A proposta deste blogue é incentivar boas discussões sobre o mundo econômico em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, sociais, demográficos, ambientais (Acesse Comentários). Nele inserimos as colunas "XÔ ESTRESSE" ; "Editorial" e "A Hora do Ângelus"; um espaço ecumênico de reflexão. (... postagens aos sábados e domingos quando possíveis). As postagens aqui, são desprovidas de quaisquer ideologia, crença ou preconceito por parte do administrador deste blogue.
PENSAR "GRANDE":
[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.
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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).
"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).
"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br
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terça-feira, março 19, 2013
XÔ! ESTRESSE [In:] (M)ÁGUAS DE MARÇO
A ROUPA NOVA DO REI
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Dora Kramer
Tremor na base
O presidente do PPS, deputado Roberto Freire, realmente convidou o tucano José Serra a entrar no partido, ainda não obteve resposta e diz que se encerra por aí a veracidade das versões que correm sobre o assunto.
"O mais é fruto de uma central de invenções sem compromisso com a realidade", afirma. Esse "mais" que Freire qualifica como mero boato seria a exigência de Serra de que para entrar no partido precisaria ter assegurada a legenda para concorrer à Presidência da República.
"Nem podemos garantir nada, nem ele pediu, nem temos ainda claro como será o cenário da disputa de 2014." De acordo com Roberto Freire, o que há em relação ao tucano é um desejo de incorporá-lo a um bloco para tentar quebrar o ciclo de dez anos do PT no; poder central e a evidência de que Serra está desconfortável no PSDB, onde o grupo afinado com o senador Aécio Neves vem ocupando ativamente todos os espaços desde a derrota de 2010.
O importante nessa história, aponta Roberto Freire, é a existência de alternativa no horizonte. "Alguém que possa derrotar eleitoralmente o que está aí, que recupere o respeito pelas instituições e possa enfrentar a crise econômica."
Se Eduardo Campos tem origem no campo governista, para o deputado não é algo que deve ser visto como um fator excludente. "Inclusive porque não é a oposição que estimula a candidatura dele, mas sim um evidente processo de : reestruturação na base do governo."
Na visão dele, o que impulsionou essa ; forte tendência de Eduardo Campos de se afastar da área de influência do PT e buscar a articulação de outro polo de perspectiva de poder foi a ruptura com o PT na eleição para a prefeitura de Recife.
"Ele enfrentou Lula e venceu. No Rio Grande do Sul também conseguimos romper com a hegemonia do PT na capital. Esse grupo não é invencível e, para vencê-lo, não é preponderante que haja a encarnação do oposicionismo, mas capacidade de vencer mediante um projeto que faça o Brasil avançar. "
O empresariado, notadamente o setor produtivo, tem dado reiteradas demonstrações de cansaço com o atual modelo, na opinião de Freire. A busca por uma opção não estaria, portanto,: restrita ao mundo político-partidário.
Freire vê semelhanças com o período pré-edição da Carta aos Brasileiros, com a qual o PT se comprometeu com o bom senso na área econômica, quando a sociedade buscou outros nomes antes de se concentrar em Lula: Roseana Sarney e Ciro Gomes, por exemplo, que chegaram a liderar as pesquisas no primeiro semestre de 2002.
Se o "alguém" será Pedro, Paulo ou João - ou mesmo todos os nomes de quem se fala, incluindo Serra e Marina Silva, na percepção de Roberto Freire não é uma questão para ser resolvida agora nem administrada pela lógica da disputa no campo que pretende se apresentar como contraponto ao PT.
"Do ponto de vista tático podem disputar todos os candidatos. Haverá segundo turno e nesse grupo não há a tendência de repetir o gesto de neutralidade de Marina em 2010."
Mas Eduardo Campos, sendo oriundo da arena governista, pode ficar com Dilma, não? Na visão de Freire, ao contrário: "Se ele se traz como proposta de um projeto alternativo, não poderá retroceder".
Bom proveito. Seja qual for o caminho dos partidos aliados ao governo em relação à reeleição de Dilma, uma decisão está se consolidando entre eles: entrega dos cargos n.ão estará em cogitação tão cedo.
Chegaram à conclusão de que a devolução dos espaços só serve para que sejam redistribuídos ao PT que, : na posse deles, os usa como instrumentos não apenas contra os que se transformam em adversários, mas também contra os que continuam aliados no plano federal e optam pelo chamado "palanque duplo" no âmbito regional.
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... UM PORTO SEGURO
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Porto Seguro: Comissão de Ética pede explicações
Envolvidos terão 30 dias para prestar novos esclarecimentos
A Comissão de Ética Pública, reunida ontem, pediu mais explicações aos servidores investigados pela Operação Porto Seguro, mas ampliou o prazo de resposta para 30 dias a partir da notificação. O procedimento ético, relatado pela conselheira Suzana Gomes Correa, foi aberto em dezembro do ano passado e envolve a ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo Rosemary Noronha, o ex-advogado-adjunto da União José Weber de Holanda e os irmãos Paulo e Rubens Vieira, ex-diretores da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
- Serão 30 dias, dada a complexidade do tema. O processo é muito grande. Temos de garantir a ampla defesa - afirmou o presidente da Comissão de Ética, Américo Lacombe.
Rosemary, Weber e os irmãos Vieira são acusados de participar de esquema de venda de pareceres técnicos do governo a empresas privadas. A Comissão de Ética recebeu o inquérito da Porto Seguro, composto por oito volumes, e abriu novo prazo para os envolvidos na semana passada.
A comissão também recebeu explicações da Advocacia Geral da União sobre o arquivamento de sindicância para investigar a atuação do ministro Luís Inácio Adams no esquema investigado pela Porto Seguro. Segundo a AGU, o documento enviado à comissão "apresenta os fundamentos jurídicos da Corregedoria que afastam qualquer irregularidade" de Adams no caso.
