A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
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segunda-feira, março 03, 2008
SENADORES/VERBA INDENIZATÓRIA: "-- ABASTECE!!!"
Os campeões de gastos foram os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Gilvam Borges (PMDB-AP). Cristovam declarou ter gasto R$ 14.150 com ações de divulgação parlamentar, além de R$ 850 com aluguel e despesas de escritório. Já Borges declarou ter gasto os R$ 15 mil da verba com aluguel e despesas de escritório.
Na bancada feminina, a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) foi a campeã de gastos. Ela declarou ter usado R$ 14.978,40 da verba indenizatória com a contratação de serviços de apoio parlamentar, divulgação de suas atividades como senadora, além de locomoção, hospedagem e combustíveis.
Em contrapartida, a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) aparece como a mais econômica da bancada feminina, com gastos de R$ 949,20. A senadora usou os recursos para gastos de escritório, locomoção e hospedagem. Entre os senadores, o mais econômico foi Renato Casagrande (PSB-ES), com gastos de R$ 577,45 em fevereiro. Casagrande também foi o único líder partidário a disponibilizar as informações no site do Senado.
Na bancada de São Paulo, nenhum dos três senadores divulgou os gastos na internet: Aloizio Mercadante (PT-SP), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Romeu Tuma (PTB-SP).
O senador Jefferson Peres (PDT-AM) não divulgou os gastos com a verba indenizatória porque abriu mão oficialmente dos R$ 15 mil mensais. Ele encaminhou ofício à Mesa Diretora do Senado, no qual pediu que não recebesse os recursos previstos na verba indenizatória. Outros quatro senadores não têm os nomes registrados na lista de divulgação dos gastos com a verba indenizatória: Pedro Simon (PMDB-RS), Edison Lobão Filho (DEM-MA), Marco Maciel (DEM-PE) e João Vicente Claudino (PTB-PI). Entre os 22 senadores que divulgaram os gastos, cinco declararam que não tiveram despesas no mês de fevereiro --por isso não utilizaram os R$ 15 mil mensais a que têm direito.
Veja abaixo como cada um dos 22 senadores que declararam os recursos utilizaram a verba indenizatória:
1) Antonio Carlos Júnior (DEM-BA). Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 5.108,73Total - R$ 5.108,73
2) Augusto Botelho (PT-RR). Divulgação da atividade parlamentar - R$ 3.000,00Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 1.915,20Total - R$ 4.915,20
3) César Borges (PR-BA). Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 5.007,32Aquisição de material de consumo para uso no escritório político, inclusive aquisição ou locação de software, despesas postais, aquisição de publicações, locação de móveis e de equipamentos - R$ 2.016,85Divulgação da atividade parlamentar - R$ 450,00Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 2.724,36Total - R$ 10.198,53
4) Cristovam Buarque (PDT-DF). Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 850,00Divulgação da atividade parlamentar - R$ 14.150,00Total - R$ 15.000,00
5) Delcídio Amaral (PT-MS). Divulgou dados, mas não houve gastos
6) Eduardo Azeredo (PSDB-MG)Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 1.594,77Aquisição de material de consumo para uso no escritório político, inclusive aquisição ou locação de software, despesas postais, aquisição de publicações, locação de móveis e de equipamentos - R$ 179,05Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 1.558,45Total - R$ 3.332,27
7) Efraim Morais (DEM-PB). Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 2.132,67Total - R$ 2.132,67
8) Eliseu Resende (DEM-MG). Divulgou dados, mas não houve despesas
9) Expedito Júnior (PR-RO). Divulgação da atividade parlamentar - R$ 3.000,00Total - R$ 3.000,00
10) Flávio Arns (PT-PR). Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 1.964,84Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 448,70Total - R$ 2.413,54
11) Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC). Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 3.234,79Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 1.074,96Total - R$ 4.309,75
