PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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terça-feira, abril 17, 2007

MST: "NÓS VAMOS INVADIR TUA" PRAÇA !

MST chega ao Paraná e praças de pedágio são invadidas. No "abril vermelho", integrantes do movimento liberam carros da cobrança da taxa.

PARANÁ - As manifestações do chamado "abril vermelho", programadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), chegou ao Paraná. Desde a madrugada desta terça-feira, 17, integrantes do movimento faziam invasões em praças de pedágio pelo Estado. Nas invasões, os integrantes liberavam as cancelas para todos os veículos passarem sem pagar as taxas. Até por volta das 8 horas, já havia 13 praças invadidas e há informações de que em alguns lugares equipamentos foram danificados. Na segunda-feira, 16, o MST intensificou a ofensiva de invasões em todo o País, como parte do “abril vermelho” - a jornada marcada para lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, que completa nesta terça 11 anos, e chamar a atenção do governo para os conflitos no campo e a lentidão da reforma agrária. Além de invasões, atos públicos e marchas em dez Estados, cerca de 800 sem-terra ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Brasília. Nem mesmo uma área do Exército em Santa Catarina foi poupada da ação dos sem-terra. No Pontal do Paranapanema e na região da Alta Paulista, no extremo oeste de São Paulo, o MST mobilizou cerca de 550 militantes para invadir uma fazenda e quatro órgãos públicos, em ações quase simultâneas. Um grupo de 100 integrantes invadiu a Fazenda São Luiz, em Presidente Bernardes, no Pontal, e destruiu a plantação de cana-de-açúcar. Outras invasões também foram feitas na sede do Incra em Teodoro Sampaio, onde integrantes também dirigiu-se à sede do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) e montou acampamento na entrada do edifício. O procedimento foi repetido no escritório do Itesp em Rosana. Já o Incra de Andradina foi invadido por 150 militantes. Em Ribeirão Preto, 100 integrantes do MST acamparam diante do prédio da Justiça Federal, para pressionar o Judiciário a julgar ações referentes ao processo de desapropriação da Fazenda da Barra. O grupo levou colchões, fogões e comida para se instalar no local. “Estamos preparados para ficar aqui até um mês, se for preciso”, afirmou Kelli Mafort, integrante da direção estadual do MST. Evandro Fadel, O Estadão.

OPERAÇÃO HURRICANE: STF MANTEM "GATOS NA TUBA"

PF vai cumprir mais mandados de prisão; STF rejeita liberar juízes. Nova fase da operação contra esquema de venda de sentenças pode incluir políticos e mais advogados.

Iniciada na madrugada da sexta-feira, a Operação Hurricane (Furacão, em inglês) terá uma segunda etapa. Fontes da Polícia Federal e do Ministério Público disseram ao Estado que vão cumprir mais ordens de prisão e mandados de busca e apreensão já expedidos pela Justiça. Para fazer isso e coletar todas as informações com as 25 pessoas detidas, a PF decidiu pedir hoje a prorrogação por mais cinco dias da prisão temporária de todas elas, inclusive de dois desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, no Rio. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cezar Peluso, que preside o inquérito, negou ontem a transferência dos detidos para celas especiais. Sobre quatro pedidos de relaxamento de prisão encaminhados nos últimos dias ao Supremo, o ministro mandou ouvir o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, antes de tomar uma decisão.O prazo das prisões temporárias vence às 6 horas de amanhã. Com base no exame de documentos apreendidos, os delegados esperam obter novas informações para prosseguir no interrogatório. Além disso, a polícia avalia que há o risco de, em liberdade, os envolvidos tentarem intimidar testemunhas, ocultar provas e destruir documentos. À polícia, caberá sugerir a prorrogação, mas a decisão final caberá ao Peluso.A nova rodada de execução das ordens de prisão deve alcançar mais advogados e políticos, vinculados à máfia do jogo ilegal. Na fase inicial, a PF prendeu delegados federais, juízes e desembargadores suspeitos de vender decisões judiciais que beneficiam bicheiros e controladores de bingos. Entre eles estão os desembargadores José Eduardo Alvim e Ricardo Regueira, do TRF do Rio. Outro alvo dos agentes foi a cúpula do jogo do bicho no Rio. As ordens de prisão foram expedidas por Peluso, a pedido da Procuradoria-Geral da República. O inquérito corre em segredo de Justiça, mas o vazamento de imagens da operação, exibidas no Fantástico, da TV Globo, irritou ministros do Supremo. A partir de agora, a PF se dedicará ao exame das quase 2 toneladas de documentos apreendidos em papel e em meio magnético (disquetes e CDs). Ontem à noite chegaram a Brasília cinco caminhões-cegonha com os 51 carros apreendidos com os acusados - cujo valor supera R$ 10 milhões. Três depoimentos foram colhidos ontem e outros cinco devem ser tomados hoje. Alguns dos detidos optaram por colaborar com as investigações. Mas grande parte negou-se a depor alegando que não tinha conhecimento das acusações. Peluso recebeu ontem a cúpula da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em seu gabinete no Supremo. Depois de ouvir as reclamações dos advogados que defendem os investigados pela Operação Hurricane, dirigentes da OAB pediram ao ministro que liberasse a consulta ao inquérito e permitisse o contato com os presos. “Nunca vi nada como o que está acontecendo nem na ditadura”, disse Nélio Machado. Advogado de presos políticos, ele defende três acusados pela PF e alegou cerceamento de defesa. Em documento entregue a Peluso e à presidente da STF, Ellen Gracie, a OAB pediu que os advogados detidos fossem transferidos da Superintendência da PF em Brasília para uma sala de Estado-Maior. Essas salas, que ficam em instalações militares, não têm grades e são mais confortáveis. Segundo a OAB, os advogados foram colocados em “enxovias” (cárceres úmidos e sujos), alegação contestada pela PF. Ficou definido que a polícia informará Peluso sobre o estado de saúde de dois presos e o local onde estão recolhidos os advogados. Peluso manteve os presos na superintendência, mas determinou que os arquivos - em processo de digitação - sejam liberados para advogados, assim como visitas aos clientes. Para convencer o ministro a facilitar a consulta ao inquérito, a OAB citou várias decisões do STF que reconhecem direitos de investigados.A OAB questionou ainda o fato de a PF só permitir a comunicação entre advogados e presos por interfone. “Isso atenta contra o caráter pessoal da conversa”, alegou, em nota oficial. Expedito Filho, Sônia Filgueiras e Mariângella Gallucci, BRASÍLIA, O Estadão.

CÚPULA ENERGÉTICA SUL-AMERICANA (CASA): BRASIL & VENEZUELA (ALGUNS CONFLITOS EM "CASA")

Divergência sobre biocombustíveis ameaça Cúpula Energética. Presidente brasileiro não aceita ceder em sua defesa dos biocombustíveis, mesmo que isto signifique sair ilha venezuelana de Margarita sem um documento final.

PORLAMAR, Venezuela - A disputa entre Brasil e Venezuela sobre os biocombustíveis ameaça o sucesso da Cúpula Energética Sul-Americana que começou na segunda-feira, 16, na ilha venezuelana de Margarita. Os ministros de Energia da região não chegaram a um consenso sobre a declaração final da Cúpula após 11 horas de uma reunião que deveria ter durado só duas ou três. Autoridades e funcionários de vários países confirmaram que os ministros de Energia, que começaram seu trabalho às 11h30 (12h30 de Brasília), ainda estavam reunidos depois das 22 horas (23 horas de Brasília). Enquanto os ministros discutiam, os presidentes começavam seu primeiro ato oficial, um jantar oferecido pelo anfitrião Hugo Chávez. Eles tiveram também uma primeira reunião de trabalho centrada na união política da América do Sul. Os ministros de Relações Exteriores, que deveriam assumir as negociações à tarde, começaram sua reunião com três horas e meia de atraso, devido à falta de consenso. Eles não puderam estudar a declaração que devem entregar nesta terça-feira, 17, aos presidentes. Brasil. Fontes brasileiras informaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não cederá em sua defesa dos biocombustíveis. Mesmo que isso signifique sair de Margarita sem um documento final. O ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca do Uruguai, José Mujica, ao responder à Efe sobre a proposta de criar uma união energética regional, disse: "É uma discussão imbecil, estamos discutindo tolices". Um porta-voz presidencial declarou à Efe que a polêmica sobre os biocombustíveis foi a principal causa de discórdia. Ele culpou o Brasil, que se opõe firmemente às tentativas de outros países de criticar a iniciativa na declaração final. O Brasil é um dos principais defensores do uso de combustíveis derivados de produtos agrícolas, especialmente a cana de açúcar. Venezuela e Bolívia, além de Cuba, dizem que a proposta põe em perigo a alimentação de milhões de pobres. Chávez e Fidel. Chávez e o líder cubano, Fidel Castro, criticam o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, por seu plano de transformar produtos agrícolas como o milho em etanol, para substituir até 20% dos combustíveis fósseis. "Ninguém quer semear feijões, só milho. E não para fazer tortilhas nem pão, mas para vender aos EUA para produzir etanol. Isso é uma loucura!", criticou Chávez este domingo. Marco Aurélio Garcia, assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o argumento demonstra que Castro e Chávez têm "certa incompreensão" sobre os biocombustíveis e a realidade mundial. "O problema do mundo é a falta de renda, não de alimentos", disse García. Ele explicou que no Brasil a produção de biocombustíveis não reduzirá as áreas cultivadas para a alimentação, nem "significará derrubar uma árvore da floresta amazônica". Unasur. No entanto, no debate político desta tarde entre os presidentes, segundo Chávez, houve consenso para dar o nome de "Unasur" à integração dos 12 países da região. "Não tínhamos decidido o nome, mas resolvemos hoje que ela se chamará ´Unasur´, União de Nações Sul-Americanas, um tremendo conceito", disse Chávez aos jornalistas ao fim de um "Diálogo Político" com presidentes de outros países da região, no primeiro dia da I Cúpula Energética Sul-Americana. O presidente venezuelano considerou "extraordinária" a primeira reunião de 10 dos 12 presidentes sul-americanos. Os ausentes são Alan García, do Peru, e Tabaré Vázquez, do Uruguai. "Foi uma reunião muito intensa, produtiva, com a tomada de decisões muito importantes para o conceito da união sul-americana", comentou. "Decidimos algo que vínhamos discutindo desde as cúpulas de Cochabamba (Bolívia, em dezembro de 2006) e Rio de Janeiro (janeiro de 2007)", explicou, ao falar sobre a nova fase do processo regional que centralizará os esforços de integração. Chávez acrescentou que a União terá uma secretaria permanente com sede em Quito. Ele disse que estiveram em debate temas de fundo e houve consenso entre os governantes. Efe, O Estadão.

