PENSAR "GRANDE":

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[NÃO TEMOS A PRESUNÇÃO DE FAZER DESTE BLOGUE O TEU ''BLOGUE DE CABECEIRA'' MAS, O DE APENAS TE SUGERIR UM ''PENSAR GRANDE''].
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“Pode-se enganar a todos por algum tempo; Pode-se enganar alguns por todo o tempo; Mas não se pode enganar a todos todo o tempo...” (Abraham Lincoln).=>> A MÁSCARA CAIU DIA 18/06/2012 COM A ALIANÇA POLÍTICA ENTRE O PT E O PP.

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''Os Economistas e os artistas não morrem..." (NHMedeiros).

"O Economista não pode saber tudo. Mas também não pode excluir nada" (J.K.Galbraith, 1987).

"Ranking'' dos políticos brasileiros: www.politicos.org.br

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# 38 RÉUS DO MENSALÃO. Veja nomes nos ''links'' abaixo:
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sexta-feira, maio 26, 2017

‘The Economist’: carniceiros que podem acabar com Temer


‘The Economist’: carniceiros que podem acabar com Temer

Revista destaca crise política que pode engolir Michel Temer.


Ernesto Neves/VEJA
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/the-economist-carniceiros-que-podem-acabar-com-temer/

Joesley Batista

A edição desta semana da revista britânica “The Economist” traz artigos sobre a crise política de Michel Temer.
A revista descreve os irmãos Joesley e Wesley Batista como os “os carniceiros que podem acabar com a presidência”.
“José Batista sobrinho ajudou a construir Brasília. Em 1957, seu negócio ajudou a alimentar os trabalhadores que construíam a capital modernista do país. Agora, seus dois filhos podem destruí-la”.
A revista destaca o crescimento acelerado da JBS, que saltou de um lucro anual de 1,8 bilhão de dólares em 2006 para 170 bilhões em 2016
“Enquanto a JBS comprava companhias rivais, os Batista compravam políticos. As doações de campanha saltaram de 20 milhões de dólares em 2006 para 400 milhões de dólares nas eleições de 2014”, explica a “Economist”.
A revista firma que, apesar dos benefícios da delação premiada, Joesley e Wesley ainda podem ser punidos.
“Os açougueiros não estão totalmente livres. A JBS terá de enfrentar ações judiciais de acionistas nos Estados Unidos”.

A caminho do hexa, Lula quer ensinar a combater a corrupção


A caminho do hexa, Lula quer ensinar a combater a corrupção

Em pouco mais de 13 anos de governo, foram 26 ministros envolvidos em escândalos de corrupção.


Augusto Nunes/VEJA
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/a-caminho-do-hexa-lula-quer-ensinar-a-combater-a-corrupcao/


Lula assinou as medidas provisórias 471/2009 e 512/2010, que estão sob suspeita de terem sido compradas por esquema de corrupção
Denunciado pela força-tarefa da Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, desta vez cometidos durante as obras no sítio em Atibaia que lhe pertence, mas não é dele, Lula tem tudo para virar réu pela sexta vez. Consumada a façanha do ainda penta, ele vai alcançar o status de hexa com que a Seleção Brasileira de Futebol continua sonhando. Em homenagem à proeza, a coluna recorda algumas façanhas que enfeitam a trajetória campeã:
Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, compraram quase 2 mil políticos e dezenas de partidos durante os governos do PT ─ graças aos bilhões de reais que ganharam do BNDES por determinação de Lula e Dilma Rousseff.
O Mensalão aconteceu no governo Lula.
O Petrolão aconteceu no governo Dilma.
A corrupção foi institucionalizada durante os governos do PT.
José Dirceu, Antonio Palocci, Guido Mantega, João Santana, Gleisi Hoffmann, Fernando Pimentel e outras celebridades do submundo do crime são coisa do PT.
Michel Temer é coisa do PT.
Em pouco mais de 13 anos no poder, o governo lulopetista teve três ministros da Fazenda. Joaquim Levy caiu fora depois de 11 meses. Antonio Palocci permanece preso em Curitiba. Guido Mantega, graças ao desempenho relatado nos depoimentos colhidos nas delações premiadas da Odebrecht e, agora, nas da JBS, pode em breve fazer companhia ao antecessor. Os sete chefes da Casa Civil estão submersos em bandalheiras. Tudo somado, já são 26 os ex-ministros envolvidos em escândalos de corrupção.
Deve ser por isso que, neste 20 de maio, durante a cerimônia de posse dos novos integrantes do diretório municipal de São Bernardo do Campo, Lula disse que “o PT pode ensinar a combater a corrupção” (assista ao vídeo abaixo). Sem dúvida. Pelo menos de corrupção ele entende como ninguém. Lula poderia começar a aula inaugural dando voz de prisão a ele mesmo.

