A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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terça-feira, maio 13, 2008
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
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- Medidas de redução de impostos e de programas de financiamentos, destinados à ampliação da produção e das exportações brasileiras, são os destaques da nova política industrial do governo, o Plano de Desenvolvimento Produtivo, anunciado ontem no Rio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo conjunto de iniciativas, o governo abrirá mão de R$ 21,4 bilhões em impostos até 2011 em favor da indústria. A meta é atingir, até 2010, R$ 620 bilhões em investimentos diretos. No ano passado, chegou-se a R$ 450 bilhões. (Pág. 1 e Economia, págs. A17 e A18)
- Apontado como o responsável pelo vazamento do dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, José Aparecido Nunes Pires pediu afastamento da Casa Civil. A informação foi divulgada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Para a oposição, a exoneração pode ajudar a CPI dos Cartões. (Pág. 1 e País, pág. A3)
- A Petrobras, que registrou um lucro de 68% no primeiro trimestre, anunciou a encomenda de 146 navios de apoio à exploração de petróleo. A empresa revelou ontem que deverá aumentar seu plano de US$ 50 bilhões de compras no Brasil até 2012. (Pág. 1 e Economia, pág. A19)
FOLHA DE SÃO PAULO
Terremoto mata quase 10 mil na China
- O governo lançou um pacote de medidas que envolvem renúncia fiscal e pretendem estimular as exportações e elevar a capacidade produtiva da indústria brasileira. A Política de Desenvolvimento Produtivo soma R$ 21,435 bilhões em desonerações até 2011 e beneficia ao todo 25 setores. O BNDES desembolsará R$ 210,4 bilhões até 2010 para financiar a indústria e os serviços. "Queremos consolidar a vitória sobre 25 anos de incerteza e crescimento baixo", disse o presidente Lula. Empresários crêem que a política não vá compensar a valorização do real nem os altos juros. (págs. 1 e B1)
- Um esquema de propina foi operado nos dois últimos anos da gestão de José Orcírio dos Santos, o Zeca do PT (99-2006), em Mato Grosso do Sul, de acordo com o Ministério Público Estadual. Segundo a Promotoria, o esquema desviou R$ 30 milhões e beneficiou empresários, servidores, jornalistas e um dirigente do PT com repasses ilegais de dinheiro público. A defesa de Zeca diz que não há ligação dele com o suposto esquema. (págs. 1 e A8)
- A mulher do deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, comprou "há cerca de 20 dias" para a filha do casal uma casa no litoral paulista que custou, segundo ela, R$ 220 mil - R$ 160 mil em cheque e o restante em dinheiro. Paulinho é investigado por suposto desvio de recursos do BNDES. Segundo o advogado de sua mulher, a parte paga em dinheiro foi paga "por conveniência", e o negócio foi lícito. (págs. 1 e A4)
O ESTADO DE SÃO PAULO
Indústria terá incentivo de R$ 21,4 bi
Depois de anos de discussões, meses de expectativa e muitos ajustes de última hora, o governo lançou ontem uma política industrial, batizada de Política de Desenvolvimento Produtivo. O programa é baseado em renúncias fiscais de R$ 21,4 bilhões até 2010, final do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também inclui a ampliação dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social à indústria e à área de serviços, que deverão totalizar R$ 210 bilhões até 2010. Esse valor exclui os financiamentos à infra-estrutura. Os empréstimos do banco também serão barateados. O plano visa a expandir as exportações e atrair investimentos estrangeiros. Para o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, o Estado será coordenador, planejador e indutor do desenvolvimento "pela primeira vez nos últimos 80 anos". Empresários da área de tecnologia esperam impacto limitado do plano. Economistas acreditam que o pacote não remove obstáculos aos investimentos nem reduz de forma significativa a carga tributária sobre a produção. (Págs. 1 e B1 a B6)
- O economista David Kupfer, especialista em política industrial, considerou "bastante abrangente" o pacote lançado ontem, pelas metas que estabelece. Mas ele sente falta da coordenação dos decisões: "Creio que esse é o grande desafio". (Págs. 1 e B4)
O GLOBO
Governo anuncia saída de assessor que vazou dossiê
O Palácio do Planalto anunciou ontem que o secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, apontado como responsável pelo vazamento do dossiê sobre gastos do governo Fernando Henrique, vai deixar o cargo. A saída, cujos detalhes ainda estavam em negociação no Planalto ontem à noite, será formalizada hoje, por iniciativa do servidor. O governo autorizou a convocação de Aparecido para depor na CPI do Cartão Corporativo. Ele também prestará depoimento à Polícia Federal, que ontem ouviu André Eduardo da Silva Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-RR) que recebeu o dossiê. Fernandes se ofereceu para apresentar amanhã à CPI sua versão sobre o vazamento. (Págs. 1, 3 e editorial "Ajustar o foco")
- Relatório da PF aponta que houve uma reunião entre representantes da empresa Alstom, acusada de pagar propina a políticos, e um assessor parlamentar no gabinete do líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp. Ele nega. (Págs. 1 e 4)
- O ex-ministro Silas Rondeau, o empresário Zuleido Veras, governadores (MA e AL) e diretores das Eletrobrás foram denunciados ao STJ por superfaturamento em obras, informa Ancelmo Góis. Lula chegou a pensar em reconduzir Silas ao Ministério. (Págs. 1 e 14)
GAZETA MERCANTIL
Governo dobra prazo para quitar Finame
- Com pompa e circunstância, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou ontem, no Rio, a Política de Desenvolvimento Produtivo, nome com que foi batizada a nova política industrial do País. Entre as principais medidas, o aumento de prazo de pagamento da linha de financiamento a máquinas e equipamentos (Finame) foi a que mais agradou aos empresários. Recursos de R$ 244 bilhões em crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), redução de R$ 21,4 bilhões em impostos, juros menores e dezenas de medidas específicas para 24 setores empolgaram os empresários presentes ao lançamento da política industrial do governo Lula. Com duas medidas provisórias, pelo menos cinco decretos presidenciais e coordenação do programa, o governo federal quer que o País invista R$ 620 bilhões e exporte US$ 208 bilhões daqui a três anos.
As medidas visam ampliar o investimento de 17,6% do PIB para 20,9% do produto até 2010. "Mesmo que não se atinja o percentual estipulado de 21% do PIB, já é um grande avanço conceitual estipular uma meta de investimentos", disse o presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, agradou a platéia quando disse que as empresas terão 10 anos para quitar empréstimos para esse fim. Até então, o prazo era de 5 anos. O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, lembrou que esta medida pode favorecer também pequenos e médios empresários. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que hoje será anunciado o novo Fundo Soberano. (Págs. 1, A4, A5, A6, B3 e C7)
CORREIO BRAZILIENSE
Pacote turbina indústria
Em clima de festa e com elogios ao plano de desenvolvimento dos governos militares, o presidente Lula lançou ontem o pacote de estímulo à indústria nacional. Com o principal objetivo de ajudar setores afetados pela forte valorização do real - incluindo exportadores e segmentos que enfrentam a concorrência dos importados -, governo abrirá mão de R$ 21,4 bilhões em impostos nos próximos três anos. O PAC da indústria prevê investimentos de R$ 250 bilhões até 2010. Também foi prometida a criação de um fundo soberano para financiar empresas brasileiras no exterior. Apesar do otimismo do governo e de grandes empresários, analistas acreditam que os efeitos serão limitados. (Págs. 1, 14 e 15)
- Governo teme que, em depoimento à CPI dos Cartões, secretário de Controle Interno da Presidência, José Aparecido Silva, comprometa Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil e braço direito da ministra Dilma Rousseff. Aliados pressionam para Erenice ser demitida. (Págs. 1, 2, 3 e Tema do Dia).
