PENSAR "GRANDE":

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"OS GRANDES GÊNIOS SÃO AQUELES QUE NUNCA DERAM AO INIMIGO O PODER DE DESTRUÍ-LOS". [Irving Stone].

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ELEIÇÕES 2010 (espero que na próxima nós consigamos!).
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"(...) NÃO ATIREIS AOS PORCOS AS VOSSAS PÉROLAS, PARA QUE NÃO AS CALQUEM COM OS SEUS PÉS, E, VOLTANDO-SE CONTRA VÓS, VOS DESPEDACEM". [Mateus; 7:6]. > "... E 2010 QUE NÃO ACABA! " [NHM].
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''Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada''.
> (Edmund Burke).

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LULAS (Molusco). As lulas ou calamares são tipos de moluscos marinhos da classe Cephalopoda, subclasse Coleoidea, ordem Teuthida, que inclui subordens, Myopsina e Oegopsina. Como todos os cefalópodes, caracterizam-se por possuírem cabeça distinta, simetria bilateral e tentáculos com ventosas. Assim como o choco, a lula tem dez tentáculos, dos quais dois se destacam. As lulas têm cromatóforos na sua pele e a capacidade de expelir tinta como resposta a uma ameaça. (http://dicionario.babylon.com/).
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Sexta-feira, Dezembro 25, 2009

NATAL: O MELHOR ''PRESENTE'' É O RENASCIMENTO DO ''CRISTÃO'' EM NÓS *

Reflexões para o Natal

Dom Eugenio Sales (1) , Jornal do Brasil

RIO - Anualmente, este tempo nos oferece uma excelente oportunidade para revermos nossas atitudes com relação ao próximo. Há no tempo que precede o Natal e no período natalino um clima diferente dos outros dias. Mesmo o homem que vive como se Deus não existisse também é tocado por uma atmosfera que tem, no Presépio, seu centro e explicação.

O nascimento de um Menino que veio para nos salvar, conscientemente ou não, é celebrado. Pode o Natal estar paganizado, envolvido pelo consumismo, deformado sem seu sentido divino, mas permanece sempre algo de verdadeiro em sua celebração.

Vislumbremos nesse tempo a imagem do Presépio. Um estábulo foi transformado em residência humana por falta de condições materiais para poder encontrar um verdadeiro lar (Lc 2,7). A pobreza é uma característica do Natal. O contraste, sua marca indelével, ainda hoje perdura. É essa a situação de mais de 2 mil anos de pregação da mensagem divina. Basta olhar ao nosso redor os que dormem ao relento.

O Natal é uma festa eminentemente religiosa e também um momento privilegiado para despertar nossa consciência da responsabilidade social de nossa Fé cristã. O Presépio de Belém é um angustiado apelo a cada filho de Deus para, de imediato, tornar possível a nossa solidariedade com os marginalizados.

Nestes dias, quantos presentes serão distribuídos com o objetivo de proporcionar alegria pelo nascimento do Redentor! Aí começou a ser percorrido o caminho que nos leva à salvação. No entanto, uns dons são ricos, riquíssimos e outros tão pobres, quem sabe, como algo retirado do monturo do município. Sim! Relembro quantos sobrevivem do que é posto fora, mas, todos, filhos do mesmo Pai!

Este quadro deveria estar sempre diante de nós, principalmente quando estivermos ajoelhados diante do Presépio, onde está reclinado o Menino. Tenho certeza de que o mais belo presente que ele espera de cada um é o compromisso e testemunho de solidariedade. Ele se manifesta por uma expressão concreta de amor para com todos aqueles que ele fez nossos irmãos, especialmente os mais pobres e marginalizados.

Essas verdades nos são transmitidas na linguagem da Manjedoura. Não há um grito irado dos revolucionários, mas a humildade e a paz de Deus, em cuja voz está a força transformadora do Evangelho. E esta é mais eficaz que a violência, o ódio, a luta de classes.

Nós, cristãos, temos a obrigação de seguir as diretrizes que nos são dadas, como o filho que escuta o pai e a ele obedece. Não somos escravos, mas livres, nos adverte São Paulo (Gl 4,7). Assim, a reflexão diante do Presépio não pode permanecer somente em nosso interior mas nos leva a uma ação concreta, motivada pela justiça e a caridade, para reduzir esse escândalo da miséria que esmaga tantos brasileiros. A festa do Natal é um brado de alerta, um apelo, a manifestação da esperança para que os filhos de Deus consigam uma melhor participação dos bens criados pelo Pai para toda a sua família.

Outro aspecto de nossa meditação é a importância das mudanças estruturais que põem em relevo o valor da justiça social. Todas as vezes que, movidos pelo sentimento de compaixão, abrimos o coração e as mãos, cumulando o pobre de favores, simplesmente não cumprimos o nosso dever de cristãos de forma integral. Falta, ainda, algo essencial! Principalmente em nossos dias, há maior sede de receber em razão de direito adquirido do que por simples benevolência momentânea de alguém.

Reconheçamos no Presépio o ensinamento autêntico. Cristo aceita os dons que lhe são oferecidos, mas nunca absolve a injustiça de que é objeto, em seus filhos. É necessária a prática da caridade sem substituir o respeito aos direitos de outrem.

E, por último, proclamamos o real sentido das festas natalinas. Elas são eminentemente religiosas. Embora a publicidade exalte mais seus aspectos terrenos, elas transcendem infinitamente as limitações dos humanos horizontes. Como parece mesquinho medir a importância dessa data pelas dimensões de uma mesa ou pela variedade dos presentes! A alegria pelo nascimento do Redentor é significativo instrumento para poder atingir uma extraordinária realidade espiritual. Todo o quadro físico da Manjedoura com os personagens que intervêm nessa ocasião falam eloquentemente dessa visão religiosa, hoje tão postergada. Maria e José, em suas tribulações, na procura de um lugar para o nascimento de Jesus, nos fazem recordar o que, por vezes, ocorre entre nós, nas camadas mais necessitadas do povo. Os pastores que ali foram acolhidos eram considerados, na mentalidade da época, pessoas pouco respeitáveis, pela facilidade com que poderiam desviar o que lhes era confiado. A própria época do ano no Hemisfério Norte não era favorável pelo frio intenso, talvez – o primeiro sofrimento de Jesus que nos deu a sua vida, na Cruz, para nossa salvação.

As conclusões em favor da justiça social e da solidariedade brotam, necessariamente, do acontecimento da vinda ao mundo do Salvador com as circunstâncias que a envolveram. As exigências de uma profunda transformação nesse campo são claras e imperativas.

A alegria é parte insubstituível do Natal. Deixemos que ela penetre amplamente na atmosfera que respiramos nesta época do ano, não nos esquecendo, porém, que ela traz consigo graves compromissos sociais.

(1) arcebispo emérito do Rio

22:09 - 18/12/2009

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http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/12/18/e18128338.asp

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N.B.: (*) O mesmo sentido é visto nas demais religões e crenças, apenas através de outro(s) Mestre(s).

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Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

XÔ! ESTRESSE [In:] ''EU PENSEI QUE TODO MUNDO FOSSE FILHO DE PAPAI NOEL..."

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[Homenagem aos chargistas brasileiros].
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ELEIÇÕES 2010: BARGANHA DE ESPELHOS NA ILHA DE VERA CRUZ

2010 já tem um vencedor

Clóvis Rossi
Folha de S. Paulo - 24/12/2009

E o vencedor é um tal de Partido do Movimento Democrático Brasileiro, nome simpático para designar pouco mais que nada em termos ideológicos, políticos ou programáticos.
O PMDB nacional já tem um pré-acordo com as candidaturas Luiz Inácio Lula da Silva/Dilma Rousseff (a segunda só existe graças ao primeiro). O PMDB de São Paulo já tem um pré-acordo com a candidatura José Serra.
Se bobearem, o PMDB do Acre faz um pré-acordo com Marina Silva e o PMDB do Ceará com o irmão de Ciro Gomes, o governador Cid também Gomes, já que, segundo Aloizio Mercadante, o próprio Ciro tomou o "pau de arara" no sentido contrário, aliás duas vezes.
Não bastassem essas apólices de seguro, o PMDB lidera a corrida eleitoral em dois dos três Estados mais relevantes da pátria amada (Rio de Janeiro e Minas Gerais).
É natural, em se tratando de uma federação de caciques regionais, que o PMDB mais uma vez faça grandes bancadas no Congresso, talvez a maior, como muitas vezes ocorreu. O voto para deputados (estaduais e federais) é puxado muito mais por lideranças estaduais, de que dá prova o fato de que nem Fernando Henrique Cardoso nem Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram bancadas para seus partidos suficientes para governar só com elas ou com uma aliança que dispensasse o PMDB.
É sempre bom lembrar que foram do PMDB ou por ele passaram todos os presidentes do período democrático, exceto Lula, que, no entanto, fez do que FHC chamava de "partido ônibus" o seu aliado preferencial: José Sarney, que teve FHC como líder, primeiro, e crítico impiedoso, depois, que namorou, mas não casou com Fernando Collor, o maior inimigo de Sarney, que teve em Itamar Franco o vice, primeiro, e o adversário, depois.
A patética ciranda em torno do PMDB continua em 2010, 11, 12...

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ELEIÇÕES 2010: ILHA DE VERA CRUZ E OS ETERNOS ''ESPELHOS''

Eleições 2010

Autor(es): Almir Pazzianotto Pinto
Correio Braziliense - 24/12/2009

Se o estado-maior das forças de oposição não despertar para a gravidade do teatro de operações, as eleições presidenciais programadas para 3 de outubro de 2010 estarão liquidadas no primeiro semestre.

A desigualdade de forças entre a sólida base governamental, e a fluída e insegura oposição, é digna de registro. Não bastasse, do lado governista verifica-se inabalável coesão em torno do marechal Lula, cujo mando é disciplinadamente aceito pelos quadros inferiores, de generais a soldados rasos. O paiol, por sua vez, dispõe de artilharia pesada, na qual se sobressai o Bolsa Família, cujo poder de persuasão não deve ser subestimado.

Neste segundo mandato, consciente da inexistência de nome forte no seio do PT, investido de liderança para sucedê-lo sem tropeços, o presidente, como habilidosa aranha tecedeira, tratou de construir a teia de interesses, para a qual atraiu dirigentes de partidos dispostos a apoiar qualquer nome de sua livre escolha, embora inexperiente e inexpressivo. Cooptou o velho PMDB com ministérios, empresas, diretorias e empregos e, para seduzi-lo, definitivamente, ter-lhe-ia prometido a Vice-Presidência. Ao PDT, concedeu o Ministério do Trabalho e Emprego, e prestigiou a Força Sindical, talvez a central com maior número de filiados.

Enquanto o presidente Lula dá provas de sagacidade política, a oposição — se é que existe — perde-se no labirinto das vacilações e dúvidas. O PSDB, supostamente a agremiação mais estruturada e forte, pois já ocupou a Presidência na era FHC, e detém o governo de São Paulo há 20 anos, deixa claro ao que não veio. Até o momento não dispõe de pré-candidato consolidado. A decisão sobre eventual pretendente ao Palácio do Planalto persiste, na expressão pitoresca de Churchill, como “charada envolvida em mistério, dentro de um enigma”.

A renúncia à candidatura do governador mineiro Aécio Neves, deve ser interpretada como vaga manifestação de propósito, sujeita a confirmação, conforme o andar da carruagem. O presidente francês Charles De Gaulle, com a experiência política que o converteu num dos grandes estadistas do século 20, advertia que “promessas somente comprometem aqueles que as ouvem”. No caso, sequer promessa houve.

Com o PSDB vítima da indefinição interna, o PMDB dividido, e o DEM abalado dos alicerces ao telhado por denúncias de corrupção que envolvem o Governo do Distrito Federal, secretários e deputados distritais, torna-se quase inimaginável impor derrota a quem preside o governo, dispõe da máquina, e revela saber usá-la sem despertar reação da Justiça Eleitoral.

Segundo Maurice Duverger, os partidos políticos são de massa, quando possuem forte apelo popular, ou de quadros, se organizados, como nas Forças Armadas, segundo os princípios de hierarquia e disciplina, conforme se dava com o extinto Partido Comunista. É claro que, na generalidade dos casos, resultam de combinação inteligente entre quadros e massa, dependendo a composição das forças da qualidade dos dirigentes.

Os recentes partidos oposicionistas conseguiram não ser de quadros ou de massas. Funcionam como antigos clubes ingleses, frequentados por conspícuos e elegantes senhores, que discursam e procedem bem, mas não conseguem sensibilizar o grande colégio eleitoral composto pelas classes B, C e D, responsáveis pelos resultados finais. Ocasionalmente, algum representante dessas agremiações emerge para derrotar alguém oriundo de sigla popular. Quando tal acontece, a responsabilidade recai sobre o candidato derrotado, mas não sucede em função da suposta popularidade do vencedor.

Coube ao talento de Getúlio Vargas descobrir que o proletariado brasileiro existia, mas esquecido pelas elites. O presidente Lula foi quem tomou a iniciativa de dar-lhe organização político-partidária, retirá-lo dos bastidores e trazê-lo ao proscênio, onde já não é mero figurante, ou massa de manobra, pois passou a integrar o elenco principal.

O PSDB corre perigo de se transformar na versão ressurecta da extinta UDN; o DEM poderá voltar a ser o PFL, do qual não conseguiu desencarnar.

Até as eleições de outubro, dias, semanas, meses voarão nas asas do vento. Ou a oposição aceita o repto lançado pela situação, e disputa a Presidência para valer, ou estará derrotada no próximo semestre. Quem viver verá.

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GOVERNO LULA: O BOM VELHINHO ESTÁ DE PARTIDA...

Lula oferece ‘pacote de bondades’ a catadores

Lula dá crédito de IPI para compra de produto com material reciclado


Autor(es): Julia Duailibi
O Estado de S. Paulo - 24/12/2009

Em um discurso no qual contrapôs pobres e ricos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma espécie de "pacote de bondades natalinas" para os moradores de rua e catadores de material reciclável. Num clima de despedida de mandato, o petista se classificou como "rei posto" e disse que o ano que vem, quando haverá eleição presidencial, será "uma pauleira".

As medidas anunciadas, que se estendem até o ano eleitoral de 2010, compreendem renúncia fiscal de R$ 107 milhões, investimento em moradia popular de mais de R$ 20 milhões e a ampliação do Bolsa-Família para todos os moradores de rua.

"Quando eu vier aqui em dezembro do ano que vem, já terá uma outra pessoa eleita, já sou rei posto, e rei posto não pode fazer promessa", declarou, em referência à expressão "rei morto, rei posto", em confraternização de Natal com cerca de mil pessoas em São Paulo. "De qualquer forma, se for quem eu penso que vai ser, a gente pode trazer junto aqui para fazer promessa", completou Lula, sem citar sua candidata, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Um dia após ter ido ao Rio divulgar medidas sociais com Dilma, Lula anunciou a edição de MP que prevê crédito presumido de IPI para a indústria que usar matéria-prima reciclada de cooperativas de catadores - uma renúncia fiscal de R$ 107 milhões por ano.

Acompanhado de cinco ministros, o presidente também anunciou que 25 imóveis do INSS e da Secretaria de Patrimônio da União, espalhados por oito Estados, serão usados para a construção de moradias populares. A medida custará R$ 20 milhões e ganhará fôlego em 2010, com mais 60 imóveis.

Pouco antes de Lula, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) falara sobre a inclusão de todos moradores de rua no Bolsa-Família em 2010. O governo estima que vivam na rua entre 50 mil e 60 mil pessoas - a estatística não é precisa já que o IBGE não contempla essas pessoas nas contagens oficiais, o que foi alterado com decreto de Lula ontem. Atualmente, 20 mil moradores de rua já recebem o benefício. "O Brasil está numa situação razoável, numa situação boa. Temos um programa de um milhão de casas. Quem faz um milhão pode fazer milhão cento e dez, um milhão cento e vinte", disse Lula, em referência ao programa Minha Casa, Minha Vida.

Ao fazer um balanço de seu governo, pediu aos moradores de rua que levantassem as demandas. "Não tenham medo do peso da caneta. Vamos fazer um levantamento, um pente-fino das nossas necessidades, vamos colocar no papel", declarou. "A gente vai apresentar um PAC 2011-2015 e é preciso que tudo aquilo que a gente não conseguiu fazer a gente deixe preparado."

"PARA TODOS"

Lula usou a retórica de contraposição entre ricos e pobres, como parte da estratégia do PT de dizer que o atual governo é voltado "para todos", enquanto o anterior, do PSDB, seria apenas para os ricos. A estratégia vem sendo criticada pela oposição.

"Sabemos que tem um problema político. Tem uma parte da sociedade que não quer que vocês morem no centro. Neste país é assim: todo mundo quer feira, mas ninguém quer feira na porta de casa", afirmou. Em outro momento do discurso, o presidente estabeleceu outro confronto. "Casa de rico você chega dez horas da noite e não tem nem sopa mais. Na casa de pobre, onde come um comem dez", argumentou. "Pobre é bom para a gente ver em filme, a gente não quer morando no prédio em que a gente mora."

Ao enaltecer sua gestão, Lula disse "duvidar" que tenha existido, "em algum momento da história deste país", um governo com compromisso com os movimentos sociais maior que o seu. "Não faço isso por bondade, faço isso porque está no meu sangue, nas minhas entranhas. Sei de onde eu vim e para onde vou voltar", disse Lula, sob aplausos da plateia.

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"QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"

24 de dezembro de 2009

O Globo

Manchete: Receita deixa um milhão de pessoas na malha fina
Número é recorde no governo Lula. Cerco a médicos é ampliado


O ano de 2009 chega ao fim com um número recorde de declarações de Imposto de Renda Pessoa Física retidas na malha fina: um milhão. Esse número é praticamente o triplo do registrado em 2008. Com o objetivo de apertar o cerco aos contribuintes, a Receita passará a exigir, em 2010, que médicos e dentistas preencham um novo tipo de informe relacionando os valores recebidos de seus pacientes. O objetivo é evitar recibos falsos de gastos de saúde e exigirá uma ginástica adicional para esses profissionais na hora de acertarem as contas com o Leão. A União anunciou superávit primário (para pagar juros da dívida) recorde em novembro: foram R$ 10,7 bilhões em economia nas contas que reúnem Tesouro, Banco Central e Previdência. (págs. 1 e 15)

Tá tudo dominado... pela polícia

PM do Rio expulsa traficantes dos últimos dois morros da Zona Sul. Agora só faltam Rocinha e Vidigal

Com o cerco da PM ontem à Ladeira dos Tabajaras e ao Morro dos Cabritos, em Copacabana, a polícia acabou com o domínio dos traficantes nas favelas da Zona Sul do Rio. Ainda faltam a Rocinha e o Vidigal, mas, em pouco mais de um ano, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) encurralaram o tráfico do Leme a Ipanema, tirando da mira de homens armados 180 mil moradores – cerca de 17% da população das comunidades do Rio. Ontem, foi inaugurada UPP nos morros do Pavão-Pavãozinho – a quinta da cidade – e, apesar de a entrada de 80 policiais na Ladeira dos Tabajaras e nos Cabritos ter sido tranquila, a ocupação definitiva foi adiada para evitar confrontos no Natal e réveillon. No Bairro Peixoto, vizinho das favelas, a rotina de moradores e comerciantes não mudou.

- Estamos mantendo o policiamento reforçado no entorno dessas comunidades e entraremos nos próximos dias - disse o secretário de Segurança, Mariano Beltrame.

O governador Sérgio Cabral anunciou que a próxima unidade será instalada até março do ano que vem, provavelmente na Tijuca. (págs. 1 e10)

Foto legenda: Policiais do Batalhão de Choque participam de cerco, num dos acessos ao Tabajaras, em Copacabana

Lula: peçam tudo logo

Presidente diz que hora é de aproveitar

Em encontro com moradores de rua em São Paulo ontem, o presidente Lula disse que o povo "não deve ter medo do peso da caneta" e prometeu mais gastos no ano eleitoral de 2010. "Vocês têm que aproveitar este momento, falta um ano (para o fim do mandato)", disse Lula, para quem "não há limite para reivindicação". (págs. 1 e 3)

Avó desiste e Sean irá para EUA com pai

A avó de Sean Goldman, Silvana Bianchi, disse que a família desistiu de lutar na Justiça pela guarda do menino. Ele terá de ser entregue ao pai até às 9h de hoje, no consulado americano. (págs. 1 e 14)

Metrô distribui bilhetes para se desculpar

Após um dia de tumultos, o Metrô distribuiu ontem gratuitamente cem mil cartões pré-pagos, com R$ 10 cada, como forma de se desculpar com os passageiros. Ontem o serviço funcionou sem transtornos. (págs. 1 e 11)

INSS pagará conta de R$ 16 bi

O novo salário mínimo, fixado ontem em R$ 510 pelo presidente Lula, e a correção de aposentadorias e pensões acima do piso em 6,14% custarão R$ 16 bi ao INSS em 2010. (págs. 1 e 4)

Charge Chico: Feliz Natal

-...eu estou convencido de que nunca antes na história deste país houve um saco tão cheio!

