A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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sexta-feira, março 11, 2011
BRASIL/CARNAVAL [In:] ''A GENTE MORRE ... NA BR-3" *
ESTRADAS NUNCA MATARAM TANTO COMO NESTE CARNAVAL
NUNCA SE MORREU TANTO |
Autor(es): Agência o globo: Demétrio Weber, Cássio Bruno e Thiago Herdy |
| O Globo - 11/03/2011 |
O carnaval deste ano foi o mais violento nas estradas federais, com o maior número de acidentes, mortos e feridos desde 2003, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) criou um sistema nacional informatizado de coleta de dados. Nessa tragédia do trânsito brasileiro, 213 pessoas morreram e 2.441 ficaram feridas, em 4.165 colisões, apenas nas rodovias federais. Mas a calamidade é ainda maior: também cresceu o número de mortos em estradas estaduais, sem contar em outras vias cujas estatísticas não são divulgadas, sequer contabilizadas. Com 16 mortes, o Rio de Janeiro foi o quarto estado em número de óbitos nas rodovias federais. Santa Catarina registrou a maior quantidade - 36 -, seguido por Minas Gerais (29) e Bahia (17). Goiás, Paraná e Pernambuco tiveram 12 vítimas fatais cada. Mas estes números não incluem as mortes nas estradas estaduais. |
(*) BR-3 (Tony Tornado).
"... Há um sonho
Viagem multicolorida
Às vezes ponto de partida
E às vezes porto de um talvez
E a gente corre na BR-3
E a gente morre na BR-3..."
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CÂMARA ''DOS'' DEPUTADOS [in;] ''... E SE A CASA CAIR ?'' *
PSOL e OAB querem investigação na Casa
Autor(es): Eduardo Bresciani e Eduardo Bresciani |
| O Estado de S. Paulo - 11/03/2011 |
Partido protocolou ontem pedido para que deputada seja investigada pela Corregedoria e pretende acionar Conselho de Ética
O presidente do partido no Distrito Federal, Toninho do PSOL, acredita que as imagens da deputada recebendo dinheiro em vídeo, gravado em 2006, são suficientes para que seja cassada. "Uma parlamentar pega num ato daquela natureza não pode estar no convívio dos representantes do povo." Pelo trâmite regimental, o pedido do PSOL será encaminhado ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). Ele analisará o documento antes de encaminhá-lo ao corregedor, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE). Com o caso chegando à Corregedoria, uma investigação preliminar será feita e a Mesa Diretora decidirá se encaminha ou não um pedido de abertura de processo no Conselho de Ética. Se o PSOL oficializar a intenção de protocolar a representação diretamente no Conselho, a investigação começará no colegiado. O Conselho de Ética da Câmara deve ser instalado na quarta-feira. Revisão. O primeiro debate que deverá ser feito é sobre uma jurisprudência adotada em 2007 pelo Conselho de Ética para beneficiar deputados envolvidos no "mensalão do PT" determinando que não se investigasse crimes anteriores ao mandato. O presidente da Câmara defende que o colegiado reveja esta regra. Um argumento que vem sendo usado no caso de Jaqueline Roriz é que ele seria diferente porque o fato só veio a público agora, quando ela já está exercendo o mandato. É nesta linha que vai o presidente da OAB-DF: "É diferente da questão dos mensaleiros, que quando se submeteram às urnas já se sabiam das acusações. No caso da Jaqueline, se a população conhecesse (as denúncias) talvez ela não tivesse recebido os votos que recebeu". O presidente da OAB defende a cassação da parlamentar e disse não acreditar que ela possa ter uma explicação convincente para a gravação. "Não tem explicação que ela dê que iniba a conclusão de que foi ou fruto de compra de apoio político ou ilícito de campanha e ambos merecem cassação", afirmou. Caputo e o presidente da Câmara defenderam também o fim do benefício de delação premiada para Durval Barbosa. Eles questionam a divulgação dos vídeos a conta-gotas. "A delação premiada pressupõe que todas as informações venham à tona", destacou Maia. Caputo estima que existam 200 vídeos relativos ao escândalo do "mensalão do DEM". O de Jaqueline Roriz foi o 31.º a vir à tona. "Tem mais vídeos envolvendo outras autoridades. Eventualmente, essas pessoas estão ocupando outros cargos e queremos saber quem são os personagens", disse Caputo. ---- (*) Refrão de música sertaneja. --- |