quinta-feira, maio 25, 2017

Esplanada tem prejuízo milionário com depredação e até furto

Esplanada tem prejuízo milionário com depredação e até furto

Prejuízo calculado por ministérios ultrapassa a conta de 2 milhão de reais - e ainda vai subir.


Felipe Frazão/VEJA
http://veja.abril.com.br/brasil/esplanada-tem-prejuizo-milionario-com-depredacao-e-ate-furto/

Fora Temer

Ultrapassa a casa de 2 milhões de reais o prejuízo do governo federal com as depredações causadas por black blocs e até furto de equipamentos na Esplanada dos Ministérios durante uma manifestação contra o presidente Michel Temer, nesta quarta-feira. Em alguns ministérios houve paralisação parcial de trabalhos nesta quinta-feira para perícia e cancelamento de compromissos por causa dos danos.
VEJA enviou a todos os ministérios pedidos de informação sobre casos de depredação e custos de reparo, mas nem todos responderam até a última atualização desta reportagem. A soma parcial é de 2 250 746, 95 reais. Depois de todos os prejuízos serem estimados, a Advocacia-Geral da União vai ajuizar ação de cobrança para ressarcimento aos cofres públicos contra as centrais sindicais que convocaram a manifestação.
Dos prejuízos informados até o momento, o maior foi no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento: 1 105 057,90 reais. O motivo foi o incêndio no salão de atos e na portaria privativa do ministro. “Foram perdidos móveis, quadros com fotos de ex-ministros, quebrados vidros do prédio, computadores e queimadas cortinas. O fogo, alimentado pelos tapumes de madeira, foi controlado pela Brigada de Incêndio do ministério, pois os bombeiros foram impedidos de chegar até as chamas. O local está sendo periciado. Hoje estava programada reunião para o auditório do Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA) e foi cancelada”, informou a assessoria de imprensa.
O segundo maior foi no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que divide um prédio com o Ministério da Integração Nacional. São 522.599,04 reais, conforme a assessoria de imprensa do órgão: “A fachada do prédio foi danificada obrigando a substituição e a colocação de 450m² de vidro. Houve um início de incêndio com a queima de diversas mobílias e equipamentos da sala. Dezenas de computadores e equipamentos eletrônicos foram furtados e danificados, bem como documentos. Também houve avaria no posto de posto de atendimento do Banco do Brasil, que funciona no saguão do edifício”.
O Ministério do Planejamento apresentou uma planilha com custos estimados em 330 979,31 reais para recuperar janelas com película, persianas, divisórias, mobiliário, ar-condicionado, computadores, forro, pintura, elevador, espelhos e contêineres. O ministério não considerou nesta conta bens de servidores que estavam nas salas depredadas, tampouco equipamentos eletrônicos com possível dano interno.
No Ministério da Cultura, o prejuízo só será calculado depois de concluída a perícia da Polícia Federal. O Ministério do Meio Ambiente, que divide o mesmo edifício, estimou em cerca de 230 000 os custos de reparo. O prédio foi apedrejado e incendiado, conforme mostram imagens obtidas por VEJA.
O Ministério da Educação vai gastar 43.119,70 reais para recuperar as vidraças e remover pichações.
No Ministério de Minas e Energia, que divide o edifício com o Turismo, o prejuízo foi de 19 000 reais, em vidraças, persianas, computador, condensador de ar e placas de sinalização.