http://www.radiobras.gov.br/sinopses.htm
DOSSIÊ & PT [In:] "TIRO AO ÁLVARO" *
Mourão pede ainda, em outro requerimento, que seja expedido um mandado para que a Polícia Federal faça a busca e apreensão do computador utilizado por André, que teria recebido o dossiê. "É preciso ver uma perícia para ver se esse documento não foi manipulado pelo assessor do senador", diz o deputado petista.Enquanto o governo tenta constranger Dias, a oposição vai insistir na convocação de Dilma. O deputado Vic Pires Franco (DEM-PA) protocolou um novo requerimento nesse sentido. Ele argumenta que a subordinação de José Aparecido a Dilma justifica a convocação. Por duas vezes a base aliada derrubou requerimentos pedindo a presença da ministra. "Agora tem um fato novo que é o vazamento por um subordinado da ministra. Enquanto tiver fato novo nós vamos continuar tentando", afirmou Vic.A CPI realiza nesta terça-feira (13) uma reunião para analisar requerimentos. A tendência é de aprovação para os pedidos de convocação de José Aparecido e André, mas o embate deve ser grande caso os requerimentos relativos a Álvaro e a Dilma entrem na pauta.
CARTÕES CORPORATIVO: SAQUES SACANAS
"Quero cumprimentar o companheiro Mariano Palma Vilaça, diretor do Conselho Fiscal do sindicato, que brigava tanto para que as notas do sindicato estivessem em dia. Brigava tanto que me obrigou a instituir as diárias do sindicato, coisa que eu quero fazer para acabar com a sacanagem", afirmou o presidente citando um ex-dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo quando Lula presidia a instituição. Lula não mencionou no discurso os gastos com cartões corporativos que estão em cheque por desvio de recursos públicos. A Presidência confirma que há um projeto para estipular diárias para os ministros no valor de 450 reais. Elas devem ser criadas após o final da CPI que investiga os cartões. Recebido aos gritos de "um, dois, três, Lula outra vez", o presidente participou nesta noite, na sede do sindicato, das comemorações dos 30 anos da greve dos trabalhadores da montadora de caminhões Scania, em São Bernardo do Campo. O movimento desencadeou uma onda de greves que culminou com as grandes paralisações dos metalúrgicos em 1979 e 1980, em plena ditadura militar. As greves projetaram o nome do então líder sindicalista Lula. No discurso dirigido a um auditório de ex-companheiros, Lula descreveu sua participação nas greves. "Foi a grande lição que tive na vida. A lição de fazer acordo não cumprido, a lição de ser chamado de traidor, a lição de perder a confiança daqueles que depositaram em alguns momentos seus destinos nas nossas mãos", lembrou Lula sobre a greve de 1978 na Scania. E após quase cinco anos e meio ocupando a Presidência, ele ainda se surpreende em ser presidente. "De vez em quando, fico em casa deitado, olhando para o teto e me pergunto: 'Será que é verdade que sou presidente da República?" Lula estava acompanhado da ministra do Turismo, Marta Suplicy, possível candidata do PT à prefeitura de São Paulo, e do ministro da Previdência, Luiz Marinho, que deve concorrer à prefeitura de São Bernardo do Campo, também pelo PT. (Reuters. Reportagem de Carmen Munari; edição de Fabio Murakawa). 1305.
segunda-feira, maio 12, 2008
GOVERNO LULA: POLÍTICA INDUSTRIAL (III)
GOVERNO LULA: POLÍTICA INDUSTRIAL (II)

RIO - O governo federal anunciou nesta segunda-feira, 12, a Política de Desenvolvimento Produtivo, em cerimônia na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro. O plano terá quatro metas que deverão ser cumpridas até 2010.
Uma das metas do plano é ampliar o investimento fixo dos atuais 17,6% do Produto Interno Bruto (PIB) para 21%. A segunda é estimular a inovação do setor industrial, com um conjunto de medidas que irá elevar os investimentos privados em Pesquisa & Desenvolvimento para 0,65% do PIB até 2010. O programa também prevê o aumento na participação brasileira nas exportações mundiais, dos atuais 1,18% (em 2007) para 1,25%. Já a quarta meta propõe a expansão em 10% do número de micro e pequenas empresas exportadoras, totalizado 12.971 em 2010.
Veja as medidas:
Crédito
Redução do custo de financiamento do BNDES e ampliação dos subsídios aos setores exportadores, como os do programa Revitaliza, destinado aos setores de calçados, couros, móveis e têxteis, cujos recursos passarão de R$ 300 milhões para R$ 450 milhões. O desembolso total projetado para indústria e serviços pelo BNDES, no período de 2008 a 2010, foi ampliado para R$ 210,4 bilhões. O spread médio do conjunto das linhas de financiamento do BNDES será reduzido em 20% , de 1,4% ao ano para 1,1% ao ano. Foi estabelecida ainda uma redução da taxa de intermediação financeira de 0,8% para 0,5%. O prazo para apropriação de créditos do Programa de Integração Social/ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) derivados da aquisição de bens de capital (máquinas e equipamentos) será reduzido de 24 meses para 12 meses
Ampliação no prazo das linhas do Finame de cinco para dez anos
BNDES terá linha de crédito com taxa especial, de 4,5% ao ano, para projetos de empresas que tenham investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento
Desoneração
Eliminação da incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% nas operações de crédito do BNDES, Finame e Finep . Ampliação da lista de bens de capital com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) zero e isentos de PIS/Cofins. Redução pela metade da contribuição patronal para o INSS sobre a folha de pagamento dos trabalhadores de empresas de Tecnologia de Informação, no desenvolvimento de softwares para exportação. Permissão para que as empresas de informática e automação possam reduzir na base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) os dispêndios relativos a pesquisa e desenvolvimento. Ainda no IR, depreciação acelerada do valor de máquinas e equipamentos adquiridos para aumentar a capacidade de produção.
Exportações
Contribuição de empresas de informática e automação para o 'Sistema S' pode cair para até zero com base na participação das exportações no faturamento total da empresa.Sete setores vão buscar consolidar a liderança no mercado internacional: petróleo e gás natural; mineração; siderurgia; bioetanol; celulose e papel; carnes; e complexo aeronáutico.
GOVERNO LULA: POLÍTICA INDUSTRIAL
Ag. Estado, 1205.
domingo, maio 11, 2008
A HORA DO "ÂNGELUS"
[Em entrevista a ÉPOCA, o professor de Oxford Alister McGrath afirma que a fé ajuda a explicar o que a ciência não consegue].
ÉPOCA - Vocês e Richard Dawkins são amigos?
ÉPOCA - Você diz que Dawkins se tornou um fanático. Qual a sua suspeita?
ÉPOCA - Quais seus argumentos para acreditar que Deus existe?
ÉPOCA - Você acredita na evolução?
ÉPOCA - As pessoas religiosas têm a moral mais desenvolvida que os ateus?
ÉPOCA - Dawkins diz que é importante submeter a fé a um exame crítico. Você acredita nisso?
ÉPOCA - Quando a ciência não pode explicar Deus?
ÉPOCA - Você votaria em um candidato ateu?