GOVERNO DILMA/STÉDILE [In:] SAUDADES DE ''MATÃO" *
Stédile suspende trégua e critica Dilma
O Globo - 11/03/2011 |
Coordenador do MST cobra reforma agrária; Justiça condena José Rainha -------- (*) Título de música sertaneja. --- |
MST/RAINHA [In:] O RATO ROEU A ROUPA DO ''REI''
Rainha é condenado a 4 anos por invasão e furto
Autor(es): José Maria Tomazela - |
| O Estado de S. Paulo - 11/03/2011 |
O líder dos sem-terra José Rainha Júnior foi condenado a 4 anos e 1 mês de prisão sob a acusação de ter liderado saque de madeiras e equipamentos da Fazenda São João, invadida pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) em abril de 2000, em Teodoro Sampaio, Pontal do Paranapanema. Na sentença publicada ontem, o juiz Fernando Salles Amaral considerou como agravante da pena o fato de Rainha ter utilizado pessoas "de pouca condição social" como "massa de manobra" para o cometimento dos crimes. A sentença é de primeira instância e cabe recurso. De acordo com a denúncia, durante a invasão os integrantes do MST cortaram cercas e furtaram madeiras, palanques, cavadeiras, enxadas, porteiras e um pulverizador da propriedade do fazendeiro Ricardo Pedroso Peretti. Eles foram acusados ainda de terem matado a tiros 13 bois. No inquérito, foram apontados como líderes dos invasores, além de Rainha, outros 12 militantes do MST. Três acabaram absolvidos por falta de provas. André Luís da Silva e Antonia Agostinho Souza também foram condenados a 3 anos e 1 mês de prisão, mas tiveram a punição extinta por ter decorrido mais de oito anos para a aplicação da sentença. Por ter sido condenado a pena maior, Rainha não foi beneficiado pela extinção da punibilidade. O juiz considerou que, na época, ele exercia claro papel de liderança sobre os militantes do MST. Advogado e irmão do líder, Roberto Rainha disse que vai entrar com recurso de apelação. |
GOVERNO DILMA/GENOINO [In:] NADA ''GENUÍNO'' !!!
Confirmado na Defesa, Genoino diz que não tratará de ditadura
| Autor(es): João Domingos |
| O Estado de S. Paulo - 11/03/2011 |
Ex-guerrilheiro será assessor de Jobim, mas disse estar disposto a não se envolver com a[br]Comissão da Verdade
Genoino é mais um candidato derrotado nas eleições de 2010 a ser aproveitado em cargos do segundo e terceiro escalões do governo. Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff havia iniciado a acomodação de peemedebistas que não conseguiram mandato em 2010. Deputado de 1982 a 2002 e de 2006 a 2010, Genoino aposentou-se pela Câmara com pensão de R$ 20,3 mil. O cargo a que foi nomeado prevê vencimentos de R$ 8.988. Como a soma dos valores chega a R$ 29.288, Genoino terá redução de R$ 2.564,87 em seus vencimentos e receberá o teto salarial de R$ 26.723,13 - mesmo salário de um deputado eleito em 2010. Em 2003, Genoino assumiu a presidência do PT. Em 2005, o partido foi protagonista do maior escândalo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva - o mensalão. Afastado da direção do PT nessa época, Genoino tornou-se réu no mensalão, processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). Genoino disse que se considera preparado para assumir o cargo de assessor especial do ministro da Defesa. "Minha relação com o ministro Jobim sempre foi de respeito e amizade e vem desde a Constituinte, quando atuamos juntos. Como deputado federal, participei de todos os estudos sobre a Defesa, da lei complementar e da elaboração dos documentos próprios sobre o tema", afirmou. "Vou ser um servidor do governo sob as ordens do ministro." Ditadura. Genoino disse que não tratará de assuntos como a polêmica Comissão da Verdade - prevista no Plano Nacional de Direitos Humanos e que visa a fazer uma