PENSAR "GRANDE":

***************************************************
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
***************************************************


“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

----

''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

=========
# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
1Radio 1455824919 nhm...

valor ...ria...nine

folha gmail df1lkrha

***

segunda-feira, dezembro 06, 2010

''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''

06 de dezembro de 2010

O Globo

Manchete: Guerreiros campeões
Após 26 anos, Fluminense conquista o título brasileiro. Torcida festeja como tri

De quase rebaixado em 2009 a campeão brasileiro em 2010. Ao vencer o Guarani por 1 a 0, com gol de Emerson, Fluminense encerrou com festa uma trajetória digna de "guerreiros", como a torcida se refere aos jogadores do clube. Após 26 anos da conquista de 1984, mais de 40 mil tricolores soltaram o grito de tricampeão por causa da Taça de Prata de 1970. Pela primeira vez, um título é festejado no Engenhão. E, como em 84, o Fluminense volta a levantar o troféu um ano após o título do Flamengo. "Sonhei com Tele Santana esta noite. Estava na minha frente, sorria e estava vivinho", disse o técnico Muricy Ramalho, quatro vezes campeão brasileiro. O time receberá o troféu hoje no Teatro Municipal, em evento da CBF, que premia os melhores da competição. O Cruzeiro é vice-campeão, e o Corinthians, o terceiro colocado. O Botafogo perdeu para o Grêmio por 3 a 0 e não tem mais chance de disputar a Copa Libertadores. O Vasco venceu o Ceará por 2 a 0 e joga a Sul-Americana. Flamengo e Santos empataram em 0 a 0. (Pág. 1 e Esportes)

Tráfico planta maconha no Paraguai

Aliado de Fernandinho Beira-Mar, o fornecedor de drogas Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói - jovem de classe média que se radicou no Complexo do Alemão -, se associou a traficantes paulistas e já domina 70% das áreas de plantio de maconha em Capitán Bado e Pedro Juan Caballero, cidades paraguaias na fronteira com Mato Grosso do Sul, informa Sergio Ramalho, que foi ao Paraguai. O negócio garante lucros astronômicos às duas facções criminosas. A estimativa do Ministério Público estadual em Mato Grosso do Sul é que os brasileiros faturem US$ 15 milhões por mês com a produção e a venda de 80% da maconha consumida no Rio, onde chega com um ágio superior a 3.000%. Com a implantação das UPPs em áreas das zonas Sul e Norte, a maior facção criminosa do Rio decidira fazer do Alemão o principal entreposto de distribuição da droga para as favelas aliadas. Prova disso são as 36,4 toneladas de maconha já apreendidas na comunidade desde o início da ocupação das forças de segurança. Só ontem foram mais três toneladas. A UPP Social vai levar às 13 favelas pacificadas núcleos de mediação de conflitos e assistência jurídica gratuita. (Págs. 1 e 12 a 16)

------------------------------------------------------------------------------------

Folha de S. Paulo

Manchete: Principais estradas de SP cobram pedágio a mais
Problema ocorre em 24 postos de cobrança; governo promete rever tarifas

Os motoristas pagam desde julho um valor de pedágio acima do previsto nos contratos de concessão em 24 praças de estradas no Estado de São Paulo. A diferença a mais oscila de R$ 0,05 a R$ 0,10 para carros.
O problema, observado em 18% dos postos de cobrança das rodovias estaduais paulistas, se deve à modificação da base para correção da tarifa e do critério para arredondamento, informa Alencar Izidoro.
Segundo os cálculos contratuais, a tarifa no sistema Anchieta-Imigrantes deveria ser de R$ 18,40, e não R$ 18,50. Situação parecida ocorre na Bandeirantes, na Anhanguera, na Raposo Tavares e na Castello Branco.
Em nota, a Secretaria dos Transportes afirma que a decisão do governo Alberto Goldman "se mostrou benéfica para a grande maioria" e promete, em 2011, revisão das tarifas nos locais com cobrança extra. (Págs. 1, C1 e C3)

Sob Lula, tributo federal na conta de luz duplica

O peso dos tributos federais na conta de energia elétrica duplicou durante os dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A cada R$ 100 pagos em 2002, quase R$ 7 iam para o governo. Agora, são R$ 14 em fatura com igual valor.
A carga tributária elétrica total passou de 35,9% para 45% no período e pode crescer ainda mais se a Câmara aprovar projeto que muda a cobrança do ICMS. (Págs. 1 e Mercado)

Análise

Setor enfrenta sobretributação, avalia o engenheiro industrial Claudio Sales. (Págs. 1 e B5)

Dilma critica abstenção em votação sobre o Irã

Em entrevista ao jornal "The Washington Post", a presidente eleita, Dilma Rousseff, afirmou discordar da abstenção do Brasil em votação na ONU, há duas semanas, de resolução que condenava violações de direitos humanos no Irã.
Ela manifestou desconforto com a condenação de Sakineh Ashtiani ao apedrejamento. Apesar da crítica, apoiou a atuação de Lula na questão Iraniana. (Págs. 1 e A4)

Análise

Expectativa é de um Itamaraty mais técnico que político, escreve Eliane Cantanhêde. (Págs. 1 e A4)

WikiLeaks: Europa não crê em vitória dos EUA no Afeganistão

Novos documentos da diplomacia americana revelados pelo site WikiLeaks mostram que paises europeus aliados dos Estados Unidos não acreditam em vitória no Afeganistão.
As forças aliadas mantêm o esforço de guerra apenas "por deferência aos EUA", disse Herman Van Rompuy, presidente da União Europeia, em memorando a um embaixador norte-americano na Bélgica. (Págs. 1 e A13)

Hillary acusou Arábia Saudita de financiar o terror (Págs. 1 e A13)

Autor do livro 'Diplomacia Suja' apoia WikiLeaks (Págs. 1 e A14)

Editoriais

Leia "Sinais de coordenação", sobre a atuação do Ministério da Fazenda e do BC; e "Trem caro", acerca dos custos do trem-bala. (Págs. 1 e A2)

Mayra Dias Gomes

Polícia faz um inédito papel de mocinho no Rio

Esta é a primeira vez que sinto orgulho das forças de segurança. Apoiadas e aplaudidas pela população, parecem se sentir privilegiadas por fazer o inédito papel de mocinhos. O primeiro passo foi dado, mas não se pode parar por aí. (Págs. 1 e Folhateen)

Entrevista da 2ª: José Mariano Beltrame

Vamos pedir a declaração de IR dos policiais

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, 53, afirma que as corregedorias serão ativas para apurar crimes de policiais. Segundo ele, os policiais serão obrigados a mostrar a declaração de IR. (Págs. 1 e A17)

Boa notícia

Drogas antivirais aumentam as chances de cura da hepatite C. (Págs. 1 e Saúde, C8)

------------------------------------------------------------------------------------

O Estado de S. Paulo

Manchete: Dilma diz que apoio ao Irã na ONU foi um erro
Declaração foi feita ao jornal Washington Post, logo depois de confirmada a saída de Celso Amorim

O Brasil errou ao não votar contra as violações dos direitos humanos no Irã. A declaração foi feita pela presidente eleita, Dilma Rousseff,em entrevista publicada ontem no jornal Washington Post. Ela criticou a posição do País que, no mês passado, se absteve de apoiar uma resolução da ONU contra o apedrejamento de mulheres. A entrevista foi dada na quinta-feira e seu teor foi divulgado pouco depois da confirmação de que o atual chanceler, Celso Amorim, deve mesmo deixar o Ministério das Relações Exteriores, dando lugar a Antônio Patriota. “Não concordo com a modo como o Brasil vetou", disse Dilma. “Não sou a presidente do Brasil, mas ficaria desconfortável, como uma mulher eleita presidente do Brasil, mas ficaria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não me manifestar contra o apedrejamento." Dilma criticou ainda a política de desvalorização do dólar adotada pelos Estados Unidos, mas defendeu a melhoria das relações entre Brasília e Washington. Na conversa, a presidente eleita enfatizou que seu governo buscará estreitar os laços com a administração de Barack Obama, e que tem grande admiração por sua vitória. (Págs. 1 e Nacional A6)

Dilma Rousseff
Presidente eleita

"Não concordo com as práticas medievais que são aplicadas quando se trata de mulheres. Não há nuances e eu nao farei nenhuma concessão em relação a isso" (Pág. 1)

Brasil teria oferecido ajuda contra Chávez

Documentos do Departamento de Estado americano, obtidos pelo site WikiLeaks, mostram que o Brasil teria oferecido em 2005 apoio à oposição ao governo da Venezuela em troca de autorização norte-americana para vender aviões Super-Tucano para a governo de Hugo Chávez. A proposta foi revelada ontem pelo jornal Le Monde. (Págs. 1 e Internacional A10)

Mais de 40% de beneficiários do Bolsa- Família são miseráveis

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social mostra que 5,3 milhões de famílias, ou 42% das atendidas pelo Bolsa-Família, ainda não conseguiram sair da extrema pobreza, informa Marta Salomon. Portanto, para cumprir a promessa de erradicar a pobreza absoluta até o fim do mandato, a presidente eleita Dilma Rousseff deveria mais do que dobrar o valor do benefício de R$ 68 pago às famílias com renda per capita de até R$ 70. “O piso do benefício teria de ir para R$ 138", calcula Lúcia Modesto, secretária de Renda de Cidadania do ministério. (Págs. 1 e Nacional A4)

Licitações vão ajudar grupos nacionais

O presidente Lula deve aprovar nos próximos dias mudança na lei de licitações públicas que garante preferência às empresas nacionais mesmo com preço até 25% superior ao dos concorrentes. (Págs. 1 e Economia B1)

Repasse a fantasmas envolve mais deputados (Págs. 1 e Nacional A8)

Laboratório é autuado após doação de remédio (Págs. 1 e Vida A 16)

José Roberto de Toledo

Um liberal conservador

O político brasileiro prefere olhar para que lado a opinião pública se mexe, para ir atrás. O problema dessa atitude é que dificilmente produz inovação. (Págs. 1 e Nacional A7)

Denis Lerrer Rosenfield

Liberdade e doença

Já que o Estado se arroga a função de controlar o que considera o "bem" do cidadão, precisa ser financiado. O desfecho é a recriação da CPMF. (Págs. 1 e Espaço Aberto A2)

Visão Global

Contra a expansão do CS

Telegrama divulgado pelo WikiLeaks mostra China preocupada com perda de poder no Conselho de Segurança. (Págs. 1 e Internacional A14)

Notas & Informações

Afinal, uma boa notícia?