"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"

Governador da Virgínia declara estado de emergência. Tim Kaine interrompeu também sua visita ao Japão por causa do ataque. WASHINGTON - O governador do estado americano da Virgínia, Tim Kaine, interrompeu nesta terça-feira, 17, a sua visita ao Japão e declarou estado de emergência em seu estado. A decisão foi tomada após receber a notícia do massacre na Universidade Politécnica da Virgínia, na segunda-feira, 16, no qual morreram 33 pessoas. Agências internacionais, O Estadão.
Da Vinci é o próximo livro da coleção sobre mestres da pintura. Há 555 anos nascia Leonardo, filho do tabelião Ser Piero com Caterina de Anchiano, na cidade de Vinci, na Itália. Desde então, Leonardo Da Vinci tornou-se sinônimo de genialidade, de uma maneira que poucas outras pessoas conseguiram, ao longo da história. No próximo domingo, dia 22, Da Vinci é o tema do terceiro volume da Coleção Folha Grandes Mestres da Pintura, que começou a ser vendida no domingo nas bancas, com o lançamento dos dois primeiros números, dedicados aos modernistas Vincent Van Gogh e Paul Cézanne (...). As publicações apresentam uma biografia detalhada de cada artista e uma galeria, na qual são analisadas cerca de 30 obras importantes. Folha de São Paulo.
Governo dos EUA sofre avalanche de críticas após massacre de 32 em escola. As críticas da população norte-americana ocorrem porque a chacina resultou de dois ataques, que tiveram um intervalo de quase duas horas. Apesar disso ninguém no campus foi informado de que havia ocorrido uma primeira morte, até que o assassino --até agora não identificado, outro motivo de pesadas críticas-- começasse a trancar outras vítimas em outra região do campus e passasse a fuzilá-las, uma a uma.Mais de 20 pessoas também ficaram feridas, muitas em estado grave. Folha Online.
Atirador de universidade nos EUA era sul-coreano de 23 anos. O Departamento de Polícia da universidade Virginia Tech confirmou nesta terça-feira, 17, a identidade do responsável pelo tiroteio que deixou 32 mortos no campus na manhã de segunda. O jovem, que se suicidou após o massacre, é o sul-coreano Cho Seung-Hui, de 23 anos, segundo informações do site oficial da instituição. Agências Internacionais, O Estadão.
PF deve pedir prisão de mais 40 em megaoperação. A Polícia Federal estuda pedir a prisão temporária de mais 40 pessoas ligadas ao esquema de exploração de jogos ilegais. Na sexta-feira, a PF prendeu 25 pessoas durante a Operação Hurricane (furacão, em inglês) --que cumpriu 70 mandados de busca e apreensão. Folha Online.
Sandy & Junior anunciam separação. A dupla Sandy & Junior anunciou sua separação após 17 anos de carreira em entrevista coletiva em São Paulo nesta terça-feira (17). Os irmãos disseram que o disco "Acústico MTV", cuja gravação está marcada para o próximo mês de maio, será o último da carreira. (...) Sobre a recente polêmica em que o duo teria sido vetado na apresentação ao Papa Bento XVI por pressão de setores católicos, Sandy e Junior disseram que foi justamente esse momento de definição da carreira que contribuiu no recuo ao convite. g1.com.
Morre em São Paulo a atriz e comediante Nair Bello. A atriz Nair Bello, de 75 anos, que estava internada há cinco meses, após sofrer uma parada cardíaca na manhã do dia 11 de novembro em um cabeleireiro de Higienópolis, morreu nesta terça-feira, 17, no Hospital Sírio-Libanês. Seu corpo seguirá para o velório na Assembléia Legislativa, mas a família ainda não informou o local e o horário do enterro. O Estadão.
Para ex-atletas, esporte está de luto. A notícia da morte da nadadora Maria Lenk, nesta segunda-feira, pegou os ex-esportistas de surpresa. O recém-aposentado Fernando Scherer, o Xuxa, não acreditou no falecimento daquela que, para ele, foi um exemplo de vida. Gustavo Borges declarou ser uma tristeza muito grande para o esporte nacional, principalmente para a natação. Globoesporte.com
Grandes nomes da natação brasileira sentem a morte de Maria Lenk, aos 92 anos
Guerra do tráfico deixa oito mortos em morro do Rio; nove foram presos. Oito pessoas morreram nos intensos tiroteios ocorridos na manhã desta terça-feira no morro da Mineira, na região central do Rio. De acordo com a PM (Polícia Militar), o grupo chegou a ser levado ao Hospital Souza Aguiar pelo carro blindado da corporação, chamado de Caveirão, mas não resistiu e morreu. Nove suspeitos foram presos. Folha Online.
Chávez dá sinal de concordância com etanol em reunião. O presidente venezuelano propôs na cúpula que o plano de integração energética inclua a construção de usinas de etanol ao lado das refinarias de petróleo. Denise Chrispim Marin, O Estadão.

OPERAÇÃO HURRICANE: "FORTES VENTOS (AINDA) A ESTIBORDO..."

Ministro do STF mantém prisões da Operação Hurricane. Desse modo, os 25 investigados continuarão presos na Superintendência da PF.

Apesar da pressão dos advogados, o ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve nesta segunda-feira, 16, a prisão dos 25 investigados pela Operação Hurricane (furacão em inglês). Por enquanto, todos continuarão presos na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Um dos investigados, que alega sérios problemas de saúde, passará por uma avaliação médica por determinação de Peluso e, se for o caso, será internado. O ministro autorizou os advogados dos investigados a consultarem o inquérito na secretaria do tribunal. Se quiserem tirar cópia, terão de pedir autorização para Peluso. Por decisão dele, os advogados poderão se reunir pessoal, direta e reservadamente com seus clientes que estão presos na PF. A polícia terá de informar ao ministro sobre o estado de saúde de dois presos e sobre o local onde estão recolhidos os advogados. Sobre os quatro pedidos de relaxamento de prisão encaminhados nos últimos dias ao Supremo, o ministro mandou ouvir o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Peluso tomou as decisões após receber a cúpula da OAB em seu gabinete no STF. Depois de ouvir as reclamações dos advogados que defendem os investigados pela Operação Furacão, dirigentes da OAB pediram pessoalmente ao ministro que liberasse a consulta ao inquérito e permitisse o contato com os presos. Eles também estiveram com a presidente do STF, Ellen Gracie. "Nunca vi nada como o que está acontecendo, nem mesmo na ditadura militar", afirmou durante reunião ocorrida pela manhã na OAB Nélio Machado. Ele foi advogado de presos políticos e defende três presos na Operação Furacão. No documento entregue a Peluso e a Ellen Gracie, a OAB pediu que os advogados presos fossem transferidos da carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília para uma sala de Estado Maior. Existentes normalmente em instalações militares, essas salas não têm grades e são mais confortáveis. Segundo a OAB, os advogados foram colocados em "enxovias" (cárcere úmido e sujo). Para convencer Peluso a liberar a consulta ao inquérito, a OAB afirmou que, apesar de o caso tramitar em regime de sigilo, os indiciados e advogados têm o direito de acesso. A entidade citou várias decisões do STF que reconhecem os direitos dos investigados. "Assiste ao investigado, bem assim ao seu advogado, o direito de acesso aos autos, podendo examiná-los, extrair cópias ou tomar apontamentos", afirmou. A OAB também questionou o fato de a PF permitir a comunicação entre advogados e presos na operação Furacão apenas por meio de interfone. A entidade afirmou que a legislação garante contato pessoal e reservado. "A imposição ao advogado de que sua conversa com o seu assistido se dê por meio de um interfone atenta contra o caráter pessoal da conversa", disse. Para facilitar a consulta ao inquérito, o STF está digitalizando todos os documentos. Os advogados dos investigados receberão uma senha para acessar o conteúdo. Essa estratégia já foi adotada recentemente no inquérito que apura o pagamento do mensalão e no qual são investigadas 40 pessoas. Mariângela Gallucci, O Estadão.

CONTROLADORES DE VÔOS: "CHEIRO DE PIZZA SABOR-BRIGADEIRO NO AR"

Para presidente de associação de controladores, motim foi "erro estratégico".