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ALIMENTO DERIVADO DE SODA
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Anvisa suspende a fabricação de AdeS
ANTONIO TEMÓTEO
Além disso, a Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça (Senacon/MJ) convocou representantes da Unilever, controladora da AdeS, a prestarem esclarecimentos hoje, em audiência pública, em Brasília. A empresa já havia anunciado, na última quarta-feira, um recall para o recolhimento de embalagens do lote AGB 25, no qual foi identificado o problema. A presença da substância, usada para a limpeza das máquinas de fabricação, foi detectada depois de consumidores reclamarem de queimaduras na boca, enjoos e náuseas após ingerirem o suco de maçã. Pelo menos 14 consumidores beberam do líquido contaminado e, segundo a Unilever, já estão sob cuidados médicos. A companhia ressaltou que, desde o último dia 13, o equipamento no qual foi detectado o problema está fora de atividade. Representantes da vigilância sanitária do município e do estado visitaram ontem a fábrica mineira para verificar “as condições sanitárias de produção do alimento”, segundo nota da Anvisa. De acordo com a prefeitura de Pouso Alegre, um agente municipal e um estadual inspecionaram as instalações da fábrica e devem concluir um relatório técnico hoje. Os produtos intoxicados foram distribuídos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A AdeS ainda não sabe estimar o tamanho do prejuízo nem quantas unidades, no total, foram suspensas. Cuidados A Unilever e a Anvisa recomendam que os consumidores que tiverem comprado o produto o troquem ou solicitem o reembolso por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). Os canais disponíveis são o telefone 0800-707-0044, das 8h às 20h, ou o endereço eletrônico sac@ades.com.br. As dúvidas ambém podem ser esclarecidas pela Central de Atendimento da Anvisa: 0800-642-9782. De acordo com o pediatra Carlos Alberto Tayar, do Centro de Informação Toxicológica do Distrito Federal, a quantidade de hidróxido de sódio diluída no suco de maçã pode provocar queimaduras na mucosa e dormência na boca, no esôfago e no estômogo, além de enjoos, náuseas e vômitos. Em quantidades maiores, a soda cáustica pode comprometer o funcionamento de alguns desses órgãos. Tayar ressaltou que o tratamento consiste em uma alimentação leve e na ingestão de bastante líquido. Uma medicação específica só é prescrita, porém, nos casos em que o paciente reclama de dor. “Cada caso precisa ser avaliado separadamente. Por meio de uma endoscopia, é possível identificar a gravidade das queimaduras”, completou. Desconfiança Apesar de a Unilever garantir que não há mais unidades contaminadas nas prateleiras de supermercados, os brasilienses estão preocupados. O auxiliar administrativo Theo Miranda, 25 anos, consome os itens há seis anos. Ele compra, pelo menos, duas caixas do leite e do suco de uva por semana, mas, após o anúncio da contaminação, não sabe se continuará com o mesmo hábito. “Fico desconfiado se vou beber algo contaminado ou não.” |
SEMANA INGLESA (ou ''para Inglês ver''...) *
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O mito da presidente workaholic
:: Marco Antonio Villa
Ao longo dos últimos dois anos, os propagandistas de Dilma Rousseff construíram vários figurinos, todos fracassados pela dura realidade dos fatos. O último foi o da presidente workaholic. Trabalharia diuturnamente, seria superexigente, realizaria constantes reuniões com os ministros, analisaria detidamente os projetos e cobraria impiedosamente resultados. Porém, os dados oficias da sua agenda, disponibilizados na internet, provam justamente o contrário.
Em agosto despachou com 17 ministros. Um terço deles, apenas uma vez (como Aldo Rebelo e Celso Amorim). Deu preferência a Paulo Sérgio Passos, Gleisi Hoffman e especialmente para Guido Mantega, recebido 9 vezes. Se a a maioria deles não teve um minuto de atenção da presidente, o mesmo não se aplica a Rui Falcão, presidente do PT, e até ao presidente da UNE, Daniel Iliescu, que foram ouvidos a 9 e 22 de agosto, respectivamente.
Dilma pouco se deslocou de Brasília.
Numa delas foi a São Paulo, no dia 6. Saiu às 11h30m direto para o escritório da Presidência da República na capital paulista, à época ainda sob a responsabilidade de Rosemary Noronha. Dilma foi se encontrar com Lula. Passaram horas discutindo política. Às 18h40m, retornou a Brasília. Foi a única atividade do dia.
Em setembro recebeu 14 ministros. Os mais assíduos foram os que despacham no Palácio do Planalto (Miriam Belchior, Gleisi Hoffman e Ideli Salvatti; as duas últimas, quatro vezes, e a primeira, três) e Aldo Rebelo (Esportes), três vezes. Uma sequência de 12 dias com pouquíssima atividade chama a atenção. No dia 5 recebeu um ministro (Edison Lobão) às 9h e não há mais qualquer registro. No dia seguinte trabalhou das 10h às 12h. E só. No feriado compareceu ao tradicional desfile. Na segunda-feira, dia 10, só registrou duas audiências, uma às 10h e outra às 15h.
Dois dias depois, foi uma espécie de "quarta maluca". A presidente teve apenas dois compromissos e nenhum administrativo: às 15h, recebeu o presidente do PCdoB, "o partido do socialismo", Renato Rabelo, e uma hora depois, mostrando o amplo arco de apoio do governo - e haja arco! -, o megaempresário Jorge Gerdau. E mais nada. No dia seguinte compareceu à posse de um ministro e ao lançamento de um programa de incentivo do esporte de alto rendimento. Na sexta-feira (14), anotou na agenda às 10h um despacho interno e rumou, no início da tarde, para Porto Alegre, onde permaneceu o fim de semana e a segunda-feira - neste dia visitando dois estaleiros.
Nada mudou em outubro. Despachou com 19 ministros. Fez uma breve viagem ao Peru, visitou São Luís e São Paulo (duas vezes: uma delas novamente ao escritório da Presidência da República e para mais um encontro com Lula). Se muitos ministros, em três meses, não foram recebidos pela presidente, o mesmo não ocorreu com Renato Rabelo. O presidente do PCdoB teve mais uma audiência, a segunda em dois meses. Dilma teve tempo para ouvir Fernando Haddad, prefeito eleito de São Paulo, no dia 29, e, dois dias depois, o de Goiânia. Ambos do PT. Curiosamente a agenda não registrou - caso único - onde a presidente esteve nos dias 27 e 28, fim de semana.