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http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG83577-5856-520,00-E+POSSIVEL+ACREDITAR+EM+DARWIN+E+EM+DEUS+DIZ+PESQUISADOR.html
BRASIL: 11 DE MAIO; DIA DAS MÃES
sábado, maio 10, 2008
EDITORIAL: AS "MAGDAS" LEGISLADORAS
ITAIPU - Exigências do novo presidente do Paraguai.
"Senhor Senador Cristóvão Buarque,
O senhor afirmou, da tribuna do Senado Federal, o seguinte:
'Não podemos simplesmente negar ao Paraguai o direito de pedir o reajuste. Nós não podemos esnobar o Paraguai. Até porque temos uma dívida com esse nosso país vizinho, já que há 138 anos matamos 300 mil de seus cidadãos [na Guerra do Paraguai]. Em proporção, seria como se matassem nove milhões de brasileiros - ponderou Cristóvão'.
É muito estranho, senador, e causa preocupação ouvir de um senador da república tal afirmativa. E é estranho por dois motivos:
a) O senhor não tem conhecimento da história e está equivocado ao afirmar que o Brasil matou 300 mil paraguaios;
b) O senhor tem conhecimento da história e, por conseguinte, está mentindo.
Ambas as hipóteses o desqualificam para exercer o alto cargo de senador da república. Quando um senador da república se dirige à nação da tribuna do Senado Federal para afirmar uma asneira deste porte, francamente, não tem condições de estar onde está. Está trabalhando contra o país, contra o seu povo, quando o seu dever sagrado deveria ser o contrário.
A guerra do Paraguai, da qual o senhor culpa o Brasil, inclusive imputando-lhe 300 mil mortes, foi provocada pelo ditador Solano Lopes, cujas ambições expansionistas o fizeram invadir a Argentina, que lhe negara o uso do seu território para chegar até Uruguaiana. A Argentina então declarou guerra ao Paraguai, dando início a um conflito ao qual se juntariam o Brasil e o Uruguai no que ficou conhecido como a Tríplice Aliança.
O Paraguai contava àquela altura com um exército de 77 mil homens, enquanto o efetivo brasileiro não passava de 18 mil, o que obrigou D. Pedro II a organizar apressadamente as forças brasileiras para fazer face a agressão.
Sem entrar em detalhes, para não me alongar, quero informá-lo que das 300 mil mortes de paraguaios que o senhor imputa ao Brasil, a fome, a cólera e a malária foram responsáveis por 70%. Em combate mesmo, o Paraguai perdeu metade do seu exército, enquanto o Brasil perdeu 30 mil. E as perdas paraguaias aconteceram em razão da estupidez do ditador Solano Lopes que, instado a se render posto que já estava derrotado, com Assunção invadida pelas tropas brasileiras, levou a guerra às últimas conseqüências conduzindo o que restava de suas tropas combalidas e, àquela altura composta de adolescentes e até crianças, a Cerro Corá, onde se deu a batalha final.
Solano Lopez jamais aceitou negociar a paz e a guerra só acabou com a sua morte. O Brasil não conquistou territórios do Paraguai, apenas reivindicou suas fronteiras anteriores. O tratado de paz, assinado em 9 de janeiro de 1872, estabeleceu dentre outras coisas, como a navegação livre pelo rio Paraguai, uma indenização a ser paga ao Brasil, dívida esta que foi perdoada em 1943 pelo governo brasileiro.
Vê-se, portanto, que o grande culpado pelo massacre do seu povo foi o próprio ditador Solano Lopes, tendo o Brasil apenas respondido à altura uma agressão sem sentido. Seguindo a lógica do seu raciocínio, os aliados da segunda guerra mundial devem pagar uma indenização a Alemanha pelo fato de Hitler ter perdido a guerra. Ainda seguindo a lógica do seu raciocínio, as atuais gerações devem pagar pelos erros por acaso cometidos por governantes em gerações passadas. Assim , não me surpreenderia se o senhor defendesse que a atual e futuras gerações de italianos continuem pagando aos países conquistados pelo Império Romano pela avidez de seus imperadores.
Mas como o próprio presidente Lula já declarou algumas vezes que o Brasil tem uma dívida para com a África em razão da escravidão, nada mais me admira. Só quero declarar peremptoriamente que eu jamais possui um escravo, assim como nenhum brasileiro vivo na atualidade.
Senador, acorde! O povo brasileiro atual, do passado e do futuro, pagaram, estão pagando e pagarão a enorme e infindável conta que lhes foi colocada sobre os ombros por uma plêiade de governantes irresponsáveis, corruptos e sem visão de futuro, incluindo o atual. E o senhor ainda quer aumentar essa conta?
Quanto a Itaipu, senador, foi o pior negócio feito pelo regime militar e é fácil de se explicar.
O complexo Itaipu foi totalmente custeado pelo Brasil. O Paraguai não desembolsou um centavo de guarani. O acordo firmado deu ao Paraguai o direito a 50% de toda a energia gerada pela usina. Como o Paraguai não tem capacidade para utilizar toda essa energia, o acordo estabelece que a sobra seria vendida ao Brasil a preço de mercado, e não a preço de custo como estão dizendo alguns esquerdopatas. O Brasil sempre cumpriu rigorosamente a sua parte, pagando integralmente ao Paraguai o excedente desses 50% sem descontar sequer as despesas de manutenção da usina.
Pergunto-lhe, senador: quem fez o melhor negócio? E quem ainda está usufruindo desse negócio da China? Com certeza não somos nós.
Talvez o senhor ache mais justo o Brasil entregar a usina ao Paraguai de mão beijada e passar-lhe a comprar a energia de que necessita, a exemplo do que a Petrobrás fez com as duas refinarias de petróleo que ela instalou na Bolívia, tudo isto em nome da ideologia que une o atual governo brasileiro a los hermanos andinos.
Convém lembrar, senador, que Itaipu custou 6 bilhões de dólares à época em que foi construída, dinheiro este tomado emprestado no exterior e pelo qual até hoje pagamos porque, compromissos como este, somados aos da construção de Brasília e outros que atenderam a megalomania de governos passados deram origem ao monstruoso endividamento que hoje impede o desenvolvimento do país.
Convém lembrar também que, caso o governo resolva atender a reinvidicação do hermano, o preço da energia, que no Brasil custa mais caro do que a energia produzida por usinas nucleares em torno do mundo, terá que ser reajustado e quem pagará a conta será o povo brasileiro. A menos que o senhor e seus pares da esquerda resolvam bancar a conta, o que com certeza não lhe passa pela cabeça.
É fácil, senador, fazer proselitismo político demagógico com a carteira dos outros.
Convém lembrar também, senador, que o contribuinte brasileiro, já escorchado por uma verdadeira derrama fiscal, lhe paga o salário e todas as suas mordomias para que o senhor defenda o Brasil, e não estados alienígenas.
Dito isto, quero lhe dar uma sugestão: se o senhor sinceramente quer fazer um bem ao Brasil e ao seu povo, renuncie ao seu mandato e volte a sua cátedra na universidade. Lamentando pelos seus alunos.
Indignadas Saudações,
Otacílio M. Guimarães"
sexta-feira, maio 09, 2008
GOVERNO LULA/BRASIL: ASPIRANTE À "OPEP"
Estadão, 0905. (Com Efe) .
INFLAÇÃO: IGP-M (subindo, subindo ...)