Dilma mostra-se disposta a dar rumo diferente à política de Lula na Secretaria de Comunicação. (Págs. 1 e A3)

------------------------------------------------------------------------------------

Valor Econômico

Manchete: Empresas já têm R$ 237 bi em caixa
As companhias abertas estão abarrotadas de dinheiro. Seu caixa está crescendo a uma velocidade superior ao das dívidas e alcançou R$ 237,5 bilhões em setembro, segundo o Valor Data. Sem considerar Petrobras e Vale, o caixa atingiu R$ 173,2 bilhões, com expansão de 30% em 12 meses e de 38% em relação ao terceiro trimestre de 2008, que foi marcado por um excelente desempenho, interrompido a seguir pela crise mundial.
Outro levantamento, feito pelo economista Geraldo Biasoto, presidente da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) com os balanços do terceiro trimestre de 193 empresas não financeiras na bolsa, mostra que as companhias industriais estão menos endividadas hoje do que estavam no pré-crise. Alexandre Espírito Santo, economista da Way Investimentos, diz que um caixa forte é confortável para a empresa e os acionistas em épocas de crise, como a que o mundo tenta superar agora. Além disso, ele deixa as companhias preparadas para aproveitar oportunidades de negócios. “Quando o mercado internacional voltar a crescer, os investimentos vão se acelerar e as companhias brasileiras estarão prontas para isso". (Págs. 1, D1, D3, D4 e B8)

Receita paralisa defesa comercial

O sistema de defesa contra importações irregulares no Brasil está ameaçado de colapso, como efeito colateral das ações da Receita Federal para evitar vazamento de informações sigilosas. A Receita patrocinou a Medida Provisória 507, que aumentou controles e punições, após o escândalo da quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas à oposição durante as eleições. Mas com a medida os técnicos também cortaram o fornecimento de dados de comércio exterior ao Ministério do Desenvolvimento, o que travou processos contra importações desleais.
No Ministério do Desenvolvimento foram barrados, por falta de informações, 16 pedidos de processos contra importações acusadas de dumping (preço abaixo do custo). Outros 38 processos em curso podem ser afetados pela falta de informações sobre preços e quantidades de compras no exterior feitas pelas empresas nos últimos cinco anos. (Págs. 1 e A5)

Gabrielli vê risco na pressa com o pré-sal

A economia brasileira corre o risco de se desindustrializar caso o governo acelere a licitação das áreas de exploração de petróleo da camada pré-sal. A cadeia produtiva do setor petrolífero já está funcionando no nível máximo de sua capacidade e não teria como atender a demanda por equipamentos e serviços, alerta o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Segundo ele, só a estatal e seus fornecedores investirão nos próximos quatro anos algo entre US$ 624 bilhões e US$ 824 bilhões.
Embora não confirme, Gabrielli continuará presidindo a Petrobras após o fim do governo Lula. Ele diz que “se isso acontecer" fará mudanças na governança da empresa. A ideia é criar uma diretoria administrativa e corporativa, para permitir que a presidência possa se voltar mais para a estratégia, novos negócios e desempenho. (Págs. 1 e Al6)

Música ajuda a resgatar o pau-brasil

Ameaçado de extinção, o pau-brasil voltou a aparecer na Mata Atlântica. Uma ação inédita de reflorestamento no Espírito Santo tenta garantir a sobrevivência não só da espécie, mas de um ofício secular: a "archetaria", a arte de fazer arcos para violinos e violoncelos.
A madeira que deu nome ao país e foi louvada no passado por seu tingimento vermelho agora é cobiçada por outra propriedade: a combinação de densidade e flexibilidade, que fazem dos arcos de pau-brasil os melhores do mundo."Se é feito de outra madeira não é um arco", diz o archetário francês Boris Fritsch. (Págs. 1 e B16)

Mineradoras saem de novo às compras

Graças ao prolongado vigor do mercado de commodities e à rápida industrialização das economias emergentes, as empresas de mineração estão usando as reservas de dinheiro acumuladas durante o período de preços altos para rapidamente comprar concorrentes e criar joint ventures. Os negócios variam de ouro a carvão e vão do Canadá à China, à medida que as empresas se apressam para agarrar os recursos limitados ou desenvolvem novos.
Na sexta-feira, vários negócios multibilionários foram anunciados ou selados. Os acionistas da Andean Resources, com sede na Austrália, aprovaram a compra da canadense Goldcorp, por US$ 3,58 bilhões. A terceira maior mineradora do mundo, a Rio Tinto, fez dois anúncios. Ela disse que vai formar uma joint venture com a Aluminum Corporation, da China, e explorar recursos minerais na China e expandir a parceria com Sinosteel Corp., para explorar minério na Austrália (Págs. 1 e B10)

Aposta 'barata' no campeão Fluminense

A conquista do Campeonato Brasileiro de 2010 pelo Fluminense ontem, por 1 a 0 contra o Guarani, foi um negócio e tanto para os patrocinadores. No vermelho há tempos (R$ 29,5 milhões de prejuízo até setembro), o time teve o melhor desempenho do torneio. Mas o valor desembolsado em patrocínio foi magro, sinal de que a aposta saiu "barata" para Adidas, Unimed, Ambev e Volks, diz Andressa Rufino, consultora da Trevisan. Juntas, desembolsaram R$ 18,5 milhões para patrocinar a equipe em 2010, ou quase um terço dos R$ 59,5 milhões que seis marcas investiram no Corinthians, o vice-campeão.
Entre os 20 clubes brasileiros com maiores receitas, o Fluminense está no penúltimo lugar, só à frente do Vasco da Gama, pelos resultados de 2008 e 2009, segundo estudo da Crowe Horwath RCS. Nesses dois anos, o clube acumulou déficit de RS 73,4 milhões. É também o clube com a maior dívida do Brasil - R$ 329,2 milhões em 2009. (Págs. 1 e B7)

Governo quer seguir o modelo dos fundos de pensão no uso dos recursos do pré-sal (Págs. 1 e A3)

Usiminas busca força competitiva na mineração e logística, diz Brumer (Págs. 1 e B8)

Bancos revisam suas projeções para as carteiras de crédito (Págs. 1 e C5)

Cade mira combustível de aviação
O Cade deverá interferir no abastecimento de aeronaves no Brasil. A intenção é aumentar a concorrência, hoje restrita a duas empresas com a união de Shell e Cosan. (Págs. 1 e A6)

Aquém do mínimo legal

Pelo menos quatro Estados, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo e Mato Grosso, investem menos na área da saúde de que a exigência legal de 12% da arrecadação de impostos. (Págs. 1 e A6)

CSC projeta crescimento no Brasil

A americana CSC, uma das maiores empresas do mundo de terceirização na área de tecnologia da informação, aposta nos setores financeiro, de te1ecomunicações e petróleo para triplicar a receita no Brasil. (Págs. 1 e B4)

Justiça apreende GPS na Luiza

A Justiça apreendeu 350 aparelhos de GPS no centro de distribuição do Magazine Luiza, que estariam sendo vendidos irregularmente. A varejista nega a acusação. (Págs. 1 e B4)

Pré-sal melhora o cardápio

Crescimento da economia santista, no rastro dos investimentos no setor de petróleo, leva restaurantes da cidade a criar a Liga Gourmet, com apoio do Sebrae, pra qualificar e expandir a gastronomia por meio da cooperação entre os filiados. (Págs. 1 e B6)

Especial: Inovação

Inovação pode atuar na inclusão social e econômica, garantir diferenciação nos negócios e ser a força motriz para o crescimento da economia. "Não dá para encarar o investimento em inovação como algo para se fazer quando tudo já está pronto no país", diz Charles Wessner, da Academia Nacional de Ciências de Washington. (Págs. 1 e Especial)

'Arbitragem' no café

Excesso de chuvas na Colômbia reduz a safra de café no país, que passou a importar o produto brasileiro, mais barato, para preservar suas exportações. (Págs. 1 e B15)

Times estrangeiros cobram a CEF

A Caixa Econômica Federal e a União foram condenadas a pagar indenização aos times de futebol da Espanha e da Itália por usar seus nomes na Loteca. No Brasil, os times ficam com 10% da arrecadação. (Págs. 1 e El)

Ideias

Sergio Leo

Brasil quer fixar com os sócios do Mercosu1 datas e métodos para remover os obstáculos à integração comercial. (Págs. 1 e A2)

Gustavo Loyola

Com herança fiscal negativa do governo Lula e cenário externo complicado, riscos macroeconômicos são maiores. (Págs. 1 e Al5)

------------------------------------------------------------------------------------

-----------

domingo, dezembro 05, 2010

A HORA DO ''ÂNGELUS'': 2o. DOMINGO DO ADVENTO.