Dilma manteve em novembro sua estranha rotina de trabalho. Recebeu 15 ministros. Dois pela primeira vez, nos últimos 4 meses: Paulo Bernardo e Antonio Patriota. Concedeu duas audiências a prefeitos eleitos: de Niterói, Rodrigo Neves, do PT; e Curitiba, Gustavo Fruet, do PDT e apoiado pelo PT. Fez uma longa viagem à Espanha e uma breve à Argentina. Mas três dias se destacam pelas curiosas prioridades: 21, 22 e 23. Na quarta-feira (21), a presidente não recebeu nenhum ministro e não efetuou qualquer despacho administrativo. Dedicou o dia a José Sarney, Gim Argello, Eduardo Braga e ao seu vice-presidente, Michel Temer.
Como ninguém é de ferro, à noite assistiu o filme "O palhaço". No dia seguinte, a agenda registrou três compromissos, um só com ministro (o dos Portos), a posse do presidente e vice-presidente do STF e um encontro com a apresentadora Regina Casé. E na sexta-feira? Somente duas audiências e no período da tarde.
Dilma incorporou o péssimo hábito de que o mês de dezembro é "de festas". Fez duas viagens ao exterior (França e Rússia) e despachou com apenas 9 ministros. Antecipou o réveillon para o dia 28, suspendendo as atividades por 13 dias, até 9 de janeiro.
Iniciou o novo ano com a mesma disposição do anterior: pouquíssimos despachos, audiências ou reuniões de trabalho. Em janeiro, despachou com 11 ministros. Lobão foi o recordista: quatro vezes. E, por incrível que pareça, e sempre de acordo com a agenda oficial, concedeu pela primeira vez em um semestre uma audiência para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Melhor sorte teve o ex-jornalista Franklin Martins: esteve duas vezes, em apenas quatro meses, com Dilma.
Nesse semestre (agosto de 2012/janeiro de 2013), nove ministros - cerca de um quarto do ministério - nunca foram recebidos pela presidente: Marcelo Crivella, Aguinaldo Ribeiro, Garibaldi Alves Filho, Brizola Neto, Gastão Vieira, Maria do Rosário, Eleonora Menicucci, José Elito e Alexandre Tombini (presidente do Banco Central, mas com status de ministro). Outros não mais que uma vez. Uma reunião entre a presidente e alguns ministros de áreas correlatas nunca foi realizada. Em alguns dias (como a 16 de janeiro), não concedeu nenhuma audiência e nem efetuou despachos internos. Pior ocorreu duas semanas depois, a 30 de janeiro, uma quarta-feira: está sem nenhum compromisso. É uma agenda de uma workahloic?
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(*) PARA INGLÊS VER: A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas "pra inglês ver". Daí surgiu o termo.
Fonte: http://www.dicionarioinformal.com.br/
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''-- QUEM ÉS TU CORIOLANO?''
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Ex de Dilma acusa empresários de SP
À Comissão da Verdade, Carlos Araújo disse que empresários da Fiesp financiaram e até assistiram a sessões de tortura. A família de Jango pediu laudo para atestar envenenamento.
Ex-marido de Dilma afirma que empresários assistiam a torturas
Ministério Público Federal deve solicitar autópsia no corpo de Jango
Flávio Ilha
PORTO ALEGRE
O ex-deputado estadual e ex-marido da presidente Dilma Rousseff, Carlos Araújo,
de 75 anos, afirmou ontem em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV) que foi vítima de sessões de tortura durante o regime militar com a presença de empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Segundo Araújo, a Fiesp não apenas financiava o aparato repressor do regime militar, como mostrou O GLOBO na edição de 9 de março, mas "estimulava e assistia" aos interrogatórios de presos políticos.
O ex-deputado pelo PDT citou o empresário Nadir Figueiredo como um dos financiadores da Operação Bandeirantes (Oban) e, posteriormente, das atividades do Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi).
- Não são poucos os empresários que foram para as salas (de tortura) estimular os torturadores e se envaidecer com a tortura de nossos companheiros.
Tenho certeza de que a Comissão da Verdade vai entrar no antro da Fiesp - disse o ex-deputado.
Araújo citou ainda o empresário Henning Albert Boilesen, morto numa ação terrorista em 15 de abril de 1971, como frequentador de salas de tortura do Dops de São Paulo. Segundo ele, o empresário assistiu a várias sessões de tortura a que foi submetido.
Araújo e Dilma militavam na Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (Var-Palmares) quando foram presos.
O depoimento de Araújo não durou dez minutos. Com problemas de saúde, ele não acompanhou toda a audiência pública, que teve também a presença de familiares do ex-presidente João Goulart e de vítimas da Operação Condor, que reuniu os aparatos repressores das ditaduras do Cone Sul em ações articuladas em vários países.
O atual presidente da Comissão da Verdade, Paulo Sérgio Pinheiro, disse que uma das linhas de investigação da CNV é o financiamento privado à repressão, mas reconheceu que o tema é "delicadíssimo". Ele não quis comentar as citações de Araújo.
A Fiesp informou, por meio de nota oficial, que sua atuação tem se pautado pela defesa da democracia e do Estado de Direito e que "eventos do passado que contrariem esses princípios podem e devem ser apurados".
Família de Jango quer provar envenenamento
Em outro momento da audiência, o neto do ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964, entregou uma petição aos integrantes da CNV em que pede providências para retomar as investigações sobre as circunstâncias da morte de Jango na Argentina, em 1976. Christopher Goulart alega que a família levantou indícios suficientes para concluir que o ex-presidente foi vítima de assassinato por envenenamento.
Desde 2007, o Ministério Público Federal investiga as circunstâncias da morte, mas nunca optou pela abertura de um processo civil. A família de Jango voltou a pedir a exumação do cadáver e também a produção de um laudo para detectar substâncias que comprovem o envenenamento. "Foi injustificável o abandono temporário de uma via objetiva de investigação da morte do ex-presidente João Goulart com a exumação do corpo e análise dos restos mortais por especialistas, que foi autorizada pela família", diz a petição.
A procuradora Suzete Bragagnolo admitiu ontem que o MPF deve solicitar à Justiça a realização de um autópsia mediante a exumação do corpo de Jango.
- A tendência é de que seja feita - disse Suzete.
A procuradora, porém, reconheceu que se trata de uma prova técnica "muito difícil" de produzir devido às circunstâncias da morte. Jango teria sido envenenado por um agente argentino infiltrado, que misturou entre os remédios para o coração que o ex-presidente tomava uma substância letal que simulava um ataque cardíaco. Não há prazo para a realização da autópsia.