Herói para uns, traidor para outros, Wellington Rodrigues, presidente da ABCTA (Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo) avalia que a rebelião que paralisou os aeroportos do país no dia 30 foi um "erro estratégico" porque deixou os controladores num impasse e no "fundo do poço". O resultado são controladores desiludidos e desconcentrados, o que significa um risco à segurança aérea. Apesar disso, afirma que voar é seguro. Apesar da posição de liderança durante toda a crise aérea, Rodrigues revela que a categoria é fracionada e sua capacidade de "segurar" o grupo se esgotou. Conta os bastidores do motim --que ele chama de insurgência-- no qual foram os controladores "exaltados" que induziram a paralisação total, contando com a insatisfação latente em todo o país. Rodrigues considera agora que o recuo do governo é reflexo da falta de confiança de ambos lados. Porém, afirma que não acredita que o governo iria cumprir as promessas feitas. Rodrigues, que já teve o "sabre alado" (brasão da FAB) tatuado (e hoje substituído por um Batman), diz respeitar o militarismo, mas insiste que o sistema é completamente incompatível com a atividade de controle aéreo civil. Ele falou à Folha após a abertura da Conferência da Ifatca (federação internacional da categoria), em Istambul. Folha - Você estava no olho do furacão nos dois mais graves momentos do controle aéreo brasileiro, nos dias do acidente e da rebelião, no Cindacta-1. Qual foi o seu papel?Rodrigues -No primeiro evento, foi de confortar os controladores responsáveis, dar apoio e solidariedade e acompanhar os desdobramentos. O que nos deixou chateados foi a pecha de sabotadores. Nesse momento fui a público para defender os controladores. No segundo evento, foi mais crítico. Eu não vim a público de forma enfática. Foi algo forte, de contrasenso. A associação era contra movimentos radicais ou drásticas. Buscamos o entendimento. Queremos ser mediadores. Essa é a função na qual eu me vejo hoje, de levar as demandas e anseios dos controladores para quem de direito. Fiquei mais calado porque fui atropelado pela forma como se deu o processo. Porém, não poderia deixar de entender a situação, que chegou a esse ponto. Temos que ter honestidade, assumir os nossos atos, porem tem que ser apurado de forma honesta. E nunca analisar somente as conseqüências, e sim as causas. Por que chegou a esse ponto? Temos ótimos controladores, ótimas pessoas, que não são bandidos, não são de maus caráteres, pelo contrário, ganharam prêmios como controladores, no entanto tiveram momentos de desilusão, descontentamento, descrença e decidiram por algo mais radical. Folha - Por que chegou a esse ponto? Rodrigues -Temos o antes e depois do acidente. Antes, falava-se sempre que o tráfego aéreo no país só iria mudar depois de um acidente. Isso, todo controlador falava isso ainda na escola. Depois do acidente, vimos que muita coisa não ia mudar. Foi um erro da Força Aérea negar no começo que havia falhas de comunicações, que havia falhas de radar. Isso deixou o controlador desamparado pela sua instituição. Se não existe esses problemas, então o problema é o controlador?Folha - Quando surgiu o tópico desmilitarização?Rodrigues -Desde que entrei no Cindacta-1 já se falava de controle aéreo civil. Isso não é novidade. Os anseios são antigos. O termo desmilitarização está sendo empregado de forma errada. Tem conotação negativa. A intenção é mostrar que existe sim uma incompatibilidade entre ser militar, a carreira militar e a carreira de controlador de tráfego aéreo. Muitas vezes a regra da vida militar está acima da regra do controle, isso não pode existir. Folha - Por exemplo? Rodrigues -A mudança de cargas horárias para formação de controlador. Depois da crise a carga foi reduzida pela metade para acelerar a formação dos controladores que vieram comissionados de outros locais. Tem impacto na qualidade. Nunca pode diminuir a formação. Tem uma turma nova que vai ser formada em um ano, metade do tempo. Não acredita-se que a qualidade vai se manter. Essa crítica a gente faz, sobre a qualidade da formação. Folha - E a gratificação, que é a bandeira de muitos? Rodrigues -Não podemos ser hipócritas e dizer que o salário não é importante. Claro que é importante. Mas não foi o primeiro objetivo. Por isso, muitos controladores, por isso, me bateram. A questão salarial é para conter a evasão, manter controladores de nível e atrair controladores com nível superior. Hoje o controlador já chega estudando para ir embora. A maioria tem ou está fazendo curso superior. Folha - De outubro a fevereiro, houve o desgaste da crise. Mas a categoria também se organizou. Você viajou pelo país todo. Rodrigues -Nossa intenção sempre foi, desde a primeira semana após o acidente, passar no ssa experiência. O pesadelo se tornou realidade para nós. Muita coisa foi colocada na imprensa que não é verdade. A associação foi vista como um sindicato e nosso trabalho não aparecia. Nossa mensagem foi mostrar o que aconteceu de fato, o que era verdade, o que era fantasia. Havia muitos boatos. E queríamos mostrar certos procedimentos que o controlador deveria tomar a partir daquele momento para que ele não pudesse ser pego numa situação de responsabilidade civil. Já tinhamos essa preocupação em setembro, alertamos quanto ao perigo da negligência, imperícia e imprudência. Folha - Que preucações são essas? Rodrigues -Cumprir o que está previsto. É pelo que estava previsto que o controlador vai ser julgado. Enquanto as coisas estão dando certo, tapinha nas costas. No dia que derem errado, você responde pelo que fe z. Se você não cumpre o que está previsto, você vai ser julgado. Folha - Em que situação o controlador é culpado? Rodrigues -Quando ele deixa de cumprir os regulamentos, aceitando excesso de tráfego, o famoso número 14, que se tornou um número cabalístico. No início da crise não tínhamos nem controlador para chegar a 14. Se houver excesso, controlador e supervisor foram negligentes. Agora ficam falando em operação padrão, nossa profissão tem que ser padrão mesmo. Folha - O seguimento estrito das normas segue mantido?Rodrigues -A vida inteira. Já era e agora mais do que nunca. Folha - O que você viu e ouviu nos APPs e Cindactas pelo país? Rodrigues -Uma ansiedade, aflição, angústia e revolta porque o controlador estava sendo colocado como bandido. De anjo da guarda, passou a bandido, então a revolta era grande. Fomos sempre recebidos como verdadeiros heróis porque começamos a mostrar para as autoridades e sociedade o que estava acontecendo. Não podiam debitar coisas na nossa conta. Todos os órgão era a mesma coisa, angústia e revolta. O controlador nunca aparece quando a notícia é boa. Folha - A revolta e ansiedade foram ingredientes para o dia 30?Rodrigues -Sim. Folha - O que aconteceu lá dentro naquele dia? Rodrigues -O manifesto estava rodando há uma semana na internet. As pessoas foram chegando e se acumulando. Já no meio do dia as pessoas estavam exaltadas. Eu peguei vários pelo braço e falava: "não faça isso". Estava preocupado com a questão da responsabilidade civil, de cumprir o previsto. Só iria complicar a nossa situação. Na hora que parar, todas as falhas do sistema seriam esquecidas. Como foram. Agora a culpa é única e exclusiva do controlador. Folha - A categoria é dispersa?Rodrigues -Muito mais do que se imagina. São grupos de pessoas, dez, cinco, se falam. A gente só sabe quando um conta. No dia da reunião com o Paulo Bernardo, quando saímos para almoçar e esperávamos ser chamados para voltar, já recebemos um telefonema com um dizendo: "Já estamos reunidos aqui, a imprensa tá dizendo que não vai sair nada". No meio da tarde, de novo. Consegui segurar. Por outro lado, por estar segurando, estava recebendo muita crítica. Nesse tempo todo, continuei como coordenador de instrução, muitos entregaram a instrução. Não queriam mais dar instrução e eu tinha a mais alta carga horária. Muitos me chamaram de traidor. Falavam: "Olha o Wellington dando instrução. Não é mais para formar ninguém". Folha - Não era para formar possíveis substitutos? Rodrigues -Sim. Eu deixo claro, meu profissionalismo não vai ser mudado. Não sou niilista, não sou terrorista. Vou fazer meu trabalho. Muitos instrutores não aguentaram a pressão. Para mim, isso chegou de forma velada. Eu sempre disse, sei o que estou fazendo. Folha - De volta ao dia 30. Rodrigues -O estopim mesmo foi na reunião com o comandante do Cindacta. Ele de forma alguma foi mal-educado. Folha - Soubemos que ele ameaçou aplicar o regulamento militar. Rodrigues -Não foi nem ameaça. Desde o primeiro dia que ele assumiu, fui até ele, disse minha função e a forma como agia. Ele só me conhecia por meio da imprensa. Apresentei o que sou. Fui o primeiro controlador aqui a ganhar um prêmio de operador-padrão, tenho medalha pelo bom serviço prestado e sou profissional para caramba. Mas fui colocado como um grande vilão. Como se tivesse causado tudo isso. Muito pelo contrário, estamos segurando por muito tempo. Mas eu estou apanhando demais. Demais. Quem mais está batendo nesse tempo todo são os controladores. Entre Força Aérea, imprensa e controladores, quem mais bate são os controladores. Eles querem algo mais radical. Falei ao comandante que se não pudesse mais segurar, estaria com ele para dizer que não daria mais conta. Mesmo porque, não é minha função ficar segurando ninguém. Mas fiz pela posição de liderança e por saber que o radicalismo ia estragar o trabalho pela mudança. Mas o comandante foi lá, falou. Não foi rude. No que ele saiu, muitos já falaram: "Ninguém sai". Eu levantei e disse: "Estou me retirando, não compartilho da decisão dessa forma".Fui conversar com o comandante. O novo comandante, que assumiu agora, coronel Raulino, estava lá e ficamos conversando. Expliquei a situação, o descontentamento, a desilusão e a forma como estavam sendo tratados na sala de controle. De forma rude, alguns de forma irônica. Folha - Houve um endurecimento prévio então? Rodrigues - Sim, muito. Um endurecimento muito grande. Agora, é normal, na vida militar. Não deveria ser no controle, mas na vida militar é assim. Quando acontece uma insubordinação, vão querer corrigir e cobrando mais. Somos militares e estamos sujeitos a isso. Disse ao comandante que assim que terminasse a reunião [dos controladores] eu iria subir, saber a decisão e trazer para ele. Subi mesmo, perguntei pro pessoal, saindo da sala agitadíssimos. Perguntei: "E aí?" A reposta foi "Nós vamos parar". "Como é?". "Nós vamos parar". Voltei para o coronel e falei a decisão do grupo, iriam realmente parar. Folha - Qual foi a reação dele? Rodrigues - Ele só respondeu, "Wellington, nós vamos cumprir então o que está previsto". Fiquei passado. Na posição descansar, sem reação mesmo. Mas o problema é que não foi nada planejado. Se fossemos civis, não teria acontecido daquela forma. As pessoas criticam que se fossemos civis vamos fazer greve. Mas o civil iria cumprir a lei sindical, de avisar três dias antes, manter 30% funcionando. Foi uma insurgência mesmo. Folha - Um motim. Rodrigues - Tá errado. Motim seria pegar armas para tomar o controle da situação. Não foi isso. Foi uma insurgência de não cumprir as ordens. Folha - E quando o ministro Paulo Bernardo chegou? Rodrigues - Fui pego de surpresa. Não sabia disso. Estávamos aguardando a chegada do procurador militar para fazer pos enquadramentos. Começou a vazar que tinham 18 presos. Nosso advogado ficou louco. Ele veio, pediu para entrar. Foi nessa hora que ele saiu nervoso e deu aquela declaração, que a Páscoa seria um inferno. Nessa hora entrou um carro, placa verde e amarela. Eu subi para ver o que ia acontecer. Ele se reuniu, éramos uns 160 controladores. Ele nós deu a voz, mas eu fiquei quieto. Foi aí que vi, decidiram fazer algo, mas não tinham encaminhamento, não sabia como fazer nem como sair da situação. Aí pensei, quero ver o que vai acontecer. Folha - Foi impensado? Rodrigues - Foi um desespero, de "não temos mais nada a perder". Folha - Como se fez a negociação? Rodrigues - Primeiro todos ficaram calados. Então expliquei a ele que, no meio militar, não há esse caminho de diálogo, então há uma barreira e medo de se expor e falar o que pensa. Ele disse que estava tudo aberto. Um controlador exaltado começou, estava metendo os pés pelas mãos. Chegou a ser duro com o ministro. Aí eu levantei a mão. Nesse momento levantei a mão, pedi para todo mundo ficar quieto, pedi desculpas ao ministro pela forma que o controlador falou. Mas expliquei o motivo. Eu condeno a grosseria e o radicalismo, mas eu entendo. Não posso chamar de completamente errado. Disse que havia uma revolta muito grande.Aí vi o quanto a nossa relação, entre controladores, estava desgastada. Aquela fala estava sendo gravada e vazou para a imprensa. Nem me respeitam mais. E senti mal pelo ministro. Era um momento crítico e reservado. Já senti que haveria uma ruptura, não há confiança de nenhum lado. Folha - E o acordo? Rodrigues - Ele mesmo propôs, disse que já viu o manifesto, os quatro ou cinco reivindicações. Ele disse que iria atendê-las. O mesmo exaltado pediu que fosse por escrito. Eu sei lá, acredito nas pessoas, achei