A aceleração refletiu uma significativa elevação nos custos no atacado. Os preços dos produtos agrícolas no setor subiram 1,27% na primeira prévia de maio, ante queda de 1,52% na primeira prévia de abril. Em 12 meses, os produtos agrícolas acumulam elevação de 31,99%. Já os preços dos itens industriais no atacado tiveram avanço de 2,04% na prévia anunciada nesta sexta, ante alta de 0,96% na primeira prévia de abril. O resultado da primeira prévia do IGP-M ficou acima das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado, que esperavam uma taxa entre 0,55% e 1,30%, e foi superior à mediana das expectativas (0,78%). Nesta semana, o IGP-DI de abril já havia surpreendido negativamente os analistas, pressionando fortemente o mercado de juros futuros. A FGV também informou os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M. O Índice de Preços por Atacado (IPA) subiu 1,82% na prévia anunciada nesta sexta, ante elevação de 0,26% na primeira prévia de abril. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) teve alta de 0,27%, ante 0,40% em abril. Já o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC) teve elevação de 0,79% em maio, ante avanço de 0,59% na primeira prévia de abril. Até a primeira prévia de maio, o IGP-M acumula elevações de 4,48% no ano e de 11,25% em 12 meses. O período de coleta de preços para cálculo da primeira prévia do IGP-M de maio foi do dia 21 a 30 de abril.
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
- No meio da polêmica em torno da reserva indígena de Roraima, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto obrigando a presença de unidades militares nas terras destinadas aos índios em áreas de fronteira, como forma de defender a soberania nacional. Lula anunciou ainda um programa prevendo R$ 1 bilhão em crédito para projetos de reflorestamento na Amazônia. (Págs. 1 e País A2)
- O Brasil foi, entre os países da América Latina, o porto mais atraente para investidores estrangeiros. Em 2007, respondeu por cerca de US$ 35 bilhões dos US$ 106 bilhões aplicados na região. (Págs. 1 e Economia A17)
- Pesquisa traz boa notícia para os ricos brasileiros: até 2017, o país se tornará o líder em número de milionários entre os Brics, grupo de nações emergentes que reúne, além do Brasil, Rússia, Índia e China. Serão 675 mil domicílios com riqueza superior a US$ 1 milhão anual. (Págs. 1 e Economia A17)
FOLHA DE SÃO PAULO
- No baile político, todos querem dançar com o governo, de Maluf e Collor à esquerda do PT: "Hay govierno? Soy a favor!" Isso é bom para a democracia? Ou, além da jabuticaba, o Brasil quer surpreender o mundo com a novidade de democracia sem oposição? (Págs. 1 e A2)
- Apesar da resistência do PSB local em apoiar a candidatura do PT à Prefeitura de SP, a deputada e ex-prefeita Luiza Erundina disse que aceita "tranqüilamente" ser vice na chapa de Marta Suplicy. Segundo Erundina, a própria ministra a convidou. Para Marta, que não assumiu a pré-candidatura, cabe ao PT definir alianças. (págs. 1 e A9)
-O ESTADO DE SÃO PAULO
Governo prevê R$ 25 bilhões para estimular indústrias
- O governo federal lança segunda-feira a nova política industrial, que terá o nome de Plano de Desenvolvimento Produtivo, informa a repórter Adriana Fernandes. O custo fiscal deve variar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões até 2011, dinheiro que envolve desoneração tributária (cerca de R$ 8 bilhões) e redução dos juros em empréstimos do BNDES. O Ministério da Fazenda ainda procura acomodar as demandas de setores industriais que querem ampliar o tamanho das medidas. A nova política buscará incentivar investimentos, inovação tecnológica e, sobretudo, exportações - o governo tem como prioridade estimular as vendas ao exterior, para reverter a escalada no déficit em conta corrente. A indústria naval, considerada importante para reduzir os custos de logística e, conseqüentemente, aumentar a competitividade da produção nacional, está entre os setores beneficiados. O Palácio do Planalto quer, na divulgação do programa, a mesma magnitude que foi dada ao Plano de Aceleração do Crescimento e convidou para a solenidade os 27 governadores, parlamentares e empresários. (Págs. 1 e B1)
O GLOBO
Governo e BNDES ajudam ONGs ligadas a Paulinho
-Verbas do Ministério do Trabalho e do BNDES beneficiaram a ONG Meu Guri, presidida por Elza Pereira, mulher do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, presidente da Força Sindical. Paulinho é citado na investigação sobre fraudes em empréstimos do banco. Só do BNDES, a ONG da mulher de Paulinho recebeu doação de R$ 1,2 milhão. Já o Ministério do Trabalho, comandado pelo pedetista Carlos Lupi, repassou desde 2005 cerca de R$ 6 milhões ao Instituto DataBrasil, ligado à Força Sindical e que tem parcerias com a Meu Guri. O DataBrasil aparece na investigação sobre fraudes no BNDES: um lobista preso afirma, em conversa interceptada pela Polícia Federal, que tem dinheiro a receber do presidente da ONG. A Justiça bloqueou bens de 11 acusados no processo. (Págs. 1, 3 a 5)
GAZETA MERCANTIL
- A geração de energia elétrica a partir da cana-de-açúcar ganha força no Brasil e começa a atrair a atenção das empresas comercializadoras, que atuam no mercado livre, no qual os consumidores negociam a eletricidade sem a participação das concessionárias. Esse movimento reforça o rápido avanço do setor, demonstrado ontem pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Segundo a EPE, em 2007, pela primeira vez na história, o álcool ultrapassou a geração hídrica como matriz energética nacional, ao abocanhar participação de 16%, ante 14,7% da energia oriunda das hidrelétricas.
A Comerc, uma das líderes do mercado livre de eletricidade, prevê ampliar em 50% seu faturamento com a gestão da energia gerada pelas usinas sucroalcooleiras. "Fechamos contratos com oito usinas, que somam 310 megawatts de geração (a partir do bagaço da cana)", disse à Gazeta Mercantil Cristopher Vlavianos, presidente da empresa, que agora buscará clientes para consumir essa energia. Com a expansão do setor, "as novas usinas não pensam mais em produzir açúcar e álcool, e sim etanol e eletricidade", acrescenta.
O álcool brasileiro também começa a ganhar importância no exterior. A Petrobras prevê exportar quase um milhão de litros para o Japão em cinco anos. (Págs. 1 e C4)
CORREIO BRAZILIENSE
- Governo lança pacote que destina R$ 1 bilhão para projetos de financiamentos e permite o uso das florestas nativas como garantia dos empréstimos. (Págs. 1 e 15)
- BNDES deu R$ 1,2 milhão à ONG da mulher de Paulinho. Págs. 1 e 6)
- Alta do petróleo e de outras matérias-primas, como o aço, vai elevar o preço de automóveis, geladeiras, eletroeletrônicos e brinquedos. (Págs. 1 e 17)
VALOR ECONÔMICO
Lucratividade dos bancos tem queda no 1º trimestre
- O primeiro trimestre trouxe uma novidade que não se via há muito tempo: o crescimento que os bancos vinham exibindo nos lucros a cada trimestre caiu pela metade, da faixa dos 20% para cerca de 10%.
Além disso, a lucratividade também caiu. Os balanços já divulgados dos cinco maiores bancos privados - Bradesco, Itaú, Real, Unibanco, Santander - e do BicBanco mostram que o retorno anualizado sobre o patrimônio líquido ficou em 24,5% em comparação com 26,8% no primeiro trimestre do ano passado.
Ficou mais difícil para os bancos ganhar dinheiro com a redução do juro básico, a mudança do mix das carteiras de crédito e o aumento dos custos de captação. Essa nova realidade reduziu a margem financeira dos bancos, também chamada de spread, medida pela relação entre as receitas de intermediação financeira e os ativos.