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Folha de S. Paulo

Manchete: Receita fecha cerco a gastos de saúde
Profissionais e operadoras vão precisar entregar Declaração de Serviços Médicos; malha fina quase triplica

Em nova frente de ataque a fraudes fiscais, a Receita Federal instituiu a Declaração de Serviços Médicos, nova obrigação tributária para profissionais e operadoras da área de saúde, que deverão relatar atendimentos de forma individualizada.

Segundo a Receita, o foco da medida são os contribuintes que usam recibos médicos falsos para deduzir despesas com saúde do Imposto de Renda Para os contribuintes, a nova obrigação não muda em nada a declaração de ajuste anual.

A primeira entrega do novo documento será em fevereiro de 2011, com dados de 2010. Atraso será punido com multa de R$ 5.000 por mês. Se os valores estiverem errados, haverá autuação de mais 5%. Entidades da área de saúde não comentaram.

Contribuintes estão sujeitos a multa de 75% se não comprovarem a despesa médica. Erros nesses gastos retiveram 120 mil declarações na malha fina neste ano - ao todo, 1 milhão segue sob análise do fisco. Em 2008, foram 361 mil. (págs. 1 e B1)

Presidente do STF liberta o médico Roger Abdelmassih

O presidente do Supremo Tribunal Federal. Gilmar Mendes, mandou soltar ontem o médico Roger Abdelmassih, especialista em reprodução assistida, preso preventivamente desde agosto. Ele é acusado de ter estuprado pacientes.

Segundo Mendes, a Promotoria havia pedido a prisão de Abdelmassih ou seu impedimento de exercer a profissão. Como ele está proibido de clinicar, Mendes entendeu que não há por que mantê-lo preso. (págs. 1 e C1)

Foto legenda: Derrapagem no Caribe

Boeing da American Airlines com 154 pessoas a bordo se quebra em 3 partes ao pousar no aeroporto de Kingston, Jamaica, vindo de Miami; 90 ficam feridos (págs. 1 e A7)

Avó brasileira desiste de recorrer pela guarda de Sean (págs. 1 e C8)

Aposentadorias acima do mínimo recebem 6%
Com duas medidas provisórias, o governo corrigiu o salário mínimo de R$ 465 para R$ 510 (o que representa aumento real de 6%) e deu um reajuste de 6,1% (2,5% acima da inflação) para as aposentadorias que ultrapassam o piso salarial.

Em 2011, aposentadorias também terão reajuste pela inflação mais 50% do aumento do PIB dois anos antes - o salário mínimo terá 100%. Se houver estagnação em 2009, aposentadorias e mínimos não terão aumento real em 2011. (págs. 1 e B3)

Grupo suspeito faturou mais na gestão do DEM

O faturamento da empresa TBA, acusada no mensalão do DEM, cresceu na gestão do partido no DF. Da média anual de R$ 1 milhão saltou para R$ 23,1 milhões neste ano, segundo relatório do Ministério Público de Contas. Grupo e governo negam as acusações. (págs. 1 e A4)

Igor Gielow: Voluntaristas e legalistas estão medindo forças

A suspensão do processo contra Daniel Dantas gera a sensação de impunidade dos ricos, disse o ministro Tarso Genro. A avaliação escamoteia o real problema, que é a medição de forças entre o voluntarismo e o legalismo na área judicial. (págs. 1 e A2)

Ford acerta a venda da Volvo para chineses

A Foro e o Geely Group anunciaram a definição dos "termos comerciais" para a venda da Volvo. O acordo abre caminho para a aquisição da subsidiária sueca da americana Ford pela maior montadora da China. (págs. 1 e B7)

Editoriais

Leia "Equilibrar a conta", sobre a Previdência Social; e "Ponto final no caso Sean", acerca de decisão do STF. (págs. 1 e A2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: 1 milhão de contribuintes caem na malha fina do IR
Número é três vezes o de 2008 e está ligado a despesas médicas irregulares

A malha fina da Receita Fede­ral reteve neste ano as declara­ções de Imposto de Renda (IR) de cerca de um milhão de contribuintes. Em 2008, o número foi bem mais baixo: 361,4 mil. Com a malha fina em 2009, a Receita descobriu que tinha R$ 2,1 bi­lhões em impostos a receber, e 12% desse valor estava relacio­nado a despesas médicas. Para apertar o cerco aos contribuin­tes que usam irregularmente recibos médicos para pagar me­nos imposto ou receber restituição, a Receita anunciou ontem a criação da Declaração de Ser­viços Médicos. A medida obriga empresas que prestam servi­ços de saúde, como hospitais e laboratórios, a prestar informa­ções sobre todos os recibos médicos concedidos para pes­soas físicas. A primeira declaração deve ser entregue em 2011, com dados relativos a 2010. “Vamos punir os que fraudam e liberar os que real­mente têm despesas médi­cas elevadas”, explicou o sub­secretário de Fiscalização da Receita, Marcos Vinícius Neder. (págs. 1 e B1)

Governo tem saldo de R$ 10,7 bi

Favorecidas pela melhora da arrecadação, as contas do Go­verno Central (Tesouro, Banco Central e Previdência) fecha­ram novembro com um superá­vit de R$ 10,7 bilhões, o maior para o mês desde 1995, Apesar disso, o governo terá de abater os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para atingir a meta de superávit primário. (págs. 1 e B4)

Lula oferece 'pacote de bondades' a catadores

O presidente Lula anunciou um “pacote de bondades natalinas” para moradores de rua e catado­res de material reciclável. No centro de São Paulo, Lula disse que haverá crédito presumido de IPI para a empresa que comprar produtos de material reci­clável coletado por cooperati­vas. Além disso, ele disse que o Bolsa-Família será estendido a todos os moradores de rua. Fa­lando em tom de despedida, Lu­la se disse “rei posto” e afirmou que 2010, ano de sua sucessão, será “uma pauleira”. (págs. 1 e A4)

Devolução de S. ao pai é 'crime hediondo', diz avó

Família brasileira tem até 9 horas de hoje para entregar o menino

A avó brasileira do menino S. classificou de “crime hedion­do” a decisão do STF de devol­vê-lo ao pai biológico, o ameri­cano David Goldman. O prazo termina hoje às 9 horas. Silva­na Bianchi estava tentando encontrar um voo para Nova York para dar suporte ao ne­to. Segundo ela, a família ten­ta negociar com Goldman uma transição menos traumá­tica: “Criança não é um pacote que você despacha”. (págs. 1 e C1)

Debate:

Uma decisão que tarda
João A. Wiegerincki (advogado constitucionalista)

A decisão da Justiça so­bre o menino S. G. tarda no quesito da proteção efetiva das condições emocional e psicológica da criança em questão. (págs. 1 e C1)

Criar filho é função dos pais
George W. T. Marcelino (advogado)

A criação de um filho é função dos pais, e somente a eles cabe esse direito. Não é possível conceber, neste caso, que se prive o pai de criar um filho. (págs. 1 e C1)

Gastos com pessoal vão subir 8,6% em ano de eleição

O governo federal terá em 2010, ano eleitoral, orçamento onde a previsão de gasto com pessoal e investimento é maior do que o autorizado para 2009. Pelo rela­tório aprovado terça-feira no Congresso Nacional, o gasto com pessoal e encargos deve crescer 8,6% em 2010, atingin­do R$ 183,75 bilhões. Já o investimento deve se elevar em 5,6%, chegando a R$ 53,53 bilhões, dos quais R$ 29,8 bilhões se refe­rem ao PAC. (págs. 1 e B4)

Notas e Informações: As exorbitâncias do ministro

Ao comentar a decisão do STJ na Operação Satiagraha, o ministro Tarso Genro endossou a tese de que as garantias funda­mentais podem ser atropeladas quando a causa é justa. (págs. 1 e A3)

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Jornal do Brasil

Manchete: Cortes no Orçamento tiram R$ 800 milhões da Copa
Manobra feita por exigência de partidos da oposição prejudica obras em estados-sedes

Mudanças de última hora para a aprovação do Orçamento, por exigência da oposição, causaram uma perda de R$ 800 milhões em investimentos de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014. As emendas derrubadas garantiam o desembolso desse montante, no ano que vem, para a realização de obras em estados que abrigarão jogos do Mundial. O governo ficou refém da oposição por não ter conseguido mobilizar número suficiente de parlamentares aliados para votar em plenário a peça orçamentária, no fim da noite de terça-feira. O relator, deputado Geraldo Magela (PT-DF), havia reservado R$ 1,2 bilhão para atender a pedidos de governadores dos estados-sedes da Copa. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, disse ontem temer um colapso nos aeroportos brasileiros durante o Mundial de 2014, caso as obras a serem entregues naquele ano sofram atrasos. (págs. 1 e País A5 e Esportes A23)

Sean será entregue hoje ao pai biológico

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região determinou ontem que o menino Sean Goldman seja entregue ao pai biológico, o americano David Goldman, até às 9h de hoje. O advogado da família brasileira de Sean admitiu que "a guerra acabou". (págs. 1 e Internacional A19)

Poupança fica sem taxação

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que o governo desistiu de taxar os rendimentos da poupança no ano que vem. E, ao contrário do que disse o presidente Lula esta semana, ele garantiu que as desonerações fiscais têm data para acabar. (págs. 1 e Economia A18)

Coisas da política

O homem de Nazaré e os outros homens. (págs. 1 e A2)

Informe JB

Lula libera Tarso Genro para tocar a campanha. (págs. 1 e A4)

Editorial

Lembranças do radicalismo. (págs. 1 e A10)

Sociedade Aberta

Deonísio da Silva
Escritor

Primeiro Jesus, depois Papai Noel. (págs. 1 e A11)

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Correio Braziliense

Manchete: 1 milhão cai na malha fina da Receita Federal
O Leão está com apetite. A Receita Federal quer mais detalhes do Imposto de Renda de um milhão de contribuintes. O contingente recorde de pessoas na malha fina coincide com a queda na arrecadação do governo. Quem não recebeu a restituição deve procurar uma das agências do fisco ou verificar no site da Receita se existem erros ou pendências na declaração. (págs. 1 e 11)

Foto-legenda: A serenidade de José Alencar

Aos 78 anos, José Alencar é discípulo de três virtudes: a humildade, a perseverança e a gratidão. Em ótima fase no tratamento contra o câncer, o vice-presidente da República agradece as manifestações de apoio e tem dúvidas se é merecedor de tanta solidariedade. Lembra os momentos críticos na batalha contra a doença, como a cirurgia de 18 horas a que se submeteu. “Não podia me entregar e não me entreguei hora nenhuma”, conta em entrevista ao Correio. Ele pretende concorrer ao Senado em 2010, “se Deus me curar”, disse. (págs. 1, 2 e 3)

Natal no saguão

Falência de companhia aérea espanhola impede que 7 mil pessoas deixem Madri pelo aeroporto internacional. Há cerca de 1,5 mil brasileiros no grupo. Boa parte deles deve voltar para casa até sábado. (págs. 1 e 16)

Caixa de Pandora: Prudente sai do DEM para não ser expulso

O deputado distrital das meias com propina comunicou em carta a desfiliação do DEM. Mas garante que em janeiro reassume a Presidência da Câmara Legislativa. (págs. 1 e 25)

Concurso: DNPM abre 256 vagas

Órgão do Ministério de Minas e Energia pagará salários entre R$ 1.517 e R$ 3.058. Inscrições vão até 31 de janeiro. (págs. 1 e 13)

UnB: Confira os gabaritos

Quem discordar do resultado de alguma questão do vestibular só tem até domingo para apresentar recurso. (págs. 1 e 24)
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http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
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Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

XÔ! ESTRESSE [In:] NO MÍNIMO, VERGONHOSO!!!

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[Homenagem aos chargistas brasileiros].
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GOVERNO LULA: JÁ É TEMPO DE ''RETROSPECTIVA 2009''

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A celebração da ignorância é um insulto aos pobres que estudam


26 de agosto de 2009

“Eu cheguei à Presidência mesmo sem ter um curso superior”, repetiu Lula a frase que nasceu como pedido de desculpas, tornou-se desafio, foi promovida a motivo de orgulho e acabou virando refrão do hino à ignorância. Talvez até quando eu deixar a Presidência possa até cursar uma universidade”, disse nesta terça-feira o único chefe de governo do mundo que não sabe escrever e nunca leu um livro.

Desse perigo estão livres os professores universitários. Lula evita livros e cadernos como o Superman evita a kriptonita. Longe do trabalho duro há 30 anos, não estudou porque não quis. Tempo teve de sobra. Vai sobrar mais tempo ainda quando sair do Planalto, mas continua sobrando preguiça. E ele entende que foi formalmente dispensado de aprender qualquer coisa pelos companheiros que sabem juntar sujeito e predicado.

A lastimável formação escolar foi tratada como pecado venial até que o crítico literário Antonio Cândido ensinou que, dependendo do portador, ignorância é virtude. “Essa história de despreparo é bobagem”, decretou há dois anos, entre um ensaio e a leitura de um clássico, o professor que não perdoava sequer cacófatos. ”Lula tem uma poderosa inteligência e uma capacidade extraordinária de absorver qualquer fonte de ensinamento que existe em volta dele ─ viajando pelo país, conversando com o povo, convivendo com os intelectuais”.

Amigo do fenômeno há 20 anos, Antônio Cândido descobriu um doutor de nascença. ”Nunca vi Lula ser um papagaio de ninguém”, garantiu. “Nunca vi Lula repetir o que ouviu. Ele tem uma grande capacidade de reelaborar o que aprende. E isso é muito importante num líder”. O líder passou a reelaborar o que aprende com tal desembaraço que anda dando lições a quem sabe.

Em junho, numa entrevista à RBS, explicou que a ministra Ellen Gracie não conseguiu o emprego no Exterior porque não estudou como deveria. “Mas ela é moça, ainda tem tempo”, consolou-a. Em julho, enquadrou os críticos do programa que provocou o sumiço da miséria, o extermínio da fome e a promoção de todos os pobres a brasileiros da classe média.

“Alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola, é assistencialismo, é demagogia e vai por aí afora”, decolou o exterminador de plurais. “Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala ‘o Bolsa Família é pra deixá as pessoas preguiçosa porque quem recebe não quer mais trabalhá”. Quem discorda do presidente que ignora a existência da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, reincidiu, ”é uma pessoa ignorante ou uma pessoa de má-fé ou uma pessoa que não conhece o povo brasileiro”.

Povo é com ele, gabou-se outra vez nesta terça-feira. No meio da aula, recomendou o estudo de português. ”É muito importante para as crianças não falarem menas laranjas, como eu”, exemplificou. Mas não tão importante assim: ”Às vezes, o português correto as pessoas nem entendem. Entendem o menas que eu falo”.

Mesmo os que não se expressam corretamente entendem quem fala menos. Não falta inteligência ao povo. Falta escola. Falta educação. Falta gente letrada com disposição e coragem para corrigir erros cometidos por adultos que nasceram pobres. Lula deixou de dizer menas quando alguém lhe ensinou que a palavra não existe. O exemplo que invocou foi apenas outra esperteza. Poucas manifestações de elitismo são tão perversas quanto conceder a quem nasce pobre o direito de nada aprender até a morte.

Milhões de meninos muito mais pobres do que Lula foi enfrentam carências desoladoras para assimilar conhecimentos. A celebração da ignorância é sobretudo um insulto aos pobres que estudam. É também uma agressão aos homens que sabem. Num Brasil pelo avesso, os que aprenderam português logo terão de pedir licença aos analfabetos para expressar-se corretamente, e os que estudaram em Harvard esconderão o diploma no sótão.

A boa formação intelectual não transforma um governante em bom presidente. Mas quem se orgulha da formação indigente e despreza o conhecimento só se candidata a estadista por não saber o que é isso. Lula será apenas outra má lembrança destes tempos estranhos.

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http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-celebracao-da-ignorancia-e-um-insulto-aos-pobres-que-estudam/
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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"

23 de dezembro de 2009

O Globo

Manchete: Governo dá aumento real a aposentados até para 2011
Lula já compromete orçamento do sucessor com bondades à véspera do ano eleitoral

O presidente Lula assina hoje medida provisória que garante reajuste de 6,15% às pensões e aposentadorias do INSS superiores ao salário mínimo a partir de 1º de janeiro. A novidade é que o benefício, que já estava previsto pelo governo, não se limitará a 2010. Será concedido também em 2011, quando Lula não será mais presidente. A conta ficará para o próximo ocupante do Palácio do Planalto. O cálculo de reajuste inclui a inflação deste ano mais 50% da variação do PIB de 2008 e representa um ganho real de 2,5%. Outra medida provisória, que também será assinada hoje por Lula e passará a valer em 1° de janeiro, fixa o novo salário mínimo em R$ 510. (págs. 1 e 3)


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou a possibilidade de a eleição de 2010 afetar a economia, como previu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em entrevista ao GLOBO domingo. (págs. 1 e 27)

EUA e Brasil dão sinais de fim da crise

Após quatro trimestres de retração, a economia americana registrou, entre junho e setembro deste ano, crescimento de 2,2% - no entanto, abaixo dos 2,8% previstos. No Brasil, a retomada da atividade econômica fez com que novembro de 2009 registrasse a maior arrecadação da história para este período do ano: R$ 72 bilhões, com crescimento de 26,39% em relação ao ano passado. (págs. 1, 28 e 29)

Míriam Leitão
Governo Lula chega ao último ano sem entender a diferença entre prestar contas e fazer propaganda. (págs. 1 e 28)

Metrô longe da glória

Um dia depois de inaugurações de Lula, sistema vive caos

Foi um caos no metrô o primeiro dia depois da festa de Lula e Cabral para inaugurar a Linha 1A, que liga a Pavuna a Botafogo sem a necessidade de trocar de trem no Estácio. Por falta de informação, os passageiros fizeram baldeação na Estação Glória, justamente a menor de todo o trajeto, o que provocou superlotação, tumulto e revolta. O intervalo entre os trens, normalmente de quatro minutos, chegou a ser de 15. Uma viagem da Pavuna a Botafogo — que dura 40 minutos — levou uma hora e meia. Em comunicado, o Metrô Rio pediu desculpas e mudou o horário das conexões na Linha 1A. (págs. 1, 12 e 13)

Foto legenda: Mulher desmaia no meio da confusão que virou a Estação Glória, no primeiro dia da nova linha

Artur Xexeu: Dilma vence a primeira eleição

Em uma prova de seu potencial eleitoral, a superexposta ministra, maestra do apagão e de frases como “O meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento” foi eleita a Mala do Ano de 2009, no tradicional certame promovido pelo colunista Artur Xexéo. Logo atrás, Caetano Veloso e Eike Batista também sobem ao pódio. (págs. 1 e Segundo Caderno)

Temer: PMDB só fica com PT tendo vice

Presidente da Câmara, Michel Temer disse que Ciro Gomes (PSB) ataca o PMDB porque quer ser vice de Dilma Rousseff. Mas o PMDB só garante aliança se indicar o vice, disse a Jorge Bastos Moreno. (págs. 1 e 10)

2010 avança em metáforas futebolísticas

O presidente Lula voltou a provocar José Serra para, recorrendo a metáforas futebolísticas, dizer que ele não seria bom técnico. A oposição e o PT reagiram à frase de Lula sobre dois Tostões (Serra e Aécio). (págs. 1 e 9)

Microsoft está impedida de vender Word

Acusada de piratear programas de empresa canadense, a Microsoft foi impedida pela Justiça americana de vender seu editor de textos Word em janeiro e terá de pagar US$ 290 milhões de multa. (págs. 1 e 31)

Presidente do STF entrega Sean ao pai (págs. 1 e 16)

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Folha de S. Paulo

Manchete: PAC terá mais R$ 7 bi no ano eleitoral

Orçamento para 2010 reserva R$ 29,8 bi para obras do programa; é o maior volume desde sua criação, em 2007

Com a ajuda do Congresso, o governo federal turbinou o Programa de Aceleração do Crescimento para o ano eleitoral, reservando para ele R$ 29,8 bilhões no Orçamento de 2010. A proposta orçamentária foi aprovada no fim da noite de ontem.

O total de recursos incluídos no texto do Orçamento é o maior do PAC. Ele supera em 80% os R$ 16,59 bilhões aprovados para 2007, ano da criação do programa.

O texto encaminhado pelo governo previa R$ 22,5 bilhões para 2010. Ao redigir a proposta orçamentária, porém, o deputado Geraldo Magela (PT-DF) inflou em R$ 7,3 bilhões o montante destinado às obras de infraestrutura vistas como prioritárias pelo Planalto.

Desde 2007, a atual ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, está incumbida de gerir o PAC. (págs. 1 e B1)

Foto legenda: Rio de gente

Passageira é socorrida depois de desmaiar no metrô do Rio; com trens sem condições de operar, inauguração de novo trajeto, que agora também chega a Ipanema, teve atraso e tumulto (págs. 1 e C6)

Decisão do STJ favorece cotistas do Opportunity

A decisão do Superior Tribunal de Justiça que sustou o processo da Operação Satiagraha beneficiou ao menos 62 cotistas do Opportunity Fund, de Daniel Dantas, suspeitos de lavagem de dinheiro e de outros crimes.