A criminalista Rosa Cardoso, que integra a CNV, disse que os documentos apresentados pela família de Jango serão minuciosamente examinados.
- Do meu ponto de vista, trata-se de um conjunto de indícios muito conclusivos, não só de Jango como vítima da Operação Condor mas também como vítima de assassinato - afirmou.
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''FÉ CEGA, FACA AMOLADA'' (Milton Nascimento)
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Dilma requisita, mas fica sem encontro com papa
Por Humberto Saccomandi | De Roma
Perder algo importante numa viagem, costuma-se dizer, é como ir a Roma e não ver o papa. A presidente Dilma Rousseff veio a Roma, verá o papa nesta manhã, mas ficou sem o desejado encontro particular com Francisco, que decidiu receber privadamente apenas a presidente Cristina Kirchner.
Dilma e cerca de 80 outros chefes de Estado e de governo participam hoje da missa e da cerimônia de inauguração do pontificado do primeiro papa latino-americano.
O governo brasileiro tentou agendar uma encontro de Dilma com o papa, mas o máximo que as autoridades brasileiras obtiveram foi a promessa de uma saudação mais prolongada com a presidente Dilma após a missa, quando Francisco receberá os cumprimentos dos líderes mundiais.
A presidente havia dito que não viria a Roma para a cerimônia, mas acabou mudando de ideia, numa possível estratégia de agradar ao eleitorado católico brasileiro e de aparecer ao lado de um papa que tem despertado interesse e simpatia incomuns, não só pela sua origem, mas principalmente pelos seus primeiros atos simbólicos, que denotam mais proximidade com os fiéis e uma sensibilidade maior com os pobres.
Dilma disse ontem que falará ao papa justamente sobre o combate à fome e à pobreza. "Acho que um papa preocupado com a questão da fome no mundo tem um papel especial", afirmou após visita à FAO, órgão da ONU que cuida de agricultura e alimentação. A entidade é presidida pela brasileiro José Graziano, que foi ministro no governo Lula.
Mais tarde, Dilma se reuniu com o presidente italiano, Giorgio Napolitano, mas não foram divulgados detalhes da conversa. Na Itália, quem governo é o primeiro-ministro.
Pela manhã, após visitar uma exposição do pintor renascentista Ticiano, Dilma falou brevemente sobre o que espera do novo papa. Disse que é uma honra para a América Latina ter um papa. "Acho que é uma afirmação para a região." Mas ressaltou que o mundo de hoje pede "que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas", numa crítica à Igreja.
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O ÓSCULO (São Lucas, 7: 45)
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Beijos selam trégua de Cristina e Francisco
Por De Buenos Aires
Risos e beijinhos no rosto marcaram o encontro ontem do papa Francisco e da presidente argentina, Cristina Kirchner. O papa, o ex-cardeal de Buenos Aires Jorge Bergoglio, irá à Argentina ainda neste ano, aceitando um convite formalizado por Cristina durante a audiência de 40 minutos, que foi finalizada com um almoço.
Cristina foi o primeiro chefe de Estado que Francisco recebeu após sua eleição. Hoje, Francisco terá sua entronização, marcando o início oficial de seu papado.
O Brasil deve ser o primeiro país a ser visitado pelo papa, que abrirá um encontro mundial da juventude, no Rio de Janeiro, em julho. Segundo Cristina, o papa talvez aproveite a ocasião para incluir Buenos Aires no roteiro.
A amabilidade do encontro entre Cristina e o papa atenuou o afastamento que marca os dois desde o início do governo do marido e antecessor da atual presidente argentina, Néstor Kirchner, e cujas sequelas puderam ser vistas na manchete do jornal "Cronista" desta segunda-feira.
O diário, especializado em economia, mas de propriedade de um opositor, o deputado e empresário Francisco de Narváez, publicou que o governo argentino fez circular entre os cardeais que participaram do conclave um dossiê em espanhol com as denúncias veiculadas pelo jornal "Página 12", sobre a suposta atitude colaboracionista que Bergoglio teria tido no regime militar, quando foram presos dois padres sob sua jurisdição na Ordem Jesuíta, em 1976.
De acordo com o diário, teriam participado da operação um diplomata, um parlamentar e um cardeal. Os nomes não foram revelados. Já no conclave que escolheu o antecessor de Francisco, o papa emérito Bento XVI, houve rumores de que teriam circulado dossiês contra Bergoglio, o segundo cardeal mais votado na ocasião.
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''-- PAPAI EU QUERO ME CASAR! -- Ó MINHA FILHA VOCÊ DIGA COM QUEM!!! '' *
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De Dilma para Francisco
Presidente diz que Pontífice deve levar em conta as "opções diferenciadas" dos indivíduos
Deborah Berlinck
Fernando Eichenberg
Enviados especiais
ROMA
Não se sabe ainda o que a presidente Dilma Rousseff dirá hoje ao Papa Francisco no breve encontro previsto após a missa inaugural de pontificado no Vaticano, mas ontem ela não se conteve em mandar um recado: aconselhou a Igreja Católica a respeitar as escolhas individuais.
Ao contrário da maioria dos chefes de Estado latino-americanos, que têm apenas festejado a eleição de um Papa originado do continente, a presidente não se privou de mostrar alguns pontos de discordância com a Igreja Católica. Dilma disse que o Papa Francisco não pode ficar somente na defesa dos pobres, mas deve levar em conta as demandas do mundo moderno pelo respeito às liberdades de cada um.
Para ela, o Papa tem "uma missão a cumprir".
- É uma postura importante (a Igreja para os pobres). É claro que o mundo pede hoje, além disso, que as pessoas sejam compreendidas, que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas - disse ontem, após ter percorrido a exposição do pintor renascentista italiano Ticiano (1485-1576), na Scuderie Quirinale.
A presidente não esclareceu quais seriam as "opções diferenciadas das pessoas", nem se poderiam ser uma referência a diversidades sociais e/ou religiosas. Entre os temas atuais de sociedade contestados pela Igreja Católica estão o homossexualismo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o aborto. No âmbito religioso, o Vaticano não tem digerido o crescimento de outras igrejas no mundo, como a evangélica.
Dilma apontou o aspecto "multirreligioso" no Brasil, mas reconheceu que a maioria da população "professa a religião católica".