12) Gilvam Borges (PMDB-AP). Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 15.000,00Total - R$ 15.000,00
13) Inácio Arruda (PC do B-CE). Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 1.500,00Aquisição de material de consumo para uso no escritório político, inclusive aquisição ou locação de software, despesas postais, aquisição de publicações, locação de móveis e de equipamentos - R$ 1.110,00Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 227,55Total - R$ 2.837,55
14) Jayme Campos (DEM-MT). Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 765,18Aquisição de material de consumo para uso no escritório político, inclusive aquisição ou locação de software, despesas postais, aquisição de publicações, locação de móveis e de equipamentos - R$ 1.624,00Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 12.551,30Total - R$ 14.940,48
15) João Ribeiro (PR-TO). Divulgou dados, mas não houve despesas
16) Marconi Perillo (PSDB-GO). Divulgou dados, mas não houve despesas
17) Papaléo Paes (PSDB-AP). Aquisição de material de consumo para uso no escritório político, inclusive aquisição ou locação de software, despesas postais, aquisição de publicações, locação de móveis e de equipamentos - R$ 186,96Divulgação da atividade parlamentar - R$ 4.500,00Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 340,90Total - R$ 5.027,86
18) Patrícia Saboya (PDT-CE). Aluguel de imóveis para escritório político, compreendendo despesas concernentes a eles - R$ 379,71Aquisição de material de consumo para uso no escritório político, inclusive aquisição ou locação de software, despesas postais, aquisição de publicações, locação de móveis e de equipamentos - R$ 67,49Contratação de consultorias, assessorias, pesquisas, trabalhos técnicos e outros serviços de apoio ao exercício do mandato parlamentar - R$ 60,00Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 442,00Total - R$ 949,20
19) Renato Casagrande (PSB-ES). Aquisição de material de consumo para uso no escritório político, inclusive aquisição ou locação de software, despesas postais, aquisição de publicações, locação de móveis e de equipamentos - R$ 577,45Total - R$ 577,45
20) Rosalba Ciarlini (DEM-RN). Contratação de consultorias, assessorias, pesquisas, trabalhos técnicos e outros serviços de apoio ao exercício do mandato parlamentar - R$ 2.165,00Divulgação da atividade parlamentar - R$ 7.920,00Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis e lubrificantes - R$ 4.893,40Total - R$ 14.978,40
21) Roseana Sarney (PMDB-MA). Contratação de consultorias, assessorias, pesquisas, trabalhos técnicos e outros serviços de apoio ao exercício do mandato parlamentar - R$ 5.975,85Total - R$ 5.975,85
22) Wellington Salgado (PMDB-MG). Divulgou dados, mas não houve despesas. GABRIELA GUERREIRO; da Folha Online, em Brasília. 0303.
GOVERNO LULA: RECORDE NA PUBLICIDADE
LULA & GOVERNO LULA: MARCANDO "TERRITÓRIO"
O novo programa social foi criticado na semana passada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, que afirmou que a proposta poderia ser questionada no TSE pela oposição. De acordo com Marco Aurélio, a lei veda a criação de benefícios em anos eleitorais para evitar desequilíbrios nas eleições. O Territórios da Cidadania pretende beneficiar 958 municípios com R$ 11,3 bilhões de investimentos. Segundo o presidente, o programa será controlado pelo governo federal, governo estadual e governos municipais, e terá a participação da população. "Serão formados os Conselhos Territoriais e a comunidade vai participar da discussão dos planos de desenvolvimento e também da agenda de ações junto com governo federal, governo estadual e governos municipais, portanto é um programa que eu acho extraordinário". O programa, de acordo com Lula, vai organizar nesse ano 60 Territórios, envolvendo quase mil municípios. Entre as políticas que farão parte do programa, o presidente citou o Bolsa Família, o programa Luz para Todos, o crédito Pronaf ( Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), políticas de saúde, tratamento de água e a emissão de documentos. "Ou seja, é um conjunto de políticas que vai permitir que mais rapidamente a gente possa fazer essas pessoas conseguirem sua cidadania", disse Lula.