Para Arnaldo Esteves Lima, do STJ, que concedeu a liminar, a medida foi "rotineira" e "não altera nada" no processo. Ele disse que a decisão final sobre a ação do juiz Fausto De Sanctis só sairá em fevereiro. (págs. 1 e A4 a A7)

Presidente do STF ordena a devolução de Sean, 9, ao pai

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, cassou liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello que mantinha Sean Goldman, 9, no Brasil ao menos até fevereiro e ordenou que ele seja entregue ao pai, o americano David Goldman.

Sean terá de ser entregue ao consulado dos EUA. Sua guarda vem sendo alvo de uma disputa judicial entre o pai e a família da mãe brasileira, morta em 2008. (págs. 1 e C1)

Retomada faz a arrecadação voltar a crescer

Pela primeira vez desde o último trimestre de 2008, a arrecadação federal cresceu. Em novembro, alcançou o maior valor para o mês. Somou R$ 72 bilhões, aumento real de 26,4% ante igual período do ano passado.

Segundo a Receita, resultado consolida a reversão de tendência de queda. (págs. 1 e B1)

"Transferência" de Lula pode igualar Dilma a tucano

Há 15% da população que não declara adesão a Dilma, mas diz que votaria no candidato de Lula. Mas, para isso, há que considerar as variáveis que agem sobre o processo eleitoral. (págs. 1 e A9)

Fogaça e Tarso lideram intenção de voto no RS

José Fogaça (PMDB), prefeito de Porto Alegre, e Tarso Genro (PT), ministro da Justiça, ambos com 30%, lideram as intenções de voto para o governo gaúcho, diz o Datafolha. No PR, Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT) empatam tecnicamente na frente; em SC, Ângela Amin (PP) lidera. (págs. 1 e A8)

Cotidiano: Acidente com barco no rio Amazonas causa ao menos sete mortes (págs. 1 e C8)

Editoriais

Leia "Mais do mesmo", sobre eleição no DF; e "Medidas contra enchente", acerca de área permeável em prédios. (págs. 1 e A2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Receita bate recorde e Lula defende carga de impostos

Arrecadação é de R$ 72 bi em novembro; presidente fala em 'Estado forte’

A arrecadação de impostos federais atingiu em novembro sua maior marca no ano, superando as expectativas do mercado: foram R$ 72,090 bilhões, crescimento real de 26,39% ante novembro de 2008, o que comprova a retomada da atividade econômica depois da crise internacional. A arrecadação refletiu ainda a continuação da transferência de depósitos judiciais e a adesão de empresas a programa de parcelamento de dívidas. A Receita espera que dezembro possa representar a recuperação das perdas do ano por causa da crise. Em encontro com exportadores, o presidente Lula disse que não pretende reduzir impostos, porque o Estado deve ser “forte”. "Vou deixar claro para vocês: não imaginem um país com carga tributária fraca. Não tem um pais do mundo em que o Estado possa fazer algo sem uma carga tributária razoável." (págs. 1 e B1)

Número R$ 7,2 bilhões foi o peso dos depósitos judiciais na arrecadação da Receita Federal em novembro

Foto legenda: No clima - Moradores de Manguinhos, na zona norte do Rio, tentam tocar o presidente Lula, após inauguração de obras do PAC. (págs. 1 e A8)

BC vê risco de inflação e indica alta de juro

O consumo deve puxar o crescimento de 5,8% em 2010, segundo o Relatório de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central. A aceleração da atividade econômica, porém, preocupa o BC, que agirá "preventivamente" contra a inflação, projetada em 4,6% para o ano. O porcentual é ligeiramente acima do centro da meta, fixada em 4,5%, e da previsão de 4,4% do relatório de setembro. O mercado viu sinais de alta de juro. (págs. 1 e B3)

Frase
Mário Mesquita, Diretor do Banco Central:
"As autoridades devem ter em mente que prevenir é melhor que remediar, porque a inflação tem persistência maior no País"

Salário mínimo de R$ 510 vai sair por MP

O governo federal vai reajustar em 9,67% o salário mínimo, que subirá para R$ 510 em 1º de janeiro. O reajuste será garantido por medida provisória, publicada hoje. O aumento injeta R$ 26,6 bilhões na economia em 2010, segundo o Dieese. (págs. 1 e B5)

PF mira ONG da mulher de Arruda

Polícia busca mais provas no DF

Em novos mandados cumpridos ontem, a Polícia Federal ampliou o cerco em torno do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, na Operação Caixa de Pandora - esquema de propina no DF. Um dos alvos foi a ONG presidida pela mulher de Arruda, Flávia Peres. (págs. 1 e A4)

Tarso critica decisão a favor de Dantas

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que a decisão do STJ em favor do banqueiro Daniel Dantas, na Operação Satiagraha, pode levar à conclusão de que "poderosos no Brasil dificilmente vão para a cadeia". (págs. 1 e A6)

EUA têm 'czar' contra terror cibernético

O presidente dos EUA, Barack Obama, nomeou seu “cyber czar", responsável pelo programa de segurança digital no governo. Howard Schmidt lidará com ameaças de espionagem, invasão de sistemas bancários e terror cibernético. (págs. 1 e A10)

Foto legenda: Acidente: morte no rio Amazonas

Naufrágio - Barco com mais de 100 passageiros afunda no Rio Amazonas e mata 7 no Pará. (págs. 1 e C1)

Meio ambiente: Vale do Paraíba não quer parque

Parque Nacional Altos da Mantiqueira englobaria 16 municípios. (págs. 1 e A16)

Notas e Informações: Austeridade zero em 2010

O governo não fará esforço para controlar gastos no ano eleitoral, mas Lula promete manter a "política fiscal séria". (págs. 1 e A3)
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http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
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Terça-feira, Dezembro 22, 2009

XÔ! ESTRESSE [In:] COP-15 (PASSADO); COPO-51 (PRESENTE)

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[Homenagem aos chargistas brasileiros].
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TEMPOS MODERNOS: DISQUE ''666''

publicado em 22/12/2009 às 06h00:
Cacique Cobra Coral faz convênios comprefeituras para ajudar a prevenir catástrofes

Fundação esotérica faz previsões meteorológicas para os governos do Rio, SP, RS e SC

Andréia Sadi, do R7

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Reprodução
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Foto por Reprodução
Convênios exibidos no portal da Cacique Cobra Coral com prefeituras

Quando os problemas do dia a dia apertam, muita gente recorre aos astros para saber o que fazer e que solução tomar. Para prevenir catástrofes, alguns políticos brasileiros também deixam de lado a rotina burocrática e conselhos de assessores técnicos e pedem socorro à Fundação Cacique Cobra Cobral, conhecida por fazer uma série de previsões meteorológicas e também sobre a política nacional.

Foi o que aconteceu no apagão, em novembro deste ano, quando o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), chegou a pedir que a fundação fosse ouvida para explicar o blecaute que deixou 18 Estados no escuro ao alegar que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, estava “blindada” pelo governo.

- Foi uma ironia, brincadeira, que eu fiz. Eu disse que queria uma explicação decente, coerente, ouvindo técnicos ou a gente tem que brincar de chamar a Fundação Cobra Coral, mas não ia levar uma coisa dessa a sério.

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Uma pesquisa do R7 feita no portal da fundação mostra que ela firmou um convênio com a Prefeitura do Rio, comandada por Eduardo Paes (PMDB), em fevereiro deste ano por 12 meses para “minimizar a ocorrência de possíveis fenômenos climáticos adversos” na cidade. Procurada pela reportagem, a assessoria do prefeito confirmou que a fundação presta serviços não remunerados para a prefeitura.

- Já tinha esse convênio na gestão anterior [do ex-prefeito Cesar Maia] e foi mantido. Eles emitem alertas sobre a meteorologia e o convênio existe. Não tem custo para a prefeitura. Quanto mais ajuda, melhor.

Na época em que o atual governador de São Paulo, José Serra, esteve no comando da Prefeitura de São Paulo, em agosto de 2005, a fundação foi parceira da cidade. O decreto 45.683/05 publicado no Diário Oficial diz que a previsão, “totalmente isenta de ônus”, seria para prevenir “casos de calamidade, tais como “ inundações, secas, geadas, vendaval”, entre outros.

A assessoria do governador disse que a informação deveria ser confirmada pela Prefeitura. O R7 entrou em contato com a assessoria de Gilberto Kassab, que confirmou o convênio à época, ficou de checar se a parceria ainda existe, mas não retornou até a publicação da reportagem.

Os governos do Rio Grande do Sul, em 2005, e Santa Catarina, em 1992, também usaram os serviços da fundação para prevenir catástrofes ambientais, informa o site da entidade. Procurada pela reportagem, a assessoria da Fundação Cacique Cobra Cobral disse que está de férias e só retoma entrevistas em janeiro.
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http://noticias.r7.com/brasil/noticias/cacique-cobra-coral-socorre-politicos-e-faz-convenios-com-prefeituras-para-prevenir-catastrofes-20091222.html
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ELEIÇÕES 2010 (ILHA DE VERA CRUZ): ... NEM O ''JEGUE'' É ''PO'' * (Os demais são europeus...)

Lula ironiza chapa tucana puro-sangue

Lula minimiza chapa puro-sangue


Autor(es): Vera Rosa e Beatriz Abreu
O Estado de S. Paulo - 22/12/2009

Uma chapa puro-sangue com os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas) pode não surtir o efeito desejado. Foi assim, minimizando a possibilidade de composição na seara do PSDB para a eleição de 2010, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaixou ontem a disputa ao Palácio do Planalto em suas metáforas futebolísticas.

"Eu não sei se dois Coutinhos, dois Tostões se saem bem no mesmo time", brincou ele, em café da manhã com jornalistas. "Tenho dúvidas se é bom jogar Tostão com Tostão, Coutinho com Coutinho e Dirceu Lopes com Dirceu Lopes. Não sei se daria certo."

Lula adotou tom cauteloso ao comentar a desistência de Aécio do páreo presidencial, abrindo caminho para Serra. "Parece que foram razões internas. Não sei se isso é definitivo, se foi uma forma de pressão ou um gesto para dentro do PSDB", argumentou ele. Depois, disse que vai conversar com Serra amanhã, em São Paulo, e com Aécio depois das festas de fim de ano. "Eu me dou muito bem com os dois", afirmou, rindo.

Embora o presidente diga que uma chapa puro sangue no PSDB em nada afetaria a campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), dirigentes do PT avaliam que eventual dobradinha entre os governadores dos dois maiores colégios eleitorais seria perigosa.

Menos de um mês depois de afirmar que o PMDB precisa apresentar uma "lista tríplice" para Dilma escolher quem será o candidato a vice de sua chapa ao Planalto, Lula jogou água na fervura da crise. Fez vários elogios tanto ao PMDB como ao presidente da Câmara, Michel Temer (SP), cotado para ocupar a vaga ao lado de Dilma.

"O PMDB é o maior partido da base aliada e tem todo o direito de indicar o vice", corrigiu Lula. "Agora, quem é candidato é a Dilma, não sou eu. Rei morto, rei posto, nem vento bate nas costas. É ela que tem de escolher o vice." Sem economizar nos afagos, disse que Temer é "um grande companheiro e um grande presidente da Câmara."

POLARIZAÇÃO

Visivelmente mais magro - mas sem contar quantos quilos perdeu -, Lula insistiu em pregar a polarização entre Dilma e Serra, em 2010. Mais: garantiu que Dilma, se eleita, manterá a política econômica e o controle da inflação - "uma coisa preciosa".

Lula também não poupou elogios a Ciro Gomes (PSB-SP). Disse que ele é "como se fosse um irmão" e quer sua candidatura à sucessão de Serra, com apoio do PT. O deputado, porém, resiste. "Se eu perceber que o jogo político não comporta mais de um candidato da base aliada à Presidência, tenho de ser leal e discutir isso com Ciro", comentou. Ao ser questionado sobre uma afirmação de Ciro, para quem o PT e o PMDB fizeram a "aliança do mal", Lula escapou da polêmica. "Temos de fazer aliança com os partidos que existem no Brasil. Não podemos fazer aliança com partidos extraterrestres", reagiu.
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(*) ''PO'' (Puro de origem).
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GOVERNO LULA [In:] AOS APOSENTADOS, PIJAMAS E ''HAVAIANAS''

Arrocho nos aposentados

Lula fecha o caixa da Previdência


Autor(es): Tiago Pariz
Correio Braziliense - 22/12/2009


Presidente avisa que só dará reajuste de 2,5% acima da inflação a 8 milhões de segurados do INSS

Cadu Gomes/CB/D.A Press - 5/12/07
Costurada por Luiz Dulci, proposta governista tem o apoio da CUT e da Força Sindical


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula rechaçou ontem a possibilidade de conceder a todos os aposentados o reajuste aplicado no caso do salário mínimo. Citou como razões a necessidade de manter em equilíbrio as contas públicas e o deficit da Previdência Social. No mesmo café da manhã em que fechou a porta para a negociação com os segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Lula deu a entender que manterá em vigor algumas bondades, como incentivos tributários para determinados setores da economia e a contratação de servidores para a administração pública.

Segundo o presidente, o governo não fará concessões na proposta já apresentada. A ideia do Planalto é dar um aumento, em janeiro, de 6,19% — ou 2,5% acima da inflação — para cerca de 8 milhões de aposentados e pensionistas do INSS que ganham mais de um salário mínimo por mês. O percentual corresponde à metade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) registrado em 2008 mais a inflação projetada para este ano. Em 2011, haveria novo reajuste, equivalente à inflação de 2010 e 50% da expansão do PIB em 2009.

Já o salário mínimo saltará em janeiro de R$ 465 para pelo menos R$ 506, acréscimo de 8,81%. Relator-geral do Orçamento da União de 2010, o deputado Geraldo Magela (PT-DF) disse que a oferta do governo para os aposentados, se aceita, resultará num custo adicional de R$ 3,5 bilhões. O dinheiro já foi reservado na proposta de lei orçamentária em tramitação no Congresso. Magela ressaltou, no entanto, que trabalha para chegar a R$ 510 como o novo valor do mínimo.

Funcionalismo

Como o clima era de confraternização no café da manhã com jornalistas, Lula comparou a demanda de aposentados a um pedido de seu filho para ir ao exterior quando era adolescente.

Lembrou que quando negou ao menino, com 12 anos na época, uma viagem a Miami com a escola, explicou que não tinha dinheiro e não poderia contrair dívidas. “A Previdência tem um limite que é a arrecadação”, disse Lula. O presidente rejeita dar o aumento desejado pelos aposentados por entender que a proposta prejudica a política de valorização do salário mínimo, que prioriza os trabalhadores da ativa, os quais ainda contribuem para a Previdência Social. Os negociadores do governo no caso são o ministro da Previdência, José Pimentel, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci. Os dois contam com o apoio da Força Sindical e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Entidades setoriais, como a Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Copab), rejeitam o acordo. Eles pedem, pelo menos, 80% do crescimento econômico, e não 50%. O grupo reúne outras cinco centrais mais modestas. Enquanto fechou a mão para os aposentados, Lula mostrou-se disposto a conceder aumentos salariais aos servidores públicos. Ele disse que não haverá arrocho para conter gastos nessa área. “A máquina pública foi desmantelada, destruída e está atrofiada. Os funcionários públicos do alto escalão estavam porcamente remunerados”, disse.



O número

R$ 3,5 bilhões
Custo do aumento prometido pelo governo.

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BRAS-ILHA: ... MAIS UMA RETROSPECTIVA

Retrato em 3×4 das mulheres que conquistaram o coração do poder

11 de novembro de 2009
primeiras-damas

Yolanda Costa e Silva, Ruth Cardoso, Maria Tereza Goulart e Marisa Letícia

Dona Santinha era mulher opiniática, mas ficava longe da política. Guardava-se para as coisas da religião, baixando pareceres burilados em conversas com parceiras de corte, costura e carolice, que reunia em tertúlias no Palácio Guanabara ou nas audiências sem testemunhas com dignitários da Igreja Católica. Ao casar-se com o tenente Eurico Gaspar Dutra, a carioca Carmela Telles Leite, viúva de outro militar, tinha 30 anos e dois filhos. Já ostentava o apelido que canonizou em vida essa feroz guardiã dos bons costumes. Em 1946, não lhe foi difícil induzir o marido presidente, devoto de Santo Antônio, a decretar o fechamento dos cassinos do Brasil.

Darcy Vargas, primeira-dama antes e depois de Carmela Dutra, a Dona Santinha, nunca perdeu tempo com essas coisas. Padroeira da linhagem dedicada ao trabalho social, a mulher de Getúlio consolidou a Legião Brasileira de Assistência e criou a Casa do Pequeno Jornaleiro. Tais iniciativas parecem tímidas demais se confrontadas com a inventividade tentacular da Comunidade Solidária dirigida por Ruth Cardoso, a única entre todas com profissão definida, luz própria e mente brilhante. Mas o Brasil do casal Vargas, pobre e injusto como todos os Brasis, era mais singelo.

Getúlio Vargas viajou para o Exterior uma única vez, e não foi além da Argentina. O presidente Fernando Henrique Cardoso somou mais horas de vôo que muito comandante de jato. FH divertiu-se com espetáculos refinados em distintos idiomas. A Getúlio bastava um bom teatro rebolado, sobretudo se a estrela era Virginia Lane, ”A Vedete do Brasil”. Virginia contou que, embora não tratasse de política nos encontros com Getúlio, teve a honra de conviver intimamente com ”o maior estadista da República”. Não revelou os quesitos que fundamentaram seu julgamento nem o peso atribuído a cada um.

Darcy e Ruth figuram na ala amplamente majoritária das primeiras-damas afinadas com a sobriedade requerida pelo posto. Embora diferentes no nível cultural, no grau de influência exercida sobre o marido em conversas a dois, no interesse por assuntos públicos, o temperamento reservado agrupa na mesma página da História mulheres como Sarah Kubitschek, Eloá Quadros, Scylla Medici, Lucy Geisel e Marli Sarney, além de Darcy Vargas, Santinha Dutra e Ruth Cardoso. Maria Tereza Goulart, a mais jovem, mais bela e mais injustiçada entre todas, foi apenas a perplexidade em palácios inseguros. E há, magnificamente jeca, o bloco das deslumbradas.

A madrinha é Yolanda Costa e Silva. Em Paris, às margens do Sena, Yolanda disse ao general Arthur, presidente eleito, uma das frases do século: ”Quem diria, hein, Costa? Nós aqui e você Presidente da República”. (Além de tudo, ela chamava o marido pelo sobrenome). Dulce Figueiredo requisitava o avião presidencial para decolar rumo ao Rio e dançar em festas abrilhantadas pela presença do ator Omar Shariff. Rosane Collor levou para o centro do poder o sertão alagoano.

Marisa Letícia Lula da Silva não tem similares. Instalar a primeira-dama num gabinete do Planalto foi idéia de Duda Mendonça, convencido de que isso sublinharia a imagem do casal unido. Duda não aparece por lá faz tempo. Marisa continua, cada vez mais à vontade. Como quer distância de programas sociais, falta serviço e sobra tempo para tudo. Para entrar sem bater no gabinete do marido, para infiltrar floridas estrelas vermelhas nos jardins do Alvorada e da Granja do Torto tombados pelo Patrimônio Histórico e, sobretudo, para viajar com o presidente.

Como Lula se tornou o maior campeão de milhagem da História da República, Marisa Letícia divide com o marido o recorde que inspirou o título pelo qual será lembrada: Primeira Passageira. Pousos e decolagens pelos cinco continentes a aconselharam a restringir o mapa dos passeios a paragens especialmente glamurosas. A África está fora desde 2007. É diminuto o espaço reservado à América Latina e aos países do Leste europeu. A primeira-dama fez a opção preferencial por Paris e Roma. Não fala nenhum outro idioma, mas conseguiu a cidadania italiana e o passaporte que lhe permite viajar ─ em silêncio ─ pelo mundo civilizadíssimo.

Nunca houve uma primeira-dama assim. Nem haverá.

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BRASIL: MAIS UMA ''RETROSPECTIVA''

SEÇÃO » Homem sem Visão

Dilma manda passar o terninho. Amorim e Tarso disputam voto a voto a medalha de prata



21 de dezembro de 2009


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A poucas horas da festa de premiação do maior evento cívico de 2009, a Comissão Organizadora do Homem sem Visão do Ano compilou algumas singularidades da disputa que já tem campeã ─ Dilma Rousseff, a Pacheco de Terninho ─ mas ainda não definiu o nome do vice. No momento, com a votação avançando para a histórica marca dos 4.000 votos, Tarso Genro luta para eliminar a reduzida diferença que o separa de Celso Amorim e conquistar a medalha de prata. Para diminuir a tensão dos leitores-eleitores e dos concorrentes, a coluna divulga a lista montada pela Comissão Organizadora.

O berço dos HSVs - Dos seis Estados representados na eleição, três emplacaram trincas de campeões: Rio Grande do Sul (Marco Aurélio Garcia, Tarso Genro e João Pedro Stedile), Minas Gerais (Dilma Rousseff, Edmar Moreira e Joaquim Barbosa) e São Paulo (Celso Amorim, Aloísio Mercadante e José Antonio Toffoli). Os candidatos restantes são filhos de Sergipe (Ayres Britto), de Pernambuco ( Dom José Cardoso Sobrinho) e do Maranhão (José Sarney).

