não pode ser creditado apenas à notória lentidão da Justiça. Pela legislação em vigor, as campanhas começam somente em julho, depois das convenções partidárias que oficializam os candidatos. Antes disso, como não há candidato, também não há punição para quem infringir a lei, como Lula e a campanha de Dilma vêm fazendo. Ou seja, além de lenta, a Justiça é frouxa na hora de punir. A maior pena já aplicada por campanha antecipada, de 20 000 reais, é irrisória se comparada ao que está em jogo em uma campanha presidencial.

A prova de que crime eleitoral compensa pode ser vista no comportamento do presidente da República. Nos últimos dois anos, Lula participou de mais de 400 eventos públicos. Dez resultaram em investigação do TSE. Cinco já foram arquivados, três ainda não foram analisados e dois levaram o tribunal a multar o presidente. Nesse período, porém, Dilma deixou de ser uma desconhecida do eleitorado para se tornar uma candidata viável, com quase 30% das intenções de voto. Ou seja, a antecipação da campanha, apesar de criminosa, foi vital para a candidata de Lula. Na semana passada, um dia antes de o TSE condenar o PT a uma pena sem efeito, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e o advogado-geral da União Luís Adams se reuniram para avaliar os riscos da associação entre o presidente e a campanha do PT. Concluíram que, por enquanto, não há problema incontornável. A preocupação deve aumentar apenas depois de a candidatura de Dilma ser lançada oficialmente, em junho.

Ao se levar a avaliação dos advogados ao pé da letra, tudo indica, portanto, que Lula seguirá usando o cargo em benefício de sua candidata. As próximas pesquisas de intenção de voto é que vão dizer se a lei será mais ou menos respeitada. O ministro do TSE Marco Aurélio Mello é um dos mais incomodados com as ilegalidades. Ao votar pela punição ao PT na semana passada, ele anotou: "Confesso que, tendo pisado neste tribunal em 1991 e tendo assumido a presidência em duas eleições, jamais me defrontei com algo tão escancarado".

TUMA JR./PF [In:] RETIRADA ESTRATÉGICA

Brasil

Tuminha dá um tempo

Chamuscado por denúncias e prestes a ser investigado pela PF, o secretário de Justiça resolve "tirar férias" e insinua que não pretende cair calado


Laura Diniz
Dida Sampaio/AE
VOU ALI E JÁ VOLTO
O delegado diz que vai "pegar um sol", mas que espera "babando" o momento
de falar à Comissão de Ética

Depois da revelação de que ele havia tentado comprar um videogame no mercado negro e visitara a China na companhia de um acusado de contrabando, o secretário nacional de Justiça e presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, delegado Romeu Tuma Júnior, foi temporariamente afastado do cargo na semana passada. Ou, como ele preferiu anunciar, resolveu "tirar umas férias" do serviço. Desde o último dia 5, a situação de Tuma Júnior só piora. Primeiro, vieram as gravações telefônicas feitas pela Polícia Federal em que ele aparece tentando cometer um dos crimes que é pago para combater (como o videogame Wii estava "muito caro na Europa", Tuminha expressava o desejo de adquiri-lo em versão contrabandeada). Depois, surgiram as fotos em que o secretário aparece em visita oficial à China ladeado por Li Kwok Kwen. O chinês conhecido como Paulo Li está preso desde o ano passado sob acusação de contrabandear, anualmente, pelo menos 12 milhões de reais em celulares baratos, aqui revendidos com etiquetas de marcas famosas.

Era grave, mas não era tudo. Conforme publicou o jornal O Estado de S. Paulo, em fevereiro passado a Polícia Federal já havia emitido parecer favorável à abertura de inquérito policial contra o secretário. A decisão se deveu ao fato de o nome de Tuma Júnior ter surgido, sempre de forma comprometedora, em quatro investigações conduzidas pelo órgão – além daquela envolvendo o amigo Li, três outras relativas a emissão ilegal de passaportes e concessões irregulares de visto para estrangeiros. Tuminha foi alçado ao cargo de secretário de Justiça em 2007 graças a uma barganha que envolveu a ida de seu pai, o senador Romeu Tuma, para o PTB, partido da base aliada do governo. O estouro do escândalo, na semana retrasada, abalou o clã a ponto de os Tuma convocarem uma reunião familiar para decretar silêncio em torno do caso.