...

Evangelho (Mateus 3,1-12)

Domingo, 5 de Dezembro de 2010
2º Domingo do Advento


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós!
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

1Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia: 2“Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.
3João foi anunciado pelo profeta Isaías, que disse: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!”
4João usava uma roupa feita de pêlos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo.
5Os moradores de Jerusalém, de toda a Judeia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. 6Confessavam seus pecados e João os batizava no rio Jordão. 7Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes: “Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? 8Produzi frutos que provem a vossa conversão. 9Não penseis que basta dizer: ‘Abraão é nosso pai’, porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão.
10O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo.
11Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.
12Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
-----
----




======
www.cancaonova.com.br
===

sábado, dezembro 04, 2010

EDITORIAL II [In:] O ''SAINTE'' ...

====


====
www.uol.com.br

===

EDITORIAL [In:] ''WIKILEAKS''. UMA NOVA MÍDIA ?

...

04/12/2010 - 08h42

Republicanos pedem pena de morte para provável fonte do Wikileaks


Enquanto o criador do WikiLeaks, Julian Assange, recebe atenção mundial pelos vazamentos de documentos secretos, a provável fonte deles é mantida isolada e vê TV, onde se informa sobre o alcance de sua suposta ação.

Trata-se do soldado Bradley Manning, 22, um analista de inteligência do Exército americano que esteve no Iraque e está preso desde maio.

O militar enfrentará julgamento por supostamente copiar telegramas diplomáticos e pelo vazamento de relatórios sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque.

Ele ainda é acusado de vazar vídeo que mostra o ataque de um helicóptero militar a civis iraquianos.

Mas republicanos -como Mike Huckabee- querem que o responsável seja acusado de traição e condenado à pena de morte.

Nascido em 1987 no Estado de Oklahoma, Manning alistou-se aos 18 anos. Após receber treinamento como analista de inteligência, foi enviado para Nova York e depois para a Guerra do Iraque.

Mas ficar isolado, no meio do deserto, parecia ser pouco para as ambições do soldado.

Em maio, Manning contatou Adrian Lamo, hacker americano que invadiu a página do "New York Times", Yahoo e outras empresas antes de se entregar ao FBI.

O "El País" diz que mensagens entre os dois ficaram armazenadas no computador de Lamo, que informou ao Pentágono sobre o assunto.

Ao jornal, Lamo confirmou que Manning é mesmo a fonte dos vazamentos.

"Se tivesse acesso sem precedentes a redes restritas 14 horas por dia, setes dias por semana, durante mais de oito meses, o que faria?", questionou em conversa com o hacker em 21 de maio.

No dia seguinte, Manning confessou que havia feito o download de centenas de milhares de documentos de redes secretas do Pentágono.

E tinha uma prova: um telegrama da Embaixada dos EUA em Rejkiavik, no qual se relata uma reunião entre autoridades islandesas e um assessor do embaixador britânico, que fora publicado pelo WikiLeaks em fevereiro.

Nas conversas com Lamo, o soldado diz ainda que tinha um contato com Assange.

O soldado descreveu até como fazia as cópias: entrava na sala com um CD da Lady Gaga, por exemplo, e, enquanto fingia cantar uma das músicas, apagava seu conteúdo e copiava dados da inteligência em seu lugar.

RESSENTIMENTO

Em suas conversas com Lamo, Manning demonstra frustração e ressentimento com o Exército e com os EUA. E teria confessado: "[...] Bem, enviei ao WikiLeaks. Deus sabe o que acontecerá agora. Espero que haja uma grande discussão mundial, debates, reformas".

O soldado está isolado em uma cela na base de Quantico, em Virgínia, onde é submetido a avaliações mentais.

Até agora, o Exército apenas apresentou acusações contra ele pelo roubo de dois vídeos de guerra e pelo vazamento de 50 telegramas. Por isso, ele pode ser condenado a 52 anos de prisão.

O julgamento pode ocorrer no primeiro semestre de 2011.

================

Veja como funciona o WikiLeaks


O site de vazamento de documentos secretos WikiLeaks ganhou notoriedade pela primeira vez em meados deste ano, quando divulgou um vídeo no qual militares dos Estados Unidos fuzilam iraquianos de um helicóptero.


Criado por Julian Assange, o site é considerado um novo ícone do jornalismo investigativo e também vem sendo duramente condenado como risco à segurança internacional.

Desde julho de 2007, o WikiLeaks publica documentos delicados por meio do que descreve como "vazamento com princípios". O site já abrigou mais de 1 milhão de documentos, desde o manual da prisão de Guantánamo até a lista de filiados do Partido Nacional britânico, de extrema-direita.

Seu vazamento de mais alto impacto havia sido em abril deste ano, com um vídeo de 2007 que aparentemente mostra um helicóptero dos EUA disparando contra um grupo em Bagdá, matando dois funcionários da agência de notícias Reuters. Assange não viaja aos EUA desde então, por receio de ser preso.

Desde então, contudo, o site voltou às manchetes de todo o mundo com vazamentos de milhares de documentos das guerras do Afeganistão e do Iraque e, em seu mais recente "lançamento", 250 mil documentos secretos diplomáticos dos EUA.

O WikiLeaks depende de donativos, mas sabe-se pouco sobre a origem e as dimensões de seu financiamento. Recentemente, Assange disse que vive como nômade, carregando um computador em uma mochila e suas roupas em outra. Após manter-se discreto por vários anos, suas aparições públicas vêm se tornando mais frequentes.

Editoria de Arte/Folhapress

+ Notícias sobre WikiLeaks









-------
---
---

sexta-feira, dezembro 03, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] BRECHÓ

...



---
Homenagem aos chargistas brasileiros.
---

WIKILEAKS [In:] ''O QUE SERÁ QUE SERÁ? QUE ANDAM COMBINANDO NO BREU DAS TOCAS...'' *

...

A crise dos segredos abertos



O Estado de S. Paulo - 03/12/2010

Era apenas questão de tempo. Cedo ou tarde, a divulgação a conta-gotas de 251.287 despachos diplomáticos confidenciais americanos fatalmente criaria mais do que constrangimentos para os Estados Unidos e os governos com que se relacionam. Ontem, no quarto dia de publicação das mensagens obtidas pelo site WikiLeaks e repassadas a quatro jornais e uma revista semanal que as editam (New York Times, Guardian, Le Monde, El País e Der Spiegel), o constrangimento se transformou numa crise política de proporções consideráveis, envolvendo nada menos do que os EUA e a Rússia.

Já na segunda-feira vazou um documento no qual diplomatas americanos, avaliando a correlação de forças em Moscou, comparam o primeiro-ministro Vladimir Putin ao Batman das histórias em quadrinhos, relegando o presidente Dmitri Medvedev ao papel do coadjuvante Robin. A analogia destoa da boa linguagem diplomática, mas é pertinente. Pior foi o secretário de Defesa dos EUA, Robert Grave, ser citado como tendo dito que "a democracia russa desapareceu" e que Moscou está nas mãos de "uma oligarquia dirigida pelos serviços secretos".

Relatos sobre a situação de outros países, incluindo perfis de seus dirigentes, altos funcionários e opositores, bem como explicações e prognósticos sobre as suas políticas, são triviais em diplomacia. Entre os afazeres dos embaixadores no estrangeiro, espionar o anfitrião é tão importante como negociar com ele. Já o interlocutor que se abre com um diplomata sabe que as suas palavras alcançarão leitores mais bem situados na hierarquia da qual aquele faz parte. Nesse jogo, baseado no princípio da confiança recíproca, uma coisa é inadmissível: a quebra do sigilo.

Quando isso acontece, ainda mais como agora, em escala industrial, o desconforto é generalizado e trivialidades se transformam em fatos políticos - com risco de crise. O governo incapaz de guardar os seus segredos tem de dar conta do estrago produzido. Pois uma coisa é saber - e todos sabem -, por exemplo, que a Arábia Saudita abomina o Irã e está inquieta com o programa atômico de Teerã, e outra coisa é vir a público que o rei saudita Abdullah, por intermédio do seu embaixador em Washington, instou os EUA a atacar o país - "cortar a cabeça da serpente", teria mandado dizer.

Perto disso, importa menos do que um grão de areia se o ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, de fato confidenciou ao então embaixador Clifford Sobel que o à época secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, "odeia os Estados Unidos" e que o presidente boliviano, Evo Morales, tem um tumor no nariz. Mas, perto do que vazou das análises dos principais diplomatas americanos acreditados em Moscou sobre a Rússia, o constrangimento em que a negligência dos EUA deixou o monarca saudita pode não durar mais do que redemoinho no deserto.

A Rússia de Putin é equiparada a uma cleptocracia autocrática, em que a elite dirigente, as agências de segurança, as oligarquias dos grandes conglomerados econômicos e o crime organizado se associaram para criar um "virtual Estado mafioso". Nada que já não se soubesse - embora sem tamanha profusão de detalhes. Mas, exposto ao mundo, o libelo leva às cordas o que o presidente Barack Obama tinha a apresentar como a sua mais promissora realização em política externa a reaproximação com a Rússia, o restart de que falou a secretária de Estado Hillary Clinton depois de seu primeiro encontro com Medvedev, no começo do ano passado.

Putin não perdoará em especial o despacho do então embaixador William Burns sobre o rumor de que o círculo íntimo do líder russo ordenou a eliminação do agente Alexander Litvinenko, envenenado em Londres há 4 anos. A naturalidade com que o boato foi recebido em Moscou "diz tudo do que se espera do Kremlin", escreveu o diplomata.