Berço de feras - Dos três paulistas, dois brincaram na mesma rua, frequentaram a mesma praia, tomaram sorvete na mesma sorveteria e faltaram às aulas nas mesma escolas. Ambos nascidos em Santos, Celso Amorim e Aloízio Mercadante não foram amigos de infância pela diferença de idade, mas os caprichos do destino acabaram por reuni-los no mesmo governo, no mesmo partido e na mesma finalíssima. Bonito, isso.
Não para a terra natal, acha a Câmara de Vereadores de Santos: num manifesto aprovado por unanimidade, o legislativo municipal comunicou nesta tarde que a boa gente da aprazível cidade litorânea não tem nada a ver com isso.

O decano e o caçula - Com 79 anos, Sarney é o mais idoso dos concorrentes. O mais novo é Toffol, com 42. Dono da maior votação individual do ano (973 votos em junho), Madre Superiora é um dos três representantes do Poder Legislativo.

Grupo de elite - Computados mais de 3.600 votos, os três primeiros colocados, todos produzidos pela montadora do Executivo, somavam 60% do total. O índice sobe para 90% se forem incluídos os três seguintes.

Mulher é o Homem - Única mulher a conquistar uma vaga na finalíssima, Dilma Rousseff estreou nas urnas com o pé direito: a caminho dos 1.000 votos, já garantiu o troféu de 2009. Ao ganhar a disputa de agosto, a filhote do Lula exigiu que o título não fosse adaptado às circunstâncias. ”Não quero ser a Mulher sem Visão do Ano”, explicou. ”Quero ser o Homem sem Visão do Ano, porque isso vai mostrar que uma mulher pode ser presidenta das brasileiras e também dos brasileiros”. Um assessor confidenciou que a versão feminina de Pacheco já mandou passar o terninho de gala que usará na cerimônia de premiação.

A luta está chegando ao fim, mas continua! A enquete só tem fera! Que os três piores subam ao pódio! E que vença o pior!

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MEIO AMBIENTE: AINDA O ''COP-15''

Entrevista: Bjorn Lomborg

Podemos fazer melhor

O principal representante dos céticos diz que o combate ao aquecimento global tem de se basear em tecnologia, e não em mudanças no consumo


Ronaldo França, de Copenhague

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Andres Birch/Laif/Other Images
"Não sou um cético da ciência,
sou um cético das políticas
de combate ao aquecimento global"
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O cientista político dinamarquês Bjorn Lomborg, de 44 anos, não tem carro. Usa bicicleta ou metrô para se deslocar em Copenhague. Lomborg é um dos mais respeitados entre os pesquisadores céticos em relação aos efeitos catastróficos do aquecimento global. Seus livros e artigos provocam a ira de ambientalistas, mas seus argumentos afiados também são ouvidos com atenção pelos cientistas. Sua descrença se dá em torno da histeria criada acerca do assunto e do que se pretende fazer para solucionar o problema da elevação da temperatura. "Não sou um crítico da ciência que prova o aquecimento. Sou um crítico da política de combate ao aquecimento." Ele concedeu a seguinte entrevista a VEJA na sede da COP15, em Copenhague.

Qual foi o estrago do "climagate", o escândalo do vazamento de e-mails em que cientistas confessam a manipulação de dados para reforçar a tese do aquecimento global?
O que está claro é que havia uma inclinação evidente para não compartilhar dados com pesquisadores cujos trabalhos não reforçariam a teoria do aquecimento global. Possivelmente, os dados foram mascarados, o que não significa exatamente uma falsificação.

Sim, mas mascarar dados não é suficiente para invalidar toda a pesquisa?
Não. É um erro achar que esse escândalo invalida todo o trabalho que os cientistas do clima produziram nas duas últimas décadas. O aquecimento global está aí. É um desafio.

Então, o senhor aconselha a esquecer o episódio e continuar levando seus autores a sério?
Não é isso. O escândalo não pode ser considerado apenas uma tempestade em copo d’água. O que eles fizeram é muito sério e perturbador. Tem implicações muito maiores. Esses cientistas formam uma máfia que se apossou da questão do clima. Tive muitos problemas com essa máfia do clima. Quando estava escrevendo meu livro, tentei me corresponder com alguns daqueles pesquisadores que detinham dados pelos quais eu tinha interesse. Recebi de volta algumas mensagens em cujo campo de destinatário eu fui incluído por engano. Foram mensagens reveladoras. Elas diziam: "Esse homem é perigoso. Não forneçam nenhum dado a ele. Devemos ter cuidado em não deixar que nossas informações apareçam em pesquisas públicas".

Por que o senhor é cético em relação às previsões sobre o aquecimento global?
Discordo da forma como as discussões sobre esse tema são colocadas. Existe a tendência de considerar sempre o pior cenário – o que aconteceria nos próximos 100 anos se o nível dos mares se elevar e ninguém fizer nada. Isso é irreal, porque é óbvio que as pessoas vão mudar, vão construir defesas contra a elevação dos mares. No entanto, isso é só uma parte do que tenho dito. Sou cético em relação a algumas previsões, sim. Mas sou cético principalmente em relação às políticas de combate ao aquecimento global. O problema principal não é a ciência. Precisamos dos cientistas. A questão é que tipo de política seguir. E isso é um aspecto econômico, porque implica uma decisão de gastar bilhões de dólares de fundos sociais. Em outras palavras, não sou um cético da ciência do clima, mas um cético da política do clima. Basicamente, digo que não estamos adotando as melhores políticas porque não estamos pensando onde gastar o dinheiro para produzir os maiores benefícios.

"ONGs verdes querem mudar a natureza humana, dizendo que não se deve querer ter ou gastar mais. É muito difícil. Prefiro ter tecnologia e fazer o que quiser, mesmo emitindo CO2"

O relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU) diz que a humanidade é "provavelmente" responsável pelo aquecimento. O que significa esse "provavelmente"?
Os cientistas estão dizendo que têm 90% de certeza. Que há fortes evidências de que somos responsáveis em pelo menos 50% pela elevação da temperatura. É a partir daí que temos de elaborar as políticas. Se a maior parte dos cientistas diz que algo provavelmente vai acontecer, temos de agir de acordo com essa informação. O que não significa que não se deva garantir financiamento às pessoas que trabalham para descobrir erros nessa proposição. Deveríamos gastar dinheiro com as pesquisas dos céticos justamente para aperfeiçoar a informação que tem dominado os debates.

Com que cenários é razoável trabalhar quando se fala da elevação do nível dos oceanos?
Quando perguntamos aos cientistas do IPCC qual seria o resultado mais provável do aquecimento sobre o mar, eles disseram que o nível das águas subiria entre 18 e 59 centímetros. Esse é o parâmetro mais aceitável. Não faz sentido trabalhar com cenários de até 6 metros, como quer o Al Gore, ex-vice-presidente americano. Porque é tão improvável que isso aconteça quanto que não haja elevação alguma. As pessoas que fazem projeções catastróficas acreditam que fazer mais alarde estimula a população a agir. Mas vale lembrar: análises e argumentos baseados no pior dos piores cenários induzem ao pânico, e o pânico não é a melhor forma de fazer um bom julgamento. Esse foi o mesmo argumento que George W. Bush usou quando invadiu o Iraque. Ele disse que estava absolutamente certo sobre a localização das armas de destruição em massa, e o resultado foi o que se viu. Por isso prefiro trabalhar com os impactos mais prováveis.

Quais são esses impactos?
Costumamos esquecer que a maioria dos lugares ricos no mundo conseguirá lidar com o aquecimento global. Sabemos disso porque é o que os holandeses vêm fazendo desde o século XVII. A Holanda tem 60% de sua população vivendo abaixo do nível do mar. O principal aeroporto de Amsterdã fica 3 metros e meio abaixo do nível do mar. É simplesmente uma questão de tecnologia. Ninguém que vai à Holanda fica pensando: "Ai, meu Deus, estou abaixo do nível do mar". Não que isso não seja problemático ou custoso. Mas é um custo que chega a 0,5% ou no máximo 1% do PIB. Então, é bom enfatizar, o Rio de Janeiro nunca vai submergir, tampouco Nova York. Nos últimos 150 anos, o nível do mar subiu 30 centímetros. Pergunte a uma pessoa muito idosa quais as coisas mais importantes que aconteceram no século XX. Ela vai mencionar as guerras mundiais, ou talvez a revolução tecnológica. Sua resposta não vai ser que o nível do mar subiu.

"Tive problemas com a máfia do clima. Quando escrevi meu livro, recebi por engano, de pessoas a quem pedi informações, mensagens que diziam: ‘Esse homem é perigoso, não lhe forneça nenhum dado’"

Fala-se muito do impacto causado pela forma como as pessoas desperdiçam produtos e energia. Como o senhor faz no seu dia a dia?
Há muita confusão em torno desse debate sobre consumo ético, como se a questão toda se resumisse ao que a pessoa faz. É uma visão torta porque, no fim das contas, o que nós fazemos está profundamente regulado pela forma como a sociedade funciona. Posso pegar um ônibus em vez de um carro na Dinamarca (eu nunca tive carro). Mas não poderia fazer isso nos Estados Unidos. Por isso, acho que reduzir tudo à ideia de que você deve fazer algo sobre seu consumo não é o melhor caminho. Para dar uma noção de proporção, se todos no mundo ocidental trocassem suas lâmpadas atuais por um modelo mais econômico, ao final de um ano as emissões se reduziriam apenas o equivalente à quantidade de CO2 que a China joga na atmosfera em um dia. Acho inútil adotar o argumento de que não se deve agir desta ou daquela maneira porque é imoral. Resumindo: organizações verdes querem mudar a natureza humana, dizendo que não se deve querer ter ou gastar mais. É muito difícil mudar a natureza humana. Prefiro mudar a tecnologia. Assim, poderemos fazer o que quisermos, mesmo emitindo CO2.

As empresas estão fazendo sua parte?
A maioria das coisas que se veem por aí é marketing. É o chamado banho verde. Estão fazendo economia de energia como sempre fizeram, desde o início do século XIX, de quando datam as estatísticas. Todas as empresas, em todos os lugares, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, vêm reduzindo o desperdício de energia. Ou usando cada vez menos energia para cada dólar que produzem. O que é uma das maneiras de manter a liderança no mundo dos negócios. Cada vez que conseguem essa redução, anunciam que estão economizando CO2. Mas é óbvio que o que estão economizando são dólares. Não há nada de errado nisso. Só não devemos achar que elas estão salvando o planeta.

Por que o crescimento populacional não é levado em consideração nas discussões sobre clima?
Se fosse possível limitar substancialmente o crescimento da população mundial, provavelmente as emissões não aumentariam tanto. Mas você só consegue alterar essa variável dramaticamente num regime autoritário como o da China, onde o governo determina que os casais só podem ter um filho. Não acho que se vá reduzir a taxa de natalidade com informação. As pesquisas mostram que as pessoas agem de forma muito racional sobre o número de filhos que têm. Para os pobres, crianças são fonte de renda. Para os ricos, representam despesa. Então você pode interferir no tamanho da prole tornando as pessoas mais ricas. Independentemente disso, é preciso lembrar que a principal razão para os nascimentos até 2050 não é que muitas pessoas têm muitos filhos, mas porque há muitos jovens que ainda não têm filhos e querem ter. Até lá teremos provavelmente mais 2,5 bilhões de pessoas. Há muito pouco que se possa fazer sobre isso.

Se o senhor tivesse filhos, estaria preocupado com o futuro?
Tenho primos que têm filhos, e alguns dos meus melhores amigos também têm. Claro que desejo que eles tenham uma vida boa. E eles terão. Vão ficar bem, serão ricos. Porque todos os filhos geneticamente gerados que conheço são brancos. Não é com eles que temos de ficar mais preocupados. É com os outros três quartos das pessoas deste planeta, a quem não sou intimamente ligado, que não são brancas, são pobres e vivem hoje uma situação difícil. O paradoxo é que a ONU espera que todos enriqueçam. Os filhos dos meus primos estarão entre quatro e oito vezes mais ricos no fim do século. As pessoas nos países em desenvolvimento estarão 35 vezes mais ricas. A média das pessoas em Bangladesh não será pobre em 2100, mas classe média alta. Ou seja, estamos pensando em ajudar pessoas que serão ricas daqui a 100 anos, mas deixando de ajudar as pessoas pobres que estão aqui agora, hoje. Esse é, para mim, o grande dilema ético: nós nos importarmos tanto com os ricos do futuro e tão pouco com os pobres do presente.

O senhor pode dar um exemplo?
O caso dos países insulares é claro. Se você olhar para Tuvalu, que tem 12 000 habitantes e pode desaparecer, verá que as pessoas de lá não vão sumir. Elas terão de se mudar, o que será triste. Mas é curioso lembrar que a cada sete horas e meia um número equivalente de pessoas morre no mundo em decorrência de doenças infecciosas facilmente curáveis. São cerca de 15 milhões de pessoas que morrem desta maneira todo ano no mundo. As pessoas de Tuvalu terão apenas de se mudar. Para mim, é muito curioso que estejamos gastando tanto dinheiro para ajudar as pessoas de Tuvalu e fazendo tão pouco pelas 12 000 que morreram nas últimas sete horas e meia. Fala-se muito em aquecimento global. Mas as pessoas de verdade têm problemas mais urgentes. A maioria das pessoas nos países em desenvolvimento, ou três quartos da população mundial, quer saber como vão sobreviver até a semana que vem.

O que se pode esperar das decisões tomadas na conferência?
Quando 120 líderes se reúnem, eles não podem não fazer um acordo, em torno de números que soam agradáveis. O problema é que não conseguiremos cumpri-lo. Faremos um lindo documento, todos vão brindar com champanhe, depois vão para casa, e nada vai acontecer. Vem sendo assim nos últimos dezoito anos. Não cumprimos o que foi acertado no Rio de Janeiro em 1992. Em Kioto, houve um compromisso legalmente assumido, no qual se prometeu cortar ainda mais, e ainda nada foi feito. Acreditar que Copenhague será diferente me parece uma fantasia política.

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http://veja.abril.com.br/231209/podemos-fazer-melhor-p-021.shtml

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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?''

22 de dezembro de 2009

O Globo

Manchete: STJ suspende condenação e processo contra Daniel Dantas
Liminar anula todas as decisões tomadas por juiz da operação Satiagraha

O ministro Arnaldo Esteves Lima, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), suspendeu liminarmente o processo decorrente da Operação Satiagraha, deflagrada em julho do ano passado pela Polícia Federal e que tem como alvo principal Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity. Dantas chegou a ser condenado a dez anos de reclusão e a pagar multa de R$ 12 milhões por tentar corromper um agente federal que participava da operação. No processo que tramita na 6ª Vara Criminal de SP, o banqueiro também é denunciado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Ele chegou a ser preso duas vezes ano passado por ordem do juiz Fausto De Sanctis e solto por decisão do presidente do STF, Gilmar Mendes. Esteves Lima aceitou os argumentos da defesa do banqueiro, que pede a anulação de todo o processo. Enquanto a decisão estiver em vigor, o juiz Fausto De Sanctis, à frente do processo, não pode adotar qualquer providência. (págs. 1 e 10)

Lula diz que pode manter IPI menor

Em balanço do governo, presidente sinaliza que redução de taxa pode ser permanente

Em conversa com jornalistas, o presidente Lula sinalizou que alguns produtos poderão continuar com impostos reduzidos em 2010, ano eleitoral, mas que isso vai depender da arrecadação. Ele também falou de política, e disse não 'temer uma chapa puro-sangue com os tucanos José Serra e Aécio Neves porque não sabe "se um time Tostão-Tostão daria certo". Disse que o PMDB terá de discutir o vice de Dilma Rousseff com ela e criticou o PT. Serra reagiu dizendo que dá para ter dois craques num time sim. (págs. 1 e 3 a 8)

Dilma de cara nova

Após sete meses, ministra reaparece em público sem peruca

Após sete meses usando peruca - para ocultar a queda de cabelo causada pelo tratamento contra um câncer linfático -, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apareceu ontem de visual novo. Com um corte curto, ela participou do lançamento do novo Programa Nacional de Direitos Humanos e chegou a chorar, ao lembrar o período em que esteve presa durante a ditadura. (págs. 1 e 18)

Foto legenda: Dilma chora, ao lembrar a tortura durante a ditadura: cabelo curto dá toque mais moderno

Orçamento prevê mais R$ 22 bi em gastos

O relator-geral do Orçamento da União para 2010, Geraldo Magela, incluiu em seu parecer final aumento de cerca de R$ 22 bilhões nos gastos do governo, incluindo despesas correntes, com pessoal e investimentos. Em 2010, pela proposta, que tem de ser aprovada no Congresso, a folha de pessoal representará 5,09% do PIB contra 5,11% em 2009. (págs. 1 e 19)

Carioca já pode pegar metrô em Ipanema (págs. 1, 20 e 21)

Obituário
Lincoln Gordon, o embaixador do golpe de 64, morreu aos 96 anos nos Estados Unidos. (págs. 1 e 16)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: STJ susta operação contra Dantas
Liminar paralisa Satiagraha depois que defesa do banqueiro alegou suspeição do juiz De Sanctis

O Superior Tribunal de Justiça suspendeu toda a Operação Satiagraha - investigação da Polícia Federal contra o banqueiro Daniel Dantas. O ministro Arnaldo Esteves Lima tomou a decisão atendendo a pedido de liminar da defesa de Dantas, que alegou suspeição do juiz federal Fausto de Sanctis, responsável pelo caso. A medida tem alcance ilimitado, ou seja, bloqueia qualquer ato relativo à Satiagraha, até mesmo a ação penal que culminou na condenação de Dantas a 10 anos de prisão por crime de corrupção ativa. Está suspenso também o processo principal da Satiagraha, aquele em que Dantas foi denunciado pela Procuradoria da República por crimes financeiros, evasão e lavagem de dinheiro. A ordem do ministro Esteves Lima tem impacto também sobre outros três inquéritos que a PF abriu após decreto do juiz De Sanctis. A decisão do STJ valerá até o julgamento do mérito, período no qual De Sanctis não poderá baixar nenhum ato, nem mesmo medida cautelar - buscas, interceptação telefônica ou quebra de sigilo. Essa situação deverá perdurar até pelo menos fevereiro. O juiz, que já mandou prender Dantas duas vezes e viu sua decisão ser anulada, não se manifestou sobre o caso. (págs. 1 e A4)

Número
10 anos é a pena de prisão à qual Daniel Dantas foi condenado, além de multa de R$ 12 milhões.