que não era necessário. Afinal, era um ministro, representando o presidente. Se a gente não acreditar nele, vamos acreditar em quem? Mas os controladores forçaram para que fosse por escrito. A redação foi muito discutida e depois ele assinou. Folha - E o recuo do governo? Rodrigues - Dois momentos foram explorados que não pegou bem. Mas também não sei, talvez esse recuo aconteceria de qualquer forma. As declarações do advogado foram expostas, mas foram ditas antes no meio da exaltação. E também a indicação de greve do sindicato. Folha - Foi por isso? Rodrigues - Eu não sei mais nada. Eu não sei se isso aconteceria da mesma forma. Não sei se o governo ia mesmo manter a palavra. Hoje eu já não acredito. Folha - Mas você foi para a reunião. Rodrigues - Também não pensaram isso. Se fosse alguém do grupo dos exaltados, ficariam expostos. Seriam "naturalmente selecionados". Então lá foi a associação. O ministro já chegou exaltado, disse que o governo não negocia com a faca no pescoço, devido às declarações.Porém o canal de comunicações estava aberto. Ele recebeu um telefonema, aquele famoso telefonema de meio de reunião, disse que teria que se retirar. Aí alguns já se exaltaram, disseram, "não vai ter encaminhamento, não vai ter nada". Pedi de novo, vamos acreditar. Vamos confiar. Acho que sou muito bobo, a verdade é essa. Folha - Por quê? Rodrigues - Eu simplesmente confio nas pessoas. Eu não estou errado. Tem que ser uma relação honesta dos dois lados. Eu procuro ser honesto. Mas infelizmente eu sei que do meu lado tem pessoas que não agem de forma honesta. Folha - A insurgência foi um erro?Rodrigues - Estrategicamente, politicamente, sim. Não quero explorar isso e dizer que o ato em si foi um erro. A gente está cansado de ouvir, foi um crime por isso e aquilo. Estrategicamente não deveria ter acontecido porque as falhas foram esquecidas. Ficou somente a insurgência em si. Folha - A FAB já resumiu tudo como "um problema de controlador". Rodrigues - Agora o erro do controlador foi a impaciência e incredulidade que hoje eu começo a dar razão. Acredito que vai mudar e melhorar, mas estou ficando incrédulo pelo histórico. Não temos proposta de mudança. A chuva cortou cabo ótico em Curitiba. Congonhas fechou um milhão de vezes. As empresas aéreas diziam que eram os controladores e a FAB não desmentia com tanta força. Por mais que a gente pedisse, não havia força de vontade para nos defender. Ficamos órfãos. O pior é que nesse grupo radical, muitos controladores estavam aproveitando de uma situação que não foi causada por eles para dizer que eram eles, para mostrar o poder deles. Muitos faziam isso, fiquei sabendo que ligavam para a imprensa para dizer: "É operação-padrão mesmo". Eu só queria saber que é esse burro que está falando isso. Para provar, o canal não estava aberto. Era mais interessante dizer que era uma operação-padrão. Folha - E quando os oficiais deixaram as salas de controle no dia 31 de março e 1º de abril? Rodrigues - Acho que tava todo mundo ainda meio entorpecido pelo acontecimento. Nós estamos acostumados a trabalhar, o que pegou mesmo foram as questões administrativas. Pessoas tinham medo que o contracheque ia rodar.Mas a parte operacional, os controladores levam. Mas e os técnicos? Iam dar o apoio ou não? Agora, muitos colocaram a situação de que foi um abandono do serviço por parte deles. Há crime nessa parte. Já ouvimos que o Ministério Público é independente e tem que dar justificativa para a sociedade. Agora, o MP abriu sozinho esse IPM, tem poder para isso. Mas disse que só abre contra os oficiais se fosse feito um encaminhamento por parte do Comando da Aeronáutica, o que não vai ser feito nunca. O regulamento só existe para punir o graduado. Entrei para ser militar, da Infantaria. Fui com 16 anos para a escola, não sabia o que era controle de tráfego aéreo. Vi um filme, coloquei como primeira opção. Sempre fui caxias. Concorri para ser o aluno padrão. Tinha o Sabre Alado (brasão da Aeronáutica) tatuado. Era alvo de piada, me chamavam de material-carga da FAB. Folha - Já tirou? Rodrigues - Tirei, virou um Batman. Folha - Você diz que ama ser controlador. E ser militar? Rodrigues - Na verdade, eu entrei para ser militar. Mas ao ser controlador, vi que tinha muita coisa que entrava em choque. A questão mesmo da responsabilidade civil. As regras tem que estar acima das regras militares. A gente não vê isso. Hoje eu defendo a mudança de gestão por causa da completa incompatibilidade. Mas não tenho crítica nenhuma à carreira militar. Ela está em seu contexto. Mas a carreira de controlador não está nesse contexto. Folha - Como você gostaria de ver a desmilitarização? Rodrigues - A palavra está errada. Se fala muito em duplicação do sistema. O que está sendo pedido é manter a integração entre controle aéreo e Defesa Aérea. Não precisa duplicar sistema. Hoje já trabalhamos separados. A única integração que existe é do radar de solo, ele envia o sinal para o Cindacta e é tratado, vai para a aviação geral e para a defesa aérea. Já temos equipamentos e salas separadas, formações militares diferentes. Já é separado. O sargento da aviação civil não pode entrar na Defesa Aérea. O que está sendo pedido é que aquela sala onde se controla vôo civil seja feito por civis. Isso é mudança de gestão. Folha - E a chefia? Rodrigues - Civil. Folha - E a integração? Rodrigues - A questão é a destinação de recursos para a manutenção dos equipamentos, o que também não é problema. Hoje se sabe quanto se gasta. O dinheiro é vai para quem fizer a manutenção. Acho correto ficar com a Força Aérea porque são radares de Defesa Aérea. A preocupação da Aeronáutica, correta, é de perder recursos para isso. Folha - Sim, as salas são divididas, mas e os radares em campo? Rodrigues - Em campo, muitos radares tem segurança militar. Onde está integrado, a informação vai para os dois, deve prevalescer o militar, é questão de segurança nacional. Onde é estritamente civil, deve ser feito por civil. Onde é estritamente militar, deve feito por militar. É totalmente compatível a convivência de civis ali no Cindacta. Vão para as salas de civis. Isso já acontece na Alemanha. Mas o Brasil vende muito esse lance do modelo pioneiro. Não há dúvida. É o primeiro país que usou esse modelo de integração. É um modelo econômico, foi usado por falta de recursos, não precisa ter dois radares. O Brasil foi o primeiro, mas também o único. Chamamos o Cindacta de ponto turístico. O que vai lá de delegações... elogiam. Mas ninguém leva pro país deles. Tecem altos elogios, só que não aplicam. Folha - Por que não? Rodrigues - Por causa dessa incompatibilidade de militares no tráfego aéreo. Folha - E a situação agora, você falou em impasse, em fundo do poço. Rodrigues - Sim. Folha - Essa combinação dá no que? Rodrigues - É o fundo do poço porque o que podia ter acontecido de pior já aconteceu. Uma colisão e uma parada total. O controlador está no fundo do poço mesmo. Não vê luz, não vê alternativas. O que a gente vê hoje é uma enorma quantidade de controladores trabalhando sem concentração. O papo entre o controlador e seu assitente é sobre o seu futuro. Isso, um controlador desconcentrado... pelo amor de Deus. O que mais faço é pedir calma, mas não adianta. Folha - Sei que isso não significa que é inseguro voar, mas isso é um risco à segurança. Rodrigues - É uma situação de risco à segurança. Folha - Explique. Rodrigues - O primeiro item do manual do controlador diz que ele deve estar fisica e psicologicamente habilitado e capaz para estar em seu posto de trabalho. E nada disso está acontecendo. Minha preocupação é que se tiver um novo acidente agora, apaga a luz fecha a porta e vamos embora. Folha - É uma possibilidade? Rodrigues - Todo dia, no Brasil e em qualquer parte do mundo. Folha - Mas vamos lá. Existem três fatores. Humano, Equipamento e Procedimentos. O humano está nessa situação. E os equipamentos. Rodrigues - Vamos ser sinceros e honestos. Há sim um grande esforço por parte da Aeronáutica em resolver. Mas o problema é que acumulou muito. No Cindacta-1 as frequências melhoraram muito. Aquela região que chamaram de buraco negro. Folha - A zona cega? Rodrigues - Isso, não tinhamos a visualização radar. Foi mandado para a gente essa visualização. Folha - Funciona bem? Rodrigues - Está lá, melhorou muito. O pessoal acha até covardia. É como tirar uma catarata, agora estão enxergando. Folha - Mas vocês controlavam naquela região como se tivesse serviço radar. Rodrigues - Não, era encerrado. E os pilotos informados. Folha - Não aconteceu com o jato Legacy. Rodrigues - Pagou em "blind". Avisou às cegas que o serviço radar foi encerrado. Quando não consegue contato de rádio é assim. Folha - Equipamentos então, algumas melhoras. Qual a nota de zero a dez que você dá ao equipamento? Rodrigues - Hoje? Tenho que ser honesto. Sete.Folha - E os outros Cindactas? Rodrigues - Ah, o Cindacta-1 é a elite. Folha - Mais que o 4 [Manaus, sede do Sivam], a pérola da FAB? Rodrigues - É, mas em questão de procedimentos, ele está aquém das normas de tráfego. São muito mais violadas que no Cindacta-1. Meu sonho era controlar no Cindacta-4 com o tráfego e recursos no Cindacta-1. Lá é a pérola, mas nós a vedete, 75% do tráfego passa lá. Folha - E Recife (Cindacta-3)? Rodrigues - Tem muitos problemas. Curitiba também. Folha - Procedimentos? Rodrigues - Chegou um pedido do Decea em dezembro para que fossem feitos alertas e treinamentos específicos para situações que estavam envolvidos no acidente em si. Folha - Foi encaminhado? Rodrigues - Na questão do software, onde há a mudança automática dos níveis de vôo, acontece ainda hoje. Tá dependendo da Atech, que precisa desenvolver um software para mudar isso. Tem certas mudanças que dependem de mudança de software ou programações.Mas vamos ter mudanças de curto, médio e longo prazo, este último só daqui a cinco anos. Agora para nós a questão da mudança automática de nível é crucial e o pessoal reclama muito. Mas por outro lado vejo uma desatenção muito grande por parte do controlador. Isso não é bom para ninguém. Folha - Então o risco existe. Rodrigues - A verdade é a seguinte. O que estava ruim antes do acidente ficou pior depois do dia 30. Houve uma ruptura de fato. Eu declaro que é seguro. Não gosto de fazer esse tipo de alarma. Mas os componentes estão aí. Eu confio nos controladores, mas tenho muito receio na falta de atenção e vontande de desenvolver seu trabalho. O controlador tem um super-ego inflamado. Hoje está no limbo. Folha - E a ameaça de baixa é real? Rodrigues - É real. Ouvi que há um grupo em torno de 50. As pessoas querem mudar para a melhor. Se tem algo melhor lá fora ou está tão desiludido e não quer ser controlador, então tem quer sair mesmo. Ele não pode mais continuar. O controlador tem que vibrar pelo que faz. A hieraquia atravanca tudo. Mas a disciplina é inerente, para civil ou militar. Quem gosta do que faz, não deve pedir baixa. Tem que lutar pelas mudanças, de forma honesta. Folha - A FAB disse que baixa é tiro no pé. Mas também diz ter um plano de contingência pronto, com controladores da reserva e pessoal da Defesa Aérea. Rodrigues - Se essa solução é tão fácil, porque não estava pronta antes? Nós não temos controladores. Se acontecer uma grande saída, em todos os centros... o pessoal da Defesa já está com déficit. Dos que vieram da reserva, não tem nem três ou quatro no Cindacta-1.'Muitos não passaram no exame médico ou psicotécnico. Tem alguns nas torres. Mas há poucos controladores aposentados, muitos foram embora antes. Folha - E esse ingresso neste ano de mais de 500 novos controladores? Rodrigues - Tenho preocupação pela qualidade nessa aceleração. Vai ser inferior. Mas também, hoje não temos estrutura para dar o devido estágio aos que vão chegar. A prova foi quando vieram os comissionados. Não tinhamos posição ou estrutura para dar instrução. Isso vai acontecer. Folha - Então não dá para correr atrás do prejuízo? Rodrigues - Faltou uma visão de longo prazo. Até diminuiu o número de aviões, mas eles voam muito mais, quase 24h. Tenho receio e reserva sobre a qualidade desses profissionais. Folha - O que você espera deste encontro na Turquia? Rodrigues - Perdi o encontro regional em São Paulo, que foi logo depois do acidente. Seria o primeiro contato com a Ifatca. E agora, depois do 30 de março quase que não pude vir aqui também. Mas a diretoria achou que seria importante. Como você viu, estamos mais.. claro, uma colisão e uma greve, aconteceu tudo de ruim. Mas queremos aprender e buscar apoio. Reafirmar que não somos bandidos, que não foi uma greve, foi uma insurgência. E queremos trazer o encontro para o Rio em 2010. Também queremos convênios para fazer intercâmbio na Europa e Estados Unidos, para ver o gerenciamento do tráfego. Nós estamos alienados. Dá pra ver o quão distantes estamos desta busca que há aqui pelo profissionalismo. Hoje, o controlador está saindo da caverna de Platão. Precisamos de apoio e profissionalização. Folha - Como foi recebido aqui? Rodrigues - Gostei da solidariedade. Fiquei emocionado. Até de controladores dinamarqueses. LEILA SUWWAN Enviada especial da Folha de S.Paulo a Istambul.