É improvável que os EUA consigam estancar o aluvião de bisbilhotices explosivas que viajam da internet para alguns dos mais importantes órgãos da imprensa mundial. O fracasso das primeiras tentativas de bloquear o WikiLeaks é sintomático. Em nome do direito à informação, melhor assim.

---

(*) O QUE SERÁ (A FLOR DA PELE} (Chico Buarque).

---

GOVERNO LULA/''ROYALTIES'' DO PETRÓLEO [In:] DE QUEM É O PETRÓLEO ?

...

Royalties do Rio nas mãos de Lula agora



Pré-sal do Rio nas mãos de Lula


Autor(es): Agência O globo/ :Gustavo Paul
O Globo - 03/12/2010


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai vetar, até o próximo dia 31, a chamada Emenda Simon, que revê a atual política de distribuição da renda do petróleo, reduzindo a pó a arrecadação das regiões produtoras, particularmente a do Rio. Mas esta compensação será parcial. O governo deixou claro ontem que não está valendo mais o acordo fechado pelo presidente Lula com os governadores do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, um ano atrás e que uma nova proposta será costurada. As perdas de receita do Rio, assim, tendem a ser bem maiores do que as acertadas.

Reunidos no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), na noite de 10 de novembro de 2009, na presença da então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, os três governantes concordaram que não seriam alteradas as regras para os campos já concedidos; a alíquota dos royalties seria elevada de 10% para 15%; e a União reduziria sua parcela no bolo para garantir mais recursos aos estados e municípios não produtores. Assegurou-se que a redução na receita dos estados produtores seria marginal: a alíquota atual de 26,25% cairia a 25%.

Ontem, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse que o acordo perdeu a validade após as votações no Congresso.

- Aquele acordo foi derrotado na Câmara e no Senado. E agora certamente os novos governadores, os prefeitos e o Congresso Nacional vão se sentar para discutir uma proposta de um projeto de lei - disse Padilha, ressaltando que o acordo pode até servir de base à nova proposta.

Cabral: "Eu confio no presidente"

O presidente Lula limitou-se ontem a elogiar a aprovação do projeto que institui o modelo de partilha. No discurso da última reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) em seu governo, o presidente elogiou o modelo de partilha dos royalties do petróleo do pré-sal aprovado ontem na Câmara.

- Meus agradecimentos porque ontem a Câmara aprovou o modelo de partilha, que é uma coisa que nós entendemos que seja a melhor forma para este país ser dono da sua riqueza e dela fazer a compensação dos desmandos que nós tivemos durante todo o século XX e em outros momentos da nossa História.

O governo federal demonstra que quer deixar para a presidente eleita, Dilma Rousseff, o caminho aberto para recomeçar a negociação do zero, em 2011. Dessa forma, as receitas de exploração do Rio e do Espírito Santo continuariam vulneráveis.

Ontem, o governador Sérgio Cabral, afirmou que está confiante no veto presidencial à Emenda Simon.

- O presidente Lula assumiu um compromisso e ninguém duvida da palavra do presidente Lula - disse. - O acordo foi que vamos redesenhar o percentual dos royalties, de tal maneira que todos os estados recebam, mas que o percentual do Rio aumente de forma a compensar a perda da participação especial. Como vai aumentar o volume de produção, vamos fazer um cálculo, o Rio não ganha mais, mas deixa de perder. O presidente Lula já disse que vai vetar e eu confio no presidente.


O secretário de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, acredita que o presidente Lula deverá cumprir o que acertou ano passado com o governo do Rio. Segundo o secretário, o projeto agora voltará para a Câmara e, portanto, o assunto voltará a ser discutido no próximo ano com o novo Congresso. O secretário diz acreditar ainda que Dilma manterá a promessa feita com o governo do Rio neste ano de não alterar a regulamentação do pagamento dos royalties.

Aguardando o veto, parlamentares do Rio e do Espírito Santo rechaçaram a hipótese de quebra do acordo. O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) acusou a Emenda Simon de "imoral e indecente":


- Querem tirar um direito do Rio por uma esmola da União. O Rio não aceita esmola, até porque a União não tem o hábito de pagar suas esmolas - disse Dornelles.

O senador eleito Lindberg Faria (PT-RJ) disse que vai cobrar o cumprimento dos termos fechados:

- Não aceitamos isso. Não dá para zerar o jogo. O acordo foi fechado pelo presidente Lula, com a presença da então ministra e hoje presidente eleita Dilma.

Sem esconder a surpresa, o governador capixaba, Hartung, endossou a queixa, lembrando a importância política do acordo, que previa não só o veto como compensação diferenciada aos estados produtores.


- Estranho as declarações do ministro Padilha quanto a esta parte do acordo. Ele sempre mostrou entusiasmo com a proposta que fechamos - disse Hartung.

O senador e governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), questionou o argumento de que foi o Congresso quem colocou o entendimento por terra:

- Acordo é acordo. Só pode derrubá-lo quem o fez, que foi o presidente Lula e os governadores do Rio e do Espírito Santo.

O Palácio do Planalto já vem trabalhando numa proposta alternativa, no âmbito do Comitê de Articulação Federativa (CAF), que reúne representantes dos municípios e está ligado à Presidência da República. Como adiantou O GLOBO, a proposta prevê um período de transição de dez anos entre o modelo atual e um novo. Isso deverá levar a uma queda estimada de R$93 bilhões na receita do Rio até 2020.

Receita do Rio cairia para R$90 milhões


Ontem, o governo mandou recados de que vetará a Emenda Simon. Único a se expor publicamente, Padilha disse que vai sugerir a Lula o veto, sob argumento de que ela prejudica o Fundo Social, que vai receber e distribuir os recursos auferidos com a receita de petróleo. A nova distribuição dos royalties foi aprovada no mesmo projeto que institui o Fundo Social e cria o modelo de partilha de produção das áreas do pré-sal.

Nos bastidores, a orientação do governo sempre foi de vetar o artigo, caso ele fosse aprovado pelos deputados. Mas, por ser um tema complexo e polêmico, os técnicos acham que ela só deve ser anunciada ao fim do prazo de 15 dias a partir de sua chegada à Casa Civil. A garantia do veto também foi dada aos governadores do Rio e do Espírito Santo e a integrantes da bancada fluminense por auxiliares diretos de Lula.

A Emenda Pedro Simon (PMDB-RS) foi aprovada no Senado em julho e incorpora o texto da Emenda Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), segundo a qual seriam reunidas num único bolo todas as receitas de royalties e de participações especiais pagas na exploração dos campos do petróleo, inclusive áreas já licitadas. A União ficaria com uma fatia e o restante seria dividido meio a meio entre estados e municípios. Isso reduziria, a valores de 2009, a arrecadação do Estado do Rio de R$4,884 bilhões para apenas R$90,516 milhões. Para evitar o colapso dos entes produtores, Simon adicionou um artigo que transfere para a União a obrigação de ressarcir os estados e municípios prejudicados.

---

DILMA PRESIDENTE [In:] REPÚBLICA ''FEUDALISTA''

...

Dilma mantém feudo de Sarney no governo



Gerson Camarotti , Eliane Oliveira, Maria Lima e Luiza Damé
Autor(es): Agência O globo/ :Gerson Camarotti , Eliane Oliveira, Maria Lima e Luiza Damé
O Globo - 03/12/2010

Pelo menos cinco ministros do governo Dilma Rousseff serão formalmente anunciados hoje, no mesmo formato dos três confirmados até agora: por meio de nota ou comunicado, sem a presença da presidente eleita. Dilma decidiu antecipar a indicação do primeiro ministro do PMDB, o senador Edison Lobão (MA), ligado ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para o Ministério de Minas Energia.

Para tentar diminuir a crise aberta dentro do partido aliado, o convite de Dilma a Lobão foi formalizado ontem à tarde, num encontro na Granja do Torto. Mas o impasse continua. O PMDB quer cinco ministérios, mas Dilma oferece quatro.

Além de Lobão, serão confirmados Antonio Palocci (PT-SP) para a Casa Civil, o atual chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, para a Secretaria Geral da Presidência, José Eduardo Cardozo (PT-SP) para o Ministério da Justiça, e a permanência de Alexandre Padilha na pasta de Relações Institucionais.

Segundo fontes da equipe de transição, não está descartado o anúncio de outros ministros ainda hoje, como a manutenção de Wagner Rossi na Agricultura. A confirmação oficial de outros já dados como certos, casos de Fernando Pimentel (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e Paulo Bernardo (Comunicações), estava prevista para semana que vem. Mas também pode ser antecipada.

Temer ainda insiste por Moreira Franco

Descartada a indicação do secretário de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, a escolha do ministro da Saúde, segundo integrantes da transição, voltou à estaca zero.

Além do pedido de desculpas, de Buenos Aires, o governador Sérgio Cabral teria enviado, segundo boatos que circularam ontem na equipe transição, um buquê de flores brancas para a presidente eleita. As flores foram compradas pelo sistema internacional de venda pela internet. Mais tarde, já depois das 9 da noite, outro boato: Côrtes estaria na Granja do Torto acompanhado de Palocci. A assessoria do secretário negou.

Além desse impasse, Dilma ainda precisa concluir as negociações com o PMDB, que não estão fáceis.

Durante todo o dia, líderes do partido se reuniram com Michel Temer e com Antonio Palocci para pressionar pela indicação de Moreira Franco numa cota pessoal do vice-presidente eleito. Os peemedebistas alegam que, se Temer não conseguir emplacar Moreira no primeiro escalão, sairá desmoralizado.