Lula minimiza chapa puro-sangue

Presidente diz que não sabe se 'dois Tostões' jogam bem no mesmo time

Em café da manhã com jornalistas, o presidente Lula recorreu ao futebol para reduzir a importância de uma eventual chapa puro-sangue do PSDB à Presidência, com os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves. “Eu não sei se dois Coutinhos, dois Tostões se saem bem no mesmo time", brincou. Serra reagiu no mesmo tom: "Quando o jogador é muito bom, dá para duplicar". Lula também jogou água na fervura da crise com o principal aliado, o PMDB, ao fazer rasgados elogios ao presidente da Câmara, Michel Temer, cotado para uma dobradinha com a ministra Dilma Rousseff. Mas ressaltou que a candidata é Dilma e "é ela que tem de escolher o vice". O presidente insistiu no caráter plebiscitário que quer dar à campanha, comparando governos do PT e do PSDB. Garantiu que Dilma, se eleita, manterá a política econômica e o controle da inflação. "A Dilma tem juízo. Não rasga nota." (págs. 1, A8 e A9)

Análise: Celso Ming
Inversão de papéis

O governo faz campanha para dizer que Dilma é garantia de estabilidade econômica. Agora é Serra que surge como potencial desestabilizador, como Lula em 2002. (págs. 1 e B2)

Foto legenda: Novo visual - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aparece em público pela primeira vez sem peruca, após tratamento contra o câncer (pág. 1)

Funeral mobiliza oposição no Irã
O funeral do aiatolá oposicionista Hossein Ali Montazeri virou uma grande manifestação contra o governo do Irã. Houve confrontos entre membros da oposição e policiais ou simpatizantes do governo. O presidente Mahmoud Ahmadinejad foi qualificado de "ditador", e o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, de “assassino”. (págs. 1 e A12)

Retaliação aos EUA pode chegar a US$ 829 mi

Subiu para US$ 829,3 milhões a retaliação que o Brasil pretende aplicar sobre os EUA por causa dos subsídios ao algodão. Já os americanos admitem, no máximo, US$ 294 milhões. Parte da sanção será na forma de imposto sobre royalties de patentes e marcas. (págs. 1 e B4)

Licitação do Enem não é só preço, diz novo responsável

O novo presidente do Inep, instituto responsável pela aplicação do Enem, propõe que a logística da aplicação do exame não seja entregue a um processo de licitação que privilegie preço. Para Joaquim José Soares Neto, é necessário dar “grande peso" à segurança. (págs. 1 e A22)

Morre Gordon, o embaixador dos EUA no Brasil em 1964

O embaixador dos EUA no Brasil durante o golpe militar, Lincoln Gordon, morreu no sábado, em Washington, aos 96 anos. O diplomata era acusado de envolvimento no levante que derrubou o então presidente João Goulart em 1964, mas sempre negou. (págs. 1 e A10)

Europa: Onda de frio mata mais de 80

Temperatura bate nos –33º C e provoca caos na infraestrutura. (págs. 1 e A14)

Aviação: TAM compra a Pantanal

Negócio reforça posição da empresa no mercado regional. (págs. 1 e B12)

Notas e Informações: O fiasco de Copenhague

O fiasco da Conferência Copenhague 2009 foi maior do que o esperado. A ameaça ambiental é séria demais para ser tratada por amadores. (págs. 1 e A3)

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Jornal do Brasil

Manchete: Paes derruba liminar e pode cobrar taxa
Oposição ataca prefeito por apoio a tributo da iluminação pública

O prefeito Eduardo Paes obteve uma vitória na polêmica mão cobrança pela luz que fornece nas ruas: a pedido da Procuradoria Geral do Município, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Luiz Zveiter, anulou a liminar que proibia a cobrança da Contribuição de Iluminação Pública (Cosip), aprovada pela Câmara de Vereadores. Para o prefeito, a justificativa é a impossibilidade de os cofres públicos abrirem mão de qualquer receita. A oposição criticou o endosso de Paes à nova lei, considerada abusiva e desnecessária. Apesar da autorização da cobrança a partir de 2010, a polêmica vai continuar: além da constitucionalidade questionada, a Justiça anulou a sessão na qual a medida foi votada, por razões processuais. (págs. 1 e Cidade A9)

Lula admite que pode tirar Ciro da campanha

Em café da manhã com jornalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, ontem, que poderá segurar a candidatura presidencial de Ciro Gomes caso avalie que ela põe em risco as chances de sua candidata, Dilma Rousseff. (págs. 1 e País A8)

Assalto a turista antes da chegada ao Rio

O médico Flávio Bastos, que saiu de Brasília com destino a Ipanema, foi assaltado na tarde de sábado ainda na Avenida Brasil. Ele teve o veículo cercado por um Astra com quatro homens armados. Na delegacia, o registro foi feito numa máquina de escrever. (págs. 1 e Cidade A12)

Walmart investirá R$ 2 bi no país

No maior investimento do grupo fora dos Estados Unidos, a rede Walmart vai investir R$ 2 bilhões para abrir entre 100 e 110 novas lojas no Brasil em 2010. A empresa aplicou este ano R$ R$ 1,6 bilhão no país, onde opera 435 lojas em 18 estados. (págs. 1 e Economia A19)

Morre diplomata do golpe de 64

Considerado um importante negociador do apoio norte-americano ao golpe militar de 1964, morreu sábado nos EUA, aos 96 anos, o diplomata Lincoln Gordon, embaixador do país no Brasil de 1961 a 1966. Gordon jamais admitiu participação no golpe. (págs. 1 e Internacional A21)

Coisas da política

Votos para Dilma em regime de transfusão. (págs. 1 e A2)

Informe JB

Lula tem um recado para os aposentados. (págs. 1 e A4)

Anna Ramalho

Corrente de orações para Fábio Barreto. (págs. 1 e A14)

Editorial

Campanha presidencial já pode começar. (págs. 1 e A10)

Sociedade Aberta

Élnio Borges Malheiros
Presidente da Apvar

O Aerus e o drama dos trabalhadores da Varig. (págs. 1 e A18)

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Correio Braziliense

Manchete: Denúncias ameaçam atrasar obra do VLT
Agência francesa que vai financiar o Veículo Leve sobre Trilhos exige mudança no contrato com o GDF. Marcelo Toledo, policial aposentado flagrado com propina, mantém negócios de informática no valor de R$ 21 milhões com o DFTrans. (págs. 1, 27 e 32)

Arrocho nos aposentados

Lula afirma que reajuste a segurados do INSS ficará em 2,5% acima da inflação porque a Previdência tem limites, mas garante os aumentos ao funcionalismo: "a máquina pública foi desmantelada". (págs. 1 e 5)

Foto-legenda: A eleição debaixo dos caracóis de Lula

Na primeira aparição pública de Dilma Rousseff sem peruca, o presidente passou os dedos nos cabelos do vice, José Alencar. Lula procurou evitar novos desgastes com o PMDB e disse ser da ministra a tarefa de negociar uma aliança com o partido. (págs. 1 e 2 a 4)

Diplomatas: Farra das multas perto do fim

Os donos de carros com placas azuis, geralmente representantes de embaixadas e de organismos internacionais, têm cinco dias para cadastrá-los no Detran-DF. Isso permitirá que o órgão multe os tradicionais desrespeitadores das leis de trânsito na capital. (págs. 1 e 31)

Irã: Enterro de aiatolá acaba em repressão

Uma multidão tomou as ruas de Qom, a cidade sagrada dos xiitas, para velar e enterrar Ali Montazeri, um dos fundadores do Estado islâmico e, ultimamente, voz da oposição iraniana. Assim que o corpo desceu à tumba, a polícia de Ahmadinejad começou a reprimir o povo. (págs. 1 e 23)

Educação: Estrutura do Enem vai ser mudada

O Ministério da Educação quer criar mecanismos para que o exame seja aplicado pela própria União. Isso poderia evitar, segundo o novo presidente do Inep, organizador do teste, que ocorram falhas motivadas pela falta de segurança, por exemplo. (págs. 1 e 12)

Concurso: Petrobras abre 662 vagas para servidores

São 56 cargos reservados para profissionais de nível médio, técnico e superior, que irão trabalhar no Distrito Federal e em mais 15 unidades da Federação. Salários variam de R$ 1.141 a R$ 5.685. As inscrições ocorrem em janeiro e as provas serão realizadas em março. (págs. 1 e 18)

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Valor Econômico

Manchete: Cooperativas tentam criar gigante do leite
Cinco cooperativas de produtores de leite negociam a união de suas operações para a criar a maior entidade do setor na América Latina, com faturamento de R$ 4 bilhões por ano. As negociações envolvem a Itambé, de Minas Gerais, a Centroleite, de Goiás, a Confepar, do Paraná e as também mineiras Cemil e Minas Leite.

Se a negociação for bem-sucedida, as cinco centrais terão uma captação conjunta de pouco mais de 7 milhões de litros por dia. Esse volume é muito superior ao captado diariamente pela DPA - Dairy Partners Americas (5,2 milhões) e pela Perdigão (4,5 milhões), que lideram a atividade. (págs. 1 e B10)

Foto legenda: Casa-forte

Maior investidor institucional do país, a Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) vai elevar as aplicações no setor imobiliário em 2010, diz Sergio Rosa, que deixa seu posto em maio. (págs. 1 e C5)

O que mudou no Orçamento de Lula

Do primeiro Orçamento proposto pelo governo Lula para 2004 até aquele que está para ser aprovado no Congresso, o último da atual gestão, a parcela reservada aos investimentos quase dobrou e a destinada ao pagamento da dívida pública reduziu-se pela metade.

No texto que vai a votação hoje no Congresso, a rubrica de investimentos chega a 13%. Era de 7% em 2004. Já o montante dos juros e encargos da dívida caiu, no mesmo período, de 18% para 9%.

O governo Lula também assistiu à elevação recorde dos recursos destinados ao item “outras despesas correntes”, que inclui o programa Bolsa Família, de 42,6% para 50,1% no projeto em tramitação.

O último Orçamento elaborado e votado no governo Lula também registra gasto recorde com custeio da máquina pública. As despesas com pessoal e encargos sociais passaram de 13,1% em 2004 para 15,6% na peça orçametária de 2010.

Até a tarde de ontem, o relator-geral, deputado Geraldo Magela (PT-DF), negociava com parlamentares as últimas modificações no texto. (págs. 1 e A5)

Mercado de concursos atrai investidores

Um segmento do mercado de ensino chama a atenção de investidores e deve ser palco de fusões e aquisições no próximo ano — o das escolas preparatórias para concursos públicos. A Academia Brasileira de Educação, Cultura e Empregabilidade (Abece), que conta com cerca de 70 mil alunos, negocia a compra de mais três cursos no Rio, São Paulo e Brasília. O SEB, que hoje só tem cursos para o exame da OAB, vai entrar no mercado de concursos públicos em 2010. É fácil explicar o interesse. “No governo Lula, o mercado de concursos públicos cresceu em média 40% ao ano”, diz o consultor Ryon Braga. (págs. 1, B1 e B5)

Crédito imobiliário bate recorde

O crédito imobiliário é a linha de maior expansão no pós-crise. O volume de concessão mensal deve encerrar o ano com crescimento de 10% e para 2010 espera-se expansão de até 50%.

As liberações em novembro atingiram R$ 3,635 bilhões, nível 58% superior ao do mesmo mês do ano passado e o melhor resultado da história do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE). Com o forte desempenho dos últimos meses, puxado pela volta dos lançamentos, o acumulado do ano entre janeiro e novembro chegou a R$ 30,187 bilhões. (págs. 1, C1 e C2)

Mesmo com crise, BH eleva investimento

Desde 2004, a prefeitura de Belo Horizonte elevou o valor real dos investimentos em 175%. Com esse desempenho, o investimento alcançou a impressionante participação de 19,3% no total de gastos da capital mineira até agosto de 2009, ano de crise para as finanças públicas. Esse volume de desembolsos em obras e projetos é muito superior à média do setor público. Um relatório da agência de classificação de risco Fitch Ratings mostra que em 12 governos (entre Estados e municípios) o peso do investimento no gasto total foi de apenas 5,6%.

O ano de 2009 foi difícil, mas os governantes conseguiram manter ou até reduzir os índices de endividamento público. O relatório da agência mostra que nos oito primeiros meses do ano as receitas correntes dos 12 governos subiram, em média, 3,7% em relação a igual período de 2008, enquanto as despesas cresceram 8,8%. (págs. 1 e A4)

Reforma da saúde avança no Senado dos Estados Unidos (págs. 1 e A11)

Internet cara
Estudo feito pelo Ipea mostra que o preço médio pago pelos brasileiros para acesso às redes de banda larga é 24 vezes maior que o gasto pelos internautas americanos. (págs. 1 e A4)

Bronzeado ecológico

A fabricante de cosméticos Porto Bianco, de São Carlos (SP), criou um protetor solar biodegradável, que não polui a água. Desenvolvido para o Walmart, também já foi adotado pelo Casagrande hotel, no Guarujá, e Copacabana Palace, diz Paula Porto Bianco. (págs. 1 e B4)

Walmart investirá até R$ 2,2 bi

O Walmart vai investir entre R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões no Brasil em 2010, para a abertura de 100 a 110 lojas. Hoje, o grupo tem 435 lojas divididas por 9 bandeiras. (págs. 1 e B5)

TAM compra a Pantanal

A TAM anunciou ontem a compra da Pantanal por R$ 13 milhões. A companhia regional, no entanto, corre o risco de perder seus espaços de pouso e decolagem (slots) em Congonhas. (págs. 1 e B5)

Crescimento esgotado

Com o potencial construtivo esgotado em razão da Lei de Zoneamento, imóveis comerciais se valorizam no novo centro financeiro de São Paulo e o preço dos terrenos cai. (págs. 1 e B6)

Celesc tenta apertar o cinto

Pressionada por acionistas minoritários, a Companhia de Eletricidade de Santa Catarina (Celesc) — controlada pelo Estado — tenta cortar custos e reduzir o pessoal em 40%. (págs. 1 e B7)

Expansão da São Martinho

A usina São Martinho, de Pradópolis (SP), consolida sua posição de maior processadora de cana do país e a unidade Boa Vista, de Quirinópolis (GO), será ampliada. (págs. 1 e B10)

Retomada global

A produção mundial de aço bruto aumentou 24,2% em novembro em relação ao mesmo mês de 2008, pela terceira vez consecutiva. A produção da China, maior produtora e consumidora mundial, cresceu 37,4%. (pág. 1)

CCR fecha seguro bilionário

A Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) fechou a renovação de seu programa de seguros, no valor de R$ 2,2 bilhões. (págs. 1 e C10)

Incentivos ao mercado

Bovespa prepara medidas para estimular o mercado, com “market maker” em opções, mais BDRs (inclusive não patrocinados) e custo menor em operações de algotrader. (págs. 1 e D1)

Ideias
Ronaldo S. da Motta: ‘tragédia dos comuns’ prevaleceu em Copenhague. (págs. 1 e A12)
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http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
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Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

XÔ! ESTRESSE [In:] COP-15... E O VENTO LEVOU



[Homenagem aos chargistas brasileiros].
...

GOIÂNIA/BRASIL: É PROIBIDO PROIBIR (Lema ''hippye'' dos anos 60).

Brasil

Proibido estacionar

Empresa de amigo do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares
ganha contrato milionário sem licitação


Gustavo Ribeiro
Fotos Cristiano Mariz

Para acabar com os problemas de estacionamento em Goiânia, a prefeitura do município tirou da gaveta um projeto que parece bom demais para ser verdade. A ideia é instalar 20 000 parquímetros na cidade sem desembolsar um único tostão e, melhor, ficar com parte dos recursos arrecadados. A empresa encarregada de fazer o serviço foi a Enatech/GDT, que, criada três meses antes da assinatura do contrato, não precisou enfrentar os processos convencionais de licitação. Ela foi convidada a executar o trabalho de instalação, operação e manutenção dos aparelhos e receberá até 112 milhões de reais. É muito? É um terço da arrecadação prevista nos próximos cinco anos. Nesse ponto, o que parecia bom demais para ser verdade chamou a atenção das autoridades. O belo, estranho e lucrativo negócio dos parquímetros de Goiânia tem ainda outro componente meio, digamos, fora da curva da normalidade. Quem está por trás da transação é Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT e um dos principais personagens do escândalo do mensalão.

O projeto dos parquímetros estava guardado na gaveta da administração municipal do PT desde 2004. Para apoiar o atual governo, do peemedebista Iris Rezende, os petistas reivindicaram cargos, entre os quais os da Agência Municipal de Transportes. No órgão, materializou-se a ideia - e alguém lembrou que a empresa Enatech, por coincidência, já tinha o projeto prontinho na gaveta. Para driblar a lei das licitações, a prefeitura fez um contrato com a Câmara de Diretores Lojistas (CDL), uma entidade privada, que, por sua vez, subcontratou a Enatech. O dono da empresa, Jaime Ferreira de Oliveira, é companheiro de longa data de Delúbio Soares. Garante Jaime: "O Delúbio é um grande amigo, mas nada tem a ver com esse negócio, que é totalmente normal". O Ministério Público de Goiás não pensa assim. "São escandalosas as evidências de irregularidades nesse contrato", diz a promotora Villis Marra, que vai ingressar com ação civil pública por improbidade administrativa contra o prefeito Iris Rezende, o presidente da estatal de trânsito, o petista Miguel Tiago, e o presidente da CDL, Melchior Abreu Filho. "Esse negócio só aconteceu por causa da força política do Delúbio", acusou da tribuna o vereador Santana Gomes, do PMDB. O ex-tesoureiro petista não quis comentar o assunto.

Celso Junior/AE
AMIGOS, AMIGOS...
A influência de Delúbio Soares (de chapéu) teria dado ao empresário Jaime de Oliveira um contrato de até 112 milhões de reais

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ELEIÇÕES 2010 (II): TUCANOS e PARDAIS EM TOCAIA

Brasil

A hora de Serra

O governador de Minas, Aécio Neves, abre caminho para que
seu colega paulista seja o candidato do PSDB à Presidência
em 2010. Mas o mineiro ainda pode aparecer nessa chapa


Fábio Portela

Pedro Vilela
HARMONIA TUCANA
O PSDB, de Aécio e Serra, se dividiu na última eleição, mas deverá marchar unido em 2010


Faltam dez meses e meio para que os eleitores brasileiros escolham o próximo presidente da República. A base aliada do governo Lula já sabe há algum tempo que irá para a disputa tendo à frente a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A oposição, no entanto, resistia a definir o seu representante no pleito. Essa dúvida acabou na quinta-feira passada. O candidato que enfrentará Dilma nas urnas será o tucano José Serra, atual governador de São Paulo. O caminho dele ficou livre por uma decisão tomada em Belo Horizonte pelo governador mineiro, Aécio Neves. Muitíssimo bem avaliado em seu estado e festejado por políticos de todo o país, Aécio era o único que ameaçava disputar com Serra a cabeça da chapa presidencial do PSDB, mas decidiu retirar sua pré-candidatura. A partir de agora, todo o campo oposicionista, que além do PSDB abarca o DEM e o PPS, voltará integralmente sua atenção para o Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista. Serra personifica a esperança de alternância de poder no Brasil. É a melhor aposta para romper com a hegemonia alcançada pelo PT na política brasileira durante os últimos sete anos.

Serra não anunciará oficialmente sua candidatura agora. Ele avalia que, se fizesse isso, teria a perder. Afinal, já está muito bem posicionado para 2010, pois aparece em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto. Na visão de Serra, se assumir a candidatura neste momento, ele só estará se expondo à intensificação dos ataques adversários. O governador pretende provar que não estava brincando quando disse, recentemente, que tem "nervos de aço na política". Vai deixar o anúncio oficial para a última hora, em março, quando expira o prazo legal para que os candidatos renunciem aos cargos públicos e se dediquem exclusivamente à campanha. Enquanto isso, deixará nas mãos do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, a missão de negociar por ele as formações de palanques estaduais com aliados fora de São Paulo.

Fotos Eugenio Moraes/Hoje em Dia/AE, Roberto Stuckert Filho/Ag. Globo e Andre Dusek/AE
LISTA TRÍPLICE
Lula quer que o PMDB, de Hélio Costa, Geddel Vieira Lima e Michel Temer, deixe para o PT a escolha do vice


Aécio, por seu lado, cresceu em admiração dentro do PSDB. A decisão de abrir espaço para Serra foi muito bem recebida pelos tucanos, que atribuem a divisões internas - entre outras questões - a derrota do partido para o PT em 2006. A movida de peças de Aécio pode significar que o PSDB, enfim, marchará unido. Como Serra se tornou o candidato natural, todos os grupos do partido - além do DEM e do PPS, que também integram a oposição ao governo Lula - deverão trabalhar com afinco por sua candidatura. Dessa vez, afirmam tucanos graúdos, não haverá fissuras.

Conhecido pelo bom relacionamento que mantém com os mais diversos grupos políticos, Aécio vem cumprindo à risca o roteiro que planejou para si próprio. Embora cortejado por outras siglas, permaneceu no PSDB. Propôs a realização de prévias para escolher o candidato do partido, mas não fez disso um cavalo de batalha. Por fim, tomou sua decisão em dezembro, dentro do prazo que estabeleceu caso o partido deixasse a decisão por um nome em suspenso. Isso porque essa indefinição no âmbito nacional estava atrapalhando a amarração política em Minas Gerais. Se passasse mais tempo indeciso, Aécio poderia perder o controle de sua própria sucessão. Agora, sem a expectativa de ser candidato a presidente - e sem a consequente obrigação de formar uma aliança ampla também em seu estado -, está livre para fazer campanha para que seu vice, Antonio Anastasia, seja o próximo governador mineiro, mesmo que isso desagrade a outros políticos locais.

Ed Ferreira/AE
APAGANDO O FOGO
Dilma agora tenta manter o PMDB coeso em torno de seu nome


Aécio ainda não revelou o que será de seu próprio futuro político. Até agora, a opção mais certa é disputar uma eleição assegurada para uma vaga de senador por Minas Gerais. Talvez seja muito pouco para ele. Dez entre dez tucanos querem que Aécio seja candidato a vice-presidente na chapa de Serra. É o que eles chamam de chapa puro-sangue. Os aliados DEM e PPS também vibram com a ideia, e a razão é simples. Serra governa o estado mais populoso do país, e Aécio, o segundo. Só em São Paulo e em Minas Gerais vivem 33% dos eleitores brasileiros. São quase 44 milhões de votos. Como ambos os governadores têm índices de aprovação muito elevados, imagina-se que uma coligação Serra-Aécio seria arrasadora nesses dois estados, abrindo uma vantagem numérica virtualmente impossível de ser superada pela chapa governista no restante do país. Embora não admitam em público, os tucanos acreditam que, sozinho, Serra tem boas chances de vencer Dilma, mas com Aécio a seu lado a fatura estaria praticamente liquidada.

Antes de tornar pública sua decisão, o governador mineiro reuniu-se várias vezes com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Definido o tom do anúncio, Aécio telefonou para Serra, que estava embarcando de volta de Copenhague, na Dinamarca, onde havia participado da conferência mundial sobre o clima. Avisou-o de que sairia da disputa e ambos chegaram a cogitar fazer um anúncio conjunto em Belo Horizonte. Desistiram logo da ideia. Na quinta-feira, o governador paulista divulgou uma nota oficial com elogios ao colega. Nela, já se percebem o namoro com vistas a fazer de Aécio seu vice e o antídoto ao caráter plebiscitário que o PT tentará imprimir à campanha do ano que vem: "Não me surpreendem a grandeza e desprendimento que ele demonstra neste momento (...) Não somos semeadores da discórdia e do ressentimento. Nem estimuladores de disputas de brasileiros contra brasileiros, de classes contra classes, de moradores de uma região contra moradores de outra região. Trabalhamos, ambos, sempre, pela soma, não pela divisão. Somos brasileiros que apostam na construção e não no conflito. Temos o sonho de um país melhor, unido e progressista, com oportunidades iguais para todos. E é nesse sentido que vamos continuar trabalhando. Juntos".