A redução da margem era esperada por causa da queda da Selic. Mas o efeito "foi amplificado" por causa do encarecimento das captações no mercado doméstico, disse Geraldo Travaglia, vice-presidente do Unibanco, o único entre os grandes bancos privados em que a rentabilidade cresceu. (Págs. 1 e C8)
http://www.radiobras.gov.br/sinopses.htm
AGRIPINO & LULA [In:] O 'CUSTO BRASIL' DE UM "BAFÃO"
"Eu não participei da reunião para tentar obter nenhum brilho especial nem abafar. A minha presença na reunião teve o objetivo claro de ter respostas para o que o Brasil quer saber: quem fez o dossiê, com que objetivo foi feito e se havia alguma intenção política", afirmou. Depois de participar de cerimônia no Palácio do Planalto nesta quinta-feira, Lula afirmou que Agripino pensou que iria "abafar" no depoimento da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no Senado ao colocá-la sob constrangimento. Mas, segundo o presidente, o senador é que acabou "em situação delicada" uma vez que não deveria ter adotado comportamento agressivo. Agripino disse que, "se as respostas foram dadas de forma enviesadas" pela ministra, isso é "outra conversa". O senador reiterou que Dilma fez papel de vítima e direcionou a resposta para o campo emocional com o objetivo de sensibilizar os parlamentares. "Acho que o presidente Lula enviesou mais uma vez ao debitar a mim a tentativa de brilhar que eu não tive. Hora nenhuma eu tentei constranger a quem quer que seja. O dossiê é próprio do regime de exceção, o que eu quero é esclarecer esse dossiê", disse.
Emoção
Dilma ficou emocionada ontem ao responder à pergunta de Agripino durante depoimento prestado à Comissão de Infra-Estrutura do Senado que durou nove horas. Agripino pediu que a ministra revelasse todos os detalhes da montagem do dossiê sem usar da mesma postura adotada por ela para fugir as torturas no período da ditadura. O senador leu trechos de uma entrevista de Dilma na qual ela afirmou que "mentia muito" naquele período, por isso insinuou que não repetisse a mesma prática. Em resposta, a ministra disse que sente orgulho de ter mentido para escapar de torturas durante a ditadura. "Eu fui barbaramente torturada, senador. Qualquer pessoa que ousar falar a verdade para os torturadores, entrega os seus iguais. Eu me orgulho muito de ter mentido na tortura, senador". Dilma afirmou que "não há possibilidade de diálogo" quando se tem pela frente o "pau de arara, o choque elétrico e a morte". Numa referência indireta à possibilidade de Agripino ter apoiado os militares na ditadura, Dilma disse que os dois não estavam "no mesmo momento" quando ela enfrentou a luta armada para combater o regime. O senador afirmou que não está disposto a pedir desculpas à ministra uma vez que, na sua avaliação, foi mal interpretado porque não teve o objetivo de constranger a ministra. "Cabe a mim corrigir e repor o meu pensamento. Era um esclarecimento do dossiê para que não ficássemos com um assunto que envolve o uso privilegiado de informações de Estado em benefício de um governo, encostando no canto da parede pessoas como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher."
LULA & AGRIPINO [In:] "SITUAÇÃO DELICADA"
"Em relação às declarações do Agripino, eu acho que ele fez o que não deveria fazer. Mas de qualquer forma, um homem com a experiência política dele achou que certamente iria abafar, que iria colocar a Dilma em uma situação delicada, mas no fundo, no fundo eu acho que ele é que ficou em uma situação delicada", disse o presidente, após cerimônia no Palácio do Planalto.
Lula se referiu à intervenção de Agripino, que durante o depoimento de Dilma insinuou que ela poderia mentir porque admitiu em uma entrevista que faltou com a verdade no período da ditadura. No entanto, o presidente reiterou os elogios ao comportamento dos parlamentares na comissão, repetindo em parte o que disse pela manhã. "Eu quero ressaltar que foram nove horas de debate e o Congresso se portou como um Congresso civilizado, da forma mais democrática possível e a ministra respondendo aquilo que ela tem que responder, as perguntas sobre o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento)", disse. Depois de elogiar a ministra publicamente, em solenidade de manhã, o presidente voltou a destacar o desempenho de Dilma ao depor ontem, por mais de nove horas, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. "Acho que houve duas coisas importantes: primeiro, a Dilma é muito segura das coisas que tem que fazer, segundo, eu acho que o Senado foi muito democrático, não houve nenhuma ofensa e nem nenhuma pergunta desaforada", afirmou o presidente. Em tom de brincadeira, ao ser questionado se havia acompanhado a sessão inteira, Lula reagiu: "Eu não acompanhei o depoimento da ministra Dilma, porque quando alguém presta depoimento pro Senado, alguém tem que trabalhar nessa República. Mas eu vi as notas da imprensa hoje, da imprensa ontem." Segundo Lula, as perguntas sobre o dossiê serão permanentes e infindáveis. "As perguntas sobre o dossiê eu já sabia, eles vão passar a vida inteira perguntando sobre dossiê e nós vamos passar a vida inteira fazendo o nosso cadastramento e o nosso banco de dados porque nós temos a obrigação de fazer isso", disse ele.
BRASIL/TELEFONIA: " 'OI' NÓIS AQUI TRAVEIS..."
A trinca reuniu-se reservadamente com o ministro Hélio Costa (Comunicações). Foram pedir que o governo apresse a mudança da norma legal que impede a efetivação de um negócio de mais de R$ 12,3 bilhões: a compra da Brasil Telecom pela Oi.