segunda-feira, abril 16, 2007

HAPPY-HOUR: OPERAÇÃO "URRO & CANA"





[Chargistas: Mariosan, Glauco, Sponholz, Frank].

VISITA DO PAPA: MENDIGOS DA PRAÇA (SEM FÉ, SEM "SÉ").

Mendigos terão de deixar Sé durante visita do papa.

Quando o papa Bento 16 chegar à catedral da Sé, no dia 11 de maio, para um encontro com bispos brasileiros, a praça estará vazia, sem os mendigos ou os meninos que moram nas imediações da igreja. Horas antes da chegada do pontífice, a Polícia Federal, que disponibilizará 400 agentes especiais para acompanhar a visita de Ratzinger ao Brasil, afastará todos os moradores de rua, fechará a catedral e bloqueará o acesso à praça. O isolamento, considerado necessário para a segurança, será repetido nos locais em que Bento 16 passará as noites, no mosteiro de São Bento (centro da cidade de São Paulo) e no Seminário Bom Jesus, em Aparecida (a 167 km de SP). "Não existe meia segurança. Ou fazemos uma segurança completa ou não existe segurança", disse o delegado da PF Flávio Trivella, responsável pela integridade física do papa. O policial coordenou também a segurança do presidente americano, George W. Bush, em recente viagem ao Brasil. No rígido esquema da PF, até as pessoas oficialmente credenciadas, como religiosos e autoridades, terão seus nomes submetidos a uma pesquisa de antecedentes criminais. Em eventos abertos ao público, como o encontro com jovens no estádio do Pacaembu, no dia 10, as entradas serão controladas por detectores fixos de metais. Para acessar áreas restritas, os convidados terão de se submeter a minuciosa revista com detector de metais manual e apresentar a credencial, cuja autenticidade será confirmada por leitura óptica. Os organizadores, os agentes públicos e até os monges que vivem na clausura do mosteiro de São Bento serão investigados e, depois, credenciados. "Consideramos sempre a possibilidade de alguém ter se infiltrado. Todos os cuidados são tomados para garantir que a visita do papa seja tranqüila", afirmou Trivella. Bush e Bento 16. No lugar da segurança ostensiva dedicada ao presidente Bush, com milhares de policiais fortemente armados e até arame farpado para afastar a população, a do pontífice tende a ser discreta. "Pelo menos dentro do possível", afirmou o policial. Enquanto a limusine do presidente americano era acompanhada por cerca de 70 carros, o de Bento 16 terá no máximo 15. E é justamente essa busca pela discrição, disse Trivella, que torna a segurança de Bento 16 mais difícil. "Temos de garantir a segurança máxima do papa, mas não queremos fazer uma coisa ostensiva. Afinal, ele vem em missão de paz." Ao contrário de Bush, que trouxe dos EUA todos os alimentos consumidos pela comitiva, inclusive os cozinheiros, Bento 16 comerá nos locais mantidos pela própria igreja. Test-drive. Os dois papamóveis blindados que deverão chegar ao Brasil entre os dias 24 e 25 passarão por um test-drive. Os pilotos são policiais federais.Um papamóvel será usado em São Paulo e outro em Aparecida. Apenas quando estiver no papamóvel, resistente a granada e a metralhadora, o papa poderá se acercar mais dos fiéis. Em deslocamentos maiores, será usado um Mercedez blindado e helicóptero da PF. O papa estará sempre cercado por oito agentes, quatro policiais federais e quatro guardas do Vaticano. Num raio maior, 26 policiais federais acompanharão o pontífice. Dependendo do evento, de 20 a 70 agentes ficarão misturados ao povo ou assumirão pontos estratégicos. LILIAN CHRISTOFOLETTI da Folha de S.Paulo

OPERAÇÃO HURRICANE: QUE UM "PF" NÃO SE TRANSFORME EM "PIZZA"

PF vai pedir prorrogação da prisão temporária de presos em megaoperação.

A Polícia Federal vai pedir para o STF (Supremo Tribunal Federal) prorrogar por mais cinco dias a prisão temporária dos 25 presos na Operação Hurricane (furacão, em inglês) --deflagrada na sexta-feira passada. O prazo da prisão temporária vence às 6h de quarta-feira e a PF quer prorrogar por mais cinco dias.O STF já recebeu pedidos de relaxamento da prisão temporária de três dos presos na Operação Hurricane. Os pedidos de habeas corpus pedem a liberdade dos desembargadores José Ricardo de Siqueira Rigueira e José Eduardo Carreira Alvim, além do advogado Silvério Nery Cabral Junior.Segundo o STF, o ministro Cezar Peluso --que determinou as prisões-- ainda não analisou os pedidos de habeas corpus.Além dos pedidos de liberdade, o STF já recebeu pelo menos 15 pedidos de advogados que querem ter acesso aos autos do processo. Peluso também não se manifestou sobre esses pedidos.A operação --que cumpriu 70 mandados de busca e apreensão-- envolve autoridades da Justiça, da Polícia Federal e do Carnaval do Rio. Eles são acusados de praticar os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, quadrilha e lavagem de dinheiro. Entre os presos estão magistrados, bicheiros, policiais, empresários e advogados.O Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) ajuizará às 14h de hoje um mandado de segurança coletivo no STF para defender os direitos dos advogados dos presos pela Operação Hurricane. Entre as reclamações dos advogados que tiveram clientes presos durante a operação estão o cerceamento dos advogados aos clientes e aos processos. DepoimentosA PF tomou durante o final de semana os depoimentos de 17 dos 25 presos. Nesta manhã, mais quatro estão sendo ouvidos: Luiz Paulo Dias de Matos (delegado aposentado da PF), Susie Pinheiro Dias de Matos (delegada da PF), Carlos Pereira da Silva (delegado da PF), Marcos Antonio Bretas dos Santos (delegado da Polícia Civil de Niterói).Outros quatro devem depor entre hoje à tarde e amanhã de manhã. A PF informou que pode retomar alguns dos depoimentos se avaliar que há novas informações a serem checadas.DocumentosA PF está analisando as duas toneladas de documentos e arquivos de computadores apreendidos na operação. Só depois de analisar toda a documentação é que a PF vai analisar a possibilidade de pedir novas prisões. Andreza Matais, Folha Online.

OPERAÇÃO HURRICANE: "RATOS E URUBUS LARGUEM MINHA FANTASIA..." (*)

STF decide relaxamento de prisões da Operação Hurricane. Advogados protestam por não ter acesso às acusações e ameaçam acionar a OAB e ingressar com petição no STF alegando cerceamento de defesa.