É improvável que Tuminha retome o posto ao fim das suas "férias". Embora saiba disso, o delegado fez questão de deixar claro que não está preocupado com o seu destino. Na terça-feira, diante dos jornalistas que o cercavam, despediu-se dizendo que voltará "quando estiver moreninho". Tanta faceirice talvez guarde relação com a importância que o delegado sabe que seu trabalho tem para o país e para o governo do PT. Por dever funcional, o secretário tem acesso a informações sigilosas que envolvem operações financeiras e remessas de dinheiro para o exterior, por exemplo. Além disso, na qualidade de delegado de polícia, trabalhou em casos altamente sensíveis para o governo, como o do assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Ao declarar estar "babando" para prestar esclarecimentos à Comissão de Ética Pública, órgão ligado à Presidência da República, Tuminha fez muita gente perder o sono.

VEJA.


ELEIÇÕES 2O1O [In:] DILMA e CPMF (... quem viver, pagará!!!)

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Dilma: fim da CPMF não gerou benefícios

Dilma diz que fim da CPMF não teve resultado concreto para consumidor


Autor(es): Agencia O Globo/Sergio Roxo
O Globo - 18/05/2010

Pré-candidata admite possibilidade de criar imposto para repor perdas no setor da Saúde

A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, criticou o fim da CPMF e disse que a medida tirou R$ 40 bilhões por ano da Saúde. Para garantir recursos, segundo ela, há duas opções: remanejar verbas ou criar imposto, numa negociação com o Congresso e a sociedade. Em entrevista à Rádio CBN, Dilma disse que a extinção da CPMF não reduziu preços: "Não vejo resultados práticos no bolso do consumidor." Dilma cometeu uma gafe: chamou seu provável vice, Michel Temer (PMDB), de presidente do Senado - ele preside a Câmara. A crítica de Dilma não teve apoio nem do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, um dos coordenadores da campanha dela.


Petista se atrapalha e troca posto de Michel Temer, cotado para ser seu vice


SÃO PAULO. Sem ser taxativa na necessidade de criação de novo imposto, a pré-candidata do PT a presidente, Dilma Rousseff, defendeu a destinação de mais recursos para a saúde e criticou o fim da CPMF, extinta em 2008, na maior derrota do governo Lula no Congresso. De acordo com Dilma, o fim do tributo tirou R$ 40 bilhões por ano do setor.

Em entrevista à Rádio CBN, na manhã de ontem, Dilma cometeu uma gafe ao chamar o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), que deve ser o vice em sua chapa, de presidente do Senado e não da Câmara. Afirmou que o fim da cobrança do imposto não trouxe redução de preços de produtos para o consumidor, como era afirmado na época da extinção por entidades representativas de empresários.

Também disse que se perdeu a possibilidade de usar a CPMF para monitorar transações financeiras suspeitas.

Eu me estarreço pelo fato que foi feita toda uma campanha pela CPMF, redução etc.. Eu não vejo resultados práticos no que se refere ao bolso do consumidor.

Acho que houve uma perda de capacidade de fiscalização.

E acho que houve, sobretudo, a perda de R$ 40 bilhões para aplicar na Saúde.

Na avaliação dela, a perda provocada teve impacto direto no atendimento público.

Você não tira R$ 40 bilhões da Saúde e fica por isso mesmo.

Não é possível ter uma visão sem compromisso como essa porque o Brasil precisa sim de completar a cadeia do SUS.

Dilma disse que, para garantir mais recursos, há duas alternativas: remanejar dinheiro ou criar novo imposto.

Agora, eu não posso aqui, sentada no estúdio, dizer. É uma negociação que tem que passar necessariamente pelo Congresso e pela sociedade. Se a sociedade quer uma Saúde de qualidade, nós vamos colocar mais recursos e também assegurar os recursos existentes.