O Ministério do Desenvolvimento e Indústria informou que vidros de uma das portarias foram quebrados, mas não levantou o custo de reposição. O Ministério da Fazenda afirmou que vidros das portarias de dois blocos foram danificados, mas ainda não tinha estimativa do valor de reparo.

domingo, maio 21, 2017

MEU NOME NÃO É JOESLEY... (por Roberto Motta)




POR QUE OS “IRMÃOS ESLEY” DA JBS PODEM SER PRESOS

POR QUE OS “IRMÃOS ESLEY” DA JBS PODEM SER PRESOS

por Luiz Marcelo Berger. Artigo publicado em 


(Publicado originalmente em http://opiniaolivre.com.br)
O verdadeiro terremoto causado pela delação da JBS possui várias particularidades, dignas dos melhores (ou piores) romances policiais, como se já não bastasse aquilo que foi revelado através do departamento de propinas da Odebrecht. Para engendrar plano tão sofisticado é necessário que se entenda que os envolvidos são pessoas extremamente capazes, inteligentes e com grande propensão para assumir riscos.
Para melhor compreender os movimentos adotados é necessário retroceder ao inicio dos anos 2000, quando desde a ascensão ao governo, o PT (Partido dos Trabalhadores) adotou como política de Estado o investimento maciço nos chamados campeões nacionais, cujo objetivo era, ao final, obter ganhos através do aumento de escala para competir internacionalmente. Como toda política engendrada dentro de gabinetes desconectados da realidade, todos os mais notórios ensinamentos gestados há décadas na teoria econômica foram solenemente ignorados, deixando um rastro de destruição e prejuízos sem precedentes da história do país.
Assim, para analisar a estratégia utilizada pelos “Esley Brothers” (Joesley e Wesley, donos da JBS) torna-se essencial entender um dos mecanismos fundamentais do campo da economia da informação que trata do risco moral, que se antecipa ao jogo perpetrado pela dupla de escroques internacionais, neste momento sediada em local seguro, fora da jurisdição criminal brasileira.
A política de campeões nacionais, inaugurada desde o início do governo Lula da Silva, cuja continuação nos governos Dilma foi ainda mais incrementada, ofereceu gigantescos recursos públicos, via BNDES, aos privilegiados com relações íntimas com os círculos do poder. O negócio comandado pela dupla de irmãos cresceu exponencialmente no mercado brasileiro, regado fartamente com recursos baratos e que, obviamente, serviam para alimentar a teia de propinas de políticos envolvidos nas operações criminosas da empresa.
Tudo ia bem até o momento em que a Lava-Jato chegou e começou a puxar o fio da corrupção de forma metódica e precisa, atingindo então o esquema montado pelos escroques da JBS.
Neste momento, quando se tornou evidente que as investigações chegariam inevitavelmente ao topo da administração do esquema, os irmãos “Esley”, de forma inteligente e estratégica, se anteciparam em anos para o advento desta possibilidade.
Antes de procurar as autoridades, utilizaram a montanha de dinheiro ofertado pelo BNDES para estabelecer solidamente suas operações em outras terras, assegurando assim, a continuidade e lucratividade dos negócios.
Os números das operações do grupo JBS não deixam dúvidas: mais de 80% de todo o seu negócio é gerado atualmente nos Estados Unidos, deixando o Brasil como moeda de troca neste jogo sujo. Este movimento de utilizar recursos públicos para financiar empregos e postos de trabalho no exterior é explicado pela atitude inadmissível, ou talvez criminosa, do BNDES, em conceder empréstimos sem garantias para evitar o risco moral, ou seja, o uso espúrio de cláusulas contratuais à revelia do interesse do órgão financiador.
Depois de feita esta engenharia corporativa, os “Esley Brothers” começaram a jogar com as autoridades acordos de cooperação, antevendo a possibilidade da investigação chegar no topo do comando da JBS, o que de fato veio a acontecer.
Aqui vem a novidade em termos de teoria dos jogos.
Os controladores da JBS não tinham e não têm nenhuma estratégia dominante. Ou seja, segundo as regras do jogo legal, leia-se colaboração premiada e acordo de leniência, eles não tinham nenhum poder de barganha para se livrar do inevitável fim. Só restava a estratégia minimax, ou seja, tentar minimizar as perdas inevitáveis usando um movimento suicida de colocar todos no mesmo saco e entregar todos os envolvidos, em face do conjunto de informações privilegiadas que dispunham.
Tal negociação foi feita com grande antecipação, quando as autoridades ainda não tinham a dimensão completa do descalabro, o que permitiu à empresa tempo suficiente para transferir quase a totalidade dos seus negócios para os Estados Unidos.
Como a literatura é farta neste tema, não existe crime perfeito.
Ao assumir riscos suicidas os Esley Brothers abriram a caixa de pandora das consequências imprevisíveis. Uma destas é não ter como controlar eventos fora do âmbito do jogo que estavam jogando na delação, como por exemplo, o uso criminoso de informação privilegiada para se beneficiar da flutuação do câmbio quando da divulgação dos termos da delação.
Pode-se prever que neste exato momento, as autoridades brasileiras, tendo conhecimento da vastidão de ilícitos cometidos pelos manos mafiosos, estão preparando o contra-ataque neste jogo que está longe de terminar. Podemos esperar que entre os próximos movimentos estará um mandato de prisão internacional em face dos crimes cometidos, ironicamente, fora do âmbito da delação, portanto, fora do manto protetor da imunidade.
* Luiz Marcelo Berger é doutor em administração e especialista em Teoria dos Jogos.