Está sob a responsabilidade do ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão que pode colocar em liberdade, nesta segunda-feira, 16, os desembargadores José Ricardo de Siqueira Regueira e José Eduardo Carreira Alvim e do advogado Silvério Néri Cabral Junior, presos com outras 22 pessoas na última sexta-feira na Operação Hurricane (furacão, em inglês). A defesa de Regueira protocolou o pedido no domingo, 15. Os advogados de Carreira Alvim e de Cabral Junior entregaram o pedido no sábado, 14. A expectativa é que outras solicitações semelhantes sejam encaminhados durante a semana ao STF. Relator do inquérito no STF, Peluso foi o responsável por determinar as prisões. Além de decidir sobre os pedidos de relaxamento, ele terá de atender às demandas dos advogados dos presos, que querem ter acesso ao conteúdo do inquérito. Por decisão do ministro, o processo corre sob segredo de Justiça. Advogados dos presos ameaçaram acionar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ingressar com petição no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando cerceamento de defesa. No domingo, eles discutiram com policiais federais, protestaram contra a falta de acesso a seus clientes e ao conteúdo das acusações. Reclamaram também das condições da prisão. A Assessoria de Imprensa da PF informou que todos os procedimentos da operação estão sendo feitos dentro da lei. Na porta da Superintendência da PF, em Brasília, onde estão detidos todos os acusados, os advogados foram impedidos de entrar todos juntos. Nélio Machado, que representa o desembargador José Ricardo de Figueira Regueira e o presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio, Ailton Guimarães, e o seu sobrinho, Julio Guimarães, informou que vai pedir também uma audiência ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para reclamar da “falta de humanidade e de respeito com os presos”. “Se o ministro Cezar Peluso soubesse dos desmandos que tomariam conta da operação, não teria autorizado que fosse feita”, afirmou Machado. O advogado atribuiu as prisões dos seus clientes a perseguição. “O Capitão Guimarães já prestou depoimento. Ele desconhece essas pessoas. Não conhece o desembargador Carreira Alvim nem o desembargador Ricardo Regueira. Não tem vinculação com atividade de bingo. O envolvimento dele se deve muito mais à notoriedade do seu nome como presidente da liga das escolas de samba.” Outro advogado, Raul Ornellas, reclamou da falta de delegados disponíveis para tomar os depoimentos dos acusados. Ornellas, que tem como clientes os delegados Luiz Paulo Dias de Mattos e Susie Pinheiro Dias de Mattos, lamentou também a falta de informações sobre o processo. O advogado Renato Tonini, que representa Virgílio de Oliveira Medina, irmão de Paulo Medina, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), disse que a conduta da PF foi um atentado ao estado de direito. “É pelos jornais e TV que sabemos o que está acontecendo.” David Zangirolami, que representa o presidente da Associação de Bingos do Rio, Paulo Lino, e o advogado Jaime Garcia Dias, acusou a PF de impedir privacidade no contato com os presos. “Boa parte dos advogados só conseguiu ter contato por meio do parlatório, que é filmado, e os telefones não sabemos em que condições estão.”
OS PRESOS:
Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães - Presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Foi um dos envolvidos com o jogo do bicho condenado pela juíza Denise Frossard em 1993.
Aniz Abraão David, o Anísio - Presidente de honra da Beija Flor, campeã do carnaval carioca. Foi acusado de ser mandante do desaparecimento de dois jovens, em Niterói, em 1981, no caso conhecido como Misaque-Jatobá.
Antônio Petrus Kalil - Após a morte de Castor de Andrade, em 97, Kalil, o Turcão, tornou-se o mais importante bicheiro do Rio. Condenado em 1993.
Carlos Pereira da Silva - Delegado federal, chefe da Delegacia de Niterói. Acusado pela Polícia Federal de receber “caixinha” para beneficiar bingos. Respondeu a processo por ter trocado tiros com escrivão.
Ernesto da Luz Pinto Dória - Juiz da 15.ª Região do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo. Trabalhou como corregedor regional do TRT entre os anos de 2000 e 2002.
Jaime Garcia Dias - Acusado pela PF de ser o principal lobista em favor de bingos e fabricantes de máquinas caça-níqueis entre policiais e magistrados.
João Sérgio Leal Pereira - Procurador da República. Acusado de integrar esquema de fraudes em sentenças judiciais. Está afastado do cargo. Foi preso na Bahia.
José Eduardo Carreira Alvim - É desembargador federal. Até quarta-feira, era vice-presidente do Tribunal Regional Federal. Seria o presidente no próximo biênio, por ser o mais antigo desembargador, mas sua candidatura foi rejeitada.
José Ricardo Regueira - Desembargador federal. Foi acusado de ter participado de esquema de fraude na distribuição de processos no Espírito Santo.
Susie Pinheiros Dias de Mattos - Delegada da Agência Nacional do Petróleo. Atuou no Departamento de Inteligência. Assumiu a Corregedoria da ANP em 2006.
Virgílio de Oliveira Medina - Advogado. Irmão do ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Flagrado nas gravações pedindo propina para intermediar uma liminar de seu irmão a favor dos bingos.
Sérgio Luzio Marques de Araújo - Advogado. Representante dos bingos. Irmão do juiz federal Marcelo Luzio.
Ana Claudia Rodrigues do Espírito Santo
Delmiro Martins Ferreira
Evandro da Fonseca
Francisco Martins da Silva
José Renato Granado Ferreira
Julio Guimarães Sobreira
Laurentino Freire dos Santos
Licinio Soares Bastos
José Luiz Rebello
Luiz Paulo Dias de Mattos
Marcos Antônio dos Santos Bretas
Paulo Roberto Ferreira Lima
Silvério Néri Cabral Junior
[Fonte: Adriana Fernandes, O Estadão.]
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(*) Em 1989, a Escola de Samba Beija Flor de Nilópolis obteve o 2º lugar no desfile de Carnaval do Rio, com o tema "Ratos e urubus larguem minha fantasia".

OAB & CPI DO APAGÃO AÉREO: ("OBA, BOA"!!!)

OAB pede instalação de CPI para apurar denúncias contra a Infraero.

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) pediu hoje a instalação da CPI do Apagão Aéreo para investigar as denúncias de suposta corrupção na Infraero (estatal que administra os aeroportos). "A CPI é o melhor instrumento para apurar as denúncias, cada vez mais freqüentes, de corrupção na Infraero e apontar solução para moralização do sistema aeroviário brasileiro", afirmou Britto em nota.Segundo ele, não é mais possível conviver com denúncias de corrupção sem uma investigação. "Denúncias de corrupção não podem mais ficar planando no ar da impunidade. O Brasil precisa conviver, sem medo, com os instrumentos adequados de apuração e combate à corrupção."Britto disse que o argumento do governo de que a CPI será usada politicamente pela oposição não é motivo para barrar a investigação. "Uma CPI, qualquer que seja sua motivação, não pode ser encarada como panacéia ou instrumento descartável no jogo da política. A CPI é e sempre será um constitucional instrumento de investigação e de defesa dos interesses da cidadania. É hora, portanto, de fazer 'aterrizar' a CPI do Apagão, trazendo luzes para a grave crise que atinge o sistema aéreo brasileiro."Reportagem da Folha informa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao ministro da Justiça, Tarso Genro, que a Polícia Federal inicie uma investigação na Infraero. Com isso, o governo pretende esvaziar uma futura CPI com um trabalho preventivo de investigação da PF que poderia ser encaminhado para a própria comissão. - Folha Online.

COMUNIDADE SUL-AMERICANA DE NAÇÕES (CASA): EM ASSUNTOS DE "ÁLCOOL" ESTAMOS EM "CASA"?

Cúpula sul-americana discute etanol brasileiro.

Presidentes e ministros dos países da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa) negociam até terça-feira uma declaração conjunta sobre o tema energético. O etanol brasileiro tornou-se recentemente um divisor de opiniões, principalmente entre Brasil e Venezuela. Desde que anunciou uma parceria com os Estados Unidos no setor de biocombustíveis, no começo de março, o Brasil tem sido alvo de críticas do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Ele diz que o crescimento da produção de biocombustíveis no mundo pode levar a um aumento do preço dos alimentos. Na semana anterior ao encontro de presidentes sul-americanos, Chávez recuou e disse que "não lutará contra o Brasil e não lutará contra Lula" na questão dos biocombustíveis, mas afirmou que a substituição de gasolina por etanol, proposta pelo presidente americano George W. Bush, é uma "loucura". Agora, Lula e Chávez levam o debate dos biocombustíveis ao âmbito da Comunidade Sul-Americana, união de todos os países do continente. Estão confirmadas as presenças de onze presidentes sul-americanos à Cúpula Energética - que acontece na cidade venezuelana de Porlamar, na ilha caribenha Isla de Margarita. Apenas o Uruguai enviou o vice-presidente. Além do etanol, a reunião da Casa tenta avançar em outras frentes, como a criação do Banco do Sul, a formação de um grupo similar à OPEP de países produtores de gás natural e a construção do Grande Gasoduto do Sul, que ligaria o continente de Caracas à Patagônia. As três propostas são defendidas pela Venezuela. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no sábado, durante visita aos Estados Unidos, que o Brasil pretende ingressar no Banco do Sul. Até recentemente, o Brasil vinha resistindo à idéia. A Cúpula Energértica - a primeira do tipo realizada no âmbito da Comunidade Sul-Americana de Nações (Casa) - é uma tentativa de começar o processo de integração entre todos os países do continente através do tema da energia. O slogan oficial do encontro é "Por uma união do Sul". Desde a última reunião de chefes de Estado da Casa, em dezembro, foram criados seis subgrupos de trabalho no Grupo de Energia do bloco, sobre petróleo, gás natural, biocombustíveis, energia elétrica, energias alternativas e diagnóstico e balanço energéticos. No domingo, antes da chegada dos chefes de Estado, diplomatas dos países da Casa estiveram reunidos em Porlamar para esboçar uma declaração conjunta e estratégias de ação do bloco. Segundo o ministro venezuelano de Energia e Petróleo e presidente da estatal PDVSA, Rafael Ramírez, as ações da Casa deverão contemplar contratos de parcerias bilaterais já vigentes na América do Sul. "Queremos que haja oportunidade de complementar as atividades e requerimentos energéticos da região, e isso é um dos temas que vamos discutir", disse Ramírez à imprensa em Isla de Margarita. O presidente Lula chega à ilha na segunda-feira à tarde, acompanhado dos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e de Minas e Energia, Silas Rondeau. Pela manhã, Lula se encontra com Hugo Chávez na cidade venezuelana de Barcelona, onde será lançado um projeto petroquímico envolvendo empresas dos dois países. Ainda nesta segunda, Lula deve ter um encontro bilateral com o presidente boliviano, Evo Morales. A presidente do Chile, Michelle Bachelet, permanecerá na Venezuela após a Cúpula, para visita oficial ao país. A imprensa venezuelana destacou no domingo o clima desconfortável do encontro entre autoridades venezuelanas e chilenas. Recentemente, Chávez disse que o Senado chileno é controlado pela "direita fascista", depois que parlamentares chilenos aprovaram um protesto do país na Organização dos Estados Americanos (OEA) contra a anunciada suspensão da concessão da emissora Rádio Caracas Televisión. Outra presença esperada em Porlamar é a do presidente equatoriano Rafael Correa, que, segundo pesquisas de boca de urna, pode ter garantido um resultado favorável no referendo popular - realizado no domingo - para a formação de uma Assembléia Constituinte no seu país. - Daniel Gallas, Enviado especial a Porlamar, Venezuela, BBC Brasil.

"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"