O PT insiste em discordar da avaliação de que a desistência de Aécio foi positiva para o PSDB. Os cardeais do partido passaram a dizer, inclusive, que estavam "animadíssimos" com a decisão de Aécio, pois o consideravam um adversário potencialmente mais perigoso do que Serra. Eles sustentam que, com a definição tucana, a tal estratégia do plebiscito bolada pelos marqueteiros de Dilma - de transformar a eleição do ano que vem num duelo entre as gestões de Lula e a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - poderá ganhar mais sentido. Os petistas apostam que a enorme identificação de Serra com FHC, de quem foi ministro do Planejamento e da Sáude, garante o tom plebiscitário do pleito. Eles também viram positivamente o fato de o figurino de candidato ter sido empurrado para cima de Serra antes da virada do ano. Acham que o tucano, até março, passará a dividir com Dilma Rousseff um peso que ela carregava sozinha: a suspeita de que todos os seus atos no governo sempre ocultam uma motivação eleitoral.

Dilma, que assim como Serra resiste a admitir oficialmente sua candidatura, não disse uma palavra sobre a movimentação tucana. Passou a semana preocupada em apagar um incêndio criado pelo presidente Lula. Ele ofereceu ao PMDB a vaga de vice na chapa da ministra. O partido topou, e decidiu indicar o presidente da Câmara, Michel Temer. Lula não gostou. Ele não nutre simpatia pelo deputado e acha que uma chapa Dilma-Temer teria pouco apelo. Sugeriu então que o PMDB apresentasse três nomes para que a própria Dilma escolhesse o vice. Soprou que via com bons olhos os nomes dos ministros Hélio Costa (Comunicações) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) e até o do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Os peemedebistas estrilaram. Em política, esse tipo de interferência é um tremendo desaforo. Peemedebistas mais escaldados passaram a desconfiar que Lula semeia a discórdia no partido para tentar dominar integralmente a aliança governista.

Dilma correu para avisar à cúpula do PMDB que a definição do vice é questão interna do partido, e que a decisão tomada será respeitada. O PMDB é vital para as pretensões presidenciais da ministra por ser o mais capilarizado dos partidos brasileiros. Seus caciques regionais podem carregar Dilma de votos em regiões onde ela é pouco conhecida. Além disso, a enorme participação da legenda no horário eleitoral gratuito é estratégica. Juntos, PT e PMDB ficarão com 50% do tempo da propaganda política no rádio e na TV, contra menos de 30% da chapa do PSDB, com DEM e PPS. O ano político, então, termina assim: enquanto Serra tentará fazer de Aécio o vice dos sonhos, Dilma precisa cuidar para que a definição do seu companheiro de chapa não se transforme em pesadelo.

Com reportagem de Sophia Krause

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http://veja.abril.com.br/231209/hora-serra-p-074.shtml

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ELEIÇÕES 2010 (ILHA DE VERA CRUZ): PAPAI-NOEL EXISTE!!! (Ho, Ho, Ho!!!)

O amigo da onça


RUTH DE AQUINO
Revista Época
RUTH DE AQUINO
é diretora da sucursal de ÉPOCA no Rio de Janeiro
raquino@edglobo.com.br

Aécio Neves ainda não fez 50 anos. Sua retirada da sucessão presidencial, no melhor estilo do bloco do eu sozinho, sem combinar com o PSDB nem com José Serra, é gesto de efeito de um político ambicioso, carismático e jovem que não foi feito para ficar à sombra das olheiras de ninguém. Aécio cansou da tucanagem de Serra. Cansou de ser empurrado para ator coadjuvante na Vice-Presidência. Cansou de espernear pelas prévias do PSDB. Como se não soubesse que seu partido prima por ficar em cima do muro.

Alguém acredita nas palavras de Aécio? “Saí deste jogo nacional. Vou cuidar da minha vida e me dedicar a Minas Gerais.” Mineiro demais, né?

Pode ser que, até março, Aécio cuide de sua vida. Nesse meio-tempo, há Réveillon, Carnaval e bastante calor. O Réveillon pode ser no sul da Bahia, ao lado dos amigos playboys, como no ano passado. Pode ser no Rio de Janeiro, ao lado de seu irmão de fé camarada Sérgio Cabral. Pode ser em Paris, um luxo com a neve que começou a cair. Haverá champanhe, sempre há muita espuma e brilho na vida de Aécio. Ele gosta de se divertir, o bronzeado é permanente, sua simpatia contagia e, mesmo quando a festa não é para ele, Aécio acaba sendo o foco das atenções. Há sempre uma loura e uma piscina nas festas. E uma corte de amigos leais que o protegem de fofocas e maledicências.

Março é o prazo final. Aécio ainda espera que Serra possa tropeçar em si mesmo e jogar a toalha. O governador de Minas, que agora diz aspirar somente a oito anos de mandato no Senado, anuncia ter deixado a estrada livre para Serra. Um ato de “desprendimento e grandeza” para não dividir o PSDB. Promete engajar-se na campanha de Serra. Em seu texto oficial de “despedida”, não deixa nó que não possa ser desatado com elegância. Mas se solta das amarras. E joga a bola no campo de Serra, dos bispos do PSDB – e da vontade dos eleitores, que ficará mais clara em pesquisas nacionais nos próximos meses. O PT comemorou abertamente o gesto de Aécio, por apostar no “plebiscito” entre a ministra Dilma Rousseff e Serra. Não que o PT acredite tanto em Dilma. Mas acredita no poder do “cara”.

Se for tudo verdade, Aécio sai dizendo na surdina que o PSDB errou ao optar por Serra, porque o eleitorado não quer presidentes identificados demais nem com Fernando Henrique Cardoso nem com São Paulo. Ele também teria criticado a “insegurança” de Serra e a falta de ousadia do partido em buscar opções menos ligadas ao passado. Mas está claro que Aécio “renunciou” também porque mineiros e cariocas não bastam para ele subir nas pesquisas. Faltava o apoio do partido.

Serra terá dificuldade de festejar com serenidade este Réveillon. Depois de cozinhar Aécio em fogo brando todos estes meses, foi surpreendido. No fim, quem encostou o governador paulista na parede foi Aécio. Agora, é dá ou desce. Transformar uma vitória parcial numa carência seria muito ruim para Serra, que age nos bastidores como “maior abandonado”, traído pelo amigo.

Alguém acredita nas palavras de Aécio? Ele jogou a bola
para Serra, mas ainda espera um tropeço.

O Amigo da Onça é um personagem criado em 1943 pelo cartunista pernambucano Péricles de Andrade Maranhão. Foi publicado pela primeira vez na revista O Cruzeiro. O nome do personagem veio de uma anedota que envolve dois caçadores. Um pergunta ao outro:

– O que você faria se estivesse na selva e uma onça aparecesse na sua frente?

– Ora, dava um tiro nela.

– Mas se você não tivesse arma de fogo?

– Bom, então eu matava ela com meu facão.

– E se você estivesse sem o facão?

– Apanhava um pedaço de pau.

– E se não tivesse nenhum pedaço de pau?

– Subiria na árvore mais próxima!

– E se não tivesse nenhuma árvore?

– Sairia correndo.

– E se você estivesse paralisado pelo medo?

Então, o outro, já irritado, retruca:

– Afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?

Os caçadores, sabemos quem são. O provocador e aquele que sobe na árvore e se irrita no final. Pode-se imaginar quem seria a onça da anedota.
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''BEST SELLER'' [In:] ''FIAT LUX''

Especial

A história sem fim

A Bíblia começou a ser escrita há mais de 3 000 anos, e desde
seu início se revelou um livro sem rival no poder de moldar culturas
e civilizações. Essa força permanece inesgotável: ler a Bíblia é essencial
para entender o mundo do qual viemos e em que vivemos hoje


Isabela Boscov
AKG/Latinstock
A Anunciação de Tintoretto (1518-1594)
"Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo. Então José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isso, eis que, em sonho, apareceu-lhe um anjo do Senhor, dizendo: ‘José, filho de Davi, não temas receber contigo Maria, tua mulher, pois o que nela se gerou é obra do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos "

Mateus 1:18-21

VEJA TAMBÉM

"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: ‘Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!’. Ela ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. O Anjo, porém, acrescentou: ‘Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado o Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará na casa de Jacó para sempre, e o seu reinado não terá fim’. Maria, porém, disse ao Anjo: ‘Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?’. O Anjo lhe respondeu: ‘O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus. Também Isabel, a tua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês para aquela que chamavam de estéril. Para Deus, com efeito, nada é impossível’. Disse então Maria: ‘Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!’. E o Anjo a deixou."

Extraída do Evangelho de São Lucas, a passagem acima é uma das mais belas e conhecidas daquele que é, por sua vez, o livro mais lido e célebre de todos os tempos – a Bíblia. Nela, é narrada a Anunciação, episódio seminal do Novo Testamento, a continuação cristã do livro sagrado dos judeus. Lucas nasceu no primeiro século de nossa era, em Antióquia, onde hoje é a Síria, e nunca chegou a conhecer Jesus: foi discípulo de Paulo, o grande disseminador da palavra de Cristo no mundo não judaico. Mas seu Evangelho é considerado uma obra de envergadura imensurável – e não só porque, ao lado dos Evangelhos de Mateus, Marcos e João, ele compõe o coração do Novo Testamento. Várias sumidades da história têm esse médico de origem grega na conta de um dos grandes de sua categoria – um historiador nato, ciente dos detalhes, afeito à precisão e surpreendentemente atento à necessidade de averiguar fatos. A história da qual Lucas faz a crônica está carregada de aspectos místicos: a de como Jesus nasceu de uma virgem, pregou uma mensagem transformadora, realizou milagres que comprovavam estar Ele imbuído do poder de Deus, e então foi perseguido, torturado e crucificado, para no terceiro dia após sua morte ressuscitar e ascender aos céus. Nas mãos desse autor, entretanto, fato e fé se fundem de maneira tão completa que, mesmo para um leitor ateu ou agnóstico, se torna um desafio separá-los.

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A Adoração dos Pastores de Tintoretto
"Disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura."
Lucas 2:15-16

O trecho em que o anjo Gabriel anuncia a concepção e o nascimento de Cristo é exemplar de seu estilo. Lucas narra o diálogo entre um anjo enviado por Deus – assunto de fé, portanto – e uma jovem. Mas provê data, lugar e circunstâncias, afere outro evento familiar (a gravidez de Isabel) e relata uma discussão sobre a viabilidade biológica da concepção por uma virgem. Só nessa pequena passagem, tem-se uma síntese de uma questão que está no centro da Bíblia. Como, afinal, esse livro escrito no decorrer de mais de 1.000 anos deve ser lido? Como uma transcrição direta da palavra de Deus, segundo creem tantos? Como a palavra divina inserida em um contexto terreno, o da relação com seu Deus de uma cultura que ia atravessando mudanças geográficas, políticas e sociais? Como um livro histórico, tão somente? Ou, conforme querem outros, como uma ferramenta que grupos diversos podem manejar na busca por poder e supremacia? Seria possível imaginar que, passadas tantas dezenas de séculos do advento desse livro, tais questões não mais teriam lugar no mundo moderno. Sucede exatamente o contrário. A religião nunca deixou de ser força motriz dos rumos da história do homem, tampouco fonte de tensão. E, na última década em especial, ela ressurgiu com efeito redobrado no centro do cenário político global. De onde ler a Bíblia – e entender como ler a Bíblia – não é nem de longe um conhecimento periférico na vida do século XXI.

Um nova-iorquino de origem judia, mas nascido em uma família sem nenhuma inclinação religiosa, deu uma contribuição interessante ao debate. Em 2005, o escritor e jornalista A.J. Jacobs decidiu que viveria o ano seguinte fazendo tal e qual a Bíblia manda – tanto o Velho como o Novo Testamentos. Jacobs, que já fizera fama como o autor de The Know-It-All, sobre os doze meses que passara lendo a Encyclopaedia Britannica de ponta a ponta, colecionou experiências estranhas em quantidade suficiente para escrever outro livro, The Year of Living Biblically (O Ano de Viver Biblicamente), lançado em 2007: suou frio para apedrejar um adúltero, como ordena o Velho Testamento, cultivou uma barba que teimava em guardar vestígios de suas últimas refeições e, uma vez que deixou de contar até mesmo aquelas mentirinhas sociais que tanto ajudam a civilização, passou por malcriado em mais de uma ocasião (veja entrevista na página 158). O livro, claro, é parte troça e golpe publicitário. Mas é também um curioso experimento de, digamos, teologia aplicada: é possível viver, nos dias de hoje, como se viveu 3 200 anos atrás, o período em que se estima que a Bíblia começou a ser escrita?

Vários ramos religiosos, sobretudo entre os judeus e os evangélicos, acham que sim: pode-se e deve-se viver exatamente como a Bíblia prescreve. No entender dessas correntes, o texto sagrado foi recebido diretamente de Deus e tem, portanto, de ser aceito de forma literal, sem interpretações nem relativizações. Mas Jacobs, ainda que por vias tão mundanas, provou um ponto relevante. Demonstrou que mesmo aqueles que acreditam que nada se acrescenta nem se subtrai à Bíblia fazem escolhas sobre seus ensinamentos. Caso contrário, só para ficar no exemplo mais prosaico, o noticiário estaria cheio de episódios de apedrejamento de adúlteros e adúlteras. Não está, porque não há comunidade religiosa judaica ou cristã que endosse tal prática, hoje considerada bárbara (e isso significa, sim, relativizar e interpretar). Também não se sabe de mulheres que tenham tido uma mão cortada por agarrar as partes pudendas de um homem para defender o marido em uma briga – como está dito em um dos volumes do Velho Testamento, o Deuteronômio. Até porque, convenha-se, a manobra não deve ser das mais fáceis.

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O Milagre do Maná de Tintoretto
"Então, disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá e colherá cada dia a porção para cada dia, para que eu veja se anda em minha lei ou não. E comeram os filhos de Israel maná quarenta anos, até que entraram em terra habitada; comeram maná até que chegaram aos termos da terra de Canaã.."
Êxodo 16:4-35

Exemplos como esses são extremos – e vulgares, claro. Servem apenas para ilustrar com cores berrantes um argumento sério: o de que ler a Bíblia ao pé da letra não significa apenas lidar com os descompassos provocados por tradições que mudaram, sumiram ou ofendem o conceito contemporâneo do que é ser justo e civilizado. O primeiro problema é outro: o que é o "pé da letra" na Bíblia? Em seu excelente livro A Arte da Narrativa Bíblica, o pesquisador americano Robert Alter, da Universidade da Califórnia em Berkeley, dedica-se a explicar que muito do que a Bíblia quer comentar está nas suas entrelinhas. Só para começar a conversa, Alter cita o estilo radicalmente contrastante de dois capítulos consecutivos do Gênese. No primeiro, o patriarca Jacó vê a túnica ensanguentada de seu filho José, presume que ele está morto e entrega-se a manifestações hiperbólicas de luto. O capítulo seguinte trata de uma situação similar, mas é de uma secura severa. Relata que outro patriarca, Judá, teve três filhos – Er, Onã e Selá. Sem mais firulas, informa que Er "desagradou a Deus", e Ele lhe tirou a vida. O mesmo aconteceu com Onã, que, obrigado a tomar o lugar do irmão na cama da cunhada, a fim de gerar um filho, interrompia o coito e "derramava sua semente no chão" (daí o termo "onanismo" para a masturbação). Deus tomou a Judá dois filhos, mas o texto não traz menção a nenhuma emoção que o pai porventura tenha sentido. Jacó tão teatral, e Judá tão frio: para Robert Alter, só o fato de a Bíblia justapor duas reações assim diversas já é um juízo sobre esses dois personagens importantes das Escrituras. Mas esse juízo não está no "pé da letra": está sugerido em um recurso estilístico sutil.

Muitos outros estudiosos se dedicam a mostrar como a forma, o estilo e a escolha de palavras são decisivos no que a Bíblia diz. E mais essencial ainda é o contexto em que ela diz o que diz. O judaísmo e seu descendente (e dissidente), o cristianismo, são fundamentalmente religiões narrativas – muito mais do que qualquer outra das grandes religiões, monoteístas ou não. Vem daí muito da força e da influência sem paralelo da Bíblia sobre o pensamento de uma parcela grande da humanidade, aquela abrangida no que se costuma chamar de civilização judaico-cristã: sem que se faça aqui nenhum julgamento, de natureza alguma, sobre o papel de cada uma das religiões na história dos homens, é um fato da ciência sociopolítica que o judaísmo e o cristianismo tiveram um impacto ilimitado nos rumos dessa história. Porque contam, entre todas as fés, com o mais extenso, detalhado, profundo e variegado plano jamais disposto para os seguidores de uma divindade, do surgimento do mundo ao seu fim, ou sua transmutação total no reino de Deus: a Bíblia, um conjunto vasto não apenas de ensinamentos, ditames e reflexões, mas de histórias arraigadas em nossa cultura. Para ateus e agnósticos, essa é uma razão para ler a Bíblia: para descobrir por que mesmo quem não crê compartilha a mesma herança que os que creem. É como se a Bíblia e a tradição que ela carrega fossem, enfim, o DNA da civilização ocidental: crer ou não crer corresponde àquela porcentagem infinitesimal de diferenças genéticas que nos separam – todo o resto, ou 99% dos genes, são comuns a todos nós.

The Bridgeman Art Library
Sansão e Dalila de Tintoretto
"E Sansão descobriu a Dalila todo o seu coração e disse-lhe: Nunca subiu navalha à minha cabeça, porque sou nazireu de Deus, desde o ventre de minha mãe; se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me enfraqueceria e seria como todos os homens. Então, ela o fez dormir sobre os seus joelhos, e chamou a um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça; e começou a afligi-lo, e retirou-se dele a sua força."
Juízes 16:17-19

Quase tudo na Bíblia é uma história, um "caso", um relato, um testemunho. Mesmo naqueles livros do Velho Testamento que são, por assim dizer, manuais de instruções, como Levítico e Números, as injunções vêm na forma de historietas. Os Evangelhos são também isso: relatos sobre a passagem de Jesus sobre a Terra e sobre Sua missão. De imensa relevância ainda é o fato de que – ao contrário, digamos, do Corão – a Bíblia não tem um autor único nem foi escrita em um período de tempo delimitado. Bem longe disso: ela abrange algo como doze séculos de produção e vários idiomas (não bastasse isso, já foi traduzida para 2.400 línguas, entre as quais idiomas indígenas brasileiros). Combina uma miríade de formas narrativas distintas e envolve um sem-número de autores, muitos dos quais nunca virão a ser identificados, mas que se sabe provenientes das origens mais distintas, de profetas a funcionários de governo e pescadores. Com tantos cozinheiros na mesma cozinha, torna-se sobre-humana a tarefa de tentar decifrar a receita.

Há casos em que a Bíblia de fato se assume como a palavra recebida diretamente de Deus. Por exemplo, nas conclamações divinas ao povo eleito, muito comuns no Antigo Testamento, em que Ele exalta, pune, decide destinos e mostra aquilo que espera de seus seguidores ou o que não vai tolerar neles. Mas, em outros trechos essenciais, como nos Salmos, são já homens comuns (ou, vá lá, nem tanto, já que muitos dos Salmos são atribuídos ao rei Davi) que se dirigem a Deus. São frequentes também os simples registros de eventos, que podem ter certo teor mundano (muito espaço é dedicado a detalhar as linhas genealógicas, de grande relevância numa sociedade arcaica, ainda dividida em clãs) ou vir crivados de misticismo (como nos testemunhos dos milagres de Jesus). Outro caso: as belíssimas cartas do apóstolo Paulo, parte integrante do Novo Testamento, que delineiam os fundamentos da religião cristã na forma como é seguida até hoje, são comunicações de homens para homens. Há poemas de grande quilate, como o Cântico dos Cânticos, e o caso mais difícil de classificar – o delirante e perturbador Livro das Revelações, em que o apóstolo João descreve o apocalipse. Tudo o que a Bíblia contém trata em algum nível da relação do homem com Deus. Mas nem tudo nela pode ser descrito como a palavra direta de Deus.

Bíblia, enfim, é um mosaico intrincado no que toca às possibilidades de interpretação. Até porque, surpresa, ela não trata em miúdos de alguns dos temas em que é invocada com grande insistência. Hoje, é comum que as Bíblias evangélicas mais completas contenham um índice temático denominado "concordância." Procura-se uma palavra – digamos, "graça", ou "pobreza" – e o índice relaciona todas as ocasiões em que ela aparece em todo o imenso volume de texto. Isso porque, como já se disse, seguir a Bíblia à risca é fundamental para muitos dos ramos evangélicos, e a concordância ajuda-os a informar-se sobre o que a Bíblia tem a dizer a respeito de cada aspecto de sua vida e fé (os católicos, por contraste, apoiam-se mais na doutrina moral delineada pela Igreja). Tente-se procurar na concordância, entretanto, o termo "aborto": ele não constará. A Bíblia não trata de forma explícita ou direta da interrupção deliberada da gestação em nenhum trecho de seus milhares de páginas. Há possíveis alusões, como no capítulo 30 do Deuteronômio, muito usado pelos grupos antiaborto: "Hoje tomo o céu e a terra como testemunhas contra vós; eu te propus a vida ou a morte, a bênção ou a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele". Mas alguns pesquisadores, inclusive evangélicos, contradizem essa leitura. Segundo eles, o trecho é na verdade uma exortação aos israelitas em fuga do Egito para que não se desviem do caminho do Senhor. Como decidir, então, quem está certo?