http://www.puggina.org/artigo/outrosAutores/por-que-os-irmaos-esley-da-jbs-podem-ser-pres/10533

quarta-feira, maio 17, 2017

Deputado protocola pedido de impeachment contra Temer


Deputado protocola pedido de impeachment contra Temer

Ele entregou pedido a Rodrigo Maia.


Ernesto Neves
VEJA



O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) acaba de protocolar um pedido de impeachment contra Michel Temer. Ele entregou o pedido ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia.
“O fundamento principal é o artigo da Constituição que diz que se comportar de modo incompatível com a honra é causa para a cassação do mandato. Temer cometeu crime de responsabilidade. O governo acabou”, disse.

terça-feira, maio 16, 2017

Radiografia de uma fraude (fim): A candidata


Radiografia de uma fraude (fim): A candidata

O Brasil real não conheceu nenhuma obra notável concluída pela ministra. O país registrado em cartório por Lula e Dilma inaugurou um deslumbramento por mês


Augusto Nunes/VEJA


Dilma Rousseff, candidata à Presidência pelo PT, vota em Porto Alegre. 31/10/2010
Dilma Rousseff, candidata à Presidência pelo PT, vota em Porto Alegre. 31/10/2010 (Felipe Dana/AP/VEJA)



O país em que Dilma vive tem até trem bala
Num dos incontáveis comícios promovidos para celebrar o bom ritmo de obras que nunca ficam prontas, o presidente Lula informou que o trem-bala prometido para aquele ano teria de esperar um pouco mais. “É uma coisa muito grande, mas está tudo mais ou menos encaminhado e a licitação vai ser feita em outubro”, avisou em 26 de abril de 2008.
De onde viriam os R$ 9 bilhões que serão engolidos pela maravilha ferroviária ligando o Rio a São Paulo e Campinas? Lula replicou com um sorriso superior e outra bazófia: “Neste momento, a companheira Dilma está no Japão e na Coreia mostrando o projeto para países mais ricos e empresas que têm tecnologia, a fim de participarem junto do consórcio de empresas brasileiras”. Era esperar pela viagem de volta e correr para o abraço.
A licitação prometida para outubro, que permitiria ouvir o apito na curva até o fim de 2012, já completou nove anos de inexistência. Em 4 de dezembro de 2009, Dilma baixou em Berlim para prosseguir a missão iniciada no Japão e na Coreia. Pronta para embarcar num trem-bala alemão, transferiu a viagem inaugural do similar brasileiro para 2014. “Antes da Copa do Mundo do Brasil”, animou-se.
A coisa demoraria, mas em compensação ficaria maior, soube o país na continuação da discurseira:  “A gente exige transferência de tecnologia, porque esse é o primeiro trem. Você tem outras possibilidades de construção de trens de alta velocidade no país”. Em seguida, Dilma presenteou com trens-balas também os eleitores de Curitiba, Brasília e Belo Horizonte.
O Brasil real não conheceu nenhuma obra notável concluída pela ministra. O Brasil registrado em cartório por Lula e herdado por Dilma inaugurou um deslumbramento por mês. Lá a vida é uma beleza. Lá se vive como rei. Lá a pobreza é uma lembrança tão longínqua, tão remota que os pobres já nem se lembram dos tempos em que faltava dinheiro para comprar passagens de avião. Lá há aeroportos de sobra, e só São Paulo tem três.
O terceiro começou a tomar forma em 20 de julho de 2007, quando Dilma descobriu como acabar com apagões e desastres. “Determinamos a construção de um novo aeroporto e os estudos ficarão prontos em 90 dias”, pisou fundo já na largada da entrevista coletiva, caprichando no plural majestático. “Estamos determinando que a vocação de Congonhas seja de voos diretos, ponto a ponto”.
Como conexões e voos internacionais seriam banidos de Congonhas “em 60 dias”, não havia tempo a perder. Nenhum detalhe escapara à astúcia da Mãe do PAC. “Tivemos de tomar precauções sobre a área de segurança ao redor do aeroporto”, exemplificou. Onde seria construído o mais confortável e mais seguro aeroporto do planeta?, excitaram-se os jornalistas. “Não sabemos onde será e, se soubéssemos, não diríamos”, ensinou a superexecutiva a serviço da pátria. “Jamais iríamos dizer isso para não sermos fontes de especulação imobiliária”.
Dilma Rousseff trucida a realidade com tanta aplicação que parece mais convincente mentindo do que dizendo a verdade.  No começo de julho de 2008, por exemplo, declarou com a convicção ensaiada de uma espiã de cinema que nada teve a ver com a venda da Variglog a um fundo americano e três sócios brasileiros. Claro que teve, insistiu a ex-diretora da Anac Denize Abreu.