Sobre a possibilidade de que um Papa latino-americano influencie as políticas no Brasil em relação à lei do aborto ou ao casamento entre homossexuais, ela disse não acreditar que a eleição de Francisco vá favorecer os que apoiam estas questões.
- Não me parece que seja um tipo de Papa que vai defender esse tipo de posição. Pelo menos vocês (a imprensa) dizem isso.
O cardeal Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco, manifestou ao longo dos últimos anos opiniões contrárias ao casamento gay e ao aborto, dentro dos preceitos defendidos pela Igreja Católica.
"Ele É Latino-americano!"
A presidente destacou, ainda, a importância de um Papa argentino para o continente latino-americano, definindo como "uma honra em qualquer hipótese". E foi lacônica ao ser perguntada sobre a expectativa frustrada dos brasileiros ao não verem o gaúcho dom Odilo Scherer ser eleito Papa, uma possibilidade apontada por vários vaticanistas antes do conclave.
- Acho essa pergunta um tanto estranha - respondeu, após um breve silêncio, completando. - Ele é latino-americano!
Em relação ao ressurgimento das denúncias de que Bergoglio teria sido cúmplice do regime militar da Argentina, nos anos 1970-80, no contexto de uma ampla conivência da Igreja Católica argentina, Dilma apontou a diferença no caso brasileiro.
- Acho que a Igreja brasileira foi extremamente combativa contra a ditadura em geral.
À tarde, após seu encontro com o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o brasileiro José Graziano, ela voltou a falar sobre a preocupação da Igreja com os pobres, mas desta vez sem fazer ressalvas sobre outros temas com chances de criar polêmica:
- Acho que um Papa preocupado com a questão dos pobres no mundo tem um papel especial. E acho que cumpre aí com os princípios básicos que inspiraram o cristianismo e inspiraram Cristo.
Dilma teve um encontro ainda ontem, no início da noite, com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano.
Pela manhã, ela tentou, mais uma vez, sair do Hotel Excelsior, onde está hospedada, escondida da imprensa, que a esperava no saguão. Mas acabou surpreendida ao ser descoberta pelos jornalistas na exposição de Ticiano.
Na visita à mostra, em que foi guiada pelo diretor do museu, demorou bastante diante do quadro "A Punição de Marsia" (1570-76, do acervo do Museu Nacional de Kromeriz, na República Tcheca), que encerra o percurso. A tela integra uma série de obras inspiradas em temas mitológicos pintadas por Ticiano. Dilma anunciou que levará ao Brasil uma exposição de Lorenzo Lotto (1480-1556), pintor da Escola de Veneza.
Na cerimônia desta manhã no Vaticano, José Graziano representará não somente a FAO, mas também o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que lhe pediu para transmitir ao novo Papa o respaldo da organização mundial para a "erradicação da fome e da miséria no mundo".
- São Tomás de Aquino costumava dizer que Deus é como o primeiro motor, que coloca em movimento todas as engrenagens do mundo. Se nós não conseguirmos superar essa fome, não conseguiremos atingir os outros degraus, que são a igualdade das mulheres, a erradicação do analfabetismo - disse Graziano.
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(*) Cancionismo do folclore brasileiro.
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ENEM/MIOJO [In:] ... E ASSIM CAMINHA A EDUCAÇÃO BRASILEIRA
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Receita de Miojo, redação 'adequada'
Mesmo incluindo uma receita de Miojo no meio de um texto sobre imigração, no último Enem, um candidato teve 560 pontos, de mil possíveis. A redação foi considerada adequada.
Receita amarga no Enem
Texto que ensina a preparar Miojo tem nota 560 e gera debate sobre critérios de correção
Lauro Neto
Leonardo Vieira
O que culinária tem a ver com movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI, tema da redação da última edição do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem)? À primeira vista, nada.
No entanto, dois corretores da prova entenderam como "adequada" a abordagem temática por parte de um candidato que descreveu como preparar um Miojo no meio de seu texto.
Enquanto estudantes tiraram nota 1000 cometendo erros como "trousse", "enchergar" e "rasoavel", como mostrou O GLOBO ontem, o candidato que agiu com deboche ficou com 560 pontos.
Nos dois primeiros parágrafos, o vestibulando chega a comentar a questão da imigração. Mas, no parágrafo seguinte, o candidato descreve o modo de preparo do macarrão instantâneo:
"Para não ficar muito cansativo, vou agora ensinar a fazer um belo miojo, ferva trezentos ml"s de água em uma panela, quando estiver fervendo, coloque o miojo, espere cozinhar por três minutos, retire o miojo do fogão, misture bem e sirva".
Como se nada tivesse acontecido, o candidato retoma o tema da imigração no parágrafo seguinte e conclui que "uma boa solução para o problema o governo brasileiro já está fazendo, que é acolher os imigrantes e dar a eles uma boa oportunidade de melhorarem suas vidas". Das 24 linhas da redação, quatro foram reservadas apenas para descrever o modo de preparo da massa.
Embora haja critérios para se tirar nota 0 na redação no Guia do Participante, como a fuga total do tema e impropérios ou atos propositais de anulação, o vestibulando em questão tirou 560 em 1000. Ele ainda usou o Facebook para postar sua prova com a correção da banca, concluindo ironicamente: "bela avaliação!".
O candidato recebeu 120/200 (60%) na competência 2 da correção, em que são avaliadas a compreensão da proposta da redação e a aplicação de conhecimentos para o desenvolvimento do tema. Pela nota, o Ministério da Educação (MEC) entende que o estudante abordou o tema de forma "adequada", embora "previsível" e com "argumentos superficiais". Na competência 3, na qual é avaliada a coerência dos argumentos, o candidato recebeu 100/200 (50%).
Em nota, o MEC afirmou que "a presença de uma receita no texto do participante foi detectada pelos corretores e considerada inoportuna e inadequada, provocando forte penalização especialmente nas competências 3 e 4". O órgão entende que o aluno não fugiu do tema nem teve a intenção de anular a redação, pois não feriu os direitos humanos e não usou palavras ofensivas.
Entretanto, os critérios de avaliação das redações do Enem estão longe de serem consensuais. O GLOBO mostrou ontem que redações nota 1000 (máxima) da edição de 2012 continham erros graves de grafia e concordância. Para o coordenador de Língua Portuguesa e Redação do Colégio pH, Filipe Couto, os critérios de correção não são claros.