A única resposta segura é que não há como decidir. A Bíblia moldou e amalgamou civilizações e manteve-se um texto obrigatório porque é de fato inesgotável. É uma, mas pode ser infinitas – até no seu aspecto mais concreto, o do sem-número de recortes que o mercado editorial encontra nela. Numa incursão a uma livraria (se for na internet, então, nem se fala), podem-se achar não apenas as edições canônicas de cada uma das religiões que seguem o texto sagrado – judaicas, católicas, luteranas, evangélicas, anglicanas, ortodoxas e assim por diante –, como Bíblias talhadas para virtualmente qualquer gosto. Há Bíblias para quem não conhece a Bíblia, com títulos como Entendendo a Bíblia em 30 Dias e O Guia do Completo Idiota para a Bíblia. Há Bíblias para meninos e para meninas. Para mulheres e para quem quer só lições de vida. No estilo do mangá, o quadrinho japonês, ou na pena do quadrinista underground Robert Crumb. Em gíria cockney da zona leste de Londres (com o selo de aprovação da Igreja Anglicana) ou em linguagem simples, no vozeirão de Cid Moreira.

á uma Bíblia, inclusive, que desempenhou papel de imensa relevância no que viria a se tornar a língua franca do mundo moderno, o inglês. Trata-se da versão conhecida como Bíblia do Rei James, encomendada por James I a um grupo de estudiosos em 1604, meses após sua ascensão ao trono, e concluída em 1611. Conciliar as tensões de seu tempo e consolidar a Igreja Anglicana como a fé da nação eram os requisitos a que a tradução pedida a seus sábios deveria atender. Eles, contudo, foram além: produziram um dos mais consumados exemplos de prosa poética que se conhece – uma prosa que arrebata pela beleza, inspira pelo calor e se coloca à disposição de quem a ouve pela clareza (diz a lenda que William Shakespeare deu uma mãozinha ao colegiado de estudiosos). Lida dos púlpitos para os fiéis, ou em casa por quem aprendera a fazê-lo (pouca gente, naquele tempo), a Bíblia do Rei James fez toda uma nação tomar contato com a escrita bela e benfeita. Não admira, assim, que tenha a reputação de transparecer uma inspiração divina.

Não importa qual seja a versão, duas coisas são cristalinas e constantes na Bíblia. A primeira é que cada uma das partes desse texto sagrado, sejam elas as aceitas pelos cristãos ou pelos judeus, é como que um tijolo no edifício que se pode chamar de o plano de Deus para os homens. E a segunda é que cada um desses tijolos traz alguma marca, mais ou menos profunda, do tempo em que foi moldado: a Bíblia é singular entre os textos sagrados também por ser uma crônica extensa e detalhada da civilização à qual ia dando forma. É, em certo sentido, uma reportagem. Uma reportagem colorida pelas crenças típicas da época em que cada trecho foi escrito (como na ideia de que um patriarca como Matusalém possa ter chegado aos 969 anos de idade, como está dito no Gênese), ou moldada para inculcar esta ou aquela impressão no leitor. Mas até nesses ornamentos, por assim dizer, é uma crônica dos povos que a escreveram e da maneira como viviam e pensavam.

Santa Maria Della Salute
As Bodas de Canaã de Tintoretto
"E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Canaã da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus. E foram convidados também Jesus e os seus discípulos para as bodas. E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os empregados que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo. E disse-lhe: Todo homem põe primeiro o vinho bom, e quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho."
João 2:1-3/7-10

Um exemplo comezinho: o Velho Testamento diz que não se devem consumir a carne de porco ou os crustáceos, por serem impuros. Assim, os judeus ortodoxos mantêm deles a distância preconizada pelo texto. Vários estudiosos, entretanto, veem em interditos como esse uma tentativa de organizar o cotidiano das pessoas comuns. Dezenas de séculos atrás, quando as condições de obtenção e conservação das proteínas animais eram precaríssimas, carnes como a suína e a dos frutos do mar, que se deterioram com grande velocidade, constituíam um problema grave de saúde. Que maneira mais eficaz teriam os líderes de uma comunidade de evitar os envenenamentos alimentares, especulam esses estudiosos, do que proibi-los com um veto divino? Ou de, para instituir o hábito de um mínimo de higiene pessoal, ordenar em um texto sagrado que se realizem abluções antes de orar a Deus? Até um dos grandes cismas entre o judaísmo e o cristianismo – o sacramento do batismo, fundamental para os cristãos – teria uma origem socioeconômica clara. Para se purificar e honrar a Deus, os judeus tinham de peregrinar até o Templo de Jerusalém e ali oferecer sacrifícios de animais como pombas e cordeiros. Para uma população em geral muito pobre, como a da Palestina do século I a.C., o sacrifício começava, na verdade, com o esforço de juntar os meios materiais para a viagem e a compra dos animais. O batismo, que Jesus conheceu no seu encontro com São João Batista, que o mergulhou no Rio Jordão, não acarreta (ou não acarretava, quando ainda não era acompanhado de festinhas ou festanças, como hoje) custo nenhum: é um ato que pode ser realizado em qualquer lugar e requer apenas água, algumas gotas de óleo e um sacerdote para que se estabeleça a comunicação com Deus e se peça o ingresso em seu povo, renunciando-se ao mal por meio apenas de um testemunho oral. Simples e acessível – e não por acaso um sucesso entre várias parcelas da população que sentiam que a classe sacerdotal e os ritos se interpunham entre elas e Deus, em vez de aproximá-los.

Corbis/Latinstock
A Criação dos Animais de Tintoretto
"E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus."
Gênese 1:20

À medida que o Ocidente se torna cada vez mais secular, mais também vem à tona esse caráter factual na leitura que se faz da Bíblia. Em que medida se aceita ou não seu caráter de crônica, porém, é talvez o impasse mais candente que a Bíblia provoca. Duas questões importantíssimas se imiscuem nessa tentativa de enxergar o simples em algo que é tão complexo. A primeira, que acompanha qualquer texto sagrado desde sua gestação, é que tudo nele que pode ser ligado a um dado da realidade tem também (ou principalmente, para muitos) um componente divino. Um judeu dos dias de hoje que segue sua fé de forma mais livre pode decidir que, na era das normas sanitárias e da refrigeração, comer camarões em nada fere os princípios espirituais e morais que lhe foram legados. Um casal cristão moderno pode raciocinar que, se Deus é a bondade suprema, como os Evangelhos ensinam, Ele jamais condenaria seu bebê à danação caso ele morresse sem ser batizado. Outros judeus e outros cristãos de persuasões mais rigorosas argumentariam que não é possível escolher, da religião, o que convém e o que não convém, já que a palavra de Deus é una e não deve ser fragmentada; para estes, as regras alimentares ou os sacramentos existem dentro de um contínuo que é indivisível e deve ser respeitado na íntegra, por mais duras que pareçam as regras. Assim, transgredir à mesa ou postergar um pouco determinadas cerimônias não seriam meros pecadilhos. Constituiriam ofensas a Deus, e toda ofensa a Deus, ainda que pareça irracional ao olhar moderno, seria igualmente irredimível.

Essa tensão entre o certo e o herético é tão antiga quanto as mais antigas palavras da Bíblia. Um texto sagrado se define como a verdade absoluta. E um texto sagrado que transporta tantas contradições e imprecisões, que é ora tão minucioso, ora tão alusivo e alegórico, e que carrega tanta história vivida – de um povo que acreditou ter sido escolhido e então foi escravizado, que perdeu sua terra, recuperou-a e então suportou uma ocupação estrangeira, que construiu um templo e duas vezes o viu tombado, e por fim enfrentou um cisma de proporções colossais, quando um dos seus fundou uma nova religião a partir da sua –, é um texto crivado de oportunidades para a tensão. Deslindar o que a Bíblia diz, afinal, é traduzir Deus. Mas nunca se soube de dois tradutores que coincidissem em suas respectivas versões de um texto. E essa volatilidade da Bíblia, esse seu poder de ser ao mesmo tempo tão clara e tão fugidia, movimentou convulsões na história dos povos que a seguem. A decisão dos judeus de renovar até as últimas consequências sua aliança com Deus e assim se configurar como um povo separado dos demais, o fogo ateado à insatisfação geral que foi o nascimento do cristianismo, a irrupção da Reforma Protestante e sua perseguição selvagem pela Inquisição, os rios de sangue que, no século XX, ainda corriam na Irlanda dividida entre católicos e protestantes, a tentativa brutal de supressão da fé por aquela outra doutrina deífica, o comunismo – milhões de homens e mulheres foram mortos ou se sacrificaram por essa verdade que, não há como ignorar, está sempre em transformação.

Para quem acha que a Bíblia é uma coleção de histórias da carochinha escritas por pessoas talvez meio instáveis, com uma queda para o fantástico e a violência (e o Velho Testamento é repleto de casos de arrepiar os cabelos), um alerta: a disputa pela posse dessa verdade completa e absoluta continua a fazer estremecer a história. No Brasil, o crescimento vertiginoso do evangelismo muda não só costumes entre as parcelas da população que aderem a ele como pode, no limite, vir a alterar um dos epítetos pelos quais o país é conhecido – o de a maior nação católica do mundo. Nos Estados Unidos, onde a liberalização da moral e da legislação, a partir dos anos 1960, criou tensões imensas com a populosa faixa dos americanos que acham que toda lei e todo código devem emanar da Bíblia, surgiram paradoxos incompreensíveis. Por exemplo, os grupos contra o aborto que, na defesa intransigente da vida, matam médicos e enfermeiras de clínicas que realizam a prática. Até o mais explosivo ingrediente da política global, o conflito no Oriente Médio entre árabes e judeus e suas infinitas ramificações, tem um componente bíblico – o estabelecimento do estado de Israel, em 1948, na região que, no Gênese, consta como a terra prometida dos judeus. Não é preciso crer, enfim, para entender que a Bíblia não é apenas "a maior história de todos os tempos", como se costuma dizer. Mais de 3 000 anos depois de ter começado a ser escrita, ela é ainda a maior história deste tempo.


Um Ano Muito Estranho

Em agosto de 2005, iniciou-se um ano estranho para o nova-iorquino A.J. Jacobs. O escritor e jornalista decidiu que, nos quase 400 dias seguintes, viveria estritamente de acordo com os ditames da Bíblia, dos mais conhecidos aos mais obscuros. Jacobs enfrentou questões imensas, como não mentir nem uma mentirinha, por mais social que fosse,
ou não cobiçar mulheres que não a dele, nem mesmo as hipotéticas (o que o levou a cobrir com fita-crepe a figura sedutora de uma gueixa em um rótulo de chá).
E enfrentou também questões bizarras, como não semear dois tipos de grão no mesmo campo (fácil de seguir, já que em Nova York áreas de plantio são mesmo artigo incomum), ou como decidir onde se sentar no metrô ou numa lanchonete, já que assentos que tenham sido ocupados por mulheres no período menstrual ficam impuros (por via das dúvidas, ele às vezes carregava um banquinho). Jacobs narrou esses e outros episódios vividos no período em que circulou barbudo e de túnica branca por Manhattan no livro The Year of Living Biblically (O Ano de Viver Biblicamente), que lançou em 2007. A seguir, ele faz um balanço da sua experiência ao correspondente de VEJA em Nova York, André Petry.

Qual foi a situação mais extraordinária daqueles 387 dias?
Foi cumprir o mandamento bíblico de apedrejar os adúlteros. Você há de entender que isso não combina muito com a Manhattan dos dias de hoje. Acabei usando seixos, aquelas pedrinhas de cascalho, bem miudinhas, de modo que ninguém saísse ferido.

Das 700 orientações que o senhor extraiu da Bíblia, qual lhe pareceu a mais inexplicável?
A que proíbe o uso de roupas com mistura de fibras. As roupas devem ser feitas de um único tipo de fibra, sem combinações. Isso exige uma administração microscópica. Que diferença faz para Deus se estou usando camisa só de algodão ou se tem algodão e poliéster?

O que é mais fácil de seguir: o Velho ou o Novo Testamento?
Essa é uma pergunta complicada. Há mais regras no Velho Testamento, mas no Novo Testamento Jesus fala em perdoar e amar seu inimigo. Isso é dureza.

O senhor acha que alguém na história seguiu os mandamentos bíblicos literalmente, incluindo Jesus Cristo?
As pessoas pegam umas partes para seguir ao pé da letra e excluem outras. Todos nós praticamos uma religião de padaria, incluindo e excluindo elementos.

É possível identificar na Bíblia o que deve ser tomado como literal e o que é apenas metafórico?
Acredito que sempre haverá uma discussão sobre isso e nunca chegaremos a uma conclusão inequívoca.

Como não se pode falar o nome de outros deuses (êxodo, 23:13), então é proibido torcer para a tenista Venus Williams?
No Velho Testamento, de fato, não se pode dizer o nome de deuses pagãos, como Vênus. Acredito que você possa torcer pela Venus Williams, mas não deve ficar berrando o nome dela. Ou, melhor ainda, torça pela Serena.

Pelas suas contas, a Bíblia faz quarenta referências negativas ao uso de bebidas alcoólicas, 62 neutras e 145 positivas. Afinal, como um respeitador da Bíblia deve encarar a bebida?
No geral, o vinho é um exemplo da bênção de Deus, mas só quando bebido com moderação. A Bíblia tem muitas histórias de gente que bebeu demais e acabou se encrencando. Noé se embebedou uma vez e terminou desmaiando, só que desmaiou pelado, o que causou todos os problemas possíveis.

O valor da Bíblia certamente não está em seguir seus ensinamentos ao pé da letra. Onde está?
A Bíblia é cheia de sabedoria, cheia de compaixão, e o fato de tê-la vivido por mais de um ano mudou minha vida para sempre. Essa experiência mudou minha vida de uma forma muito profunda.

O senhor acredita em Deus?
Depois de um ano, eu comecei a frequentar uma sinagoga e matriculei meus filhos numa escola judaica. Continuo agnóstico, pois não sei se Deus existe. Mas tenho profundo respeito pelo conceito do sagrado.

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http://veja.abril.com.br/231209/historia-sem-fim-p-152.shtml

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''QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA?"

21 de dezembro de 2009

O Globo

Manchete: Polícia prepara ocupação de Tabajaras e Cabritos
Também na quarta, UPP do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo será inaugurada

O governador Sérgio Cabral anunciou que 80 homens do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) vão ocupar, na quarta-feira, o Morro dos Cabritos e a Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. O estado planeja ações simultâneas. A ocupação das duas comunidades para expulsar o tráfico acontecerá no mesmo dia em que será inaugurada a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo, em Copacabana e Ipanema. O anúncio foi feito ontem por Cabral, que esteve na cerimônia de formatura dos 299 policiais militares treinados para atuar na nova unidade, a quinta do Rio. Segundo ele, ano que vem deverão ser instaladas UPPs na Zona Norte. (págs. 1 e 17)

Da Pavuna a Botafogo, sem baldeação no metrô

O novo viaduto que permitirá ao usuário do metrô ir da Pavuna a Botafogo, sem baldeação, será visitado hoje pelo presidente Lula, que chega ao Rio para inaugurar a Estação General Osório, em Ipanema, com capacidade para receber cerca de 20 mil passageiros por dia. A partir de amanhã, a população já poderá usar a estação e o novo trecho. (págs. 1 e 13)

Foto legenda: O viaduto do metrô na Avenida Francisco Bicalho, no Centro: obra garantirá ligação direta da Pavuna a Botafogo

Fábio Barreto sofre acidente

Diretor de 'Lula, o filho do Brasil' está em coma induzido

O cineasta Fábio Barreto, de 52 anos, diretor do filme "Lula, o Filho do Brasil”, sofreu um grave acidente sábado à noite, em Botafogo. Segundo uma testemunha, ele dirigia um Pajero quando foi fechado por um outro veículo na Rua Real Grandeza. O carro despencou de uma altura de cerca de quatro metros, no elevado de acesso ao Túnel Velho, capotando várias vezes. Fábio sofreu traumatismo craniano e foi operado às pressas. O cineasta está em coma induzido e, de acordo com o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, a preocupação da equipe médica é mantê-lo vivo. O presidente Lula ligou para prestar solidariedade aos pais de Fábio, Luís Carlos e Lucy Barreto. (págs. 1 e 10)

Foto legenda: Luís Carlos e Lucy Barreto, pais de Fábio, com Paulo Niemeyer Filho

Arruda teria distribuído R$ 20 milhões em propinas

Consideradas ilegais pelo Ministério Público, as mudanças urbanísticas no Distrito Federal teriam rendido R$ 20 milhões em propina para o grupo do governador José Roberto Arruda, acusado de comandar o chamado mensalão do DEM. Segundo depoimento do ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, o dinheiro teria sido pago por empreiteiras e distribuído a deputados distritais, encarregados de aprovar as alterações na legislação. (págs. 1 e 3)

Frio mata mais de 40 nos EUA e na Europa

Uma onda de frio, com até 33 graus negativos e fortes nevascas, causou mais de 40 mortes na Europa e nos Estados Unidos, além de deixar milhares de pessoas presas em aeroportos e estações de trem. A Eurostar suspendeu a circulação de trens entre Londres e Paris por tempo indeterminado. Na Polônia, 29 pessoas desabrigadas morreram congeladas. (págs. 1 e 24)

Vendas sobem 10%, e Natal puxa indústria

No primeiro Natal pós-crise, as vendas nos shoppings do país aumentaram pelo menos 10% no fim de semana passado. No Rio, dezenas de brinquedos sumiram das prateleiras. Com a queima de estoques nas lojas, a indústria será beneficiada com novas encomendas, acelerando a retomada da economia brasileira no próximo ano. (págs. 1 e 19)

Tabela do IPVA para 2010 tem redução, em media, de 15% (págs. 1 e 17)

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Folha de S. Paulo

Manchete: Alckmin lidera em SP e Hélio Costa, em MG
No RJ, Cabral está na frente; Mercadante é o 1° na disputa pelo Senado em SP

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) venceria no primeiro turno a eleição para o governo paulista se o pleito ocorresse hoje, revela pesquisa Datafolha feita entre os dias 14 e 18. Ele atinge ao menos 50% em todos os cenários em que aparece.

No campo que apoia o presidente Lula, tanto Ciro Gomes (PSB) quanto os possíveis candidatos do PT ficam bem abaixo do tucano.

Ciro, cuja preferência é disputar o Planalto, alcança de 14% a 16%. Marta Suplicy (PT) varia de 14% a 19%.

O governador José Serra (PSDB), pré-candidato à Presidência, ganharia se decidisse disputar a reeleição.

Em Minas, o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), está em primeiro em todos os cenários, variando de 31% a 37% - esse último índice no caso de o PT não lançar candidato para disputar o governo.

No Rio, o governador Sérgio Cabral (PMDB) está na frente, com índices entre 36% e 39%. Seu principal rival é o ex-governador Anthony Garotinho (PR).

O senador Aloizio Mercadante (PT) lidera, com 32%, a disputa ao Senado por SP. Romeu Tuma (PTB) tem 27%; o ex-governador Orestes Quércia (PMDB), 24%. Em 2010 serão eleitos dois senadores por Estado. (págs. 1 e Brasil)

Vera Magalhães
Pesquisa praticamente define candidato tucano (págs. 1 e A7)

Leptospirose pode ter matado uma criança do Jardim Pantanal

Uma criança que morreu ontem em SP pode ter sido vítima de leptospirose. Isaac Souza de Lima, 6, vivia numa área pobre do Jardim Pantanal (zona leste) alagada por quase duas semanas após o temporal do dia 8.

Segundo vizinhos, Isaac apresentou dores no corpo, febre alta e vômitos depois de ter tido contato com a água suja e foi levado a um posto de saúde, onde ouviu que poderia ser tratado em casa. Como os sintomas pioraram, ele foi hospitalizado.

Pelo menos dez moradores da região estão com suspeita de leptospirose. (págs. 1 e C5)

Foto legenda: Do Sul ao Norte

Criança pede esmola perto de Teixeira de Freitas (BA), na BR-101, que corta o litoral de 12 Estados e é a 2ª maior rota rodoviária do país; Folha percorreu 4.500 km da estrada, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, para conferir sua qualidade (págs. 1, C3 e C4)

Fábio Barreto, diretor de 'Lula', sofre acidente; estado é grave

O cineasta Fábio Barreto, 52, capotou o carro na noite de sábado, em Botafogo, zona sul do Rio. Sofreu traumatismo craniano e respira com a ajuda de aparelhos.