reconstituição histórica do período da ditadura militar, com a investigação da tortura a presos políticos - porque essa é uma função que deve ser exercida pelos três ministros envolvidos no tema (Defesa, Justiça e Direitos Humanos). Genoino participou da Guerrilha do Araguaia, movimento armado sob o comando do PC do B que ocorreu entre o fim da década de 1960 e meados de 1970 no território goiano hoje pertencente ao Tocantins e no Pará. Foi preso em 1972 e ficou por cinco anos na prisão, período durante o qual foi submetido a torturas. Guerrilheiros que atuaram no Araguaia com Genoino acabaram mortos ou desapareceram - e um dos objetivos da Comissão da Verdade é esclarecer episódios como esses. |
BRASIL/COMBUSTÍVEIS [In;] SE MPRE HÁ UMA EXCELENTE DESCULPA !
Preço do álcool sobe e empata com gasolina
Açúcar encarece álcool do carro |
Autor(es): Agência o globo: Ramona Ordoñez e Bruno Rosa |
| O Globo - 11/03/2011 |
Alta do produto no mercado internacional faz preço de combustível ir a R$2,49 |
quinta-feira, março 10, 2011
BRASIL [In:] 'LOBBIES': ''JEITINHO'' PERCENTUALIZADO
A regulamentação do lobby no Brasil
| Autor(es): Luiz Alberto dos Santos |
| O Estado de S. Paulo - 10/03/2011 |
Segundo dados de 2009 da Transparência Internacional, 58% dos latino-americanos consideram que o setor privado faz subornos para influenciar leis e políticas governamentais. Nesse ambiente, reproduzido no Brasil, a atuação dos lobbies tende a ser vista como uma distorção do sistema democrático e não parte dele, levando à ideia de que interesses particulares são inerentemente ilegítimos (Thomas e Hrebenar, 2008). Todavia, como destaca a OCDE (2009), a representação de interesses está inter-relacionada com o direito constitucional de petição e de livre associação, sendo essencial à própria democracia. Assim, um maior grau de organização e institucionalização dos grupos de interesse confere mais transparência ao processo decisório, possibilitando que, com menores custos, toda a sociedade tenha acesso aos formuladores de políticas públicas. A importância da regulação das atividades de representação de interesses, assim, reside em dois aspectos principais: assegurar a transparência e integridade da conduta dos lobbies e grupos de interesse e, simultaneamente, conferir maior equidade e isonomia de acesso ao processo decisório, reduzindo a associação entre lobby e corrupção. No Brasil, diversas propostas legislativas têm sido dirigidas à regulação das atividades de lobby, no Parlamento e no Executivo. Recente, ainda sob apreciação do Legislativo e com chances de converter-se em norma jurídica, há o Projeto de Lei n.º 1.202/2007, do deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que consolida várias proposições legislativas anteriores e busca, na experiência internacional, importantes subsídios. Apesar de historicamente não ter sido tratada como prioridade no Congresso, a regulação do lobby é recolocada em pauta sempre que ocorrem problemas envolvendo influência indevida. O próprio processo de democratização e consequente desenvolvimento da sociedade civil reclama a institucionalização de mecanismos que promovam a participação, assegurada a isonomia no acesso aos canais decisórios, e a transparência na atuação dos lobbies. Há, de todo modo, riscos que devem ser evitados pela regulamentação proposta. Entre eles, o da criação de barreiras à participação social, em decorrência de exigências de cadastramento e formalização que podem representar um custo insuportável para certos grupos e associações. Assim, escritórios profissionais de lobby poderiam obter uma lucrativa reserva de mercado, graças à redução do grau de acessibilidade do nosso regime político. Haveria, nesses casos, uma flagrante afronta ao direito de petição, o que garante a todos o direito de levar suas posições aos representantes do poder público. A sensibilidade do tema é comprovada pelo caráter mutável e adaptativo das normas que regem as atividades de lobby