- O edital do Enem diz uma coisa e a banca faz outra. Para ele tirar 120 na competência 2, é como se não tivesse se desviado do tema e o abordasse adequadamente, mas não foi o que aconteceu - afirmou Couto.
Já para um dos coordenadores da banca de redação do Enem, que pediu para não ser identificado, não haveria como saber se o candidato colocou a receita para ganhar linhas, testar a correção ou debochar. No entanto, segundo ela, a orientação dada aos corretores é levar ao máximo em consideração a parte onde o aluno se atém ao tema, diminuindo a pontuação em outras competências se for o caso.
- Na parte em que ele escreveu sobre o tema, ele se saiu bem. A orientação é considerar o que for possível. Desse modo, ele conseguiu metade da nota - afirmou a corretora.
Mas o raciocínio não é tão claro para quem orienta candidatos do Enem nas salas de aula. De acordo com o professor de redação do curso Pensi e da Escola Modelar Cambaúba, Raphael Torres, o candidato cometeu erros graves ao usar a primeira pessoa do singular e verbos no imperativo. E concluiu:
- A partir do momento em que se escolhe falar de Miojo, o candidato quebra a estrutura dissertativa pedida no edital. Mas a banca não enxerga isso como impropério. Ela pega as próprias brechas que fez com o Guia do Participante para legitimar a nota que deu. Ele deveria tirar uma pontuação muito mais baixa do que 560 - argumentou.
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''ALAGADOS, TRENCHTOWN, FAVELA DA MARÉ... (Os Paralamas...)
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Chuva mata 16 em Petrópolis e Dilma fala em 'ação drástica'
Presidente culpou "pessoas que não querem sair" das áreas de risco; temporal também castigou litoral de SP
Ao menos 16 pessoas morreram, incluindo dois técnicos da Defesa Civil, e 560 ficaram desalojadas após temporal em Petrópolis, na região serrana do Rio. Entre a noite de domingo e a manhã de ontem, choveu na cidade 358 milímetros, mais do que o previsto para todo o mês. Os Rios Quitandinha e Piabanha transbordaram, destruindo casas e provocando alagamentos. Encostas desabaram. Em janeiro de 2011, na pior tragédia de causa natural do País, 71 pessoas morreram no município. Em Roma para a entronização do papa Francisco, a presidente Dilma Rousseff defendeu "ações drásticas" para a retirada de pessoas das áreas de risco. "Acho que devem ser tomadas medidas mais drásticas, para que as pessoas não fiquem onde não podem ficar", afirmou. A chuva castigou também o litoral paulista. A Rodovia Rio-Santos foi liberada depois de 26h fechada. Mil pessoas estão desalojadas em São Sebastião.
Chuva mata 16 no Rio e Dilma defende ‘medidas drásticas’ em áreas de risco
Um temporal na região serrana do Rio, que começou na noite de domingo, matou 16 pessoas em áreas de risco de Petrópolis, feriu 33 e deixou 560 desalojados.
Em Roma, ao saber do caso, a presidente Dilma Rousseff negou que faltem investimentos governamentais em prevenção de tragédias, mas defendeu ações mais fortes na área. "Eu acho que vão ter de ser tomadas medidas um pouco mais drásticas para que as pessoas não fiquem nas regiões que não podem ficar. O problema é que muitas vezes as pessoas não querem sair."
Dilma também alegou que foi 1 a chuva em abundância que causou a tragédia. "É uma situação muito difícil, porque choveu 300 : milímetros. Quase o tanto que ; chove em um ano em certas regiões do Brasil, choveu em um dia em Petrópolis", insistiu.
Na localidade de Vila São João, no bairro Quitandinha, região central do município, uma encosta desabou e soterrou um número ainda desconhecido de pessoas. Pelo menos quatro moradores estavam desaparecidos até o início da noite de ontem. Segundo moradores, três casas foram destruídas. Somente duas : meninas, de 12 e 15 anos, foram resgatadas com vida. -i Entre os mortos estão dois técnicos da Defesa Civil municipal que trabalhavam no resgate dos soterrados. "Tinham muita experiência. São insubstituíveis e morreram como heróis. Estavam ali salvando vidas", afirmou o prefeito Rubens Bomtempo (PSDB). A Defesa Civil atendeu a mais de 270 ocorrências desde o início das chuvas.
Com o volume das águas, os Rios Quitandinha e Piabanha, que cortam acidade, transbordaram, destruindo casas e provocando alagamentos em 21 pontos, principalmente nos bairros Quitandinha e Independência.
0 maior índice pluviométrico foi registrado em Quitandinha: 415 milímetros em 24 horas, o equivalente a dois meses de chuva, segundo a prefeitura.
Uma encosta deslizou e interditou a Rua Joaquim Rolla, bem ao lado do Palácio Quitandinha, um cartão-postal dá cidade. À tarde, era possível avistar uma casa de classe média alta, de dois andares, à beira do precipício. Já no bairro Amazonas, uma casa caiu e matou duas pessoas.
Sem socorro. Ao longo do dia, várias autoridades pediram que ; moradores de áreas de risco deixassem suas casas. Um dos si: nais sonoros, por exemplo, foi ! acionado na rua Espírito Santo, onde pessoas foram soterradas.
"Fazemos um apelo para que todas as pessoas deixem as áreas de risco", ressaltou o governador Sérgio Cabral. A remoção de pessoas, porém, vai na contramão do que defendem especialistas das Nações Unidas. Eles já alertaram o governo brasileiro em diversas ocasiões que forçar uma saída deve ser a última alternativa e é algo que precisa ser realizado com extrema cautela para não causar caos social.
Na parte de recursos públicos, o Estado anunciou a liberação de R$ 3 milhões - a prefeitura liberou outros R$ 200 mil. Já a presidente Dilma Rousseff designou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, para acompanhar todo o trabalho e deslocou uma equipe da Força Nacional de Defesa Civil. Jamil Chade.
Sirenes soam, mas pedidos de socorro não são atendidos
A prefeitura de Petrópolis informou que nove sinais sonoros foram acionados na madrugada para que os moradores de quatro bairros deixassem as casas e dez escolas municipais foram abertas para a população.