O diretor de "Lula, o Filho do Brasil" foi levado ao hospital Miguel Couto e operado. Pela manhã, foi transferido para o Copa D'Or. "Não estamos preocupados com sequelas, mas em mantê-lo vivo", disse o neurocirurgião Paulo Niemeyer. (págs. 1 e C5)

Mundo: Popularidade de Berlusconi sobe 7 pontos após ataque (págs. 1 e A10)

Editoriais
Leia "O partido dos eleitos", que comenta o Datafolha; e "Luz para a baixa renda", sobre acesso à energia elétrica. (págs. 1 e A2)

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O Estado de S. Paulo

Manchete: Governo abre o cofre para demitir sem ônus político
Incentivos criados por estatais elevam em 74% gastos com obrigações trabalhistas

O governo federal desembolsou R$ 155 milhões em indenizações trabalhistas de janeiro a novembro, 74% a mais do que no mesmo período de 2008. Por trás do aumento de despesas estão os incentivos financeiros de Programas de Demissão Voluntária (PDVs) criados pelas estatais para estimular a saída de aposentados sem a necessidade de arcar com o ônus político de demissões. Em muitos casos, esses funcionários ocupam cargos altos e resistem a deixá-los. O quadro se agravou em 2006, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a aposentadoria não rompe vínculos empregatícios. Desde então, 76.225 aposentados mantiveram o cargo. Os Correios, por exemplo, já gastaram R$ 352,8 milhões em dois PDVs que levaram à dispensa de 6.023 servidores, dos quais 4.769 estavam aposentados. (págs. 1, B1 e B3)
Dívida pública já assusta

A dívida bruta do setor público, que já se aproxima de R$ 2 trilhões, é o novo fantasma dos analistas da economia brasileira. Ela cresceu de 53% para 67% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o governo Lula e pode superar 70%. (págs. 1 e B5)

Força-tarefa de ministros vai ajudar Dilma em SP

O Planalto usará uma tropa de choque de ministros como Guido Mantega (Fazenda) para divulgar programas federais em São Paulo e apoiar a candidatura Dilma Rousseff. A intenção é evitar que o tucano José Serra capitalize sozinho o apelo eleitoral de obras que têm apoio federal, como o Rodoanel. "Precisamos consolidar essa marca do governo no Estado", diz o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha. (págs. 1 e A4)

Autópsias mostram que H1N1 lesiona o pulmão

As autópsias de 21 vítimas brasileiras da gripe suína mostram que o vírus H1N1 causa danos ao pulmão semelhantes aos das pandemias de influenza de 1918, 1954 e 1968. Os exames, feitos por cientistas da USP, indicam ainda que houve resposta exagerada do sistema imunológico à doença, o que acabou prejudicando os pacientes. (págs. 1 e A12)

Obama fecha primeiro ano com balanço modesto

Barack Obama encerra o primeiro ano na presidência dos EUA contabilizando como vitórias da sua gestão a reforma do sistema de saúde e até sua participação na conferência sobre o clima de Copenhague. Analistas põem em dúvida avanços feitos nas duas frentes e afirmam que o desempenho de Obama ficou aquém das expectativas criadas por sua posse. (págs. 1 e A8)

Tarifa de ônibus subirá para R$ 2,70 no dia 4 de janeiro

Depois de três anos sem reajuste, a tarifa de ônibus vai subir para R$ 2,70 no dia 4 de janeiro. O aumento é de 18%. Com isso, São Paulo terá uma das tarifas mais caras do País. Nas outras capitais o valor não passa de R$ 2,50. O congelamento até o fim do ano foi uma promessa de campanha do prefeito Gilberto Kassab. Para cumpri-la, ele bancou R$ 783 milhões em subsídios às empresas de ônibus. (págs. 1 e C1)

Foto legenda: Derradeiro check-out

O empresário italiano Marco Crippa, um dos últimos hóspedes do Grand Hotel Ca’d’Oro, deixa seu quarto. Aberto em 1953 e outrora ponto de encontro de artistas e intelectuais, o primeiro cinco estrelas paulistano fechou as portas ontem. (págs. 1 e C6)

Acidente de carro deixa em coma cineasta Fábio Barreto

O cineasta Fábio Barreto, de 52 anos, diretor do filme Lula, o filho do Brasil, está internado, em coma induzido, no Hospital Copa D'Dor, no Rio. Ele capotou o carro na noite de sábado e sofreu traumatismo craniano. Seu estado é considerado grave. (págs. 1 e C5)

'Estado' sob censura há 143 dias. (págs. 1 e A7)

Clima: Frio antecipado no Hemisfério Norte
Maior nevasca em 60 anos cobriu a Costa Leste dos Estados Unidos. (págs. 1 e A9)

Notas e Informações: O STF e a incerteza jurídica

Cabe ao STF garantir segurança jurídica. Mas tem tomado decisões confusas, imprecisas e mal fundamentadas. (págs. 1 e A3)

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Jornal do Brasil

Manchete: Ligação da Dutra à BR-40 sai do papel
A parceria da União com o Rio vai avançar. Quando encontrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, o governador Sérgio Cabral mostrará estudo da Coppe-UFRJ propondo a ligação entre as rodovias Presidente Dutra e BR-040. A informação é do vice-governador, Luiz Antonio Pezão. Em entrevista ao JB, Pezão conta que a Transbaixada seguirá as margens do Rio Sarapuí e custará R$ 230 milhões. (págs. 1 e País A5)

Fábio Barreto luta para sobreviver

Submetido a uma cirurgia de emergência na cabeça, o cineasta Fábio Barreto luta pela vida na UTI do hospital Copa D'Or. O diretor capotou com o carro, sábado, em Botafogo. (págs. 1 e Cidade A12)

Morre a atriz Brittany Murphy

Famosa pelos papéis em filmes como As patricinhas de Beverly Hills, Recém-casados e Garota interrompida, a atriz Brittany Murphy, de 32 anos, morreu em Los Angeles. Murphy teve uma parada cardíaca e foi levada ao hospital Cedars Sinai, mas já teria chegado morta. (págs. 1 e Internacional A20)

Google distribui smartphone

O duelo entre Google e Apple vai esquentar no início de 2010, quando a primeira começar a vender o smartphone com o sistema Android. O aparelho começou a ser dado para testes a funcionários nos EUA e será compatível com qualquer operadora. (págs. 1 e Vida, Saúde & Ciência A22)

Coisas da política

Aécio e os preconceitos na política. (págs. 1 e A2)

Outras páginas

Desembargadora contesta advogado. (págs. 1 e A6)

Carlos Eduardo Novaes

Conferência do Clima, papo de cartola. (págs. 1 e A23)

Editorial

Saneamento, um bem que não traz voto. (págs. 1 e A10)

Sociedade Aberta

Walder Suriani
Superintendente da Aesbe

As dificuldades do saneamento. (págs. 1 e A7)

Sociedade Aberta

Casimiro Vale
Presidente do Creci-RJ

Revitalizar é uma conquista. (págs. 1 e A3)

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Correio Braziliense

Manchete: Fraude na Previdência chega a R$ 1,6 bilhão
Tribunal de Contas da União identifica o golpe dos "mortos-vivos", gente que saca indevidamente os benefícios pagos a quem já morreu. Falhas na atualização do INSS favorecem as irregularidades (págs. 1, 2 e 3)

Propina: PF investiga caminho do dinheiro sujo

A Polícia Federal encontrou indícios que podem levar à ligação entre as empresas sob suspeita na Operação Caixa de Pandora e integrantes do GDF. Os investigadores recolheram cédulas no gabinete de Fábio Simão, ex-chefe de gabinete de Arruda, e na casa de Domingos Lamoglia, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do DF. O ministro do STJ Fernando Gonçalves recomendou exames complementares no dinheiro apreendido. (págs. 1 e 19)

Governo sai em defesa do aborto

Programa lançado hoje faz uma recomendação clara: o Legislativo deve alterar o Código Penal para garantir a “descriminalização do aborto”. Grupo de deputados promete mobilização nacional contra a medida. (págs. 1 e 8)

Boa viagem

Saiba como evitar transtornos na hora do embarque (págs. 1 e 28)

UnB

Provas de vestibular reúnem 18 mil candidatos. Abstenção ficou em 22% (págs. 1, 22 e gabarito no site do Correio)

Em tempo integral

A prática é cada vez mais comum: brasilienses decidem abandonar o emprego para se dedicar exclusivamente aos concursos. Mas especialistas alertam que o esforço nem sempre rende maravilhas. (págs. 1 e Eu, Concurseiro, 12 e 13)

Foto legenda: Castigados pelo frio

O inverno no Hemistério Norte começa hoje, mas nevascas já provocam tragédias em países como a Polônia, onde 15 pessoas morreram por conta do mau tempo. Em Nova York, o clima era de caos urbano. (págs. 1 e 15)
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http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir
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Domingo, Dezembro 20, 2009

A HORA DO "ÂNGELUS": 4o. DOMINGO DO ADVENTO (MARIA, Mãe)

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O 4o Domingo do Advento tem a figura de Maria como seu centro.

No evangelho que a Igreja nos prescreve para o advento deste ano jubilar, vemos Maria já a serviço, como a primeira evangelizadora, pois mal lhe foi feito o anúncio de que seria a Mãe do Salvador, pelo anjo Gabriel, ela parte para a casa de sua prima Isabel, a fim de ajudá-la. E Isabel é a primeira a receber o anúncio da Boa Nova!


No entanto, qual é grande mensagem deste 4o Domingo do Advento? Se analisarmos as leituras deste dia, veremos que:

o profeta Miquéias (Mq 5, 1-4a) fala de um Deus que abandona o seu povo. O mesmo Deus que chamava Israel de seu preferido agora o abandona! Como pode ser isso? No entanto, o profeta mesmo diz que será por pouco tempo, pois Iahweh abandona o seu povo porque ele lhe foi infiel, cultuando falsos deuses e desobedecendo aos seus mandamentos. Mas, quando chegar o tempo oportuno, o Senhor novamente se lembrará de seu povo e, por sua misericórdia, lhe estenderá a salvação, vinda de Belém, que apesar de pequena, é a cidade de Davi. Pela glória de um rei passado, o profeta mostra como será ainda maior a glória do Rei que virá!
É, portanto, a fidelidade a Deus que pede o profeta, recordando que o povo sofre pela desobediência e ainda assim, em vista de seu amor, Deus será misericordioso com seu povo.



a carta aos Hebreus (Hb 10, 5-10) de novo nos vem falar da obediência. Desta vez, porém, fala da obediência perfeita, a do próprio Filho de Deus, aquele que rompe com a Lei em vista da liberdade dos filhos de Deus. A partir de Jesus, os sacrifícios de animais antes oferecidos não serão mais válidos, pois a oferenda maior é a do Filho, Sumo Sacerdote eterno, que se faz obediente até a morte e por isso ganha para todos nós, homens, o perdão dos pecados e a santificação.

o evangelho segundo Lucas (Lc 1, 39-45) mostra-nos o Senhor Deus se derramando em misericórdia. Aqueles seus filhos mais pobres, os menores dentre todos, são sumamente agraciados. Isabel, a estéril, torna-se mãe do Precursor. Maria, pobre e humilde, é a Mãe do Senhor, dAquele que salvará Israel. No entanto, na cena da visitação, chama a atenção a frase de Isabel, em consonância com o que nos dizem as outras leituras: "Feliz a que acreditou". Maria, nas palavras de Isabel, é por definição o modelo da Serva do Senhor, porque ela acreditou sem reservas e OBEDECEU ao que lhe pedia o Senhor através das palavras do Anjo. Maria é a que ouve a palavra do Senhor e a põe em prática. Ela ouviu o anúncio do Anjo e disse SIM. Em Maria, a amada de Iahweh, Deus se faz enfim misericórdia e nos traz em plenitude a salvação.

Pondo em relevo a figura de Maria, como modelo humano de obediência perfeita, a espiritualidade do 4o domingo deste tempo de Advento é a fidelidade a Deus e a seus mandamentos. Crer em Deus, salienta-nos a liturgia, significa ser fiel a Ele. E aquele que é fiel a Deus tem como recompensa a vida eterna, a salvação em Cristo Jesus, cujo nascimento mais uma vez celebraremos neste Natal.

Estaremos preparados para oferecer como presente ao Menino na manjedoura a nossa fidelidade ao Pai, a exemplo de Maria, sua Mãe e Serva?
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http://www.emaus.org.br/jornal_artigo.asp?codigo=96
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ELE VEIO PARA O QUE ERA SEU…


Prof. Felipe Aquino at 7:13 pm
on terça-feira, dezembro 11, 2007

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade”. (Jo 1, 8)

Nas quatro semanas do Advento a Igreja nos leva a meditar e preparar o coração para celebrar as duas Vindas de Jesus. As cores e símbolos da liturgia nos ajudam nisso. A Coroa do Advento com as quatro velas que vão sendo acendidas uma a cada semana nos preparam e ensinam.

A vela vermelha significa a Fé que o Menino traz ao mundo; a certeza de que Deus está conosco, armou a sua tenda entre nós; “revestido de nossa fragilidade, Ele veio uma primeira vez para realizar o seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação”, diz um dos Prefácios do Advento.

A vela branca a simboliza Paz; este Menino é o “Príncipe da Paz”, disse o profeta Isaias (11,1s). Quando o Seu Reino for implantado, “a justiça será como o cinto de seus rins, e a lealdade circundará seus flancos. Então o lobo será hóspede do cordeiro, a pantera se deitará ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto à toca da víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da áspide. Não se fará mal nem dano em todo o meu santo monte, porque a terra estará cheia de ciência do Senhor, assim como as águas recobrem o fundo do mar.” (Is 11, 5-8).

A vela roxa (quase rosa) simboliza a alegria do Menino que chega para salvar. É a alegria mitigada pela cuidadosa vigilância do tempo da espera.

A vela verde traz a simbologia da Esperança que o Deus Menino traz a todos os homens de todos os tempos e todos os lugares. “Sem Deus não há esperança”, disse há pouco o Papa Bento XVI na encíclia “Spe Salvi (Salvos pela Esperança); e “sem esperança não há vida”, concluiu o Pontífice. É esta esperança de uma vida feliz aqui e no Céu que o grande Menino veio anunciar com sua meiga e frágil presença na manjedoura de Belém.

A primeira vinda de Cristo mostra todo o amor de Deus por nós. Ninguém mais tem o direito de duvidar desse Amor. Ele deixou a glória do Céu, dignou-se assumir a nossa frágil humanidade, para nos levar de volta para o Céu; Ele aceitou viver a nossa vida, derramar as nossas lágrimas, comer nosso pão de cada dia… e, por amor puro a cada um de nós dar um mergulho nas sombras da morte para destruí-la.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens” (Jo 1, 1s).

O amor de Deus não é o amor de novelas, com músicas românticas e palavras sensuais; é amor que se revela por fatos, atos, renúncia, sofrimento… é amor que gera a vida.

São João apresenta o Menino que vai chegar: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam… Ele era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. A Luz de Cristo resplandeceu nas trevas mas essas não a compreederam; as trevas fogem da luz, tem medo dela, porque a luz revela o erro. Quem faz o mal, pratica o crime, busca a calada da noite para que a luz não o denuncie. Por isso Jesus foi logo perseguido pelo cruel tirano Herodes Magno.

Disse a Lumen gentium que “só Jesus Cristo revela o homem ao próprio homem”; Ele é “a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”; é por isso que o Papa João Paulo II disse em sua primeira encíclica “Redemptor Hominis” que: “ o homem que não conhece Jesus Cristo permanece para si mesmo um desconhecido, um mistério inexplicável, um enigma insondável”.

Sem Jesus Cristo o homem não sabe quem é, não sabe o que faz neste mundo, não sabe o sentido da vida, do sofrimento, da morte, da dor e das estrelas… é um coitado e um perdido como muitos filósofos ateus que se debateram em meio de suas trevas e acabaram arrastando muitos outros consigo para uma vida vazia e triste. Não foi à toa que muitos jovens suicidaram-se lendo o “Werther” de Goethe e a “Comédia Humana” de Balzac. Depois de ler “A Nova Heloisa” de Jean Jacques Rosseau uma jovem estourou os miolos em uma praça de Genebra e vários jovens se enforcaram em Moscou depois de ler “Os sete que se enforcaram” de Leonid Andreiv”. Só Jesus Cristo “é a Luz que ilumina todo homem que vem a este mundo”. Um dia Karl Wusmann, escritor francês, entre o revolver e o crucifixo, escolheu o crucifixo… e viveu. (J. Mohana, Sofrer e Amar).

“Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.”

O Natal nos traz esta certeza e esta enorme alegria: somos filhos amados de Deus; que nos fez para Ele, por amor. Ele fez para nós as estrelas, o cosmos, as pedras , os rios, as montanhas, os animais, os peixes das águas e os pássaros do Céu, o doce fruto da terra, o perfume das flores, a harmonia das cores e o mar que murmura o Seu Nome a cantar…

Obrigado Senhor!

Prof. Felipe Aquino – www.cleofas.com.br

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http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/category/advento/
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Sábado, Dezembro 19, 2009

EDITORIAL: ''BRASIL, MEU BRASIL BRASILEIRO, MEU MULATO INZONEIRO..." *

Golpe na Constituição

Autor(es): Agencia O Globo/
Claudia Lima Marques
O Globo - 18/12/2009

Em breve poderá ser aprovado no Senado o projeto de lei 263/2004, que modifica o Código de Defesa do Consumidor, retirando dos consumidores o direito a seus "dados pessoais" de consumo, violando sua privacidade e criando um "supercadastro positivo" para os fornecedores no Brasil!

Isto mesmo, em um pais em que se compram até sapatos a prestação, pretende-se determinar que todas as operações financeiras que envolvam "crédito" ou "débito" (empréstimos, compras com cartões, com cheques pré-datados etc. ) resultem no armazenamento de todas as "características" do consumidor em um superbanco de dados.

Estes "cruzarão" e compartilharão à vontade os dados armazenado sobre cada indivíduo para traçar seu perfil de consumidor: se é pobre ou rico, com uma família ou mais, saudável ou doente, branco ou preto, jovem ou idoso, descendência, se é ou não um "risco".

Tudo sem nenhum limite ou qualquer autorização-notificação ao consumidor, como pretende o projeto de lei (PL 263), que ameaça ser conduzido ao plenário do Senado, em caráter "de urgência", sem sequer passar pela Comissão de Defesa do Consumidor ou ser submetido a uma audiência pública.

Por que o "silêncio"? Por que ninguém protesta contra essa "surpresa" do Senado no Natal? Não se sabe exatamente o que pretendem os senadores ao introduzir tais mudanças no Artigo 43 do Código de Defesa do Consumidor - uma das poucas leis aprovadas por unanimidade no parlamento. Trata-se de um retrocesso. E tudo em nome de uma improvável "redução dos juros bancários".

Aprendi em História do Direito o valor da privacidade e da informação pessoal (o perigo e o poder que significam). Posso explicar que sob as ingênuas palavras "características" e "adimplemento" do projeto de lei do Senado, esconde-se um mundo: a privacidade do indivíduo.

Privacidade significa que nem mesmo o Estado está autorizado a cruzar e "compartilhar" dados pessoais. Significa que o consumidor terá direito a dano moral sempre que o fornecedor (para vender mais!) violar este, que é um direito fundamental do cidadão.

Sim, a Constituição Federal brasileira garante, como liberdade do indivíduo e não da sociedade, a privacidade.

A teoria da Drittwirkung (efeito horizontal dos direitos fundamentais) e o direito fundamental de defesa do consumidor do Artigo V da Constituição (mantido pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN dos Bancos!) impõem mais cuidado no mercado de consumo com os dados pessoais e sensíveis dos brasileiros do que o previsto no projeto!

A Constituição impõe ao Estado-Juiz, ao Estado-Executivo e ao Estado-Legislador que promovam "a defesa do consumidor"! Como professora de Direito do Consumidor não posso deixar de me manifestar contra este projeto de lei e a forma como será imposto aos brasileiros, no apagar das luzes de 2009... Afinal, o Direito do Consumidor ainda é direito fundamental no Brasil e inclui uma proibição de retrocesso.

É um novo grande negócio com os dados de consumo, pois alguns vão monitorar toda a vida dos brasileiros e lucrar com a privacidade das pessoas: é business.

Zygmunt Baumann afirma que as pessoas na sociedade de consumo estão virando mercadoria. No Brasil, os 150 milhões de habitantes, que cada vez mais usam crédito para comprar produtos ou serviços de mais de 50 reais, vão virar "dados" valiosos desse novo business.

Pobre consumidor, pois este novo "big brother" será onipresente (nos shoppings, nas farmácias, nos hospitais, nos supermercados, sempre que alguém usar um cartão de loja, de banco, de crédito, de débito, financiar), sem "prêmios" ou "milhas" pela informação, sem qualquer autorização ou regime especial para dados sensíveis. Sem os benefícios da fama imediata dos artistas de televisão ou sequer qualquer direito à notificação.

Em outras palavras, a partir daí, tudo o que você fizer será arquivado e mantido por cinco anos, com acesso para "todos" os que pagarem por esses preciosos dados. Parece ser o fim do direito do cidadão-consumidor a seus dados. E o fim da privacidade no Brasil!

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(*) AQUARELA DO BRASIL (Ari Barroso).

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