Lula decide conceder a sua 2ª entrevista coletiva . O presidente da República resolveu dar uma entrevista coletiva à imprensa. Será a segunda desde que Lula chegou ao Planalto, em janeiro de 2003. Acontecerá nas próximas semanas, no Palácio do Planalto. A coletiva deve seguir o mesmo modelo da primeira entrevista formal de Lula, ocorrida 28 meses depois do início do primeiro mandato, em abril de 2005. Haverá um número previamente definido de perguntas. Algo entre 12 e 14 questões. As réplicas serão proibidas. Na presidência, Lula tem-se demonstrado avesso às coletivas. Em 29 de outubro do ano passado, dia em que foi reeleito, ele prometera “mudar o comportamento com a imprensa.” Acenara com a hipótese de falar aos jornalistas, formalmente, na semana seguinte. Não falou. - Blog do Josias, Folha Online.
São Paulo marca contra e empata com São Caetano pelo Paulista. São Paulo e São Caetano empataram por 1 a 1 neste domingo, no estádio do Pacaembu, na primeira partida entre as duas equipes pelas semifinais do Campeonato Paulista-2007, resultado que mantém aberta a disputa pela vaga na decisão do torneio. Com o resultado, o time da capital pode jogar pelo empate no jogo do próximo sábado, que acontecerá no estádio do Morumbi. - Folha Online.
Perfeito, Felipe Massa vence de ponta a ponta GP do Bahrein. Um dia após a contida comemoração de sua segunda pole no ano, Felipe Massa (Ferrari), enfim, teve um final de semana perfeito no Mundial de F-1. Sem falhas, venceu de ponta a ponta o GP do Bahrein e alcançou sua meta de iniciar um "novo" campeonato após dois resultados decepcionantes. Lewis Hamilton (McLaren), em segundo, e Kimi Raikkonen (Ferrari), em terceiro, completaram o pódio no circuito de Sakhir. - Folha Online.
Israel pára por dois minutos em memória às vítimas do Holocausto. Ato, que acontece anualmente, lembrou dos seis milhões de vítimas do Holocausto.As forças de segurança se encontram em estado de alerta máximo. (...) Às 10h (horário local) todas as atividades do país foram suspensas, os pedestres ficaram parados e os motoristas desceram de seus veículos ao escutar as sirenes, que só são ativadas em situações de alarme máximo, como a explosão de uma guerra.- g1.com (agências).
Anvisa restringirá propaganda de cerveja. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve aprovar nas próximas semanas a primeira proposta de restrições à publicidade de bebidas alcoólicas, conforme informa uma reportagem publicada na edição desta quinta-feira da Folha. De acordo com o texto, "além de sofrer limites nos horários de veiculação no rádio e TV --ficaria proibida entre 8h e 20h--, a propaganda de bebidas com mais de 0,5 grau de teor alcoólico nos meios de comunicação em geral (jornais, revista, internet) terá de ser acompanhada por alertas". - Folha Online.
Mendigos terão de deixar Sé durante visita do papa. Quando o papa Bento 16 chegar à catedral da Sé, no dia 11 de maio, para um encontro com bispos brasileiros, a praça estará vazia, sem os mendigos ou os meninos que moram nas imediações da igreja. Horas antes da chegada do pontífice, a Polícia Federal, que disponibilizará 400 agentes especiais para acompanhar a visita de Ratzinger ao Brasil, afastará todos os moradores de rua, fechará a catedral e bloqueará o acesso à praça.

MST-MOVIMENTO DOS SEM-TERRA: POUCA (OU NENHUMA) LIDERANÇA NOS "ASSENTAMENTOS"

Assentados desafiam MST e fazem parcerias com líderes do agronegócio. Beneficiários da reforma agrária descobrem prosperidade com plantações de cana, eucalipto, frutas e oleaginosas.

Para demonstrar o seu desagrado com o agronegócio, militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) destruíram três áreas de plantio de cana na semana passada - duas delas no interior de São Paulo e outra em Pernambuco. Com o mesmo propósito também invadiram uma área de reflorestamento da Companhia Suzano de Papel e Celulose, em Itapetininga. Para a liderança do MST, tanto os canaviais quanto as áreas de reflorestamento não fixam os trabalhadores no campo, promovem a concentração da terra, ocupam áreas que poderiam ser destinadas à produção de alimentos e agridem o meio ambiente. São, portanto, culturas que devem ser combatidas. Mas os beneficiários da reforma agrária, muitos deles sob a bandeira vermelha do MST, nem sempre concordam - e desafiam as lideranças. Está aumentando o número de assentados que se associam a grandes empresas rurais para a produção de cana, eucalipto, frutas e também oleaginosas, estas para a produção de biodiesel. No Pontal do Paranapanema, área emblemática da reforma agrária, no interior de São Paulo, o descompasso entre líderes e assentados é visível. Ali, os beneficiários da reforma não apenas plantam cana: estão se associando agora às empresas de reflorestamento. Segundo informações de um dos assentados na região, José Dionísio de Souza, quase 70% dos lotes ao seu redor, já têm áreas com eucalipto. No Rio Grande do Norte, um conjunto de assentamentos conseguiu vencer o estado de abandono em que se encontrava depois de associar-se à Calimã - multinacional líder no comércio de mamão papaia ao redor do mundo. Os assentados plantavam com orientação e assistência técnica de um engenheiro agronômo pago pela multinacional, que também garantia a compra do produto. O acordo foi rompido há pouco tempo, porque os plantadores foram atrás de melhores preços. Quem conhece aqueles assentamentos, no entanto, sabe que sua história pode ser dividida em duas partes: antes da chegada da Calimã, quando muitas famílias ainda viviam em barracos cobertos de lona, e depois, ao ganhar uma aparência de área desenvolvida. Em Pernambuco, na região de Petrolina, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) estuda a implantação de grandes projetos para o cultivo de laranja e cana - que devem incluir pequenos produtores e assentados da reforma agrária. A questão já divide a cúpula do MST. Na terça-feira da semana passada, José Rainha reuniu-se em Brasília com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart. O principal líder da organização no Pontal foi vender a eles a idéia de se implantar um projeto de biodiesel na região, envolvendo assentados e uma grande usina de açúcar e álcool. A idéia de integrar a pequena agricultura às grandes agroindustrias não é nova. É assim que tem prosoperado a pequena agricultura, de estrutura familiar, em diversas partes do País, especialmente no Sul. A liderança do MST discorda por achar que, nesse modelo, os pequenos proprietários se tornam dependentes das grandes empresas. Seria preferível, na avaliação predominante no MST, que as agroindústrias fossem controladas pelos assentados. Na prática, porém, o rumo tem sido outro. Roldão Arruda e José Maria Tomazela, O Estadão.

CANA-DE-AÇÚCAR vs GADO: UM DILEMA NO AGRONEGÓCIO?

Cana invade os pastos e expulsa os rebanhos. Perspectivas para a agroenergia mudam paisagem no interior de SP.

O treminhão corta a estrada poeirenta sem muita sutileza. Um a cada três minutos. Enquanto isso, o gado confinado pastoreia braquiária empoeirada. Os trens de estrada repletos de cana correm para alimentar as famintas moendas da novíssima Usina Continental, em Colômbia, região de Barretos, a ex -meca do boi. É para lá que ainda caminham, todo mês de agosto, multidões de peões de imitação atrás do maior rodeio do Brasil, o Barretão. Mas peão de verdade - que acorda às 4 da manhã para a lida da vacada - escasseia por essas bandas. O etanol de Lula e de Bush está numa velocidade impressionante, expulsando a tradicional pecuária comercial de São Paulo e mudando a vida de muita gente. O rebanho sem pasto segue para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, lugares onde a cana também avança. A expulsão da pecuária de São Paulo também avança como nunca na região do Pontal do Paranapanema. As silhuetas de pontos brancos do gado nelore no horizonte dão lugar ao verde homogêneo até onde a vista alcança. Quem desce de Barretos rumo ao Pontal tem a convicção de que São Paulo pouco a pouco se está transformando num imenso canavial, digno de ser visto do espaço. Aliás, é o que tem mostrado a Embrapa Monitoramento por Satélite, que vê uma revolução cá embaixo. São milhares de hectares de pasto, ao longo da Rodovia Assis Chateaubriand, arrancados sem cerimônia para serem convertidos em canaviais.A cana já ocupa 3,6 milhões de hectares em São Paulo - avanço de 17,64% desde 2003, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Na região de Ribeirão Preto, onde o setor sucroalcooleiro tal como conhecemos nasceu, a Embrapa Monitoramento por Satélite conseguiu medição ainda mais precisa. A cobertura de pasto caiu de 27,3% do território Noroeste paulista para 15,5%, recuo de 7,97 mil quilômetros quadrados. Falta mensurar o tamanho real desta migração na faixa do Oeste Paulista, de norte a sul, de Barretos a Ourinhos se considerarmos uma linha reta imaginária. Neste canto de São Paulo nasceu e cresceu o gado zebu, raça que produziu fortuna na pecuária e garantiu ao Brasil produtividade imbatível. Toda a tecnologia para criação de boi, que transformou o País no maior fornecedor mundial de carne, tornou-se, por ironia, um problema. Há anos que a abundância da oferta não faz outra coisa senão derrubar preços, tingindo de vermelho o balanço financeiro da pecuária paulista. 'Vendi boi há quatro anos por R$ 55 a arroba. Vendi boi nesta semana a R$ 50 a arroba. Acho que isso diz tudo', desabafa Tiago Jacintho, neto de Francisco Jacintho da Silveira, um dos mais tradicionais criadores de rebanho comercial do País. Os preços definidos no setor são apenas um dado por trás de um cenário desolador. A remuneração obtida por cada garrote no máximo tem superado os custos. A lucratividade da pecuária é negativa há anos, o suficiente para que os herdeiros da pecuária de corte abandonem a tradição e apostem praticamente tudo no novo e aparente promissor negócio da agroenergia. 'Tudo o que está ocorrendo é muito revolucionário, portanto muito suscetível a erros', alerta Sérgio De Zen, do Centro de Estudos em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), especialista em gado de corte e de leite. A rentabilidade por hectare com a cana é imbatível no momento. 'Historicamente, a tonelada de cana custava metade de uma arroba de boi. Hoje, está quase o preço de uma arroba. É fazer a conta. Não tem tradição que mude isso', justifica Jacintho, um dos donos da Fazenda Vista Bonita, propriedade de 5,7 mil hectares em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, onde 3,6 mil hectares de pasto estão sendo arrancados para abrir espaço para a cana. A Fazenda Continental, outra das mais tradicionais da pecuária paulista, na região de Barretos, foi mais ligeira na revolução que toma conta do interior de São Paulo. Há quatro anos, a administração da fazenda decidiu chamar a Usina Santa Elisa, uma das mais tradicionais produtoras de açúcar e álcool do País - companhia que prepara uma fusão com a também tradicional Vale do Rosário. Os 4.086 hectares da Continental, que nos áureos tempos engordava entre 5 mil a 6 mil cabeças de boi, foram convertidos quase integralmente em canaviais. A cultura ocupa 3,2 mil hectares. A tradição pecuária ficou confinada a 250 hectares, onde pastoreiam 850 cabeças de gado de elite. Agnaldo Brito, O Estadão.

BRASIL & VENEZUELA: PROJETO PETROQUÍMICO

Brasil e Venezuela juntos em projeto petroquímico

Mesmo com a discórdia sobre o tema etanol, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende e o presidente Hugo Chávez combate, a 1.ª Cúpula Energética Sul-Americana começa com uma parceria entre os dois governos. Antes chegar à Ilha Margarita, na Venezuela, Lula e Chávez anunciam nesta manhã, no município de Barcelona, estado de Anzoátegui, a construção do Complexo Industrial de Jose, que marca o início de um projeto petroquímico conjunto que será desenvolvido naquele estado venezuelano.
A cúpula de Ilha Margarita pretende discutir o fortalecimento da integração regional em matéria de eletricidade, hidrocarbonetos, biocombustíveis e fontes alternativas de energia. O desenvolvimento social, o combate à pobreza e a proteção ao meio ambiente deverão estar na pauta da cúpula como metas a serem alcançadas com a ajuda econômica resultante da integração energética dos países da América do Sul. AB, Paraná Online.

CPI´s DO APAGÃO AÉREO? "DE BARBA EM MOLHO"!