Segundo Denize, Dilma havia interferido nas negociações em favor do corretor de luxo Roberto Teixeira, primeiro-compadre e especialista em ganhar muito dinheiro no céu com transações subterrâneas. Denize mentiu, cortou a ministra. O amigo do presidente jamais dera as caras na Casa Civil. Só em 26 de julho, depois de resistir por 20 dias à procissão de evidências, provas e testemunhos, admitiu que haviam ocorrido dois encontros fora da agenda.
“Mas não conversamos sobre a venda da Variglog”, ressalvou. Do que haviam tratado, então? Dilma safou-se da zona de sombra tirando da bolsa a frase da moda no Planalto: “Isso é a escandalização do nada”.
Em agosto de 2009, foi a vez de Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal, enxergar um escândalo onde Dilma Rousseff não viu nada. Demitida do cargo por acreditar que a lei valia também para a família Sarney, Lina contou que foi convidada para um encontro com Dilma na Casa Civil. A secretária-executiva Erenice Guerra transmitiu pessoalmente o convite a Iraneth Weller, chefe de gabinete da Secretaria da Receita Federal.
“Foi uma conversa muito rápida, não durou dez minutos”, resumiu Lina. “Falamos sobre algumas amenidades e, então, Dilma me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho de Sarney”. Dilma seguiu jurando que o encontro não existiu. Erenice jurou que o convite não foi feito. Iraneth disse o contrário. Ouvida no Senado, Lina deu todos os indícios de que tinha razão.
Contou que foi até a reunião no carro dirigido por um motorista do Ministério da Fazenda, seu nome foi anotado na garagem, subiu pelo elevador, passou por dois funcionários da Casa Civil quando caminhava rumo ao gabinete de Dilma. “Não sou fantasma”, alertou, lembrando que o circuito interno de imagens podia comprovar o encontro.
Não podia, descobriu-se depois. Em nota oficial, o Gabinete de Segurança Institucional explicou que, “conforme as especificações do edital assinado em 2004, o período médio de armazenamento das imagens varia em torno de 30 dias”, garantiu o texto. Ao obter uma cópia do edital, o site Contas Abertas comprovou a farsa. De acordo com o documento, ficou estabelecido que os registros de acesso de pessoas e veículos ao Palácio do Planalto seriam guardados “em um banco de dados específico, com capacidade de armazenamento por um período mínimo de seis meses” ─ e depois “transferidos definitivamente para uma unidade de backup”.
Dois meses depois, a ex-secretária localizou a agenda que apontava a data exata do encontro, 9 de outubro de 2008, com o seguinte comentário: “Dar retorno à ministra sobre família Sarney”. Dilma continuou rebatendo a declaração de Lina, e o encontro nunca foi provado. Em julho de 2010, um ex-funcionário do Planalto afirmou a Veja que o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República escondeu imagens das câmaras de segurança que comprovariam a reunião.
A passagem de Dilma pela Casa Civil já havia produzido outros momentos abjetos. Em março de 2008, por exemplo, instruída para livrar o governo da enrascada em que se metera com a gastança dos cartões corporativos usados por ministros do governo Lula com fins nada republicanos, Dilma produziu um papelório que tentava reduzir Fernando Henrique e Ruth Cardoso a perdulários incuráveis, uma dupla decidida a desperdiçar o dinheiro da nação em vinhos caros e futilidades gastronômicas. O dossiê foi produzido a mando de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil e braço direito da então ministra. Diante da repercussão negativa do episódio até entre os maiores inimigos de FHC, Dilma, que sempre preferiu se referir ao material como “banco de dados”, ligou pessoalmente para pedir desculpas a Ruth Cardoso.
Em setembro de 2010, Erenice Guerra voltou às manchetes político-policiais depois que outra reportagem de Veja revelou uma rede de negociatas funcionando dentro da Casa Civil, sob a tutela de seu filho, Israel Guerra, e outros sócios. Segundo a denúncia, o bando usava a influência de Erenice, que havia assumido a pasta em abril daquele ano, para favorecer empresários em troca de uma “taxa de sucesso”. O que não ia para o bolso dos lobistas de araque, seguia para os cofres do PT. A ministra também aproveitou o cargo para favorecer os negócios do marido e de irmãos. Diante do escândalo, a melhor amiga de Dilma Rousseff foi despejada do emprego cinco meses depois de empossada.
Sem saber atirar, Dilma Rousseff virou modelo de guerrilheira. Sem passar pela Assembleia Legislativa, virou secretária de Estado. Sem estagiar no Congresso, virou ministra. Sem ter inaugurado nada de relevante, virou supergerente e mãe do PAC. Sem saber juntar sujeito e predicado, virou estrela de palanque. Sem ter disputado sequer uma eleição de síndico, virou presidente da República.