Uma possibilidade, de acordo a pré-candidata, é regulamentar a emenda 29, aprovada em 2000, que garante a vinculação de recursos a serem gastos pela União com a Saúde. Perguntada se era possível aumentar o valor sem criar imposto, respondeu: Acho que a gente deve tentar. Não sei se dá.

Na saída, Dilma ganhou uma camisa do Palmeiras de uma pessoa que a esperava na porta da emissora. Preocupou-se com a reação do presidente Lula, que é corintiano fanático.

O Lula vai me matar disse.

Serra, seu principal adversário, é palmeirense. Confira trechos da entrevista: DÍVIDA PÚBLICA: As razões pelas quais cresce são: o fato de a gente ter construído US$ 250 bilhões em reservas (em moeda estrangeira).., o Banco Central ter liberado R$ 100 bilhões do compulsório para os bancos, e por fim liberamos R$ 180 bilhões para o BNDES, a título de garantir empréstimo e investimento de longo prazo. Não se pode discutir dívida bruta no Brasil sem dizer por que ela aconteceu. Senão, é como lançar plumas ao vento. Digo que a dívida bruta subiu e não digo que ela é, por exemplo, completamente diferente da dívida bruta da Grécia, que está quebrando.

Não estamos quebrando, estamos cada dia mais robustos.

APARELHAMENTO DAS AGÊNCIAS:Em todas as agências, o critério de preenchimento de cargos tem que cumprir requisitos técnicos. Não acredito que alguém indicar, ou um partido indicar, integrantes para uma agência, significa necessariamente que a pessoa é incapaz e não preenche requisitos técnicos (...) Não concordo (com a acusação de que há aparelhamento nas agências). Aqui em São Paulo o presidente da agência de transportes é um deputado federal, do PSDB (Carlos Eduardo Sampaio Doria, ex-deputado na verdade). Nem por isso está aparelhada.

PREVIDÊNCIA: A gente está diante do seguinte: se vai ter reforma da Previdência ou se trata de ajuste. A reforma da Previdência apresentou armadilhas.

Os países que fizeram tiveram um problema: houve corrida para a aposentadoria e você teve o efeito contrário àquele que era almejado. Defendo hoje que se ajuste a Previdência sistematicamente (...) Por exemplo, aumentou a expectativa de vida, vamos ter que fazer ajuste para que a Previdência dê conta.

VICE E GAFE: Tudo indica que o PMDB vai escolher o seu vice e o que corre é que seria (o deputado federal Michel Temer)...

Ele vai no momento apropriado anunciar. O Michel Temer é, sem sombra de dúvida, uma pessoa qualificada. É presidente do Senado e tem toda uma trajetória.

JORNADA DE 40 HORAS: As pessoas têm que distinguir duas coisas: quem está no governo e quem está no movimento sindical.

Acho legítimo que o movimento sindical tenha como bandeira (redução da jornada de trabalho de 48 para 40 horas semanais).

Não se pode querer o governo assuma bandeiras de movimento sindical. Do ponto de vista de pré-candidata, não acho que seja uma questão que o governo federal tenha que adotar ou assinar embaixo. Tem que ser construído entre movimento sindical e associações empresariais.

MISÉRIA: Tiramos da miséria 24 milhões, elevamos 31 milhões às classes médias. Nessa década que se avizinha, podemos erradicar a pobreza extrema do Brasil, ou seja a miséria.

O Ipea fala que a gente poderia fazer isso em 2016. Tem colocar uma meta: erradicar a miséria. É possível. É talvez a coisa mais importante a ser feita no Brasil.

Ser de esquerda é fazer isso, com estabilidade e soberania.

ACORDO NUCLEAR/IRÃ [In:] ENRIQUECIMENTO A QUANTOS PORCENTO (%) ???

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ACORDO COM IRÃ TRAZ EUFORIA E DESCRENÇA

ACORDO ATENDE EXIGÊNCIAS DE OBAMA, DIZ AMORIM


Autor(es): Assis Moreira, de Madri
Valor Econômico - 18/05/2010

Isolado internacionalmente e com dificuldades políticas e econômicas internas, o Irã aceitou enviar seu urânio enriquecido para o exterior, nos termos de um acordo para evitar a ampliação das sanções das Nações Unidas ao país. Mas não se comprometeu em encerrar seu programa de enriquecimento de urânio, base do temor de países ocidentais de que o regime dos aiatolás tenha secretamente planos para construir a bomba nuclear.