Vão abaixo os principais lances da negociação:
1. Para conferir ares institucionais à alteração legal que interessa à Oi, incumbiu-se a Abrafix (Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo) de enviar ofício à Anatel solicitando a alteração do PGO, o plano de outorgas. Deu-se em 8 de fevereiro de 2008, dois meses e meio antes de a Oi anunciar ao mercado a compra da Brasil Telecom;
2. Em 11 de fevereiro, três dias depois de ter recebido a carta da Abrafix, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, enviou a Hélio Costa o ofício nº 75/2008. No texto, pede ao ministério das Comunicações que se manifeste sobre a proposta de alteração da regra que proíbe telefônicas que operam numa região de adquirir congêneres de outras regiões;
3. Já no dia seguinte, 12 de fevereiro, Hélio Costa endereçou a Sardenberg, o mandachuva da Agência Nacional de Telecomunicações, o ofício 11/2008. Nele, o ministro manifesta-se integralmente favorável à mudança da regra. Escorou-se em estudo do ministério segundo o qual o PGO “deve ser adequado à evolução do setor e às mudanças das condições de competição, com o objetivo de garantir benefícios ao consumidor e o desenvolvimento social e econômico do país”;
4. Até aí, tudo caminhava com celeridade. Seguindo a praxe, nomeou-se um dos diretores da Anatel para relatar o processo. Chama-se Pedro Jaime Ziller de Araújo. Não há prazo para que ele conclua a tarefa. E a coisa está demorando mais do que gostariam os controladores da Oi. Sensibilizada, a cúpula do governo espera que o relatório fique pronto em, no máximo, 30 dias. Do contrário, cogita-se uma providência extrema: a substituição do relator. Algo que não soaria bem. Um detalhe pode dar novo impulso à caneta de Pedro Jaime. O mandato dele na Anatel expira no final de novembro. Insinua-se no subsolo de Brasília que, se tiver interesse em renová-lo, o diretor talvez precise exibir mais agilidade;
5. O relatório de Pedro Jaime terá de ser aprovado pela diretoria da Anatel. Integram-na cinco pessoas: o presidente Sardenberg e quatro diretores. Aqui, surge novo problema: há, desde novembro de 2007, uma cadeira vaga na agência. O que reduz a quatro o número de votantes. Como a alteração do Plano de Outorga depende da concordância de pelo menos três votantes, os sócios da Oi levaram o pé atrás;
6. De acordo com o que apurou o repórter, o ministro Hélio Costa busca um nome para ocupar a cadeira vazia da Anatel. Chama-se Emília Ribeiro a candidata mais cotada. Ligada ao PMDB, o partido do ministro, ela é funcionária do Ministério da Ciência e Tecnologia. No momento, encontra-se cedida ao gabinete do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Noves fora o vínculo partidário, conta a seu favor o fato de já integrar o conselho consultivo da Anatel. O nome precisa ser indicado por Lula e aprovado pelo Senado, uma casa legislativa em que a maioria governista é frágil;
7. Há, por último, um detalhe político a intoxicar a mudança legal pretendida pela Oi. Trata-se de um empecilho doméstico, por assim dizer. Em 2005, ano em que começou a cogitar a ampliação de seus negócios telefônicos, a Telemar de Sérgio Andrade e Carlos Jereissati, irmão do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), injetou R$ 5,2 milhões na empresa Gamecorp, uma produtora de TV e de joguinhos para celular que tem como sócio Fábio Luís, o Lulinha, filho de Lula. Hoje, as invesrsões na produtora de Lulinha alçam a casa dos R$ 10 milhões;
8. Em diálogos reservados, o presidente mencionou o risco de exploração política da mudança legal que vai beneficiar a Oi (ex-Telemar). Ouviu argumentos de natureza técnica. Por exemplo: a supertelefônica que nasce da aquisição da Brasil Telecom segue uma tendência mundial. Argumentou-se que, com a junção das duas telefônicas, a empresa, de capital nacional, ganharia escala. Que levaria a uma redução de custos. Que resultaria em melhoria do serviço prestado à clientela e em redução nos preços das tarifas. De resto, a supertele teria condições de competir, aqui e alhures, com duas multinacionais: a espanhola Telefônica e o grupo mexicano que controla a Claro e a Embratel. Lula deu-se por convencido.
9. A certeza de alteração das regras é tão densa que o BNDES animou-se a participar da operação financeira montada para viabilizar a compra da Brasil Telecom. Uma participação de R$ 2,57 bilhões, a ser materializada por meio da compra de ações e de títulos de dívida que serão emitidos pelos controladores da Oi e adquiridos pelo BNDESpar, o braço que administra a participação do bancão oficial em empresas.
Escrito por Josias de Souza, Folha Online. 0905.
PF/DOSSIÊ: ENFIM, O BOI TEM NOME! (e manada)
As investigações detectaram troca de e-mails entre José Aparecido e um assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Aparecido foi o único dos cinco secretários e diretores da Casa Civil a ter o computador apreendido pela sindicância aberta por Dilma Rousseff.
Aparecido é militante histórico do PT.
Os e-mails entre Aparecido e André Fernandes -consultor concursado do Senado, lotado na segunda vice-presidência (cujo titular é Álvaro Dias)- trazem conversas de natureza pessoal. Não fazem menção ao dossiê e ao levantamento das contas do governo tucano.
Mas, segundo a Folha apurou, a PF e a sindicância interna têm provas de que foi anexada a uma dessas mensagens, datada de 20 de fevereiro, a planilha em Excel de 27 páginas com gastos de FHC, Ruth Cardoso e ex-ministros. A planilha registrava uma semana do trabalho de levantamento de dados do governo tucano, iniciado em 11 de fevereiro.
A Folha obteve cópias da correspondência eletrônica. Mas o formato dessas cópias, em HTML, não permite a leitura de arquivos anexados.
Aparecido nega ter vazado o dossiê. "Nunca faria um negócio desses", falou à Folha.
Fernandes, por sua vez, confirmou ter recebido o e-mail contendo o documento e disse ter informado o senador. "Não é sigilo meu, nunca pedi, nunca solicitei, não passei para órgão de imprensa nenhum. Resolvi comunicar o fato ao senador e dei um fim a essa história." Eles disse ter apagado as mensagens de Aparecido há "uns dois meses". Ambos são amigos e trabalharam juntos no TCU.
"O dossiê saiu do Palácio do Planalto e chegou ao computador do servidor [Fernandes]. No estrito cumprimento de seu dever, ele comunicou o fato. Se não o fizesse, teria cometido uma infração administrativa", disse Álvaro Dias. "O nome mais importante, no entanto, não é do Aparecido, mas sim de quem mandou fazer o dossiê, quem fez e por quê", ressaltou.
A Casa Civil disse que não se manifestaria até a conclusão da sindicância, prevista para o fim do mês. Dirceu não falou.
A Folha apurou que Dilma busca um desfecho o menos desgastante possível. A idéia é evitar tratar o episódio como crime -com isso, poderia aplicar apenas uma punição administrativa e afastar Aparecido. Se não for obrigado a responder na Justiça, avalia o Planalto, o servidor não teria motivos para detalhar a ordem dada pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, para a elaboração do dossiê. A estratégia do governo está amparada em recente parecer confeccionado pelo general Jorge Félix, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Em documento encaminhado à PF e cujo conteúdo foi tornado público anteontem pela ministra Dilma no Senado, o GSI avalia que os gastos do governo FHC não são mais sigilosos. O prazo para documentos reservados teria expirado em 2007. Essa nova estratégia do governo não exime a Casa Civil de explicar o viés político na organização dos gastos de FHC. O material em poder da sindicância confirma a informação, publicada pela Folha em 4 de abril, de que o dossiê saiu pronto da Casa Civil. E contraria versão de Dilma, de que o documento publicado poderia ser uma montagem, a partir de informações da Casa Civil. A investigação também afasta a possibilidade de um espião ter invadido os computadores da pasta, como cogitou Dilma. Aparecido não teve participação direta na confecção do dossiê. Em reunião convocada por Erenice em 8 de fevereiro, foi solicitado a ele, ao secretário Norberto Temóteo Queiroz (Administração), à chefe-de-gabinete de Erenice, Maria de La Soledad Castrillo, e a Gilton Saback Maltez, da Diretoria de Orçamento e Finanças, que cedessem dois funcionários para participar da força-tarefa incumbida de preparar o dossiê. O papel de Aparecido foi só escalar seus funcionários.
quinta-feira, maio 08, 2008
CONAB/SAFRA DE GRÃOS-2008: RECORDE
Conforme os técnicos da estatal, as boas condições climáticas registradas nos últimos meses, com melhor distribuição das chuvas em todo o País, além de mais investimentos e melhor tecnologia no campo, continuam elevando a produção nacional.
O maior destaque continua com a soja, que participa com 41,89% do total (59,50 milhões de t) e 1,9% superior à produção passada, de 58,39 milhões de t. Em seguida vem o milho, com 40,69% da safra (57,80 milhões de t). Isso representa 6,43 milhões de t a mais que o do período anterior. Juntas, essas culturas são responsáveis por 82,59% da produção nacional.
Para realizar este levantamento, os técnicos da Conab consultaram, no período de 22 a 25 de abril, 1.053 representantes de cooperativas e órgãos públicos federais, estaduais e municipais, de 350 municípios de todo o País.