segunda-feira, maio 15, 2017

Delações de marqueteiros e Palocci põem Lula e o PT em abismo político


Delações de marqueteiros e Palocci põem Lula e o PT em abismo político

O ex-presidente Lula
© E.Peres O ex-presidente Lula

O calvário do Partido dos Trabalhadores e do ex-presidente Lula ganhou novos capítulos numa sequência impensável a quem acreditava que o ponto alto da semana política que passou ficaria no embate entre o petista e o juiz Sergio Moro em Curitiba. O encontro mais esperado da Lava Jato parece agora apenas um aperitivo para um cardápio farto que se seguiu na sequência, e que fragiliza ainda mais o ex-presidente e o seu partido, tanto do ponto de vista político quanto jurídico. Apenas um dia depois do seu depoimento, o ministro do Supremo, Edson Fachin, liberou o sigilo das delações do casal de marqueteiros Mônica Moura e João Santana, que revelam o milionário esquema de caixa 2 pago no Brasil e no exterior, supostamente com aval de Lula e Dilma Rousseff.
Na sexta, uma nova bomba nuclear para o ex-presidente e o PT veio na forma da nota divulgada pelo então advogado do ex-ministro Antonio Palocci. “O Escritório José Roberto Batochio Advogados Associados deixa hoje o patrocínio da defesa de Antonio Palocci em dois processos que contra este são promovidos perante o juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba, em razão de o ex-ministro haver iniciado tratativas para celebração do pacto de delação premiada com a Força Tarefa Lava-jato, espécie de estratégia de defesa que os advogados da referida banca não aceitam em nenhuma das causas sob seus cuidados profissionais.”
O que eram informações de bastidores começam a se tornar realidade. O ex-todo poderoso ministro petista, que pavimentou a relação de Lula com o então apavorado mercado financeiro nacional e internacional em seu primeiro mandato (2003-2006), sucumbiu à pressão da Lava Jato e mostrou que seu silêncio tem limite. Preso preventivamente há oito meses, Palocci fechará acordo com a Justiça para negociar uma redução de pena, e pode jogar um caminhão-tanque de gasolina nas labaredas que já incendeiam o Brasil com as investigações sobre corrupção no poder público e privado. Palocci sabe que suas palavras valem ouro para a Justiça e têm poder para estender ainda mais a operação Lava Jato, saindo inclusive do ramo das empreiteiras para se espalhar a outros setores. “Acredito que posso dar um caminho que talvez vai lhe dar pelo menos mais um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”, disse Palocci a Moro em seu depoimento no dia 20 de abril, após afirmar que tinha condição de relatar “fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que serão certamente de interesse da Lava Jato.” Não os abria ali, explicou, pela “sensibilidade das informações” de que dispõe.
Agora, o país volta a prender a respiração na expectativa de conhecer novos fatos e detalhes sobre o modus operandi das relações de poder, num exercício que já virou rotina. A escala crescente de informações não para de surpreender ao mesmo tempo que vai fechando o cerco ao PT e deixando poucas brechas para Lula. As delações de Mônica Moura e João Santana, que gozavam da intimidade palaciana desde 2005, já trazem informações chocantes o suficiente para questionar o futuro do PT e da sonhada candidatura do ex-presidente para as eleições de 2018. De negociações de João Santana na sauna do ex-senador Delcídio do Amaral para tratar de pagamento de caixa 2 de campanha, a um suposto email falso criado na biblioteca do Palácio da Alvorada com aval da ex-presidenta Dilma para prevenir Mônica Moura sobre o andamento da Lava Jato. De onze milhões de dólares supostamente recebidos das mãos do hoje presidente venezuelano, Nicolas Maduro, a pagamentos secretos da Odebrecht numa conta na Suíça.
4 horas de depoimento em 4 minutos (via Veja)
4 horas de depoimento em 4 minutos