Mas Dilma insiste que o PMDB só terá quatro ministérios: dois indicados pela bancada da Câmara e dois pela bancada do Senado. No Senado, a negociação está bem encaminhada e o nome mais forte para a segunda indicação dos senadores do partido é o do ex-presidente Garibaldi Alves (RN), para o Ministério de Portos. O primeiro da Câmara é o de Wagner Rossi.

— Há uma guerra para ver qual é o espaço do PMDB no Ministério. O Michel disse publicamente desde o início que o Moreira era a indicação número um dele. Sua nomeação agora passa a ser extremamente importante para a estrutura do PMDB.

Mas não tem sido fácil passar isso adiante — afirmou um dos interlocutores de Temer, ontem, ao final das reuniões.

Com a crise aberta pela nomeação precoce feita por Sérgio Cabral, a palavra de ordem ontem era cautela entre petistas e aliados. O temor é que um anúncio antecipado se torne no dia seguinte um veto da presidente eleita. Lobão, por exemplo, nada quis dizer.

— Ainda estou aguardando uma posição. Esse não é o momento de falar — despistou Wagner Rossi.

— Comigo, não bateram o martelo.

Muita gente que bateu o martelo de forma antecipada, teve que voltar atrás — reforçou o governador Jaques Wagner (PT-BA), que indicou nomes para os ministérios do Nordeste.

Nas seguidas reuniões do PMDB, o partido sinalizou que se a cota não for de cinco ministérios, a conta do partido não fecha.

Para a segunda vaga da Câmara, o PMDB chegou a ser sondado para ocupar o Ministério da Previdência, mas a proposta não foi bem recebida.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, considerou natural que os partidos façam suas reivindicações por maior espaço e acha que até o dia da posse tudo estará resolvido.

— Eu tenho plena confiança que todos os partidos que fazem parte dessa coligação estão empenhados em garantir o sucesso do governo.

Vão estar representados de acordo com o peso de cada um.

Até a posse, vai se confirmar o Ministério em que todos os partidos vão estar representando e atuando para sucesso do governo Dilma — disse Dutra.

Há um impasse também na escolha do ministro dos Transportes. O presidente do PR, Alfredo Nascimento (AM), tenta se viabilizar para voltar ao cargo, mas ontem entrou e saiu de um encontro com Dilma sem qualquer definição.

A presidente eleita reclamou que o PR precisa entrar em um consenso sobre os nomes, já que além de Nascimento, o presidente da Confederação Nacional dos Transportes, Clésio Andrade, indicou o deputado Jaime Martins (PR-MG) para o mesmo cargo. A presidente pediu que o PR se entenda até a próxima terça-feira, para que possa anunciar o escolhido.

---

DILMA PRESIDENTE [In:] DUELO DE TITANS

...

Duelo entre Mantega e Meirelles



O último duelo de Mantega e Meirelles


Autor(es): Luciano Pires e Liana Verdini
Correio Braziliense - 03/12/2010

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, travam um duelo sobre o combate à disparada dos preços. Uma das saídas pode ser o aumento do compulsório para os bancos.

Inflação em alta acirra divergências entre o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central sobre o aumento dos juros. Como alternativa, a autoridade monetária pode subir o depósito compulsório dos bancos

Adversários no discurso e na prática, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, armam-se para um último duelo.

Com os índices da inflação nas alturas — as projeções apontam para 6% neste ano e em 2011, acima do centro da meta de 4,5% perseguida pelo BC —, a política de juros e a estabilidade da economia viraram, de novo, motivos de embates entre os dois principais personagens da atual equipe econômica. Às vésperas de mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), ambos divergem sobre o remédio a ser ministrado para estancar o repique de preços.

Há quem aposte no surgimento de uma via alternativa: o aumento dos depósitos que os bancos são obrigados a fazer compulsoriamente nos cofres do BC. Seria uma forma de restringir e encarecer o crédito e, por tabela, frear o consumo e conter a inflação. As mudanças nos compulsórios podem ser anunciadas ainda hoje.

Na intensa guerra de bastidores, Meirelles avalia que a inflação está disseminada e que as últimas altas mensais não se devem apenas à valorização das commodities (mercadorias com cotação internacional) e à disparada dos preços dos alimentos ao consumidor final. As ameaças reais, segundo ele, estão relacionadas aos serviços, que passaram a emitir sinais preocupantes de encarecimento — com alta acumulada de mais de 7% nos últimos 12 meses. Mantega avalia diferentemente. Para o ministro da Fazenda, a inflação está domada e não há motivos que justifiquem qualquer mexida nos juros, pois o que se vê são variações atípicas no valor dos alimentos, que logo serão corrigidas.

Despedida
Preterido pela presidente eleita, Dilma Rousseff, o presidente do BC já avisou a interlocutores que pode comandar um movimento de elevação da taxa básica de juros (Selic) — hoje em 10,75% ao ano —, despedindo-se assim em “alto estilo” do comando da autoridade monetária. A reunião do Copom ocorrerá nas próximas terça e quarta-feira. Parte do mercado aposta em uma alta de 0,5 ponto percentual como forma de blindar a economia. Outra corrente de analistas crê que o Banco Central manterá a Selic estável, pelo menos neste mês, iniciando em janeiro do próximo ano o ciclo de alta. Pesquisa da Reuters revelou que bancos e consultorias esperam que o aperto monetário em 2011 será de até dois pontos percentuais.

A elevação da Selic, como quer Meirelles, é um problema para Dilma. A sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva prometeu durante a campanha eleitoral reduzir a taxa real (que desconta a inflação) para 2% até 2014. Caso seu mandato se inicie sob a espada da elevação da Selic, a presidente eleita terá maior dificuldade para cumprir o objetivo. Economistas independentes alertam que a tarefa já é ingrata por si só, mas que o cenário tende a piorar ainda mais se o próximo governo não fizer os necessários cortes de gastos ou melhorar a qualidade do investimento.

Prestigiado por Dilma e confirmado no cargo em 2011, o ministro da Fazenda colocou-se em posição de combate ontem. Mantega mandou recados explícitos ao mercado, ao Copom e a Meirelles. “A situação está sob controle. (A inflação) não vai escapar da meta, e o governo fará o que for necessário para que isso continue”, disse logo depois da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), órgão consultivo formado por representantes da sociedade civil e ligado diretamente à Presidência da República.

Reversão
A avaliação sobre o comportamento da inflação no Brasil não deve ser feita apenas considerando os alimentos, mas observando o conjunto dos preços da economia, justificou Guido Mantega. Para o ministro, haverá uma reversão do quadro no início do próximo ano. Como argumento, Mantega lembrou que o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, retirando alimentação e combustíveis, acumula taxa abaixo de 5% em 12 meses. Já com os dois itens, o índice sobe para 5,2%. “Estamos dentro da meta. Um pouco acima do centro, mas num movimento relacionado com uma economia que está crescendo fortemente”, disse.

Mantega não escondeu a expectativa pela redução dos juros após a regulamentação do cadastro positivo, aprovado no Senado na noite de quarta-feira. “Quando conversamos com as instituições, garantiram a redução do spread (a diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetivamente cobrada dos clientes). E vamos cobrar essa fatura, depois que o cadastro positivo entrar em vigor”, afirmou.

“O BC está atrasado”

Gabriel Caprioli

Os indícios de que a necessidade de se retomar o arrocho monetário e de aumentar com urgência os juros são claros, na avaliação da maior parte do mercado: há avanços dos preços correntes, que estão chegando próximo ao teto da meta definida para o IPCA — índice oficial de inflação; a trajetória livre das influências sazonais aumenta; e as expectativas futuras seguem se deteriorando. Entretanto, ainda pairam dúvidas se o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai assumir o ônus de elevar a taxa básica (Selic) na semana que vem, o que configuraria sua última decisão relevante no cargo.

“O cenário mais provável com o qual trabalhamos é de que, na próxima reunião, os juros sejam mantidos e a ata (documento publicado uma semana depois do encontro, com as justificativas da decisão) traga uma mensagem preparatória para um aumento em janeiro”, avaliou o ex-presidente do Banco Central e atual diretor da Tendências Consultoria, Gustavo Loyola. Para o economista, no entanto, os sinais de pressões inflacionárias acumulam-se e, quanto antes vier o aumento da taxa, melhor. “Não há como negar que o BC já está atrasado.”

As opiniões das 100 maiores instituições consultadas pelo BC semanalmente apontam para a manutenção dos juros pelo Conselho de Política Monetária (Copom) na próxima semana. Contudo, alguns analistas já imbicam na direção contrária. Bernardo Fiaux, analista da Personale Investimentos, ressaltou que as negociações de contratos futuros de juros tiveram um salto. “A surpresa (no pregão de ontem) ficou por conta dos juros futuros, que subiram muito. O mercado aposta que o Banco Central vai aumentar em 0,25% a Selic”, avaliou.

Encarecimento
No fechamento das negociações, os contratos com vencimentos em janeiro de 2013 registraram avanço nos juros de 12,29% para 12,36% ao ano. Já os que se encerram em janeiro de 2014 mostraram elevação de 12,14% para 12,20% ao ano. Na prática, esses valores significam que aumentou a procura por aplicações financeiras que estimam um aumento na taxa Selic. Mais do que a meta fixada pelo BC (atualmente em 10,75% ao ano), são esses contratos que encarecem os financiamentos, já que suas taxas servem de base para a negociação entre os bancos no mercado financeiro.