FHC/CPI DOS CARTÕES CORPORATIVOS/LULA: "GOOD TIMES, OLD TIMES" *
O diabo é que a CPI saiu por pressão das legendas oposicionistas, à frente o PSDB de FHC. Autor do pedido que deu origem à comissão, o deputado tucano Carlos Sampaio (SP) faz o que pode para salvar a “investigação.” Exceto pelo auxílio de outro deputado, Índio da Costa (DEM-RJ), Sampaio tornou-se uma espécie de soldado sem exército.
FHC também alfinetou o PAC. O programa transformou-se, na opinião dele, em pela de campanha eleitoral. "O PAC virou um plano de aceleração da comunicação. Só vejo Lula nas obras do PAC. O PAC virou plano de aceleração da comunicação. Se não é eleitoral, é o que?"
O ex-presidente esquivou-se de dizer que o PAC é mera recauchutagem de outro programa, o “Brasil em Ação”, lançado na era tucana. Foi à história como exemplo de “inação”. Ao contrário de Lula, que tira leite até de pedras fundamentais inexistentes, FHC nem propaganda pôde fazer.
Escrito por Josias de Souza, Folha Online, 0805.

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(*) Foto: Lula & FHC. Arquivo/Folha Imagem.
CPI DOS CARTÕES CORPORATIVO/DOSSIÊ [In:] "SER OU NÃO SER?"
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
Lula vai divulgar seus gastos pessoais no fim do mandato
- Blindada pelos aliados, favorecida pela oposição e mantendo equilíbrio emocional, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, driblou ontem as raras perguntas embaraçosas sobre o dossiê de gastos do ex-presidente Fernando Henrique e concentrou-se no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foram mais de nove horas de depoimento na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, das quais Dilma saiu elogiada. Pregou o fim do sigilo das despesas de ex-presidentes com cartões corporativos e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu abrir seus gastos assim que deixar o governo. A ministra garantiu que o trem-bala ligando o Rio a Campinas deve estar pronto para a Copa do Mundo, que será realizada no Brasil, em 2014. (págs. 1, A2 e A3)
FOLHA DE SÃO PAULO
- A segunda política industrial do governo Lula, a ser lançada pelo presidente no dia 12, terá uma proposta de desoneração tributária que envolverá ao menos R$ 7 bilhões. O objetivo do Planalto com o corte de tributos é estimular exportações e investimentos produtivos. (págs. 1 e B5)
- O ministro Tarso Genro (Justiça) disse que a Fazenda Depósito, na reserva Raposa Serra do Sol (RR), não é propriedade privada. Seu dono, o prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero, está preso. Índios fizeram barreiras às fazendas dos produtores de arroz. (págs. 1 e A8)
O ESTADO DE SÃO PAULO
Brasil volta a lançar títulos no exterior
- O Brasil voltou a emitir títulos no mercado internacional. Uma semana após o País ter obtido o grau de investimento da agência de classificação Standard & Poor's, o Tesouro Nacional vendeu nos Estados Unidos e na Europa US$ 500 milhões em papéis. Títulos brasileiros não eram lançados no exterior desde abril de 2007, antes da onda de turbulência provocada nos mercados financeiros pela crise das hipotecas nos EUA. Apesar do sucesso da emissão, o governo está preocupado com os efeitos da desvalorização do dólar ante o real. O presidente Lula reuniu-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles, para discutir a situação. O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e os economistas Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo participaram do encontro. A avaliação é de que não dá mais para segurar a inflação com a ajuda do câmbio, que facilita a importação de mercadorias. (págs. 1, B1, B3 e B4)
O GLOBO
STF e governo reagem à absolvição de fazendeiro
- O governo federal e o STF reagiram com duras críticas à absolvição de fazendeiro acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang. O ministro Celso de Mello, do STF, disse que a decisão pode manchar a imagem da Justiça brasileira. O secretário especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, pedirá investigação sobre Rayfran Sales, assassino confesso que mudou seu depoimento no segundo julgamento, isentando o fazendeiro Vitalmiro Moura,o Bida. A notícia foi destaque na imprensa internacional. (págs. 1, 3 e 4)
- A PF encontrou um arsenal de guerra, inclusive material para fabricação de bomba, na fazenda do arrozeiro Paulo Quartiero, dentro da Reserva Raposa Serra do Sol. Ele foi transferido para prisão em Brasília. (págs. 1 e 5)
GAZETA MERCANTIL
IGP-DI supera dois dígitos pela primeira vez desde 2005
-A inflação medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI) rompeu a casa dos dois dígitos pela primeira vez em 12 meses desde abril de 2005. O IGP-DI fechado em abril ficou em 1,12%. Com este resultado, o indicador, muito influenciado pelo atacado e que é divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumulou alta de 10,24% nos últimos doze meses. Os preços no atacado subiram 1,3% no mês passado, ante uma alta de 0,8% em março.
O resultado de abril mostra que a inflação não está concentrada apenas nos alimentos. A pressão das altas de minério de ferro, adubos e fertilizantes, carvão mineral e petroquímica também demonstram força. As maiores influências positivas em abril foram o arroz, com aumento de 27,78%, o minério de ferro, com 13,48%, e adubos e fertilizantes, com 10,71%. "Há uma pressão de preços internacionais e estamos com a demanda aquecida, propícia para repasses", diz o economista da Concórdia Corretora, Elson Teles. (págs. 1 e A4)
CORREIO BRAZILIENSE
Isabella dois crimes, três presos Isabela
- Um dia decisivo para dois assassinatos que comoveram o país. Em São Paulo, juiz aceitou denúncia do promotor do caso e decretou a prisão preventiva do pai e da madrasta de Isabella Nardoni. Os dois são acusados de matar a menina de 5 anos, jogada do 6º andar de um prédio em 29 de março. Alexandre Nardoni e Anna Jatobá negam o crime. Advogado do casal vai entrar na justiça com pedido de Habeas Corpus. (págs.1, 14 e 15)
- Durante buscas na casa de suspeito de integrar esquema de fraudes no BNDES, Polícia Federal encontrou comprovante de depósito de R$ 37,5 mil na conta de entidade assistencial presidida por Elza de Fátima Pereira, mulher do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP). (págs. 1 e 7)
- Absolvição do suposto mandante do assassinato da missionária norte-americana revolta o país. Acusação sustenta que pistoleiro foi pago para mudar depoimento. (págs.1 e 16)
VALOR ECONÔMICO
Mantega sugere mais tolerância com inflação
- O Brasil passa por um choque de oferta, com os aumentos dos preços internacionais do petróleo e commodities agrícolas e metálicas. O regime de metas de inflação prevê que a margem de tolerância é para ser usada exatamente em situações como esta. Essa é, em síntese, a avaliação que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez ontem ao Valor sobre as pressões inflacionárias que levaram os preços industriais, antes comportados, a subir 1,77% em abril, segundo a FGV.
O ministro considera que a política antiinflacionária do governo, cuja meta é de 4,5% com margem de tolerância de 2 pontos percentuais, deveria, nessa conjuntura, levar em conta o intervalo superior, um IPCA de até 6,5% no ano. Ele não disse, mas por trás desse raciocínio está a recomendação para que o Banco Central use essa margem de manobra e contenha o aumento da taxa básica de juros. Em 2001, quando houve o apagão, e em 2003, quando trabalhou com meta ajustada, o BC recorreu a esse expediente.