O acordo entre Irã, Brasil e Turquia sobre o acordo nuclear de Teerã basicamente atende aos pontos listados pelo presidente dos EUA, Barack Obama, numa carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva há algumas semanas, disse ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reagindo à "desconfiança e suspeita" manifestadas pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

"Esse acordo não foi proposto por nós não", disse Amorim. "O que o Irã disse foi que vai cumprir um acordo que foi proposto pelo G-5+1." Trata-se dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Rússia, China, França e Reino Unido - e a Alemanha. Para Amorim, o acordo é para criar confiança, mas é preciso que pelo menos seja examinado antes de sofrer condenação. Para o governo brasileiro, isso é importante para seguir negociando outras etapas.

"Tanto os turcos como nós colocamos de forma muito clara que era uma oportunidade ímpar de o Irã sair do isolamento", disse o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "Todo mundo tem que entender que o problema do contencioso nuclear do Irã não está resolvido, mas foi dado um passo importante, ainda mais porque eles aquiesceram. E isso porque viram que havia dois interlocutores que não estavam la para satanizá-los", afirmou Garcia.

O presidente russo Medvedev conversou com o presidente Lula e disse que iria telefonar a Obama. O pacote de sanções contra o Irã parecia já estar pronto, mas acha que o acordo impulsionado pelo Brasil e Turquia abre a possibilidade "de outro caminho". O presidente francês, Nicolas Sarkozy, resolveu viajar a Madri hoje cedo e conversar com Lula. Amorim disse ter relatado ao presidente francês detalhes que ele teria considerado positivo.

Poucos minutos depois de Lula ter entrado no elegante Hotel Intercontinental, um dos ministros britânicos mais duros, William Hague, saia pelo mesmo local defendendo sanções contra Teerã. Garcia reagiu, acusando: "Essas pessoas só trabalham com essa hipótese. Não é resposta de quem está cético, mas de quem não quer o acordo. Esse é o problema. Acham que a politica tem que ter sempre um inimigo bem localizado, que é o Irã, o grande satã"."

Para o assessor de Lula, se a ONU votasse a sanção contra o Irã, ela seria "meio bamba". Isso, segundo ele, porque a Rússia deixou bem claro na conversa com Lula que até votaria a sanção, mas bem pequena, com muito barulho e pouco conteúdo, pois tem interesses muito grandes na regiao. A China, afirma Garcia, "não fala, mas estava na mesma direção, mas, ainda que as sanções fossem meio bambas, iam liberar os Estados Unidos e a União Europeia para fazer sanções adicionais, que provocariam dificuldade para a sociedade iraniana".

Ele acusa "pessoas", sem citar nomes, "que esperam que as sanções venham mudar o regime iraniano. É uma visão profundamente equivocada, que mostra desconhecimento da situação interna do Irã. As sanções só teriam o efeito de solidificar os iranianos em torno de seu governo, é uma sociedade muito complexa, há muitos centros de decisão, não é um Estado totalitário, como outros podem ser".

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, confirmou que o Brasil quer continuar na posição de mediador e isso vai ser levado em conta por todo mundo. Disse que o presidente Lula "vai reivindicar" que o Brasil e a Turquia "se juntem ou acompanhem" as iniciativas do G-5+1. Para o influente jornal inglês "The Guardian", o acordo mostra que Brasil e Turquia são novas forças globais. "O fato é que o Irã assinou um acordo que mexe com o jogo", diz Martins.

Segundo Amorim, o Irã colocou agora no papel o que nunca tinha colocado antes sobre seu programa nuclear, sem ambiguidade, e "isso ensejaria, no mínimo, uma reflexão". E completou, em direção aos americanos e europeus: "Apenas criamos uma maneira para que o acordo fosse assinado por quem o propôs".