Mas o secretário de Estado de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, disse, na manhã de ontem, que grande número de pedidos de socorro não pode ser atendido porque as equipes não conseguiam chegar áos locais afetados. Como o solo encharcado provocava risco de novos desabamentos, o coronel fez um apelo para que as pessoas procurassem locais seguros.
Houve ainda registros de enchentes e deslizamentos de terra, mas sem vítimas, em Teresópolis, Duque de Caxias e Nova Friburgo.
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''O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO...'' (Gilberto Gil)
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Rio tem a maior vitória até agora nos royalties
Liminar da ministra Cármen Lúcia, do STF, suspende lei que prejudica produtores
Distribuição de recursos entre os estados fica como é hoje e governadores comemoram resultado. O despacho, que cita urgência na ação, estanca perdas bilionárias de Rio, Espírito Santo e São Paulo
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal STF), concedeu liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pelo governo do Rio. Com isso, suspendeu a nova regra de distribuição dos royalties do petróleo aprovada pelo Congresso. No despacho, a ministra cita "urgência" e "riscos objetivamente demonstrados" na decisão do Congresso. Até julgamento do mérito, a divisão dos royalties permanece como está. Os governadores Sérgio Cabral (RJ), Renato Casagrande (ES) e Geraldo Alckmin (SP) comemoraram.
Rio tem vitória no STF
Liminar de Cármen Lúcia suspende regra dos royalties que prejudica estados produtores
Jailton de Carvalho
BRASÍLIA, RIO e SÃO PAULO
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu ontem, em caráter liminar, as novas regras de distribuição dos royalties de petróleo, prejudiciais aos estados produtores, até o julgamento do mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro. A ministra acolheu, quase na íntegra, o pedido formulado pelo Rio na sexta-feira. Não há prazo definido para o julgamento do mérito, e a relatora ainda submeterá sua decisão liminar ao plenário do STF. Isso pode ocorrer na sessão de amanhã.
- Esta decisão para o jogo até uma decisão final do Supremo - afirmou o advogado Luís Roberto Barroso, procurador do Rio e um dos responsáveis pela Adin.
Com a decisão, Cármen Lúcia anula as modificações incluídas na lei dos royalties com a derrubada, pelo Congresso Nacional, dos vetos da presidente Dilma Rousseff. Com isso, o rateio dos royalties será mantido nas bases atuais.
Esperança com julgamento do mérito
No despacho, de 35 páginas, a ministra disse que suspendeu as novas regras para garantir os direitos dos cidadãos de estados e municípios que seriam atingidos pelas alterações na partilha do petróleo. Cármen Lúcia considerou também plausíveis os argumentos do governo do Rio sobre os riscos à situação jurídica e financeira do estado, se as distorções não fossem corrigidas imediatamente. Segundo o governador Sérgio Cabral (PMDB), as alterações poderiam provocar um prejuízo imediato de R$ 1,6 bilhão ao Rio e de R$ 27 bilhões até 2020.
"A relevância dos fundamentos apresentados na petição inicial desta ação pelo governador do Estado do Rio de Janeiro e a plausibilidade jurídica dos argumentos nela expostos, acrescidos dos riscos inegáveis à segurança jurídica, política e financeira dos Estados e Municípios - experimentando situação de incerteza quanto às regras incidentes sobre pagamentos a serem feitos pelas entidades federais, alguns decorrentes mesmo de concessões aperfeiçoadas e dos direitos delas decorrentes - impuseram- me o deferimento imediato da medida cautelar requerida", sustenta Cármen Lúcia.
Para a ministra, com a suspensão da novas regras, "se tem resguardadas, cautelarmente, direitos dos cidadãos dos Estados e dos Municípios que se afirmam atingidos em seu acervo jurídico e em sua capacidade financeira e política de persistir no cumprimento de seus deveres constitucionais". Diante do alto risco de descontrole, Cármen Lúcia entendeu que a suspensão deveria ser imediata. "Esse o quadro que não permitiu sequer alguns poucos dias mais de aguardo para decisão plenária direta da matéria por este Supremo Tribunal, em face das datas exíguas para cálculos e pagamentos dos valores, cujos critérios estão postos na legislação questionadas e cujos efeitos estão suspensos", argumentou.
A ministra mencionou ainda eventuais incongruência das novas regras com a Constituição e o risco das incertezas que seriam provocas pelas mudanças. "Se nem certeza do passado o brasileiro pudesse ter, de que poderia ele se sentir seguro no Estado de Direito? Já se disse que o Brasil vive incerteza quanto ao futuro, mas tem também insegurança quanto ao presente, e o que é pior e incomum, também tem por incerto o passado", disse a ministra.
No despacho, Carmen Lúcia suspende os efeitos artigos que foram aprovados pelo Congresso a partir da lei 12.734/2012 e que reduziam os valores dos royalties aos estados produtores. O Congresso fez as alterações depois de uma longa queda de braço com entre estados produtores e não produtores de petróleo. A presidente Dilma vetou, então, algumas regras, consideradas inconstitucionais e prejudiciais aos estados produtores. Mas, depois, o Congresso derrubou os vetos.
Em nota, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que fornecerá todas as informações que o STF solicitar antes da decisão final sobre a questão dos royalties.
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou, também por meio de nota, que "a decisão da ministra Carmen Lúcia resgata o valor mais importante da Constituição de 1988: o seu profundo compromisso com o Estado Democrático de Direito".
Renato Casagrande (PSB), governador do Espírito Santo, comemorou. Segundo ele, a decisão amplia a "esperança" que, no julgamento do mérito, o STF beneficie os estados produtores:
- Estou mais aliviado, o Supremo começa a colocar os fatos em seus devidos lugares. E o Supremo aponta na direção correta, algo que o Congresso não teve a humildade de avaliar. A decisão realimenta a nossa esperança e nos dá uma expectativa muito forte.
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que a decisão foi esperada: "A União é para unir e não de maneira abrupta você tirar recursos de unidades federadas. Claro que é uma decisão cautelar, mas ela é importante. Ela mostra segurança jurídica e equilíbrio federativo."
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que a concessão da liminar restabelece a tranquilidade, principalmente entre as prefeituras do Rio e reforça a esperança de que o julgamento do mérito será favorável.
- O clima era de pânico.