Quando foram presos em fevereiro de 2016, Santana e Moura chamaram a atenção pela tranquilidade com que seguiram o ritual da prisão. Mônica até sorria enquanto mascava chicletes com as mãos presas por algemas atrás do corpo.
Hoje, aparecem nos vídeos relatando também com naturalidade os detalhes de como funcionou o esquema patrocinado pela Odebrecht, responsável pelo pagamento das campanhas vitoriosas de Lula, Dilma e seus aliados na América Latina, como o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez. Um esquema que incluiu a participação de boa parte da cúpula petista, para garantir a estratégia, segundo os delatores. José Dirceu e Antônio Palocci tinham papeis de destaque. Dirceu, por exemplo, teria articulado a participação dos marqueteiros na campanha à reeleição de Hugo Chávez, em 2012. “A primeira viagem que João fez para negociar a campanha foi num jatinho da Andrade Gutierrez”, relata Moura, em seu depoimento às procuradoras da Lava Jato. Dirceu estava junto nessa viagem. A Andrade pagou dois milhões de dólares do custo de campanha. A Odebrecht, 7 milhões.
O casal relatou também como a negociação de caixa 2 teria sido feita em outra campanha, para a eleição do senador Delcídio do Amaral, então pelo PT, em 2002. Santana revelou que visitou Amaral em sua casa e foi convidado a tomar uma sauna com ele. “Entramos os dois para fazer sauna. E foi aí que ele, quando entrou na sauna, e estávamos só nos dois, e estávamos claramente protegidos, e sem roupa – porque podia ser que eu tivesse alguma coisa para estar gravando – ele começou a conversar: ‘Esse pagamento é oficial, não tem que ser oficial, quanto custa’”, relatou. A campanha teria custado 4 milhões de reais, dos quais metade paga em caixa 2, segundo os delatores.
As revelações do casal vieram um dia após o midiático depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, na ação que questiona a compra do apartamento no Guarujá, supostamente vinculado a favores prestados à empreiteira OAS. Após cinco horas de prestação de contas à Justiça num interrogatório a portas fechadas que seria divulgado em vídeo horas depois, Lula parecia sair aliviado de um purgatório, onde conseguiu se defender e relatar suas mágoas ao juiz Moro, e lembrar seu papel de ex-presidente que merecia ser tratado com respeito. Teve bem mais que 15 minutos de glória para soltar suas frases de efeito e dizer ao juiz Moro que a história vai julgá-lo em seu papel por abusos como o de ter liberado grampos pessoais dele e de sua família. Seu regozijo, porém, durou menos que 24 horas, e o ex-presidente parece ter entrado no inferno que coloca em dúvida seu plano de sair ileso da Justiça e competir pela vaga ao Palácio do Planalto.
Santana vem confirmar informações já reveladas por Marcelo Odebrecht dos pagamentos feitos no Brasil e num intrincado sistema de patrocínio internacional, que incluía as campanhas em países onde a empreiteira já atuava. Se Antônio Palocci, implicado tanto por Odebrecht como os marqueteiros, relatar seu papel como avalista, o cerco a Lula deve se fechar e a estratégia de defesa do ex-presidente, de negar sua participação ou conhecimento em torno do propinoduto descoberto inicialmente na Petrobras, fica cada dia mais difícil.
Tudo ainda passará pelo crivo da Justiça – que tem Sergio Moro em primeiro plano, cuja atuação vem sendo questionada por já aparentar uma condenação prévia, endossando praticamente tudo o que apontam os procuradores – e demandará provas do que dizem os delatores, para que confirmem ou atenuem o veredito. Mas, o desgaste à imagem do ex-presidente, em capas de revistas questionando sua inocência, e na pauta negativa contra ele no noticiário, ganhou novos elementos. O ex-presidente vive a cruel letargia de quem tem de provar inocência. A versão de quem o responsabiliza de ter ciência do esquema internacional de caixa 2 circula muito mais rápido que a sua defesa. Se esse quadro só faz crescer o linchamento público entre quem nunca gostou dele, ou se tira apoio entre os que já votaram nele, só o tempo dirá. Por ora, o calvário de Lula continua.