Mantega diz que o problema da inflação não é doméstico, e sim mundial. Com uma tabela nas mãos, ele mostra a evolução dos preços em vários países. "Você sabe que a Suíça está com 2,5% de inflação? Que a União Européia está com 3,5%? Ela deveria estar em 2% e ninguém lá está arrancando os cabelos por isso. A Rússia está com inflação de 13,3%, deveria estar com 8% e também não estão arrancando os cabelos". O ministro observa que a China deveria estar com 4,8% de inflação e está com 8,7%. Indonésia, Filipinas, Tailândia, todos estão acima da meta.
O ministro admite que a "demanda interna está aquecida", mas indica que isso leva os empresários a aumentar investimentos. "Não gostaria que a demanda ultrapassasse certos limites", diz, sem estabelecer quais são esses limites. Ele faz um acompanhamento setor por setor para ver onde há capacidade de produção. Mostra que a indústria automobilística, por exemplo, está equipada para atender a toda a demanda: vai produzir 3,8 milhões de unidades este ano, sendo 3,4 milhões para o mercado interno, e planeja investimentos de R$ 5 bilhões. Na siderurgia, afirma, ainda há capacidade ociosa: o país produz hoje 34 milhões de toneladas de aço e a produção cresce 10% ao ano. Admite que a situação é mais delicada no caso do trigo, com o consumo de 10 milhões de toneladas e importações de 7 milhões. (págs. 1 e A4)
- A bordo do "Aerolula", durante vôo para Manaus, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ele está tão forte politicamente que elegerá o sucessor e regressará facilmente ao poder na eleição seguinte. Lula o interrompeu e assegurou: "Eu não voltarei em 2014, Alfredo". Quem assumir em 2011, observou, vai querer governar por oito anos. "Não quero fazer do meu sucessor um inimigo", comentou, ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, que assistiu a tudo calada.
Com a ministra e o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) numa chapa encabeçada por quem estiver melhor situado, Lula acredita poder enfrentar o candidato da oposição, que, segundo expectativa do Planalto, deverá ser o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). O projeto de volta ao poder em 2014 só será retomado se ele não conseguir fazer seu sucessor em 2010. Sua aspiração, ao deixar o governo, é fazer palestras pelo mundo. Lula acha que pode ser, segundo um auxiliar, um misto de Bill Clinton com Nelson Mandela: ganhar dinheiro com conferências e ao mesmo tempo participar de iniciativas internacionais, como as promovidas pela ONU. (págs. 1 e A9).
http://www.radiobras.gov.br/sinopses.htm
[por Tutty Vasques].
"Uma coisa ficou muito clara no primeiro round do depoimento de Dilma Roussef em comissão do Senado: Não tem homem no Congresso para encarar a ministra".
PAULINHO/BNDES: UMA FORÇA P´RÁ 'ONG'
A Polícia Federal apreendeu na residência do lobista João Pedro de Moura, amigo e ex-assessor do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, comprovante de um depósito bancário no valor de R$ 37,5 mil em favor da ONG Meu Guri Centro de Atendimento Biopsicossocial, presidida por Elza de Fátima Costa Pereira, mulher do parlamentar e tesoureira do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Moura é apontado pela Procuradoria da República e pela PF como mentor e principal articulador do esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que há três semanas caiu na malha da Operação Santa Tereza. Ex-conselheiro do BNDES, Moura foi apanhado pela interceptação telefônica da PF negociando partilha de recursos liberados para prefeituras. A Procuradoria da República considera ter "provas cabais" de irregularidades em três contratos de financiamento do banco, que somam R$ 400 milhões. O depósito na conta da ONG Meu Guri foi realizado no dia 1º de abril, segundo o registro bancário número 202.020. Para a PF, o documento reforça a suspeita de que parte do dinheiro do BNDES que transitou pela organização pode ter sido repassada a um núcleo de ONGs. A polícia decidiu pedir à Justiça Federal a quebra do sigilo bancário da Meu Guri para verificar a movimentação financeira da entidade e a origem dos recursos que a mantêm. A PF passou a suspeitar que o esquema BNDES ia bater de frente com entidades assistenciais quando pegou no grampo o coronel da Polícia Militar Wilson Consani. Na véspera da Santa Tereza, noite de 23 de abril, o oficial tentou avisar a cúpula do PDT e da Força Sindical sobre a operação. Numa ligação, ele soltou: "É o negócio das ONGs". A Meu Guri se declara uma associação civil, sem fins lucrativos, que atua na área de assistência social. Abriga crianças e adolescentes "em situação de risco social e trabalha pela reestruturação das famílias". Foi fundada em 1997, por iniciativa de Elza e Paulinho, na época presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. O projeto é desenvolvido "em parceria com empresários e trabalhadores, que contribuem financeiramente". Segundo a entidade, Paulinho e Elza, "indignados pelo crescimento do caos social e, principalmente, com o grande número de crianças que habitavam as ruas próximas à antiga sede do sindicato, na Praça da Sé, decidiram implantar um projeto que possibilitasse a essas crianças ter um atendimento diferenciado". Na terça-feira, Paulinho defendeu-se na Câmara e repeliu a acusação de que estaria envolvido com o desvio de verbas do BNDES. Como prova de isenção, abriu mão do sigilo bancário. A busca da PF ocorreu na manhã de 24 de abril, quando a Santa Tereza foi deflagrada.
Fausto Macedo, Estadão, 0805.
PAULINHO/FORÇA SINDICAL: COM OU SEM FORÇA?
"Acho que os esclarecimentos feitos por ele na tribuna do plenário foram insuficientes porque foram acusações graves. Como prova, o que tem nos jornais até agora é pouco, mas acho que existem mais coisas. Se o procurador [procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza] está acompanhando, é porque tem alguma coisa grave aí", afirmou. Como corregedor, Inocêncio arquivou todos os processos que apurou em sua gestão.
Inocêncio disse considerar especialmente grave o telefonema feito pelo advogado Ricardo Tosto, preso pela Polícia Federal e também suspeito de envolvimento na fraude do BNDES, a Paulinho duas horas após deixar a carceragem, na semana passada. "O episódio do telefonema foi um momento de muita infelicidade", disse.
Na ligação, interceptada pela PF com autorização judicial, Paulinho disse que iria "mexer os pauzinhos" no Congresso para convocar o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o então superintendente da PF em São Paulo, Jaber Saadi, para explicar por que Tosto foi preso.
O corregedor recebeu os autos do processo no fim da manhã de ontem. A Folha apurou que Inocêncio deverá abrir uma sindicância para ouvir Paulinho e outras pessoas citadas no relatório da PF.
O deputado foi notificado no fim da tarde de que a corregedoria está analisando o processo. Ele tem até quarta-feira para prestar os esclarecimentos que achar necessários.
Depois de receber a defesa de Paulinho, caberá ao corregedor sugerir abertura de inquérito administrativo ou sindicância ou então o arquivamento.
Depois de receber o apoio do PDT na noite de terça, Paulinho voltou às suas atividades habituais na Câmara. Esteve numa comissão e participou do plenário. "Estou tranqüilo. Depois da reunião do partido, fui para casa, joguei baralho até tarde e hoje [ontem] de manhã levei minha mulher ao aeroporto. Os trabalhadores sabem quem está por trás disso", afirmou, sem citar nomes.
Ele tentou agendar uma reunião com Antonio Fernando de Souza, mas não conseguiu.
O deputado afirmou acreditar que o envolvimento de seu nome nas investigações não trará prejuízos eleitorais.