ao redor do mundo. De fato, verifica-se que a construção de normas sobre o lobby se tem desenvolvido como um processo incremental, como parte do aprendizado político dos países, encontrando-se em estágio inicial na maior parte do mundo. Até mesmo nos Estados Unidos, onde a primeira iniciativa no sentido de regulamentar o lobby ocorreu há mais de cem anos, as normas sobre lobby se submetem a reformas periódicas em cada nova crise ética no campo político-administrativo. A nova legislatura iniciada em 2 de fevereiro encontrará condições favoráveis para dar continuidade ao processo de regulamentação das atividades de lobby. Tendo a clareza de que tais regras deverão guardar a flexibilidade necessária para adaptar as exigências de cadastramento às garantias de acesso aos tomadores de decisão do Legislativo e Executivo, não parece sensato desperdiçar a oportunidade para que as instituições políticas e administrativas brasileiras avancem nessa direção. |
CÂMARA ''DOS'' DEPUTADOS [In:] ALA-LA-Ô !!!
Folia na Câmara
| Autor(es): Renato Alves |
| Correio Braziliense - 10/03/2011 |
Carnaval em Brasília é sinônimo de ruas e prédios públicos desertos. Mas a Câmara Legislativa (sempre ela) decidiu quebrar a tradição. Ao menos se levarmos em conta a quantidade de luzes acesas nas quatro noites de folia. Andares inteiros permaneceram com todos os cômodos iluminados, mesmo com os 24 nobres deputados distritais de folga. |
BRASIL [In:] OS NOVOS ''TIO PATINHAS'' (*)
País ganhou, em 2010, mais 12 bilionários
| Brasil já tem 30 bilionários na lista da "Forbes" |
O Globo - 10/03/2011 |
Doze deles entram no grupo pela 1ª vez, junto com outros 96 também do Bric. Eike continua o 8º mais rico e Slim lidera
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(*) Interessante! Joãozinho Trinta, carnavalesco, dizia que “quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo”.
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quarta-feira, março 09, 2011
GOVERNO DILMA/PIB [In:] 60 DIAS NA GRANJA (do Torto).
Mais um voo de galinha
Brasil |
| Autor(es): Carlos Lessa |
| Valor Econômico - 09/03/2011 |
Qualquer criança do interior sabe o que é voo de galinha. Curto, barulhento ao voltar para o chão. Vendo o gráfico de evolução do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 1980 a 2010, não consigo afastar a imagem do voo de galinha. Em 30 anos, a maior taxa de crescimento do PIB foi no primeiro ano do general Figueiredo (9,2%), colhendo iniciativas da era militar. Figueiredo encolheria a economia à mediocridade absoluta, sendo que a galinha dá um pulo nos seus anos finais, crescendo 5,4% em 1984 e 7,8% em 1985. Qualquer um desses é maior que o Pibão, como foi denominado o crescimento de 7,5% no ano de 2010. O governo Sarney, apesar do brilho do Plano Cruzado, assistiu a uma despencada para um PIB negativo em 1988. Após a Constituição, um pequeno voo de galinha e a economia do país se contrai com a posse de Fernando Collor. Vai lá pra baixo. O período é de mediocridade absoluta, salvo em práticas de apropriação de bens públicos. No intervalo Itamar, FHC se credenciava e, em 1994, eleito presidente, praticaria por dois mandatos um crescimento médio do PIB (2,3% ao ano), superior apenas ao do Haiti. O crescimento rastejante acompanhou-se de dois pequenos pulos da galinha. O governo Lula, cuja média foi um pouco menos medíocre - 4% ao ano -, termina com o Pibão de 7,5% de 2010... Precedido pelo mergulho de - 0,6% no ano anterior. Tudo leva a crer que assistiremos a mais um voo de galinha, pois não será sustentado o aumento do gasto público e a reposição da ideia de desenvolvimento permanece encabulada. Quero cotejar esses 30 anos de esvoaçar cacarejante, no nível de chão de galinheiro, com médias históricas anteriores. Média de 1951/1960: 4,3% ao ano. Média do regime militar: 6% ao ano. Em termos de participação no PIB mundial, a economia brasileira caiu de 3,91% em 1980, para 2,92% em 2010 (estimativa do professor Reinaldo