Lula agora quer pressa na ‘limpeza’ da Infraero:

Às voltas com a perspectiva de instalação de duas CPIs –uma na Câmara e outra no Senado—Lula disse, em privado, que deseja ver concluídas o quanto antes as apurações que a CGU (Controladoria Geral da União) realiza na Infraero, a estatal que gerencia os aeroportos brasileiros. O presidente pediu pressa na divulgação de providências saneadoras. Além de rapidez, pediu “rigor.” A idéia de Lula é a de antecipar-se às CPIs. Deseja-se demonstrar a desnecessidade das investigações parlamentares, sob o argumento de que o governo já está tomando providências para corrigir irregularidades e punir os responsáveis pelas malfeitorias. Foi esse o espírito que norteou, na última segunda-feira (9), o afastamento de quatro servidores da estatal submetidos à investigação da CGU. Lula agora quer mais. Deseja “produzir fatos”, segundo a expressão usada por um de seus assessores, em diálogo com o blog. Sentindo o cheiro de queimado, o ex-presidente da Infraero, Carlos Wilson (PT-PE), diz reservadamente que se sente abandonado pelo governo. Queixa-se de que o ministro Jorge Hage, chefe da CGU, vem vazando deliberadamente informações contra ele para jornalistas. O Planalto dá de ombros para os queixumes de Carlos Wilson. Ali, alega-se que ele foi acomodado na Infraero pelo ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu. O argumento soa oportunista. Até bem pouco, Lula e Carlos Wilson freqüentavam o noticiário como fraternais amigos. Privadamente, o presidente elogiava os canteiros de obras que o auxiliares plantara em aeroportos espahados pelo país. Obras que não têm resistido à análise da CGU, do TCU e do Ministério Público, que já providenciou inclusive a quebra dos sigilos fiscais e bancários dos gestores da Infraero. Simultaneamente, o governo intensificará nesta semana a articulação para tentar evitar a instalação da CPI do caos aéreo no Senado. A comissão da Câmara, que foi parar no STF por conta das manobras do governo para abortá-la, agora é vista como um mal menor. O problema é que parecem escassas as chances de um recuo da oposição no Senado. Pretende-se entregar o requisição da CPI a Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, até a próxima quarta-feira (18). O documento já ostenta 28 assinaturas, uma a mais o que o número mínimo exigido. A expectativa é de que chegue a pelo menos 32 apoios. Ainda não foram colhidas quatro assinaturas dadas como certas: a de Marco Maciel (DEM-PE), Kátia Abreu (DEM-TO), Demóstenes Torres (DEM-GO) e Almeida Lima (PMDB-SE). Líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN) diz que só haveria uma hipótese de recuo: um pedido expresso dos deputados que comandam a oposição na Câmara. Algo que imagina que não vai acontecer. De fato, os deputados do DEM estão fechados com a estratégia dos Senadores. O mesmo não ocorre em relação ao PSDB. Mas, a despeito de esboçar contrariedade, o líder tucano na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), disse ao blog que não pedirá para que a CPI do Senado seja refreada. “Um pedido como esses poderia ter dupla interpretação. E nós não faremos”, disse Pannunzio. A despeito da disposição, o deputado não se esquiva de dizer que a CPI do Senado não o entusiasma. Receia que haja um esvaziamento da iniciativa dos deputados. Teme, de resto, que a abertura de uma CPI no Senado, para investigar as mesmas coisas que seriam averiguadas na Câmara, leve o STF a interpretar que o mandado de segurança impetrado pela oposição “perdeu o objeto”. Escrito por Josias de Souza, Folha Online.

PF - OPERAÇÃO HURRICANE: "GATOS NA TUBA"

PF analisa documentos e retomará depoimentos na segunda. Quem já depôs poderá ser ouvido novamente e há possibilidade de acareação:

BRASÍLIA - A Polícia Federal vai reiniciar os depoimentos dos presos na Operação Hurricane (furacão, em inglês) na segunda-feira, 16, às 8 horas. Quem já depôs poderá ser ouvido novamente e há possibilidade de acareação entre os presos. Depois de tomar 17 dos 25 depoimentos previstos, a PF decidiu mudar a estratégia e suspendeu os depoimentos neste domingo, 15. Como a maioria dos ouvidos seguiu a instrução dada pelos advogados, de reservar as respostas para dá-las apenas em juízo, o comando da investigação concluiu que era melhor aproveitar o tempo analisando o material já apreendido. Os advogados orientaram seus clientes a adotar essa estratégia em protesto por não terem tido acesso ao conteúdo do processo. Eles afirmaram que a Polícia Federal não tem observado as mais básicas prerrogativas da profissão e tem ferido diversos princípios constitucionais na condução das investigações. A reclamação é generalizada. Segundo relatos, os principais problemas estão na proibição de acesso aos autos do inquérito, ao conteúdo dos depoimentos já tomados pela PF e à falta de diálogo com seus clientes. O advogado Délio Lins e Silva - que representa o procurador da República João Sérgio Leal Pereira - afirmou que só conseguiu falar com seu cliente, por cinco minutos, depois de 30 horas da chegada dele a Brasília. De fato, o ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu as ordens de prisão, não autorizou, durante o fim de semana, o acesso dos advogados aos autos do processo, apesar de terem sido apresentados requerimentos nesse sentido. Eles aguardam para esta segunda-feira o acesso ao autos do processo, quando vence o prazo para a prisão preventiva. Se a PF considerar insuficiente o prazo para a coleta de informações, o prazo da prisão poderá ser estendido por mais cinco dias.
A Operação Furacão prendeu, no Rio, na última sexta-feira, 25 pessoas, incluindo desembargadores, advogados, bicheiros e delegados da Polícia Federal. Junto com eles, documentos que somam cerca de duas toneladas, incluindo papéis e discos rígidos de computadores. Com a avaliação do material, os agentes pretendem traçar um raio X da atuação da máfia e de suas ramificações em outros Estados. Um avião fez, neste domingo, dois vôos entre Brasília e Rio de Janeiro para transportar todo o material. Investigadores da PF avaliam que podem encontrar pistas sobre mais pessoas envolvidas no esquema, inclusive no Poder Judiciário. A expectativa é descobrir ramificações do esquema em São Paulo e no Distrito Federal. Um dos pontos de partida da PF será analisar as agendas dos presos apreendidas na operação. Foram transferidos agendas, discos rígidos de computadores e também jóias e relógios recolhidos. O avião da PF fez duas viagens do Rio a Brasília para transportar todo o material. Cerca de 50 policiais estão trabalhando desde domingo à tarde na análise da documentação. Dez deles ficaram encarregados dos interrogatórios dos presos e deslocados da carceragem à sede da PF, onde os documentos foram guardados. A PF também apreendeu 51 veículos avaliados em cerca de R$ 10 milhões, incluindo uma Mercedes-Benz de cerca de R$ 550 mil. Além dos veículos, a PF apreendeu cerca de R$ 10 milhões em dinheiro, R$ 5 milhões em talões de cheques, US$ 300 mil, 34 mil euros e 400 libras esterlinas. Grande parte do dinheiro estava escondida numa das casas revistadas, atrás de uma parede falsa, que foi arrebentada a marretadas pelos agentes federais. A Operação Hurricane realizou na sexta-feira, 13, 25 prisões nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal e ocorreu após um ano de investigações, ordenadas em uma operação sigilosa pelo ministro do Supremo Tribunal Federal. A operação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa que atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública. Foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão contra chefes de grupos ligados a jogos ilegais, empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal. A investigação começou há um ano na 6ª Vara Federal do Rio, com a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho e, em setembro de 2006, foi remetida pelo procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, para o Supremo Tribunal Federal, devido ao surgimento do nome do ministro do Supremo Tribunal de Justiça Paulo Medina. A partir de então, o inquérito 2.424/2006 passou a ser presidido por Peluso. Ele autorizou a instalação de escuta, inclusive no gabinete de Carreira Alvim, cujos microfones foram descobertos no forro do teto. Alvim, que disputava a presidência do TRF, acusou na época a direção do Tribunal pelos grampos. Na eleição, ele foi derrotado por 15 votos a nove. Os presos:
- Ailton Guimarães Jorge - bicheiro, conhecido como Capitão Guimarães, é presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro
- Ana Claudia Rodrigues do Espírito Santo
- Anísio Abrão Davi - bicheiro e presidente de honra da Beija-Flor
- Antonio Petrus Kallil - bicheiro, conhecido como Turcão
- Carlos Pereira da Silva - delegado da Polícia Federal de Niterói
- Delmiro Martins Ferreira
- Ernesto da Luz Pinto Dória
- juiz do Trabalho do TRT da 15ª Região (Campinas, SP)
- Evandro da Fonseca - advogado
- Francisco Martins da Silva
- Jaime Garcia Dias
- advogado
- João Sérgio Leal Pereira - procurador da República. Acusado de integrar esquema de fraudes em sentenças judiciais ao lado do desembargador Ivan Athié. Está afastado do cargo. Foi preso na Bahia.
- José Eduardo Carreira Alvim - ex-vice-presidente do TRF-2.ª Região, do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e desembargador federal
- José Luiz Rebello
- José Renato Granado Ferreira
- empresário
- José Ricardo de Figueira Regueira - desembargador federal
- Júlio Guimarães Sobreira
- Laurentino Freire dos Santos
- Licínio Soares Bastos
- Luiz Paulo Dias de Mattos
- delegado da Polícia Federal
- Marcos Antônio dos Santos Bretas
- Paulo Roberto Ferreira Lima
- Sérgio Luzio Marques de Araújo
- advogado e irmão do juiz federal Marcelo Luzio
- Silvério Néri Cabral Junior - advogado
- Susie Pinheiro Dias de Mattos - delegada da Polícia Federal. Estava licenciada para exercer o cargo de corregedora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com função era combater as fraudes de combustíveis.
- Virgílio de Oliveira Medina - advogado. Irmão do ministro do STJ Paulo Medina.
[O Estadão].

domingo, abril 15, 2007

A HORA DO "ÂNGELUS"

AS TRÊS PENEIRAS:

Augustus procurou Sócrates e disse-lhe:
- Sócrates, preciso contar-lhe algo sobre alguém! Você não imagina o que me contaram a respeito de...
Nem chegou a terminar a frase, quando Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:
- Espere um pouco Augustus. O que vai me contar já passou pelo crivo das três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras?
- Sim. A primeira, Augustus, é a da verdade. Você tem certeza de que o que vai me contar é absolutamente verdadeiro?
- Não. Como posso saber? O que sei foi o que me contaram!
- Então suas palavras já vazaram a primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira: a bondade. O que vai me contar gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
- Não, Sócrates! Absolutamente, não!
- Então suas palavras vazaram, também, a segunda peneira. Vamos agora para a terceira peneira: a necessidade. Você acha mesmo necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Resolve alguma coisa? Ajuda alguém? Melhora alguma coisa?
- Não, Sócrates... Passando pelo crivo das três peneiras, compreendi que nada me resta do que iria contar.
E Sócrates sorrindo concluiu:
- Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, quanto você e os outros iremos nos beneficiar. Caso contrário esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos. Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz!

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[Fonte: www.dundes.com].