Reforma Tributária
O presidente também defendeu durante o programa a Reforma Tributária que enviou ao Congresso e disse que "na medida em que a política tributária é justa significa que você vai cobrar menos imposto. Você vai então incentivar a produção, o surgimento das empresas, porque você não vai cobrar o investimento" . Ele salientou esperar que a Reforma seja votada ainda este ano, e que ela " vai gerar mais empregos, vai gerar mais salário, que vai gerar mais consumo, que vai gerar renda, mais emprego, mais salário, mais consumo. É essa a roda gigante de uma economia saudável como está a nossa e, é por isso que nós estamos fazendo a reforma tributária num momento importante do Brasil." Lula disse ainda que a reforma " é uma proposta de política tributária acertada com os líderes de todos os partidos políticos, inclusive da oposição, acertada com os empresários brasileiros, acertada com os trabalhadores brasileiros. É uma proposta que, ela tem como objetivo simplificar a arrecadação, simplificar a forma das pessoas pagarem, e fazer com que os estados possam ter uma política tributária justa, para acabar com a guerra fiscal. O presidente ressaltou que a política tributária nunca vai atender os interesses específicos de cada seguimento da sociedade, ou de cada pessoa. "Se por ventura algum estado tiver algum prejuízo nós temos tempo de fazer um ajuste com política de compensação, até esse estado encontrar o equilíbrio da arrecadação que ele precisa e seja justa para ele". Milton F.da Rocha Filho - Agência Estado. 0303.
"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"
RÚSSIA: MEDVEDEV & PUTIN (UNIDOS VENCEREMOS...)

REDE GLOBO/CIDADÃO KANE: VALE A PENA LER DE NOVO

FOLHA - O que acha de o governo Lula tentar erguer uma TV pública?
FOLHA - O sr. acha que o documentário "Muito Além do Cidadão Kane" ainda é atual?
FOLHA - Há quem diga que o Channel 4 encomendou seu documentário para atacar a Globo, que ameaçava entrar no mercado europeu de TV. Isso é verdade?
FOLHA - O filme foi proibido?
FOLHA - O documentário é apontado por alguns como um produto manipulador, que usa uma falsa linearidade para induzir o público a acatar sua posição.
FOLHA - Nos últimos anos, o Brasil viu se intensificar uma guerra entre a Record e a Globo. O sr. tem acompanhado?
COLÔMBIA/FARC: EM PRIMEIRO LUGAR, O "SEGUNDO"

Segundo homem das Farc morre em bombardeio colombiano no Equador
Reyes, que fazia parte do secretariado do movimento de esquerda Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), era considerado o segundo homem mais importante do grupo rebelde, formado por cerca de 17.000 combatentes e, nos últimos anos, havia se tornado o líder com maior visibilidade.
A morte do chefe guerrilheiro é a vitória mais importante da política de segurança do presidente Álvaro Uribe, que, com o apoio dos Estados Unidos, mantém desde que assumiu o poder, em 2002, uma ofensiva contra as Farc que obrigou os rebeldes a efetuarem um recuo estratégico. "Quero comunicar ao país, que em uma operação conjunta das Forças Militares e da Polícia Nacional, foi morto Raúl Reyes, membro do secretariado das Farc", disse o ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. "Esse é o golpe mais contundente contra esse grupo terrorista até o momento", acrescentou, em entrevista coletiva. A operação militar que matou Reyes, em que também morreu um soldado, ocorreu na região de Santa Rosa, no território equatoriano, próximo ao departamento colombiano de Putumayo, segundo o ministro. Santos disse que as Forças Militares Colombianas foram atacadas do território equatoriano e, sem violação do espaço aéreo do país, foi realizado um bombardeio que matou Reyes e o também dirigente rebelde Julián Conrado. O ministro revelou que Uribe falou por telefone com o presidente do Equador, Rafael Correa, para informá-lo da morte de Reyes e da entrada no país para a recuperação do corpo do chefe rebelde. O governo colombiano vem afirmando nos últimos anos que importantes chefes das Farc se refugiam em países vizinhos, como o Equador. "É preciso esclarecer um pouco o incidente... Aparentemente, as Farc, de acordo com a versão preliminar do presidente (Alvaro) Uribe, entraram no território equatoriano, e o tiroteio ocorreu na linha da fronteira", declarou Correa, no Equador. "Vamos mandar um contingente equatoriano para nos informar de maneira mais precisa. Ratificamos nossa solidariedade ao povo colombiano", afirmou o presidente.