Gonçalves). Com seu esvoaçar precário, o Brasil somente poderá ganhar posições se alguns países europeus quebrarem. O melhor dado de 2010 foi a pequena elevação da taxa de investimento de capital fixo. Foi uma taxa robusta de crescimento em relação a 2009, quando houve uma contração de 10,3% do investimento. Entretanto, o Brasil continua um pigmeu em relação a uma China, que pratica uma taxa de investimento de 40% do PIB, ou de uma Índia, acima de 30%. O Brasil tem uma taxa de 18,4% do PIB em 2010. Com a inflação seguindo indexada a itens como a eletricidade, o povão é punido pelos altos preços do que o Brasil exporta, e que se refletem internamente nos alimentos e pela dificuldade de geração de novos empregos e elevações salariais. O investimento privado fica inseguro ante o anúncio de cortes de gasto público e persistência dos problemas de infraestrutura. A componente inquietante é reforçada quando se tem presente o crescimento do crédito em relação ao PIB e à visível curva ascendente da inadimplência de 2009: 5,9% para 8% em 2011. É evidente que uma política de redução dos investimentos públicos e de elevação da taxa de juros alimentarão a taxa de inadimplência. Para as famílias endividadas, o importante é a multiplicação de empregos e uma tendência altista de salários - o oposto do que Dilma persegue. O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn advertiu que o risco da economia brasileira é o superaquecimento. Em 4 de março, a presidente Dilma disse que está muito consciente dessa questão. Suas declarações preconizando cortes de gasto público e rápida elevação da taxa Selic surgem como variação bastante conhecida de que, crescendo mais de 4%, a tendência do Brasil é inflação. Com juros hiperelevados, a tendência da empresa brasileira é ao rentismo, ou seja: ampliar aplicações financeiras e não realizar investimentos produtivos. Enquanto o FMI aplaude a política econômica da presidente Dilma, parece haver um coro trágico limitando o crescimento brasileiro a 4% ao ano. As sugestões se acumulam. Afirmam ser o problema brasileiro a qualidade da mão de obra, ao invés do comportamento da elite dirigente globalizada, ou seja, o problema educacional restringe o desenvolvimento brasileiro. Sou professor e conheço de perto as brutais deficiências do sistema educacional brasileiro. Gosto de pensar que a tarefa da educação é a reposição de uma nova geração melhor qualificada que a geração que a formou. O bom mestre quer que o discípulo o supere. A nação exige que cada geração esteja melhor preparada para a futura civilização nacional. O investimento produtivo gera os empregos e a educação faz avançar o processo civilizatório. O Brasil instalou em tempos de Juscelino o complexo metal mecânico e o eletroeletrônico sem qualquer estrutura de ensino profissional. O operariado brasileiro se qualifica trabalhando. É tão ávido em manter o bom emprego e nele prosperar que se autoqualifica. A qualidade do povo brasileiro é fantástica, pois sobrevive numa das economias com pior distribuição de renda do mundo e péssimo sistema educacional. Pratica, em escala espetacular, a geriatria que mantém funcionando máquinas, veículos, tratores muitos anos após as matrizes terem retirado de linha as peças de substituição. Tratores com 30 anos de serviço e caminhões estradeiros com 17 anos em média fazem prova das dezenas de milhares de oficinas artesanais. A criatividade brasileira, principalmente nas seções de manutenção, é reconhecida pelos empresários industriais. O jovem necessita emprego e oportunidade de trabalho e isto não lhe é fornecido pela política econômica. Se o Brasil tiver cursos de alta qualificação sem gerar os empregos correspondentes, será introduzida uma nova commodity nas exportações nacionais - o próprio brasileiro. -------------- Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ, foi presidente do BNDES e escreve mensalmente às quartas-feiras. |
GOVERNO DILMA [In:] ''O QUE SERÁ QUE SERÁ ...?''