---

DILMA PRESIDENTE/MINISTÉRIOS [In:] NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM ''CARDOZO''; TINHA UM ''CARDOZO'' NO MEIO DO CAMINHO ... *

...

CARDOZO FECHA A COTA DE DILMA



NOVO LOTE DE NOMES COM O "OK" DE DILMA


Autor(es): Denise Rothenburg
Correio Braziliense - 03/12/2010

A presidente eleita escolheu o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), um dos coordenadores da campanha, para o Ministério da Justiça. Já o PMDB emplacou Edison Lobão em Minas e Energia, e Wagner Rossi na Agricultura.

A presidente eleita planeja confirmar hoje mais uma lista de figuras que vão compor o seu ministério. Cardozo, na Justiça, além dos peemedebistas Lobão (Minas e Energia) e Wagner Rossi (Agricultura), está confirmado

Está tudo pronto para que a presidente eleita, Dilma Rousseff, anuncie hoje mais um lote de ministros. Entre a madrugada e a tarde de ontem, por exemplo, ela escolheu mais três: José Eduardo Cardozo (PT-SP) para a Justiça; Wagner Rossi (PMDB-SP), para Agricultura, e o senador reeleito Edison Lobão (PMDB-MA), que retorna ao Ministério de Minas e Energia. Os anúncios devem ser feitos por nota oficial, conforme ocorreu com os nomes já oficializados.

A intenção da equipe de transição é a de que ela anuncie hoje o núcleo palaciano e aqueles mais próximos, algo que já está fechado. Dilma raiou a madrugada batendo o martelo sobre o nome do futuro ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O deputado petista, que não foi candidato a deputado federal para voltar à advocacia, terminou integrando a coordenação da campanha. Ontem, foi convidado oficialmente para o governo, numa reunião na Granja do Torto que terminou depois de 1h da manhã. Lá estava ainda o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Cardozo saiu da Granja do Torto e viajou para aproveitar a sexta-feira e o fim de semana em consultas a dois ex-ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos e Tarso Genro, sobre a composição da equipe (leia mais na página 3).

A escolha de Cardozo fecha a configuração dos ministros da cota pessoal da presidente eleita e aqueles mais próximos. Estão nesse rol os futuros ministros da Casa Civil, Antonio Palocci; da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho; o da Fazenda, Guido Mantega; e a doPlanejamento, Miriam Belchior. Carvalho e Palocci ainda não foram anunciados e há ainda Alexandre Padilha, cotado para permanecer no Ministério de Relações Institucionais, nas mesmas funções que exerce hoje no governo Lula.

Na reunião com Dilma, Palocci, Cardozo e ainda o presidente do PT, José Eduardo Dutra, fizeram uma avaliação geral do processo de escolha dos ministros de outras pastas. Citaram inclusive a preferência por Antonio Patriota para Relações Exteriores e a indicação de Paulo Bernardo como nome já fechado para as Comunicações. Bernardo, inclusive, já se reuniu com integrantes do futuro ministério. No seu ofício, passarão pelo seu crivo a escolha do presidente dos Correios, de diretores da Agência Nacional de Telecomunicações e da Telebras. Ele foi uma espécie de interventor na área para ajudar a fortalecer os Correios quando houve a crise que resultou na queda da diretoria este ano.

“Tricô”
Dilma aproveitou ainda para tratar com seus futuros ministros e aliados de primeira hora o espaço do PMDB. E foi justamente para tentar amenizar a situação do partido que ela convidou ontem os ministros da Agricultura e de Minas e Energia. A ideia é não deixar enfraquecer a posição de Michel Temer como negociador. Afinal, Dilma aprendeu a confiar e a admirar o vice e não deseja outro interlocutor no PMDB.

Já ficou definido, por exemplo, que o PMDB terá mais dois ministérios, um para a Câmara e outro para o Senado. No rol estão Cidades e Previdência. “Se Cidades não for oferecido ao PP, nós poderemos discutir, mas não vamos pedir o espaço de um aliado do bloco”, comentou ontem o líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN), numa declaração mais amena do que aquela feita há dois dias. E já há quem diga que é possível dar ao partido uma quinta posição. Ontem mesmo houve reunião entre Palocci e o ex-vice-presidente de Loterias da Caixa Econômica Wellington Moreira Franco, do PMDB, para conversar a respeito (leia detalhes na página 6). Michel Temer, quebrando a tradição, permaneceu em Brasília ontem fechado em negociações sobre o futuro ministério. Enquanto ele conversava com o partido, os governadores do Nordeste se reuniam em Brasília para tentar se fortalecer e, assim, conquistar não só a Integração Nacional como outros espaços importantes para o governo (leia mais na página 4).

Colaborou Ivan Iunes

O time e as cifras
Veja o perfil e o Orçamento à disposição de alguns dos integrantes (uns prováveis, outros certos) do ministério de Dilma

Justiça
José Eduardo Cardozo (PT)
Um dos assessores diretos de Dilma, o deputado pelo PT paulista desistiu da reeleição para se dedicar à campanha. Como participou das negociações para formar a aliança de apoio à petista, tornou-se um dos três nomes principais ao redor da candidata. Foi convidado oficialmente na madrugada de ontem. Na pasta da Justiça, caberá a ele controlar um caixa de R$ 11,017 bilhões.

Minas e Energia
Édison Lobão (PMDB-MA)
Jornalista, advogado e empresário, assumiu o cargo pela primeira vez em janeiro de 2008, depois da longa interinidade de Nelson Hubner. A desconfiança sobre suas capacidades no setor não durou. Montou quase toda a equipe com pessoas que já haviam trabalhado com a ex-ministra Dilma Rousseff e não se desviou um milímetro dos projetos traçados por ela. Caiu nas graças e na simpatia da toda-poderosa do Planalto. É senador desde 1987, com intervalos de 1991 a 1994, quando foi governador do Maranhão. Sempre fiel à família Sarney, garantiu fácil sua recondução ao ministério. Terá a seu dispor um cofre com R$ 5,7 bilhões.

Agricultura
Wagner Rossi (PMDB-SP)

Ex-deputado pelo PMDB paulista, sempre foi próximo a Michel Temer e da bancada ruralista, a qual integrou por cinco anos. Esses dois fatores lhe garantiram a indicação para permanecer no cargo. Rossi chegou ao governo Lula como presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e, em 2008, foi guindado ao ministério, substituindo o deputado Reinhold Stephanes, também do PMDB. A pasta gerenciará R$ 8 bilhões.

Ministério das Comunicações
Paulo Bernardo (PT)
Entre os desafios que o atual ministro do Planejamento terá pela frente na pasta está a questão das concessões de rádio e TV, da implantação do Plano Nacional de Banda Larga e da nova lei de comunicação eletrônica. Bernardo tem grande credibilidade e respeito do presidente Lula, que recorre a ele quando tem problemas a resolver. Terá ao seu dispor um cofre com R$ 4,36 bilhões.

Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior Fernando Pimentel (PT)
Ex-prefeito de Belo Horizonte e candidato derrotado ao Senado, é amigo pessoal da presidente eleita. Conheceu Dilma durante o movimento estudantil e na militância contra a ditadura militar. Na campanha, atuou como colaborador informal. Sua principal tarefa será ajudar a formular a política industrial do governo num cenário de dificuldades no setor exportador por conta da valorização do real frente ao dólar e ao euro. Terá à disposição um Orçamento estimado em R$ 1,76 bilhão.

Defesa
Nelson Jobim
O ministro da Defesa aceitou o convite da presidente eleita para continuar no cargo. O presidente Lula havia manifestado o desejo de que ele permanecesse em razão de sua boa relação com as Forças Armadas. De acordo com um petista, Jobim só aceitou negociar sua permanência com a condição de retirar o setor de aviação civil da competência do Ministério da Defesa. Tem ao seu dispor R$ 60,2 bilhões.

Educação
Fernando Haddad (PT)
Após pressão de Lula pela manutenção de Haddad, a presidente eleita, Dilma, decidiu fazer o convite para sua permanência. Haddad teve a imagem arranhada pelas falhas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Apesar de resistências do PT ao ministro, considerado “pouco político”, a avaliação de Lula, de que ele faz um bom trabalho, falou mais alto. Maneja um dos maiores orçamentos da esplanada: R$ 62,5 bilhões.

Casa Civil
Antonio Palocci (PT)
Provável titular do ministério responsável pela coordenação do governo, Palocci será reabilitado na cena política. Fiador do rumo econômico no primeiro mandato de Lula, o então comandante da Fazenda foi abatido em março de 2006, no rastro do escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo. Palocci foi inocentado pelo STF. Entre suas atribuições, fará dobradinha com a Secretaria das Relações Institucionais na articulação política e cuidará da interlocução com governadores e prefeitos. A Casa Civil tem orçamento estimado em torno de R$ 1 bilhão.

Saúde
Sérgio Côrtes (PMDB)
O secretário de Saúde do Rio de Janeiro era nome praticamente certo, mas ficou pendente em função de o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ter anunciado o nome antes de a bancada do PMDB ser consultada. É responsável pela implantação das Unidades de Pronto-Atendimento 24 Horas, as UPAs, que Dilma esperava ampliar para o resto do país. O titular da pasta terá de manejar um montante de R$ 74 bilhões.