TRÊS DÉCADAS DE GUERRILHA
Reyes, cujo verdadeiro nome era Luis Edgar Devia, foi um antigo dirigente sindical que se vinculou à guerrilha há cerca de três décadas. O governo colombiano oferecia uma recompensa de 2,7 milhões de dólares por informações que permitissem sua captura ou morte. "É uma meta que conquistamos, mas não podemos nos afastar do caminho que é a derrota do terrorismo e a busca da paz", disse à Reuters uma alta fonte do governo. No último ano, as Forças Militares da Colômbia mataram quatro importantes dirigentes rebeldes das Farc, entre eles Martín Caballero, Tomás Medina Caracas e Jota Jota. As Farc são o grupo rebelde guerrilheiro ativo mais antigo do hemisfério, e afirmam lutar para impor um sistema socialista no país de mais de 42 milhões de habitantes, onde há grande desigualdade social. A morte do comandante rebelde aconteceu três dias depois de o grupo entregar, à uma missão humanitária liderada pela Venezuela, quatro ex-congressistas que haviam sido sequestrados há mais de seis anos. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que pressiona para um acordo pela liberação da ex-candidata à Presidência Ingrid Betancourt e outros reféns em poder das Farc, pediu às duas partes para manterem os esforços neste sentido. As Farc são consideradas como uma organização terrorista pelos Estados Unidos e União Européia, e o governo da Colômbia as acusa de obter financiamento do narcotráfico para seu Exército rebelde, em combate há mais de quatro décadas. Analistas políticos e militares consideram este o principal golpe contra a guerrilha em toda a história de luta na Colômbia. Segundo ele, a morte do líder pode provocar modificações nas Farc para uma negociação com o governo. "Pode gerar uma recomposição no secretariado em favor de posições mais pragmáticas e mais flexíveis em temas como a troca humanitária e negociações de paz com o governo, dado que Reyes sempre liderou uma posição mais dura e mais intransigente nesses assuntos", disse o analista Alfredo Rangel.
(Reportagem adicional de Carlos Andrade, em Quito). Foto Reuters. www.noticias.yahoo.
BAÍA DE GUANTÁNAMO/CUBA: "LIBERTAS QUAE SERA TAMEN"

Hoje, a base americana tem 275 detentos e 1.850 militares. Em seis anos, mais de 750 pessoas estiveram presas nos campos. Dessas, só 13 foram acusadas de algum crime. Discretamente, o governo já liberou ou transferiu para outros países mais de 500 pessoas sem nenhuma acusação formal. Agora, nos estertores do governo de George W. Bush, os EUA prometem julgar até 80 prisioneiros. Bush, em seu último ano de mandato, corre contra o relógio para recuperar um pouco da reputação americana, comprometida por causa das violações de direitos humanos na prisão. No último ano da administração, e, talvez, de Guantánamo, há pressa para mostrar serviço. Em abril ou maio as comissões militares de Guantánamo devem começar o julgamento de Khalid Sheik Mohammad (KSM, no jargão militar) e outros cinco presos acusados de colaborar com a Al-Qaeda. O governo americano pediu pena de morte para todos. KSM admitiu na TV Al-Jazira ter sido um dos idealizadores do 11 de Setembro, entre outros ataques. Bush tem pressa para mostrar que Guantánamo teve alguma utilidade. Até agora, só um prisioneiro, o australiano David Hicks, foi condenado (na realidade, declarou-se culpado). As excursões para a mídia fazem parte da ofensiva de relações públicas do governo para mostrar que Guantánamo "não é tão ruim assim". O famigerado Campo Raio X - com suas imagens indeléveis de prisioneiros de macacão laranja, capuz e em gaiolas - é hoje um lugar fantasmagórico, cheio de mato. O Pentágono faz questão de levar jornalistas ao Raio X, para mostrar que ele é coisa do passado. Hoje, os detentos têm direito a celas com ar condicionado, três refeições por dia, um exemplar do Alcorão, chinelos de dedo. Se forem bem comportados, ganham até um rolo de papel higiênico extra e baralho.