60 dias duros
Celso Ming |
| O Estado de S. Paulo - 09/03/2011 |
Completados os primeiros 60 dias, o governo Dilma enfrenta uma confluência de problemas na economia com que não contava e que complicam a administração. O mais grave deles é a inflação acentuada agora pela alta dos preços do petróleo e das commodities agrícolas. O governo Lula havia corrido o risco calculado de enfrentar uma elevação generalizada de preços ao permitir o excessivo aquecimento da economia. A ideia era expandir o emprego e a renda de maneira a lubrificar os trâmites eleitorais da candidata oficial. O diagnóstico do Banco Central era o de que a indústria já vinha operando a fogo baixo desde abril de 2010 e que, por isso, os juros básicos (Selic) podiam continuar estancados por mais tempo nos 10,75% ao ano. E o próprio governo entendeu que podia expandir impunemente as despesas públicas porque o baixo desempenho da indústria compensaria eventuais excessos fiscais. Um pouco tarde, tanto o Banco Central como o próprio governo entenderam que o aquecimento foi longe demais. E foi o que puxou a inflação para acima dos 6% ao ano, como se viu em fevereiro. Agora, apesar da torcida em contrário, para segurar os preços - prioridade do governo Dilma como tantas vezes repetido -, tanto os cortes orçamentários parecem insuficientes como os juros básicos têm de subir bem mais do que o inicialmente planejado. Os demais controles da economia trabalham insatisfatoriamente também porque é preciso amansar a inflação. O câmbio preocupa. As reservas estão a US$ 310 bilhões e, no atual ritmo de compras do Banco Central, saltarão em alguns meses para US$ 350 bilhões, sem que se reverta a tendência à valorização do real. A todo momento, o Ministério da Fazenda despacha avisos de que mobilizará seu arsenal contra o enorme afluxo de moeda estrangeira. No entanto, não pretende reduzir ainda mais as despesas públicas para abrir espaço para a queda dos juros e, assim, evitar que mais recursos entrem para tirar proveito dos juros bem mais generosos pagos pelo Tesouro do Brasil. E não é só isso. Eventual desvalorização do real (alta da cotação do dólar), que o governo pudesse comandar, não ajudaria a conter a inflação porque encareceria o produto importado. Portanto, se algum sucesso puder obter no câmbio, será apenas o de estabilizar as cotações, e não de desvalorizar o real. O combate à inflação paralisa o governo também na administração das demais contas externas. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, não para de reclamar da excessiva entrada de produtos estrangeiros, especialmente da China, que fazem concorrência desleal à indústria brasileira. Mas também aí o governo não consegue avançar porque, no momento, o contra-ataque à inflação precisa da forte concorrência do produto importado de maneira a desestimular reajustes mais agressivos de preços por parte dos produtores locais. Sobra a vaga aposta em que, lá por julho ou agosto, a inflação estará controlada, que os juros não terão mais de subir, que as despesas públicas não terão mais de cair, que a indústria terá recuperado seu ritmo de produção, que alguma coisa mais consistente se poderá fazer para estabilizar (ou, quem sabe, reverter) a atual trajetória do câmbio, e que a política econômica poderá voltar a ser ativa. Mas, por enquanto, tudo isso não é muito mais do que uma aposta. |
(*) A Flor da pele (C. Buarque).
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