sexta-feira, maio 12, 2017

Operação Bullish investiga fraudes em empréstimos no BNDES

Operação Bullish investiga fraudes em empréstimos no BNDES

Operação mira aporte de R$ 8,1 bilhões ao frigorífico JBS


A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta (12/5), a Operação Bullish, que investiga fraudes e irregularidades em aportes concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), através da subsidiária BNDESPar, à J&F Investimentos, dona do frigorífico JBS. Os aportes, realizados a partir de junho de 2007, tinham como objetivo a aquisição de empresas também do ramo de frigoríficos no valor total de R$ 8,1 bilhões.

São cumpridos hoje 37 mandados de condução Coercitiva, - 30 no RJ e 7 em SP-, e 20 de Mandados de Busca e Apreensão, -14 no RJ e 6 em SP-, além de medidas de indisponibilidade de bens de pessoas físicas e jurídicas que participam direta ou indiretamente da composição acionária do grupo empresarial investigado, até o limite do prejuízo gerado ao erário. 

Os controladores do grupo estão proibidos, ainda em razão da decisão judicial, de promover qualquer alteração societária na empresa investigada e de se ausentar do país sem autorização judicial prévia. A Polícia Federal monitora 5 dos investigados que se encontram  em viagem ao exterior.


O nome da operação remete a tendência de valorização gerada entre os operadores do mercado financeiro em relação aos papéis da empresa, para a qual os aportes da subsidiária BNDESPar foram imprescindíveis.