Sibá renuncia à presidência do Conselho de Ética e retarda caso RenanO senador Sibá Machado (PT-AC) renunciou hoje ao cargo de presidente do Conselho de Ética do Senado. Em comunicado enviado à Secretaria Geral da Mesa do Senado,
Sibá também afirma ter desistido da sua vaga de titular do conselho. O senador estava sendo pressionado por aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e pelo Palácio do Planalto para abrir mão do cargo como estratégia para retardar as investigações sobre o presidente do Senado. Oficialmente, Sibá nega que tenha deixado a presidência do conselho por pressões do governo federal. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse à Folha Online que o senador desistiu da presidência do conselho diante da indefinição sobre o caso Renan. Desde a semana passada, Sibá procurava um
relator para substituir o senador Epitácio
Cafeteira (PTB-MA), que está afastado do Senado por licença médica. "Ele alegou que não estava conseguindo encaminhar as coisas [no conselho] da forma como pretendia", afirmou Casagrande. O líder e integrantes da base aliada do governo se reuniram com Sibá esta noite, quando o petista comunicou a decisão de renunciar. Sibá havia convocado
reunião do conselho amanhã para votar o relatório de Cafeteira que inocenta Renan das denúncias de que teria utilizado recursos da empreiteira Mendes Júnior para pagar pensão à jornalista
Mônica Veloso --com quem tem uma filha fora do casamento. A ameaça de Sibá em colocar o relatório para votação irritou os aliados de Renan que, nos bastidores, admitiram não ter número de votos suficientes para enterrar o processo contra o senador. Na prática, o grupo pró-Renan temia a aprovação de um voto em separado apresentado pela oposição que determinava a ampliação do foco das investigações sobre o senador. Diante de tamanha pressão dos aliados, o presidente do conselho acabou tendo na renúncia uma saída para evitar um desfecho que não desagradasse os aliados de Renan. Casagrande acredita que, com a renúncia de Sibá, caberá agora ao vice-presidente do conselho, Adelmir Santana (DEM-DF), determinar uma nova data para a votação do relatório. "Com a renúncia, o vice tem que assumir e convocar uma nova reunião", disse Casagrande.
Sibá recebeu telefonemas de líderes petistas e de emissários do Palácio do Planalto ao longo do dia com sugestões para que renunciasse ao cargo. O senador se reuniu por duas vezes com a bancada do PT no Senado e líderes aliados para discutir a sua renúncia. Os aliados do presidente do Senado acreditam que se o Conselho de Ética não colocar em votação o relatório de Cafeteira nos próximos dias, o Congresso poderá entrar de recesso em julho sem que o caso esteja solucionado.
Com o afastamento de Sibá, será criado um novo impasse para a escolha do novo presidente --o que na prática retarda o processo contra Renan. Aliados do presidente do Senado também temiam que Sibá adotasse uma postura mais "independente" diante da pressão da opinião pública por investigações mais detalhadas sobre Renan --e por isso defenderam o seu afastamento. A oposição criticou a pressão dos governistas sobre Sibá. Antes de Sibá formalizar o seu afastamento, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), havia criticado a possibilidade de renúncia. "Seria o fim da picada, a confissão da pressão insustentável. É uma pressão explícita do Palácio do Planalto para defender seu correligionário", disse.
Folha Online, Gabriela Guerreiro, Brasília.
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