No Campo 4, onde ficam os considerados menos perigosos, há aulas de pashtun, árabe e inglês. Os prisioneiros têm até um cantinho para praticar jardinagem. Na biblioteca do Campo 4, é possível ler O Diário de um Mago, de Paulo Coelho, em farsi.Nos Campos 5 e 6, de alta segurança, ficam os presos mais perigosos e aqueles com mau comportamento. Lá, eles ficam em isolamento 22 horas por dia - mas ainda em celas com ar condicionado, com direito a pasta e escova de dente e três refeições. Existe ainda o Campo 7, cuja existência só foi revelada há pouco tempo e a localização, mantida em sigilo. Lá ficam os chamados "detentos de alto valor", como KSM. De fato, comparado com algumas prisões no Brasil, Guantánamo parece hotel cinco-estrelas. "Muitos detentos nem querem voltar para casa, querem ficar aqui", exagera o sargento Michael Owens. É fácil esquecer que Guantánamo é uma prisão - ao passear pela baía, tudo o que se vê são praias paradisíacas do Caribe, com água transparente, onde muitos militares mergulham ou passeiam de barco. Iguanas e banana rats, grandes roedores típicos de Cuba, correm entre os cactus. Ou, como disse o vice-presidente Dick Cheney dois anos atrás: "(Os prisioneiros) moram nos trópicos. São bem alimentados. Têm tudo o que poderiam querer." Mas acontece que muitos prisioneiros continuam aqui sem nenhuma esperança de serem julgados por seus crimes. "É como passar batom num porco", compara o advogado David Cynamon, que representa vários detentos de Guantánamo." Enquanto os prisioneiros não tiverem acesso a um julgamento justo, todo o resto é cosmético." Segundo Cynamon, não existem mais "as coisas medievais que ocorreram até 2003, mas as pessoas ainda estão aqui sem direito a julgamento, sem saberem do que são acusadas, sem perspectiva de se defender". O governo aposta no julgamento dos seis para apaziguar a direita e a esquerda: os conservadores, com a condenação à morte de KSM; os liberais, com algum tipo de julgamento para os prisioneiros. Mas os advogados afirmam que o julgamento não será justo, porque eles não podem discutir a maioria das provas com seus clientes e porque o juiz poderá aceitar confissões obtidas por meio de tortura.
Suicídio e greve de fome
Para os guardas, Guantánamo é um emprego, só isso. "Tem gente que deveria estar aqui e tem gente que está por engano, só porque é muçulmano. Mas nas prisões dos EUA ocorre a mesma coisa: se você é negro pode acabar preso num bairro perigoso. Além do mais, você acha que eles tratam bem os presos no Afeganistão e no Iraque? Eles cortam a cabeça deles", diz um dos guardas. O Pentágono admite que quatro detentos se suicidaram. Atualmente, há dez presos em greve de fome, um dos quais não come há 900 dias - sobrevive até hoje porque, quando um prisioneiro rejeita nove refeições consecutivas, ele começa a ser alimentado por via intravenosa, à força. O número de prisioneiros em greve de fome já chegou a cem. Na opinião dos críticos, Guantánamo virou a justificativa que todos os ditadores sonhavam, todos os torturadores precisavam. "Olhe, até os EUA desrespeitam direitos humanos", exemplifica um advogado que não quis se identificar. Para o governo, há muita informação errada e os presos são orientados por advogados a dizer que foram torturados. "A versão é muito maior do que a realidade", diz o coronel Edward Bush, vice-comandante da área de relações públicas em Guantánamo. "Há campos de detentos no Iraque, Afeganistão, e nenhuma atenção da mídia para essas prisões." Segundo o Departamento de Defesa, existem 3 mil presos no Iraque e 620 no Afeganistão. Advogados dizem que a tortura ainda é comum nessas prisões. Os militares acham que não será assim tão simples fechar Guantánamo. "É fácil para um candidato dizer que fechará Guantánamo, mas ninguém sabe como fazer isso", diz o coronel Bush. McCain diz que vai transferir os presos para Fort Leavenworth, no Kansas. "Será que os EUA querem essa gente em solo americano?", diz Bush. Para Shane Kadidal, advogado do Centro de Direitos Constitucionais, que representa mais de cem prisioneiros, o governo reluta em fechar Guantánamo porque não quer admitir que há inocentes presos. "A maioria das pessoas aqui poderia ser repatriada, portanto, não deveria ser difícil fechar Guantánamo", diz Kadidal. Patrícia Campos Mello, enviada especial, Estadão. 0203. Foto matéria.