Fazenda
Guido Mantega
Quadro histórico do PT, nasceu em Gênova (Itália) e sempre defendeu uma filosofia econômica voltada ao desenvolvimento, com juros menores. Intitula-se “keynesiano”, corrente que se caracteriza pela percepção de que o mercado não se autorregula e, também, por uma intervenção maior do Estado na economia. Mantido no cargo, que assumiu em março de 2006 após a demissão de Palocci, seus primeiros desafios serão melhorar a gestão das contas públicas, compromisso de Dilma durante a campanha. No cofre da pasta, R$ 19,7 bilhões.

Planejamento
Miriam Belchior
Já confirmada na pasta, deve levar para o novo cargo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do qual estava à frente como subchefe da Casa Civil. Foi uma das responsáveis pela implantação do programa em 2007 e atuou nos últimos meses na seleção dos projetos do PAC 2. Como integrante da equipe de Dilma na Casa Civil, assumiu uma posição de diálogo nos temas referentes à infraestrutura entre União, estados e municípios. Foi mulher de Celso Daniel, ex-prefeito do PT de Santo André assassinado em 2002. No primeiro mandato de Lula, atuou na integração de programas no Bolsa Família. Sua pasta gerencia um caixa de R$ 16,2 bilhões.

===

(*) Parafraseando Drummond de Andrade.

---

quinta-feira, dezembro 02, 2010

XÔ! ESTRESSE [In:] ''... AND THE OSCAR (wilde) GOES TO...''


...







Homenagem aos chargistas brasileiros.
---

EUA/MUNDO/''HACKERs'' [In:] A QUE(M) SERVIÇO PRESTAM ?

...

O que o vazamento do WikiLeaks ensina



Autor(es): Agência O globo/ :
O Globo - 02/12/2010



O australiano Julian Assange, o hacker responsável pelo site WikiLeaks, o terror de autoridades no mundo inteiro, devido ao vazamento de informações que patrocina, é considerado por David Brooks, colunista do "New York Times, um "anarquista à moda antiga", para quem todas as instituições são corruptas e os pronunciamentos públicos, mentiras deslavadas.


Daí, Assange não pensar duas vezes antes de divulgar tudo o que lhe chega às mãos, sem critério, como demonstra a atuação do site. David Brooks, em recente coluna, registra que, de acordo com a revista "New Yorker", Assange já revelou detalhes técnicos de um equipamento do Exército americano criado para prevenir a explosão de bombas colocadas em estradas, uma importante causa de baixas do país no Oriente Médio. Não preocupou o australiano se a revelação das informações colocaria vidas em perigo.

Mas não é o caso de se decretar uma caça a Julian Assange. Afinal, toda a sociedade tem o direito de ser informada de assuntos de Estado - o desativador de bombas, por óbvio, não se enquadra neste caso. Mas é melhor existir o WikiLeaks do que não. A questão passa a ser outra: o processamento das informações divulgadas em bruto por Assange.

A última, e ainda em andamento, operação do WikiLeaks é esclarecedora de alguns aspectos deste mundo cada vez mais digitalizado, em que arquivos nunca estão absolutamente a salvo, e a privacidade se torna um conceito cada vez mais relativo.

De posse de cerca de 200 mil documentos do Departamento de Estado americano, o site decidiu passá-los com alguma antecedência a quatro veículos de imprensa: ao inglês "Guardian", ao francês "Le Monde", ao espanhol "El País" e à revista alemã "Der Spiegel". O "Guardian" repassou-os ao "New York Times". Tem sido exemplar o comportamento destas redações. Em duas ou três semanas, antes da primeira publicação coordenada da série de matérias, editores se lançaram a um enorme trabalho de garimpagem para escolher o que lhes interessava, e de triagem.

Como sempre ocorre nestas situações, tem de ser pesado o interesse público das informações, se a divulgação delas colocará em risco a integridade física de pessoas, e avaliar-se até mesmo questões de segurança nacional - as quais costumam ficar em segundo plano diante do interesse da sociedade.

Estas redações exercem um papel estratégico de filtro, ainda mais essencial no universo da internet, um avanço tecnológico histórico, mas que também serve para toda sorte de malfeitorias: denegrir pessoas e instituições, caluniar, manipular com interesses político-ideológicos etc. No mundo dos blogs maliciosos, das informações inverídicas espalhadas em comunidades virtuais, do uso criminoso da internet, é crescente a importância dos tradicionais grupos de comunicação. Por também atuarem em todas as novas plataformas digitais, eles estão em posição privilegiada dentro desta cacofonia digital.

Pessoa ligada visceralmente a este novo mundo, Julian Assange deve ter encontrado boas razões para bater às portas da "velha" mídia.


---

BRASIL/EDUCAÇÃO [In:] REPROVADO !!!

...

Falta qualidade à educação no país, diz estudo




Nas escolas públicas, deficiência de aprendizado


Autor(es): Agencia o GloboAdauri Antunes Barbosa
O Globo - 02/12/2010

Um estudo do movimento Todos pela Educação concluiu que apenas 14,8% dos estudantes que concluem o ensino fundamental e 11% dos que terminam o ensino médio sabem matemática. O desempenho em língua portuguesa também é ruim.

Dados do Todos pela Educação mostram que alunos concluem o ensino médio sem saber matemática e português


Os alunos das escolas públicas brasileiras não estão tendo o aprendizado adequado, conforme apontam dados divulgados ontem pelo movimento Todos pela Educação. Apenas 11% dos estudantes que terminam o 3º ano do ensino médio sabem o conteúdo apropriado de matemática e apenas 14,8% dos que concluem o ensino fundamental compreendem essa disciplina.



Em língua portuguesa, o desempenho é um pouco melhor, embora ainda muito baixo. Apenas 28,9% dos alunos que terminam o ensino médio (3º ano) têm o conteúdo adequado da matéria. Na conclusão do ensino fundamental, o índice não passa de 26,3%. E entre os alunos de 5ª série, chega a 34,2%.

Os dados fazem parte do relatório "De olho nas metas", elaborado anualmente pelo Todos pela Educação, grupo de especialistas e interessados em educação que acompanha cinco metas que devem ser cumpridas até 2022: toda criança de 4 a 17 anos deve estar na escola; toda criança deve estar plenamente alfabetizada até os 8 anos de idade; todo aluno deve ter aprendizado adequado à série; todo jovem deve concluir o ensino médio até os 19 anos; e os investimentos em educação devem ser ampliados.



A meta mais importante sugere que "70% ou mais dos alunos terão aprendido o que é adequado para a sua série". Se a evolução continuar no ritmo atual o Brasil só vai atingi-la em 2050. Embora nenhuma das séries avaliadas esteja próxima da meta estabelecida, no 5º e no 9ºano do ensino fundamental houve melhora em língua portuguesa na comparação com o primeiro ano do Sistema de Educação Básica (Saeb), 1999. No ensino médio, 28,9% atingem o objetivo para a etapa, enquanto eram 27,6% há 10 anos. Em matemática, no entanto, os que atingiam o objetivo eram 11,9% há dez anos e hoje são 11%.

- Isso significa que 89% das nossas crianças estão concluindo a educação básica sem aprender o mínimo - explicou Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação.

Para o sociólogo Simon Schwartzman, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), a evolução no aprendizado do português, embora pequena, não deve ser atribuída à melhoria da qualidade do ensino. Segundo ele, o português está associado à educação familiar.

- Se a família fala um pouco melhor, a criança aprende. Matemática depende da escola, o que significa que a instituição não está ensinando - disse.

Em matemática, a meta para o ensino médio era de 14,3% e a média geral do país ficou em 11%. O pior desempenho é da Região Norte, com 4,9%, seguido pelo Nordeste (6,8%), pelo Centro-Oeste (10,4%), pelo Sudeste (13,7%) e pelo Sul (16,5%). A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Almeida e Silva, admitiu o atraso do país no ensino médio, mas se queixou da "herança histórica":

- Não são só dez anos que se perderam, são 500 anos perdidos. Muitas gerações foram desperdiçadas. O que fazemos para tentar recuperar é o Prouni, a Educação de Jovens e Adultos.

O ensino médio recebe um dos menores investimentos do governo por estudante. Em geral, porém, o Brasil está indo na direção de alcançar a meta do Todos pela Educação de melhorar a gestão e aumentar o investimento em educação, chegando a 5% do PIB.

No quadro atual dos investimentos, o ensino superior recebe mais recursos: R$15,4 mil por ano/aluno, depois no ensino fundamental (R$3,2 mil por aluno/ano) e no médio exatos R$2.317 por aluno/ano.

No ranking dos estados que mais investem na educação, em primeiro está o Distrito Federal (R$4.834,43 por aluno/ano), seguido por Roraima (R$4.367,37) e Amapá (R$3.729,39). O Rio está na 10ª posição, com R$2.773,33 por aluno e São Paulo em 9º (R$2.930,56).

Em outra meta do Todos pela Educação - a de que todo jovem ou criança de 4 a 17 anos deve estar na escola -, o país já chegou, em 2009, a 91,9%, apesar do objetivo de 92,2% não ter sido atingido. A meta é ter 98% dos alunos desta faixa etária em sala de aula em 2022.

- Não podemos cair na cilada de achar que este número é a universalização. Ainda temos 3,7 milhões fora da escola, algo igual a população do Uruguai - diz Priscila Cruz, que aponta como o mais perverso dessa realidade o fato de 85% dos sem escola serem os mais pobres:

- A educação não está fazendo seu papel de criar mobilidade social.

Concluíram o ensino fundamental 63,4% dos adolescentes de até 16 anos (a meta era 64,5%) e 50,2% das pessoas com 19 anos no ensino médio, mais que a meta, de 46,5%.


DILMA PRESIDENTE [In:] BASE DESALINHADA - II

...