Menos R$ 10 bi sem o ICMS
O estado do Rio teria arrecadado R$ 10 bilhões a mais entre 2000 e 2012 se pudesse cobrar ICMS na venda de petróleo e derivados para outros estados, em vez de ter recebido royalties pela exploração do petróleo, como ficou estabelecido pela Constituição de 1988. A estimativa foi apresentada ontem pelo subsecretário de política fiscal da Secretaria Estadual de Fazenda do Rio, George Santoro, em seminário na Associação Comercial do Rio que discutiu desequilíbrios fiscais.
- Essa conta mostra que houve um pacto federativo lá em 1988, que tiraria ICMS do petróleo do Rio e daria royalties. Mostramos que uma coisa compensou a outra. Royalties passou a ser menor, mas é muito próximo da arrecadação que teria com ICMS - explicou Renato Villela, secretário estadual de Fazenda do Rio.
(Colaboraram Geralda Doca, Henrique Gomes Batista, Silvia Amorim e Daniel Haidar)
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QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?
SINOPSES - RESUMO DOS JORNAIS
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Distribuição de recursos entre os estados fica como é hoje e governadores comemoram resultado. O despacho, que cita urgência na ação, estanca perdas bilionárias de Rio, Espírito Santo e São Paulo
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal STF), concedeu liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pelo governo do Rio. Com isso, suspendeu a nova regra de distribuição dos royalties do petróleo aprovada pelo Congresso. No despacho, a ministra cita "urgência" e "riscos objetivamente demonstrados" na decisão do Congresso. Até julgamento do mérito, a divisão dos royalties permanece como está. Os governadores Sérgio Cabral (RJ), Renato Casagrande (ES) e Geraldo Alckmin (SP) comemoraram. (Págs. 1, 19, Merval Pereira e Flávia Oliveira)
Nova rodada beneficia não produtores
A 11ª rodada de petróleo, em maio, leva a leilão áreas com potencial de 7,5 bilhões de barris, o que beneficiaria estados não produtores, que hoje brigam pelos royalties. Ao todo, este ano, vão a leilão 19 bilhões de barris. (Págs. 1 e 19)
Dois anos após a tragédia das chuvas fortes que mataram mais de 900 pessoas na Serra, Petrópolis sofreu novamente com o temporal que castiga a região desde a noite de domingo. Pelo menos 16 pessoas morreram em deslizamentos de terra, que deixaram também 18 feridos e 560 desabrigados ou desalojados. O volume recorde de chuva — 453 mm, bem mais que os 300 mm registrados em todo o mês de março do ano passado — foi impiedoso para um cidade onde 18 mil vivem em 132 áreas de risco. A presidente Dilma Rousseff criticou quem insiste em morar nessas áreas. (Págs. 1 e 8 a 13)
Os mesmos erros
Planos de contenção que não saem do papel e moradores em áreas de risco que não são removidos pelas prefeituras são o retrato do descaso na região serrana.
Ao menos 16 pessoas morreram, incluindo dois técnicos da Defesa Civil, e 560 ficaram desalojadas após temporal em Petrópolis, na região serrana do Rio. Entre a noite de domingo e a manhã de ontem, choveu na cidade 358 milímetros, mais do que o previsto para todo o mês. Os Rios Quitandinha e Piabanha transbordaram, destruindo casas e provocando alagamentos. Encostas desabaram. Em janeiro de 2011, na pior tragédia de causa natural do País, 71 pessoas morreram no município. Em Roma para a entronização do papa Francisco, a presidente Dilma Rousseff defendeu “ações drásticas” para a retirada de pessoas das áreas de risco. “Acho que devem ser tomadas medidas mais drásticas, para que as pessoas não fiquem onde não podem ficar”, afirmou. A chuva castigou também o litoral paulista. A Rodovia Rio-Santos foi liberada depois de 26h fechada. Mil pessoas estão desalojadas em São Sebastião. (Págs. 1 e Cidades C1 e C3)
Dilma Rousseff
Presidente
‘Nós temos um sistema de prevenção, mas o problema é que muitas vezes as pessoas não querem sair (das áreas de risco)'
Fotolegenda: Lama
Casa fica à beira de encosta que desabou no bairro de Quitandinha, um dos mais atingidos; à noite, 4 moradores ainda estavam desaparecidos.
Início do pontificado
Uma missa solene, com partes em latim, na Praça São Pedro marca, a partir de hoje, o início do pontificado do papa Francisco. Cerca de 250 mil pessoas são esperadas no evento. (Págs. 1 e A14)
Fotolegenda: Conterrâneos
Cristina Kirchner teve reunião privada com o pontífice.
Roberto Freire (PPS) vê o nome de Eduardo Campos (PSB) na sucessão como um sinal de processo de rearranjo entre governistas. (Págs. 1 e Nacional A6)
A “surpresa” com a alta da cesta básica só surpreendeu quem não entende como a desoneração funciona quando tributos vêm embutidos no preço. (Págs. 1 e Economia B5)
Deveríamos ter aprendido no Iraque a necessidade de termos sempre uma atitude de ceticismo, e não nos basearmos numa suposta autoridade. (Págs. 1 e Visão Global A10)
O protecionismo argentino prejudica direta e duramente o Brasil e preserva os demais países. (Págs. 1 e A3)
Diante do cenário desfavorável, não há nenhuma indicação de que as autoridades do setor elétrico determinem o desligamento das usinas termelétricas em curto prazo. Elas estão gerando hoje 15.200 megawatts (MW), o equivalente a um quarto do consumo do sistema. Sua manutenção em funcionamento pode garantir que o país não correrá risco de racionamento até 2014. (Págs. 1 e A6)
A balança comercial registrou déficit de US$ 448 milhões na terceira semana de março. Com esse resultado, no ano o saldo está negativo em US$ 5,52 bilhões. A última vez que a balança comercial registrou déficit no primeiro trimestre foi em 2001. (Págs. 1 e A3)
Diante do novo cenário, o investidor deve diversificar suas aplicações ou pensar em adiar a aposentadoria. (Págs. 1 e D1)
Melhor que sugerir a busca da taxa de juros neutra é adequar o ativismo fiscal e confiar na “cautela” e na disposição de agir. (Págs. 1 e A2)
Marcelo Neri
O grande símbolo da nova classe C não é o celular ou o cartão de crédito, mas a conquista da Carteira de Trabalho. (Págs. 1 e A15)