PMDB reage e veta Côrtes para a Saúde



Reação no PMDB barra Côrtes na Saúde


Autor(es): Eugênia Lopes, Vera Rosa, Rosa Costa
O Estado de S. Paulo - 02/12/2010

Depois de ser indicado e anunciado como escolhido para o Ministério da Saúde do novo governo, o médico ortopedista Sérgio Côrtes viu seu nome ser descartado. A mudança decorreu de uma crise política envolvendo o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e a bancada do partido na Câmara dos Deputados. A própria presidente eleita, Dilma Rousseff, se encarregou de dar o recado. "Ainda não escolhi o meu ministro da Saúde", disse.


Secretário vira alvo de disputa entre governador do Rio, seu padrinho, e a direção do partido; suspeita de corrupção também atrapalha


Menos de 24 horas depois de ter sido anunciado como o escolhido para o Ministério da Saúde da presidente eleita, Dilma Rousseff, o médico ortopedista Sérgio Luiz Côrtes viu seu nome revogado do cargo em meio a uma crise política envolvendo o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e a bancada peemedebista na Câmara.

Cabral era o padrinho da indicação, que não foi acatada nem pelo vice de Dilma, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), nem pela bancada do partido.

Dilma ficou irritada com o que chamou de "precipitação" no anúncio de nomes do ministério. Em reunião com médicos, ontem, no Centro Cultural Banco do Brasil, ela afirmou que os indicados para o setor ainda não foram definidos. "Eu queria deixar claro para vocês que ainda não escolhi o meu ministro da Saúde", alertou, diante de uma plateia formada por nomes de peso, como o cardiologista Adib Jatene. E acrescentou: "Mas ele (o novo ministro) honrará a tradição de Temporão e Adib Jatene".

"O anúncio precipitado do nome de Côrtes o fez, provavelmente, dormir ministro e acordar sem a pasta", resumiu o deputado Rocha Loures (PR). Em reunião na Câmara, as lideranças do PMDB rejeitaram endossar o nome do secretário de Saúde do Rio. Se a presidente quiser mantê-lo, ele entra como parte de sua "cota pessoal", disseram.

Foi o próprio governador Cabral que, no Rio, anunciou formalmente a suposta escolha de Sérgio Côrtes para suceder a José Gomes Temporão. "Foi feito o convite por mim, em nome da presidente, e ele aceitou", confirmou Cabral na terça-feira à tarde, no Rio. No encontro da noite anterior, na Granja do Torto, Dilma advertiu o governador de que a indicação teria de passar pelo crivo do PMDB na Câmara e no Senado.

Fato consumado. Em conversas reservadas, integrantes da equipe de transição entendem que Cabral quis "criar um fato consumado" e acabou causando desconforto político na aliança governista. O presidente do PMDB, Michel Temer, não escondeu sua contrariedade com o anúncio de Côrtes - ele sequer participou da reunião em que o assunto foi tratado. Segundo seu relato, Cabral lhe telefonou para dizer que o pedido partiu de Dilma. "Ele disse: "Ó Temer, não procurei ninguém (do partido) porque isso foi cota pessoal. Ela (a presidente) me chamou, queria um técnico para a Saúde, disse que aprecia muito o trabalho de Sérgio Côrtes e, portanto, entrava na cota pessoal dela"", afirmou o vice eleito. Além disso, a cúpula do PT descobriu que há várias denúncias contra a gestão de Côrtes na Saúde do Rio.

Sabendo da contrariedade da bancada, Temer pediu licença a Cabral para relatar a conversa ao partido. "Pode divulgar", respondeu Cabral.

O PMDB adianta que não pretende ser "barriga de aluguel" para abrigar o indicado de Sérgio Cabral. Assim como Nelson Jobim, na Defesa, não pode ser creditado à conta do partido, o mesmo se aplicaria no caso da Saúde. Ao final do encontro da bancada, ontem, o líder do partido na Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), foi evasivo sobre a manutenção da indicação de Côrtes: "Pode ser que sim, pode ser que não."


COLABORARAM ANDREA JUBÉ VIANNA, DENISE MADUEÑO e CHRISTIANE SAMARCO.

DILMA PRESIDENTE [In:] BASE DESALINHADA

...

Aliados e Lula ainda dominam indicações



Cobertor curto de Dilma na Esplanada


Autor(es): Tiago Pariz
Correio Braziliense - 02/12/2010

Apenas 15% dos nomes anunciados para o futuro governo foram escolhidos pessoalmente por Dilma Rousseff. A maioria dos futuros servidores do primeiro escalão reflete os interesses das legendas que a elegeram ou pertencem à cota do atual presidente.

Imersa entre as preferências dos partidos aliados e as de Lula, a presidente eleita fica com espaço restrito para compor o ministério que espelhe suas convicções. Até agora, só 15% das indicações são dela

A presidente eleita, Dilma Rousseff, tem pouca margem de manobra para dar a cara que gostaria à equipe de governo. Entre as imposições do mentor Luiz Inácio Lula da Silva e dos cargos em disputa pelos partidos aliados, ela conseguiu emplacar até agora seis nomeações de sua lavra pessoal, o que representa cerca de 15% do total de pastas distribuídas na Esplanada.

O governo de Dilma poderá chegar a 40 pastas, 38 herdadas do presidente Lula e duas que poderão ser criadas por ela. Até agora, anunciou-se apenas a instalação do Ministério de Micro e Pequenas Empresas, mas está em gestação a construção de uma secretaria, com status de ministério, para tratar de aeroportos. Existe também a possibilidade de essa estrutura ser incorporada à Secretaria de Portos.

Do total, 21 ministérios estão jogados no balaio de divisão com os partidos aliados. O restante está na esfera de influência e nomeação da presidente. Nesse corte, Dilma escolheu pessoalmente José Eduardo Cardozo (Justiça), Paulo Bernardo (Comunicações), Fernando Pimentel (Desenvolvimento e Indústria), Miriam Belchior (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais). Outros seis foram escolhas de Lula, confirmadas pela presidente eleita (veja ilustração).

Ainda no início da corrida eleitoral, o atual presidente impôs a presença do deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) na coordenação da campanha petista. Durante o processo, ele acabou ganhando a confiança de Dilma e aumentou seu cacife, conseguindo a nomeação para a pasta mais próxima da presidente eleita, a Casa Civil. Logo depois de eleita, Lula ainda pediu que Dilma mantivesse nos cargos os ministros da Fazenda, Guido Mantega; da Justiça, Nelson Jobim; da Educação, Fernando Haddad; e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

A petista peitou apenas a indicação para a autoridade monetária. Dilma chegou a torcer o nariz para Jobim, mas acabou convencida. O PT também fez enorme esforço para desalojar o titular da Educação, mas Lula bateu no peito e fez prevalecer sua vontade. O mesmo deve ocorrer com a ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira. O PT protestou contra a permanência dela, que não tem filiação partidária, e tentou emplacar outro nome na pasta, mas parece ter perdido o braço de ferro. Amigo pessoal do presidente, Gilberto Carvalho também permanecerá no governo a pedido do atual presidente, na Secretaria-Geral da Presidência. É um dos poucos remanescentes do primeiro mandato de Lula.

“Esse pessoal tem um padrinho político muito forte. A Dilma não vai ser contrária aos pedidos do Lula”, afirmou um petista, na condição de anonimato. Apesar de exercer influência em cima da pupila, o presidente prega que a sucessora emplaque um ministério com a cara dela. “Sou defensor da ideia de que ela tem que montar um ministério a sua cara e semelhança. Ela tem que escolher o ministério que queira porque essa coisa é complicada. Se você monta um time de futebol e não comanda os jogadores, jogador derruba técnico. Ministro é fácil de colocar. Tirar é duro”, disse Lula no início da semana. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), faz a mesma pregação. “Não é o nono ano do governo Lula. É o primeiro ano do governo Dilma”, disse.

Escalada
Essa não é, contudo, a cara do ministério de Dilma. Os seis que ela já indicou podem aumentar para 13 com as indicações dos cargos de assessoria da Presidência, como Comunicação Social, Segurança Institucional, Controladoria-Geral da União, Advocacia-Geral da União, Assuntos Estratégicos, além de postos-chave, como o Ministério de Relações Exteriores e o de Micro e Pequenas Empresas, promessa de campanha.

No Itamaraty, o escolhido deve ser o secretário-geral Antonio Patriota, ex-embaixador em Washington, que pode ser incluído na lavra pessoal da presidente. Dilma já prometeu o ministério de Micro e Pequenas Empresas para Alessandro Teixeira, coordenador-executivo de seu programa de governo. Mas, diante das dificuldades de fechar a conta com partidos aliados, a pasta poderá entrar no balaio de negociações. No Gabinete de Segurança Institucional, o Correio mostrou que Dilma quer colocar um civil no cargo e acabar com a sequência de generais que comandaram o posto, em um movimento também explicado por uma motivação pessoal.

VISÃO “LIMPA E CLARA”
» Dilma Rousseff foi a uma clínica oftalmológica realizar uma consulta de rotina, ontem à noite, após participar de reunião no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) sobre saúde. Ela foi examinada por seu médico pessoal, Marcos Ávila. “A visão dela está limpa e clara. Como quase todo mundo depois dos 40 anos, a presidente tem presbiopia — dificuldade de leitura. A pressão do olho e o fundo de olho estão normais”, disse. De acordo com Ávila, Dilma está usando óculos escuros com frequência porque teve uma irritação nos olhos há três semanas. Ele explicou que a irritação pode ter sido consequência de noites mal dormidas, ar-condicionado em excesso e muitas viagens de avião.